MODELO DE RELATÓRIO – TESTE WISC-IV
Identificação
Data da aplicação: ____/____/____
Nome do avaliado: ___________________________________
Filiação:__________________________________________
Lateralidade manual:______________
Idade: _______ Sexo: _______ Série escolar: ____________________________
Motivo da avaliação: ________________________________________________
1. Contextualização e Objetivos – Descrição da demanda/ queixa:
Breve apresentação do histórico relevante (escolaridade, desempenho acadêmico, queixas
ou solicitações).
Descrever o objetivo da avaliação: por exemplo, compreender o funcionamento cognitivo
global e os índices específicos.
2. Procedimentos Metodológicos
Instrumento utilizado: WISC-IV (Escala Wechsler de Avaliação da Inteligência para
Crianças e Adolescentes – Quarta Edição).
Citar manual: WECHSLER, D. WISC-IV: Escala Wechsler de Inteligência para
Crianças. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2013.
Descrever condições de aplicação: ambiente, interrupções, comportamento da criança,
motivação.
Informar subtestes aplicados, tempo total, regras de interrupção, observações relevantes.
3. Resultados
Apresentar tabela ou síntese com pontuações brutas, escores padronizados, percentis e
classificação.
Incluir índices fatoriais (ICV, IOP, IMO, IVP) e o QI Total.
Interpretar brevemente cada índice e descrever observações comportamentais (atenção,
motivação, fadiga, estratégias).
4. Análise e Discussão dos Resultados
Interpretar os resultados considerando a demanda, contexto e histórico do avaliado.
Apontar áreas de força e vulnerabilidade cognitiva, articulando com desempenho
escolar e comportamento observado.
Evite rótulos, julgamentos e conclusões sem fundamento
Em avaliações psicológicas não podemos usar termos que rotulam, patologizam ou
sugerem diagnósticos sem evidências claras e sem respaldo teórico.
O relatório deve descrever o comportamento observado, interpretar os dados de forma
técnica e fundamentada, e manter sempre postura ética, cuidadosa e respeitosa.
Exemplos de termos e práticas que NÃO devem ser usados:
“A criança é preguiçosa.”
“Ele é desatento porque não quer fazer as coisas.”
“É muito impulsivo, certeza que tem TDAH.”
“Comportamento problemático.”
“Aluno com inteligência baixa.”
“Ela é agressiva.”
“Não tem capacidade.”
“Criança difícil.”
Qualquer expressão de julgamento pessoal.
Esses termos não são descritivos, não são técnicos, e não respeitam os princípios
éticos da profissão.
Como escrever de forma correta e profissional
Use descrições observáveis
Em vez de rotular, descreva o comportamento concreto, específico e observável:
“Durante a aplicação, levantou-se da cadeira três vezes sem aviso.”
“Solicitou repetição das instruções em algumas tarefas.”
“Mostrou dificuldade em manter a atenção por longos períodos.”
“Demonstrou ansiedade antes de iniciar tarefas temporizadas.”
Use formulações técnicas e fundamentadas
“Desempenho abaixo da média no Índice de Velocidade de Processamento.”
“Padrão de resposta consistente com dificuldades de memória operacional.”
“Observou-se resistência inicial à tarefa, que diminuiu após explicações
adicionais.”
“O comportamento pode sugerir necessidade de investigação adicional, mas não
permite concluir diagnóstico.”
Diferencie hipótese de conclusão
Hipótese: “Os achados sugerem a possibilidade de dificuldades atencionais que
devem ser investigadas em contexto clínico.”
Nunca como conclusão: “Ele tem TDAH.” (especialmente em atividades
acadêmicas)
Utilize linguagem centrada na pessoa
Em vez de “criança hiperativa”, use:
“Criança que apresentou comportamento de inquietação motora durante a
sessão.”
Em vez de “baixa inteligência”, use:
“Desempenho dentro da faixa inferior da média na habilidade X.”
Interpretar os resultados à luz da demanda e do contexto: quais são os pontos de força
cognitiva (ex: IOP “acima da média”), quais são os pontos de vulnerabilidade (ex: IMO
“inferior”), e como eles podem se relacionar com desempenho escolar, estilos de
aprendizagem, comportamento, entre outros.
Considerar limitação do instrumento, natureza transversal da avaliação, contexto
de aplicação, fatores extrínsecos (motivação, saúde, ambiente).
Articular com literatura e teorias pertinentes: ex: implicações teóricas da Memória
de Trabalho para aprendizagem; relação entre velocidade de processamento e
leitura/discalculia; uso da escala no contexto de avaliação neuropsicológica ou
psicoeducacional.
Limitações: “Este relatório se baseia em uma aplicação pontual, com finalidade
acadêmica, apresentada sob supervisão”.
Recomendações práticas: ex: adaptar tarefas escolares, oferecer reforço em áreas
de dificuldade, promover atividades que fortaleçam a memória operacional,
sugerir acompanhamento psicopedagógico.
5. Conclusão
Síntese dos principais achados e considerações sobre o funcionamento cognitivo global.
Apontar recomendações práticas e possíveis encaminhamentos (ex: acompanhamento
psicopedagógico, reavaliação futura).
6. Referências
WECHSLER, D. WISC-IV: Escala Wechsler de Inteligência para Crianças. Manual
Técnico. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2013.
Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 009/2018 – Diretrizes para Avaliação
Psicológica.
RELATÓRIO PSICOLÓGICO – WISC-IV
(Exemplo fictício para fins acadêmicos)
Identificação
Data da aplicação: 10/05/2026
Nome do avaliado: João Miguel Fulano de Souza.
Filiação: ...
Lateralidade manual: Destro
Idade: 11 anos e 2 meses
Sexo: Masculino
Série escolar: 6º ano do Ensino Fundamental
Motivo da avaliação: Investigação do funcionamento cognitivo devido a
oscilações no desempenho escolar, dificuldades atencionais relatadas pela
escola e queixas relacionadas à organização das atividades acadêmicas.
1. Contextualização e Objetivos
João Miguel foi encaminhado para avaliação psicológica em razão de
dificuldades observadas no contexto escolar, especialmente relacionadas à
manutenção da atenção, esquecimentos frequentes de instruções e
inconsistência no desempenho acadêmico. Segundo relatos familiares e
escolares, apresenta bom repertório verbal, criatividade e facilidade em
conteúdos visuais, embora demonstre maior dificuldade em tarefas que exigem
organização sequencial, memória auditiva e sustentação prolongada da atenção.
A presente avaliação teve como objetivo investigar o funcionamento intelectual
global e analisar os diferentes domínios cognitivos avaliados pela Escala
Wechsler de Inteligência para Crianças – WISC-IV, identificando áreas de
potencialidade e vulnerabilidade cognitiva.
2. Procedimentos Metodológicos
Foi utilizada a Escala Wechsler de Inteligência para Crianças – Quarta
Edição (WISC-IV).
Referência:
WECHSLER, D. WISC-IV: Escala Wechsler de Inteligência para Crianças. São
Paulo: Casa do Psicólogo, 2013.
A aplicação ocorreu em ambiente adequado, silencioso e livre de interrupções
externas. Foram realizadas duas sessões individuais, com duração aproximada
de 1h30 cada.
Durante a avaliação, João Miguel apresentou comportamento colaborativo,
mantendo bom vínculo com o examinador. Demonstrou interesse nas atividades
visuais e maior motivação diante de tarefas envolvendo raciocínio perceptual.
Em atividades que exigiam memória auditiva sequencial e manipulação mental
de informações, observou-se aumento do esforço cognitivo, necessidade
ocasional de repetição das instruções e oscilações atencionais.
Foram aplicados os subtestes necessários para composição dos índices fatoriais
e do Quociente de Inteligência Total (QIT), conforme orientações técnicas do
manual.
3. Resultados
WISC-IV:
Índice Pontuação Percentil Classificação
QI Total 109 73
Média
Compreensão Verbal 106 66
Média
Organização Perceptual 120 91
Superior
Memória Operacional 94 34
Média
Velocidade de Processamento 103 58
Média
Subtestes do WISC-IV
15
14
13 13 13
12 12
11 11
10
9 9
8
Escores Ponderados
Series1
Valores dentro do esperado: Acima de 8 pontos. Resultados abaixo de 8
pode indicar dificuldades. A faixa amarela indica valores dentro do
esperado, acima da faixa amarela indica resultados acima da média, e
abaixo pode sugerir dificuldades.
Interpretação dos Índices
QI Total (QIT)
O QI Total (109; percentil 73) situa o funcionamento intelectual global dentro da
faixa média, indicando desempenho cognitivo geral compatível com o esperado
para a faixa etária. O resultado sugere preservação global das habilidades
intelectuais avaliadas pelo instrumento, sem indicativos de comprometimentos
cognitivos generalizados.
Índice de Compreensão Verbal (ICV)
O Índice de Compreensão Verbal (106; percentil 66) evidencia funcionamento
adequado das habilidades relacionadas ao raciocínio verbal, compreensão de
conceitos, formação categorial e recuperação de informações semânticas.
Durante as tarefas verbais, João Miguel demonstrou boa capacidade de
argumentação, compreensão das perguntas e elaboração de respostas
coerentes.
Sob a perspectiva do modelo CHC, o desempenho sugere funcionamento
preservado do fator Gc (Conhecimento Cristalizado), relacionado à aquisição e
utilização de conhecimentos verbais previamente aprendidos.
Índice de Organização Perceptual (IOP)
O Índice de Organização Perceptual (120; percentil 91) configurou-se como
principal ponto forte do perfil cognitivo, situando-se na faixa superior. O
desempenho sugere elevada capacidade de raciocínio não verbal, percepção
visuoespacial, análise de relações espaciais e resolução de problemas com
baixa dependência da linguagem.
Durante as tarefas perceptuais, observou-se rapidez na identificação de padrões
visuais, boa organização visuoconstrutiva e persistência diante de desafios
cognitivos mais complexos.
Esse resultado sugere importante potencial em habilidades relacionadas ao
processamento visual e raciocínio fluido.
Índice de Memória Operacional (IMO)
O Índice de Memória Operacional (94; percentil 34) permaneceu dentro da
média normativa, embora represente a principal vulnerabilidade relativa do perfil
intraindividual.
Os resultados sugerem menor eficiência em tarefas que exigem manutenção
temporária e manipulação ativa de informações auditivo-verbais, especialmente
sob maior demanda atencional.
Durante a avaliação, João Miguel apresentou dificuldade ocasional em reter
sequências auditivas extensas, necessitando de maior esforço cognitivo em
tarefas que exigiam controle mental simultâneo e atualização contínua das
informações.
Esse padrão pode gerar impacto funcional em atividades escolares que
demandam acompanhamento de múltiplas instruções, cálculo mental,
organização sequencial e sustentação da atenção.
Índice de Velocidade de Processamento (IVP)
O Índice de Velocidade de Processamento (103; percentil 58) apresentou
desempenho dentro da média, indicando funcionamento preservado na análise
visual rápida, discriminação perceptiva simples e automatização grafomotora.
João Miguel executou as tarefas com adequada precisão, mantendo ritmo
compatível com a faixa etária. Não foram observadas dificuldades significativas
relacionadas à coordenação visuomotora ou lentidão expressiva durante as
atividades temporizadas.
4. Análise e Discussão dos Resultados
A análise global do WISC-IV evidencia funcionamento intelectual preservado,
com perfil cognitivo heterogêneo e presença de discrepâncias relevantes entre
os índices avaliados.
O principal destaque do perfil refere-se ao Índice de Organização Perceptual
(IOP = 120), significativamente superior aos demais domínios cognitivos. Esse
resultado sugere elevada competência em raciocínio não verbal, solução de
problemas visuoespaciais e integração perceptual, indicando importante
potencial cognitivo em tarefas visuais e abstratas.
Por outro lado, observou-se que a Memória Operacional (IMO = 94) representa o
domínio relativamente mais vulnerável do perfil. Embora permaneça dentro da
faixa média normativa, o desempenho mostrou-se inferior aos índices de
raciocínio verbal e perceptual.
Essa discrepância sugere menor eficiência nos mecanismos envolvidos na
manutenção e manipulação ativa de informações auditivo-verbais, funções
frequentemente associadas à atenção seletiva, controle executivo e memória de
trabalho.
Durante a avaliação, foi possível observar momentos em que João Miguel
demonstrava dificuldade em sustentar mentalmente determinadas informações,
especialmente em tarefas sequenciais mais longas. Em alguns momentos,
parecia compreender adequadamente o conteúdo solicitado, mas apresentava
dificuldade em manter as informações ativas até a conclusão da resposta.
Dessa forma, é possível considerar que parte das oscilações observadas no
desempenho verbal e acadêmico possa estar relacionada não à limitação
conceitual propriamente dita, mas à eficiência variável dos mecanismos de
memória operacional e controle atencional.
O perfil identificado sugere potencial cognitivo preservado, especialmente em
tarefas de raciocínio visual e solução de problemas não verbais, embora fatores
relacionados à memória operacional possam atuar como moduladores do
desempenho funcional em contextos acadêmicos mais exigentes.
Os achados devem ser interpretados considerando o contexto clínico, escolar e
emocional do avaliado, não sendo suficientes, isoladamente, para
estabelecimento de conclusões diagnósticas.
5. Conclusão
João Miguel apresentou funcionamento intelectual global dentro da média (QIT =
109), com perfil cognitivo heterogêneo e importante destaque em habilidades de
raciocínio perceptual e processamento visuoespacial.
O Índice de Organização Perceptual configurou-se como principal área de
potencialidade cognitiva, sugerindo elevada capacidade de raciocínio não verbal
e resolução de problemas visuais.
Em contrapartida, observou-se vulnerabilidade relativa em Memória Operacional,
indicando menor eficiência em tarefas que exigem manutenção e manipulação
ativa de informações auditivo-verbais e maior demanda atencional.
Os resultados sugerem funcionamento cognitivo preservado, embora com
oscilações relacionadas principalmente aos processos de memória operacional e
controle executivo.
Recomenda-se:
acompanhamento psicopedagógico;
utilização de instruções curtas e segmentadas;
organização de rotinas estruturadas;
apoio visual para aprendizagem;
divisão de tarefas longas em etapas menores;
estratégias voltadas ao fortalecimento da memória operacional e
autorregulação atencional.
Sugere-se acompanhamento evolutivo do desempenho acadêmico e reavaliação
futura caso persistam dificuldades funcionais significativas.
6. Referências
WECHSLER, D. WISC-IV: Escala Wechsler de Inteligência para Crianças.
Manual Técnico. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2013.