Universidade Federal de Santa Catarina Campus Trindade
Universidade Federal de Santa Catarina Campus Trindade
CAMPUS TRINDADE
Florianópolis
2023
PEDRO HENRIQUE CARDOSO COSTA
Palavras-chave: Perdas por correntes de Foucault; Motores sem escovas; Ímãs perma-
nentes; Cálculo analítico; Elementos finitos.
Lista de ilustrações
Tabela 1 –
Dimensões da máquina . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
Tabela 2 –
Dados da ferrite NeIGT . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
Tabela 3 –
Dados do aço 304 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
Tabela 4 –
Parâmetros da simulação transiente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
Tabela 5 –
Valor médio das perdas nos ímãs por correntes induzidas para diferentes
valores de resistividade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
Tabela 6 – Valor médio das perdas no tempo por correntes induzidas . . . . . . . 41
Tabela 7 – Comparação entre os valores de perdas nos ímãs com e sem o revestimento 42
Tabela 8 – Diferença percentual entre métodos de cálculo das perdas por correntes
induzidas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
Lista de abreviaturas e siglas
CC = Corrente contínua
CA = Corrente alternada
RMS = Root-mean-square
BLDC = Brushless DC
Sumário
1 INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
1.1 Problemática . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
1.2 Objetivo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
1.2.1 Objetivo Geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
1.2.2 Objetivos Específicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
1.3 Organização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
4 MODELAGEM E SIMULAÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
4.1 Softwares de simulação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
4.2 Máquina considerada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
4.3 Simulação em Elementos Finitos: Configurações e Parâmetros . 38
5 RESULTADOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
5.1 Natureza das correntes induzidas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
5.2 Perdas calculadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
5.2.1 Distribuição das perdas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
[Link] Perdas instantâneas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
5.2.2 Comparação entre os métodos de cálculo . . . . . . . . . . . . . . . . 44
5.3 Estratégias de mitigação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
6 CONCLUSÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
REFERÊNCIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
1 Introdução
1.1 Problemática
1.2 Objetivo
1.2.1 Objetivo Geral
O objetivo principal desse Trabalho de Conclusão de Curso é analisar o compor-
tamento das perdas por corrente de Foucault nos ímãs e no revestimento de um motor
BLDC mediante um método analítico e pelo cálculo por elementos finitos.
• Determinar o impacto do revestimento condutor sobre o valor das perdas nos ímãs;
1.3 Organização
O presente trabalho está organizado da seguinte forma:
Capítulo 2: os conceitos relacionados às características do tipo de motor abordado
são apresentados, bem como seu princípio de funcionamento e algumas das características-
chave analisadas posteriormente.
Capítulo 3: as principais perdas relacionadas à máquina elétrica estudada são apre-
sentadas, com enfoque nas perdas por correntes induzidas na região dos ímãs permanentes
e do revestimento do rotor; é apresentado também um método para o cálculo dessas perdas
a partir de uma formulação em vetor potencial magnético.
Capítulo 4: descreve-se a máquina utilizada nesse trabalho, sua geometria, alimenta-
ção, e as condições determinadas para a simulação em elementos finitos. São apresentados
também os softwares utilizados para o cálculo das perdas.
Capítulo 5: os resultados dos cálculos, as análises de dados e as simulações realizadas
são apresentados neste capítulo.
17
2.1 Definição
[Link] Máquina sem escovas
Como o nome sugere, esse tipo de máquina se caracteriza pela ausência de conexões
deslizantes associadas à alimentação do rotor, como escovas, comutadores ou anéis coletores.
Ao estabelecer o campo do rotor com ímãs permanentes, elimina-se a necessidade de
alimentação do rotor.
A ausência dessas conexões implica em vantagens e desvantagens em relação às
demais configurações [Umans 2014]. Em primeira análise, percebe-se que o uso de ímãs
permanentes elimina as perdas no cobre associadas à energização do rotor, bem como as
perdas mecânicas nos comutadores; essa é uma grande vantagem para situações em que é
difícil dissipar o calor gerado, como o caso de rotores internos. Além disso, cerca de 90%
da manutenção rotineira em motores CC convencionais ocorre nos comutadores [Gieras e
Wing 1996].
Essas características tornam o motor sem escovas atrativo para aplicações como
discos rígidos, em que os detritos das escovas são indesejáveis; em sopradores e ventiladores,
onde se buscam baixo ruído e controle de velocidade; e em veículos, visto o custo de
manutenção das escovas e a busca por eficiência.
Entretanto, a substituição de enrolamentos por ímãs permanentes implica na perda
de controle do campo magnético gerado no rotor. Assim, o desenvolvimento desse tipo
de motor se popularizou com avanços referentes à tecnologia de ímãs permanentes e
áreas-chave de controle, como transistores de potência, sensores e microeletrônica. Uma vez
que o campo no rotor é relativamente constante, técnicas mais avançadas de alimentação
do estator são necessárias para compensar a perda de controle no campo do rotor; é preciso
inverter a polaridade da alimentação toda vez que ocorre o alinhamento com o polo de um
dos ímãs para garantir torque unidirecional. E mesmo com a melhoria nas características
dos ímãs nas últimas décadas, o custo proibitivo de ímãs permanentes continua sendo um
dos fatores limitantes no projeto desse tipo de máquina [Barcelos 2021].
Uma máquina sem escovas pode possuir diferentes topologias. A máquina com
rotor interno é a mais parecida com uma máquina CA síncrona, na qual o rotor com ímãs é
18 Capítulo 2. Máquina sem escovas de rotor interno com ímãs permanentes superficiais
circundado pelo estator. Isso permite uma alta relação de torque/inércia e certa facilidade
na refrigeração, mas apresenta problemas quanto à fixação dos ímãs no rotor; por vezes é
necessário o uso de um revestimento envolvendo os ímãs para evitar que escapem devido à
força centrífuga em altas velocidades.
Outras configurações são possíveis, como um estator central circundado pelo rotor,
que possui os ímãs em sua superfície interna. O rotor externo permite a proteção da carcaça
do rotor contra o desprendimento dos ímãs e, em geral, possui maior raio de entreferro.
Com isto, possibilita maior capacidade de atingir torque elevado [Barcelos 2021]. Por outro
lado, ele apresenta maiores complicações para a refrigeração dos enrolamentos.
Uma configuração comum é um disco com um ímã permanente em forma de arruela
fixado em um dos lados formando o rotor, enquanto o estator tem enrolamentos geralmente
elaborados em circuito impresso. Isso configura uma máquina de rotor axial; ele possui uma
espessura pequena, operação suave e um custo baixo, mas não possui um bom desempenho
para velocidades e torques elevados [Hendershot e Miller 2010].
Esse trabalho apresenta enfoque na análise de uma máquina com rotor interno.
Nesta configuração é possível encontrar rotores com ímãs fixados na superfície ou internos
ao corpo do rotor.
Em motores com seis ou mais polos, é possível alcançar altos níveis de fluxo
magnético no entreferro com ímãs de ferrite internos, o que, com rotores de ímãs superficiais,
só seria possível com materiais de terras raras [Hendershot e Miller 2010]. Outro ponto
relevante é maior resistência dos ímãs internos ao desprendimento em altas velocidades
nessa configuração. Entretanto, essa geometria causa uma saliência entre o eixo direto e
o de quadratura, que pode ser indesejada. Além disso, devido à ausência de aberturas,
a capacidade de troca de calor com o ar reduz a densidade de corrente permitida nos
enrolamentos.
Perdas no cobre
As perdas no cobre referem-se à dissipação de energia devido à resistência elétrica
do condutor, ocorrendo principalmente nas bobinas do enrolamento do estator e do rotor.
Na topologia de motor estudada não há preocupação com as perdas no cobre do rotor, pois
o campo magnético é mantido pelos ímãs permanentes e não há alimentação de correntes.
Existem várias estratégias para mitigar as perdas no cobre. Uma delas é o uso de
condutores de maior condutividade, como cobre puro ou ligas condutoras especiais. Isso
reduz a resistência do condutor e, consequentemente, as perdas no cobre. Além disso, a
otimização do design do motor, como a seleção adequada do tamanho e da geometria das
bobinas, pode minimizar as perdas no cobre. O uso de técnicas avançadas de resfriamento,
como a utilização de líquidos refrigerantes ou ventilação forçada, também pode ajudar a
reduzir as perdas no cobre, melhorando a dissipação térmica nas bobinas.
Em um motor com ímãs permanentes elimina-se uma parte dos condutores utilizados,
e assim as perdas no cobre. Essa característica pode ser especialmente atrativa em contextos
de baixa dissipação do calor gerado.
24 Capítulo 3. Perdas em máquinas elétricas
Perdas mecânicas
As perdas mecânicas em máquinas elétricas referem-se à dissipação de energia
devido a atritos e resistências mecânicas durante o funcionamento do motor. Essas perdas
são influenciadas por vários fatores, como a fricção entre os componentes rotativos, a
resistência do rolamento e a perda por ventilação. Um dos atrativos de máquinas sem
escovas é a diminuição de componentes em atrito durante a operação do sistema.
Perdas no ferro
As perdas no ferro são uma forma de perda energética que ocorre devido às
propriedades magnéticas do material. Elas são causadas principalmente por dois fenômenos:
histerese magnética e correntes parasitas.
A histerese magnética é um comportamento intrínseco do material ferromagnético
quando submetido a variações de campo magnético. Esse processo resulta em uma perda
de energia devido à resistência do material e à reversão magnética a medida que o campo
aplicado percorre o ciclo de histerese. As correntes parasitas, também conhecidas como
correntes de Foucault, são correntes induzidas no núcleo de ferro pela variação do campo
magnético. Essas correntes circulam no material ferroso e causam perdas adicionais devido
à resistência elétrica do núcleo.
Para mitigar as perdas no ferro, são utilizadas técnicas como a seleção de materiais
magnéticos com propriedades otimizadas, o design adequado do núcleo da máquina e
a aplicação de revestimentos isolantes para reduzir as correntes parasitas. Além disso,
simulações computacionais e análises de elementos finitos são empregadas para prever e
otimizar o comportamento magnético e as perdas no ferro durante o projeto.
Por exemplo, a troca das correntes de uma fase para outra se comporta como um degrau de
tensão nos terminais do estator, induzindo uma força eletromotriz no rotor. As correntes
parasitas resultantes são transitórias, mas excitadas regularmente, resultando em uma
perda média em regime permanente.
Além das possíveis harmônicas nas formas de onda das correntes, qualquer desequi-
líbrio entre as fases pode produzir um componente de sequência negativa do campo de
reação da armadura, mesmo quando as correntes de fase são senoidais. Essa componente
de sequência negativa gira na direção contrária ao rotor e induz uma força eletromotriz
com o dobro da frequência fundamental.
Outra fonte de harmônicas decorre da frequência de passagem das ranhuras do
estator devido ao giro do rotor, que pode modular a relutância geral do circuito magnético.
Esses harmônicos de relutância produzem torque de dentação (do inglês cogging torque) e
geram correntes parasitas no rotor.
As aberturas das ranhuras do estator modulam também a distribuição do fluxo do
entreferro, criando “vales” que giram para trás na velocidade síncrona em relação ao rotor.
Esses picos produzem conjuntos de correntes parasitas que permanecem estacionárias no
espaço, próximas às “sombras” no rotor das aberturas das ranhuras. Esse mecanismo de
perdas é representado na figura 5.
Figura 5 – Ilustração da modulação do fluxo no entreferro (Bg ) pela abertura das ranhuras
do estator
W = J2 R
√
em que J se mantém constante e R é proporcional a ω. Nesse contexto, o comportamento
das perdas assume uma natureza diferente: as correntes induzidas produzem um campo
3.2. Modelo do rotor com 4 regiões 27
∇×A=B (3.1)
∇×∇×A=∇×B
∇ × ∇ × A = µJ
∂∇ × A
∇×E+ =0
∂t
∂A
∇× E+ =0
∂t
∂A
E=− − ∇Φ
∂t
pois ∇ × ∇Φ é nulo. Sendo o gradiente desse potencial escalar nulo no contexto das
correntes induzidas em um material condutor, vale
∂A
J = σE = −σ (3.2)
∂t
e assim
∂A
∇ × ∇ × A = µσ
∂t
A identidade vetorial fornece [Bastos 2004]:
∇ × ∇ × A = ∇(∇ · A) − ∇2 A = −∇2 A
∂ 2 A 1 ∂A 1 ∂ 2A ∂A
2
+ + 2 2
= µσ
∂r r ∂r r ∂θ ∂t
Uma solução é encontrada através da separação de variáveis, em que um campo rotativo
leva a
A(r, θ, t) = A(r)ej(ωt−pθ)
d2 A 1 dA p2 A
+ − 2 = jwµσA
dr2 r dr r
d2 A 1 dA p2
+ − + jωµσ A = 0 (3.3)
dr2 r dr r2
30 Capítulo 3. Perdas em máquinas elétricas
Essa é uma variação da equação de Bessel, com solução dada por [Hendershot e Miller
2010]
A = c1 Ip (j 1/2 r/d) + c2 Kp (j 1/2 r/d) (3.4)
1
em que d = √ωµσ , ou ainda uma fração da profundidade pelicular, d = √12 δ; Ip e Kp são
funções de Bessel modificadas do primeiro e segundo tipo, respectivamente [Hendershot e
Miller 2010]; c1 e c2 são constantes complexas.
Em regiões não condutoras σ = 0, e a equação 3.3 se reduz a uma equação de Laplace
d2 A 1 dA p2
+ − 2A = 0
dr2 r dr r
com solução [Bastos 2004]
A = c3 rp + c4 r−p (3.5)
1 ∂A ∂A
Br = ; Bθ = µo Hθ = − (3.6)
r ∂θ ∂r
A relação com o campo elétrico é dada por
∂A
E=− = −jωA
∂t
e, em regiões condutoras, a corrente induzida é 3.2, que pode ser escrita como
J = −jωσA
Isso posto, as perdas na região cilíndrica podem ser calculadas a partir da integração
2
de J /σ no volume. Desenvolvendo essa integração, tem-se a densidade de potência por
unidade de comprimento ao longo do eixo em um cilindro contínuo com raios r1 e r2 .
Z r2
2π 2
W = ω σ AA∗ rdr W/mz (3.7)
2 r1
A = c1 rp + c2 r−p
p
Br = −j (c1 rp + c2 r−p )
r
p
Hθ = − (c1 rp−1 + c2 r−p−1 )
µo
A = c3 Ip (z) + c4 Kp (z)
p
Br = −j (c3 Ip (z) + c4 Kp (z))
r
j 1/2
Hθ = − (c3 Ip 0 (z) + c4 Kp 0 (z))
µR dR
A = c5 Ip (z) + c6 Kp (z)
p
Br = −j (c5 Ip (z) + c6 Kp (z))
r
j 1/2
Hθ = − (c5 Ip 0 (z) + c6 Kp 0 (z))
µi di
32 Capítulo 3. Perdas em máquinas elétricas
A = c7 Ip (z)
p
Br = −j c7 Ip (z)
r
j 1/2
Hθ = − c7 Ip 0 (z)
µe de
Condições de contorno
c1 rsp + c2 rs−p = K
e
p p
−j (c3 Ip (z1R ) + c4 Kp (z1R )) = −j (c5 Ip (z1i ) + c6 Kp (z1i ))
r1 r1
em que z1R = j 1/2 r1 /dR e z1i = j 1/2 r1 /di .
Na interface restante em r = rh , entre os ímãs e a coroa do rotor,
j 1/2 j 1/2
− (c5 Ip 0 (zhi ) + c6 Kp 0 (zhi )) = − c7 Ip 0 (zhe )
µi di µe de
e
p p
−j (c5 Ip (zhi ) + c6 Kp (zhi )) = −j c7 Ip (zhe )
rh rh
em que zhi = j 1/2 rh /di e zhe = j 1/2 rh /de .
Resolução do sistema
a1 c1 + a2 c2 = µo K
a3 c1 + a4 c2 + a5 c3 + a6 c4 = 0
a7 c1 + a8 c2 + a9 c3 + a10 c4 = 0
a11 c3 + a12 c4 + a13 c5 + a14 c6 = 0
a15 c3 + a16 c4 + a17 c5 + a18 c6 = 0
a19 c5 + a20 c6 + a21 c7 = 0
a22 c5 + a23 c6 + a24 c7 = 0
em que
b1 = a19 − a21 a22 /a24 ; b2 = a20 − a21 a23 /a24 ; b3 = −b1 /b2 ;
b4 = a13 + a14 b3 b5 = a17 + a18 b3 ; b6 = a11 − b4 a15 /b5 ;
b7 = a12 − b4 a16 /b5 ; b8 = a9 − b6 a10 /b7 ; b9 = a5 − b6 a6 /b7 ;
b10 = a3 − b9 a7 /b8 ; b11 = a4 − b9 a8 /b8 ; b12 = a1 − b10 a1 /b11 .
e por fim
µo K b10 a7 a8
c1 = ; c2 = − c1 ; c3 = − c1 − c2 ;
b12 b11 b8 b8
b6 a15 a16
c4 = − c3 ; c5 = − c3 − c4 ; c6 = −b3 c5 ;
b7 b5 b5
a22 a23
c7 = − c5 − c6 .
a24 a24
4 Modelagem e simulação
SimcenterT M SPEED
SimcenterT M MAGNET
O Simcenter MAGNET é um gerador de malha de elementos finitos com um criador
de geometria e pós-processador aberto ao acoplamento de problemas físicos (eletromagné-
tico, térmico, etc.) com resolução por métodos numéricos. A interface do programa pode
ser vista na figura 3.
RADSH 20 mm
R1 50 mm
R2 100 mm
GAP 3 mm
LM 11 mm
RVS 1 mm
TGD 2 mm
TWS 10 mm
SOang 20o
Comprimento do pacote 100 mm
Materiais
Os materiais utilizados são parte da biblioteca padrão dos softwares. O ímã é feito
da ferrite NeIGT, enquanto o revestimento utiliza o aço 304.
Além disso, não foi considerada nenhuma espécie de laminação nesses componentes.
Eles são tratados como condutores sólidos para o cálculo de correntes induzidas.
Controle
Foi considerado um controle senoidal com tensão de alimentação Vs = 200 V , ponto
de operação da corrente Isp = 200 A e velocidade de rotação de 6000 RPM.
38 Capítulo 4. Modelagem e simulação
Parâmetro 2D 3D
Tempo total 15 ms 20 ms
Passo de tempo 0,1 ms 0,42 ms
Critério de convergência 0,01% 0,01%
Ordem polinomial 2 2
5 Resultados
Região Analítico 2D 3D
Revestimento 88,3 W 153,6 W 51,7 W
Ímãs 60,9 W 72,8 W 46,41 W
Tabela 7 – Comparação entre os valores de perdas nos ímãs com e sem o revestimento
Tabela 8 – Diferença percentual entre métodos de cálculo das perdas por correntes induzi-
das
Existem algumas conjecturas que podem explicar por que o cálculo de perdas por
elementos finitos pode resultar em um valor total significativamente diferente do que uma
aproximação analítica.
A simulação por elementos finitos considera detalhes geométricos complexos, como
o formato exato das peças e a presença de bordas, cantos e descontinuidades. Esse tipo de
comportamento é aproximado, na solução apresentada, com um cilindro contínuo. Esses
detalhes podem levar a um aumento das perdas devido a efeitos como o aumento das
correntes parasitas e a concentração do campo magnético.
Em outro ponto de vista, a alta complexidade e o detalhamento necessários para a
modelagem da geometria também tornam a simulação em três dimensões extremamente
suscetível a erros, sejam de origem da modelagem, de erros numéricos ou de gargalos
nas propriedades dos materiais; de forma que pequenos detalhes podem invalidar a
confiabilidade da resolução.
Além disso, o cálculo analítico considera uma resposta linear do material, enquanto
a simulação por elementos finitos considera o comportamento não linear dos materiais
magnéticos, como a curva de magnetização não linear do aço elétrico. Isso pode resultar
em perdas adicionais que não são consideradas na aproximação analítica.
Uma melhoria significativa na aproximação do comportamento pelas equações
utilizadas seria a consideração de seccionamento no cilindro que representa os ímãs,
caracterizando uma barreira no caminho das correntes entre as regiões de um mesmo
cilindro.
6 Conclusão
Com base nas análises realizadas neste estudo sobre as perdas por correntes de
Foucault em ímãs de motor sem escovas de rotor interno e ímãs superficiais, foram
identificadas diferenças significativas entre o modelo analítico proposto e as simulações em
elementos finitos.
O modelo analítico apresentado demonstrou ser uma ferramenta valiosa para estimar
as perdas de forma rápida, mas esbarra em limitações. Ao comparar esses resultados com as
simulações em elementos finitos, observou-se que as simulações forneceram uma avaliação
mais detalhada das perdas, considerando a complexidade da geometria do motor e a
distribuição espacial das correntes de Foucault.
Essas diferenças ressaltam a importância de utilizar abordagens complementares
na análise das perdas. O modelo analítico pode ser uma opção viável para estimativas
rápidas e simplificadas, especialmente durante a fase de projeto inicial. Por outro lado,
as simulações em elementos finitos permitem uma análise mais precisa e abrangente das
perdas, considerando aspectos geométricos e físicos mais complexos.
Durante o desenvolvimento deste estudo, foi possível obter um maior entendimento
sobre as áreas nas quais as perdas por correntes de Foucault se concentram no rotor de
um motor sem escovas. A análise em elementos finitos e as simulações permitiram uma
visualização detalhada das regiões onde ocorrem as correntes induzidas e, consequentemente,
onde as perdas são mais significativas.
Além disso, foi possível investigar a natureza cíclica das perdas instantâneas por
correntes de Foucault que ocorrem nos ímãs permanentes superficiais durante a operação do
motor sob regime de alimentação senoidal. Essas perdas apresentam um padrão periódico,
seguindo o ciclo da corrente elétrica aplicada. Outro aspecto relevante observado neste
estudo é que as correntes induzidas são limitadas pela resistência do material e não pela
sua indutância. Isso significa que o aumento na resistividade dos materiais utilizados no
rotor pode ser uma estratégia eficaz para reduzir as perdas por correntes de Foucault.
Em suma, este estudo contribuiu para o avanço do conhecimento sobre as perdas
por correntes de Foucault em motores sem escovas, ressaltando a importância de utilizar
abordagens analíticas e de simulação em elementos finitos complementarmente. Essas
ferramentas são essenciais para o projeto e otimização de motores eficientes e de alto
desempenho, levando a avanços significativos na indústria de motores elétricos.
49
Referências
GIERAS, J.; WING, M. Permanent Magnet Motor Technology: Design and Applications.
[S.l.]: Marcel Dekker, 1996. Citado na página 17.
SIEMENS. Eddy-current Losses in Magnets and Rotor Cans. [S.l.], 2022. Trabalho não
publicado. Citado 2 vezes nas páginas 15 e 45.
STOLL, R. The Analysis of Eddy Currents. [S.l.]: Clarendon Press, 1974. (International
Series of Monographs in Electrical Engineering). ISBN 9780198593119. Citado na página
26.