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Startups - Transformando Cidades Tradicionais em Cidades Inteligentes

A aula aborda os 9 critérios para avaliar cidades inteligentes, focando em mobilidade e transporte, planejamento urbano, conexões internacionais e tecnologia. Destaca a importância de uma abordagem integrada e de longo prazo para o desenvolvimento sustentável das cidades, enfatizando a participação da população. Cidades como Singapura, Londres e Nova Iorque são citadas como exemplos em diferentes dimensões.

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Startups - Transformando Cidades Tradicionais em Cidades Inteligentes

A aula aborda os 9 critérios para avaliar cidades inteligentes, focando em mobilidade e transporte, planejamento urbano, conexões internacionais e tecnologia. Destaca a importância de uma abordagem integrada e de longo prazo para o desenvolvimento sustentável das cidades, enfatizando a participação da população. Cidades como Singapura, Londres e Nova Iorque são citadas como exemplos em diferentes dimensões.

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AULA 4

STARTUPS –
TRANSFORMANDO CIDADES
TRADICIONAIS EM CIDADES
INTELIGENTES

Prof.ª Janaina Camile Pasqual Lofhagen


INTRODUÇÃO

Na aula de hoje, continuaremos a estudar os 9 critérios considerados para


avaliar uma smart city. Analisaremos os critérios:
6) mobilidade e transporte;
7) planejamento urbano;
8) conexões internacionais;
9) tecnologia.
Também citaremos as principais cidades ao redor do mundo que se
destacam em cada uma dessas categorias.
Ao final, apresentaremos algumas considerações sobre todas as dimensões
estudadas.

TEMA 1 – MOBILIDADE E TRANSPORTE

Um dos grandes desafios enfrentados pelas cidades, devido ao


adensamento populacional, é a questão da mobilidade e transporte. As cidades do
futuro terão de tomar duas importantes medidas nesse campo: facilitar o movimento
(geralmente em grandes territórios) e disponibilizar acesso a serviços públicos
adequados.
A mobilidade e o transporte, tanto no que diz respeito à infraestrutura
rodoviária e de rotas, frota de veículos e transporte público, quanto no que se
refere ao transporte aéreo, afetam a qualidade de vida dos habitantes de uma
cidade e podem ser vitais para sua sustentabilidade ao longo do tempo. Porém,
talvez o aspecto mais importante sejam as externalidades geradas no sistema de
produção, seja devido à necessidade de deslocamento da força de trabalho ou
em razão da necessidade de uma saída para a produção.
Os índices de tráfego geral – o tráfego provocado pelo deslocamento para
o trabalho – e a ineficiência são estimativas da ineficácia causada pelos longos
tempos de condução e pela insatisfação que essas situações geram na
população. Esses indicadores são uma medida da segurança das rodovias e do
transporte público, que, se forem eficazes e possuírem boa infraestrutura,
promovem a diminuição do tráfego de veículos nas vias públicas e reduzem o
número de acidentes. Todos esses aspectos estão incluídos com um sinal
negativo no cálculo do CIMI, uma vez que eles têm impacto negativo no
desenvolvimento de uma cidade sustentável.

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Os indicadores considerados na dimensão mobilidade e transportes são
mostrados np Quadro 1.

Quadro 1 – Indicadores considerados na dimensão mobilidade e transportes

Fonte: Berrone; Ricart, 2019.

O número de estações de metrô e a extensão do sistema são indicadores


de comprometimento com o desenvolvimento da cidade e de investimento em
relação ao tamanho da população. O número de rotas aéreas (chegadas) e a
existência de um trem de alta velocidade representam o grau de desenvolvimento
de mobilidade da cidade em questão. Uma cidade altamente desenvolvida
favorecerá a incorporação de novas rotas aéreas comerciais, bem como a
circulação e o trânsito de passageiros, utilizando diferentes meios de transporte.
Os indicadores mostrados no Quadro 1 são incluídos com um sinal positivo no
CIMI (Cities In Motion Index) devido à boa influência que eles têm na dimensão.
Vale a pena destacar que, cada vez mais, é necessário pensar também nos
combustíveis que alimentam os vários modais de transporte. O uso de fontes
renováveis de energia impacta significativamente o meio ambiente, contribuindo
para a redução da emissão de gases do efeito estufa (GEE) e para a mitigação
das mudanças climáticas.

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As cidades que mais se destacam com relação à mobilidade e ao transporte
são Shangai (China), Beijin (China), Londres (Inglaterra), Paris (França) e Nova
Iorque (Estados Unidos).

TEMA 2 – PLANEJAMENTO URBANO

O planejamento urbano tem várias subdimensões e está intimamente


relacionado à sustentabilidade. Se não for considerado poderá causar uma redução
na qualidade de vida dos habitantes no médio prazo e também afetar
negativamente os incentivos de investimento, uma vez que o mau planejamento –
ou a falta dele – dificulta a logística e o transporte dos trabalhadores e aumenta os
custos nesses setores, além de impactar outros aspectos.
Para melhorar a habitabilidade de qualquer território, é necessário
considerar os planos municipais locais e o desenho de áreas verdes e espaços
para uso público, bem como optar pelo crescimento inteligente. Os novos métodos
de planejamento urbano devem se concentrar na criação de cidades compactas
e bem conectadas, com serviços públicos acessíveis.
Dependendo da informação disponível, diversos aspectos relacionados aos
planos urbanísticos, à qualidade da infraestrutura de saúde e às políticas
habitacionais são incorporados como indicadores dessa dimensão.
O quadro a seguir mostra os indicadores considerados na dimensão
planejamento urbano.

Quadro 2 – Indicadores considerados na dimensão planejamento urbano

Fonte: Berrone; Ricart, 2019.

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Em todas as cidades, a bicicleta é considerada um meio de transporte
eficaz, rápido, econômico, saudável e ecologicamente correto. Por isso, seu uso
tem um impacto positivo no desenvolvimento sustentável de uma cidade, uma vez
que a bicicleta não causa poluição nem utiliza combustível, além de proporcionar
outros benefícios. Considerando esse efeito positivo, o CIMI inclui o número de
pontos para aluguel ou compartilhamento desse meio de transporte, com base em
estações de acoplamento onde as bicicletas podem ser retiradas ou deixadas.
Muitas cidades historicamente consideradas smart cities têm uma certa correlação
positiva com o uso disseminado de bicicletas. Como resultado, essa variável é
incluída com um sinal positivo.
Outro aspecto importante é a qualidade da infraestrutura de saúde, que se
refere à porcentagem da população urbana com acesso a instalações de
saneamento adequadas. Esse indicador tem uma alta correlação com o
planejamento urbano, pois pode-se mostrar que um planejamento inadequado
resulta inevitavelmente em problemas de saúde no curto e no médio prazo.
Em se tratando de moradia, uma cidade com planejamento urbano
adequado geralmente tem poucos problemas de superlotação nos domicílios, já
que, normalmente, a política habitacional, em relação ao crescimento estimado do
número de moradores, é um fator determinante no planejamento urbano. Por essa
razão, nos indicadores explicativos dessa dimensão, o número de ocupantes de
cada domicílio é incluído com um sinal negativo.
Essa dimensão também considera o número de edifícios construídos e a
porcentagem de edifícios altos, que, em sua maioria, contribuem para a criação
de cidades compactas e organizadas.
As cidades que mais se destacam com relação ao planejamento urbano
são Toronto (Canadá), Nova Iorque (EUA), Vancouver (Canadá), Kiev (Ucrânia) e
Chicago (EUA).

TEMA 3 – CONEXÕES INTERNACIONAIS

As cidades que querem progredir devem garantir um lugar privilegiado no


cenário internacional. A manutenção do impacto global envolve a melhoria da
marca da cidade e seu reconhecimento internacional por meio de planos
estratégicos de turismo, atração de investimentos estrangeiros e representação no
exterior.

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As cidades podem ter um alcance internacional maior ou menor, mesmo
que sejam do mesmo país. A dimensão conexões internacionais busca refletir o
alcance internacional das cidades. Por isso, alguns dos indicadores são:
aeroportos, número de passageiros por aeroporto, número de hotéis, ranking dos
lugares mais populares do mundo segundo o Sightsmap e número de reuniões e
conferências realizadas de acordo com dados da Associação Internacional de
Congressos e Convenções. Esse último indicador é importante para a reputação
internacional de uma cidade, tendo em conta que esses eventos ocorrem
normalmente em cidades com hotéis internacionais, salas de reuniões
especialmente equipadas para tais fins, boa frequência de voos internacionais e
medidas de segurança adequadas.
A variável índice de restaurantes foi incluída recentemente e compara o
preço dos restaurantes das cidades com os de Nova Iorque, para ter uma
referência. É incorporado com um sinal positivo como indicador da qualidade
culinária internacional.
O Quadro 3 apresenta os indicadores considerados na dimensão conexões
internacionais.

Quadro 3 – Indicadores considerados na dimensão conexões internacionais

Fonte: Berrone; Ricart, 2019.

As cidades que mais se destacam com relação às conexões internacionais


são Londres (Inglaterra), Amsterdã (Holanda), Paris (França), Singapura
(Singapura) e Berlim (Alemanha).

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TEMA 4 – TECNOLOGIA

A tecnologia da informação e comunicação (TIC) faz parte da espinha dorsal


de qualquer sociedade que queira alcançar o status de smart city. Ela pode ser
considerada uma dimensão que pode trazer melhorias para a qualidade de vida da
sociedade, e seu nível de desenvolvimento ou disseminação é um indicador da
qualidade de vida alcançada ou da potencial qualidade de vida dos habitantes.
Além disso, o desenvolvimento tecnológico é uma dimensão que permite que
as cidades sejam sustentáveis ao longo do tempo e mantenham ou ampliem as
vantagens competitivas de seu sistema de produção e a qualidade do emprego.
Uma cidade tecnologicamente atrasada tem desvantagens comparativas em
relação a outras cidades, tanto do ponto de vista da segurança, educação e saúde
– todas fundamentais para a sustentabilidade da sociedade – quanto do aparato
produtivo. Como consequência, as funções de produção tornam-se anacrônicas.
Assim, a competitividade, sem protecionismo, se esgota e tem um efeito negativo
na capacidade de consumo e investimento da cidade, além de reduzir a
produtividade do trabalho.
O Quadro 4 apresenta os indicadores considerados na dimensão tecnologia.
As variáveis que mostram o percentual de domicílios com internet, telefones
celulares, bem como de assinaturas de telefonia fixa e banda larga, mostram o grau
de desenvolvimento tecnológico que uma cidade possui, pois esses recursos
permitem que domicílios e empresas tenham acesso aos meios necessários para
uso eficiente da tecnologia.
Os indicadores que representam o número de usuários do Twitter e do
LinkedIn são agrupados em uma variável denominada mídia social. Essa variável
é incorporada com um sinal positivo no CIMI, pois mostra o grau em que os
habitantes de uma cidade estão conectados à tecnologia.
O índice de inovação das cidades é calculado realizando-se avaliações
com base em vários fatores relacionados à inovação tecnológica urbana na saúde,
na economia e à disposição da população, entre outros. Divide-se
metodologicamente em três aspectos ou dimensões: ativos culturais,
infraestrutura humana e mercados interconectados.

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Quadro 4 – Indicadores considerados na dimensão tecnologia

Fonte: Berrone; Ricart, 2019.

O número de pontos de acesso sem fio (wireless) representa globalmente as


opções de conexão disponíveis para os habitantes da cidade quando eles estão
fora de casa. Essa variável mostra o grau de comprometimento da cidade com o
desenvolvimento tecnológico. Atualmente, quatro novas variáveis foram
incorporadas à dimensão tecnológica: porcentagem de domicílios com algum tipo
de serviço telefônico, percentual de domicílios com computadores pessoais,
velocidade de internet na cidade e Web Index. As quatro variáveis tentam mostrar,
com as anteriores, o grau de penetração da tecnologia na cidade.
As cidades que mais se destacam com relação à tecnologia são Singapura
(Singapura), Hong Kong (China), São Francisco (EUA), Reykjavik (Islândia) e
Dubai (Emirados Árabes).
Singapura, mostrada na foto a seguir, é uma cidade onde tudo gira em torno
da tecnologia. É a cidade que oferece a velocidade de internet mais rápida para
seus moradores. Com três telefones celulares para cada dois habitantes, possui
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um alto índice de cultura de inovação (Innovation Cities Index). Quase 100% de sua
população tem um telefone celular e há um grande número de pontos de acesso
sem fio.
Em 2018, a cidade recebeu o prêmio mundial Smart City Awards, em
Barcelona, devido ao seu projeto Smart Nation, que implementou uma série de
soluções urbanas inteligentes e inovadoras, aplicando tecnologias digitais para
melhorar a vida de seus habitantes. Por exemplo, há aplicativos que permitem a
interação entre o governo e os cidadãos; existem centenas de milhares de sensores
em torno da cidade monitorando, por exemplo, o tráfego de veículos; algoritmos
buscam otimizar as rotas do transporte público e também evitar vazamentos de
canos de água, por meio de análise de dados de forma preventiva.

Crédito: Molpix / Shutterstock.

TEMA 5 – CONSIDERAÇÕES SOBRE AS DIMENSÕES ABORDADAS

Conforme vimos nas últimas duas aulas, é necessário uma visão


abrangente sobre todas as nove dimensões consideradas para uma smart city.
Vimos que não basta a cidade se destacar apenas em uma dimensão. É
necessário que ela invista em todas as demais.
Há cidades no topo do ranking em algumas dimensões, mas que em outras
estão bem mal colocadas, precisando focar seu planejamento urbano nessas
áreas. Há, por exemplo, cidades que entendem que a tecnologia é o principal (ou
único) fator em uma smart city, não levando em conta outros campos críticos que

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definem a situação urbana. Se uma cidade não vê o todo, será difícil tornar-se
uma real smart city.
Além disso, é necessária a visão de longo prazo. As cidades precisam
definir sua identidade e estabelecer um plano estratégico. Uma das questões mais
importantes, e certamente mais difíceis, é definir que tipo de cidade querem ser
no futuro. A resposta não apenas definirá sua identidade, mas também o caminho
da transformação que devem percorrer para alcançá-la, principalmente por meio
de um bom plano estratégico. Um plano estratégico sólido impedirá mudanças
que possam desviar a cidade de sua identidade, à medida que as circunstâncias
ou os governos mudam.
A participação da população também deve ser uma ferramenta
fundamental para a transformação. A colaboração deve fluir entre os residentes e
a administração, caso contrário quaisquer soluções adotadas não serão eficientes
quando se trata de responder às reais necessidades da sociedade. Cada vez mais
as cidades estão se conscientizando da importância de envolver o público nos
processos de transformação e gestão, como refletido na proliferação de iniciativas
como orçamentos participativos e plataformas de participação digital, em que a
população pode dar sua opinião, fazer sugestões, em suma, ter voz na definição
e execução de planos estratégicos.
Certamente existem muitas cidades boas, mas a cidade perfeita não existe.
É muito difícil uma única cidade maximizar todas as dimensões estudadas
anteriormente. Mesmo aquelas que estão nas primeiras posições do ranking têm
pontos fracos. Cidades como Nova Iorque e Los Angeles têm um longo caminho
a percorrer em relação à coesão social e ao meio ambiente. Por isso, é necessário
que elas aproveitem ao máximo as vantagens que possuem nos campos em que
são líderes e se esforcem para progredir nas posições em que estão mais
atrasadas. Por exemplo, uma cidade pode aproveitar ao máximo sua liderança
tecnológica para melhorar seus resultados em termos de meio ambiente.
A crescente urbanização e aglomeração de pessoas faz com que seja cada
vez mais necessária a busca por estratégias inteligentes e sustentáveis, focando
principalmente nos principais pontos críticos das cidades: saúde, educação,
segurança, acesso ao transporte e moradia, entre outros. Essas questões podem
ser amenizadas e, em vários casos, solucionadas, quando a cidade adota
soluções inteligentes de gestão e serviços, principalmente utilizando as
tecnologias de informação e comunicação.

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REFERÊNCIAS
BERRONE, P.; RICART, J. E. IESE – Cities in Motion Index 2019. IESE Business
School – University of Navarra. Disponível em:
<[Link] Acesso: em 13 nov. 2019.

BRASIL. Decreto n. 9.203, de 22 de novembro de 2017. Diário Oficial da União,


Poder Legislativo, Brasília, DF, 23 nov. 2017. Disponível em:
<[Link]
Acesso em: 13 nov. 2019.

CMMAD – Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Nosso


futuro comum. Rio de Janeiro: Fundação Getulio Vargas, 1988.

SINGAPURA pode se tornar a cidade mais inteligente do mundo. GovTech


Brasil, 19 jul. 2018. Disponível em: <[Link]
se-tornar-a-cidade-mais-inteligente-do-mundo/>. Acesso em: 13 nov. 2019.

ISO 37120:2018 – Sustainable Cities and Communities – Indicators for City


Services and Quality of Life. ISO. 2018. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 13 nov. 2019.

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