UNIVERSIDADE ÓSCAR RIBAS
FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS E TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA INFORMÁTICA E COMUNICAÇÕES
CURSO DE ENGENHARIA INFORMÁTICA E COMUNICAÇÕES
TEMA: ANÁLISE COMPARATIVA DOS MODELOS OSI E TCP/IP
E SUA RELAÇÃO COM A CAMADA FÍSICA EM SISTEMAS DE
RÁDIO
Integrantes do Grupo:
Antero Borges
Benoliel Castro
Dário Morais
Gervasio Gime
Inossano Coutinho
Mateus Catumbela
Stélvio Lupambo
Docente: Paulo Silva
Disciplina: Telemática I
Data de entrega: 24/04/2025
1.2 Sumário
Tabela 4 Tipos de Meios Físicos 14
Tabela 5:Subcamadas da Camada de Ligação de Dados.................................................17
Tabela 6: Técnicas de Modulação Digital em Sistemas de Rádio...................................21
Tabela 7: Técnicas de Codificação e Correção de Erros.................................................22
3.1 Materiais Utilizados.............................................................................................24
Software..................................................................................................................25
Hardware (simulado)............................................................................................25
Protocolos e tecnologias.........................................................................................25
3.2 Procedimentos Realizados..................................................................................25
3.3 Configurações Realizadas...................................................................................26
[Link] 27
4.1 Apresentação das Atividades..............................................................................27
4.2 Testes e Simulações..............................................................................................28
4.3 Representações e Estruturas...............................................................................28
4.4 Resultados Obtidos..............................................................................................28
6. CONCLUSÃO 29
1.3 INTRODUÇÃO
No contexto atual das telecomunicações, a necessidade de transmissão eficiente,
confiável e padronizada de dados tornou-se fundamental para o funcionamento de
sistemas modernos, especialmente em redes sem fio e sistemas de rádio. Para atender a
essa necessidade, foram desenvolvidos modelos de referência que organizam e
padronizam a comunicação entre dispositivos, destacando-se o Modelo OSI (Open
Systems Interconnection) e o Modelo TCP/IP (Transmission Control
Protocol/Internet Protocol).
O Modelo OSI foi concebido pela International Organization for Standardization com o
objetivo de criar uma estrutura teórica dividida em sete camadas, facilitando o
entendimento, o desenvolvimento e a interoperabilidade entre sistemas distintos. Já o
Modelo TCP/IP, desenvolvido inicialmente pelo United States Department of Defense,
possui uma abordagem mais prática e enxuta, sendo amplamente utilizado na
implementação da internet e redes modernas.
Ambos os modelos desempenham um papel crucial na organização das funções de rede,
porém apresentam diferenças estruturais e conceituais que impactam diretamente sua
aplicação em diferentes contextos. Essa distinção torna-se ainda mais relevante quando
analisamos sistemas de comunicação via rádio, onde a camada física assume um papel
central, sendo responsável pela transmissão efetiva de sinais através do meio
eletromagnético.
Nos sistemas de rádio, a camada física envolve aspectos como modulação, propagação
de ondas, frequência, potência de transmissão e interferência, elementos essenciais para
garantir a integridade e eficiência da comunicação sem fio. A compreensão de como os
modelos OSI e TCP/IP se relacionam com essa camada permite uma análise mais
profunda do funcionamento das redes wireless e dos desafios enfrentados nesse tipo de
comunicação.
Objetivo geral
Análise comparativa aprofundada entre os modelos OSI e TCP/IP, com enfoque
específico nas camadas física e de ligação de dados e na sua relação técnica com os
sistemas de rádio e os enlaces de feixe hertziano.
Objetivos Específicos
• Explicar e caracterizar, de forma detalhada, as funções de cada camada dos
modelos OSI e TCP/IP, com ênfase nas camadas física e de ligação de
dados;
• Analisar os principais parâmetros técnicos de um enlace de feixe hertziano
— modulação, codificação, sincronismo, orçamento de enlace e zona de
Fresnel — estabelecendo a sua relação com as responsabilidades das
camadas inferiores dos modelos de rede;
• Construir quadros comparativos sistemáticos entre os dois modelos
protocolares, evidenciando diferenças estruturais, vantagens, limitações e
aplicações práticas;
• Analisar a influência do meio de transmissão — guiado e não guiado — na
arquiteturas e complexidade dos protocolos de comunicação;
• Identificar os desafios técnicos específicos dos sistemas de rádio e as
estratégias adoptadas pelas arquiteturas de rede para mitigá-los.
[Link]
O presente trabalho realiza uma análise comparativa dos modelos de referência OSI
(Open Systems Interconnection) e TCP/IP (Transmission Control Protocol / Internet
Protocol), com enfoque nas camadas física e de ligação de dados e na sua relação
com os sistemas de comunicação por rádio, especialmente os enlaces de feixe
hertziano. Para além da comparação estrutural entre os modelos, considerando
número de camadas, funções e protocolos, o estudo examina as responsabilidades
técnicas de cada camada, identificando convergências e divergências.
No contexto dos sistemas de rádio, são analisados os principais parâmetros que
influenciam o desempenho de um enlace hertziano, nomeadamente a modulação
(BPSK, QPSK, QAM, OFDM), a codificação de canal (FEC e códigos de correção
de erros), o sincronismo e o orçamento de enlace. São igualmente abordados
fenómenos físicos como atenuação, fading, interferência e zonas de Fresnel,
evidenciando o seu impacto na qualidade da transmissão. Os resultados demonstram
que o meio de transmissão influencia diretamente a complexidade da arquitetura de
protocolos, sendo que os meios não guiados exigem mecanismos mais robustos de
controlo e adaptação. Conclui-se que a integração entre teoria e prática é essencial
para o desenvolvimento de soluções eficientes em redes modernas.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1. Conceito de Redes de Computadores
Uma rede de computadores é definida como um conjunto de dois ou mais
dispositivos autónomos (nós ou hosts) interligados por meios de transmissão físicos
ou sem fio com o objetivo de partilhar recursos, dados e serviços TANENBAUM;
WETHERALL (2011). Para que esta comunicação seja efectiva e organizada, as redes
operam com base em protocolos, que são conjuntos formais de regras e convenções
que definem como os dispositivos comunicam entre si.
As redes de computadores podem ser classificadas quanto à sua extensão
geográfica em: PAN (Personal Area Network), LAN (Local Area Network), MAN
(Metropolitan Area Network) e WAN (Wide Area Network). Cada tipo de rede
apresenta características distintas em termos de alcance, velocida\de de transmissão,
tecnologias utilizadas e complexidade de gestão.
Figura 1Topologia de rede simulada, representando a interligação entre dispositivos (PC, laptops),
roteador sem fio (WRT300N), roteador principal e acesso à rede externa (Internet), evidenciando
comunicação com e sem fio.
2.2 Importância na Sociedade Moderna
As redes de computadores constituem a espinha dorsal da economia e da
sociedade digital contemporânea. A sua importância manifesta-se em múltiplas
dimensões:
• Comunicação global: correio eletrónico, videoconferência, redes sociais e
aplicações de mensagens instantâneas dependem inteiramente de
infraestruturas de rede;
• Acesso ao conhecimento: a Internet democratizou o acesso à informação,
disponibilizando recursos educativos, científicos e culturais a qualquer
pessoa com conectividade;
• Comércio eletrónico: as transações financeiras, compras online e serviços
bancários digitais assentam em redes seguras e de alta disponibilidade;
• Sistemas críticos: infraestruturas como redes eléctricas inteligentes,
sistemas de saúde, controlo de tráfego aéreo e defesa nacional dependem
de redes de comunicação robustas.
Esta transmissão pode ser de natureza analógica (sinais contínuos) ou digital
(sinais discretos, representados por bits), sendo que as redes modernas baseiam-se
fundamentalmente na transmissão digital, por ser mais robusta, eficiente e segura.
2.3 Necessidade de Padronização
Nas décadas de 1960 e 1970, as redes de computadores eram essencialmente
proprietárias: cada fabricante desenvolvia os seus próprios protocolos e tecnologias de
rede, incompatíveis com os das demais empresas. Esta situação gerava custos
elevados, dependência tecnológica e dificuldades na integração de sistemas
heterogéneos.
A padronização emergiu como solução para estes problemas, trazendo
benefícios como:
Interoperabilidade (dispositivos de diferentes fabricantes funcionam na mesma rede);
independência tecnológica (permite substituir tecnologias numa camada sem afetar as
restantes); mercado competitivo (qualquer empresa pode desenvolver produtos
conformes com os padrões, estimulando a concorrência e reduzindo custos).
2.4 Conceito de Arquitetura em Camadas
O conceito central dos modelos de referência é a arquitectura em camadas
(layered architecture). Em vez de um único bloco monolítico de software gerir todas
as funções de comunicação, estas são divididas em módulos hierárquicos
independentes, denominados camadas. Cada camada oferece serviços bem definidos à
camada imediatamente superior e utiliza os serviços da camada imediatamente
inferior.
Este modelo traz vantagens significativas: modularidade (cada camada pode
ser desenvolvida, substituída ou optimizada independentemente); abstração (esconde a
complexidade das operações das camadas inferiores); interoperabilidade (desde que a
interface entre camadas seja respeitada, diferentes implementações são compatíveis).
2.3 MODELO OSI (OPEN SYSTEMS INTERCONNECTION)
2.3.1 Origem e Objetivo
Segundo FOROUZAN( 2013), O Modelo OSI foi criado pela ISO
(International Organization for Standardization) em 1984, através da publicação da
norma ISO 7498. O seu desenvolvimento foi motivado pelo caos de
incompatibilidades existente nas redes da época. O objetivo fundamental era criar uma
arquitectura de referência universal que permitisse a interoperabilidade entre sistemas
de diferentes fabricantes, independentemente das tecnologias específicas utilizadas.
É crucial compreender que o Modelo OSI é um modelo de referência, e não uma
implementação específica. Ele define o que cada camada deve fazer, mas não como
deve ser feito essa flexibilidade é precisamente o que o torna uma ferramenta
pedagógica e de padronização de enorme valor.
2.3.2 Arquitetura do Modelo OSI
O modelo OSI divide a comunicação em rede em 7 camadas hierárquicas,
numeradas de 1 (inferior, mais próxima do meio físico) a 7 (superior, mais próxima do
utilizador). Cada camada comunica com a camada diretamente acima (fornecendo-lhe
serviços) e com a camada diretamente abaixo (utilizando os seus serviços). A
comunicação entre camadas do mesmo nível em dispositivos diferentes é regida por
protocolos de pares (peer protocols).
Figura 2: Arquitectura do Modelo OSI com as suas sete camadas, funções principais, exemplos de protocolos e
unidades de dados associadas.
Fonte: Elaboração própria 2026
2.3.3 As 7 Camadas do Modelo OSI
Camada 7 – Aplicação (Application Layer)
A camada de aplicação é a mais próxima do utilizador final e constitui a
interface entre os programas de software e a rede. Entre as suas funções destacam-se:
identificação e autenticação de parceiros de comunicação, determinação da
disponibilidade de recursos e sincronização da comunicação. Protocolos
representativos: HTTP, HTTPS, FTP, SMTP, IMAP, POP3, DNS, Telnet, SSH.
Camada 6 – Apresentação (Presentation Layer)
A camada de apresentação é responsável por garantir que os dados sejam
compreendidos entre sistemas diferentes, convertendo formatos, comprimindo
informações e aplicando segurança através de encriptação. Exemplos incluem
formatos como JPEG, MPEG e protocolos como SSL/TLS.
Camada 5 – Sessão (Session Layer)
A camada de sessão é responsável pelo estabelecimento, gestão e terminação
de sessões de comunicação entre dispositivos. Uma sessão é uma ligação lógica e
controlada entre dois sistemas, podendo incluir múltiplas transações. As funções
principais incluem: sincronização
(Inserção de pontos de controlo ou checkpoints para retomar sessões interrompidas),
gestão de diálogo (controlo da direção da transmissão) e recuperação de sessão em
caso de falha de rede.
Exemplos de protocolos: NetBIOS, RPC (Remote Procedure Call), SIP.
Camada 4 – Transporte (Transport Layer)
A camada de transporte é responsável por garantir a entrega eficiente e fiável
dos dados de ponta a ponta entre os sistemas. Para isso, divide as informações em
segmentos, adiciona números de sequência para assegurar a ordem correta no destino
e aplica mecanismos de controlo de erros e de fluxo, evitando perdas ou sobrecarga na
comunicação.
Camada 3 – Rede (Network Layer)
A camada de rede é responsável por encaminhar os pacotes desde a origem até
ao destino, mesmo atravessando várias redes. Suas principais funções incluem o
endereçamento lógico (IP), o roteamento dos dados pelo melhor caminho e a
fragmentação de pacotes maiores. O principal protocolo é o IP (IPv4 e IPv6), além de
outros como ICMP, ARP, OSPF e BGP.
Camada 2 – Ligação de Dados (Data Link Layer)
A camada de ligação de dados garante a transmissão fiável de dados entre
dispositivos diretamente conectados, corrigindo erros da camada física. Divide-se em
LLC e MAC, sendo responsável pelo enquadramento dos dados, endereçamento físico,
controlo de erros e fluxo.
Exemplos incluem Ethernet, Wi-Fi, PPP e HDLC.
Camada 1 – Física (Physical Layer)
A camada física é a base do modelo OSI e trata da transmissão de bits através
do meio físico. Define como os dados são convertidos em sinais elétricos, ópticos ou
de rádio, além de aspectos como taxa de transmissão, sincronização, topologia e modo
de comunicação.
Exemplos incluem padrões como Ethernet, Wi-Fi, RS-232 e DSL.
2.4 Importância Didática e na Padronização
Apesar de a Internet utilizar o modelo TCP/IP como arquitectura operacional, o
Modelo OSI mantém-se como a ferramenta pedagógica por excelência em redes de
computadores.
Segundo Kurose e Ross (2021), o modelo OSI oferece uma linguagem comum
que transcende as implementações específicas, permitindo que engenheiros de todo o
mundo comuniquem com precisão sobre problemas e soluções de rede. Quando um
técnico identifica 'um problema na camada 3', toda a comunidade de engenharia
compreende imediatamente que se trata de um problema de roteamento IP.
2.5 MODELO TCP/IP
1.6.1 Origem: Contexto Militar e Internet
O modelo TCP/IP surgiu na década de 1970, financiado pelo Departamento de
Defesa dos Estados Unidos através da DARPA (Defense Advanced Research Projects
Agency). O projeto nasceu de uma necessidade estratégica: criar uma rede de
comunicação descentralizada, capaz de sobreviver a ataques nucleares, com rotas
alternativas automáticas para a entrega de mensagens. O projeto ARPANET,
precursor da Internet, foi a materialização desta visão.
Em 1983, o TCP/IP tornou-se o protocolo padrão oficial da ARPANET,
substituindo o NCP (Network Control Protocol). Com a expansão da Internet nas
décadas seguintes, o TCP/IP consolidou-se como a arquitectura dominante de
comunicação em redes digitais em todo o mundo. Ao contrário do OSI, o TCP/IP foi
desenvolvido de forma pragmática, orientado para a resolução de problemas reais e
testado em ambiente de produção antes de ser formalizado como modelo.
1.6.2. As 4 Camadas do Modelo TCP/IP
Camada 4 – Aplicação (Application Layer)
A camada de aplicação do TCP/IP integra as funções das camadas de aplicação,
apresentação e sessão do modelo OSI num único nível. É nesta camada que os
protocolos definem como as aplicações comunicam entre si através da rede. A camada
de aplicação é responsável por toda a lógica de comunicação específica de cada
aplicação, desde a formatação dos dados até à gestão das sessões. Protocolos
principais: HTTP/HTTPS (navegação web), SMTP/IMAP/POP3 (email), FTP
(transferência de ficheiros), DNS (resolução de nomes), SSH (acesso remoto seguro),
SNMP (gestão de rede).
Camada 3 – Transporte (Transport Layer)
Correspondente à camada de transporte do OSI, esta camada fornece serviços de
comunicação de ponta a ponta entre processos de aplicação. O TCP (Transmission
Control Protocol) oferece um serviço orientado a conexão, com garantia de entrega,
controlo de fluxo (janela deslizante) e controlo de congestionamento. O UDP (User
Datagram Protocol) fornece um serviço não orientado a conexão, sem garantia de
entrega, adequado para aplicações que prioritizam a velocidade sobre a fiabilidade,
como VoIP, streaming e jogos online.
Camada 2 – Internet (Internet Layer)
Equivalente à camada de rede do OSI, esta camada é responsável pelo
endereçamento lógico e roteamento de pacotes através de redes heterogéneas. O
protocolo IP (Internet Protocol) é o núcleo desta camada, existindo em duas versões:
IPv4 (endereços de 32 bits, aproximadamente 4,3 mil milhões de endereços) e IPv6
(endereços de 128 bits, prácticamente ilimitados). Outros protocolos desta camada:
ICMP (diagnóstico e reporte de erros), ARP (mapeamento de endereços IP para
MAC), e protocolos de roteamento como OSPF e BGP.
Camada 1 – Acesso à Rede (Network Access Layer)
A camada de acesso à rede, também designada camada de interface de rede ou
camada de enlace, engloba as funções das camadas física e de ligação de dados do
modelo OSI. É a camada mais próxima do meio físico e trata da transmissão efectiva
dos dados no segmento de rede local. Esta camada é deliberadamente abstracta no
TCP/IP, permitindo a sua operação sobre qualquer tecnologia de rede subjacente:
Ethernet, Wi-Fi, redes de rádio, fibra óptica, etc.
Exemplos de tecnologias: Ethernet (IEEE 802.3), Wi-Fi (IEEE 802.11), redes
LTE/5G, PPP.
2.5.1 ANÁLISE COMPARATIVA: OSI VS. TCP/IP
Tabela 1 Tabela de Correspondência entre Camadas
Nº OSI Camada OSI Camada Protocolos Representativos
TCP/IP
7 Aplicação Aplicação HTTP, FTP, SMTP, DNS, SSH
6 Apresentação Aplicação SSL/TLS, JPEG, MPEG, ASCII
5 Sessão Aplicação NetBIOS, RPC, SIP
4 Transporte Transporte TCP, UDP, SCTP
3 Rede Internet IP, ICMP, ARP, OSPF, BGP
2 Ligação de Dados Acesso à Rede Ethernet, Wi-Fi (802.11), PPP
1 Física Acesso à Rede IEEE 802.3, DSL, RS-232, LTE
2.6 CAMADA FÍSICA
2.6.1 Definição e Importância
A Camada Física (Physical Layer) constitui a base de toda a arquitectura de
rede, sendo a camada 1 no modelo OSI e parte integrante da camada de acesso à rede
no TCP/IP. A sua responsabilidade fundamental é a transmissão de bits brutos
sequências de 0s e 1s através de um meio físico de comunicação, seja ele guiado
(cabos) ou não guiado (ondas eletromagnéticas).
Esta camada não interpreta o significado dos dados que transmite — essa
responsabilidade pertence às camadas superiores. A camada física ocupa-se
exclusivamente de como os dados são convertidos em sinais físicos (eléctricos,
ópticos ou de rádio) e de como esses sinais são propagados e detectados no receptor.
2.6.2 Funções Principais
• Representação de bits: define como os bits (0 e 1) são codificados em
sinais físicos — voltagem eléctrica, pulsos de luz ou variações de ondas de
rádio. Exemplos de codificações: NRZ (Non-Return to Zero), Manchester,
4B/5B;
• Taxa de bits (Bit Rate): define a velocidade de transmissão em bits por
segundo (bps). A largura de banda do meio e o esquema de modulação
determinam a taxa máxima atingível (teorema de Shannon-Hartley);
• Sincronização de bits: garante que o emissor e o receptor estão
sincronizados ao nível do bit, de modo a que o receptor consiga amostrar
correctamente o sinal no momento certo;
• Topologia física: especifica a forma como os dispositivos estão
fisicamente ligados — topologia em estrela, barramento, malha completa,
malha parcial ou anel;
• Modo de transmissão: define a direcção do fluxo de dados — simplex
(unidirecional), half-duplex (bidirecional alternado) ou full-duplex
(bidirecional simultâneo);
• Definição de interfaces: especifica os conectores físicos, os pinos, os
níveis de tensão e outros parâmetros mecânicos e eléctricos das interfaces
(ex.: RJ-45, BNC, SFP).
2.6.3 Tipos de Meios Físicos: Guiados e Não Guiados
Tabela 4 Tipos de Meios Físicos
Meio Tipo Vantagens Desvantagens Aplicações
Par Trançado Guiado Baixo custo, fácil Limitado em LANs Ethernet,
instalação, distância e telefonia
amplamente velocidade;
disponível sujeito a
interferências
Cabo Coaxial Guiado Boa blindagem Mais caro; menos TV cabo, redes
contra ruídos; maior flexível antigas
largura de banda
que par
trançado
Fibra Óptica Guiado Altíssima Custo elevado; Backbone, WAN,
velocidade; imune a instalação data centres
EMI; grandes especializada;
distâncias; segura frágil
Ondas de Não Guiado Mobilidade; sem Interferências; Wi-Fi, rádio
Rádio necessidade de segurança; AM/FM, IoT
cabos; fácil velocidade
instalação variável
Micro-ondas Não Guiado Alta capacidade; Requer LOS; Backhaul, satélite,
longas distâncias sensível a clima; 5G
ponto-a-ponto; custo das torres
estável
Infravermelho Não Guiado Baixo custo; sem Curto alcance; Controles remotos,
s licença de espectro necessita LOS; IrDA
perturbado pela
luz solar
Fonte: Adaptado de Forouzan (2013) e Stallings (2014).
2.7 CAMADA DE LIGAÇÃO DE DADOS
2.7.1 Definição e Funções
A Camada de Ligação de Dados (Data Link Layer) é a camada 2 do modelo
OSI. A sua missão principal é garantir a transferência fiável de dados entre dois nós
diretamente ligados, convertendo a camada física que oferece apenas a transmissão
bruta de bits num canal aparentemente livre de erros para a camada de rede
(STALLINGS, 2014).
Esta camada opera sobre frames (quadros), que são unidades de dados
estruturadas, compostas por um cabeçalho, dados e um campo de controlo de erros. A
camada de ligação de dados garante que os frames são correctamente delimitados, que
os erros são detectados e, em alguns casos, corrigidos, e que o fluxo de dados é
controlado para evitar a saturação do receptor.
2.7.2 Subcamadas: LLC e MAC
Nos padrões IEEE 802, a camada de ligação de dados é subdividida em duas
subcamadas distintas:
• LLC (Logical Link Control – IEEE 802.2): A subcamada LLC situa-se na
parte superior da camada de ligação de dados e fornece uma interface
uniforme para as camadas de rede, independentemente da tecnologia de
rede utilizada na subcamada MAC. O LLC trata do controlo de erros e de
fluxo entre os nós. Permite a multiplexação de diferentes protocolos de
camada de rede sobre o mesmo meio físico;
• MAC (Media Access Control): A subcamada MAC situa-se na parte
inferior da camada de ligação de dados e lida com o controlo de acesso ao
meio compartilhado. Define como os dispositivos determinam quando
podem transmitir, evitando colisões. Algoritmos de acesso ao meio
incluem: CSMA/CD (Carrier Sense Multiple Access with Collision
Detection) usado em Ethernet com fios — e CSMA/CA (Carrier Sense
Multiple Access with Collision Avoidance) usado em Wi-Fi e redes sem
fio. A subcamada MAC também lida com os endereços MAC (endereços
físicos de 48 bits), que identificam unicamente cada interface de rede ao
nível local.
2.7.3 Enquadramento (Framing)
O enquadramento é o processo de organizar os bits em unidades estruturadas
denominadas frames (quadros). Um frame típico contém: preâmbulo (para
sincronização), endereço MAC de destino, endereço MAC de origem,
tipo/comprimento, campo de dados, e FCS (Frame Check Sequence) para controlo de
erros. A delimitação dos frames pode ser feita por: inserção de flags (ex.: HDLC usa o
padrão 01111110), contagem de bytes, ou inserção de bytes de controlo.
2.7.4 Controlo de Erros: CRC e Checksum
Os meios de transmissão estão sujeitos a ruído e interferências que podem
corromper os bits transmitidos. A camada de ligação de dados implementa
mecanismos de detecção e, em alguns casos, de correcção de erros:
CRC (Cyclic Redundancy Check): É o mecanismo mais utilizado para
detecção de erros. O emissor calcula um valor CRC a partir dos dados e
adiciona-o ao frame. O receptor recalcula o CRC dos dados recebidos e
compara com o valor transmitido. Se existir divergência, o frame é
considerado corrompido. O CRC-32, por exemplo, detecta todos os erros
em bursts de até 32 bits;
Checksum: Mecanismo mais simples, utilizado nos protocolos TCP e
UDP. Consiste na soma de todos os bytes do segmento, transmitida com o
cabeçalho. Menos eficaz que o CRC para detecção de erros em padrões
específicos;
ARQ (Automatic Repeat reQuest): Protocolo que combina detecção de
erros com retransmissão. Quando o receptor detecta um frame com erros,
solicita a sua retransmissão. Variantes: Stop-and-Wait ARQ, Go-Back-N
ARQ e Selective Repeat ARQ. Nos sistemas de rádio, o ARQ é essencial
para lidar com os erros introduzidos pelo canal sem fio.
Tabela 5:Subcamadas da Camada de Ligação de Dados.
Subcamada Função Principal Protocolos/Padrões Exemplo de
Aplicação
LLC (IEEE 802.2) Interface com a camada IEEE 802.2 LLC Ethernet, Wi-Fi, Token
de rede; multiplexação Ring
de protocolos; controlo
de fluxo e erros lógicos
MAC Controlo de acesso ao CSMA/CD, CSMA/CA, Ethernet (802.3), Wi-Fi
meio; endereçamento TDMA, FDMA (802.11)
físico; delimitação de
frames
Fonte: Elaboração própria.
2.8 SISTEMAS DE RÁDIO
2.8.1 Conceito e Princípios Fundamentais
Os sistemas de rádio baseiam-se na propagação de energia eletromagnética
através do espaço livre ou da atmosfera, sem necessidade de um meio físico guiado.
Um sistema de rádio é composto, na sua forma mais básica, por três elementos
fundamentais: um transmissor (que converte o sinal de informação em ondas
eletromagnéticas e as irradia através de uma antena), um canal de propagação (o meio
pelo qual as ondas se propagam, sujeito a atenuação, reflexão, difracção e dispersão) e
um receptor (que capta as ondas eletromagnéticas através de uma antena e as converte
de volta ao sinal de informação original).
2.8.2 Espectro Radioelétrico
O espectro radioelétrico é o conjunto de todas as frequências de ondas
eletromagnéticas utilizáveis para comunicação. Sendo um recurso natural finito e
partilhado, o seu uso é regulado a nível nacional e internacional por entidades como a
UIT (União Internacional das Telecomunicações) e o INACOM em Angola. As
principais faixas de frequências e as suas aplicações são:
Figura 3 Espectro radioelétrico, apresentando as faixas de frequência, comprimentos de onda e principais
aplicações das ondas eletromagnéticas nas comunicações.
Fonte: Elaboração própria 2026
2.8.3 Propagação de Ondas de Rádio
A propagação de ondas de rádio pode ocorrer por diferentes mecanismos,
dependendo da frequência e das características do ambiente:
• Onda de superfície (Ground Wave): Propaga-se ao longo da superfície
terrestre, curvando-se com a curvatura da Terra. Eficaz em baixas
frequências (LF/MF). Utilizada em comunicações AM de longa distância;
• Onda ionosférica (Sky Wave): As ondas HF são refractadas pela ionosfera
e retornam à Terra a grandes distâncias. Permite comunicações
intercontinentais sem infraestrutura, mas é variável e imprevisível;
• Onda espacial (Space Wave / LOS): Para frequências VHF e superiores, as
ondas propagam-se em linha recta (Line of Sight). A distância é limitada
pela curvatura terrestre, mas pode ser estendida com torres de maior
altitude. É o regime de propagação dominante em enlaces hertzianos;
• Propagação por difracção: Contornamento de obstáculos pelas ondas
eletromagnéticas. Mais pronunciado em frequências mais baixas;
• Propagação por dispersão troposférica (Troposcatter): Utilizada para
comunicações além do horizonte, mas com atenuação muito elevada.
2.9 ENLACE DE FEIXE HERTZIANO
2.9.1 Conceito e Arquitetura
Um enlace de feixe hertziano (também designado microwave link ou rádio
enlace) é um sistema de comunicação ponto-a-ponto que utiliza ondas de micro-ondas
(geralmente na faixa de 2 a 80 GHz) para transmitir informação a distâncias que
variam tipicamente entre 10 e 80 km. São amplamente utilizados como backhaul de
redes de telefonia móvel, ligações entre estações de base, interligação de edifícios em
zonas urbanas e substituição de cabos de fibra óptica onde a instalação física é
inviável ou economicamente proibitiva.
A arquitetura típica de um enlace hertziano inclui: equipamento terminal
(modem/rádio, codec, multiplexador), antenas parabólicas de alta directividade, mástis
ou torres de elevação para garantir linha de visada, e equipamentos de supervisão e
gestão. A fiabilidade de um enlace hertziano bem projectado pode atingir 99,999% de
disponibilidade (equivalente a menos de 5 minutos de indisponibilidade por ano).
1.9.2 Zona de Fresnel
A Zona de Fresnel é um conceito físico fundamental no projecto de enlaces
hertzianos. Corresponde a uma região elipsoidal em torno do percurso directo entre o
transmissor e o receptor, dentro da qual a interferência construtiva e destrutiva das
ondas eletromagnéticas determina a qualidade do sinal recebido. A primeira zona de
Fresnel (n=1) é a mais crítica: para garantir a máxima intensidade do sinal no
receptor, é necessário que pelo menos 60% da primeira zona de Fresnel esteja
desobstruída.
O raio da enésima zona de Fresnel num ponto de obstrução a uma distância d1 do
transmissor e d2 do receptor, para uma frequência f, é dado aproximadamente por:
rₙ = √(n · λ · d₁ · d₂ / (d₁ + d₂)) onde λ = c/f (comprimento de onda)
Obstruções que penetrem na primeira zona de Fresnel causam difracção, resultando
em atenuação adicional do sinal. No projecto de enlaces hertzianos, é essencial
calcular o perfil topográfico do percurso e garantir a clearance (folga) necessária
acima de obstáculos naturais (colinas, vegetação) e artificiais (edifícios, torres).
2.9.3 Orçamento de Enlace (Link Budget)
O orçamento de enlace (link budget) é o cálculo que determina se a potência
do sinal recebido num enlace de rádio é suficiente para garantir uma comunicação
com qualidade adequada (BER Bit Error Rate dentro dos limites especificados). O
balanço de enlace contabiliza todos os ganhos e perdas ao longo do percurso de
transmissão:
Prx = Ptx + Gtx – Ltx – Lfsl – Lfading – Loutros + Grx – Lrx
• Ptx: Potência de transmissão (dBm);
• Gtx / Grx: Ganho das antenas transmissora/receptora (dBi). Antenas
parabólicas típicas apresentam ganhos de 30 a 50 dBi;
• Ltx / Lrx: Perdas nos cabos e conectores do lado do transmissor/receptor
(dB);
• Lfsl: Atenuação no espaço livre (Free Space Path Loss) — calculada por:
Lfsl (dB) = 20·log(d) + 20·log(f) + 92,4 (d em km, f em GHz);
• Lfading: Margem de fade — reserva de potência para compensar o
desvanecimento estatístico do sinal;
• Loutros: Perdas adicionais por precipitação (chuva), gases atmosféricos,
obstáculos de difracção.
2.9.4 Modulação Digital em Sistemas de Rádio
A modulação é o processo pelo qual o sinal de informação digital é convertido num
sinal analógico adequado para transmissão pelo canal de rádio. Nos sistemas
hertzianos modernos, utilizam-se esquemas de modulação digital de elevada
eficiência espectral:
Tabela 6: Técnicas de Modulação Digital em Sistemas de Rádio
Modulação Bits/Símbolo Eficiência Req. SNR Aplicação
Espectral
BPSK 1 bit Baixa (1 b/s/Hz) ~10 dB Ambientes
ruidosos,
satélites
QPSK 2 bits Média (2 b/s/Hz) ~14 dB 3G, rádio-enlace
curto alcance
16-QAM 4 bits Alta (4 b/s/Hz) ~20 dB LTE, rádio-
enlace padrão
64-QAM 6 bits Muito Alta (6 ~26 dB Redes 4G,
b/s/Hz) backhaul
256-QAM 8 bits Excepcional (8 ~32 dB Redes 5G,
b/s/Hz) ambientes LOS
OFDM Variável Muito Alta + Variável Wi-Fi, 4G LTE,
robustez 5G NR
Fonte: Elaboração própria.
2.9.5 Codificação de Canal em Sistemas de Rádio
A codificação de canal (channel coding) é o processo de adicionar redundância
controlada ao fluxo de bits antes da transmissão, de modo a que o receptor possa
detectar e/ou corrigir erros introduzidos pelo canal de rádio. A codificação de canal é
uma componente essencial da camada física em sistemas sem fio, sendo
particularmente crítica nos enlaces hertzianos sujeitos a fading e interferências.
Tabela 7: Técnicas de Codificação e Correção de Erros
Técnica Princípio Aplicações
FEC (Forward Adiciona bits redundantes que Satélites, DVB, redes sem fio
Error Correction) permitem ao receptor corrigir erros
sem retransmissão. Mais eficiente
em canais com atraso elevado
Códigos de Códigos em bloco que corrigem CD/DVD, DSL, Wi-Fi
ReedSolomon múltiplos erros em bursts. Muito
eficazes contra erros em rajada
Códigos Turbo Aproximam-se do limite teórico de 3G UMTS, LTE, satélites
Shannon. Alta taxa de correcção
com baixo overhead
Códigos LDPC Low-Density Parity-Check codes. 5G NR, Wi-Fi 802.11n/ac
Desempenho próximo do limite de
Shannon
Codificação Aplica uma janela deslizante sobre GSM, 802.11b, satélites
Convolucional o fluxo de bits, criando
dependência temporal.
Decodificado pelo
algoritmo de Viterbi
Entrelaçamento Reordena os bits antes da Todos os sistemas sem fio modernos
(Interleaving) transmissão para dispersar erros
em burst em erros aleatórios, mais
fáceis de corrigir
Fonte: Adaptado de Proakis e Salehi (2008).
2.9.6 Sincronismo em Sistemas de Rádio
O sincronismo é um requisito fundamental em qualquer sistema de
comunicação digital, mas assume especial criticidade nos sistemas de rádio onde o
canal é variável no tempo. O sincronismo engloba múltiplos níveis:
• Sincronismo de bit: garante que o receptor amostra o sinal no instante
correcto de cada período de bit. Realizado através de circuitos PLLs
(Phase-Locked Loops) e algoritmos de recuperação de portadora;
• Sincronismo de símbolo: em sistemas de modulação multinível (QAM,
PSK), garante que o receptor identifica corretamente o início e o fim de
cada símbolo;
• Sincronismo de frame: garante que o receptor identifica corretamente o
início de cada frame de dados. Essencial para o desencapsulamento correto
ao nível da camada de ligação de dados;
• Sincronismo de referência de frequência: garante que o transmissor e o
receptor operam exatamente na mesma frequência. Desvios de frequência
(Doppler ou deriva de osciladores) causam degradação do BER;
• Sincronismo de rede (IEEE 1588 / PTP): em redes de telecomunicações, o
sincronismo de toda a rede é crítico para funções como o handover em
redes móveis e a coordenação de múltiplas células.
2.9.7 RELAÇÃO ENTRE OS MODELOS OSI/TCP/IP E O ENLACE
HERTZIANO
A relação entre os modelos OSI/TCP/IP e os sistemas de rádio é mais evidente
nas camadas inferiores, especialmente na camada física e de ligação de dados. Na
camada física, são definidos os parâmetros fundamentais do enlace hertziano, como
modulação, potência, frequência e sincronismo. O desempenho é medido pela taxa de
erro de bits (BER), diretamente influenciada pela relação sinal-ruído.
Em sistemas modernos, técnicas como modulação e codificação adaptativas
permitem ajustar automaticamente a transmissão conforme as condições do canal,
equilibrando eficiência e fiabilidade.
Na camada de ligação de dados, a comunicação ocorre através de frames,
sendo necessário garantir a fiabilidade da transmissão em ambientes com maior taxa
de erros, como os canais de rádio. Para isso, são utilizados mecanismos como o ARQ,
que permite a retransmissão de dados com erro, e protocolos de acesso ao meio, como
o CSMA/CA no WiFi. Já nas camadas superiores, as condições do canal sem fio
podem afetar o desempenho, especialmente no TCP, que pode interpretar erros de
transmissão como congestionamento, reduzindo a eficiência da rede.
3. METODOLOGIA
A presente investigação caracteriza-se como uma pesquisa de natureza qualitativa,
descritiva e aplicada, com o objetivo de analisar o funcionamento dos modelos OSI e
TCP/IP em um ambiente prático de rede, com ênfase na comunicação via rádio.
3.1 Materiais Utilizados
Para a realização do trabalho, foram utilizados os seguintes recursos:
Software
Cisco Packet Tracer: utilizado para simulação da rede e testes de comunicação
Sistema operacional (Windows) para execução do simulador
Hardware (simulado)
Roteador de estação (representando a provedora)
Roteador doméstico (wireless)
1 Desktop (ligação por cabo)
2 Laptops (ligação via Wi-Fi)
Nuvem (Cloud) representando o provedor de internet
Protocolos e tecnologias
Endereçamento IP (IPv4)
Protocolo ICMP (teste de conectividade com ping)
Comunicação Ethernet (cabo)
Comunicação Wireless (rádiofrequência / Wi-Fi)
3.2 Procedimentos Realizados
O desenvolvimento do trabalho foi realizado seguindo as etapas abaixo:
1. Montagem da topologia da rede
o Inserção da nuvem (provedora)
o Conexão ao roteador de estação
o Ligação do roteador de estação ao roteador doméstico
o Conexão dos dispositivos finais:
Desktop via cabo
Laptops via wireless
2. Configuração da rede
o Atribuição manual de endereços IP para todos os dispositivos
o Configuração do gateway padrão
o Ativação da interface wireless no roteador doméstico
o Definição de SSID e conexão dos laptops
3. Testes de conectividade
o Execução de comandos ping entre os dispositivos
o Verificação da comunicação entre todos os nós da rede
4. Simulação de tráfego
o Utilização do modo simulação no Packet Tracer
o Observação do envio de pacotes entre dispositivos
o Análise das camadas OSI envolvidas na transmissão
3.3 Configurações Realizadas
Durante a simulação, foram aplicadas as seguintes configurações:
Definição de endereços IP na mesma rede (ex: 192.168.1.x)
Máscara de sub-rede padrão ([Link])
Configuração do gateway no roteador doméstico
Ativação do DHCP (opcional) ou configuração manual
Configuração do Wi-Fi (SSID e associação dos laptops
5. RESULTADOS
4.1 Apresentação das Atividades
Foi implementada uma rede básica com arquitetura híbrida (cabeada e sem fio),
permitindo a comunicação entre dispositivos através de um roteador doméstico ligado a
um provedor simulado:
A rede foi estruturada da seguinte forma:
Provedor (nuvem)
Roteador de estação
Roteador doméstico (Wi-Fi)
3 hosts (1 desktop + 2 laptops)
4.2 Testes e Simulações
Durante a execução do projeto:
Foram realizados testes de conectividade utilizando o comando ping
Foi utilizada a ferramenta de simulação do Packet Tracer para visualizar:
Encapsulamento de dados
Passagem pelas camadas do modelo OSI
Caminho dos pacotes na rede
4.3 Representações e Estruturas
O sistema pode ser representado por:
Tabela de endereços dos dispositivos na rede:
Rede Dispositivo Endereço IP Tipo de Conexão
Desktop [Link] Cabo (Ethernet)
Laptop 0 [Link] Wireless
Laptop 1 [Link] Wireless
Router de subestação [Link] Cabo(Serial)
4.4 Resultados Obtidos
Comunicação bem-sucedida entre todos os dispositivos
Respostas positivas aos testes de ping
Funcionamento correto da rede wireless
Visualização clara da atuação das camadas OSI e TCP/IP
6. CONCLUSÃO
O presente trabalho atingiu os objetivos propostos ao realizar uma análise comparativa
dos modelos OSI e TCP/IP, estabelecendo a sua relação com os sistemas de
comunicação por rádio, com destaque para os enlaces de feixe hertziano. Verificou-se
que ambos os modelos, embora distintos, são complementares: o modelo OSI apresenta
uma estrutura mais detalhada e didática, enquanto o modelo TCP/IP possui uma
abordagem mais prática, sendo amplamente utilizado nas redes modernas.
Ao longo do desenvolvimento do trabalho, foi possível compreender o funcionamento
das camadas de rede, com ênfase especial nas camadas física e de ligação de dados, que
constituem a base de toda a comunicação. Através da simulação realizada no Cisco
Packet Tracer, foi possível observar, na prática, a transmissão de dados entre
dispositivos, a configuração de endereços IP e a utilização de protocolos como o ICMP
para testes de conectividade, evidenciando a aplicação real dos modelos estudados.
A importância deste trabalho reside no facto de permitir a integração entre teoria e
prática, proporcionando uma melhor compreensão dos conceitos fundamentais das redes
de computadores e das telecomunicações. Este conhecimento é essencial para a
formação de profissionais na área, especialmente no contexto atual de expansão das
redes sem fio e da comunicação via rádio em países como Angola.
Como possíveis melhorias, recomenda-se a realização de testes práticos adicionais,
incluindo a implementação de redes mais complexas, a análise de diferentes tipos de
modulação e a simulação de condições reais de interferência e falhas no meio de
transmissão. Além disso, seria relevante explorar tecnologias mais avançadas, como
redes móveis (4G/5G) e mecanismos de segurança em redes sem fio, aprofundando
ainda mais a relação entre os modelos de referência e as aplicações modernas.