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Recurso Especial Cível nº 0003583-32.2021.8.19.0008
Recorrente: MUNICÍPIO DE BELFORD ROXO
Recorrido: ADAILZA MACIEL MACHADO E OUTROS
DECISÃO
Trata-se de recurso especial tempestivo, fls. 426-431, com fundamento no
artigo 105, inciso III, alíneas “a” e “c” da Constituição Federal, interposto em face dos
acórdãos da Quarta Câmara de Direito Público, fls. 372-384 e assim ementado:
“DIREITO CIVIL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE
FAZER, CUMULADA COM INDENIZAÇÃO POR
DANOS, EM RAZÃO DO DESAPARECIMENTO DOS
RESTOS MORTAIS DE GENITOR. CONHECIMENTO
E DESPROVIMENTO DOS RECURSOS. I. Caso em
exame 1. Trata-se de ação de obrigação de fazer, cumulada
com indenização por danos morais, em razão do
desaparecimento dos restos mortais do genitor dos Autores.
2. Sentença que julgou procedente o pedido autoral e
condenou o Réu ao pagamento de R$ 10.000,00 (dez mil
Reais), para cada filho, a título de indenização por dano
moral, acrescido de juros de mora, a contar da citação. II.
Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste
em verificar: (i) se é razoável e proporcional o valor fixado a
título de dano moral e (ii) qual é o termo inicial para cálculo
dos juros moratórios. III. Razões de decidir 4. Valor de R$
10.000,00 (dez mil Reais) que se afigura razoável e
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HELENO RIBEIRO PEREIRA NUNES:13769 Assinado em 29/01/2026 17:09:57
Local: 3VP - GABINETE
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proporcional ao abalo sofrido pelos Autores, ante a perda
dos restos mortais do genitor. 5. Juros moratórios que
devem ser contabilizados a partir da citação. Precedentes do
STJ. 6. Sentença que deve ser reformada, de ofício, tão
somente para condenar o Município-Réu ao pagamento de
taxa judiciária, em atenção à Súmula nº 145 do TJRJ. 7.
Manutenção do conteúdo remanescente da sentença, por
seus próprios fundamentos. IV. Dispositivo e tese 8.
Recursos conhecidos e desprovidos. Condenação, ex officio,
do Município-Réu ao pagamento de taxa judiciária.
Dispositivos relevantes citados: CC, art. 406.
Jurisprudência relevante citada: STJ, REsp nº
2.062.204/RS, rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
Terceira Turma, j. 12.05.2025; STJ, REsp nº 2.208.447/RJ,
rel. Min. Moura Ribeiro, Terceira Turma, j. 16.06.2025;
TJRJ, Apelação nº 0007976- 82.2021.8.19.0207, rel. Des.
Maria Luiza de Freitas Carvalho, 11ª Câmara de Direito
Privado, j. 22.06.2023; TJRJ, Apelação nº 0017309-
64.2021.8.19.0205, rel. Des. André Luís Mançano
Marques, 19ª Câmara de Direito Privado, j. 23.05.2024.”
“Ementa: DIREITO ADMINISTRATIVO. EMBARGOS
DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO
DE OBRIGAÇÃO DE FAZER, CUMULADA COM
INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS, EM RAZÃO
DO DESAPARECIMENTO DOS RESTOS MORTAIS
DE GENITOR. ACÓRDÃO QUE NEGOU
PROVIMENTO A AMBOS OS RECURSOS.
OMISSÃO E CONTRADIÇÃO NÃO
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CONFIGURADAS. REJEIÇÃO DOS EMBARGOS. I.
Caso em exame 1. Trata-se, na origem, de ação de obrigação
de fazer, cumulada com indenização por danos morais,
proposta em face do Município de Belford Roxo, requerendo
indenização por danos morais, em razão do desaparecimento
dos restos mortais do genitor dos Autores. 2. Embargos de
declaração opostos pelo Município de Belford Roxo, com
vistas à impugnação do acórdão que negou provimento ao
recurso de apelação. II . Questão em discussão 3. A questão
em discussão consiste em verificar a existência de supostos
vícios de omissão e contradição no acórdão embargado. III.
Razões de decidir 4. A apelação do Município se limitou a
requerer a fixação do termo inicial dos juros de mora na data
do efetivo arbitramento e a redução do valor arbitrado a
título de honorários. 5. Logo, a questão discutida em sede de
apelação não dizia respeito à existência, ou não, de
responsabilidade do Município-Réu pelos danos sofridos
pelos Autores, mas, tão somente, à aferição da razoabilidade
e proporcionalidade do quantum indenizatório e à fixação
do termo inicial para cálculo dos juros moratórios. 6.
Acórdão que cuidou expressamente do valor da indenização,
com fundamento em precedentes desta Corte de Justiça, e
enfrentou de forma expressa, clara e coerente todos os
argumentos trazidos à cognição judicial para o deslinde da
controvérsia, de modo que não há que se falar em
obscuridade a ser esclarecida, omissão a ser colmatada, erro
material a ser corrigido ou contradição a ser eliminada no
aresto impugnado. 7. O julgador que não está obrigado a
enfrentar todos os dispositivos legais invocados pelas
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partes, bastando que a decisão seja suficientemente
fundamentada, com a exposição das razões de fato e de
direito que a motivaram, sendo desnecessária a expressa
indicação de todos os possíveis dispositivos de algum modo
relacionados ao tema. Incidência da Súmula nº 52 do TJRJ.
IV. Dispositivo e tese 8. Embargos de declaração rejeitados.
Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 435, 1.013 e
1.022. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgInt no
AREsp nº 2.618.967/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze,
Terceira Turma, j. 21.10.2024; STJ, ProAfR no REsp nº
1.846.649/MA, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Segunda
Seção, j. 23.06.2021; TJRJ, Súmula nº 52.”
Inconformado, em suas razões recursais, a recorrente alega violação aos
artigos 186, 844 e 944 do Código Civil e 489, §1º, IV, e 1.022 do Código de Processo
Civil. Defende, em síntese, que não possui qualquer culpa na ocorrência dos fatos que
ensejaram a demanda, sendo a responsabilidade exclusivamente atribuída aos
familiares dos autores. Questiona, também, o valor fixado a título de danos morais.
Contrarrazões, fls. 441-460.
É o brevíssimo relatório.
Cuida-se, na origem, de ação indenizatória ajuizada pelos recorridos afir-
mando que seu pai foi sepultado no Cemitério Municipal de Belford Roxo e que ao
solicitarem a retirada dos restos mortais do falecido em 2016, teriam sido informados
que, como o corpo ainda se encontrava em estado de decomposição, deveriam retornar
após 02 anos. Continuam narrando que retornaram ao cemitério em 2019 e verificaram
que o local onde estava o túmulo do seu falecido pai estava em estado de abandono e
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que a cruz, antes da cor azul, havia sido substituída por uma de cor laranja, o que,
segundo funcionários do local, indicaria que o corpo já havia sido retirado daquele
local.
Foi proferida sentença de procedência fixando a verba indenizatória em
R$ 10.000,00. A sentença foi mantida em sede recursal, sob os seguintes fundamentos:
“(...) Nessa linha, o valor de R$ 10.000,00 (dez mil Reais),
arbitrado pelo Juízo a quo para cada filho do falecido, é ra-
zoável e proporcional ao abalo sofrido pelos Autores, tendo
em vista o dano emocional causado pela perda e inviabili-
dade de localização dos restos mortais do genitor. Confira-
se precedentes desta Corte de Justiça sobre o tema: (...)”
(Fls. 25-28)
O recurso não será admitido.
Inicialmente, a alegada ofensa aos dispositivos supracitados nada mais é
do que inconformismo com o teor da decisão atacada, uma vez que o acórdão recorrido
dirimiu, fundamentadamente, as questões submetidas ao colegiado, não se
vislumbrando qualquer dos vícios do art. 1.022 do CPC.
Com efeito, o Órgão Julgador apreciou, com coerência, clareza e devida
fundamentação, as teses suscitadas pelo Jurisdicionado durante o processo judicial, em
obediência ao que determinam o artigo 93, IX da Constituição da República
e, a contrario sensu, o artigo 489, § 1º do CPC.
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Não se pode confundir a ausência de aperfeiçoamento da prestação
jurisdicional com a entrega de forma contrária aos interesses da parte recorrente.
Inexistente qualquer vício a ser corrigido porquanto o acórdão guerreado, malgrado
não tenha acolhido os argumentos suscitados pelo recorrente, manifestou-se
expressamente acerca dos temas necessários à integral solução da lide. Nesse sentido
(grifei):
AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. CONTRATO DE
LOCAÇÃO. ALUGUÉIS EM ATRASO.
CONDENAÇÃO. INTERESSE DE AGIR.
CERCEAMENTO DE DEFESA. MATÉRIA QUE
DEMANDA REEXAME DE FATOS E PROVAS.
SUMULAS 5 E 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO
PROVIDO.
1. Não se viabiliza o recurso pela indicada violação
dos artigos 1022 e 489 do Código de Processo Civil de
2015. Isso porque, embora rejeitados os embargos de
declaração, a matéria em exame foi devidamente
enfrentada pelo Tribunal de origem, que emitiu
pronunciamento de forma fundamentada, ainda que
em sentido contrário à pretensão da parte recorrente.
Não há falar, no caso, em negativa de prestação
jurisdicional. A Câmara Julgadora apreciou as
questões deduzidas, decidindo de forma clara e
conforme sua convicção com base nos elementos de
prova que entendeu pertinentes. No entanto, se a
decisão não corresponde à expectativa da parte, não
deve por isso ser imputado vicio ao julgado.
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2. Rever os fundamentos do acórdão recorrido que levaram
a concluir pela ausência de cerceamento de defesa e presença
do interesse de agir, demandaria o reexame do conjunto
fático-probatório, o que é vedado na instância especial,
segundo o enunciado da Súmula 7/STJ.
3. Agravo interno não provido.
(AgInt no AREsp n. 1.947.755/DF, relator Ministro Luis
Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 9/8/2022, DJe
de 16/8/2022.)
Verifico ainda que, quanto à ausência de culpa e à responsabilidade
exclusiva dos familiares, tais argumentos não foram suscitados pelo Município em
seu recurso de apelação. Neste ponto o recurso carece de pressuposto fundamental
para sua admissão, qual seja, o prequestionamento.
A tese recursal suscitada não foi ventilada na apelação do recorrente. Por
óbvio, os dispositivos invocados também não foram enfrentados no acórdão recorrido.
Desse modo, a tese agora aventada configura indevida inovação recursal,
incapaz de preencher o requisito do prequestionamento.
Não se trata de mero apego ao formalismo. O prequestionamento, com
efeito, não resulta da circunstância de a matéria haver sido arguida pela parte
recorrente. Para além disso, a configuração do instituto pressupõe debate e decisão
prévios pelo Colegiado, ou seja, emissão de juízo sobre o tema.
O procedimento tem como finalidade o cotejo indispensável a que se diga
da matéria objeto do recurso excepcional. Logo, se o órgão julgador não adotou
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entendimento explícito a respeito do fato jurígeno veiculado nas razões recursais,
inviabilizada fica a conclusão sobre a violação do preceito evocado pelo recorrente.
Nesse passo, de acordo com a jurisprudência do STJ, o levantamento do
tema em sede de embargos aclaratórios é indispensável à interposição do recurso
excepcional quando a questão não tiver sido expressamente enfrentada pelo acórdão
vergastado – admitindo-se, quando muito, que o referido recurso, seja ele
extraordinário ou especial, seja oferecido também com base em violação ao art. 1.022
do CPC, nas hipóteses em que a câmara de origem, mesmo instada a suprir a omissão,
não corrigir o vício apontado (pré-questionamento ficto). Nesse sentido:
“EMENTA Agravo regimental em recurso extraordinário.
Direito administrativo. Ação declaratória. Câmara
municipal. Deliberação sobre prestação de contas.
Prequestionamento. Ausência. Precedentes. 1. É
inadmissível o recurso extraordinário se os dispositivos
constitucionais que nele se alegam violados não estão
devidamente prequestionados. Incidência das Súmulas nºs
282 e 356/STF. 2. Agravo regimental não provido. 3.
Havendo prévia fixação de honorários advocatícios pelas
instâncias de origem, seu valor monetário será majorado em
10% (dez por cento) em desfavor da parte recorrente, nos
termos do art. 85, § 11, do CPC, observados os limites dos
§§ 2º e 3º do referido artigo e a eventual concessão de justiça
gratuita.
(RE 1403742 AgR, Relator(a): DIAS TOFFOLI, Primeira
Turma, julgado em 19/12/2022, PROCESSO
ELETRÔNICO DJe-033 DIVULG 23-02-2023 PUBLIC
24-02-2023)”
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“AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL. RESERVA DE HONORÁRIOS. ART. 22
DA LEI Nº 8.906/1994. HABILITAÇÃO DE CRÉDITO.
RECUPERAÇÃO JUDICIAL. EXPEDIÇÃO DE
MANDADO. TESE. PREQUESTIONAMENTO
FICTO. AUSÊNCIA. SÚMULA Nº 211/STJ. ART. 1.025
DO CPC/2015. NÃO DEMONSTRAÇÃO. ART. 1.022
DO CPC/2015. AFRONTA. 1. Recurso especial
interposto contra acórdão publicado na vigência do Código
de Processo Civil de 2015 (Enunciados
Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. A falta de
prequestionamento da matéria suscitada no recurso
especial, a despeito da oposição de embargos de declaração,
impede seu conhecimento, a teor da Súmula nº 211 do
Superior Tribunal de Justiça. 3. Esta Corte não
reconhece o prequestionamento pela simples oposição
de declaratórios. Persistindo a omissão, é necessária
a interposição de recurso especial por afronta ao art.
1.022 do Código de Processo Civil de 2015, sob pena de
perseverar o óbice da ausência de
prequestionamento. 4. Se a questão levantada não
foi discutida pelo tribunal de origem, e não verificada,
nesta Corte, a existência de erro, omissão,
contradição ou obscuridade, não há falar em
prequestionamento ficto da matéria, nos termos do
art. 1.025 do CPC/2015, incidindo na espécie a Súmula
nº 211/STJ. 5. Agravo interno não
provido. (AgInt no AREsp 1529862/RS, Rel. Ministro
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RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA - TERCEIRA
TURMA - julgado em 16/03/2020 -
DJe 19/03/2020)”
À falta de prequestionamento, o recurso especial encontra óbice na
Súmula 211 do STJ (“Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da
oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo”).
Outrossim, o detido exame das razões recursais revela que a recorrente
ao impugnar o acórdão que reconheceu a razoabilidade da verba fixada a título de
danos morais, pretende, por via transversa, a revisão de matéria de fato, apreciada e
julgada com base nas provas produzidas nos autos, que não perfaz questão de direito,
mas tão somente reanálise fático-probatória.
Dessa maneira, pelo que se depreende da leitura do acórdão recorrido,
não merece trânsito o recurso especial, face ao óbice do Enunciado nº 7 da Súmula de
Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (A pretensão de simples reexame de prova
não enseja recurso especial). Nesse sentido:
“AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 2546487 - GO
(2024/0009010-9)
EMENTA
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPE-
CIAL. PLANO DE SAÚDE.
FUNDAMENTO INATACADO. SÚMULA 283/STF.
FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO.
DANOS MORAIS. CONFIGURADOS. REVISÃO DE
CLÁUSULAS CONTRATUAIS E REEXAME DE FA-
TOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 5 E
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7 DO STJ. DISSÍDIO PREJUDICADO. AGRAVO IM-
PROVIDO.
DECISÃO
Cuida-se de agravo interposto por UNIMED GOIANIA
COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO contra deci-
são que obstou a subida de recurso especial.
Extrai-se dos autos que a parte agravante interpôs recurso
especial, com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da
Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE
JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS cuja ementa guarda
os seguintes termos (fl.440):
EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE OBRIGA-
ÇÃO DE FAZER C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS
MATERIAIS E MORAIS. MENOR. FISIOTERAPIA.
MÉTODO BOBATH BABY. PLANO DE SAÚDE. DE-
MORA NA AUTORIZAÇÃO DAS GUIAS. CUSTEIO
DE SESSÕES PARTICULARES. DANO MATERIAL.
REEMBOLSO. VALORES DA TABELA DO PRESTA-
DOR. DANOS MORAIS. EXISTÊNCIA. PROVI-
MENTO PARCIAL. 1.
Constatada a necessidade de a apelada realizar tratamento
multidisciplinar, incluindo sessões de fisioterapia pelo mé-
todo Bobath Baby, em virtude de ter sido diagnosticada com
Paralisia Cerebral Espástica, a demora na autorização
das guias respectivas pela apelante, além do prazo de
10 dias úteis previsto na Resolução n° 259 da ANS,
então vigente, implicando em segmentação e atraso no tra-
tamento, a ponto de terem sido custeadas algumas sessões
fisioterápicas de modo particular, há a ocorrência de danos
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pela prestação defeituosa do serviço. 2. O reembolso do im-
porte dispendido pela menor, por seus provedores, pelo cus-
teio de serviço coberto pelo plano de saúde, a título de repa-
ração pelos danos materiais, deverá observar a tabela de va-
lores utilizada pelo mesmo.
3. É devida a compensação por danos morais ante a não
prestação adequada e eficaz do aludido serviço englobado
pela contratação, e fragilizando a eficácia do tratamento, em
se tratando de saúde, fixados de modo adequados em R$
10.000,00 (dez mil reais). APELAÇÃO CONHECIDA E
PARCIALMENTE PROVIDA.
Rejeitados os embargos de declaração opostos (fls. 479-491).
No recurso especial, a parte recorrente alega que o acórdão
estadual violou o art. 188, I, do CC.
Sustenta, em síntese, que (fl. 503):
[...] não pode ser compelida a reparar moralmente a recor-
rida tendo em vista que em momento algum tomou atitude
contrária ao ordenamento jurídico, regulatório e contratual,
agindo em exercício regular de seu direito. E se houve atraso
em duas autorizações, ainda assim, não se justifica a inde-
nização, pois a maioria esmagadora das autorizações se deu
a tempo e modo [...]
Aponta divergência jurisprudencial com arestos de outros
tribunais.
Foram oferecidas contrarrazões ao recurso especial (fls. 562-
569).
Sobreveio juízo de admissibilidade negativo na instância de
origem (fls. 580-582), o que ensejou a interposição do pre-
sente agravo.
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Apresentada contraminuta do agravo (fls. 599-603).
É, no essencial, o relatório.
Instado a se manifestar, o Ministério Público opinou pelo
não provimento do agravo (fls. 614-617).
A decisão agravada não merece reforma.
Com efeito, da análise das razões do recurso especial, ob-
serva-se que a recorrente limita-se a suscitar que agiu no
exercício regular de seu direito ao negar a cobertura do tra-
tamento e que os atrasos nas autorizações não justificam a
indenização.
Contudo, deixa de impugnar o fundamento do acordão re-
corrido no sentido de que a Resolução n. 259 da Agência
Nacional de Saúde (ANS), que estava em vigor quando so-
licitadas as sessões em comento, estabeleceu os prazos máxi-
mos para atendimento das solicitações dos beneficiários, os
quais não foram respeitados pelo plano de saúde, agravando
a situação de higidez psíquica e de sofrimento do segurado.
Tal omissão atrai a incidência da Súmula 283/STF: "É
inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão re-
corrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o
recurso não abrange todos eles".
Nesse sentido, cito:
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO
NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA
DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DO
ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULAS N. 283 E 284
DO STF. CONSONÂNCIA DO ACÓRDÃO RECOR-
RIDO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA
N. 83 DO STJ. DECISÃO MANTIDA.
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I. Caso em exame 1. Agravo interno interposto contra deci-
são monocrática que negou provimento ao agravo em re-
curso especial.
II. Razões de decidir 2. O recurso especial que não impugna
fundamento do acórdão recorrido suficiente para mantê-lo
não deve ser admitido, a teor das Súmulas n. 283 e 284 do
STF.
3. Não se conhece do especial quando a conclusão do acórdão
recorrido é no mesmo sentido da orientação do Superior Tri-
bunal de Justiça. A Súmula n. 83 do STJ é aplicável aos re-
cursos interpostos tanto pela alínea "a" quanto pela alínea
"c" do permissivo constitucional.
III. Dispositivo 4. Agravo interno desprovido.
(AgInt no AREsp n. 2.277.330/PR, relator Ministro Anto-
nio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 19/5/2025,
DJEN de 23/5/2025.)
Além disso, alterar o decidido no acórdão impugnado,
no que se refere à falha na prestação do serviço e à
presença dos requisitos autorizadores dos danos mo-
rais, exige o reexame de fatos e provas, o que é vedado,
em recurso especial, pela Súmula 7 do STJ.
No mesmo sentido, cito o seguinte precedente:
AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL (CPC/2015).
OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C INDENIZATÓRIA.
PLANO DE SAÚDE COLETIVO. DEMISSÃO SEM
JUSTA CAUSA. PRAZO DE PERMANÊNCIA.
IRREGULARIDADE. FALHA NA PRESTAÇÃO NO
SERVIÇO. CONDUTA ILÍCITA.
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REVISÃO. SÚMULA N. 7/STJ. DANO MORAL. VA-
LOR. SÚMULA N. 7/STJ.
DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. IMPOSSIBILIDADE
DE COMPROVAÇÃO POR RECLAMAR CONSIDE-
RAÇÃO SOBRE A SITUAÇÃO FÁTICA. AGRAVO IN-
TERNO DESPROVIDO.
1. Rever a conclusão do Tribunal de origem - com o fim de
afastar a conduta ilícita, caracterizada pela falha na presta-
ção do serviço - demanda o reexame das provas produzidas
no processo, o que é defeso na via eleita, nos termos do enun-
ciado n. 7 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça.
2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça dispõe
que a alteração do valor estabelecido pelas instâncias ordi-
nárias, a título de compensação por danos morais, só é pos-
sível quando o referido montante tiver sido fixado em pata-
mar irrisório ou excessivo. Na hipótese, verifica-se que a
quantia não se afigura excessiva, tendo sido observados os
postulados da proporcionalidade e da razoabilidade de
acordo com as particularidades do caso vertente, o que torna
inviável o recurso especial, nos termos do enunciado n. 7 da
Súmula do Superior Tribunal de Justiça.
3. Esta Corte firmou o entendimento de que não é possível o
conhecimento do recurso especial interposto pela divergên-
cia jurisprudencial na hipótese em que o dissídio é apoiado
em fatos, e não na interpretação da lei, considerando que a
Súmula n. 7/STJ é aplicável, também, aos recursos especiais
interpostos pela alínea c do permissivo constitucional.
4. O mero não conhecimento ou a improcedência de recurso
interno não enseja a automática condenação à multa dos
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arts. 259, § 4º, do RISTJ e 1.021, § 4°, do CPC/2015, de-
vendo ser analisado caso a caso.
5. Agravo interno desprovido.
(AgInt no AREsp n. 2.540.923/RJ, relator Ministro Marco
Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 12/8/2024,
DJe de 15/8/2024.)
Por fim, diga-se que a incidência da Súmula 7 do STJ
quanto à interposição pela alínea "a" do permissivo consti-
tucional impede o conhecimento do recurso especial pela di-
vergência jurisprudencial sobre a mesma questão.
Ante o exposto, nego provimento ao agravo em recurso es-
pecial.
Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários
fixados em desfavor da parte recorrente para 18% sobre o
valor atualizado da condenação.
Publique-se. Intimem-se.
Brasília, 13 de junho de 2025.
Ministro Humberto Martins
Relator
(AREsp n. 2.546.487, Ministro Humberto Martins, DJEN
de 17/06/2025.)”.
“PROCESSUAL CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL.
OBRAS EM ACOSTAMENTO. ACIDENTE DE TRÂN-
SITO. ÓBITO. DANOS MATERIAIS E MORAIS. IN-
DENIZAÇÃO. DESPROVIMENTO DO AGRAVO IN-
TERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECOR-
RIDA.I - Na origem, trata-se de ação ajuizada contra o Mu-
nicípio de Pirangi e Samfer Construtora Monte Alto Ltda.
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pleiteando, em suma, reparação por danos materiais e mo-
rais. A parte autora alegou, em síntese, que o seu genitor
faleceu, enquanto trafegava pela rodovia PG1, ao se chocar
com um enorme acúmulo de terra, decorrente de obra de dre-
nagem, que estava sendo realizada no local sem a devida si-
nalização e desobstrução. Na sentença os pedidos foram jul-
gados parcialmente procedentes. No Tribunal a quo, a sen-
tença foi parcialmente reformada, dando-se provimento par-
cial apenas ao recurso da companheira da vítima, Natali
Franciele Iná[Link] - Interpostos recursos especiais, com fun-
damento no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal, fo-
ram inadmitidos, tendo subido a esta Corte via [Link] -
A Corte de origem analisou a controvérsia dos autos le-
vando em consideração os fatos e provas relacionados à ma-
téria. Assim, para se chegar à conclusão diversa, e amparar
as pretensões deduzidas pela agravante quanto ao reconhe-
cimento de culpa exclusiva da vítima, bem como à exclusão
ou redução do pagamento de pensão e indenização por danos
morais, seria necessário o reexame fático-probatório, o que é
vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o
qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja
recurso especial".IV - A propósito: "A jurisprudência do
Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a re-
visão dos valores fixados a título de danos morais so-
mente é possível quando exorbitante ou insignifi-
cante, em flagrante violação aos princípios da razoa-
bilidade e da proporcionalidade, o que não é o caso
dos autos. A verificação da razoabilidade do quan-
tum indenizatório esbarra no óbice da Súmula 7/STJ."
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(STJ, AgInt no AREsp n. 927.090/SC, relator Ministro
Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 8/11/2016.).V
- Por outro lado, ressalte-se, ainda, que a incidência do
Enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede
o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da
patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos.
Nesse sentido:AgInt no AREsp n. 1.044.194/SP, relatora
Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em
19/10/2017, DJe 27/10/[Link] - Além disso, relativamente
à controvérsia envolvendo o cabimento e limites da conde-
nação ao pensionamento mensal, verifica-se que o acórdão
prolatado pelo Tribunal de origem julgou a questão de
acordo com o arcabouço fático dos autos e conforme juris-
prudência desta Corte, segundo a qual o benefício previden-
ciário ostenta natureza diversa da pensão por responsabili-
dade civil, razão pela qual não admite nem merece reforma,
nos termos da Súmula n. 83 do STJ (Não se conhece do re-
curso especial pela divergência, quando a orientação do Tri-
bunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida).VII
- Convém enfatizar que a jurisprudência desta Corte é firme
no sentido de que a competência do Superior Tribunal de
Justiça, na via do recurso especial, encontra-se vinculada à
interpretação e à uniformização do direito infraconstitucio-
nal federal, e não à atuação como uma terceira instância na
análise dos fatos e das [Link] - Agravo interno impro-
vido.(AgInt no AREsp n. 2.155.848/SP, relator Ministro
Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 13/3/2023,
DJe de 16/3/2023)”.
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À vista do exposto, em estrita observância ao disposto no art. 1.030, V do
Código de Processo Civil, INADMITO o recurso especial interposto, nos termos da
fundamentação supra.
Intime-se.
Rio de Janeiro, 29 de janeiro de 2026.
Desembargador HELENO NUNES
Terceiro Vice-Presidente
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