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Revolução Russa

A Revolução Russa foi um conjunto de revoltas que culminou no fim do czarismo e na ascensão dos socialistas ao poder, com consequências que perduraram até a década de 1990. A revolução foi impulsionada por uma combinação de fatores, incluindo a insatisfação popular com a monarquia, a crise econômica e as derrotas na Primeira Guerra Mundial. Após a Revolução de Outubro de 1917, os bolcheviques estabeleceram um governo que levou à criação da URSS e à Guerra Civil Russa.

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Revolução Russa

A Revolução Russa foi um conjunto de revoltas que culminou no fim do czarismo e na ascensão dos socialistas ao poder, com consequências que perduraram até a década de 1990. A revolução foi impulsionada por uma combinação de fatores, incluindo a insatisfação popular com a monarquia, a crise econômica e as derrotas na Primeira Guerra Mundial. Após a Revolução de Outubro de 1917, os bolcheviques estabeleceram um governo que levou à criação da URSS e à Guerra Civil Russa.

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REVOLUÇÃO RUSSA

A Revolução Russa foi a concretização de uma série de revoltas pelas quais a


Rússia passava desde 1905 e que tiveram várias consequências, como o fim do
czarismo (monarquia) e a tomada de poder pelos socialistas.
Naquele contexto, a Rússia poderia ser chamada de atrasada, pois, em pleno
XX, preservava práticas ainda feudais, era agrária e dominada por czares
(imperadores). As primeiras revoltas, que antecederam a revolução, foram
contra os privilégios da nobreza e do clero, mas também contra gastos de
guerra (contra o Japão, batalha que a Rússia perdeu).

Vemos as consequências da Revolução Russa como fato histórico até, no


mínimo, 1989, com a queda do Muro de Berlim, já que a União das Repúblicas
Socialistas Soviéticas (URSS), formada depois da revolução, existiu até a
década de 1990 e, em anos anteriores, confrontou os EUA, dividindo o mundo
entre socialistas e capitalistas na Guerra Fria.

Antecedentes históricos da Revolução Russa


A Rússia no início do século XX era o que o restante da Europa poderia
considerar “atrasada”, já que era majoritariamente rural, e seus poderes, ainda
divididos quase como na Idade Média: entre nobreza (no caso, proprietários
rurais) e clero (nesse caso, a Igreja Ortodoxa).

Foram vãs as tentativas, ainda no século XVIII, do czar Pedro, O Grande de


modernizar o país, que adotou novos modelos de educação e administração,
transferiu a capital de Moscou para São Petersburgo para torná-la uma “janela
para a Europa” — enfim, ele desejou ocidentalizar a Rússia. Somente em
meados de XIX começaram os primeiros movimentos no sentido da
industrialização e modernização, que sempre se chocavam com a estagnação
rural comandada pelos grandes proprietários de terra, chamados boiardos.

A Rússia era governada pelos czares (o mesmo que “imperadores”). Lá, uma
mesma dinastia estava no poder desde 1613: os Romanov. A burguesia, vendo
o que acontecia na Europa, almejava o mesmo: industrializar-se para também
obter dividendos e não continuar servindo ao Estado, como sempre fora.

Os últimos czares antes da revolução começaram a se preocupar com a


modernização russa, mas já era tarde demais. Alexandre II aboliu a servidão e
eliminou dívidas, mesmo assim, acabou assassinado por revolucionários.
Alexandre III, seu herdeiro, reprimiu anarquistas e marxistas e, finalmente,
conseguiu impulsionar a indústria, porém, com capital francês, inglês, belga e
alemão.

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A Rússia passou a ter, então, por um lado, alguns elementos modernos e, por
outro, a oligarquia agrária. Nicolau II, o último czar, não fugindo à tradição (que
também incomodava o povo: os altíssimos gastos em guerras), disputou e desta
vez perdeu a Guerra Russo-Japonesa (1904-1905).

Mencheviques e bolcheviques
Como vimos, os czares tinham muitos opositores. Entre esses, alguns se
organizaram por seus ideais políticos, como os niilistas (anarquistas defensores
das ideias de Bakunin), social democratas (acreditavam na social-democracia,
mas não como é hoje, já que incorporaram alguns ideais marxistas), narodnikis
(a tradução literal é “ir ao povo”, logo, eram populistas) e os que mais se
destacaram: os mencheviques e os bolcheviques.

Esse destaque veio com o Congresso do Partido Social Democrata (POSDR),


em 1903, que dividiu ambos em lados diferentes de acordo com o que
pensavam sobre o desenvolvimento da Rússia. Assim:

●​ Mencheviques: eram os minoritários. Achavam que primeiramente seria


necessário que o capitalismo russo se desenvolvesse para depois lutar
pelo socialismo. Para isso, eram necessárias reformas progressistas,
feitas na Duma (Parlamento), que seriam lideradas pela burguesia
(Revolução Burguesa) contra o czarismo.
●​ Bolcheviques: eram majoritários. Defendiam que a Revolução Socialista
ocorresse de forma imediata, com a instalação da Ditadura do
Proletariado e a aliança entre operários e camponeses. Seu líder era
Lenin e tinham o apoio dos sovietes, conselho de trabalhadores e
soldados que, a partir da Revolução de 1905, obteve poderes executivos
e legislativos, com representantes advindos de quartéis e fábricas.

Revolução de 1905
A Revolução de 1905 foi, na verdade, uma série de movimentos da população
russa, faminta, contrária às medidas czaristas, à crise econômica que
enfrentava e à participação da Rússia em uma guerra contra o Japão, que
gerou enormes gastos bélicos.

A Guerra Russo-Japonesa foi uma disputa imperialista (ou seja, por mais terras)
da Rússia e do Japão pela Crimeia e a Manchúria. O estrondoso fracasso do
czar estimulou as forças de oposição, que, como vimos, já eram muitas.

Nicolau II, percebendo tal movimentação, passou a conter, com muita violência,
atos que seriam até então pacíficos. Como foi o caso do que depois ficou
conhecido como “Domingo Sangrento”, quando pessoas, mesmo cantando o

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hino “Deus salve o czar”, foram exterminadas, apenas por apresentarem,
também, algumas queixas.

Com isso, Nicolau II caiu mais ainda em descrédito e se viu obrigado a assinar
o Tratado de Portsmouth, que acabou com a guerra, em 5 de setembro de
1905, entregando ao Japão partes importantes de seu território — entre eles, a
Coreia.

Os sovietes foram criados nesse contexto, quando o czar lançou o Manifesto de


Outubro, em que prometia uma monarquia constitucional e parlamentar. Assim,
não só os sovietes passaram a existir, como também a Duma (Parlamento,
também já mencionado). O problema era que Nicolau II não largaria o poder tão
facilmente e lançou decretos que o colocavam acima da Duma.

Parlamentares não satisfeitos protestaram, ao passo que o czar dissolveu a


instituição, colocando em seu lugar outro Parlamento, agora censitário, ou seja,
com base em quem tinha posses. Esse sistema perdurou até 1911, sob a
liderança de Stolypin, que, mais tarde naquele ano, foi assassinado por forças
opositoras

Todo esse período, desde 1905, é considerado por alguns como um “ensaio da
Revolução Russa”.

Quais as causas da Revolução Russa?


A Rússia seguia, como vimos, um modo de produção bastante atrasado. Era
majoritariamente rural e se encontrava em um regime ainda feudal. As
tentativas de industrialização, ao longo da história, várias vezes não deram
certo, o que fez com que a aristocracia, ou seja, os nobres, concentrasse toda a
riqueza, enquanto o restante do povo vivia na miséria e na fome.

Com o tempo, várias ideias contrárias à monarquia absolutista foram surgindo,


algumas delas revolucionárias, como as dos mencheviques e bolcheviques, por
exemplo. Essas ideias ganharam adesão junto ao povo que passava fome.

As repressões do czar, como a do Domingo Sangrento, foram o estopim para a


Revolução de 1917.

Estouro da Revolução Russa


O que chamamos de Revolução Russa, de fato, foi o estopim, ou seja, a
tomada de poder pelos sovietes, em outubro de 1917, que vinham se
organizando com a população desde pelo menos 1905, em protesto contra os
czares e seus privilégios, a fome e a repressão.

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Assim como a Guerra contra o Japão foi um gatilho em 1905, a partir de 1914, a
Primeira Guerra Mundial também mexeu com a conjuntura interna russa —
sendo inclusive apontada por muitos como um dos motivos da revolução —,
pois a Rússia fez parte da Tríplice Entente (junto da Inglaterra e França) e,
como era um país atrasado, não possuía os mesmos meios tecnológicos das
demais nações, o que fez com que perdesse diversas batalhas, inclusive
algumas importantíssimas para a Alemanha, que conquistou parte de seu
território.

Como sabemos, a I Guerra Mundial teve objetivos imperialistas e, no que tange


especialmente a Rússia, havia o temor da ascensão alemã e invasão de
territórios, pois ela havia passado recentemente por unificação e ameaçava
outras nações.

O fim do czarismo estava próximo, com os problemas econômicos, a repressão


e, agora, mais uma derrota militar, e aconteceu em fevereiro de 1917, como
veremos a seguir.

●​ Revolução de Fevereiro (Revolução Branca)

Em fevereiro de 1917, o czar abdicou de todo o seu poder, após tantos


problemas, como crise econômica, derrotas em batalhas importantes e
reiteradas manifestações da população durante anos. Assumiu, então, o
Governo Provisório, que funcionou como um Parlamento liberal europeu.

À frente desse governo estava Alexander Kerenski, que era socialista, porém,
reformista (menchevique, como vimos). Esse período é chamado de República
da Duma, Revolução de Fevereiro, Revolução Branca ou ainda Revolução
Menchevique.

Entretanto, a Rússia não tinha saído da guerra, e as pessoas ainda passam


fome, logo, seriam necessárias outras mudanças. Com isso, a oposição
bolchevique se fortaleceu nos sovietes. Liderada por Lenin e Trotsky, sob o
lema “pão, paz e terra”, indicava, além da saída da guerra, a redistribuição
(expropriação e divisão) das grandes propriedades de terra, a fim de ajustar o
fornecimento interno de comida para a população.

Paralelamente, a Guarda Vermelha ia sendo formada por Trotsky.


Posteriormente, essa guarda passou a se chamar Exército Vermelho,
pós-revolução. Até então, ela era um grupo revolucionário e armado dos
bolcheviques, que visava à tomada do poder.

●​ Revolução de Outubro (Revolução Vermelha)

Em 7 de novembro de 1917 ou 25 de outubro no calendário juliano (que a


Rússia ainda usava), os Bolcheviques tomaram o Palácio de Inverno,

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bombardeando-o, e depois todos os outros prédios públicos russos, que
passaram a ser chamados de Conselhos de Comissários do Povo.

Kerensky, menchevique que estava à frente do Governo Provisório, fugiu, e


assim teve início o governo bolchevique, cuja primeira publicação oficial foi o
“Apelo aos trabalhadores e camponeses”, de Lenin, primeiro governante
revolucionário. Por meio dela, foi dado “todo o poder aos sovietes”. Uma das
primeiras medidas foi também retirar o país da I Guerra Mundial.

Quais as consequências da Revolução Russa?


A Revolução Russa não é um fato histórico que possa ser explicado apenas
pela sucessão de acontecimentos, pois vemos suas consequências até, no
mínimo, 1989, com a queda do Muro de Berlim ou, para alguns, até hoje.

Mas, se quisermos considerar as consequências imediatas, temos:

●​ nacionalização de todas as indústrias e bancos russos;


●​ saída da guerra, com a perda de territórios como a Letônia, Lituânia,
Estônia, Finlândia, Ucrânia e Polônia;
●​ redistribuição das terras no campo.

Outra consequência foi a Guerra Civil Russa, como veremos a seguir.

Guerra Civil Russa


Claro que tantas mudanças assim não agradaram a todos. Dessa forma, houve
a oposição ao governo de Lenin, formada por antigas forças czaristas e
mencheviques, que se uniram também aos países que não aceitaram a saída
russa da guerra. Esses contrarrevolucionários se organizaram com armas no
Exército Branco (em contraposição ao Vermelho) e promoveram uma
verdadeira guerra civil, em 1918, que durou até 1921, quando os bolcheviques,
mais uma vez, saíram vitoriosos.

A saída da Rússia da guerra só foi possível por meio da assinatura de um


acordo com a Alemanha, chamado Tratado Brest-Litovsk. Os opositores
acreditam que essa aliança havia prejudicado muito os russos, que perderam
territórios e reservas de carvão. Por outro lado, Trotsky, comandante do Exército
Vermelho, percebia o quanto este estava enfraquecido para mais batalhas.
Lenin, por sua vez, entendia que a guerra era impopular entre o povo desde o
começo.

Além dos dois exércitos internos, soldados estrangeiros invadiram a Rússia,


almejando ajudar a restaurar a monarquia e estabilizar os bolcheviques. Ao

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longo de três anos, muitos foram mortos em batalhas — estima-se que de
quatro a dez milhões de pessoas. Os opositores se enfraqueceram após a
vitória final do bolchevique, em 1921.

A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) foi criada após a Guerra
Civil Russa, em 1922, como forma de reunificar o país e outras nações após
tantos confrontos.

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