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A Ias 36 - Imparidade de Activos: Impacto, Problemas E Valorização

O documento discute a IAS 36 - Imparidade de Activos, abordando sua importância na contabilidade e como ela impacta a avaliação e a tomada de decisões nas empresas. A norma estabelece procedimentos para garantir que os ativos não sejam registrados por um valor superior ao seu valor recuperável, destacando a necessidade de testes de imparidade e a mensuração adequada dos ativos. O estudo enfatiza a relevância da imparidade na apresentação das demonstrações financeiras e na gestão empresarial.

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A Ias 36 - Imparidade de Activos: Impacto, Problemas E Valorização

O documento discute a IAS 36 - Imparidade de Activos, abordando sua importância na contabilidade e como ela impacta a avaliação e a tomada de decisões nas empresas. A norma estabelece procedimentos para garantir que os ativos não sejam registrados por um valor superior ao seu valor recuperável, destacando a necessidade de testes de imparidade e a mensuração adequada dos ativos. O estudo enfatiza a relevância da imparidade na apresentação das demonstrações financeiras e na gestão empresarial.

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2A

A IAS 36 – IMPARIDADE DE ACTIVOS: IMPACTO, PROBLEMAS E VALORIZAÇÃO

Maria da Conceição da Costa Marques, Ph.D


Doutora em Gestão, especialidade em Contabilidade
Professora Adjunta do
Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra
1. Introdução

Ao nível contabilístico têm-se vindo a operar significativas mudanças, desde a


adopção, pela União Europeia, das normas internacionais de relato financeiro emitidas
pelo IASB, como as alterações decorrentes da futura utilização das normas previstas
no Sistema de Normalização Contabilística (SNC). A imparidade de activos constitui-
se, assim, como um dos aspectos inovadores no normativo contabilístico português,
sobretudo se atendermos ao grupo de empresas que não adoptam, ainda, as IAS /
IFRS.
É com este pano de fundo que entendemos a imparidade de activos e os seus reflexos
na contabilidade das empresas, como um aspecto importante a ter em consideração
pelos responsáveis contabilísticos, a qual pode também vir a repercutir-se na tomada
de decisão.
A IAS 36 – Imparidade de Activos é a Norma do IASB (International Accounting
Standards Board) que prescreve os procedimentos que uma entidade aplica para
assegurar que os seus activos são escriturados por não mais do que a sua quantia
recuperável.
Em Portugal, os normativos que regulam a matéria da imparidade são o Plano Oficial
de Contabilidade (POC) e Directrizes Contabilísticas (DC), bem como a NCRF 12 –
Imparidade de activos, quando aprovada.
Com este ‘paper’ pretendemos argumentar acerca da importância e papel da
imparidade de activos na contabilidade; analisar as perdas por imparidade dos activos
e os seus reflexos na elaboração e apresentação das demonstrações financeiras;
discutir em que medida uma empresa pode melhorar o seu processo de tomada de
decisão com a elaboração de informação contabilística produzida em obediência às
normas IASB, em particular no que diz respeito à temática da imparidade.

1. Imparidade de Activos
2.1 Objectivos, âmbito e definição

Antigamente a noção de activo estava relacionada com o conceito de património, o


que implicava que para ser considerado como tal tinha de ser propriedade da
empresa. Hoje em dia, segundo o IASB, um activo é um ‘recurso controlado pela
empresa como resultado de acontecimentos passados e do qual se espera que para a
mesma fluam benefícios económicos futuros’.
Segundo o FASB, no seu Statement Financial Accounting Concepts – SFAC nº 6, um
activo representa o benefício económico futuro provável obtido ou controlado por uma

2/24
dada entidade como consequência de transacções ou eventos passados. Como
características essenciais apresenta:
 A incorporação de benefício futuro provável, isto é, a capacidade de
(isoladamente ou em conjunto) contribuir directa ou indirectamente para a
geração de fluxos de caixa futuros;
 Ter o controlo e o acesso ao bem; e
 Ser resultante de transacção ou evento passado.
Apesar da unanimidade quanto à necessidade do retorno futuro dos investimentos da
entidade, a sua mensuração não é ponto pacífico na literatura contabilística. Para
Hendriksen e Breda (1999), mensurar é atribuir uma quantidade numérica a uma
característica ou atributo de algum objecto, como um activo, ou de uma actividade,
como a produção. O objectivo da mensuração é escolher medidas para orientar os
objectivos na divulgação financeira decorrentes da estrutura da contabilidade. Os
critérios de mensuração são geralmente classificados em dois grandes grupos: valores
de entrada e valores de saída.
Como valores de entrada apontam-se: custo histórico, custo corrente, custo corrente
corrigido, custo futuro de entrada descontado e custo de reposição. Para os valores de
saída, como principais critérios evidenciam-se: valor realizável líquido, equivalente
corrente de caixa, valores de liquidação e valores descontados de fluxos de caixa
futuros.
A decisão quanto ao critério de mensuração a utilizar pela organização, tem por
objectivo que este evidencie da melhor forma possível o benefício gerado pelo activo.
Pese embora os critérios na escolha do método de mensuração, verifica-se que nem
sempre os activos estão de acordo com seu real valor. Daí que surjam instrumentos
como: correcção monetária, reavaliação e a imparidade 1 , que representa uma redução
do valor recuperável do activo [DeFond (2002:30); Silva et al (2006:2)]. Existe
imparidade quando o activo deixa de proporcionar benefícios económicos futuros, total
ou parcialmente. A imparidade pode ocorrer ao nível de um activo individual, de um
conjunto de activos ou do ‘goodwill’ (Rodrigues, 2005:278).
A imparidade é, por isso, o instrumento utilizado para adequar o activo à sua
capacidade real de retorno económico. A imparidade é aplicada a activos fixos (activo
imobilizado), activos de vida útil indefinida, ‘goodwill’, activos disponíveis para venda,
investimentos e em operações descontinuadas.

1
Impairment, em inglês.

3/24
As normas que regulam esta matéria são, de acordo com o IASB, a ‘IAS 36 -
Impairment of Assets’ e, segundo o FASB, o ‘SFAS 144 - Accounting for the
Impairment or Disposal of Long-Lived Assets’.
O nosso estudo sobre a imparidade de activos, reflecte uma pesquisa apurada de
bibliografia sobre o tema; contudo, damos um especial enfoque às regras contidas na
IAS (International Accounting Standards) nº 36, pelo facto de ser este o normativo
utilizado em Portugal, conforme determina o Regulamento nº 1606/2002, de 19 de
Julho, do Parlamento Europeu e do Conselho 2 , e legislação posterior, e também pelo
facto da proposta de ‘Norma Contabilística e de Relato Financeiro (NCRF) nº 12’
seguir de perto as normas do IASB.

2.2 Principais aspectos da IAS 36 – Imparidade de Activos

A IAS 36 – Imparidade de Activos (2004), tem como objectivo prescrever os


procedimentos que uma entidade deve aplicar para se assegurar que os seus activos
estão registados por uma quantia tal que não seja superior à sua quantia recuperável
(Costa e Alves, 2005:781). Está aqui subjacente a aplicação do princípio contabilístico
da prudência.
A aplicação da IAS 36 recai essencialmente sobre os activos fixos tangíveis e
intangíveis, ou seja, imobilizado corpóreo e incorpóreo, com excepção de aspectos
que sejam contemplados numa IAS específica, tais como: existências (IAS 2);
contratos de construção (IAS 11); impostos diferidos (IAS 12); benefícios de reforma
(IAS 19); instrumentos Financeiros (IAS 39); Investimentos em propriedades (IAS 40);
activos biológicos relacionados com a actividade agrícola (IAS 41); alguns activos
relacionados com a actividade seguradora (IFRS 4); e activos não correntes
classificados como disponíveis para venda (IFRS 5).

2.2.1 Indicadores de Imparidade

Segundo Rodrigues (2005:270) existe uma perda por imparidade quando o valor
contabilístico do activo excede o seu valor recuperável.

Exemplo:

2
Os grupos económicos têm desde 2005 de prestar contas de acordo com as IAS / IFRS do IASB adoptadas na União
Europeia.

4/24
Quadro I

IMPARIDADE DE ACTIVOS
Custo 1.000 Custo 1.000
Amortizações acumuladas 400 Amortizações acumuladas 400

Valor contabilístico 600 Valor contabilístico 600


Valor recuperável 900 Valor recuperável 400
O activo não está em O activo está em imparidade
imparidade
Reduzir o valor contabilístico

Fonte: elaboração própria


O valor recuperável de um activo é o maior dos seguintes valores: (1) valor realizável
líquido; (2) valor de uso.
Exemplo:
Quadro II
IMPARIDADE DE ACTIVOS
Situação 1 Situação 2
Custo 1.000 Custo 1.000 1.000
Amortizações acumuladas 400 Amortizações acumuladas 400 400

Valor contabilístico 600 Valor contabilístico 600 600


Valor realizável líquido 700 Valor realizável líquido 200 200

Valor de uso 900 Valor de uso 500 100


Valor recuperável 900 Valor recuperável 500 200

O activo não está em O activo está em


imparidade imparidade (nas duas
situações)

Fonte: elaboração própria

O valor realizável líquido é o valor que se obtém com a venda do bem e corresponde
à diferença entre o preço de mercado do activo e os custos com a alienação. O valor
realizável líquido poderá ser objectivamente determinado quando exista um acordo de
venda numa transacção entre partes independentes, ou se o activo é negociado num
mercado activo. Se estas condições não se verificarem, o valor realizável líquido deve
estimar-se tendo por base a melhor informação disponível, considerando transacções
recentes de activos semelhantes.

5/24
O valor de uso, segundo a IAS 36, é o valor presente dos fluxos de caixa futuros que
se espera venham a provir de um activo ou de uma unidade geradora de caixa 3 . A sua
determinação envolve julgamento e complexidade.
A estimativa do valor de uso de um activo envolve: (1) a estimativa das entradas e
saídas de caixa futuras, em consequência do uso continuado do activo e da sua
alienação no final; e (2) a aplicação de uma taxa de desconto apropriada a esses
fluxos de caixa futuros (Rodrigues:2005; Cairns:2003).
A estimativa dos fluxos de caixa futuros deve assentar nas seguintes bases:
i. As projecções de fluxos de caixa esperados em pressupostos razoáveis e
suportáveis, que representem a melhor estimativa dos gestores relativamente
às condições económicas que existirão durante a vida útil remanescente do
bem. Deve ser dada maior ponderação a evidências externas.
ii. As projecções de fluxos de caixa devem ser suportadas em orçamentos e
previsões aprovados pelos gestores, e cobrir um período máximo de cinco
anos, a menos que se possa justificar a utilização de um período mais longo.
iii. As projecções de fluxos de caixa para além do período coberto pelos mais
recentes orçamentos e previsões, devem ser estimados por extrapolação das
projecções baseadas nos orçamentos e previsões, pelo uso de uma taxa de
crescimento constante ou decrescente para os anos subsequentes, a menos
que se justifique uma taxa de crescimento crescente, a qual não deve exceder
a taxa média de crescimento a longo prazo para os produtos, indústrias, ou
países nos quais a empresa opera, ou para o mercado no qual o activo é
usado, a menos que se possa justificar o uso de uma taxa mais elevada.

Para o cálculo do valor de uso, uma entidade deve ter em consideração os seguintes
elementos (Rodrigues:2005;Husmann & Schmidt:2008):
a) Estimativa dos fluxos de caixa futuros que a entidade espera obter do activo;
b) Expectativas sobre possíveis variações no valor ou no horizonte temporal
desses futuros fluxos de caixa;
c) O valor temporal do dinheiro, representado pela taxa de juro de mercado para
activos sem risco;
d) O valor atribuído à incerteza inerente do activo; e
e) Outros factores, como sejam, a falta de liquidez, que o mercado reflectirá na
avaliação dos fluxos de caixa futuros que a entidade espera obter do activo.

3
Cash-generating unit, em inglês.

6/24
2.2.2 Testes de imparidade

Conforme argumentam Husmann & Schmidt (2008:51), os testes de imparidade dos


activos devem ser efectuados anualmente para certos tipos de activos, ou apenas
quando sejam evidenciados indicadores de imparidade, para os restantes activos.
Os activos que, obrigatoriamente, têm de estar sujeitos a testes anuais de imparidade
são os seguintes:
i. Activos intangíveis com vida útil indefinida;
ii. Activos intangíveis ainda não disponíveis para uso (em curso); e
iii. ‘goodwill’ adquirido numa concentração de actividades empresariais.

Os demais activos estão sujeitos a testes de imparidade, apenas quando existirem


indicações de imparidade. Por conseguinte, em cada relato, deve ser verificado se
existe alguma indicação de que um activo possa estar em imparidade. No caso de se
verificarem algumas indicações nesse sentido, a entidade deve estimar o valor
recuperável do activo.

A IAS 36 considera que na apreciação de indicadores de imparidade de um activo, a


entidade deve, no mínimo, considerar os seguintes [Ernest & Young(2007:1);
Husmann & Schmidt (2008:52)]:

Gráfico I

Indicadores de Imparidade

Externos Internos
• Diminuição do valor de • Obsolescência ou danos
mercado. físicos.
• Alterações no ambiente • Alterações no uso do activo.
tecnológico, de mercado, • Custo superior ao custo
económico ou legal. orçamentado.
• Aumento das taxas de juro. • Fluxos de caixa inferiores ao
• Activos líquidos superiores orçamento.
à capitalização bolsista . • Cálculos anteriores.

Fonte: elaboração própria

7/24
Em termos práticos, pode dizer-se que as fontes externas de informação significam
que Cairns (2003); Silva et al (2006):
a. Durante o período, o valor de mercado de um activo diminuiu significativamente
mais do que seria esperado como resultado da passagem do tempo ou do uso
normal.
b. Ocorreram, durante o período, ou irão ocorrer no futuro próximo, alterações
significativas com um efeito adverso na entidade, relativas ao ambiente
tecnológico, de mercado, económico ou legal em que a entidade opera ou no
mercado ao qual o activo está dedicado.
c. As taxas de juro de mercado ou outras taxas de mercado de retorno de
investimentos aumentaram durante o período, e esses aumentos
provavelmente afectarão a taxa de desconto usada no cálculo do valor de uso
de um activo e diminuirão materialmente a quantia recuperável do activo.
d. A quantia escriturada dos activos líquidos da entidade é superior à sua
capitalização de mercado.

Por seu lado, as fontes internas de informação denotam que:


a. Está disponível evidência de obsolescência ou dano físico de um activo.
b. Alterações significativas com um efeito adverso na entidade ocorreram durante
o período, ou espera-se que ocorram num futuro próximo, até ao ponto em
que, ou na forma em que, um activo seja usado ou se espera que seja usado.
Estas alterações incluem um activo que se tornou ocioso, planos para
descontinuar ou reestruturar a unidade operacional a que o activo pertence,
planos para alienar um activo antes da data anteriormente esperada e a
reavaliação da vida útil de um activo como finita em vez de indefinida.
c. Existe evidência nos relatórios internos que indica que o desempenho
económico de um activo é, ou será, pior do que o esperado.

Existem indicadores de que o activo pode estar em imparidade? Neste caso, recorrer a
indicadores internos e externos de imparidade, como se indica:

1. Se o montante recuperável for superior à quantia escriturada: utilizar o maior de


dois: do valor realizável líquido ou do valor de uso do bem;
2. Se a estimativa da quantia recuperável for inferior à quantia escriturada, reduzir
a quantia escriturada, para o montante recuperável. Isto é:
Gráfico II

8/24
Quantia recuperável

Maior de

Valor realizável Líquido Valor de Uso

Fonte: elaboração própria

2.2.3 Mensuração da quantia recuperável (preço de venda líquido versus valor


de uso)

Seguindo o raciocínio anterior podem dar-se os seguintes exemplos:

Quadro III

IMPARIDADE DE ACTIVOS
Custo 1.000
Amortizações acumuladas 400
Valor contabilístico 600
Valor de venda líquido 200
Valor de uso 500
Valor recuperável 500
Perda por imparidade 100
Quantia escriturada após revisão 500

Fonte: elaboração própria

Quadro IV

9/24
IMPARIDADE DE ACTIVOS
Custo 1.000
Amortizações acumuladas 400
Valor contabilístico 600
Valor de venda líquido 200
Valor de uso 100
Valor recuperável 200
Perda por imparidade 400
Quantia escriturada após 200
revisão
Fonte: elaboração própria

2.2.4 Reconhecimento e mensuração de uma perda de imparidade

De acordo com a IAS 36, se e somente se, a quantia recuperável de um activo for
inferior ao seu valor líquido contabilístico, a quantia escriturada do activo deve ser
reduzida para a sua quantia recuperável. Essa redução é uma perda por imparidade
do activo.
Uma perda por imparidade de um activo deve ser reconhecida imediatamente como
um gasto, salvo se o activo estiver contabilizado por um valor reavaliado de acordo
com outra IAS, como a IAS 16, por exemplo. Uma perda por imparidade de um activo
reavaliado deve ser tratada como uma redução da reavaliação de acordo com essa
outra IAS.
Depois de se ter reconhecido uma perda por imparidade de um activo, o encargo com
depreciações desse activo deve ser ajustado nos períodos futuros, em função do valor
contabilístico revisto, considerando o valor residual, se existir, numa base sistemática
ao longo da restante vida útil do activo.
2.2.5 Unidades geradoras de caixa

Conforme refere a Ernest & Young (2007), o teste de imparidade deve, sempre que
possível, ser efectuado para activos individuais. Porém, se tal não for possível, a IAS
36 exige que a empresa determine a quantia recuperável para a unidade geradora de
dinheiro a que o activo pertence, sendo que tal unidade é o mais pequeno grupo
identificável de activos que gera influxos de dinheiro de uso continuado, que sejam
fortemente independentes dos influxos de dinheiro de outros activos ou grupos de
activos.
As unidades geradoras de dinheiro (ou de caixa) devem ser identificadas de forma
consistente de período para período, para o mesmo activo ou grupos de activos, a não
ser que uma alteração seja justificada.

10/24
O valor recuperável de uma unidade geradora de caixa é o mais alto entre o valor
líquido de realização da unidade geradora de dinheiro e o seu valor de uso e deve ser
determinado de forma semelhante à dos activos individuais.

2.2.6 Goodwill

Segundo Costa e Alves (2005:719), existe ‘goodwill’ positivo quando o valor de


transacção (custo de aquisição) for superior ao justo valor dos activos e dos passivos
identificáveis que foram adquiridos/assumidos à data da transacção. O ‘goodwill’
positivo é considerado o mais incorpóreo dos activos incorpóreos, apenas podendo ser
identificado com a empresa no seu todo.
O ‘goodwill’ adquirido numa concentração de actividades empresariais deve, a partir
da data da aquisição, ser imputado a cada uma das unidades geradoras de caixa, ou
grupo de unidades geradoras de caixa, da adquirente, que se espera que beneficiem
das sinergias da concentração.
Quando o ‘goodwill’ estiver relacionado com uma unidade geradora de caixa, mas não
tenha sido imputado a essa unidade, a unidade deve ser testada quanto à imparidade
sempre que exista uma indicação de que possa estar com imparidade.
Quando o ‘goodwill’ tenha sido imputado a uma unidade geradora de caixa, essa
unidade terá de ser testada anualmente quanto a imparidade, e sempre que exista
uma indicação de que possa estar com imparidade.
Rodrigues (2005:272) advoga que o teste de imparidade pode ser efectuado a
qualquer momento durante o exercício, desde que o teste seja efectuado todos os
anos no mesmo momento.
O teste de imparidade de diferentes unidades geradoras de caixa pode ser efectuado
em momentos diferentes. Porém, se uma parte ou a totalidade do ‘goodwill’ adquirido
numa concentração de actividades empresariais durante o ano económico tiver sido
imputada a uma unidade geradora de caixa, essa unidade terá de ser testada quanto a
imparidade antes do final do exercício.

2.2.7 Reversão de uma perda de imparidade

Conforme a IAS 36, se à data de cada relato existir algum indicador de que uma perda
por imparidade reconhecida em períodos anteriores relativamente a um activo, que
não o ‘goodwill’, possa já não existir ou tenha diminuído, a entidade deve estimar o
seu novo valor recuperável e proceder aos respectivos ajustamentos.
Assim, a contabilização a efectuar será:

11/24
i. Se o activo não tiver sido reavaliado, reconhecer como rendimento nas
demonstrações financeiras desse exercício;
ii. Se o activo tiver sido reavaliado, creditar a conta ‘Reservas de Reavaliação’.
As amortizações devem ser ajustadas de novo, ao longo da vida útil, em função do
novo valor recuperável.

O aumento do valor de um activo, que não o ‘goodwill’, atribuível a uma reversão de


uma perda por imparidade, não deve exceder o anterior valor contabilístico, líquido de
amortizações ou depreciações, se não tivesse havido redução do valor contabilístico
do activo em anos anteriores (Ernest & Young, 2004:4).
A reversão de perdas por imparidade de activos, que não ‘goodwill’, deve ser
reconhecida imediatamente nos resultados, salvo se o activo tiver sido reavaliado
segundo outra Norma (por exemplo, o modelo do justo valor usado na IAS 16, na
mensuração de imobilizações corpóreas). Em tal caso, a reversão da perda por
imparidade deve ser tratada como um acréscimo da revalorização, tal como estipula
essa Norma.

A reversão de perdas por imparidade de unidades geradoras de caixa deve ser


imputada aos activos da unidade, excepto para o ‘goodwill’, numa base pro rata em
relação ao valor contabilístico desses activos. A imputação em causa não pode
originar um aumento do valor contabilístico do activo acima do mais baixo entre: (1) o
seu valor recuperável; e (2) o valor contabilístico que seria determinado se nenhuma
perda tivesse sido reconhecida em períodos anteriores [Rodrigues, 2005:278; Ernest &
Young, 2004:4].
Refira-se, que a reversão da imparidade apenas é permitida na IAS 36 sendo proibida
para fins de US GAAP. O FASB não permite a reversão da imparidade, afastando-se,
por conseguinte, das regras do IASB.
A IAS 36 proíbe o reconhecimento da reversão de perdas por imparidade do ‘goodwill’.
É que a reversão do ‘goodwill’ se deve a ‘goodwill’ gerado internamente, o qual não
pode ser reconhecido.

2.2.8 Divulgações

A IAS 36 exige as seguintes divulgações:

a. Perdas por imparidade reconhecidas na Demonstração dos resultados durante


o período e as rubricas de gastos em que essas perdas foram registadas;

12/24
b. Reversões de perdas por imparidade reconhecidas na Demonstração dos
resultados durante o período e as rubricas da Demonstração dos resultados
em que essas perdas por imparidade foram revertidas;
c. Perdas por imparidade em activos revalorizados que tenham sido reconhecidas
directamente no capital próprio;
d. Reversões de perdas por imparidade em activos revalorizados que tenham sido
reconhecidas directamente no capital próprio.
Se a entidade relatar a informação por segmentos de acordo com a IAS 14 - Relato
por Segmentos, deve divulgar o seguinte para cada segmento relatável com base no
formato de relato primário de uma entidade:
a. A quantia de perdas por imparidade reconhecidas nos resultados e
directamente no capital próprio durante o período;
b. A quantia de reversões de perdas por imparidade reconhecidas nos resultados
e directamente no capital próprio durante o período.

Se os valores das perdas por imparidade reconhecidas ou revertidas forem relevantes,


deve-se divulgar:
i. Os eventos e circunstâncias que conduziram ao reconhecimento ou reversão
da perda por imparidade;
ii. Os valores das perdas por imparidade reconhecidas ou revertidas;
iii. Para um activo individual: a natureza do activo e se a entidade relatar
informação por segmentos de acordo com a IAS 14, o segmento relatável ao
qual o activo pertence, com base no formato de relato primário;
iv. Para uma unidade geradora de caixa: descrição da unidade geradora de caixa,
valor da perda por imparidade reconhecida ou revertida por classe de activos e,
se a entidade relatar informação por segmentos de acordo com a IAS 14, por
segmento relatável com base no formato de relato primário da entidade; e se a
agregação de activos relativa à identificação da unidade geradora de caixa se
alterou, deve-se descrever a forma actual e a anterior de se proceder a essa
agregação e os motivos da alteração;
v. Se o valor recuperável do activo é o seu valor líquido de realização ou o seu
valor de uso;
vi. Se o valor recuperável é o valor de uso, a base usada para determinar o justo
valor menos os custos de vender;
vii. Se o valor recuperável for o valor de uso, a taxa de desconto usada na
estimativa corrente e anterior do valor de uso.

13/24
2.2.9 Futuros Desenvolvimentos

A IAS 36 revista traz consigo muitas mudanças na prática e nas vias com que as
entidades têm de lidar relativamente à imparidade de activos.
Tanto as entidades que já usavam as IFRS como as que as vão usar pela primeira
vez, deverão avaliar cuidadosamente o impacto da IAS 36, a fim de evitar quaisquer
surpresas desagradáveis quando tiverem de a adoptar. O rigor e a extensão dos
testes de imparidade podem muito bem resultar na necessidade de se recorrer a
peritos independentes para lhes assistir com as necessárias avaliações. O
planeamento de adopção da IAS 36 revista requer um conjunto de acções chaves que
as entidades não devem descurar.

3. O referencial contabilístico português


3.1 A imparidade à luz do Plano Oficial de Contabilidade (POC)

Verificam-se algumas diferenças entre as normas do IASB e o referencial contabilístico


português, que passamos a evidenciar.

i. Com efeito, a IAS 36 exige que, anualmente, se façam testes de imparidade de


activos intangíveis com vida útil indefinida, de activos intangíveis ainda não
disponíveis para uso (em curso) e do ‘goodwill’. Nos restantes activos, deve-se
avaliar à data de cada relato, se existem indícios de imparidade dos activos. Se
existirem evidências, deve-se estimar o valor recuperável do activo, para se
aferir da existência de imparidade ou não de activos.
Segundo o POC (Plano Oficial de Contabilidade), no seu ponto 5.4.4, há
necessidade de se avaliar se existe imparidade do imobilizado corpóreo e
incorpóreo. Contudo, não apresentam os indicadores da imparidade. Por seu
lado, a DC (Directriz Contabilística nº 7), indica que o teste de recuperação deve
ser efectuado anualmente. Também a DC nº 16 refere que a reavaliação dos
imobilizados tangíveis deve ter em consideração o poder aquisitivo da moeda
e/ou o justo valor, tal como definido na DC nº 13.

ii. Quanto ao valor recuperável de um activo individual, a IAS 36 preconiza que se


não for possível estimar a quantia recuperável de um activo individual, deve-se
determinar a quantia recuperável de uma unidade geradora de caixa a que esse
activo pertence. Tanto o POC como as DC são omissos nesse campo.

14/24
iii. A IAS 36 fornece informações pormenorizadas sobre o cálculo do valor de uso.
O POC não contém qualquer disposição sobre o assunto.

iv. No que respeita à reversão de imparidade, a IAS 36 requer uma série de


condições, sendo o POC e as DC omissas quanto a essa matéria.

v. Quanto a divulgações, a IAS 36 exige a divulgação das perdas por imparidade,


bem como das suas reversões, com a indicação dos valores envolvidos, eventos
e circunstâncias que estiveram na sua origem e outras informações. O POC e as
DC não requerem esta divulgação.

Nas disposições do POC, encontram-se previstas amortizações extraordinárias, que


se destinam a reflectir as diferenças permanentes entre a quantia recuperável de um
activo e o valor pelo qual este se encontra registado. Nada mais é adiantado sobre os
indicadores dessa situação ou sobre a forma de apuramento dessa quantia
recuperável de modo objectivo e verificável.
Perante esta dificuldade, tem de se recorrer, de forma supletiva, às disposições da IAS
36 – Imparidade de activos, nos aspectos que não se encontram previstos no
normativo nacional. Em relação aos indicadores, teremos de nos socorrer dos já
mencionados anteriormente, isto é, aos que têm origem externa e aos de origem
interna e que foram explicitados no ponto 2.2.1.

3.2 A Imparidade de activos no âmbito do SNC – Sistema de Normalização


Contabilística

Dentro dos objectivos preconizados no Sistema de Normalização Contabilística,


segundo Guimarães (2007), encontra-se a aproximação ao modelo IASB adoptado na
União Europeia, satisfazer as diferentes exigências de relato financeiro, permitir a
intercomunicabilidade horizontal e vertical e flexibilizar actualizações.

No documento intitulado ‘Modelos de Demonstrações Financeiras – Observações e


ligação às NCRF’ disponível no ‘site’ da Comissão de Normalização Contabilística 4 ,
constam várias referências ao conceito de imparidade, nomeadamente nas seguintes
rubricas:

4
[Link]

15/24
Quadro V
Rubrica Referência à Imparidade
Activos Fixos Tangíveis As quantias são líquidas de depreciações e de
perdas por imparidade acumuladas
Trespasse (Goodwill) Tratamento contabilístico previsto, entre
outras normas, na NCRF 12
Activos intangíveis As quantias são líquidas de depreciações e de
perdas por imparidade acumuladas
Activos não correntes detidos para venda As quantias são líquidas de depreciações e de
perdas por imparidade acumuladas
Clientes As quantias são líquidas de perdas por
imparidade acumuladas
Imparidade de Dívidas a Receber (Perdas Inclui variações líquidas ocorridas no período
/ Reversões) referentes às estimativas de perdas e suas
reversões por imparidades
Imparidade de activos não depreciáveis / Inclui variações líquidas ocorridas no período
amortizáveis (Perdas / Reversões) referentes às estimativas de perdas e suas
reversões por imparidades
Imparidade de activos depreciáveis / Inclui variações líquidas ocorridas no período
amortizáveis (Perdas / Reversões) referentes às estimativas de perdas e suas
reversões por imparidades

Fonte: elaboração própria

3.3 A NCRF 12 – Imparidade de Activos

Na introdução à Norma Contabilística e de Relato Financeiro (NCRF) nº 12 –


Imparidade de Activos, consta que a mesma tem por base a Norma Internacional de
Contabilidade, IAS 36 – Imparidade de Activos, adoptada pelo Regulamento (CE) nº
2236/2004, da Comissão, de 29 de Dezembro. Como desenvolvemos os principais
aspectos da IAS 36 e devido à semelhança entre as normas, não se nos afigura
necessário abordá-los de novo.
Aparentemente, não se verificam significativas diferenças entre as normas do IASB e o
referencial contabilístico português relativamente às perdas por imparidade. Porém,
como o ponto 5.4.4 do POC não tem tido aplicação prática, na conversão de contas,
deve analisar-se o cadastro do imobilizado corpóreo, para se identificarem bens com
valor contabilístico significativo, que já não se qualifiquem como activo.

4. Conclusões

A IAS 36 vem contribuir para uma maior clarificação sobre o reconhecimento do valor
recuperável - valor realizável e valor de uso, sobre a forma sistemática de se analisar
periodicamente este valor, bem como o cálculo das perdas de imparidade e da
possibilidade de reversão dessa perda.

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Por seu lado, o POC prevê a possibilidade de se realizarem amortizações
extraordinárias, quando, à data do balanço, o valor dos activos imobilizados corpóreos
e incorpóreos tiverem um valor inferior ao registado na contabilidade, e se a diferença
for considerada permanente. Esta amortização deverá ser anulada, se a situação se
inverter. Em relação a estas situações, o POC é pouco esclarecedor.
A reversão determinada pela IAS 36, ao invés do SFAS nº 144, retrata melhor o
retorno dos activos, pois permite adequar os registos contabilísticos do activo ao seu
real valor económico para a entidade.
A IAS 36 é uma Norma de difícil aplicação devido à complexidade que envolve o
cálculo do valor de uso dos activos. Outros problemas poderão surgir, como a
frequência com que o montante recuperável deve ser mensurado, a determinação da
taxa apropriada de desconto ou a segurança de que o montante recuperável e o valor
contabilístico são sempre comparados em relação ao mesmo activo ou unidade
geradora de caixa, entre outros.
Para que as demonstrações financeiras de uma entidade reflictam uma imagem
verdadeira e apropriada da situação financeira, dos resultados e dos fluxos de caixa,
os contabilistas têm necessariamente de conceder a devida atenção às perdas por
imparidade, conforme se expôs anteriormente.

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