Comportamentos de Risco, Uso de Substâncias Psicoativas, e Problemas Relacionados em Adolescentes Escolares
Comportamentos de Risco, Uso de Substâncias Psicoativas, e Problemas Relacionados em Adolescentes Escolares
RIBEIRÃO PRETO
2018
BÁRBARA DE OLIVEIRA PRADO SOUSA
RIBEIRÃO PRETO
2018
Autorizo a reprodução e a divulgação total ou parcial deste trabalho, por qualquer meio
convencional ou eletrônico, para fins de estudo ou de pesquisa desde que citada à fonte.
[FICHA CATALOGRÁFICA]
Tese de doutorado, apresentada à Escola de Enfermagem de Ribeirão
Preto/USP. Área de concentração: Enfermagem Psiquiátrica
Orientador: Sandra Cristina Pillon
Comissão Julgadora
Dedico esta conquista primeiramente a Deus por ter concedido saúde e força para permanecer
no caminho dos estudos com dedicação e honestidade. Agradeço pela infinita misericórdia e
por sempre me impulsionar na fé.
O maior carinho e ternura vai para minha mãe, Aneide de Oliveira mulher que em todos os
momentos mostrou o seu imenso amor, cuidado e sabedoria, me guiou pela jornada da vida,
sempre me dando suporte e muitas vezes levando pela mão, permitindo pelos seus gestos
amorosos mais esta conquista acadêmica.
Ao mais fraterno amor sentido, dedico ao meu irmão Marcos Prado, parte de mim para todo
sempre, que através de seus gestos contidos sempre me condicionou a saber o quão a nossa
ligação é eterna e amorosa. Sempre transparece o seu apoio incondicional em minhas
decisões.
O que nas horas mais difíceis sempre esteve ao meu lado me incentivando a crescer a cada
dia, André Augusto de Sousa, marido amado de todos os momentos. Alguém que sabe entrar
e sair, sabe falar e se calar, cuja bondade e companheirismo extrapola qualquer merecimento
de minha parte.
À Profa. Dra. Sandra Cristina Pillon, cuja orientação foi desenvolvida por meio do carinho,
disponibilidade e compromisso em transmitir seus conhecimentos para que a escrita com
autonomia fosse desenvolvida. Direcionou minha postura profissional mediante colegas,
professores e alunos. Obrigado por ter acreditado em mim e sempre em todos os momentos
estar presentes me orientando. Tenho certeza que a relação construída superou o ambiente
acadêmico.
Aos amigos que a Escola de Enfermagem me concedeu, Vivian, Sandra, Luiz Gabriel e
Bruna. Não tenho palavras para agradecer o carinho que transmitem a mim mesmo morando
tão distante.
Ao grande amigo André Luiz, que conheci na universidade e está diariamente presente em
minha vida como um verdadeiro irmão sempre me incentivando na vida pessoal e
profissional.
Dra. Natália, por ter participado como membro da banca de qualificação e ter ofertado
sugestões importantes para o desenvolvimento do estudo.
Ao Prof. Dr. Denis, docente da Escola de Enfermagem de Alfenas – UNIFAL por ter
iniciado ao meu lado o caminho na primeira titulação stricto senso, me oferecendo todo seu
apoio durante o mestrado. Jamais esquecerei seu compromisso ético com o ensino.
A toda família, primos, tios e afilhados por compartilharem este longo tempo na pós-
graduação e acreditarem em minha capacidade.
Aos meus amigos de Areado-MG por entenderem meus momentos de ausência, aflições e
desespero, sempre me ajudando com atenção, respeito e afeto.
Aos meus primos Jocyara e Adriano que me hospedaram em sua residência com carinho,
gratidão pela acolhida.
A minha Tia Maria Carolina que no momento mais importante durante este percurso me
ajudou a manter firme e guiar a saúde de família aparados na fé cristã.
A minha colaboradora Maristela de Melo que cuidou com tanto carinho de mim e minha
família com atenção e alegria constante.
A toda minha amada família, irmão Marcos, avó, tios e primos que depositaram a confiança
em meu trabalho para vencer mais uma etapa importante em nossas vidas.
Enfim, a todos que de alguma forma contribuíram para que este sonho fosse concretizado,
meu eterno agradecimento.
O objetivo neste estudo foi avaliar a relação entre o uso de psicoativos, envolvimento em
bullying e problemas relacionados em adolescentes escolares. Trata-se de estudo de corte
transversal com abordagem quantitativa. Desenvolvido com 1.192 adolescentes, matriculados
do 6º ao 9º ano, de escolas públicas e privadas de um município do sul de Minas Gerais.
Seguiram-se neste estudo os aspectos éticos preconizados. Os instrumentos utilizados foram:
questionário de caracterização da amostra, Drug Use Screening Inventory e a Escala de
Violência Escolar – versão estudantes. Constatou-se que houve predomínio de adolescentes
do sexo feminino, com média de idade de 12,9 anos (desvio-padrão=1,3), variando entre 11 e
15 anos, de cor branca, que cursavam o 6º ano do ensino fundamental II, residiam em casa
própria, católicos, moravam com pai e mãe, tinham relacionamento familiar classificado
como muito bom, frequentavam festas de uma a duas vezes por semana, de escolas públicas e
localizadas na zona urbana. Da amostra, 33,1% dos estudantes consumiram algum tipo de
droga; 18,3%, drogas ilícitas; 23,8%, álcool; e 5%, tabaco. Quanto ao envolvimento em
bullying, 26,4% foram classificados como autores; 33,4%, vítimas; e 10,3%, alvo/autor do
fenômeno. O Sistema Familiar e a Saúde foram os problemas mais evidentes na vida dos
adolescentes. O uso de drogas foi associado à idade (14 e 15 anos), religião (ateu), bom
relacionamento familiar, morar com amigos/instituições, frequentar festa (uma vez ao mês, de
uma a duas vezes por semana, e de três a quatro vezes por semana). O consumo de álcool e
cocaína foram associados à autoria de bullying, ser vítima e usar algum tipo de droga (exceto
álcool e tabaco), enquanto ser alvo/autor foi relacionado à maconha. Adolescentes com
características como: ter idade (12 anos), ser ateu e morar em zona urbana aumentam as
razões de chances para ser vítima; ter 15 anos e morar na zona urbana, para ser alvo/autor e
ter idade de 13 anos para autor de bullying. Adolescentes que foram alvo/autores de bullying
apresentaram maiores problemas de comportamento quando comparados aos adolescentes não
envolvidos no fenômeno. Os dados fornecem subsídios para tomada de decisão em ações
voltadas para prevenção a comportamentos de risco durante a adolescência.
SOUSA, B.O.P. Risk behaviors, use of psychoactive substances, bullying and related
problems in school adolescents. 2018. 157 f. Thesis (Doctoral) – University of São Paulo at
Ribeirão Preto College of Nursing, Ribeirão Preto, 2018.
The objective of this study was to evaluate the relationship between use of psychoactive
substances, involvement in bullying and related problems in school adolescents. This is a
quantitative cross-sectional study. It was conducted with 1192 adolescents attending between
the 6thand 9thgrade of public and private schools of a municipality in the south of Minas
Gerais. The study was in accordance with ethical aspects. The following instruments were
used: sample characterization questionnaire, Drug Use Screening Inventory (DUSI) and
School Violence Scale – students’ version. There was a predominance of female adolescents,
mean age of 12.9 years (SD = 1.3), ranging from 11 to 15 years old, white race, attending
6thgrade of primary education, living in their own homes, Catholics, living with their father
and mother, a family relationship classified as very good, attending parties once or twice a
week, of public schools located in the urban [Link] the sample, 33.1% used some type of
drug, of which 18.3% used drugs except alcohol and tobacco, 23.8% consumed alcohol, and
5% used tobacco. Regarding involvement in bullying, 26.4% were classified as perpetrators,
33.4% were victims and 10.3% were both the victim/perpetrator of the phenomenon. The
family system and health were the most evident problems in adolescents’ lives. Drug use was
associated with age (14 and 15 years), religion (atheist), good family relationship, living with
friends/institutions, attending parties (once a month, once or twice a week, and three to four
times a week). The consumption of alcohol and cocaine were associated with being a bullying
perpetrator; being a victim with the use some type of drug (except alcohol and tobacco); and
being the victim/perpetrator with the use of marijuana. Adolescents with characteristics such
as age of 12 years, atheist and who live in urban areas have increased odds of being a victim;
being 15 years old and living in the urban area increases the odds of being a
victim/perpetrator; and being 13 years old increases the odds of being a bullying perpetrator.
Adolescents who were victims/perpetrators of bullying presented greater behavior problems
compared to adolescents not involved in the phenomenon. These data provide support for
decision-making in actions aimed at preventing risky behaviors during adolescence.
El objetivo del estudio fue evaluar la relación entre el uso de sustancias psicoactivas, la
participación en bullying y problemas relacionados en adolescentes escolares. Es un estudio
de transversal y enfoque cuantitativo. Desarrollado con 1192 adolescentes matriculados entre
el sexto al noveno año de escuelas públicas y privadas de un municipio del sur de Minas
Gerais. Los aspectos éticos se siguieron en el [Link] instrumentos utilizados fueron:
Cuestionario de caracterización de la muestra, Drug Use ScreeningInventory (DUSI) y la
Escala de Violencia Escolar - versión estudiantes. Se constató que hubo predominio de
adolescentes del sexo femenino, con promedio de edad de 12,9 años (DP = 1,3) variando entre
11 a 15 años, piel de color blanca, que cursaban el sexto año de la enseñanza básica
(fundamental II en Brasil), residían en casa propia, católicos, vivían con padre y madre, tenían
una relación familiar clasificada como muy buena, frecuentaban fiestas de una a dos veces por
semana, y escuelas públicas ubicadas en la zona [Link] la muestra, 33,1% consumieron
algún tipo de droga,de los cuales 18,3% consumieron drogas excepto alcohol y tabaco, 23,8%
alcohol y 5% tabaco. En cuanto a la participación en bullying, el 26,4% fueron clasificados
como autores, el 33,4% como víctimas y el 10,3% como víctima/autor del fenómeno. El
sistema familiar y la salud fueron los problemas más evidentes en la vida de los adolescentes.
El uso de drogas fue asociado a la edad (14 y 15 años), religión (ateo), buena relación
familiar, vivir con amigos/instituciones, frecuentar fiesta (una vez al mes, de una a dos veces
por semana, y de tres a cuatro veces por semana). El consumo de alcohol y cocaína se asoció
a la autoría de bullying; ser víctima se asoció a usar algún tipo de droga (excepto alcohol y
tabaco); y ser víctima/autor se asoció a la marihuana. Los adolescentes con características
como: tener 12 años de edad, ser ateo y vivir en zona urbana aumentan las razones de
posibilidades para ser víctima; tener 15 años y vivir en la zona urbana, para ser víctima/autor;
y tener una edad de 13 años para ser autor de bullying. Los adolescentes que fueron
objetivo/autores de bullyingtuvieron mayores problemas de comportamiento en comparación
con los adolescentes no involucrados en el fenómeno. Los datos proporcionan subsidios para
la toma de decisiones en acciones dirigidas a la prevención de comportamientos de riesgo
durante la adolescencia.
Palabras-clave: Adolescente. Población Vulnerable. Bebidas Alcohólicas. Abuso de
Sustancia. Factores de Riesgo. DrogasIlícitas. Bullying.
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 - Quadro dos objetivos propostos no presente estudo e o tipo de análise estatística
utilizada.............................................................................................................................59
LISTA DE TABELAS
Tabela 4 - Frequência do uso de acordo com o tipo de substância psicoativa no último mês,
segundo os estudantes do Ensino Fundamental. (n = 1192). Município do sul de Minas
Gerais, Brasil, 2013. ......................................................................................................... 64
Tabela 5 - Média, mediana, desvio-padrão, valor mínimo e máximo da DA, DR e DG nas dez
áreas de problemas (DUSI). (n = 1192). Município do sul de Minas Gerais, Brasil, 2013.
.......................................................................................................................................... 65
Tabela 13- Relação entre os problemas enfrentados na vida e bullying entre os estudantes do
Ensino Fundamental. (n = 1192). Município do sul de Minas Gerais, MG, Brasil, 2013.
.......................................................................................................................................... 76
Tabela 14 - Média do percentual das densidades absoluta e relativa por sexo dos adolescentes
do Ensino Fundamental. (n = 1192). Município do sul de Minas Gerais, MG, Brasil,
2013. ................................................................................................................................. 77
LISTA DE ABREVIATURA E SIGLAS
1. APRESENTAÇÃO............................................................................................................24
2. INTRODUÇÃO.................................................................................................................27
3. OBJETIVOS......................................................................................................................33
3.1 Objetivo geral...................................................................................................................... 34
3.2 Objetivos específicos...........................................................................................................34
4. HIPÓTESES......................................................................................................................35
5. REVISÃO DE LITERATURA..........................................................................................37
6. MATERIAIS E MÉTODO................................................................................................51
6.1 Tipo de estudo .................................................................................................................... 52
6.2 Aspectos Éticos .................................................................................................................. 52
6.3 Local do estudo ................................................................................................................... 52
6.4 População e amostra ........................................................................................................... 53
6.5 Instrumentos para coleta de dados ...................................................................................... 54
6.5.1 Informações sociodemográficas ...................................................................................... 54
6.5.2 Drug Use Screening Inventory (DUSI) ........................................................................... 54
6.5.3 Escala de Violência Escolar – versão Estudantes ............................................................ 56
6.6 Procedimentos de coleta ..................................................................................................... 57
6.7 Análise dos dados ............................................................................................................... 58
7. RESULTADOS.................................................................................................................60
7.1 Análises descritivas ............................................................................................................ 61
7.1.1 Análise descritiva da caracterização dos estudantes do Ensino Fundamental................. 61
7.1.2 Análise descritiva da caracterização do consumo de substâncias psicoativas................. 63
7.1.3 Análise descritiva dos problemas enfrentados na vida (DUSI) ....................................... 65
7.1.4 Análise descritiva do envolvimento em bullying ............................................................ 66
7.2 Análises bivariada............................................................................................................... 67
7.2.1 Consumo de substâncias psicoativas, variáveis sociodemográficas e familiares ............ 67
7.2.2 Análise da relação bullying, variáveis sociodemográficas e familiares .......................... 70
7.2.3 Problemas enfrentados na vida e os tipos de substâncias psicoativas ............................. 73
7.2.4 Análise do consumo de substâncias psicoativas e envolvimento em bullying ................ 75
7.2.5 Áreas de problemas enfrentados na vida e envolvimento em bullying ........................... 76
7.2.6 Análise dos problemas enfrentados na vida e a variável sexo ......................................... 77
8. DISCUSSÃO.....................................................................................................................78
9. CONCLUSÃO.................................................................................................................102
REFERÊNCIAS..............................................................................................................105
ANEXOS.........................................................................................................................143
APÊNDICES...................................................................................................................153
24
1. Apresentação
25
2. Introdução
28
A adolescência é um período complexo e muito especial, que faz parte do ciclo vital
em que jovens experimentam a oportunidade de autoconstruir sua identidade (WANG;
FREDRICKS, 2014). Período esse que se inicia com as mudanças físicas, cognitivas e sociais
que ocorrem no início da puberdade (BLACKMORE; MILLS, 2014). Esse momento de
transição chama atenção em termos de mudanças associadas às alterações biológicas e
hormonais com adaptação em novas rotinas, círculo social, aumento da autonomia (VAN
DEN AKKER et al., 2014), as transformações físicas e o início dos relacionamentos sexuais
(SULEIMAN; HARDEN, 2016).
Essas mudanças corroboram o desenvolvimento de conflitos e descobertas, podendo
gerar curiosidade, confusão, frustração sobre os obstáculos, ansiedade, raiva, inveja, medo e
falta de controle, podendo influenciar profundamente várias alterações cognitivas e
comportamentais (PEKRUN, 2017) importantes para a construção da identidade do indivíduo.
Vinculadas a essa complexa rede de entrelaces de comportamentos, sentimentos e
desenvolvimento, encontram-se as estruturas cerebrais que são responsáveis pelo
processamento cognitivo, percepções e controle de impulsos, que ainda se encontram em
processo de amadurecimento nessa fase (BLAKEMORE; MILLS, 2014; ROMEO, 2017;
VÁŠA et al., 2017)
Ao mesmo tempo em que os adolescentes estão vivenciando essa fase de transição, até
então desconhecida, eles vivenciam importante momento para adoção de novas práticas e
muitos envolvem-se em comportamentos de risco, potencialmente capazes de agravar a saúde
física e mental (BITTENCOURT; FRANÇA; GOLDIM, 2015).
As influências desses comportamentos são designadas de risco principalmente por
representarem ameaça à saúde futura dos adolescentes (BLAKEMORE; MILLS, 2014).
Geralmente esses passam despercebidos pela sociedade, vistos como forma de identificação
do adolescente, porém, alguns podem prejudicar e gerar consequências principalmente para a
saúde mental desses jovens (WHEELER et al., 2017).
Além dos vários conflitos associados, inerentes a essa fase, os adolescentes passam
por um período de reorientação social, estabelecendo distanciamento proposital dos pais e
maior engajamento entre os pares, onde as opiniões de colegas se tornam mais importantes em
relação aos membros da família (KALVIN; BIERMAN, 2017). Assim, o desejo de ser aceito
pelos pares e evitar a rejeição social é particularmente essencial na adolescência, podendo
compor a justificativa de inserção dos jovens nesses comportamentos (BLAKEMORE;
MILLS, 2014).
29
Todavia, esse tipo de consumo é o que mais tem preocupado, uma vez que, com as mudanças
nos repertórios de uso e à medida que o consumo se torna constante e desprazeroso, ou
mesmo em função da curiosidade, outros tipos de drogas de abuso podem vir suprir esses
efeitos (KIRBY; BARRY, 2012).
Em estudo realizado em Minas Gerais com adolescentes de 12 anos de escolas
públicas e particulares, revelou-se que pouco mais de um terço dos estudantes havia
consumido álcool, além disso, foi observado que o uso de álcool tem ocorrido ainda na
infância e que a média de idade do primeiro consumo era de 10,8 anos. Chama atenção a
precocidade do consumo dessa substância e a importância de se pesquisar os fatores
associados, visto que esses contribuem para formulação de políticas de prevenção (PAIVA et
al., 2015).
Avaliar os fatores e comportamentos de risco de cada região é essencial para prevenir
e realizar intervenções específicas a cada localidade, diante do consumo de álcool e outras
drogas (KIRBY; BARRY, 2012). Em estudos evidenciou-se que o consumo de substâncias
psicoativas na adolescência está diretamente relacionado a fatores como sexo, escolaridade,
nível socioeconômico, frequência em bares e festas, convivência com amigos, ausência de
prática esportiva (PRATTA; SANTOS, 2013), idade de primeiro consumo, ambiente familiar
conflituoso, ausência de vinculação religiosa, consumo de álcool pelos pais (REIS;
OLIVEIRA, 2015), ter sofrido violência física (ESPELAGE et al., 2014) e envolvimento em
bullying (ANDRADE et al., 2012).
Acrescenta-se, ainda, que as implicações em comportamentos de risco nessa fase de
transição não apenas influenciam a mortalidade, mas também contribuem para agravos à
saúde e prejuízos a todo sistema de saúde pública (KIRBY; BARRY, 2012). As
consequências em curto prazo do consumo precoce de álcool e outras drogas incluem
abandono escolar, maior risco de agressão, suicídio, homicídio, lesões acidentais, morte por
intoxicação alcoólica (CASTELLANOS-RYAN et al., 2013), disseminação do Vírus da
Imunodeficiência Humana e da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (em inglês HIV e
AIDS, respectivamente) pelo compartilhamento de agulhas, aumento do risco de mortes por
acidentes veiculares, delinquência juvenil (HALL et al., 2016; TAGHIZADEH
MOGHADDAM et al., 2016) e uma série de problemas comportamentais e de saúde mental
em longo prazo.
Além do uso de substâncias psicoativas evidenciar comportamento problemático para
a saúde dos adolescentes brasileiros, o envolvimento em bullying também compõe esse
31
cenário comportamental visto as consequências que estão vinculadas, tanto para os praticantes
como para as vítimas (TTOFI et al., 2016).
Apesar de as investigações sobre o bullying no Brasil serem recentes e existirem
poucos estudos consistentes em que se examine essa dimensão específica relacionada aos
jovens (OLIVEIRA et al., 2016) em estudos indica-se que o envolvimento com esse
fenômeno, além de ser um comportamento de risco para saúde, também amplifica a adoção de
comportamentos como relação sexual precoce, ansiedade, depressão e, principalmente, o
consumo de substâncias psicoativas (OLIVEIRA et al., 2016; PELEG-OREN et al., 2012).
Em estudo indica-se, ainda, que o fenômeno influencia o uso de substâncias no início da
adolescência e o uso de múltiplas drogas no final dessa fase e início da idade adulta
(REISNER et al., 2015), favorecendo, assim, a exposição à violência.
Quanto ao conceito de bullying, esse tem sido descrito como um subconjunto de
comportamento agressivo, no entanto, recentemente houve consenso na literatura sobre sua
definição, a qual foi amparada em três vertentes: comportamento agressivo intencional,
frequentemente repetido e que ocorre normalmente em um contexto de desequilíbrio de poder
(GLADDEN, 2014a).
Por meio de revisão sistemática e metanálise sustenta-se que o envolvimento em
bullying, durante os anos escolares, aumenta a probabilidade de consequências em uma média
de seis a sete anos posteriores aos episódios, além do envolvimento com o uso de drogas,
depressão e violência (TTOFI; FARRINGTON; LÖSEL, 2012). Em estudos indica-se, ainda,
que o envolvimento em bullying na escola pode ter correlação ou concomitância com e/ou ser
preditor do consumo de substâncias psicoativas, em longo prazo (BRADSHAW et al., 2013;
FARRINGTON; TTOFI; LÖSEL, 2011).
Concomitantemente a esses comportamentos de risco, os adolescentes enfrentam
problemas característicos dessa etapa do ciclo vital. Problemas de comportamento
(MONAHAN et al., 2014), transtornos psiquiátricos (ansiedade, depressão e/ou
comportamento antissocial), nas habilidades sociais (VOROBJOV; SAAT; KULL, 2014), na
família e escola (CONNOLLY, 2017; EWING et al., 2015) e a dificuldade de relacionamento
com os amigos (SANCHAGRIN; HEIMER; PAIK, 2017; VINER; ALLEN; PATTON,
2017), são situações que, no caso de comprometimento desses domínios, podem modular os
adolescentes para o desenvolvimento de comportamentos não saudáveis.
Assim, entre os estudos em que se identificam fatores de risco para o engajamento em
comportamentos que refletem prejuízos à saúde do adolescente, em poucos são abordados
simultaneamente os fenômenos do uso de substâncias psicoativas, envolvimento em bullying
32
3. Objetivos
34
Neste estudo o objetivo foi avaliar a relação entre o uso de substâncias psicoativas,
envolvimento em bullying e problemas relacionados em adolescentes escolares.
4. Hipóteses
36
5. Revisão de literatura
38
MALBERGIER, 2017; FARMER et al., 2015; KELLY et al., 2015; MAGALHÃES et al.,
2017).
Nesse período de adaptação, uma das formas de violência a que o adolescente está
exposto é a escolar. O comportamento agressivo praticado rotineiramente entre os pares é
conhecido como bullying (TERROSO et al., 2016). O bullying (do inglês bully) envolve
comportamentos com diferentes tipos de violência que vão desde insultos verbais e
hostilização à agressão física (CARVALHO MALTA et al., 2010; MELLO et al., 2017). Os
comportamentos agressivos são normalmente repetidos, intencionais e ocorrem no contexto
de um desequilíbrio de poder (GLADDEN, 2014; OLWEUS, 2013).
O envolvimento nesse comportamento, por ocorrer em situações de interação entre
pares, principalmente no ambiente escolar, envolve uma relação na qual o agressor visa causar
danos à vítima de diferentes formas (RIGBY; GRIFFITHS, 2011). Observa-se neste contexto,
a violência física (bater e chutar um colega, por exemplo), verbal (uso de apelidos que
humilham, insultos e chingamentos), psicológica (excluir, amendrontar, perseguir e propagar
rumores) e virtual ou cyber (textos agressivos e postagens em redes sociais) (OLWEUS,
2013; PIGOZI; MACHADO, 2015; WANG; IANNOTTI; NANSEL, 2009).
O fenômeno é um ato caracterizado como intencional (MALTA et al., 2014a), que,
sob a perspectiva da vítima, se tem utilizado também o termo vitimização (BODEN et al.,
2016). O comportamento adota atos de opressão, intimidação, chacotas, agressão física,
discriminação, dentre outros tipos de violência (OLWEUS, 2013). A frequência de
vitimização entre os pares é maior no final da infância e início da adolescência com taxas
diminuindo no final deste período e início da vida adulta (JUVONEN; GRAHAM, 2014).
Por ser um tipo de comportamento agressivo, o bullying produz sérios efeitos
negativos para as vítimas, com relatos de consequências em longo e curto prazo (OLWEUS,
2011). Para os adolescentes, a vitimização está associada a efeitos prejudiciais em várias
áreas, como comportamentos de saúde, problemas psicológicos e acadêmicos (COPELAND
et al., 2013; HOLT et al., 2017; SWEARER; HYMEL, 2015). Entretanto, pesquisadores
indicaram que ser vítima pode ter efeitos diferenciais com base na idade em que ocorrem as
agressões (MCDOUGALL; VAILLANCOURT, 2015). Em estudo de metanálise apontaram-
se evidências em que a vitimização na adolescência está relacionada a problemas de saúde
mental, como depressão, ansiedade, ideação e comportamentos suicidas (MOORE et al.,
2017).
Gradualmente, tem-se investigado por meio de pesquisas a prevalência do fenômeno e
suas associações (EARNSHAW et al., 2017; FORLIM; STELKO-PEREIRA; WILLIAMS,
40
2014; MALTA et al., 2014a; MELLO et al., 2017), porém, não existe consenso na literatura
sobre a prevalência média do fenômeno, visto que sua definição foi formulada recentemente.
Entretanto, é um fenômeno considerado problema de saúde pública, pelo aumento constante
dos episódios em diferentes culturas e as consequências envolvidas são direcionadas ao
processo de ensino-aprendizagem, na saúde física e psicológica dos adolescentes em idade
escolar (OLIVEIRA et al., 2016).
Em pesquisa realizada pelas Nações Unidas com 100 mil jovens de 18 países mostrou-
se que, em média, metade já havia sofrido algum tipo de bullying por razões como aparência
física, gênero, orientação sexual, etnia ou país de origem, como consta da United Nations
Publications (UNP) (2016). No Brasil, esse percentual é de 43%, taxa semelhante à de outros
países da América do Sul, como Argentina (47,8%), Chile (33,2%), Uruguai (36,7%) e
Colômbia (43,5%). Em países desenvolvidos, a taxa também gira em torno de 40 a 50%,
como é o caso da Alemanha (35,7%), Noruega (40,4%) e Espanha (39,8%) (UNITED
NATIONS PUBLICATIONS, 2016). Porém, é importante destacar que o uso de instrumentos
para avaliação dessa prevalência é distinto em cada país.
Em outro estudo, epidemiológico, envolvendo 79 países destacou-se média elevada de
envolvimento em bullying, quando os adolescentes eram classificados como vítimas. Nesse
estudo, 30% dos estudantes haviam sido vítimas, sendo que quatro ou mais episódios de
agressões físicas foram relatados entre meninos (10,7%) e entre meninas (2,7%) (ELGAR et
al., 2015).
Estimativas nos Estados Unidos da América (EUA) indicam que cerca de 10% dos
jovens relataram ser vítimas de bullying durante a vida (NANSEL et al., 2001) e cerca de um
quarto dos estudantes do ensino médio relataram algum tipo de vitimização. Em estudo
desenvolvido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) – em inglês World Health
Organization (WHO) – indicou-se prevalência média de 14% de vitimização em adolescentes
de 13 anos, com variações entre os países. A maior frequência de vitimismo ocorreu na
Lituânia (29%), e a menor, na Suécia (4,5%) (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2008).
Na Austrália, a prevalência nos últimos 12 meses foi indicada por 13,3% dos
estudantes de 11 a 17 anos. Nesse estudo mostrou-se, ainda, que os adolescentes apresentaram
risco aumentado e associado a problemas psicológicos, emocionais e comportamentais, uso de
substâncias e tentativas de suicídio (THOMAS et al., 2017).
Na América Latina, o fenômeno também tem sido alvo de investigações nos diferentes
países, ocasionado principalmente pelos reflexos das desigualdades sociais (FLEMING;
JACOBSEN, 2009; MELLO et al., 2017). Em outro estudo desenvolvido na Colômbia, com
41
acadêmico (GLASER; SHELTON; VAN DEN BREE, 2010; JACOBS et al., 2016) ou
simplesmente pressão dos pares (BAUERMEISTER et al., 2009; CROSNOE; MCNEELY,
2008). Além dessas razões, a genética hereditária em um adolescente deve ser considerada por
conter traços de vulnerabilidade, personalidade e dificuldade de controle de impulsos,
segundo o National Institute on Drug Abuse (NATIONAL INSTITUTE ON DRUG ABUSE,
2014).
Outros fatores externos como a disponibilidade de drogas no bairro, na comunidade e
na escola influenciam o adolescente a experimentar as substâncias. O ambiente familiar
também é importante: violência, abuso físico ou emocional, doença mental ou uso de drogas
no domicílio aumentam essa probabilidade. Finalmente, as crenças de associação de que as
drogas são “legais” ou inofensivas aumentam também e estão vinculadas ao período
experimental (NATIONAL INSTITUTE ON DRUG ABUSE, 2014).
Os adolescentes são “biologicamente conectados” para buscar novas experiências e
assumir riscos, assim como para esculpir sua própria identidade. O uso de drogas pode
cumprir todos esses impulsos normais de desenvolvimento, porém, de maneira que afete
negativamente a saúde, além de trazer consequências muito sérias em longo prazo
(NATIONAL INSTITUTE ON DRUG ABUSE, 2014).
Em estudos indica-se que adolescentes que usam substâncias psicoativas correm maior
risco de envolvimento com a criminalidade, bem como o desenvolvimento de problemas de
saúde mental (AVERDIJK et al., 2016; CONWAY et al., 2016). O consumo afeta
negativamente o desenvolvimento físico, cognitivo, emocional, comportamental, social e
espiritual dos adolescentes (MANYIKE et al., 2016; ROSE; GRANT, 2010). As
manifestações psiquiátricas como síndrome do pânico, psicose, homicídios, pensamentos
suicidas e dependência podem surgir a partir do uso constante de substâncias (CHINAWA et
al., 2014; MANYIKE et al., 2016).
O consumo de drogas nesse período é considerado crítico para o desenvolvimento de
transtornos pelo uso de substâncias, visto que o cérebro ainda está em desenvolvimento e é
maleável (uma propriedade conhecida como neuroplasticidade), e algumas áreas do cérebro
são menos maduras do que outras (FUHRMANN; KNOLL; BLAKEMORE, 2015;
VOLKOW; KOOB; MCLELLAN, 2016).
As partes do cérebro que processam sentimentos de recompensa e dor (fatores cruciais
para o uso de drogas) são as primeiras a amadurecer durante a infância. O que permanece
incompletamente desenvolvido durante a adolescência é o córtex pré-frontal e suas conexões
com outras regiões cerebrais (FUHRMANN; KNOLL; BLAKEMORE, 2015 O córtex pré-
44
frontal é responsável por avaliar situações, tomar decisões acertadas e controlar nossas
emoções e impulsos (VOLKOW; KOOB; MCLELLAN, 2016).
Os adolescentes são altamente motivados a buscar recompensas agradáveis e evitar a
dor, mas suas habilidades de julgamento e tomada de decisão ainda são limitadas
(FUHRMANN; KNOLL; BLAKEMORE, 2015). Isso afeta sua capacidade de avaliar os
riscos com precisão e tomar decisões acertadas, incluindo decisões sobre o uso de drogas
(VOLKOW; KOOB; MCLELLAN, 2016).
O NIDA descreveu que o consumo, quando ocorre em idade muito jovem, é um
preditor importante do desenvolvimento do transtorno relacionado ao uso de substância em
idades posteriores. A maioria das pessoas que tem transtorno por uso de substâncias iniciou o
consumo antes dos 18 anos, e o início dos problemas mais graves, aos 20,7 anos. Todavia,
acrescenta-se ainda que a probabilidade de desenvolver um transtorno por uso de substâncias
tem sido maior entre aqueles que começam a usar a substância no início da adolescência
(NATIONAL INSTITUTE ON DRUG ABUSE, 2014).
Em pesquisa australiana indicou-se que, entre adolescentes de 12 a 17 anos,
aproximadamente 75% já experimentaram álcool, um em cada dez se arrisca a sofrer danos
relacionados ao álcool mensalmente e um em cada seis experimenta drogas ilícitas, de acordo
com o Australian Institute of Health and Welfare (AUSTRALIAN INSTITUTE OF HEALTH
AND WELFARE, 2014). Esses dados são particularmente preocupantes, uma vez que o início
precoce do uso de substâncias está associado ao aumento considerável dos riscos de danos
relacionados ao álcool em curto e longo prazo (WORLD HEALTH ORGANIZATION,
2014), desenvolvimento de transtornos por uso de substâncias (BEHRENDT et al., 2009) e
transtornos mentais, como ansiedade e depressão (TEESSON et al., 2005).
Por meio de levantamento realizado nos EUA mostrou-se que, em 30 dias anteriores à
pesquisa, 32,8% dos estudantes adolescentes haviam feito uso de álcool, e 23,1%, de maconha
(EATON et al., 2012). Em outro estudo epidemiológico desse país, com 10.123 adolescentes
de 13 a 18 anos, os autores evidenciaram estimativas preocupantes, uma vez que 78,2% dos
adolescentes tinham consumido álcool e 15,1% preenchiam critérios de uso abusivo (na vida),
além disso, a oportunidade de usar drogas ilícitas foi relatada por 81,4% dos adolescentes
(SWENDSEN et al., 2012). Esses índices são preocupantes, tendo em vista o
desenvolvimento da dependência e as possíveis consequências sociais e à saúde.
O uso de substância entre os adolescentes também é prevalecente na Europa, sendo
que 72,1 e 67,7% de adolescentes espanhóis do sexo masculino e feminino, respectivamente,
consumiram álcool durante 30 dias anteriores à pesquisa. Os autores referiram ainda sobre o
45
consumo de drogas ilícitas que 32,8% dos meninos relataram consumo de maconha no mesmo
período, e 3,3%, anfetaminas (MUÑOZ-RIVAS et al., 2010).
Em estudo com 3.005 jovens mexicanos com idade entre 12 e 17 anos revelou-se que
59% já haviam usado álcool e essa proporção aumenta significativamente com a idade. Além
disso, no estudo relacionou-se que não frequentar a escola e o baixo monitoramento parental
estão associados à presença de alguma consequência gerada pelo uso do álcool na
adolescência (BENJET et al., 2014), causando, assim, impacto significativo no
comportamento de saúde dessa população (BITTENCOURT; FRANÇA; GOLDIM, 2015).
Em relação a dados epidemiológicos brasileiros, a frequência de uso tanto de drogas
permitidas legalmente quanto ilícitas é preocupante em relação à saúde pública. Em
levantamento nacional, realizado com 50.890 estudantes adolescentes de escolas públicas e
privadas de 27 capitais brasileiras, constatou-se que 25,5% dos participantes haviam “usado
na vida” alguma droga (exceto álcool e tabaco); 10,6%, “usado no último ano”; e 5,5%,
“usado no último mês”, com pequenas diferenças entre gêneros. As drogas mais citadas pelos
estudantes para o uso no último mês foram bebidas alcoólicas e tabaco, respectivamente 21,1
e 5,5%. Em relação às ilícitas, tiveram destaque os inalantes (2,2%), maconha (2,0%),
ansiolíticos (1,3%), cocaína (1,0%) e anfetaminas (0,9%), segundo o Centro Brasileiro de
Informações sobre Drogas (CEBRID, 2010).
No estudo de levantamento brasileiro, realizado com 60.973 adolescentes entre 13 e 15
anos, do 9º ano (8ª série) do ensino fundamental das capitais brasileiras e do Distrito Federal
(DF), concluiu-se que o consumo de bebida alcoólica nos últimos 30 dias foi de 27,3% dos
indivíduos pesquisados e o uso de drogas ilícitas foi referido por 3,3% dos adolescentes; além
disso, revelou-se que o desfecho do envolvimento em situações de violência física, nos 30
dias prévios ao estudo, foi associado ao bullying, consumo de bebida alcoólica e uso de
drogas ilícitas em ambos os sexos (ANDRADE et al., 2012).
Na capital de Minas Gerais, o levantamento brasileiro identificou que, no último mês,
as drogas mais consumidas pelos jovens foram álcool (28%), tabaco (9,2%), maconha (5,0%),
inalantes (5,0%) e cocaína (3,3%) (CEBRID, 2010), indicando, assim, consumo superior ao
do levantamento nacional.
Os comportamentos antissociais, bem como o uso de substâncias psicoativas e a
prática do bulliyng durante a adolescência são situações que podem agravar, ao longo do
tempo, e evoluir para problemas de conduta como criminalidade e a prática de violência
(OLIVEIRA et al., 2016). Por meio de pesquisas internacionais confirmou-se a relação entre o
46
consomem álcool e outras drogas, os adolescentes tendem a não fazer uso de substâncias
(OKULICZ-KOZARYN, 2010; SEEK MOON; RAO, 2011). Ainda é valido afirmar que os
problemas escolares podem tanto proceder do envolvimento em comportamentos de risco
quanto ser consequência dos mesmos (DONOLA CARDOSO; MALBERGIER, 2014).
É também no ambiente escolar que as relações entre os pares são estabelecidas e
ampliadas (HOORN et al., 2016; MERIANOS et al., 2017). O grupo de amigos é um dos
fatores subjacentes que afeta os comportamentos de uso de substância e envolvimento em
violência pelos adolescentes, no entanto, a natureza dessa relação ainda não é muito clara
(HOORN et al., 2016; TOMÉ et al., 2015). Esses podem modelar comportamentos e atitudes,
além de indicar fácil acesso, engajamento e contextos sociais apropriados à violência escolar e
ao consumo de substâncias (GLASER; SHELTON; VAN DEN BREE, 2010; JACOBS et al.,
2016).
Os ambientes escolares e os grupos de jovens geralmente enquadram os contextos
sociais e os limites dos adolescentes, promovendo relacionamentos de amigos e acentuando a
importância de pertencimento (BAUERMEISTER et al., 2009). Uma vez que os adolescentes
se juntam a um grupo de colegas, começam a incorporar as normas do grupo em seu próprio
comportamento (CROSNOE; MCNEELY, 2008), levando os adolescentes dentro do mesmo
grupo de amigos ou colegas a compartilhar ideias, crenças e comportamentos (MERIANOS et
al., 2017).
6. Materiais e Método
52
Esse inventário foi desenvolvido por Tarter, em 1990. O DUSI em versão revisada
(DUSI – R) é composto de 149 itens e tem por objetivo detectar o uso abusivo de álcool e/ou
drogas, bem como os aspectos problemáticos da vida do adolescente (ANEXO B). Esse
instrumento caracteriza-se por ser eficiente método para a realização de triagem em jovens
que podem estar necessitando de intervenção em problemas associados ao uso de drogas. A
versão brasileira foi traduzida, adaptada e validada por De Micheli e Formigoni (DE
MICHELI; FORMIGONI, 2000; DE MICHELI; FORMIGONI, 2002). Em estudo mostraram-
se excelentes propriedades psicométricas. Ainda que traduzida, tal versão permaneceu muito
semelhante à versão original, no idioma inglês. O tempo aproximado para seu preenchimento
é de 15 a 20 minutos (DE MICHELI; FORMIGONI, 2000).
O DUSI é de aplicação rápida e não requer treinamento exaustivo por parte dos
aplicadores. O instrumento é direcionado à população de adolescentes de 12 a 19 anos
(CAMPOS FERREIRA; MIRANDA MACHADO, 2013; DE MICHELI; FORMIGONI,
2000). De acordo com a autora da validação para a população brasileira, os itens desse
instrumento estão divididos em duas etapas e suas respectivas áreas (DE MICHELI;
FORMIGONI, 2000).
55
Etapa 1 – Uso de álcool e outras drogas. Trata-se de uma escala tipo Likert que varia
de “não sei” a “usei mais de 20 vezes”. Nessa etapa avalia-se a frequência de consumo de
álcool, tabaco e drogas ilícitas (anfetamina, ecstasy, cocaína, crack, maconha, alucinógenos,
tranquilizantes, ansiolíticos, esteroides, inalantes e solventes) nos últimos 30 dias. As drogas
lícitas foram consideradas (por exemplo, anfetaminas) usadas de forma censurável (sem
prescrição ou indicação médica). O sujeito que responder que usa álcool ou qualquer
substância por mais de três vezes, no período de 30 dias, será considerado usuário de drogas
(DE MICHELI; FORMIGONI, 2004; FRADE et al., 2013).
Etapa 2 – Essa etapa, em que se avaliam os problemas enfrentados na vida, é dividida
em dez áreas: uso de substância; comportamento; saúde; transtornos psiquiátricos;
sociabilidade; sistema familiar; escola; trabalho; relacionamento com amigos e
lazer/recreação. Os itens são respondidos dicotomicamente – sim ou não –, as respostas
afirmativas equivalem à presença de alterações (DE MICHELI; FORMIGONI, 2000;
MICHELI; FORMIGONI, 2002).
Após a aplicação da etapa 2 do DUSI, três índices podem ser calculados (MICHELI;
FORMIGONI, 2002):
-– Densidade Absoluta (DA): indica a intensidade de problemas em cada área
isoladamente. Essa densidade para cada área é calculada por meio do número de respostas
afirmativas em cada área, em seguida divide-se pelo número de questões da área calculada e
multiplica-se por 100.
– Densidade Relativa (DR): refere-se à contribuição percentual de cada área no total
de problemas. A densidade relativa é calculada para cada área, dividindo o valor da densidade
absoluta em cada área pela soma das densidades absolutas de todas as áreas, em seguida
multiplica-se por 100.
– Densidade Global (DG): determina a intensidade geral dos problemas. Esse terceiro
índice é calculado pela soma de todas as respostas afirmativas das dez áreas do DUSI,
dividindo pelo total de questões, e multiplicando por 100. O intervalo de pontuação obtido
será de 0 a 100%.
No estudo sobre as propriedades psicométricas da versão brasileira, em relação às respostas
afirmativas na área do uso de substâncias, o DUSI apresentou 80% de sensibilidade e 90% de
especificidade, com taxa de acerto de 83,6% para a totalidade da amostra. Já a área sob a
curva de Receiver Operating Characteristic (ROC) foi de 0,93, que demonstrou bom
desempenho global na área do uso de substâncias. Além disso, a versão brasileira apresentou
forte consistência interna e confiabilidade para toda a amostra, sendo o coeficiente alfa de
56
Para todos os testes foi considerado o nível de significância p<0,05. No quadro 1 encontram-
se os objetivos do estudo e os testes utilizados para alcançá-los.
Quadro 1 - Quadro dos objetivos propostos no presente estudo e o tipo de análise estatística
utilizada.
Objetivos Teste Estatístico
Caracterizar a amostra envolvida no estudo quanto a Frequência absoluta,
variáveis sociodemográficas e familiares porcentagem, média e
desvio-padrão
Caracterizar o consumo de substâncias psicoativas no último Frequência absoluta e
mês por categorias porcentagem
Descrever as frequências de uso de cada substância Frequência absoluta e
psicoativa no último mês porcentagem
Descrever as medidas da Densidade Absoluta (DA), Média, mediana, desvio-
Densidade Relativa (DR) e Densidade Global (DG) de padrão, valor mínimo e
problemas enfrentados na vida pelos adolescentes valor máximo
Descrever o envolvimento em bullying como vítimas e Média, mediana, desvio-
autores padrão, valor mínimo e
valor máximo
Análise do envolvimento em bullying como vítimas, Frequência absoluta e
autores, alvo/autor e envolvimento de alguma forma no porcentagem
fenômeno
Descrever os tipos de vitimização em bullying: violência Média, mediana, desvio-
psicológica, física e virtual padrão, valor mínimo e
valor máximo
Descrever os tipos de autoria em bullying: violência Média, mediana, desvio-
psicológica, física, virtual e material padrão, valor mínimo e
valor máximo
Analisar a relação entre o consumo de drogas e as variáveis Teste qui-quadrado,
sociodemográficas e familiares teste exato de Fisher e
Odds Ratio
Avaliar a relação do envolvimento em bullying e as Teste qui-quadrado,
variáveis sociodemográficas e familiares teste exato de Fisher e
Odds Ratio
Analisar a associação entre os problemas enfrentados na Comparação de médias
vida (DAP, DRP e DGP) e os tipos de substâncias
psicoativas
7. Resultados
61
Tabela 4 - Frequência do uso de acordo com o tipo de substância psicoativa no último mês,
segundo os estudantes do Ensino Fundamental. (n = 1192). Município do sul de Minas Gerais,
Brasil, 2013.
Não usou Ocasional Frequente Muito PUD DP
frequente
n % n % n % n % n % n %
Álcool 908 76,2 155 13,0 72 6,0 31 2,6 23 1,9 3 0,3
Anfetaminas* 1176 98,7 16 1,3 - - - - - - - -
Ectasy 1180 99,0 9 0,8 3 0,3 - - - - - -
Cocaína/Crack 1163 97,6 20 1,7 3 0,3 - - 5 0,4 11 0,9
Maconha 1139 95,6 30 2,5 4 0,3 3 0,3 5 0,4 11 0,9
Alucinógenos 1183 99,2 8 0,7 - - - - - - 1 0,1
Tranquilizantes* 1170 98,2 14 1,2 3 0,3 - - - - 5 0,4
Analgésicos* 1078 90,4 92 7,7 13 1,1 8 0,6 - - 1 0,1
Opiáceos 1078 98,8 4 0,3 7 0,6 2 0,2 - - 1 0,1
Anabolizantes 1183 99,2 8 0,7 - - - - - - 1 0,1
Inalantes/Solventes 1147 96,2 22 1,8 5 0,4 15 1,3 2 0,2 1 0,1
Tabaco 1134 95,1 16 1,3 20 1,7 3 0,3 5 0,4 14 1,2
Outras 1167 97,9 6 0,5 16 1,3 23 2,0 18 1,5 1 0,1
Nota: PUD = Problemas relacionados ao uso desta droga. DP = droga predileta. * = Sem prescrição médica.
65
Tabela 5 - Média, mediana, desvio-padrão, valor mínimo e máximo da DA, DR e DG nas dez
áreas de problemas (DUSI). (n = 1192). Município do sul de Minas Gerais, Brasil, 2013.
DA DR
DG
Vítima Autor
Média/DP (Min-Max) Média/DP (Min-Max)_
Violência psicológica 2,5±2,8 (0 - 16) 5,0±1,9 (4 - 17)
Violência física 2,7±2,6 (1 -19) 6,1±2,7 (5 - 28)
Violência virtual 0,3±0,9 (0 – 8) 2,1±0,5 (2 - 8)
Violência material 0,1±0,3 (0 -2) 2,3±0,9 (2 - 8)
Na Tabela 9 nota-se que o uso de qualquer tipo de droga foi maior em estudantes que
possuíam relacionamento familiar muito bom (p<0,001) e viviam com ambos os pais
(p<0,001), com valores estatisticamente significativos.
Relacionamento familiar
Muito bom 562 70,5 218 55,2 780 65,4 62,396 <0,001a
Bom 168 21,1 131 33,2 229 25,1
Regular/Ruim/ Muito ruim 67 8,4 46 11,6 113 9,5
Na Tabela 11 mostra-se que não houve relação significativa entre envolvimento como
autor de bullying e os aspectos familiares. De modo geral, observa-se predomínio de
adolescentes que moravam com os pais, com bons relacionamentos familiares.
Na análise múltivariada, nota-se que variáveis como ter idade de 12 anos (OR=1,4), ser
ateu (O=2,6) e morar em zona urbana (OR=2,3) aumentam as razões de chances de ser vítima de
bullying. Assim, considerando a situação de ser autor de bullying, as razões de chance aumentam
quando se apresentam as seguintes características: ter idade de 15 anos (OR=1,7) e morar em zona
urbana (O=2,4), e para ser alvo/autor as chances dobram apenas em relação à idade – ter idade de
13 anos (OR=2,0) (dados não apresentados em tabela).
73
Ao comparar as médias da DAP, DRP e DGP entre os adolescentes que usavam e não
usavam drogas, experimentalmente, notou-se que não houve diferenças estatisticamente
significativas entre as médias do DAP na presente amostra.
No entanto, ao comparar os valores médios da DRP observou-se que, na Área 7,
escola, a pontuação média foi maior em estudantes que não usavam drogas [média=9,4±7,7;
t=2,04], quando comparada aos que usavam drogas [média=8,4±7,6; t=2,019], com diferenças
estatisticamente significativas (p≤0,05).
Da mesma forma, ao avaliar a Área 10, lazer/recreação, a média DRP foi maior entre
estudantes que não usavam drogas [média=11,6±9,8; t=2,187], quando comparada aos que
usavam drogas [média=10,3±8,8; t=2,267], com diferenças estatisticamente significativas
(p≤0,05). Por fim, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre as
médias do DGP na comparação da amostra.
Ao comparar as médias da DAP, DRP e DGP do DUSI entre estudantes que usavam
ou não drogas (exceto álcool e tabaco), experimentalmente, identificou-se que:
Na Área 4, transtornos psiquiátricos, a maior média da DAP foi entre estudantes que
haviam usado drogas (exceto álcool e tabaco) [média=19±17,1; t=-2,267], quando
comparados ao grupo de adolescentes que não usava drogas (exceto álcool e tabaco)
[média=22,2±19,2; t=-2,438], com diferenças estatisticamente significativas (p≤0,005).
Na Área 5, competência social, notou-se média maior da DAP, sugerindo prejuízo em
estudantes que usavam drogas (exceto álcool e tabaco) [média=26,9±18,7; t=-3,494] quando
comparadas à do grupo de estudantes que não usava drogas (exceto álcool e tabaco)
[média=22,1±17,5; t=-3,641], com diferenças estatisticamente significativas (p≤0,05).
Quanto à Área 6, sistema familiar, a média da DAP também foi maior entre os
estudantes que usavam drogas (exceto álcool e tabaco) [média28,7±20,7; t=-1,905], quando
comparada à do grupo de estudantes que não usava drogas (exceto álcool e tabaco) [média
25,8±20,7; t=-1,905], com diferenças estatisticamente significativas (p≤0,05).
74
A média da DRP na Área 5, competência social, foi maior entre os estudantes que
usavam drogas (exceto álcool e tabaco) [média=13,1±7,7; t=-2,282], quando comparada à dos
estudantes que não usavam drogas (exceto álcool e tabaco) [média=11,7±8,4; t=-2,151], com
diferenças estatisticamente significativas (p≤0,05).
Na Área 7, escola, o valor médio da DRP foi maior entre os adolescentes que não
usavam drogas (exceto álcool e tabaco) [média=9,4±7,7; t=2,018], quando comparado ao dos
adolescentes que faziam uso de substâncias (exceto álcool e tabaco) [média=8,1±7,5;
t=2,045], com diferenças estatisticamente significativas (p≤0,05).
Ao comparar o valor médio da DGP entre os estudantes que usavam ou não drogas
(exceto álcool e tabaco), a média foi maior entre os estudantes que usavam drogas (exceto
álcool e tabaco) [média=28,9±12,3; t=-2,688], quando comparada à de estudantes não
usuários (exceto álcool e tabaco) [média=26,4±11,7; t=-2,766], com diferenças
estatisticamente significativas (p≤0,05).
t=1,996], quando comparada à dos adolescentes que usaram tabaco [média=1,8±4,8; t=3,269],
com diferenças estatisticamente significativas (p≤0,005).
Ao avaliar a relação entre as áreas de problemas enfrentados na vida e ser vítima, autor
e alvo/autor de bullying não houve diferença em relação às áreas da vida (DUSI) (Tabela 13).
Nota-se que adolescentes que praticaram bullying apresentaram problemas na área de
comportamentos, de ordem psiquiátrica, competência social, família, escola, relação com
amigos e lazer/recreação. Observa-se presença de associação estatisticamente significativa
entre a presença de problemas com comportamento (p=0,039) e alvos/autores de bullying.
Tabela 13- Relação entre os problemas enfrentados na vida e bullying entre os estudantes do
Ensino Fundamental. (n = 1192). Município do sul de Minas Gerais, MG, Brasil, 2013.
Vítima Autor Alvo/Autor
398 (%) 315 (%) 123 (%)
n % n % n %
Comportamento Ausc. 186 46,7 139 44,1 49 39,8
Pres. 212 53,3 176 55,9 74 60,2*
Saúde Ausc. 217 54,5 160 50,8 62 50,4
Pres. 181 45,5 155 49,2 61 49,6
Transtorno psiquiátrico Ausc. 162 40,7 134 42,5 46 37,4
Pres. 236 59,3 181 57,5 77 62,6
Competência Social Ausc. 144 36,2 108 34,3 47 38,2
Pres. 254 63,8 207 65,7 76 61,8
Família Ausc. 163 41,0 122 38,7 52 42,3
Pres. 235 59,0 193 61,3 71 57,7
Escola Ausc. 156 39,2 126 10,0 51 41,5
Pres. 242 60,8 189 60,0 72 58,5
Trabalho Ausc. 349 87,7 288 91,4 107 87,0
Pres. 49 12,3 27 8,6 16 13,0
Relação com os amigos Ausc. 86 21,6 66 21,0 23 18,7
Pres. 312 78,4 249 79,0 100 81,3
Lazer/Recreção Ausc. 178 44,7 131 41,6 50 40,7
Pres. 220 55,3 184 58,4 73 59,3
Nota: Ausc. = ausência de problemas; Pres. = Presença de problemas. Nota: Teste Exato de
Fisher (*p ≤ 0,05).
77
Tabela 14 - Média do percentual das densidades absoluta e relativa por sexo dos adolescentes
do Ensino Fundamental. (n = 1192). Município do sul de Minas Gerais, MG, Brasil, 2013.
Sexo daF daM p-valor drF drM p-valor
Densidades
8. Discussão
79
Nos estudos brasileiros (OLIVEIRA et al., 2016; TERROSO et al., 2016; ELICKER et
al., 2015) esse perfil de estudantes também foi diferenciado em relação aos observados nesta
pesquisa, uma vez que foi houve predominância do sexo masculino, de raça negra, mais
velhos, matriculados nos últimos anos do ensino fundamental e eram provenientes de escolas
privadas.
No presente estudo, a maioria dos adolescentes morava e estudava em escolas públicas
localizadas na zona urbana do município, além de frequentar eventos festivos mensalmente ou
quinzenalmente e professar a religião católica. Vale destacar que, no município investigado,
apenas duas escolas eram localizadas na zona rural e possuíam salas do 6º ao 9º ano. Esse
dado pode justificar a elevada frequência de escolares de zona urbana e a maior frequência
dos alunos em festas.
Quanto à vinculação religiosa, a religião católica foi a mais assinalada pelos
estudantes. As religiões que adotam normas mais conservadoras e rígidas tendem a apresentar
menor frequência de uso de drogas (SANCHEZ; NAPPO, 2007). Existe uma gama de
pesquisas em que se aponta a religião como fator de risco ou de proteção em face de diversos
comportamentos de risco e de aspectos de saúde (LUIS et al., 2014; SILVA et al., 2013).
Nesse contexto, parece funcionar, segundo sugere-se em alguns estudos, como fator protetivo
para o consumo de drogas.
A religião e a espiritualidade têm sido cada vez mais consideradas em estudos com
diversos grupos populacionais, dentre eles, os estudantes. A presença da prática religiosa ou
espiritual na vida do indivíduo pode atuar de forma positiva na percepção de satisfação pela
vida e afastar os estudantes dos comportamentos de risco inerentes a essa fase (GOEKE-
MOREY; CUMMINGS, 2017; GOMES et al., 2015). Os jovens, ao se envolverem em
práticas religiosas, aderem a um conjunto de valores, símbolos, comportamentos e práticas
sociais que favorecem comportamentos de abstenção e prevenção ao uso de drogas
(ABDALA et al., 2009).
Essas crenças e comportamentos podem influenciar positivamente a saúde mental, o
que talvez explique os potenciais riscos para o uso de drogas em adolescentes da presente
amostra que não pertenciam a nenhuma religião. Em estudos mostrou-se que os adolescentes
com vinculação religião relataram maior satisfação com a vida, bem-estar, satisfação com a
família e com as amizades (GOMES et al., 2015; SILVA; GIORDANI; DELL’AGLIO,
2017). Em estudo brasileiro realizado na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul (RS),
Brasil, com estudantes de 12 a 18 anos, mostrou-se que pouco mais da metade professava uma
81
farmácias, domicílios e escolas brasileiras, pois não há necessidade de receitas para seu
consumo. Porém, em pesquisa indica-se preocupação com o aumento do uso da substância no
início da adolescência e sua constância nesse momento de transição (WU; PILOWSKY;
PATKAR, 2008). Além disso, o uso acontece muitas vezes sem orientação ou indicação
médica ou mesmo de algum adulto, os pais ou responsáveis, e, por vezes, os adolescentes
desconhecem a dosagem e a frequência desse consumo (MITKA, 2004).
A maioria dos estudantes relatou consumo dessa substância de forma ocasional (7,7%)
e frequente (1,1%) nos últimos 30 dias. Esse dado reforça a cultura da automedicação, assim,
para tudo há um analgésico que cura. Acredita-se, ainda, que tanto os pais quanto os
adolescentes desconhecem os efeitos, mecanismos de ação e as contraindicações dos
analgésicos.
Há de se ressaltar que a dor entre adolescentes é evidenciada frequentemente em
rotinas escolares, atividades de lazer e recreação, problemas de sociabilidade e por privação
do sono (HARALDSTAD et al., 2011). No entanto, o uso excessivo sem prescrição pode
causar dores de cabeça induzidas pela própria medicação (ZED; LOEWEN; ROBINSON,
1999). Em estudo indica-se, também, que o uso frequente de analgésicos pode ser uma
estratégia de enfrentamento de problemas utilizada por alguns adoslecentes (KOUSHEDE;
HOLSTEIN, 2009).
Neste estudo, na avaliação do DUSI, o padrão de consumo de drogas como
cocaína/crack e maconha foi apontado como “substâncias prediletas” (exceto álcool e tabaco)
e às quais os adolescentes referem maiores problemas pelo uso (Tabela 4). No levantamento
brasileiro sobre o uso de álcool e drogas, realizado em 2012, foi destacado que o Brasil está
entre as nações com maiores taxas de consumo de crack no último ano, de pessoas com idade
igual ou superior a 14 anos (2,0%). Além disso, a dependência de cocaína foi estimada em
0,6% da população. Apontou-se, ainda, que o Brasil tem sido um dos maiores mercados
mundiais de consumo dessas substâncias (ABDALLA et al., 2016). Em estudo é ressaltado o
poder potencial dessa substância em gerar sobrecarga de transtornos mentais (BONADIMAN
et al., 2017), como episódios psicóticos, déficit cognitivo, alterações de humor, de
comportamento, além de problemas respiratórios, atos infracionais e violência (PAULA et al.,
2017).
A Academia Americana de Pediatria (AAP) atualmente recomenda que os
profissionais de saúde da atenção primária orientem e investiguem de modo sistemático o uso
de substâncias entre os adolescentes durante os cuidados clínicos de rotina, incorporando as
diretrizes de Rastreio de Uso de Substâncias, Intervenção Breve e/ou Referência para
85
Tratamento (Screening for Substance Use, Brief Intervention, and/or Referral to Treatment –
SBIRT) (LEVY; KOKOTAILO, 2011). Além disso, os profissionais devem considerar que,
apesar de os jovens possuírem características peculiares e semelhantes, possuem problemas
individualizados que podem estimular a adoção de comportamentos de risco à saúde.
Outra questão avaliada no presente estudo foi em relação aos problemas (DUSI)
enfrentados pelos adolescentes em seu cotidiano (Tabela 5). Ao analisar a intensidade de
problemas em cada área da vida dos adolescentes, aquelas com maiores intensidades de
problemas na DA e DR foram sistema familiar e saúde, sendo as mais prejudicadas, enquanto
trabalho destacou-se com menor nível de problema, tanto na avaliação da DA quanto na da
DR. As indicações afirmativas de todas as áreas do instrumento são formadoras DGP, que
apresentou média de 26,8%, considerada relativamente elevada (Tabela 5). Esses dados
corroboram parcialmente com os resultados apresentados no estudo epidemiológico realizado
com estudantes do 6º ao 9º ano, no município de Uberaba, MG. Os autores constataram que,
em ambas as densidades, o menor nível de problema foi relacionado à área trabalho, e as áreas
com maior intensidade foram sistema familiar e atividades de lazer/recreação (PEREIRA;
CASTRO; SANTOS, 2016).
Analisando esses resultados, pode-se pressupor que há problemas na relação entre o
adolescente e a família dos participantes da pesquisa, resultando em risco ao uso de álcool e
outras drogas.
Ambientes familiares estáveis contribuem para o ajuste psicossocial e mental dos
adolescentes. As interações familiares abertas apresentam oportunidades de ensino para que
os pais possam auxiliar no desenvolvimento de estratégias de enfrentamento de desafios na
adolescência, além de estimularem comportamentos saudáveis (ELGAR; CRAIG; TRITES,
2013). A comunicação entre a familia e o estabelecimento de relações afetivas com os pais
permite ainda que os adolescentes expressem suas preocupações e se sintam valorizados com
apoio familiar, pontos que estimulam o desenvolvimento psicológico e intelectual normal,
assim como adequada regulação emocional do adolescente (ALVES; RODRIGUES, 2010).
É importante salienter que, apesar de, neste estudo, o instrumento DUSI classificar o
sistema familiar como área em que a média de intensidade de problemas é elevada e com
valores próximos à DGP, a maioria dos estudantes indicou ter um bom relacionamento
familiar e morar com ambos os pais.
Entretanto, acredita-se que dinâmicas familiares abusivas e conflituosas, com
comunicação coercitiva e maus-tratos, são associadas a inúmeros prejuízos à saúde do
adolescente com envolvimento em situações de violência e uso de álcool e outras drogas
86
(ESPELAGE et al., 2014). Assim, os conflitos familiares, supervisão dos pais e qualidade do
relacionamento devem ser considerados pontos-chave para o desenvolvimento saudável da
adolescência em um momento em que esses estão mais vulneráveis a fatores que possam
representar maior risco para o uso e o abuso de substâncias psicoativas.
A área relacionada à saúde representa a de maiores riscos relacionados a acidentes,
prejuízos e doenças. Neste estudo não foi possível predizer quais são os fatores que sugerem
prejuízos à saúde do adolescente, entretanto, o instrumento indica questionamentos como
problemas com o sono, perda ou ganho de peso, alterações clínicas, problemas sexuais,
compartilhamento de seringas para o uso de substâncias, dentre outros.
Observa-se, porém, que existe carência de cuidado e rotinas de consulta para
adolescentes nesse período de transição (MCDONAGH; KELLY, 2010). O acompanhamento
por profissionais de saúde, nesse momento, é colocado em relevo com objetivo fundamental
de atender e acolher os jovens em suas necessidades e prioridades de cuidados de saúde
(SONNEVELD et al., 2013).
A menor densidade obtida foi na área que investiga a motivação para o trabalho.
Apesar do DUSI apresentar essa área, o trabalho não está diretamente relacionado à faixa
etária dessa população (11 a 15 anos). Porém, de acordo com a legislação brasileira, jovens a
partir dos 14 anos já podem adentrar no mercado de trabalho formal, como aprendizes, com
carga horária que não exceda seis horas diárias.
A contratação de aprendizes é regulamentada pelo Decreto n.º 5.598/2005, o qual
inclui a formação técnico-profissional por tempo determinado que seja compatível com a vida
escolar e com o desenvolvimento individual do adolescente, assegurando reais condições de
aprendizagem e ausência de impactos negativos do trabalho precoce (BRASIL, 2005).
Associado a esse Decreto, o ECA estabelece diretrizes para proteção da atividade laboral aos
menores (BRASIL, 1990).
Alguns autores consideram ainda que estudantes de 14 a 15 anos que fazem uso de
álcool e outras drogas não conseguem desempenhar o trabalho de aprendiz e, tampouco,
frequentar a escola de maneira adequada(RUZZI-PEREIRA; DE CASTRO; SANTOS, 2016).
Sendo assim, estimular a participação social, o engajamento em atividades produtivas e o
desenvolvimento de habilidades é fundamental para atuar em um conjunto de situações
cotidianas que protejam do uso e abuso de drogas.
Mediante os problemas enfrentados na vida pelos adolescentes, o instrumento DUSI
indica a intensidade geral de problemas. Assim, a média da DGP da amostra investigada foi
de 26,8%. A literatura aponta que densidades acima de 15% podem indicar perturbações na
87
vida dos adolescentes (NDETEI et al., 2009). Em estudos brasileiros nos quais utilizou-se o
instrumento na população adolescente, foram encontrados índices de DG de 32,7% (RUZZI-
PEREIRA; DE CASTRO; SANTOS, 2016) e 31% de problemas (FIGLIE et al., 2004).
Quanto às áreas do DUSI e suas relações, serão discutidas posteriormente, cabendo aqui
apenas sinalizar a frequência de ocorrência dessas condições na vida dos adolescentes.
Quanto ao envolvimento em situações de bullying, a pontuação média referente ao fato
de ser vítima do fenômeno foi de 14,60, enquanto a de ser autor, 13,50. É importante lembrar
que o escore máximo possível para ser vítima de bullying era de 40, e para autoria, 42 (Tabela
6). Em estudo nacional, no qual se utilizou a mesma população (do 6º ao 9º ano) e o mesmo
instrumento, mostrou-se escore médio de vitimização semelhante ao do presente estudo
(14,78), porém, para autoria, o escore médio de 3,99 apresentou acentuada diferença em
relação ao do presente estudo (FORLIM; STELKO-PEREIRA; WILLIAMS, 2014).
Provavelmente essa discrepância no escore médio dos adolescentes, classificados como
autores do fenômeno, ocorreu neste estudo em função da ausência de programas direcionados
aos estudantes que abordem as competências sociais positivas, com estratégias de convívio
em grupo e cooperação, comunicação eficaz com respeito a diferenças e aumento da
autoestima.
Sobre a prevalência de bullying, 33,4% dos participantes foram classificados como
vítimas; 26,4%, autores; e 10,3%, alvos/autores. Dos participantes, 590 (49,5%) estiveram
envolvidos de alguma forma nesse comportamento (Tabela 6). Tanto nos autores quanto nas
vítimas o tipo de violência física, seguido de violência psicológica, predominou entre os
adolescentes (Tabela 7). Esses resultados não são congruentes com a hipótese de que os
índices de envolvimento em bullying são semelhantes aos da literatura nacional, mas sim
superiores.
Esse achado chama atenção visto que a literatura mostra taxas de envolvimento no
fenômeno inferiores às observadas neste estudo (RECH et al., 2013; FORLIM; STELKO-
PEREIRA; WILLIAMS, 2014; SANTOS et al., 2014). Em outro estudo, realizado em Caxias
do Sul, RS, identificou-se que um em cada dez adolescentes foi vítima, enquanto 7,1%,
autores. Nesse trabalho foi utilizado, para avaliação do bullying, o questionário kidscape, de
origem inglesa, por meio do qual se avaliam vítimas e agressores, bem como suas
características (RECH et al., 2013).
No estudo realizado em São Carlos, SP, com estudantes do 6º ao 9º ano, a prevalência
foi de 16% para vítimas exclusivas, 11% para autores exclusivos e 23% para o envolvimento
de alguma forma no fenômeno (FORLIM; STELKO-PEREIRA;WILLIAMS, 2014). Em
88
Campina Grande, Paraíba (PB), 23,6 % dos estudantes afirmaram ter sofrido bullying, sendo a
maioria (87,7%) do tipo verbal (psicológico) e 19,7% do tipo físico ( SANTOS et al., 2014).
Nota-se que, no Brasil, tais diferenças entre os resultados de investigações são comuns em
estudos sobre vitimização entre os pares (WILLIAMS, 2014), seja pela diferença entre as
amostras, seja pela definição de bullying (PINHEIRO; ALBUQUERQUE; WILLIAMS,
2009) ou, também, pela ausência de instrumentos padronizados para a população brasileira
(FORLIM; STELKO-PEREIRA; WILLIAMS, 2014).
A literatura aponta, ainda, que a vitimização do fenômeno varia de acordo com
estudos e países. Em estudo de prevalência, em 16 países de baixa e média renda, da pesquisa
Global School-Based Student Health Survey (GSHS), apontou-se variação de prevalência de
bullying entre 7,8%, no Tajiquistão, e 60,9%, em Zâmbia. As maiores prevalências foram
descritas em meninos e estudantes mais jovens (FLEMING; JACOBSEN, 2010).
Essas diferenças refletem a necessidade da sistematização de instrumentos com
propriedades psicométricas avaliadas e maior acordo entre a definição do fenômeno pelos
pesquisadores da área (FORLIM; STELKO-PEREIRA; WILLIAMS, 2014).
No estudo atual, detectou-se associação positiva entre o consumo de qualquer tipo de
droga com a idade, ano em curso, raça, tipo de moradia, religião, participação em festas, tipo
e localização da escola (Tabela 8). Essas associações também ocorreram com as variáveis
familiares (Tabela 9). Considera-se, ainda, que, nas análises múltiplas, a idade (14 e 15 anos),
religião (ateu), ir a festas com muita frequência, com quem mora (amigos) e relacionamento
familiar (bom) foram as variáveis preditoras para o aumento das chances de consumo de
substâncias psicoativas entre os estudantes (dado não apresentado em tabela). Os dados
refletem o perfil dos adolescentes que consumiram substâncias psicoativas nos últimos 30
dias.
Esses resultados vão ao encontro de estudos desenvolvidos com adolescentes,
principalmente por indicarem que idade, religião, ambiente familiar e regras parentais
caracterizam-se, muitas vezes, como fatores de risco, representando vulnerabilidade potencial
para o uso de substâncias psicoativas (CARDOSO; MALBERGIER, 2013; FINAN et al.,
2015; LUIS et al., 2014; MALBERGIER; CARDOSO; AMARAL, 2012; MASON; SPOTH,
2011; REIS; OLIVEIRA, 2015). Evidências apontam, ainda, a importância de se avaliar
constantemente o uso de substâncias associado às condições sociais e de vulnerabilidade
psicossocial em que os adolescentes vivem, pois essas podem contribuir para a carga de
agravos e doenças na saúde pública durante o período da adolescência, incluindo gravidez não
89
festas juntamente com seus pares, e esses possuem grande influência, podendo encorajar à
experimentação envolvendo comportamentos de risco.
Na amostra, o risco de usar drogas aumenta em 10,8 vezes as chances para aqueles que
moram com amigos ou em instituições de acolhimento, e em 1,5 vezes em adolescentes que
classificaram o relacionamento familiar como bom. Deve-se considerar que a maioria dos
participantes residia com ambos os pais, sendo que os mesmos participantes classificaram o
relacionamento familiar como muito bom/bom.
O ambiente familiar pode resultar em comportamentos de proteção ao adolescente
(FINAN et al., 2015). No presente estudo, o entendimento do bom relacionamento familiar
entre os adolescentes que consumiram substâncias pode ser pensado em três caminhos, seja
por serem adolescentes que estão vivenciando o uso de substâncias por curiosidade (uso
experimental) e, que, de fato, não têm tido problemas em função do padrão de consumo, seja
pela falta de conhecimento dos pais a respeito da experiência do filho com as drogas, seja,
ainda, pela permissividade em relação ao uso, nas situações em que se interpreta essa
aproximação como um comportamento esperado e natural nessa fase da vida.
Em linha oposta a esses resultados, a literatura aponta que relações familiares
conflituosas (MOWEN; VISHER, 2015; TELZER; GONZALES; FULIGNI, 2014), violência
familiar (ESPELAGE et al., 2014), falta de monitoramento, ausência de diálogos
(GOLDFARB; TARVER; SEN, 2014) colaboram potencialmente para o envolvimento no uso
de drogas como mecanismo de enfrentamento de problemas familiares pelos adolescentes.
Dessa forma, estratégias preventivas devem avaliar a qualidade das relações familiares, pois
essas irão influenciar a vivência e enfrentamento, pelo adolescente, ao se deparar com os
riscos e inseguranças próprios dessa fase do desenvolvimento (MARCON; SENE;
OLIVEIRA, 2015).
Neste estudo, o aumento das chances de consumo de substâncias entre os adolescentes
que vivem ou viveram em instituições de acolhimento pode ocorrer devido à ausência de afeto
e estimulação adequada resultando em dificuldades de expressão emocional e interação
pessoal. Jovens que viveram institucionalizados por algum momento podem não desenvolver
os mecanismos de coping adequados para lidar com situações de vida estressantes (ALVES;
RODRIGUES, 2010)
No presente estudo, o envolvimento em bullying apresentou relação positiva com as
características sociodemográficas (Tabela 10). Adolescentes que foram classificados como
autores de bullying apresentaram associação positiva com a faixa etária entre 11 e 13 anos,
tipo de moradia (própria), religião (católica) e localização da escola/moradia (urbana). Já ser
91
vítima foi mais frequente em estudantes que frequentavam festas/baladas de uma a duas vezes
por semana e que moravam na zona urbana. Os adolescentes classificados como alvos/autores
de bullying frequentavam festas/baladas de uma a duas vezes por semana e moravam na zona
urbana. Os aspectos familiares não se diferenciaram nos três tipos de envolvimento no
fenômeno (Tabela 11). As condições sociodemográficas e o contexto social (escola) são
fatores importantes que interferem nas questões relacionadas ao desencadeamento e desfecho
do bullying.
Na análise multivarida, as chances para o aluno ser classificado como vítima de
bullying aumentaram em 1,4 vezes quando o escolar tinha 12 anos, dobravam quando
residiam em zona urbana e aumentavam 2,6 vezes quando se denominavam ateus. Já para os
que eram considerados autores de bullying, as razões de chance aumentavam em 1,7 vezes
quando o adolescente tinha 15 anos, e em 2,4 vezes quando moravam em zona urbana. Em
estudantes classificados como alvos/autores, dobraram as chances para os que tinham 13 anos
(dados não apresentados em tabela).
Diante dos resultados pode-se inferir que as chances para ser vítima aumentam em
adolescentes mais jovens, enquanto, para autor, o fenômeno ocorre em adolescentes em idade
mais avançada. Acredita-se que os mais jovens, ao iniciarem o ensino fundamental II, são
vítimas do fenômeno e convivem com a violência. Esses mesmos alunos, enquanto vítimas,
ao adentrarem nos anos finais do ensino fundamental, passam a praticar esse tipo de violência
com os mais jovens. Esses dados corroboram a literatura, a qual mostra que há uma relação
entre idade e bullying, com tendência de mudança de papéis à medida que aumenta a idade
entre os adolescentes (SANTOS et al., 2014; OLIVEIRA et al., 2016; MALTA et al., 2014b;
RECH et al., 2013).
Em estudo nacional com informações provenientes da PeNSE mostrou-se que as
chances para sofrer bullying aumentavam para os adolescentes menores de 13 anos e
diminuíam conforme a idade progredia (MALTA et al., 2014b). Em outras investigações
também indicou-se que tinham maiores chances de serem agressores adolescentes mais
velhos, em comparação aos mais novos (OLIVEIRA et al., 2016; RECH et al., 2013).
Os adolescentes sem religião e residentes em zona urbana têm maiores chances de
serem classificados como vítimas, e adolescentes de escolas de zona urbana, como autores.
Além dos aspectos sociais, as questões culturais dos adolescentes foram determinantes para o
envolvimento em situações de bullying.
Quanto à vinculação religiosa, apesar de a maioria dos estudantes católicos estar
associada à autoria, neste estudo destaca-se que nos adolescentes que se denominavam ateus
92
começa a frequentar festas e baladas, ele pode sofrer a pressão de pares e ficar exposto a
julgamentos ou ser motivo de chacotas e intimidação. Se o adolescente já tem autoestima
rebaixada, associada às transições psicossociais que são esperadas nessa fase do ciclo vital,
ele pode se tornar alvo preferencial dessas provocações dos colegas, o que reforça ainda mais
a prática reiterada do bullying.
Quanto aos problemas avaliados pelo DUSI, observou-se que as áreas transtornos
psiquiátricos, sistema familiar e competência social foram as mais prejudicadas nos
adolescentes que fizeram uso de drogas (exceto álcool e tabaco) no último mês (dados não
apresentados em tabela). No entanto, neste estudo não se observou associação entre o uso de
qualquer tipo de drogas, de álcool e de tabaco em relação às respectivas densidades. Esses
foram dados apresentados de forma descritiva nos resultados.
Existem evidências na literatura de que essas três áreas podem influenciar de maneira
significativa o consumo de substâncias na adolescência (CARDOSO; MALBERGIER, 2013;
CONWAY et al., 2016; FARMER et al., 2015; VANASSCHE et al., 2014). A associação
entre os transtornos psiquiátricos com o consumo de drogas pode ocorrer em sentidos
distintos. Tanto o uso de drogas pode influenciar o desenvolvimento de problemas como
ansiedade, depressão, problemas de conduta, relacionamento com os colegas, distúrbio de
atenção e hiperatividade como o inverso também é verdadeiro. É preciso considerar que esses
problemas podem ter origem interna ou se desenvolver mediante período de múltiplas
mudanças e pressão os quais os adolescentes vivenciam (FARMER et al., 2015;
VANYUKOV et al., 2012).
Em estudo com adolescentes brasileiros, na faixa etária de 11 a 19 anos, mostrou-se
associação entre os adolescentes classificados como dependentes de álcool e outras drogas
com a área transtornos psiquiátricos, assim como competência social e problemas familiares
(DE MICHELI; FORMIGONI, 2000). Já em investigação realizada com escolares de 12 a 17
anos, na Venezuela, foram indicadas associações positivas entre o uso de drogas (lícitas e
ilícitas) e maiores prejuízos nas áreas transtornos psiquiátricos (63%) e família (80%)
(REBOLLEDO; MEDINA; PILLON, 2004). É importante ressaltar que essas referências
utilizaram o mesmo instrumento da presente pesquisa (DUSI).
Ainda neste estudo, adolescentes que haviam usado drogas (exceto álcool e tabaco)
também apresentaram maiores comprometimentos na área competência social. Acredita-se
que déficit na autoafirmação, sentimento positivo e desenvolvimento social são problemas
que comprometem o desenvolvimento das habilidades sociais. Assim, os adolescentes tendem
a buscar nas drogas uma forma de lidar com tais dificuldades; entretanto, em estudos chama-
94
se atenção pois o consumo dessas substâncias aumenta ainda mais os prejuízos relacionados a
situações sociais (SCHNEIDER; LIMBERGER; ANDRETTA, 2016).
Com o objetivo de avaliar essa relação em 965 adolescentes, em estudo brasileiro
mostrou-se que o uso dessas substâncias foi associado à dificuldade em defender suas
opiniões, ser facilmente influenciado por outros, dificuldade em dizer não e em pedir ajuda e
medo de lutar por seus direitos (CARDOSO; MALBERGIER, 2013). Além disso, no mesmo
estudo considera-se que os adolescentes que usaram apenas álcool e apenas tabaco
apresentaram menor déficit de habilidades sociais do que aqueles que associaram as duas
substâncias.
Apesar dessa associação comprometer a saúde dos adolescentes, em outro estudo
indica-se que o desenvolvimento de habilidades e competências sociais no ambiente escolar,
associado a estratégias de prevenção ao consumo de álcool e outras drogas poderia contribuir
significativamente para minimizar o envolvimento dos adolescentes em comportamentos de
risco (SANTANA et al., 2017).
No presente estudo, os prejuízos na área do sistema familiar (DUSI) também foram
predominantes em adolescentes que consumiram drogas (exceto álcool e tabaco) nos últimos
30 dias. Há evidências na literatura de que o processo familiar desempenha papel
fundamental na indução de problemas sociais e comportamentais entre os jovens ou na
proteção desses (LOKE; MAK, 2013). O estilo de parentalidade em ambientes familiares
conflituosos, história familiar de problemas com substâncias (MARSHALL, 2014),
ausência ou baixo nível de supervisão e comunicação com pais (HUMMEL et al., 2013),
além da atitude indulgente dos responsáveis em relação ao consumo (BITTENCOURT;
FRANÇA; GOLDIM, 2015) são descritos como fatores potenciais para início e manutenção
do consumo de drogas. Alinhados a isso, em vários estudos encontrou-se que um bom
relacionamento familiar é fator protetor para o uso de substâncias ao longo da vida (LOKE;
MAK, 2013; MARES et al., 2011; VANASSCHE et al., 2014).
Em estudo brasileiro com 3.891 adolescentes, com média de idade de 13,8 anos,
mostrou-se que quase 90% declararam ter bom relacionamento com a mãe, e 68,5%, com o
pai. O relacionamento entre pais foi considerado bom em 65,2% dos alunos
(BITTENCOURT; FRANÇA; GOLDIM, 2015). Além disso, no mesmo estudo indicou-se
que um estilo de parentalidade autoritário e a existência de limites claros foram associados à
menor chance de consumo de drogas em detrimento de estilo de parentesco permissivo e
ausência de limites. Visto que a adolescência pode ser um período repleto de dificuldades e
95
situação. As vítimas, por outro lado, são aproximadamente duas vezes mais propensas ao uso
de drogas em comparação com a juventude não envolvida (VALDEBENITO; TTOFI;
EISNER, 2015).
Apesar de haver poucos estudos nos quais se avalie essa relação, a literatura oferece
algumas explicações teóricas para o vínculo entre a prática do bullying no ambiente escolar e
o uso de drogas. Autores concluíram que os adolescentes que provêm de ambiente familiar
conflituoso, caracterizado por pobre monitoramento parental e que têm a percepção da escola
como um espaço negativo tendem a praticar violência (COOK et al., 2010). Desse modo,
pode-se argumentar que o agressor pode estar envolvido no uso de drogas como forma de
lidar com experiências de vida estressantes dentro da família e/ou escola (VALDEBENITO;
TTOFI; EISNER, 2015).
Apesar de, no presente estudo, ter-se investigado o consumo de drogas nos últimos 30
dias e o envolvimento em bullying nos últimos seis meses, os resultados da correlação entre
os fenômenos ocorrem em um mesmo período, como é descrito em outros estudos
(BRADSHAW et al., 2013; TTOFI; FARRINGTON; LÖSEL, 2012). Porém, em algumas
investigações também chama-se atenção para a associação da prática do bullying durante a
adolescência e a predição do uso de drogas no início da vida adulta (BENDER; LÖSEL,
2011).
Sendo assim, os dados referentes a essa associação, independentemente do papel
desempenhado no bullying, fornecem alerta para o possível uso de substâncias psicoativas em
adolescentes matriculados no ensino fundamental II, porém, por ser um estudo transversal, o
inverso também pode ser verdadeiro. Na presente pesquisa, chama atenção a escassa
investigação destinada aos adolescentes agressores, na literatura. Isso pode estar ocorrendo
por questões culturais e por entendimento equivocado de que esses jovens não sofram os
efeitos associados ao bullying, resultando em frequentes intervenções e investigações
direcionadas prioritariamente às vítimas.
A relação positiva entre o envolvimento em bullying e o uso de substâncias psicoativas
neste estudo reflete a necessidade de mais levantamentos para melhor compreender como os
adolescentes brasileiros se comportam diante dos fenômenos. Essa necessidade é justificada
por ambos apresentarem alta prevalência nessa etapa da vida e, portanto, estarem presentes de
forma rotineira no cotidiano escolar, prejudicando o desempenho acadêmico dos jovens, bem
como por serem associados com vários problemas de saúde pública (BENDER; LÖSEL,
2011; HORTA et al., 2018).
97
(FARMER et al., 2012; FARMER et al., 2015; GUMPEL; SUTHERLAND, 2010; KELLY et
al., 2015). Entretanto, em pesquisas também aponta-se que o comportamento problemático do
adolescente é apoiado e/ou mantido pelo envolvimento no bullying (FARMER et al., 2015;
GUMPEL; SUTHERLAND, 2010; VAILLANCOURT; HYMEL; MCDOUGALL, 2003).
Em estudo envolvendo adolescentes australianos do 7º ao 9º ano mostrou-se que
estudantes que se envolveram em situações de bullying eram mais propensos a desenvolver
problemas comportamentais, como consumo de álcool e tabaco, ideação suicida e outros
problemas internalizantes e externalizantes (KELLY et al., 2015).
Neste estudo não foi possível indicar se os problemas de comportamentos levam ao
envolvimento em situações de bullying ou o inverso, porém, acredita-se que esses dois
fenômenos são prejudiciais ao desenvolvimento saudável do adolescente. Sendo assim, devem
ser monitorados e estimulados ao envolvimento em comportamentos com consequências
positivas.
No presente estudo, as densidades da área saúde e relacionamento com amigos
mostraram dados significativos em relação ao sexo. O sexo masculino está associado a
problemas de saúde, enquanto o feminino, a relacionamento com amigos (Tabela 14).
A associação dessas áreas com o sexo em adolescentes é muito comum, porém,
extremamente preocupante, uma vez que prejuízos nessas áreas podem influenciar o
envolvimento no consumo de substâncias psicoativas. A literatura mostra que o cuidado
clínico com a saúde dos adolescentes muitas vezes é negligenciado por programas na área da
saúde e pela falta de vínculo dos jovens com o serviço (ARAÚJO et al., 2016).
Além disso, na atenção primária há ocultamento de demandas e necessidades de saúde
dos adolescentes do sexo masculino. Essa ausência de foco é justificada pelos serviços
principalmente pela falta de paciência entre os homens e meninos, além da falta de vínculo
com o serviço (MOREIRA; GOMES; RIBEIRO, 2016).
Em estudo realizado em uma escola pública em Recife, Pernambuco (PE), com
adolescentes do sexo masculino do ensino fundamental, indicou-se que esses jovens têm
concepções de sua saúde a partir de construções de experiências de vida. Eles precisam
visualizar aspectos concretos de transformações no próprio corpo e sua saúde, e apresentam
dificuldade de discutir o assunto, o que muitas vezes difere da abordagem com o sexo
feminino (SENA et al., 2016). Acredita-se, ainda, que a forma de promover a saúde entre os
adolescentes deve ser feita de maneira semelhante entre os sexos, porém, as características
específicas devem ser abordadas para ambos.
99
principais problemas vivenciados nessa fase, para que se possa diminuir a incidência e a
interação entre os agravos, assim como agravos negativos na adolescência.
102
9. Conclusão
103
imediata, auxílio e apoio social sempre que perceber que está vivenciando situações
prejudiciais e/ou que coloquem em risco o seu desenvolvimento saudável. Parcerias
estabelecidas entre familiares, profissionais de saúde e da educação são necessárias nesse
contexto para que as consequências desses comportamentos de risco na vida desses jovens
sejam minimizadas.
Sugere-se a realização de estudos de delineamento longitudinal como estratégia de
conhecer e identificar melhor os fenômenos e os fatores envolvidos entre adolescentes
escolares, inclusive considerando as mais diversas realidades brasileiras, visto que este
estudo, até o presente momento, mantém seu caráter inédito.
105
Referências
106
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Possible Reasons for High Consumption of Crack/Cocaine and Amphetamine-type
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19 outubro 2016.
Anexos
144
PARTE I – Quantas vezes você usou uma das drogas listadas abaixo no ÚLTIMO MÊS?
Marque com um “x”, conforme a droga e as vezes que usou:
PARTE II – Por favor, responda todas as questões seguintes. Se alguma questão não se
aplicar exatamente, responda considerando o que ocorre com maior freqüência (Sim ou Não).
Responda as questões considerando o que ocorreu com você NOS ÚLTIMOS 12 MESES.
Caso alguma questão não se aplique a você, responda “Não”.
Apendicês
154
Prezado adolescente,
Você está sendo convidado (a) como voluntário (a) a participar da pesquisa “O uso de
drogas e o bullying em estudantes do 6° ao 9° ano do ensino fundamental”. Neste estudo
pretendemos identificar o uso de drogas e o bullying em estudantes do 6° ao 9° ano. O motivo
que nos leva a estudar esse assunto é avaliar a real dimensão do fenômeno e para que se
possam planejar intervenções que diminuam o problema. Para este estudo adotaremos o(s)
seguinte(s) procedimento: será realizada, antecipadamente a coleta de dados, um sorteio em
cada ano escolar aos quais os pais assinaram o TCLE. Os sorteados que desejarem participar
da pesquisa assinará o Termo de Assentimento. Se algum aluno sorteado se recusar a
participar da pesquisa será sorteado o próximo, até que se atinja o limite dos participantes
exigidos para a pesquisa. Os questionários serão aplicados coletivamente em sala de aula de
acordo com ano, dias e horários agendados previamente.
Para participar deste estudo, o responsável por você deverá autorizar e assinar um
termo de consentimento. Você não terá nenhum custo, nem receberá qualquer vantagem
financeira. Você será esclarecido (a) em qualquer aspecto que desejar e estará livre para
participar ou recusar-se. O responsável por você poderá retirar o consentimento ou
interromper a sua participação a qualquer momento. A sua participação é voluntária e a recusa
em participar não acarretará qualquer penalidade ou modificação na forma em que é atendido
(a) pelo pesquisador que irá tratar a sua identidade com padrões profissionais de sigilo. Você
não será identificado em nenhuma publicação. Este estudo não apresenta riscos. Seu nome ou
o material que indique sua participação não será liberado sem a permissão do responsável por
você. Os dados e instrumentos utilizados na pesquisa ficarão arquivados com o pesquisador
responsável por um período de 5 anos, e após esse tempo serão destruídos.
Eu, __________________________________________________, portador (a) do
documento de Identidade ____________________ (se já tiver documento), fui informado (a)
dos objetivos do presente estudo de maneira clara e detalhada e esclareci minhas dúvidas. Sei
que a qualquer momento poderei solicitar novas informações, e o meu responsável poderá
modificar a decisão de participar se assim o desejar. Tendo o consentimento do meu
responsável já assinado, declaro que concordo em participar desse estudo. Recebi uma cópia
deste termo assentimento e me foi dada a oportunidade de ler e esclarecer as minhas dúvidas.
Antecipadamente agradecemos,
__________________________________
Assinatura do Participante
_____________________________ ________________________________
Bárbara de Oliveira Prado Prof. Dr. Denis da Silva Moreira
Autora da Pesquisa Orientador da Pesquisa
Contato:
Bárbara de O. Prado = email: barbaraprado89@[Link] Telefone: (35) 9805-0665
Denis da S. Moreira = denismoreira@[Link] Telefone: (35) 8868-6009
Endereço: Rua Gabriel Monteiro da Silva, 700 – Centro, Alfenas – MG. Universidade Federal
de Alfenas.
155
Prezado(a) senhor(a),
Seu filho (a) está sendo convidado (a) a participar como voluntário(a) da pesquisa
intitulada “O uso de drogas e o bullying em estudantes do 6° ao 9° ano do ensino
fundamental”. Sua participação não e obrigatória, e a qualquer momento, ele poderá desistir
de participar e retirar seu consentimento. Sua recusa não trará nenhum prejuízo em sua
relação com a pesquisadora ou com a instituição. No caso de autorizar a participação de seu
filho, favor assinar ao final do documento. Você receberá uma cópia deste termo onde consta
o telefone e endereço dos pesquisadores, podendo tirar dúvidas do projeto e de sua
participação.
O estudo tem por objetivo identificar o uso de drogas e o bullying em estudantes do 6°
ao 9° ano do município. Para tanto, solicitamos a colaboração do (a) seu (sua) flho (a) para
assinalar os questionários referentes a dados pessoais, uso de substâncias psicoativas,
envolvimento em bullying e problemas enfrentados no cotidiano do adolescente.
Não haverá benefícios diretos para seu(sua) flho(a) por participar da pesquisa mas
esperamos gerar dados que auxiliem o conhecimento e prevenção a saúde dos adolescentes.
Se o adolescente sentir qualquer desconforto e precisar de ajuda poderá nos abordar e
tentaremos buscar o melhor caminho para resolver a situação.
Como benefício espera-se alcançar o objetivo que é identificar o uso de drogas e o
bullying em estudantes do 6° ao 9° ano e estabelecer uma possível relação existente entre o
bullying e o uso de drogas entre estudantes, e assim, podermos oferecer maiores informações
sobre o assunto e contribuir para que este problema não seja mascarado pela sociedade, pois
no Brasil existem lacunas de desinformação sobre as conseqüências do envolvimento em
bullying. Você não terá nenhum gasto com a sua participação no estudo e também não
receberá pagamento ou gratificação pelo mesmo. Sua participação não oferecerá riscos e
desconfortos.
A sua identidade será mantida em sigilo. Para garantir seu anonimato os resultados
serão sempre apresentados como o retrato de um grupo e não de uma pessoa. Dessa forma,
você não será identificado quando o material de seu registro for utilizado, seja para propósitos
de publicação cientifica ou educativa, somente serão divulgados dados diretamente
relacionados aos objetivos da pesquisa.
Antecipadamente agradecemos,
_____________________________ _____________________________
Bárbara de Oliveira Prado Prof. Dr. Denis da Silva Moreira
Autora da Pesquisa Orientador da pesquisa
1) Sexo:
( ) Feminino ( ) Masculino
2) Tipo de escola
( ) Pública ( ) Particular
3) Idade
4) Ano Matriculado:
6) Tipo de Moradia:
( ) própria ( ) aluguel ( ) outras. Especifique: ________________
7) Crença religiosa:
( ) Católica ( ) Evangélico
( ) Espírita ( ) Testemunha de Jeová
( ) Ateu (não acredita em Deus)
( ) Outra. Especificar:___________