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2.A Energia e A Matéria No Ambiente Ecologia e Biodiversidade

O documento aborda a interdependência entre biodiversidade, energia e matéria no ambiente, destacando a importância das interações ecológicas e das relações tróficas na manutenção do equilíbrio dos ecossistemas. As pirâmides ecológicas e o fenômeno da biomagnificação trófica são discutidos, evidenciando como substâncias tóxicas podem afetar as cadeias alimentares. Além disso, apresenta os biomas brasileiros e sua biodiversidade, enfatizando a riqueza de espécies no país devido à sua localização e clima.
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2.A Energia e A Matéria No Ambiente Ecologia e Biodiversidade

O documento aborda a interdependência entre biodiversidade, energia e matéria no ambiente, destacando a importância das interações ecológicas e das relações tróficas na manutenção do equilíbrio dos ecossistemas. As pirâmides ecológicas e o fenômeno da biomagnificação trófica são discutidos, evidenciando como substâncias tóxicas podem afetar as cadeias alimentares. Além disso, apresenta os biomas brasileiros e sua biodiversidade, enfatizando a riqueza de espécies no país devido à sua localização e clima.
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2.

A energia e a matéria no ambiente


Ecologia e biodiversidade
A biodiversidade está relacionada à diversidade de seres vivos presentes no
planeta Terra. Além da variedade de espécies (número), a forma como os
seres vivos vivem (suas interações) é um fator que a influencia.
A biodiversidade é também um dos fatores bióticos que influenciam nas
interações ecológicas, pois o número de espécies que habitam determinado
ecossistema é fundamental para a compreensão das interações. Imagine
um ambiente cheio de espécies diferentes. Porém, para que sobrevivam,
essas espécies acabam sendo forçadas a estabelecer uma interação entre
si, como competir por recursos.
Conforme estudado no capítulo anterior, as interações ecológicas
constituem as relações interespecíficas (entre espécies) e intraespecíficas
(dentro da mesma espécie), além das interações das espécies com o
ambiente. É importante lembrarmo-nos dessas interações quando
pensamos em biodiversidade, pois a grande variedade de espécies depende
da existência dessas interações entre os seres vivos e os ambientes.
Assim, quando um elemento do ambiente (ser vivo ou não) sofre um
desequilíbrio (aumento ou diminuição), toda uma cadeia de seres vivos é
afetada, como se fosse um “efeito dominó”.Essa interdependência dos
ambientes com as espécies é responsável por manter o planeta e as
condições de vida em equilíbrio, propiciando a sobrevivência de todos os
seres vivos.
Relações tróficas
As relações tróficas (ou alimentares) são fundamentais na vida dos seres
vivos, assim como as interações ecológicas. As relações tróficas
estabelecem o fluxo de matéria e energia (estrutura trófica) entre as
espécies e mostram como os seres vivos são dependentes uns dos outros e
do ambiente.
Vida, matéria e energia
A vida na Terra depende da energia do Sol, que é captada pelos organismos
capazes de realizar fotossíntese. Essa energia transforma o dióxido de
carbono (CO2) da atmosfera e a água absorvida do solo em compostos
(matéria) ricos em energia, como os açúcares. Além disso, a fotossíntese
produz o gás oxigênio, que é lançado na atmosfera terrestre e é essencial
para a respiração dos seres vivos.
A energia inicial é captada do Sol pelos organismos autotróficos (como as
plantas e outros seres fotossintetizantes), que produzem nutrientes para o
próprio consumo, bem como reservas que servem de alimento para os
organismos heterotróficos, ou seja, que não produzem o próprio alimento.
Parte da energia dos organismos autotróficos é transferida aos heterótrofos
durante a alimentação. Ao fim do ciclo, os organismos são decompostos por
fungos e bactérias. Ao observar uma cadeia ou uma teia alimentar,
podemos perceber que os organismos se relacionam por meio da
alimentação (relação trófica). Os produtores são a base fundamental desse
processo.
Componentes da estrutura trófica
Os componentes da estrutura trófica podem ser divididos em três grandes
níveis tróficos: produtores, consumidores e decompositores.
Produtores: seres vivos autotróficos. Os principais produtores primários
são as plantas, as algas e o fitoplâncton. Em locais onde não há luz, como o
fundo do mar, os produtores primários são as bactérias, que produzem o
próprio alimento com a energia obtida de reações químicas
(quimiossíntese).
Consumidores primários: seres vivos heterotróficos. Eles se alimentam
dos produtores primários para obter energia (herbívoros). Representantes
de diversos grupos de animais estão nesse nível trófico, como
insetos, crustáceos, zooplânctons, mamíferos, aves etc.
Consumidores secundários, terciários, quaternários etc.: os
consumidores secundários são seres vivos heterotróficos, pois se alimentam
dos consumidores primários para obter energia (carnívoros). Por se
alimentarem dos consumidores primários, são predadores e, se a relação
trófica for mais complexa, servem de alimento para os consumidores
terciários e assim progressivamente até chegar ao predador ou consumidor
de topo, o qual dificilmente é predado por outros organismos.
Decompositores: seres vivos heterotróficos, pois se alimentam de matéria
orgânica morta de todos os outros níveis tróficos. Esse processo
microscópico de decomposição que tais organismos realizam quebra as
substâncias em moléculas mais simples. Essas moléculas são reabsorvidas
por produtores, compondo o ciclo da matéria, ou permanecem disponíveis
no solo e na água. Nesse nível trófico estão as bactérias e os fungos.
Representando a estrutura trófica
Cadeias e teias alimentares
Os organismos de um ecossistema podem se relacionar por meio da
alimentação. Essa relação é representada por meio de cadeias ou teias
alimentares. Uma cadeia alimentar representa uma sequência linear de
seres em uma comunidade, de acordo com o hábito alimentar e o nível
trófico deles, e demonstra o fluxo unidirecional de energia e matéria. O
conjunto das várias cadeias alimentares dentro de um ecossistema é
denominado teia alimentar. Na representação da teia não há uma sequência
linear relacionando cada nível, mas há o cruzamento de várias setas das
diversas cadeias. Observe as representações abaixo. Na representação A é
demonstrada uma cadeia alimentar, e na B essa cadeia é ilustrada dentro
de uma teia alimentar.
Pirâmides ecológicas
As pirâmides ecológicas são formas de representação gráfica da estrutura
trófica dos seres vivos, as quais mostram como estão dispostos os níveis
tróficos e como ocorrem o fluxo de energia e a transferência de matéria.
Desse modo, elas podem representar o fluxo de energia e biomassa e a
quantidade de indivíduos de uma cadeia ou teia trófica.
Pirâmide de números: representa a quantidade de indivíduos presentes
em cada nível trófico. Como é possível notar na figura a seguir, a base da
pirâmide tem maior comprimento, representando uma quantidade maior do
número de seres vivos presentes nesse nível trófico: os produtores (que
produzem o seu próprio alimento). O próximo nível trófico, logo acima da
base, de comprimento e números de indivíduos menores, representa os
consumidores primários (herbívoros). Por fim, vêm os próximos níveis, de
consumidores secundários e terciários (carnívoros e/ou onívoros), que, à
medida que a pirâmide aumenta, apresentam seres vivos em quantidades
ainda menores.
A pirâmide de números pode ser também representada de modo invertido
ou com níveis tróficos alternados, como em uma pirâmide que representa
uma quantidade menor de seres vivos produtores alimentando uma
quantidade maior de consumidores primários, que, por sua vez, alimentam
uma quantidade menor de consumidores secundários. Isso ocorre quando
temos produtores de grande porte, como as árvores, que servem de
alimento para uma quantidade muito maior de consumidores primários, mas
estes alimentam uma quantidade menor de consumidores secundários, os
quais precisam de uma grande quantidade disponível do nível anterior para
se alimentarem suficientemente.

Pirâmide de biomassa: representa a quantidade de matéria orgânica em


cada nível trófico, que geralmente é maior no nível dos produtores, sendo
representada com a base maior e os níveis subsequentes menores. Porém, a
pirâmide de biomassa também pode ser invertida ou alternada. Isso ocorre,
por exemplo, em ambientes aquáticos, onde os produtores têm um ciclo de
vida muito curto, são pequenos e se multiplicam rapidamente, acumulando,
assim, pouca matéria.
Pirâmide de energia: representa a quantidade de energia transferida
entre os níveis tróficos de sua formação em um fluxo unidirecional. O fluxo
de energia diminui em direção aos níveis tróficos mais altos, pois parte da
energia de cada nível é transferida, mas a outra parte é dissipada na forma
de calor. Essa pirâmide nunca será representada de modo invertido, pois a
base dela, que são os produtores, sempre armazenará maior quantidade de
energia que os demais níveis.
Biomagnificação trófica
O equilíbrio do ecossistema depende diretamente do equilíbrio das teias
alimentares que ele comporta. Quando as espécies são expostas a alguma
substância tóxica, como agrotóxicos, existe o perigo dos indivíduos serem
contaminados e, consequentemente, morrerem. Em algumas situações
essas contaminações podem levar a extinção de espécies, o que causa um
grande desequilíbrio nas redes tróficas, que por sua vez causa desequilíbrio
nos ecossistemas.
No caso da poluição ambiental, os níveis tróficos podem ser afetados de
modo diferente. Substâncias não biodegradáveis, como o DDT (dicloro-
difenil-tricloroetano) – que é um organoclorado – e os metais pesados,
permanecem intactas no ambiente por muitos anos. Dessa forma, as
substâncias vão sendo acumuladas nos tecidos dos organismos, passando
aos níveis tróficos sucessores.
Se um ambiente aquático for poluído com DDT, por exemplo, as algas
(produtoras) que crescerem nele absorverão pequenas quantidades que se
acumularam nos tecidos. Essa quantidade vai passar para um herbívoro,
como um molusco, que se alimenta diariamente de algas, e ficará
acumulada em seus tecidos. Os peixes que consumirem esses moluscos
também vão ingerir o DDT e acumulá-los. Por fim, as aves que se
alimentarem dos peixes também vão ingeri-los e acumulá-los em seus
tecidos.
A acumulação de metais pesados, de DDT e de outras substâncias
poluentes nos tecidos do corpo dos organismos é um fenômeno conhecido
como bioacumulação. Esse fenômeno pode ocorrer de modo direto,
quando a substância é absorvida no próprio ambiente (solo, água), ou de
modo indireto, quando as substâncias são assimiladas a partir do alimento
com acumulação nos tecidos.
O exemplo citado, em que há o acúmulo do poluente de um nível trófico
para outro ao longo da cadeia ou da teia alimentar, é chamado
de biomagnificação trófica. Dessa forma, percebemos que os predadores
de topo das cadeias alimentares têm maiores concentrações dessas
substâncias em seu corpo do que suas presas.
Consequências da biomagnificação
As consequências da biomagnificação trófica já foram observadas em
populações do falcão-peregrino (Falco peregrinus) que habitavam áreas
contaminadas com o inseticida Dicloro-Difenil-Tricloroetano (DDT) nos
Estados Unidos. Na década de 1970, a população foi reduzida em até 80%.
Na época, observou-se que ocorria grande mortalidade dos embriões devido
às cascas muito finas dos ovos, que se quebravam facilmente. A causa foi
identificada como sendo o acúmulo de DDT no organismo dessas aves. O
DDT lançado nas plantações contaminava as sementes consumidas por
insetos, que, por sua vez, eram consumidos por pequenas aves, as quais
serviam de alimento para os falcões. O DDT foi banido dos Estados Unidos
em 1972.
Em 2009, a fabricação, a importação, a estocagem, a comercialização e o
uso do DDT foram proibidos por lei em todo o território brasileiro. A ave
suindara (Tyto furcata) e a coruja-buraqueira (Athene cunicularia) eram as
mais ameaçadas por viverem associadas a ambientes antrópicos.
[Link] brasileiros
Biomas terrestres
No mapa, é possível identificar as regiões em que se encontram os sete
biomas mundiais. Para cada um desses biomas atribuiu-se uma cor, a fim de
facilitar a visualização de sua distribuição geográfica. Veja a seguir quais
são eles e algumas de suas características.
•A Tundra, localizada no Círculo Polar Ártico, apresenta temperaturas muito
baixas e o solo fica quase permanentemente congelado. Apenas no verão,
após o descongelamento de parte do solo, a vegetação rasteira se
desenvolve. Alguns dos animais habitantes são a rena, o caribu e a raposa-
do-ártico.
•A Taiga, localizada ao sul da Tundra, apresenta clima frio e é caracterizada
pela Floresta de Coníferas, com adaptações para evitar o congelamento de
suas folhas, as quais apresentam forma de agulha. Alguns de seus
habitantes são o urso-pardo, os alces, os esquilos e algumas aves
migratórias.
•A Floresta Temperada é formada por árvores caducifólias (caduco = que
cai + folia = folha), isto é, árvores que perdem as folhas no outono,
evitando o congelamento e a perda de água no inverno. Nesse bioma, são
encontrados pumas, raposas, répteis, anfíbios, aves e insetos.
•A Floresta Tropical desenvolve-se nas proximidades da Linha do Equador,
região com grande volume de chuvas e elevada umidade do ar. Esses
fatores propiciam o desenvolvimento de uma exuberante vegetação e a
maior biodiversidade do planeta, como a da Amazônia.
•Os Desertos são regiões que recebem pouquíssima chuva ao longo do ano.
Há desertos quentes e gelados.
Nos desertos quentes, há grande variação térmica: a temperatura é muito
alta durante o dia e muito baixa durante a noite. As plantas que conseguem
se desenvolver nesses locais apresentam adaptações para armazenar,
captar ou diminuir a perda de água, como folhas reduzidas ou modificadas
em forma de espinhos e raízes profundas. Os animais produzem pequena
quantidade de suor e urina e têm hábitos noturnos, estratégia para evitar as
altas temperaturas que ocorrem durante o dia.
Os desertos gelados, como os dos polos Norte e Sul, apresentam
temperaturas sempre negativas, solo coberto de gelo, umidade reduzida e
com precipitação sob forma de neve. A vegetação é encontrada em
pequenas áreas e composta de musgos, liquens e pequenos arbustos.
•Os Campos são biomas caracterizados pela vegetação de gramínea e
arbustos. É comum apresentarem um período de seca e outro de chuva.
Estão presentes na Savana Africana, nas Estepes da Rússia, nas Pradarias
dos Estados Unidos da América e nos Pampas da região Sul do Brasil e da
América do Sul.
Biomas brasileiros e biodiversidade
Devido à localização na Terra e à influência do clima da região, cada bioma
possibilita o desenvolvimento de diferentes seres vivos. Por isso, quando
comparadas a outras, há regiões que apresentam maior biodiversidade, ou
seja, maior variedade de seres vivos.
O Brasil é considerado o país com maior biodiversidade, com
aproximadamente 20% de todas as espécies conhecidas no mundo. A
formação dos diversos ambientes deve-se, principalmente, à sua extensa
área de 8 515 759 km2, sendo cortada pela Linha do Equador ao norte e
pelo Trópico de Capricórnio ao sul. Cerca de 90% do território brasileiro se
encontra em Zona Tropical, apresentando clima quente e úmido, o que
propicia a rica variedade de espécies.
Ao longo de sua extensão, são reconhecidos seis biomas: Caatinga, Cerrado,
Amazônia, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa. Cada um deles apresenta
características próprias e abriga plantas e animais adaptados à região.

Caatinga
É o bioma típico do Nordeste brasileiro e seu nome, de origem tupi,
significa mata branca. Todo esse bioma está em território brasileiro,
estendendo-se pelos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão,
Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí e Sergipe e por uma
pequena parte do norte de Minas Gerais.
A característica mais marcante do bioma Caatinga é a irregularidade das
chuvas, que podem deixar de ocorrer por longos períodos, ocasionando seca
na região. As altas temperaturas e a falta de água dificultam a
sobrevivência de espécies que não possuam adaptações para viver na
região.
A fim de suportar as longas secas, a vegetação possui raízes muito
compridas – que atingem grandes profundidades para alcançar a água
presente no subsolo – e troncos e caules com grande capacidade de
armazenar água. A vegetação predominante é formada por arbustos com
folhas pequenas e duras, cobertas por substâncias que diminuem a perda
de água por transpiração. São comuns cactos, como o Mandacaru e o Xique-
xique, e pequenas árvores, como a aroeira e a braúna. Nos cactos, as folhas
são modificadas em espinhos, o que também diminui a perda de água dele
para o ambiente.
Quando a seca é prolongada, as folhas caem e a vegetação fica
esbranquiçada e completamente ressecada. No entanto, quando as chuvas
chegam, a Caatinga é rapidamente coberta pelo verde, com a formação de
novas folhas e flores. No chão, as sementes adormecidas brotam e novas
plantas crescem por toda parte.
Os rios da Caatinga geralmente são temporários, ou seja, nos períodos de
estiagem eles secam, permanecendo assim até o próximo período de chuva.
Esse espaço de tempo pode durar até 8 [Link] rios são chamados de
intermitentes. Para enfrentar a seca, a população constrói poços, açudes e
cisternas, a fim de coletar e reservar a água durante o período de chuva.
Os rios que permanecem cheios na Caatinga são os que nascem em outras
regiões, como o São Francisco e o Parnaíba. Esses rios são chamados
de perenes.
Os animais presentes na Caatinga são lagartos, serpentes, pequenos
mamíferos, diversas aves (inclusive algumas espécies de araras) e
invertebrados, cuja diversidade ainda é objeto de estudos.

Cerrado
Esse bioma é o segundo maior do Brasil. Ocupa quase 1/4 (25%) do
território e estende-se pelo Centro-Oeste, passando pelos estados de Goiás,
Mato Grosso do Sul, sul do Mato Grosso, norte de Minas Gerais, Bahia,
Tocantins e Distrito Federal e chegando ao Piauí e Maranhão. Manchas do
Cerrado podem ser encontradas na Caatinga, na Mata Atlântica e na
Amazônia.
O Cerrado caracteriza-se por apresentar uma estação seca, que pode durar
entre 5 e 7 meses. Geralmente as chuvas caem até o fim de abril e voltam a
partir de outubro. Essa longa estiagem tem efeitos sobre a vegetação:
muitas plantas ficam com coloração amarelo-dourada; outras perdem suas
folhas, mantendo somente ramos secos. A longa seca também favorece a
ocorrência de incêndios naturais. As plantas são adaptadas a esses eventos
e conseguem rebrotar quando as chuvas retornam.
A vegetação do Cerrado é formada por árvores de pequeno porte, com
tronco e galhos escuros, grossos e retorcidos. A sua distribuição é esparsa,
e isso se deve a uma combinação de fatores como: (1) o tipo de solo – baixa
fertilidade e alta toxicidade; (2) as características climáticas da região –
quando em baixa umidade, o solo fica mais ácido; e (3) a destruição
causada por incêndios, ocasionando a perda da linearidade em seu
crescimento.
O Cerrado apresenta grande importância socioeconômica, uma vez que,
para a sobrevivência, muitas populações extraem seus recursos naturais,
principalmente de vegetais como o pequi, a mangaba, o buriti, o baru e o
babaçu.
Rios do Cerrado
O Cerrado abriga várias nascentes de importantes rios brasileiros, que
distribuem suas águas para outras regiões. As nascentes do Cerrado
abastecem as maiores bacias hidrográficas da América do Sul: a Amazônica
(rios Madeira, Tapajós e Xingu), a do Tocantins (Rio Tocantins), a de São
Francisco (Rio São Francisco, com cerca de 90% das nascentes localizadas
no Cerrado) e a da Prata (formada pelos rios Paraná, Paraguai e Uruguai). No
entanto, o maior potencial hídrico do Cerrado não está nas águas da
superfície, mas nos lençóis freáticos localizados nas camadas mais
profundas do solo.
Fauna e Flora do Cerrado
A fauna do Cerrado é formada por animais como o tamanduá-bandeira, o
tatu, o lobo-guará, o macaco-prego e as onças. Há, ainda, lagartos – que
estão entre os répteis mais numerosos – e grande variedade de
invertebrados, como formigas, cupins, abelhas e gafanhotos.
O Cerrado brasileiro é considerado a savana mais rica do mundo, abrigando
aproximadamente 11 600 espécies de plantas nativas, 199 espécies de
mamíferos, 837 espécies de aves, 1 200 espécies de peixes, 180 espécies
de répteis e 150 espécies de anfíbios. Das espécies de répteis e anfíbios
existentes no Cerrado, 28% e 17%, respectivamente, são nativas.
Atualmente, o Cerrado e sua biodiversidade estão ameaçados pelo intenso
desmatamento realizado para fins de plantio de soja e criação de gado.
Uma das características do Cerrado é a ocorrência de incêndios naturais.
Embora muitas plantas sejam adaptadas a essa situação e floresçam
apenas após esses eventos, há controvérsias entre os cientistas a respeito
dos benefícios que podem trazer. As queimadas intensificadas pelo homem
têm provocado grande devastação desse bioma.

Amazônia
A Amazônia tem a maior biodiversidade do planeta, isto é, encontra-se nela
a maior variedade de seres vivos do mundo. Esse é o maior bioma em
extensão, ocupando 5% da superfície terrestre. A Amazônia ocupa quase
50% do território brasileiro e está presente nos estados do Acre, do Amapá,
Amazonas, do Pará, de Rondônia e de Roraima e em parte dos estados de
Mato Grosso, Maranhão e Tocantins. A Amazônia caracteriza-se por ser uma
região cortada por extensos e caudalosos rios, como o Rio Amazonas.
O território da Floresta Amazônica também se estende para Bolívia,
Colômbia, Guiana, Guiana Francesa, Venezuela, Equador, Peru e Suriname.
Isso ocorre devido à abundância de água dos rios, à intensa atividade da
vegetação e às temperaturas elevadas. Esses fatores produzem forte
evaporação da água, o que provoca o alto índice de umidade e de chuvas.
Na época das chuvas mais fortes, os rios alagam suas margens,
permanecendo assim durante muito tempo. Como o retorno ao leito original
é lento, há condições para que diferentes vegetações se estabeleçam em
uma mesma região. Conheça algumas delas a seguir.
Mata de igapós – nas margens dos rios e dos riachos há plantas que
suportam viver em locais alagados por longos períodos, como a vitória-
régia.
Mata de várzea – plantas que ocupam áreas intermediárias, as quais
podem ser alagadas por curto período de tempo.
Mata de terra firme – plantas que ocupam a parte não inundada e se
desenvolvem em um solo pouco profundo, arenoso e formado por restos de
vegetais em decomposição. É nesse solo que se encontram as grandes
árvores, como a castanheira.
A Floresta Amazônica é formada por árvores que se dispõem em estratos,
isto é, há árvores de várias alturas. As mais altas recebem mais luz em sua
copa e realizam intensa atividade de transpiração, perdendo grande volume
de água através de suas folhas. Quando essas árvores caem, abrem
clareiras, permitindo a árvores de menor porte que aproveitem a entrada de
luz para se desenvolverem.
Há também grande variedade de plantas epífitas e daquelas que crescem
perto do solo, onde a quantidade de luz disponível é pequena. Assim, a
floresta se mantém. Veja o esquema ao lado.
A biodiversidade da Amazônia
Dentre as plantas, destacam-se grandes árvores, como a seringueira
(Hevea brasiliensis), a castanheira (Bertholletia excelsa) e a sumaúma
(Ceiba pentandra), que chegam a medir 30 m, 50 m e 70 m de altura,
respectivamente. Há arbustos, como o guaraná (Paullinia cupana), e muitos
tipos de cipó, além de milhares de outras espécies.
O guaraná, o cupuaçu (Theobroma grandiflorum) e o açaí
(Euterpe oleracea) são frutos nativos da Floresta Amazônica. A planta do
cupuaçu tem porte médio e pertence ao mesmo gênero do cacau-
verdadeiro. O cupuaçu é rico em vitaminas e aminoácidos; com a polpa dele
são feitos sorvetes, balas, sucos, tortas etc. O açaí nasce em uma palmeira
e é muito utilizado na produção de alimentos e bebidas.
Apesar de toda essa riqueza de vegetação, o solo amazônico, bastante
arenoso, conta apenas com uma camada fina de nutrientes, que são
mantidos por meio da reciclagem dos próprios componentes da floresta por
se decomporem rapidamente – folhas, galhos, animais em decomposição e
excrementos. Caso a floresta seja derrubada, interrompe-se o ciclo de
matéria orgânica e o solo torna-se pobre.
Esse bioma é extenso e abriga grande variedade de animais. Há mamíferos
como o boto-cor-de-rosa, a ariranha, a onça, a preguiça e diversos macacos.
O boto alimenta-se de peixes, lulas e crustáceos e está ameaçado de
extinção devido à poluição do ambiente e à crença de que seus olhos
servem de amuleto do amor.
Nessa floresta também existe imensa variedade de aves, como araras,
tucanos, jaçanãs, gaviões, ciganas, mutuns etc. Dentre os répteis,
destacam-se os jacarés e muitas serpentes, como as jararacas. Há um
grande número de anfíbios que habitam as águas e os terrenos úmidos da
região, inclusive as rãs da família Dendrobatidae, que são muito pequenas,
mas altamente venenosas. Com tantos rios, há muitas espécies de peixes.
Existe também um número imenso de invertebrados, como formigas,
borboletas, mariposas, besouros, mosquitos etc.
Mata Atlântica
A Mata Atlântica acompanha o litoral leste brasileiro e pode ser encontrada
em 17 estados, sendo o segundo maior bioma em extensão. Os estados Rio
de Janeiro, Espírito Santo e Santa Catarina eram totalmente cobertos pela
Mata Atlântica, enquanto o Paraná contava com 98% de sua extensão
coberta por esse bioma. Mas, desde o ano da descoberta do Brasil, esse é o
bioma que mais sofreu desmatamento.
A maior parte da Mata Atlântica sofre a influência da Serra do Mar e de
outras montanhas encontradas ao longo da costa. Essas montanhas formam
uma barreira para os ventos carregados de umidade que sopram do mar.
Quando encontra as montanhas, o vapor de água é condensado, produzindo
forte neblina. Por isso, a umidade relativa do ar nas regiões de Mata
Atlântica costuma ser muito alta. Além disso, as chuvas são abundantes.
Essas condições permitem o desenvolvimento de uma vegetação muito
variada.
Existem aproximadamente 20 mil espécies de plantas na Mata Atlântica,
35% das espécies presentes no Brasil, como o jequitibá-rosa, o pau-brasil, o
jacarandá, a peroba e o ipê. Devido à grande umidade, há abundância de
musgos, samambaias e plantas epífitas, como orquídeas e bromélias.
Na Mata Atlântica, há primatas – como o muriqui (maior macaco do
continente sul-americano) –, morcegos, gambás, jacarés, tartarugas, e
grande variedade de aves (entre elas os beija-flores) e de anfíbios. Além
disso, há milhares de espécies de invertebrados.
Rios da Mata Atlântica
Na região da Mata Atlântica estão localizadas sete das nove maiores bacias
hidrográficas do Brasil. Suas florestas são essenciais para a manutenção
dos processos hidrológicos, garantindo a qualidade e a quantidade da água
potável para cerca de 120 milhões de pessoas e para variados setores da
economia, como a agricultura, a pesca, a indústria, a geração de energia e o
turismo.
Essas bacias hidrográficas são formadas por grandes rios, como o Paraná, o
Tietê, o São Francisco, o Doce, o Paraíba do Sul, o Paranapanema e o Ribeira
de Iguape. Essas bacias são abastecidas por nascentes localizadas no
interior da mata e por pequenos rios.
Rios e lagos desse bioma abrigam grande diversidade de ecossistemas
aquáticos, muitos deles ameaçados por poluição, assoreamento,
desmatamento das matas ciliares e represas feitas sem os devidos
cuidados ambientais. Logo, a conservação desse bioma se mostra
fundamental tanto para evitar a redução da biodiversidade quanto para
garantir a proteção das nascentes e bacias hidrográficas.

Pampa
O Pampa é um bioma de clima frio e está restrito ao Rio Grande do Sul.
Compreende apenas 2% do território brasileiro, mas estende-se por outros
países da América do Sul, como Chile, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Esse bioma, também conhecido como Campos Sulinos, é caracterizado por
ser quase plano, com suaves colinas cobertas por vegetação rasteira,
principalmente gramíneas.
Por ser um conjunto de ecossistemas antigos, apresenta flora e fauna
próprias e grande biodiversidade. Logo, trata-se de um patrimônio natural,
genético e cultural de importância global.
É no Pampa que se encontra a maior parte do aquífero Guarani, grande
reservatório de água subterrânea localizado a centenas de metros de
profundidade, considerado o maior reservatório de água doce do planeta. É
um manancial muito importante para o consumo humano, com mais de dois
mil poços perfurados. Por isso, foi necessária a criação de um projeto que
permite a gestão e o uso sustentável do Sistema Aquífero Guarani, o qual
envolve os demais países que possuem parte desse aquífero.
Há muito tempo a região do Pampa tem sido usada intensivamente para
criação de gado e monoculturas, o que acarreta rápida degradação das
paisagens naturais e descaracteriza a vegetação do bioma. Uma das
maiores ameaças a esse bioma é a expansão da agropecuária, que torna o
solo pobre e improdutivo. Essa atividade econômica tem um papel
importante para a economia nacional, porém é necessário pensar no
consumo consciente e sustentável desses produtos para evitar a
degradação do bioma.
Estimativas apontam uma crescente perda da vegetação nativa, a perda da
biodiversidade compromete o potencial de desenvolvimento sustentável da
região e dos serviços ambientais que a vegetação campestre proporciona,
como o controle da erosão do solo e o sequestro de carbono, fundamentais
para a redução das mudanças climáticas.
Pesquisadores estimam haver mais de 3 000 espécies de plantas na região.
Só de gramíneas já foram identificadas mais de 450 espécies. Há quase 500
espécies de aves, entre elas o quero-quero, considerado a ave símbolo do
Rio Grande do Sul.
Algumas espécies são nativas, como o tuco-tuco-das-dunas
(Ctenomys flamarioni), o graxaim (Pseudalopex gymnocercus), o bico-reto-
azul (Heliomaster furcifer), a ema (Rhea americana) e o sapinho-de-barriga-
vermelha (Melanophryniscus atroluteus). Várias espécies estão ameaçadas
de extinção, tais como o veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus) e o pica-
pau-chorão (Picoides mixtus).

Pantanal
O Pantanal estende-se por vastas regiões do Mato Grosso e Mato Grosso do
Sul. Diferentemente do que o nome sugere, não se trata de um grande
pântano, e sim de uma planície que fica inundada durante boa parte do ano,
considerada a maior planície alagada do planeta. A imensa quantidade de
água que produz a inundação vem dos muitos rios que cortam a região,
como o Cuiabá, o São Lourenço e o Paraguai.
Na estação das chuvas, o volume dos rios aumenta, alagando vastas
extensões. Isso se deve ao solo pouco permeável, ou seja, que não absorve
tanta água. A cobertura de água da planície pantaneira forma lagoas e
brejos interligados pelos rios.
Esse período de cheia é importante porque ocorre após períodos de secas, o
que possibilita às plantas, que necessitam de maior disponibilidade de água,
rebrotarem. Quando as chuvas diminuem, muitas dessas áreas secam.
O período de cheia abrange os meses de outubro a março, com
temperaturas médias de 32 °C. A estação seca abrange os meses de abril a
setembro, e as temperaturas médias ficam em torno de 21 °C.
O ambiente do Pantanal sofre influência direta de três importantes biomas
brasileiros: Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. Ele se estende para o
Paraguai e a Bolívia, onde recebe o nome de Chaco (localizado no norte do
Paraguai e leste da Bolívia). De acordo com estudos da Embrapa, cerca de
duas mil espécies de plantas já foram identificadas e muitas apresentam
potencial medicinal.
A fauna pantaneira é riquíssima. Peixes, aves, répteis e mamíferos
encontram alimento abundante e condições adequadas para procriar. A ave
símbolo do Pantanal é o tuiuiú (Jabiru mycteria). Dentre os répteis,
destacam-se os jacarés-de-papo-amarelo. A diversidade de peixes é imensa,
incluindo o pintado, o pacu, o dourado, o piauçu e o jundiá-da-lagoa (jaú),
que pode medir 1,5 m de comprimento e ter 120 quilos. O Pantanal também
abriga uma infinidade de invertebrados, como formigas, cupins, aranhas e
mosquitos.
O Pantanal também abriga muitos mamíferos de grande, médio e pequeno
porte, como onça-pintada, onça-parda, tamanduá-bandeira, lobo-guará,
macaco-prego, cervo-do-pantanal, anta, ariranha, quati, tatu etc.

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