0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações95 páginas

Videoaula: Educação E Artes

O documento explora a importância da arte na educação, destacando-a como um direito humano e uma linguagem simbólica essencial para a formação integral dos indivíduos. A arte é apresentada como uma ferramenta que promove a expressão de identidades, a construção de sentidos e a cidadania, além de ser um meio de desenvolver a sensibilidade, criatividade e pensamento crítico. O ensino da arte deve ser sistemático e significativo, refletindo a pluralidade cultural e garantindo o acesso a todas as formas de expressão artística.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações95 páginas

Videoaula: Educação E Artes

O documento explora a importância da arte na educação, destacando-a como um direito humano e uma linguagem simbólica essencial para a formação integral dos indivíduos. A arte é apresentada como uma ferramenta que promove a expressão de identidades, a construção de sentidos e a cidadania, além de ser um meio de desenvolver a sensibilidade, criatividade e pensamento crítico. O ensino da arte deve ser sistemático e significativo, refletindo a pluralidade cultural e garantindo o acesso a todas as formas de expressão artística.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

Unidade 1
Fundamentos e Perspectivas Contemporâneas da Arte na Educação

Aula 1
Aula 1

Videoaula

VIDEOAULA
Olá, estudante!

Nesta videoaula, refletiremos sobre o papel da arte na


educação como direito humano, linguagem simbólica e
expressão de identidades. Você compreenderá por que o
ensino da arte é essencial para a formação integral dos
sujeitos, desenvolvendo imaginação e pensamento crítico.
Vamos explorar como as linguagens artísticas contribuem
para a construção de sentidos, pertencimento e liberdade no
cotidiano escolar.

Ponto de partida
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

PONTO DE PARTIDA
Em uma escola da zona rural, uma professora do 3º ano do
ensino fundamental propôs que os estudantes fizessem
desenhos do lugar onde vivem. Entre lápis de cor, papéis e
muita conversa, surgiram casas com varandas, árvores de
jabuticaba, cachorros no terreiro, galinhas no quintal,
estradas de terra e até postes tortos. Um dos desenhos, no
entanto, chamou a atenção. Uma menina desenhou uma
igreja cheia de flores ao redor, com uma mulher no centro,
usando um vestido bordado. Ao ser questionada, explicou: “É
minha avó no dia da festa de Santa Luzia. Ela sempre dança
com um vestido bonito e as flores que a gente colhe de
manhã.”

Essa cena revela muito mais do que uma atividade artística.


Ela nos convida a pensar nas seguintes questões: O que
comunicam os desenhos, as músicas, os gestos e as histórias
das crianças? Que memórias e identidades estão sendo
expressas por meio dessas criações? A arte, nesse contexto,
não aparece apenas como tarefa escolar, ela emerge como
linguagem viva, como modo de ser, lembrar e pertencer.

Nesta aula, vamos conversar a respeito do papel da arte


como direito e como linguagem simbólica e comunicativa.
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

Vamos refletir sobre por que ensinar arte na escola não se


resume a colorir ou fazer colagens. Ela envolve a garantia do
direito à expressão, ao sensível, à pluralidade de vozes e à
construção de sentidos. Que lugar a arte ocupa no cotidiano
escolar? Que expressões culturais são valorizadas e quais
são invisibilizadas? E o mais importante, como podemos
pensar a arte como uma forma de educar para a escuta, a
liberdade e a cidadania?

Nesta trajetória inicial, vamos aprofundar o entendimento


sobre os fundamentos que legitimam a presença da arte na
escola como um direito e uma necessidade formativa.
Veremos como as linguagens artísticas, ao atravessarem o
cotidiano escolar, podem ampliar o olhar, provocar escuta,
estimular a imaginação e fortalecer o vínculo dos estudantes
com sua cultura e com o mundo. Esse é um convite para
pensar a arte não como algo à parte da educação, mas como
parte essencial da experiência de ensinar e aprender.

Vamos começar

VAMOS COMEÇAR!
Arte como direito e linguagem de
expressão na formação humana
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

p ç
Arte como direito humano e direito à
educação
Figura 1 | Criança pintando com as mãos, explorando cores e
formas de modo criativo

Fonte: Freepik.

A arte, antes de ser um produto final ou um objeto de


contemplação, é uma forma de conhecimento e de
sensibilidade humana. Defini-la é um desafio, pois ela
assume múltiplas linguagens e funções ao longo da história:
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

ora é ritual e celebração, ora crítica e invenção. Segundo


Zanini (1994), a arte acompanha a própria história da
humanidade, revelando modos de pensar, sentir e
transformar o mundo. Rudolf Steiner (2003) reforça que no
campo educacional a arte não deve ser entendida apenas
como disciplina estética, mas como experiência formativa
que integra o pensar, o sentir e o agir. É nesse sentido que
Elliot Eisner (2008) propõe que a educação aprenda com as
artes, reconhecendo nelas a capacidade de desenvolver
percepção, imaginação e julgamento, elementos essenciais à
prática docente.

No contexto escolar, a arte adentra a sala de aula não


apenas como conteúdo curricular, mas como espaço de
expressão, criação e leitura do mundo. Desde muito cedo, as
crianças manifestam diferentes formas de se expressarem:
elas desenham, cantam, dramatizam e exploram formas,
sons e movimentos como maneira de compreender a
realidade e elaborar suas experiências. Esse impulso criativo,
que nos acompanha ao longo da vida, evidencia o papel da
arte na constituição da subjetividade, da cultura e da própria
condição humana.

Figura 2 | Criança pintando em um cavalete, concentrada em


sua criação artística
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

Fonte: Freepik.

Reconhecer a arte como um direito é uma afirmação ética e


política. Não se trata apenas de permitir que algumas
pessoas frequentem museus ou assistam a espetáculos.
Trata-se de garantir, em nível social, o acesso às diferentes
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

formas de expressão artística como parte da dignidade


humana. Esse princípio está previsto em documentos
fundamentais, como a Declaração Universal dos Direitos
Humanos, que, em seu artigo 27, assegura a todos o direito
de participar da vida cultural e de fruir das artes (ONU,
1948). No Brasil, a Constituição de 1988 reconhece a cultura
como um dos pilares da cidadania, determinando que o
Estado deve garantir o exercício dos direitos culturais, a
valorização das manifestações culturais e o acesso às fontes
da cultura nacional (Brasil, 1988).

O espaço escolar é uma das instâncias centrais para a


concretização desse direito. A Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996) determina, em seu
artigo 26, que o ensino de arte é obrigatório em todos os
níveis da educação básica, sendo entendido como
componente essencial para o desenvolvimento integral do
educando. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
reafirma esse compromisso ao estabelecer que a área da
arte deve proporcionar experiências estéticas e reflexivas,
envolvendo múltiplas linguagens e articulando dimensões
cognitivas, emocionais, culturais e sociais (Brasil, 2017).

Essa perspectiva amplia o entendimento tradicional do papel


da arte na escola. Em vez de ser restrita a momentos
recreativos ou atividades pontuais, a arte deve estar
presente de forma sistemática, provocadora e significativa,
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

permitindo que os estudantes não apenas reproduzam


formas e estilos, mas também criem, interpretem, se
posicionem e expressem sua visão de mundo. Como destaca
Ana Mae Barbosa (2010), a educação artística deve promover
a leitura crítica de imagens e produções visuais,
desenvolvendo uma sensibilidade estética atenta às relações
sociais e culturais que constituem os sujeitos.

Além de ser um direito legalmente garantido, a arte é


também uma necessidade formativa. Ela contribui para o
desenvolvimento da sensibilidade, da criatividade, da
imaginação e da autonomia. Permite que os sujeitos se
reconheçam como criadores e leitores de signos culturais,
capazes de dialogar com o mundo de maneira crítica e
sensível. Fernando Hernández (2000), ao defender a inserção
da cultura visual no currículo, enfatiza que as práticas
artísticas escolares devem partir das experiências e das
inquietações dos estudantes, conectando o conteúdo formal
à vivência cotidiana e às expressões populares, digitais e
periféricas.

Nesse sentido, a arte na escola não deve ser um campo


neutro, nem descolado da realidade social. Ela deve refletir a
pluralidade cultural brasileira, incluir saberes que
historicamente foram marginalizados e valorizar a produção
simbólica de comunidades diversas. Quando o ensino de
arte incorpora manifestações indígenas, negras, populares,
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

LGBTQIA+ ou rurais, ele contribui para a construção de um


currículo mais justo e representativo. A escola torna-se,
então, um espaço de afirmação de identidades, de diálogo
intercultural e de reconhecimento das múltiplas formas de
estar no mundo.

O compromisso com a arte como direito impõe desafios que


vão além da simples inserção desse conteúdo no currículo
escolar. Ele exige o fortalecimento de condições concretas
que assegurem sua efetivação no cotidiano das instituições
de ensino. Isso inclui a formação inicial e continuada de
professores com domínio das linguagens artísticas, tempo
pedagógico adequado, materiais e recursos diversificados,
além de espaços que favoreçam a experimentação e o
diálogo estético. Sem essas garantias, corre-se o risco de
tratar a arte como algo secundário ou simbólico, esvaziando
seu potencial transformador e seu papel como direito
educacional.

Afirmar a arte como direito humano e educacional é,


portanto, afirmar também o valor das diferentes
experiências, da pluralidade de vozes e da construção
compartilhada de sentidos no espaço escolar. Cada
estudante deve ter a oportunidade de expressar sua
maneira de estar no mundo, reconhecendo-se como sujeito
criador e culturalmente situado. Nesse processo, a escola
assume uma função essencial, tornar visível o invisível,
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

legitimar saberes historicamente marginalizados e ampliar


os horizontes de leitura e de autoria estética. Educar com
arte é, dessa forma, educar para a liberdade, para o
pertencimento e para a imaginação crítica.

A função simbólica e comunicativa da arte


Figura 3 | Ilustração inspirada no estilo cubista

Fonte: Freepik.

A arte tem o poder de dizer o que nem sempre conseguimos


expressar com palavras. Ao longo da história, diferentes
civilizações desenvolveram formas simbólicas de
comunicação por meio da música, da dança, da pintura, da
escultura, do teatro e de outras linguagens artísticas. Essas
manifestações não surgem de maneira aleatória, elas
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

nascem da relação do sujeito com o mundo e refletem


modos de viver, de pensar, de resistir e de sonhar. Por essa
razão, a arte ocupa um lugar essencial na formação humana,
pois permite criar significados, registrar memórias e
mobilizar afetos por meio de símbolos compartilhados.

Ao se manifestar de forma simbólica, a arte não comunica de


maneira direta, como um manual de instruções ou um texto
normativo. Sua linguagem é aberta, ambígua, provocadora.
Um quadro não nos ensina com clareza uma única lição, mas
nos convida a ver, a sentir e a interpretar. Um poema não
explica o mundo, mas o reinventa. Uma performance
corporal pode ser um gesto de crítica, de celebração ou de
denúncia. Como destaca Ernst Gombrich (2000), a arte não
copia a realidade, ela constrói versões possíveis de mundo,
revelando aquilo que muitas vezes está oculto pela
linguagem racional.

Na escola, compreender essa dimensão simbólica da arte é


essencial para evitar que o ensino artístico seja reduzido a
atividades repetitivas, à reprodução de modelos ou à busca
por um “produto final bonito”. Educar pela arte é cultivar o
olhar atento, promover a escuta ativa, favorecer o encontro
com o outro e estimular a autonomia criadora. Como
observa Rancière (2005), a arte educa não porque transmite
conteúdos específicos, mas porque desestabiliza certezas e
amplia os modos de perceber e compreender o real.
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

O aspecto comunicativo da arte não se limita à mensagem


expressa por quem a produz. Ele também depende da
leitura feita por quem a frui. Um mesmo grafite pode
provocar sentidos diferentes em pessoas distintas. Uma
canção pode despertar lembranças ou incômodos,
dependendo da trajetória de quem a escuta. Essa
multiplicidade de sentidos, longe de ser um obstáculo, é
justamente o que torna a arte uma linguagem potente no
contexto educativo. Segundo Barbosa (2015), a leitura de
imagens, sons e gestos deve ser desenvolvida na escola
como uma competência cultural, capaz de formar sujeitos
críticos diante da avalanche de signos que circulam na
sociedade contemporânea.

As linguagens artísticas dialogam com outras formas de


expressão, como a linguagem verbal, matemática, científica e
digital. No entanto, elas operam por vias metafóricas, visuais
e sonoras, o que amplia os horizontes de aprendizagem.
Incorporar essa perspectiva simbólica e comunicativa no
ensino da arte implica reconhecer que os estudantes são
produtores de sentido, e não apenas executores de tarefas.
Implica, também, repensar o papel do educador como
mediador de experiências, e não como transmissor de
técnicas ou julgador de habilidades.

A arte, ao comunicar por meio de símbolos, nos humaniza.


Ela permite que o silêncio fale, que o gesto emocione e que a
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

imagem questione. Mais do que expressão, a arte constitui


um campo de conhecimento que envolve dimensões
cognitivas, afetivas, sociais e culturais, fundamentais para a
formação integral do sujeito. No espaço escolar, a disciplina
de Artes cumpre um papel essencial ao desenvolver o
pensamento estético, a sensibilidade, a criatividade e a
capacidade crítica, contribuindo para a leitura e a
transformação do mundo. De acordo com a Base Nacional
Comum Curricular (Brasil, 2017), a Arte na educação básica
propicia experiências que articulam fazer, apreciar e
contextualizar, promovendo o diálogo entre diferentes
linguagens (artes visuais, música, teatro e dança) e
favorecendo o desenvolvimento da imaginação e da
empatia.

Assim, a arte na escola deve ser compreendida não como


atividade acessória, mas como espaço de formação humana,
ética e cultural. Ao valorizar as expressões artísticas das
crianças e dos jovens, o professor promove a escuta, o
respeito à diversidade e a construção de sentidos
compartilhados. Educar com arte é, portanto, educar para a
sensibilidade, a alteridade e a imaginação criadora,
reconhecendo a arte como direito, linguagem e
conhecimento.

Siga em frente
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

SIGA EM FRENTE
A arte como território de
memória, cultura e subjetividade
O papel da arte na construção de
identidades e sentidos
Figura 4 | Retrato artístico em colagem que combina fotografia
e traços gráficos, explorando identidade, expressão e contrastes
visuais
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

Fonte: Freepik.

A arte não apenas reflete a cultura de uma sociedade, mas


também participa ativamente da construção das identidades
que a constituem. Cada produção artística, seja um canto de
resistência, um grafite no muro da cidade, uma pintura
rupestre ou um autorretrato, carrega marcas simbólicas de
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

quem a produziu e do contexto histórico e cultural em que


foi criada. Esses traços expressam pertencimentos,
memórias, tensões sociais e modos de existir, tornando a
arte um território de representação e de afirmação de
sujeitos.

Rauen e Momoli (2015) destacam que, ao criar imagens de si,


o indivíduo projeta e ressignifica sua identidade, mobilizando
memórias, afetos e visões de mundo. Desse modo, o fazer
artístico é também um ato de autoconhecimento e de
reconstrução simbólica da realidade. Por meio da arte, o
sujeito narra quem é, de onde vem e como deseja ser
reconhecido. Assim, a arte constitui-se como um espaço
privilegiado para a expressão das identidades individuais e
coletivas, favorecendo o diálogo entre experiência pessoal e
cultura social.

Na contemporaneidade, marcada pela pluralidade de vozes,


pela emergência de novos sujeitos políticos e pelo
reconhecimento de identidades historicamente silenciadas, a
arte se apresenta como espaço de disputa simbólica e de
emancipação. Quando jovens de periferia expressam sua
realidade por meio do rap, quando povos indígenas
retomam cantos ancestrais em rituais públicos ou quando
artistas LGBTQIA+ reivindicam sua existência em
performances urbanas, a arte deixa de ser apenas estética e
se torna também política. Como defende Hall (2006), as
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

identidades culturais não são fixas ou naturais, mas sim


construídas a partir de práticas simbólicas que nos permitem
narrar quem somos e como pertencemos a determinados
grupos.

No contexto educacional, essa compreensão é fundamental.


A escola, enquanto espaço de socialização e formação ética,
precisa reconhecer que os estudantes chegam carregando
histórias, valores, gestos, sotaques, repertórios e modos de
existir que foram moldados pelas suas experiências
culturais. Ignorar essas referências é reproduzir uma lógica
excludente, que valoriza apenas determinados padrões de
linguagem, comportamento ou sensibilidade. A arte, ao
contrário, permite que essas diferenças venham à tona,
sejam acolhidas e ganhem visibilidade.

É por meio das linguagens artísticas que muitas crianças e


jovens encontram um canal legítimo para falar de si,
reinterpretar sua trajetória e construir novos sentidos para
sua presença no mundo. O desenho que retrata a
comunidade onde vivem, a dança que recupera gestos da
tradição familiar, a poesia falada que denuncia a violência no
bairro, tudo isso são formas de narrar a si mesmo, de se
posicionar e de afirmar o direito à existência. Como aponta
Candau (2012), o reconhecimento das identidades culturais
no ambiente escolar passa pela valorização das
manifestações simbólicas que os estudantes trazem consigo.
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

Esse processo, no entanto, não se dá de forma espontânea.


Ele exige um trabalho intencional por parte dos educadores,
que devem criar condições para que essas expressões se
manifestem com liberdade, respeito e escuta. O ensino da
arte não pode se restringir a técnicas ou estilos consagrados.
É preciso abrir espaço para a criação autoral, para a
experimentação e para o diálogo com as múltiplas culturas
presentes na escola. Ao fazer isso, o educador contribui para
uma educação mais democrática, mais plural e mais sensível
às realidades dos sujeitos.

A construção de identidades por meio da arte é, portanto,


um movimento de dentro para fora e de fora para dentro. Os
sujeitos criam e recriam a si mesmos ao interagir com
imagens, sons, palavras e movimentos. Ao mesmo tempo,
são atravessados pelas referências que circulam
socialmente, pelos modelos estéticos que consomem e pelas
narrativas que encontram nos meios de comunicação e nas
redes digitais. Compreender essa dinâmica é reconhecer que
a arte, além de ser um direito, é uma ferramenta poderosa
para a construção de pertencimento, autoestima,
protagonismo e cidadania.

Vamos exercitar

VAMOS EXERCITAR?
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

VAMOS EXERCITAR?
Entre o direito e a expressão: o
que a arte nos revela?
Retomando a situação apresentada no início da aula, em que
uma estudante desenhou a avó dançando na festa de Santa
Luzia, com flores ao redor e lembranças de sua comunidade,
compreendemos que a arte, desde cedo, é um modo de
dizer o indizível. Naquele desenho, estavam presentes
memória, identidade e afeto, expressões de um mundo
vivido que dificilmente caberiam apenas em palavras. Essa
cena nos levou a refletir sobre o papel da arte como direito
humano, linguagem simbólica e meio de construção de
identidades, revelando que as produções das crianças
comunicam histórias e pertencimentos que a escola precisa
aprender a escutar.

A partir dessa vivência, discutimos que o acesso às


linguagens artísticas na escola deve ser reconhecido como
direito e necessidade formativa, essencial para que crianças,
adolescentes, jovens e adultos desenvolvam sensibilidade,
imaginação e autonomia. A arte não se limita a técnicas ou
estilos consagrados, ela comunica por caminhos não verbais,
atravessa o cotidiano com gestos, sons, imagens e palavras,
e permite que vozes historicamente silenciadas se tornem
visíveis. Quando a escola acolhe a arte como campo legítimo
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

de expressão, acolhe também as múltiplas identidades


presentes em seu interior, tornando o ato educativo mais
vivo, plural e significativo.

Agora é o momento de refletir: que manifestações artísticas


fazem parte da sua história, da sua comunidade ou da sua
infância? De que forma as práticas pedagógicas podem
ampliar o acesso à arte e valorizar as diversas formas de
expressão presentes entre os estudantes? O que significa,
para você, garantir o direito à arte na educação pública?

A arte é linguagem que acolhe, escuta que transforma e


gesto que cria. Na prática educativa, não se trata apenas de
ensinar a desenhar ou interpretar uma música, mas de
reconhecer a potência da arte como experiência formativa,
política e subjetiva. Como futuro educador, seu papel será o
de mediar encontros entre os estudantes e suas formas
próprias de se expressar, de pertencer e de imaginar outros
mundos possíveis. Garantir o direito à arte na escola é, ao
mesmo tempo, um ato de resistência, de cuidado e de
esperança.

Saiba mais

SAIBA MAIS
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

Para aprofundar sua reflexão sobre os sentidos da escola e


da aprendizagem, recomendamos a leitura do livro A escola
com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir,
de Rubem Alves (2022). Com a sensibilidade que marca sua
escrita, o autor compartilha uma experiência educativa
inspiradora: a Escola da Ponte. Nesse espaço, a autonomia
dos estudantes, a cooperação entre diferentes idades e a
vivência da democracia cotidiana revelam que é possível
transformar a escola em um lugar mais humano, criativo e
comprometido com a liberdade de aprender.

Referências

REFERÊNCIAS
ALVES, R. A escola com que sempre sonhei sem imaginar que
pudesse existir. 1. ed. Campinas: Papirus, 2022. E-book.
Disponível em: [Link] Acesso
em: 4 ago. 2025.

BARBOSA, A. M. A imagem no ensino da arte: anos de


formação estética e crítica. 12. ed. São Paulo: Perspectiva,
2010.
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

BARBOSA, A. M. Ensino da arte: memória e história. 2. ed.


São Paulo: Cortez, 2015.

BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República


Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal,
1988.

BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece


as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da
União: seção 1, Brasília, DF, p. 27833, 23 dez. 1996.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum


Curricular. Brasília, DF: MEC, 2017. Disponível em:
[Link] Acesso em: 4 ago.
2025.

CANDAU, V. M. Cultura, identidade e diferença na educação.


Petrópolis: Vozes, 2012.

EISNER, E. O que pode a educação aprender das artes sobre


a prática da educação. Currículo sem Fronteiras, v. 8, n. 2, p.
5-17, 2008.

GOMBRICH, E. H. A história da arte. 16. ed. Rio de Janeiro:


LTC, 2000.
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. 11. ed.


Rio de Janeiro: DP&A, 2006.

HERNÁNDEZ, F. Cultura visual, mudança educativa e projeto


de trabalho. Porto Alegre: Artmed, 2000.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Declaração Universal


dos Direitos Humanos. Paris, 1948. Disponível em:
[Link] Acesso em: 4 ago. 2025.

RANCIÈRE, J. O mestre ignorante: cinco lições sobre a


emancipação intelectual. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.

RAUEN, R. M.; MOMOLI, D. B. Imagens de si: o autorretrato


como prática de construção da identidade. Revista Educação,
Artes e Inclusão, v. 11, n. 1, p. 51-73, 2015.

STEINER, R. A arte na educação II: metodologia e didática no


ensino Waldorf. São Paulo: Antroposófica, 2003.

ZANINI, W. Arte e história da arte. Estudos Avançados, v. 8, p.


487-489, 1994.

Aula 2
Aula 2
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

Videoaula

VIDEOAULA
Olá, estudante!

Nesta videoaula, refletiremos sobre os fundamentos


filosóficos, estéticos e políticos da arte, compreendendo
como diferentes pensadores interpretaram seu papel na
história e na educação. Vamos analisar o potencial da arte
como linguagem crítica e transformadora, capaz de
despertar a imaginação, provocar reflexões éticas e ampliar
a compreensão do mundo contemporâneo.

Ponto de partida

PONTO DE PARTIDA
Imagine uma professora da educação infantil que convida
seus estudantes a criarem desenhos inspirados em sons. Ela
toca um tambor suave, depois um chocalho vibrante, e,
finalmente, uma música calma ao piano. As crianças, de
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

olhos atentos e lápis na mão, transformam o que ouvem em


traços, cores e movimentos. Enquanto uns desenham linhas
tremidas e cores fortes, outros preferem curvas leves ou
espaços vazios. Ao final, uma aluna diz: “Este aqui é o
barulho da chuva na minha cabeça quando eu fecho os
olhos”.

Essa cena nos convida a pensar: o que está acontecendo ali,


além do aparente exercício de desenho? O que essas
expressões revelam sobre como cada criança percebe o
mundo? E mais, por que a escola deveria valorizar esses
gestos únicos e inclassificáveis? Afinal, qual é o lugar da arte
na formação humana e nas práticas educativas?

Nesta aula, vamos refletir sobre os fundamentos filosóficos,


estéticos e sociopolíticos da arte. Vamos discutir o que
diferentes pensadores disseram sobre o papel da arte na
vida e na educação. Também vamos explorar como a arte
dialoga com o poder, com a liberdade, com a crítica social e
com as experiências subjetivas dos sujeitos. Por que, em
alguns contextos, a arte é reprimida ou silenciada? Por que,
em outros, ela é celebrada como forma de resistência ou
libertação?

Nosso convite é para que você, futuro educador, se


aproxime da arte não como algo reservado aos “talentosos”,
mas como linguagem universal que ensina, provoca e
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

transforma. Vamos juntos compreender como estética e


política se entrelaçam, e como a arte nos ajuda a ver e a
reinventar o mundo em que vivemos.

Vamos começar

VAMOS COMEÇAR
Estética e política: arte como
forma de ver o mundo
Figura 1 | Criança diante do planeta Terra, representando
cuidado e conexão com o mundo
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

Fonte: Freepik.

A arte, ao longo da história, sempre esteve entrelaçada com


as formas pelas quais os seres humanos interpretam e
representam a realidade. Ela não é um reflexo neutro do
mundo, tampouco uma simples reprodução da natureza ou
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

dos acontecimentos. Ao contrário, carrega visões de mundo,


valores, críticas, desejos e disputas. Em sua dimensão
estética, a arte atua como linguagem sensível, operando por
meio de formas, cores, gestos, sons, ritmos e imagens que
provocam a percepção, a emoção e a reflexão. Já em sua
dimensão política, ela inscreve os sujeitos no mundo,
posicionando-os diante das relações de poder que
atravessam a vida social.

A noção de estética não pode ser compreendida apenas


como sinônimo de “beleza” no sentido clássico. Embora
historicamente vinculada ao belo ideal, como na filosofia de
Platão e Aristóteles, que associavam a arte à harmonia, à
proporção e à imitação da natureza, o conceito de estética
foi ampliado a partir do século XVIII. Com Alexander
Baumgarten, por exemplo, a estética passa a ser entendida
como uma ciência do conhecimento sensorial, reconhecendo
a importância da experiência perceptiva e emocional como
forma legítima de apreensão do mundo (Baumgarten, 1750).
Essa virada filosófica abriu caminho para que a arte fosse
compreendida como modo de conhecer e não apenas de
ornamentar.

No século XX, autores como Herbert Marcuse e Jacques


Rancière aprofundaram essa articulação entre estética e
política. Para Marcuse (1973), a arte possui um potencial de
negação da realidade alienada. Ao criar mundos possíveis, a
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

obra artística desvela o que está encoberto e aponta para


outras formas de existência. Não se trata de transformar a
arte em panfleto político, mas de reconhecer sua força
utópica, seu poder de imaginar o novo. Rancière (2009), por
sua vez, argumenta que toda arte é política porque redefine
o “partilhamento do sensível”, isto é, quem pode falar, o que
pode ser dito, o que pode ser visto e de que modo as formas
de vida são representadas. Nesse sentido, a arte perturba,
desestabiliza e reconfigura as fronteiras entre visível e
invisível, entre centro e margem.

Na educação, considerar a arte como forma de ver o mundo


implica uma prática pedagógica que não se limita à técnica
ou à estética decorativa. Significa criar espaços para a escuta,
para a expressão e para o reconhecimento das narrativas
que atravessam o corpo e a cultura dos sujeitos. A criança
que desenha sua casa em cores vibrantes não está apenas
fazendo um exercício de motricidade, ela está afirmando sua
presença no mundo. O adolescente que escreve uma letra
de rap ou uma poesia marginal está traduzindo sua vivência,
sua dor e sua potencialidade por meio de uma linguagem
estética. Como aponta Chaui (2000), a arte é uma forma de
pensamento não conceitual, ela pensa o mundo sem
recorrer à lógica formal, por meio da sensibilidade e da
intuição.
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

A escola, ao reconhecer a arte como linguagem formativa e


política, amplia seu papel social. Não se trata apenas de
ensinar a história da arte ou as técnicas dos grandes
mestres, mas de valorizar as expressões culturais que
emergem dos territórios e das experiências dos estudantes.
A estética do cotidiano, a arte urbana, as manifestações
populares e as culturas periféricas também compõem o
repertório dos sujeitos e merecem espaço no currículo. Ao
fazer isso, a escola contribui para a construção de um olhar
mais crítico, mais ético e mais plural sobre o mundo.

Portanto, pensar a arte como forma de ver o mundo é


reconhecer seu poder de reencantar, de desvelar e de
transformar. É assumir que a estética não está dissociada da
política e que toda escolha pedagógica sobre o que se
ensina, como se ensina e o que se valoriza carrega consigo
um projeto de sociedade. No campo da educação, esse
reconhecimento exige coragem para escutar as vozes que
criam fora dos moldes, para acolher os sentidos que não
cabem nas classificações tradicionais e para construir, com
os estudantes, uma prática artística que seja também prática
de liberdade.

Filosofias da arte e suas


implicações pedagógicas
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

As diferentes concepções sobre a arte, formuladas ao longo


da história da filosofia, influenciam diretamente o modo
como ela é compreendida, ensinada e vivida na escola. Cada
abordagem filosófica traz consigo um entendimento sobre o
que é a arte, qual seu papel na vida humana e de que forma
ela deve ser transmitida ou experienciada. No campo
educacional, isso significa que as práticas pedagógicas não
são neutras, elas estão ancoradas em visões de mundo que
precisam ser conhecidas e refletidas criticamente.

Figura 2 | Escultura clássica com visual moderno, unindo arte e


cultura pop
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

Fonte: Freepik.

Na tradição ocidental, o pensamento grego inaugurou


reflexões fundamentais sobre o estatuto da arte. Para
Platão, a arte era uma imitação (mímesis) do mundo visível, o
qual, por sua vez, imitava o mundo das ideias, ou seja, a arte
era uma cópia de uma cópia, e, por isso, distanciava o ser
humano da verdade. Platão via a arte com desconfiança,
sobretudo porque ela tinha o poder de afetar as emoções e
“enganar” a razão (Platão, 2006). Aristóteles também via a
arte como mímesis, mas com uma função diferente. Ao
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

representar a ação humana, a tragédia, por exemplo,


permitiria ao público experimentar a catarse, uma
purificação simbólica das emoções, especialmente o medo e
a piedade (Aristóteles, 2009).

Durante a Idade Média, o pensamento cristão subordinou a


arte à teologia, valorizando-a como meio de exaltar o divino
e de educar os fiéis por meio das imagens e da música sacra.
Já na modernidade, com pensadores como Kant e Hegel, a
arte passou a ser reconhecida como uma forma autônoma
de conhecimento. Para Kant (2001), o juízo estético é
desinteressado, ou seja, não está subordinado à utilidade
nem à moralidade. A arte deve ser apreciada por sua forma
e por sua capacidade de despertar o livre jogo da imaginação
e do entendimento. Hegel, por sua vez, entende a arte como
expressão do espírito nas diferentes épocas da história,
sendo o belo artístico uma manifestação perceptível da ideia
(Hegel, 2006).

No século XX, contudo, autores da teoria crítica, como


Adorno e Horkheimer (1985), problematizaram essa
autonomia, ao perceberem que na sociedade industrial e
capitalista a arte foi progressivamente transformada em
mercadoria. No ensaio sobre a indústria cultural, os autores
afirmam que as obras artísticas, submetidas à lógica do
mercado e da reprodução em massa, acabam por padronizar
o gosto do público, diluindo o potencial crítico e
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

emancipador da experiência estética. Nesse contexto, a arte


deixa de ser apenas expressão da liberdade e passa a refletir
também os mecanismos de alienação e consumo da
modernidade.

Assim, ao longo da história, a arte transita entre o sagrado e


o profano, o ideal e o comercial, revelando os modos como
as sociedades compreendem o belo, o conhecimento e o
próprio ser humano. Pensar a arte na educação é, portanto,
reconhecer essa trajetória complexa e desafiar-se a resgatar
sua dimensão libertadora, crítica e humanizadora.

Essas concepções filosóficas alimentaram diferentes modos


de ensinar arte nas escolas. Quando se valoriza a técnica e a
reprodução de modelos consagrados, parte-se de uma ideia
clássica e normatizada de beleza. Quando se promove a livre
expressão e a criação subjetiva, há influência da estética
kantiana e das correntes modernas que priorizam a
autonomia do sujeito. A pedagogia da arte, portanto, é
atravessada por disputas conceituais: arte como técnica ou
como experiência? Como imitação ou como invenção? Como
conteúdo ou como linguagem?

No século XX, a filosofia da arte passou a dialogar mais


intensamente com a pedagogia. John Dewey, por exemplo,
em sua obra Arte como experiência (2010), propõe uma
visão da arte vinculada ao cotidiano, à experiência concreta
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

do sujeito em interação com o ambiente. Para ele, a arte não


está restrita aos museus ou às elites culturais, ela emerge da
vida, da prática e das relações humanas. Essa abordagem
aproxima a estética da educação democrática e da
valorização da criatividade no processo de aprendizagem.

No contexto latino-americano, Paulo Freire nos ajuda a


compreender a arte como prática de liberdade e como
linguagem de transformação social. Embora não tenha
desenvolvido uma teoria estética nos moldes clássicos, Freire
(1987) reconhece o ato criador, o gesto de narrar a própria
história e de expressar-se no mundo como um ato estético e
político. Ao defender uma educação dialógica e
problematizadora, o autor nos convida a enxergar nas
linguagens artísticas um caminho fundamental para a leitura
crítica da realidade e para a construção de novos sentidos de
mundo.

Dialogando com essa perspectiva, Ana Mae Barbosa (2010)


propõe a abordagem triangular, que articula fazer, apreciar e
contextualizar como dimensões indissociáveis do ensino de
arte. Essa proposta reafirma o papel da arte como campo de
conhecimento, de leitura cultural e de exercício da cidadania.
Para Stela Barbieri (2012), a arte-educação é um espaço de
encontro entre sensibilidades, um território em que o
educador atua como mediador de experiências, despertando
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

no estudante o prazer de criar e de pensar com as mãos,


com o corpo e com o olhar.

Na mesma direção, Marina Machado (2013) destaca que a


arte, ao integrar pensamento, emoção e imaginação,
contribui para o desenvolvimento integral do ser humano e
para a ampliação das formas de percepção e de convivência.
Essa visão se aproxima da pedagogia de Rudolf Steiner
(2003), que concebe a arte como princípio educativo e
caminho para o equilíbrio entre o pensar, o sentir e o agir.
Em todas essas abordagens, a arte se configura como um
processo formativo e emancipador, no qual a criação e a
reflexão caminham juntas, tornando-se meios de
humanização, diálogo e transformação.

Compreender essas diferentes filosofias da arte permite ao


educador posicionar-se criticamente diante das propostas
curriculares e das práticas escolares. Ensinar arte não é
apenas “dar aula de desenho” ou trabalhar datas
comemorativas, mas criar espaços de escuta, de
experimentação e de liberdade criadora. É necessário
transitar entre o conhecimento das tradições filosóficas e a
sensibilidade para o presente, articulando teoria e prática de
forma comprometida com a formação estética e ética dos
sujeitos.

Siga em frente
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

SIGA EM FRENTE
Arte, poder e resistência:
contextos históricos e sociais
Figura 3 | Mulheres com punhos erguidos, símbolo de força e
resistência

Fonte: Freepik.

A arte sempre foi mais do que um espelho do tempo, ela


também é flecha, fenda, gesto e grito. Em diferentes
contextos históricos e sociais, artistas e coletividades
recorreram às linguagens estéticas como forma de
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

resistência, denúncia e reexistência. O poder, entendido aqui


como a capacidade de estabelecer normas, visibilidades e
silenciamentos, sempre buscou moldar as representações
do mundo. Por outro lado, a arte tem sido o espaço onde os
sentidos se reconfiguram, onde as margens falam e onde a
liberdade insiste em brotar, mesmo sob repressão, censura
ou invisibilidade.

Ao longo da história, regimes autoritários e projetos


coloniais compreenderam muito bem a potência simbólica
da arte e, por isso, frequentemente a controlaram. Na Idade
Média, a produção artística era regulada pela Igreja, e as
representações visuais seguiam os princípios da iconografia
sacra. Na modernidade, o Estado-nação e as elites
econômicas financiaram expressões artísticas que
reafirmavam ideais de progresso, civilização e identidade
nacional, ao mesmo tempo que silenciavam saberes e
estéticas populares, indígenas, negras e periféricas. Como
aponta Michel Foucault (1987), o poder não se exerce apenas
por meio da repressão, mas também pela produção de
discursos e imagens que moldam o que é considerado
legítimo, belo ou verdadeiro.

É justamente nesse ponto que a arte se torna campo de


disputa e resistência. No Brasil, por exemplo, movimentos
como o modernismo antropofágico, o tropicalismo, a
literatura de cordel, o hip-hop e o grafite urbano são
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

expressões que rompem com as normas estabelecidas,


reivindicando outras formas de existência estética e política.
A arte periférica, em especial, tem sido uma força insurgente
que denuncia a violência do racismo, da pobreza e do
apagamento cultural, ao mesmo tempo em que afirma
subjetividades criadoras, poéticas e insurgentes.

Figura 4 | Pessoa observando um mural de grafite colorido,


símbolo de arte urbana e expressão cultural

Fonte: Freepik.

As manifestações artísticas também desempenham um


papel central nas lutas por direitos. O teatro do oprimido,
idealizado por Augusto Boal, é um exemplo potente de como
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

a arte pode ser instrumento de conscientização e


mobilização social. Inspirado em Paulo Freire, Boal (2008)
propôs uma prática teatral em que os espectadores se
tornam protagonistas do drama social, ensaiando
alternativas para os conflitos vividos em suas comunidades.
Trata-se de uma pedagogia do corpo, da voz e da ação em
que a estética se entrelaça com a ética e com a política.

Na escola, reconhecer a arte como campo de poder e


resistência significa não reduzir o ensino artístico à técnica
ou à reprodução de estilos. É necessário abrir espaço para as
linguagens que emergem das realidades dos estudantes,
para os saberes que circulam nas margens, para as vozes
que carregam outras memórias e outras formas de imaginar
o mundo. Como afirma Bell Hooks (2019), a educação
libertadora precisa romper com as estruturas de dominação
e acolher a experiência como fonte legítima de
conhecimento. A arte, nesse contexto, não apenas ilustra
conteúdos, ela provoca, transforma, convoca e ensina.

Assim, a arte na escola pode e deve ser território de


confronto criativo, em que os estudantes aprendem a ler
criticamente o mundo e a escrever, com sua sensibilidade,
outras narrativas possíveis. Isso exige do educador um
compromisso ético e político com a diversidade, com a
escuta e com a potência criadora de cada sujeito. Ensinar
arte, portanto, é também um ato de resistência contra o
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

silenciamento, contra a padronização, contra a indiferença. E


é, sobretudo, uma aposta: a de que imaginar outros mundos
é o primeiro passo para construí-los.

Vamos exercitar

VAMOS EXERCITAR
Retomando a situação inicial desta aula, em que uma
professora convida as crianças a desenharem a partir dos
sons, percebemos que ali acontece muito mais do que um
simples exercício de desenho. Aquela atividade revela modos
singulares de pensar e de sentir, transformando o som em
imagem, o invisível em cor, o silêncio em forma. O que se vê
no papel é o reflexo de como cada criança percebe o mundo
e organiza suas experiências internas. Quando a escola
acolhe essas manifestações, ela afirma que todo gesto
criativo é também gesto de conhecimento e de humanidade.

Ao longo da aula, compreendemos que valorizar esses


gestos é reconhecer a arte como direito, pensamento e
presença na formação humana. A escola que integra a arte
às suas práticas não apenas estimula habilidades técnicas,
mas promove autonomia, sensibilidade e leitura crítica da
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

realidade. Assim, as questões levantadas no início


encontram aqui seus caminhos de resposta. O que acontece
quando uma criança desenha o som é a materialização do
seu modo de compreender o mundo. Essas expressões
revelam percepções únicas, que devem ser valorizadas pela
escola, pois o lugar da arte na educação é o de formar
sujeitos criadores, críticos e sensíveis, capazes de
transformar sua realidade.

Agora é com você: como futuro educador, de que maneira o


ensino da arte pode inspirar práticas pedagógicas mais
abertas e humanizadoras? Que estratégias podem garantir o
direito à expressão e à experimentação artística sem medo
do erro ou do julgamento? E, principalmente, como
transformar o espaço escolar em um ambiente que valorize
as culturas locais, populares e urbanas como parte viva da
formação humana?

A arte é provocação, encontro e tradução da vida. Que sua


prática docente também possa abrir caminhos para que os
estudantes escutem, criem e reinventem o mundo, assim
como as crianças que desenham o som da chuva e nos
ensinam que educar é permitir que a sensibilidade se torne
pensamento e que o pensamento se torne criação.

Saiba mais
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

SAIBA MAIS
Se você deseja aprofundar seus conhecimentos sobre os
fundamentos filosóficos e históricos da arte, vale a pena
conhecer o livro "Arte e pensamento: uma introdução
àsteorias da arte no Ocidente”, de Cristiane Silveira (2021). A
obra apresenta um panorama acessível e consistente das
principais correntes que influenciaram a compreensão da
arte no mundo ocidental. Com foco nas transformações
históricas, nas relações entre arte, política e sociedade e na
emergência de novas linguagens artísticas, o livro oferece
uma excelente base teórica para quem está em formação
docente e deseja pensar a arte como construção crítica e
cultural.

Referências

REFERÊNCIAS
ADORNO, T. W.; HORKHEIMER, M. Dialética do
esclarecimento: fragmentos filosóficos. 2. ed. Rio de Janeiro:
Zahar, 1985.
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

ARISTÓTELES. Poética. Tradução E. de Souza. São Paulo: Abril


Cultural, 2009.

BARBOSA, A. M.; CUNHA, F. P. (org.). Abordagem triangular


no ensino das artes e culturas visuais. São Paulo: Cortez,
2010.

BARBIERI, S. Interações: onde está a arte na infância? São


Paulo: Blucher, 2012.

BAUMGARTEN, A. G. Aesthetica. Frankfurt: Olms, 1750.

BOAL, A. O teatro do oprimido e outras poéticas políticas. 12.


ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.

CHAUI, M. Convite à filosofia. 13. ed. São Paulo: Ática, 2000.

DEWEY, J. Arte como experiência. São Paulo: Martins Fontes,


2010.

FOUCAULT, M. Microfísica do poder. 7. ed. Rio de Janeiro:


Graal, 1987.

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz


e Terra, 1987.
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

HEGEL, G. W. F. Estética: a ideia do belo. 4. ed. São Paulo:


Centauro, 2006.

HOOKS, B. Ensinando a transgredir: a educação como prática


da liberdade. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2019.

KANT, I. Crítica da faculdade do juízo. Tradução V. Rohden; A.


Marques. São Paulo: Nova Cultural, 2001.

MACHADO, M. M. Fenomenologia e infância: o direito da


criança a ser o que ela é. Revista Educação Pública, v. 22, n.
49, p. 249-264, 2013.

MARCUSE, H. A dimensão estética. Rio de Janeiro: Zahar,


1973.

PLATÃO. A república. Tradução M. H. da Rocha Pereira. São


Paulo: Martins Fontes, 2006.

RANCIÈRE, J. O espectador emancipado. São Paulo:


Boitempo, 2009.

SILVEIRA, C. Arte e pensamento: uma introdução às teorias


da arte no Ocidente. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2021. E-
book. Disponível em: [Link]
Acesso em: 17 ago. 2025.
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

STEINER, R. A arte na educação II: metodologia e didática no


ensino Waldorf. São Paulo: Antroposófica, 2003.

Aula 3
Aula 3

Videoaula

VIDEOAULA
Olá, estudante!

Nesta videoaula, vamos compreender como a legislação


brasileira assegura o ensino da arte na educação básica.
Vamos explorar a LDB, a BNCC e as Diretrizes Curriculares
Nacionais, além de conhecer os marcos legais voltados à
educação infantil e aos direitos culturais garantidos pela
Constituição. Também refletiremos sobre os desafios das
políticas públicas e o papel do educador na efetivação da
arte como direito à formação estética, crítica e cidadã.

Ponto de partida

PONTO DE PARTIDA
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

PONTO DE PARTIDA
Imagine a seguinte cena: uma escola pública organiza uma
exposição com produções artísticas de suas turmas da
educação infantil ao ensino fundamental. Há desenhos,
colagens, danças, vídeos, encenações e grafismos inspirados
nas culturas indígenas, afro-brasileiras e locais. A
comunidade participa, os estudantes apresentam seus
processos criativos e os professores compartilham como a
arte atravessou o currículo durante o ano. Ao final, uma mãe
comenta: “Nunca pensei que minha filha, tão tímida, fosse
criar uma poesia assim. A escola deu voz a ela”.

Essa cena inspira uma pergunta essencial: o direito à arte


está realmente garantido na escola pública brasileira?
Apesar de constar nas leis, nos currículos e nas diretrizes,
sabemos que muitas escolas ainda enfrentam dificuldades
estruturais, ausência de professores especialistas e falta de
reconhecimento do valor pedagógico da arte. Em alguns
contextos, ela é tratada como atividade complementar,
restrita a datas comemorativas, e não como linguagem
formadora, crítica e plural.

Nesta aula, vamos analisar os fundamentos legais que


asseguram a presença da arte na educação básica, tais como
a LDB, a BNCC e as Diretrizes Curriculares Nacionais.
Também vamos compreender os marcos específicos para a
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

educação infantil e os anos iniciais, além de discutir os


direitos culturais e os desafios das políticas públicas voltadas
ao ensino da arte. A proposta é refletir sobre como o
compromisso com a arte na escola passa não apenas pelo
cumprimento da lei, mas também por um projeto de
educação democrática, estética e culturalmente engajada.
Vamos juntos pensar a arte como um direito de todos e não
um privilégio de poucos.

Vamos começar

VAMOS COMEÇAR
Arte na LDB, BNCC e Diretrizes
Curriculares Nacionais
Figura 1 | Crianças pintando juntas em um painel, explorando
cores e criatividade
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

Fonte: Freepik.

A presença da arte como componente curricular obrigatório


na educação básica brasileira é resultado de um percurso
histórico, político e pedagógico marcado por disputas de
concepções, por conquistas legais e por lutas culturais.
Compreender como a arte é tratada na legislação
educacional do país é fundamental para que educadores
possam defender seu ensino com consciência crítica e
compromisso com a formação integral dos sujeitos.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN nº


9.394/1996) representou um marco ao consolidar o princípio
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

da educação como um direito de todos e um dever do


Estado. No artigo 26, §2º, a LDB já afirmava a
obrigatoriedade do ensino da arte na educação básica,
reconhecendo-a como componente necessário à formação
cultural dos estudantes. Essa previsão foi reforçada com a
Lei nº 13.278/2016, que alterou a redação do artigo 26 da
LDB para assegurar que o ensino de arte, em suas diversas
linguagens (artes visuais, música, dança e teatro), estivesse
garantido nas escolas públicas e privadas da educação
básica. Essa ampliação foi uma resposta a décadas de
mobilização de artistas, educadores e instituições que
reivindicavam um olhar mais abrangente sobre a diversidade
das expressões artísticas e culturais no país.

Outro documento de grande relevância é a Base Nacional


Comum Curricular (BNCC), homologada em 2017 para a
educação infantil e o ensino fundamental, e em 2018 para o
ensino médio. A BNCC estabelece direitos de aprendizagem
e define competências que todos os estudantes brasileiros
devem desenvolver ao longo da vida escolar. No que se
refere à arte, a BNCC a reconhece como componente da
área de linguagens e a organiza em quatro linguagens
específicas: artes visuais, dança, música e teatro. A proposta
parte do pressuposto de que a arte é um modo de
compreender o mundo e de agir sobre ele, sendo, portanto,
essencial ao desenvolvimento da sensibilidade, da
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

imaginação, da criatividade e da autonomia dos estudantes


(Brasil, 2017).

A abordagem da arte na BNCC está fundamentada em


competências gerais que valorizam a expressão, a
sensibilidade, o pensamento crítico e a pluralidade cultural.
A prática artística é entendida como experiência formativa, e
não como atividade meramente técnica ou ilustrativa. Isso
implica uma mudança de paradigma, pois o ensino da arte
deve proporcionar vivências que permitam aos estudantes
criar, fruir, contextualizar e refletir sobre as linguagens
artísticas, reconhecendo sua relevância estética, histórica,
social e política.

Complementando a legislação federal e a BNCC, as Diretrizes


Curriculares Nacionais para o Ensino da Arte na Educação
Básica, aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação em
2006, reforçam a necessidade de que o ensino da arte seja
estruturado de forma a garantir a compreensão e a
valorização da produção artística e cultural dos diferentes
grupos sociais. As diretrizes enfatizam a importância da
interdisciplinaridade, do respeito à diversidade, da formação
docente e da construção de projetos pedagógicos que
considerem as realidades locais e regionais.

Além disso, as diretrizes propõem que o ensino da arte seja


orientado por três eixos articuladores: fazer artístico, leitura
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

da produção artística e contextualização sociocultural. Esses


eixos buscam promover uma formação mais ampla, que não
se restrinja à técnica, mas que integre a experiência, o
pensamento e a crítica. Dessa forma, o ensino da arte
contribui para a formação estética, ética e cidadã dos
estudantes.

Cabe ao professor conhecer e interpretar esses documentos


de forma crítica, reconhecendo neles não apenas obrigações
legais, mas também possibilidades pedagógicas. A legislação
educacional, quando assumida como instrumento de
garantia de direitos, pode fortalecer práticas que valorizem a
arte como linguagem, como expressão da cultura e como
construção de sentido no cotidiano escolar.

Marcos legais da arte na


educação básica
O reconhecimento da arte como direito educacional e
cultural na infância e nos anos iniciais da escolarização é
resultado de um processo histórico de lutas por uma
educação integral e democrática. Ao longo das últimas
décadas, a legislação educacional brasileira tem ampliado o
entendimento de que a arte não é um complemento ou uma
atividade lúdica isolada, mas um componente curricular
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

fundamental, com objetivos formativos próprios desde os


primeiros anos da vida escolar.

A educação infantil, primeira etapa da educação básica,


passou a ser compreendida como espaço de
desenvolvimento integral das crianças em seus aspectos
físico, afetivo, social, cognitivo e simbólico. Nesse contexto, a
arte assume um papel estruturante. A LDB nº 9.394/1996,
em seu artigo 29, estabelece que a educação infantil deve
ser organizada de forma a favorecer o desenvolvimento da
criança em todas as suas dimensões. A inclusão da arte,
portanto, não é apenas legalmente permitida, mas
pedagogicamente necessária, pois contribui para a
ampliação das formas de expressão, de comunicação e de
criação simbólica na infância.

Figura 2 | Crianças fantasiadas em um palco, prontas para uma


apresentação teatral
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

Fonte: Freepik.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reforça essa


compreensão ao propor, para a educação infantil, os
chamados campos de experiências, entre os quais destaca-
se o campo “Traços, sons, cores e formas”, que valoriza a
vivência estética das crianças pequenas. Nesse campo, a
BNCC propõe objetivos de aprendizagem que envolvem o
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

contato com diferentes linguagens artísticas (como música,


dança, desenho, pintura e teatro), o reconhecimento de
produções culturais diversas e a criação de produções
próprias. A intenção é assegurar que, desde a infância, as
crianças possam desenvolver sua sensibilidade, criatividade
e imaginação, tendo acesso a experiências que respeitem
sua singularidade e ampliem sua visão de mundo (Brasil,
2017).

As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil


(2010) e para o Ensino Fundamental (2013) reiteram a
importância da arte na formação humana, defendendo
propostas pedagógicas que integrem a experiência estética à
construção do conhecimento. As diretrizes destacam que o
ensino da arte deve considerar a pluralidade cultural, as
especificidades das infâncias, a articulação entre fazer,
apreciar e contextualizar, e a formação continuada dos
docentes como elemento indispensável para garantir a
qualidade das práticas.

É importante observar que os marcos legais não apenas


reconhecem a arte como direito, mas orientam sua prática
pedagógica para que seja significativa, contextualizada e
crítica. Isso implica valorizar a cultura local e regional,
estimular a expressão das vivências infantis, acolher
diferentes repertórios culturais, inclusive os das
comunidades indígenas, quilombolas e periféricas,
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

promovendo experiências que conectem sensibilidade,


reflexão e invenção.

Para o educador, isso significa compreender a arte como


parte essencial do currículo, com igual importância às
demais áreas do conhecimento. Significa também planejar
atividades que estejam alinhadas com os direitos de
aprendizagem, que respeitem os tempos e os modos de ser
das crianças, e que considerem o brincar, o imaginar, o criar
e o experimentar como formas legítimas de aprender.

Siga em frente

SIGA EM FRENTE
Direitos culturais e educação:
políticas públicas e desafios
O direito à cultura, incluindo o acesso, a fruição e a produção
artística, está garantido pela Constituição Federal de 1988,
que reconhece a cultura como um dos pilares da cidadania e
da dignidade humana. No campo educacional, esse
reconhecimento se desdobra em políticas públicas e em
marcos legais que asseguram o ensino da arte como parte
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

da formação integral, plural e democrática dos sujeitos. No


entanto, entre o que está garantido nos textos legais e o que
é efetivamente vivenciado nas escolas, há uma série de
desafios que precisam ser compreendidos e enfrentados
pelos educadores.

O artigo 215 da Constituição Federal afirma que "o Estado


garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e
acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará
a valorização e a difusão das manifestações culturais". Esse
princípio é ampliado pelo artigo 216, que reconhece como
patrimônio cultural brasileiro "as formas de expressão, os
modos de criar, fazer e viver" das diversas comunidades
formadoras da sociedade. Isso inclui expressões indígenas,
afro-brasileiras, populares, urbanas e periféricas, muitas
vezes marginalizadas no currículo escolar. Garantir o direito
à cultura é, portanto, uma tarefa coletiva que envolve
Estado, escola e sociedade civil.

As políticas públicas educacionais, especialmente a partir da


Constituição de 1988 e da promulgação da LDB nº
9.394/1996, passaram a incorporar a arte como linguagem
formadora e direito pedagógico. Iniciativas como o Programa
Mais Cultura na Escola, lançado em 2013, buscaram
promover a integração entre cultura e educação por meio de
parcerias com artistas, coletivos e espaços culturais locais.
Apesar das dificuldades de continuidade e financiamento,
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

essas políticas evidenciam a importância de pensar a arte


para além da sala de aula tradicional, como linguagem viva,
que atravessa os territórios e a experiência dos estudantes.

Entretanto, os desafios são muitos. Em diversas redes de


ensino, ainda há escassez de professores licenciados em
artes, ausência de espaços adequados (como salas
específicas ou materiais didáticos) e uma visão utilitarista
que subestima o papel da arte na formação intelectual e
sensível dos estudantes. Além disso, políticas culturais
voltadas à infância, à juventude e às periferias urbanas ainda
enfrentam obstáculos estruturais como descontinuidade
institucional, falta de recursos e baixa valorização da cultura
popular.

Outro ponto central é a relação entre direitos culturais e


diversidade. O Brasil é um país marcado por desigualdades
históricas e por múltiplas identidades culturais. Assim,
garantir o ensino da arte nas escolas públicas também
significa promover a valorização das culturas afro-brasileiras,
indígenas, LGBTQIAPN+, quilombolas e tantas outras
expressões que fazem parte da sociedade, mas que
frequentemente são invisibilizadas no currículo. Como
destaca a Convenção sobre a Proteção e Promoção da
Diversidade das Expressões Culturais (Unesco, 2005), a
diversidade cultural deve ser entendida como um bem
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

comum da humanidade e como motor de desenvolvimento


sustentável, inclusão e paz.

Isso implica compreender que o ensino da arte é uma forma


de resistência à homogeneização cultural, à intolerância e ao
apagamento das subjetividades. É necessário assumir a
educação artística como projeto ético e político,
comprometido com o reconhecimento da pluralidade, com o
direito à criação e com a transformação da realidade. Tal
perspectiva exige formação continuada, escuta ativa,
planejamento pedagógico crítico e articulação com as redes
culturais da comunidade.

Garantir o direito à arte é, em última instância, garantir o


direito de existir plenamente. Essa perspectiva se concretiza
quando a escola se dispõe a acolher a multiplicidade de
saberes, estéticas e vozes que configuram a diversidade
cultural brasileira, reconhecendo-a como fundamento de
uma prática educativa plural, crítica e democrática.

Vamos exercitar

VAMOS EXERCITAR
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

Retomando a cena inicial desta aula — a exposição escolar


que mobiliza crianças, professores e comunidade —,
podemos agora compreender o que faz com que
experiências como essa aconteçam ou deixem de acontecer.
Na problematização inicial, perguntamos: o direito à arte
está realmente garantido na escola pública brasileira? Por
que, mesmo assegurada em lei, a arte ainda é tratada em
muitos lugares como algo secundário ou meramente
decorativo?

A resposta passa por diferentes dimensões. Do ponto de


vista legal, a Constituição de 1988, a LDB (1996), a BNCC
(2017) e a Lei nº 13.278/2016 reconhecem a arte como
componente essencial da educação básica e como direito
cultural de todos. Essas normativas garantem que as
múltiplas linguagens artísticas, tais como as artes visuais,
música, teatro e dança, integrem o currículo escolar,
afirmando a arte como campo de conhecimento, expressão
e cidadania. Do ponto de vista pedagógico, entretanto, esse
direito só se concretiza quando há investimento em
formação docente, condições de trabalho e valorização das
práticas artísticas como experiências de aprendizagem e de
construção coletiva de sentidos.

Assim, as perguntas levantadas no início da aula encontram


suas respostas, pois o direito à arte se realiza quando a
escola reconhece a criação como forma de pensamento e
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

quando o professor atua como mediador, capaz de


transformar o currículo em espaço de escuta,
experimentação e diálogo com a diversidade cultural dos
estudantes. Ele se enfraquece, por outro lado, quando a arte
é reduzida a tarefas isoladas, desvinculadas da vida e da
comunidade.

Os desafios persistem, mas também existem caminhos


possíveis. Projetos interdisciplinares, parcerias com artistas e
coletivos locais, uso de espaços comunitários e integração
entre linguagens são estratégias que fortalecem a arte como
prática educativa e cidadã.

Agora é com você: como futuro educador, de que forma sua


prática pode contribuir para que a arte seja efetivamente
garantida como direito na escola pública? Como valorizar as
expressões culturais das infâncias, das juventudes e dos
territórios que a escola acolhe? Que ações concretas podem
transformar o ensino da arte em espaço de autoria,
pertencimento e liberdade?

Lembre-se: defender a arte na educação é defender o direito


de criar, de imaginar e de existir com beleza, crítica e
sensibilidade. É garantir que cada escola possa ser, de fato,
um lugar onde a arte acontece todos os dias.

Saiba mais
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

SAIBA MAIS
Se você deseja ampliar seus conhecimentos das práticas
pedagógicas no ensino da arte, especialmente no campo das
artes visuais, vale a pena conhecer o livro Arelação do
desenho com o ensino da arte, de Elisa Kiyoko Gunzi (2016).
A autora propõe uma reflexão aprofundada sobre o papel do
desenho na formação artística, analisando suas dimensões
poéticas, históricas e avaliativas. A obra também discute o
grafismo infantil, o desenvolvimento do pensamento visual e
os desafios de ensinar arte de forma crítica e sensível. Uma
leitura essencial para quem busca articular teoria e prática
no cotidiano escolar.

Referências

REFERÊNCIAS
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República
Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da União: seção 1,
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

Brasília, DF, 5 out. 1988. Disponível em:


[Link] Acesso em: 17 ago. 2025.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum


Curricular. Brasília, DF: MEC, 2017. Disponível em:
[Link] Acesso em: 17 ago.
2025.

BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 9.394, de 20 de


dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da
educação nacional. Brasília, DF: Ministério da Educação, 23
dez. 1996.

BRASIL. Ministério da Educação. Parecer CNE/CEB nº 2/2006.


Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino da Arte na
Educação Básica. Brasília, DF: Ministério da Educação, 6 abr.
2006.

BRASIL. Ministério da Educação. Programa Mais Cultura na


Escola. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2013. Disponível
em: [Link] Acesso em: 17 ago. 2025.

BRASIL. Ministério da Educação. Resolução CNE/CEB nº


4/2010. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a
Educação Básica. Brasília, DF: MEC, 13 jul. 2010.
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

BRASIL. Ministério da Educação. Resolução CNE/CEB nº


5/2009. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação
Infantil. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 17 dez.
2009.

GUNZI, E. K. A relação do desenho com o ensino da arte:


considerações sobre a teoria e a prática. 1. ed. Curitiba:
Intersaberes, 2016. E-book. Disponível em:
[Link] Acesso em: 17 ago. 2025.

UNESCO. Convenção sobre a proteção e promoção da


diversidade das expressões culturais. Paris: Unesco, 2005.
Disponível em: [Link] Acesso em: 17
ago. 2025.

Aula 4
Aula 4

Videoaula

VIDEOAULA
Olá, estudante!
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

Nesta videoaula, convidamos você a refletir sobre como a


arte pode se tornar uma poderosa aliada na construção de
uma educação mais crítica, sensível e antirracista. Vamos
compreender o papel da cultura visual na formação do olhar
das crianças e explorar práticas pedagógicas que valorizem a
diversidade de corpos, cores e identidades nas produções
artísticas escolares.

Ponto de partida

PONTO DE PARTIDA
Durante uma atividade de desenho livre em uma turma do
2º ano, a professora pediu que as crianças representassem a
própria família. Ao observar os trabalhos, notou que muitas
desenharam casas com chaminés, árvores de maçã e
pessoas de olhos azuis, imagens comuns em desenhos
animados e livros estrangeiros, mas pouco relacionadas à
realidade do grupo. Uma estudante negra, por exemplo,
coloriu sua pele de rosa claro “porque o lápis cor de pele é
esse”. A professora então se perguntou: Por que as crianças
têm dificuldade em se reconhecer nas imagens que
produzem e consomem?
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

Essa situação revela como, desde cedo, a cultura visual


influencia o modo como as crianças percebem a si mesmas e
o mundo. Filmes, desenhos, brinquedos e livros infantis
constroem padrões de beleza, comportamento e identidade
que nem sempre refletem a diversidade cultural brasileira. A
escola, como espaço de formação sensível e crítica, precisa
ajudar os estudantes a verem com atenção e questionar o
que veem, compreendendo que as imagens também
educam e podem tanto incluir quanto excluir.

A arte-educação desempenha papel central nesse processo.


Quando a criança é convidada a observar uma pintura
indígena, a escultura de um artista negro ou uma fotografia
da sua própria comunidade, ela amplia seu repertório e
aprende que existem múltiplas formas de beleza e
expressão. Trabalhar com pedagogias críticas na educação
infantil e nos anos iniciais significa valorizar o olhar da
criança como produtor de sentido e promover experiências
em que o fazer artístico esteja ligado à descoberta de si, do
outro e do entorno.

Nesse cenário, o grande desafio que se coloca ao professor é


compreender como o ensino de arte pode, desde a
educação infantil e os anos iniciais, contribuir para a
formação de um olhar sensível, crítico e inclusivo, capaz de
reconhecer a diversidade de corpos, cores, culturas e
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

histórias presentes nas imagens e nas produções das


próprias crianças.

Essa reflexão convida o educador a transformar o trabalho


com a cultura visual em um espaço de descoberta e
pertencimento, em que a arte deixa de ser apenas expressão
estética para tornar-se linguagem de identidade, respeito e
valorização das diferenças, um exercício cotidiano de ver o
mundo com outros olhos e de se ver representado nele.

Vamos começar

VAMOS COMEÇAR
Cultura visual e leitura crítica de
imagens
Figura 1 | Rostos infantis coloridos representando diversidade e
união
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

Fonte: Freepik.

A cultura visual é um campo de estudo que compreende as


imagens como elementos centrais na construção das
experiências, das identidades e dos modos de ver o mundo.
Em uma sociedade marcada pela presença constante de
telas, fotografias, vídeos e símbolos visuais, compreender a
linguagem das imagens é essencial para formar sujeitos
críticos e capazes de interpretar o mundo que os cerca. Para
Hernández (2007), a educação visual deve ultrapassar a
dimensão estética e alcançar o campo ético e político,
permitindo que estudantes analisem as relações de poder e
representação presentes nas produções imagéticas.
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

No contexto da educação, a cultura visual amplia a noção


tradicional de arte ao incluir manifestações do cotidiano,
como memes, grafites, propagandas, filmes e produções das
redes sociais. Ao trabalhar com esses elementos em sala de
aula, o professor cria pontes entre o universo cultural dos
estudantes e o conhecimento artístico, reconhecendo as
múltiplas linguagens que permeiam suas vivências. Segundo
Martins (2011), a leitura de imagens é um processo
interpretativo e dialógico que envolve observar, descrever,
contextualizar e refletir criticamente sobre o que se vê.
Assim, ensinar arte hoje significa ensinar a ver e a questionar
o que é mostrado.

A leitura crítica de imagens propõe que o olhar do estudante


não se limite à apreciação estética, mas também à
problematização de discursos e estereótipos. Muitas vezes,
as imagens reproduzem hierarquias de gênero, raça e classe,
perpetuando desigualdades simbólicas. Nesse sentido, a
abordagem da cultura visual na escola deve estimular a
consciência sobre quem produz as imagens, de que
perspectiva e com quais intenções. Como defende Dondis
(2015), toda imagem é um texto que comunica valores,
crenças e ideologias, e sua análise crítica possibilita
compreender o papel das representações na formação
social.
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

Figura 2 | Criança brincando com caminhão de brinquedo sobre


uma cidade, representando imaginação e criatividade infantil

Fonte: Freepik.

Nas práticas pedagógicas, a leitura crítica pode ser


desenvolvida por meio de atividades investigativas e
criativas, como a análise de campanhas publicitárias, de
vídeos musicais ou de obras de arte contemporânea,
seguidas de debates e produções autorais. Essa abordagem
transforma o ensino de arte em um espaço de diálogo
intercultural, no qual o estudante é convidado a expressar-se
e a reconhecer diferentes perspectivas visuais. Hernández
(2011) enfatiza que essa postura promove uma
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

“alfabetização visual crítica”, articulando ver, pensar e agir de


forma ética e sensível diante das imagens do mundo.

Portanto, compreender a cultura visual é reconhecer que


educar o olhar é também educar para a cidadania. No
espaço escolar, as imagens são fontes de conhecimento, de
poder e de transformação. O papel do educador é provocar
leituras plurais e conscientes, nas quais o ver se torna um
ato político e emancipador, um exercício de liberdade e de
construção de sentido coletivo.

Arte-educação e pedagogias
críticas
Figura 3 | Criança pintando no chão, expressando criatividade e
liberdade artística
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

Fonte: Pexels.
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

A arte-educação é um campo que compreende o ensino da


arte como prática social, política e cultural, não restrita ao
domínio técnico ou estético, mas articulada à formação
integral do sujeito. Inspirada em perspectivas críticas da
educação, ela propõe que o fazer artístico seja também um
ato de leitura e transformação do mundo. Paulo Freire (1996)
defende que educar é criar possibilidades para a produção
do conhecimento, e não o transferir. Essa concepção se
estende à arte-educação, pois o estudante é convidado a
experimentar, expressar-se e interpretar a realidade a partir
de suas vivências, tornando-se protagonista do processo
criativo.

A pedagogia crítica aplicada ao ensino de arte busca romper


com modelos tradicionais de ensino, que historicamente
priorizaram a reprodução de técnicas e estilos eurocêntricos.
Em vez disso, valoriza o diálogo, a escuta e a pluralidade
cultural. Para Barbosa (2008), o ensino da arte deve
promover uma leitura crítica da cultura, permitindo que o
estudante compreenda as imagens e os símbolos que o
cercam e os reconstrua de maneira autoral e significativa.
Assim, a sala de aula torna-se um espaço de produção de
sentidos, em que o conhecimento é construído
coletivamente, em diálogo com o contexto sociocultural dos
estudantes.
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

A prática docente em arte-educação deve, portanto, articular


três dimensões: a experiência estética, que estimula a
sensibilidade e a criatividade; a dimensão reflexiva, que
promove a leitura crítica e o debate; e a dimensão social, que
reconhece a arte como forma de participação e
transformação. Hernández (2000) reforça que o ensino da
arte, quando vinculado à realidade do estudante,
potencializa o desenvolvimento da consciência crítica e
contribui para a formação de sujeitos éticos e engajados.
Essa abordagem conecta o pensar, o sentir e o agir,
transformando o espaço escolar em território de resistência
e expressão.

Além disso, as pedagogias críticas em arte incorporam


princípios da interculturalidade e da decolonialidade —
entendida como uma perspectiva que busca romper com as
heranças do colonialismo, valorizando saberes e identidades
historicamente marginalizados e questionando as
hierarquias impostas pelo pensamento ocidental.
Reconhecem que toda produção artística é atravessada por
contextos históricos e relações de poder. O professor, nesse
cenário, atua como mediador e pesquisador, capaz de
provocar reflexões sobre representações, estereótipos e
ausências na história da arte. O diálogo com artistas
contemporâneos, especialmente de grupos marginalizados,
permite ao estudante confrontar narrativas dominantes e
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

perceber a arte como campo de disputa simbólica e de


afirmação identitária.

Assim, a arte-educação crítica não se limita a ensinar arte,


mas a utiliza como meio de aprender sobre o mundo e si
mesmo. Ela forma sujeitos reflexivos e conscientes de seu
papel social, cultivando a autonomia e a imaginação como
práticas de liberdade. Como propõe Freire (1989), ninguém
educa ninguém, ninguém se educa sozinho, os homens se
educam em comunhão, mediatizados pelo mundo, e a arte é
uma das mais potentes linguagens dessa comunhão.

Siga em frente

SIGA EM FRENTE
Estéticas negras, indígenas e
periféricas na educação
Figura 4 | Retrato artístico que combina rostos e texturas,
simbolizando identidade, memória e resistência
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

Fonte: Freepik.

Reconhecer e valorizar as estéticas negras, indígenas e


periféricas na educação é um passo fundamental para a
construção de uma escola verdadeiramente democrática e
plural. Essas estéticas revelam modos diversos de sentir,
representar e habitar o mundo, frequentemente silenciados
pelas narrativas hegemônicas da história da arte ocidental.
Ao trazer essas expressões para o currículo, o ensino de arte
contribui para o enfrentamento do racismo estrutural, da
invisibilização cultural e das desigualdades simbólicas que
ainda persistem na sociedade brasileira.
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

A Lei nº 10.639/2003, ampliada pela Lei nº 11.645/2008,


determina o ensino da história e cultura afro-brasileira e
indígena em todos os níveis de ensino, reforçando o
compromisso da escola com uma educação antirracista. No
campo da arte, isso implica ampliar o repertório de artistas,
linguagens e referências visuais, incluindo produções de
origem africana, ameríndia e periférica. Como destaca
Gomes (2017), trabalhar com essas expressões é mais do
que incluir novos conteúdos: é transformar o olhar
pedagógico e compreender que o conhecimento é múltiplo,
situado e historicamente produzido.

As estéticas negras, por exemplo, expressam a potência


criadora de um povo que ressignifica a dor da opressão em
beleza e resistência. O samba, o maracatu, a capoeira, as
esculturas em madeira e as pinturas afro-brasileiras são
exemplos de linguagens que articulam corpo, ritmo e
ancestralidade. De modo semelhante, as estéticas indígenas
revelam uma profunda relação entre arte, natureza e
espiritualidade, em que o fazer artístico é também gesto
ritual, memória e narrativa coletiva. Segundo Kopenawa e
Albert (2015), a arte indígena não é objeto, é espírito que
caminha com o povo, evidenciando uma concepção de arte
integrada à vida e à cosmologia.

Figura 5 | Mãos trançando fibras naturais, simbolizando saberes


tradicionais e cultura artesanal dos povos originários
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

Fonte: Freepik.

Nas periferias urbanas, por sua vez, emergem expressões


contemporâneas que desafiam as fronteiras entre arte,
política e ativismo. O grafite, (batalha de poesia falada de
caráter performático e competitivo), o rap e as performances
de rua são manifestações que ocupam o espaço público e
denunciam as desigualdades sociais, ao mesmo tempo que
afirmam identidades e pertencimentos. Silva e Barbosa
(2022) destacam que essas produções revelam novas
pedagogias visuais, capazes de engajar os estudantes e
promover o reconhecimento de suas próprias realidades
culturais. Inserir essas linguagens no ensino da arte é
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

reconhecer o valor epistemológico das vozes periféricas e


fomentar a produção estética como ato de cidadania.

Portanto, abordar as estéticas negras, indígenas e periféricas


na escola é um gesto político e pedagógico. É construir um
currículo que acolhe a diversidade e desafia o
eurocentrismo, formando sujeitos que aprendem a ver o
mundo por múltiplas perspectivas. A arte, nesse contexto,
torna-se instrumento de resistência e diálogo intercultural,
uma linguagem que educa o olhar, amplia a sensibilidade e
fortalece o compromisso com a justiça social.

Vamos exercitar

VAMOS EXERCITAR
Retomando a situação apresentada no início da aula, em que
uma professora percebeu seus estudantes desenhando
famílias e personagens com traços distantes de sua
realidade, podemos perceber que o olhar das crianças é
constantemente moldado pelas imagens que consomem. A
cultura visual presente em desenhos animados,
propagandas, aplicativos e brinquedos cria padrões estéticos
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

e simbólicos que influenciam o modo como elas se veem e


representam o mundo.

É preciso reconhecer que a arte é um direito e uma forma de


expressão, e que a escola tem papel decisivo na ampliação
das experiências estéticas das crianças. Ao planejar
atividades que envolvam observação, diálogo e criação, o
professor de arte ajuda os estudantes a desenvolverem
autonomia para pensar e expressar-se visualmente. É por
meio da leitura crítica de imagens que as crianças aprendem
a perceber as mensagens implícitas em uma ilustração, a
questionar estereótipos e a valorizar diferentes corpos, cores
e culturas.

Uma proposta concreta seria organizar uma roda de


conversa com imagens diversas, como retratos de artistas
negros e indígenas, pinturas contemporâneas, fotografias de
famílias brasileiras e obras de crianças de diferentes regiões.
A mediação do professor deve provocar perguntas simples,
mas potentes: Quem aparece nessa imagem? Que cores e
formas chamam a sua atenção? Como você se sente ao olhar
para ela? Essas perguntas estimulam a observação sensível e
o pensamento crítico, permitindo que as crianças se
expressem e aprendam a ler o mundo com o olhar e com o
coração.
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

Em seguida, o educador pode propor uma produção artística


inspirada nas referências discutidas, um autorretrato, uma
pintura coletiva, um mural com colagens e desenhos da
comunidade escolar. O importante é que a atividade
favoreça o reconhecimento de si e do outro, reforçando o
sentimento de pertencimento e o respeito às diferenças.

Ao fazer isso, o professor cumpre um duplo papel, garante o


direito de aprender arte e utiliza a arte como ferramenta de
educação para a diversidade. Assim, as crianças
compreendem que as imagens não são neutras, elas contam
histórias, afirmam identidades e constroem significados.
Exercitar o olhar, nesse contexto, é um gesto político e
poético: é aprender a enxergar o mundo em suas múltiplas
cores, vozes e formas de existir.

Saiba mais

SAIBA MAIS
Para aprofundar sua reflexão sobre o papel da arte e da
educação na construção de uma escola plural e antirracista,
recomendamos a leitura do livro A construção social
dacidadania em uma sociedade intercultural: o ensino da
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

cultura e da históriaafricana e afro-brasileira em sala de aula,


de Diogo da Silva Roiz e Jonas Rafael dos Santos (2020). A
obra reúne reflexões de pesquisadores e educadores que
analisam os desafios e as conquistas da implementação da
Lei nº 10.639/2003, destacando a importância do ensino da
cultura africana e afro-brasileira como prática de justiça
social e reconstrução de olhares sobre a história e a arte.

Referências

REFERÊNCIAS
BARBOSA, A. M. Arte-educação: leitura no subsolo. 6. ed. São
Paulo: Cortez, 2008.

BRASIL. Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei nº


9.394/1996, para incluir no currículo oficial da rede de ensino
a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-
Brasileira”. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 10
jan. 2003. Disponível em:
[Link]
Acesso em: 4 nov. 2025.
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

BRASIL. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Altera a Lei nº


9.394/1996, para incluir no currículo oficial a obrigatoriedade
da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.
Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 11 mar. 2008.
Disponível em:
[Link]
2010/2008/lei/[Link]. Acesso em: 4 nov. 2025.

DONDIS, D. A. Sintaxe da linguagem visual. 3. ed. São Paulo:


Martins Fontes, 2015.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à


prática educativa. 43. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 32. ed. Rio de Janeiro: Paz


e Terra, 1989.

GOMES, N. L. O movimento negro educador: saberes


construídos nas lutas por emancipação. 2. ed. Petrópolis:
Vozes, 2017.

HERNÁNDEZ, F. Cultura visual, mudança educativa e projeto


de trabalho. Porto Alegre: Artmed, 2000.

HERNÁNDEZ, F. Cultura visual, mudança educativa e projeto


de trabalho. Porto Alegre: Artmed, 2007.
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

HERNÁNDEZ, F. Educação visual e cultura da imagem. Porto


Alegre: Mediação, 2011.

KOPENAWA, D.; ALBERT, B. A queda do céu: palavras de um


xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

MARTINS, M. C. Leitura de imagens na escola. São Paulo:


Moderna, 2011.

ROIZ, D. S.; SANTOS, J. R. A construção social da cidadania em


uma sociedade intercultural: o ensino da cultura e da história
africana e afro-brasileira em sala de aula. 1. ed. Campinas:
Autores Associados, 2020. E-book. Disponível em:
[Link] Acesso em: 4 nov. 2025.

SILVA, T. P.; BARBOSA, A. M. Arte e periferia: pedagogias


visuais e resistências contemporâneas. São Paulo: Cortez,
2022.

Aula 5
Aula 5

Ponto de chegada

PONTO DE CHEGADA
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

PONTO DE CHEGADA
Olá, estudante!
Nesta unidade, percorremos os fundamentos filosóficos,
estéticos e políticos que sustentam o ensino da arte na
educação. Compreendemos que a arte é muito mais do que
uma atividade complementar, ela é uma forma de
conhecimento, um direito cultural e um meio de expressão
que humaniza, sensibiliza e transforma. Ao longo dos
estudos, aprendemos que educar com arte é reconhecer o
sujeito como criador e intérprete do mundo, capaz de
atribuir sentido às suas experiências por meio das
linguagens simbólicas que atravessam a vida cotidiana.

A arte, ao longo da história, assumiu diferentes funções, do


sagrado ao político, do estético ao educativo. Pensadores
como Kant, Hegel, Dewey, Freire e Rancière nos ajudaram a
entender que ela não apenas representa a realidade, mas
também a questiona e a reinventa. Quando a escola
reconhece essa potência, o ensino da arte deixa de ser mera
reprodução de modelos e passa a ser um espaço de
investigação, de liberdade e de pensamento crítico. Nessa
perspectiva, o fazer artístico se torna um gesto de leitura e
autoria sobre o mundo.

Refletimos também sobre o papel da arte como direito


humano e dimensão essencial da cidadania. A Constituição
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

Federal, a LDB e a BNCC asseguram o acesso à arte como


parte da formação integral de todos os estudantes. Contudo,
mais do que cumprir uma exigência legal, ensinar arte é
afirmar o direito de cada sujeito a criar, imaginar e participar
da vida cultural. A efetivação desse direito depende de
práticas pedagógicas que valorizem a diversidade, a escuta e
as expressões culturais que emergem dos territórios e das
identidades dos estudantes.

Outro ponto fundamental discutido foi o caráter político da


arte. Em contextos marcados por desigualdades, ela se torna
linguagem de resistência, denúncia e reexistência. As
manifestações afro-brasileiras, indígenas, populares e
periféricas ampliam o repertório estético da escola e
rompem com visões hegemônicas de cultura. Quando o
professor abre espaço para essas vozes, a escola se torna
mais plural, mais democrática e mais próxima das realidades
que a constituem.

Com base nas leituras de Ana Mae Barbosa, Stela Barbieri,


Marina Machado e outros autores da arte-educação,
compreendemos que o ensino da arte envolve três
dimensões indissociáveis: o fazer, o apreciar e o
contextualizar. Ensinar arte é criar experiências que
despertem a sensibilidade, a reflexão e a autoria, unindo o
conhecimento técnico à experiência estética e social dos
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

estudantes. É nesse diálogo entre pensamento e criação que


o aprendizado se torna significativo.

Ao concluir esta unidade, espera-se que você reconheça a


arte como linguagem que atravessa o corpo, a cultura e a
educação. Que possa ver nela não apenas um conteúdo
curricular, mas uma forma de conhecer e de viver o mundo
com empatia, criticidade e imaginação. Educar com arte é
educar para a liberdade: a liberdade de sentir, de expressar
e de criar novas formas de ser e de estar no mundo.

Videoaula de encerramento

VIDEOAULA DE
ENCERRAMENTO
Nesta videoaula, vamos refletir sobre como a arte pode
transformar a educação em uma experiência de criação,
diálogo e liberdade. Você vai redescobrir o poder das
linguagens artísticas como caminhos para a formação
humana, reconhecendo nelas o direito de expressar, sentir e
imaginar outros mundos possíveis. É hora de encerrar este
percurso com inspiração, sensibilidade e pensamento crítico.
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

É hora de praticar

É HORA DE PRATICAR
Alfabetizar com sentido: O
desafio de Elisa no 1º ano
Marta é professora de Arte em uma escola municipal
localizada na periferia de uma cidade de médio porte. Sua
turma do 4º ano é formada por 28 estudantes, com perfis
socioculturais diversos: há filhos de trabalhadores rurais,
imigrantes e famílias em vulnerabilidade social. A escola,
embora comprometida com uma proposta inclusiva,
enfrenta dificuldades estruturais, como a falta de materiais,
espaço reduzido e poucos projetos voltados às linguagens
artísticas.

Certa manhã, Marta propôs uma atividade envolvendo


desenhar o que cada estudante mais gostava em seu bairro.
Esperava encontrar praças, casas, igrejas, mas se
surpreendeu com as produções. Um aluno desenhou a mãe
vendendo frutas na feira; outro retratou o campo de futebol
de terra; uma menina desenhou o céu “cheio de barulho e
pipas”. Cada traço parecia conter uma história, uma
memória, uma afirmação de pertencimento. Ao compartilhar
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

os desenhos, Marta percebeu o quanto as expressões das


crianças revelavam modos próprios de ver o mundo e o
quanto a escola, muitas vezes, ignorava essas vozes. Então,
ela se perguntou: Como transformar a aula de arte em um
espaço de criação, escuta e reconhecimento das identidades
culturais dos estudantes?

Questões norteadoras:

1. Como o ensino da arte pode contribuir para o


reconhecimento das identidades culturais e das
experiências dos estudantes?
2. De que forma o professor pode articular o fazer artístico
com o direito à expressão e à diversidade cultural na
escola?
3. Quais estratégias pedagógicas podem fortalecer o
vínculo entre arte, comunidade e formação humana?

Caminhos possíveis de resolução:

O primeiro passo de Marta é compreender que o ensino da


arte não se restringe à técnica, mas envolve escuta, diálogo e
valorização das experiências culturais dos estudantes. A
partir dessa compreensão, ela organiza um projeto chamado
“Arte que Conta Histórias”, no qual as crianças são
convidadas a representar, por meio de desenhos, colagens,
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

dramatizações e músicas as histórias, pessoas e paisagens


que fazem parte de suas vidas.

Durante as aulas, Marta propõe:

Rodas de conversa sobre o que cada obra representa,


estimulando o olhar crítico e a escuta entre os colegas.
Exposições coletivas nos corredores da escola, com
textos curtos explicando as produções e ampliando o
diálogo com a comunidade.
Exploração de referências culturais diversas,
apresentando artistas indígenas, afro-brasileiros,
periféricos e contemporâneos.
Parcerias com a comunidade local, como oficinas com
artesãos e músicos do bairro, para integrar saberes e
vivências ao currículo.

Essas ações possibilitam que os estudantes se reconheçam


como autores e produtores culturais, fortalecendo sua
autoestima e seu sentimento de pertencimento. Além disso,
promovem uma concepção de arte alinhada aos direitos
humanos e à educação estética, ética e cidadã.

Marta compreende que educar com arte é mais do que


ensinar a desenhar ou pintar, é criar condições para que
cada estudante exerça o direito de imaginar, sentir e
transformar o mundo. Sua prática reafirma a arte como
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

espaço de liberdade, pluralidade e resistência, no qual toda


criança tem o direito de criar e ser criada pelo encontro com
a beleza, a cultura e a vida.

Dê o play

DÊ O PLAY
No podcast proposto nesta unidade, você vai conhecer uma
história que nos convida a refletir sobre a arte como direito,
expressão e potência educativa. A partir da trajetória de uma
professora e de seus estudantes, vamos explorar como a
criação artística pode dar voz às experiências, fortalecer
identidades e transformar o cotidiano escolar. Dê o play e
descubra o poder de educar com arte!

Assimile

ASSIMILE
O infográfico Educação e artes: o direito de criar e
transformar sintetiza os principais conceitos discutidos na
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

Unidade 1 da disciplina. Ele apresenta a arte como um


direito humano, uma linguagem que educa o olhar, desperta
a imaginação e valoriza a diversidade cultural.

Organizado em cinco tópicos, o material evidencia como a


arte está presente na formação integral dos sujeitos,
articulando estética, política e educação. Mais do que uma
área curricular, a arte é um espaço de escuta, expressão e
transformação, um convite para que educadores e
estudantes exerçam plenamente o seu direito de criar.

Educação e artes: o direito de criar e transformar


Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

Referências
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

REFERÊNCIAS
BARBIERI, S. A arte de educar com sensibilidade. São Paulo:
Summus, 2012.

BARBOSA, A. M. A imagem no ensino da arte: anos de


formação estética e crítica. 12. ed. São Paulo: Perspectiva,
2010.

BAUMGARTEN, A. G. Aesthetica. Frankfurt: Olms, 1750.

BOAL, A. O teatro do oprimido e outras poéticas políticas. 12.


ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum


Curricular. Brasília, DF: MEC, 2017. Disponível em:
[Link] Acesso em: 5 nov.
2025.

CHAUI, M. Convite à filosofia. 13. ed. São Paulo: Ática, 2000.

DEWEY, J. Arte como experiência. São Paulo: Martins Fontes,


2010.
Disciplina

EDUCAÇÃO E ARTES

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz


e Terra, 1987.

HERNÁNDEZ, F. Cultura visual, mudança educativa e projeto


de trabalho. Porto Alegre: Artmed, 2000.

HOOKS, B. Ensinando a transgredir: a educação como prática


da liberdade. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2019.

MACHADO, M. Arte e educação: experiência, criação e


conhecimento. Belo Horizonte: Autêntica, 2013.

MARCUSE, H. A dimensão estética. Rio de Janeiro: Zahar,


1973.

RANCIÈRE, J. O espectador emancipado. São Paulo:


Boitempo, 2009.

SILVEIRA, C. Arte e pensamento: uma introdução às teorias


da arte no Ocidente. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2021.

STEINER, R. A arte na educação II: metodologia e didática no


ensino Waldorf. São Paulo: Antroposófica, 2003.

ZANINI, W. Arte e história da arte. Estudos Avançados, São


Paulo, v. 8, p. 487-489, 1994.

Você também pode gostar