Almada (Rua do)
Já assim se chamava quando ainda estava em projecto.
Cortou as denominadas Leiras de Vila Nova, um conjunto de
terrenos arrendados a vários caseiros, que ficavam entre o
Sítio do Ribeiro (frente à Igreja dos Congregados) e a
Travessa das Indulgências (Rua do Conde de Vizela). Foi
aberta aproveitando o leito da antiga Rua das Hortas (o
lanço que ia da Rua dos Clérigos aos extintos Lavadouros,
hoje Praça de Filipa de Lencastre.
Foi rasgada em parte (1718) em terrenos da Quinta do
Laranjal e no antigo chão integrando o Casal de Paio Novais
depois chamado das Hortas (Campo das Hortas ou ainda
Sítio das Hortas). A sua parte superior, com as vizinhas ruas
da Picaria, da Conceição e de Liceiras (hoje Rua de Alferes
Malheiro) integrava o antigo Bairro dos Laranjais cuja
urbanização se ficou a dever a João de Almada e Melo.
A Rua do Almada tomaria, na sua parte inicial (desde a
Rua dos Clérigos à Praça Filipa de Lencastre e Rua Elísio de
Melo) o nome de Rua Nova do Anjo das Hortas, depois Rua
do Anjo das Hortas (o anjo era S. Miguel, patrono do Cabido,
o dono dos terrenos) e finalmente só Rua das Hortas (1732),
que usou até 1860.
Toda ela assenta sobre a antiga via romana que ligava
a Braga (Bracara Augusta). No século XVIII, por vezes este
troço também aparece referido como Rua Nova dos Anjos
(1725), Rua dos Anjos.
O prolongamento desta rua, desde a nova Porta do
Almada (que a ligava à Praça de Santo Elói) até ao então
denominado Campo de Santo Ovídio (Praça da República),
viria a ser solicitado pelo então Presidente da Junta das
Obras Públicas, o Governador das Armas do Partido do
Porto, João de Almada e Melo, a Sua Majestade D. José I.
Delineada por Francisco Xavier do Rego, receberia,
contudo, o nome do grande obreiro do urbanismo portuense,
que teve a ousadia de projectar a cidade para além da cerca
amuralhada. Quase fronteira à Porta de Santo Elói existente
na muralha tomaria o nome de Rua Nova do Almada. Com
2.600 palmos (ou "meio quinto de légua") de comprido, era
então a maior artéria da cidade.
Perpetua a memória do magistrado que, por suas
instâncias, lhe deu vida: João de Almada que, durante 29
anos, ocuparia os mais altos cargos e cujo nome recebeu
ainda na fase de projecto. João Manuel de Almada e Melo,
que era primo de Pombal e natural da freguesia de
Troviscoso (Monção) onde nasceu (Quinta da Pedra) em 15
de Agosto de 1703. Presidente da Junta de Obras Públicas
(de 1758 até Outubro de 1786, altura em que faleceu) foi o
reformador do Porto medieval e o iniciador do Porto
moderno. Falecido nesta cidade em 3 de Outubro de 1786,
seria sepultado em sepulcro familiar, “na capela da Senhora
da Rosa, na igreja matriz de Monção, a 8 de Outubro desse
ano). A obra seria continuada por seu filho, Francisco de
Almada a quem chamavam “O Marquês de Pombal do
Porto”).
A abertura deste arruamento, para norte da Praça
Filipa de Lencastre, levou à terraplanagem do Monte da
Doida ou Monte da Douda (pequena elevação que ainda hoje
se nota, no cruzamento desta artéria com Alferes Malheiro).
Com princípio na Rua dos Clérigos e fim na Praça da
República, a Rua do Almada reparte-se por três freguesias:
Freguesia da Vitória (os ímpares até ao 371), Freguesia de
Cedofeita (os restantes ímpares) e Freguesia de Santo
Ildefonso (todos os pares), tem uma extensão de 828 metros.
Na Rua do Almada “prolongamento da já bastante
mais antiga rua das Hortas” se concentram, desde os fins
do século XVIII ou princípios do XIX “as lojas dos
ferrageiros” (Guia de Portugal – IV Volume – Entre Douro e
Minho – I. Douro Litoral – Página 137). Dessa actividade,
antiga, nos dá conta a vereação de 27 de Setembro de
1860, na qual, tendo em consideração o que era uso fazer-
se na Rua do Almada, com prejuízo não só do público como
da própria via, a vereação aprovou uma Postura proibindo
“partir, dobrar e manufacturar nas ruas publicas ferro, aço,
chumbo, estanho, ou outro qualquer metal” (Artº 1º) bem
como “descarregar ferro, aço, chumbo ou outro qualquer
metal nas ruas publicas.
Almadas (Túnel dos)
Trata-se de uma serventia que se reparte pela
Freguesia da Vitória e pela Freguesia de Miragaia. Com
princípio na Praça de D. Filipa de Lencastre, termina na Rua
de D. Manuel II. Tem esta designação desde 22 de Maio de
2007 data em que a Câmara aprovou a proposta que nesse
sentido lhe foi apresentada pela Comissão de Toponímia.
É também conhecido por Túnel de Ceuta-Carregal e
apenas por Túnel de Ceuta.
O Almada (filho), Francisco Maria de Almada e Mendonça,
nasceu nos Olivais (Lisboa), em Fevereiro de 1757, faleceu
no Porto em 18 (ou 19?) de Agosto de 1804, na Casa Pia,
onde morava. Corregedor e Provedor da Comarca do Porto,
como seu pai, foi também Inspector das Obras Públicas do
Norte. Do seu consulado destaca-se a construção do Teatro
de S. João, Tribunal e Cadeia da Relação, Quartel de santo
Ovídio, Passeio das Fontainhas, Paredão das Virtudes, etc.
Por diligências do Presidente da Câmara de então, Miguel
Joaquim Gomes Cardoso Júnior, os seus restos mortais
foram trasladados para o Cemitério do Repouso em 17 de
Novembro de 1839.
(ALGUMAS)CASAS COMERCIAIS QUE FAZEM PARTE DA
MEMÓRIA E DA IDENTIDADE TRIPEIRA
Diário de Lisboa, nº 30
Livraria Figueirinhas, nº 40
Carvalho Baptista & Ca, (ferragens), nº 79/83
Editora Educação Nacional, nº125
Viúva Vitória (ferragens), nº 150
Casa Parafuso(ferragens), nº 157/61
Armazéns Almada (Malhas), nº158/60
Castanheira & Ca (artigos musicais), nº 170/4
Centro Literário Marinho (alfarrabista), nº215/7
Bernardino Costa Guimarães (ferragens), 246/8
Pinto da Costa (médico), nº 262
Rofir(borrachas), nº 320/22
Restaurante A Ovarense, nº357/63
Le Chien qui fume (restaurante), nº 405
Casa Toti (ferragens), nº 407
Manuel José de Azevedo (cartão canelado) nº 492/8
F. Marques da Silva & Filhos (ferragens), 522/6
Açometais, nº 519