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Document 2

O protagonista, Denis, enfrenta um período de cansaço e desmotivação em sua vida, refletindo sobre suas dívidas e o término de seu relacionamento. Ele trabalha em uma lanchonete e, após ler uma notícia alarmante sobre sequestros na cidade, percebe que um carro suspeito está observando sua casa. A história explora suas ansiedades e a conexão com o passado de seu pai, Jacob Bergman, que desapareceu misteriosamente anos atrás.

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O protagonista, Denis, enfrenta um período de cansaço e desmotivação em sua vida, refletindo sobre suas dívidas e o término de seu relacionamento. Ele trabalha em uma lanchonete e, após ler uma notícia alarmante sobre sequestros na cidade, percebe que um carro suspeito está observando sua casa. A história explora suas ansiedades e a conexão com o passado de seu pai, Jacob Bergman, que desapareceu misteriosamente anos atrás.

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SUMÁRIO

Cap 1 - Cansaço Vital 2


Cap 2 - Ulrich 9
Quitação Zero - Capítulo 1: Cansaço Vital

Lá estava eu,cansado,sem acreditar no que estava vendo e ouvindo.


Meu corpo inteiro não sentia vontade de se mexer,eu tinha tantas
perguntas mas da minha boca não conseguia sair nada. Meus olhos
estavam ardendo e saindo lágrimas,estava também boquiaberto,sem
parar de pensar um minuto se quer.
Aquele lugar grande e fechado a noite ainda,parecia que fazia o ar subir
pra cima. Eu não conseguia nem respirar direito,minhas mãos tremiam
um pouco..eu estava pra desabar..
Mas antes disso tudo,eu preciso explicar tudo que aconteceu comigo um
tempinho antes..A história é meio longa mas eu juro que não é tão chata.
Eu sou o Denis,Denis Bergman,vivo uma rotina chata e cansativa
demais,minha vida não andava pra frente,como se ela literalmente
tivesse travada no mesmo ponto e não movia um músculo se quer pra
frente,no máximo pra trás. Eu vivo ultimamente de um jeito totalmente
desleixado. É louça se acumulando,é roupa que nem passo pra usar,o
meu quarto de kitnet tá uma zona total mas pelo menos aqui nessa
pequena kitnet não temos câmera. O por quê? Não sei. Só sei que eu
tava vivendo como um completo vagabundo sinceramente. Dormia sem
vontade e acordava sem motivação,todo dia a mesma repetição desde
uma semana passada. Eu tive que pagar um monte de gente que eu
tava devendo(a maioria pessoas velhas) e eu não conseguia dinheiro de
jeito algum,não importa o quanto eu trabalhasse,meu dinheiro sumia
feito água no deserto,era como se fosse num passo de mágica,sabe?
Então lá estava eu,levantando lentamente do sofá,fiquei de pé e fui pro
banheiro enquanto ignorava totalmente o cenário a minha volta. Entrei
no banheiro na maior lentidão do mundo,minha coluna tava meio
curvada e minha cara bem abatida,não conseguia nem abrir os olhos
direito na hora de acordar e quando estava muito cansado acontecia até
quando estava trabalhando.
2
Eu trabalho numa lanchonete pequena,chamada de "Fritura Arrastada".
Lá era como se fosse um passa tempo nem um pouco
convencional,quase não vinha cliente e quando vinha era só pra pegar
algo pequeno ou reclamar,e de vez em quando os dois. Então na hora
que fui sair do banheiro,meu cabelo ruivo e cacheado,daqueles bem
encaracolados mesmo já estava batendo no meu olho quando estava
molhado.
Eu dei um pequeno sorriso e sai do banheiro. Tinha dias que eu saia tão
apressado que esquecia coisas muito básicas,como uma meia. Há uma
semana atrás parece que escolheram uma pessoa no mundo inteiro pra
se dar mal,e aparentemente foi eu o escolhido. Simplesmente quitei
minhas dívidas,seja de pessoas seja de outras coisas,comprei pequenas
coisas pra mim e ainda tive que arrumar a minha bicicleta toda guerreira
que uso desde quando eu tinha 15 anos(Tenho 19),e pra terminar da
pior maneira possível eu ainda terminei com a Camila,por motivos que
aparentemente nem ela sabia dizer direito. E tenho certeza que pelo
menos uns 80% dos motivos do término foram minhas..ela não parecia
uma pessoa que desistiria tão fácil dos outros mas até que ponto eu
cheguei? Eu não sei..
Então eu sai de onde vivia,peguei minha bicicleta e saí de casa umas 5
e não sei oque da manhã. Na maior preguiça do mundo. O movimento
na rua não tava tão pacífico e sinceramente fiquei até um pouquinho
surpreso com os movimentos nas ruas. As luzes dos postes ainda
estavam acesas e de pouco em pouco foram apagando. Esqueci de citar
que ultimamente eu sinto uma sensação constante de vez em quando de
estar sendo observado,como se alguém estivesse escondido em algum
lugar me espionando há um tempo,mas acho que isso é apenas coisa
da minha cabeça e provavelmente é por causa das minhas noites mau
dormidas desde uma semana passada pra cá.
Depois de algum tempo andando de bicicleta,eu chego no Fritura
Arrastada,vou perto onde colocamos as bicicletas que fica na frente de
3
um beco onde no fundo ficam uns lixos,eu deixo minha bicicleta lá,sem
tranca ainda por cima,entro na lanchonete. Enquanto entrava nas portas
de fundo pra pegar meu boné que nem tava cabendo mais na minha
cabeça inclusive,eu vou pro balcão,sento numa cadeira meio alta e
apoio uma das minhas mãos na cabeça como apoio e a outra fica meio
deitada no balcão. Eu olhava pra pequena prateleira de balinhas do meu
lado,elas não são tão atuais e possivelmente já estam quase vencendo.
Meu colega de trabalha Marcelo entra na lanchonete,passa na frente do
balcão.
—Bom dia,Denis.
Dizia ele andando meio rápido.
—Ah,bom dia Marcelo.
Dizia eu só virando o rosto e um pouco.
—Aí,se liga,recebi uma ligação hoje cedo do Fábio dizendo que teremos
que fazer hora extra hoje e amanhã,acredita? Só pode ser sacanagem.
Dizia ele contornando o balcão,passando atrás da minha cadeira e indo
pra cozinha.
—Isso é sério?
Falou eu meio preocupado e com uma cara de quem já tá pensando que
vai dormi menos que já tava fazendo e trabalhar mais do que deveria.
—Marcelo,a gente vai pelo menos ganhar um pouco mais?
—Isso vai depender do Fábio —Dizia o Marcelo perto da porta da
cozinha e já com um pano na mão direita
—Lembre-se Denis — ele falou olhando pra mim até que ele abre
um sorriso meio sarcástico — É como você sempre diz,Denis. "Eu só
preciso aguentar até Sábado."
E ele entrou na cozinha e eu olhando pro nada enquanto ouvia
isso..fiquei desanimado,olhei pro controle da TV e liguei. Só tava
passando propaganda. Depois de uns 6 minutos vendo aquelas mesmas
propagandas repetitivas alguém entra na lanchonete o meu chefe Fábio.
Ele andava um pouco apressado nas logo quando me viu,ele
4
desacelerou o passo e abriu os braços parecendo uma gaivota.
—Bom diiiaaa,Denis. Hoje será um grande dia,já adianto pra você que
as coisas vão melhorar por aqui–
—Você fala como se a gente fosse fazer hora extra por dois dias
hehehe.
Soltei um riso sem graça pra ver se saia um pouco mais natural e meu
chefe que tava com um sorriso grande no rosto de um segundo pro outro
aquele sorriso evapora e ele chega mais perto de mim é encosta no meu
ombro rapidamente.
— Você é muito bom em adivinhação,hehehe.
E saiu e foi pros fundos.
— Como é?
Perguntou eu já sem o sorriso. Meu chefe parou olhou pra mim e falou.
—Continue trabalhando,Denis. Como você sempre faz.
E saiu. Eu fiquei meio travado,sem reação,então eu voltei a olhar pra
aquela TV que fica no teto e então meu chefe chegou perto do balcão de
novo mas com um saco cheio de jornais e coisas de moda.
—Coloca isso tudo aqui pra mim do lado dessa prateleira aqui na frente
do balcão pra mim depois,por favor?
—Ah..Beleza..
—Valeu,Denis.
E então ele sai da lanchonete,meus olhos acompanhou ele até ele sair
pela porta da frente e eu tava vendo a tentativa desesperada dele de
melhorar o lugar mas parecia que tratava os funcionários como
máquinas,e se eu fosse uma,eu acho que pediria pra ser arrumado ou
até mesmo substituído. Quando percebi que ele pegou seu carro e saiu
da lanchonete,eu separei um jornal daquele monte e coloquei ele do
lado. Depois levantei,organizei na prateleira que ficava na frente do
balcão e depois sentei de volta. Abaixei o volume da TV e abri o
jornal,só tinha notícias chatas,seja elas de empresas que estão
crescendo ou decaindo,seja de futebol ou de qualquer outro esporte,seja
5
de carros que estavam à venda também. Até que folheando a página
tentando encontrar algo que eu realmente acharia graça ou que me
entretesse um pouco,eu vi a seguinte notícia:

"SEQUESTROS E DESAPARECIMENTOS AUMENTAM NAS


ÚLTIMAS SEMANAS."

Abaixo do título tinha uma foto borrada de um carro preto capturada por
câmera de segurança. A imagem tava tremida porque o carro parecia
estar correndo muito rápido.
Mesmo borrada, dava pra perceber que era um carro antigo,grande e
escuro passando em uma velocidade elevada. Chamativo de um jeito
estranho.
Continuei lendo.

“A polícia investiga uma possível ligação entre desaparecimentos


registrados em diferentes regiões da cidade durante os últimos meses.
Testemunhas relataram movimentações suspeitas próximas aos locais
dos casos.”
“Imagens de câmeras de segurança mostram um suposto Buick preto
circulando em alta velocidade em algumas áreas investigadas.”

Eu estava lendo aquilo e achando tudo estranho,nunca vi uma notícia


igual em toda a minha vida.

"Imagens de câmeras de segurança mostram o veículo passando por


avenidas e regiões industriais durante a madrugada.
Moradores relatam movimentações suspeitas, sons de discussão e
possíveis pedidos de socorro próximos das áreas investigadas."

—Credo..

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Não pude ter reação pior.

"Uma testemunha afirma ter ouvido gritos vindos de um galpão


abandonado na zona leste da cidade.
Até o momento, nenhuma das vítimas foi encontrada."

Nunca vi algo que me deixou tão preocupado..qual será a motivação pra


tanto crimes assim? Roubos? Informações sigilosas? Tráfico..humano?
Eu não sei..

Eu estava até que interessado sim mas até que eu vi uma coisa que me
deixou meio preocupado por vários motivos..

"CASO BERGMAN VOLTA À MEMÓRIA”

"Investigadores mais antigos apontam semelhanças entre os casos atuais e o


desaparecimento de Jacob Bergman ocorrido há quase vinte anos."
"Bergman desapareceu misteriosamente após denúncias envolvendo organizações
criminosas da região. O caso nunca foi solucionado oficialmente."
"Autoridades afirmam que ainda não existe confirmação de ligação direta
entre os acontecimentos."

...

Bergman..Jacob Bergman..meu pai..


O nome que me assombrou a minha infância inteira.
Eu cresci ouvindo da minha mãe e da minha vô que esse homem era o
pior tipo de pessoa pra você ter por perto..eu ouvi tanto que ele era uma
pessoa ruim,que ele fez coisas terríveis pra pessoas desconhecidas, e
que no final de tudo ele ainda perdeu a vida fazendo oque achava ser o
certo..mataram ele numa emboscada..isso que dá roubar gente
perigosa.
7
Eu fechei aquele jornal de uma vez,joguei ele no balcão,coloquei a mãos
na cara,e minha postura ficou mais curvada pra frente. Até que eu ouvi a
porta abrir com aquele barulho de sino irritante. Um cliente entra e vai
até a minha frente.
— Bom dia,seja bem vindo ao Fritura Arrastada. Posso te ajudar com
alguma coisa?
—Ah,eu vou querer um hambúrguer com batatas fritas.
Puxei um bloco de notas e escrevi o pedido.
—Mais alguma coisa?
—Não.
Ele então foi se sentar e eu fui pra cozinha.
—Aí,Marcelo. Pedido aqui.

Depois de uns 10 minutos,o pedido dele chegou. Nem precisou comer


muito pra ele começar a reclamar do que tinha disponível,e dps saiu.
—Eu não acho que vou aguentar até sábado.
Disse eu pra mim mesmo.

Fiquei o dia inteiro trabalhando,só saí umas 22:00 da noite. Peguei


minha bicicleta e fui pra casa.
Abri a porta da kitnet,fui pro banho e dps deitei no sofá,sem travesseiro e
muito menos coberta,eu cai no sono em pouco tempo. Pensei um pouco
sobre oque eu li no jornal mais cedo e então fechei meus olhos,e quando
pensa que não já era 4 da manhã de novo,eu acordo um pouco sem
entender enquanto o despertador já começa a tocar. Eu posso falar com
todas as minhas certezas e forças.
—Eu não dormi nada.

8
Capítulo 2 - Ulrich

Lá estava eu de novo e morrendo de fome. Fiquei sentado no sofá,olhei


ao redor como eu sempre faço e lentamente fui levantando,fiquei de pé e
estralei minhas costas e fui pra geladeira,abri ela e peguei uma fatia de
pizza e fui pra janela. Do segundo andar é tão bom ver as coisas do lado
de fora,o lado de dentro com nada iluminando e lá fora com uma cara
que ia chover mais tarde e bem iluminado. Eu tava olhando o pequeno
estacionamento que é parecido com aqueles de supermercado,vc deixa
seu carro com a dianteira apontada pra parede,enquanto eu via o
ambiente ao redor,uma luz lá da rua,onde eu dava pra ver,iluminou o
meu rosto,um flash que piscou duas vezes seguidas em menos de 1
segundo,eu fiquei meio desorientado mas ainda sem sair do mesmo
lugar. Eu olhei pros lados e quando olhei pra rua onde eu achei que a luz
tinha vindo..eu vi aquele carro preto do jornal parado,e a pessoa dentro
dele com uma câmera quadradinha apontando pra mim,quando
percebeu que eu estava olhando pra ele,ele colocou a câmera no banco
do passageiro e acelerou o carro e eu perdi ele de vista. Eu fiquei um
gelo..coloquei a pizza em um prato e fui pro telefone fixo do meu
apartamento,ele tava fora do gancho,todo caído,eu peguei ele e coloquei
ele na minha orelha e comecei a discar o número do meu chefe. Até que
depois de uns 10 segundos ele me atendeu.
—Bom dia,com quem eu falo?
—Oi,Fábio,aqui é o Denis,posso te perguntar uma coisa?
—Ah,Denis? Oque foi?
—Então,o senhor lê jornal? É que eu peguei um ontem e-
—Denis,tu pegou um da lanchonete?
—...
—Sabia,eu vejo isso melhor com você depois.
—NÃO,NÃO,CALMA AÊ...é que nesse jornal que eu peguei ontem,eu vi
uma notícia sobre sequestros,roubos e tudo envolvendo um carro
9
preto,bem quadrado e antigo mesmo e ele tava parado na frente da
minha kitnet com uma pessoa com uma câmera tirou uma foto minha
com flash e tudo e eu isso me deixou seriamente com o pé atrás de sair
de casa-
—Denis,tu não tem desculpa melhor pra não ir trabalhar?
—Pode parecer bem inacreditável mesmo,Sr Fábio,mas é verdade-
—Denis,não tem nada a temer não,tá tranquilo. Quero você aqui as 5
horas,ouviu?
—Mas senhor-
—Lembre-se Denis,você só precisa aguentar até sábad-
Eu pego o telefone e coloco ele com força no lugar.
—Meu Deus do céu.
Disse eu com um medo que nunca vi na vida e entrei no banheiro,tomei
meu banho e saí do meu quarto. Desci as escadas com pressa,peguei
minha bicicleta e saí da Kitnet a todo vapor. Estava olhando pros lados
das ruas com tanto medo que não conseguia parar pra pensar,furei
alguns sinaleiros e claramente passei na frente de uma rua que a mão
não era aquela,até que quando faltava umas 5 quadras pra chegar no
Fritura Arrastada,eu ouvi um ronco grave meio distante mas não parecia
nada longe. Olhei pra trás,pros lados e pra frente com medo,fiz isso
umas 4 vezes seguidas,subi na calçada com minha bicicleta e ainda
continuava tentando acelerar aquela subida pequena,até que olhei pra
frente e vi uma camionete saindo da garagem e estava basicamente já
na minha frente,passei pra direita e apertei os freios com força que fez
eu me desequilibrar e a traseira acabou saindo de lado e acabou que fui
basicamente cuspido pra fora da minha bicicleta,rolei umas 3 vezes
rápido e ainda meti a cabeça na cesta de lixo do outro vizinho do lado.
Levantei segurando a minha testa,eu tava meio desorientado.
—Denis?
Alguém me perguntou. Eu vi que era o dono da camionete e era nada
mais nada menos que Wagner,um cara que eu tava devendo 40 reais
10
pra ele desde 2 meses atrás e até agora não acertei nada com ele. Ele é
um senhor de 50 anos que tem muito dinheiro mas que prefere não
mostrar tanto e ainda me cobra.
—Denis? Você tá legal?
—Wagner?
—Sim,Denis..tu levou uma queda nem um pouco bonita. Geralmente eu
riria antes de ajudar mas essa foi tão feia que me deixou mais
preocupado do que deveria.
Eu olhei pra ele e fiquei o encarando com uma cara de
"Isso é sério?" Só que bem pro lado mais debochado.
—É sério meu filho. Tu tá legal?
—Eu só tô..meio..tonto..acho que posso cair a qualquer instante..
—Posso saber o motivo de estar tão rápido? E ainda na calçada? Não
são nem 5 horas ainda,meu filho.
—É porque eu tava atrasado,Sr. Wagner. Eu tava totalmente atrasado e
meu chefe quer que eu trabalhe hoje até as 10 da noite.
—O Fábio?
—Ele mesmo-
Ouvi alguém sair do portão da frente da casa de Wagner e passar
desviando da camionete e indo em minha direção com passos um pouco
rápidos demais.
—Ei Wagner,esse é o Denis?
Era a mulher dele e ainda tava perguntando num tom que parecia que
estava um pouco com raiva.
—É sim,Jane.
—Pois bem,se não pagar a sua dívida de 40 reais com meu marido,pode
ter certeza que as coisas vão começar a ficar piores pro seu
lado,mocinho!
—Como é?-
—Ouviu bem? Eu disse que se não nos pagar até próxima semana,pode
esperar com todas as certezas que as coisas vão ficar terríveis pro seu
11
lado,Senhor Bergman!
Ela chega mais perto,me olhando com uma cara de desprezo e ainda
puxa a mão do Wagner sair de perto. Eu não pude fazer nada além de
ver eles fazerem isso enquanto eu tava imóvel só olhando. Peguei
minha bicicleta caída no chão,levantei ela,andei uns 7 passos e montei
nela de novo. Dessa vez eu não acelerei.

Depois de uns 3 minutos eu cheguei no Fritura Arrastada,deixei minha


bicicleta naquele beco colado na lanchonete e entrei. Marcelo já estava
lá.
—Bom dia,Denis. Novidades?
Eu passei por ele olhando uns 2 segundos pra cara dele e falei
—Acho que não vou aguentar até sábado.
Marcelo ri tampando a boca.
—Adoro seu senso de humor. Você só tem raciocínio rápido pra piadas
ou tem mais pra alguma coisa?
Eu nem respondi,entrei nas portas do fundo,me troquei,peguei aquele
chapéu que tava doendo minha cabeça e coloquei ele. Sai dali e fui pro
balcão. Ser atendente é tão chato..quando eu pensei que não,o telefone
começa a tocar. Peguei ele,coloquei ele no ouvido.
—Alô,aqui é do Fritura Arrastada,com que eu posso te ajudar?
Eu peguei uma caneta e puxei um bloco de notas e apertei na cabeça da
caneta pra ponta aparecer.
—Eu falo com Denis?
—Ahn..Sim.
Eu fiquei esperando algo por uns 5 segundos.
—Alô?-
Só ouvi o barulho do telefone sendo desligado. Eu peguei o telefone e
coloquei ele com força no lugar.
—Eu espero que não seja trote..
Eu ouvi a porta da frente abrindo. Era o Fábio.
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—Bom dia,Denis. Como vai as coisas?
—Acabaram de me dar um trote.
—Quando?
—Há quase 13 segundos atrás eu acho.
—E oque fizeram?
—Me perguntaram: Eu falo com Denis? Aí eu disse que sim e depois de
uns 5 segundos esperando falarem alguma coisa mas nada..aí
desligaram na maior cara de pau.
Meu chefe riu mas depois parou.
—Aí,por que pegou o jornal sem permissão alguma? É pros clientes!
—Cara,quem lê jornal hoje em dia?
—Você! Mas você não é cliente,é um funcionário. Não faça isso da
próximo,beleza?
—Beleza,mas aonde tu compra os jornais?
—Lá no Joaquim.
—E são atualizados?
—Eu comprei eles a duas semanas atrás.
—Os jornais são pros clientes e ainda são desatualizados?
—É..por isso que suspeitei do conversa mais cedo pelo telefone. Sabia
que estava inventando-
—Eu juro pro Senhor que eu não tava inventando!
—Duvido muito,Denis.
E ele saiu como se não fosse nada demais.
Eu lentamente tava ficando com raiva do meu próprio chefe..E isso não
tava crescendo de hoje ou de ontem..tava crescendo desde semana
passada.
Hoje eu não tava com tanto sono mas estava ainda com a feição
abatida,sabe? Eu não conseguia dormir direito,e pra piorar tinha um
carro tirando uma foto minha..espero que eu não seja uma próxima
vítima de sequestro.

13
O tempo passou. Foram seis da manhã,sete,oito,nove,dez,onze. Fui pra
casa e 40 minutos tive que voltar. Uma da
tarde,duas,três,quatro,cinco,seis,sete,oito e nove horas do noite
chegaram. Hoje foi melhor que ontem,ontem 4 pessoas foram aqui e
hoje foram 13,então pra mim tava ok. Até que quando chegou umas
21:30 o meu chefe liga e eu atendo.
—Alô,Fritura Arrastada aqui. Com que eu posso te ajudar?
—Denis,aqui é o Fábio,só liguei pra falar que quando for umas 21:45
vocês já podem fechar,e deixa a chave com o Marcelo.
—Beleza então.
Desliguei.
Eu virei minha cadeira e gritei pro lado da cozinha
—Aí,Marcelo. Nove e quarenta e cinco a gente já pode começar a
fechar!
—Sério? Aí sim hein.
Virei pra frente de novo e esperei não sei oque.
Até que eu tava razoavelmente tranquilo,aí eu ouvi de novo aquele ronco
grave só que estava muito mais próximo,isso me fez despertar um
pouco. Virei minha cadeira um pouco mais pra esquerda e olhei as
câmeras e na frente da loja,aquele carro preto,quadrado e grande
estava parado. Nessa o meu coração desparou,eu tava sentindo tanto
medo que só conseguia virar a cabeça pras câmeras e pra porta da
frente. Até que eu vejo alguém saindo do carro e viro minha cabeça para
a porta da frente. E de lá..sai uma garota.
A porta abriu.
O sininho tocou.
Eu levantei rápido demais do balcão e quase perdi o equilíbrio.
“Ahn… boa noite, seja bem-vinda no Fritura Arrast—
“Bergman. Denis Bergman… não é?
Eu parei.
Ela tava parada na minha frente.
14
Casaco verde-menta escuro, expressão séria e um olhar que parecia já
saber da conversa inteira antes dela começar. Olhos puxados parecendo
uma asiática.
—…ah. É sim.
Tentei voltar pro automático.
—Então… tem algum pedido que queira fazer? Temos promoções ho—
—Calma aí, atendente.
Ela falou aquilo tão direto que parecia que eu tinha apertado pausa sem
querer.
—Necessito de um minuto da sua atenção.
—Ahn… tem alguma reclamação do estabelecimento?
Ela me olhou de cima pra baixo.
—Nenhuma, Denis.
—Ah… então pode falar.
—Você é filho do Jacob Bergman, correto?
Meu sorriso sem graca sumiu na hora.
—Que?
—Não me enrole. Preciso saber se você é filho dele.
Minhas mãos saíram do balcão automaticamente.
Endireitei a postura sem perceber.
—O que você quer?
Ela continuou me encarando mas eu disse
—E já vou adiantando que eu não sou ele e nunca fiz as coisas que ele
fez.
Silêncio.
Ela não desviava o olhar.
Aquilo começou a ficar desconfortável rápido demais.
—Fala logo o que veio fazer.
A porta da cozinha abriu atrás de mim.
—Vocês já pediram alguma coisa?
Eu e ela olhamos ao mesmo tempo pro Marcelo.
15
Ela respondeu primeiro.
—Vou querer um hambúrguer. Batata frita. E um refil.
Eu peguei o bloco de notas quase no automático e anotei.
Entreguei pro cara da cozinha.
—Beleza.
Ele voltou pros fundos.
Eu olhei pra ela de novo.
—Seu pedido chega em uns sete minutos… mais alguma coisa?
—Sim.
Ela inclinou um pouco a cabeça.
—Qual é, cara. Não é lanche que eu vim pedir.
Eu fechei o bloco devagar.
—…então o que você quer?
—Preciso conversar com você.
Ela olhou ao redor da lanchonete vazia.
—A sós. Lá fora.
—Meu turno acaba daqui a pouco.
—Ótimo.
Eu fiquei encarando ela por um segundo.
—Pode falar seu nome pelo menos?
—Ulrich..Vanessa.
—Vanessa…
Suspirei.
—…tá legal. Mais alguma coisa?
—Não.
O lanche chegou rápido demais.
Eu olhei estranho pro cara da cozinha.
—Ué. Não era dez minutos?
—Tu viu a hora? A gente já vai fechar isso aqui mesmo.
Ele saiu andando de novo.
Olhei pra Vanessa.
16
—Poderia ver se esse lanche não foi feito de qualquer jeito?
—Eu não vou comer.
—Então por que pediu?
—Pra não ficar estranho. Tu parece que não raciocina
Ela falou isso como se fosse a coisa mais lógica do planeta.
Depois apoiou uma mão no balcão e me encarou de novo.
—Agora, se não se importa…
Pausa curta.
—…fecha essa lanchonete e vem aqui pra fora.
—Pra quê?
—Porque eu tô pedindo.
—Tem um motivo melhor?
Silêncio.
Ela nem mudou a expressão.
—Acredito que você não vai gostar de ter uma bala alojada no centro do
seu crânio.
Meu cérebro demorou um segundo pra acompanhar a frase.
—…como é?
—Sem perguntas.
Ela pegou a bandeja do lanche e foi em direção à porta.
O sino tocou de novo quando ela saiu.
Eu fiquei parado olhando pro vazio por uns bons segundos e disse para
mim mesmo.
—…meu Deus..oque tá acontecendo?

5 minutos depois eu sai pra fora,ela estava sentada/meio apoiada no


calor daquele carro e tava tomando o refil.
—E aí? Oque você queria?
—Entra aí.
—Ahn..Olha..sabe o quê que pega?
—Oque?
17
—É que eu vim de bicicleta,tá ligado? Então meio que eu não vou dar
uma andada por aí e além do mais eu ainda tenho que acordar 4 horas
da manhã-
—Isso definitivamente não é problema meu,Denis.
—Não como falar aqui mesmo?
—Pra qualquer um escutar? Tu tá com a cabeça aonde?
Eu suspirei mas antes fui pegar minha bicicleta.
—Oxi,cadê a minha bicicleta?
—Uma vermelha toda lascada? Tá aqui ó.
Ela aperta um botão da chave do carro dela e o Porta-Malas levanta.
Minha cara foi de curiosidade pra uma expressão de desespero.
—CARA. A MINHA BICICLETA TÁ PARECENDO UM SARCÓFAGO!
—E daí?
—E daí? Tá parecendo um cadáver metálico! Olha isso..
—Entra logo,não temos muito tempo,pelo menos você não tem.
Eu fechei aquele porta-malas e entrei no banco do passageiro. Enquanto
ela ligava o carro,eu olhei pra trás todo desconfiado achando que teria
alguém aqui além de nós.
—Minha bike merece um pedido formal de desculpas depois de ser
quase compactada-
Ela só ignora meu comentário e acelera.
Ela andou uma quadra e já fez outra pergunta.
—Tu fez oque além de trabalhar?
—Basicamente nada. Eu levanto,vou pro trabalho,saio no horário de
almoço e dps eu volto pro trabalho,só saio umas nove da noite só que
essa semana o meu chefe Fábio quer pedir pra eu e o Maecelo fazer
hora extra. Só estamos saindo as dez da noite..E você? Faz alguma
coisa além de..
Ela me olha de um jeito estranho,como se já soubesse do que eu ia
dizer,os olhos eram puxados e ainda estreitava os olhos para mim como
se tivesse me analisando e me desprezando ao mesmo tempo.
18
—Nem ouse falar isso,Bergman. Você não me conhece.
—Ah,foi mal então..Vanessa.
Ela continuou dirigindo até que depois de umas 2 quadras de puro
silêncio,paramos em um sinaleiro e eu olhei pra ela e perguntei
—Pra onde estamos indo? É longe?
—Sem perguntas por favor.
Eu fiquei quieto mas logo olhei pra luva que ela tava usando e logo olhei
pra onde fica o porta-copos e vi outra luva igual só que a que ela tava
usando tinha espinhos nos dedos.
—Essa luva que tu tá usando era pra bater em mim se caso eu não
coopera-
Ela me olha de novo rápido com aquele olhar agora como se tivesse
suspeitando de mim.
—Aí cara,tem como tu fazer mais silêncio? Eu tô dirigindo! Eu não posso
simplesmente responder você enquanto tô dirigindo.
—Foi mal.
—E lembre-se que não somos amigos.
—Então eu só vou te ver hoje? Agora?
Ela suspira um pouco e fala
—Faz silêncio,por favor. Tá irritando já.
—...
Ela continuou dirigindo e eu continuei calado. Até que ela parou em um
posto,pediu pra encher o tanque.
Eu fiquei meio no tédio. Aquela lugar com luz meio branca e azul..tava
me fazendo eu sentir sono.
—Aí,Vanessa,eu realmente não tô entendendo nada do que tá
acontecendo. Me dê um contexto.
—Relaxa,Bergman. Quando chegarmos lá você irá entender.
Ela fala isso sem o menor interesse em contar,como se realmente fosse
algo confidencial. Eu então me aproximei dela falando meu baixo,quase
sussurrando.
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—Vanessa,eu não tô entendendo nada. Primeiro você chega aonde eu
trabalho e a primeira coisa que me perguntou foi meu nome e depois
sobre meu pai..— Ela começou a olhar pra mim mas eu continuei.—
depois me forçou a ir com você pra certo lugar se não eu tomaria um
tiro..Cara,qual é a lógica? Se tu tem problemas com meu pai,então esse
problema não é meu. Eu não tenho nada haver com isso tudo,ok?

Ela pega na minha franja,puxou e segurou de um jeito que minha


cabeça fique inclinado ao rosto dela,e estava doendo.
—Escuta aqui,ô atendente. Eu apenas estou trabalhando pra gente
perigosa,ok? Se tu não cooperar,as coisas vão sair totalmente do
controle. Entre você e essas pessoas..eu sou a ponte.
Ela aperta meu cabelo mais forte.
—Entendeu?
—S-sim.
Ela então tira a mão e me empurra.
—Vê se não faz mais perguntas.
Então o frentista chegou na janela dela e entregou as chaves. Ela pega
e liga o carro e sai dali.
Ela viu que eu fiquei quieto depois de um tempo. Ela olha pra mim um
pouco mais e vê eu com o braço direito apoiado na porta e a mão na
cara assim,fechada.
Ela olha pra frente de novo,acelera um pouco.
Depois de uns 4 minutos,ela chega num beco,entra junto com o carro.
Até que ela para o carro no escuro,meio de longe eu vejo dois
seguranças ou apenas dois caras que ficavam na entrada chegam.
—Sai do carro.
Um deles fala pra Vanessa e o outro veio do lado da janela onde eu
estava.
—Você também.
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Nós dois saímos do carro,o cara que me pediu pra sair usava um óculos
escuros(e olha que estava tudo escuro),era careca,e usava um casaco
preto,uma calça jeans preta e um tênis qualquer. Ele me segurou no
ombro e me empurrava a cada 3 passos que eu dava.
—Aí cara,para com isso.
(Ele não me ouviu)
Continuamos andando e passamos por uns lugares escuros até demais.
Até que entramos num lugar meio iluminado,não era tipo uma casa ou
algo maior tipo um galpão,mas era um bem espaçoso e quadrado.
Então eu parei na entrada e me empurraram com tudo pra
dentro,tropecei umas duas vezes e parei e olhei pra trás disse.
—Aí,tu tá tirando uma com a minha cara,ô careca?
Ele apontou pra frente,e eu volto a olhar pra frente.
—Boa Noite,Sr. Bergman..Denis Bergman. É uma honra conhecê-lo.
Um cara de uns 1,80 sai do escuro,vestindo um inteiro terno preto. Só
dava pra ver um pouco da frente dele e a silhueta. E então as luzes
ligaram atrás dele.
—Poderia me dizer se você realmente é Denis Bergman?
—Sim eu sou.
—Ótimo..Tragam uma cadeira pra ele se sentar.
E uns 4 ou 5 pessoas veio com apenas uma cadeira.
—Porque uma pessoa não pode trazer uma cadeira?
—Observador tu,hein..gostei. seguinte,Denis,vamos..ser diretos..
Aquele segurança que ficou me empurrando até a entrada prendeu um
enforca gato nos meus dois braços e fiquei preso a aquela cadeira. O
chefe deles continuou.
—Há quase 20 anos atrás,nesse trabalho eu conheci seu pai.. Um
homem de múltiplas faces. Dirigia um Chevette,nosso piloto de fuga
perfeito,nunca vi alguém como ele..distraía a polícia como ninguém. Só
que ele cometeu um erro,se apaixonou por uma pessoa que fez ele se
enfraquecer muito rápido. Oque era compromisso com a gente virou
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apenas de vez em quando e no final decidiu se casar com ela. Só que
depois disso,ele resolveu fazer uns últimos 4 trabalhos pra a gente. E no
último serviço ele decidiu roubar a gente..que final ele teve? Você já
saber.
—Cara..eu não tenho nada haver com isso..por favor me deixa eu ir pra
casa.
—Calma,Denis..quer que tiramos os enforca gato de seus pulsos?
—Quero.
O chefe então fez um sinal com as mãos e dois capangas chegaram
perto de mim e começaram a desamarrar e cortar.
—Muito melhor.
—Então Denis,como eu já estava falando..ele nos roubou mas acabou
caindo na nossa emboscada e o final você vê imaginar..mas fez um
rombo tão grande nas nossas contas que até hoje o dinheiro que ele
roubou nunca foi recuperado..E é aí que entra você.
Meu coração começou a acelerar e eu tava ficando cada vez mais
apreensivo.
—Quer dizer que..
—Você,Denis Bergman..vai recuperar os seiscentos mil reais que ele
roubou da gente..caso contrário,terá o mesmo fim de seu pai..eu fui claro
pra você?
Eu fiquei 10 segundos olhando fundo pra ele mas ainda com a
expressão de desacreditado..
—Sim..Sim senhor..
—Ótimo..começa amanhã às nove da noite.
—Eu tô trabalhando até as dez da noite ultimamente e não faço a menor
ideia de como conseguir esse dinheiro todo.
—É fácil,ou vc se demite e venha trabalhar com nós ou trabalhe nos
dois..mas sabe que alguma hora vai ceder em um dos dois..A decisão é
sua..
—Bem..eu vou fazer assaltos?
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—Isso aí e muito mais..sendo dinheiro que quite sua dívida,já está
valendo.
Depois de 2 minutos,lá estava eu e a Vanessa entrando no carro dela de
novo. Ela liga ele e saímos dali e depois ainda me pergunta.
—Onde tu mora?
—Você sabe onde eu moro.
—Como assim?
—Tava tirando uma foto minha hoje cedo,não estava?
Ela me olhou de um jeito estranho...mas antes de eu sair do carro,ela
me entregou um papelzinho com o número dela
—Liga quando for pagar sua dívida.
Depois parou na frente da Kitnet,tirou minha bike com tudo e saiu
acelerando aquele carro dela.
—Menina estranha.
Eu entrei dentro do meu quarto,tirei meu uniforme,tomei um
banho...apaguei todas luzes e sentei em cima do sofá..o cansaço corria
nas minhas veias e transbordava sobre minha mente..eu estiquei as
pernas..coloquei os braços pros lados..E levantei a minha cabeça pro
teto.
—Meu Deus..eu não vou aguentar até sábado..
Fechei por uns 3 segundos os meus olhos mas abri eles depois,levantei
de uma vez daquele sofá,andei um pouco rápido ao redor,a cabeça
parecia não estar no lugar,fui naquela janela onde tiraram uma foto
minha hoje cedo. Fiquei olhando pra aquela rua,tentando ver algo
novo,esperando um sinal. Até que eu pego meu uniforme,mexo no bolso
da camisa e pego o papel que ela tinha me entregado. Aparentemente
ela tinha tirado de um caderno qualquer,as três linhas azuis,o número
dela escrito em uma caneta vermelha e um coraçãozinho discreto no
outro lado do papel bem no canto. Eu peguei o papel,peguei uma cola
forte e colei o número dela perto do telefone fixo. E quando terminei eu
fui pro sofá,desliguei a TV e pensei um pouco mais,até que eu fecho os
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olhos um pouco e adivinha? Já eram 4 da manhã de novo. Eu não tava
nem um pouco animado mas levantei rápido,repeti meu processo de
sempre. Peguei minha bike e acelerei de novo.
—Eu preciso ter certeza que vai ser do jeito que eu tava pensando.
Falei pra mim mesmo enquanto subia uma rua.

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