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Um Conto

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O CONTO DE UM AGENTE

CAPITULO 1

A PRIMEIRA EXPERIÊNCIA

Muitas vezes se perguntamos se, aquela lenda da sua


escola, cidade ou até mesmo da internet são reais, e hoje
posso dizer que sim, elas são reais, e vou te mostrar como
elas podem ser até mesmo letais.
Um belo dia, com uma tarde de sol radiante, eu e
dois amigos decidimos caminhar pela cidade, enquanto
colocávamos os assuntos em dia.
Eu e mais dois amigos, Daniel e Matheus estávamos
voltando pra casa de Daniel em uma área particularmente
deserta da cidade, e avistamos uma casa, essa casa estava
abandonada há anos, aquela casa sempre esteve ali, mas
ninguém nunca tocou no assunto, até que decidi
perguntar a um de meus amigos que estava comigo.
— Ei Daniel, e essa casa, por que ela está abandonada,
você sabe de algo? Já que você mora aqui perto.
— Cara, para falar a verdade, não sei de muita coisa, só
me falaram que é assombrada, por isso ninguém nunca
mais morou nela.
— Bom, na verdade eu sei o que aconteceu, tem uma
matéria do jornal da época em que a casa ainda era
habitada, na matéria fala que ocorreu um crime horrendo
lá. — Disse Matheus, com uma expressão de desgosto
enquanto falava.
— Que crime teve?!! — Falamos eu e Daniel ao mesmo
tempo.
— Tortura e assassinato, no jornal diz que, um homem,
não me lembro o nome, maltratava sua esposa e filha, ele
batia nelas, as deixava passar fome e sede, até que um dia,
elas tentaram revidar, mas não tinham força o suficiente,
no meio da briga, o homem as arrastou pela casa, até
chegar no quintal, e ele as enforcou com correntes
enquanto afogava elas em sua piscina, os vizinhos
ouviram os gritos, e chamaram a polícia, ele foi preso, e
esse é o caso real, mas depois disso, as pessoas começaram
a falar que a casa era amaldiçoada, e que qualquer um que
ousasse se aproximar, sentiria a fúria daquelas pobres
mulheres. — Foi falando Matheus enquanto ficava cada
vez mais desconfortável descrevendo tudo.
— Caramba, não fazia ideia que havia acontecido uma
crueldade dessas aqui. — Eu falei enquanto ficava com
uma expressão conturbada.
Enquanto distanciávamos da casa, eu a encarava, foi
quando percebi algo... Algo nos encarando, na janela da
casa havia uma figura esbranquiçada, depois do susto já
não havia mais nada ali, então decidi ir para casa.
Em casa, não conseguia parar de pensar naquela
figura, queria saber se era real, então fui até a casa
novamente. Chegando lá, arrombei o portão para entrar.
Enquanto caminhava no gramado até a porta da frente,
sentia o frio me consumir, quando chego de frente para
porta, o frio no meu corpo aumenta mais, e a sensação de
perigo aperta meu coração, estava prestes a desistir, mas...
ouço vindo de dentro da casa, um grito, era do meu amigo
Daniel, eu tinha que entrar lá, e se ele estivesse em
perigo?
Entrando na casa de madeira antiga e apodrecida,
com aquele tom azulado e com a luz do luar adentrando a
casa, havia uma fraca neblina por ela, quando olho para
direita da entrada, onde percebo ser a cozinha, me deparo
com um vulto passando pela porta, então me encaminho
até lá, ao colocar um pé depois do umbral da porta, uma
cadeira é arremessada em minha direção, após ser
atingido eu caio no chão. Enquanto me levantava, eu
ouvia sussurros no meu ouvido, sussurros indecifráveis,
como aquilo poderia ser real? Aquelas lendas
sobrenaturais seriam reais? Ou eu estaria ficando louco.
Depois de dar uma boa olhada no primeiro andar,
decido ir ao porão, onde a escada ficava em um corredor
separando a cozinha e a sala, enquanto descia a escada, as
luzes da escada piscavam, até apagarem de vez, quando
pisei no último degrau.
O porão tinha o aspecto mais velho ainda, com mais
teias de aranhas espalhadas e partes de madeiras
quebradas; vasculhando um pouco, atrás de umas tábuas e
caixas espalhadas, havia uma poça de sangue, parecia
fresco, definitivamente alguém estava machucado por aí
na casa. E de repente ouço alguns estalos atrás de mim,
quando me viro, vi uma parte do chão quebrada, quando
me aproximo e vejo o buraco no chão, de primeira não
tinha nada, mas aos poucos vou percebendo que havia um
olho ali, estava me encarando vidrado, sem nem piscar, o
olho tinha uma coloração avermelhada, mas quando eu
tinha acabado de perceber ele, simplesmente desapareceu,
o olho havia saído dali.
Enquanto ainda estava perturbado com aquilo,
ecoava pela casa um grito, um grito agonizante, como se
alguém estivesse sendo torturado. Corri para o segundo
andar, indo até as escadas no saguão de entrada, havia
quatro quartos ali, eu precisava achar meu amigo
rapidamente, a sensação de estar sendo observado estava
aumentando, e o meu peito apertava, naquele instante o
medo estava tomando conta de mim. Indo até a primeira
porta a minha direita, quando ia me aproximar... havia
algo na fresta da porta, era como vários brilhinhos, eram
olhos, de tamanhos variados não muito grande e de uma
coloração vermelho carmesim, eles me encaravam
profundamente, quando de repente... PAHH!!!! A porta se
fecha com tudo, tentei abrir, mas estava completamente
travada.
Decidi ir para a próxima porta, ela tinha uma
aparência bem rígida, não parecia fazer parte da casa de
tão intacta que estava, abri a porta bem devagar
observando em volta, mas era apenas um quarto vazio,
com exceção de um facão que estava cravado no chão de
madeira, decidi pega-lo afinal, iria ser útil para me
defender, ponho minhas mãos no cabo até que... uma teia
de aranha descia do teto prendendo minha mão no facão e
no chão, enquanto fazia força pra me desprender, ouço
algo que me deixa desesperado, a porta do quarto abrindo
lentamente atrás de mim, quando me viro pra saber quem
era, descobri o que eram aqueles olhos na fresta da porta.
Uma aranha enorme, do tamanho de um cachorro,
com inúmeros olhos carmesim, de formatos e tamanhos
variados, me encarando.
— Mas que diabos é isso?!! — grito quando vejo ela
Após meu grito ela vem correndo até mim, faço a
maior força que tenho pra desprender minha mão da teia,
quando consigo, ela dá um pulo pra cima de mim, desvio
indo pro lado; após ela aterrissar na minha frente, finco
com toda minha força o facão nela, até atravessar, ouço os
grunhidos dela de dor, até ela ficar totalmente imóvel.
Fico ofegante e paralisado de alivio por um instante.
Começo a sair desse quarto pra ir em direção ao
próximo, quando abro a porta, me deparo com um quarto
infantil, porém todo destruído, cama, mesa e armários
quebrados, chão, paredes e destroços completamente
mofados e húmidos. Mas no canto do quarto havia uma
folha de papel amassada, decido pegar pra ver o que havia
escrito. Era uma carta da filha da família.

Mamãe, estou escrevendo esse bilhete pois não


pretendo mais ficar aqui, sei que a senhora tem medo do
papai, mas se fugirmos pra bem longe ele não vai nos
achar, quando a senhora ler provavelmente já estarei
fugindo, se também estiver cansada dessa vida, me
encontre na praça, de lá podemos pedir carona, eu sei que
podemos ser felizes juntas sem ele.

— Cara, que situação de merda ocorreu aqui... — Falei


comigo mesmo enquanto lia.
Mas esse momento de tensão é interrompido por um
grande estrondo vindo do último quarto, assim que
terminei de ler ecoou pela casa um rugido estranho, não
natural. Ando lentamente até a porta do último quarto,
mas quando abro...
Me deparo com uma cena horrível, o quarto repleto
de teia, e no fundo dele, a coisa que me espantou, meu
amigo Daniel morto, sendo devorado por uma criatura
horrenda, da cintura pra cima um corpo de mulher, com
cabelos extremamente longos e brancos, da cintura pra
baixo ela era uma aranha. Assustado, com medo, mas
também com muita raiva por ter matado meu amigo,
parto pra cima dela gritando.
— AHHHH!!!! Sua desgraçada!! — grito enquanto corro
levantando o facão.
Corto o ar de cima pra baixo com um golpe pra
tentar acertá-la, mas ela desvia indo pro lado, ela usa suas
garras pra me atacar, pegando do meu peito até parte da
minha barriga, cambaleio pra trás com dor, com minha
ferida jorrando sangue, golpeio ela, com um corte lateral,
ferindo ela na barriga, me afasto um pouco pra trás pra
tentar desviar do próximo ataque dela, a boca da cabeça
de aranha dela abre, e sai teia dele, mas consigo desviar
por um fio, corro pra cima e enfinco o facão no peito dela,
atravessando o corpo.
Após esse confronto, vou correndo até meu amigo no
chão, mas ela não tinha mais volta, enquanto escorrem
muitas lágrimas dos meus olhos, vou carregando o corpo
dele pra fora da casa, no próprio quintal começo a cavar
uma cova pra ele, com uma pá velha que havia na casa,
após terminar de cavar, coloco o corpo dele.
— Cara, você era um dos meus melhores amigos, te
conheço desde que a gente era criança... Tinha acabado de
me mudar, não conhecia ninguém, não era bom em fazer
amigos, sempre ficava meio isolado, mas mesmo assim
você veio até mim e puxou assunto, você não queria me
ver sozinho, e me introduziu a toda turminha ali do
bairro. — Falo enquanto choro cada vez mais, minha voz
começa a sair embargada.
— O que diabos você foi fazer nessa casa cara? O que
caralhos era aquilo na casa? Talvez se eu tivesse chegado
mais cedo... — Respiro fundo pra me recompor.
— Não quero mais ver essa merda acontecer com mais
ninguém.
Começo a fechar a cova dele, depois de terminar, vou
em direção a casa novamente, na cozinha começo a
procurar qualquer coisa inflamável, acho um por de
álcool, e começo a juntar coisas pra iniciar um incêndio
naquela casa, e taco fogo, fico na calçada do outro lado da
rua, até ter certeza que o fogo se alastrou o suficiente,
após isso vou pra casa pra cuidar dos meus ferimentos,
pois estava começando a ficar muito fraco pela perda de
sangue.

CAPITULO 2

O INÍCIO DA CARREIRA

Alguns meses após esse ocorrido, decido começar a


me preparar para a caçada. Eu decidi que iria atrás do
paranormal pra acabar com ele, me equipei com uma
velha espingarda da minha família, e comecei a ir atrás de
casos estranhos, matérias onde eram citadas coisas
impossíveis de acontecer, e até das sensacionalistas.
Na minha pesquisa teve algo que me chamou a
atenção, falava sobre uma atração de uma cidadezinha do
interior, um homem imortal, claro que ninguém
acreditava de fato, haviam entrevistas com moradores
locais, e eles falavam que aquilo não passava de
semelhanças entre os homens daquela linhagem, que o
neto era muito semelhante ao seu avô, e que seu avô era
muito semelhante ao tataravô, e assim por diante. Mas
não foi só a estranheza do caso que me chamou a atenção,
uma coisa em comum que notei nas fotos dos homens
daquela linhagem, é que todos tinham uma marca, uma
mancha em sua mão esquerda, nas fotos dos familiares
mais antigos, podia se passar despercebido, pois se parecia
muito uma mancha na própria foto, porém no mais
recente, com uma câmera um pouco melhor e com cores,
dava pra ver que realmente era uma mancha na mão.

Isso foi o suficiente pra me fazer querer investigar,


peguei minhas coisas, entrei no meu carro e parti em
direção a estrada. Era bem distante de onde moro, a
cidade fica numa região mais quente, o calor era
insuportável, até que avisto a cidade ao longe.
— Ahh!! Finalmente! Não aguentava mais ficar dentro
desse forno, minha barriga tá roncando também.
Entro na cidade e estaciono na primeira lanchonete
que vejo, entro nela e vem aquela atmosfera agradável de
lanchonete de beira de estrada, me sento numa mesa
encostada na janela, até que uma garçonete se aproxima,
ela veste um uniforme amarelo, um cabelo ruivo longo
preso num coque, pele branca e olhos esverdeados, jovem
e bem bonita.
— Boa tarde senhor, o que vai querer? — Ela disse com
um simpático sorriso no rosto.
— Bem, nunca estive por essas redondezas, o que você me
recomenda? — Falei retribuindo com um sorriso gentil
— O que mais pedem por aqui, é a carne de porco, é a
especialidade da chefe. — Disse ela enquanto apontava no
cardápio.
— Ora, então me vê um por favor.
— É pra já.
E então ela se distanciou e foi até o balcão entregar
para a chefe o meu pedido.
Enquanto esperava, ouvi a voz de um homem que
estava sentado em um banco próximo, era um senhor de
mais idade, cabelo ralo e grisalho, com um bigode grande,
vestia uma jaqueta jeans bem surrada, e uma calça jeans
suja de terra.
— Aa!! Então, o que o traz de tão longe? — Disse o
senhor enquanto me encarava com curiosidade.
— Bem, é que ouvi falar sobre o Adam Morris, o famoso
homem imortal, vim conferir com meus próprios olhos.
— Nossa, mas sair de tão longe pra isso, por que o
interesse? — Perguntou ele com uma expressão de
confusão.
— É que eu sou um grande entusiasta do paranormal. —
Respondo dando um sorriso desconfortável.
— Aliás, o senhor não saberia me dizer onde ele mora,
saberia? — Perguntei em seguida
— Sim, é bem fácil acha-lo na verdade, ele mora na casa
mais distante da cidade, você segue a rua principal, até
encontrar o segundo posto de gasolina, daí você vira à
direita e segue reto, até achar a última casa, é uma casa
simples, mas tem o quintal muito bem cuidado. —
Respondeu o senhor.
E então chega à garçonete com meu prato, nele tinha
arroz, batata frita e um grande pedaço de carne de porco,
realmente estava com uma cara ótima, agradeço a
garçonete e começo a comer a comida, é notável o porquê
é o prato mais pedido, estava realmente gostoso.
Após terminar de comer, deixo a lanchonete, entro
no meu carro, e sigo as instruções que me passaram, até
que realmente era fácil de achar a casa dele, um grande
terreno, com um casebre de madeira no meio, porém o
que mais chama a atenção é, o vasto pomar que tem no
terreno, é realmente bem lindo.
Estaciono o carro e entro no terreno, e então vem
um funcionário que estava no pomar até mim, ele tem um
cabelo grande e ondulado, pele parda e bigode, vestia uma
camisa branca e um macacão jeans, em sua cabeça, um
grande chapéu de palha.
— Olá, tudo bem? Como posso ajudar? — Disse o rapaz
com um sorriso no rosto.
— Oi, vou bem, obrigado, gostaria de falar com o dono do
local, o senhor Adam. — Respondi retribuindo o sorriso.
— Ah, claro, no momento ele não está recebendo
ninguém, ele está descansando no quarto, você pode
voltar mais tarde.
— Nossa, vim de tão longe pra me encontrar com ele. —
Falei um poco desanimado.
— Já que é assim, porque não matamos um pouco o
tempo, comigo te apresentando o lugar? Até eu terminar
de te apresentar o local, ele já deve ter acordado.
— Ficaria grato! Mas então, o que você tem para me
mostrar? — Perguntei num tom aliviado.
— Vou lhe mostrar nosso vasto pomar, e algumas outras
coisas que temos pelo terreno, vem comigo! — Disse ele
com ânimo.
E então ele me conduziu mostrando o vasto pomar
de carambolas que tem naquele terreno, era realmente um
lugar lindo, grama verdejante, árvores muito bem
tratadas e com uma folhagem bem vívida, dava pra ouvir
o canto dos pássaros ao longe, e o farfalhar das árvores
quando o vento batia, haviam bastante funcionários no
local, pelo que parece o senhor Adam é realmente bem
rico. Quando pensei que nada mais poderia me
surpreender, no final dos pomares avistei algo, uma
árvore bem grande, maior que as outras do local, também
era do mesmo fruto, porém era mais alta que o comum,
suas folhar tinha um tom bem mais claro, nos
aproximando dela, o rapaz me disse.
— Esse é o fim do nosso pomar, tudo acaba aqui nela. Ela
é a nossa primeira árvore plantada, existe a gerações na
família do Adam, a fruta que essa árvore da, é bem mais
doce que as outras, é realmente um milagre da natureza.
— Ele me falava com admiração.
— Isso é realmente incrível, local belíssimo. — Falei
enquanto admirava o local.
— Bem, o Adam já deve estar de pé uma hora dessas, me
acompanhe até a casa por favor. — Falou enquanto
observava o relógio em seu pulso.
Caminhamos até a casa, quando estávamos na porta
de entrada, o homem que me acompanhava tocou a
campainha, escuto passos leves se aproximando da porta.
Quem atende é uma mulher, jovem por volta dos 20 anos,
pele branca e bem pálida, com o cabelo loiro bem claro, e
olhos castanhos escuro quase negros, vestia um vestido
branco e uma blusa de frio por cima, ela tinha um aspecto
bem doente.
— Olá Ramon, o que houve? — Disse a moça com a voz
bem fraca.
Pensando bem, caminhei com ele por um bom tempo,
e nem perguntei o nome dele, foi bem rude da minha
parte. Pensei quando ouvi a moça falar seu nome.
— Cara, foi mal, andei pra caramba junto com você, e nem
tinha perguntado seu nome, devo ter soado muito babaca.
Me desculpava com constrangimento.
— Não, está tudo bem, sério, não ligo muito pra isso —
Disse Ramon, me acalmando.
— Olá senhorita Larissa, como vai? Vim trazer este
rapaz, ele disse que veio conhecer o senhor Adam. —
Ramon respondeu a moça, com um sorriso no rosto.

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