Um Rafeiro comando
Olá eu sou o comando bobi, um rafeiro cão polícia, estranho né?Deixar contar-
vos como um vira lata como eu se virou o meu cão farejador.
Nasci numa das cidades pobres do norte Angola, bem, eu e os meus outros
seis irmão, na casa onde nascemos as coisas entre os donos estavam
complicadas, ou seja, estam no meio dum divórcio, o padrasto e a mãe do
Jordão estavam no meio duma separação, o Jordão o nosso dono e a sua mãe
tinham que ir viver com a sua avó, isto é, a mãe da mãe dele, e ela era uma
pessoa que detestava animais, já imaginam um bando de cachorros na casa
dela?, então tiveram que fazer uma escolha difícil, nos abandonar em frente a
um hospital veterinário que era localizado perto duma escola primária.
Enquanto estávamos Alí, eu e os meus irmãozinhos e a mamãe, passou pelas
minhas narinas um cheiro delicioso e incrível que eu nunca senti em toda
minha vida, comecei a ir atrás do cheiro e adivinhem só, minutos depois eu já
não sabia onde eu estava, perdi a minha família e eu estava aí no meio de
muitos humanos pequeninos mas também havia uma grande.
A boa parte foi que encontrei aquela carne gostosa numa das mochilas abertas
no chão de um dos homezinhos, entrei e saboriei pedaço por pedaço até ao fim
e caí no sono me esquecendo completamente da minha família que depois foi
encontrada pelo veterinário e foram doados.
No momento do recreio, Castelo levou a mochila ao pátio para comer e pela
sua surpresa dele adivinhem só que fofura ele encontrou? eu, tirando uma
soneca por cima da marmita dele do lanche e foi assim que nos conhecemos,
ele até que ficou um pouquinho assustado mas depois gostou de mim, teve
que me esconder numa sala cheio de livros até ele saísse e fossemos em casa,
que também depois se tornou minha nova casa.
Já em casa, fiquei sabendo que o Castelo era filho único de um pai viúvo, que
tentava de tudo para repor a alegria que a morte da mãe levou, mas naquele dia
com a minha chegada, ele estava tão alegre que o senhor Fernando não tinha
como negar que ficasse comigo.
Daí pra frente, nos tornamos os melhores amigos cão-homem que o mundo já
viu, eu e o Castelo passeiávamos pelas matas caçando pássaros, íamos a
cidades onde eu as vezes colocava-nos em problemas pelo meu estômago
grande, ele as vezes se zangava comigo mas o que eu posso dizer, eu sou
irresistível, ele sempre vinha brincar comigo de novo.
Minha vida era um máximo, até que um dia estávamos na mata cassando
pássaros, tal como a gente gostava de fazer, quando o castelo desmaiou, a
princípio pensei que fosse só mais uma brincadeirinhas dele, depois notei que
era sério, não havia nenhum homem por perto, só eu e ele, eu não sabia o que
fazer, se eu voltasse para casa e chamar alguém não seria fácil para mim e
talvez não chegaríamos a tempo, então tive que fazer o esforço para salvar a
vida do meu amigo, peguei-no nas calsas pela boca e fui arrastando-o. Logo no
início da cidade nos deparamos com uma equipe de homens vestidos de preto
que rodeavam por aí sempre com armas, eles vendo aquilo vieram até a mim
correndo e levam-nos de imediato para hospital.
Como cão, nunca me sinti tão triste como aquele dia, meu único amigo estava
mal, muito mal, chamaram o senhor Fernando e os médicos disseram que a
doença que levou a mãe dele era hereditária e sem cura e que aos poucos iria
tirar o Castelo de nós. Eu quase que não estava percebendo nada, mas vendo a
tristeza no rosto do senhor Fernando também fiquei triste.
Durante os três meses mais tristes da minha vida, fomos visitando o castelo
mas seu estado só ia piorando, havia momentos que eu ficava sozinho no
quarto com ele, e ele me dizia muita coisa, mas o que ele mais repetia era:
"Bobi, cuide do papa".
Numa certa manhã, chegamos ao hospital e vimos que a cama do castelo
estava vazia, o Castelo foi-se, partiu para o melhor, o senhor Fernando caiu em
desespero, chorou e com muita tristeza mas em nenhum momento deixou de
cuidar de mim, pois do mesmo jeito que o Castelo me pedia para cuidar dele,
também fez ele prometer cuidar de mim.
Dois meses depois do enterro do Castelo, fui dar uma volta pela mata onde a
gente ía caçar, lá havia um rio enorme onde a gente por vezes mergulhava, lá eu
vi um rapazinho que mergulhava, mas pelos gritos e pela sua expressão facial
não parecia se divertir tanto, então eu me joguei na água perto dele para ver o
que se passava ele se agarrou fortemente a mim e eu o levei pra fora da água.
Dois dias depois, eu e o senhor Francisco recebemos em casa um dos
senhores vestido de preto que me ajudaram a levar o Castelo para o hospital,
ele conversou com o senhor Fernando que eu tinha salvo a vida do filho dele e
que queria agradecer com algumas coisas. No entanto, no meio da conversa
ele pediu ao senhor Fernando para que ele me levasse para a academia militar,
disse que ele tinha um amigo que era bom adestrador e que eu com as
minhascapacidades de identificar perigo, a forte capacidade olfactiva e a força,
aprenderia muito rápido e que eu seria um bom cão polícia, mas o senhor
Fernando lembrou da promessa que fez ao seu filho que cuidaria de mim, então
negou.
O senhor das vestes pretas deixou um bilhete a ele e disse que se mudasse de
ideia era só ligar porque ele achava que ainda tinha muito que me agradecer
por eu ter salvo a vida de seu único filho.
Naquela noite, o senhor Fernando foi pensando muito e viu que aquilo seria o
que o Castelo gostaria para mim, então no dia seguinte ligou para o senhor e
logo a tarde um equipe vinha a minha busca e assim eu fui para a academia
militar lá aprendi muito coisa, como: detectar drogas, detectar minas, fazer
salvamentos e muito mais. Onde eu fui me destacando mais que muitos cães
de raça, como pastores alemães, entre outros.
Depois de longos meses de treinamento, o senhor Fernando foi chamado para
o quartel para assinar o meu boletim de familiares, é um documento que alega
que em caso de um assistente ou algo pior nas missões ou mesmo
aposentadoria eu voltaria para ele e também assinou uma documento que
alegava que 50% do meu pagamento pelos serviços prestados a Pátria era dele
por direito.
De lá pra cá, participei em mais de cem missões de diversas naturezas
nacionais e internacionais, como: resgates, cão farejador nas fronteiras e muito
mais, ganhei seis vezes o título de melhor cão farejador mesmo sendo rafeiro e
hoje o país e mundo me conhece como o comando Bobi.
Por Gerson Francisco Garcia gersonfran591@[Link]