ACT Avançada – Teoria, RFT e Padrão
Matricial
A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) é baseada na flexibilidade psicológica, que é a
capacidade de se adaptar ao momento presente, aceitar experiências internas e agir de
acordo com valores pessoais. Seus principais processos são:
1. Aceitação (Acceptance)
Refere-se a permitir pensamentos, emoções e sensações sem lutar contra eles ou tentar
eliminá-los. Por exemplo, sentir ansiedade antes de falar em público sem tentar se livrar
dela.
2. Desfusão Cognitiva (Cognitive Defusion)
É a habilidade de separar-se dos próprios pensamentos, vendo-os apenas como palavras ou
imagens, e não como fatos absolutos. Por exemplo, transformar o pensamento “Sou
incompetente” em “Estou tendo o pensamento de que sou incompetente”.
3. Contato com o Momento Presente (Mindfulness)
Significa estar consciente e engajado no aqui e agora, sem julgamento. Exemplo: perceber
cada passo ao caminhar ou o sabor de cada garfada ao comer.
4. O Eu Como Contexto (Self-as-Context)
Refere-se à capacidade de observar experiências internas sem se identificar completamente
com elas. Por exemplo, dizer “Eu percebo que estou ansioso” em vez de “Eu sou ansioso”.
5. Valores (Values)
Consiste em descobrir o que é importante na vida e que dá sentido às ações. Exemplo:
priorizar relacionamentos significativos ou a saúde física de forma consciente.
6. Ação Comprometida (Committed Action)
É agir de acordo com os valores pessoais mesmo diante de obstáculos internos ou externos.
Por exemplo, praticar um hobby que traz alegria mesmo com medo do julgamento dos
outros.
7. Flexibilidade Psicológica (Psychological Flexibility)
É a capacidade de se adaptar a situações internas e externas, aceitando experiências
desconfortáveis e agindo de forma coerente com valores pessoais.
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RFT – Teoria da Moldura Relacional
A RFT é uma teoria comportamental da linguagem que explica como a capacidade humana
de relacionar estímulos arbitrariamente gera sintomas psicológicos e sofrimento, mas
também permite flexibilidade.
1. Molduras relacionais (Relational Frames)
São padrões aprendidos de relacionamentos entre estímulos. Tipos comuns:
- Coordenação / Igualdade: “A é igual a B”.
- Oposição: “A é o oposto de B”.
- Hierarquia / Comparação: “A é maior que B”.
- Causa-efeito: “Se A, então B”.
- Temporalidade: “Antes / Depois”.
- Perspectiva: “Eu vejo A diferente de você”.
Aplicação clínica: identificar como pensamentos geram reações emocionais e
comportamentos de evitação.
Exemplo: “Se eu cometer um erro → sou um fracasso → devo evitar situações novas”.
2. Arbitragem simbólica (Arbitrary Applicable Relational Responding – AARR)
Capacidade de relacionar estímulos de forma arbitrária, sem base direta na experiência.
Permite a linguagem simbólica, mas também cria sofrimento quando relações rígidas são
internalizadas.
Exemplo: “Rejeição = catástrofe” → gera ansiedade antecipatória mesmo sem ameaça real.
3. Transformação de função (Transformation of Function)
Um estímulo adquire função emocional ou comportamental por sua relação com outros
estímulos, não por experiência direta.
Exemplo: uma palavra, como “fracasso”, pode gerar medo porque está associada a uma rede
verbal de críticas e punição, mesmo que nada de ruim tenha acontecido.
4. Derivação de relações
Capacidade de criar novas relações a partir de relações previamente aprendidas.
Essencial para generalização e flexibilidade, mas também para padrões rígidos e sofrimento.
Exemplo: “A > B, B > C → A > C” cria inferências automáticas.
5. Composição de redes relacionais
Experiências internas (pensamentos, memórias) estão organizadas em redes complexas de
relações que influenciam comportamento.
Exemplo: “Eu falhei → todos vão me julgar → não devo tentar nada → ansiedade → evitação
social”.
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Padrão Matricial (Matrix Pattern)
O padrão matricial é a aplicação prática da ACT para organizar experiências internas,
valores e comportamentos, baseado nos princípios da RFT.
Estrutura avançada da matriz:
Quadrante | Conteúdo | Função
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1 – Experiências internas indesejadas | Pensamentos, emoções, sensações, memórias
negativas | Reconhecimento e aceitação das experiências desconfortáveis
2 – Valores e objetivos desejados | Valores de vida, metas significativas | Direcionar ações e
dar sentido à vida
3 – Ações de evitação / afastamento | Comportamentos que tentam eliminar dor |
Identificar padrões de esquiva ou fuga de desconforto
4 – Ações de aproximação / alinhadas com valores | Comportamentos consistentes com
valores | Promover engajamento em vida significativa, apesar do desconforto
Função avançada:
Permite mapear claramente como pensamentos e emoções influenciam comportamento,
mostrando onde a pessoa está presa em padrões de evitação.
Facilita a desfusão cognitiva e o planejamento de ações comprometidas alinhadas aos
valores.
Exemplo prático avançado:
Experiência interna: ansiedade social (Quadrante 1)
Valor: construir relacionamentos significativos (Quadrante 2)
Ação de evitação: não comparecer a eventos (Quadrante 3)
Ação de aproximação: ir a uma reunião de amigos, mesmo ansioso (Quadrante 4)
A matriz também pode ser expandida para mostrar interconexão entre experiências
internas e redes de RFT:
Pensamentos → crenças derivadas → emoções → evitação → impacto sobre valores → novas
experiências internas.
Integração RFT + Matriz
1. RFT explica a origem do sofrimento interno: redes de pensamentos e relações arbitrárias
criam ansiedade, depressão ou outros sintomas.
2. Matriz organiza ação clínica: separa experiências internas de ações, conecta valores e
comportamento, e ensina a flexibilidade psicológica.
3. Ferramenta prática: ajuda paciente e terapeuta a identificar padrões de evitação vs ação
alinhada a valores, promovendo intervenção direcionada.
Resumo da lógica da ACT avançada:
1. RFT explica como a linguagem cria sofrimento.
2. Matriz organiza experiências internas e ações de acordo com valores.
3. Aceitação, desfusão e mindfulness permitem lidar com pensamentos e emoções sem
bloqueio.
4. Ação comprometida e valores promovem flexibilidade psicológica e vida significativa.