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Processo e Práticas Nas R.I

O documento aborda processos e práticas em relações internacionais, destacando a diplomacia, funções do Ministro das Relações Exteriores e a importância das missões diplomáticas. Também discute a formação de atos internacionais, organizações internacionais, e o papel do Brasil na proteção de refugiados. Além disso, explora a negociação internacional, poder nas relações, integração regional e blocos econômicos, com ênfase na União Europeia.

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Processo e Práticas Nas R.I

O documento aborda processos e práticas em relações internacionais, destacando a diplomacia, funções do Ministro das Relações Exteriores e a importância das missões diplomáticas. Também discute a formação de atos internacionais, organizações internacionais, e o papel do Brasil na proteção de refugiados. Além disso, explora a negociação internacional, poder nas relações, integração regional e blocos econômicos, com ênfase na União Europeia.

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PROCESSOS E PRÁTICAS EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Prática diplomática
-​ Diplomata: servidor público aprovado no concurso do Instituto Rio Branco.
-​ Diplomacia: instrumento da Política Exterior dos Estados.
-​ Origens: evidenciada na prática diplomática do Império Romano durante seu
período expansionista.
-​ Estrutura da prática diplomática: foco na defesa dos interesses nacionais através
da construção contínua de entendimento, promoção de cooperação entre atores
estatais e não estatais na esfera externa.
-​ Congresso de Viena (1815): primeira tentativa sistemática de codificar práticas
diplomáticas.

Ministro das Relações Exteriores ou Chanceler


Principais funções:
-​ Seguir a política exterior
-​ Representar o governo brasileiro
-​ Negociar e celebrar tratados
-​ Organizar e instruir missões especiais
-​ Coordenar as conferências internacionais que se realizarem no Brasil
-​ Proteger os interesses brasileiros no exterior

Missões Diplomáticas
-​ Representação: o agente diplomático fala em nome de seu governo com o Estado
junto ao qual se acha acreditado (sediado).
-​ Negociação: promover relações amistosas como o intercâmbio econômico, cultural
e científico.
-​ Proteção: o diplomata deve proteger os interesses de seu Estado e de seus
nacionais perante as autoridades do país.
-​ Observação: consiste em inteirar-se por todos os meios lícitos das condições
existentes e da evolução dos acontecimentos no Estado acreditado.
-​ Informação: informar o seu governo dos acontecimentos e das condições no Estado
acreditado.
-​ Deveres: tratar com respeito e consideração o governo e as autoridades locais; não
intervir na sua política interna; não participar de política partidária; não fornecer
auxílio a partidos de oposição e, sobretudo, respeitar as leis e os regulamentos
locais.

É importante saber que Estado Acreditante é aquele que envia os agentes e Estado
Acreditado é aquele que recebe os agentes diplomáticos.

Atos Internacionais
Eles abrangem acordos entre países, sejam internacionais, bilaterais ou multilaterais. Esses
tratados são essenciais para estabelecer normas e regras de conduta entre nações.

Formação de atos internacionais:


a) Negociação: a formação do texto (negociações, adoção, autenticação) e assinatura
b) Referendo Parlamentar: a da aprovação parlamentar por parte de cada Estado
interessado em se tornar parte do tratado
c) Ratificação: a da ratificação ou adesão do texto convencional, concluída com a troca ou
depósito dos instrumentos que a substanciam
d) Promulgação: a da promulgação e publicação do texto convencional na imprensa oficial
do Estado

Organizações Internacionais
Organizações internacionais são grupos de Estados ou entidades com personalidade
internacional, criados por tratados, que possuem estrutura, orçamento e personalidade
jurídica próprios, desempenhando um papel vital nas relações internacionais
contemporâneas.

Mecanismos para as OI’S


-​ Arranjos ad hoc: são mecanismos de cooperação cujo objetivo é encontrar a
solução de problemas específicos, não têm caráter permanente, sendo limitados a
um tempo predeterminado.
-​ Por multilateralismo entendemos a coordenação entre três ou mais Estados por
meio de um conjunto de princípios, quais sejam.
-​ Regimes internacionais, que são um tipo de arranjo organizado pelos Estados para
discutir sobre uma área específica entre eles, como o regime de comércio, o regime
monetário, o regime de navegação em oceanos, entre outros
-​ Alianças militares são as coalizões que os Estados formam para enfrentar um
inimigo em comum, assim, eles associam suas forças militares e outros recursos
para a defesa em conjunto.
-​ Segurança coletiva, por sua vez, visa a fazer com que todos os Estados não
utilizem a agressão para atingir seus objetivos.

Organizações Internacionais Não Governamentais


ONGIs são entidades privadas formadas por voluntários de vários países, atuando em
áreas como direitos humanos, meio ambiente, ajuda humanitária e desenvolvimento. Elas
oferecem serviços específicos e suplementam necessidades não atendidas pelos Estados,
como assistência médica em zonas de conflito. Algumas são redes de organizações locais,
elas não possuem Estados como membros.

Organizações Internacionais Intergovernamentais


As Organizações Internacionais Intergovernamentais são também mecanismos para a
cooperação entre Estados e outros atores, possibilitando a criação de espaços sociais e
físicos para negociações, administrando e executando as decisões tomadas pelas
organizações, disseminando informação, ajudando a realizar projetos de cooperação
técnica, científica etc.

Existem três pré-requisitos básicos para o seu desenvolvimento:


-​ Existência de Estados soberanos e fluxo de contatos significativo entre eles
-​ Reconhecimento pelos Estados dos problemas que surgem a partir de sua
coexistência
-​ Reconhecimento pelos Estados da necessidade da criação de instituições e
métodos sistemáticos para regular as suas relações.

Na virada do século XIX para o século XX, as Conferências de Haia deram um impulso
significativo para o desenvolvimento das organizações internacionais
intergovernamentais.

Utilizar a razão para definir as regras e as formas de lidar com os conflitos


internacionais.

Estrutura básica:
-​ Possuem caráter permanente
-​ Possuem um documento constitutivo básico que estabelece os seus objetivos, a sua
estrutura e as suas formas de operação
-​ Possuem aparato burocrático e servidores públicos internacionais
-​ Têm orçamentos próprios
-​ Têm personalidade jurídica, autonomia
-​ Estão alojadas em prédios próprios: sedes.
-​ Dificilmente os Estados cedem autonomia decisória a essas instituições, devido ao
receio de intervenção em seus assuntos internos..

Organização das Nações Unidas (ONU)


-​ Teve como antecessora a Sociedade das Nações (SDN) ou Liga das Nações,
em 1919. Foi a primeira organização internacional universal.
-​ A criação das Nações Unidas se deu apenas em 1945, após a Segunda Guerra
Mundial.
-​ Objetivo inicial: administração da segurança coletiva, pela qual o uso da força,
como instrumento de política externa, foi proscrito.

Sediada em Nova Iorque, a ONU é composta por seis órgãos:


-​ Assembleia Geral – O principal órgão deliberativo da ONU, ou seja, é o local onde
as discussões ocorrem, mas não, necessariamente, a tomada de decisão; Todos os
Estados-Membros dos 193 países signatários têm direito a um voto; Ou seja, existe
total igualdade entre todos os Estados.
-​ Conselho Econômico e Social (Ecosoc) – Órgão responsável por coordenar o
trabalho econômico e social da ONU, das suas agências especializadas (UNCTAD,
PNUMA, PNUD, Acnur, Unicef, OIT, FAO, Unesco) e das demais instituições
integrantes (FMI, Banco Mundial, OMS) do Sistema das Nações Unidas.
-​ Conselho de Tutela – Já não está em atividade. Existiu até 1994 para administrar
os territórios sob o regime de tutela internacional, ou seja, territórios que ainda não
tinham obtido independência política de seus colonizadores.
-​ Corte Internacional de Justiça (CIJ) – Com sede em Haia, na Holanda, é o
principal órgão judiciário da ONU que julga os crimes de natureza internacional e de
alta gravidade, como: crimes de guerra, genocídios, crimes contra a humanidade.
-​ Secretariado - cujas principais funções são: Administrar as operações de
manutenção da paz; Analisar problemas econômicos e sociais; Preparar relatórios
sobre o meio ambiente e os direitos humanos etc.
-​ Conselho de Segurança – é composto por 15 membros, cinco permanentes com
direito a veto (Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China) e dez
temporários eleitos pela Assembleia Geral para mandatos de dois anos, podendo
ser reeleitos. É o único órgão da ONU com poder decisório impositivo, cujas
decisões devem ser acatadas por todos os países membros.

Regimes internacionais
Regimes internacionais são conjuntos de regras, normas e procedimentos que
orientam os Estados em questões específicas globais, como meio ambiente,
comércio, direitos humanos e saúde. Eles são estabelecidos para resolver problemas
compartilhados pela comunidade internacional, buscando direcionar as ações dos Estados
para alcançar resultados desejados em áreas de interesse comum.

Definição de refugiado
O termo “refugiado” é utilizado para caracterizar pessoas ou grupos de pessoas que
fogem de uma ameaça direta e iminente à vida.

Diante disto, em 1948, a Organização das Nações Unidas (ONU) formulou a Declaração
Universal dos Direitos Humanos, documento que estabelece que pessoas vítimas de
perseguição, em seus países de origem, possuem o direito de asilo em outros países.

Atualmente, o regime internacional de proteção ao refugiado baseia-se em cinco


elementos, veja a seguir:
-​ Acnur: uma agência da ONU criada em 1950, protege e ajuda refugiados. Ele
fornece ajuda imediata, como abrigo e alimentos, e busca soluções duradouras para
o deslocamento. Além disso, advoga pelos direitos dos refugiados em nível global.
-​ Convenção de 1951: Define o status legal dos refugiados e estabelece seus direitos
básicos. Foi um marco na legislação internacional sobre refugiados e criou o
ACNUR.
-​ Protocolo sobre o Estatuto dos Refugiados, de 1967: Ampliou a definição de
refugiado da Convenção de 1951, removendo limitações temporais e geográficas
para oferecer proteção a um maior número de deslocados.
-​ Declaração de Cartagena, de 1984: Expandiu a definição de refugiado para incluir
pessoas fugindo de conflitos generalizados e violações massivas de direitos
humanos.
-​ Declaração e Programa de Ação de Viena, de 1993: Reafirmou o compromisso
dos Estados com a proteção de refugiados, enfatizando a cooperação internacional
e a busca por soluções duradouras, como repatriação voluntária, reassentamento e
integração local.

O Brasil na proteção aos refugiados


O Brasil foi o primeiro país da América do Sul a criar uma legislação nacional
específica para a proteção dos refugiados.

A primeira iniciativa brasileira de adoção de políticas de refúgio foi a criação, em 1946, do


Comitê Intergovernamental para Refugiados (CIR).
É importante salientar que o Brasil, até então, apenas aceitava a entrada de imigrantes de
origem europeia no país, e votou contra a reserva geográfica nessa ocasião.
O Brasil aderiu à Convenção das Nações Unidas sobre Refugiados de 1951 e seu Protocolo
de 1967, estabelecendo uma lei de refúgio em 1997. Esta lei define o refúgio, estabelece
procedimentos para solicitação, direitos e deveres dos refugiados, e cria o CONARE
(Comitê Nacional para os Refugiados) para examinar os pedidos.

Negociações internacionais
É uma prática usada para firmar tratados, concretizar regimes internacionais, projetos de
cooperação internacional, processos de integração regional, entre outras atividades
internacionais.

Em linhas gerais, as negociações contribuem para:


-​ Reduzir o tempo de conclusão de contratos, já que o tempo é um dos recursos mais
caros da administração
-​ Reduzir os custos de transação, ao dividir os custos entre todos os envolvidos no
processo
-​ Aumentar a qualidade dos contratos e a satisfação das partes envolvidas
-​ Evitar ou reduzir possíveis conflitos.

O critério de "mutualidade dos ganhos" descreve três situações na negociação:


"ganha-ganha" (ambos os lados ganham), "ganha-perde" (um ganha à custa do outro) e
"perde-perde" (ambos perdem). Na negociação de soma-zero, um tipo de ganha-perde,
o ganho de um lado corresponde exatamente à perda do outro.

Poder é essencial na negociação internacional, sendo a capacidade de alcançar


metas desejadas e influenciar o comportamento dos outros para atender aos próprios
interesses (Nye, 1993).

Soft Power (Poder Brando):


- Habilidade de influenciar o comportamento de outros Estados.
- Baseia-se em persuasão, negociação e diálogo.
- Não envolve o uso direto de força física ou coercitiva.
- Foca na atratividade cultural, valores e diplomacia.

Hard Power (Poder Duro):


- Utilizado para ameaçar ou coagir outros atores.
- Envolvimento de forças militar, econômica ou coercitiva.
- Baseia-se na capacidade de impor vontade através de sanções, ameaças ou uso da força.
- Geralmente envolve demonstração de força física ou econômica como forma de influência.

Organização Mundial do Comércio (OMC)


- Normas mais institucionalizadas e sistêmicas.
- Inclui serviços, agricultura e propriedade intelectual.
- Introduz soluções de controvérsias como uma nova atribuição além da implementação de
regras no comércio internacional.

Princípios fundamentais da regulamentação multilateral do comércio:


1. Nação-Mais-Favorecida: Todos os parceiros comerciais devem receber os mesmos
benefícios concedidos a qualquer um deles.
2. Tratamento Nacional: Produtos importados devem receber o mesmo tratamento que os
produtos nacionais no país importador.
3. Transparência: Leis, regulamentos e decisões relacionados ao comércio internacional
devem ser divulgados para serem amplamente conhecidos pelos envolvidos.

Integração regional
A integração regional é quando dois ou mais países se unem para alcançar objetivos
conjuntos que não conseguiram atingir sozinhos. Nem sempre a integração ocorre entre
países vizinhos, podendo envolver nações distantes, mas com interesses comuns que
levam a uma colaboração mais estreita.

-​ Intergovernamentalismo: presença de instrumentos decisórios pelos quais os


Estados participantes atuam por meio de representantes. Não há instituições
comuns que possuam poderes acima dos Estados nacionais.
-​ Supranacionalidade: a dinâmica decisória da instituição tem autonomia em relação
aos Estados nacionais.
-​ Aprofundamento: é a evolução do processo nas suas etapas, com maior
comprometimento com as disciplinas da integração.
-​ Alargamento ou expansão: é o aumento no número de Estados participantes.

Todo bloco comercial é uma organização internacional, mas nem toda organização
internacional é um bloco comercial.

BLOCOS ECONÔMICOS COMERCIAIS


Zona de Livre-Comércio
A Zona de Livre-Comércio é um acordo entre dois ou mais países onde as barreiras
alfandegárias, como impostos, tarifas e taxas de importação, são reduzidas ou
eliminadas para facilitar as trocas comerciais entre eles, mas mantêm suas próprias
políticas comerciais em relação a terceiros países.

União Aduaneira
A União Aduaneira é um tipo mais avançado de integração econômica onde, além de
reduzir ou eliminar barreiras alfandegárias, os Estados-membros adotam uma política
comercial comum em relação a países fora do bloco. Principais características incluem:

- Política comercial comum.


- Estabelecimento de uma Tarifa Externa Comum (TEC) para terceiros países.
- Inclusão de 100% da pauta comercial no acordo.
- Instituições intergovernamentais.

Mercado Comum
No Mercado Comum, os países membros não apenas eliminam restrições tarifárias e
não tarifárias, adotam a Tarifa Externa Comum (TEC) e promovem o comércio, mas
também facilitam a livre circulação dos fatores de produção. Isso inclui a mobilidade
internacional de capital (investimentos estrangeiros e empréstimos), mão de obra, bens
tangíveis e serviços intangíveis.

União Econômica e Monetária


A União Econômica e Monetária (UEM) representa um estágio avançado de integração
econômica, superando um mero mercado comum. Envolve a redução de barreiras
alfandegárias, a adoção de uma Tarifa Externa Comum (TEC), a livre circulação dos
fatores de produção e a criação de uma moeda comum. Isso exige a coordenação das
políticas macroeconômicas, certa harmonização das políticas nacionais, a livre circulação
de pessoas e a presença de instituições supranacionais e intergovernamentais. A União
Europeia é um exemplo notável dessa integração.

União Europeia
A União Europeia (UE) teve origem no pós-Segunda Guerra Mundial, visando prevenir
conflitos e promover a cooperação econômica entre países europeus. Começou com a
criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) em 1951, seguida pela
Comunidade Econômica Europeia (CEE) em 1957, estabelecendo um mercado comum
entre os estados membros.

O Tratado de Roma promoveu a livre circulação de bens, serviços, pessoas e capital entre
os países signatários. Além disso, vários países adotaram o euro como moeda oficial,
formando uma união monetária dentro da UE.

A UE estabeleceu instituições para governar e gerenciar suas políticas, incluindo o


Parlamento Europeu, a Comissão Europeia e o Conselho Europeu, entre outros órgãos. O
processo de saída do Reino Unido da UE, conhecido como Brexit, foi iniciado em
2016.

Mercado Comum do Sul (Mercosul)


O Mercosul, criado em 26 de março de 1991 pelo Tratado de Assunção, é um bloco
econômico formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Seu objetivo principal é a
livre circulação de bens, serviços, pessoas e informações, embora essa meta não tenha
sido totalmente alcançada.

O bloco busca eliminar tarifas e barreiras comerciais entre os membros, coordenar políticas
macroeconômicas e promover a cooperação em diversas áreas. Uma das principais
realizações do Mercosul é a criação de uma Tarifa Externa Comum (TEC) para produtos
importados de fora do bloco.

Apesar de ser chamado de Mercado Comum, o Mercosul é na verdade uma União


Aduaneira imperfeita, pois a livre circulação dos fatores de produção ainda não é
plena.

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