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Comportamentos de Risco, Uso de Substâncias Psicoativas, e Problemas Relacionados em Adolescentes Escolares

Este estudo avaliou a relação entre o uso de substâncias psicoativas, envolvimento em bullying e problemas relacionados em adolescentes escolares, com uma amostra de 1.192 adolescentes de escolas públicas e privadas. Os resultados mostraram que 33,1% dos estudantes consumiram drogas, com 26,4% atuando como autores de bullying e 33,4% como vítimas. O uso de drogas foi associado a fatores como idade, religião e ambiente familiar, destacando a necessidade de ações preventivas para comportamentos de risco na adolescência.
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Comportamentos de Risco, Uso de Substâncias Psicoativas, e Problemas Relacionados em Adolescentes Escolares

Este estudo avaliou a relação entre o uso de substâncias psicoativas, envolvimento em bullying e problemas relacionados em adolescentes escolares, com uma amostra de 1.192 adolescentes de escolas públicas e privadas. Os resultados mostraram que 33,1% dos estudantes consumiram drogas, com 26,4% atuando como autores de bullying e 33,4% como vítimas. O uso de drogas foi associado a fatores como idade, religião e ambiente familiar, destacando a necessidade de ações preventivas para comportamentos de risco na adolescência.
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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

ESCOLA DE ENFERMAGEM DE RIBEIRÃO PRETO

BÁRBARA DE OLIVEIRA PRADO SOUSA

Comportamentos de risco, uso de substâncias psicoativas, bullying e problemas


relacionados em adolescentes escolares

RIBEIRÃO PRETO
2018
BÁRBARA DE OLIVEIRA PRADO SOUSA

Comportamentos de risco, uso de substâncias psicoativas, bullying e problemas


relacionados em adolescentes escolares

Tese apresentada à Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da


Universidade de São Paulo, para obtenção do título de Doutor
em Ciências, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem
Psiquiátrica.

Linha de pesquisa: Saúde Mental

Orientadora: Profa. Dra. Sandra Cristina Pillon

RIBEIRÃO PRETO
2018
Autorizo a reprodução e a divulgação total ou parcial deste trabalho, por qualquer meio
convencional ou eletrônico, para fins de estudo ou de pesquisa desde que citada à fonte.

Sousa, Bárbara de Oliveira Prado


Comportamentos de risco, uso de substâncias psicoativas, bullying e
problemas relacionados em adolescentes escolares. Ribeirão Preto, 2018.
157 p. :il.; 30 cm

[FICHA CATALOGRÁFICA]
Tese de doutorado, apresentada à Escola de Enfermagem de Ribeirão
Preto/USP. Área de concentração: Enfermagem Psiquiátrica
Orientador: Sandra Cristina Pillon

1. Adolescente. 2. População Vulnerável. 3. Bebidas Alcoólicas. 4. Abuso


de Substância. 5. Fatores de Risco. 6. Drogas Ilícitas. 7. Bullying.
SOUSA, Bárbara de Oliveira Prado
Comportamentos de risco, uso de substâncias psicoativas, bullying e problemas relacionados
em adolescentes escolares

Tese apresentada à Escola de Enfermagem de


Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, para
obtenção do título de Doutor em Ciências, Programa
de Pós-Graduação em Enfermagem Psiquiátrica.

Aprovada em: ____/____/____.

Comissão Julgadora

Prof. Dr.___________________________________________ Instituição: ______________


Assinatura: ________________________________________ Julgamento: ______________

Prof. Dr.__________________________________________ Instituição: _______________


Assinatura: ________________________________________ Julgamento: ______________

Prof. Dr.__________________________________________ Instituição: _______________


Assinatura: _______________________________________ Julgamento: _______________

Prof. Dr.__________________________________________ Instituição: _______________


Assinatura: ________________________________________ Julgamento: ______________

Prof. Dr.__________________________________________ Instituição: _______________


Assinatura: _______________________________________ Julgamento: _______________

Prof. Dr.__________________________________________ Instituição: _______________


Assinatura: ________________________________________Julgamento: ______________
DEDICATÓRIA

Dedico esta conquista primeiramente a Deus por ter concedido saúde e força para permanecer
no caminho dos estudos com dedicação e honestidade. Agradeço pela infinita misericórdia e
por sempre me impulsionar na fé.

O maior carinho e ternura vai para minha mãe, Aneide de Oliveira mulher que em todos os
momentos mostrou o seu imenso amor, cuidado e sabedoria, me guiou pela jornada da vida,
sempre me dando suporte e muitas vezes levando pela mão, permitindo pelos seus gestos
amorosos mais esta conquista acadêmica.

Ao mais fraterno amor sentido, dedico ao meu irmão Marcos Prado, parte de mim para todo
sempre, que através de seus gestos contidos sempre me condicionou a saber o quão a nossa
ligação é eterna e amorosa. Sempre transparece o seu apoio incondicional em minhas
decisões.

O que nas horas mais difíceis sempre esteve ao meu lado me incentivando a crescer a cada
dia, André Augusto de Sousa, marido amado de todos os momentos. Alguém que sabe entrar
e sair, sabe falar e se calar, cuja bondade e companheirismo extrapola qualquer merecimento
de minha parte.

E, indubitavelmente, não posso esquecer-me de minha avó, Maria de Lourdes, resgatando


todos estes anos de conselhos, aprendizado, carinho e amor. Agradeço-te por se dedicar a mim
como uma verdadeira mãe e me ensinar que fazer descobrir é a única forma de se ensinar.
AGRADECIMENTOS

A conclusão do doutorado além de um sonho concluído é o início de uma grande caminhada


no meio acadêmico. Para esta realização pessoal, muitas pessoas foram extraordinárias na
doação de apoio, carinho e respeito nos momentos de ausência. Meu mais nobre
agradecimento a todos.

À Profa. Dra. Sandra Cristina Pillon, cuja orientação foi desenvolvida por meio do carinho,
disponibilidade e compromisso em transmitir seus conhecimentos para que a escrita com
autonomia fosse desenvolvida. Direcionou minha postura profissional mediante colegas,
professores e alunos. Obrigado por ter acreditado em mim e sempre em todos os momentos
estar presentes me orientando. Tenho certeza que a relação construída superou o ambiente
acadêmico.

Aos docentes e disciplinas da pós-graduação da Escola de enfermagem de Ribeirão Preto que


abriram nossos horizontes sobre as reflexões e nos concederam a oportunidade de participar
de seus ensinamentos.

As funcionárias da pós-graduação Adriana e Flávia que sempre me atenderam com muita


atenção nas dúvidas e dificuldades que surgiram no decorrer do caminho.

Aos amigos que a Escola de Enfermagem me concedeu, Vivian, Sandra, Luiz Gabriel e
Bruna. Não tenho palavras para agradecer o carinho que transmitem a mim mesmo morando
tão distante.

Ao grande amigo André Luiz, que conheci na universidade e está diariamente presente em
minha vida como um verdadeiro irmão sempre me incentivando na vida pessoal e
profissional.

Aos adolescentes, familiares e respectivas escolas que entenderam a importância do


desenvolvimento da pesquisa e por tornarem protagonistas desta.

Manoel e Ana Carina pela disponibilidade e comprometimento em revisar nosso estudo em


todos momentos solicitados, além de me incentivarem em toda trajetória.
À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES, por ter
conferido suporte financeiro, possibilitando a dedicação integral da pesquisa.

Dra. Natália, por ter participado como membro da banca de qualificação e ter ofertado
sugestões importantes para o desenvolvimento do estudo.

Ao Prof. Dr. Denis, docente da Escola de Enfermagem de Alfenas – UNIFAL por ter
iniciado ao meu lado o caminho na primeira titulação stricto senso, me oferecendo todo seu
apoio durante o mestrado. Jamais esquecerei seu compromisso ético com o ensino.

A toda família, primos, tios e afilhados por compartilharem este longo tempo na pós-
graduação e acreditarem em minha capacidade.

Aos meus amigos de Areado-MG por entenderem meus momentos de ausência, aflições e
desespero, sempre me ajudando com atenção, respeito e afeto.

Aos meus primos Jocyara e Adriano que me hospedaram em sua residência com carinho,
gratidão pela acolhida.

A minha Tia Maria Carolina que no momento mais importante durante este percurso me
ajudou a manter firme e guiar a saúde de família aparados na fé cristã.

A minha colaboradora Maristela de Melo que cuidou com tanto carinho de mim e minha
família com atenção e alegria constante.

A toda minha amada família, irmão Marcos, avó, tios e primos que depositaram a confiança
em meu trabalho para vencer mais uma etapa importante em nossas vidas.

Enfim, a todos que de alguma forma contribuíram para que este sonho fosse concretizado,
meu eterno agradecimento.

Muito obrigada a todos!


Saltar sobre o vazio, pular de pico em pico. Não
ter medo da queda. Foi assim que se construiu a
ciência: não pela prudência dos que marcham,
mas pela ousadia dos que sonham. Todo
conhecimento começa com o sonho. O
conhecimento nada mais é que a aventura pelo
mar desconhecido, em busca da terra sonhada.
Mas sonhar é coisa que não se ensina. Brota das
profundezas do corpo, como a água brota das
profundezas da terra. Como Mestre só posso
então lhe dizer uma coisa: “Conte-me os seus
sonhos, para que sonhemos juntos!”
(ALVES, 2005, p. 76)
RESUMO

SOUSA, B. O. P. Comportamentos de risco, uso de substâncias psicoativas, bullying e


problemas relacionados em adolescentes escolares. 2018. 157 f. Tese (Doutorado) – Escola
de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2018.

O objetivo neste estudo foi avaliar a relação entre o uso de psicoativos, envolvimento em
bullying e problemas relacionados em adolescentes escolares. Trata-se de estudo de corte
transversal com abordagem quantitativa. Desenvolvido com 1.192 adolescentes, matriculados
do 6º ao 9º ano, de escolas públicas e privadas de um município do sul de Minas Gerais.
Seguiram-se neste estudo os aspectos éticos preconizados. Os instrumentos utilizados foram:
questionário de caracterização da amostra, Drug Use Screening Inventory e a Escala de
Violência Escolar – versão estudantes. Constatou-se que houve predomínio de adolescentes
do sexo feminino, com média de idade de 12,9 anos (desvio-padrão=1,3), variando entre 11 e
15 anos, de cor branca, que cursavam o 6º ano do ensino fundamental II, residiam em casa
própria, católicos, moravam com pai e mãe, tinham relacionamento familiar classificado
como muito bom, frequentavam festas de uma a duas vezes por semana, de escolas públicas e
localizadas na zona urbana. Da amostra, 33,1% dos estudantes consumiram algum tipo de
droga; 18,3%, drogas ilícitas; 23,8%, álcool; e 5%, tabaco. Quanto ao envolvimento em
bullying, 26,4% foram classificados como autores; 33,4%, vítimas; e 10,3%, alvo/autor do
fenômeno. O Sistema Familiar e a Saúde foram os problemas mais evidentes na vida dos
adolescentes. O uso de drogas foi associado à idade (14 e 15 anos), religião (ateu), bom
relacionamento familiar, morar com amigos/instituições, frequentar festa (uma vez ao mês, de
uma a duas vezes por semana, e de três a quatro vezes por semana). O consumo de álcool e
cocaína foram associados à autoria de bullying, ser vítima e usar algum tipo de droga (exceto
álcool e tabaco), enquanto ser alvo/autor foi relacionado à maconha. Adolescentes com
características como: ter idade (12 anos), ser ateu e morar em zona urbana aumentam as
razões de chances para ser vítima; ter 15 anos e morar na zona urbana, para ser alvo/autor e
ter idade de 13 anos para autor de bullying. Adolescentes que foram alvo/autores de bullying
apresentaram maiores problemas de comportamento quando comparados aos adolescentes não
envolvidos no fenômeno. Os dados fornecem subsídios para tomada de decisão em ações
voltadas para prevenção a comportamentos de risco durante a adolescência.

Palavras-chave: Adolescente. População Vulnerável. Bebidas Alcoólicas. Abuso de


Substância. Fatores de Risco. Drogas Ilícitas. Bullying.
ABSTRACT

SOUSA, B.O.P. Risk behaviors, use of psychoactive substances, bullying and related
problems in school adolescents. 2018. 157 f. Thesis (Doctoral) – University of São Paulo at
Ribeirão Preto College of Nursing, Ribeirão Preto, 2018.

The objective of this study was to evaluate the relationship between use of psychoactive
substances, involvement in bullying and related problems in school adolescents. This is a
quantitative cross-sectional study. It was conducted with 1192 adolescents attending between
the 6thand 9thgrade of public and private schools of a municipality in the south of Minas
Gerais. The study was in accordance with ethical aspects. The following instruments were
used: sample characterization questionnaire, Drug Use Screening Inventory (DUSI) and
School Violence Scale – students’ version. There was a predominance of female adolescents,
mean age of 12.9 years (SD = 1.3), ranging from 11 to 15 years old, white race, attending
6thgrade of primary education, living in their own homes, Catholics, living with their father
and mother, a family relationship classified as very good, attending parties once or twice a
week, of public schools located in the urban [Link] the sample, 33.1% used some type of
drug, of which 18.3% used drugs except alcohol and tobacco, 23.8% consumed alcohol, and
5% used tobacco. Regarding involvement in bullying, 26.4% were classified as perpetrators,
33.4% were victims and 10.3% were both the victim/perpetrator of the phenomenon. The
family system and health were the most evident problems in adolescents’ lives. Drug use was
associated with age (14 and 15 years), religion (atheist), good family relationship, living with
friends/institutions, attending parties (once a month, once or twice a week, and three to four
times a week). The consumption of alcohol and cocaine were associated with being a bullying
perpetrator; being a victim with the use some type of drug (except alcohol and tobacco); and
being the victim/perpetrator with the use of marijuana. Adolescents with characteristics such
as age of 12 years, atheist and who live in urban areas have increased odds of being a victim;
being 15 years old and living in the urban area increases the odds of being a
victim/perpetrator; and being 13 years old increases the odds of being a bullying perpetrator.
Adolescents who were victims/perpetrators of bullying presented greater behavior problems
compared to adolescents not involved in the phenomenon. These data provide support for
decision-making in actions aimed at preventing risky behaviors during adolescence.

Keywords: Adolescent. Vulnerable Population. Alcoholic beverages. Substance Abuse.


Riskfactors. Illicitdrugs. Bullying.
RESUMEN
SOUSA, B.O.P. Comportamientos de riesgo, uso de sustancias psicoactivas, bullying y
problemas relacionados en adolescentes escolares. 2018. 157 f. Tesis (Doctorado) - Escuela
de Enfermería de Ribeirão Preto, Universidad de São Paulo, Ribeirão Preto, 2018.

El objetivo del estudio fue evaluar la relación entre el uso de sustancias psicoactivas, la
participación en bullying y problemas relacionados en adolescentes escolares. Es un estudio
de transversal y enfoque cuantitativo. Desarrollado con 1192 adolescentes matriculados entre
el sexto al noveno año de escuelas públicas y privadas de un municipio del sur de Minas
Gerais. Los aspectos éticos se siguieron en el [Link] instrumentos utilizados fueron:
Cuestionario de caracterización de la muestra, Drug Use ScreeningInventory (DUSI) y la
Escala de Violencia Escolar - versión estudiantes. Se constató que hubo predominio de
adolescentes del sexo femenino, con promedio de edad de 12,9 años (DP = 1,3) variando entre
11 a 15 años, piel de color blanca, que cursaban el sexto año de la enseñanza básica
(fundamental II en Brasil), residían en casa propia, católicos, vivían con padre y madre, tenían
una relación familiar clasificada como muy buena, frecuentaban fiestas de una a dos veces por
semana, y escuelas públicas ubicadas en la zona [Link] la muestra, 33,1% consumieron
algún tipo de droga,de los cuales 18,3% consumieron drogas excepto alcohol y tabaco, 23,8%
alcohol y 5% tabaco. En cuanto a la participación en bullying, el 26,4% fueron clasificados
como autores, el 33,4% como víctimas y el 10,3% como víctima/autor del fenómeno. El
sistema familiar y la salud fueron los problemas más evidentes en la vida de los adolescentes.
El uso de drogas fue asociado a la edad (14 y 15 años), religión (ateo), buena relación
familiar, vivir con amigos/instituciones, frecuentar fiesta (una vez al mes, de una a dos veces
por semana, y de tres a cuatro veces por semana). El consumo de alcohol y cocaína se asoció
a la autoría de bullying; ser víctima se asoció a usar algún tipo de droga (excepto alcohol y
tabaco); y ser víctima/autor se asoció a la marihuana. Los adolescentes con características
como: tener 12 años de edad, ser ateo y vivir en zona urbana aumentan las razones de
posibilidades para ser víctima; tener 15 años y vivir en la zona urbana, para ser víctima/autor;
y tener una edad de 13 años para ser autor de bullying. Los adolescentes que fueron
objetivo/autores de bullyingtuvieron mayores problemas de comportamiento en comparación
con los adolescentes no involucrados en el fenómeno. Los datos proporcionan subsidios para
la toma de decisiones en acciones dirigidas a la prevención de comportamientos de riesgo
durante la adolescencia.
Palabras-clave: Adolescente. Población Vulnerable. Bebidas Alcohólicas. Abuso de
Sustancia. Factores de Riesgo. DrogasIlícitas. Bullying.
LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Quadro dos objetivos propostos no presente estudo e o tipo de análise estatística
utilizada.............................................................................................................................59
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Características sociodemográficas, segundo os estudantesdo Ensino Fundamental.


(n = 1192). Município do sul de Minas Gerais, Brasil, 2013. .......................................... 61

Tabela 2 - Aspectos familiares, segundo os estudantesdo Ensino Fundamental. (n = 1192).


Município do sul de Minas Gerais, Brasil, 2013. ............................................................. 62

Tabela 3 - Tipo de substância usada no último mês, segundo os estudantes do Ensino


Fundamental. (n = 1192). Município do sul de Minas Gerais, Brasil, 2013. ................... 63

Tabela 4 - Frequência do uso de acordo com o tipo de substância psicoativa no último mês,
segundo os estudantes do Ensino Fundamental. (n = 1192). Município do sul de Minas
Gerais, Brasil, 2013. ......................................................................................................... 64

Tabela 5 - Média, mediana, desvio-padrão, valor mínimo e máximo da DA, DR e DG nas dez
áreas de problemas (DUSI). (n = 1192). Município do sul de Minas Gerais, Brasil, 2013.
.......................................................................................................................................... 65

Tabela 6 - Descrição quanto ao tipo de envolvimento em bullying, média, mediana, desvio-


padrão, valor mínimo e máximo (n = 1192). Município do sul de Minas Gerais, Brasil,
2013. ................................................................................................................................. 66

Tabela 7 - Média, mediana, desvio-padrão, valor mínimo e máximo quanto ao tipo de


violência sofrida/cometida quando vítima ou autor de bullying. (n = 1192). Município do
sul de Minas Gerais, MG, Brasil, 2013. ........................................................................... 66

Tabela 8 - Caracterização sociodemográficas em relação ao uso de qualquer tipo de droga


usada, segundo os estudantes do Ensino Fundamental. (n = 1192). Município do sul de
Minas Gerais, MG, Brasil, 2013. ...................................................................................... 68

Tabela 9 - Relação entre consumo de drogas e as variáveis familiares, segundo os estudantes


do Ensino Fundamental. (N = 1192). Município do sul de Minas Gerais, MG, Brasil,
2013. ................................................................................................................................. 69

Tabela 10 - Relação entre bullying e características sociodemográficas, segundo os estudantes


do Ensino Fundamental. (n = 1192). Município do sul de Minas Gerais, MG, Brasil,
2013. ................................................................................................................................. 71

Tabela 11 - Relação entre o bullying e os apesctos familiares, segundo os estudantes do


Ensino Fundamental. (n = 1192). Município do sul de Minas Gerais, MG, Brasil, 2013.
.......................................................................................................................................... 72
Tabela 12 - Uso de drogas (no último mês) e o envolvimento em bullying, segundo os
estudantes do Ensino Fundamental. (n = 1192). Município do sul de Minas Gerais, MG,
Brasil, 2013. ...................................................................................................................... 75

Tabela 13- Relação entre os problemas enfrentados na vida e bullying entre os estudantes do
Ensino Fundamental. (n = 1192). Município do sul de Minas Gerais, MG, Brasil, 2013.
.......................................................................................................................................... 76

Tabela 14 - Média do percentual das densidades absoluta e relativa por sexo dos adolescentes
do Ensino Fundamental. (n = 1192). Município do sul de Minas Gerais, MG, Brasil,
2013. ................................................................................................................................. 77
LISTA DE ABREVIATURA E SIGLAS

AAP Academia Americana de Pediatria


ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas
AIDS Acquired Immunodeficiency Syndrome
AIHW Australian Institute of Health and Welfare
Caae Certificado de Apresentação para Apreciação Ética
Capes Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
Cebrid Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas
CEP Comitê de Ética em Pesquisa
DA Densidade Absoluta
DALYs Deaths Attributable to Disability Adjusted Life Years
DAP Densidade Absoluta do Problema
DF Distrito Federal
DG Densidade Global
DGP Densidade Global do Problema
DP Desvio-Padrão
DR Densidade Relativa
DRP Densidade Relativa do Problema
DSM-IV Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – 4th edition
DUSI Drug Use Screening Inventory (Inventário de Triagem do Uso de Drogas)
ECA Estatuto da Criança e do Adolescente
EERP Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto
ESPAD European School Survey Project on Alcohol and Other Drugs
EUA Estados Unidos da América
EVE Escala de Violência Escolar – versão estudantes
GSHS Global School-Based Student Health Survey
HIV Human Immunodeficiency Virus
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísitca
IFMUZ Instituto Federal de Muzambinho
NIDA National Institute on Drug Abuse
NSDUH National Survey on Drug Use and Health
OMS Organização Mundial da Saúde
OR Odds Ratio
PeNSE Pesquisa Nacional de Saúde Escolar
SBIRT Screening for Substance Use, Brief Intervention, and/or Referral to Treatment
Senad Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas
SPSS Software Statistical Products and Service Solutions
TA Termo de Assentimento
TCC Trabalho de Conclusão de Curso
TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
UFSCar Universidade Federal de São Carlos
UNE United Nations Educational
Unifal Universidade Federal de Alfenas
Unifenas Universidade José do Rosário Vellano
UNODC United Nations Office on Drugs and Crime
UNP United Nations Publications
USP Universidade de São Paulo
WHO World Health Organization
SUMÁRIO

1. APRESENTAÇÃO............................................................................................................24

2. INTRODUÇÃO.................................................................................................................27

3. OBJETIVOS......................................................................................................................33
3.1 Objetivo geral...................................................................................................................... 34
3.2 Objetivos específicos...........................................................................................................34

4. HIPÓTESES......................................................................................................................35

5. REVISÃO DE LITERATURA..........................................................................................37

6. MATERIAIS E MÉTODO................................................................................................51
6.1 Tipo de estudo .................................................................................................................... 52
6.2 Aspectos Éticos .................................................................................................................. 52
6.3 Local do estudo ................................................................................................................... 52
6.4 População e amostra ........................................................................................................... 53
6.5 Instrumentos para coleta de dados ...................................................................................... 54
6.5.1 Informações sociodemográficas ...................................................................................... 54
6.5.2 Drug Use Screening Inventory (DUSI) ........................................................................... 54
6.5.3 Escala de Violência Escolar – versão Estudantes ............................................................ 56
6.6 Procedimentos de coleta ..................................................................................................... 57
6.7 Análise dos dados ............................................................................................................... 58

7. RESULTADOS.................................................................................................................60
7.1 Análises descritivas ............................................................................................................ 61
7.1.1 Análise descritiva da caracterização dos estudantes do Ensino Fundamental................. 61
7.1.2 Análise descritiva da caracterização do consumo de substâncias psicoativas................. 63
7.1.3 Análise descritiva dos problemas enfrentados na vida (DUSI) ....................................... 65
7.1.4 Análise descritiva do envolvimento em bullying ............................................................ 66
7.2 Análises bivariada............................................................................................................... 67
7.2.1 Consumo de substâncias psicoativas, variáveis sociodemográficas e familiares ............ 67
7.2.2 Análise da relação bullying, variáveis sociodemográficas e familiares .......................... 70
7.2.3 Problemas enfrentados na vida e os tipos de substâncias psicoativas ............................. 73
7.2.4 Análise do consumo de substâncias psicoativas e envolvimento em bullying ................ 75
7.2.5 Áreas de problemas enfrentados na vida e envolvimento em bullying ........................... 76
7.2.6 Análise dos problemas enfrentados na vida e a variável sexo ......................................... 77

8. DISCUSSÃO.....................................................................................................................78

9. CONCLUSÃO.................................................................................................................102

REFERÊNCIAS..............................................................................................................105

ANEXOS.........................................................................................................................143

APÊNDICES...................................................................................................................153
24

1. Apresentação
25

As motivações para o meu envolvimento em atividades de pesquisas foram


desencadeadas desde a minha inserção no curso de graduação em Enfermagem. A proposta de
trabalhar com a presente temática tem sua origem nas minhas experiências, vivenciadas com
adolescentes nos períodos de realização de projetos de pesquisa e extensão na Universidade
José do Rosário Vellano (Unifenas), Minas Gerais (MG), os quais tinham como objeto de
estudo a melhoria da qualidade de vida dessa vulnerável população.
O envolvimento em pesquisas conferiu-me grande estímulo no direcionamento da vida
acadêmica, despertando o interesse pela docência. Com o início dos Estágios Curriculares e
Extracurriculares, principalmente na área de Saúde Pública, foi possível perceber a carência
de programas voltados aos adolescentes e seu engajamento em comportamentos de risco.
Dessa forma, busquei realizar o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) com essa população,
desenvolvendo a pesquisa “Transformações físicas e psíquicas: um olhar do adolescente”
(FILIPINI et al., 2013) , e, juntamente com essa, um estudo de iniciação científica intitulado
“Avaliação do conhecimento dos enfermeiros frente ao crescimento e desenvolvimento dos
adolescentes” (PEREIRA et al., 2012), ambos publicados na revista Adolescência e Saúde.
Ao trabalhar em projetos de pesquisa e de extensão na atenção aos adolescentes,
observei a escassez de programas que atendiam, com qualidade, os anseios dessa população,
assim como dos familiares em relação aos comportamentos de risco vivenciados nessa fase.
Na posição de acadêmica, com o desenvolvimento dos estudos foi possível observar que
muitos adolescentes necessitavam de cuidado direcionado a comportamentos de risco, como o
envolvimento em bullying, consumo de álcool e outras drogas, além de problemas na vida.
Visto que esses fenômenos podem ser considerados pela sociedade como aceitáveis, nesse
momento de transição, como forma de desenvolvimento da identificação do adolescente,
observei que esses podem se tornar agravos à saúde e ocasionar consequências irreversíveis,
prejudicando a saúde física e psíquica dos jovens.
Após a graduação, fui trilhando caminhos para o ingresso na pós-graduação, uma vez
que almejava muito o Mestrado em Enfermagem, na Universidade Federal de Alfenas
(Unifal), MG, assim, outras ferramentas puderam ser desenvolvidas para aprimorar o cuidado
dos adolescentes. Durante o mestrado, foi possível trabalhar com um banco de dados com
informações primárias de 1.192 adolescentes matriculados do 6º ao 9º ano do ensino
fundamental e realizar análises descritivas, traçando o panorama de uso de substâncias
psicoativas e envolvimento em bullying dessa população.
Simultaneamente à pós-graduação, iniciei minha trajetória profissional como docente
da disciplina “Assistência em Saúde Coletiva”, com ênfase no adolescente, no Instituto
26

Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais/Campus Muzambinho


(IFMUZ), assim, apurei meus conhecimentos nas disciplinas que ministrei, com aulas teóricas
e práticas voltadas para a saúde do adolescente.
No doutorado, as inquietações decorrentes das experiências vivenciadas, durante toda
minha trajetória, se mantiveram como objeto de estudo, mas, em parte, foram acalentadas,
quando observei que a assistência prestada pelos profissionais a essa população era limitada,
principalmente a direcionada aos comportamentos de risco, uma vez que havia escassez de
dados e várias lacunas da literatura sobre o uso de drogas e o envolvimento em bullying, bem
como os problemas enfrentados pelos adolescentes. Além disso, existe carência na elaboração
de políticas públicas pontuais decorrentes da diversidade cultural brasileira. Acrescenta-se,
ainda, que o despreparo dos profissionais e mesmo o desinteresse do adolescente em procurar
ajuda nos serviços de referência contribuem para o envolvimento nesses comportamentos, o
que pode causar agravos à saúde.
Diante de tais aspectos, analisar os fatores decorrentes do consumo de drogas,
intensidade de problemas e o envolvimento em bullying em adolescentes, bem como avaliar
como essas variáveis interagem entre si, foi minha principal inquietação. Assim, os dados
gerados no presente estudo são necessários para fomentar políticas públicas de educação e
saúde que contribuam na prevenção de tais fenômenos em adolescentes escolares.
27

2. Introdução
28

A adolescência é um período complexo e muito especial, que faz parte do ciclo vital
em que jovens experimentam a oportunidade de autoconstruir sua identidade (WANG;
FREDRICKS, 2014). Período esse que se inicia com as mudanças físicas, cognitivas e sociais
que ocorrem no início da puberdade (BLACKMORE; MILLS, 2014). Esse momento de
transição chama atenção em termos de mudanças associadas às alterações biológicas e
hormonais com adaptação em novas rotinas, círculo social, aumento da autonomia (VAN
DEN AKKER et al., 2014), as transformações físicas e o início dos relacionamentos sexuais
(SULEIMAN; HARDEN, 2016).
Essas mudanças corroboram o desenvolvimento de conflitos e descobertas, podendo
gerar curiosidade, confusão, frustração sobre os obstáculos, ansiedade, raiva, inveja, medo e
falta de controle, podendo influenciar profundamente várias alterações cognitivas e
comportamentais (PEKRUN, 2017) importantes para a construção da identidade do indivíduo.
Vinculadas a essa complexa rede de entrelaces de comportamentos, sentimentos e
desenvolvimento, encontram-se as estruturas cerebrais que são responsáveis pelo
processamento cognitivo, percepções e controle de impulsos, que ainda se encontram em
processo de amadurecimento nessa fase (BLAKEMORE; MILLS, 2014; ROMEO, 2017;
VÁŠA et al., 2017)
Ao mesmo tempo em que os adolescentes estão vivenciando essa fase de transição, até
então desconhecida, eles vivenciam importante momento para adoção de novas práticas e
muitos envolvem-se em comportamentos de risco, potencialmente capazes de agravar a saúde
física e mental (BITTENCOURT; FRANÇA; GOLDIM, 2015).
As influências desses comportamentos são designadas de risco principalmente por
representarem ameaça à saúde futura dos adolescentes (BLAKEMORE; MILLS, 2014).
Geralmente esses passam despercebidos pela sociedade, vistos como forma de identificação
do adolescente, porém, alguns podem prejudicar e gerar consequências principalmente para a
saúde mental desses jovens (WHEELER et al., 2017).
Além dos vários conflitos associados, inerentes a essa fase, os adolescentes passam
por um período de reorientação social, estabelecendo distanciamento proposital dos pais e
maior engajamento entre os pares, onde as opiniões de colegas se tornam mais importantes em
relação aos membros da família (KALVIN; BIERMAN, 2017). Assim, o desejo de ser aceito
pelos pares e evitar a rejeição social é particularmente essencial na adolescência, podendo
compor a justificativa de inserção dos jovens nesses comportamentos (BLAKEMORE;
MILLS, 2014).
29

Dentre os diversos comportamentos esperados para essa idade, geralmente é nessa


etapa da vida que a experimentação do consumo de substâncias psicoativas pode ocorrer
(THORNBERRY et al., 2016). Diversas têm sido as razões que justificam esse consumo
experimental, como redução da ansiedade, estímulo para conversar com os pares e os do sexo
oposto, forma de integrar-se a um grupo, aumentar a confiança, além da disponibilidade,
acesso da substância e influência dos pais (ANYANWU; IBEKWE; OJINNAKA, 2016).
Os adolescentes podem ainda iniciar o consumo com base em fatores genéticos,
problemas de internalização e externalização (MARSHALL, 2014), ou mesmo por serem
filhos de pais com problemas relacionados ao uso de álcool e/ou drogas (WICHERS;
GILLESPIE; KENDLER, 2013), a procura por novas sensações, desinibição comportamental,
transtornos de conduta, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, depressão e estresse
ambiental são também alguns fatores associados ao desenvolvimento de transtornos
relacionados ao uso de substâncias na adolescência (KHURANA et al., 2015; MARSHALL,
2014).
Por outro lado, em estudos epidemiológicos internacionais e nacionais constatam-se
questões importantes relacionadas ao uso de substâncias na adolescência. Em uma recente
pesquisa da United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC), revelou-se que o uso de
substâncias entre os jovens geralmente inicia-se com o uso de álcool, tabaco e maconha, por
serem de fácil acesso a esse público, segundo a United Nations Educational (UNE) (2017). Os
dados mostram que, no mundo, um em cada quatro adolescentes de 13 a 15 anos já consumiu
álcool nos últimos 12 meses; quanto ao tabaco, uma em cada dez meninas e um em cada cinco
meninos usaram na vida, com taxas mais baixas para o consumo de maconha.
Em relação às taxas de consumo de álcool na adolescência, observa-se grande
preocupação quanto às questões de saúde e educação, uma vez que é a droga mais consumida
por essa população e de primeira escolha (BROWN, 2013; PATRICK; SCHULENBERG,
2014). Apesar do consumo de álcool ser legalizado, sua venda e fornecimento a menores de
18 anos são proibidos por lei, no Brasil; entretanto, é notório que a proibição não tem
contribuído para a redução de taxas de consumo entre adolescentes (ANDRADE et al., 2012).
Existe diversidade de fatores que pode contribuir positivamente para o comportamento
do beber entre adolescentes e jovens, tais como a necessidade de socialização,
relacionamentos amorosos, família, expectativas, crenças e contextos sociais (PRATTA;
SANTOS, 2013). No contexto social brasileiro, o consumo de álcool tem estado sempre muito
presente, seja em situações de comemoração, seja para o alívio de sofrimento, uma vez que
possui a função de liberador de emoções, além de causar reações de bem-estar momentâneo.
30

Todavia, esse tipo de consumo é o que mais tem preocupado, uma vez que, com as mudanças
nos repertórios de uso e à medida que o consumo se torna constante e desprazeroso, ou
mesmo em função da curiosidade, outros tipos de drogas de abuso podem vir suprir esses
efeitos (KIRBY; BARRY, 2012).
Em estudo realizado em Minas Gerais com adolescentes de 12 anos de escolas
públicas e particulares, revelou-se que pouco mais de um terço dos estudantes havia
consumido álcool, além disso, foi observado que o uso de álcool tem ocorrido ainda na
infância e que a média de idade do primeiro consumo era de 10,8 anos. Chama atenção a
precocidade do consumo dessa substância e a importância de se pesquisar os fatores
associados, visto que esses contribuem para formulação de políticas de prevenção (PAIVA et
al., 2015).
Avaliar os fatores e comportamentos de risco de cada região é essencial para prevenir
e realizar intervenções específicas a cada localidade, diante do consumo de álcool e outras
drogas (KIRBY; BARRY, 2012). Em estudos evidenciou-se que o consumo de substâncias
psicoativas na adolescência está diretamente relacionado a fatores como sexo, escolaridade,
nível socioeconômico, frequência em bares e festas, convivência com amigos, ausência de
prática esportiva (PRATTA; SANTOS, 2013), idade de primeiro consumo, ambiente familiar
conflituoso, ausência de vinculação religiosa, consumo de álcool pelos pais (REIS;
OLIVEIRA, 2015), ter sofrido violência física (ESPELAGE et al., 2014) e envolvimento em
bullying (ANDRADE et al., 2012).
Acrescenta-se, ainda, que as implicações em comportamentos de risco nessa fase de
transição não apenas influenciam a mortalidade, mas também contribuem para agravos à
saúde e prejuízos a todo sistema de saúde pública (KIRBY; BARRY, 2012). As
consequências em curto prazo do consumo precoce de álcool e outras drogas incluem
abandono escolar, maior risco de agressão, suicídio, homicídio, lesões acidentais, morte por
intoxicação alcoólica (CASTELLANOS-RYAN et al., 2013), disseminação do Vírus da
Imunodeficiência Humana e da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (em inglês HIV e
AIDS, respectivamente) pelo compartilhamento de agulhas, aumento do risco de mortes por
acidentes veiculares, delinquência juvenil (HALL et al., 2016; TAGHIZADEH
MOGHADDAM et al., 2016) e uma série de problemas comportamentais e de saúde mental
em longo prazo.
Além do uso de substâncias psicoativas evidenciar comportamento problemático para
a saúde dos adolescentes brasileiros, o envolvimento em bullying também compõe esse
31

cenário comportamental visto as consequências que estão vinculadas, tanto para os praticantes
como para as vítimas (TTOFI et al., 2016).
Apesar de as investigações sobre o bullying no Brasil serem recentes e existirem
poucos estudos consistentes em que se examine essa dimensão específica relacionada aos
jovens (OLIVEIRA et al., 2016) em estudos indica-se que o envolvimento com esse
fenômeno, além de ser um comportamento de risco para saúde, também amplifica a adoção de
comportamentos como relação sexual precoce, ansiedade, depressão e, principalmente, o
consumo de substâncias psicoativas (OLIVEIRA et al., 2016; PELEG-OREN et al., 2012).
Em estudo indica-se, ainda, que o fenômeno influencia o uso de substâncias no início da
adolescência e o uso de múltiplas drogas no final dessa fase e início da idade adulta
(REISNER et al., 2015), favorecendo, assim, a exposição à violência.
Quanto ao conceito de bullying, esse tem sido descrito como um subconjunto de
comportamento agressivo, no entanto, recentemente houve consenso na literatura sobre sua
definição, a qual foi amparada em três vertentes: comportamento agressivo intencional,
frequentemente repetido e que ocorre normalmente em um contexto de desequilíbrio de poder
(GLADDEN, 2014a).
Por meio de revisão sistemática e metanálise sustenta-se que o envolvimento em
bullying, durante os anos escolares, aumenta a probabilidade de consequências em uma média
de seis a sete anos posteriores aos episódios, além do envolvimento com o uso de drogas,
depressão e violência (TTOFI; FARRINGTON; LÖSEL, 2012). Em estudos indica-se, ainda,
que o envolvimento em bullying na escola pode ter correlação ou concomitância com e/ou ser
preditor do consumo de substâncias psicoativas, em longo prazo (BRADSHAW et al., 2013;
FARRINGTON; TTOFI; LÖSEL, 2011).
Concomitantemente a esses comportamentos de risco, os adolescentes enfrentam
problemas característicos dessa etapa do ciclo vital. Problemas de comportamento
(MONAHAN et al., 2014), transtornos psiquiátricos (ansiedade, depressão e/ou
comportamento antissocial), nas habilidades sociais (VOROBJOV; SAAT; KULL, 2014), na
família e escola (CONNOLLY, 2017; EWING et al., 2015) e a dificuldade de relacionamento
com os amigos (SANCHAGRIN; HEIMER; PAIK, 2017; VINER; ALLEN; PATTON,
2017), são situações que, no caso de comprometimento desses domínios, podem modular os
adolescentes para o desenvolvimento de comportamentos não saudáveis.
Assim, entre os estudos em que se identificam fatores de risco para o engajamento em
comportamentos que refletem prejuízos à saúde do adolescente, em poucos são abordados
simultaneamente os fenômenos do uso de substâncias psicoativas, envolvimento em bullying
32

e os problemas enfrentados. Nesse sentido, é importante analisar as informações sobre os


padrões de coocorrência, as quais são relevantes se considerar seu caráter inédito em estudos
nacionais.
Os dados gerados são de extrema relevância para apoiar políticas públicas e estratégias
de proteção à saúde do adolescente, além de fundamentar o trabalho de profissionais de saúde
e educação e sustentar o adolescer saudável, mediado pela atuação familiar.
33

3. Objetivos
34

3.1 Objetivo geral

Neste estudo o objetivo foi avaliar a relação entre o uso de substâncias psicoativas,
envolvimento em bullying e problemas relacionados em adolescentes escolares.

3.2 Objetivos específicos

• Avaliar as características sociodemográficas e familiares dos adolescentes escolares.


• Identificar o consumo de substâncias psicoativas, envolvimento em bullying e os
principais problemas enfrentados na vida pelo adolescente.
• Analisar a relação entre o consumo de drogas, as informações sociodemográficas e
familiares dos estudantes.
• Avaliar a relação entre os problemas enfrentados na vida, o consumo de substâncias
psicoativas e variáveis sociodemográficas.
• Avaliar a relação das características sociodemográficas e classificação do bullying,
segundo autor, vítima e alvo/autor.
• Identificar as relações entre uso de drogas e o envolvimento em bullying entre
adolescentes escolares.
• Avaliar a relação entre o envolvimento em bullying e a presença de problemas na vida
35

4. Hipóteses
36

• A taxa do uso de substâncias psicoativas nos estudantes de 11 a 15 anos, do município do


sul de Minas Gerais, é semelhante às taxas encontradas em estudos de levantamento
nacional.
• A ocorrência seja como vítima, seja como autor ou alvo/autor possui frequências
semelhantes às encontradas em estudos brasileiros anteriores.
• O envolvimento em bullying entre adolescentes escolares seja como vítima, seja como
autor ou alvo/autor é maior entre os que usam substâncias psicoativas.
• Ser vítima, autor e alvo/autor de bullying diferencia-se em relação ao sexo, faixa etária,
raça, religião, participação em festas/baladas, série, tipo de escola, localização da escola e
variáveis familiares.
• Adolescentes que fazem uso de substâncias psicoativas e estão envolvidos em bullying
apresentam mais enfrentamento de problemas na vida.
37

5. Revisão de literatura
38

5.1 Adolescência, comportamentos de risco, consumo de substâncias psicoativas e


envolvimento em bullying

O termo adolescente descreve o processo de desenvolvimento de uma criança para o


início da vida adulta. É derivado do verbo latino adolescere, que significa “crescer”
(LITWILLER; BRAUSCH, 2013). É compreendido como o período que acarreta importantes
transformações biológicas, cognitivas, emocionais e sociais, marcado pelo desenvolvimento
da autonomia e independência, assim como pela experimentação de novos comportamentos
(GRABOWSKI et al., 2017; SYED; MCLEAN, 2018).
Associada a essa fase, a puberdade está presente e compreende o desenvolvimento de
caracteres sexuais secundários, aceleração do crescimento, desenvolvimento cerebral,
maturação sexual e início das funções reprodutivas (KELLY et al., 2017; VINER; ALLEN;
PATTON, 2017). É acompanhada por maturação final de múltiplos sistemas e órgãos, grandes
alterações no sistema nervoso central e mudanças psicossociais dramáticas (VINER et al.,
2015). É nesse período que o cérebro do adolescente está construindo e fortalecendo redes
neurais a um ritmo mais rápido em detrimento de qualquer outro tempo no desenvolvimento
humano (GIEDD et al., 1999).
Paralelamente a tais desenvolvimentos biológicos, há importantes mudanças no
desenvolvimento psicossocial, incluindo o papel desempenhado na sociedade e as mudanças
comportamentais associadas (CONNOLLY, 2017; VINER et al., 2015). Nesse período, uma
das mudanças mais importantes para os jovens é a adaptação ao ambiente escolar no ensino
fundamental e a interação com os pares da mesma idade, pontos esses que estão associados à
transição do ambiente familiar para o escolar de maneira mais intensa (CONNOLLY, 2017).
Desde o momento em que os jovens começam o ensino fundamental, socializar com colegas
torna-se gradualmente o objetivo central de suas vidas, atitude que influenciará vários
domínios de personalidade e de comportamentos (VINER et al., 2015).
Em estudos indica-se que os comportamentos na adolescência muitas vezes podem
trazer riscos e agravos à saúde (CONNOLLY, 2017; VINER et al., 2015). Paralelamente,
observa-se, na atualidade, maior exposição a fatores de risco para a saúde, como uso de
tabaco, consumo de álcool (PATRICK; SCHULENBERG, 2014), drogas ilícitas,
envolvimento em violência escolar (bullying) (LE et al., 2017; MALTA et al., 2011; Malta et
al. 2014a) e problemas associados ao desenvolvimento (CONWAY et al., 2016; DONOLA;
39

MALBERGIER, 2017; FARMER et al., 2015; KELLY et al., 2015; MAGALHÃES et al.,
2017).
Nesse período de adaptação, uma das formas de violência a que o adolescente está
exposto é a escolar. O comportamento agressivo praticado rotineiramente entre os pares é
conhecido como bullying (TERROSO et al., 2016). O bullying (do inglês bully) envolve
comportamentos com diferentes tipos de violência que vão desde insultos verbais e
hostilização à agressão física (CARVALHO MALTA et al., 2010; MELLO et al., 2017). Os
comportamentos agressivos são normalmente repetidos, intencionais e ocorrem no contexto
de um desequilíbrio de poder (GLADDEN, 2014; OLWEUS, 2013).
O envolvimento nesse comportamento, por ocorrer em situações de interação entre
pares, principalmente no ambiente escolar, envolve uma relação na qual o agressor visa causar
danos à vítima de diferentes formas (RIGBY; GRIFFITHS, 2011). Observa-se neste contexto,
a violência física (bater e chutar um colega, por exemplo), verbal (uso de apelidos que
humilham, insultos e chingamentos), psicológica (excluir, amendrontar, perseguir e propagar
rumores) e virtual ou cyber (textos agressivos e postagens em redes sociais) (OLWEUS,
2013; PIGOZI; MACHADO, 2015; WANG; IANNOTTI; NANSEL, 2009).
O fenômeno é um ato caracterizado como intencional (MALTA et al., 2014a), que,
sob a perspectiva da vítima, se tem utilizado também o termo vitimização (BODEN et al.,
2016). O comportamento adota atos de opressão, intimidação, chacotas, agressão física,
discriminação, dentre outros tipos de violência (OLWEUS, 2013). A frequência de
vitimização entre os pares é maior no final da infância e início da adolescência com taxas
diminuindo no final deste período e início da vida adulta (JUVONEN; GRAHAM, 2014).
Por ser um tipo de comportamento agressivo, o bullying produz sérios efeitos
negativos para as vítimas, com relatos de consequências em longo e curto prazo (OLWEUS,
2011). Para os adolescentes, a vitimização está associada a efeitos prejudiciais em várias
áreas, como comportamentos de saúde, problemas psicológicos e acadêmicos (COPELAND
et al., 2013; HOLT et al., 2017; SWEARER; HYMEL, 2015). Entretanto, pesquisadores
indicaram que ser vítima pode ter efeitos diferenciais com base na idade em que ocorrem as
agressões (MCDOUGALL; VAILLANCOURT, 2015). Em estudo de metanálise apontaram-
se evidências em que a vitimização na adolescência está relacionada a problemas de saúde
mental, como depressão, ansiedade, ideação e comportamentos suicidas (MOORE et al.,
2017).
Gradualmente, tem-se investigado por meio de pesquisas a prevalência do fenômeno e
suas associações (EARNSHAW et al., 2017; FORLIM; STELKO-PEREIRA; WILLIAMS,
40

2014; MALTA et al., 2014a; MELLO et al., 2017), porém, não existe consenso na literatura
sobre a prevalência média do fenômeno, visto que sua definição foi formulada recentemente.
Entretanto, é um fenômeno considerado problema de saúde pública, pelo aumento constante
dos episódios em diferentes culturas e as consequências envolvidas são direcionadas ao
processo de ensino-aprendizagem, na saúde física e psicológica dos adolescentes em idade
escolar (OLIVEIRA et al., 2016).
Em pesquisa realizada pelas Nações Unidas com 100 mil jovens de 18 países mostrou-
se que, em média, metade já havia sofrido algum tipo de bullying por razões como aparência
física, gênero, orientação sexual, etnia ou país de origem, como consta da United Nations
Publications (UNP) (2016). No Brasil, esse percentual é de 43%, taxa semelhante à de outros
países da América do Sul, como Argentina (47,8%), Chile (33,2%), Uruguai (36,7%) e
Colômbia (43,5%). Em países desenvolvidos, a taxa também gira em torno de 40 a 50%,
como é o caso da Alemanha (35,7%), Noruega (40,4%) e Espanha (39,8%) (UNITED
NATIONS PUBLICATIONS, 2016). Porém, é importante destacar que o uso de instrumentos
para avaliação dessa prevalência é distinto em cada país.
Em outro estudo, epidemiológico, envolvendo 79 países destacou-se média elevada de
envolvimento em bullying, quando os adolescentes eram classificados como vítimas. Nesse
estudo, 30% dos estudantes haviam sido vítimas, sendo que quatro ou mais episódios de
agressões físicas foram relatados entre meninos (10,7%) e entre meninas (2,7%) (ELGAR et
al., 2015).
Estimativas nos Estados Unidos da América (EUA) indicam que cerca de 10% dos
jovens relataram ser vítimas de bullying durante a vida (NANSEL et al., 2001) e cerca de um
quarto dos estudantes do ensino médio relataram algum tipo de vitimização. Em estudo
desenvolvido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) – em inglês World Health
Organization (WHO) – indicou-se prevalência média de 14% de vitimização em adolescentes
de 13 anos, com variações entre os países. A maior frequência de vitimismo ocorreu na
Lituânia (29%), e a menor, na Suécia (4,5%) (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2008).
Na Austrália, a prevalência nos últimos 12 meses foi indicada por 13,3% dos
estudantes de 11 a 17 anos. Nesse estudo mostrou-se, ainda, que os adolescentes apresentaram
risco aumentado e associado a problemas psicológicos, emocionais e comportamentais, uso de
substâncias e tentativas de suicídio (THOMAS et al., 2017).
Na América Latina, o fenômeno também tem sido alvo de investigações nos diferentes
países, ocasionado principalmente pelos reflexos das desigualdades sociais (FLEMING;
JACOBSEN, 2009; MELLO et al., 2017). Em outro estudo desenvolvido na Colômbia, com
41

1.931 estudantes de 11 a 19 anos, mostrou-se prevalência de bullying de 41,9% entre os


adolescentes (HERRERA-LÓPEZ; ROMERA; ORTEGA-RUIZ, 2017). Dados de um
levantamento no Peru indicaram prevalência de agressão autorreferida em 37,5% de uma
amostra de 65.041 estudantes peruanos (ROMANÍ; GUTIÉRREZ; LAMA, 2011).
No Brasil, apesar dos levantamentos terem ocorrido mais tardiamente, a Pesquisa
Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), em suas duas primeiras edições, também revelou
índices crescentes de envolvimento dos estudantes brasileiros em situações de bullying
(CARVALHO MALTA et al., 2010; MALTA et al., 2014a), com aumento de 5,4%, em 2009,
e 7,2%, em 2012.
De acordo com a literatura (CARVALHO MALTA et al., 2010; HERRERA-LÓPEZ;
ROMERA; ORTEGA-RUIZ, 2017; MALTA et al., 2014a, 2014b; ROMANÍ; GUTIÉRREZ;
LAMA, 2011) nota-se incremento nas taxas de prevalência desse tipo de violência escolar no
início da adolescência, motivado principalmente pelas relações e conflitos entre os pares.
Apesar de as consequências para as vítimas de bullying serem indicadas nos estudos
(COPELAND et al., 2013; HOLT et al., 2017; SWEARER; HYMEL, 2015), em poucos ainda
investiga-se o papel do agressor; porém, esses também sofrem as consequências do fenômeno
e contribuem para sua manutenção entre os escolares (MELLO et al., 2017). Em estudos
brasileiros mostrou-se que escolares identificados como agressores têm maior probabilidade
de envolverem-se em comportamentos que causam riscos à saúde (MALTA et al., 2011,
2014a).
No Brasil, a literatura aponta que o estudante que pratica bullying pode apresentar
maiores chances de consumo de substâncias psicoativas, problemas de socialização,
adaptação ao ambiente escolar e dificuldades emocionais (OLIVEIRA et al., 2016). Assim,
essas consequências, resultantes da prática do fenômeno, não somente influenciam o
desenvolvimento individual dos adolescentes envolvidos, mas também o contexto escolar no
qual estão inseridos.
Quando avaliada essa população, por meio de evidências, mostrou-se que os
praticantes são, em maioria, do sexo masculino (RECH et al., 2013), adolescentes mais velhos
(OLWEUS, 2013) que apresentam sofrimento mental (OLIVEIRA et al., 2016) e não
necessariamente são os estudantes mais populares no ambiente escolar (BINSFELD; DE
MACEDO LISBOA, 2010).
Outra característica importante apontada na literatura refere-se aos aspectos
relacionados ao ambiente familiar conflituoso. Em estudos indica-se que os adolescentes
tendem a sofrer violência física na família, ter pouca ou nenhuma supervisão dos pais ou
42

responsáveis(FOSTER; BROOKS-GUNN, 2013; ZOTTIS et al., 2014). O comportamento


familiar favorece a manutenção do bullying escolar (BEVILACQUA et al., 2017).
Além de o bullying ser prevalecente nessa população vulnerável, o consumo de
substâncias psicoativas antecede o fenômeno e é amplamente reconhecido como importante
problema de saúde global (CONWAY et al., 2013; SWENDSEN et al., 2012; THOMPSON;
RIVARA; WHITEHILL, 2015; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2014; YUSOFF et
al., 2014). O relatório mundial sobre drogas divulgou que aproximadamente 250 milhões de
pessoas usaram substâncias psicoativas em 2015 (UNODC, 2017). O aumento do consumo
dessas substâncias entre adolescentes tem determinado a busca por novas e eficientes
estratégias de intervenção, alinhadas à escola, família e profissionais de saúde no estímulo a
comportamentos saudáveis aos adolescentes (ANDRADE et al., 2017).
O uso do álcool é progressivo à idade, assim, quando estão no final do ensino
fundamental e início do ensino médio, quase 70% dos estudantes já experimentaram álcool,
metade já consumiu drogas ilícitas, quase 40% fumaram cigarro e mais de 20% usaram
medicamentos controlados sem prescrição médica (JOHNSTON et al., 2013). Apesar desses
dados serem de uso experimental, as estimativas de projeções para o longo da vida causam
preocupação por sua prevalência intensificar na idade adulta, coincidente com o período
universitário.
O consumo de álcool, tabaco e drogas ilegais nessa população específica é um
problema de importância jurídica, econômica e de saúde, visto que em todos países onde
existe restrinção ao consumo essa população sempre estará aparada por políticas de prevenção
(ARROYO; CORONAS, 2017). Essa preocupação, alinhada ao aumento das taxas de
consumo de drogas, é justificada por ser um período de crucial importância para o
desenvolvimento de transtornos associados ao uso de substâncias ao longo da vida
(MERIKANGAS; MCCLAIR, 2012).
A probabilidade de consumo na adolescência é muitas vezes determinada pela
interação de vários fatores, incluindo fatores de risco ambientais, como disponibilidade de
substâncias e oportunidade de uso, além de fatores familiares, religiosidade e influências dos
pares (CLEVELAND et al., 2008; PATRICK; SCHULENBERG, 2014; SLOBODA;
GLANTZ; TARTER, 2012).
Várias são as razões para o adolescente iniciar o consumo de substâncias psicoativas
(ARROYO; CORONAS, 2017; MERIKANGAS; MCCLAIR, 2012). Evidências apontam
para o desejo de novas experiências (GRABOWSKI et al., 2017; SYED; MCLEAN, 2018),
tentativa de lidar com problemas (GRABOWSKI et al., 2017), melhorar o desempenho
43

acadêmico (GLASER; SHELTON; VAN DEN BREE, 2010; JACOBS et al., 2016) ou
simplesmente pressão dos pares (BAUERMEISTER et al., 2009; CROSNOE; MCNEELY,
2008). Além dessas razões, a genética hereditária em um adolescente deve ser considerada por
conter traços de vulnerabilidade, personalidade e dificuldade de controle de impulsos,
segundo o National Institute on Drug Abuse (NATIONAL INSTITUTE ON DRUG ABUSE,
2014).
Outros fatores externos como a disponibilidade de drogas no bairro, na comunidade e
na escola influenciam o adolescente a experimentar as substâncias. O ambiente familiar
também é importante: violência, abuso físico ou emocional, doença mental ou uso de drogas
no domicílio aumentam essa probabilidade. Finalmente, as crenças de associação de que as
drogas são “legais” ou inofensivas aumentam também e estão vinculadas ao período
experimental (NATIONAL INSTITUTE ON DRUG ABUSE, 2014).
Os adolescentes são “biologicamente conectados” para buscar novas experiências e
assumir riscos, assim como para esculpir sua própria identidade. O uso de drogas pode
cumprir todos esses impulsos normais de desenvolvimento, porém, de maneira que afete
negativamente a saúde, além de trazer consequências muito sérias em longo prazo
(NATIONAL INSTITUTE ON DRUG ABUSE, 2014).
Em estudos indica-se que adolescentes que usam substâncias psicoativas correm maior
risco de envolvimento com a criminalidade, bem como o desenvolvimento de problemas de
saúde mental (AVERDIJK et al., 2016; CONWAY et al., 2016). O consumo afeta
negativamente o desenvolvimento físico, cognitivo, emocional, comportamental, social e
espiritual dos adolescentes (MANYIKE et al., 2016; ROSE; GRANT, 2010). As
manifestações psiquiátricas como síndrome do pânico, psicose, homicídios, pensamentos
suicidas e dependência podem surgir a partir do uso constante de substâncias (CHINAWA et
al., 2014; MANYIKE et al., 2016).
O consumo de drogas nesse período é considerado crítico para o desenvolvimento de
transtornos pelo uso de substâncias, visto que o cérebro ainda está em desenvolvimento e é
maleável (uma propriedade conhecida como neuroplasticidade), e algumas áreas do cérebro
são menos maduras do que outras (FUHRMANN; KNOLL; BLAKEMORE, 2015;
VOLKOW; KOOB; MCLELLAN, 2016).
As partes do cérebro que processam sentimentos de recompensa e dor (fatores cruciais
para o uso de drogas) são as primeiras a amadurecer durante a infância. O que permanece
incompletamente desenvolvido durante a adolescência é o córtex pré-frontal e suas conexões
com outras regiões cerebrais (FUHRMANN; KNOLL; BLAKEMORE, 2015 O córtex pré-
44

frontal é responsável por avaliar situações, tomar decisões acertadas e controlar nossas
emoções e impulsos (VOLKOW; KOOB; MCLELLAN, 2016).
Os adolescentes são altamente motivados a buscar recompensas agradáveis e evitar a
dor, mas suas habilidades de julgamento e tomada de decisão ainda são limitadas
(FUHRMANN; KNOLL; BLAKEMORE, 2015). Isso afeta sua capacidade de avaliar os
riscos com precisão e tomar decisões acertadas, incluindo decisões sobre o uso de drogas
(VOLKOW; KOOB; MCLELLAN, 2016).
O NIDA descreveu que o consumo, quando ocorre em idade muito jovem, é um
preditor importante do desenvolvimento do transtorno relacionado ao uso de substância em
idades posteriores. A maioria das pessoas que tem transtorno por uso de substâncias iniciou o
consumo antes dos 18 anos, e o início dos problemas mais graves, aos 20,7 anos. Todavia,
acrescenta-se ainda que a probabilidade de desenvolver um transtorno por uso de substâncias
tem sido maior entre aqueles que começam a usar a substância no início da adolescência
(NATIONAL INSTITUTE ON DRUG ABUSE, 2014).
Em pesquisa australiana indicou-se que, entre adolescentes de 12 a 17 anos,
aproximadamente 75% já experimentaram álcool, um em cada dez se arrisca a sofrer danos
relacionados ao álcool mensalmente e um em cada seis experimenta drogas ilícitas, de acordo
com o Australian Institute of Health and Welfare (AUSTRALIAN INSTITUTE OF HEALTH
AND WELFARE, 2014). Esses dados são particularmente preocupantes, uma vez que o início
precoce do uso de substâncias está associado ao aumento considerável dos riscos de danos
relacionados ao álcool em curto e longo prazo (WORLD HEALTH ORGANIZATION,
2014), desenvolvimento de transtornos por uso de substâncias (BEHRENDT et al., 2009) e
transtornos mentais, como ansiedade e depressão (TEESSON et al., 2005).
Por meio de levantamento realizado nos EUA mostrou-se que, em 30 dias anteriores à
pesquisa, 32,8% dos estudantes adolescentes haviam feito uso de álcool, e 23,1%, de maconha
(EATON et al., 2012). Em outro estudo epidemiológico desse país, com 10.123 adolescentes
de 13 a 18 anos, os autores evidenciaram estimativas preocupantes, uma vez que 78,2% dos
adolescentes tinham consumido álcool e 15,1% preenchiam critérios de uso abusivo (na vida),
além disso, a oportunidade de usar drogas ilícitas foi relatada por 81,4% dos adolescentes
(SWENDSEN et al., 2012). Esses índices são preocupantes, tendo em vista o
desenvolvimento da dependência e as possíveis consequências sociais e à saúde.
O uso de substância entre os adolescentes também é prevalecente na Europa, sendo
que 72,1 e 67,7% de adolescentes espanhóis do sexo masculino e feminino, respectivamente,
consumiram álcool durante 30 dias anteriores à pesquisa. Os autores referiram ainda sobre o
45

consumo de drogas ilícitas que 32,8% dos meninos relataram consumo de maconha no mesmo
período, e 3,3%, anfetaminas (MUÑOZ-RIVAS et al., 2010).
Em estudo com 3.005 jovens mexicanos com idade entre 12 e 17 anos revelou-se que
59% já haviam usado álcool e essa proporção aumenta significativamente com a idade. Além
disso, no estudo relacionou-se que não frequentar a escola e o baixo monitoramento parental
estão associados à presença de alguma consequência gerada pelo uso do álcool na
adolescência (BENJET et al., 2014), causando, assim, impacto significativo no
comportamento de saúde dessa população (BITTENCOURT; FRANÇA; GOLDIM, 2015).
Em relação a dados epidemiológicos brasileiros, a frequência de uso tanto de drogas
permitidas legalmente quanto ilícitas é preocupante em relação à saúde pública. Em
levantamento nacional, realizado com 50.890 estudantes adolescentes de escolas públicas e
privadas de 27 capitais brasileiras, constatou-se que 25,5% dos participantes haviam “usado
na vida” alguma droga (exceto álcool e tabaco); 10,6%, “usado no último ano”; e 5,5%,
“usado no último mês”, com pequenas diferenças entre gêneros. As drogas mais citadas pelos
estudantes para o uso no último mês foram bebidas alcoólicas e tabaco, respectivamente 21,1
e 5,5%. Em relação às ilícitas, tiveram destaque os inalantes (2,2%), maconha (2,0%),
ansiolíticos (1,3%), cocaína (1,0%) e anfetaminas (0,9%), segundo o Centro Brasileiro de
Informações sobre Drogas (CEBRID, 2010).
No estudo de levantamento brasileiro, realizado com 60.973 adolescentes entre 13 e 15
anos, do 9º ano (8ª série) do ensino fundamental das capitais brasileiras e do Distrito Federal
(DF), concluiu-se que o consumo de bebida alcoólica nos últimos 30 dias foi de 27,3% dos
indivíduos pesquisados e o uso de drogas ilícitas foi referido por 3,3% dos adolescentes; além
disso, revelou-se que o desfecho do envolvimento em situações de violência física, nos 30
dias prévios ao estudo, foi associado ao bullying, consumo de bebida alcoólica e uso de
drogas ilícitas em ambos os sexos (ANDRADE et al., 2012).
Na capital de Minas Gerais, o levantamento brasileiro identificou que, no último mês,
as drogas mais consumidas pelos jovens foram álcool (28%), tabaco (9,2%), maconha (5,0%),
inalantes (5,0%) e cocaína (3,3%) (CEBRID, 2010), indicando, assim, consumo superior ao
do levantamento nacional.
Os comportamentos antissociais, bem como o uso de substâncias psicoativas e a
prática do bulliyng durante a adolescência são situações que podem agravar, ao longo do
tempo, e evoluir para problemas de conduta como criminalidade e a prática de violência
(OLIVEIRA et al., 2016). Por meio de pesquisas internacionais confirmou-se a relação entre o
46

uso de álcool e outras drogas, comportamentos infracionais e agressores (GARCIA-


CONTINENTE et al., 2013; PELEG-OREN et al., 2012).
Sobre a relação entre o uso de substâncias psicoativas e envolvimento em bullying, em
alguns estudos internacionais esses comportamentos foram avaliados (ARCHIMI;
KUNTSCHE, 2014; LUK; WANG; SIMONS-MORTON, 2010; TURNER et al., 2018).
Levantamento realizado no Canadá, com 64.174 adolescentes, mostrou que vítimas de
intimidação foram associadas à maior probabilidade de consumo de todos os tipos de drogas,
com algumas diferenças entre os gêneros (TURNER et al., 2018).
Em estudo com 1.495 adolescentes estadunidenses, com média de idade de 16,1 anos,
indicou-se que meninos vítimas de bullying apresentavam sinais de depressão e consumo de
substâncias psicoativas, entretanto, para as meninas, o consumo de drogas esteve associado
somente a sintomas depressivos (LUK; WANG; SIMONS-MORTON, 2010). Na Suíça, em
análise com 2.548 escolares de 12 a 17 anos relacionou-se o consumo de álcool a adolescentes
agressores, vítimas e alvo/autores de bullying de ambos os sexos (ARCHIMI; KUNTSCHE,
2014).
Adolescentes sul-africanos, com média de idade de 14,7 anos, com problemas em
função do uso de álcool, de acordo com os critérios do Diagnostic and Statistical Manual of
Mental Disorders – 4th edition (DSM-IV), apresentavam associação com bullying segundo
papel de agressor do fenômeno (FERRETT et al., 2011). Já em estudo com jovens alemães de
11 a 16 anos indicou-se relação entre o papel de vítima e autor de bullying nos últimos 60 dias
e fumantes em uso diário (HANEWINKEL et al., 2010). Em outro levantamento também
mostrou-se relação positiva entre vitimização nos últimos 12 meses e comportamento
tabagista em 25.507 escolares, na Malásia, de 12 a 17 anos (TEE; KAUR, 2014).
Ao avaliar estudo de delineamento longitudinal, observam-se resultados preocupantes
para a saúde pública em relação a essa população específica. A avaliação da autoria de
bullying, ao longo de um ano, mediou a relação entre a violência familiar e o uso de álcool,
cigarros e solventes apenas para os meninos com idade média de 13,9 anos do Centro-Oeste
dos EUA (ESPELAGE et al., 2014). Já em avaliação de vitimização por 30 dias, em
adolescentes do 9º ano do ensino fundamental, indicou-se desfecho com o consumo de álcool,
tabaco e maconha no mesmo período em escolares hispânicos e latinos na Califórnia
(FOSTER; BROOKS-GUNN, 2013).
Diante das evidências, nota-se que as duas situações mencionadas são de fundamental
importância principalmente por apresentarem grande prevalência nessa etapa da vida (JABER
et al., 2017; KRETSCHMER et al., 2017, KRETSCHMER et al., 2018; PRIESMAN;
47

NEWMAN; FORD, 2017) e por estarem presentes rotineiramente no ambiente escolar,


afetando o desempenho escolar dos envolvidos e dos demais adolescentes (MERIANOS et al.,
2017; ZEQUINÃO et al., 2017).
Outra preocupação com esses fenômenos é decorrente do fato de serem formadores de
um contexto maior de problemas de saúde pública, denominado violência, o qual é
compartilhado com rede de pares, seja pela oferta, seja pela função integradora desses
comportamentos, os quais estão envolvidos entre os jovens (HORTA et al., 2018).
O envolvimento em situações de bullying e o uso de substâncias psicoativas
constituem-se em fatores de risco potenciais quando associados e geram inúmeros problemas
como consequência da aproximação a esses fenômenos (BITTENCOURT; FRANÇA;
GOLDIM, 2015; EARNSHAW et al., 2017; HORTA et al., 2018).
Em relação ao envolvimento nesses tipos de violência, a literatura traz que muitas
situações de bullying e uso de substâncias psicoativas são desencadeadas por problemas
enfrentados nesse período (BITTENCOURT; FRANÇA; GOLDIM, 2015; FORLIM;
STELKO-PEREIRA; DE ALBUQUERQUE WILLIAMS, 2014). Esses problemas
contribuem, de maneira significativa, para que os comportamentos de risco sejam estimulados
e afetem a qualidade de vida dos adolescentes (BITTENCOURT; FRANÇA; GOLDIM,
2015). Assim, políticas públicas focadas no desenvolvimento de comportamentos saudáveis
em idade precoce constituem relevante estratégia de promoção da saúde (ARROYO;
CORONAS, 2017; EARNSHAW et al., 2017).
Problemas em diversas áreas como comportamento (MONAHAN et al., 2014), saúde
(física e psíquica) (DANZO; CONNELL; STORMSHAK, 2017; OTTEN et al., 2017),
sistema familiar e escolar (DONOLA CARDOSO; MALBERGIER, 2014; EWING et al.,
2015; VAN DEN AKKER et al., 2014; VERMEULEN-SMIT et al., 2012), a relação com os
amigos (GLASER; SHELTON; VAN DEN BREE, 2010; HOORN et al., 2016;
SANCHAGRIN; HEIMER; PAIK, 2017; TOMÉ et al., 2015) e nas habilidades sociais
(CARDOSO; MALBERGIER, 2013; GRESHAM; ELLIOTT; KETTLER, 2010;
VOROBJOV; SAAT; KULL, 2014) são condições que contribuem para o desenvolvimento
de comportamentos arriscados nessa etapa da vida.
A adolescência é marcada por maior envolvimento em uma grande variedade de
comportamentos problemáticos, incluindo comportamento antissocial e criminal
(MONAHAN et al., 2014), uso de álcool (CEBRID, 2010), uso de substâncias psicoativas
(CEBRID, 2010; EATON et al., 2012), em vários tipos de violência (ANDRADE et al., 2017)
e isolamento social (VOROBJOV; SAAT; KULL, 2014). A alta prevalência de envolvimento
48

em problemas de comportamento tem maior probabilidade de adversidade em múltiplos


domínios, incluindo problemas de saúde física, menor expectativa de vida, menor ajuste
psicossocial e transição mais difícil para a vida adulta (MONAHAN et al., 2014).
Os sistemas familiares e escolares são instituições socializadoras que também
contribuem para o desenvolvimento do adolescente. Os pais ou responsáveis influenciam o
desenvolvimento dos jovens com a oferta de valores, estrutura familiar e regulação do tempo
gasto com atividades saudáveis (EWING et al., 2015). Além disso, o monitoramento parental,
o estabelecimento de regras claras e a oportunidade para o envolvimento em decisões
familiares são indicadas como situações que protegem os adolescentes de riscos (EWING et
al., 2015; VAN RYZIN; FOSCO; DISHION, 2012; VERMEULEN-SMIT et al., 2012).
Em estudo conduzido com 193 adolescentes, na Califórnia, destacou-se que os jovens
que têm algum familiar que faz uso de maconha e/ou a falta de monitoramento parental
aumentaram as chances do uso de substâncias nessa população (EWING et al., 2015).
Entretanto para o mesmo estudo, viver com ambos os pais e ter um valor familiar acima das
necessidades individuais foi associado a um menor consumo de álcool e envolvimentos em
comportamento de risco.
Associado aos problemas familiares, o desempenho acadêmico deve ser monitorado
pela família e escola, visto que a dificuldade acadêmica pode levar ao envolvimento com
comportamentos arriscados, mas o inverso também é verdadeiro (MEIER et al., 2015). A
escola desempenha papel determinante no desenvolvimento psicossocial do adolescente,
fornecendo ferramentas que podem promover o ajuste afetivo, cognitivo e comportamental
(ECCLES; ROESER, 2011).
Em muitos países, os adolescentes passam a maior parte de seu horário de vigília no
ambiente escolar, nessas condições as escolas devem fornecer locais de ensino-aprendizagem
seguros e saudáveis. Entretanto, apesar dessa expectativa, muitos jovens ainda estão expostos
à agressão, violência, consumo e venda de substâncias psicoativas (TANNER-SMITH;
FISHER, 2016).
Em estudo brasileiro com 950 adolescentes de 50 escolas públicas do município de
Jacareí e Diadema, São Paulo (SP), indicou-se que a repetência escolar, falta de concentração,
notas baixas, desejo de abandonar a escola, sentir-se entediado no ambiente escolar e não
fazer os deveres são situações diretamente relacionadas ao consumo de substâncias
psicoativas (DONOLA CARDOSO; MALBERGIER, 2014). Em contrapartida, em estudos
mostra-se que, quando a escola é relacionada a um ambiente social que estimule práticas de
comportamentos saudáveis, de maneira sistemática e atrativa, e uma rede de amigos que não
49

consomem álcool e outras drogas, os adolescentes tendem a não fazer uso de substâncias
(OKULICZ-KOZARYN, 2010; SEEK MOON; RAO, 2011). Ainda é valido afirmar que os
problemas escolares podem tanto proceder do envolvimento em comportamentos de risco
quanto ser consequência dos mesmos (DONOLA CARDOSO; MALBERGIER, 2014).
É também no ambiente escolar que as relações entre os pares são estabelecidas e
ampliadas (HOORN et al., 2016; MERIANOS et al., 2017). O grupo de amigos é um dos
fatores subjacentes que afeta os comportamentos de uso de substância e envolvimento em
violência pelos adolescentes, no entanto, a natureza dessa relação ainda não é muito clara
(HOORN et al., 2016; TOMÉ et al., 2015). Esses podem modelar comportamentos e atitudes,
além de indicar fácil acesso, engajamento e contextos sociais apropriados à violência escolar e
ao consumo de substâncias (GLASER; SHELTON; VAN DEN BREE, 2010; JACOBS et al.,
2016).
Os ambientes escolares e os grupos de jovens geralmente enquadram os contextos
sociais e os limites dos adolescentes, promovendo relacionamentos de amigos e acentuando a
importância de pertencimento (BAUERMEISTER et al., 2009). Uma vez que os adolescentes
se juntam a um grupo de colegas, começam a incorporar as normas do grupo em seu próprio
comportamento (CROSNOE; MCNEELY, 2008), levando os adolescentes dentro do mesmo
grupo de amigos ou colegas a compartilhar ideias, crenças e comportamentos (MERIANOS et
al., 2017).

Em vários estudos detalha-se que grupos escolares e de pares são substancialmente


influentes, tanto no início quanto no uso continuado de álcool e drogas (ENNETT et al., 2008;
VOGEL; BARTON, 2013; ZIMMERMAN; VASQUEZ, 2011). Assim, em outro estudo fica
evidente que adolescentes que convivem com os pares que têm baixo risco de uso de
substâncias se desinteressam pelo consumo de substâncias lícitas e ilícitas (MERIANOS et
al., 2017).
No entanto, em muitos estudos empíricos esse mecanismo de influência dos pares é
apoiado (SANCHAGRIN; HEIMER; PAIK, 2017). Por meio de pesquisas revelam-se esses
efeitos da influência dos amigos sobre a delinquência (DIPIETRO; MCGLOIN, 2012),
violência (RAMIREZ et al., 2012) e consumo de álcool (BURK et al., 2012; LIGHT et al.,
2013). Porém, indica-se que essa relação deve ser mais bem monitorada entre os adolescentes
(SANCHAGRIN; HEIMER; PAIK, 2017), destacando o tipo de substância consumida e a
especificidade do envolvimento em violência.
Se por um lado os amigos podem influenciar o envolvimento em comportamentos de
risco (SANCHAGRIN; HEIMER; PAIK, 2017), por outro, o déficit nas habilidades sociais
50

também é fator que compromete o desenvolvimento. Adolescentes com dificuldade em


enfrentamento de situações de risco, dificuldade em recusar pedidos dos pares, dificuldade em
dizer não e resolver problemas são alguns exemplos de déficit associados ao uso de álcool,
tabaco e drogas ilícitas em adolescentes (CARDOSO; MALBERGIER, 2013).
A habilidade social refere-se a um comportamento apreendido e aceito que permite um
indivíduo se comunicar e interagir de maneira eficaz com os outros, evitando o lado negativo
e o isolamento das relações sociais (GRESHAM; ELLIOTT; KETTLER, 2010; VOROBJOV;
SAAT; KULL, 2014). A promoção do desenvolvimento de habilidades sociais tem efeito
sobre a capacidade dos adolescentes não somente em se protegerem do abuso de substâncias,
mas também para o desenvolvimento de competências em adotar comportamentos positivos
de saúde, gerando maior segurança e informações sobre as melhores escolhas durante a
transição para a idade adulta (VOROBJOV; SAAT; KULL, 2014).
Em estudo realizado na Estônia, com 2.460 escolares entre 15 e 16 anos, indicou-se
que adolescentes com menor habilidade social aumentam as chances em 50% de iniciar o uso
de tabaco e fumar diariamente; 1,4 vezes o uso na vida de maconha; 2,3 vezes o consumo de
sedativos/tranquilizantes sem receita médica; e 1,9 vezes o uso de inalantes (VOROBJOV;
SAAT; KULL, 2014). Além disso, no estudo complementa-se que o número de escolares com
habilidades sociais mais baixas foi significativamente maior entre meninos do que meninas:
35 versus 19%.
Mediante a literatura, considera-se que a adolescência não é vivenciada de maneira
igual entre todos os jovens e é esse fator que motiva a realização de estudos sobre essa fase,
que se multiplicam, ao longo dos anos, em diversas culturas. Porém, é um momento em que o
consumo de substâncias psicoativas, o envolvimento em bullying e os problemas enfrentados
na vida se tornam agravos que interagem entre si e podem comprometer o desenvolvimento
saudável do adolescente.
51

6. Materiais e Método
52

6.1 Tipo de estudo

Foi realizado estudo epidemiológico, transversal, descritivo-exploratório, de


abordagem quantitativa. Este estudo faz parte de um projeto maior intitulado “Uso de drogas e
o bullying em estudantes do 6º ao 9º ano do ensino fundamental”.

6.2 Aspectos Éticos

O projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Escola de


Enfermagem da Universidade Federal de Alfenas (Unifal), MG, sob Protocolo n.º CAAE
07980312.7.0000.5142 (ANEXO A). Neste estudo seguiram-se as normas e procedimentos
éticos propostos na Resolução 466/2012, do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa
envolvendo seres humanos.
O Termo de Assentimento (TA) (APÊNDICE A) e o Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido (TCLE) (APÊNDICE B) foram solicitados aos adolescentes escolares e aos pais
ou responsáveis como parte da formalidade para participarem do estudo.
Em relação aos riscos pela participação neste estudo, considerou-se que o participante
poderia se sentir constrangido ou mesmo triste pelas perguntas relacionadas ao uso de
substâncias psicoativas, envolvimento em situações de bullying e problemas enfrentados pelos
adolescentes. Para acolher essa demanda, o pesquisador se disponibilizou para conversar
sobre a situação, acolher o adolescente e encaminhar a um profissional caso necessário.
Os benefícios previstos foram considerados indiretos e resultaram em uma abordagem
mais ampla acerca da ocorrência do uso de substâncias psicoativas, envolvimento em
situações de bullying e problemas enfrentados pelos adolescentes, visando não apenas
determinar sua prevalência, mas também os possíveis fatores pessoais e ambientais
correlacionados, contribuindo efetivamente para a discussão do problema.

6.3 Local do estudo

O estudo foi realizado em 13 instituições de ensino fundamental do 6º ao 9º ano, sendo


10 públicas e 3 privadas, 2 localizadas na zona rural e 11 na zona urbana de um município do
sul de Minas Gerais, Brasil. É importante ressaltar que, de 14 escolas, apenas uma instituição
particular se negou a participar do estudo.
53

No município, o ensino fundamental II é composto de 3 núcleos de ensino municipais,


7 estaduais e 4 privados, sendo que 12 estão localizados no perímetro urbano, e 2, no rural.
Quanto ao contexto em que a pesquisa foi executada, as escolas são de responsabilidade do
município e do estado, e oferecem a principal via de acesso aos adolescentes escolares.
Contudo, a escolha do ambiente escolar é justificada por representar um local propício
para desenvolver pesquisas associadas a comportamentos de saúde com os adolescentes, pois
é nesse local que os jovens permanecem tempo considerável e se sentem mais confortáveis
para responder certos assuntos, pois estão acompanhados pelos pares com os quais mantêm
afinidades (PATRIOTA CHAVES et al., 2014). Outro ponto a ser destacado refere-se ao fato
de o ambiente escolar ser o local no qual se pode encontrar o maior número de adolescentes
escolares, contexto que aperfeiçoa o desenvolvimento da pesquisa.

6.4 População e amostra

A população do estudo foi constituída de adolescentes escolares do ensino


fundamental (do 6º ao 9º ano), com idade entre 11 e 15 anos. Considera-se que essa faixa
etária é adotada para a classificação como adolescentes, também para o Estatuto da Criança e
do Adolescente (ECA), que compreende a faixa de 12 a 18 anos incompletos. Na seleção da
amostra, utilizou-se um procedimento de amostragem aleatória estratificada em dois estágios.
A amostra selecionada primeiramente em cada “ano escolar”, no total de município e,
posteriormente, em cada “instituição de ensino”, representando, assim, as unidades amostrais,
no primeiro e no segundo estágio, para que fosse distribuída a mesma chance para os
adolescentes participarem do estudo.
A população total de estudantes do município era de 4.547 alunos matriculados no ano
2013. A amostra estimada foi de 1.572 alunos, por meio de cálculo amostral (95% de
confiabilidade e 2% de precisão). Quanto às perdas amostrais, do total, 270 (17,2%)
questionários foram excluídos por constarem respostas incompletas e 110 (6,9%) foram
devolvidos em branco. Ao final, a amostra foi composta de 1.192 (75,8%) estudantes.
Os critérios de inclusão adotados foram: ser adolescente entre 11 e 17 anos,
matriculado no ensino fundamental II e ser alfabetizado. Excluiu-se do estudo adolescentes
que não estavam presentes durante a coleta de dados após três buscas consecutivas e que se
recusaram a participar do estudo.
54

6.5 Instrumentos para coleta de dados

Para a coleta de dados foram utilizados três instrumentos, descritos a seguir.

6.5.1 Informações sociodemográficas

Foi utilizado um formulário com informações sociodemográficas e familiares


(APÊNDICE C). Trata-se de um questionário elaborado pela pesquisadora para registrar os
dados sociodemográficos e informações familiares e assim caracterizar a população do
estudo. É composto de dez questões que contemplam as seguintes variáveis: sexo, tipo de
escola, idade, ano matriculado, raça, tipo de moradia, crença religiosa, frequência em
participação de festas/baladas, com quem vive e relacionamento familiar.
Esse instrumento foi submetido a um processo de refinamento (validação de
aparência), por meio de um teste-piloto com o objetivo de verificar se seus itens apresentavam
clareza e objetividade. Os dados desses testes não foram incluídos no presente estudo.

6.5.2 Drug Use Screening Inventory (DUSI)

Esse inventário foi desenvolvido por Tarter, em 1990. O DUSI em versão revisada
(DUSI – R) é composto de 149 itens e tem por objetivo detectar o uso abusivo de álcool e/ou
drogas, bem como os aspectos problemáticos da vida do adolescente (ANEXO B). Esse
instrumento caracteriza-se por ser eficiente método para a realização de triagem em jovens
que podem estar necessitando de intervenção em problemas associados ao uso de drogas. A
versão brasileira foi traduzida, adaptada e validada por De Micheli e Formigoni (DE
MICHELI; FORMIGONI, 2000; DE MICHELI; FORMIGONI, 2002). Em estudo mostraram-
se excelentes propriedades psicométricas. Ainda que traduzida, tal versão permaneceu muito
semelhante à versão original, no idioma inglês. O tempo aproximado para seu preenchimento
é de 15 a 20 minutos (DE MICHELI; FORMIGONI, 2000).
O DUSI é de aplicação rápida e não requer treinamento exaustivo por parte dos
aplicadores. O instrumento é direcionado à população de adolescentes de 12 a 19 anos
(CAMPOS FERREIRA; MIRANDA MACHADO, 2013; DE MICHELI; FORMIGONI,
2000). De acordo com a autora da validação para a população brasileira, os itens desse
instrumento estão divididos em duas etapas e suas respectivas áreas (DE MICHELI;
FORMIGONI, 2000).
55

Etapa 1 – Uso de álcool e outras drogas. Trata-se de uma escala tipo Likert que varia
de “não sei” a “usei mais de 20 vezes”. Nessa etapa avalia-se a frequência de consumo de
álcool, tabaco e drogas ilícitas (anfetamina, ecstasy, cocaína, crack, maconha, alucinógenos,
tranquilizantes, ansiolíticos, esteroides, inalantes e solventes) nos últimos 30 dias. As drogas
lícitas foram consideradas (por exemplo, anfetaminas) usadas de forma censurável (sem
prescrição ou indicação médica). O sujeito que responder que usa álcool ou qualquer
substância por mais de três vezes, no período de 30 dias, será considerado usuário de drogas
(DE MICHELI; FORMIGONI, 2004; FRADE et al., 2013).
Etapa 2 – Essa etapa, em que se avaliam os problemas enfrentados na vida, é dividida
em dez áreas: uso de substância; comportamento; saúde; transtornos psiquiátricos;
sociabilidade; sistema familiar; escola; trabalho; relacionamento com amigos e
lazer/recreação. Os itens são respondidos dicotomicamente – sim ou não –, as respostas
afirmativas equivalem à presença de alterações (DE MICHELI; FORMIGONI, 2000;
MICHELI; FORMIGONI, 2002).
Após a aplicação da etapa 2 do DUSI, três índices podem ser calculados (MICHELI;
FORMIGONI, 2002):
-– Densidade Absoluta (DA): indica a intensidade de problemas em cada área
isoladamente. Essa densidade para cada área é calculada por meio do número de respostas
afirmativas em cada área, em seguida divide-se pelo número de questões da área calculada e
multiplica-se por 100.
– Densidade Relativa (DR): refere-se à contribuição percentual de cada área no total
de problemas. A densidade relativa é calculada para cada área, dividindo o valor da densidade
absoluta em cada área pela soma das densidades absolutas de todas as áreas, em seguida
multiplica-se por 100.
– Densidade Global (DG): determina a intensidade geral dos problemas. Esse terceiro
índice é calculado pela soma de todas as respostas afirmativas das dez áreas do DUSI,
dividindo pelo total de questões, e multiplicando por 100. O intervalo de pontuação obtido
será de 0 a 100%.
No estudo sobre as propriedades psicométricas da versão brasileira, em relação às respostas
afirmativas na área do uso de substâncias, o DUSI apresentou 80% de sensibilidade e 90% de
especificidade, com taxa de acerto de 83,6% para a totalidade da amostra. Já a área sob a
curva de Receiver Operating Characteristic (ROC) foi de 0,93, que demonstrou bom
desempenho global na área do uso de substâncias. Além disso, a versão brasileira apresentou
forte consistência interna e confiabilidade para toda a amostra, sendo o coeficiente alfa de
56

Cronbach e a confiabilidade em todas as dez áreas, respectivamente, 0,96 (Desvio-Padrão –


DP – de 0,02) e 0,88 (dp de 0,08) (MICHELI; FORMIGONI, 2002).

6.5.3 Escala de Violência Escolar – versão Estudantes

Foi inicialmente denominada Questionário de Investigação de Prevalência de


Violência Escolar (QIPVE). Esse instrumento foi elaborado com o objetivo de avaliar a
violência física, psicológica/emocional e a violência contra o patrimônio em escolas.
Composto de 51 itens com respostas do tipo escala de Likert, as respostas variam de (0)
nenhuma, (1) 1 ou 2 vezes, (2) 3 ou 4 vezes, (3) 5 ou 6 vezes a (4) 7 vezes ou mais. Na
avaliação e consistência interna, o instrumento obteve excelente nível de confiabilidade com
α=0,95 (STELKO-PEREIRA; DE ALBUQUERQUE WILLIAMS; CORDEIRO FREITAS,
2010).
Para sua leitura final, não há critérios universais para estabelecer a pontuação mínima
para classificação do bulliyng em alvo, autor e alvo/autor. Todavia, no presente estudo,
utilizaram-se os seguintes critérios (FORLIM; STELKO-PEREIRA; DE ALBUQUERQUE
WILLIAMS, 2014): a) autor exclusivo – ter pontuação maior ou igual ao escore médio de
autoria de violência e menor que o escore médio para vitimização; b) alvo exclusivo – ter
pontuação maior ou igual à pontuação média para vitimização e menor que o escore médio
para autoria; c) alvo e autor – ter pontuação acima ou igual ao escore médio em relação à
vitimização e/ou autoria. É importante destacar que a avaliação do envolvimento no fenômeno
compreendeu os últimos seis meses (STELKO-PEREIRA; DE ALBUQUERQUE
WILLIAMS; CORDEIRO FREITAS, 2010).
No Brasil, o instrumento foi utilizado com os objetivos de: 1) avaliar os tipos de
envolvimento em bullying e os sintomas depressivos (FORLIM; STELKO-PEREIRA; DE
ALBUQUERQUE WILLIAMS, 2014); 2) identificar freqüência de alunos vítimas de
agressões físicas por funcionários de duas escolas brasileiras (STELKO-PEREIRA;
SANTINI; WILLIANS, 2011); e 3) comparar os escores de problemas de comportamento
relatados por adolescentes, vítimas de bullying, aos escores reportados por seus professores, e
discutir acerca das convergências e divergências, bem como suas implicações (ALCKMIN;
IZBICK; SILVA, 2014).
Por motivos de reserva de direitos autorais (copyright) os itens da Escala de Violência
Escolar- versão estudantes não pode ser indicada neste material. Esta escala não é de domínio
publico, fica reservada a solicitação formal com autorização. No Brasil pode ser obtidas
57

informações com as autoras da versão em português pelo edereço eletrônico


anastelko@[Link] e williams@[Link] (Ana Carina Stelko-Pereira e Lúcia
Cavalcanti de Albuquerque Willians - UFSCar). Para este estudo as autoras consederam
autorização para que o instrumento fosse aplicado em 1192 adolescentes. A autorização para
utilização do instrumento encontra-se com a autora podendo ser solicitada a qualquer
momento pelo edereço eletrônico barbaraprado89@[Link].

6.6 Procedimentos de coleta

Dois profissionais (um enfermeiro e a pesquisadora) devidamente treinados


compuseram a equipe para a coleta de dados. Um treinamento prévio foi realizado para
conhecimento e calibramento dos instrumentos, abordagens no ambiente escolar, tanto com os
professores quanto com os diretores e os adolescentes. Em todo momento da coleta uma das
autoras do instrumento Escala de Violência Escolar (EVE) – versão estudantes esteve
presente para orientação. A preparação do campo de coleta (dia, horário e períodos) também
foi discutida entre a equipe.
As reuniões foram relevantes para conduzir o preenchimento dos instrumentos e a
postura dos entrevistadores em relação ao procedimento. Em toda a coleta os dois membros
da equipe permaneceram juntos no local.
Para avaliar a aplicabilidade dos instrumentos e a logística do estudo, foi realizado um
estudo-piloto, que ocorreu antes da coleta de dados, em uma escola de ensino fundamental em
município próximo. Foram coletados dados de 12 estudantes matriculados no ensino
fundamental II, porém, não foram incluídos na amostra do presente estudo.
A coleta de dados ocorreu em 2013, após autorização formal da Secretaria Municipal
de Educação (APÊNDICE D), com a participação da diretoria das respectivas escolas e
aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Unifal, MG. Durante o período estipulado para
a coleta de dados, todos os alunos foram orientados quanto aos objetivos da pesquisa e
procedimentos aos quais seriam submetidos, assim, a colaboração de todos foi solicitada.
Posteriormente, o consentimento formal para a participação no estudo foi solicitado
mediante a assinatura do TCLE e do TA, com antecedência de 24 horas. Assim, foi solicitado
aos alunos que encaminhassem os termos aos seus responsáveis, os quais deveriam consentir
ou não na participação de seus filhos. Também o representante de cada ano escolar participou
auxiliando no recolhimento dos TCLEs.
58

Seguindo a proposta de amostragem e com o objetivo de garantir a mesma chance a


todos os participantes para integrarem a amostra, foi realizada, previamente, a coleta de dados
e o sorteio em cada ano escolar.
No momento em que houve a recusa por parte do aluno sorteado, um novo sorteio foi
realizado imediatamente; esse procedimento seguiu até que o tamanho da amostra em cada
ano escolar fosse atingido.

6.7 Análise dos dados

Os dados foram codificados para análise de acordo com os manuais de interpretação


dos instrumentos DUSI e EVE – versão estudantes. Para atingir os objetivos do estudo,
algumas variáveis foram recodificadas: idade (de 11 a 13 anos e de 14 a 15 anos), ano escolar
(do 6º ao 7º e do 8º ao 9º), raça (branca e não branca), religião (católico e não católico) e com
quem mora (ambos os pais, monoparental e outros). Nesse modelo de convivência familiar, a
categoria outros se refere aos adolescentes que residem com outros familiares, responsáveis
legais ou em instituições. Quanto ao uso de drogas pelo instrumento DUSI (primeira parte),
esse foi recodificado em função da presença ou ausência do consumo de qualquer tipo de
drogas, uso de drogas exceto álcool e tabaco, uso exclusivo de álcool e de tabaco.
Os dados foram inseridos no banco de dados, por meio da dupla digitação, e, após esse
procedimento, foram validados para evitar possíveis erros de digitação. Em sequência, foram
transferidos para uma planilha eletrônica (Microsoft Excel).Os resultados foram analisados
por meio do Statistical Package for the Social Science (SPSS), versão 17.0 para Windows.
Primeiramente utilizou-se a análise descritiva para os cálculos de frequência, média, mediana,
DP, valor mínimo e valor máximo.
Para avaliar a associação entre as variáveis dos adolescentes escolares e o uso de
substâncias psicoativas, problemas enfrentados, envolvimento em bullying e as variáveis
sociodemográficas e familiares, realizou-se a análise de associação pelo teste qui-quadrado
(χ2) ou exato de Fisher. Para associações de valores de p≤0,001 calculou-se o Odds Ratio
(OR), ou razão de chances, para avaliar a probabilidade de um evento ocorrer em função de
outros fatores.
O independente teste-t foi utilizado para comparar os valores médios da Densidade
Absoluta de Problemas (DAP), Densidade Relativa de Problemas (DRP), Densidade Global
de Problemas (DGP) entre os grupos de adolescentes que fizeram uso experimental de drogas.
59

Para todos os testes foi considerado o nível de significância p<0,05. No quadro 1 encontram-
se os objetivos do estudo e os testes utilizados para alcançá-los.
Quadro 1 - Quadro dos objetivos propostos no presente estudo e o tipo de análise estatística
utilizada.
Objetivos Teste Estatístico
Caracterizar a amostra envolvida no estudo quanto a Frequência absoluta,
variáveis sociodemográficas e familiares porcentagem, média e
desvio-padrão
Caracterizar o consumo de substâncias psicoativas no último Frequência absoluta e
mês por categorias porcentagem
Descrever as frequências de uso de cada substância Frequência absoluta e
psicoativa no último mês porcentagem
Descrever as medidas da Densidade Absoluta (DA), Média, mediana, desvio-
Densidade Relativa (DR) e Densidade Global (DG) de padrão, valor mínimo e
problemas enfrentados na vida pelos adolescentes valor máximo
Descrever o envolvimento em bullying como vítimas e Média, mediana, desvio-
autores padrão, valor mínimo e
valor máximo
Análise do envolvimento em bullying como vítimas, Frequência absoluta e
autores, alvo/autor e envolvimento de alguma forma no porcentagem
fenômeno
Descrever os tipos de vitimização em bullying: violência Média, mediana, desvio-
psicológica, física e virtual padrão, valor mínimo e
valor máximo
Descrever os tipos de autoria em bullying: violência Média, mediana, desvio-
psicológica, física, virtual e material padrão, valor mínimo e
valor máximo
Analisar a relação entre o consumo de drogas e as variáveis Teste qui-quadrado,
sociodemográficas e familiares teste exato de Fisher e
Odds Ratio
Avaliar a relação do envolvimento em bullying e as Teste qui-quadrado,
variáveis sociodemográficas e familiares teste exato de Fisher e
Odds Ratio
Analisar a associação entre os problemas enfrentados na Comparação de médias
vida (DAP, DRP e DGP) e os tipos de substâncias
psicoativas

Verificar associação entre o consumo de substâncias Teste exato de Fisher


psicoativas e o envolvimento em bullying
Analisar a relação entre os problemas enfrentados na vida e Teste exato de Fisher
o envolvimento em bullying
Avaliar a relação dos problemas enfrentados na vida e as Teste de médias
variáveis sexo e idade
60

7. Resultados
61

7.1 Análises descritivas

7.1.1 Análise descritiva da caracterização dos estudantes do Ensino Fundamental

Na Tabela 1 constam as características sociodemográficas dos estudantes escolares. Os


resultados mostram que, dos estudantes, metade era do sexo feminino (618; 51,8%), com
média de idade de 12,9 anos (DP=1,3), variando entre 11 e 15 anos, 656 (55%) cursavam o 6º
e o 7º ano do ensino fundamental, 616 (51,7%) eram brancos e 820 (68,8%) residiam em casa
própria. A maioria (843; 70,7%) era de religião católica, 498 (41,8%) frequentavam
festas/baladas (de uma a duas vezes por semana), 1.006 (84,4%) oriundos de escolas públicas
e 1.140 (95,6%) estudavam em escolas localizadas no perímetro urbano.

Tabela 1 - Características sociodemográficas, segundo os estudantesdo Ensino Fundamental.


(n = 1192). Município do sul de Minas Gerais, Brasil, 2013.
Variáveis n (%)

Sexo Feminino 618 (51,8)


Masculino 574 (48,2)
Faixa etária 11 a 13 anos 730 (61,2)
14 a 15 anos 462 (38,8)
Ano matriculado 6° e 7° ano 656 (55,0)
8° e 9° ano 536 (45,0)
Raça Branca 616 (51,7)
Não branca 576 (48,3)
Tipo de moradia Própria 820 (68,8)
Alugada 372 (31,2)
Religião Católicos 843 (70,7)
Não Católicos 349 (29,3)
1 a 2 vezes por semana 780 (65,4)
Frequencia de festas/baladas Mais que 3 vezes por semana 53 (4,4)
Quinzenal ou mensal 488 (40,9)
Outros padrões 153 (12,8)
Tipo de Escola Pública 1006 (84,4)
Particular 186 (15,6)
Localização Urbano 1140 (95,6)
Rural 52 (4,4)
62

Na Tabela 2, podem ser notadas as características relacionadas aos aspectos familiares.


Dos adolescentes, 710 (59,6%) viviam com ambos os pais, 366 (30,7%) residiam somente
com um dos pais. Da amostra, 1.079 (90,5%) estudantes classificaram como muito bom ou
bom, 92 (7,7%) como regular e 21 (1,8%) ruim ou muito ruim as relações familiares.
Ao avaliar as rotinas e configurações familiares, observa-se que 218 (18,3%) dos
escolares tinham algum membro de sua família preso no último ano, 238 (20%) discutiam
frequentemente com seus pais ou responsáveis, envolvendo gritos e 330 (27,7%) assinalaram
que seus pais ou responsáveis brigavam muito entre si. Um pouco mais que a metade (664;
55,7%) relatou que não fazia atividades rotineiras junto com os pais e 199 (16,7%) se sentiam
infelizes em relação ao local em que viviam.

Tabela 2 - Aspectos familiares, segundo os estudantesdo Ensino Fundamental. (n = 1192).


Município do sul de Minas Gerais, Brasil, 2013.
Variáveis n (%)

Convivência familiar Ambos os pais 710 (59,6)


Monoparental 366 (30,7)
Outros 116 (9,7)
Relacionamento familiar Muito bom/bom 1079 (90,5)
Regular 92 (7,7)
Ruim/ muito ruim 21 (1,8)
Membro familiar preso no último ano Sim 218 (18,3)
Não 974 (81,7)
Discussões frequentes com os pais Sim 238 (20)
Não 954 (80)
Discussões frequentes entre os pais Sim 330 (27,7)
Não 862 (72,3)
Dificilmente faz atividades em família Sim 664 (55,7)
Não 528 (44,3)
Sente-se infeliz em relação ao local em que vive Sim 199 (16,7)
Não 993 (83,3)
63

7.1.2 Análise descritiva da caracterização do consumo de substâncias psicoativas

Quanto ao uso de substâncias psicoativas, um terço dos estudantes havia


experimentado algum tipo de droga, 218 (18,3%) fizeram uso experimental (exceto álcool e
tabaco), quase um quarto (23,8%) usou exclusivamente o álcool e somente 58 (5%) usaram
exclusivamente tabaco no último mês (Tabela 3).

Tabela 3 - Tipo de substância usada no último mês, segundo os estudantes do Ensino


Fundamental. (n = 1192). Município do sul de Minas Gerais, Brasil, 2013.
Uso de substâncias psicoativas n(%)

Algum tipo de droga 395 (33,1)


Algum tipo de droga (exceto álcool e tabaco) 218 (18,3)
Álcool (Exclusivamente) 284 (23,8)
Tabaco (Exclusivamente) 58 (5,0)

Na Tabela 4 é apresentada a frequência de uso de cada substância psicoativa no último


mês. O uso ocasional de álcool (13%), analgésicos sem prescrição médica (7,7%), maconha
(2,5%), inalantes e/ou solventes (1,8%) e cocaína/crack (1,7%) foram predominantes. O uso
mais frequente foi somente para os analgésicos sem prescrição médica e outras drogas não
mencionadas.
Em relação a ter problemas causados pelo uso de alguma substância psicoativa, o
álcool (1,9%) e outras drogas (1,5%) foram as mais citadas. Além disso, as drogas
consideradas como prediletas pelos estudantes foram o tabaco (1,2%), a cocaína/crack (0,9%)
e a maconha (0,9%).
64

Tabela 4 - Frequência do uso de acordo com o tipo de substância psicoativa no último mês,
segundo os estudantes do Ensino Fundamental. (n = 1192). Município do sul de Minas Gerais,
Brasil, 2013.
Não usou Ocasional Frequente Muito PUD DP
frequente
n % n % n % n % n % n %
Álcool 908 76,2 155 13,0 72 6,0 31 2,6 23 1,9 3 0,3
Anfetaminas* 1176 98,7 16 1,3 - - - - - - - -
Ectasy 1180 99,0 9 0,8 3 0,3 - - - - - -
Cocaína/Crack 1163 97,6 20 1,7 3 0,3 - - 5 0,4 11 0,9
Maconha 1139 95,6 30 2,5 4 0,3 3 0,3 5 0,4 11 0,9
Alucinógenos 1183 99,2 8 0,7 - - - - - - 1 0,1
Tranquilizantes* 1170 98,2 14 1,2 3 0,3 - - - - 5 0,4
Analgésicos* 1078 90,4 92 7,7 13 1,1 8 0,6 - - 1 0,1
Opiáceos 1078 98,8 4 0,3 7 0,6 2 0,2 - - 1 0,1
Anabolizantes 1183 99,2 8 0,7 - - - - - - 1 0,1
Inalantes/Solventes 1147 96,2 22 1,8 5 0,4 15 1,3 2 0,2 1 0,1
Tabaco 1134 95,1 16 1,3 20 1,7 3 0,3 5 0,4 14 1,2
Outras 1167 97,9 6 0,5 16 1,3 23 2,0 18 1,5 1 0,1
Nota: PUD = Problemas relacionados ao uso desta droga. DP = droga predileta. * = Sem prescrição médica.
65

7.1.3 Análise descritiva dos problemas enfrentados na vida (DUSI)

Os valores da Densidade Absoluta (DA) relacionados aos problemas enfrentados pelos


adolescentes nas dez áreas que compõem a parte II do DUSI estão apresentados na tabela 2.
Quanto a DA observa-se que a pontuação variou de 0 a 100. A área Trabalho foi à que
apresentou pontuações mais baixas. As áreas que possuíram pontuação máxima maior foram
Relacionamento com Amigos e Laser/Recreação. As áreas mais comprometidas entre os
adolescentes foram: Saúde e Sistema Familiar.
Ao avaliar a DR, índice referente à contribuição percentual de cada área no total de
problemas, nota-se que as áreas que apresentaram mais comprometimentos foram sistema
familiar e saúde. A intensidade geral de problemas foi calculada pela DG, sendo que a média
de problemas e a mediana foram 26,8 e 25,6, respectivamente, com o valor máximo de 68,6
(Tabela 5).

Tabela 5 - Média, mediana, desvio-padrão, valor mínimo e máximo da DA, DR e DG nas dez
áreas de problemas (DUSI). (n = 1192). Município do sul de Minas Gerais, Brasil, 2013.
DA DR

Áreas do DUSI Média (Dp) (Min- Média (Dp) (Min-Máx)


Máx)
Consumo de drogas 6,2± (11,2) (0,0-53,3) 3,6±7,0 (0,0 -53,8)
Comportamento 18,4± (19,2) (0,0-75,0) 10,0±10,2(0,0 - 63,0)
Saúde 28,3± (24,2) (0,0-80,0) 14,2±10,9(0,0 - 50,3)
Problemas psiquiátricos 19,6± (17,5) (0,0-70,0) 10,6±8,4(0,0 - 60,8)
Competência Social 22,9± (17,8) (0,0-78,5) 12,0±8,3(0,0 - 100,0)
Sistema Familiar 26,3± (20,7) (0,0-78,5) 14,6±13,3(0,0 - 100,0)
Atividades Escolares 16,9± (16,8) (0,0-65,0) 9,0±7,7(0,0-36,6)
Trabalho 1,5± (5,0) (0,0-30,0) 0,9±3,2(0,0-26,5)
Relacionamento com Amigos 24,3±(18,7)(0,0-100,0) 13,5±10,5(0,0-77,9)
Laser/Recreação 20,2±(18,1)(0,0-100,0) 11,2±9,5(0,0-59,3)

DG

Média (Dp) Mediana (Mín-Máx)

26,8±11,9 25,6 (3,0 68,6)

DA = Densidade absoluta, DP = Disvio padrão, Min = Mínimo, Máx = Máximo.


66

7.1.4 Análise descritiva do envolvimento em bullying

Quanto aos adolescentes com envolvimento em bullying, observam-se valores maiores


quando eram vítimas desse comportamento (Tabela 6). Quanto ao envolvimento em bullying,
um quarto dos estudantes foi classificado como autor e um terço como vítima, nos últimos
seis meses. Além disso, 123 (10,3%) foram classificados como alvo/autor. Dos participantes,
590 (49,5%) estiveram envolvidos de alguma forma nesse comportamento.

Tabela 6 - Descrição quanto ao tipo de envolvimento em bullying, média, mediana, desvio-


padrão, valor mínimo e máximo (n = 1192). Município do sul de Minas Gerais, Brasil, 2013.
Envolvimento em bullying n(%) Média ± DP (Mín -Máx)

Autor exclusivo 315 (26,4) 13,5±4,6 (11 – 42)


Vítima exclusiva 398 (33,4) 14,6±4,8 (10 – 40)
Alvo/autor 123 (10,3) 28,1±7,34 (21-77)

Envolvimento em qualquer forma 590 (49,5) 50,3±14,69 (42-154)

DP = Desvio-padrão, Min = Mínimo, Máx = Máximo.

Os tipos de violência física e psicológica sofrida/cometida foram maiores em


adolescentes autores e vitimas de bullying (Tabela 7).

Tabela 7 - Média, mediana, desvio-padrão, valor mínimo e máximo quanto ao tipo de


violência sofrida/cometida quando vítima ou autor de bullying. (n = 1192). Município do sul
de Minas Gerais, MG, Brasil, 2013.
∑ das variáveis

Vítima Autor
Média/DP (Min-Max) Média/DP (Min-Max)_
Violência psicológica 2,5±2,8 (0 - 16) 5,0±1,9 (4 - 17)
Violência física 2,7±2,6 (1 -19) 6,1±2,7 (5 - 28)
Violência virtual 0,3±0,9 (0 – 8) 2,1±0,5 (2 - 8)
Violência material 0,1±0,3 (0 -2) 2,3±0,9 (2 - 8)

DP = Desvio-padrão, Min = Mínimo, Máx = Máximo.


67

7.2 Análises bivariada

7.2.1 Consumo de substâncias psicoativas, variáveis sociodemográficas e familiares

Sobre o uso de substâncias psicoativas e as características sociodemográficas,


observam-se diferenças estatisticamente significativas na amostra (Tabela 8). Houve
predominância do uso de qualquer tipo de drogas no último mês em adolescentes com idade
entre 14 e 15 anos (p<0,001), que cursavam o 9º ano do ensino fundamental (p<0,001), raça
branca (p=0,070) e que residiam em casa própria (p<0,001).
O uso de substâncias psicoativas foi homogêneo em relação ao sexo (p=0,116). O
consumo de qualquer tipo de droga foi maior entre estudantes de religião católica (p<0,001),
que participavam de festas/baladas (de uma a duas vezes por semana) (p<0,001), estudantes
de escolas públicas (p=0,042), localizadas na zona urbana (p=0,018).
68

Tabela 8 - Caracterização sociodemográficas em relação ao uso de qualquer tipo de droga


usada, segundo os estudantes do Ensino Fundamental. (n = 1192). Município do sul de Minas
Gerais, MG, Brasil, 2013.
Consumo de qualquer tipo de droga
Não (n=797) Sim (n=395) Total
n % n % n % χ2 Valor-p
Sexo
Feminino 403 50,6 215 54,4 618 51,8 1,581 0,116
Masculino 394 49,4 180 45,6 574 48,2
Faixa etária
11 a 13 anos 579 72,6 151 38,2 730 61,2 131,819 <0.001a
14 a 15 anos 218 27,4 244 61,8* 462 38,8
Ano em curso
6° ano 277 34,8 58 14,7 335 28,1 122,293 <0,001a
7° ano 248 31,1 73 18,5 321 26,9
8° ano 135 16,9 105 26,6 240 20,1
9° ano 137 17,2 159 40,3* 296 24,8
Raça
Branca 252 47,6 364 54,9* 616 51,7 27,264 0,020b
Negra 277 52,4 299 45,1 576 48,3
Outras 137 17,2 16 4,1 153 12,8
Tipo de Moradia
Própria 592 74,3 228 57,7* 820 68,8 33,724 <0.001a
Aluguel 205 25,7 167 42,3 372 31,2
Religião
Católica 571 71,6 272 68,9* 843 70,7 27,264 <0,001a
Espírita 42 5,3 6 1,5 48 4,0
Ateu 8 1,0 19 4,8 27 2,3
Evangélica 176 22,1 98 24,8 274 23,0
Participação em festas
1 a 2 vezes por semana 278 34,9 220 55,7* 498 41,8 76,596 <0,001a
3 a 4 vezes por semana 27 3,4 26 6,6 53 4,4
1 vez por mês 355 44,5 133 33,7 488 40,9
Outras 137 17,2 16 4,1 153 12,8
Tipo de escola
Pública 662 83,1 344 87,1* 1106 84,4 3,252 0,042b
Particular 135 16,9 51 12,9 186 15,6
Localização
Urbana 755 94,7 385 97,5* 1140 95,6 4,746 0,018b
Rural 42 5,3 10 2,5 52 4,4
Nota: aTeste de Qui-quadrado,bTeste Exato de Fisher (*valor de p ≤ 0,05).
69

Na Tabela 9 nota-se que o uso de qualquer tipo de droga foi maior em estudantes que
possuíam relacionamento familiar muito bom (p<0,001) e viviam com ambos os pais
(p<0,001), com valores estatisticamente significativos.

Tabela 9 - Relação entre consumo de drogas e as variáveis familiares, segundo os estudantes


do Ensino Fundamental. (N = 1192). Município do sul de Minas Gerais, MG, Brasil, 2013.
Consumo de qualquer tipo de droga
Não (n=797) Sim (n=395) Total
n % n % n % χ2 Valor-p
Com quem mora
Pai e mãe 509 63,9 201 50,9 710 59,6 25,711 <0,001a
Mãe 176 22,1 117 29,6 293 24,6
Pai 41 5,1 32 8,1 73 6,1
Amigos/ Instituições 2 0,3 7 1,8 9 0,8
Familiares 69 8,7 38 9,6 107 9,0

Relacionamento familiar
Muito bom 562 70,5 218 55,2 780 65,4 62,396 <0,001a
Bom 168 21,1 131 33,2 229 25,1
Regular/Ruim/ Muito ruim 67 8,4 46 11,6 113 9,5

Discussões frequentes com os pais


Sim 158 19,8 80 20,3 238 20,0 0,030 0,459b
Não 639 80,2 315 79,7 954 80,0
Discussões frequentes entre os pais
Sim 220 27,6 110 27,8 330 27,7 0,008 0,491 b
Não 577 72,4 285 72,2 826 73,3
Nota: aTeste de Qui-quadrado, bTeste Exato de Fisher. (*valor de p ≤ 0,05).

Na análise multivariada, adolescentes com as seguintes características apresentaram


maiores razões de chance para o uso de qualquer tipo de drogas: ter 14 anos (OR=2,2) e 15
anos (OR=1,8) de idade, ser ateu (OR=3,2), ter bom relacionamento familiar (OR=1,5). Além
disso, morar com amigos aumenta em 10,8 (OR) vezes as chances de os adolescentes usarem
qualquer tipo de drogas. Observa-se, também, que as chances de risco aumentam à medida
que os adolescentes participam com maior frequência de festas ou baladas, uma vez por mês
(OR=1,8), uma a duas vezes por semana (OR=3,9), de três a quatro vezes por semana
(OR=4,9) (dados não apresentados em tabela).
70

7.2.2 Análise da relação bullying, variáveis sociodemográficas e familiares

Na Tabela 10 apresentam-se o envolvimento em bullying, características


sociodemográficas e familiares. Características como ter idade entre 11 e 13 anos (p=0,007),
morar em casa própria (p=0,023), de religião católica (p=0,049) e residir na zona urbana
(p=0,018) foram associadas à autoria de bullying.
Observa-se que ser vítima de bullying foi associado apenas à participação em
festas/baladas (p=0,028) e à localização da escola (p=0,007). Foram vítimas em situações de
bullying estudantes que frequentavam festas/baladas de uma a duas vezes por semana (177;
44,5%) e que moravam na zona urbana (389; 97,7%).
O envolvimento em bullying como alvo/autor foi associado à participação em
festas/baladas (p=0,028) e à localização de sua residência (p=0,022), com valores
estatísticamente significativos. Frequentar festas/baladas de uma a duas vezes por semana (67;
54,5%) e morar em zona urbana (122; 99,2%) foram associados com ser vítima/autor de
bullying.
71

Tabela 10 - Relação entre bullying e características sociodemográficas, segundo os estudantes


do Ensino Fundamental. (n = 1192). Município do sul de Minas Gerais, MG, Brasil, 2013.
Autor Vítima Alvo/Autor
315 (26,4%) 398 (33,4%) 123 (10,3%)
n % n % n %
Sexob
Feminino 159 50,5 206 51,8 60 48,8
Masculino 156 49,5 192 48,2 63 51,2
Faixa etáriab
11 – 13 anos 174 55,2* 256 64,3 69 56,1
14 – 15 anos 141 44,8 142 35,7 54 43,9
Raçab
Branca 164 52,1 202 50,8 64 52,0
Não Branca 151 47,9 196 49,2 59 48,0
Ano em cursoa
6° ano 84 26,7 122 30,7 36 29,3
7° ano 71 22,5 113 28,4 29 23,6
8° ano 73 23,2 72 18,1 26 21,1
9° ano 87 27,6 91 22,9 32 26,0
Tipo de Moradiab
Própria 202 64,1* 273 68,6 80 65,0
Aluguel 113 35,9 125 31,4 43 35,0
Religiãoa
Católica 224 71,1* 279 70,1 83 67,5
Espírita 19 6,0 12 3,0 3 2,4
Ateu 10 3,2 14 3,5 6 4,9
Evangélica 62 19,7 93 23,4 31 25,2
Participação em festasa
1 a 2 vezes por semana 131 41,6 177 44,5* 67 54,5*
3 a 4 vezes por semana 18 5,7 8 2,0 4 3,3
1 vez por mês 135 42,9 161 40,5 40 32,5
Outras 31 9,8 52 13,1 12 9,8
Tipo de escolab
Pública 259 82,2 330 82,9 106 86,2
Particular 56 17,8 68 17,1 17 13,8
Localizaçãob
Urbana 308 97,8 389 97,7* 122 99,2*
Rural 7 2,2 9 2,3 1 0,8
Nota: aTeste de Qui-quadrado, bTeste Exato de Fisher. (*valor de p ≤ 0,05).
72

Na Tabela 11 mostra-se que não houve relação significativa entre envolvimento como
autor de bullying e os aspectos familiares. De modo geral, observa-se predomínio de
adolescentes que moravam com os pais, com bons relacionamentos familiares.

Tabela 11 - Relação entre o bullying e os apesctos familiares, segundo os estudantes do


Ensino Fundamental. (n = 1192). Município do sul de Minas Gerais, MG, Brasil, 2013.
Autor Vítima Alvo/Autor
315 (26,4%) 398 (33,4%) 123 (10,3%)
n % n % n %
Com quem moraa
Pai e mãe 179 56,8 234 58,8 71 57,7
Somente um dos pais 100 31,7 131 32,9 41 33,3
Outros Familiares 36 11,4 33 8,3 11 8,9
a
Relacionamento familiar
Muito bom 204 64,8 253 63,6 71 57,7
Bom 78 24,8 108 27,1 39 31,7
Regular/Ruim ou Muito ruim 33 10,5 37 9,3 13 10,6
b
Discussões frequentes com os pais
Sim 70 22,2 74 18,6 24 19,5
Não 245 77,8 324 81,4 99 80,5
Discussões frequentes entre os paisb
Sim 86 27,3 105 26,4 32 26,0
Não 229 72,7 293 73,6 91 74,0

Nota: aTeste de Qui-quadrado, bTeste Exato de Fisher. (*valor de p ≤ 0,05).

Na análise múltivariada, nota-se que variáveis como ter idade de 12 anos (OR=1,4), ser
ateu (O=2,6) e morar em zona urbana (OR=2,3) aumentam as razões de chances de ser vítima de
bullying. Assim, considerando a situação de ser autor de bullying, as razões de chance aumentam
quando se apresentam as seguintes características: ter idade de 15 anos (OR=1,7) e morar em zona
urbana (O=2,4), e para ser alvo/autor as chances dobram apenas em relação à idade – ter idade de
13 anos (OR=2,0) (dados não apresentados em tabela).
73

7.2.3 Problemas enfrentados na vida e os tipos de substâncias psicoativas

1) Uso de drogas nos últimos 30 dias

Ao comparar as médias da DAP, DRP e DGP entre os adolescentes que usavam e não
usavam drogas, experimentalmente, notou-se que não houve diferenças estatisticamente
significativas entre as médias do DAP na presente amostra.
No entanto, ao comparar os valores médios da DRP observou-se que, na Área 7,
escola, a pontuação média foi maior em estudantes que não usavam drogas [média=9,4±7,7;
t=2,04], quando comparada aos que usavam drogas [média=8,4±7,6; t=2,019], com diferenças
estatisticamente significativas (p≤0,05).
Da mesma forma, ao avaliar a Área 10, lazer/recreação, a média DRP foi maior entre
estudantes que não usavam drogas [média=11,6±9,8; t=2,187], quando comparada aos que
usavam drogas [média=10,3±8,8; t=2,267], com diferenças estatisticamente significativas
(p≤0,05). Por fim, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre as
médias do DGP na comparação da amostra.

2) Uso de drogas (exceto álcool e tabaco)

Ao comparar as médias da DAP, DRP e DGP do DUSI entre estudantes que usavam
ou não drogas (exceto álcool e tabaco), experimentalmente, identificou-se que:
Na Área 4, transtornos psiquiátricos, a maior média da DAP foi entre estudantes que
haviam usado drogas (exceto álcool e tabaco) [média=19±17,1; t=-2,267], quando
comparados ao grupo de adolescentes que não usava drogas (exceto álcool e tabaco)
[média=22,2±19,2; t=-2,438], com diferenças estatisticamente significativas (p≤0,005).
Na Área 5, competência social, notou-se média maior da DAP, sugerindo prejuízo em
estudantes que usavam drogas (exceto álcool e tabaco) [média=26,9±18,7; t=-3,494] quando
comparadas à do grupo de estudantes que não usava drogas (exceto álcool e tabaco)
[média=22,1±17,5; t=-3,641], com diferenças estatisticamente significativas (p≤0,05).
Quanto à Área 6, sistema familiar, a média da DAP também foi maior entre os
estudantes que usavam drogas (exceto álcool e tabaco) [média28,7±20,7; t=-1,905], quando
comparada à do grupo de estudantes que não usava drogas (exceto álcool e tabaco) [média
25,8±20,7; t=-1,905], com diferenças estatisticamente significativas (p≤0,05).
74

A média da DRP na Área 5, competência social, foi maior entre os estudantes que
usavam drogas (exceto álcool e tabaco) [média=13,1±7,7; t=-2,282], quando comparada à dos
estudantes que não usavam drogas (exceto álcool e tabaco) [média=11,7±8,4; t=-2,151], com
diferenças estatisticamente significativas (p≤0,05).
Na Área 7, escola, o valor médio da DRP foi maior entre os adolescentes que não
usavam drogas (exceto álcool e tabaco) [média=9,4±7,7; t=2,018], quando comparado ao dos
adolescentes que faziam uso de substâncias (exceto álcool e tabaco) [média=8,1±7,5;
t=2,045], com diferenças estatisticamente significativas (p≤0,05).
Ao comparar o valor médio da DGP entre os estudantes que usavam ou não drogas
(exceto álcool e tabaco), a média foi maior entre os estudantes que usavam drogas (exceto
álcool e tabaco) [média=28,9±12,3; t=-2,688], quando comparada à de estudantes não
usuários (exceto álcool e tabaco) [média=26,4±11,7; t=-2,766], com diferenças
estatisticamente significativas (p≤0,05).

3) Uso exclusivo de álcool

Ao comparar as médias da DAP, DRP e DGP do DUSI, entre adolescentes que


usavam e não usavam álcool experimentalmente, observou-se que não houve diferenças
estatisticamente significativas entre as médias da DAP entre os usuários e não usuários de
álcool.
Ao comparar a diferença entre os valores médios das DRPs observou-se que, na Área
3, saúde, a média maior foi entre os estudantes que não usavam álcool [média=14,5±11,1;
t=1,887], quando comparada a dos que usavam [média=13,1±10,2; t=1,974], com diferenças
estatisticamente significativas (p≤0,05).
Não houve diferenças estatisticamente significativas entre as médias do uso de álcool e
DGP.

4) Uso exclusivo de tabaco

Ao se comparar as médias com a DAP, DRP e DGP do DUSI e o uso experimental ou


não de tabaco, constatou-se que não houve diferenças estatisticamente significativas entre as
médias das DAPs e DGPs em relação ao uso e não uso de tabaco.
Ao se comparar a diferença entre os valores médios da DRP na Área 1, uso de
substâncias, a média maior foi entre os estudantes que não usaram tabaco [média=3,7±7,1;
75

t=1,996], quando comparada à dos adolescentes que usaram tabaco [média=1,8±4,8; t=3,269],
com diferenças estatisticamente significativas (p≤0,005).

7.2.4 Análise do consumo de substâncias psicoativas e envolvimento em bullying

O envolvimento em bullying e o consumo de substâncias psicoativas estão


apresentados na Tabela 12. Ser autor de bullying foi associado ao uso de drogas (exceto álcool
e tabaco) (p=0,048), uso de álcool (p=0,020), maconha (p=0,043) e cocaína (p=0,050). Dos
adolescentes autores de bullying, 68 (21,6%) consumiram drogas (exceto álcool e tabaco), 89
(28,3%) usaram apenas álcool, 20 (6,3%) usaram maconha e 12 (3,8%) usaram cocaína. Ser
vítima foi associado apenas ao uso de qualquer tipo de droga (p=0,029), enquanto ser
alvo/autor de bullying foi associado ao uso de maconha (p=0,039).

Tabela 12 - Uso de drogas (no último mês) e o envolvimento em bullying, segundo os


estudantes do Ensino Fundamental. (n = 1192). Município do sul de Minas Gerais, MG,
Brasil, 2013.
Autor Vítima Alvo/autor
315 (26,4%) 398 (33,4%) 123 (10,3%)
n % n % n %
a
Uso de qualquer tipo de droga
Não 199 63,2 251 63,1 75 61,0
Sim 116 36,8 147 36,9* 48 39,0
a
Uso de droga (exceto álcool e tabaco)
Não 247 78,4 316 79,4 94 76,4
Sim 68 21,6* 82 20,6 29 23,6
a
Álcool
Não 226 71,7 295 74,1 88 71,5
Sim 89 28,3* 103 25,9 35 28,5
a
Tabaco
Não 295 93,7 383 96,2 115 93,5
Sim 20 6,3 15 3,8 8 6,5
Maconhaa
Não 295 93,7 381 95,7 113 91,9
Sim 20 6,3* 17 4,3 10 8,1*
a
Cocaína
Não 303 96,2 - - - -
Sim 12 3,8* - - - -
a
Nota: Teste Exato de Fisher. (*valor de p ≤ 0,05).
76

7.2.5 Áreas de problemas enfrentados na vida e envolvimento em bullying

Ao avaliar a relação entre as áreas de problemas enfrentados na vida e ser vítima, autor
e alvo/autor de bullying não houve diferença em relação às áreas da vida (DUSI) (Tabela 13).
Nota-se que adolescentes que praticaram bullying apresentaram problemas na área de
comportamentos, de ordem psiquiátrica, competência social, família, escola, relação com
amigos e lazer/recreação. Observa-se presença de associação estatisticamente significativa
entre a presença de problemas com comportamento (p=0,039) e alvos/autores de bullying.

Tabela 13- Relação entre os problemas enfrentados na vida e bullying entre os estudantes do
Ensino Fundamental. (n = 1192). Município do sul de Minas Gerais, MG, Brasil, 2013.
Vítima Autor Alvo/Autor
398 (%) 315 (%) 123 (%)
n % n % n %
Comportamento Ausc. 186 46,7 139 44,1 49 39,8
Pres. 212 53,3 176 55,9 74 60,2*
Saúde Ausc. 217 54,5 160 50,8 62 50,4
Pres. 181 45,5 155 49,2 61 49,6
Transtorno psiquiátrico Ausc. 162 40,7 134 42,5 46 37,4
Pres. 236 59,3 181 57,5 77 62,6
Competência Social Ausc. 144 36,2 108 34,3 47 38,2
Pres. 254 63,8 207 65,7 76 61,8
Família Ausc. 163 41,0 122 38,7 52 42,3
Pres. 235 59,0 193 61,3 71 57,7
Escola Ausc. 156 39,2 126 10,0 51 41,5
Pres. 242 60,8 189 60,0 72 58,5
Trabalho Ausc. 349 87,7 288 91,4 107 87,0
Pres. 49 12,3 27 8,6 16 13,0
Relação com os amigos Ausc. 86 21,6 66 21,0 23 18,7
Pres. 312 78,4 249 79,0 100 81,3
Lazer/Recreção Ausc. 178 44,7 131 41,6 50 40,7
Pres. 220 55,3 184 58,4 73 59,3

Nota: Ausc. = ausência de problemas; Pres. = Presença de problemas. Nota: Teste Exato de
Fisher (*p ≤ 0,05).
77

7.2.6 Análise dos problemas enfrentados na vida e a variável sexo

Ao comparar as médias da densidade das dez áreas (DUSI) em relação ao sexo,


observam-se semelhanças em quase todas as áreas avaliadas. As áreas que se diferenciaram
foram apenas saúde e relacionamento com amigos. Os meninos apresentaram maior
prevalência de problemas de saúde (p=0,008), enquanto as meninas, problemas de
relacionamento com amigos (p=0,047 e p=0,007) (Tabela 14).

Tabela 14 - Média do percentual das densidades absoluta e relativa por sexo dos adolescentes
do Ensino Fundamental. (n = 1192). Município do sul de Minas Gerais, MG, Brasil, 2013.
Sexo daF daM p-valor drF drM p-valor
Densidades

Consumo de drogas 6,3 6,1 0,384 3,6 3,6 0,796


Comportamento 18,6 18,2 0,189 9,8 10,2 0,619
Saúde 27,7 29,0 0,008* 14,0 14,3 0,071
Desordens Psiquiátricas 20,4 18,7 0,059 10,6 10,5 0,541
Competência Social 23,0 22,9 0,643 11,9 12,0 0,500
Sistema Familiar 26,0 26,6 0,851 14,3 14,8 0,547
Atividades Escolares 17,7 16,1 0,888 9,5 8,6 0,252
Trabalho 1,6 1,4 0,266 0,9 0,9 0,834
Relacionamento com Amigos 25,1 23,4 0,047* 13,9 13,2 0,007*
Laser/Recreação 20,7 19,8 0,241 11,0 11,3 0,321
Nota: daF = Densidade absoluta do sexo feminino; daM = Densidade absoluta do sexo masculino; drF =
Densidade relativa do sexo feminino; drM = Densidade relativa do sexo masculino. Teste-t para amostras
independentes (*p ≤ 0,05).
78

8. Discussão
79

Neste estudo buscou-se uma melhor compreensão acerca do uso de substâncias


psicoativas, do envolvimento em bullying e dos problemas relacionados em uma amostra
robusta de 1.192 estudantes do ensino fundamental. Esses fenômenos são comuns na
adolescência e no ambiente escolar e parecem somar-se ou potencializar-se enquanto fatores
de risco ao desenvolvimento saudável nessa importante etapa do ciclo vital (HORTA et al.,
2018).
Em relação à caracterização da amostra, observa-se perfil de estudantes dos primeiros
anos do ensino fundamental como mais jovens (11 a 13 anos), do sexo feminino, de raça
branca e que residiam em casa própria (Tabela 1). Esses resultados refletem as condições
sociais em que os adolescentes vivem. Por outro lado, a adolescência é uma das fases mais
complexas da vida humana, na qual ocorrem importantes mudanças físicas, cognitivas e
sociais (BLACKMORE; MILLS, 2014). Nesse período, também ocorrem maior exposição
dos adolescentes a inúmeras situações de vulnerabilidade, em face dos enfrentamentos e das
socializações vivenciadas em um momento tão importante da vida. Assim, a adoção desses
novos comportamentos muitas vezes leva os adolescentes a se envolverem em
comportamentos de risco, potencialmente capazes de agravar sua saúde física e mental
(BITTENCOURT; FRANÇA; GOLDIM, 2015).
Em estudos evidenciam-se características sociodemográficas importantes da
adolescência que permeiam os comportamentos de risco, de modo que o consumo de drogas
foi associado a fatores como sexo, escolaridade, nível socioeconômico, frequência em bares e
festas, convivência com amigos, ausência de prática esportiva (PRATTA; SANTOS, 2013),
idade de primeiro consumo, ambiente familiar conflituoso, ausência de vinculação religiosa,
consumo de álcool pelos pais (REIS; OLIVEIRA, 2015), ter sofrido violência física
(ESPELAGE et al., 2014) e envolvimento em bullying (ANDRADE et al., 2012).
Os achados do presente estudo corroboram resultados do estudo que foi desenvolvido
com adolescentes, mostrando que variáveis como idade, religião, ambiente familiar e regras
parentais caracterizam-se, muitas vezes, por serem fatores de risco, representando
vulnerabilidade potencial para o uso de substâncias psicoativas (BITTENCOURT; FRANÇA;
GOLDIM, 2015; ZEFERINO et al., 2015).
Em estudos realizados com adolescentes mostrou-se predominância do sexo feminino
e raça branca (LIVINGSTON et al., 2018), dados semelhantes ao nosso estudo, porém, há
divergências em relação à idade (mais velhos) e ao ano escolar, pois estavam matriculados em
anos finais do ensino fundamental (LAMBE; CRAIG, 2017).
80

Nos estudos brasileiros (OLIVEIRA et al., 2016; TERROSO et al., 2016; ELICKER et
al., 2015) esse perfil de estudantes também foi diferenciado em relação aos observados nesta
pesquisa, uma vez que foi houve predominância do sexo masculino, de raça negra, mais
velhos, matriculados nos últimos anos do ensino fundamental e eram provenientes de escolas
privadas.
No presente estudo, a maioria dos adolescentes morava e estudava em escolas públicas
localizadas na zona urbana do município, além de frequentar eventos festivos mensalmente ou
quinzenalmente e professar a religião católica. Vale destacar que, no município investigado,
apenas duas escolas eram localizadas na zona rural e possuíam salas do 6º ao 9º ano. Esse
dado pode justificar a elevada frequência de escolares de zona urbana e a maior frequência
dos alunos em festas.
Quanto à vinculação religiosa, a religião católica foi a mais assinalada pelos
estudantes. As religiões que adotam normas mais conservadoras e rígidas tendem a apresentar
menor frequência de uso de drogas (SANCHEZ; NAPPO, 2007). Existe uma gama de
pesquisas em que se aponta a religião como fator de risco ou de proteção em face de diversos
comportamentos de risco e de aspectos de saúde (LUIS et al., 2014; SILVA et al., 2013).
Nesse contexto, parece funcionar, segundo sugere-se em alguns estudos, como fator protetivo
para o consumo de drogas.
A religião e a espiritualidade têm sido cada vez mais consideradas em estudos com
diversos grupos populacionais, dentre eles, os estudantes. A presença da prática religiosa ou
espiritual na vida do indivíduo pode atuar de forma positiva na percepção de satisfação pela
vida e afastar os estudantes dos comportamentos de risco inerentes a essa fase (GOEKE-
MOREY; CUMMINGS, 2017; GOMES et al., 2015). Os jovens, ao se envolverem em
práticas religiosas, aderem a um conjunto de valores, símbolos, comportamentos e práticas
sociais que favorecem comportamentos de abstenção e prevenção ao uso de drogas
(ABDALA et al., 2009).
Essas crenças e comportamentos podem influenciar positivamente a saúde mental, o
que talvez explique os potenciais riscos para o uso de drogas em adolescentes da presente
amostra que não pertenciam a nenhuma religião. Em estudos mostrou-se que os adolescentes
com vinculação religião relataram maior satisfação com a vida, bem-estar, satisfação com a
família e com as amizades (GOMES et al., 2015; SILVA; GIORDANI; DELL’AGLIO,
2017). Em estudo brasileiro realizado na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul (RS),
Brasil, com estudantes de 12 a 18 anos, mostrou-se que pouco mais da metade professava uma
81

religião e, dentre esses, 31,7% se declararam católicos (SILVA; GIORDANI; DELL’AGLIO,


2017).
Um achado muito importante do presente estudo refere-se à boa convivência com os
pais e relacionamento familiar, e em família monoparental (Tabela 2). Em estudos nos quais
foram avaliados comportamentos de risco entre adolescentes também encontraram-se padrões
de sistema familiar semelhantes (JORDÁN JINEZ; MOLINA DE SOUZA; PILLON, 2009;
PEREIRA et al., 2015; TEIXEIRA; GUIMARÃES; ECHER, 2017).
Por outro lado, parcela significativa de adolescentes assinalou que dificilmente existe
rotina de atividades em conjunto com a família (Tabela 2). A família possui um papel
primário muito importante na vida dos adolescentes, de inserir seus membros na sociedade a
partir das relações estabelecidas entre seus membros. As estruturas dessas relações são
responsáveis em conjunto a outros fatores e pela habilidade do adolescente em evitar
envolvimento em comportamentos de risco (MIRANDA PEREIRA et al., 2015). Considera-
se, ainda, que problemas nas relações familiares oriundos da infância e adolescência podem
repercurtir negativamente em deficiência nas habilidades sociais dos jovens.
A interação e as experiências familiares têm impacto crucial na saúde mental das
crianças e adolescentes, com repercursões que se estendem até a vida adulta, influenciando o
desenvolvimento ou não de problemas com o uso de substâncias (ALVES; RODRIGUES,
2010).
Apesar de, no presente estudo, não se ter avaliado a situação econômica das famílias
dos estudantes, constatou-se média muito baixa de estudantes que apresentaram problemas na
área trabalho (DUSI) (Tabela 5); de fato, eles podem estar apenas estudando ou associando a
rotina escolar com trabalho. O envolvimento em atividades laborais na infância e
adolescência, somado a outros comportamentos como o bullying, uso de substâncias e os
problemas decorrentes dessa fase são considerados como elementos-chave para a promoção
de baixo desempenho acadêmico, desmotivação e defasagem escolar (WANG; FREDRICKS,
2014). Esses autores ainda indicam que a falta de preparo psicológico dos jovens para as
exigências laborais e escolares pode prejudicar o desempenho dessas atividades (THOME;
PEREIRA; KOLLER, 2016).
Quanto ao uso de substâncias psicoativas, um terço dos estudantes consumiu nos últimos
30 dias, quase um quinto usou drogas (exceto álcool e tabaco) e aproximadamente um quarto
consumiu exclusivamente álcool. Somente 5% dos participantes faziam uso exclusivo de
tabaco (Tabela 3). Esses dados não confirmam a hipótese de semelhança entre as taxas
apresentadas nos levantamentos nacionais anteriores com adolescentes escolares.
82

Os principais achados do presente estudo demonstraram maiores taxas de consumo de


substâncias entre estudantes do ensino fundamental, em um município do sul de Minas
Gerais, em comparação com as taxas nacionais relatadas pelo Cebrid no ano 2010, em que o
uso de álcool foi de 21,1%; tabaco, 5,5%; drogas (exceto álcool e tabaco), 5,5%; e qualquer
tipo de droga, 5,5% (CEBRID, 2010) e, também, os apresentados na PeNSE, em 2016, em
que foi mostrada prevalência de 4,2% para o uso de drogas (exceto álcool e tabaco), segundo
o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2016).
Em comparação aos resultados do estudo conduzido no estado de São Paulo, realizado
com metodologia (uso do DUSI) semelhante a do presente estudo, as taxas foram inferiores
para álcool (22,6%), tabaco (2,6%) e drogas (exceto álcool e tabaco) (6,9%) nos últimos 30
dias (MALBERGIER; CARDOSO; AMARAL, 2012). Em outra pesquisa realizada com
adolescentes escolares, no município de Porto Velho, Rondônia (RO), o consumo de drogas
(exceto álcool e tabaco) foi de 2,3% (ELICKER et al., 2015).
Essas taxas de consumo de substâncias são mais elevadas, principalmente relacionadas
ao uso de drogas (exceto álcool e tabaco), o que pode indicar a existência de variabilidade
epidemiológica em relação aos padrões de uso de drogas, considerando os contextos regionais
no Brasil, principalmente em municípios de médio e pequeno porte, onde as condições sociais
e influências culturais favorecem o uso de substâncias (LUIS et al., 2014), em especial o
álcool na adolescência.
Em relação ao consumo de substâncias, foi observado que o álcool continua sendo a
substância mais consumida em quase todos os padrões de consumo (ocasional, frequente,
muito frequente e problemas relacionados ao uso) entre os adolescentes (Tabela 4).
Independentemente da frequência do uso de bebidas alcoólicas na adolescência, o consumo é
considerado um comportamento de risco que pode ocasionar diversas consequências no
desenvolvimento físico e graves problemas sociais, tendo repercursões importantes na vida do
adolescente (HALL et al., 2016; DEGENHARDT et al., 2016).
Dois em cada dez adolescentes fizeram consumo recente de álcool, e 1,9% afirmou
que tinha problemas devido ao uso dessa substância. Apesar de serem índices baixos, a
literatura reforça que é preocupante o uso, principalmente quando ocorre na adolescência,
etapa em que o sistema nervoso central ainda está em pleno desenvolvimento (MATTICK et
al., 2018).
Nos estudos brasileiros em que se utilizou o DUSI em adolescentes, o álcool foi a
substância de maior consumo e em vários padrões de uso (NASCIMENTO; AVALLONE,
2013; MALBERGIER; CARDOSO; AMARAL, 2012; PARENTE et al., 2015).
83

Em estudos internacionais de levantamentos, a taxa de consumo de álcool por


adolescentes nos últimos 30 dias foi inferior à do presente estudo. Na Hungria, o consumo foi
de 19,8% em estudantes com média de idade de 15 anos (MATUSZKA et al., 2017) enquanto
no norte dos EUA esse consumo ocorreu em 12,1% dos alunos com idade média de de 13,8
anos (AREBA; EISENBERG; MCMORRIS, 2017).
Apesar de os resultados da PeNSE (23,8%) e das pesquisas realizadas pelo Cebrid
(21,1%) apresentarem porcentagens de frequência de consumo alcóolico, com valores muito
próximos aos verificados neste estudo (IBGE, 2016; CEBRID, 2010), a maior preocupação
direciona-se para o uso mensal, que está ocorrendo em adolescentes com idade entre 11 e 15
anos, aumentando, assim, a probabilidade de evolução para o uso de outras drogas.
As drogas ilícitas mais consumidas foram a maconha (4,4%), os inalantes/solventes
(3,8%) e o crack/cocaína (2,4%) (Tabela 4). As taxas de consumo dessas substâncias no
último mês foram maiores do que se esperava nessa população e superiores às taxas do
levantamento nacional brasileiro: crack (0,3%), cocaína (1,0%), maconha (2,0%) e
inalantes/solventes (2,2%) (CEBRID, 2010). Dos adolescentes que consumiram essas
substâncias, 0,4% indicaram problemas pelo uso de crack/cocaína; 0,4%, pela maconha; e
0,2%, pelos inalantes/solventes.
Acredita-se, ainda, que a transição do ensino fundamental I (do 1º ao 5º ano) para o
fundamental II (do 6º ao 9º ano), juntamente com a transição da adolescência para a fase
adulta contribuam para a probabilidade de desenvolvimento de problemas de comportamento
e envolvimento em agravos à saúde, como o aumento do consumo de substâncias psicoativas,
do uso de álcool, tabaco e drogas ilícitas.
As elevadas taxas de uso dessas substâncias, associadas ao consumo de álcool,
apontam um problema crítico nessa população, principalmente as substâncias ilegais nas
escolas de ensino fundamental. Além disso, o abuso dessas substâncias contribui para o
aumento da carga de doenças vinculadas aos determinantes sociais da saúde mental
(MATHERS; LONCAR, 2006; ALVES; RODRIGUES, 2010). Esses dados contribuem para
reflexão sobre a necessidade de intervenções preventivas e de tratamento voltado a esses
adolescentes (FIDALGO et al., 2016; NASCIMENTO; MICHELI, 2015).
Em vários padrões de consumo neste estudo, os analgésicos sem prescrição ou
indicação médica também foram as substâncias mais usadas entre os adolescentes (9,6%)
(Tabela 4). É válido supor que há uma cultura de automedicação, assim, há um remédio para
todas as dores, de modo que os analgésicos têm sido a solução para todos os problemas.
Alguns fatores que facilitam o uso de analgésico têm sido a facilidade de acesso nas
84

farmácias, domicílios e escolas brasileiras, pois não há necessidade de receitas para seu
consumo. Porém, em pesquisa indica-se preocupação com o aumento do uso da substância no
início da adolescência e sua constância nesse momento de transição (WU; PILOWSKY;
PATKAR, 2008). Além disso, o uso acontece muitas vezes sem orientação ou indicação
médica ou mesmo de algum adulto, os pais ou responsáveis, e, por vezes, os adolescentes
desconhecem a dosagem e a frequência desse consumo (MITKA, 2004).
A maioria dos estudantes relatou consumo dessa substância de forma ocasional (7,7%)
e frequente (1,1%) nos últimos 30 dias. Esse dado reforça a cultura da automedicação, assim,
para tudo há um analgésico que cura. Acredita-se, ainda, que tanto os pais quanto os
adolescentes desconhecem os efeitos, mecanismos de ação e as contraindicações dos
analgésicos.
Há de se ressaltar que a dor entre adolescentes é evidenciada frequentemente em
rotinas escolares, atividades de lazer e recreação, problemas de sociabilidade e por privação
do sono (HARALDSTAD et al., 2011). No entanto, o uso excessivo sem prescrição pode
causar dores de cabeça induzidas pela própria medicação (ZED; LOEWEN; ROBINSON,
1999). Em estudo indica-se, também, que o uso frequente de analgésicos pode ser uma
estratégia de enfrentamento de problemas utilizada por alguns adoslecentes (KOUSHEDE;
HOLSTEIN, 2009).
Neste estudo, na avaliação do DUSI, o padrão de consumo de drogas como
cocaína/crack e maconha foi apontado como “substâncias prediletas” (exceto álcool e tabaco)
e às quais os adolescentes referem maiores problemas pelo uso (Tabela 4). No levantamento
brasileiro sobre o uso de álcool e drogas, realizado em 2012, foi destacado que o Brasil está
entre as nações com maiores taxas de consumo de crack no último ano, de pessoas com idade
igual ou superior a 14 anos (2,0%). Além disso, a dependência de cocaína foi estimada em
0,6% da população. Apontou-se, ainda, que o Brasil tem sido um dos maiores mercados
mundiais de consumo dessas substâncias (ABDALLA et al., 2016). Em estudo é ressaltado o
poder potencial dessa substância em gerar sobrecarga de transtornos mentais (BONADIMAN
et al., 2017), como episódios psicóticos, déficit cognitivo, alterações de humor, de
comportamento, além de problemas respiratórios, atos infracionais e violência (PAULA et al.,
2017).
A Academia Americana de Pediatria (AAP) atualmente recomenda que os
profissionais de saúde da atenção primária orientem e investiguem de modo sistemático o uso
de substâncias entre os adolescentes durante os cuidados clínicos de rotina, incorporando as
diretrizes de Rastreio de Uso de Substâncias, Intervenção Breve e/ou Referência para
85

Tratamento (Screening for Substance Use, Brief Intervention, and/or Referral to Treatment –
SBIRT) (LEVY; KOKOTAILO, 2011). Além disso, os profissionais devem considerar que,
apesar de os jovens possuírem características peculiares e semelhantes, possuem problemas
individualizados que podem estimular a adoção de comportamentos de risco à saúde.
Outra questão avaliada no presente estudo foi em relação aos problemas (DUSI)
enfrentados pelos adolescentes em seu cotidiano (Tabela 5). Ao analisar a intensidade de
problemas em cada área da vida dos adolescentes, aquelas com maiores intensidades de
problemas na DA e DR foram sistema familiar e saúde, sendo as mais prejudicadas, enquanto
trabalho destacou-se com menor nível de problema, tanto na avaliação da DA quanto na da
DR. As indicações afirmativas de todas as áreas do instrumento são formadoras DGP, que
apresentou média de 26,8%, considerada relativamente elevada (Tabela 5). Esses dados
corroboram parcialmente com os resultados apresentados no estudo epidemiológico realizado
com estudantes do 6º ao 9º ano, no município de Uberaba, MG. Os autores constataram que,
em ambas as densidades, o menor nível de problema foi relacionado à área trabalho, e as áreas
com maior intensidade foram sistema familiar e atividades de lazer/recreação (PEREIRA;
CASTRO; SANTOS, 2016).
Analisando esses resultados, pode-se pressupor que há problemas na relação entre o
adolescente e a família dos participantes da pesquisa, resultando em risco ao uso de álcool e
outras drogas.
Ambientes familiares estáveis contribuem para o ajuste psicossocial e mental dos
adolescentes. As interações familiares abertas apresentam oportunidades de ensino para que
os pais possam auxiliar no desenvolvimento de estratégias de enfrentamento de desafios na
adolescência, além de estimularem comportamentos saudáveis (ELGAR; CRAIG; TRITES,
2013). A comunicação entre a familia e o estabelecimento de relações afetivas com os pais
permite ainda que os adolescentes expressem suas preocupações e se sintam valorizados com
apoio familiar, pontos que estimulam o desenvolvimento psicológico e intelectual normal,
assim como adequada regulação emocional do adolescente (ALVES; RODRIGUES, 2010).
É importante salienter que, apesar de, neste estudo, o instrumento DUSI classificar o
sistema familiar como área em que a média de intensidade de problemas é elevada e com
valores próximos à DGP, a maioria dos estudantes indicou ter um bom relacionamento
familiar e morar com ambos os pais.
Entretanto, acredita-se que dinâmicas familiares abusivas e conflituosas, com
comunicação coercitiva e maus-tratos, são associadas a inúmeros prejuízos à saúde do
adolescente com envolvimento em situações de violência e uso de álcool e outras drogas
86

(ESPELAGE et al., 2014). Assim, os conflitos familiares, supervisão dos pais e qualidade do
relacionamento devem ser considerados pontos-chave para o desenvolvimento saudável da
adolescência em um momento em que esses estão mais vulneráveis a fatores que possam
representar maior risco para o uso e o abuso de substâncias psicoativas.
A área relacionada à saúde representa a de maiores riscos relacionados a acidentes,
prejuízos e doenças. Neste estudo não foi possível predizer quais são os fatores que sugerem
prejuízos à saúde do adolescente, entretanto, o instrumento indica questionamentos como
problemas com o sono, perda ou ganho de peso, alterações clínicas, problemas sexuais,
compartilhamento de seringas para o uso de substâncias, dentre outros.
Observa-se, porém, que existe carência de cuidado e rotinas de consulta para
adolescentes nesse período de transição (MCDONAGH; KELLY, 2010). O acompanhamento
por profissionais de saúde, nesse momento, é colocado em relevo com objetivo fundamental
de atender e acolher os jovens em suas necessidades e prioridades de cuidados de saúde
(SONNEVELD et al., 2013).
A menor densidade obtida foi na área que investiga a motivação para o trabalho.
Apesar do DUSI apresentar essa área, o trabalho não está diretamente relacionado à faixa
etária dessa população (11 a 15 anos). Porém, de acordo com a legislação brasileira, jovens a
partir dos 14 anos já podem adentrar no mercado de trabalho formal, como aprendizes, com
carga horária que não exceda seis horas diárias.
A contratação de aprendizes é regulamentada pelo Decreto n.º 5.598/2005, o qual
inclui a formação técnico-profissional por tempo determinado que seja compatível com a vida
escolar e com o desenvolvimento individual do adolescente, assegurando reais condições de
aprendizagem e ausência de impactos negativos do trabalho precoce (BRASIL, 2005).
Associado a esse Decreto, o ECA estabelece diretrizes para proteção da atividade laboral aos
menores (BRASIL, 1990).
Alguns autores consideram ainda que estudantes de 14 a 15 anos que fazem uso de
álcool e outras drogas não conseguem desempenhar o trabalho de aprendiz e, tampouco,
frequentar a escola de maneira adequada(RUZZI-PEREIRA; DE CASTRO; SANTOS, 2016).
Sendo assim, estimular a participação social, o engajamento em atividades produtivas e o
desenvolvimento de habilidades é fundamental para atuar em um conjunto de situações
cotidianas que protejam do uso e abuso de drogas.
Mediante os problemas enfrentados na vida pelos adolescentes, o instrumento DUSI
indica a intensidade geral de problemas. Assim, a média da DGP da amostra investigada foi
de 26,8%. A literatura aponta que densidades acima de 15% podem indicar perturbações na
87

vida dos adolescentes (NDETEI et al., 2009). Em estudos brasileiros nos quais utilizou-se o
instrumento na população adolescente, foram encontrados índices de DG de 32,7% (RUZZI-
PEREIRA; DE CASTRO; SANTOS, 2016) e 31% de problemas (FIGLIE et al., 2004).
Quanto às áreas do DUSI e suas relações, serão discutidas posteriormente, cabendo aqui
apenas sinalizar a frequência de ocorrência dessas condições na vida dos adolescentes.
Quanto ao envolvimento em situações de bullying, a pontuação média referente ao fato
de ser vítima do fenômeno foi de 14,60, enquanto a de ser autor, 13,50. É importante lembrar
que o escore máximo possível para ser vítima de bullying era de 40, e para autoria, 42 (Tabela
6). Em estudo nacional, no qual se utilizou a mesma população (do 6º ao 9º ano) e o mesmo
instrumento, mostrou-se escore médio de vitimização semelhante ao do presente estudo
(14,78), porém, para autoria, o escore médio de 3,99 apresentou acentuada diferença em
relação ao do presente estudo (FORLIM; STELKO-PEREIRA; WILLIAMS, 2014).
Provavelmente essa discrepância no escore médio dos adolescentes, classificados como
autores do fenômeno, ocorreu neste estudo em função da ausência de programas direcionados
aos estudantes que abordem as competências sociais positivas, com estratégias de convívio
em grupo e cooperação, comunicação eficaz com respeito a diferenças e aumento da
autoestima.
Sobre a prevalência de bullying, 33,4% dos participantes foram classificados como
vítimas; 26,4%, autores; e 10,3%, alvos/autores. Dos participantes, 590 (49,5%) estiveram
envolvidos de alguma forma nesse comportamento (Tabela 6). Tanto nos autores quanto nas
vítimas o tipo de violência física, seguido de violência psicológica, predominou entre os
adolescentes (Tabela 7). Esses resultados não são congruentes com a hipótese de que os
índices de envolvimento em bullying são semelhantes aos da literatura nacional, mas sim
superiores.
Esse achado chama atenção visto que a literatura mostra taxas de envolvimento no
fenômeno inferiores às observadas neste estudo (RECH et al., 2013; FORLIM; STELKO-
PEREIRA; WILLIAMS, 2014; SANTOS et al., 2014). Em outro estudo, realizado em Caxias
do Sul, RS, identificou-se que um em cada dez adolescentes foi vítima, enquanto 7,1%,
autores. Nesse trabalho foi utilizado, para avaliação do bullying, o questionário kidscape, de
origem inglesa, por meio do qual se avaliam vítimas e agressores, bem como suas
características (RECH et al., 2013).
No estudo realizado em São Carlos, SP, com estudantes do 6º ao 9º ano, a prevalência
foi de 16% para vítimas exclusivas, 11% para autores exclusivos e 23% para o envolvimento
de alguma forma no fenômeno (FORLIM; STELKO-PEREIRA;WILLIAMS, 2014). Em
88

Campina Grande, Paraíba (PB), 23,6 % dos estudantes afirmaram ter sofrido bullying, sendo a
maioria (87,7%) do tipo verbal (psicológico) e 19,7% do tipo físico ( SANTOS et al., 2014).
Nota-se que, no Brasil, tais diferenças entre os resultados de investigações são comuns em
estudos sobre vitimização entre os pares (WILLIAMS, 2014), seja pela diferença entre as
amostras, seja pela definição de bullying (PINHEIRO; ALBUQUERQUE; WILLIAMS,
2009) ou, também, pela ausência de instrumentos padronizados para a população brasileira
(FORLIM; STELKO-PEREIRA; WILLIAMS, 2014).
A literatura aponta, ainda, que a vitimização do fenômeno varia de acordo com
estudos e países. Em estudo de prevalência, em 16 países de baixa e média renda, da pesquisa
Global School-Based Student Health Survey (GSHS), apontou-se variação de prevalência de
bullying entre 7,8%, no Tajiquistão, e 60,9%, em Zâmbia. As maiores prevalências foram
descritas em meninos e estudantes mais jovens (FLEMING; JACOBSEN, 2010).
Essas diferenças refletem a necessidade da sistematização de instrumentos com
propriedades psicométricas avaliadas e maior acordo entre a definição do fenômeno pelos
pesquisadores da área (FORLIM; STELKO-PEREIRA; WILLIAMS, 2014).
No estudo atual, detectou-se associação positiva entre o consumo de qualquer tipo de
droga com a idade, ano em curso, raça, tipo de moradia, religião, participação em festas, tipo
e localização da escola (Tabela 8). Essas associações também ocorreram com as variáveis
familiares (Tabela 9). Considera-se, ainda, que, nas análises múltiplas, a idade (14 e 15 anos),
religião (ateu), ir a festas com muita frequência, com quem mora (amigos) e relacionamento
familiar (bom) foram as variáveis preditoras para o aumento das chances de consumo de
substâncias psicoativas entre os estudantes (dado não apresentado em tabela). Os dados
refletem o perfil dos adolescentes que consumiram substâncias psicoativas nos últimos 30
dias.
Esses resultados vão ao encontro de estudos desenvolvidos com adolescentes,
principalmente por indicarem que idade, religião, ambiente familiar e regras parentais
caracterizam-se, muitas vezes, como fatores de risco, representando vulnerabilidade potencial
para o uso de substâncias psicoativas (CARDOSO; MALBERGIER, 2013; FINAN et al.,
2015; LUIS et al., 2014; MALBERGIER; CARDOSO; AMARAL, 2012; MASON; SPOTH,
2011; REIS; OLIVEIRA, 2015). Evidências apontam, ainda, a importância de se avaliar
constantemente o uso de substâncias associado às condições sociais e de vulnerabilidade
psicossocial em que os adolescentes vivem, pois essas podem contribuir para a carga de
agravos e doenças na saúde pública durante o período da adolescência, incluindo gravidez não
89

desejada, práticas sexuais arriscadas, comportamentos violentos, abandono escolar e


problemas psiquiátricos (TELZER; GONZALES; FULIGNI, 2014).
Adolescentes mais velhos tiveram mais chances de usar substâncias psicoativas do que
os mais jovens. Em relação à religião, os estudantes ateus apresentaram maiores chances de
risco (OR=3,2) para o uso de drogas no último mês, entretanto, considera-se que a maioria
dos adolescentes do estudo era de religião católica. Considera-se que a religião tem efeito
benéfico sobre o uso de substâncias entre os adolescentes, na medida em que os adolescentes
com maior religiosidade são menos propensos ao consumo de drogas (MASON; SPOTH,
2011).
Ainda que haja essa relação protetora entre o uso de substâncias e a religiosidade, tal
associação ainda não é bem compreendida entre os autores (KIM-SPOON et al., 2014).
Alguns autores propõem que a associação entre a ausência de religiosidade e a iniciação do
uso de substâncias possa ocorrer em decorrência de a religião afetar desde o controle de
impulsos a comportamentos de risco (CARTER; MCCULLOUGH; CARVER, 2012;
MCCULLOUGH; WILLOUGHBY, 2009).
Os jovens, ao se envolverem em práticas religiosas, sentem-se estimulados a renunciar
as pequenas recompensas de curto prazo (prazer no uso de drogas) para obterem maiores
recompensas em um período mais longo, sempre motivados por comportamentos que
fortaleçam as habilidades de orientar o pensamento, a ação (KIM-SPOON et al., 2014), e o
autocontrole dos comportamentos relacionados à impulsividade (SAROGLOU, 2010), o que,
consequentemente, beneficia a saúde e o bem-estar. Essas ações podem influenciar
positivamente a saúde mental, o que talvez explique os potenciais riscos para o uso de drogas
em adolescentes da presente amostra que não pertencem a nenhuma religião.
Verificou-se, ainda, neste estudo, que à medida que aumenta a frequência em
festas/baladas, também aumentam os riscos para o uso de drogas no último mês, entre os
adolescentes. Além disso, considera-se que a frequência de uma a duas vezes por semana foi
apontada como a mais prevalente. Atividades recreativas noturnas, como participação em
clubes, baladas, eventos musicais e festas com open bar, são consideradas locais de risco
relevantes ao uso de drogas entre os jovens (VAN HAVERE et al., 2011). Principalmente
porque, nesses locais de recreação, o uso de álcool e outras drogas é utilizado com o objetivo
de socialização. A influência dos pares nessa fase é amplamente aceita como elemento causal
importante no desenvolvimento de problemas comportamentais (HUANG et al., 2014;
LEUNG; TOUMBOUROU; HEMPHILL, 2014). Acredita-se que os adolescentes frequentam
90

festas juntamente com seus pares, e esses possuem grande influência, podendo encorajar à
experimentação envolvendo comportamentos de risco.
Na amostra, o risco de usar drogas aumenta em 10,8 vezes as chances para aqueles que
moram com amigos ou em instituições de acolhimento, e em 1,5 vezes em adolescentes que
classificaram o relacionamento familiar como bom. Deve-se considerar que a maioria dos
participantes residia com ambos os pais, sendo que os mesmos participantes classificaram o
relacionamento familiar como muito bom/bom.
O ambiente familiar pode resultar em comportamentos de proteção ao adolescente
(FINAN et al., 2015). No presente estudo, o entendimento do bom relacionamento familiar
entre os adolescentes que consumiram substâncias pode ser pensado em três caminhos, seja
por serem adolescentes que estão vivenciando o uso de substâncias por curiosidade (uso
experimental) e, que, de fato, não têm tido problemas em função do padrão de consumo, seja
pela falta de conhecimento dos pais a respeito da experiência do filho com as drogas, seja,
ainda, pela permissividade em relação ao uso, nas situações em que se interpreta essa
aproximação como um comportamento esperado e natural nessa fase da vida.
Em linha oposta a esses resultados, a literatura aponta que relações familiares
conflituosas (MOWEN; VISHER, 2015; TELZER; GONZALES; FULIGNI, 2014), violência
familiar (ESPELAGE et al., 2014), falta de monitoramento, ausência de diálogos
(GOLDFARB; TARVER; SEN, 2014) colaboram potencialmente para o envolvimento no uso
de drogas como mecanismo de enfrentamento de problemas familiares pelos adolescentes.
Dessa forma, estratégias preventivas devem avaliar a qualidade das relações familiares, pois
essas irão influenciar a vivência e enfrentamento, pelo adolescente, ao se deparar com os
riscos e inseguranças próprios dessa fase do desenvolvimento (MARCON; SENE;
OLIVEIRA, 2015).
Neste estudo, o aumento das chances de consumo de substâncias entre os adolescentes
que vivem ou viveram em instituições de acolhimento pode ocorrer devido à ausência de afeto
e estimulação adequada resultando em dificuldades de expressão emocional e interação
pessoal. Jovens que viveram institucionalizados por algum momento podem não desenvolver
os mecanismos de coping adequados para lidar com situações de vida estressantes (ALVES;
RODRIGUES, 2010)
No presente estudo, o envolvimento em bullying apresentou relação positiva com as
características sociodemográficas (Tabela 10). Adolescentes que foram classificados como
autores de bullying apresentaram associação positiva com a faixa etária entre 11 e 13 anos,
tipo de moradia (própria), religião (católica) e localização da escola/moradia (urbana). Já ser
91

vítima foi mais frequente em estudantes que frequentavam festas/baladas de uma a duas vezes
por semana e que moravam na zona urbana. Os adolescentes classificados como alvos/autores
de bullying frequentavam festas/baladas de uma a duas vezes por semana e moravam na zona
urbana. Os aspectos familiares não se diferenciaram nos três tipos de envolvimento no
fenômeno (Tabela 11). As condições sociodemográficas e o contexto social (escola) são
fatores importantes que interferem nas questões relacionadas ao desencadeamento e desfecho
do bullying.
Na análise multivarida, as chances para o aluno ser classificado como vítima de
bullying aumentaram em 1,4 vezes quando o escolar tinha 12 anos, dobravam quando
residiam em zona urbana e aumentavam 2,6 vezes quando se denominavam ateus. Já para os
que eram considerados autores de bullying, as razões de chance aumentavam em 1,7 vezes
quando o adolescente tinha 15 anos, e em 2,4 vezes quando moravam em zona urbana. Em
estudantes classificados como alvos/autores, dobraram as chances para os que tinham 13 anos
(dados não apresentados em tabela).
Diante dos resultados pode-se inferir que as chances para ser vítima aumentam em
adolescentes mais jovens, enquanto, para autor, o fenômeno ocorre em adolescentes em idade
mais avançada. Acredita-se que os mais jovens, ao iniciarem o ensino fundamental II, são
vítimas do fenômeno e convivem com a violência. Esses mesmos alunos, enquanto vítimas,
ao adentrarem nos anos finais do ensino fundamental, passam a praticar esse tipo de violência
com os mais jovens. Esses dados corroboram a literatura, a qual mostra que há uma relação
entre idade e bullying, com tendência de mudança de papéis à medida que aumenta a idade
entre os adolescentes (SANTOS et al., 2014; OLIVEIRA et al., 2016; MALTA et al., 2014b;
RECH et al., 2013).
Em estudo nacional com informações provenientes da PeNSE mostrou-se que as
chances para sofrer bullying aumentavam para os adolescentes menores de 13 anos e
diminuíam conforme a idade progredia (MALTA et al., 2014b). Em outras investigações
também indicou-se que tinham maiores chances de serem agressores adolescentes mais
velhos, em comparação aos mais novos (OLIVEIRA et al., 2016; RECH et al., 2013).
Os adolescentes sem religião e residentes em zona urbana têm maiores chances de
serem classificados como vítimas, e adolescentes de escolas de zona urbana, como autores.
Além dos aspectos sociais, as questões culturais dos adolescentes foram determinantes para o
envolvimento em situações de bullying.
Quanto à vinculação religiosa, apesar de a maioria dos estudantes católicos estar
associada à autoria, neste estudo destaca-se que nos adolescentes que se denominavam ateus
92

dobraram as chances de serem vítimas de bullying. Pode-se supor que as chances de


vitimização aumentaram nos ateus por esses não possuírem uma doutrina que lhes auxiliasse
ou apoiasse o desenvolvimento de suas habilidades sociais, fazendo com que essa área do
desenvolvimento fosse prejudicada, sendo alvo dos autores do fenômeno.
Controversamente ao atual estudo, a literatura aponta que a religião não afeta
diretamente o envolvimento em comportamentos de bullying (OLIVEIRA et al., 2015a;
EWENIYI et al., 2013), mas pode funcionar como modulador de certos comportamentos
vinculados à violência por oferecer um conjunto de valores e um sistema de conduta que
reduzem o envolvimento em comportamentos de risco, delinquência e uso de drogas
(CRUZEIRO et al., 2008; REGNERUS, 2003). A literatura a respeito desse tema ainda é
escassa, sugerindo a necessidade de novos estudos nos quais se investiguem as relações entre
a religião e sua relação com situações de violência escolar, como o bullying.
Outro dado que chamou atenção no envolvimento em bullying refere-se à localização
da escola. Estudar em escola situada na zona urbana foi associado significativamente ao
bullying nas três condições (autor, vítima e alvo/autor). Esse achado sugere que o ambiente
rural pode ser protetivo em relação ao bullying. Essa relação merece ser mais bem explorada
em investigações futuras. Em estudo associa-se esse resultado às marcantes diferenças de
condições, estilos e percepções de vida, que influenciam o bem-estar geral e o monitoramento
parental. Morar em zona rural parece funcionar como fator atenuante ao envolvimento em
bullying (DEL DUCA et al., 2010).
A associação entre bullying e localização da escola pode estar relacionada às
condições de vida das famílias residentes na zona urbana e à maior exposição aos meios de
comunicação de massa e aos apelos da sociedade de consumo. Além disso, a precariedade no
monitoramento dos pais, por estarem em grande parte do tempo envolvidos em atividades
laborais, o modelo de disciplina privilegiado (estilo de imposição da autoridade parental) ou
mesmo o estresse parental pela sobrecarga de trabalho afetam negativamente os filhos
adolescentes, que podem se sentir desamparados e compelidos a adotar como estratégias de
relacionamento entre os pares a agressão ou isolamento, mediadas por sentimentos de raiva,
repúdio e competitividade (OLIVEIRA et al., 2015b).
A participação do adolescente em festas/baladas (de uma a duas vezes por semana) foi
associada a ser vítima de bullying. Pode-se supor que a participação em festas para os
escolares de 12 a 15 anos que, provavelmente, são vítimas de bullying é uma tentativa desses
adolescentes de favorecerem espaços de sociabilidade e interação social, por meio do
convívio com os pares. Na etapa do desenvolvimento na qual o adolescente geralmente
93

começa a frequentar festas e baladas, ele pode sofrer a pressão de pares e ficar exposto a
julgamentos ou ser motivo de chacotas e intimidação. Se o adolescente já tem autoestima
rebaixada, associada às transições psicossociais que são esperadas nessa fase do ciclo vital,
ele pode se tornar alvo preferencial dessas provocações dos colegas, o que reforça ainda mais
a prática reiterada do bullying.
Quanto aos problemas avaliados pelo DUSI, observou-se que as áreas transtornos
psiquiátricos, sistema familiar e competência social foram as mais prejudicadas nos
adolescentes que fizeram uso de drogas (exceto álcool e tabaco) no último mês (dados não
apresentados em tabela). No entanto, neste estudo não se observou associação entre o uso de
qualquer tipo de drogas, de álcool e de tabaco em relação às respectivas densidades. Esses
foram dados apresentados de forma descritiva nos resultados.
Existem evidências na literatura de que essas três áreas podem influenciar de maneira
significativa o consumo de substâncias na adolescência (CARDOSO; MALBERGIER, 2013;
CONWAY et al., 2016; FARMER et al., 2015; VANASSCHE et al., 2014). A associação
entre os transtornos psiquiátricos com o consumo de drogas pode ocorrer em sentidos
distintos. Tanto o uso de drogas pode influenciar o desenvolvimento de problemas como
ansiedade, depressão, problemas de conduta, relacionamento com os colegas, distúrbio de
atenção e hiperatividade como o inverso também é verdadeiro. É preciso considerar que esses
problemas podem ter origem interna ou se desenvolver mediante período de múltiplas
mudanças e pressão os quais os adolescentes vivenciam (FARMER et al., 2015;
VANYUKOV et al., 2012).
Em estudo com adolescentes brasileiros, na faixa etária de 11 a 19 anos, mostrou-se
associação entre os adolescentes classificados como dependentes de álcool e outras drogas
com a área transtornos psiquiátricos, assim como competência social e problemas familiares
(DE MICHELI; FORMIGONI, 2000). Já em investigação realizada com escolares de 12 a 17
anos, na Venezuela, foram indicadas associações positivas entre o uso de drogas (lícitas e
ilícitas) e maiores prejuízos nas áreas transtornos psiquiátricos (63%) e família (80%)
(REBOLLEDO; MEDINA; PILLON, 2004). É importante ressaltar que essas referências
utilizaram o mesmo instrumento da presente pesquisa (DUSI).
Ainda neste estudo, adolescentes que haviam usado drogas (exceto álcool e tabaco)
também apresentaram maiores comprometimentos na área competência social. Acredita-se
que déficit na autoafirmação, sentimento positivo e desenvolvimento social são problemas
que comprometem o desenvolvimento das habilidades sociais. Assim, os adolescentes tendem
a buscar nas drogas uma forma de lidar com tais dificuldades; entretanto, em estudos chama-
94

se atenção pois o consumo dessas substâncias aumenta ainda mais os prejuízos relacionados a
situações sociais (SCHNEIDER; LIMBERGER; ANDRETTA, 2016).
Com o objetivo de avaliar essa relação em 965 adolescentes, em estudo brasileiro
mostrou-se que o uso dessas substâncias foi associado à dificuldade em defender suas
opiniões, ser facilmente influenciado por outros, dificuldade em dizer não e em pedir ajuda e
medo de lutar por seus direitos (CARDOSO; MALBERGIER, 2013). Além disso, no mesmo
estudo considera-se que os adolescentes que usaram apenas álcool e apenas tabaco
apresentaram menor déficit de habilidades sociais do que aqueles que associaram as duas
substâncias.
Apesar dessa associação comprometer a saúde dos adolescentes, em outro estudo
indica-se que o desenvolvimento de habilidades e competências sociais no ambiente escolar,
associado a estratégias de prevenção ao consumo de álcool e outras drogas poderia contribuir
significativamente para minimizar o envolvimento dos adolescentes em comportamentos de
risco (SANTANA et al., 2017).
No presente estudo, os prejuízos na área do sistema familiar (DUSI) também foram
predominantes em adolescentes que consumiram drogas (exceto álcool e tabaco) nos últimos
30 dias. Há evidências na literatura de que o processo familiar desempenha papel
fundamental na indução de problemas sociais e comportamentais entre os jovens ou na
proteção desses (LOKE; MAK, 2013). O estilo de parentalidade em ambientes familiares
conflituosos, história familiar de problemas com substâncias (MARSHALL, 2014),
ausência ou baixo nível de supervisão e comunicação com pais (HUMMEL et al., 2013),
além da atitude indulgente dos responsáveis em relação ao consumo (BITTENCOURT;
FRANÇA; GOLDIM, 2015) são descritos como fatores potenciais para início e manutenção
do consumo de drogas. Alinhados a isso, em vários estudos encontrou-se que um bom
relacionamento familiar é fator protetor para o uso de substâncias ao longo da vida (LOKE;
MAK, 2013; MARES et al., 2011; VANASSCHE et al., 2014).
Em estudo brasileiro com 3.891 adolescentes, com média de idade de 13,8 anos,
mostrou-se que quase 90% declararam ter bom relacionamento com a mãe, e 68,5%, com o
pai. O relacionamento entre pais foi considerado bom em 65,2% dos alunos
(BITTENCOURT; FRANÇA; GOLDIM, 2015). Além disso, no mesmo estudo indicou-se
que um estilo de parentalidade autoritário e a existência de limites claros foram associados à
menor chance de consumo de drogas em detrimento de estilo de parentesco permissivo e
ausência de limites. Visto que a adolescência pode ser um período repleto de dificuldades e
95

inseguranças, o ambiente familiar estável é considerado um espaço que pode proteger o


adolescente para transição saudável durante esse período (VANASSCHE et al., 2014).
Ao se investigar a relação entre o uso de drogas no último mês e o envolvimento em bullying,
observou-se que, para os três tipos de envolvimento (vítima, autor e alvo/autor), houve
associação significativa com o uso de algum tipo de droga (Tabela 12). Esses dados
confirmam a hipótese de que o envolvimento no fenômeno está associado ao uso de
substâncias psicoativas.
Os adolescentes vítimas de violência foram associados ao consumo de qualquer tipo
de substância nesse mesmo período. Em outras investigações também se confirmou essa
preocupante relação entre adolescentes escolares. Em estudo longitudinal com adolescentes de
três cidades norte-americanas, Birmingham (Alabama), Houston (Texas) e Los Angeles
(Califórnia), apontou-se associação entre a vitimização e o aumento da probabilidade de
consumo de álcool, maconha e tabaco (EARNSHAW et al., 2017; QUINN et al., 2016). Em
recente metanálise também indicou-se que a vitimização em situações de bullying na
adolescência aumentou as chances para o consumo de álcool, tabaco e drogas ilícitas
(MOORE et al., 2017). Neste mesmo estudo as vítimas de bullying em países com renda baixa
e média estão em maior risco de uso de drogas ilícitas em comparação com vítimas de
bullying em países de renda elevada.
A literatura sugere que os jovens envolvidos na vitimização entre os pares apresentam,
consideravelmente, risco para o consumo de substâncias (EARNSHAW et al., 2017;
RADLIFF et al., 2012) sendo que essa intimidação ocorre principalmente no início da
adolescência, e o uso de drogas, no meio e final desse período (EARNSHAW et al., 2017).
Embora esses processos de associação entre os adolescentes não sejam bem esclarecidos, a
evidência sugere que a internalização de problemas desempenha papel nas relações entre a
vitimização entre pares e uso de substâncias (HONG et al., 2014; TANDON; CARDELI;
LUBY, 2009). Compreender o papel da vítima no desenvolvimento de transtorno de uso de
substâncias é uma área importante para futuras pesquisas, considerando que as características
sociodemográficas sempre podem moderar essas associações (EARNSHAW et al., 2017).
Entre os que praticam o bullying, neste estudo foi encontrada associação com o uso de
drogas (exceto álcool e tabaco), álcool e cocaína. Os caracterizados como alvo/autor nessa
situação apresentaram predomínio do uso de maconha, com diferenças estatisticamente
significativas, quando comparados com o grupo não envolvido no fenômeno.
Em alguns estudos indica-se que especificamente os agressores são três vezes mais
propensos a consumir drogas em comparação com adolescentes não envolvidos na
96

situação. As vítimas, por outro lado, são aproximadamente duas vezes mais propensas ao uso
de drogas em comparação com a juventude não envolvida (VALDEBENITO; TTOFI;
EISNER, 2015).
Apesar de haver poucos estudos nos quais se avalie essa relação, a literatura oferece
algumas explicações teóricas para o vínculo entre a prática do bullying no ambiente escolar e
o uso de drogas. Autores concluíram que os adolescentes que provêm de ambiente familiar
conflituoso, caracterizado por pobre monitoramento parental e que têm a percepção da escola
como um espaço negativo tendem a praticar violência (COOK et al., 2010). Desse modo,
pode-se argumentar que o agressor pode estar envolvido no uso de drogas como forma de
lidar com experiências de vida estressantes dentro da família e/ou escola (VALDEBENITO;
TTOFI; EISNER, 2015).
Apesar de, no presente estudo, ter-se investigado o consumo de drogas nos últimos 30
dias e o envolvimento em bullying nos últimos seis meses, os resultados da correlação entre
os fenômenos ocorrem em um mesmo período, como é descrito em outros estudos
(BRADSHAW et al., 2013; TTOFI; FARRINGTON; LÖSEL, 2012). Porém, em algumas
investigações também chama-se atenção para a associação da prática do bullying durante a
adolescência e a predição do uso de drogas no início da vida adulta (BENDER; LÖSEL,
2011).
Sendo assim, os dados referentes a essa associação, independentemente do papel
desempenhado no bullying, fornecem alerta para o possível uso de substâncias psicoativas em
adolescentes matriculados no ensino fundamental II, porém, por ser um estudo transversal, o
inverso também pode ser verdadeiro. Na presente pesquisa, chama atenção a escassa
investigação destinada aos adolescentes agressores, na literatura. Isso pode estar ocorrendo
por questões culturais e por entendimento equivocado de que esses jovens não sofram os
efeitos associados ao bullying, resultando em frequentes intervenções e investigações
direcionadas prioritariamente às vítimas.
A relação positiva entre o envolvimento em bullying e o uso de substâncias psicoativas
neste estudo reflete a necessidade de mais levantamentos para melhor compreender como os
adolescentes brasileiros se comportam diante dos fenômenos. Essa necessidade é justificada
por ambos apresentarem alta prevalência nessa etapa da vida e, portanto, estarem presentes de
forma rotineira no cotidiano escolar, prejudicando o desempenho acadêmico dos jovens, bem
como por serem associados com vários problemas de saúde pública (BENDER; LÖSEL,
2011; HORTA et al., 2018).
97

Sendo assim, os dados referentes a essa associação, independentemente do papel


desempenhado no bullying, fornecem alerta para o possível uso de substâncias psicoativas em
adolescentes matriculados no ensino fundamental II, porém, por ser um estudo transversal, o
inverso também pode ser verdadeiro. Na presente pesquisa, chama atenção a escassa
investigação destinada aos adolescentes agressores, na literatura. Isso pode estar ocorrendo
por questões culturais e por entendimento equivocado de que esses jovens não sofram os
efeitos associados ao bullying, resultando em frequentes intervenções e investigações
direcionadas prioritariamente às vítimas.
A relação positiva entre o envolvimento em bullying e o uso de substâncias psicoativas
neste estudo reflete a necessidade de mais levantamentos para melhor compreender como os
adolescentes brasileiros se comportam diante dos fenômenos. Essa necessidade é justificada
por ambos apresentarem alta prevalência nessa etapa da vida e, portanto, estarem presentes de
forma rotineira no cotidiano escolar, prejudicando o desempenho acadêmico dos jovens, bem
como por serem associados com vários problemas de saúde pública (HORTA et al., 2018).
No estudo atual indica-se que as experiências de bullying que ocorrem entre os pares
na adolescência podem ter impacto duradouro, afetando os comportamentos de uso de
substâncias em adolescentes de 11 a 15 anos. Mas, especificamente, os resultados deste
trabalho mostram que adolescentes que experimentam a vitimização entre os pares, que
praticam a violência e que estiveram envolvidos em ambos os papéis estão associados a
algum tipo de substância. Esses achados são consistentes com a hipótese de relação entre o
envolvimento em bullying e o uso de substâncias psicoativas.
Neste estudo, não houve relação entre as áreas de problemas enfrentados na vida dos
escolares com a vitimização e autoria de bullying. No entanto, observa-se que adolescentes
classificados como alvos/autores do fenômeno foram associados à presença de problemas de
comportamento (Tabela 13). Dessa forma, é importante considerar que esses adolescentes
sofrem os efeitos da situação em dois momentos diferentes, ora como agressores, ora como
vítimas. Sendo assim, podem acumular problemas que prejudicam o seu desenvolvimento
social e estimulam o desenvolvimento de problemas de comportamento (HORTA et al.,
2018).
A avaliação da área comportamento no instrumento DUSI presta-se à investigação do
isolamento social e de problemas de comportamento de maneira geral. Em alguns estudos
indica-se que adolescentes com problemas de comportamento, tanto internalizantes
(distúrbios de humor e ansiedade) quanto externalizantes (transtorno de conduta e de uso de
substâncias psicoativas), estão em maior risco de serem autores e vítimas de bullying
98

(FARMER et al., 2012; FARMER et al., 2015; GUMPEL; SUTHERLAND, 2010; KELLY et
al., 2015). Entretanto, em pesquisas também aponta-se que o comportamento problemático do
adolescente é apoiado e/ou mantido pelo envolvimento no bullying (FARMER et al., 2015;
GUMPEL; SUTHERLAND, 2010; VAILLANCOURT; HYMEL; MCDOUGALL, 2003).
Em estudo envolvendo adolescentes australianos do 7º ao 9º ano mostrou-se que
estudantes que se envolveram em situações de bullying eram mais propensos a desenvolver
problemas comportamentais, como consumo de álcool e tabaco, ideação suicida e outros
problemas internalizantes e externalizantes (KELLY et al., 2015).
Neste estudo não foi possível indicar se os problemas de comportamentos levam ao
envolvimento em situações de bullying ou o inverso, porém, acredita-se que esses dois
fenômenos são prejudiciais ao desenvolvimento saudável do adolescente. Sendo assim, devem
ser monitorados e estimulados ao envolvimento em comportamentos com consequências
positivas.
No presente estudo, as densidades da área saúde e relacionamento com amigos
mostraram dados significativos em relação ao sexo. O sexo masculino está associado a
problemas de saúde, enquanto o feminino, a relacionamento com amigos (Tabela 14).
A associação dessas áreas com o sexo em adolescentes é muito comum, porém,
extremamente preocupante, uma vez que prejuízos nessas áreas podem influenciar o
envolvimento no consumo de substâncias psicoativas. A literatura mostra que o cuidado
clínico com a saúde dos adolescentes muitas vezes é negligenciado por programas na área da
saúde e pela falta de vínculo dos jovens com o serviço (ARAÚJO et al., 2016).
Além disso, na atenção primária há ocultamento de demandas e necessidades de saúde
dos adolescentes do sexo masculino. Essa ausência de foco é justificada pelos serviços
principalmente pela falta de paciência entre os homens e meninos, além da falta de vínculo
com o serviço (MOREIRA; GOMES; RIBEIRO, 2016).
Em estudo realizado em uma escola pública em Recife, Pernambuco (PE), com
adolescentes do sexo masculino do ensino fundamental, indicou-se que esses jovens têm
concepções de sua saúde a partir de construções de experiências de vida. Eles precisam
visualizar aspectos concretos de transformações no próprio corpo e sua saúde, e apresentam
dificuldade de discutir o assunto, o que muitas vezes difere da abordagem com o sexo
feminino (SENA et al., 2016). Acredita-se, ainda, que a forma de promover a saúde entre os
adolescentes deve ser feita de maneira semelhante entre os sexos, porém, as características
específicas devem ser abordadas para ambos.
99

Há, entretanto, evidências apontando que a implicação de adolescentes do sexo


masculino nos serviços de saúde é essencial para o cuidado clínico e prevenção de agravos
(SENA et al., 2016; MOREIRA; GOMES; RIBEIRO, 2016). Dentre alguns comportamentos
de risco que o cuidado com a saúde pode prevenir e acompanhar, evidenciam-se a paternidade
não planejada, risco de acometimento de doenças sexualmente transmissíveis e o
envolvimento com o uso de drogas (SENA et al., 2016). Visto esses comportamentos de risco,
a rotina de cuidados propicia desenvolvimento saudável aos adolescentes homens, bem como
menor envolvimento em situações que possam agravar sua saúde. Desse modo, torna-se
necessário contextualizar ações pertinentes ao seu universo e desenvolver formas específicas
de cuidado para essa população.
Ainda neste estudo, prejuízos na área relacionamento com amigos foram associados
aos adolescentes do sexo feminino. De acordo com a literatura, os adolescentes,
principalmente do ensino fundamental, são mais suscetíveis à opinião, influência e avaliação
realizada pelos pares (SMITH et al., 2015; TEUNISSEN et al., 2016). A aprovação das
amigas é fator que influencia fortemente a maneira como as adolescentes se comportam e gera
motivação para adquirir status social no grupo (LAFONTANA; CILLESSEN, 2010), o que
aumenta o risco de uso de substâncias psicoativas (TEUNISSEN et al., 2016).
Em alguns estudos examina-se a influência do gênero em comportamentos que causam
prejuízos aos adolescentes (CENTIFANTI et al., 2016; SHEPHERD et al., 2011). Nas duas
investigações supracitadas foi descoberto que adolescentes do sexo feminino eram mais
influenciadas por colegas a comportamentos de risco, em comparação aos do sexo masculino.
Os achados neste estudo têm implicações importantes em políticas e práticas
envolvendo a saúde dos adolescentes, ressaltando a necessidade de associar a escola e saúde
ao estímulo a medidas que promovam o desenvolvimento psicossocial saudável da juventude.
Devem também ser ofertados esforços nacionais para programar políticas e programas
de prevenção ao envolvimento em bullying, uso de substâncias psicoativas e o envolvimento
em problemas ao longo do desenvolvimento. De fato, a intervenção precoce deve ser vista
como forma rápida e econômica de neutralizar riscos e prevenir problemas de comportamento
na adolescência. Além da prevenção, o acompanhamento e tratamento dos casos identificados
devem ser seguidos por profissionais de saúde para que os danos sejam minimizados.
No presente estudo são apresentadas importantes contribuições e algumas limitações,
conforme informações a seguir. Algumas limitações devem ser consideradas neste estudo. A
primeira refere-se ao delineamento transversal, não sendo possível determinar a
direcionalidade entre as variáveis bullying, uso de substâncias psicoativas e problemas
100

enfrentados. Assim, são necessárias pesquisas futuras, com diferentes desenhos


metodológicos (inclusive prospectivos), para a melhor compreensão da relação entre os
fenômenos tanto na esfera educacional como na de saúde pública, a fim de favorecer
evidências para que esses setores fortaleçam a promoção de saúde antes mesmo do início da
adolescência.
A segunda refere-se à composição amostral, que se restringiu às faixas populacionais
de 11 a 15 anos (ensino fundamental II). Desse modo, os resultados encontrados não podem
ser generalizados aos adolescentes, considerando, sobretudo, a população matriculada no
ensino médio (de 16 a 18 anos). E, por fim, os achados devem ser avaliados com cautela para
serem comparados com os resultados obtidos em outros estudos, pois, embora se tenha
utilizado uma amostra representativa de adolescentes escolares, o que caracteriza um ponto
forte do presente estudo, essa amostra se restringiu à avaliação de apenas um município
brasileiro de médio porte.
Entre as contribuições deste estudo, pode-se dizer que, por meio dele, é possível
agregar, de maneira inovadora, tanto à literatura nacional como à internacional, importantes
informações sobre o uso de substâncias psicoativas, envolvimento em bullying e problemas
enfrentados pelos adolescentes que podem influenciar a saúde dos escolares e ser associados a
outros comportamentos de risco. Dessa forma, os resultados evidenciam importantes aspectos
em relação ao envolvimento nesses comportamentos em adolescentes do 6º ao 9º ano do
ensino fundamental II.
Como pontos fortes deste estudo, destacam-se o uso de metodologia robusta, a
mensuração da relação entre uso de drogas, envolvimento em bullying e problemas
enfrentados por meio da utilização de instrumentos padronizados (DUSI e EVE – versão
estudantes) para aferição das variáveis do estudo, a utilização de amostra representativa de
adolescentes estudantes do ensino fundamental de um município brasileiro, com a inclusão de
estudantes oriundos de escolas localizadas na zona rural.
Outro fator relevante a ser mencionado refere-se às instituições envolvidas neste
estudo, que receberam feedback dos resultados encontrados, possibilitando, dessa forma, o
conhecimento sobre o envolvimento em comportamentos arriscados entre seus escolares,
viabilizando discussões sobre intervenções que possibilitem recursos de enfrentamento desses
problemas vivenciados pelos adolescentes do estudo.
Os achados deste estudo podem indicar caminhos para a saúde pública para criação de
estratégias direcionadas à prevenção, identificação e encaminhamento de jovens iniciantes e
usuários de substâncias psicoativas, envolvidos de alguma forma com o bullying, e sobre os
101

principais problemas vivenciados nessa fase, para que se possa diminuir a incidência e a
interação entre os agravos, assim como agravos negativos na adolescência.
102

9. Conclusão
103

A partir do presente estudo, pode-se constatar incidência relevante de adolescentes que


consomem drogas, vivenciam comportamentos de bullying, bem como os problemas
enfrentados que tendem a impactar negativamente no seu desenvolvimento. Também permite
concluir que há fatores sociodemográficos, familiares e comportamentais que influenciam os
envolvimentos nos fenômenos em escolares.
Na investigação aponta-se que as taxas de envolvimento com substâncias psicoativas
nos últimos 30 dias e bullying são elevadas, considerando a faixa etária pesquisada. As
chances para o consumo de drogas aumentaram de acordo com a idade, religião,
relacionamento familiar com quem mora e frequência em festas.
As áreas com maiores alterações nos adolescentes foram saúde e sistema familiar.
Entretanto, entre os adolescentes que fizeram uso de drogas (exceto álcool e tabaco),
observaram-se maiores problemas nas áreas transtornos psiquiátricos, sistema familiar e
competência social.
O bullying foi associado tanto a características sociodemográficas como ao uso de
drogas e aos problemas enfrentados. O uso de algum tipo de droga (exceto álcool e tabaco),
álcool e cocaína foi associado à autoria de bullying. Ser vítima de bullying foi associado ao
uso de drogas (exceto álcool e tabaco), enquanto ser alvo/autor foi relacionado ao uso de
maconha. Idade (12 anos), religião (ateu) e estudar em escola de zona urbana são fatores que
aumentam as razões de chance para ser vítima.
Ter idade (15 anos) e estudar em escola de zona urbana elevam as chances para ser
alvo/autor, assim como ter idade de 13 anos aumenta as razões de chance de ser autor. Além
disso, adolescentes classificados como alvos/autores de bullying apresentaram maiores
problemas de comportamento quando comparados aos não envolvidos no fenômeno.
Em relação às potenciais implicações para a prática clínica, os achados fornecem
subsídios para a sistematização e operacionalização de políticas públicas preventivas e
educacionais para o enfrentamento de comportamentos que agravem a saúde dos
adolescentes. Assim, contribuem para o desenvolvimento de estratégias preventivas que
fomentem cultura social de enfrentamento às situações de bullying, uso de drogas e problemas
enfrentados na vida em adolescentes escolares, de modo a minimizar os riscos à saúde dessa
população.
Outro aspecto importante seria favorecer a capacidade dos adolescentes em perceber o
envolvimento em comportamentos que possam colocar em risco sua saúde e buscar auxílio
para utilizarem-se de recursos de enfrentamento. Sendo assim, a instituição de ensino deveria
referenciar um local e profissionais capacitados para que o adolescente busque, de maneira
104

imediata, auxílio e apoio social sempre que perceber que está vivenciando situações
prejudiciais e/ou que coloquem em risco o seu desenvolvimento saudável. Parcerias
estabelecidas entre familiares, profissionais de saúde e da educação são necessárias nesse
contexto para que as consequências desses comportamentos de risco na vida desses jovens
sejam minimizadas.
Sugere-se a realização de estudos de delineamento longitudinal como estratégia de
conhecer e identificar melhor os fenômenos e os fatores envolvidos entre adolescentes
escolares, inclusive considerando as mais diversas realidades brasileiras, visto que este
estudo, até o presente momento, mantém seu caráter inédito.
105

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143

Anexos
144

ANEXO A – Autorização do Comitê de Ética em Pesquisa


145
146

ANEXO B – Inventário de Triagem de Uso de Drogas – DUSI R

PARTE I – Quantas vezes você usou uma das drogas listadas abaixo no ÚLTIMO MÊS?
Marque com um “x”, conforme a droga e as vezes que usou:

Não Usei Usei Usei Usei Tenho Esta é


Usei de de de Mais problemas minha
1a2 3a9 10 a de com esta droga
vezes vezes 20 20 droga predileta
vezes vezes
Álcool
Anfetaminas/Estimulantes
(sem prescrição médica)
Êxtase
Cocaína/Crack
Maconha
Alucinógenos
(LSD, mescalina....)
Tranquilizantes
(diazepam, barbitúricos,
etc)
(sem prescrição)
Analgésicos
(sem prescrição médica)
Opiáceos
(Morfina, heroína, etc.)
Fenilciclidina
( pó de anjo)
Anabolizantes
Inalante, solventes
(cola, lança-perfume, etc.)
Tabaco
Outras
147

PARTE II – Por favor, responda todas as questões seguintes. Se alguma questão não se
aplicar exatamente, responda considerando o que ocorre com maior freqüência (Sim ou Não).
Responda as questões considerando o que ocorreu com você NOS ÚLTIMOS 12 MESES.
Caso alguma questão não se aplique a você, responda “Não”.

Área I Sim Não


1) Alguma vez você sentiu “fissura” ou um forte
desejo por álcool ou outras drogas?
2) Alguma vez você precisou usar mais e mais álcool
ou droga para conseguir o efeito desejado?
3) Alguma vez você sentiu que não poderia controlar
o uso de álcool ou drogas?
4) Alguma vez você sentiu que estava dependente
ou muito envolvido pelo álcool ou pelas drogas?
5) Alguma vez você deixou de realizar alguma atividade por
ter gasto muito dinheiro com drogas ou álcool?
6) Alguma vez quebrou regras ou desobedeceu leis por
estar “alto” sob efeito do álcool ou drogas?
7) Você muda rapidamente de muito feliz para muito triste
ou de muito triste para muito feliz, por causa das drogas?
8)Você sofreu algum acidente de carro depois de usar álcool ou
drogas?
9) Alguma vez você se machucou acidentalmente ou machucou
alguém depois de usar álcool ou drogas?
10) Alguma vez você teve uma discussão séria ou briga com um
amigo ou membro da família por causa de seu uso de álcool ou drogas?
11) Alguma vez você teve problemas de relacionamento com algum
de seus amigos devido ao uso de álcool ou drogas?
12) Alguma vez você teve sintomas de abstinência após o uso de
álcool (por exemplo: tremores, náuseas, vômitos ou dor de cabeça?
13) Alguma vez você teve problemas para lembrar o que fez
enquanto estava sob efeito de drogas ou álcool?
14) Você gosta de “brincadeiras” que envolvam bebidas quando vai
A festas? (Por exemplo: “vira-vira, apostas para ver que bebe mais
rápido ou em maior quantidade, etc.)
15) Você tem problemas para resistir ao uso do álcool ou drogas?
16) Algumas vez você já disse uma mentira?

Área I – Número de respostas afirmativas _______


148

Área II Sim Não


1) Você briga muito?
2) Você se acha melhor que os outros?
3) Você provoca ou faz coisas prejudiciais aos animais?
4) Você grita muito?
5) Você é teimoso?
6) Você é desconfiado em relação a outras pessoas?
7) Você xinga ou fala muitos palavrões?
8) Você provoca muito as pessoas?
9) Você tem um temperamento difícil?
10) Você é muito tímido?
11) Você ameaça ferir as pessoas?
12) Você fala mais alto que os outros jovens?
13) Você chateia (ou se aborrece) facilmente?
14) Você faz muitas coisas sem antes pensar nas conseqüências?
15) Você se arrisca ou faz coisas perigosas muitas vezes?
16) Se você puder você tira vantagens das pessoas?
17) Geralmente você se sente irritado ou bravo?
18) Você gasta a maior parte do seu tempo livre sozinho?
19) Você costuma se isolar dos outros?
20) Você é muito sensível a críticas?
21) Sua maneira de comer é melhor no restaurante do que em casa?

Área II – Número de respostas afirmativas _______

Área III Sim Não


1) Você se submeteu a algum exame físico ou esteve sob cuidados
Médicos nos últimos 12 meses?
2) Você teve algum acidente ou ferimento que ainda o incomode?
3) Você tem problemas com seu sono (dorme demais ou muito pouco)?
4) Recentemente, você perdeu ou ganhou mais de 4 kg?
5) Você tem menos energia do que acha que deveria ter?
6) Você tem problemas de respiração ou de tosse?
7) Você tem alguma preocupação sobre sexo ou com seus órgãos sexuais?
8) Alguma vez você teve relações sexuais com alguém que se injetava com
drogas?
9) Você teve dores abdominais ou náuseas no ano passado?
10) Alguma vez a parte branca de seus olhos ficou amarela?
11) Você às vezes sente vontade de xingar?

Área III – Número de respostas afirmativas _______


149

Área IV Sim Não


1) Alguma vez você danificou a propriedade de alguém intencionalmente?

2) Você roubou coisas em mais de uma ocasião?


3) Você envolve em mai brigas do que a maioria
dos jovens?
4) Você costuma fazer movimentos irrequietos com as mãos?
5) Você é agitado e não consegue sentar quieto?
6) Você fica frustrado facilmente?
7) Você tem problemas em se concentrar?
8) Você se sente triste muitas vezes?
9) Você rói unhas?
10) Você tem problemas durante o sono (pesadelos, sonambulismo, etc)?
11) Você é nervoso?
12) Você se sente facilmente amedrontado?
13) Você se preocupa demais?
14) Você tem dificuldade em deixar de pensar em determinadas coisas?
15) As pessoas olham com estranheza para você?
16) Você escuta coisas que ninguém mais do seu lado escuta?
17) Você tem poderem especiais que ninguém mais tem?
18) Você sente medo de estar entre as pessoas?
19) Frequentemente você sente vontade de chorar?
20) Você tem tanta energia que você não sabe o que fazer com você mesmo?
21) Alguma vez você se sentiu tentado a roubar alguma coisa?

Área IV – Número de respostas afirmativas ______

Área V Sim Não


1) Você acha que os jovens de sua idade não gostam de você?
2) Em geral você se sente infeliz com o seu desempenho em
atividades com seus amigos?
3) É difícil fazer amizades em um grupo novo?
4) As pessoas tiram vantagens de você?
5) Você tem medo de lutar pelos seus direitos?
6) É difícil para você pedir ajuda aos outros?
7) Você é facilmente influenciado por outros jovens?
8) Você prefere ter atividades com jovens mais velhos de que você?
9) Você se preocupa como suas ações vão afetar os outros?
10) Você tem dificuldades em defender suas opiniões?
11) Você tem dificuldade em dizer “não” para as pessoas?
12) Você se sente desconfortável “sem jeito”, quando alguém o elogia?
13) As pessoas o enxergam como uma pessoa não amigável?
14) Você evita olhar nos olhos quando conversa com as pessoas?
15) o seu humor as vezes muda?

Área V – Número de respostas afirmativas _______


150

Área VI Sim Não


1) Algum membro de sua família (pai, pai, irmão (a)) sou maconha
ou cocaína no último ano?
2) Algum membro de sua família usou álcool a ponto de causar
problemas em casa, no trabalho ou com amigos?
3) Algum membro de sua família foi preso no último ano?
4) Você tem tido discussões frequentes com seus pais ou responsáveis
que envolvam gritos e berros?
5) Sua família dificilmente faz coisas juntas?
6) Seus pais ou responsáveis desconhecem o que você gosta ou o que você
não gosta?
7) Na sua casa faltam regras claras sobre o que você pode ou não fazer?
8) Seus pais ou responsáveis desconhecem o que você realmente pensa ou
sente sobre as coisas que são importantes para você?
9) Seus pai ou responsáveis brigam muito entre sim?
10) Seus pais ou responsáveis frequentemente desconhecem onde você está
ou o que você está fazendo?
11) Seus pais ou responsáveis estão fora de casa a maioria do tempo?
12) Você sente que seus pais ou responsáveis não se importam ou não cuidam
de você?
13) Você se sente infeliz em relação ao local em que você vive?
14) Você se sente em perigo em casa?
15) Você as vezes fica bravo?

Área VI – Número de respostas afirmativas _______

Área VII Sim Não


1) Você gosta da escola?
2) Você tem problemas para se concentrar na escola?
3) Suas notas são abaixo da média?
4) Você “cabula” aula mais de dois dias por mês?
5) Você falta muito a escola?
6) Alguma vez você pensou seriamente em abandonar a escola?
7) Frequentemente, você deixa de fazer os deveres escolares?
8) Frequentemente, você se sente sonolento nas aulas?
9) Frequentemente, você chega atrasado para a aula?
10) Neste ano, seus amigos da escola são diferentes daquele do ano passado?

11) Você se irrita facilmente ou se chateia quando está na escola?


12) Você fica entediado na escola?
13) Suas notas na escola estão piores do que costumavam ser?
14) Você se sente em perigo na escola?
15) Você já repetiu de ano alguma vez?
16) Você se sente indesejado nos clubes escolares (centro acadêmico, atlética,
etc.) ou nas atividades extracurriculares?

17) . Alguma vez você faltou ou chegou atrasado na escola em consequência do


151

uso de álcool ou drogas?


18) Alguma vez você teve problemas na escola por causa do álcool ou das
drogas?
19) Alguma vez você o álcool ou as drogas interferiram nas suas lições de casa
ou trabalhos escolares?
20) Alguma vez você foi suspenso?
21) Você as vezes adia coisas que você precisa
fazer?

Área VII – Número de respostas afirmativas _______

Área VIII Sim Não


1) Alguma vez você teve um trabalho remunerado do qual foi despedido?
2) Alguma vez você parou de trabalhar simplesmente porque não se importava?
3) Você precisa de ajuda dos outros para procurar emprego?
4) Freqüentemente, você falta ou chega atrasado no trabalho?
5) Você acha difícil concluir tarefas no seu trabalho?
6) Alguma vez, você ganhou dinheiro realizando atividades ilegais?
7) Alguma vez você consumiu álcool ou drogas durante o trabalho?
8) Alguma vez você foi demitido de um emprego por causa de drogas?
9) Você tem problemas de relacionamento com seus
chefes?
10) Você trabalha principalmente porque isto permite ter dinheiro para comprar
drogas?
11) Você fica mais feliz quando você ganha do que quando você perde um jogo?

Área VIII – Número de respostas afirmativas _______


152

Área IX Sim Não


1) Algum de seus amigos usa álcool ou drogas regularmente?
2) Algum de seus amigos vende ou dá drogas a outros jovens?
3) Algum de seus amigos “cola” nas provas?
4) Você acha que seus pais ou responsáveis não gostam de seus amigos?
5) Algum dos seus amigos teve problemas com a lei nos últimos 12 meses?
6) A maioria dos seus amigos é mais velho do que você?
7) Seus amigos costumam faltar muito na escola?
8) Seus amigos ficam entediados nas festas quando não é servido álcool?
9) Seus amigos levaram drogas ou álcool nas festas nos últimos 12 meses?
10) Seus amigos roubaram alguma coisa de uma loja ou danificaram a
propriedade escolar de propósito nos últimos 12 meses?
11) Você pertence a alguma “gang”?
12) Atualmente, você se sente incomodado por problemas que esteja tendo com
seus amigos?
13) Você sente que não tem nenhum amigo para quem possa fazer confidências?
14) Se comparado com a maioria dos jovens, você tem poucos amigos?
15) Alguma vez você foi convencido a fazer alguma coisa que você não queria
fazer?

Área IX – Número de respostas afirmativas _______

Área X Sim Não


1) Comparado com a maioria dos jovens, você faz menos esportes?
2) Durante a semana, você normalmente sai à noite para se divertir, sem
permissão?
3) Num dia comum, você assiste mais do que duas horas de televisão?
4) Na maioria das festas que você tem ido recentemente, os pais estão ausentes?
5) Você exercita-se menos do que a maioria dos jovens que você conhece?
6) Nas suas horas livres você simplesmente passa a maior parte do tempo com os
amigos?
7) Você se sente entediado a maior parte do tempo?
8) Você realiza a maior parte das atividades de lazer sozinho?
9) Você usa álcool ou drogas para se divertir?
10) Comparado a maioria dos jovens você se envolve menos em “hobbies” ou
outras atividades de lazer?
11) Você está insatisfeito com a maneira como passa seu tempo livre?
12) Você se cansa muito rapidamente quando faz algum esforço físico?
13) Você alguma vez comprou alguma coisa que você não precisava?

Área X – Número de respostas afirmativas _______


153

Apendicês
154

APÊNDICE A – Termo de Assentimento (para o participante) do estudo primário


(Resolução 466 de 12 de dezembro de 2012, Conselho Regional de Saúde)

Prezado adolescente,

Você está sendo convidado (a) como voluntário (a) a participar da pesquisa “O uso de
drogas e o bullying em estudantes do 6° ao 9° ano do ensino fundamental”. Neste estudo
pretendemos identificar o uso de drogas e o bullying em estudantes do 6° ao 9° ano. O motivo
que nos leva a estudar esse assunto é avaliar a real dimensão do fenômeno e para que se
possam planejar intervenções que diminuam o problema. Para este estudo adotaremos o(s)
seguinte(s) procedimento: será realizada, antecipadamente a coleta de dados, um sorteio em
cada ano escolar aos quais os pais assinaram o TCLE. Os sorteados que desejarem participar
da pesquisa assinará o Termo de Assentimento. Se algum aluno sorteado se recusar a
participar da pesquisa será sorteado o próximo, até que se atinja o limite dos participantes
exigidos para a pesquisa. Os questionários serão aplicados coletivamente em sala de aula de
acordo com ano, dias e horários agendados previamente.
Para participar deste estudo, o responsável por você deverá autorizar e assinar um
termo de consentimento. Você não terá nenhum custo, nem receberá qualquer vantagem
financeira. Você será esclarecido (a) em qualquer aspecto que desejar e estará livre para
participar ou recusar-se. O responsável por você poderá retirar o consentimento ou
interromper a sua participação a qualquer momento. A sua participação é voluntária e a recusa
em participar não acarretará qualquer penalidade ou modificação na forma em que é atendido
(a) pelo pesquisador que irá tratar a sua identidade com padrões profissionais de sigilo. Você
não será identificado em nenhuma publicação. Este estudo não apresenta riscos. Seu nome ou
o material que indique sua participação não será liberado sem a permissão do responsável por
você. Os dados e instrumentos utilizados na pesquisa ficarão arquivados com o pesquisador
responsável por um período de 5 anos, e após esse tempo serão destruídos.
Eu, __________________________________________________, portador (a) do
documento de Identidade ____________________ (se já tiver documento), fui informado (a)
dos objetivos do presente estudo de maneira clara e detalhada e esclareci minhas dúvidas. Sei
que a qualquer momento poderei solicitar novas informações, e o meu responsável poderá
modificar a decisão de participar se assim o desejar. Tendo o consentimento do meu
responsável já assinado, declaro que concordo em participar desse estudo. Recebi uma cópia
deste termo assentimento e me foi dada a oportunidade de ler e esclarecer as minhas dúvidas.

Antecipadamente agradecemos,

__________________________________
Assinatura do Participante
_____________________________ ________________________________
Bárbara de Oliveira Prado Prof. Dr. Denis da Silva Moreira
Autora da Pesquisa Orientador da Pesquisa

Contato:
Bárbara de O. Prado = email: barbaraprado89@[Link] Telefone: (35) 9805-0665
Denis da S. Moreira = denismoreira@[Link] Telefone: (35) 8868-6009
Endereço: Rua Gabriel Monteiro da Silva, 700 – Centro, Alfenas – MG. Universidade Federal
de Alfenas.
155

APÊNDICE B – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido do estudo primário


(Resolução 466 de 12 de dezembro de 2012, Conselho Regional de Saúde)

Prezado(a) senhor(a),

Seu filho (a) está sendo convidado (a) a participar como voluntário(a) da pesquisa
intitulada “O uso de drogas e o bullying em estudantes do 6° ao 9° ano do ensino
fundamental”. Sua participação não e obrigatória, e a qualquer momento, ele poderá desistir
de participar e retirar seu consentimento. Sua recusa não trará nenhum prejuízo em sua
relação com a pesquisadora ou com a instituição. No caso de autorizar a participação de seu
filho, favor assinar ao final do documento. Você receberá uma cópia deste termo onde consta
o telefone e endereço dos pesquisadores, podendo tirar dúvidas do projeto e de sua
participação.
O estudo tem por objetivo identificar o uso de drogas e o bullying em estudantes do 6°
ao 9° ano do município. Para tanto, solicitamos a colaboração do (a) seu (sua) flho (a) para
assinalar os questionários referentes a dados pessoais, uso de substâncias psicoativas,
envolvimento em bullying e problemas enfrentados no cotidiano do adolescente.
Não haverá benefícios diretos para seu(sua) flho(a) por participar da pesquisa mas
esperamos gerar dados que auxiliem o conhecimento e prevenção a saúde dos adolescentes.
Se o adolescente sentir qualquer desconforto e precisar de ajuda poderá nos abordar e
tentaremos buscar o melhor caminho para resolver a situação.
Como benefício espera-se alcançar o objetivo que é identificar o uso de drogas e o
bullying em estudantes do 6° ao 9° ano e estabelecer uma possível relação existente entre o
bullying e o uso de drogas entre estudantes, e assim, podermos oferecer maiores informações
sobre o assunto e contribuir para que este problema não seja mascarado pela sociedade, pois
no Brasil existem lacunas de desinformação sobre as conseqüências do envolvimento em
bullying. Você não terá nenhum gasto com a sua participação no estudo e também não
receberá pagamento ou gratificação pelo mesmo. Sua participação não oferecerá riscos e
desconfortos.
A sua identidade será mantida em sigilo. Para garantir seu anonimato os resultados
serão sempre apresentados como o retrato de um grupo e não de uma pessoa. Dessa forma,
você não será identificado quando o material de seu registro for utilizado, seja para propósitos
de publicação cientifica ou educativa, somente serão divulgados dados diretamente
relacionados aos objetivos da pesquisa.

Antecipadamente agradecemos,

_____________________________ _____________________________
Bárbara de Oliveira Prado Prof. Dr. Denis da Silva Moreira
Autora da Pesquisa Orientador da pesquisa

Assinatura do responsável ______________________RG ____________________________


Contato: email: barbaraprado89@[Link]. Telefone (35) 98050665.
Rua Delfim Moreira, 681; Bairro São Vicente; Areado-MG.
156

APÊNDICE C– Questionário de Caracterização da Amostra

1) Sexo:

( ) Feminino ( ) Masculino

2) Tipo de escola

( ) Pública ( ) Particular

3) Idade

( ) 11 anos ( ) 12 anos ( ) 13 anos


( ) 14 anos ( ) acima de 14 anos

4) Ano Matriculado:

( ) 6° ano ( ) 7° ano ( ) 8° ano ( ) 9° ano


5) Etnia:

( ) branca ( ) negro ( ) amarela ( ) parda ( ) outras

6) Tipo de Moradia:
( ) própria ( ) aluguel ( ) outras. Especifique: ________________
7) Crença religiosa:

( ) Católica ( ) Evangélico
( ) Espírita ( ) Testemunha de Jeová
( ) Ateu (não acredita em Deus)
( ) Outra. Especificar:___________

8) Com que frequência você participa em festas/baladas:

( ) 1 vez por semana ( ) 2 vezes por semana ( ) 3 a 4 vezes por semana


( ) todos os dias da semana ( ) 1 vez a cada 15 dias ( ) 1 vez por mês
( ) outras. Especifique: _______________

9) Com quem você mora:


( ) Pai e mãe ( ) Mãe ( ) Pai
( )Amigos ou instituições ( ) Familiares

10) Qual sua relação com a família:


( ) Muito bom ( ) Bom
( ) Regular ( ) Ruim ou muito ruim
157

APÊNDICE D – Carta de autorização da Secretaria de Educação do estudo primário

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