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DIAGNÓSTICO
À esquerda, o esfíncter esofágico inferior fechado impede o
refluxo; à direita, sua incompetência permite o retorno do A investigação diagnóstica da Doença do Refluxo
conteúdo gástrico ao esôfago. Gastroesofágico (DRGE) deve ser individualizada, com
base na apresentação clínica, presença de sinais de
Os principais mecanismos envolvidos são:
alarme e resposta ao tratamento empírico.
• Relaxamentos transitórios do esfíncter
esofágico inferior (EEI);
• Hipotonia crônica do EEI (redução persistente
do tônus e da pressão de repouso do esfíncter, 1.
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2. Pacientes com sintomas típicos, sem sinais de
alarme:
• Conduta inicial: prova terapêutica com inibidor
da bomba de prótons (IBP) por 4 a 8 semanas;
• A resposta clínica positiva ao tratamento
confirma o diagnóstico de DRGE de forma
funcional, dispensando exames
complementares iniciais.
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• Posologia recomendada: 1 comprimido pela 1. pHmetria esofágica de 24 horas ou endoscopia
manhã, 30 a 60 minutos antes do café da digestiva alta (EDA):
manhã;
• Confirmam a presença de refluxo patológico
• Duração inicial: 8 semanas.
(exposição ácida ou esofagite erosiva).
Conduta diante da falha terapêutica:
2. Manometria esofágica:
Falha 1 (sintomas persistentes após 2 semanas):
• Avalia o tônus e a motilidade esofágica;
• Dobrar a dose do IBP: administrar 1x antes do • Fundamental para a escolha da técnica
café da manhã e 1x antes do jantar; cirúrgica:
• (Ex.: Omeprazol 20 mg 2x/dia). o Se motilidade normal: fundoplicatura
total (Nissen);
Falha 2 (ausência de resposta com dose plena):
o Se motilidade alterada: considerar
• Considera-se DRGE refratária. fundoplicatura parcial (Toupet).
• Estenoses esofágicas;
• Úlceras esofágicas de repetição;
• Hérnia de hiato volumosa sintomática.
Avaliação pré-operatória:
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Grau A: uma (ou mais) solução de continuidade da prazo. O cirurgião disseca o fundo gástrico e faz a
mucosa confinada às pregas mucosas, não maiores que ligadura precoce dos vasos curtos, permitindo a
5mm cada – erosão < 5mm não contígua entre mobilização do fundo e passando sua face posterior por
pregas; trás do esôfago, criando uma válvula com até 3,0 cm de
extensão.
Grau B: pelo menos uma solução de continuidade da
mucosa com mais de 5mm de comprimento, confinada Em pacientes com dismotilidade documentada pela
às pregas mucosas e não contíguas entre o topo de manometria, como diminuição da peristalse no esôfago
duas pregas – erosão > 5mm não contígua entre distal (algo que pode acontecer no refluxo erosivo
pregas; grave), opta-se pelas técnicas de fundoplicaturas
parciais, por exemplo, a parcial anterior de Dor (180°),
Grau C: pelo menos uma solução de continuidade da
parcial posterior a Guarner (240°) ou a parcial posterior
mucosa confluente entre o topo de duas (ou mais)
de Toupet (270°). Na técnica de Dor, a válvula parcial a
pregas mucosas, ocupando menos que 75% da
180° é confeccionada com o fundo gástrico sendo
circunferência do esôfago – erosão contígua entre
dobrado pela frente do esôfago, por isso dizemos que
pregas, <75% da circunferência esofágica;
é anterior. Já na técnica de Toupet (também chamada
Grau D: uma ou mais quebra de mucosa que envolve de Toupet-Lind), temos uma válvula parcial de 270° que
ao menos 75% da circunferência do esófago – erosão dá a volta posteriormente pelo esôfago.
contígua, > 75% da circunferência esofágica.
TÉCNICA DE FUNDOPLICATURA
CLASSIFICAÇÃO
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Displasia de baixo grau: rara associada a hiperqueratose e predisposição ao
câncer escamoso).
• Ablação endoscópica (ex.: radiofrequência):
recomendada, especialmente em centros Adenocarcinoma:
especializados;
Origina-se geralmente a partir de áreas de metaplasia
• EDA de controle em 6 a 12 meses;
intestinal (Esôfago de Barrett) e está mais relacionado à
• Objetivo: erradicar tecido metaplásico displásico Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) crônica.
e monitorar recidiva. Esse tipo acomete predominantemente o terço distal
Displasia de alto grau (ou carcinoma in situ): do esôfago, próximo à junção esofagogástrica. Seus
principais fatores de risco são a DRGE de longa data,
Conduta:
o próprio Esôfago de Barrett e a obesidade,
• Ressecção endoscópica de lesões visíveis especialmente central, que contribui para o aumento da
(ex.: mucosectomia); pressão intra-abdominal e agravamento do refluxo.
• Pode ser seguida de ablação do restante do → Ambas as neoplasias têm maior incidência em
epitélio de Barrett; homens e estão associadas a idade mais avançada,
• Esofagectomia em casos não candidatos a porém com mecanismos fisiopatológicos distintos.
abordagem endoscópica ou com maior risco
invasivo. Escamoso Adenocarcinoma
Homem, negro, > 60 Homem branco, > 50
Adenocarcinoma de esôfago: anos; anos;
Terço médio do Esôfago distal e junção
Conduta: esôfago; esofagogástrica;
Tabagismo e elitismo; Esôfago de Barret;
• Esofagectomia com linfadenectomia; Má higiene oral; Obesidade;
• Estadiamento prévio com ultrassonografia de Bebidas muito quentes Tabagismo.
(60 a 64ºC).
esôfago.
CÂNCER DE ESÔFAGO
Carcinoma escamoso:
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hiperqueratose e aumento do risco de carcinoma
espinocelular do esôfago.
CLÍNICA
A disfagia do CA de esôfago é mecânica (obstrutiva) e Sinal da “maçã mordida” na esofagografia baritada (com
se apresenta de forma rapidamente progressiva, contraste).
evoluindo de alimentos sólidos para líquidos em
TRATAMENTO
menos de 6 meses, com emagrecimento acentuado.
A ultrassonografia endoscópica (USE) é um dos
DIAGNÓSTICO
métodos mais precisos para o estadiamento local (T)
O exame padrão-ouro para a investigação diagnóstica do câncer de esôfago, permitindo visualizar as camadas
dos tumores epiteliais é a endoscopia digestiva alta da parede esofágica e estruturas adjacentes.
(EDA), que permite a visualização direta da mucosa e a
O estadiamento T (do TNM) é fundamental para definir
coleta de biópsias para análise histopatológica.
a estratégia terapêutica, distinguindo lesões
Sinais de alarme: todo paciente com disfagia, ressecáveis, candidatas à abordagem endoscópica ou
odinofagia, impactações alimentares, anemia ou que exigem tratamento multimodal.
emagrecimento deve ser submetido a uma EDA para
investigar disfagia mecânica e um possível tumor de Estágio T Camada Implicação
Invadida Terapêutica
esôfago. T1a Mucosa Mucosectomia
endoscópica
Em locais que não dispõem da EDA, a radiografia
(ressecção
contrastada do esôfago (esofagografia baritada) local via EDA)
pode ser usada como exame de triagem em pacientes T1b Submucosa Esofagectomia
com disfagia, que pode revelar uma falha de enchimento com
linfadenectomia
súbita de contraste em forma de “maçã mordida”, +/-
sugerindo a presença de um tumor. A presença de um quimioterapia e
achado desse tipo torna indispensável a confirmação radioterapia
como
diagnóstica pela EDA. neoadjuvantes
T2 Muscular Esofagectomia
própria com
linfadenectomia
+/-
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quimioterapia e
radioterapia
como
neoadjuvantes
T3 Adventícia Esofagectomia
com
linfadenectomia
+/-
quimioterapia e
radioterapia
como
neoadjuvantes
T4a Invasão de QT/RT
estruturas neoadjuvante + Ilustração do procedimento de esofagectomia com
ressecáveis Esofagectomia, reconstrução gástrica: A: Marcação da via cirúrgica e acesso
(ex.: pleura, se houver boa abdominal. B: Ressecção do segmento esofágico acometido
pericárdio, resposta e por tumor. C: Substituição do esôfago removido por um tubo
diafragma) ressecabilidade
gástrico, com anastomose esofagogástrica para restauração
T4b ou M1 Invasão de Inoperável:
(Metástase) estruturas tratamento da continuidade do trato digestivo. Usada em casos de
irressecáveis paliativo câncer de esôfago ressecável.
(ex.: aorta,
traqueia)
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hormônio que estimula a produção de ácido pelo corpo
do estômago e a motilidade gástrica.
Piloro:
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motilidade e agilidade excelentes;
• A presença de adesinas na sua superfície, que
são proteínas que lhe permitem aderir ao
epitélio gástrico, resistindo aos movimentos
peristálticos;
• A produção de urease, uma enzima que
hidrolisa a ureia em bicarbonato e amônia,
criando uma “nuvem alcalina” que a protege do
ácido gástrico.
Nos países pobres (ou em desenvolvimento), a Estimativas clássicas apontavam a H. pylori como
contaminação ocorre na infância, com 50% das responsável por cerca de 60 a 70% das úlceras
crianças infectadas até os 5 anos e 70% até os 10 anos. gástricas e até 90% das úlceras duodenais.
MECANISMOS PATOGÊNICOS
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A pesquisa da bactéria pode ser feita por meio de testes MÉTODOS DIAGNÓSTICOS NÃO INVASIVOS
invasivos (que dependem da realização da endoscopia
Teste respiratório com ureia marcada com carbono
digestiva para retirar fragmentos da mucosa) ou não
13 ou 14: Esse é o teste considerado padrão-ouro não
invasivos (quando se baseiam em técnicas indiretas,
invasivo, pois tem alta acurácia e não requer a
que não dependem de fragmentos da mucosa gástrica).
realização de EDA. Também baseia-se na capacidade
da bactéria em produzir ureia. O
paciente ingere um líquido
contendo ureia marcada, que
será convertida em bicarbonato
pela urease do H. pylori. Esse
bicarbonato será absorvido e
convertido em H2O e CO2, com
eliminação do CO2 marcado com ureia pelos pulmões.
MÉTODOS DIAGNÓSTICOS INVASIVOS
O paciente irá soprar em um recipiente, cuja análise do
Histopatológico: Considerado o padrão-ouro conteúdo medirá a concentração de CO2 marcado,
invasivo, pois tem alta acurácia tanto na detecção confirmando a presença da bactéria. Esse teste tanto
dessa bactéria quanto em seu controle de cura após o pode ser usado para diagnóstico quanto para controle
tratamento. A técnica baseia-se na análise do fragmento de cura.
ao microscópio, normalmente corando o material pelo
Pesquisa do antígeno fecal: Também um teste de boa
Giemsa. A limitação do método é exatamente o fato de
acurácia tanto para diagnóstico quanto para controle de
ser invasivo, só estando indicado de forma obrigatória
cura, realizado por meio da pesquisa do antígeno
no controle de cura quando o paciente tiver úlcera
bacteriano nas fezes do paciente. É menos utilizado por
gástrica no primeiro exame, sendo necessário repetir a
sua baixa aceitação, já que depende da coleta de fezes.
EDA para reavaliar a úlcera e fazer o diagnóstico
No Brasil, é pouco disponível.
diferencial com neoplasia maligna.
Sorologia: É útil para detectar se o paciente já teve
Teste rápido da urease: Também é um teste invasivo,
contato com H. pylori, ou seja, apenas em casos de
pois requer um fragmento de mucosa para ser realizado.
história desconhecida de infecção. Porém, se o paciente
Baseia-se na capacidade do H. pylori em produzir
já tiver feito tratamento prévio, a sorologia é incapaz de
urease. O fragmento é colocado em um recipiente
diferenciar infecção atual de pregressa, já que o IgG
contendo ureia e um reator de pH. Se a bactéria estiver
estará positivo por tempo indeterminado, e o IgM só
presente, ela converterá a ureia em bicarbonato,
ficará positivo por poucas semanas durante o primeiro
alterando o pH do meio e gerando mudança na
contato do hospedeiro com a bactéria, evento raramente
coloração (de amarelo para azul ou violeta), e dizemos
identificado.
que o teste foi positivo. A desvantagem é que não é
recomendado para o controle de cura após o tratamento,
pois o uso de antibióticos reduz muito sua acurácia.
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Métodos invasivos para pesquisa
de H. pylori.
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Esquema de erradicação de H. pylori
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• A terapia quádrupla com o metronidazol é um • As fluoroquinolonas podem ser combinadas tanto
esquema “curinga”, podendo ser usado como 1a com amoxicilina quanto com claritromicina, sendo
linha quando a resistência à claritromicina é alta, tanto uma opção de resgate (falha do tratamento
como terapia de resgate quando há falha no primeiro anterior) quanto uma opção para alérgicos a
tratamento, ou como opção aos alérgicos à penicilina.
penicilina. • Amoxicilina é usada em muitos esquemas, pois
• Evite a combinação de claritromicina com tem baixa taxa de resistência.
metronidazol. A resistência ao metronidazol
também vem crescendo no mundo, devendo-se
evitar esquemas que combinem as duas
medicações com maior risco de resistência.
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DOENÇA ULCEROSA PÉPTICA • Bicarbonato;
• Renovação celular;
A úlcera péptica caracteriza-se pela solução de
continuidade da mucosa gástrica e/ou da duodenal. • Prostaglandinas;
Para ser considerada como úlcera, a profundidade da • Fluxo sanguíneo mucoso.
lesão deve ser superior a 5mm, expondo a ETIOLOGIA
submucosa ou mesmo as camadas mais profundas
Os dois principais fatores causais são a infecção
da parede, podendo chegar a perfurar. Já as lesões com
crônica por Helicobacter pylori, e o abuso dos anti-
menos de 5mm de profundidade são chamadas de
inflamatórios não esteroides (AINEs). Menos
erosões e fazem parte das gastrites, um tipo de
comumente temos a úlcera de etiologia desconhecida
inflamação mais superficial, que não ultrapassa a
(idiopática), raramente a síndrome de Zollinger-Ellison
mucosa gástrica.
(gastrinoma) e muito raramente a mastocitose sistêmica.
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• Esse excesso de ácido leva a um aumento da • Assim, a úlcera péptica ocorre geralmente no
estômago
(úlcera gástrica).
Local da Alterações Ácido Clorídrico Tipo mais
Infecção Fisiológicas comum
→ Como os
Antro ↓Somatostatina ↑ (Hipercloridia) Duodenal
→ ↑ Gastrina AINEs podem
Corpo Destruição ↓ (Hipocloridia) Gástrica provocar úlcera
gástrico células parietais, péptica?
↓ mucosa
protetora Via das
cicloxigenases:
• A infecção causa inflamação e destruição das Já a COX-2 é uma enzima indutível, expressa
células parietais. principalmente durante processos inflamatórios. O
• Isso leva à redução da produção de ácido bloqueio dessa isoforma é o que confere aos anti-
(hipocloridria). inflamatórios o efeito terapêutico desejado — ou seja, a
• Além disso, a inflamação danifica a barreira redução da inflamação, dor e febre.
protetora da mucosa gástrica (que normalmente
A maioria dos anti-inflamatórios não esteroidais
protege o estômago do próprio ácido).
(AINEs), no entanto, não é seletiva: bloqueia tanto a
Consequência: COX-1 quanto a COX-2. Isso significa que, ao mesmo
tempo em que reduzem a inflamação (por inibir a COX-
• Menor acidez, mas com barreira mucosa
2), também interferem na produção de prostaglandinas
comprometida.
protetoras da mucosa gástrica (por inibir a COX-1).
• O estômago fica vulnerável a lesões e úlceras
na própria mucosa gástrica. Essa inibição da COX-1 prejudica as defesas naturais
do estômago, comprometendo a produção do muco
protetor e a integridade da mucosa gástrica, mesmo
sem aumento da produção de ácido. Como
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consequência, o uso prolongado ou inadequado de • Pode ter causas orgânicas (ex: úlceras, refluxo,
AINEs pode levar à formação de múltiplas úlceras gastrite, câncer gástrico) ou não identificáveis.
pépticas, que podem surgir em diversas regiões do
Critérios diagnósticos pelo consenso ROMA IV para
estômago.
Dispepsia Funcional:
No início dos anos 2000, foram lançados os anti-
• Dor, queimação ou desconforto epigástrico;
inflamatórios seletivos da COX-2, sendo muito
• Plenitude pós-prandial;
celebrados por não provocarem úlcera péptica.
• Saciedade precoce.
Entretanto, o bloqueio seletivo da COX-2 acabou
levando à síntese exagerada da via da COX-1, → 1 ou mais dos sintomas, presentes nos últimos 3
aumentando muito a agregação plaquetária meses, tendo se iniciado há, no mínimo, 6 meses.
(tromboxano-2), predispondo a eventos trombóticos,
• Não deve haver sinais de alarme;
como AVC e IAM. Os únicos ainda vendidos com
• A investigação para outras causas de dispepsia
receituário especial são o celecoxibe e etoricoxibe,
deve ser feita, e a dispepsia funcional é um
porém o temor dos efeitos colaterais faz com que sejam
diagnóstico de exclusão.
pouco prescritos.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
DIAGNÓSTICO
Grande parte dos pacientes com úlcera péptica é
Apesar da EDA ser o padrão-ouro, há indicações para
assintomática. Porém, aqueles que apresentam
ser solicitada.
queixas, geralmente, têm periodicidade e ritmicidade,
o que significa certa previsibilidade dos sintomas. Por → Quando pedir Endoscopia?
exemplo, a úlcera gástrica costuma piorar a dor
A endoscopia está indicada nos seguintes casos:
quando o paciente se alimenta, já a úlcera duodenal
piora após o jejum prolongado, especialmente de Idade > 40 anos com dispepsia;
madrugada, acordando o paciente (sintoma conhecido
• Pacientes com mais de 40 anos, mesmo sem
como clocking).
sinais de alarme, devem ser investigados
devido ao maior risco de doenças estruturais
(inclusive câncer).
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• História familiar de câncer gastrointestinal alto TRATAMENTO CLÍNICO
(especialmente gástrico ou esofágico).
→ Como é de conhecimento, a H. pylori está presente
Indicação relativa: refratariedade ao uso de Inibidores em mais da metade da população, por isso, é
da bomba de prótons (IBPs) e dos Antagonistas dos recomendado testar (não invasivos) e tratar em
receptores tipo 2 da histamina (H2RAs). pacientes jovens (< 40 anos) com queixas dispépticas
crônicas.
CLASSIFICAÇÃO DE JOHNSON
Tratamento Medicamentoso:
Essa classificação divide as úlceras conforme a
topografia e o nível de produção ácida. O pilar fundamental do tratamento farmacológico da
úlcera péptica é a cicatrização da
mucosa.
2º pilar do
tratamento: tratar a
etiologia da úlcera,
que quase sempre
significa: erradicar o
H. pylori e/ou
suspender o AINE.
Se um paciente que
fez tratamento para
erradicação de H.
pylori tinha uma
úlcera péptica em
atividade na primeira
endoscopia, ele
deverá
obrigatoriamente
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repetir a EDA para avaliar a cicatrização da úlcera, sepse abdominal e óbito. Considere a hipótese de
então o controle de cura da bactéria poderá ser feito por perfuração em pacientes com dor abdominal de início
análise histopatológica. súbito, com sinais de irritação peritoneal (rigidez,
descompressão dolorosa e abdome em tábua). No
Se, por outro lado, sua primeira EDA tivesse apenas
exame físico, também é classificado o sinal de Jobert,
uma cicatriz (úlcera totalmente cicatrizada) com biópsias
caracterizado por hipertimpanismo na área hepática, em
afastando neoplasia, não haveria necessidade de repetir
vez de macicez, devido à presença de ar no espaço
a endoscopia e o controle de cura de H. pylori poderia
subdiafragmático. O tratamento dessa condição é
ser feito por testes não invasivos, como o teste
cirúrgico. Há dois sinais radiológicos importantes: o
respiratório da ureia marcada ou a pesquisa do antígeno
sinal de Rigler (presença de gás realçando a parede
fecal.
das alças intestinais) e o pneumoperitônio junto às
COMPLICAÇÕES cúpulas diafragmáticas.
As três complicações mais importantes da DUP são:
sangramento, perfuração e estenose (obstrução
pilórica).
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• Úlceras associadas à hipercloridria precisam
de técnicas para reduzir a secreção ácida, como
• Úlceras gástricas pequenas (< 2 cm) de
vagotomias e antrectomias. Isso ocorre na
localização distal podem ser apenas excisadas,
úlcera duodenal e nas gástricas dos tipos II e
ou seja, resseca-se apenas a úlcera, como
III.
ocorre na úlcera tipo I de Johnson. Porém,
úlceras gástricas maiores (> 2 cm) de Reconstruções do trânsito gastrointestinal: sempre
localização proximal exigem ressecções que for realizada a ressecção de segmentos gástricos
amplas, como antrectomias, gastrectomias (antrectomia ou gastrectomias subtotais), haverá a
distais ampliadas ou gastrectomias necessidade de reconstruir o trânsito gastrointestinal. As
subtotais. técnicas utilizadas são as reconstruções à Billroth I,
Billroth II ou a reconstrução em Y de Roux:
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INDICAÇÃO DE EMERGÊNCIA II e III: patch de omento, assim como as úlceras
duodenais. Apenas se o paciente estiver estável
Perfuração:
e com mínima contaminação da cavidade,
Essa é a complicação mais grave da úlcera péptica, com pode-se realizar também a vagotomia troncular
mortalidade podendo chegar a 15%, ocorrendo com piloroplastia, como forma de controlar o
principalmente na parede anterior do bulbo duodenal, estímulo ácido.
associada à hipercloridria e à infecção por H. pylori.
INIBIDORES DA BOMBA DE PRÓTONS (IBPs)
Técnicas cirúrgicas recomendadas:
Os IBPs são drogas usadas no tratamento de diversas
• Úlceras duodenais menores de 1 cm: rafia doenças gastroesofágicas, tendo como principal
primária com reforço de um patch omental. mecanismo de ação a supressão da produção do
• Úlceras duodenais maiores de 1 cm: para ácido clorídrico. Fazem isso ao bloquear a última etapa
evitar a tensão da rafia, fechar com patch de um da síntese do HCl, que é a liberação dos íons H+ para o
fragmento de omento livre, patch de Graham, ou lúmen gástrico, feito pela enzima Hidrogênio-Potássio
um patch de omento pediculado, patch de Adenosina Trifosfatase, conhecida como Bomba de
Cellan-Jones. Prótons.
• Úlceras duodenais gigantes (> 3 cm): fechar
Devem ser usados em jejum, 30 a 60 minutos antes da
o piloro e fazer um desvio do trânsito alimentar
refeição, enquanto as bombas de prótons ainda estão
com uma anastomose gastroentérica
inativadas, formando uma forte ligação covalente com
(gastrojejunoanastomose em Y de Roux ou
elas, bloqueando-as de forma irreversível. Levará cerca
Billroth II).
de quatro dias para que uma nova bomba seja
ATENÇÃO: em pacientes com peritonite e sepse, produzida, por isso o efeito máximo de bloqueio ácido é
apenas feche a perfuração! Em pacientes estáveis com alcançado a partir do 4o dia de uso contínuo de IBP.
critérios de intratabilidade, pode-se fazer a vagotomia
Efeitos colaterais:
troncular com piloroplastia.
• Úlceras gástricas:
depende do tipo de
úlcera e da
estabilidade do
paciente.
• Tipo I: gastrectomia
distal com reconstrução à
Billroth I. Se o paciente
estiver instável, apenas
sutura simples da lesão.
Se a úlcera for gigante (>
2 cm), antrectomia ou
gastrectomia distal. Tipos
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DEFINIÇÃO
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LESÃO DE DIEULAFOY Esses três sintomas caracterizam a Tríade de
Sandblom.
A lesão de Dieulafoy é a causa menos frequente de
hemorragia digestiva alta (no máximo 6% dos casos),
caracterizada por uma arteríola submucosa
patologicamente dilatada e aberrante. Como é um
vaso muito superficial, pode sofrer erosão e provocar um
sangramento maciço e grave. Na maioria das vezes,
essa lesão está localizada na pequena curvatura do
corpo gástrico proximal entre 5 e 10cm da junção
esofagogástrica.
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FÍSTULA AORTOENTÉRICA • Taquicardia (frequência cardíaca > 100 bpm);
• Hipotensão arterial (pressão sistólica < 90
A fístula aortoentérica é uma causa rara, mas
mmHg);
extremamente grave de HDA. Consiste em uma
comunicação anormal entre a aorta (geralmente • Hipotensão postural.
abdominal) e o intestino delgado, especialmente o O primeiro passo é garantir o acesso venoso
duodeno. Pode ser classificada como primária adequado, com punção de duas veias periféricas
(decorrente de aneurisma de aorta não tratado) ou calibrosas para administração rápida de fluidos e coleta
secundária (como complicação de prótese aórtica de exames laboratoriais (hemograma, coagulograma,
colocada previamente). Clinicamente, o paciente pode função renal, eletrólitos, gasometria e tipagem
apresentar um sangramento intermitente que evolui para sanguínea).
uma hemorragia massiva – o chamado “sinal de aviso”
A ressuscitação volêmica inicial deve ser feita com 1 a
é o pequeno sangramento inicial antes do sangramento
2 litros de solução cristaloide (soro fisiológico 0,9% ou
catastrófico. O tratamento é sempre cirúrgico de
ringer lactato). Em casos de choque refratário ou
urgência, podendo envolver a retirada da prótese
quando a hemoglobina estiver abaixo de 7–8 g/dL,
infectada e o reparo vascular com revascularização
está indicada a hemotransfusão com concentrado de
alternativa.
hemácias.
MANEJO
Abordagem Inicial:
1. Estabilização:
• 250 mg IV, administrada cerca de 30 minutos Classificação endoscópica de Forrest - ela é usada
antes da EDA; apenas para úlcera péptica e não para outros tipos de
• Acelera o esvaziamento gástrico, removendo lesão (como Dieulafoy ou Mallory-Weiss).
coágulos e restos alimentares, otimizando a
visualização durante a endoscopia.
45
dos hemoclipes metálicos. Hemoclipes são
indicados, especialmente, em lesões
vasculares mais calibrosas, com
sangramento arterial de maior intensidade.
Hemotransfusão:
Condutas e Protocolo:
• Dose: 1 a 2 unidades;
O contraste evidencia uma artéria mesentérica, com • Via: Intravenosa;
extravasamento indicado pela seta — sinal de sangramento
• Velocidade: Cada unidade deve ser infundida
ativo, sugestivo de hemorragia digestiva.
em até 2 horas (máximo de 4 horas);
O tratamento cirúrgico deve ser o mais econômico • Equipo: Utilizar filtro de 170–260 micra.
possível, consistindo apenas na rafia da lesão que
Indicação:
sangra.
• Choque hipovolêmico grau 3 com instabilidade
→ Tratamento cirúrgico da úlcera péptica:
hemodinâmica.
A cirurgia é indicada nos casos de úlcera péptica com
Solicitar
sangramento quando há:
• Tipagem sanguínea;
• Instabilidade hemodinâmica persistente,
• Prova de compatibilidade;
mesmo após a infusão de mais de 6 unidades
de concentrado de hemácias; • (Ou utilizar O negativo em situações
emergenciais).
• Falha da endoscopia digestiva alta (EDA) em
controlar o primeiro episódio de sangramento; Monitoramento dos Sinais vitais:
• Falha da EDA em conter um ressangramento;
• Antes da transfusão;
• Durante: a cada 15 minutos no início;
47
• Após a transfusão.
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