Ele tem nove meses.
– Ben estava checando as informações com a mãe ansiosa, enquanto Celeste suava por detrás da
máscara. – Está correto? – Somente nove meses – disse a mãe. – Eu sei que ele parece ser mais velho. – Há quanto
tempo ele está doente? – perguntou Ben. – Ele começou a vomitar ontem, três vezes, talvez quatro. – E hoje de manhã?
– Ele disparava perguntas, enquanto continuava a examinar o bebê e pedia uma dose extra de fluidos para ele. Celeste
já o havia colocado no balão de oxigênio, e os pediatras estavam a caminho, mas Ben estava examinando o abdômen do
menino cuidadosamente, preocupado e pensando se eles não estavam precisando mesmo era dos cirurgiões. – De que
cor era o vômito? – Verde. – Certo... – Ele verificou a fralda do bebê e, ainda não satisfeito com o exame do abdômen,
pediu a Meg que avisasse a equipe cirúrgica. Depois de falar rapidamente com a mãe, ele telefonou para o setor de
imagens para solicitar um ultrassom urgente. – Eu acho que é um íleo – disse Ben, esperando ao telefone no posto das
enfermeiras, enquanto Celeste lavava cuidadosamente as mãos na pequena pia, e mesmo assim, de forma
incrivelmente irritante, ele empurrou a garrafa de álcool na direção dela, quando ela foi enxugar as mãos. – E esse
diagnóstico significa que eu posso entrar lá sem máscara, agora? – Celeste perguntou, e então franziu a testa. – Ou será
que isso virou uma doença transmitida pelo ar, de repente? – Ela observou a mandíbula dele tensionando. – Você só
precisa ter cuidado – Ben observou. – Nessa idade, ele pode ter sarampo, catapora, caxumba... Aqui. – Ele empurrou a
garrafa de álcool na direção dela novamente, enquanto ela se sentava no banquinho para fazer suas anotações, mas ela
a ignorou. – Você deveria usar isto – ele insistiu. – Por quê? – Celeste desafiou. – Porque nós ainda não sabemos o que
há de errado com o bebê, e porque você deveria... – Ben. – Ela fez um clique com a caneta, colocando-a na mesa. –
Embora eu agradeça sua preocupação, eu realmente não preciso que você cuide de mim. – Eu não estou cuidando de
você... Eu só estou... – Deixando-me paranoica! – disse Celeste. – Ben, eu posso derrotar você nesse joguinho de
paranoia sobre gravidez qualquer dia! Ele duvidava, mas segurou a língua. – Eu só estou me certificando de que você
tome as precauções devidas – ele disse. – Eu já falei com o meu obstetra, com a enfermeira especializada em doenças
infecciosas, com Meg, e estou tomando as precauções que todo mundo toma. Estou sendo o mais prudente e cuidadosa
possível, mas lidar com pessoas doentes faz parte do trabalho de enfermeira – ela disse calmamente. – Eu não vejo qual
é o problema em tomar algumas precauções a mais – ele resmungou. – Eu não posso andar por aí em uma roupa de
astronauta – disse Celeste –, e nem as enfermeiras nas alas de pediatria ou oncologia, nem as operadoras de raio-X que
não sabem se estão grávidas, mas podem estar... – Ela podia ver as linhas na testa dele diminuindo, enquanto a
enfermeirachefe falava de forma ríspida com a funcionária responsável pelos registros. – E tudo o que podemos fazer é
sermos sensatas, todo o tempo, não apenas quando estamos visivelmente grávidas, então, obrigada pela sua
preocupação; e não, eu não vou usar isto... – ela empurrou a garrafa de álcool de volta para ele –, porque acontece que
eu sou alérgica. – Tudo bem! – Ben estourou, mais irritado consigo mesmo do que com ela. Se o médico dela estava
contente em deixá-la trabalhar, e o hospital ainda a estava empregando, se Celeste queria continuar trabalhando, bem,
não era da conta dele. Então, por que ele estava tão preocupado com ela? Aquilo o incomodou o dia inteiro e, mais
tarde, durante a noite, quando, confuso, ele foi ao supermercado e, parado com a cestinha na mão, decidiu comprar filé
orgânico porque era melhor para o bebê; o que, mais uma vez, não era algo com que ele devesse se importar. De
qualquer modo, ele colocou o produto na cestinha e ainda incluiu uma caixa de suco de laranja enriquecido com ferro.
Ele sabia que estava exagerando, e tinha todos os motivos para isso. Dentro de poucos dias, seria o aniversário da morte
de Jen, e não era de se espantar que ele estivesse chateado. Mas resolveu fazer o que sempre fazia, e escolheu não
pensar no assunto. Uma rotina muito tênue havia se estabelecido; não todos os dias, nem dia sim, dia não, mas de vez
em quando. Ele ia até o apartamento dela, perguntava se ela queria jantar, ou ouvia quando ela vinha regar os girassóis
à sua porta e colocava a cabeça para fora para perguntar se ela queria ver um filme, ou algo assim. Era uma boa
companhia, só isso. E ela estava muuuuuito contente. Contente de não ter que se esforçar para ser inteligente demais, e
simpática demais, como ela fazia quando estava no trabalho; era tão bom poder conversar e reclamar à vontade, ou
sentar-se com os pés para cima, apoiados na mesinha de centro dele, e assistir a um filme. E nunca, nem uma vez
sequer, ele lhe passou um sermão, nem questionou a decisão dela de continuar trabalhando. Até o final da trigésima
terceira semana, até aquela noite quando, satisfeita depois de jantar filé orgânico e salada com suco de laranja
enriquecido com ferro, ela se levantou do sofá e Ben olhou para o relógio. – São só oito e meia. – Eu estou querendo
deitar cedo hoje. – Você está de folga amanhã. – Ben franziu a testa, acompanhando-a com relutância até a porta.
Durante as noites seguintes, a última coisa que ele queria era a própria companhia. – Você tem certeza de que está
bem? – Eu tenho uma consulta com o médico amanhã. Eu quero… – Certifique-se de descansar bastante, para poder
enganá-lo – disse Ben, e então interrompeu-se, os músculos de sua mandíbula tensionando, porque o que ela fazia ou
deixava de fazer não era nada da conta dele. – Eu preciso trabalhar mais algumas semanas – disse Celeste, e Ben não
comentou nada. Ele simplesmente forçou um sorriso e abriu a porta, dizendo a si mesmo que ela não precisava de um
sermão, só de um amigo, mas estava ficando cada vez mais difícil para ele segurar a língua. Então, ela desabou a chorar.