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O documento discute a estrutura e formação da sociedade internacional, destacando a diferença entre normas jurídicas nacionais e internacionais, onde não há um ente supremo e a aplicação das normas depende do consenso dos estados. Explora as teorias do direito internacional, as fontes do direito internacional, incluindo tratados, costumes e princípios gerais, além de abordar a importância das normas de jus cogens e obrigações erga omnes. Por fim, detalha os tratados internacionais, sua definição, elementos essenciais, classificação e a necessidade de vontade e consenso entre os estados para sua validade.
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O documento discute a estrutura e formação da sociedade internacional, destacando a diferença entre normas jurídicas nacionais e internacionais, onde não há um ente supremo e a aplicação das normas depende do consenso dos estados. Explora as teorias do direito internacional, as fontes do direito internacional, incluindo tratados, costumes e princípios gerais, além de abordar a importância das normas de jus cogens e obrigações erga omnes. Por fim, detalha os tratados internacionais, sua definição, elementos essenciais, classificação e a necessidade de vontade e consenso entre os estados para sua validade.
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1.

CONCEITO DE SOCIEDADE INTERNACIONAL


- A sociedade internacional possui estrutura diferente das nacionais.
 A sociedade nacional é caracterizada pelas relações de
subordinação e coordenação entre os entes públicos.
 Na sociedade internacional isso não existe, não há um ente
supremo. “onde há soberania, não há supremacia”. As normas
jurídicas se aplicam por autotutela ou por auto composição.
 Nesse sentido, os órgãos internacionais arbitram, não exercem
jurisdição judiciária. Sendo assim, a aplicação forçada na norma
depende da renúncia ao direito de ser executado. As cortes de
justiça internacionais só exercem jurisdição com o consenso dos
estados.
 Isso não implica afirmar que as sociedades internacionais são
“anárquicas”, ou que o direito internacional não existe, mas apenas
que o sistema sancionatório é diferente, o que não implica na
ausência de eficácia das normas internacionais.
- Não é correto falar em comunidade internacional, tendo em vista que o
termo remete à ideia de algo que surge naturalmente. A contrário sensu, a
sociedade internacional possui caráter constitutivo. Não obstante,
documentos internacionais, a exemplo do Draft articles sobre
reponsabilidade internacional se vale do termo comunidade.

2. FORMAÇÃO DO DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO


- TEORIA VOLUNTARISTA: se forma apenas pelo consenso dos estados =
concepção clássica de soberania. Base positivista. Aceitação explícita dos
tratados e tácita dos costumes e princípios gerais do direito.
 Dialoga com o dualismo moderado.
 Teoria da autolimitação (Variante da voluntarista): reconhece a
sociedade internacional mas não como uma ordem superior.
 Críticas: se um determinado Estado não reconhece o direito
internacional, é possível afirmar que o direito internacional não se
aplica a este estado?
 Teoria da pacta sunt servanda: alia a vontade dos Estados com uma
norma de direito internacional. Trata-se de uma teoria objetivista
temperada. Fundamento: art. 26, Tratado dos tratados.
- TEORIA OBJETIVISTA: Lauterpacht, Scelle. Direito deve ser analisado sob
outras fontes, não bastando o consenso dos Estados. Logo, o fundamento
do direito internacional é a superioridade de normas e princípios de
direito internacional.
 Crítica: não leva em conta a vontade dos estados.

Artigo 26
Pacta sunt servanda
Todo tratado em vigor obriga as partes e deve ser cumprido por elas de
boa fé.

3. FONTES DO DIREITO INTERNACIONAL.

Artigo 38. A Corte, cuja função é decidir de acordo com o direito


internacional as controvérsias que lhe forem submetidas, aplicará
(fontes estatutárias):
a. as convenções internacionais, quer gerais, quer especiais, que
estabeleçam regras expressamente reconhecidas pelos Estados
litigantes;
b. o costume internacional, como prova de uma prática geral aceita
como sendo o direito;
c. os princípios gerais de direito, reconhecidos pelas nações civilizadas;
d. sob ressalva da disposição do Artigo 59, as decisões judiciárias e a
doutrina dos juristas mais qualificados das diferentes nações, como
meio auxiliar para a determinação das regras de direito.”

- Em razão da peculiar configuração do direito internacional, não há que


se falar em hierarquia de fontes, ou mesmo que as fontes do art. 38 são as
únicas aplicáveis no direito internacional. Para a doutrina, trata-se de rol
não taxativo.
 Fontes auxiliares: doutrina dos publicitas, equidade, jurisprudência
internacional.
 Fontes de fato: tratados, costumes, princípios gerais de direito.
 Fontes não estutárias: soft law e jus cogens.
 Doutrina majoritária afirma inexistir hierarquia entre as fontes.
- Costume: práticas aceitas pelos Estados como juridicamente exigíveis
durante um certo período.
 Natureza jurídica:
a) Consentimento tácito/acordo tácito: admite que um Estado que
não o reconheça se oponha à sua eficácia.
b) Novo direito.
 Elementos:
a) Usus (objetivo): comportamento usual durante certo período.
b) Subjetivo (opinio juris/sive necessitatis): anuência. É necessário
que os demais estados aceitem a prática.
b.1) Para a doutrina, o elemento objetivo perdeu importância
em razão do elemento subjetivo, pois em algumas situações a
brevidade do uso não impede a formação de um costume. Ex:
soberania estatal sobre o espaço aéreo, reconhecimento da
proibição ao genocídio, da escravidão e da discriminação racial.
c) Especial: costume pode ser local, regional ou universal. Para ser
exigível por toda a sociedade internacional, não é preciso que
toda a sociedade internacional o aceite, basta que apenas parte
dela.
c.1) No caso Portugal V. India (Direito de passagem sobre o
território indiano), foi reconhecido o costume que havia
exclusivamente entre os dois países.
 O estado que não participou da elaboração do costume deve
obedecer. Apenas se o estado comprovar que se opôs ao costume
desde o início é que não será obrigado a cumpri-lo – teoria do
persistente objector)
a) Caso da Pesca Grã-Bretanha vs. Noruega – CIJ entendeu: países
firmaram o costume internacional segundo o qual era permitido
que um país pudesse pescar na zona costeira de outro, mas a
Noruega se opôs desde o início, logo, a ela não se aplica.
b) Todavia, esta teoria não se aplica quando o costume estiver
revestido da natureza de jus cogens.
 Problemas: criação de novos Estados. Estes apenas se vinculam ao
costume com sua criação.
 Tratado pode derrogar costume e vice-versa. Nada impede também
de ambos conviverem regulamentando a mesma matéria a
depender do caso concreto.
- Princípios gerais consagrados:
 Pode ser:
a) Princípios gerais DE direito: provêm de uma ordem estatal, trata-
se de uma convicção contida nos principais sistemas jurídicos.
b) Princípios gerais DO direito: aplicável ao internacional.
 Ex de princípios:
a) Proibição ao abuso de direito
b) Responsabilidade internacional
c) Exceção do uso da força.
d) Obrigação de reparar danos emergentes e lucros cessantes.
- Normas de jus cogens:
 Não pode ser alterada pela vontade unilateral de um Estado, mas
apenas por outra norma de igual conteúdo.
 Não há rol taxativo.
 Não tem procedimento específico de elaboração, podendo ser de
origem convencional ou consuetudinária. Mas cuidado! Muitas
provas tratam apenas como de origem consuetudinária!
 Conteúdo superior, são inderrogáveis.
 São normas cujo descumprimento resultam em abalo aos
fundamentos da sociedade internacional.
 São obrigatórias e materialmente superiores.
 Tendo em vista que o seu conteúdo pode variar, nem toda afronta a
norma de jus cogens lesa norma de direitos humanos.
 Exemplos de normas de jus cogens (opinião consultiva 26/2020):
a) Princípio da igualdade e proibição da discriminação.
b) Proibição absoluta de todas as formas de tortura, tanto física
como psicológica.
c) Proibição de tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou
degradantes.
d) Proibição do desaparecimento forçado de pessoas.
e) Proibição da escravidão e de outras práticas análogas.
f) Princípio da não devolução (non-refoulement), incluindo a não
recusa na fronteira e a devolução indireta.
g) Proibição de cometer ou tolerar graves violações aos direitos
humanos.
h) Dentro de um padrão massivo ou sistemático, entre elas
execuções extrajudiciais, desaparecimentos forçados e torturas;
e
i) Proibição de cometer crimes de lesa humanidade e a obrigação
associada de penalizar, investigar e sancionar esses crimes.
Recentemente, no Caso da Comunidade La Oroya vs. Peru
(2023), a Corte IDH entendeu que a proteção do meio ambiente
também é uma norma de jus cogens.
- Obrigações erga-omnes:
 Veio à lume no caso Bélgica V. Espanha (Barcela Traction). Conceito:
tendo em vista a importância dos direitos em causa, todos os
estados podem ser considerados como tendo um interesse jurídico
na proteção do direito.
 Erga omnes: obrigações de todos, isto é, todos os Estados devem
cumprir.
 Para ACR configura erro grosseiro afirmar que a norma de jus
cogens é a mesma coisa que obrigações erga-omnes. Para o autor,
elas não se diferenciam pela obrigatoriedade, mas pelo conteúdo.
 Ex: proibição à tortura é uma norma de jus cogens, mas nem todas
as normas da convenção de tortura são de jus cogens, de modo que
os dispositivos relativos a mecanismos de cumprimento, por
exemplo, são obrigações erga omnes.
- Obrigações erga partes: são obrigações erga omnes interpartes.

3.1. Meios auxiliares e novas fontes:


- Jurisprudência da CIJ: a decisão da CIJ só é obrigatória para as partes. Se
eventual amicus curiae participar do processo, ele não se vincula ao
dispositivo. Não possui efeito erga omnes.
 No entanto, se a CIJ reconhece princípios ou costumes
internacionais, suas decisões terão efeitos além das partes.
 Caso Nicarágua Vs. Estados unidos: ainda que o Estado desista *no
meio do processo, a decisão é válida contra ele.
- Analogia.
- Equidade.
 Expressamente reconhecida na convenção de montego bay:

1. A delimitação da plataforma continental entre Estados com costas


adjacentes ou situadas frente a frente deve ser feita por acordo, de
conformidade com o direito internacional a que se faz referência no
artigo 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça, a fim de se
chegar a uma solução equitativa.

- Atos unilaterais: manifestações de vontades públicas de um Estado com


o fim de produzir efeitos jurídicos no âmbito internacional, e desde que
não sejam contrárias ao Direito Internacional.
 Não previsto no art. 38 do estatuto da CIJ.
 Atos autonormativos – CIJ Caso Testes Nucleares Austrália e Nova
Zelândia v. França – França tinha dado uma declaração de que não
faria testes nucleares na atmosfera, mas o fez. Violação da boa-fé
(teoria do stoppel).
- Decisões das organizações internacionais.
 As únicas decisões realmente mandatórias são as do Conselho de
Segurança.
 Fora isso, não vinculam as partes. Há doutrina que afirma ser as
decisões da OMS mandatórias, a exemplo do ato que declarou a
pandemia de covid-19.
- Soft law:
 Possibilidade de atores não estatais adotarem e implementarem
voluntariamente.
 DUDH:
a) Primeira corrente, ACR: parcialmente soft law, parcialmente erga
omnes, pois declara DHs consolidados como obrigações.
b) Soft law: isso porque os pactos posteriores à DUDH deram
concretude aos seus mandamentos.

4. TRATADOS INTERNACIONAIS.
4.1. introdução.
- CONCEITO: são acordos formais e escritos, entre dois ou mais sujeitos de
direito internacional público, regidos pelo direito internacional público,
com o escopo de criar direitos e obrigações.
- Convenção de Viena.
 Concluída em 1969, promulgada em 2009 pelo Brasil com reserva
dos artigos 25 e 66.

Artigo 25
Aplicação Provisória
1. Um tratado ou uma parte do tratado aplica-se provisoriamente
enquanto não entra em vigor, se:
a)o próprio tratado assim dispuser; ou
b)os Estados negociadores assim acordarem por outra forma.
2. A não ser que o tratado disponha ou os Estados negociadores
acordem de outra forma, a aplicação provisória de um tratado ou parte
de um tratado, em relação a um Estado, termina se esse Estado notificar
aos outros Estados, entre os quais o tratado é aplicado provisoriamente,
sua intenção de não se tornar parte no tratado.

Artigo 66
Processo de Solução Judicial, de Arbitragem e de Conciliação
Se, nos termos do parágrafo 3 do artigo 65, nenhuma solução foi
alcançada, nos 12 meses seguintes à data na qual a objeção foi
formulada, o seguinte processo será adotado:
a) qualquer parte na controvérsia sobre a aplicação ou a interpretação
dos artigos 53 ou 64 poderá, mediante pedido escrito, submetê-la à
decisão da Corte Internacional de Justiça, salvo se as partes decidirem,
de comum acordo, submeter a controvérsia a arbitragem;
b) qualquer parte na controvérsia sobre a aplicação ou a interpretação
de qualquer um dos outros artigos da Parte V da presente Convenção
poderá iniciar o processo previsto no Anexo à Convenção, mediante
pedido nesse sentido ao Secretário-Geral das Nações Unidas.
4.1.1. Elementos.
- Vontade: sem a vontade não há tratado, o vínculo deve ser jurídico, isto
é, exigível.
- Escrito: são formais. Não cabe tratado oral.
- Consenso entre Estados e organizações internacionais: só pode ser
realizado com quem tem capacidade para contrair direitos e obrigações na
sociedade internacional.
 Enquanto os estados podem celebrar tratados sobre qualquer
matéria, a organização se limita a tratar sobre matérias do seu
âmbito de atuação.
 Estados não independentes e estados vassalos carecem de
capacidade. O direito internacional reconhece, porém, a validade
jurídica aos tratados que ponham fim à vassalagem e a dependência
colonial. Acordos concluídos entre estados e populações sem
governo ou tribos não são tratados.
 Para uma primeira corrente, o tratado apenas assinado é um
projeto e não tem eficácia na ordem internacional, faz-se necessária
ratificação.
 Mas para uma segunda corrente, a assinatura é suficiente. Vide art.
11 CVTI: O consentimento de um Estado em obrigar-se por um
tratado pode manifestar-se pela assinatura, troca dos instrumentos
constitutivos do tratado, ratificação, aceitação, aprovação ou
adesão, ou por quaisquer outros meios, se assim acordado.
LEMBRAR: dualismo moderado e STF.
- Regido pelo direito internacional: obrigação jurídica sob a autoridade do
direito internacional.
 Pode estar baseado em um tratado ou em um costume
internacional.
 Importância: contrato internacional não é regido pelo direito
internacional.
- Celebrado em instrumento único ou em dois ou mais instrumentos
conexos.
 É possível através da troca de notas: instrumento que celebra o
tratado é produzido em momento distinto do próprio tratado.
- Ausência de denominação específica. Tratado é expressão genérica das
quais são espécies: convenções, protocolos etc.

4.2. Classificação
- Tratados criam direitos e obrigações, podendo classificar-se em:
 Tratado-lei, tratado contrato:
a) Tratado lei: estabelece um regime jurídico comum aos estados.
b) Tratado contrato: relação comutativa, bilateral, entre estados
partes.
 Tratado de vigência estática e vigência dinâmica:
a) Dinâmica: tratados mais comuns. Não esgotam sua vigência em
um ato apenas.
b) Estática: são mais limitados na sua pretensão de vigência, só se
aplicam em situações que se esgotem na sua celebração.
Exemplo: tratados de limites.
 Acordos: são tratados de menor envergadura política e com poucos
participantes.
 A Carta é o tratado que cria organizações internacionais e define
sua composição, seus órgãos e seus objetivos.
a) É possível que sejam realizados tratados internacionais entre
duas organizações sem que qualquer estado faça parte do
acordo.
 O compromisso representa a submissão a um foro internacional de
arbitragem.
 A Declaração tem o condão de consagrar princípios ou firmar
posição comum dos Estados acerca de determinados fatos. Nunca é
tratado, documento paranormativo.

4.3. Celebração.
- Pela disposição literal da CF, não se delega aos ministros o poder de
celebrar tratados, no entanto, entende-se que, por meio de um costume
internacional, isso é possível.
- Celebração dos tratados:
 Capacidade para celebrar tratados (“treaty-making power”): trata
da distribuição de competência para celebrar tratados, geralmente
é entre executivo e legislativo.
a) ONG’s, Santa Sé, movimentos de libertação nacional,
beligerantes também podem celebrar tratados.
 Habilitação dos agentes: capacidade deve ser demonstrada
mediante apresentação de instrumento de plenos poderes.
a) chefe de Estado, chefe de Governo, ministro das relações
exteriores não necessitam de carta de plenos poderes.
b) Chefe de missão diplomática somente precisará dos plenos
poderes no que concerne aos atos de adoção do tratado.
- Fases:
 Negociação: fase inicial. Só negocia quem possui capacidade. Ao
final da negociação, quando as partes chegam a um acordo, ocorre
a adoção, ato pelo qual os negociadores finalizam o texto.
 Firma/assinatura: formalização do fim das negociações e a
concordância com os termos do tratado.
a) quem assina: Presidente da república, o ministro das relações
exteriores, embaixadores plenipotenciários, chefes de missões
diplomáticas. Aquele que representa seu Estado ou qualquer
indivíduo munido de carta de plenos poderes.
b) Para a corrente dualista, adotada pelo STF, a assinatura traz a
obrigação de não tumultuar a aplicação do tratado, portanto,
impede que o texto seja alterado unilateralmente. Por outro
lado, não o torna ato normativo primário no âmbito interno.
c) Nos acordos executivos, basta que haja a assinatura. Acordos
executivos são atos internacionais que não implicam novos
compromissos externos.
 Aprovação legislativa: a aprovação se faz por meio de decreto
legislativo das duas casas.
a) Em regra, o congresso não pode alterar o texto do tratado, mas
pode fazer uma aprovação com ressalvas a determinados
dispositivos.
 Ratificação: é o ato internacional por meio do qual o chefe de
estado manifesta perante os demais estados da sociedade
internacional o consentimento definitivo.
a) Privativo do PR.
b) A convenção de Viena sobre os tratados prevê três formas de
ratificação:
a.1) Depósito do instrumento: só se aplica a tratados
multilaterais. Depositário é quem “guarda” o tratado. A
ratificação é feita quando cada um dos estados partes deposita o
instrumento de ratificação no Estado responsável por “guardar”
o instrumento.
a.2) Troca de instrumento: tratados bilaterais. Cada chefe de
estado entrega uma carta para o outro
a.3) Notificação/troca de notas: via de regra, é o ato
internacional que trata de questões de natureza administrativa e
de alteração ou interpretação de cláusulas de tratados
concluídos. É composto por uma nota diplomática daquele que
propõe, e por uma nota de resposta, ou seja, existe mais de um
instrumento, dispensa a anuência do Congresso Nacional.
c) Ratificação imperfeita (não é forma de ratificação): conteúdo do
tratado é incompatível com norma de direito interno. Logo, são
assinados, mas não internalizados em razão de óbice interno.
d) Segundo a Convenção de Viena, um tratado pode entrar em
vigor no Estado parte antes mesmo da ratificação. No entanto, o
Brasil fez reserva a este dispositivo.
 Promulgação: o Presidente, após ratificado tratado, o promulga
através de decreto. Trata-se de um costume constitucional.
- Em regra, a entrega em vigor do Tratado ocorre em momentos distintos
no plano interno e externo.

4.4. Efeitos sobre terceiros.


- É possível que terceiro Estado se vincule ao conteúdo de um tratado,
ainda que não tenha feito parte, desde que seu conteúdo seja de norma
consuetudinária anteriormente vigente.
- Se criadas obrigações a estados que não participaram das negociações, é
possível que esse estado se contraponha às suas disposições. Mas nada
impede que se vincule às obrigações do tratado se aceitar expressamente.

4.5. Interpretação.
- Sua interpretação sempre levará em consideração o contexto, isto é:
 Qualquer acordo ou instrumento estabelecido por uma ou várias
partes em conexão com a conclusão do tratado e aceito pelas
outras partes.
 Acordos, práticas ou regras seguidas entre as partes.
- Meios suplementares de interpretação: trabalhos preparatórios do
tratado e as circunstâncias de sua conclusão.
- Interpretação deve ser de acordo com o “sentido comum” do texto, isto
é, de acordo com o sentido atribuível à época da conclusão do acordo.
- Interpretação evolutiva dos direitos humanos: instrumentos vivos em
permanente mudança.
- Conflitos entre tratados: a resolução deve observar se o tratado foi
firmado entre as mesmas partes ou partes diferentes.
 Não há que se falar em hierarquia entre os tratados internacionais,
salvo normas de jus cogens.
 EM HAVENDO CONFLITO, Deve-se OBSERVAR a existência de
identidade e diversidade de fontes de produção normativa.
 Identidade de partes: não há conflito propriamente dito, aplicam-se
os critérios de resolução de conflitos no tempo: prevalece o tratado
posterior sobre o anterior.
 Partes diferentes: não há solução jurídica possível, apenas política.

4.6. Registro e publicidade.


- Art. 102 da Carta da ONU afirma que todo tratado concluído por
qualquer um de seus Estados Membros deverá ser registrado e publicado
pelo Secretariado Geral da ONU, para que possa ser invocado perante o
órgão das Nações Unidas. Na prática, entretanto, os atos internacionais
entram no universo jurídico do direito internacional independentemente
de registro.

4.7. Reservas, emendas e adesão a um tratado.


- Reserva do tratado: as reservas, em regra, não são permitidas. Buscam
excluir ou modificar o efeito de uma determinada norma do tratado,
qualquer que seja sua redação ou denominação.
 O direito de reserva não precisa ser exercido de forma específica ou
expressa.
 É uma declaração unilateral em tratados multilaterais.
 Ex: Determinado tratado diz que a mala diplomática pode ser
averiguada em caso de guerra declarada.
a) Um Estado “A” faz a reserva dessa disposição, afirmando que a
mala diplomática só pode ser violada na hipótese de estado de
sítio.
b) Caso o Estado “B” aceite esta reserva, para ambos, a mala
diplomática só poderá ser violada na hipótese de Estado de sítio.
c) Vale destacar que, em um tratado multilateral, a eficácia de
determinada norma pode ficar condicionada a uma determinada
reserva entre dois Estados, sendo aplicada a norma tal qual
previsto no tratado quanto aos outros países.
d) Ex2: no caso da mala diplomática, a reserva aplica-se aos Estados
“A” e “B”, no entanto, entre os Estados “B” e “C” poderá a mala
ser violada na hipótese de guerra declarada.
e) Objeção à reserva faz com que a norma do tratado não seja
aplicada. Ex3: Caso “C” não aceite a reserva de “A”, não pode o
Estado mexer na mala diplomática do outro em qualquer
hipótese, é como se a norma não existisse entre eles.
f) É possível que um determinado Estado que faça objeção à
reserva diga que o Tratado não será aplicável entre ele e o autor
da reserva, e não apenas a norma específica.
g) Se a reserva é feita por “A” é aceita por “B” e “C”, caso retirada,
não é necessário o consentimento dos demais Estados.
 Formas de reserva
a) Quando houver previsão expressa no tratado.
b) Admissão implícita: haverá quando o tratado, sem fazer
referência expressa, traz em algum dispositivo a ideia geral da
reserva. Isto é, o direito de reserva puder ser deduzido da
natureza e finalidade do tratado.
 Não há direito de reserva se o próprio tratado as proíbe.
 Quando não há clareza de que a reserva é admissível, poderão os
estados manifestarem-se sobre a sua ilicitude:
a) Se entenderem ilícita, poderá aceitar a vigência do tratado, mas
com objeção à reserva. Ex: “Discordo da reserva feita ao art. 5,
mas o restante do tratado continua válido entre nós.”
b) ou então, poderá afirmar que a reserva vai de encontro ao
próprio tratado, de modo que o tratado em sua inteireza não se
aplica aos dois Estados. Ex: “Essa reserva viola o propósito do
tratado; portanto, não reconheço o tratado em vigor entre
nossos Estados.”
 A retirada de reserva ou a retirada a objeção de reserva só produz
efeito em relação a outro estado contratante quando notificado.
- Emendas: é o meio pelo qual cláusulas dos tratados são suprimidas,
acrescentadas ou modificadas.
 Aplica-se o mesmo procedimento quanto a realização dos tratados.
 Art. 40 da convenção de Viena permite um duplo regime jurídico: as
partes originais que não assinarem a emenda terão um regime
jurídico diverso daqueles que assinaram a emenda.
- Adesão: pessoa que não participou da negociação manifesta interesse
em participar do tratado. Só é possível em tratados multilaterais abertos.
- Denúncia: é a revogação unilateral do tratado em sua integralidade.
 Tratados que determinam uma situação jurídica permanente não
são sujeitos à denúncia. Ex: tratado de fronteira.
 Logo, só é possível denúncia se o tratado a prevê ou decorrer da
natureza do tratado. Ex: não é possível denúncia de um tratado de
paz.
 A intenção de denúncia deve ser realizada com antecedência de 12
meses.
 Durante este período poderá retratar-se da denúncia.
 Para o STF, é preciso o mesmo procedimento para formalização dos
tratados internacionais quanto a denúncia:
a) Argumentos: princípio democrático, a separação de Poderes, o
sistema de freios e contrapesos e soberania popular.
b) Os tratados promulgados se transformam em legislação nacional
e, assim sendo, sua revogação deve se dar por norma
equivalente e posterior.
c) Paralelismo das formas. Art. 1º, parágrafo único da CF: comando
constitucional, todo poder emana do povo.

ADC 39: “a denúncia pelo Presidente da República de tratados


internacionais aprovados pelo Congresso Nacional, para que
produza efeitos no ordenamento jurídico interno, não prescinde
da sua aprovação pelo Congresso”. Aplicação desse
entendimento a partir da publicação da ata do julgamento,
mantendo-se a eficácia das denúncias realizadas até esse marco
temporal. 9. Ação declaratória de constitucionalidade julgada
procedente. [Link] ao legislador para que elabore disciplina
acerca da denúncia dos tratados internacionais que preveja a
chancela do Congresso Nacional como condição para a produção
de efeitos na ordem jurídica interna.

EMENTA Direito constitucional e internacional público. Ação


direta de inconstitucionalidade. Decreto nº 2.100, de 20 de
dezembro de 1996. Denúncia da Convenção nº 158 da
Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Denúncia de tratado internacional por vontade exclusiva do
presidente da República. Necessidade de participação do
Congresso Nacional. Estado democrático de direito e princípio da
legalidade. Aplicação do entendimento fixado na ADC nº 39.
Improcedência do pedido. I. Caso em exame

(...)

7. Julgar procedente a presente ação, reconhecendo, por


consequência, a inconstitucionalidade do Decreto nº 2.100, de 20
de dezembro de 1996, significaria lançar luz à possibilidade de
invalidar todos os atos de denúncia unilateral praticados até o
momento em períodos variados da história nacional. Não se
pode desconsiderar tratar-se de um costume consolidado pelo
tempo e que, não tendo sido formalmente invalidado, vinha
sendo adotado de boa-fé e com justa expectativa de
legitimidade.

IV. Dispositivo e tese


8. Ação direta de inconstitucionalidade julgada improcedente,
com aplicação do entendimento fixado na ADC nº 39, mantendo-
se a validade do Decreto nº 2.100, de 20 de dezembro de 1996, e
realizando-se apelo ao legislador para que discipline a denúncia
dos tratados internacionais, prevendo a chancela do Congresso
Nacional como condição para a produção de seus efeitos na
ordem jurídica interna. Tese de julgamento (idem ADC nº 39): “A
denúncia pelo Presidente da República de tratados internacionais
aprovados pelo Congresso Nacional, para que produza efeitos no
ordenamento jurídico interno, não prescinde da sua aprovação
pelo Congresso”, entendimento aplicável desde a publicação da
ata de julgamento da ADC nº 39, mantida a eficácia das
denúncias realizadas até aquele marco temporal. _________
Dispositivos relevantes citados: CF/1988, arts. 49, inciso I, e 84,
inciso VIII, da Constituição Federal Jurisprudência relevante
citada: ADC nº 39, Rel. Min. Dias Toffoli, Tribunal Pleno, DJe de
18/8/23; ARE nº 766.618/SP, Tribunal Pleno, Rel. Min. Roberto
Barroso, DJe de 13/11/17; ADI nº 1.480/DF-MC, Tribunal Pleno,
Rel. Min. Celso de Mello, DJ de 18/5/01.
(ADI 1625, Relator(a): MAURÍCIO CORRÊA, Relator(a) p/ Acórdão:
DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 22-08-2024, PROCESSO
ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 23-10-2024 PUBLIC 24-10-2024)

4.8. Vigência, eficácia e aplicação do tratado no tempo.


- Vigência (art. 24): entra em vigor na data prevista ou outra acordada
entre as partes. Ex: mediante a condição suspensiva de depósito do
tratado.
 Contemporânea: o tratado entra em vigor imediatamente após o
consentimento definitivo. Os tratados bilaterais geralmente
cumprem sua eficácia após a ratificação.
 Diferida: a entrada em vigor no âmbito internacional depende de
uma vacatio legis. Os tratados multilaterais a vigência se inicia após
um prazo definido após um quórum de ratificações.
 Art. 25: possibilidade de entrada em vigor antes do consentimento
definitivo, desde que o próprio tratado assim disponha ou desde
que os Estados negociadores assim tenham acordado por outra
forma.
a) Brasil fez reserva do dispositivo.
- Exigência e efetividade.
 Entrada em vigor marca o início da exigibilidade.
 Ainda que determinado tratado disponha sobre direitos de pessoas
físicas, via de regram, não há exigibilidade direta aos Tribunais
internacionais.
- Duração dos tratados
 Vigência estática: perpétuos.
a) em regra, se o tratado dura por tempo determinado (vigência
dinâmica), não se admite denúncia a qualquer tempo,
diferentemente do tratado por tempo indeterminado.
- Aplicação no tempo e sucessão de tratados sobre a mesma matéria (art.
30).
 Regra da irretroatividade, salvo se decorre o oposto da
interpretação do tratado ou se expressamente afirma ser
retroativo.
a) Se as violações a direitos são de trato sucessivo, nada impede
que o tratado seja aplicado posteriormente.
 Art. 103, Carta da ONU: Em havendo conflito entre disposição de
tratado e a Carta, aplica-se a carta.
 Via de regra, lei posterior revoga anterior.
 No entanto, é possível que tratado anterior, ainda que da mesma
matéria, seja aplicável se compatível em parte com o tratado
posterior (art. 30, § 3º).
 Por outro lado, havendo incompatibilidade total, haverá a extinção
do anterior (art. 59, § 1º, b).
 Nos tratados multilaterais sobre a mesma matéria, mas que não
incluem todas as partes do tratado anterior, aplica-se a regra do art.
30, § 3º quanto as partes dos mesmos tratados.
 Caso a parte faça parte de apenas um dos tratados, aplica-se este,
seja anterior ou posterior (art. 30, § 4º).
- Suspensão dos tratados: sustação provisória dos efeitos do tratado,
estão as partes liberadas do seu cumprimento durante a suspensão. Deve
estar previsto no próprio tratado ou decorrer do seu objeto.
 Requisitos:
a) Previsão convencional (art. 57):
b) Não haja proibição ou seja incompatível com a natureza do
tratado
c) Não prejudique os demais estados.
d) Vontade de algumas partes (art. 58)
 Pode decorrer de violação substancial do tratado (art. 60)
a) Não é possível suspender/extinguir disposições sobre a proteção
da pessoa humana contidas em tratados de caráter humanitário
b) Tratados bilaterais: a violação por uma das partes autoriza a
suspensão.
c) Tratados multilaterais, possibilidades:
c.1) as demais partes podem suspender o tratado
c.2) Estado prejudicado suspende o tratado com o faltoso.
c.3) Qualquer estado suspende o Tratado, apenas se houver
mudança radical quanto ao cumprimento das obrigações.
- Extinção: fim da validade do tratado. Pode decorrer em razão do:
 Cumprimento espontâneo das suas disposições.
 Previsão convencional (art. 54)
 Vontade das partes (art. 54)
a) Anterior: próprio tratado determina a sua vigência – tratado
temporal.
b) Posteior:
b.1) tácita
b.1) Expressa
 A denúncia ou retirada é causa extintiva do tratado bilateral,
produzindo efeito ex nunc.
 Por conclusão de tratado anterior (art. 59): critérios de lei no tempo
 Por violação substancial do tratado (art. 60)
 Impossibilidade superveniente de cumprimento (art. 61)
a) Impossibilidade física: quando se verifica a inexistência do objeto
do tratado, como de uma das partes contratantes.
b) Impossibilidade jurídica: incompatibilidade da execução de um
tratado em relação a outro estado (1) ou em virtude do
antagonismo das estipulações da norma convencional com
outras regras internacionais vigentes (2)
(1) País A celebra tratado para cooperação militar com os
Estados B e C. Mas em virtude de guerra travada entre esses
dois estados, o país A se vê impossibilitado de cumprir o
tratado.
(2) País A celebra tratado com país B, mas com o país C, celebra
contrato inteiramente contrário ao disposto com B, ainda
que na vigência do tratado anteriormente concluído.
c) A impossibilidade deve ser definitiva, caso contrário será o caso
de suspensão do tratado.
 mudança fundamental das circunstâncias.
a) Requisitos:
a.1) mudança das circunstâncias tiver constituído condição
essencial para o consentimento das partes.
a.2) modificação radical no alcance e cumprimento das
obrigações.
b) Medida não pode ser invocada para extinguir o tratado se:
b.1) Tratado dispor sobre os limites entre dois países.
b.2) se a mudança decorrer de violação de lei ou ato praticado
pelo estado que alega a mudança.
 Guerra gera o rompimento dos tratados bilaterais.
 Rompimento das relações diplomáticas nos tratados bilaterais.
 Superveniência de norma de jus cogens (art. 62):

4.9. formas de relacionamento entre o direito internacional com


direito interno.
- Teorias que tratam exclusivamente dos tratados internacionais.
- Monismo (objetivista): para o monismo, o direito é um só, há apenas
uma ordem jurídica. A incomunicabilidade entre as normas é artificial.
 Dessa forma, a existência da norma, por si só, confere eficácia no
ordenamento do país contratante, logo, com a assinatura e a
ratificação os tratados já produzem efeitos jurídicos, sem que seja
necessária a transformação em uma lei interna.
 Os tratados se aplicam diretamente, sem qualquer recepção ou
transformação.
 Conflito de norma interna e tratado:
a) Monismo internacionalista (Kelsen): prevalece a norma
internacional.
b) Monismo internacionalista dialógico (direitos humanos): Se a
norma de direito internacional de direitos humanos for mais
favorável, aplica-se esta em detrimento da nacional.
c) Monismo nacionalista (Hegel): sempre prevalece a lei interna,
porque o tratado é um arranjo provisório, e o estado sempre
poderá exercer sua soberania. Fundamentos:
c.1) inexistência de uma autoridade supraestatal para dar
enforcement.
c.2) fundamento puramente constitucional dos órgãos
competentes para concluir tratados em nome do Estado,
obrigando-o no plano internacional.
d) Monismo moderado: parte da premissa de que o estado é livre
para cunhar no seu ordenamento o modo de resolução de
conflito das normas. Caso este critério resulte na preterição da
norma internacional, a negativa da vigência da norma (resolução
do conflito), poderá ser resolvida no plano internacional. Logo,
a norma interna não é inválida simplesmente por contrariar a
norma internacional.
e) Problema do monismo: só enxerga o direito a partir dos
tratados, e não dos costumes. Se aproxima de um direito estatal
externo, logo, o fundamento do direito internacional seria uma
norma interna.
- Dualismo (vonluntarista): alfred verdross.
 Há um só fundamento do direito internacional: a vontade do estado
e a sua soberania, pois o próprio estado cria o direito internacional
público.
 Não há diálogo entre o direito internacional e a o direito interno,
são dois sistemas distintos, mas ambos possuem mesma validade.
 Logo, não há conflito porque o direito internacional não interfere no
direito nacional.
 Os Estados são partes antecedentes ao direito internacional.
 A única forma de uma norma internacional aplicar-se no plano
nacional é a sua incorporação ao ordenamento jurídico interno, isto
é, pela anuência do próprio estado.
 Para o dualismo as fontes dos direitos internacional e interno são
independentes. Não há conflito entre norma interna e externa.
 Formas de dualismos:
a) Radical: juízes são obrigados a aplicar o direito nacional em
detrimento do internacional (Triepel)
b) Moderado: Em certos casos, o Direito Internacional pode ser
aplicado internamente pelos tribunais sem que tenha sido
recebido formalmente (Anzilotti).

 ADI 1480 para o STF, o Brasil adotou o dualismo moderado


interpretando os art. 49, I c/c art. 84, VIII, sendo necessária a
promulgação pelo chefe do executivo, a incorporação do tratado é
um ato subjetivamente complexo com atuação tanto do Presidente
como do Congresso Nacional. Vejamos:

Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:


I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos
internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao
patrimônio nacional;

Art. 84.

(...)

VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a


referendo do Congresso Nacional;
c) Apesar da CF restringir a anuência do Congresso às hipóteses de
compromissos gravosos ao patrimônio nacional, para o STF, a
anuência do Congresso é uma tradição do Constitucionalismo
brasileiro.
c.1) Nesse sentido, a Doutrina da Conjugação das Vontades de
Francisco Rezek. Lembrar: tripartição dos poderes.
c.2) críticas à posição do STF:
c.2.1) Se ambos os sistemas são contrapostos, conflitantes
(internacional e nacional), um deles, inevitavelmente, será
não jurídico. Mazzuoli.
c.2.2) Costumes não precisam ser internalizados para serem
incorporados, e nem por isso deixam de ser cumpridos. Nesse
sentido, o STF não nega a eficácia dos costumes
internacionais apesar da omissão do CF.
d) Decisão do STF:

É na Constituição da República - e não na controvérsia


doutrinária que antagoniza monistas e dualistas - que se deve
buscar a solução normativa para a questão da incorporação
dos atos internacionais ao sistema de direito positivo interno
brasileiro. O exame da vigente Constituição Federal permite
constatar que a execução dos tratados internacionais e a sua
incorporação à ordem jurídica interna decorrem, no sistema
adotado pelo Brasil, de um ato subjetivamente complexo,
resultante da conjugação de duas vontades homogêneas: a
do Congresso Nacional, que resolve, definitivamente,
mediante decreto legislativo, sobre tratados, acordos ou atos
internacionais (CF, art. 49, I) e a do Presidente da República,
que, além de poder celebrar esses atos de direito
internacional (CF, art. 84, VIII), também dispõe - enquanto
Chefe de Estado que é - da competência para promulgá-los
mediante decreto. O iter procedimental de incorporação dos
tratados internacionais - superadas as fases prévias da
celebração da convenção internacional, de sua aprovação
congressional e da ratificação pelo Chefe de Estado - conclui-
se com a expedição, pelo Presidente da República, de
decreto, de cuja edição derivam três efeitos básicos que lhe
são inerentes: (a) a promulgação do tratado internacional;
(b) a publicação oficial de seu texto; e (c) a executoriedade
do ato internacional, que passa, então, e somente então, a
vincular e a obrigar no plano do direito positivo interno.
Precedentes. (ADI 1480 MC, Relator(a): CELSO DE MELLO,
Tribunal Pleno, julgado em 04/09/1997, DJ 18-05-2001 PP-
00435 EMENT VOL-02031-02 PP-00213)

 Nesse sentido, para uma segunda corrente, eventual não


promulgação pelo Brasil de determinado tratado internacional pode
ser entendido como questão mera “questão de direito interno”, não
sendo possível ser alegada para negar a eficácia de tratados
internacionais pelo qual o próprio Estado se obrigou a cumprir.
 Lembrar: para a doutrina dos direitos humanos, as questões
relacionadas ao direito federal ou normas de direito interno são
compreendidas como mero fato. Logo, se há ratificação conforme o
disposto na norma internacional, não pode o Estado brasileiro negar
a eficácia da norma de direitos humanos sob o fundamento da
ausência do aval do Congresso.

4.10. Outras questões sobre tratados.


- Estado não pode inovar no direito interno para descumprir tratado, salvo
se a regra dispõe sobre a competência para concluir tratados.
- Acordos executivos “executive agreements” não criam obrigações
onerosas para os Estados e independem de ratificação pelo Congresso
Nacional.
- Na superveniência de lei formal que trate da matéria do tratado, este
será suspenso, não derrogado.
- Os tratados concluídos por membros da ONU devem ser publicados e
registrados pelo secretariado para serem válidos.

SUJEITOS DO DIREITO INTERNACIONAL.

1. Introdução
- A personalidade internacional pressupõe: “ius tratratum” (capacidade de
realizar tratados) e “ius legationis” (capacidade de relacionar-se
institucionalmente).
 Estados: sujeitos primários
 Organizações internacionais/organizações intergovernamentais são
sujeitos secundários.
 Santa sé/Vaticano.
 Insurgentes e beligerantes reconhecidos.
 Cruz vermelha:
 Indivíduo. Atribuição como sujeito decorre da evolução setorial do
direito internacional em relação aos direitos humanos.
- Santa-sé: papa + cúria romana. Sujeito de direito internacional, é a
entidade que comanda a igreja católica. Já o vaticano, serve de aporte
territorial para santa-sé.
 A santa Sé é sujeito de direito internacional em virtude de um
costume.
 É considerada entidade estatal anômala pelo fato de não ter seus
próprios nacionais.
 Parte da doutrina considera que o vaticano não é um estado.
- Insurgentes e beligerantes: diferença entre os dois é de grau.
 Beligerantes estão mais próximos de um governo central por meio
de um exército paramilitar, logo, visam a conquista do poder
através da criação de um novo ente estatal. Além disso, existe um
regime consuetudinário entre o grupo de beligerantes, enquanto
que os insurgentes não. Ex: Hamás, Al Kaeda.
 Os insurgentes são uma revolta armada de menor proporção. O
estado que os reconhece não responde internacionalmente pelos
atos praticados pelo grupo. Todos se obrigam, entretanto, pelo
direito humanitário e pelo direito da guerra.
 O reconhecimento do grupo beligerante/insurgente depende de
manifestação do estado.
 ETA não é insurgente porque é separatista, busca se opor ao
governo.
- Cruz vermelha:
 Possui personalidade jurídica de direito internacional.
 é considerado crime de guerra atentar contra as pessoas que
trabalham para a Cruz Vermelha ou usar falsamente seus símbolos
 Natureza jurídica:
a) 1ª corrente: entidade privada constituída sob as leis suíças. Parte
da doutrina, entretanto, a coloca como sujeito de direito
internacional público, com capacidade limitada de celebrar
tratados.
b) ACR atenta para o fato de o direito de Genebra (convenções e
protocolos) lhe fazer expressa remissão, sobressaindo, desta
feita, sua natureza jurídica híbrida de instituição neutra e
protetora entre os combatentes.
c) natureza jurídica desse acordo é, obviamente, de um tratado.
Nesse sentido, SHAW (958) a denomina como “associação
internacional não governamental”.
d) Por outro lado, o fato de possuir acordo de sede e imunidades a
aproxima de uma organização
 Atuação.
a) isitar prisioneiros, organizar operações de socorro, reunir
familiares separados e realizar atividades humanitárias
semelhantes durante conflitos armados
b) atuam em países em conflito internacional ou países em que há
conflito nacional, mas com graves violações de direitos
humanos.
 Princípios fundamentais:
a) Humanidade - socorre, sem discriminação, os feridos no campo
de batalha e procura evitar e aliviar os sofrimentos dos homens,
em todas as circunstâncias;
b) Imparcialidade - não faz nenhuma distinção de nacionalidade,
raça, religião, condição social e filiação política;
c) Neutralidade - para obter e manter a confiança de todos,
abstém-se de participar das hostilidades e nunca intervém nas
controvérsias de ordem política, racial, religiosa e ideológica;
d) Independência - as Sociedades Nacionais devem conservar sua
autonomia, para poder agir sempre conforme os princípios do
Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente
Vermelho;
e) Voluntariado - instituição de socorro voluntário e
desinteressado;
f) Unidade - só pode haver uma única Sociedade Nacional em um
país;
g) Universalidade - instituição universal, no seio da qual todas as
Sociedades Nacionais têm direitos iguais e o dever de ajudar
umas às outras.

2. O ESTADO NO DIREITO INTERNACIONAL


- Paradoxo: Direito internacional serve para limitar o Estado na ordem
internacional ao mesmo tempo que o tem como sujeito.
- Classificação:
 Simples: plenamente soberanos.
 Compostos:
a) Por coordenação: associação entre estados soberanos. Estados
e União federal.
b) Por Subordinação: não estão em pé de igualdade. Ex: Estados
vassalos, protetorados e Estados clientes.
b.1) Protetorado e Estado protegido: no primeiro caso, o
protetorado estabelece um acordo com o Estado protetor, que
garante sua personalidade jurídica, mas não constitui
propriamente um Estado diverso. No segundo, o Estado
protegido mantém status de Estado distinto.
- Ente formado por povo, território e soberania;
- Povo: conjunto de nacionais, ou seja, são aquelas pessoas ligadas ao
estado pela nacionalidade, e não se confunde com população.
 População é um conceito meramente demográfico: o conjunto de
pessoas que habitam um determinado território.
 É preciso que haja população permanente, mas não é necessário
que toda a população permaneça fixa no território.
- Território: espaço físico sobre o qual o estado exerce a soberania.
 Estrito: abrange apenas o solo e as águas interiores, (lato-sensu)
mas o estado também exerce sua soberania sobre o mar territorial
e o espaço aéreo.
a) Para Cansado Trindade, não é possível considerar o território
abstraindo as populações locais. Não se trata de um critério
meramente formal.
b) Elementos que levam a desconsiderar o critério exclusivamente
territorial do Estado no direito internacional: mudanças
tecnológicas e econômicas, preocupações transnacionais –
direitos humanos e a autodeterminação –, aumento do papel
das organizações internacionais, bem como a ideia da existência
de um patrimônio comum da humanidade.
 Sobre o território, o estado exerce a jurisdição geral e exclusiva
a) Geral: funções executiva, legislativa e judiciária
b) Exclusiva: o faz com a exclusão de qualquer outro poder.
 Teoria do interesse da função: as embaixadas e consulados
possuem imunidades e prerrogativas para garantir as suas funções,
não constituem território do Estado acreditante no Estado
acreditado.
 Aquisição e perda de território:
a) Aquisição:
a.1) descoberta: descoberta da “res nullius” (terra de ninguém),
e ocupação da terra derelictea. No caso “ilhas palmas”, tribunal
arbitral disse que a efetiva ocupação prevalece sobre a
descoberta.
a.2) conquista: é vedada pelo direito internacional (art. 11 da
convenção de montevideu)
a.3) cessão (transferência de um estado para outro): que pode
ser onerosa ou gratuita.
a.4) negociações internacionais.
a.5) adjudicação: atribuição de um território por um tribunal
internacional.
a.6) secessão: independência de parte de um território outrora
existente. Relacionado ao direito de autodeterminação. Ocorre
em casos excepcionais.
a.6) Ocupação efetiva – princípio uti possidetis iuris. Estado
exerce controle efetivo. Mais aceita.
a.6.1) Doutrina das efetividades: não basta a posse, deve
demonstrar domínio efetivo sobre a área.
b) Perda:
a.1) descoberta: descoberta da “res nullius” (terra de ninguém),
e ocupação da terra derelictea. No caso “ilhas palmas”, tribunal
arbitral disse que a efetiva ocupação prevalece sobre a
descoberta.
a.2) conquista: é vedada pelo direito internacional (art. 11 da
convenção de montevideu)
a.3) cessão: que pode ser onerosa ou gratuita.
a.4) negociações internacionais
a.5) adjudicação: atribuição de um território por um tribunal
internacional.
 Delimitação territorial/fronteiras: é a linha divisória entre dois
estados. A fronteira em si é a área próxima ao limite. Os limites
entre dois Estados podem ser:
a) Naturais: rios, serras.
b.1) Rios internacionais: há interesse de mais de um Estado
sobre ele. Convenção de Helsinque.
b) Artificiais: linhas geodésicas: paralelos e meridianos.
c) Princípio do uti possidetis: quem possui deve continuar
possuindo. O princípio tem a função de “cristalizar” os direitos
territoriais vigentes no momento da independência. Decorre da
definição das divisões administrativas definidas pelo império na
época da colonização, há uma intangibilidade das fronteiras
herdadas na colonização.
 O que explica a relação entre o estado e território?
a) Dominium: estado exerce direito de propriedade.
b) Imperium (coerção). Majoritária.
 Soberania é um elemento do estado, é o poder que faz com que o
estado tenha supremacia internamente, e independência e
igualdade com os demais estados na ordem internacional.
a) Governo e soberania: a soberania não é inerente à ideia de
estado, mas é um arranjo político-jurídico como uma opção de
sistema de organização de estados, isso acontece na europa do
séc. XVII. Os dois tratados da vestfália, corporificam essa opção
após a guerra dos 30 anos.
b) Ao mesmo tempo, na baixa idade média, o sacro império
romano germânico busca a independência do poder secular da
Igreja, afirmando que o seu imperador é o sucessor legítimo de
Roma.
c) Com a realidade dos estados nacionais independentes do poder
secular, a igreja reage, e começa a construir uma teoria para
haver uma subordinação dos chefes de estado ao papa.
d) Nesse sentido, França e Inglaterra, ao fazerem as pazes,
preocupam-se em evitar que naquele sistema europeu de
estados houvesse subordinação jurídica de um estado sobre o
outro. A formula encontrada foi: a desigualdade fática é anulada
pelo direito, isso é soberania.
 Problema dos microestados: microestado é aquele que tem o
território minúsculo, com população pequena, e destituído de
algumas prerrogativas soberanas. Ex: Andoha, Mônaco,
Listensteing, os estados não possuem um exército, por exemplo. O
que prevalece é que eles são estados, a maior prova disso é que
todos eles fazem parte da ONU.
- Alguns autores acrescentam o elemento teleológico: o bem comum.
- A convenção de Montevideo afirma que o outro elemento do estado é a
capacidade de se relacionar com outros estados
- Estado é diferente de nação:
 Nação: conjunto de vínculos éticos, sociológicos, históricos e
linguísticos.

2.1. Reconhecimento do Estado e do Governo.


- Não basta o aspecto formal – ex: separação da população – deve haver o
reconhecimento.
- Natureza jurídica do reconhecimento.
 Ato declaratório (Scelle e Aciolly, Beviláqua): efeitos ex-tunc. Surge
com o reconhecimento da personalidade. Não precisa ser
reconhecida para só assim praticar atos de estado. Majoritária.
 Ato constitutivo (Openheim, Jellinek, Triepel, Kelsen): só é
considerado Estado e pratica atos de Estado após seu
reconhecimento por outros Estados. Problema: atos anteriores são
inválidos. Efeitos ex-nunc.
- Reconhecimento de estado: é o ato unilateral e discricionário pelo qual
o estado reconhece o surgimento de outro na sociedade internacional.
Pode ser expresso ou tácito

O reconhecimento de um Estado apenas significa que aquele que o


reconhece aceita a personalidade do outro com todos os direitos e
deveres determinados pelo Direito Internacional. O reconhecimento é
incondicional e irrevogável.

 Pode ser expressa ou Tácita: quando manda um embaixador, por


exemplo.
 Do reconhecimento do Estado não decorre o reconhecimento do
Governo nem o reconhecimento do Estado é elemento constitutivo
de um Estado.
 Pode ser individual (apenas outro estado o reconhece), ou coletivo,
quando há autorização de entrada de um novo Estado na ONU.
 características:
a) Ato unilateral
b) Declaratório: pois não cria o estado. Não constitutivo. A
existência política de um determinado estado independe do
reconhecimento (art. 3º, convenção de Motevidéu).
c) Retroativo: gera efeitos a partir do instante em que o Estado se
forma.
d) Discricionário
e) Incondicional
f) Irrevogável (art. 6º, convenção de montevideu)
- Reconhecimento de governo:
 ato unilateral pelo qual um estado reconhece ou declara um novo
governo de outro estado.
 Somente ocorre em rupturas institucionais, alterações bruscas de
regime político, a simples sucessão de governos via sistema
democrático não decorre do reconhecimento.
 Consequências: se não reconhecido, não pode praticar atos em
nome do Estado.
 O governo surge quando não há uma previsão constitucional, por
exemplo.
 características:
g) Ato unilateral
h) Declaratório:
i) Discricionário
j) Incondicional
k) Irrevogável (art. 6º, convenção de montevideu)
 A doutrina sempre menciona duas teorias:
a) Doutrina tobar (aprovação popular): só ocorre com aprovação
popular.
b) Doutrina estrada: o reconhecimento do governo é uma
intervenção indevida nos negócios internos de outro estado.
c) Democracia como critério de legitimidade (protocolo de
Ushuaia): elemento fundamental para um projeto de integração
regional e gozo de direitos pelo Estado. As decisões são tomadas
por consenso, e não por maioria.
d) Atualmente há uma combinação das duas doutrinas na prática
internacional, ou seja, os estados adotam com parcimônia esses
institutos, e aguardam se o governo novo é efetivo.
- Formação dos estados
 Fundação direta: era o principal meio de formação de estados da
antiguidade.
 Emancipação: se dá quando uma colônia se torna independente de
sua metrópole.
 Separação e desmembramento: uma parte do estado se separa e se
torna um novo estado. Ex: cesseção em um estado federal. Ex: ex
Iugoslávia.
 Fusão: dois estados se unem formando um só.
- Sucessão de estados: extinto o Estado, qual será o regime jurídico
aplicável? De quem será a responsabilidade pelas dívidas, bens, arquivos
etc?
 Princípio da continuidade do Estado e respeito das obrigações
anteriormente contratadas.
 Questões tratadas na sucessão:
a) Tratados: o sucessor continua parte nos tratados. Tratados que
estabelecem fronteiras ou obrigações e direitos estabelecidos
por um tratado e que se refiram a um regime de fronteira.
a.1) Todavia, nos tratados multilaterais, deve o sucessor notificar
os outros Estados para que o aceite.
a.2) Nos tratados de direitos humanos a sucessão é automática
(caso Bósnia e Herzegovina v. Iugoslávia)
a.3) Havendo a dissolução de um Estado em vários outros, se
total, os novos Estados têm direito de continuar como parte nos
tratados. Se parcial, permanecem em vigor apenas os tratados
referentes a parte do território não desmembrado.
b) Bens: princípio do consenso. Proporcionalidade. Fica com os
bens situados no território desmembrado. Não pode atingir
direito de terceiros.
c) Arquivos: caso não haja acordo, fica com os arquivos que se
situam no seu território.
d) Dívidas: doutrina em um primeiro momento afirmava que a
dívida se transferia pro rata, sob orientação de que a sucessão
não pode prejudicar credores. Posteriormente, disse que, salvo
tratado, não há obrigação do Estado sucessor, salvo as dívidas
que beneficiam partes localizadas no território cedido.
d.1) Dívidas de Estado # dívidas de regime: Estado – interesse
geral. Regime – interesse do governo.
d.2) Os países descolonizados não estão vinculados às dívidas
anteriores. Teoria da tábula rasa (clean state).
e) Nacionalidade: o Estado que transferiu parte do território deve
respeitar o desejo dos nacionais em permanecerem com a
nacionalidade anterior.
f) Direitos adquiridos: permanecem. Ex: não pode o novo Estado
expropriar a propriedade privada dos nacionais.
g) Participação em organizações: deve solicitar o ingresso.
 Fusão: O novo estado sucede o anterior nos tratados, bens e
dívidas.

2.2. Direitos e deveres dos Estados


2.2.1. Direitos.
- Conservação e defesa: todo o estado tem o direito a proteger o seu
território.
 Nesse sentido, o estado tem direito a legitima defesa nos termos da
carta das nações unidas, até uma decisão do conselho de segurança
da ONU.
- Liberdade: estado não pode sofrer injunções de outros estados, tais
como o cumprimento de ordens. A liberdade é uma decorrência da
soberania.
- Igualdade: o estado se coloca em posição isonômica em relação aos seus
pares na sociedade internacional.
- Direito ao comércio internacional.
- Autodeterminação dos povos.
 Art. 1º, § 2º CNU
 Caso Portugal Vs. Austrália, Parecer Consultivo sobre a
Independência de Kosovo: deve ser respeitada a autodeterminação
quando a comunidade que pretende se tornar independente sem o
uso ilegal da força.
 Princípio Lótus: os atos praticados pelos Estados não devem
ultrapassar os limites que o direito internacional estabelece sobre
sua jurisdição; dentro desses limites, sua atribuição de exercê-la
repousa em sua soberania. Princípio Lótus Vs. Princípio da
integralidade territorial.
 Para doutrina minoritária (Cançado Trindade e André Carvalho
Ramos): violação grave e sistemática de direitos humanos
legitimaria a autodeterminação dos povos.

2.2.2. Deveres.
- Morais:
 Dever de assistência mútua.
- Jurídicos: decorrentes das normas internacionais.
 Não intervenção: a nenhum estado é dado intervir em negócios
internos de outro (Convenção de Montevideu).
a) Doutrina Monroe: “américa para os americanos”, nenhuma
potência tem o direito de intervir nos assuntos internos de
outros países.
b) Doutrina drago: nenhum estado pode promover uma
intervenção armada para cobrar dívidas. Doutrina não nega a
existência da dívida, só afirma que o meio de cobrança coercitivo
é ilegal.
b.1) Doutrina/convenção Porter: possibilidade de uso da força
se: 1) Estado devedor não aceitar arbitragem como forma de
solução; 2) caso aceite-a, se recuse a cumprir a sentença.
b.2) Doutrina afirma que a convenção está revogada quanto a
isso pois confronta com a proibição genérica de uso da força nas
relações internacionais.
b.3) O dever de não intervenção não afasta a possibilidade da
ONU intervir se o estado membro viola persistentemente os
princípios da carta das nações unidas. Logo, segundo a doutrina,
uma ORG pode intervir nos assuntos internos de um Estado
soberano, se tal competência lhe foi atribuída.
c) Responsibility of protect (r2p): intervenção humanitária =
possibilidade de intervenção na hipótese de grave violação de
direitos humanos.
c.1) Surge na década de noventa após os ataques da OTAN com
o intuito de cessar as violações de direitos humanos no Kosovo.
Discutiu-se a possibilidade de uma intervenção estrangeira para
fazer valer os direitos humanos.
c.2) Há o dever da comunidade internacional na proteção do
Estado vítima de crimes de guerra, genocídio, crimes de lesa
humanidade.
c.3) Os motivos da intervenção devem ser íntegros/legítimos.
c.4) A ONU adotou a tese da possibilidade de intervenção com o
fim de fazer cessar as violações aos direitos humanos, lançando
os seguintes enunciados:
c.4.1) “todo o estado tem a obrigação primária de proteger os
direitos humanos de seus nacionais.”,;
c.4.2) “caso o estado falhe nesta obrigação primária, surge a
obrigação da sociedade internacional de proteger esses direitos
humanos”.
c.5) a intervenção humanitária deve ser sempre:
c.5.1) ultima rattio. Deve primeiro lançar mão dos recursos
diplomáticos.
c.5.2) deve ser proporcional dos meios utilizados.
c.5.3) Deve haver adequação das consequências.
c.5.4) deve ser sempre de acordo com a carta das nações
unidas.

1. Indivíduo na ordem internacional.


- Doutrina tradicional afirma que nem os indivíduos nem as empresas são
sujeitos de direito internacional.
- No entanto, há um papel crescente do indivíduo no plano internacional.
o modelo de Vestfália está cada vez mais insustentável.
- Há doutrina, a exemplo de Marcelo Varella, que propõe a expressão
“Atores internacionais”, mais ampla do que sujeitos de direito
internacional.

IMUNIDADES ESTATAIS E DIREITO DIPLOMÁTICO.

1. IMUNIDADE ESTATAL
- Conceito: é a impossibilidade do estado exercer a sua jurisdição sobre
outro ou contra ele exercer atos constritivos.
- Fundamento: regra costumeira “par in parem non habet iudicium”, iguais
não podem julgar uns aos outros.
 Todavia, doutrina e a jurisprudência evoluíram para instituir a
distinção entre atos de império e os atos de gestão, percebeu-se
que o Estado, por diversas vezes, atua como se particular fosse.
a) Atos de gestão: contrato de locação, compra e venda,
contratação pela CLT etc.
b) Alemanha Vs. Itália com intervenção da Grécia: violação de
direitos humanos não excepciona a regra da imunidade estatal
por atos de império.
- É possível a renúncia à imunidade de jurisdição; mas esta não implica em
renúncia de execução, sendo preciso uma nova renúncia.
 Entendimento se aplica às organizações internacionais cujo tratado
prevê esta imunidade.
 A distinção entre atos de império e atos de gestão é reconhecida
pelo STF Aci 9696.
 A imunidade de execução é absoluta STF ACO 543-SP, não se
aplicando a distinção entre atos de império e atos de gestão na
execução. Nesse caso, o estado estrangeiro deve renunciar a
imunidade de execução para que a decisão seja executada no brasil.
 Em havendo imunidade estatal, o juiz não pode se declarar
prevento, primeiro deve oficiar ao estado estrangeiro para
renunciar a imunidade (STJ, Ag 1118724).
 Caso contrário, se promovida ação contra Estado estrangeiro para
questionar ato de império, deverá esta ser imediatamente extinta
por ausência de jurisdição.
 Quando for uma relação de trabalho, será julgada pelo juiz de
primeiro grau da justiça do trabalho, art. 114, CF.
 Para o STJ, a imunidade em tempos de guerra é absoluta, isto é,
mesmo as questões de natureza civil, comercial, são abarcadas pela
imunidade.
 Por outro lado, disse o STF em REPERCUSSÃO GERAL que “Os atos
ilícitos praticados por Estados estrangeiros em violação a direitos
humanos não gozam de imunidade de jurisdição”.

STF (RE 578.543): “(…) 1. Segundo estabelece a ‘Convenção sobre Privilégios e


Imunidades das Nações Unidas’, promulgada no Brasil pelo Decreto 27.784, de
16 de fevereiro de 1950, ‘A Organização das Nações Unidas, seus bens e
haveres, qualquer que seja seu detentor, gozarão de imunidade de jurisdição,
salvo na medida em que a Organização a ela tiver renunciado em
determinado caso. Fica, todavia, entendido que a renúncia não pode
compreender medidas executivas’. 2. Esse preceito normativo, que no direito
interno tem natureza equivalente à das leis ordinárias, aplica-se também às
demandas de natureza trabalhista. 3. Recurso extraordinário provido”.

- Imunidade tributária.
 Abarca impostos e taxas, exceto as taxas decorrentes de serviços
individualizados e específicos.

1.1. Imunidade estatal no direito brasileiro


- Competência das autoridades brasileiras para julgar estados: se de um
lado tiver um estado ou organização internacional, e do outro, município
ou pessoa domiciliada no brasil, a competência é da JF (art. 109, II).
 Neste caso, cabe recurso ordinário direto para o STJ.
- Se de um lado estiver estado estrangeiro ou organismo internacional, de
outro o estado ou união, a competência é do Supremo tribunal federal.

1.2. Imunidades das ORGs


- O direito costumeiro das imunidades estatais não é aplicado às ORGs. Em
face da regra “par in parem non habet iudicium”, as organizações não são
iguais aos estados.
- No entanto, haverá imunidade das organizações se o tratado constitutivo
da entidade assim as conceder. Decidiu o STF que a imunidade das
organizações internacionais que decorre de tratados é absoluta RE
578543-MT.

DIREITO DIPLOMÁTICO.
1. INTRODUÇÃO.
- Trata sobre os agentes diplomáticos: responsáveis pela representação
em assuntos de direito público e interesse do estado.
- No Brasil, para ser diplomata, tem que ser brasileiro nato. Art. 12, § 3º, V
(CACD);
- Para chefe de missão diplomática, é preciso aprovação do Senado
Federal.
- Chefe das missões diplomáticas não necessitam de apresentação
instrumento de plenos poderes para firmar tratados.
- Fundamento: princípio da não ingerência nos assuntos internos e
igualdade soberana entre as nações e princípio da reciprocidade.
 “par in parem non habet imperium vel judicium”.
 Art. 2º CVRD: princípio do consentimento mútuo, tanto pelo estado
que envia como pelo estado que recebe.

2. Missão diplomática – art. 1º


- É formada por três categorias:
 Pessoal diplomático: atuam na função de diplomacia.
 Administrativo e técnico:
 Pessoal de serviço: serviço doméstico da missão.
- Finalidades da missão diplomática (art. 3º):
 Representar o estado acreditante (envia a missão diplomática),
perante o estado acreditado (que recebe).
 Proteger no Estado acreditado o interesse do estado acreditante.
 Negociações.
 Promover relações amistosas entre os estados.

3. Direito de Legação
- Direito de enviar e receber diplomatas. APENAS gozam deste direito as
pessoas de direito internacional público.
- Legação é a sede de tôda missão diplomática ordinária, a residência dos
chefes de missão, e os locais por êles destinados para êsse efeito, quando
o número de asilados exceder a capacidade normal dos edifícios.
- Pode ser ativo (enviar) e passivo (receber).
- O exercício do direito de legação é discricionário, envia ou recebe se
quiser.
- Unidade da federação não possui direito de legação, apenas a União,
mas cabe ao direito constitucional de cada país admitir tratamento
distinto.
- Missão pode ser permanente ou temporária:
 Permanente: depende da aceitação do Estado acreditado.
a) Nada impede que o Estado, com o aval do Estado acreditado,
instale mais de uma missão permanente.
b) Situação distinta é a acreditação dupla: a missão instalada em
determinado Estado responde pela representação em mais de
um Estado. ex: a embaixada do Brasil em Bankok atende à
Tailândia, Camboja e Mianmar.
c) Já a representação comum é quando dois Estados são
representados perante um terceiro sob uma mesma missão. Ex:
Servia e Montenegro são representadas nos EUA sob a mesma
embaixada.
 Temporária: possui objetivo de se relacionar com outros Estados
para o exercício de uma tarefa específica e determinada.
a) Neste caso, a concessão de privilégios e imunidades é uma
faculdade do estado acreditado.

4. art. 4ª – agrément/agreement.
- Aceitação do chefe da missão pelo estado acreditado.
- É discricionário.
- O estado acreditado não fica obrigado de deduzir os motivos da recusa.

5. Extinção da missão.
- Ruptura das relações diplomáticas.
- Perda da personalidade jurídica internacional.
- Não-reconhecimento do governo nos casos de ruptura institucional.
- Supressão: extinção por motivos financeiros.

6. Privilégios e imunidades.
- Persona non grata (art. 9º): quando a autoridade não é bem vista pelo
estado acreditado. Ex: Fernando Gabeira não pode ir nos EUA porque
sequestrou embaixador americano durante a ditadura no Brasil.
- Conceito: hipóteses de exclusão da ordem jurídica do estado acreditado.
Não são de titularidade do membro da missão, mas do cargo que ocupa.
Se baseiam na teoria do interesse da função.
- Categorias – deve identificar a categoria do membro da missão,
diplomata tem privilégios que o pessoal administrativo não possui, por
exemplo. Dividem-se em Imunidades de jurisdição, Inviolabilidades,
Isenção tributária.
- Imunidades:
 Diplomatas:
a) Penal: não podem ser réus em ações penais no Estado
acreditado, ainda que lá praticados os crimes, trata-se de
exceção à territorialidade.
b) Civil. não podem ser réus em ações civis no estado acreditado.
Exceções:
b.1) imóveis particulares que não o residencial,
b.2) causas sucessórias,
b.3) reconvenções e ações referentes a profissionais liberais e
atividades comerciais – art. 31).
c) Processual: Liberação de depor como testemunha.
 Do pessoal de serviço (corpo diplomático):
a) Possuem as imunidades dos agentes diplomáticos, mas são
limitados aos atos de ofício.
b) A imunidade não se estende aos familiares.
 Familiares que vivam com o diplomata gozam das inviolabilidades
quanto a prisão e aos direitos aduaneiros, taxas e direitos conexos,
desde que não sejam nacionais do Estado acreditado.
 No entanto, os familiares dos agentes administrativos que
trabalhem junto À diplomacia não gozam de imunidade.
- Inviolabilidades:
 Locais da missão (imunidade real), é imune ainda que munido de
mandato judicial, calamidades etc. Nada impede que o Estado
acreditante se valha do local da missão para conceder asilo político.
a) O estado acreditado deverá facilitar a instalação da missão no
seu território, mas não deve doar o local da missão.
 Documentos da missão, os arquivos, correspondência, e a mala
diplomática. (art. 22, 24, 27, 36, § 2);
- Isenção tributária (art. 34). Exceções:
 Imóveis particulares que não residencial,
 Causas sucessórias a título social,
 Tributos indiretos,
 Tarifas de serviços públicos,
 Rendimentos privados sobre o capital.
- Obs:
 Imunidades só se aplicam no estado acreditado, não se aplica ao
seu país de origem.
 Não há imunidade trabalhista se estado acreditante contrata
nacionais no estado acreditado.
 Art. 32: renúncia à imunidade pode ser feita pelo estado
acreditante, o membro da missão não pode fazê-lo unilateralmente.
Ver HC 149.481-DF. Os atos praticados até a renúncia serão
convalidados.
 Os criados não ficam obrigados a pagar contribuição para
seguridade social, exceto se não for nacional do Estado acreditado,
isto é, via de regra, são protegidos pela previdência do Estado
acreditante.
- Praticados crimes de jus cogens no interior de missões diplomáticas, é
possível limitar o direito à inviolabilidade da missão?
 Em princípio poderia se imaginar que a inviolabilidade é absoluta.
 No entanto, segundo Malcom Shaw, há um dever do estado
acreditado em proteger o local da missão, além disso, a missão não
deve ser utilizada de maneira incompatível com as suas funções.
 CIJ disse no julgamento do caso sobre o pessoal diplomático e
consular dos Estados Unidos no Teerã que, a despeito do fato não
ser imputado ao Irã, o estado não é livre de responsabilidade, ou
seja, na hipótese da prática de ilícitos contra o Estado acreditante, o
estado acreditado deve responder se não deu suporte à missão
diplomática.

DIREITO CONSULAR.

1. FUNCIONARIOS CONSULARES:
- Representam os Estados nos assuntos privados dos seus nacionais.
- Funciona como uma espécie de cartório que dá registro a atos civis.
- O estabelecimento de relações diplomáticas implica/pressupõe o de
relações consulares, porém, a ruptura de relações diplomáticas, salvo
manifestação em contrário, não implica ruptura das relações consulares.
- O Estado que envia é o estado de envio, quem recebe é o receptor.
- Repartição consular/consulado # distrito consular/jurisdição consular.
 Distrito: região que abrange a competência da repartição consular,
isto é, onde exerce sua jurisdição. Ex: para fins consulares, os EUA
divide o Brasil em 4 regiões.
 Repartição consular: local onde funciona o consulado.
- Tipos de carreira consular:
 De carreir/missi: somente podem ser recrutados no estado de
envio. Ex: Brasil promove concurso para trabalhar no consulado do
Teerã.
 Honorários/temporários: recrutados no estado receptor. Pessoa
que pode dar apoio ao estado de envio. EUA contrata ASG no Brasil.
- Nomeação: o estado de envio remete carta-patente para que o cônsul
exerça suas funções no estado receptor, ao passo que o Estado receptor
promove a aceitação através de exequatur.

2. Funções.
- Proteger os interesses do estado que envia e de seus nacionais.
- Fomentar o desenvolvimento das relações entre os estados.
- Informar-se sobre o Estado Receptor.
- Expedir documentos de viagem
- Prestar ajuda e assistência aos nacionais do estado de envio.
- Ser notário e oficial de registro civil.

3. Privilégios e imunidade.
- Imunidades:
 Penal e civil relativa: se restringem aos atos de ofício. Cônsules
podem ser presos por fatos graves.
- Isenção tributária:
 exceto:
a) Impostos indiretos
b) Impostos e taxas sobre bens privados do cônsul.
c) Impostos de sucessão e transmissão
d) Impostos e taxas sobre bens e rendas particulares.
e) Registro, taxas judiciárias, hipoteca, selo, etc.
- Inviolabilidade:
 Pessoa, residência, bagagem, comunicações, veículo, arquivos,
documentos.
 Liberação para depor como testemunha é relativa, não é aplicável
aos crimes praticados fora do exercício da função.
- Restringem-se aos atos de ofício. Não se estendem à família.
- As repartições consulares são dotadas de inviolabilidade.
 Mas a residência do cônsul não possui imunidade.
- Os arquivos e documentos tem imunidade absoluta.
- A imunidade tributária dos consulados, ao contrário das embaixadas,
não será automática e depende de acordo entre o Estado de envio e o
receptor.
- Os funcionários do consulado não precisam de visto.
- O direito à assistência consular nos casos de indivíduos privados da
liberdade pertence ao próprio indivíduo ou ao Estado acreditante?
 Assistência consular visa assegurar o eficaz desempenho das
funções das repartições em nome de seus Estados.
 Mas para a CtlDH na opinião consultiva nº 16/69, entende que o
titular é o indivíduo.
 A CIJ no caso “LaGrande” (Alemanha Vs. EUA), entendeu que a mera
ausência de notificação consular já acarreta a responsabilidade
internacional do Estado, por se tratar um direito individual do
cidadão.

ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS.

2. CONCEITO
- É O ENTE formado por estados, baseado por tratado multilateral, com
órgãos permanentes, personalidade jurídica internacional, e com
finalidades específicas.
 A personalidade jurídica internacional secundária/derivada. Isso
porque os estados têm personalidade jurídica primária.
 O tratado constitutivo pode ser uma carta, uma constituição ou um
estatuto.
- Órgãos constitutivos: assembleia geral (órgão que congrega todos os
estados membros), secretaria (atribuição administrativa).
- Elas possuem um objetivo específico relacionados a temas como o
comércio, trabalho, financeiro etc.
- A expressão “Organizações internacionais intergovernamentais” é
criticada porque a organização é uma reunião de estados, não de
governos.
 Organização intergovernamental não se confunde com as ONGs
que, por mais que atuem na sociedade internacional, não são
compostas por estados nem regidas em sua composição pelo direito
internacional.
 Organismo internacional é uma expressão mais ampla que
organização internacional, e abrange, inclusive, alguns tratados
multilaterais importantes. A exemplo do GATT que é um acordo
geral de tarifas aduaneiras.
 Organizações internacionais: consiste numa flexão das relações
internacionais entre os estados. Concerto # associação. Possuem
capacidade realizar tratados e relacionar-se institucionalmente, na
medida em que os próprios estados a reconhecem por meio do
acordo constitutivo (tratado), essas capacidades variam de
organização para organização, sobretudo se avaliada sua finalidade.
 O que uma organização pode fazer, no mínimo, é realizar um
acordo de sede.
 G-20, Unicef, não são organizações. FMI é um fundo, mas é
organização também. Banco mundial é organização.

3. CARACTERÍSTICAS
- Possuem personalidade jurídica caso Folke Bernadotte – 1949.
 A assembleia geral da ONU fez uma consulta a corte internacional
de justiça e ela reconheceu a personalidade jurídica da ONU, logo,
poderia ser sujeita de direitos e obrigações na sociedade
internacional.
 Considera-se reconhecida a personalidade mesmo pelos Estados
que não fizeram parte do tratado constitutivo da organização.
- Princípio da especialidade: organização possui capacidade funcional, é
apta para exercer e cumprir as funções para as quais foi criada, ainda que
não esteja expressamente prevista em tratado. Teoria dos poderes
implícitos.
- Possui uma ordem jurídica própria, que se divide em:
 Originária: formada pelos tratados constitutivos.
a) Cria suas próprias normas sem depender dos ordenamentos
jurídicos dos estados membros.
b) Controle de aplicação do tratado constitutivo se dá pela própria
organização.
c) Conflito entre normas da organização e a do ordenamento
interno. A tendência é que os Estados modifiquem sua própria
legislação para serem aceitos na organização.
 Derivada: formada pelos seus demais atos.
- Multilateralidade.
- Institucionalização: possui órgãos com finalidades específicas.
- Voluntariedade da associação.
- Poder regulamentar. Elaboração de normas específicas na sua área de
atuação.
- Permanência: possui estrutura duradoura para consecução dos seus fins.

4. CLASSIFICAÇÃO
- Quanto a abrangência/alcance geográfico:
 Universal: quer abranger o mundo inteiro. Ex: ONU
 Regional: quer abranger os estados de uma determinada região. Ex:
União Européia.
- Quanto aos fins/domínio temático:
 Gerais (ONU quer paz e segurança),
 Especiais (OIT: trabalho).
- Quanto à natureza dos poderes que exercem:
 Supranacionais: acima dos estados. Ex: união europeia.
 Intergovernamentais:
- Quanto a estrutura organizacional
 Cooperação: visam alcançar finalidades comuns entre os estados.
 Integração: visam a aproximação entre os estados, especialmente
em matéria econômica. Ex: mercosul, união europeia.

5. FUNCIONAMENTO DAS ORGANIZAÇÕES


- Nas ORGs existem membros originários, que participaram da
constituição, e membros derivados, que aderiram posteriormente ao
tratado.
- A admissão é o ato pelo qual novos estados ingressam nas ORGs.
- Os funcionários das ORGS são chamados de pessoal paradiplomático, e
não representam seus estados de origem.
- Já os representantes dos estados são aqueles que falam em nome dos
estados nas ORGs.
- Financiamento: se dá por cotização entre os seus membros. A cotização
é proporcional a economia de cada estado.
- Sanções:
 Suspenção: penalidade temporária,
 Expulsão: definitiva. Estado membro deixa de participar da
organização.
- É sempre facultada a retirada da organização internacional.

6. ONU
- VER ARTIGOS: 1, 2, 18, 51, 55, 94, 96 E 102.
- Surgiu depois da segunda guerra mundial como sucessora da liga das
nações que tinha como objetivo evitar a eclosão de outra guerra mundial.
A liga não deu certo porque os estados vencidos foram humilhados, o que
gerou o sentimento de revanchismo dos derrotados, e deu azo aos
nacionalismos e facismos. A ONU sucedeu, a liga das nações.
- Tratado constitutivo: carta de são Francisco de 1945.
- Sede: nova York.
- Princípios:
 Igualdade soberana dos estados.
 Boa-fé nas relações entre os estados
 Solução pacífica de controvérsias. A guerra foi vedada como um
meio de solução de controvérsias.
 Proscrição da ameaça e do uso da força.
 Assistência mútua.
 Não intervenção.
- Membros:
 Originários: participaram da constituição da ONU.
 Novos estados podem ser readmitidos mediantes recomendação do
conselho de segurança.
 Aquele estado contra qual for adotada uma medida coercitiva da
ONU será suspenso. Ver art. 5º.
 Expulsão: quem violar persistentemente os princípios da carta
- órgãos:
 Assembleia geral:
a) Congrega todos os membros
b) Não é permanente, funciona só uma vez por ano
c) Competência: qualquer tema dentro de suas finalidades ou de
qualquer órgão da organização
d) Deliberações: resolução (2/3 em questões importantes).
e) Resoluções não têm força vinculante (Caso Estados Unidos v.
Nicarágua). Natureza de soft law.
f) Tem o poder de criar órgãos.
g) Apesar do Conselho de segurança ter a atribuição principal de
responsabilidade na manutenção da paz e da segurança, nada
impede que AGNU delibere sobre.
 Conselho de segurança
a) Investiga e avalia situações que possam consistir em ameaça à
manutenção da paz e da segurança internacionais.
b) Composição: 15 membros, sendo 5 permanentes (china, eua,
França, Rússia, reino unido), sendo 10 temporários.
c) Deliberações: 9 em questões importantes incluindo votos
afirmativos de todos os permanentes.
c.1) Nas deliberações o poder de veto pode ser exercido por
quaisquer dos membros permanentes.
d) Pode adotar todas as medidas necessárias para fazer valer suas
deliberações, o que inclui a criação de tribunais e listas sujas.
d.1) é possível a criação de listas sujas sem que as partes sejam
ouvidas. Pode ser mantido segredo dos motivos da inclusão.
 Secretária-geral: órgão administrativo, unipessoal. Apresenta
relatório anual sobre os trabalhos.
a) órgão administrativo
b) Chefiada pelo secretário geral
 Conselho econômico e social (Ecosoc): Composto 54 membros,
sendo 18 deles eleitos a cada ano para um período de 3 anos,
podendo ser reeleitos para o período seguinte. Realiza estudos e
elabora relatórios.
 Conselho de tutela: administra estados recém-independentes ou a
caminho da independência. Atualmente não há nenhum estado sob
tutela.
 Corte internacional de justiça.
 Organismos especializados (organizações internacionais que têm
uma relação íntima com a ONU mas dela não fazem parte, possuem
personalidade jurídica própria, compondo o sistema das nações
unidas) # órgãos das nações unidas (Secretaria geral, ECosoc etc)

6.1. Corte internacional de justiça.


- Julga os Estados não indivíduos.
- 15 juízes, mandato de 9 anos.
- Competência contenciosa e consultiva.
- Hipóteses da competência contenciosa:
 Estado que adere ao tratado de São Franciso aceita imediatamente
a jurisdição da corte.
 Se não fazem parte do tratado, podem aceitar sua competência
mediante notificação dirigida à CIJ através da cláusula facultativa de
jurisdição obrigatória.
 Se um determinado Estado faz parte de tratado multilateral da qual
prevê a competência da CIJ para dirimir conflitos, deve anuir
expressamente à jurisdição da corte.
 Mas se este tratado é posteriormente é revogado, a sua jurisdição
não cessa, prorroga-se até o fim da demanda – perpetuatio
jurisdicionis.
- Cabem medidas provisórias.
- Da decisão definitiva cabe embargos de declaração. É possível revisão
dos seus julgados em razão de fato novo.
- Corte emite parecer a pedido do CSOU e AGNU, ou dos órgãos
específicos da ONU nas matérias em que atuam.
- Não admite amicus curiae.
- Audiências serão públicas e de acesso ao público em geral, mas as
deliberações serão secretas.
- Poderá haver intervenção de terceiros desde que o Estado afetado
comprove interesse jurídico ou caso a controvérsia disser respeito a
interpretação de tratado multilateral.

7. OEA
- Organização regional. Fundada pela carta da OEA em Bogotá.
- Sucedeu a união internacional das repúblicas americanas e união pan-
americana.
- Objetivos: cooperação entre os estados americanos, garantia de paz e
segurança na região, consolidação da democracia representativa e
garantir o princípio da não intervenção.
- órgãos:
 Assembleia geral: órgão supremo, cada estado tem direito a um
voto. Decisões são por maioria absoluta.
a) Por voto de 2/3 pode suspender membro.
 Conselhos: podem apresentar estudos e propostas à Assembleia
Geral e submeter-lhe projetos de instrumentos internacionais.
Recebe os relatórios periódicos sobre medidas progressivas para
implementação de direitos.
 Comissão jurídica interamericana: corpo consultivo. Ampla
autonomia técnica.
 Comissão interamericana de Direitos Humanos: promoção do
respeito e a defesa dos direitos humanos.
a) Composta por 7 membros com mandato de 4 anos.
b) CIDH compõe tanto o sistema da OEA quando do CADH, há uma
relação de subsidiariedade.
 Secretaria geral: órgão central e permanente. Dirigida por secretário
geral por um período de 5 anos renováveis, não podendo ser
sucedido por indivíduo da mesma nacionalidade.

MERCOSUL.

1. INTEGRAÇÃO REGIONAL.
- Aproximação entre estados que compartilham alguma afinidade e que
decidem oferecer uns aos outros determinadas vantagens, principalmente
no campo econômico-comercial.
1.1. Fases da integração.
- Zona de livre comercio: livre comercialização de bens.
 Eliminação das barreiras tarifárias e não-tarifárias dos membros do
grupo. Não precisa ser de todos os produtos.
 Para o GATT é pelo o menos 80% dos produtos comercializáveis
pelo grupo.
- União aduaneira: regras comuns para importações de bens de países que
estão fora do bloco. Há uma TEC (tarifa externa comum). MERCOSUL é
uma união aduaneira.
 Ocorre com a anulação das taxas alfandegárias e unificação da
estrutura tributária.
- Mercado comum: livre circulação de todos os fatores de produção.
 Circulação livre de capital, trabalho, tecnologia, coordenação da
política nacional, dentre outros.
- União econômica e monetária: coordenação de políticas:
 Macroeconômicas, fiscal, cambial e monetária.
- União política: coordenações de ações no campo político, isto é: um
mesmo órgão político responsável por todos os países do bloco.

2. Mercosul.
- É um bloco regional. Não se trata de uma organização de caráter
supranacional, isso porque não há transferência do poder político à
entidade pelos entes nacionais. Logo, as organizações não possuem
atributos políticos tal qual o Estado nacional ou entidades supranacionais.
- É um organismo intergovernamental. Não é supranacional. Não se coloca
acima dos estados, mas ao lado deles. Não produz uma ordem jurídica
superior.
- Membros: Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
 Venezuela é um membro recente. Mas atualmente está com seus
direitos suspensos.
 Bolívia: em processo de ratificação.
 Associados: Chile, Peru, Equador, Colômbia, Guiana, Suriname.
- Desenvolvimento regional por meio de um mercado comum que ainda
não foi alcançado.
- É uma união aduaneira imperfeita: existem muitas exceções à TEC.
- Precedentes:
 Associação latino-americana de livre comércio (1960)
 ALADI – ASSOCIAÇÃO LATINO-AMERICANA de integração (1980)
 Negociação entre brasil e argentina
 1991: tratado de assunção que constitui o Mercosul.
- Normas:
 Tratado de assunção: tratado constitutivo do mercosul.
 Protocolo de Brasília: estabeleceu o procedimento de solução de
controvérsias no âmbito do mercosul. Foi revogado pelo protocolo
de olivos.
 Protocolo de Olivos: prevê o procedimento de resolução de
controvérsias no âmbito do mercosul.
 Protocolo de ouro preto: reconheceu a personalidade jurídica de
direito internacional do mercosul, e estabeleceu a estrutura
internacional do bloco.
 Protocolo de Ushuaia: compromisso democrático no âmbito do
mercosul.
a) prevê a adoção de medidas de reação em caso de ruptura da
ordem democrática em Estado membro do bloco
b) mesmo o estado que rompa com a democracia será consultado
no caso de eventual medida a este aplicada.
 protocolo de Las Leñas: documento básico de cooperação jurídica
no Âmbito do mercosul.
 Protocolo de assunção sobre o compromisso com a promoção dos
direitos humanos do mercosul
 Acordo sobre o Aquífero Guaraní.
a) acordo realizado entre os países do MERCOSUL (Argentina,
Brasil, Paraguai e Uruguai).

2.1. Órgãos do Mercosul.


- Conselho do mercado comum:
 Órgão superior, deliberações políticas.
 Responsável pela condução política do mercado comum.
a) Realizar tratados
b) Formular políticas
 Composto por Ministro das relações exteriores e da economia dos
países membros.
 Presidência pro tempore, exercida por rotação dos Estados-partes.
 Os atos do conselho adotam a forma de decisões.
- Grupo mercado comum.
 Órgão executivo.
 Composição: quatro membros titulares e quatro alternados que
representam o MRE, o Ministério da Economia e o banco central de
cada estado.
 Dotado de competências executivas, tais como: fazer valer o
cumprimento das decisões adotadas pelo Conselho.
 pode criar, modificar ou extinguir órgãos.
 Cabe negociar acordos em nome do Mercosul, quando dispuser de
mandato.
 Competências orçamentária e financeira.
 Os atos praticados têm a forma jurídica de resoluções.
 Possui a competência de analisar as
as reclamações de particulares que posteriormente são
encaminhadas ao Grupo de Especialistas designado pelo GMC, se
consideradas procedentes.

O art. 39 do Protocolo de Olivos dispõe que “O procedimento


estabelecido no presente Capítulo aplicar-se-á às reclamações efetuadas
por particulares (pessoas físicas ou jurídicas) em razão da sanção ou
aplicação, por qualquer dos Estados Partes, de medidas legais ou
administrativas de efeito restritivo, discriminatórias ou de concorrência
desleal, em violação ao Tratado de Assunção, ao Protocolo de Ouro
Preto, aos protocolos e acordos celebrados no marco do Tratado de
Assunção, às Decisões do Conselho do Mercado Comum, às Resoluções
do Grupo Mercado Comum e às Diretrizes da Comissão de Comércio do
MERCOSUL."

Ademais, o art. 40 do referido Protocolo prevê que “1. Os particulares


afetados formalizarão as reclamações ante a Seção Nacional do Grupo
Mercado Comum do Estado Parte onde tenham sua residência habitual
ou a sede de seus negócios. 2. Os particulares deverão fornecer
elementos que permitam determinar a veracidade da violação e a
existência ou ameaça de um prejuízo, para que a reclamação seja
admitida pela Seção Nacional e para que seja avaliada pelo Grupo
Mercado Comum e pelo grupo de especialistas, se for convocado."

- Comissão de comércio do Mercosul.


 Órgão consultivo de decisões técnicas.
 Apoia o GMC.
 Compete velar pela aplicação e evolução dos instrumentos de
política econômica.
 Pronuncia-se sobre as solicitações de TEC.
 Propõe revisão das alíquotas tarifárias.
 Composição: quatro membros alternados.
 Os atos praticados têm a forma de diretrizes.
- Secretaria administrativa:
 Órgão operacional para questões burocráticas.
 Apoio operacional e logístico funções de: arquivo oficial, publicação,
coordenações de traduções.
 Sediada em Montevidéu
 Chefiada por um diretor.
- Parlamento do Mercosul.
 Unicameral e intergovernamental.
 Objetivo: harmonização dos parlamentos nacionais.
 Sucedeu a comissão parlamentar conjunta (CPC)
- Foro consultivo econômico e social.
 Representação de empregados e trabalhadores.
 Tem papel consultivo, manifesta-se mediante recomendações.

2.2. Procedimento de resolução de controvérsias no Mercosul.


- Protocolo de Olivos (2002), revogou o protocolo de Brasília que vigorou
até que os dissídios que ocorreram sob sua vigência terminassem.
 O sistema continua não-judicial: não há uma “corte supranacional”
típica, mas sim arbitragens e tribunais previstos no PO.
 Os particulares (pessoas físicas ou jurídicas) têm acesso limitado: só
podem participar indiretamente quando seus interesses são
afetados por um Estado-Parte e via esse Estado.
 O PO mantém caráter transitório ou provisório até que se realize
uma convergência tarifária/external comum entre os Estados-
Partes.
- Formas de resolução de conflitos:
 Negociações diplomáticas: entendimentos diretos entre as partes.
a) Salvo acordo, não excedem 15 dias.
 Se a negociação não tiver êxito, as partes podem eleger um tribunal
arbitral ad-hoc.
 procedimento opcional perante o GMC. Prazo: 30 dias.
a) Finda as negociações, também pode terceiro Estado,
justificadamente, requerer reconsideração do GMC. Aqui emitirá
comentários ou recomendações.
b) É possível que as partes pulem das negociações para o tribunal
permanente de revisão.
 caso não tenham submetido o caso ao GMC, mas ao tribunal ad-
hoc, podem as partes interpor recurso de revisão para o tribunal
permanente de revisão. Isso não é possível na arbitragem
convencional.

2.2.1. Procedimento arbitral ad hoc.


- Quando não for possível a intervenção do GMC ou negociação direta,
então lança-se mão da arbitragem. Caráter residual.
- Legitimidade: estados-parte, pessoas jurídicas e pessoas físicas.
 Particulares formalizam suas reclamações perante o GMC.
- O órgão julgador será composto por 3 árbitros, designados da seguinte
maneira:
 Cada estado nomeia 1 um juiz titular, e um suplente para
controvérsia.
 De comum acordo é eleito o presidente e o suplente, previstos em
lista de magistrados nomeados pelos próprios estados que fazem
parte do Mercosul.
a) não poderá órgão ter como Presidente e vice dos membros dos
Estados litigantes.
 É possível que em um litígio tenha representação unificada dos
Estados quando houver o mesmo interesse, através da escolha de
um mesmo árbitro.
- Adstrição do pedido e estabilização da demanda: controvérsia não pode
ser ampliada posteriormente.
- É possível medidas provisórias/tutela provisória.
 Tribunal pode torná-las sem efeitos a qualquer momento.
 Mas se a decisão do laudo não revogou explicitamente as medidas,
elas permaneceram vigentes.
- Laudo arbitral.
 Prazo: 60 dias prorrogáveis por mais 30 dias.
 Laudo do tribunal ad hoc é passível de revisão.
 No entanto, se as partes optam em ingressar diretamente no
tribunal permanente de revisão, o laudo arbitral é inapelável.
a) Caberá apenas o recurso de esclarecimento no prazo de 15 dias.
 A adoção de medidas compensatórias não exime o cumprimento
dos laudos.
 Devem ser cumpridos no prazo de 30 dias da notificação. O Estado
vencido deve comunicar em 15 dias à outra parte e ao GMC quais
medidas adotará.

2.2.2. Tribunal permanente de revisão.


 É o órgão competente para julgar, em grau de recurso, as decisões
dos tribunais arbitrais ad hoc, ou para examinar as questões não
decididas em negociações diretas, quando as partes desejarem
submeter desde logo o caso ao Tribunal de Revisão.
 Composição: 5 árbitros
a) Cada estado integrante do Mercosul indicará 1 árbitro e o
respectivo suplente para atuarem em um período máximo de 2
anos, prorrogável por até duas vezes.
b) O quinto árbitro será designado por um prazo de 3 anos, não
renovável, salvo acordo entre os Estados.
b.1) não será nacional dos estados da controvérsia.
 Recurso de revisão.
a) Em até 15 dias.
b) Limitada às questões de direito.
c) Os laudos com fundamento na equidade (ex aequo et bono) não
são recorríveis.
 O descumprimento do laudo permite que o Estado beneficiado
aplique, no prazo de até um ano, medidas compensatórias
temporárias, inclusive a suspensão de concessões ou de outras
obrigações.
a) findo o prazo para cumprimento da decisão (30 dias após a
notificação do laudo), poderão ser adotadas medidas
compensatórias no prazo de 1 ano.
b) Medidas em espécie:
b.1) Suspensão das concessões ou obrigações equivalentes.
b.2) Caso ineficaz, poderá suspender concessões e obrigações de
outro setor.
c) Caso o estado vencido no laudo cumpra a decisão, e ainda assim
o Estado vencedor aplique medidas compensatórias, ou mesmo
se essas medidas compensatórias forem excessivas, poderá o
Estado vencido, em 15 dias, levar a questão ao Tribunal ad hoc,
ou em 30 dias, ao tribunal permanente de revisão.
- É possível petição particular para reclamar perante o tribunal.

RESPONSABILIDADE CIVIL INTERNACIONAL

1. Introdução.
- Conceito: É o vínculo jurídico que se forma entre uma pessoa
internacional que praticou um ato ilícito internacional e outra que tenha
sofrido dano decorrente desse ato, visando reparação.
- Fundamento:
 Pacta sunt servanda (as obrigações devem ser cumpridas).
 Vedação ao uso da força.
- Não distingue a responsabilidade contratual da extracontratual.
- O fato de os danos de guerra influenciarem nas normas sobre a sucessão
entre os Estados, aplicando-se o regime jurídico da sucessão, não torna
inaplicável a responsabilidade dos Estados.
- Finalidades:
 Preventiva: coagir psicologicamente os Estados a fim de cumprir
compromissos. Ex: represálias/contramedidas.
 Repressiva: atribuir a responsabilidade decorrente da prática de
ilícito internacional.
- Caso Folke Bernadotte: mediador da ONU na Palestina foi assassinado. A
CIJ, ao ser instada, disse que os Estados, de direito e de fato, são
responsáveis por atos internacionais. Além disso, a própria ONU, como
sujeita de direitos e obrigações, possui personalidade jurídica de direito
internacional, logo, é capaz, via reclamação internacional, vindicar seus
direitos.
 Portanto, o conceito de responsabilidade internacional aplica-se às
organizações internacionais e estados não declarados.
 Esta proteção do direito internacional pela prática de um ilícito
internacional aplica-se, inclusive, aos seus funcionários.

2. NATUREZA JURÍDICA
- Diz respeito a necessidade ou não de elementos subjetivos.
- Subjetivista (Hugo Grotius): culpa ou dolo.
- Objetivista: teoria do risco. Esta teoria tem sido aplicada nos casos de
energia nuclear, proteção do meio ambiente e direitos humanos.
Majoritária.
- Teoria mista (Triepel): culpa só pode ser utilizada quando da omissão.

3. CARACTERÍSTICAS
- É institucional: é dos estados e organizações internacionais. Não de
pessoas/indivíduos.
- Fonte costumeira: Caso Fábrica de Chorzów. Decidiu o Tribunal
Permanente de Justiça Internacional que a responsabilidade é um
princípio apoiado no costume internacional.

✔️ Antes e durante a Primeira Guerra Mundial, o governo alemão


contratou uma empresa para construir uma fábrica de nitratos em
Chorzów, na região da Alta Silésia. Wikipedia
✔️Após a guerra, em 1922, com a reorganização territorial, parte da Alta
Silésia, incluindo Chorzów, passou para a soberania da Polônia. Wikipedia
✔️ A Polônia adotou medidas que prejudicaram a propriedade e a
exploração da fábrica por empresas alemãs, não respeitando os direitos
adquiridos nem assegurando indenização adequada. Âmbito Jurídico
✔️ A Alemanha levou o caso à CPJI, alegando que houve violação de
obrigações internacionais em prejuízo das empresas alemãs e solicitou
reparação.

Contribuições para o Direito Internacional Público


O Caso da Fábrica de Chorzów é relevante porque:
 Reforçou a ideia de que direitos adquiridos podem ser protegidos
internacionalmente, mesmo após mudanças territoriais. Dipúblico
 Estabeleceu a responsabilidade internacional de um Estado por
atos incompatíveis com obrigações internacionais. Âmbito Jurídico
 Consolidou o princípio da reparação integral, que é amplamente
adotado no direito internacional contemporâneo como base para a
determinação de indenizações por violação de obrigações
internacionais. Wikipedia
 Afirma que atos do poder público estatal podem gerar
responsabilidade internacional, independentemente de seu amparo
em normas internas.

- A comissão de direito internacional da ONU, elaborou um esboço de atos


ilícitos internacionais ou draft articles on responsibility os states for
internationally wrongfil acts. Ou seja, é um esboço, rascunho e fala apenas
dos estados.
 O draft não visa disciplinar a responsabilidade pela violação de
direitos humanos, mas atos ilícitos gerais dos estados. Todavia, a
violação de direitos humanos é espécie de ato ilícito, logo, ele é
aplicado aos ilícitos de direitos humanos de forma subsidiária, ante
ausência de tratados de direitos humanos que discipline o conflito.
 O draft tem importância na imputabilidade do ato ilícito. Isto é, se é
necessário saber se o ato é imputado ao estado, ou deve ser
observada antes uma questão preliminar em relação ao mérito da
reparação.

4. CLASSIFICAÇÃO
- Quanto ao tipo de conduta: omissiva ou comissiva:
- Quanto a norma violada: convencional (tratado) ou delituosa (costume).
 O draft prevê a responsabilidade agravada por violação do jus
cogens (costume).
- Quanto à origem da conduta: direta ou direta
 Direta: praticada diretamente pelo Governo, órgãos, funcionários
do governo, ou quem age em nome do Estado.
a) Quando a atividade do particular puder ser imputada ao Estado.
b) Quando o Estado não é diligente o suficiente para prevenir atos
atentatórios contra chefes de Estado, nas hipóteses de pirataria,
tráfico de Escravos, insultos à bandeira, dentre outros símbolos.
 Indireta (subsidiária): cometido por particulares, grupo ou
coletividade pela qual o Estado representa na Esfera internacional,
ou seja, quando o Estado atua em nome de outro Estado. Ex:
território sob tutela.
a) Atos tipicamente particulares não podem ensejar a
responsabilidade internacional.
b) Responde o Estado na hipótese de culpa pela falta de
fiscalização.
c) O que importa é se o Estado controlou de fato, seja por meio dos
seus órgãos constituídos, seja através de particulares.

Art. 8º Conduta dirigida ou controlada por um Estado


Considerar-se-á ato do Estado, segundo o Direito Internacional, a
conduta de uma pessoa ou grupo de pessoas se esta pessoa ou grupo de
pessoas estiver de fato agindo por instrução ou sob a direção ou
controle daquele Estado, ao executar a conduta.

Art. 9º Conduta realizada na falta ou ausência de autoridades oficiais


Considerar-se-á ato do Estado, segundo o Direito Internacional, a
conduta de uma pessoa ou grupo de pessoas se a pessoa ou grupo de
pessoas estiver de fato exercendo atribuições do poder público na falta
ou ausência de autoridades oficiais e em circunstâncias tais que
requeiram o exercício daquelas atribuições.

d) No caso Namíbia, a Corte Internacional afirmou que o controle


físico sobre o território pode resultar na imputabilidade da
responsabilidade ao Estado que o controla. A soberania ou a
legitimidade de direito não são impecílios à responsabilização de
terceiro estado que se vale de estado como meio para a prática
de ilícitos internacionais.
e) A insurreição de um grupo rebelde ou ascensão de beligerantes
formando um novo Estado os torna responsáveis, a exemplo de
movimento de insurreição que passa a controlar o Estado por
meio de um novo governo.

Art. 10. Conduta de um movimento de insurreição ou outro

(...)

2. A conduta de um movimento de insurreição ou outro que for bem-


sucedido em estabelecer um novo Estado em parte do território de um
Estado preexistente ou em um território sob sua administração será
considerado um ato do novo Estado, e acordo com o Direito
Internacional.
3. Este artigo não é prejudicado pela atribuição a um Estado de
qualquer conduta, seja qual for sua relação com o movimento em
questão, a qual deva ser considerada um ato daquele Estado em virtude
dos artigos 4º ao 9º

5. ELEMENTOS ESSENCIAIS
- Conduta ilícita internacional: abrange omissão e ação.
 O fato de ser o ato lícito na ordem interna é irrelevante, direito
interno como mero fato.
 Há doutrina que vislumbra a responsabilidade internacional por
atos lícitos nas hipóteses excepcionais de testes nucleares, poluição
marítima, dentre outros.
a) Esta responsabilidade prescinde de dano.
b) Teoria objetiva fundada no risco integral.
- Imputabilidade: possibilidade de atribuição da conduta ao Estado. Não
importa se foi praticada por governo ou funcionários.
- Deve haver dano
 Moral ou material
 O draft não afirma que o dano é um elemento da responsabilidade.

6. EXCLUDENTES DE RESPONSABILIDADE
- Consentimento do Estado: afasta a responsabilidade se o ato fora
praticado dentro dos limites do consentimento.
- Legítima defesa: art. 51 da Carta ONU. Cabível diante de um ataque
armado de outro estado, desde que proporcional e até a intervenção do
conselho de segurança da ONU.
 O fato do ato ser praticado em legítima defesa não necessariamente
exclui a ilicitude. Pode o Estado ao revidar se exceder e violar
direitos do Estado agressor, assim como desrespeitar os princípios
de direitos humanos.
- Retorsão: atos praticados em resposta a outro ato como retribuição da
mesma natureza, há bilateralidade. Ex: estado exige visto para nacionais
de outro estado, o estado passa a fazer a mesma coisa. Relações
internacionais baseiam-se na Reciprocidade e isonomia.
- Represálias: prática de um ato ilícito em resposta a um ato de outro
Estado, não há proporcionalidade e bilateralidade. Lembrar: medidas
unilaterais. Ex: Argentina não concede visto ao Chile, então o Chile
interrompe as relações comerciais com este. Ex2: EUA faz embargo a
Cuba, em resposta, a ilha impede a entrada de Americanos no seu
território.
 A doutrina, de um modo geral, afasta a licitude das represarias, no
entanto, há quem defenda, desde que:
a) Deve ser uma reação a um ilícito anterior
b) Deve o Estado avisar anteriormente
c) A medida deve ser proporcional ao dano sofrido
d) A medida deve ser reversível
 Logo, diferentemente das contramedidas, não tem relação direta
com a obrigação violada.
 Ainda que os Estados não resolvam o litígio por meio de
contramedidas, permanecem no dever de se abster do uso da força.
 Quando o ilícito cessa, as contramedidas também devem cessar
 Formas de represálias:
a) Embargo: sequestro de cargas e navios de estado estrangeiro de
outro estado.
b) Boicote: ruptura/interrupção das relações
econômicas/comerciais.
c) Bloqueio pacífico: utilização de forças armadas para impedir que
estados tenham relações com determinado estado, através do
bloqueio de comunicações com os portos ou as costas de um
país ao qual se pretende obrigar a proceder de determinado
modo.
d) Rompimento da das relações diplomáticas: fim do direito de
legação (receber e enviar medidas diplomáticas).
- Força maior: é o ato externo e imprevisível.
- Perigo extremo: o descumprimento da norma internacional é feito para
evitar risco relevante para o Estado.

Art. 24. Perigo extremo


1. A ilicitude de um ato de um Estado em desacordo com uma obrigação
internacional daquele Estado se extingue se o autor do ato em questão
não tem nenhuma alternativa razoável, em uma situação de perigo
extremo, de salvar a vida do autor ou vidas de outras pessoas confiadas
aos cuidados do autor.
2. O parágrafo 1º não se aplica se:
a) a situação de perigo extremo é devida unicamente, ou em
combinação com outros fatores, à conduta do Estado que a invoque; ou
b) for provável que o ato em questão crie um perigo comparável ou
maior.

- Estado de necessidade: é a lesão a um bem jurídico de outro estado para


preservar um bem seu de mesma importância.

Art. 25. Estado de necessidade


1. Nenhum Estado pode invocar o estado de necessidade como causa de
exclusão de ilicitude de um ato em desacordo com uma obrigação
internacional daquele Estado, a menos que o ato:
a) seja o único modo para o Estado preservar um interesse essencial
contra um perigo grave e iminente; e
b) não afete gravemente a um interesse essencial do Estado ou Estados
em relação aos quais exista a obrigação, ou da comunidade
internacional como um todo.
2. Em nenhum caso pode o Estado invocar o estado de necessidade
como causa de exclusão de ilicitude se:
a) a obrigação internacional em questão exclui a possibilidade de
invocar a necessidade, ou
b) o Estado contribuiu para a ocorrência do estado de necessidade.

7. Órgãos internos e responsabilidade internacional.

Art. 4º Conduta dos órgãos de um Estado

1. Considerar-se-á ato do Estado, segundo o Direito Internacional, a


conduta de qualquer órgão do Estado que exerça função legislativa,
executiva, judicial ou outra qualquer que seja sua posição na
organização do Estado -, e independentemente de se tratar de órgão do
governo central ou de unidade territorial do Estado.

2. Incluir-se-á como órgão qualquer pessoa ou entidade que tenha tal


status de acordo com o direito interno do Estado.

Art. 5º Conduta de pessoas ou entidades exercendo atribuições do poder


público

Considerar-se-á ato do Estado, segundo o Direito Internacional, a


conduta de uma pessoa ou entidade que não seja um órgão do Estado,
consoante o artigo 4º, que, de acordo com a legislação daquele Estado,
possa exercer atribuições do poder público, sempre que a pessoa ou
entidade esteja agindo naquela qualidade na situação particular.

Art. 6º Conduta de órgãos colocados à disposição de um Estado por


outro Estado Considerar-se-á ato do Estado, segundo o Direito
Internacional, a conduta de um órgão posto à disposição de um Estado
por outro, sempre que o órgão estiver exercendo atribuições do poder
público do Estado a cuja disposição ele se encontre.

- Poder Executivo:
 A responsabilidade do Estado independe do fato de ter sido
praticado por agente incompetente, pois não se exige do alienígena
conhecimento do direito interno. Teoria da aparência.
 Haverá dever de indenizar se o próprio governo causa um dano a
um estrangeiro em seu próprio território.
 A responsabilidade ocorrerá ainda que: o funcionário não tivesse
competência para prática do ato, se extrapola a sua competência,
ou ainda quando há desvio de finalidade do órgão/autoridade.

Art. 7º Excesso de autoridade ou contravenção de instruções

A conduta de um órgão do Estado, pessoa ou entidade destinada a


exercer atribuições do poder público será considerada um ato do Estado,
consoante o Direito Internacional, se o órgão, pessoa ou entidade age
naquela capacidade, mesmo que ele exceda sua autoridade ou viole
instruções.

- Poder legislativo.
 Pode decorrer da violação de um costume ou princípio de direito
internacional.
 O dano passa a ocorrer com a vigência da norma, isto é, finda
vacatio legis.
 Atos comissivos:
a) Edita leis contrárias aos tratados internacionais.
a.1) Opinião consultiva nº 14/CIDH: promulgação de lei contrária
aos compromissos do tratado gera responsabilidade.
b) Quando revoga lei necessária à aplicação de tratados.
 Atos omissivos:
a) Se deixa de aprovar lei para cumprimento de tratado ratificado e
em vigor.
b) Legislativo deixa de revogar legislação contrária a tratado.
- Judiciário
 Hipóteses:
a) Judiciário, deliberadamente, recusa aplicação da justiça. Ex: não
julga de acordo com tratado internacional, julga em desacordo
com tratado internacional.
b) Denega justiça: seja pelo atraso injustificado no julgamento dos
processos e recursos, seja pela recusa de acesso à justiça,
especialmente aos estrangeiros.
c) Não cumprimento de decisões dos Tribunais internacionais.
 Não confundir com o erro judiciário: se o Estado observou as
formalidades legais, mas deixou de aplicar o direito internacional,
não há responsabilidade.
- Atos dos particulares. Via de regra, não haverá responsabilidade do
indivíduo. Poderá haver responsabilidade do estado que não foi capaz de
coibir a prática do ilícito pelo particular. A única hipótese de
responsabilidade individual é o julgamento pelo TPI.
 Via de regra, não há responsabilidade do particular por violações
dos direitos dos estrangeiros, resolve-se via responsabilização civil e
criminal.

7.1. O tratamento de Estrangeiros e a responsabilidade internacional.


- Doutrina defende que deve haver um padrão mínimo de tratamento.
- Há doutrina que também sustenta que o tratamento deve ser igual.
Fundamento: dominação econômica dos países ricos.
- Caso brasileiro, lei de migração, tende à igualdade:
Art. 4º Ao migrante é garantida no território nacional, em condição de
igualdade com os nacionais, a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, bem como são
assegurados:
I - direitos e liberdades civis, sociais, culturais e econômicos;
II - direito à liberdade de circulação em território nacional;
III - direito à reunião familiar do migrante com seu cônjuge ou
companheiro e seus filhos, familiares e dependentes;
IV - medidas de proteção a vítimas e testemunhas de crimes e de
violações de direitos;
V - direito de transferir recursos decorrentes de sua renda e economias
pessoais a outro país, observada a legislação aplicável;
VI - direito de reunião para fins pacíficos;
VII - direito de associação, inclusive sindical, para fins lícitos;
VIII - acesso a serviços públicos de saúde e de assistência social e à
previdência social, nos termos da lei, sem discriminação em razão da
nacionalidade e da condição migratória;
IX - amplo acesso à justiça e à assistência jurídica integral gratuita aos
que comprovarem insuficiência de recursos;
X - direito à educação pública, vedada a discriminação em razão da
nacionalidade e da condição migratória;
XI - garantia de cumprimento de obrigações legais e contratuais
trabalhistas e de aplicação das normas de proteção ao trabalhador, sem
discriminação em razão da nacionalidade e da condição migratória;
XII - isenção das taxas de que trata esta Lei, mediante declaração de
hipossuficiência econômica, na forma de regulamento;
XIII - direito de acesso à informação e garantia de confidencialidade
quanto aos dados pessoais do migrante, nos termos da Lei nº 12.527, de
18 de novembro de 2011 ;
XIV - direito a abertura de conta bancária;
XV - direito de sair, de permanecer e de reingressar em território
nacional, mesmo enquanto pendente pedido de autorização de
residência, de prorrogação de estada ou de transformação de visto em
autorização de residência; e

XVI - direito do imigrante de ser informado sobre as garantias que lhe


são asseguradas para fins de regularização migratória.
§ 1º Os direitos e as garantias previstos nesta Lei serão exercidos em
observância ao disposto na Constituição Federal, independentemente da
situação migratória, observado o disposto no § 4º deste artigo, e não
excluem outros decorrentes de tratado de que o Brasil seja parte.
- Esforços da comunidade internacional em busca de um tratamento
igualitário:
 Declaração da ONU sobre Direitos Humanos de Indivíduos do País
em que Residem.
- O direito internacional, através do Pacto Internacional dos Direitos Civis
e Políticos, artigo 13, afirma que o ato de expulsão do migrante deve ser
fundamentado, assegurando-lhe o devido processo legal.

8. Invocação da Responsabilidade.
- Responsabilidade não pode ser invocada se o Estado renuncia a sua
própria pretensão, a depender do caso concreto, devendo levar-se em
consideração a natureza do direito em questão, a inércia do Estado
ofendido, dentre outras questões.
- Quando vários Estados são prejudicados pelo mesmo ilícito, cada um
deles pode invocar a responsabilidade separadamente. Não há
litisconsórcio.
- Caso Barcelona Traction:
 A Barcelona Traction era uma empresa constituída no Canadá (em
Toronto) em 1911, que operava serviços de eletricidade na
Catalunha (Espanha). Wikipedia
 Com o tempo, grande parte de seu capital passou ao controle de
acionistas belgas. Wikipedia
 Em 1948, a justiça espanhola decretou a falência da empresa e seus
bens foram adjudicados na Espanha, o que causou prejuízos aos
seus acionistas estrangeiros. Wikipedia
⚖️**Processo na Corte Internacional de Justiça
 A Bélgica apresentou uma demanda contra a Espanha perante a CIJ
alegando que o Estado espanhol teria violado normas de direito
internacional ao tratar a empresa de forma lesiva, o que resultou
em danos aos acionistas belgas. Corte Internacional de Justiça
 A pretensão de Bélgica era que a Espanha fosse declarada
responsável e obrigada a reparar os prejuízos. Corte Internacional
de Justiça

 A Corte, por 15 votos a 1, rejeitou a reivindicação belga. Refworld


O principal motivo foi que a Bélgica não tinha legitimidade (jus
standi) para exercer proteção diplomática em favor de acionistas
belgas contra atos praticados contra uma empresa com
nacionalidade jurídica canadense, mesmo que seus acionistas
fossem majoritariamente belgas. Refworld
 Ou seja:
👉 A CIJ entendeu que, no direito internacional, a nacionalidade
jurídica de uma pessoa jurídica se determina pelo país em que ela
foi criada e tem sua sede estatutária, independentemente da
nacionalidade ou do domínio acionário de terceiros. Wikipedia
👉 Sendo assim, apenas o Estado de nacionalidade da empresa
(Canadá) poderia exercer proteção diplomática em favor da
Barcelona Traction, e não a Bélgica em defesa de seus acionistas

RELEVÂNCIA:

 Deve haver Distinção entre as obrigações para com a comunidade


internacional das obrigações de Estado para com outro Estado.
 Logo, se não há uma obrigação para com a comunidade
internacional ou outro Estado, não há responsabilidade
internacional do Estado.
 Se a obrigação do Estado é para com um grupo de Estados,
quaisquer dos lesados pode reclamar sua responsabilidade.
 Se o ato do Estado prejudica a comunidade internacional, qualquer
Estado pode invocar.
 Lembrar: obrigações erga omnes, de obrigações interpartes.

9. MEIOS DE REPARAÇÃO/CONSEQUÊNCIAS JURÍDICAS/OBRIGAÇÕES


SECUNDÁRIAS.
- Reparação: anular todas as Consequências do ato ilícito. Dever de
reparação independe do direito interno isentar a responsabilidade do
Estado agressor.
- Restituição: restauração do status co ante.
- Indenização: é uma reparação de natureza econômica/pecuniária. Pode
ser material ou moral.
 É pacífico na doutrina internacional que na reparação dos danos
incluem-se juros de mora e lucros cessantes, não se incluindo entre
os danos indiretos. Caso Alabama EUA vs. Grã-bretanha.
- Satisfação: compensa-se o dano ao patrimônio imaterial. Pode ser um
pedido de desculpas, punição dos funcionários culpados, reconhecimento
da prática do ato ilícito. Se a indenização, reparação, restituição não são
suficientes ou não são possíveis, deve o Estado ao menos promover a
satisfação.
- Há doutrina que afirma ser a satisfação gênero, enquanto que a cessaõ
do ilícito seria tutela específica. A satisfação difencia-se obrigação de
cessação do ilícito que pode ser
 A interrupção de ato ilícito continuado: o violador de obrigação
internacional deve interromper imediatamente sua conduta ilícita,
sem prejuízo de outras formas de reparação. Caso Loayza Tamayo
julgado pela CIDH.
 Obrigação de não-repetição de ato ilícito: obtenção de salvaguardas
contra a reiteração da conduta violadora de obrigação
internacional. Caso Velásquez Rodrigues, CIDH;
- Obrigação de perseguir ilícitos penais internacionais: evitar a impunidade
e prevenir a ocorrência de novas violações. Encerra o dever de investigar,
processar e punir. Caso Villagrán Morales y Otros, da CIDH. O princípio aut
dedere aut judicare (extraditar ou julgar) remonta Grocius e tem como
objetivo assegurar punição aos infratores de normas internacionais, onde
quer que eles estejam.

[Link]ÇÃO DIPLOMÁTICA.
- Pode ser provocada ou ex-offício, ou por iniciativa do próprio Estado.
- A concessão é sempre um ato discricionário.
- Ainda que praticado por um indivíduo concretamente, só se opera entre
Estados. Caso um particular se sinta lesado em razão de ato de outro
Estado, deve dirigir sua reclamação ao seu próprio Estado, e,
posteriormente, este “endossa” o pedido do particular, possibilitando a
busca da reparação pela via diplomática.
- Condições para concessão de endosso:
 Ser a vítima nacional do Estado reclamante, desde o momento da
lesão.
a) Para Accioly, caso o sujeito mude de nacionalidade no curso da
reclamação, seu endosso não perderá validade se se tratar de
lesão de trato continuado.
b) Doutrina entende que em casos excepcionais poderá um Estado
proteger diplomaticamente sujeito não nacional quando seu
Estado de origem não oferecer proteção e esta ausência causar
danos irreparáveis a um direito humano. Ex:Se apátrida
estabelece domicílio ou residência habitual, poderá conseguir
proteção diplomática.
c) A pessoa lesada deve ser cidadã desde a data do dano, e deve
continuar a sê-lo até a apresentação formal da reclamação.
d) A proteção diplomática conferida a empresas segue a lei do país
em que ela foi registrada e cujo território encontra-se registrada
a sua sede administrativa.
 Esgotamento dos recursos internos.
a) Objetivo: reduzir o número de processos, respeito à soberania.
b) Aplica-se apenas aos remédios eficazes e disponíveis. Ex: se
ainda resta a opção de embargos de declaração, não quer dizer
que os remédios não foram esgotados.
c) Não se aplica a regra quando o Estado é responsável por uma
violação direta cujo dano é imediato.
d) Pode ser renunciada se estipulada em tratado.
 Vítima deve ter agido sem culpa, não criou o risco, isto é, há licitude
da conduta da pessoa lesada.
- Quando a proteção diplomática é exercida por órgãos especializados da
ONU, haverá o que a doutrina chama de “proteção funcional”.

[Link] E CLÁUSULA CALVO

A Cláusula Calvo é uma disposição contratual em contratos entre um


Estado e um estrangeiro (pessoa física ou jurídica) pela qual o estrangeiro
renuncia ao direito de requerer proteção diplomática de seu Estado de
origem em relação a questões que surgirem do contrato, e concorda em
submeter-se exclusivamente aos tribunais e ao sistema jurídico do
Estado receptor.
A Claúsula Calvo surgiu num contexto em que Estados europeus e outras
potências frequentemente intervinham em países latino-americanos sob
o pretexto de proteger os interesses de seus nacionais ou empresas,
inclusive com pressões diplomáticas e, em alguns casos, até militares. A
cláusula visava então proteger a soberania e a jurisdição interna dos
Estados recebedores, obrigando estrangeiros a usar o sistema jurídico
local.

- Logo, uma pessoa somente pode resolver seus litígios com o estado
estrangeiro por danos nele causados em sua jurisdição.
- É uma cláusula prevista em alguns contratos internacionais em que o
contratante renuncia de antemão à proteção diplomática.

[Link] E RESPONSABILIDADE INTERNACIONAL

CONVENÇÃO INTERAMERICANA CONTRA O TERRORISMO, ART.


4° (Medidas para prevenir, combater e erradicar o financiamento do
terrorismo):
1. Cada Estado Parte, na medida em que não o tiver feito, deverá
estabelecer um regime jurídico e administrativo para prevenir, combater e
erradicar o financiamento do terrorismo e lograr uma cooperação
internacional eficaz a respeito, a qual deverá incluir:
[...]
2. Para a aplicação do parágrafo 1 deste artigo, os Estados Partes
utilizarão como diretrizes as recomendações desenvolvidas por
entidades regionais ou internacionais especializadas, em particular, o
Grupo de Ação Financeira (GAFI) e, quando for cabível, a Comissão
Interamericana para o Controle do Abuso de Drogas (CICAD), o Grupo de
Ação Financeira do Caribe (GAFIC) e o Grupo de Ação Financeira da
América do Sul (GAFISUD).

SOLUÇÕES DE CONTROVÉRSIAS

1. CONCEITO.
- CPJI: todo desacordo sobre ponto de direito ou de fato, ou toda
contradição ou oposição de teses jurídicas ou de interesses entre dois
estados.
- Art. 33 da carta da ONU e art. 25 da OEA
- Não há qualquer hierarquia entre os meios de resolução das
controvérsias.
- Nada impede que existam controvérsias entre Estados e organizações,
ou mesmo entre organizações entre si.

2. Meios diplomáticos.
- Negociação: é o meio em que há entendimento direto entre as partes,
não há intervenção de terceiros.
- Bons ofícios (lembrar: conciliação): meio diplomático em que há
participação do prestador de bons ofícios, sponte sua, oferece
colaboração para resolver. Pode ser Estado ou Organização.
 Prestador: um terceiro que tem o papel de aproximar as partes.
 Chama a parte para um território neutro com o fim de aproximá-las.
 Ele não faz proposta de solução.
- Mediação: meio diplomático em que há a participação de um mediador
com o poder de propor soluções para a resolução da controvérsia. A
solução proposta não é vinculante.
- Consulta: previsão convencional de encontros periódicos para solução de
pendências, sobre a aplicação daquele tratado.
- inquérito/fact finding: não é propriamente um meio diplomático de
resolver controvérsia. Forma-se uma comissão de pessoas para se apurar
os fatos para solução da controvérsia.

3. Meios políticos.
- Conceitos: são aqueles utilizados no seio das organizações
internacionais.
- ONU: os principais órgãos responsáveis por resolver controvérsias
internacionais são a assembleia geral e o conselho de segurança. Deve ser
um conflito grave.
 Dificuldade do conselho de segurança: se a controvérsia envolve um
dos membros permanentes, ela não é resolvida, tendo em vista que
basta um veto para que ela não seja aprovada.

4. Meios jurisdicionais

4.1. Arbitragem
- Arbitragem é meio de resolução de conflito jurisdicional. Rezek fala que a
arbitragem é um meio jurisdicional, mas não judiciário.
- Compromisso arbitral: surge depois do conflito.
- Cláusula compromissória: contrato prevê a submissão das partes à
arbitragem antes de ocorrer o conflito.
 Pode ser expressa ou tácita.
 Quando a cláusula de eleição de foro for válida, a sujeição à
autoridade estrangeira é obrigatória (art. 25, CPC), salvo hipóteses
de julgamento exclusivo pela autoridade brasileira.
- Sentença arbitral:
 É obrigatória: princípio da boa-fé, e pacta sunt servanda.
 É irrecorrível: cabe apenas um tipo de recurso, que é uma espécie
de embargos de declaração.
 Não é executória.
4.2. CORTE INTERNACIONAL DE JUSTIÇA
- É um órgão da ONU.
- É composta por 15 juízes que são eleitos para um mandato de 9 anos,
admitida uma recondução. A composição deve contemplar vários sistemas
jurídicos do mundo, e não deve ter mais de um juiz de mesma
nacionalidade.
- Competência:
 Consultiva: a corte dá pareceres por solicitação da assembleia geral,
do conselho de segurança, e organizações indicadas pela ONU.
 Contenciosa: a corte julga litígios entre estados.
a) Cláusula facultativa de jurisdição obrigatória: assinar a carta da
ONU, implica necessariamente no reconhecimento da
competência contenciosa da corte, deve o Estado
expressamente dizer que se submete à jurisdição da corte.
b) Por outro lado, se não é signatário da Carta da ONU, é possível
que, por meio de cláusula compromissória, se comprometa à
jurisdição da Corte.
- Características dos acórdãos: obrigatório (boa-fé, pacta sunt servanda),
irrecorríveis, e são executáveis.

5. Meios coercitivos de solução de controvérsias, aplicação de


sanções.
- Vale destacar que o CSONU não o único órgão capaz de impor sanções,
pode também a AGNU também fazê-lo.
- As resoluções do CSONU são de caráter vinculante sobre questões
relacionadas à manutenção da paz e segurança.

5.1. Meios em espécies.


- Retorsão: prática de um ato pouco amistoso, como retribuição a um ato
da mesma natureza, há bilateralidade. Ex: estado exige visto para
nacionais de outro estado, o estado passa a fazer a mesma coisa. Relações
internacionais baseiam-se na Reciprocidade e isonomia.
- Represália/contramedida: prática de um ato ilícito em resposta a um ato
de outro Estado, não há proporcionalidade e bilateralidade. Ex: Argentina
não concede visto ao Chile, então este interrompe as relações comerciais
com este. Ex2: EUA faz embargo a Cuba, em resposta, a ilha impede a
entrada de Americanos no seu território.
- Formas de represália:
 Embargo: sequestro de cargas e navios de estado estrangeiro de
outro estado. Isso é vedado pelo direito internacional.
 Embargo do príncipe/embargo civil – proibição de saírem os navios
do porto ou ancoradouro a fim de se conseguir o segredo de atos
ou preparativos;
 Boicote: ruptura/interrupção das relações econômicas.
 Bloqueio pacífico: utilização de forças armadas para impedir que
estados tenham relações com determinado estado, através do
bloqueio de comunicações com os portos ou as costas de um país
ao qual se pretende obrigar a proceder de determinado modo.
 Rompimento da das relações diplomáticas: fim do direito de legação
(receber e enviar medidas diplimáticas).

DOMÍNIO PÚBLICO INTERNACIONAL

1. VER QUAIS SÃO OS ARTIGOS OBRIGATÓRIOS.

2. CONCEITO
- Espaços de interesse de mais de um estado ou da comunidade
internacional;

3. Direito do mar – VER OS DESENHOS.


- Regula o emprego do mar e das águas interiores pelas atividades
humanas.
- Para resolver os conflitos decorretes das violações sobre o direito do
mar, foi criado o Tribunal Internacional Sobre o Direito do Mar, com sede
em Hamburgo, Alemanha.
- Regido por normas costumeiras
- Mar territorial: faixa adjacente à costa que pode chegar a 12 milhas
marítimas contadas da linha de base, é território do Estado.
 Linha de base: linha da maré baixa que contorna a costa sem entrar
nas bahias e portos.
 O estado costeiro exerce soberania.
 Exerce o poder de polícia, seja através da fiscalização ou
regulamentação aduaneira e sanitária.
 Estado não poderá exercer jurisdição penal sobre as embarcações
que se situem no mar territorial, salvo:
a) Se a infração tiver consequências para o Estado costeiro
b) Se a infração for de tal natureza que possa perturbar a paz do
país ou a ordem do mar territorial
c) Se a assistência das autoridades locais tiver sido solicitada
d) Reprimir tráfico de drogas.
 O direito ao Mar territorial inclui o espaço atmosférico sobre ele.
 Passagem inocente: mitigação da soberania na qual o Estado
costeiro deve tolerar o deslocamento de embarcações estrangeiras
mercantes (comercial – marinha mercante) em seu mar territorial.
a) Deve a embarcação ser contínua e rápida, sem a finalidade de
atracar.
b) Caso não seja rápida, poderá ser considerada como suspeita.
c) Não é possível a passagem inocente de submarinos.
d) Se a embarcação não respeitar as normas aduaneiras, fiscais ou
sanitárias, poderá o estado litorâneo suspender
temporariamente a passagem inocente.
e) O simples fato de se tratar de um navio de guerra não impede
que seja concedida o direito de passagem inocente. Caso do
Estreito de Corfu;
 Quando há uma ilha após a linha de base, as 12 milhas marítimas
são contadas desta.
- Águas interiores: situadas no interior da linha da base do mar territorial.
- Zona contígua: faixa adjacente ao mar territorial que mede até 12 milhas
marítimas contadas do mar territorial, ou 24 milhas marítimas contadas da
linha de base.
 A zona contígua está situada além do mar territorial (além das 12
milhas náuticas) e não faz parte do território do Estado costeiro.
 Pode o estado costeiro "Prevenir e reprimir infrações às suas leis e
regulamentos aduaneiros, fiscais, de imigração ou sanitários"
cometidas em seu território ou mar territorial.
 Possui o direito de perseguição (hot pursuit) desde que iniciada no
mar territorial do seu próprio território, finalizando quando alcançar
o mar territorial de outro país.
- Zona econômica exclusiva: faixa que vai até 188 milhas marítimas
contadas do limite exterior do mar territorial, isto é, 200 milhas marítimas
da linha de base.
 Possui natureza jurídica sui generis, apesar de não ser território
soberano dos estados, estes podem exercer soberania para fins de
exploração, aproveitamento e conservação e gestão dos recursos
naturais, vivos ou não-vivos, das águas sobrejacentes ao leito do
mar e subsolo, e no que se refere a outras atividades com vistas à
exploração e ao aproveitamento da zona para fins econômicos.”
 Se sobrepõe à zona contígua.
 Compreende o leito e o subsolo das áreas submarinas.
 Estado costeiro não possui exclusividade sobre esses recursos.
 Mesmo os estados sem litoral possuem direito a exercer
determinadas liberdades na zona econômica exclusiva: possuem
direito à navegação, sobrevoo e colocar cabos e dutos, mas não
pode explorar pesca ou subsolo.
 Quanto aos recursos minerais, os estados têm o direito sobre eles,
de maneira plena, em detrimento de qualquer outro estado.
 Estados estrangeiros podem sobrevoar, navegar e colocar dutos
submarinos.
- Plataforma continental: é o prolongamento do continente. Leito e
subsolo das águas submarinas, situa-se antes das 200 milhas, a plataforma
continental seguirá até completar as 200 milhas da linha de base. Por
outro lado, se o bordo exterior for muito distante das linhas de base, a
máxima extensão da plataforma será de 350 milhas marítimas.
 Bordo exterior da margem continental: queda abrupta do leito que
conduz às águas submarinas.
 Fundos marinhos: águas subaquáticas, o leito e o subsolo das águas
internacionais não pertencem a nenhum estado. São patrimônio
comum da humanidade.
 os direitos de exploração e aproveitamento de seus recursos são
exercidos de forma soberana pelo Estado costeiro,
independentemente de sua ocupação, real ou fictícia, ou de
qualquer declaração expressa.
- Alto-mar: áreas não incluídas na zona econômica exclusiva, no mar
territorial ou nas águas interiores de um estado, nem nas águas
arquipelágicas de um estado arquipelágico.
 Princípio da liberdade.
 Estados sem litoral também têm direito a acessar o alto mar.
 Conceitos por exclusão, qualquer área não abrangida pela ZEE, mar
territorial, águas interiores.
 É possível a construção de ilhas artificiais.
 Pratica-se a pesca e a instalação de cabos e oleodutos submarinos.
 Os procedimentos de natureza penal aplicáveis às embarcações em
alto-mar serão aqueles da bandeira do navio.
 Estados possuem direito de apresamento e de visita em
embarcações que estejam praticando pirataria e transportando
escravos.

- Estreitos e canais.
 Estreito é o corredor que facilita o trânsito entre dois espaços
marítimos, interessando à navegação internacional.
 Canais: são corredores construídos artificialmente que facilitam a
navegação internacional. Ex: canal do panamá, canal de suez, etc.
Ficam sob a titularidade do país que o construiu.
 É possível o direito de passagem inocente de submarinos e navios
militares.
 Guerra da lagosta: embarcações francesas conseguiram autorização
para fazer pesquisa no litoral brasileiro, depois descobriu-se que
eles estavam pescando lagosta sem autorização. Tese da França no
caso: as lagostas não estavam na plataforma continental, mas no
alto-mar, isso porque elas lagostas têm natureza jurídica de peixe,
e, portanto, viviam na plataforma continental mas “pulavam” para o
alto-mar.
- Direito de navegação marítima:
 Obs:
a) Toda embarcação deve arvorar uma bandeira que corresponda a
uma nacionalidade.
b) A navegação em alto-mar é livre, desde que com fins pacíficos.
c) Perseguição contínua (hot pursuit): direito do estado costeiro de
perseguir a embarcação que violou os seus regulamentos. Esta
perseguição deve se encerrar quando a embarcação perseguida
entrar no mar territorial de outro estado.

4. DIREITOS DOS RIOS INTERNACIONAIS.


- Conceito: rios que tocam mais de um estado.
- Podem ser sucessivos (atravessam dois estados), ou contíguos (fazem o
limite entre dois ou mais estados).
- Não há um tratado geral sobre os rios e mar.

5. Artigos da lei 8617 que já caíram em prova

Art. 2º A soberania do Brasil estende-se ao mar territorial, ao espaço


aéreo sobrejacente, bem como ao seu leito e subsolo.

Art. 3º É reconhecido aos navios de todas as nacionalidades o direito de


passagem inocente no mar territorial brasileiro.
§ 1º A passagem será considerada inocente desde que não seja prejudicial
à paz, à boa ordem ou à segurança do Brasil, devendo ser contínua e
rápida.
§ 2º A passagem inocente poderá compreender o parar e o fundear, mas
apenas na medida em que tais procedimentos constituam incidentes
comuns de navegação ou sejam impostos por motivos de força ou por
dificuldade grave, ou tenham por fim prestar auxílio a pessoas a navios ou
aeronaves em perigo ou em dificuldade grave.

Art. 12. O Brasil exerce direitos de soberania sobre a plataforma


continental, para efeitos de exploração dos recursos naturais.

Art. 10. É reconhecidos a todos os Estados o gozo, na zona econômica


exclusiva, das liberdades de navegação e sobrevôo, bem como de outros
usos do mar internacionalmente lícitos, relacionados com as referidas
liberdades, tais como os ligados à operação de navios e aeronaves.

 Os estados costeiros não podem impedir que demais embarcações


transitem sob a zona econômica exclusiva, sob pena de violação do
direito à liberdade de navegação, e não o direito de passagem
inocente.

Art. 11. A plataforma continental do Brasil compreende o leito e o subsolo


das áreas submarinas que se estendem além do seu mar territorial, em
toda a extensão do prolongamento natural de seu território terrestre, até
o bordo exterior da margem continental, ou até uma distância de
duzentas milhas marítimas das linhas de base, a partir das quais se mede a
largura do mar territorial, nos casos em que o bordo exterior da margem
continental não atinja essa distância.

Art. 14. É reconhecido a todos os Estados o direito de colocar cabos e


dutos na plataforma continental.
§ 1º O traçado da linha para a colocação de tais cabos e dutos na
plataforma continental dependerá do consentimento do Governo
brasileiro.
§ 2º O Governo brasileiro poderá estabelecer condições para a colocação
dos cabos e dutos que penetrem seu território ou seu mar territorial.

- ARTIGOS CONVENÇÃO MONTEGO BAY

Nos termos do artigo 2º, itens 1 e 2, da Convenção da ONU sobre direito


do Mar: 1. A soberania do Estado costeiro estende-se além do seu
território e das suas águas interiores e, no caso de Estado arquipélago, das
suas águas arquipelágicas, a uma zona de mar adjacente designada pelo
nome de mar territorial. 2. Esta soberania estende-se ao espaço aéreo
sobrejacente ao mar territorial, bem como ao leito e ao subsolo deste
mar.

ARTIGO 28
Jurisdição civil em relação a navios estrangeiros
1. O Estado costeiro não deve parar nem desviar da sua rota um navio
estrangeiro que passe pelo mar territorial, a fim de exercer a sua
jurisdição civil em relação a uma pessoa que se encontre a bordo.

ARTIGO 86. Âmbito de aplicação da presente Parte


As disposições da presente Parte aplicam-se a todas as partes do mar
não incluídas na zona econômica exclusiva, no mar territorial ou nas águas
interiores de um Estado, nem nas águas arquipélagicas de um Estado
arquipélago. O presente artigo não implica limitação alguma das
liberdades de que gozam todos os Estados na zona econômica exclusiva
de conformidade com o artigo 58.
ARTIGO 58. Direitos e deveres de outros Estados na zona econômica
exclusiva
1. Na zona econômica exclusiva, todos os Estados, quer costeiros quer
sem litoral, gozam, nos termos das disposições da presente Convenção,
das liberdades de navegação e sobrevôo e de colocação de cabos e dutos
submarinos, a que se refere o artigo 87, bem como de outros usos do mar
internacionalmente lícitos, relacionados com as referidas liberdades, tais
como os ligados à operação de navios, aeronaves, cabos e dutos
submarinos e compatíveis com as demais disposições da presente
Convenção.

II.
ARTIGO 77. Direitos do Estado costeiro sobre a plataforma continental
1. O Estado costeiro exerce direitos de soberania sobre a plataforma
continental para efeitos de exploração e aproveitamento dos seus
recursos naturais.
2. Os direitos a que se refere o parágrafo 1º, são exclusivos no sentido
de que, se o Estado costeiro não explora a plataforma continental ou não
aproveita os recursos naturais da mesma, ninguém pode empreender
estas atividades sem o expresso consentimento desse Estado.
3. Os direitos do Estado costeiro sobre a plataforma continental são
independentes da sua ocupação, real ou fictícia, ou de qualquer
declaração expressa.

III.
ARTIGO 87. Liberdade do alto mar
1. O alto mar está aberto a todos os Estados, quer costeiros quer sem
litoral. A liberdade do alto mar é exercida nas condições estabelecidas na
presente Convenção e nas demais normas de direito internacional.
Compreende, inter alia, para os Estados quer costeiros quer sem litoral:
a) liberdade de navegação;
b) liberdade de sobrevôo;
c) liberdade de colocar cabos e dutos submarinos nos termos da PARTE
VI;
d) liberdade de construir ilhas artificiais e outras instalações permitidas
pelo direito internacional, nos termos da parte VI;
e) Liberdade de pesca nos termos das condições enunciadas na seção 2;
f) liberdade de investigação científica, nos termos das Partes VI e XIII.

artigo 96 da Convenção da ONU sobre direito do Mar: Os navios


pertencentes a um Estado ou por ele operados e utilizados unicamente
em serviço oficial não comercial gozam, no alto mar, de completa
imunidade de jurisdição relativamente a qualquer Estado que não seja o
da sua bandeira

ARTIGO 125
Direito de acesso ao mar e a partir do mar e liberdade de trânsito
1. Os Estados sem litoral têm o direito de acesso ao mar e a partir do mar
para exercerem os direitos conferidos na presente Convenção, incluindo
os relativos à liberdade do alto mar e ao patrimônio comum da
humanidade. Para tal fim, os Estados sem litoral gozam de liberdade de
trânsito através do território dos Estados de trânsito por todos os meios
de transporte.
2. Os termos e condições para o exercício da liberdade de trânsito devem
ser acordados entre os Estado sem litoral e os Estado de trânsito
interessados por meio de acordos bilaterais, sub-regionais ou regionais.
3. Os Estados de trânsito, no exercício da sua plena soberania sobre o seu
território, têm o direito de tomar todas as medidas necessárias para
assegurar que os direitos e facilidades conferidos na presente Parte aos
Estados sem litoral não prejudiquem de forma alguma os seus legítimos
interesses.

ESPAÇOS GLOBAIS COMUNS.

1. Introdução.
- Áreas consideradas patrimônio comum da humanidade.
- Não confundir patrimônio comum da humanidade com preocupação
comum da humanidade (despertar responsabilidades).

2. Princípios.
- Não-apropriação: Estados não podem se apropriar dos espaços comuns.
- Utilização para fins pacíficos.
- Incentivo à pesquisa científica. É possível o uso de equipamentos
militares para pesquisa.
- Benefícios em prol da humanidade: o uso dos espaços não pode ser de
interesse privado, mas de toda a humanidade.
- Preservação para gerações futuras.

3. Zonas polares.
- Ártico: grande oceano coberto de gelo permanente em sua maior parte e
não há regulamentação específica para essa região. Não há interesse da
comunidade internacional sobre o território.
- Antártida: continente coberto de gelo, fica no polo sul. Tratado da
antártica de 1959. Uso regulado pelo Protocolo de Madrid de 1991.
 Princípios:
a) Utilização exclusivamente para fins pacíficos para sempre.
b) Não é possível instalar bases militares para ataque, só para
proteger. Nem para teste nuclear.
c) Exploração para o Progresso da humanidade.

4. DIREITO DO ESPAÇO AÉRIO.


- Convenção de Varsóvia – responsabilidade civil no direito aéreo.
 Conflito entre o CDC e aplicação da convenção. Disse o STF que nos
voos internacionais aplica-se a convenção, não o CDC.
- Convenções de Chicago sobre aviação civil. Convenção aplicável apenas
às aeronaves civis.
 As aeronaves terão a nacionalidade do Estado em que estejam
registradas, ficando vedado o registro em mais de um Estado.
 Convenção diferencia voos regulares dos não regulares.
 A Convenção foi assinada em 1944 e atualmente conta com a
adesão de mais de 190 países. Ela define que o sobrevoo de
aeronaves civis sobre um país estrangeiro exige, geralmente, uma
permissão ou acordo bilateral, a menos que se trate de voos
internacionais comerciais regulares, que operam com base em
direitos de tráfego concedidos mutuamente. Esses direitos são
conhecidos como "liberdades do ar"- Convenção de Tóquio.
 Para aeronaves não comerciais (ou voos não programados),
normalmente é exigida uma autorização específica para sobrevoo,
conforme as regras do país em questão.

4.1. PRINCÍPIOS.
- 1º: Sobre o seu espaço aéreo o estado exerce soberania exclusiva e
absoluta.
- 2º: Não há direito de passagem inocente. Diferentemente no espaço
marítimo.
- 3º: É livre o trânsito no espaço aéreo em que qualquer Estado não exerça
soberania. Ex: no mar;
- 4º: Toda aeronave deve ter uma nacionalidade. Não se admite dupla
nacionalidade. Deve corresponder ao estado de registro da aeronave.
- Cinco liberdades do ar, Convenção de Chicago:
 1º: direito de sobrevoo, sem escalas, sem realizar pouso no
território de um ente estatal que faz parte da convenção. Ex:
Aeronave dos EUA que vai a Argentina não é obrigada a parar no
Brasil.
 2º: direito de pousar em outro país para fins técnicos sem que haja
embarque ou desembarque de passageiros. Ex: Aeronave dos EUA
que vai a Argentina pode parar no Brasil para encher o tanque do
avião sem que haja a saída ou entrada de passageiros.
 3º: Direito de desembarcar passageiros e carga transportados do
país de origem para outro país. Ex: Um voo que sai dos EUA pode
desembarcar passageiros e cargas no Brasil.
 4º: Embarcar passageiros e mercadorias com destino ao estado de
origem da aeronave.
 5º: Direito de transportar passageiros e carga entre dois países
estrangeiros, desde que o voo tenha origem no país da companhia
aérea. Exemplo: Um voo de uma companhia aérea dos EUA pode
partir dos EUA, desembarcar passageiros no Brasil, e depois
continuar para a Argentina transportando novos passageiros entre o
Brasil e a Argentina.
a) Bolívia não tem esta quinta liberdade, por exemplo.

5. Direito do espaço extra-atmosférico.


- ESPAÇO GEOESTACIONÁRIO região ao redor da terra, numa altitude de
aproximadamente 36 mil quilômetros acima do Equador, ideal para o
posicionamento de satélites.
 se dois ou mais Estados realizarem um lançamento conjunto de um
objeto espacial, eles serão solidária e individualmente
responsáveis por danos causados a outros Estados ou entidades
- ESPAÇO SIDERAL E CORPOS CELESTES: é disciplinado através do Tratado
sobre Princípios Reguladores das Atividades dos Estados na Exploração e
Uso do Espaço Cósmico, Inclusive a Lua e Demais Corpos Celestes
- Princípios:
 Uso para fins pacíficos.
 Livre acesso.
 Insuscetibilidade de apropriação
 Investigação e a exploração devem ser revertidas para o proveito
geral de todos os povos.
 Livre acesso às informações recolhidas.
- Convenção sobre a responsabilidade internacional por danos causados
por objetos espaciais.
 Responsabilidade subjetiva.
 Indenização via diplomática.
 Não é necessário o prévio esgotamento dos remédios locais para
haver indenização.
 O tratado não fala do lixo espacial, não há tratado sobre lixo
espacial.
NACIONALIDADE E CONDIÇÃO JURÍDICA DO ESTRANGEIRO

1. NACIONALIDADE.

1.1. Conceito.
- Vínculo jurídico-político que liga uma pessoa ao seu estado.
- Diferente da cidadania: aptidão para o exercício dos direitos políticos.
Sujeito pode ser nacional, mas não cidadão.
- Não se confunde com naturalidade: diz respeito ao local de nascimento
da pessoa. É possível que uma pessoa tenha naturalidade estrangeira, mas
nacionalidade brasileira.
- É um direito humano.

1.2. Espécies.
- Originária/primária: baseia-se no fato involuntário, normalmente o
nascimento. De acordo om esse conceito, podemos encontrar três
critérios:
 Ius solis: local
 Jus sanguinis: ascendência.
 Misto: os dois
- Derivada/adquirida/secundária: deriva de uma manifestação de vontade,
decorre de um fato posterior ao nascimento, não ligado diretamente a
ele.
 Naturalização.
 Casamento
 Vínculo funcional
 Transformações territoriais:
 Nacionalização unilateral.

1.2.1. Nacionalidade brasileira originária.


- Art. 12, I, CF, a: ius solis.
 Nasceu aqui, é brasileiro,
 ainda que de pais estrangeiros,
 O que é república federativa do brasil para fins de nacionalidade?
Lagos, rios, baías, golfos, ilhas, mares, espaço aéreo, navios
mercantes brasileiros em alto-mar ou de passagem em mar
territorial estrangeiro, navios e aeronaves bélicos brasileiros em
qualquer lugar que estejam, aeronaves civis que estiverem
sobrevoando espaços aéreos estrangeiros.
- Art. 12, I, “b”, Ius sanguines:
 Nascidos no estrangeiro de mãe brasileira, ou pai brasileira.
 Impuro: basta que um dos pais seja brasileiro.
 Pai ou mãe que estiver no exterior em serviço público brasileiro;
- Art. 12, I, “c”, CF, jus sanguinis (primeira parte): São brasileiros natos
desde que faça o registro em repartição consular.
 Ex: Conrado, português, é casado com Nice, brasileira, que dá luz a
Jorge, quando ambos estavam na Itália a passeio. Para que Jorge
tenha nacionalidade brasileira, deve ser registrado no consulado
brasileiro na Itália.
- art. 12, I, “c”, CF jus sanguinis (segunda parte): não registraram na
repartição consular, mas o filho depois da maioridade vem a morar no
Brasil e fez a opção da nacionalidade originária. Brasileiro nato.
 Nacionalidade postestativa:
a) Basta o titular manifestar a vontade que vai ter nacionalidade
reconhecida.
b) Este ato é personalíssimo, o titular não pode ser representado
nem assistido para a prática do ato.
c) A opção pela nacionalidade possui efeitos retroativos até a
residência no Brasil.
d) Pode ser realizada a qualquer tempo após a maioridade civil
e) Competência é da justiça federal, jurisdição voluntária.
f) Entre a residência e a maioridade a nacionalidade está sob
condição resolutiva.
g) Art. 215, § 1º, regulamento: Após atingida a maioridade, e até
que se faça a opção pela nacionalidade brasileira, a condição de
brasileiro nato fica suspensa.
h) STF no RE 415957: entre a maioridade e a opção, ele tem a
nacionalidade sob condição suspensiva da ulterior homologação
judicial da opção – os efeitos ficam pendentes até aqui.
i) Feita a opção pela nacionalidade, os efeitos retroagem à data de
nascimento do interessado.
 Brasileiro nato não pode ser extraditado. Segundo o STF, quando o
sujeito faz a opção pela sua naturalização, o processo de extradição
fica suspenso, e sendo deferida a medida, o processo é extinto. Ver
AC – QO 70/RS.
a) No entanto, se o brasileiro nato adquirir outra nacionalidade,
poderá ser extraditado. REVOGA HIPÓTESE DE PERDA DE
NACIONALIDADE QUANDO ADQUIRIDA OUTRA. Agora o nato só
perde se fizer pedido expresso. Hipótese será comum nos casos
em que a lei estrangeira exigir a perda da nacionalidade
brasileira.
b) Caso foi inspirado no caso Cláudia hoerig, em que uma brasileira
fora extraditada em decorrência da acusação da morte do seu
marido, um Estadunidense.
c) A nacionalidade para além de fortalecer uma construção
identitária, representa um direito fundamental que resulta na
proteção diplomática do Estado, e permite a participação política
plena na sociedade.
d) Logo, o exercício da cidadania pressupõe nacionalidade.
e) Declaração Universal dos Direitos Humanos em seu artigo 13.2
determina que “todo ser humano tem o direito de deixar
qualquer país, inclusive o próprio e a esse regressar. artigo 15
explicita a proteção à nacionalidade da pessoa, reconhecendo
que “todo ser humano tem direito a uma nacionalidade”
f) Diante desses fundamentos, percebe-se que o objetivo da
emenda foi impedir que a mudança errática da condição jurídica
do estrangeiro o impeça de livremente exercer seus direitos
fundamentais na condição de nacional.

1.2.2. Nacionalidade brasileira derivada.


- Naturalização ordinária:
 art. 12, II, a, 1ª parte: qualquer indivíduo que adquiriu
nacionalidade brasileira através do procedimento previsto na lei de
migração.
 Art. 12, II, “a”, 2ª parte: aos países originários da língua portuguesa
exige-se a residência por um ano e idoneidade moral.
- Nacionalidade especial:
 Ser cônjuge de integrante do serviço exterior brasileiro;
 Tenha sido empregado em missão diplomática ou repartição
consular por mais de 10 anos.
- Nacionalidade provisória:
 Criança ou adolescente
 Fixou residência antes de completar 10 anos de idade.
- Naturalização extraordinária:
 Art. 12, II, “b”: estrangeiros de qualquer nacionalidade residentes
na república há quinze anos e sem condenação penal, desde que
requeira a nacionalidade.
a) “Desde que requeiram”: segundo a jurisprudência e doutrina,
nesse caso há direito adquirido desde que preenchidos
requisitos, ato vinculado. Efeitos retroagem à data do
requerimento, natureza declaratória, efeitos ex-tunc.
- Quase nacionalidade (art. 12, § 1º, CF):
 Não é automática, necessidade de requerimento (ver ext 674/STF).
 Não implica em dupla cidadania.
 Convenção sobre igualdade de direitos e deveres entre brasileiros e
portugueses.
a) Estatuto da igualdade não implica perda de nacionalidade.
b) Não implica direitos de nacionais natos (nacionalidade
originária).
c) É proibido o duplo gozo de direitos políticos. Serão suspensos o
exercício no Estado da nacionalidade.
d) Só exercerá após 5 anos de residência permanente.
e) De acordo com o tratado, se estiver em um terceiro estado, só
poderá ter proteção diplomática do estado de sua nacionalidade.
f) Somente os direitos reservados na constituição é que são
equiparados.
g) Prazo para gozar é após 3 anos.
h) O português equiparado só pode ser extraditado para o seu país
de origem. Ex: se a França pede extradição, esta será indeferida.
- Procedimento para qualquer naturalização ordinária:
 Concedido pelo Ministro da Justiça;
 Pedido processado perante a Polícia Federal.
 Prazo: 180 dias.
 Produz efeitos após a publicação em DOU.
 Do indeferimento cabe recurso no prazo de 10 dias, contados da
notificação, que será julgado em até 60 dias;
 A manutenção da decisão não impedirá apresentação de novo
pedido de naturalização.
 o Ministro de Estado da Justiça não tem competência para rever ato
de naturalização, apenas judicialmente. STF.

1.2.3. Condição jurídica do naturalizado.


- Somente a Constituição pode realizar distinções entre o nato e o
naturalizado, a lei não pode fazê-lo. Regra da igualdade. Diferenças em
espécie:
 Cargos privativos (art. 12, § 2º - [Link]).
 Proprietário de empresa jornalística e de radiofusão sonora e de
sons e imagens.
a) Brasileiros naturalizados podem ser proprietários se a
naturalização ocorreu há mais de 10 anos
 Extradição (art. 5º, LI, LII):
a) O brasileiro naturalizado pode ser extraditado por crime comum
praticado antes da naturalização;
b) Ou por tráfico de drogas, ainda que depois de naturalização.
 Conselho da republica: brasileiros naturalizados podem compor
conselho, mas desde que pelo o menos hajam 6 brasileiros natos.
 Cancelamento da naturalização: STF RMS 27.840/DF: Ministro de
estado não tem competência para rever ato de naturalização.
 Perda da nacionalidade.

1.3. Perda da nacionalidade.


- STF: A perda da nacionalidade somente pode ocorrer nas hipóteses
taxativamente definidas pela CF, sendo ilícito decreto, tratado ou lei
inovar na matéria.
- Perda-Sanção: cancelamento por sentença judicial em virtude de
atividade nociva ao interesse nacional (art. 12, § 4º, I).
 RMS 27840: Para SUPREMO, se há a perda da nacionalidade, o
Ministro de estado não tem competência para decretá-la.
 Na hipótese de perda por naturalizado, ação será realizada
mediante procedimento judicial na JF proposta pelo MPF. Única
forma de readquirir é por meio de ação rescisória, vedado novo
procedimento de naturalização.
- Perda-mudança: adquirir outra nacionalidade. Art. 12, § 4º, II: perde a
nacionalidade quando adquire outra.
 Antes da EC 131, aplicava-se apenas ao naturalizado. Agora, o nato
pode perdê-la se, espontaneamente, mediante procedimento de
jurisdição voluntária, pedir o cancelamento da nacionalidade
brasileira
 Aplica-se ao nato e ao naturalizado.
 Requisitos:
a) Manifestação livre de vontade
b) Capacidade civil
c) Efetiva aquisição da nacionalidade.
 Efeitos: ex-nunc.
 Mediante procedimento de jurisdição voluntária (sentença).
 Antes da EC 131, era automática a perda da nacionalidade, mesmo
ao nato, nas hipóteses de:
a) Reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira
= dupla nacionalidade. Ex: brasileiros descendentes de italianos
que tem reconhecida pela lei local a sua ascendência.
b) Imposição de naturalização, pela norma estrangeira, para que
ele possa exercer direitos civis. É reconhecida a dupla
nacionalidade porque não há livre escolha do agente.
 Declaração se efetivará por ato do Ministro de Estado da Justiça,
após procedimento administrativo.
 Jurisprudência:
a) ver info 822/STF: brasileira ao adquirir tinha green card é
naturalizada americana, perde a nacionalidade (originária) em
face da perda mudança, estando sujeita à extradição. Com a EC
131, só perde a nacionalidade se fizer pedido expresso nesse
sentido.

CONDIÇÃO JURÍDICA DO ESTRANGEIRO.

1. INTRODUÇÃO.
- Fases da migração:
 Brasil colônia: estrangeiro é inimigo.
 Abertura dos portos às nações amigas, carta régia de D. João VI,
início de um tratamento não discriminatório. Constituição de 1824,
várias restrições aos estrangeiros.
 Estrangeiro como imigrante: fator de desenvolvimento e riqueza.
Constituição de 1891.
 Fase de controle e xenofobia: revolução russa e a grande depressão.
Estado se fecha e passa a intervir no domínio econômico.
 Fase de segurança nacional: Estado novo, redemocratização.
Posteriormente, ditadura militar e edição estatuto do estrangeiro.
- Mudança de paradigma:
 Estatuto do estrangeiro: tutela da segurança nacional.
 Lei migração: proteção do migrante/visitante, força normativa dos
direitos humanos.
 Consequências:
a) Antes a jurisprudência do STF afirmava que no procedimento de
expulsão não era obrigatório o respeito ao contraditório e ampla
defesa.
b) Atualmente, a própria lei impõe o direito ao contraditório por
meio de defensor constituído ou pela DPU.
c) Proteção aos apátridas.

VI - apátrida: pessoa que não seja considerada como nacional por nenhum
Estado, segundo a sua legislação, nos termos da Convenção sobre o Estatuto
dos Apátridas, de 1954, promulgada pelo Decreto nº 4.246, de 22 de maio de
2002, ou assim reconhecida pelo Estado brasileiro.

Segundo a ACNUR: “A apatridia ocorre por várias razões, como discriminação


contra minorias na legislação nacional, falha em reconhecer todos os residentes
do país como cidadãos quando este país se torna independente (secessão de
Estados) e conflitos de leis entre países".

2. ENTRADA
- Entrada, ver art. 13, II, DUDH: deslocamento enquanto direito humano.
- Entrada de estrangeiros é sempre discricionária, diz respeito à soberania
do estado. Em princípio, o estado não é obrigado a permitir o ingresso.
- A posse ou a propriedade de bens no Brasil não autoriza o direito de
vista ou autorização de residência.
- Para ingressar em um estado de estrangeiro, é necessário um título de
ingresso que é documento de viagem, são documentos:
 Passaporte
 Autorização de retorno
 Salvo-conduto
 Carteira de identidade de marítimo
 Carteira de matrícula consular
 Certificado de membro de tripulação de transporte aéreo
 Laissez passer é o documento emitido quando não é possível emitir
o passaporte.
 Visto:

2.1. Visto.
- Documento que confere expectativa de direito de ingresso.
- Pode ser dispensado, os estados não são obrigados a cobrar o visto.
- Discricionário.

2.2. Residente fronteiriço.


- Quem mora em país fronteiriço tem autorização para no Brasil exercer
atos da vida civil.
- Poderá ser cancelado se o residente fronteiriço obtiver outra condição
migratória.

2.3. Autorização de residência.


- Não será concedido aos condenados criminalmente, salvo:
 Nos casos de saúde, acolhida humanitária, reunião familiar.
 Crime de menor potencial ofensivo.
- Será facilitada nos casos de tralho e pesquisa.
- É prorrogável. Se não requer a prorrogação antes do vencimento, incorre
o imigrante em multa.
- A vítima de refúgio, asilo ou apatridia fará jus a autorização provisória.
- Poderá ser onerosa ou gratuita.

2.4. Da entrada condicional.


- Não preenche os requisitos de ingresso, mas, excepcionalmente, permite
o seu ingresso nos casos de:
 Não possui visto
 Titular de visto emitido com erro ou omissão
 Perdido a condição de residente, mas detém condições de nova
autorização de residência.
 Criança desacompanhada dos pais.

3. Saída do estrangeiro.
- Via de regra, a saída compulsória será realizada para o país de origem do
migrante.
- Nos casos de deportação ou expulsão poderá o Delegado representar
perante o juízo federal.

3.1. Deportação.
- Procedimento administrativo, mas que poderá ser representado em
juízo, de saída compulsória em razão da irregularidade do seu ingresso ou
da permanência. Só tem lugar quando o migrante adentra no território do
país.
 Ex: visto irregular, visto expirou.
- Nada impede que o deportado seja conduzido ao país do qual não seja
nacional.
- Deportação # impedimento.
 O impedimento ocorre no setor de imigração. Ao passo que na
deportação o agente sujeito à medida pode estar em qualquer
parte do território - “situação migratória irregular no território
nacional”.
 Ex: indivíduo vai de férias à Espanha, chegando lá, o agente de
migração indefere a entrada no território (impedimento), porque
não possui seguro saúde, negando visto ao indivíduo, enviando-o
no primeiro voo ao país de origem (repatriação).
- Competência: Polícia Federal.
- Procedimento:
 Notificação pessoal, de preferência eletrônica.
a) Notificação não impede livre circulação.
 Deportando deve constituir advogado para apresentar defesa em
10 dias; caso seja realizada pela DPU, em 20 dias.
a) Ausência de manifestação da DPU não impede deportação.
 Deportando tem prazo de 60 dias para regularizar situação,
prorrogável por igual período.
a) Prazo poderá ser reduzido nos casos de ato contrário à CF.
b) Vencido o prazo, deportação é automática.
 Cabe recurso com efeito suspensivo em 10 dias contados da
notificação.
- Vedada deportação para onde a pessoa é perseguida.
- Pode retornar ao país, basta que regularize sua situação.

3.2. Repatriação.
- Medida administrativa no qual o migrante em situação de impedimento,
é enviado exclusivamente ao seu país de nacionalidade.
- São razões de impedimento:
 Migrante anteriormente expulso
 Documento que:
a) Não seja válido no Brasil
b) Vencido
c) Rasurado ou com indício de falsificação.
 Sem documento de viagem ou identificação.
 Fraudou documentação.
- Não será aplicado ao:
 Apátrida (heimatlos)
 Menor de 18 anos, exceto se a repatriação for melhor para o
menor.
3.3. Expulsão.
- Medida administrativa de saída compulsória conjugada com
impedimento de reingresso, em razão da condenação em sentença penal
condenatória.
 O prazo do impedimento de reingresso será proporcional à pena da
sentença aplicada, e não poderá ser superior ao dobro de seu
tempo. Ou seja, poderá ser diferente.
- Expulsão # banimento.
 Banimento/desterro: nacional perde a nacionalidade tornando-se
apátrida (heimatlos). É vedada: Art. 5º, XLVII, CRFB/88.
a) Não é sinônimo de exílio ou cassação
- Não haverá expulsão:
 Se a extradição for inadmitida.
 O expulsando tiver (causas de inexpulsabilidade):
a) Que tem filho brasileiro sob sua guarda.
a.1) Reconhecimento de filho brasileiro após o fato que
determinou a expulsão do estrangeiro também obsta a execução
da medida (REPERCUSSÃO GERAL).
b) Conjunge ou companheiro
c) Estiver residindo no Brasil até os 12 anos de idade
d) Possuir mais de 70 anos e resida há mais de 10 anos no Brasil.
 Art. 22, CADH: vedação à expulsão coletiva. Violação aos direitos
humanos. Individualização da pena.
a) caso Velez Loor Vs. Panamá. Corte interamericana de direitos
humanos.
a.1) impossibilidade de fixação de políticas migratórias cujo foco
seja detenção arbitrária.
a.2) Mecanismos de controle de ingresso de estrangeiros devem
ser compatíveis com a proteção dos direitos humanos.
a.3) defesa técnica no procedimento de expulsão e direito de
notificação consular.
a.4) direito de ficar separado dos presos comuns.
- Procedimento.
 Instaurada por meio de inquérito policial de expulsão, de ofício ou
por determinação do Ministro da Justiça que apurará:
a) Existência de condição de inexpulsabilidade.
b) Medidas de ressocialização se houver execução da pena
c) Gravidade do ilícito.
 Será o expulsado notificado do inquérito.
 Defensor tem prazo de 10 dias para defesa; se não constituir
defensor, DPU responde em 20 dias.
 Se não se apresentar para o interrogatório, será considerado revel,
hipótese em que a Polícia Federal fará qualificação indireta do
expulsando.
 Relatório final do inquérito com a recomendação técnica pela
efetivação da expulsão será encaminhado ao Ministro da Justiça,
que publicará o ato de expulsão.
 Da decisão do ministro cabe reconsideração no prazo de 10 dias
contados da notificação pessoal.
 Poderá ser requerida ao Ministro do Justiça a suspensão dos efeitos
e da revogação da suspensão comprovando o expulsando as causas
de inexpulsabilidade.
- Art. 338, CP: tipifica o crime de reingresso de estrangeiro expulso.

o ato administrativo de expulsão, manifestação da soberania do país, é


de competência privativa do Poder Executivo, competindo ao Judiciário
apenas a verificação da higidez do procedimento por meio da
observância das formalidades legais. STJ. 1a Seção. HC 333.902-DF, Rel.
Min. Humberto Martins, julgado em 14/10/2015 (Info 571).

3.4. Extradição.
- Modalidade de cooperação jurídica internacional que concerne na
entrega de pessoa a Estado estrangeiro, para que nele seja julgada, ou se
submeter à execução penal.
- Natureza jurídica:
 É cabível o ajuizamento de ação rescisória em face de acórdão
proferido pelo STF em processo de extradição, pois este possui
cunho predominantemente administrativo, não havendo que se
falar na hipótese de julgamento de natureza penal.
- Extradição # abdução (ilegal): sequestro de um indivíduo para ser julgado
em outro território. A violação aqui consiste na invasão de território alheio
(soberania).
- Tipos:
 Quanto ao solicitante:
a) Ativa: brasileiro comete crime no exterior, Brasil pede a
extradição.
b) Passiva: estrangeiro comete crime no exterior e aqui se refugia,
país estrangeiro pede extradição ao Brasil.
 Quanto ao momento:
a) Instrutória: processo está em curso no país de origem.
b) Executória: processo já foi julgado, só restando a execução.
- Fundamento: pode ser tanto em um tratado internacional, ou uma
promessa de reciprocidade.
 Tratados sobre extradição não criam o direito à extradição, mas
apenas estabelecem condições para sua efetivação.
 Promessa de reciprocidade pode ser anterior ou posterior ao fato,
se posterior, o Presidente não é obrigado a extraditar, mesmo que
haja autorização do STF.

3.4.1. Vedações e permissões a extradição.


- Extradição de nacionais:
 O brasileiro nato não pode ser extraditado (art. 5º, LI, CF).
 O naturalizado pode ser por tráfico de drogas ou crime comum
antes da naturalização.
 Dupla nacionalidade: não pode ser extraditado (HC – QO 883113).
 Opção e extradição (AC 70 QO): na hipótese do súdito fazer a opção
pela nacionalidade potestativa originária (art. 12, I, “c”, CF), seus
efeitos retroagem à data da residência, e na pendência do processo
de homologação judicial da nacionalidade, suspende-se o processo
extradicional.
 A expressão “comprovado envolvimento em tráfico, na forma da
lei”, do art. 5º, LI, CF, tem duas consequências:
a) No processo de extradição deve haver prova do envolvimento do
tráfico. Há uma derrogação da contenciosidade limitada/sistema
delibatório (esse sistema impede que o judiciário adentre ao
mérito da questão).
a.1) nos casos em que o supremo adentra no mérito, deve haver
uma lei que regule isso. Expressão que diz “nos termos da lei”:
norma de eficácia limitada.
- Vedação de estrangeiro por crime político ou de opinião.
 Crime político: praticado como uma contestação à ordem jurídico-
política vigente.
a) crime político impróprio: quando o crime político vem
acompanhado de um crime comum. Nesses casos, o STF adota o
critério da preponderância: vê se no caso concreto se
prepondera o crime político ou o crime comum. Ver EXT 412.
b) Se o crime político ou de opinião sejam anteriores à extradição,
mesmo assim não se admite a extradição.
 EXT 794: extradição política disfarçada: o pedido de extradição que
se transveste de crime político.
 Poderá não ser considerado crime político:
a) Crime contra chefe de estado;
b) Crime contra a humanidade;
c) Crime de guerra;
d) Crime de genocídio ou terrorismo.
 Crime cuja pena cominada seja inferior a 2 anos.
 Dupla tipicidade/dupla incriminação/princípio da identidade: não
será concedida a extradição se o fato imputado não for tipificado
em ambos estados.
a) Não é necessário que o nomen iuris seja o mesmo, basta que
haja identidade jurídica entre os tipos.
 Contravenção penal não satisfaz exigência. Ver Ext 473.
 Competência da justiça brasileira:
a) Não será concedida extradição se o crime for de competência da
justiça brasileira.
b) Para o STF será negada a extradição se já tiver sido iniciado o
processo na justiça brasileira. EXT 634 – mesmo raciocínio do BIS
IN Idem.
c) Se aqui já foi condenado ou absolvido.
 Não cabe extradição se o estrangeiro responde na justiça brasileira
pelos mesmos fatos. EXT 1174
 Crime prescrito, ou se for declarada extinta a punibilidade do crime,
seja de acordo com a lei do estado requerente ou requerido.
 Se a pessoa estiver submetida a um tribunal ad hoc.
 Se tiver sério risco de vida/risco de violação de direitos humanos.
 Condição de refugiados (art. 33 e 34 da lei 9.474/97).
a) Será suspensa a extradição se houver sido solicitado a condição
de refúgio.
b) pode ser expulso o refugiado em caso de segurança nacional ou
de ordem pública. Em todo caso, não pode ser expulso para país
que sua vida corre perigo.
 STF tem dado interpretação ampla para não permitir extradições
que afrontem os direitos humanos do acusado. Ex: não cabe se os
tipos penais pelos quais é processado o acusado no país solicitante
são excessivamente abertos.
 Não se concederá extradição se na época do fato o crime não era
punido no Brasil (Ext 1578).
 Não se concederá se o país enfrenta quadro de instabilidade
política, há risco do súdito ser levado a um tribunal de exceção (Ext.
1578).
- NÃO SÃO VEDAÇÕES:
 Ser casado ou ter filho brasileiro (S. 421/STF).
 Ter domicílio em território brasileiro.
 Não criar embaraço à justiça do estado requerente – STF é obrigado
avaliar a legalidade do pedido.
 Ausência de processo no estado requerente.

3.4.2. Procedimento
- Administrativa (extradição passiva):
 Pedido do estado estrangeiro pode ser via diplomática, tramita via
ministério da justiça, após preenchidos os requisitos de
admissibilidade da lei de migração ou tratado internacional, e,
posteriormente, é encaminhado ao STF.
a) Não preenchidos os requisitos formais, o MJ pode arquivar
desde logo a extradição, mas o pedido poderá ser renovado.
- Judicial.
 Prisão cautelar:
a) Sob a lei 6.815, a prisão era condição de procedibilidade.
b) Sob a lei de migração: a prisão cautelar será realizada sob
requerimento da autoridade estrangeira.
c) Ouvido o MPF, poderá autorizar prisão albergue ou domiciliar,
determinar que o extraditando responda em liberdade ou
determine medidas cautelares diversas da prisão.
d) Pode ser apresentado pedido prévia ou conjuntamente ao
pedido de extradição.
e) Não é necessária a presença dos requisitos da prisão preventiva.
A prisão é constitucional (ver EXT 1196).
f) Na ausência de disposição em tratado, prisão será realizada em
60 dias, contados da data em que cientificar a prisão do
extraditado.
d.1) caso não apresente pedido de extradição nos 60 dias, será
posto o extraditando em liberdade.
g) Pode ser prorrogado até o julgamento final.
 QO 1476: extradição monocrática, haverá a entrega imediata do
extraditando ao Estado requerente por meio de procedimento
simplificado. Requisitos:
a) Não tenha praticado crime no Brasil.
b) Previsão em tratado
c) Concordância do extraditando de modo expresso e voluntário,
d) Assistido por advogado/defensor
 Defesa do extraditando: pedido é restrito/defesa vinculada (sistema
belga):
a) Identidade da pessoa reclamada,
b) Defeito de forma dos documentos apresentados ou
c) Ilegalidade. A
 Decisão do STF:
a) Apenas autoriza a extradição, cumpridos requisitos.
b) Em havendo negativa, o poder executivo está vinculado à
decisão, mas se deferida, o poder executivo tem a
discricionariedade em entregar (Caso Césari Baptiste).
c.2) negada a extradição, não se admite novo pedido pelos
mesmos fatos.
c.3) não se admite recurso.
- Administrativa 2ª – entrega do extraditando.
 Condições para entrega:
a) Princípio da especialidade: o extraditando só pode ser
submetido a uma execução penal por fatos indicados no pedido
de extradição.
b) Se o estado requerente pretender executar ou processar por
outros fatos, deverá ser feito um pedido de extensão.
b.1) é possível o pedido de extensão mesmo já deferida
extradição pelo STF, observados requisitos: 1) dupla tipicidade,
2) ausência de extinção de punibilidade, e demais requisitos para
extradição.
c) Em havendo dois países pedindo a extradição pelo mesmo fato,
tem preferência o estado onde ocorreu o delito.
d) Disse a EXT 1131 se houver um processo em curso contra o
extraditando, tem o presidente a discricionariedade para deferir
a medida ou não.
e) Detração: obrigatoriedade do estado requerente abater da pena
os dias em que o extraditando ficou preso no Brasil.
f) O estado requerente deve se comprometer em não agravar a
pena por motivo político.
g) Em havendo a possibilidade de pena de prisão perpétua ou pena
de morte, deve o estado extraditando se comprometer em
aplicar uma pena de no máximo 40 anos.
3.5. Entrega.
- Saída compulsória de qualquer pessoa para ser julgada em um tribunal
internacional. Art. 89.
- Entrega Vs. Extradição: é possível a entrega de brasileiros natos? VER
MATERIAL HUMANOS.

4. Pedidos de transferências.
- Execução penal está em curso.

4.1. Transferência de execução da pena.


- Quer cumprir pena aqui, mas foi condenado no estrangeiro.
 Geralmente empregado quando uma pessoa que tenha fugido do
país onde foi condenada, para evitar o cumprimento da sentença,
para o Estado de sua nacionalidade.
 Medida evita a impunidade de condenados que cometeram crimes
no exterior e retornaram aos seus países.
- Recebido pelo poder executivo, transferido ao STJ.
- Pedido poderá ser arquivado mediante decisão fundamentada.
- Competência para execução da pena será da Justiça Federal.

4.2. Transferência de pessoa condenada (aqui).


- Quer cumprir a pena no estrangeiro, mas aqui foi condenada.
 é uma medida humanitária que possibilita à pessoa, que cumpre
pena no Brasil ou no exterior, solicitar ou concordar com a
transferência para seu país de nacionalidade ou país em que tenha
residência habitual ou vínculo pessoal
- Pode ser aplicada juntamente com medida de reingresso.
- Competência:
 Na transferência passiva (transferência do Brasil para país
estrangeiro), a solicitação deve ser feito ao Ministério da Justiça
(MJ);
 Na ativa (transferência de brasileiro de país estrangeiro para o
Brasil), a solicitação pode ser feita à autoridade central estrangeiro
ou ao MJ.
 o Estado que condenou o preso mantém a competência exclusiva
para as sentenças proferidas pelos seus tribunais, as condenações
por ele impostas, e quaisquer processos destinados a rever,
modificar ou revogar essas sentenças.
 Por outro lado, os benefícios decorrentes da execução da pena, tais
como a progressão de regime e o livramento condicional deverão
ser apreciados pelo Estado recebedor, de acordo com sua legislação
interna. (Informativo SCI e Convenção Interamericana sobre o
Cumprimento de sentença penais no Exterior, art. VII, 2., e VIII)

5. Asilo
- Asilo político: acolhimento por um estado de um estrangeiro perseguido
por razões políticas.
 Asilo é um direito humano exclusivo de estrangeiros.
- Requisitos:
 Perseguição política
 Atualidade da perseguição.
- A concessão do asilo dispensa os requisitos formais de ingresso. Ex:
possuir visto.
- Ato discricionário: nem um estado é obrigado a receber.
- Espécies:
 Territorial: se dá no território do estado asilante.
 Diplomático: se dá na embaixada do estado asilante (provisório e
precário).
a) É considerado uma etapa do asilo territorial.
b) Dá direito a um salvo conduto até o aeroporto internacional
mais próximo para ir para o território do estado do asilo
definitivo.
- Começou com um costume internacional, e se consolidou, mas é
aplicado apenas na américa latina.
- Quem tem competência para dizer se a perseguição é política é o estado
acreditante (que envia).
- Não é concedido em repartições consulares.
- Sempre concedido dentro do território onde é perseguido.
- A saída do país sem prévia comunicação das autoridades implica em
perda do direito de asilo.

Artigo I (Convenção sobre Asilo Diplomático)

O asilo outorgado em legações, navios de guerra e acampamentos ou


aeronaves militares, a pessoas perseguidas por motivos ou delitos políticos,
será respeitado pelo Estado territorial, de acôrdo com as disposições desta
Convenção.

Para os fins desta Convenção, legação é a sede de tôda missão diplomática


ordinária, a residência dos chefes de missão, e os locais por êles destinados
para êsse efeito, quando o número de asilados exceder a capacidade normal
dos edifícios.
- Os navios de guerra ou aeronaves militares que se encontrarem
provisoriamente em estaleiros, arsenais ou oficinas para serem reparados,
não podem constituir recinto de asilo.

6. Refúgio.
- Acolhimento pode se dar por diversos motivos: ex: raça, grupo social,
religião, penúria.
- Princípio da obrigatoriedade (non-refoulement – vedação ao rechaço): o
REFUGIADO pode ser enviado para outro país por motivos de segurança
nacional ou ordem pública, no entanto, o estado não pode devolver o
solicitante de refúgio para o lugar onde ele está sendo perseguido.
- Pode ser relativizado em situações de risco para o país ou quando o
indivíduo comete crime particularmente grave.

ITEM I: DECRETO 50.215/1961 Artigo 12 Estatuto pessoal


1. O estatuto pessoal de um refugiado será regido pela lei do país de seu
domicílio, ou, na falta de domicílio, pela lei do país de sua residência.
2. Os direitos adquiridos anteriormente pelo refugiado e decorrentes do
estatuto pessoal, e principalmente os que resultam do casamento, serão
respeitados por um Estado Contratante, ressalvado, sendo o caso, o
cumprimento das formalidades previstas pela legislação do referido Estado,
entendendo-se, todavia, que o direito em causa deve ser dos que seriam
reconhecidos pela legislação do referido Estado se o interessado não houvesse
se tornado refugiado.

Asilo Refúgio
Político Humanitário
Nasce de um costume Previsto nas normas do ACNUR
internacional, e posteriormente (alto comissariado das nações
tornou-se uma norma prevista em unidas para refugiados)
tratados
Discricionário Vinculado
Não se faz necessário o elemento Há necessariamente
da extraterritorialidade no asilo extraterritorialidade
diplomático
Perseguição em razão de motivos Perseguição por fatores de raça,
políticos e ideológicos religião, nacionalidade etc.
DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO

1. Conceito e características.
- Conferência da Haia
 Organização que atua na harmonização da codificação
internacional, estando a serviço da cooperação judiciária e
administrativa em matéria de direito internacional privado,
 Atribui-se à Conferência da Haia o mérito pela criação do sistema de
autoridades centrais, cujo objetivo é promover a cooperação
administrativa e judicial entre os Estados.
 teve sua inauguração em 1893 e contou com a participação de 13
delegações de países europeus, de maneira que o Brasil não é um
dos seus Estados fundadores, tendo se tornado membro somente
em 1972 e denunciado o Estatuto em 1977, mas voltou atrás nessa
decisão, promulgando-o por meio do Decreto 3.832/2001.
- Via de regra, as relações jurídicas de direito privado são reguladas no
âmbito do direito interno. No entanto, quando possuem conexão
internacional, será necessário se valer de regras de aplicação de leis no
espaço.
- Razões de ser do direito internacional:
 Diversidade legislativa.
 Sociedade transnacional.
- É uma exceção ao princípio da territorialidade: autoridades locais devem
aplicar a norma estrangeira, inclusive de ofício.
- São normas indicativas (indicam o direito aplicável).
- Fontes:
 Se as disposições sobre a aplicação do direito são distintas entre os
países, é possível a edição de regras em tratados ou instrumentos
de soft law.
- Direito internacional público # direito internacional privado.
Direito internacional público Direito internacional privado.
Regulação da sociedade Regulação dos conflitos de leis no
internacional espaço
Disciplina direta das relações Indicação da norma aplicável.
internacionais ou das relações Disciplina indiretamente.
internas de interesse internacional
Normas de aplicação direta Normas indicativas.
Normas internacionais Normas internas e internacionais
Regras de direito internacional Regras de direito internacional
público público ou de direito interno

- Críticas:
 Não é direito, não é internacional, nem é privado.
a) Seria um sobredireito. Não visa regular as relações de direito
material, mas dizer qual o direito aplicável. É um meta-direito.
Estaria mais próximo de um regime de regras de interpretação e
aplicação do direito.
b) Não é internacional porque a maioria de suas normas são
internas. Ex: LINDB.
c) Não é privado, porque faz parte das normas do direito público.
São normas cogentes, de ordem pública, não fica à mercê das
partes.
- Objetivos:
 Imediato: Harmonização das decisões judiciais.
 Mediato: Realização da justiça material.
- Objeto:
 Doutrina alemã e italiana: o conflito de leis no espaço.
 Anglo-saxã: conflito de leis e conflito de jurisdição. Qual a legislação
aplicável e qual a justiça competente. Em algumas situações a
justiça brasileira pode aplicar o direito estrangeiro.
 Francesa: abrange conflito de leis no espaço, conflito de jurisdição,
nacionalidade, condição jurídica de estrangeiro, e direitos
adquiridos no exterior.
 Doutrina brasileira: há uma tendência à doutrina francesa.

1.1. Princípios.

2. Estrutura e conceitos.
- Não leva em consideração o conteúdo da norma, nem suas
consequências. Não são normas diretas, mas indiretas.
- A hipótese de incidência das regras do DIPr é distinta do direito comum
(antecedente e consequente), por ser indicativa.
- Lex fori: lei nacional,
- Lex causae: lei estrangeira.
- Objeto de conexão: instituto objeto de discussão, indicação dos fatos
inseridos em categorias jurídicas.
 Qualificação do objeto de conexão: seria uma norma obrigacional
ou referente ao direito de família?
- Elemento de conexão: indicação das circunstâncias que conectam os
fatos a uma determinada ordem jurídica.

3. Métodos de aplicação.
- DIPr parte do pressuposto que existe uma pluralidade de métodos e de
fontes.

3.1. Método Indireto/indicativo/remissivo:


- DIPr não regula o fato, mas indica qual a lei aplicável, não se indaga
sobre o seu conteúdo.
 Parte da doutrina entende que o DIPr busca a indicação da norma,
no entanto, é possível que o DIPr se valha de outros métodos em
respeito à igualdade, a autodeterminação dos povos, etc. Esse
argumento afasta a tese do DIPr ser um sobredireito que o limita às
normas de indicação.
- Método indireto unilateral: critério de escolha espacial da norma, o foco
é a classificação da norma conforme seu conteúdo. Se classifica um
determinado fato transnacional e se escolhe o elemento de conexão que o
vincula ao ordenamento da lex fori. Consiste na delimitação do alcance
das normas do Estado do foro sem que seja analisada a aplicação da lei de
outro Estado. Ex: “a lei nacional será aplica a todas as questões
relacionadas à propriedade”, caso um francês possua um imóvel aqui no
Brasil, a lei francesa não poderá ser aplicada.
 Críticas:
a) ignora a universalidade e a complexidade na prática
internacional.
- Método indireto multilateral rígido ou método conflitual (Savigny):
identificação a priori do direito por meio da localização do centro ou sede
da relação jurídica da relação transnacional.
 Apesar de configurar uma evolução quanto ao método unilateral,
não se preocupa com o resultado da aplicação da norma, isso
porque este método confia na lógica do ordenamento, e na
homogeneidade dos institutos jurídicos que os rege.
 Nesse sentido, as normas de conexão, com fundamento na natureza
jurídica dos institutos, irão diferenciar as hipóteses de aplicação da
lex fori ou lex causae. Ex: define a lei que nas questões de
nacionalidade aplica-se a lex causae, nas causas de celebração de
contrato o local da contratação.
 Elementos:
a) Relação jurídica: exige-se que o fato seja classificado como
obrigação, bem imóvel, capacidade, etc.
b) Sede: investigação de dados objetivos da relação jurídica. Ex:
definida a categoria “capacidade”, sua sede seria “domicílio”.
c) Localização da sede da relação: norma de conexão.
 Ex:
 A saída para não aplicação da norma internacional indicada será a
hipótese de violação de normas de ordem pública ou fraude à lei.
 Adotado pela LINDB.
 Consequências: diante das particularidades do caso, é imposta ao
intérprete a aplicação mecânica da norma de conexão. O método
indireto observa a aplicação da lei em observância de uma justiça
formal e espacial, mas desconsidera a justiça material, do caso
concreto.

Evolução do paradigma: o fato de existirem conflitos específicos fazem


afastar o método indireto. Tendência de fragmentação de temas antes
tratados de forma monolítica. Nesse sentido, o CPC/15 avançou ao dispor
de forma distinta a determinação da jurisdição nos casos de alimentos e
consumo.

- Método indireto multilateral flexível fechado: utilização das regras de


conexão com adição de valores na análise da busca da escolha do critério
com o objetivo de buscar o melhor resultado material. Podem ser
utilizados critérios alternativos, cumulativos ou subsidiários.
 Aplicação do princípio da proximidade: juiz deve aplicar a lei que
está intimamente ligada à causa.
- Método indireto multilateral flexível aberto: testa todas as possibilidades
por meio de resultados hipotéticos resultantes da aplicação da lei para
que se chegue à melhor solução possível. É focado no resultado e não na
coerência ou sistematicidade dos meios para atingi-lo.
 Crítica: juiz age de forma discricionária em busca do melhor
resultado, gerando insegurança jurídica.
 Utilizado nos EUA. Comum em países da comonn law.
- Método indireto de matriz internacional: prevista em tratado. Há
convivência entre as regras internas de um ordenamento e as regras
previstas no instrumento internacional.
3.2. Método direto/substancial/materialismo.
- Norma internacional regula diretamente o fato.
- Rompe com a ideia de que o DIPr traz apenas normas indicativas. No
entanto, parte da doutrina afirma não se tratar de método relacionado ao
direito internacional privado.

3.3. Método do reconhecimento.


- Aceitação de situações jurídicas consolidadas de acordo com a lei do
Estado estrangeiro. Exige que o Estado deixe de aplicar as suas próprias
regras para encontrar o elemento de conexão e verifique a validade da
situação.
- Nesse sentido, afirma a doutrina tratar-se de um método direto.
- Pressupõe a integração efetiva entre os entes envolvidos, a exemplo do
que ocorre na União Europeia.
- Requisitos:
 Situação jurídica consolidada.
 Ausência de ofensa à ordem pública
 Ser hipótese que permite aplicação do método do reconhecimento.

4. Forma de aplicação de normas. Como aplicar o método multilateral


indireto.
- Caminho traçado pelo magistrado:
 (a) qualificar (classificar) o objeto de conexão, ou seja, o instituto
jurídico em causa, para somente depois
 (b) localizar a sede da questão colocada (encontrando-se o
elemento de conexão competente) e, finalmente,
 (c) determinar e aplicar a norma competente para a resolução do
problema
- Na aplicação do direito internacional privado, a norma estrangeira será
direito.
 Consequência: é possível o Juiz aplicar o direito estrangeiro de ofício
(iura novit cúria).
 Não terão as partes o ônus de provar o teor e a vigência da norma
em questão, salvo quando por elas alegado (STJ).
 Não há violação da soberania.
 O direito aplicado pode ser de direito privado ou público.
 Deve aplicar se for um costume externo estrangeiro. A expressão
“lei”, prevista no art. 4º, é lei “lato sensu”.
 Não havendo alegação de direito estrangeiro pelas partes, deve o
juiz investigar, de ofício, a aplicação do direito ao caso concreto.
 As partes não podem renunciar ao império da lei estrangeira. Juiz
aplica independentemente da vontade das partes.
- Prova do direito estrangeiro.
 Em havendo dúvida quanto ao direito aplicável, poderão as partes
produzirem prova para aplicação do direito estrangeiro.
 É facultado ao juiz a produção desta prova. Nesse sentido, art. 337,
CPC:

“A parte, que alegar direito municipal, estadual, estrangeiro ou


consuetudinário, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o juiz”

- Impossibilidade de conhecimento de lei estrangeira.


 Non liquet: juiz não pode se escusar em julgar. Princípio da
completude do ordenamento.
 Na ausência, aplica-se a lex fori. Fundamento: art. 4º, LINDB:

“quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os
costumes e os princípios gerais de direito”

- Nada impede que sejam interpostos recursos excepcionais (RE, REsp)


contra decisão que viola lei estrangeira (STF, STJ).
- As questões relacionadas à vigência e revogação da lei estrangeira
devem ser analisadas sob a ótica da lex causae. Juiz atua como se fosse
juiz estrangeiro.
 Mas a norma processual será sempre a lex fori.
 Nesse sentido, se norma for idêntica entre os países, mas com
interpretações distintas, deverá o juiz atribuir a interpretação
estrangeira, ainda que jurisprudencial.
- Limites à aplicação do direito estrangeiro:
 Normas de ordem pública.
a) Opera após o juiz encontrar a norma estrangeira indicada pelo
DIPr da lex fori.
b) Servem ao controle incidental de constitucionalidade da norma
estrangeira.
c) Conjunto de valores essenciais de uma determinada
comunidade, envolve aspectos jurídicos, sociais econômicos e
culturais. Nesse sentido, a doutrina tem se inclinado para aceitar
um conceito de ordem pública de natureza jusfudamentalista.
d) Ordem pública interna: limitação à autonomia da vontade de
particulares.
e) Ordem pública de direito internacional privado: limitação ao uso
do direito estrangeiro, inclusive o direito adquirido.
f) A defesa da ordem pública é do estado do foro, mas não
necessariamente os valores nela contidos têm origem nacional.
Nesse sentido, poderá lançar mão do argumento de violação de
normas de ordem pública quando desrespeitada norma de jus
cogens.
g) A violação de normas de ordem pública não se aplica apenas na
esoclha da norma, mas também, na exequatur e homologação
de sentenças estrangeiras.
 Normas de aplicação imediata (lois police).
a) Normas imperativas.
b) Operam antes de qualquer indagação sobre qual norma será
aplicada ao caso concreto.
 Fraude à lei.
a) Fundamento: art. 166, IV, CC/02: “nulo o negócio jurídico
quando tiver por objetivo fraudar lei imperativa”
b) São normas unilaterais e essenciais.
c) Podem ser normas internas ou internacionais, constantes em
tratados de direitos humanos.
d) Altera-se dolosamente o elemento de conexão. Meios
aparentemente lícitos mas acobertam uma finalidade ilícita.
e) Direito de mudar de nacionalidade não pode ser considerado
fraude à lei por tratar-se de direito humano fundamental.
f) Ex: mudança de nacionalidade para escapar do rigor da lei que
proíbe divórcio, impõe investigação da paternidade, etc.
 Princípio da lei mais favorável/prélèvement/favor negotii.
a) Fundamento: dignidade da pessoa humana.
b) Nesse sentido, Art. 5º, XXXI, CF c/c art. 10, § 1º, LINDB:

sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei


brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não
lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus

 Reciprocidade: direito estrangeiro rechaçaria nas mesmas


circunstâncias a lex fori.
 Institutos desconhecidos quando inviável a dupla qualificação.
Nesse sentido, art. 3º, convenção interamericana de Normas Gerais
de Direito Internacional Privado.
Quando a lei de um Estado Parte previr instituições ou procedimentos
essenciais para a sua aplicação adequada e que não sejam previstos na
legislação de outro Estado Parte, este poderá negar-se a aplicar a referida
lei, desde que não tenha instituições ou procedimentos análogos.

4.1. Conflitos.
- Se o país A afirma que sua lei é aplicável, e o país B afirma que, também,
a lei de A é aplicável, não haverá conflito. Em qualquer outra situação
haverá conflito de normas.
- Conflitos de normas no espaço:
 Conflito espacial positivo: cada um dos ordenamentos indica sua
própria norma.
a) Ex: Denis, português, domiciliado no Brasil, falece e deixa bens
imóveis no Brasil. Para o direito brasileiro aplica-se a lei
brasileira, para o direito português, aplica-se a lei portuguesa.
b) Solução: harmonização das legislações, aplica-se a ideia de
proximidade ou interpretação pro homine.
 Conflito espacial negativo: quando um dos ordenamentos exclui a
aplicação da lei, ainda que um deles afirme ser aplicável sua
legislação. Para solução aplica-se a teoria do reenvio.
a) Ex: nos casos relativos a direito de sucessão de brasileiros
domiciliados na Itália, a lei brasileira manda aplicar a norma
italiana (domicílio), enquanto a norma italiana manda aplicar a
lei brasileira (nacionalidade). Qual lei aplicar?
b) Pela teoria do reenvio:
b.1) Se tanto a lex fori como a lex causae se dizem inaplicáveis,
deverá aplicar-se a lex fori, isso porque a lex causae devolve,
reenvia a questão (reenvio de primeiro grau: lex causae – lex
fori). LINDB admite.
b.2) Poderá haver um reenvio de segundo grau para um terceiro
estado na hipótese em que a lei do estado de envio afirmar ser
aplicável lei de terceiro estado.

Ex: Cidadão italiano, domiciliado na Franca, falece deixando bens


imóveis no Brasil.

Qual lei aplicável para regular a sucessão?

Segunda a lei brasileira aplica-se do lugar do imóvel.


Segundo a lei italiana, aplica-se a lei do domicílio do falecido – lei
francesa.

Já a lei francesa afirma que se aplica a lei da nacionalidade, a lei


italiana.

Ainda que a lei brasileira se mostre aplicável, há conflito


negativo, porque as leis internacionais se valem de outros
critérios para definir a lei do caso concreto.

c) LINDB proibiu expressamente a teoria do reenvio de segundo


grau (art. 16), dando preferência às qualificações dadas pela lei
estrangeira.
- Conflitos de normas no tempo: decorrem da alteração legislativa interna
relativa aos conflitos de leis interespaciais e leis interpessoais. Direito
internacional intertemporal.
 Os conflitos de lei no tempo devem respeitar o direito adquirido, o
ato jurídico perfeito e a coisa julgada, logo, dizem respeito às
garantias fundamentais, razão pela qual devem ser disciplinados
exclusivamente pela lex fori.

5. Qualificação.
- Pela qualificação compreende-se qual a natureza da questão em debate,
isto é, a classificação jurídica dos fatos transnacionais, os limites e a
natureza do objeto de conexão.
- Isto é: Juiz verifica se é possível enquadrar o ato ou fato jurídico com
conexão internacional no objeto de conexão previsto pela norma de DIPr
da lex fori. Ex: seria a união homoafetiva objeto das normas de
casamento?
- Qualificação é anterior ao conflito do DIPr propriamente, isto é, antes de
definir o elemento de conexão. Nesse sentido, art. 9º, LINDB.
- Qualificação
 Provisória: A qualificação deve ser feita inicialmente pelos conceitos
da lex fori.
 Definitiva: se a lex causae diverge da lex fori, aplica-se a lex causae
na identificação do objeto de conexão.
 Não será assim quando:
a) A lex fori expressamente estabelecer a qualificação pela lex
causae. Ex: arts. 8º e 9º.
b) Haja tratado internacional indicando a norma.
- Como qualificar norma que não existe no ordenamento jurídico (instituto
desconhecido)? Deve haver uma dupla qualificação:
 Qualificação prejudicial pela lex fori: verifica se o instituto é
desconhecido ou responde por outro nome (qualificação
propriamente dita).
 Se inviável a dupla qualificação, o instituto não é aplicável.
- Conflitos de qualificação.
 Apesar de terem o mesmo nomen iuris, as legislações atribuem
concepções divergentes sobre o direito em questão.
 Não se confunde com a situação de qualificação prejudicial
(inexistência do instituto em questão).
 Surge antes da aplicação da regra de conexão.
 Se quaisquer das partes argui em juízo a definição da qualificação,
mas em havendo tratado uniformizando a matéria, então deverá o
interesse da parte ceder diante da norma internacional.

6. Questão prévia.
- Para a resolução da questão principal deve-se resolver a questão
preliminar. Lembrar: questão prejudicial.
- Se aplica apenas ao direito material.
- É resolvida após a qualificação ou concomitantemente a esta.
 Posterior a investigação, anterior à solução final.
- Ex: capacidade para suceder (capacidade para receber herança)
pressupõe a qualidade de herdeiro (ordem de vocação hereditária).
- Requisitos para definição:
 Ser aplicável no caso concreto uma lei estrangeira.
 Ser a questão uma causa distinta da questão principal.
 Serem necessariamente distintos os resultados obtidos pela
aplicação do DIPr do país da lei aplicável à questão principal e do
país do foro.
- Não haverá questão prévia quando a questão principal tiver de ser
decidida pela aplicação da lex fori.

7. Adaptação ou aproximação.
- Princípio da proximidade, por mais que não haja uma identidade literal, o
juiz aplica a norma mais próxima.
- Adequa-se a norma indicada, ou na sua falta, à situação jurídica
concreta. Ex: na época que não havia o divórcio no Brasil, mas havia no
Japão, era possível aplica-lo, segundo a norma japonesa, porque o Brasil
autorizava o desquite, instituto afim.
- Institutos distintos:
 Transposição: norma estrangeira é desconhecida no ordenamento
interno, então transporta-se ao direito interno a lei estrangeira.
 Substituição: necessidade de coordenar o direito nacional a um ato
praticado além do foro, de acordo com o direito estrangeiro.

8. Direito adquirido no estrangeiro.


- Via de regra, o direito adquirido deve ser reconhecido pela ordem
interna. Teoria do Vested rights.
 Ex: pessoas casadas nos Estados Unidos que moram no Brasil,
aplicar-se-á o regime jurídico brasileiro quanto ao casamento, pois
possuem o status de casados, não cabendo questionar a validade
desse matrimônio.
 Ex2: indivíduo que ingressa no Brasil com relógio de pulso no braço,
não cabe indagar sobre a propriedade deste bem.
- O reconhecimento de direito adquirido independe de homologação de
sentença estrangeira.
- Deriva do respeito à soberania.
- Se o direito é reconhecido através da norma de conexão, não se faz
necessário se valer da regra do direito adquirido.
- Poderá o direito adquirido ceder diante da violação de normas de ordem
pública. Art. 7º Convenção Interamericana sobre Normas Gerais de Direito
Internacional Privado.

As situações jurídicas validamente constituídas em um Estado Parte, de


acordo com todas as leis com as quais tenham conexão no momento de
sua constituição, serão reconhecidas nos demais Estados Partes, desde
que não sejam contrárias aos princípios da sua ordem pública

- Não obstante violação da ordem pública, se legalmente constituído pela


lex causae, poderá ser considerado válido. STJ afirmou que não ofende a
soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes, a cobrança de
dívida de jogo em país estrangeiro.
 Nesse caso, a aplicação da norma da vedação às normas de ordem
pública é mais gravosa do que o reconhecimento do direito
adquirido.
 Ex: O Brasil não aceita união poligâmica, mas não pode deixar de
reconhecer pensão alimentícia.
- Direito adquirido é norma constitucional, superior às demais, logo, só
poderá ceder se violar normas fundadas na proteção de direitos humanos.
Ex: questiona-se a validade do direito adquirido na compra de escravos.

9. Elementos de conexão.
9.1. Elemento # objeto de conexão.
- Elemento de conexão:
 Ligam, vinculam a questão ao DIPr, permitindo saber qual lei aplicar.
 São elementos de localização do direito aplicável.
- Objeto de conexão: matéria regulada.
 Quando se tem dúvida sobre o elemento de conexão, deve o
intérprete realizar a qualificação, sob pena de alcançar resultados
distintos.
- Art. 8º da LINDB, que dispõe: “Para qualificar os bens [objeto de conexão
+ qualificação] e regular as relações a eles concernentes, aplicar-se-á a lei
do país em que estiverem situados [elemento de conexão]”
- O resultado da atividade intelectiva do Magistrado será a indicação da
sede da relação jurídica, a lei aplicável.

9.2. Espécies de conexões.


- Pessoais: nacionalidade, domicílio, residência, origem, religião.
- Territoriais (lex rei sitae): relaciona-se à propriedade de bens móveis e
imóveis. Ex: art. 8º, LINDB: “Para qualificar os bens e regular as relações a
eles concernentes, aplicar-se-á a lei do país em que estiverem situados”.
- Formais: relacionados a atos jurídicos em geral. Ex: lugar da celebração
do ato, lugar da execução, lugar de sua constituição.
- Voluntárias: levam em conta a vontade das partes. Geralmente elemento
de conexão costumeiro.

9.3. Qualificação dos elementos de conexão.


- Qualificação pela lex causae: via de regra é esta que deverá qualificar o
instituto.
- Via de regra, a lex fori só tem condições de qualificar nacionalidade,
domicílio, lugar contratual.

9.4. Normas de conexão em espécie.


 Domicílio, Art. 7º, LINDB.

Art. 7o A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras


sobre o começo e o fim da personalidade, o nome, a capacidade e os
direitos de família.
 Definição pela lex fori.
 O moderno DIPr busca superar o antiga cisma entre a lei da
nacionalidade e a lei do domicílio. Busca-se o uso do critério de
conexão da residência habitual ou ainda o princípio da proximidade.
Nesse sentido a Convenção interamericana sobre domicílio das
pessoas físicas/convenção de montevidéu, não ratificada pelo Brasil.
 Apesar disso, é utilizada a convenção como uma espécie de soft
norm, aplicando-se à lei brasileira quando se tratar: 1) incapazes,
cujo domicílio será do representante legal; 2) pessoas casadas, o
domicílio será aquele em que vivam de comum acordo; 3)
diplomatas e cônsules: o último que tiver no território do Estado
acreditante.
 Problemas:
a) ausência de domicílio: nessa hipótese, utiliza-se a regra da
conexão sucessiva: aplica à residência habitual, caso não logre
êxito, aplica a lei do lugar onde a pessoa se encontre.
b) Pluralidade de domicílios: uso da lei de cada domicílio para os
atos e relações jurídicas lá realizadas (locus regit actum). Caso a
relação ocorra fora dos estados litigantes, aplica-se a regra da
conexão sucessiva.

 Art. 7º, § 8º: regra que esclarece o elemento de conexão domicílio.


A nacionalidade não tem relevância.

§ 8o Quando a pessoa não tiver domicílio, considerar-se-á domiciliada


no lugar de sua residência ou naquele em que se encontre.

- Casamento
 Casamento: mas quanto aos impedimentos e formalidades da
celebração, é o local do ato: art. 7º, § 1º. Lex loci actum.

§ 1o Realizando-se o casamento no Brasil, será aplicada a lei brasileira


quanto aos impedimentos dirimentes e às formalidades da celebração.

 Quanto à invalidade do ato: domicílio dos nubentes, ou o domicílio


dos nubentes.

§ 2o O casamento de estrangeiros poderá celebrar-se perante


autoridades diplomáticas ou consulares do país de ambos os nubentes.
§ 3o Tendo os nubentes domicílio diverso, regerá os casos de invalidade
do matrimônio a lei do primeiro domicílio conjugal.

 Regime de bens: domicílio dos nubentes, ou, se diverso, o primeiro


domicílio conjugal.

§ 4o O regime de bens, legal ou convencional, obedece à lei do país em


que tiverem os nubentes domicílio, e, se este for diverso, a do primeiro
domicílio conjugal.

- Nacionalidade.
 Art. 7º, § 5º: a naturalização é concluída com a entrega do
certificado de naturalização, momento no qual pode o estrangeiro
pedir a adoção do regime de comunhão parcial de bens.

§ 5º - O estrangeiro casado, que se naturalizar brasileiro, pode,


mediante expressa anuência de seu cônjuge, requerer ao juiz, no ato de
entrega do decreto de naturalização, se apostile ao mesmo a adoção do
regime de comunhão parcial de bens, respeitados os direitos de terceiros
e dada esta adoção ao competente registro.

 Art. 7º, § 6º: a segunda parte do dispositivo foi derrogada pelo EC


66/10 que prevê o divórcio direto.
a) Segunda parte do dispositivo: antigamente o STF que
homologava sentença estrangeira, e o divórcio era proibido, o
STF homologava as sentenças apenas para fins patrimoniais,
mantinha o vínculo matrimonial e separava os bens.

§ 6º O divórcio realizado no estrangeiro, se um ou ambos os cônjuges


forem brasileiros, só será reconhecido no Brasil depois de 1 (um) ano da
data da sentença, salvo se houver sido antecedida de separação judicial
por igual prazo, caso em que a homologação produzirá efeito imediato,
obedecidas as condições estabelecidas para a eficácia das sentenças
estrangeiras no país. O Superior Tribunal de Justiça, na forma de seu
regimento interno, poderá reexaminar, a requerimento do interessado,
decisões já proferidas em pedidos de homologação de sentenças
estrangeiras de divórcio de brasileiros, a fim de que passem a produzir
todos os efeitos legais.

 Art. 7º, § 7º: não recepcionado pela CF que prevê que homens e
mulheres são iguais em direitos e deveres.

- Outras regras sobre casamento:


 Art. 18: competência das autoridades consulares para praticar atos
de tabelionato. Mas tratando-se de brasileiros, só terá a
competência para celebrar o casamento se ambos forem brasileiros.

Art. 18. Tratando-se de brasileiros, são competentes as autoridades


consulares brasileiras para lhes celebrar o casamento e os mais atos de
Registro Civil e de tabelionato, inclusive o registro de nascimento e de
óbito dos filhos de brasileiro ou brasileira nascido no país da sede do
Consulado.

 Mas para o registro de criança, não é necessário que ambos os pais


sejam brasileiros. Ver art. 12, I, c, CF.
 Art. 18, § 1º: aquilo que pode ser feito nos cartórios brasileiros,
pode ser realizado nas repartições consulares.

§ 1º As autoridades consulares brasileiras também poderão celebrar a


separação consensual e o divórcio consensual de brasileiros, não
havendo filhos menores ou incapazes do casal e observados os
requisitos legais quanto aos prazos, devendo constar da respectiva
escritura pública as disposições relativas à descrição e à partilha dos
bens comuns e à pensão alimentícia e, ainda, ao acordo quanto à
retomada pelo cônjuge de seu nome de solteiro ou à manutenção do
nome adotado quando se deu o casamento.

 Art. 18, § 2º.


- art. 10, LINDB direitos hereditários. Regra do domicílio do de cujus ou do
ausente.

Art. 10. A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país
em que domiciliado o defunto ou o desaparecido, qualquer que seja a
natureza e a situação dos bens.

 Ocorre que essa regra não é absoluta e deverá ser interpretada


sistematicamente, ou seja, em conjunto com os demais dispositivos
que regulam o tema, em especial o art. 8º, caput, e § 1º do art. 12,
ambos da LINDB e o art. 89 do CPC 1973 (art. 23 do CPC 2015).
 lei brasileira só se aplica para os bens situados no Brasil e
autoridade judiciária brasileira somente poderá fazer o inventário
dos bens imóveis aqui localizados. STJ. 3ª Turma. REsp 1.362.400-
SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 28/4/2015 (Info
563).
 art. 10, § 1º: exceção à regra do domicílio, aplicando a regra da
nacionalidade aos bens estrangeiros situados no país, sempre que
não seja mais favorável a lei pessoal do de cujus. No mesmo sentido
o art. 5º, XXXI.

§ 1º A sucessão de bens de estrangeiros, situados no País, será regulada


pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, ou de
quem os represente, sempre que não lhes seja mais favorável a lei
pessoal do de cujus.

 art. 10, § 2º: capacidade para suceder. Aplica-se a lei do domicílio


do sucessor.

§ 2o A lei do domicílio do herdeiro ou legatário regula a capacidade


para suceder.

- Quanto aos bens. Art. 8º: lei do país em que eles estiverem situados: lex
rei sitae. Aplica-se apenas aos bens móveis e imóveis de localização
permanente. Os de uso pessoal de viajante aplica-se a lei do domicílio do
proprietário.

Art. 8o Para qualificar os bens e regular as relações a eles


concernentes, aplicar-se-á a lei do país em que estiverem situados.

 Art. 8º, § 1º: bens móveis que o proprietário tiver consigo, aplica-se
a lei do domicílio.

§ 1o Aplicar-se-á a lei do país em que for domiciliado o proprietário,


quanto aos bens moveis que ele trouxer ou se destinarem a transporte
para outros lugares.

 Art. 8º, § 2º: penhor é do domicílio de quem tem a coisa


empenhada.

§ 2o O penhor regula-se pela lei do domicílio que tiver a pessoa, em


cuja posse se encontre a coisa apenhada.

 Casos específicos:
a) Navios e aeronaves: lei do local do abandeiramento ou
matrícula. Deve o navio ou avião ter vínculo substancial com o
país que arvora bandeira (genuine link).

- Obrigações. Art. 9º: lei do país em que se constituírem.


Art. 9o Para qualificar e reger as obrigações, aplicar-se-á a lei do país
em que se constituirem.

 Obrigações e autonomia da vontade: doutrina dominante afirma


que o art. 9º é lei imperativa, não podendo as partes escolher o
lugar do cumprimento da obrigação. No entanto, para o STJ, há
possibilidade das partes optarem pela aplicação da legislação do
outro estado.
 Atualmente, a autonomia da vontade tem ultrapassado o campo
contratual.
 Onde a obrigação se constitui? Art. 9, § 2º: residência do
proponente, regra específica. Diferentemente do Art. 435, CC: onde
a obrigação foi proposta, esta é uma regra geral. Ex: A residente e
domiciliado na França contrata B para construir uma casa. o
negócio é fechado no Brasil. Aplicam-se as regras da França.

§ 2o A obrigação resultante do contrato reputa-se constituida no lugar


em que residir o proponente.

 Em se tratando de contrato celebrado entre ausentes, rege-se pelo


lugar em que residir o proponente. ACR afirma que deve se aplicar o
princípio da proximidade.
 Obrigações extracontratuais: lugar do evento danoso.
 Art. 9º, § 1º: se for executada no Brasil, e aqui se exige uma forma
essencial, esta deve a forma ser cumprida. Nessa hipótese, deve
obedecer simultaneamente a duas leis: quando executada no Brasil,
sua forma essencial (requisitos intrínsecos), enquanto que os
requisitos extrínsecos, como lugar e tempo, são definidos pela lei
estrangeira.

§ 1o Destinando-se a obrigação a ser executada no Brasil e


dependendo de forma essencial, será esta observada, admitidas as
peculiaridades da lei estrangeira quanto aos requisitos extrínsecos do
ato.

- Estatuto pessoal da pessoa jurídica.


 Teorias:
a) Sede social: onde está a sua sede social.
b) Incorporação: a pessoa jurídica é regida pelo direito de onde ela
foi constituída. Art. 11, LINDB: adotada pelo direito brasileiro.
Art. 11. As organizações destinadas a fins de interesse coletivo, como as
sociedades e as fundações, obedecem à lei do Estado em que se
constituirem.

- Lei na íntegra:

Art. 7o A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras


sobre o começo e o fim da personalidade, o nome, a capacidade e os
direitos de família.
§ 1o Realizando-se o casamento no Brasil, será aplicada a lei brasileira
quanto aos impedimentos dirimentes e às formalidades da celebração.

Impedimentos dirimentes: impedimentos do casamento. artigo 1.521

§ 2o O casamento de estrangeiros poderá celebrar-se perante


autoridades diplomáticas ou consulares do país de ambos os
nubentes.
§ 3o Tendo os nubentes domicílio diverso, regerá os casos de invalidade
do matrimônio a lei do primeiro domicílio conjugal.
§ 4o O regime de bens, legal ou convencional, obedece à lei do país em
que tiverem os nubentes domicílio, e, se este for diverso, a do primeiro
domicílio conjugal.
§ 5º - O estrangeiro casado, que se naturalizar brasileiro, pode,
mediante expressa anuência de seu cônjuge, requerer ao juiz, no ato de
entrega do decreto de naturalização, se apostile ao mesmo a adoção
do regime de comunhão parcial de bens, respeitados os direitos de
terceiros e dada esta adoção ao competente registro.
§ 6º O divórcio realizado no estrangeiro, se um ou ambos os cônjuges
forem brasileiros, só será reconhecido no Brasil depois de 1 (um) ano da
data da sentença, salvo se houver sido antecedida de separação judicial
por igual prazo, caso em que a homologação produzirá efeito imediato,
obedecidas as condições estabelecidas para a eficácia das sentenças
estrangeiras no país. O Superior Tribunal de Justiça, na forma de seu
regimento interno, poderá reexaminar, a requerimento do interessado,
decisões já proferidas em pedidos de homologação de sentenças
estrangeiras de divórcio de brasileiros, a fim de que passem a produzir
todos os efeitos legais. (Redação dada pela Lei nº
12.036, de 2009).
§ 7o Salvo o caso de abandono, o domicílio do chefe da família
estende-se ao outro cônjuge e aos filhos não emancipados, e o do tutor
ou curador aos incapazes sob sua guarda.
§ 8o Quando a pessoa não tiver domicílio, considerar-se-á domiciliada
no lugar de sua residência ou naquele em que se encontre.

Art. 8o Para qualificar os bens e regular as relações a eles


concernentes, aplicar-se-á a lei do país em que estiverem situados.
§ 1o Aplicar-se-á a lei do país em que for domiciliado o proprietário,
quanto aos bens moveis que ele trouxer ou se destinarem a transporte
para outros lugares.
§ 2o O penhor regula-se pela lei do domicílio que tiver a pessoa, em
cuja posse se encontre a coisa apenhada.

Art. 9o Para qualificar e reger as obrigações, aplicar-se-á a lei do país


em que se constituirem.
§ 1o Destinando-se a obrigação a ser executada no Brasil e
dependendo de forma essencial, será esta observada (forma, validade
do ato = lei brasileira), admitidas as peculiaridades da lei estrangeira
quanto aos requisitos extrínsecos do ato.
§ 2o A obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar
em que residir o proponente.

Art. 10. A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país
em que domiciliado o defunto ou o desaparecido, qualquer que seja a
natureza e a situação dos bens.
§ 1º A sucessão de bens (SUCESSAO DOS BENS) de estrangeiros,
situados no País, será regulada pela lei brasileira em benefício do
cônjuge ou dos filhos brasileiros, ou de quem os represente, sempre
que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de
cujus. (Redação dada pela Lei nº 9.047, de 1995)
§ 2o A lei do domicílio do herdeiro ou legatário regula a capacidade
para suceder.

Art. 11. As organizações destinadas a fins de interesse coletivo, como as


sociedades e as fundações, obedecem à lei do Estado em que se
constituirem.
§ 1o Não poderão, entretanto ter no Brasil filiais, agências ou
estabelecimentos antes de serem os atos constitutivos aprovados pelo
Governo brasileiro, ficando sujeitas à lei brasileira.
§ 2o Os Governos estrangeiros, bem como as organizações de qualquer
natureza, que eles tenham constituido, dirijam ou hajam investido de
funções públicas, não poderão adquirir no Brasil bens imóveis ou
susceptiveis de desapropriação.
§ 3o Os Governos estrangeiros podem adquirir a propriedade dos
prédios necessários à sede dos representantes diplomáticos ou dos
agentes consulares. (Vide Lei nº 4.331, de 1964)

Art. 12. É competente a autoridade judiciária brasileira, quando for o


réu domiciliado no Brasil ou aqui tiver de ser cumprida a obrigação.
§ 1o Só à autoridade judiciária brasileira compete conhecer das ações
relativas a imóveis situados no Brasil.
§ 2o A autoridade judiciária brasileira cumprirá, concedido
o exequatur e segundo a forma estabelecida pela lei brasileira, as
diligências deprecadas por autoridade estrangeira competente,
observando a lei desta, quanto ao objeto das diligências.

Art. 13. A prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela
lei que nele vigorar, quanto ao ônus e aos meios de produzir-se, não
admitindo os tribunais brasileiros provas que a lei brasileira desconheça.

Art. 14. Não conhecendo a lei estrangeira, poderá o juiz exigir de quem
a invoca prova do texto e da vigência.

Art. 15. Será executada no Brasil a sentença proferida no estrangeiro,


que reuna os seguintes requisitos:
a) haver sido proferida por juiz competente;
b) terem sido os partes citadas ou haver-se legalmente verificado à
revelia;
c) ter passado em julgado e estar revestida das formalidades
necessárias para a execução no lugar em que foi proferida;
d) estar traduzida por intérprete autorizado;
e) ter sido homologada pelo Supremo Tribunal Federal.
(Vide art.105, I, i da Constituição Federal).
Parágrafo único. (Revogado pela Lei nº 12.036, de
2009).

Art. 16. Quando, nos termos dos artigos precedentes, se houver de


aplicar a lei estrangeira, ter-se-á em vista a disposição desta, sem
considerar-se qualquer remissão por ela feita a outra lei.

Art. 17. As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer
declarações de vontade, não terão eficácia no Brasil, quando ofenderem
a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes.

Art. 18. Tratando-se de brasileiros, são competentes as autoridades


consulares brasileiras para lhes celebrar o casamento e os demais atos
de Registro Civil e de tabelionato, inclusive o registro de nascimento e de
óbito dos filhos de brasileiro ou brasileira nascido no país da sede do
Consulado. (Redação dada pela Lei nº 3.238, de 1957)

§ 1º As autoridades consulares brasileiras também poderão celebrar a


separação consensual e o divórcio consensual de brasileiros, não
havendo filhos menores ou incapazes do casal e observados os
requisitos legais quanto aos prazos, devendo constar da respectiva
escritura pública as disposições relativas à descrição e à partilha dos
bens comuns e à pensão alimentícia e, ainda, ao acordo quanto à
retomada pelo cônjuge de seu nome de solteiro ou à manutenção do
nome adotado quando se deu o casamento. (Incluído pela
Lei nº 12.874, de 2013) Vigência
§ 2o É indispensável a assistência de advogado, devidamente
constituído, que se dará mediante a subscrição de petição, juntamente
com ambas as partes, ou com apenas uma delas, caso a outra constitua
advogado próprio, não se fazendo necessário que a assinatura do
advogado conste da escritura pública. (Incluído pela
Lei nº 12.874, de 2013) Vigência

- LEI DO PAÍS DO DOMICÍLIO DA PESSOA: FA CA NO PÉ

 Direitos de família;
 Capacidade
 Nome
 Começo e fim da personalidade
- LEI DO PAÍS DA SITUAÇÃO DOS BENS

 Qualificar os bens e regular as relações a eles concernentes


- LEI DO PAÍS DO DOMICÍLIO DO PROPRIETÁRIO

 Bens móveis que ele trouxer ou se destinarem a transporte para outros


lugares
- LEI DO PAÍS EM QUE SE CONSTITUÍREM

 Qualificar e reger as obrigações


- LEI DO PAÍS EM QUE DOMICILIADO O DEFUNT0 OU O DESAPARECIDO

 Sucessão por m0rte ou por ausência

[Link] internacional privado pós-moderno.


- Diálogo entre as fontes (Erik Jayme): influência dos direitos humanos.
- Mudança de valores:
 1ª momento: Estados e soberania, pacta sunt servanda. DIPr de
matiz Sanignyana. Normas indicativas, formalistas, elementos de
conexão predeterminados.
 2º Momento: igualdade e multiculturalismo, direito à diferença.
Conexão entre cultura e direito.
a) Intérprete deve levar em consideração particularidades
nacionais e regionais.
- Comunicação e interculturalidade.
- Narração: “normas narrativas”, não obrigam as partes, mas descrevem
valores levados em conta na resolução de conflitos.
 Ex: arranjos, ajustes, declarações, diretrizes, programas de ação,
considerandos de contratos, etc.
 Flutuação da conjuntura econômica e dos fatores de produção
levam a proliferação de normas destituídas de juridicidade, mas
refletem uma diretriz, perspectiva.
 Natureza jurídica:
a) 1ª corrente: soft law.
b) 2ª corrente: são meros valores com poder de persuasão, sequer
é soft law.

10.1. Princípio do favorecimento.

princípio do favorecimento consiste na adoção da 'técnica do direito


prioritário': será escolhido o ordenamento jurídico (do foro ou estrangeiro)
que melhor protege determinado direito, que se sobrepõe a outro direito
envolvido (individual ou difuso), inclusive ao próprio direito à segurança
jurídica" (André de Carvalho Ramos, A Construção do Direito Internacional
Privado: Heterogeneidade e Coerência", 2021, JusPodivum, p. 176).

DIREITO PROCESSUAL CIVIL INTERNACIONAL – ver dispositivos de leitura


obrigatória no material.

1. Jurisdição internacional.
- Para definir a existência da jurisdição, pergunta-se se os fatos
transnacionais podem possuir vínculos diretos ou indiretos com o Estado
que irá determinar a lei aplicável.
- Escolha da lei # escolha da jurisdição
- Tipos de jurisdição:
 Jurisdição imediata/direta: capacidade a priori para decidir
conflitos.
 Jurisdição mediata/indireta: análise a posteriori da existência de
jurisdição.
- As normas nacionais sobre a jurisdição do DIPr são unilaterais, só
atentam à fixação da jurisdição do Estado do foro, sem mencionar a
jurisdição de outros estados. Por outro lado, a definição da incompetência
da lex fori não implica em automática competência da lex causae, tendo
em vista que, em razão da soberania, cabe a cada país definir sua
jurisdição.
- Jurisdição deve ser entendida em sentido amplo como capacidade para
dispor sobre o direito e dirimir conflitos na órbita interna, e, via de regra,
confunde-se com a extensão da territorialidade de um país.
 Em situações excepcionais, a jurisdição expande-se para outros
territórios, quando fundadas em tratados ou costumes
intenacionais, isto é, no próprio direito internacional.
 No conflito positivo de jurisdições, o direito internacional obriga o
Estado a exercer sua jurisdição em virtude de tratados de direitos
humanos, tratados e normas consuetudinárias, etc. nesse sentido,
caso Bélgica V. Senegal.
 Este conflito não se assemelha ao conflito de jurisdições no âmbito
interno, pois nada impede, por exemplo, que mesmo que não
desconsidere a jurisdição de outro Estado, negue a eficácia da
decisão estrangeira.
- Nada impede que, na ausência de disposição interna ou externa, a
jurisdição seja definida pela equidade.
- Fontes da jurisdição.
 Internacionais, princípio da especialidade: tratados. Ex: Convenção
de Haia sobre os Aspectos Civis do Sequestro Internacional de
Crianças.
 Nacionais.
- Modos de determinação da jurisdição:
 Indireta: extraída mediante regras de competência territorial dos
órgãos jurisdicional internos. Dessa forma, se uma controvérsia está
incluída na competência de um órgão judicial, a jurisdição fica,
então, fixada.
 Direta: prevista taxativamente. Lei ou tratado elencam as hipóteses.
Classificação da jurisdição direta de acordo com a conveniência da
jurisdição estrangeira:
a) Relativa ou concorrente: admite que outro Estado exerça
jurisdição.
b) Jurisdição exclusiva absoluta: não admite.

1.1. Princípios da jurisdição internacional.


- Princípio da territorialidade.
 Não pode regular condutas fora do seu território.
 Exceções (evolução do princípio da territorialidade):
a) Fato possui vínculos de proximidade com seu território (princípio
da proximidade).
b) resultem da autonomia da vontade
c) necessidade: princípio do acesso à justiça.
d) Igualdade entre as partes.
 Situações em que poderá haver limitação à territorialidade, ou
justificar a ampliação da sua hipótese de aplicação:
a) Foro exorbitante: contraponto ao princípio da proximidade.
Apego à territorialidade, seja por circunstâncias históricas ou
interesses políticos e econômicos na luta pela atração de litígios
internacionais. Ex: uso do domicílio do autor quando o litígio
ocorrer no Estado do foro.
b) Princípio da submissão: exceção à territorialidade por escolha
das partes.
c) Acesso à justiça: quando a demanda não seria conhecida em
outra jurisdição ou seria conhecida sem o respeito ao devido
processo legal.
- Princípio da efetividade (nulla jurisdicionis sine imperium). Fixar o
alcance da jurisdição fundado na real possibilidade de o Estado executar
suas decisões. Seu uso é direcionado para invalidar a definição da
jurisdição pela impossibilidade de futura execução, ou que a decisão
venha a perder os seus efeitos.
 Situações possíveis resultantes da decisão inexecutável:
a) Atuação diplomática
b) Adoção de medidas judiciais internas corretivas.

2. Competência.
- Art. 12, LINDB.
 Trata-se de norma de competência, não é uma norma
indicativa/indireta, tais como as outras do Direito internacional
privado.
 Lex fori é a competente para analisar se o juiz está investido da
competência para apreciar o elemento de conexão.

2.1. Competência concorrente (art. 12, caput c/c arts. 21 e 22,


CPC/15).

Art. 12. É competente a autoridade judiciária brasileira, quando for o


réu domiciliado no Brasil ou aqui tiver de ser cumprida a obrigação.

Art. 21. Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar


as ações em que:

I - o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no


Brasil;
II - no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação;

III - o fundamento seja fato ocorrido ou ato praticado no Brasil.

Parágrafo único. Para o fim do disposto no inciso I, considera-se


domiciliada no Brasil a pessoa jurídica estrangeira que nele tiver
agência, filial ou sucursal.

Art. 22. Compete, ainda, à autoridade judiciária brasileira processar e


julgar as ações:

I - de alimentos, quando:
a) o credor tiver domicílio ou residência no Brasil;
b) o réu mantiver vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de
bens, recebimento de renda ou obtenção de benefícios econômicos;

II - decorrentes de relações de consumo, quando o consumidor tiver


domicílio ou residência no Brasil;

III - em que as partes, expressa ou tacitamente, se submeterem à


jurisdição nacional.

- Em havendo um acidente de trânsito entre um brasileiro e um uruguaio


no Uruguai, de quem é a competência para o julgamento desta ação?
aplica-se o protocolo de São Luiz referente a acidentes de trânsito.
 Há concorrência entre a justiça brasileira e Uruguaia para resolução
da questão. Forum shopping.
É competente à Justiça Comum Estadual, isso porque o protocolo de
São Luiz afirma que a responsabilidade será regida pelo direito
interno do Estado Parte em cujo território ocorreu o acidente.
 Vale destacar que se exclui a competência da JF, isso porque a
competência prevista no art. 109, III, dar-se-á em razão de tratado
ou contrato.
- Competência concorrente para as causas envolvendo: consumidor e
alimentos.
- Critério: domicílio. Inedependentemente da nacionalidade. Caso não
tenha aqui domicílio, aplica-se o critério da residência (art. 7º, § 8º,
LINDB).
 Conceito de domicílio segundo a Lex fori.
- Em havendo contratos internacionais a serem executados no Brasil,
compete ao juiz brasileiro do local da obrigação ou do local do domicílio
do devedor. Competência da JF (Art. 109, III, CF).
- Declínio da jurisdição e fórum non conveniens: no âmbito da
competência concorrente, o julgador, mesmo reconhecendo sua
jurisdição, declina da competência para o juízo mais apto a julgá-la, seja
pelo reconhecimento da litispendência, seja pela existência de foro mais
apropriado.
 Busca evitar o abuso do direito de litigar, impedindo que a
prefixação da competência comprometa o julgamento pelo foro que
possui mais condições para a instrução do processo.
 Método para aferir o fórum non conveniens (four steps):
a) Respeito À escolha do foro pelos demandantes
b) Existência de foro alternativo disponível e adequado
c) Equilíbrio entre os interesses públicos e privados.
d) Autores podem continuar com a demanda no foro alternativo
sem grandes ônus ou dificuldades.

2.2. Competência exclusiva.


- Fórum rei sitea: ações sobre imóveis.
- Todas as ações que tramitem fora do país serão absolutamente nulas por
incompetência absoluta.

Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de


qualquer outra:
I - conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil;
II - em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de
testamento particular e ao inventário e à partilha de bens situados no
Brasil, ainda que o autor da herança seja de nacionalidade estrangeira
ou tenha domicílio fora do território nacional;
III - em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável,
proceder à partilha de bens situados no Brasil, ainda que o titular seja
de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território
nacional.

- Forum necessitatis: Em algumas situações, em que a definição da


competência implicar em ofensa à soberania do estado, tendo natureza
de norma de ordem pública, não é possível sua modificação pelo julgador
ou pelas partes.
 Nesse sentido, já decidiu o STJ que a competência não se limita ao
disposto no CPC.
 Características:
a) Excepcionalidade
b) Inexistência de outro foro ou ausência do devido processo legal
no foro estrangeiro
c) Conexão ou vínculo com a jurisdição nacional.

2.3. Aplicação do direito estrangeiro.


- Juiz brasileiro vai ter que aplicar o direito estrangeiro como se fosse juiz
estrangeiro. A aplicação é obrigatória, isso porque as normas de direito
internacional também são obrigatórias.
- De quem é a prova do direito estrangeiro? O juiz pode aplica-lo de ofício,
mas também tem a faculdade de exigir da parte que a alega a sua
verossimilhança.
- Quanto a prova de fatos ocorridos no estrangeiro rege-se pela lei que
nele vigorar, quanto ao ônus e aos meios de produzir-se, não admitindo os
tribunais brasileiros provas que a lei brasileira desconheça.
- Art. 14, LINDB.
- Convenção interamericana, art. 2º:

3. Caução. Cautio iudicatum solvi.


- Art. 83, CPC. É só para o autor.
- Pode ser brasileiro ou estrangeiro. Tem que deixar de residir no brasil.
- Serve às custas e honorários de advogado.

4. Litispendência internacional
- Jurisdição competente é aquela à qual o fato é submetido em primeiro
lugar.
- Situações decorrentes da competência concorrente.
- Não haverá competência brasileira se o fato ou ato jurídico não surtir
efeitos (jurídico ou econômico) aqui. Ex: casamento no México, entre
mexicanos, com bens e direitos estabelecidos dentro do território
mexicano.
- Art. 24, CPC: “a ação intentada perante tribunal estrangeiro não induz
litispendência”. Problemas:
 Transitando em julgado e homologada sentença estrangeira,
extinguir-se-á ação brasileira pela coisa julgada, não pela
litispendência.
 Transitando em julgado ação brasileira, sentença estrangeira
somente será executada no Brasil se compatível com a coisa julgada
brasileira.
- Art. 22, protocolo de las lenas afasta litispendência internacional.
- Não confundir: não simultaneidade # não sucessividade, isto é, poderá
haver desfechos distintos ou iguais, em razão da autonomia e soberania
da autoridade judiciária de cada país.
COOPERAÇÃO JURÍDICA INTERNACIONAL.

1. INTRODUÇÃO
- Conceito: é o conjunto de medidas que visam a aplicação extraterritorial
de medidas judiciais e administrativas.
- Decorre da constatação de dois aspectos:
 A maior parte dos problemas estatais ultrapassam os limites
territoriais dos estados: ocultação de rendimentos, fluxo de bens,
fluxo de pessoas, fuga de bandidos, etc.
 por outro lado, há o dogma tradicional da delimitação da jurisdição,
cuja eficácia das decisões se limitam ao território estatal,
consequência derivada do princípio da eficácia da jurisdição.
- Fundamento: declaração internacional da amizade de 1970. Art. 4º, IX,
CF.

2. Objetivos da cooperação jurídica internacional.


- Imediato: resolver problemas estatais transnacionais.
- Mediato: proteção da pessoa humana.

3. Classificação
- Em relação ao estado que a solicita:
 Passiva: recebe
 Ativa: pede
- Quanto à dispensa do juízo de delibação:
 Direta:
a) Na cooperação direta, assume relevância o papel das
autoridades centrais: são órgãos ou entes da estrutura
governamental que têm por finalidade viabilizar a cooperação
jurídica internacional.
 Indireta:
a) Delibação: exame de aspectos extrínsecos: procedência e
legitimidade, além da inexistência da violação a normas de
ordem pública, soberania nacional e bons costumes.

4. Princípios – art. 26, CPC/15.


- Devido processo legal. Contraditório, ampla defesa, etc.
- Igualdade de tratamento.
- Publicidade processual.
- Autoridade central.
- Espontaneidade: superação dos entraves burocráticos para viabilização
da cooperação.
- Respeito à ordem pública. art. 26, § 3º e art. 39.

5. Cooperação jurídica internacional em matéria cível.


- Ver arts. 26, 27, 37 a 41.
- Fundamentos: pode decorrer de um tratado internacional ou a promessa
de reciprocidade, neste caso, o procedimento será aquele previsto em
normas internas.
 Para a Homologação de sentença estrangeira não é necessário
tratado/promessa de reciprocidade.
- Legislação aplicável: CPC, LINDB, Lei de Migração, RISTJ.
- Art. 40, CPC: são medidas de cooperação a carta rogatória e a
homologação de sentença estrangeira. Difere das hipóteses de auxílio
direto, em que não há propriamente o exercício da atividade jurisdicional.
Ex: Itália pede auxílio direto ao Brasil para saber se o nome de Felinto é
realmente Felinto (auxílio); ex2: Felinto é executado na Itália por não
pagar dívidas bancárias, penhoram-se seus bens, para que a decisão surta
efeitos no Brasil, deve haver exequatur.

6. Modalidades:
6.1. Cartas rogatórias.
- Cartas rogatórias passivas: são solicitações expedidas de um poder
judiciário para outro.
- Competência: autoridade central. JF.
 AgRg na CR 8.436/EX: não é necessário que a autoridade seja
integrante do judiciário, mas deve ter competência de acordo com a
legislação de seu país.
- Objeto.
 Atos ordinatórios tais como intimações, citações, notificações,
dentre outros.
 Atos instrutórios – colheta de prova, produção de prova,
depoimento pessoal, inquirições, exame de livros, avaliações,
vistorias.
 Atos executórios
a) A jurisprudência tradicional do STF entendia que atos
executórios não eram passíveis de serem realizados por cartas
rogatórias.
b) Todavia, desde a carta rotatória 438/STJ, entende-se que cartas
rogatórias podem ter como objeto atos executórios. Nesse
sentido, o art. 216-O, permite a concessão de cartas rogatórias
de procedimentos decisórios e não-decisórios.
c) Dessa forma, incluam-se aqui as medidas que a despeito de não
serem propriamente executivas, buscam garantir a efetividade
da execução, tais como arresto, sequestro, e outras mediadas
assecuratórias.
 Art. 19 do protocolo de Las Leñas as cartas rogatórias no âmbito do
Mercosul podem ter como objeto o pedido de homologação de
sentença estrangeira.
 Carta rogatória não pode ter como objeto remessa de menor (AgRg
na CR 22874/CR), porque já há procedimento previsto na convenção
de AIA.
 Ver RISTJ art. 216-P. ver CR 3.198/US – não viola a ordem pública a
cobrança de dívida de jogo. Fundamentos:
a) juízo de delibação do STJ impede adentrar na causa de pedir.
b) As disposições do direito interno são podem ser obstáculo ao
cumprimento de deciões estrangeiras, que se baseiam no
princípio da justiça universal.
c) não cabe invocar o Art. 814 do CC e o Art. 50 da Lei, pois não
se trata de ação aqui proposta. Se assim fosse, o poder
judiciário teria que analisar em todos os pedidos de carta a
causa de pedir.
d) Objeto de rogatório é a possibilidade de execução ou não do
ato.
- A carta será instruída apenas com os documentos necessários para a
compreensão da controvérsia.
- Procedimento.
 Recebimento pelo Presidente do STJ.
 Prazo de impugnação em 15 dias.
 A carta poderá ser impugnada (art. 216-Q) alegando:
a) Autenticidade dos documentos,
b) Inteligência da decisão, e
c) Requisitos regimentais
d) Não é possível discutir o mérito da decisão estrangeira.
e) É por isso se diz que na carta rogatória a contenciosidade é
limitada: juízo de delibação.
 Cabe tutela de urgência. art. 216-Q, § 1º.
 Aceita admissibilidade da impugnação, o presidente encaminhará o
pedido para a corte especial julgá-la (art. 216-T).
 Das decisões do presidente, cabe agravo regimental.
 Encerrado o procedimento no STJ, os juízes federais irão cumpri-las.
Ver Art. 216-V.
 Das decisões proferidas pelos juízes federais, cabem embargos para
o presidente do STJ. Art. 216-V, § 1º.
 Por fim, em seguida, a carta é encaminhada ao Ministério das
Justiça ou Relações Exteriores à autoridade judiciária do Estado de
origem.
- Os pedidos fazem coisa julgada formal, o juiz da lex fori assim pode
revoga-las se entender que é competente para julgamento da ação
com exclusão da jurisdição estrangeira.

6.2. Homologação de sentença estrangeira.


- Art. 960 a 965.
- Actio iudicati: tem natureza jurídica de ação, logo, é um procedimento
jurisdicional. E a decisão final tem natureza jurídica de título executivo
judicial (art. 515, VIII).
- Modelos doutrinários para homologação de sentença estrangeira:
 Sistema da revisão: deve haver um rejulgamento da causa, julga
tudo de novo.
 Revisão parcial do mérito: apenas alguns pontos são rejulgados.
 Delibação: não há um rejulgamento, não se ingressa no mérito,
apenas verifica-se a existências dos pressupostos.
- Competência para homologação é do STJ. Art. 105, I, i, CF.
 Dentro Do STJ, a competência para o julgamento é do presidente.
- Objeto – art. 961, § 1º:
 Sentença, decisão parcial interlocutória de mérito. Nada impede
que apenas parte da sentença ou laudo arbitral seja homologado.
 Mas também pode ser objeto a decisão não judicial que pela lei
brasileira tenha natureza jurisdicional. Ex: prefeitos do Japão podem
decidir sobre divórcio.
 Decisão arbitral estrangeira.
- Art. 15, § 1º, LINDB: as sentenças declaratórias do Estado de pessoas
independem de homologação.
 Sentença é destituída de efeito executório, possui natureza jurídica
mais próxima de documento do que de título executivo judicial.
 Provimento meramente declaratório.
 No entanto, se o pedido declaratório vier acompanhado de um
pedido constitutivo, será preciso homologação. Ex: sentença de
divórcio que serve de título executivo para invocar prestação
jurisdicional com efeitos patrimoniais ou para requerimento de
novo matrimônio pela pessoa interessada.
 Ver art. 961, § 3º: da tutela de urgência não precisar ser
homologada a priori, precisará preencher os requisitos de validade
da lei brasileira para aqui ser homologada e concedida exequatur.
 É inadmissível a renúncia.
- Títulos executivos extrajudiciais não precisam ser homologados (art. 784,
§ 2º, CPC).
- Requisitos (art. 963, CPC).
 Autoridade competente
 Decisão deve ser eficaz no país em que fora prolatada.
 Não ofender a coisa julgada brasileira.
 Estar acompanhada de tradução juramentada.
 Não se exige tratado ou promessa de reciprocidade.
 Não conter ofensa à ordem pública.
 Citação (?).
a) Citação é suprida pelo comparecimento à audiência no juízo
estrangeiro (SEC 2259-EX)
b) Considera-se citação regular a citação por edital, ainda que não
tenha sido expedida carta rogatória.
c) Não pode fazer citação por correio se a parte residia no Brasil
(exige-se carta rogatória) ver SEC 8396-EX, deve expedir carta
rogatória.
d) No entanto, poderá haver citação distinta da previsto na lex fori:
art. 39, Lei 9307.
- Procedimento:
 Formalidades externas necessárias: em conformidade com a
legislação do lex causae.
 Propositura: art. 960 e art. 216-C
 É possível a concessão de Tutela de urgência no bojo do
procedimento de homologação de sentença estrangeira– art. 961, §
3º e art. 216-G
 Contestação em 15 dias (art. 216-H). Havendo contestação, vai para
corte especial.
 Cabe réplica e tréplica em 5 dias (art. 216-J)
 Possível decisão monocrática quando houver jurisprudência
consolidada sobre o tema (art. 215-K, parágrafo único)
 Parecer do MP em 15 dias (art. 216-L)
 Cabe agravo das decisões do presidente (art. 216-M)
 Cabe homologação parcial de sentença estrangeira. (art. 961, § 2º, e
art. 216-A, § 2º)
- Cumprimento da decisão: juízes federais.
- Coexistência de processos (art. 24, CPC).
 “a ação intentada perante tribunal estrangeiro não induz
litispendência”.
 Não se trata propriamente em litispendência, mas delimitação dos
efeitos da coisa julgada em razão dos limites da jurisdição de cada
país.
 A propositura de ação no brasil não impede a homologação de
sentença estrangeira proferida em processo idêntico.
 Porém, homologada a sentença estrangeira, a lide nacional será
extinta sem resolução do mérito (STJ, SEC 9880).
- Situações possíveis:
 Em havendo ação de homologação proposta, mas existindo
processo com trânsito em julgado. A homologação não poderá ir a
diante.
 Mas o trânsito em julgado de sentença estrangeira não é requisito
legal indispensável para a sua homologação no Brasil. (STJ). Ver art.
963.
 Mas se o processo está em andamento no Brasil, não há
litispendência. Decide pela decisão que primeiro transitar em
julgado: se o processo brasileiro for concluído primeiro, então a
homologação vai ser extinta; caso a homologação seja concluída
antes do processo, então o processo brasileiro será extinto.
 Quando a coexistência de processos se tratar de guarda e
alimentos, a sentença interna prevalecerá sobre a estrangeira,
ainda que transitada em julgado a sentença estrangeira.
 Uma ação em curso no Brasil, com uma decisão provisória
brasileira, esta irá prevalecer sobre a sentença estrangeira.
Situações em que envolvem guarda e alimentos podem mudar,
clausula rebus sic stantibus. Ver STJ, SEC 6.485.
- Art. 22, protocolo de las lenas afasta litispendência internacional entre
decisões.
- Segundo o art. 34, II, lei 9.307/96 da lei de arbitragem, no
reconhecimento da execução de sentença arbitral, os tratados
internacionais têm prevalência sobre a lei interna, que só possui aplicação
subsidiária e nos termos da legislação própria.
- Não confundir: não simultaneidade # não sucessividade, isto é, poderá
haver desfechos distintos ou iguais, em razão da autonomia e soberania
da autoridade judiciária de cada país.

No caso de sentença estrangeira que regulamenta alimentos homologada


pelo STJ, admite-se a superveniência de decisão posterior, pelo Poder
Judiciário brasileiro, que disponha de forma diferente. (PORTELA, 2018, p.
814). Ver STJ/SEC 6.485-EX.

Considerando que, na hipótese, o indeferimento do pedido faz apenas


coisa julgada formal, não material, o que autorizaria a propositura de nova
demanda, em respeito aos princípios da economia e da celeridade
processual, deve ser homologado o provimento alienígena porquanto
comprovado seu trânsito em julgado (EDcl na SEC 8.585/EX, Rel. Ministra
MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, CORTE ESPECIAL, julgado em
19/11/2014, DJe 11/12/2014)

Não há restrição quanto ao meio de prova, isto é, admite-se a


comprovação do trânsito em julgado da decisão estrangeira por qualquer
meio idôneo para tanto (STJ, SEC 12697/EX)

7. Auxílio direto
- Conceito: modalidade de cooperação que se dá diretamente por
autoridades centrais sem a necessidade de juízo de delibação.
- Em um primeiro momento, entendia o STF que o auxílio direto era
incabível por não haver previsão na Constituição.
- Posteriormente, se admitiu o auxílio direto desde que previstos em
tratados internacionais. Ver STJ, Rcl 2645/STJ
- Objeto do auxílio direto; art. 30, CPC:
 Medidas jurisdicional
 Medidas administrativas.
- Autoridade central: ente ou órgão da estrutura governamental dos
estados responsáveis pela cooperação jurídica internacional. ver art. 26, §
4º.
 Em regra, é o Ministério da Justiça (DRCI ou DEEST).
 MPF – convecção de Nova York para prestação de alimentos.
- Competência é da justiça federal de primeiro grau. Art. 34 para o auxílio
direto em que envolva medida judicial.
- Comparação entre auxílio direto e carta rogatória.
- Art. 377, CPC: poderá suspender o processo se a prova for
imprescindível.
Carta rogatória Auxílio direto
Prepondera a Estado atua
função como
judiciária. administrador
Comunicação se Comunicação
dá através de direta entre
um autoridades
intermediário: centrais.
STJ.
Juízo de Cognição
delibação ampla.
CONVENÇÕES ESPECÍFICAS.

7.1. Convenção da AIA sobre aspectos civis do sequestro internacional


de crianças.
- Arts. 12 e 13: regra do retorno da criança, coisas mais cobradas em
concursos.
- “sequestro”: convenção só tem aplicação quando há retenção ilícita.
Considera-se retenção ilícita:
 Quando o direito de guarda de um dos pais é violado.
 Havendo guarda compartilhada, um dos pais impede que o outro a
exerça.
 Convenção não adota a nacionalidade como critério para resolução
de conflitos.

- STJ: a União atua com legitimidade ordinária, não extraordinária em


nome dos genitores. Isso porque a União, comprometeu-se, por direito
próprio, a fazer cumprir os tratados internacionais (art. 109, III, CF).
- Objetivo: art. 1º - concretização do melhor interesse da criança. Best
interest of a child – direito da criança de conviver com os dois pais.
 Fazer com que aquela criança volte imediatamente para o seu
domicílio habitual.
 Para o melhor interesse da criança, não se exige o seu
consentimento;
 Fazer valer o direito de visita (levar a criança para um lugar
diferente de onde ela resida) e sem que seja violado direito de
guarda (decidir sobre a residência da criança).

"o retorno da criança ao local de sua residência habitual não significa que
esteja condenada a viver no país ao qual retorna. O retorno da criança significa
apenas que as questões que envolvem a guarda, pensão, posicionamentos dos
progenitores (e tudo o mais que diga respeito à criança) serão apreciadas pelo
juiz natural, que é o da residência habitual, o qual poderá, inclusive visando o
interesse superior da criança, decidir que o melhor a ser feito é determinar que
ela retorne ao país para onde foi inicialmente (e ilegalmente) deslocada." (cf.
MAURIQUE, JORGE ANTONIO. Sequestro Internacional de Crianças: Anotações
sobre a Convenção da Haia. Revista Jurídica Consulex, Ano XII, nº 284, 15 de
novembro/2008, p. 28).

- Aplicabilidade da convenção.
 Critério espacial: ver se a criança tinha domicílio em um país
contratante imediatamente antes da retenção ilícita. Art. 4º.
 Convenção cessa aplicabilidade quando a criança completa 16 anos.
Art. 4º.
 Critério temporal: só se aplicam às transferências e retenções
ilícitas ocorridas após sua entrada em vigor da convenção. Art. 35.
- Autoridade central: cada estado deve escolher uma autoridade central.
 ACAF. AGU
 Competência/deveres das autoridades centrais:
a) localizar uma criança transferida ou retida ilicitamente.
b) Evitar novos danos à criança através de medidas preventivas.
c) Assegurar a entrega voluntária, facilitar solução amigável.
d) Proceder à troca de informações sobre a situação social da
criança.
e) Fornecer informações de caráter geral sobre aplicação da
convenção.
 Poderá haver mais de uma autoridade central nos casos em que há
Estado com vários sistemas jurídicos distintos.
- Pedido de retorno.
 A legitimidade para fazer o pedido é ampla: qualquer pessoa,
instituição ou organismo.
 O que se tutela é o direito indisponível da criança, e não o direito do
genitor que foi privado da convivência com a criança.
- Procedimento:
 Pedido tem natureza itinerante. Se o cônjuge muda de país, o
pedido vai acompanhá-lo. Art. 9º.
 Pode o particular procurar tanto a autoridade central do seu país,
como a autoridade central do estado onde a criança foi retida
ilicitamente.
 Quando autoridade central recebe o pedido, será dada prioridade a
entrega voluntária (art. 10).
 Se não for possível, a autoridade central vai ter que ajuizar uma
ação de busca e apreensão do menor.
 Quem vai a juízo é a União por meio da AGU, competência será da
justiça federal. Competência tanto porque a União está em um dos
polos da demanda, na figura da autoridade central (SEDH), como a
demanda tratar de um tratado internacional.
 Não se exige custas ou caução, nem quaisquer formalidades
judiciais.
 No entanto, Autoridade central poderá impor àquele que reteu
ilicitamente o dever de arcar com as despesas necessárias
efetuadas pelo requerente, inclusive viagem.
 Legitimidade: tanto nacional de estado contratante, quanto
residente.
 Autoridade poderá exigir que o pedido seja acompanhado de
autorização escrita em nome do requerente.
 Nada impede que a pessoa se dirija diretamente à autoridade.
 É possível que os Estados contratantes se valham de outros
tratados/direitos para fazer valer o retorno da criança.
- Possibilidade de medidas de urgência.
 Art. 11. Caso a autoridade central do Estado requerido demore na
análise do pedido, pode a autoridade requerente ou o próprio
interessado, em 6 semanas, pedir explicações.
 Se entre a data da transferência/retenção ilícita decorrer menos de
1 ano, poderá o juiz ordenar o retorno imediato da criança. Após
este período, poderá a parte contrária provar que a criança se
encontra integrada.
 Será desconsiderada a integração e suspenso o processo se a
autoridade tem razões para crer que a criança foi levada para um
terceiro estado.
- Art. 13, não é obrigatório o retorno da criança se:
 Se o genitor não exercia efetivamente direito de guarda
 Risco grave da criança no seu retorno.
 Por outro lado, pode recursar o retorno se a criança já atingiu
maturidade. Mas deve a autoridade averiguar a situação social da
criança.
- Art. 14: não é necessário que haja juízo de delibação (homologação de
sentença estrangeira) para o conhecimento das decisões judiciais sobre o
tema, poderão tomar ciência diretamente sem homologação de sentença
estrangeira ou concessão de exequatur.
- Art. 15 autoridades podem solicitar que seja produzida decisão ou
atestado por autoridades comprovando que a transferência se deu de
forma ilícita.
- Art. 16. A convenção entende que o juiz natural é o juiz do domicílio
habitual da criança.
 Não cabe carta rogatória para remessa de menor. Nem cabe HC
para evitar a remessa de menor.
- Art. 17: O fato de uma decisão nacional definir a guarda de um menor,
não justifica a recusa em fazer retornar a criação com base em direito
previsto na Convenção.
- A guarda judicial não anula direito previsto na convenção, nem decisão
com fundamento na convenção anula o direito de guarda (art. 19).
- Exceções à regra de retorno da criança
 Se decorrido mais de um ano no novo domicílio e há integração ao
meio. Art. 12.
a) Por outro lado, se decorrido mais de um ano, mas não há
integração, pode ser transferida.
 Se o genitor já não exercia seu direito de guarda quando os
cônjuges estavam no mesmo país,
 Se o outro cônjuge consente com a transferência da criança. Art. 13,
p.u.
 Risco da criança ficar sujeita de agressões físicas ou psicológicas ou
numa situação intolerável a pessoa que possui a guarda.
 Art. 13, b: criança se opõe, desde que o infante tenha atingido grau
de maturidade suficiente para discernir sobre o seu próprio destino.
 Art. 20: se o retorno da criança for contra a ordem pública, violação
de direitos humanos etc.
 Casos jurisprudenciais sobre as exceções:
a) Existência de decisão relativa à guarda não justifica recusa de
retorno. Art. 17.
b) Ônus da prova é de quem alega a exceção: REsp: 1.196.954/ES.
c) É possível Prova pericial psicológica na criança. REsp
1.239.777/PE.

1. Na ação de busca e apreensão em curso na Justiça Federal, cinge-se o


julgador ao exame da ocorrência de transferência e retenção ilícitas de
criança e de eventual motivo para a recusa da restituição. 2. A decisão
sobre o fundo do direito de guarda e visitação é do juiz de família. 3. A
cooperação internacional estabelecida pela Convenção de Haia tem por
escopo repor à criança seu statu quo, preservando o juiz natural, assim
entendido o juiz do local de sua residência habitual, para decidir sobre a
guarda e regulamentação de visitas. (...). (CC n. 132.100/BA, Min. João
Otávio de Noronha, 2ª Seção, j. 25/2/2015, INFO 559)

[...]. É absolutamente competente a Justiça Federal para julgamento tanto


do pedido de busca e apreensão de menores proposto pela União (art.
109, I, CF/88) com fundamento na Convenção de Haia sobre os Aspectos
Civis do Sequestro Internacional de Crianças (art. 109, III CF/88), como
para definir a guarda das crianças nos termos dos artigos 12 e 17 do
Tratado Internacional.[...]. (CC n. 123.094/MG, Min. Ricardo Villas Bôas
Cueva, 2ª Seção, j.11/12/2013)
7.2. Convenção de Nova York sobre alimentos.
- Ver principalmente os artigos 1º, 7º, 8º, 9º, 17 e 18.
- Norma possui status supralegal.
- Objeto: art. 1º. Facilitar a cobrança de alimentos quando o devedor se
encontra em outro país.
- Incidência: será aplicada a Convenção sempre que o credor possuir
domicílio ou residência habitual, bens ou renda em outro Estado Parte.
- Princípios:
 Complementariedade, art. 1º: os meios jurídicos de direito interno
complementam e reforçam as normas da convenção para busca de
alimentos.
 Reciprocidade, art. 18: apenas os obrigados pela convenção podem
invocá-la.
- Autoridades competentes:
 Autoridade remetente: MPF (cooperação ativa).
a) Autoridade remetente de um estado pode entrar em contado
direto com autoridade remetente e instituições intermediárias
de outras partes contratantes.
 Instituição intermediária: MPF (cooperação passiva).
- Partes:
 Convenção não define quem será demandante, que pode ser:
a) Filhos menores de 18 anos
b) Filhos maiores de 18 anos que continuem credores de pensão
alimentícia
c) Ex-cônjuges.
d) Os estados-partes podem limitar sua aplicação apenas aos
menores.
 Demandado: devedor.
- Art. 3º:
 É necessária procuração com poderes especiais ao MPF – instituição
intermediária –, para agir em nome do demandado.
- Funções, art. 6º.
 Tomar em nome do demandante quaisquer medidas apropriadas
para assegurar a prestação dos alimentos,
 Transigir
 Iniciar e prosseguir uma ação alimentar e fazer executar qualquer
sentença, decisão, ou outro ato judiciário.
 Decisões cautelares que deferem alimentos também podem ser
executadas com fundamento na convenção.
 Manter a autoridade remetente informada.
 O procedimento é gratuito.
a) Não será exigida caução.
b) Não poderão as autoridades receberem para fazer executar os
dispositivos da convenção.
c) A autoridade remetente poderá pedir à instituição intermediária
que conceda assistência jurídica gratuita.
 No pedido de cooperação passivo, o Procurador da República irá
propor ação de alimentos segundo rito da Lei 5.478/68.
a) A procuradoria irá receber a decisão estrangeira para localizar o
demandado e propor cumprimento espontâneo.
b) Se não for cumprida, deverá ser homologada pelo STJ.
 No pedido de cooperação ativo, a Procuradoria da República envia à
autoridade central do país onde reside o demandado para execução
de sentença ou decisão interlocutória através de carta rogatória.
 Carta rogatória só poderá ser negada execução quando:
a) autenticidade do documento não tiver sido provada.
b) A parte contratante da Convenção julgar que a execução
compromete sua soberania ou segurança.
- Procedimento aplicável: LEI DO ESTADO DEMANDADO, art. 6º: execução
se dá de acordo com as normas do CPC/15 sobre cumprimento de
sentença e execução de extrajudicial de alimentos.
 Interpostos recursos, ou revisados os alimentos – cláusula rebus sic
stantibus –, as disposições de direito material da convenção
permaneceram sendo aplicáveis – art. 8º.
- Art. 7º:
 O juiz quando for expedir uma carta rogatória com base na
convenção, deverá notificar as autoridades centrais para que
possam participar do cumprimento da medida.
 Medida deve ser cumprida em até 4 meses.
- Art. 16: controvérsia acerca da interpretação de dispositivo da
convenção poderá ser dirimida perante a corte internacional da justiça.
- Art. 17.
 Só é possível invocar as disposições do Tratado se a parte contrária
também aderiu a este.
 É permitida a formulação de reservas.
- Convenção de Nova York, chancela consular:
 Via de regra, a conformidade de documentos com a lei estrangeira
se faz via chancela consular.
 No entanto, a convenção afirma que a própria autoridade
remetente, certificará se os documentos estão de acordo com a lei
do Estado demandante.
- Aplicam-se aos territórios não autônomos, sob tutela vinculados aos
países signatários da Convenção.
- Será da competência do JF também a revisão dos alimentos.

CONVENÇÃO DE HAIA SOBRE ALIMENTOS

1. Objetivo:
o Facilitar a cobrança internacional de alimentos para crianças
e familiares.
o Estabelecer cooperação entre Estados para reconhecimento e
execução de decisões.
2. Âmbito de Aplicação:
o Abrange obrigações alimentares derivadas de relações
de filiação (crianças até 21 anos, podendo ser limitado a 18
anos por reserva).
o Inclui obrigações decorrentes de relação conjugal em casos
específicos.
3. Autoridades Centrais:
o Cada país designa uma Autoridade Central para tramitar
pedidos.
o No Brasil, a Autoridade Central é o Ministério da Justiça e
Segurança Pública.
4. Procedimentos:
o Pedidos podem ser feitos por meio das Autoridades Centrais.
o Documentos necessários: decisão judicial, comprovante de
executabilidade e prova de comunicação ao devedor.
o Assistência jurídica gratuita para crianças (Art. 15).
5. Reconhecimento e Execução:
o Decisões proferidas em um país devem ser reconhecidas e
executadas em outro.
o Motivos para recusa: ordem pública, fraude ou falta de
comunicação ao devedor.
6. Medidas de Execução:
o Incluem retenção de salários, bloqueio de contas e penhora
de bens.
o Processo deve ser rápido e com as mesmas regras aplicadas a
casos nacionais.
7. Vigência no Brasil:
o Entrou em vigor no Brasil em 1º de agosto de 2017.
o Aplicável a pedidos feitos a partir desta data.

Objetivo e Princípios:
 Melhorar a cooperação internacional para cobrança de alimentos a
crianças e familiares.
 Criar procedimentos acessíveis, rápidos, eficientes e justos.
 Priorizar o interesse superior da criança (Convenção da ONU sobre
Direitos da Criança, 1989).
Âmbito de Aplicação (Art. 1º–3º):
 Abrange obrigações alimentares derivadas de relações de filiação
(pessoas menores de 21 anos, podendo ser limitado a 18 anos por
reserva).
 Inclui obrigações decorrentes de relação conjugal em casos
específicos.
 Define termos como "credor", "devedor", "assistência jurídica" e
"acordo em matéria de alimentos".
Cooperação Administrativa (Art. 4º–8º):
 Cada Estado designa uma Autoridade Central para facilitar a
cooperação.
 Funções das Autoridades Centrais:
o Transmitir pedidos entre Estados.
o Auxiliar na localização do devedor/credor e obtenção de
informações financeiras.
o Promover soluções amigáveis (mediação).
o Facilitar execução de decisões e medidas cautelares.
 Custos são assumidos pelo Estado, sem repasse ao demandante
(exceto em casos excepcionais).
Pedidos por Meio das Autoridades Centrais (Art. 9º–17º):
 Tipos de pedidos disponíveis (Art. 10):
o Reconhecimento/execução de decisões.
o Obtenção ou modificação de decisões.
 Assistência jurídica gratuita é garantida para crianças (Art. 15).
 Estados podem exigir análise de recursos econômicos da criança
(Art. 16).
Reconhecimento e Execução de Decisões (Art. 19º–31º):
 Requisitos para reconhecimento (Art. 20):
o Residência habitual do devedor/credor no Estado de origem.
o Submissão à jurisdição ou acordo escrito.
 Motivos para recusa (Art. 22):
o Incompatibilidade com ordem pública.
o Fraude processual ou decisão conflitante.
o Falta de comunicação ao demandado.
 Documentos necessários (Art. 25):
o Texto da decisão, comprovante de executabilidade e
comunicação ao demandado.
 Proibição de revisão de mérito (Art. 28).
Execução no Estado Requerido (Art. 32º–34º):
 Segue a lei local, mas deve ser rápida e não discriminatória.
 Medidas de execução incluem:
o Retenção de salários, bloqueio de contas, penhora de bens.
o Suspensão de documentos (ex: carteira de motorista).

"O DRCI/SNJ tramita os pedidos com base na Convenção da Haia sobre


Alimentos, no papel de Autoridade Central designada para esta finalidade.
Nas relações entre Estados contratantes, a Convenção da Haia sobre
Alimentos substitui a Convenção das Nações Unidas sobre Prestação de
Alimentos no Estrangeiro, de 20 de junho de 1956 (Nova York), na
medida em que seu âmbito de aplicação entre os Estados corresponda ao
âmbito de aplicação da nova Convenção.
No entanto, os pedidos que permaneçam abrangidos pela Convenção de
Nova York devem continuar a ser enviados à Procuradoria-Geral da
República (PGR), a qual exerce papel análogo ao de Autoridade Central
para este tratado. Assim, como regra geral, os pedidos de alimentos para
os seguintes países devem deixar de ser encaminhados à PGR para
tramitação baseada na Convenção de Nova York, devendo ser enviados ao
DRCI para tramitação nos termos da Convenção da Haia sobre Alimentos:
Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Croácia, Eslováquia, Eslovênia,
Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Holanda (Países Baixos),
Hungria, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Noruega, Polônia, Portugal, Reino
Unido, República Tcheca, Romênia, Suécia e Turquia.

CONVENÇÃO AMERICANA SOBRE ALIMENTOS

Âmbito de Aplicação (Art. 1 a 5)


 Art. 1: Aplica-se quando o credor e o devedor vivem em Estados
diferentes.
 Art. 2: Considera menor quem tem menos de 18 anos; maiores
podem ter direito se a lei permitir.
 Art. 3: Estados podem ampliar o alcance a outros credores ou graus
de parentesco.
 Art. 4: O direito a alimentos é garantido sem discriminação.
 Art. 5: Decisões sobre alimentos não alteram vínculos familiares,
mas podem servir como prova.

Direito Aplicável (Art. 6 e 7)


 Art. 6: Será aplicado o direito mais favorável ao credor: do seu
domicílio ou do domicílio do devedor.
 Art. 7: O direito aplicável define valor, condições, legitimidade e
regras da ação alimentar.

Competência Internacional (Art. 8 a 10)


 Art. 8: O credor pode escolher entre juízes do seu domicílio, do
devedor ou onde o devedor tenha bens/renda.
 Art. 9: Ações de aumento podem ser movidas em qualquer foro do
art. 8; redução ou cessação, no foro que fixou.
 Art. 10: Os alimentos devem ser proporcionais à necessidade do
credor e à capacidade do devedor.

Cooperação Processual Internacional (Art. 11 a 18)


 Art. 11: Sentenças estrangeiras são reconhecidas se cumprirem
requisitos formais e garantirem defesa.
 Art. 12: Documentos necessários incluem cópias autenticadas da
sentença e da prova de sua validade.
 Art. 13: O juiz local verifica os requisitos, sem reexaminar o mérito
da causa.
 Art. 14: Credores estrangeiros têm isenção de caução e direito à
justiça gratuita.
 Art. 15: Medidas urgentes podem ser tomadas para proteger os
alimentos, mesmo sem sentença.
 Art. 16: Cumprir medidas cautelares não implica reconhecer a
sentença estrangeira.
 Art. 17: Medidas provisórias podem ser executadas mesmo que
ainda caibam recursos.
 Art. 18: Os Estados podem definir regras próprias sobre jurisdição e
reconhecimento de sentenças.

Disposições Gerais (Art. 19 a 22)


 Art. 19: Estados devem ajudar menores estrangeiros abandonados
em seu território.
 Art. 20: Compromisso de facilitar a transferência de recursos
alimentares.
 Art. 21: O credor mantém todos os direitos previstos na lei local.
 Art. 22: Um Estado pode recusar cumprir sentença se ela contrariar
sua ordem pública.

Disposições Finais (Art. 23 a 33)


 Art. 23-25: A Convenção está aberta à assinatura, ratificação e
adesão dos Estados.
 Art. 26: Reservas são permitidas, desde que não contrariem o
objetivo da Convenção.
 Art. 27: Estados com diferentes sistemas legais podem limitar a
aplicação territorial da Convenção.
 Art. 28: Define como aplicar a Convenção em Estados com sistemas
jurídicos diversos.
 Art. 29-30: A Convenção pode coexistir com tratados anteriores ou
mais favoráveis.
 Art. 31: Entra em vigor 30 dias após a segunda ratificação.
 Art. 32: Pode ser denunciada; efeitos cessam após 1 ano da
denúncia.
 Art. 33: A OEA manterá o texto original e informará sobre adesões e
reservas.

7.3. Protocolo de Las leñas.


- Ver principalmente arts. 18, 19 e 20.
- É o documento básico de cooperação jurídica internacional no âmbito do
Mercosul.
- Promoção e intensificação da cooperação jurídica internacional.
- Objeto:
 Matéria civil, comercial, trabalhista e administrativa.
 Mas o protocolo também se aplica na reparação de danos e
restituição de bens pronunciados na esfera penal.
 Contencioso administrativo.
- Art. 2º: autoridades centrais.
 No Brasil a autoridade central é o departamento de recuperação de
ativos e cooperação jurídica internacional (DRCI).
 Autoridades centrais devem se comunicar diretamente permitindo
a intervenção de outras autoridades centrais.
 Cada estado deve indicar uma autoridade central.
- Art. 3º, tratamento processual.
 Um dos objetivos é dar tratamento isonômico aos países do
Mercosul, permitindo que as pessoas residentes ajuízem ações sem
obstáculos.
- Art. 4º: Não se fala em isenção de custas, no entanto, veda-se o depósito
ou caução aos nacionais, inclusive às pessoas jurídicas.
 reconhece a autonomia das partes para a definição da cláusula de
foro feita por escrito, sempre que tal ajuste não tenha sido obtido
de forma abusiva.
- Art. 5º, medidas previstas: citações, intimações, notificações, dentre
outras medidas de comunicação, bem como o recebimento e obtenção de
prova.
- Art. 8º: medidas devem ser cumpridas de ofício pela autoridade
jurisdicional. O cumprimento da carta não implica em reconhecimento da
jurisdição internacional. Deve ser reconhecida competência para questões
surgidas durante o cumprimento da diligência (art. 9º).
- Art. 10: cartas rogatórias via diplomática/consular ou autoridade central.
Não se exigirá “legalização” – reconhecimento da assinatura realizada por
notário/autoridade estrangeira competente para autenticação de
documento –, salvo se transmitida pela própria parte interessada.
- Art. 12: A carta rogatória poderá ter tramitação especial, com
formalidades adicionais, desde que não seja incompatível com a ordem
pública do Estado requerido.
- Art. 13: Carta rogatória pode se valer dos meios processuais coercitivos
da legislação interna para efetivação da cooperação passiva. Ex: tutela
inibitória, remoção do ilícito, busca e apreensão etc.
- Cumprimento da carta não poderá acarretar reembolso (isenção de
custas), salvo quando solicitados meios probatórios que ocasionem custos
especiais.
- SOLUÇão de controvérsias mediante negociação direta,
- Art. 17: não é sempre necessária a intervenção do solicitante.
- Art. 19, homologação por carta rogatória: cabe homologação de
sentença estrangeira por meio de carta rogatória (?!).
 O Supremo disse que o protocolo de las leñas, art 19, tem dois
efeitos (CR-AgR: 7613):
a) Possibilidade de qualquer juiz de um país no âmbito do
Mercosul, de ofício, por meio de carta rogatória, peça
homologação de sentença.
b) Exequatur seja concedida independentemente da citação do
requerido, sem o prejuízo de ulterior manifestação:
contraditório é diferido.
- Art. 20, condições para eficácia extraterritorial das sentenças e laudos
arbitrais:
 Revestidos das formalidades para se comprovar a sua origem.
 Tradução dos documentos
 Emanem de órgão competente.
 Que a parte tenha sido citada
 Decisão tenha força de coisa julgada.
 Não contrarie ordem pública.
 Homologação pelo STJ.

Não se exige reciprocidade.

as sentenças dos Estados parte do Mercosul exigem homologação


mediante processo no STJ para que sejam executadas, que terão
tramitação mais simples (análoga ao "exequatur" de carta
rogatória). Na prática, o STJ não poderá deixar de realizar o juízo de
delibação (homologar) de tais sentenças; entretanto, não caberá à
parte interessada iniciar o processo homologatório, pois o pedido
será enviado diretamente pelas autoridades centrais ao STJ.

- Art. 22, protocolo de Las Leñas afasta litispendência internacional.


- É admitida a eficácia apenas parcial de uma sentença ou laudo arbitral.
- Procedimento: lex fori.
- No conflito de interpretação sobre disposições do tratado, os Estados
procurarão resolvê-la mediante negociações diplomáticas diretas.

CONVENÇÃO HAIA ALIMENTOS E PROTOCOLO ADICIONAL

reconhecida a autonomia da vontade das partes na fixação da lei para


reger a obrigação alimentar (arts. 7º e 8º do Protocolo), respeitadas
algumas limitações:
 O credor deve ser maior de 18 e ter plenas suas faculdades mentais
para proteger seus interesses;
 A lei do domicílio do credor continuará determinando se ele pode
renunciar o seu direito a alimentos; e
 A menos que no momento da designação da lei aplicável as partes
tenham sido plenamente informadas e conscientizadas das
consequências de sua designação, a lei designada pelas partes não
se aplicará quando sua aplicação levar a consequências
manifestamente injustas ou não razoáveis para qualquer das partes.

CONVENÇÃO INTERAMERICANA SOBRE OBRIGAÇÃO ALIEMANTAR

ÂMBITO DE APLICAÇÃO
Artigo l
Esta Convenção tem como objeto a determinação do direito aplicável à
obrigação alimentar, bem como à competência e à cooperação processual
internacional, quando o credor de alimentos tiver seu domicílio ou
residência habitual num Estado Parte e o devedor de alimentos tiver seu
domicílio ou residência habitual, bens ou renda em outro Estado Parte.
Esta Convenção aplicar-se-á às obrigações alimentares para menores
considerados como tal e às obrigações derivadas das relações
matrimoniais entre cônjuges ou ex-cônjuges.
Os Estados poderão declarar, ao assinar ou ratificar esta Convenção, ou a
ela aderir, que a mesma se limita à obrigação alimentar para menores.
Artigo 2
Para os efeitos desta Convenção, serão consideradas menores as pessoas
que não tiverem completado a idade de dezoito anos. Sem prejuízo do
antes exposto, os benefícios desta Convenção serão estendidos aos que,
havendo completado essa idade continuem a ser credores de prestação
de alimentos, de conformidade com a legislação aplicável prevista nos
artigos 6 e 7.
Artigo 3
Os Estados, ao assinar ou ratificar esta Convenção, ou a ela aderir, bem
como depois de a mesma entrar em vigor, poderão declarar que a
Convenção se aplicará a obrigações alimentares em favor de outros
credores. Poderão declarar também o grau de parentesco ou outros
vínculos legais que determinam a qualidade do credor e do devedor de
alimentos, em suas respectivas legislações.
Artigo 4
Toda pessoa tem direito a receber alimentos sem distinção de
nacionalidade, raça, sexo, religião, filiação, origem, situação migratória ou
qualquer outro tipo de discriminação.
Artigo 5
As decisões adotadas em aplicação desta Convenção não perjuram as
relações de filiação e de família entre o credor e o devedor de alimentos.
No entanto, essas decisões poderão servir de elemento probatório,
quando for pertinente.
DIREITO APLICÁVEL
Artigo 6
A obrigação alimentar, bem como as qualidades de credor e de devedor
de alimentos, serão reguladas pela ordem jurídica que, a critério da
autoridade competente, for mais favorável ao credor, dentre as seguintes:
a) ordenamento jurídico do Estado de domicílio ou residência habitual do
credor;
b) ordenamento jurídico do Estado de domicílio ou residência habitual do
devedor.
Artigo 7
Serão regidas pelo direito aplicável, de conformidade com o artigo 6, as
seguintes matérias:
a) a importância do crédito de alimentos e os prazos e condições para
torná-lo efetivo;
b) a determinação daqueles que podem promover a ação de alimentos em
favor do credor; e
c) as demais condições necessárias para o exercício do direito a alimentos.
COMPETÊNCIA NA ESFERA INTERNACIONAL
Artigo 8
Têm competência, na esfera internacional, para conhecer das reclamações
de alimentos, a critério do credor:
a) o juiz ou autoridade do Estado de domicilio ou residência habitual do
credor;
b) o juiz ou autoridade do Estado de domicílio ou residência habitual do
devedor;
c) o juiz ou autoridade do Estado com o qual o devedor mantiver vínculos
pessoais, tais como posse de bens, recebimento de renda ou obtenção de
benefícios econômicos.
Sem prejuízo do disposto neste artigo, serão consideradas igualmente
competentes as autoridades judiciárias ou administrativas de outros
Estados, desde que o demandado no processo tenha comparecido sem
objetar a competência.
Artigo 9
Tem competência para conhecer da ação de aumento de alimentos,
qualquer uma das autoridades mencionadas no artigo 8. Têm
competência para conhecer da ação de cessação ou redução da pensão
alimentícia, as autoridades que tiverem conhecido da fixação dessa
pensão.
Artigo 10
Os alimentos devem ser proporcionais tanto à necessidade do alimentado
(alimentarão_, como à capacidade financeira do alimentante.
Se o juiz ou a autoridade responsável pela garantia ou pela execução da
sentença adotar medidas cautelares ou dispuser a execução num
montante inferior ao solicitado, ficarão a salvo os direitos do credor.
COOPERAÇÃO PROCESSUAL INTERNACIONAL
Artigo 11
As sentenças estrangeiras sobre obrigação alimentar terão eficácia
extraterritorial nos Estados Partes, se preencherem os seguintes
requisitos:
a) que o juiz ou autoridade que proferiu a sentença tenha tido
competência na esfera internacional, de conformidade com os artigos 8 e
9 desta Convenção, para conhecer do assunto e julgá-lo;
b) que a sentença e os documentos anexos, que forem necessários de
acordo com esta Convenção, estejam devidamente traduzidos para o
idioma oficial do Estado onde devam surtir efeito;
c) que a sentença e os documentos anexos sejam apresentados
devidamente legalizados, de acordo com a lei do Estado onde devam
surtir efeito, quando for necessário;
d) que a sentença e os documentos anexos sejam revestidos das
formalidades externas necessárias para serem considerados autênticos no
Estado de onde provenham;
e) que o demandado tenha sido notificado ou citado na devida forma
legal, de maneira substancialmente equivalente àquela admitida pela lei
do Estado onde a sentença deva surtir efeito;
f) que se tenha assegurado a defesa das partes;
g) que as sentenças tenham caráter executório no Estado em que forem
proferidas. Quando existir apelação da sentença, esta não terá efeito
suspensivo.
Artigo 12
Os documentos de comprovação indispensáveis para solicitar o
cumprimento das sentenças são os seguintes:
a) cópia autenticada da sentença;
b) cópia autenticada das peças necessárias para comprovar que foram
cumpridas as alíneas e_ e f do artigo 11; e
c) cópia autenticada do auto que declarar que a sentença tem caráter
executório ou que foi apelada.
Artigo 13
A verificação dos requisitos acima indicados caberá diretamente ao juiz a
quem corresponda conhecer da execução, o qual atuará de forma
sumária, com audiência da parte obrigada, mediante citação pessoal e
com vista do Ministério Público, sem examinar o fundo da questão.
Quando a decisão for apelável, o recurso não suspenderá as medidas
cautelares, nem a cobrança e execução que estiverem em vigor.
Artigo 14
Do credor de alimentos não poderá ser exigido nenhum tipo de caução
por ser de nacionalidade estrangeira ou ter seu domicilio ou residência
habitual em outro Estado.
O beneficio de justiça gratuita, declarado em favor do credor de alimentos
no Estado Parte onde tiver feito sua reclamação, será reconhecido no
Estado Parte onde for efetuado o reconhecimento ou a execução. Os
Estados Partes comprometem-se a prestar assistência judiciária às pessoas
que gozam do benefício de justiça gratuita.
Artigo 15
As autoridades jurisdicionais dos Estados Partes nesta Convenção
ordenarão e executarão, mediante pedido fundamentado de uma das
partes ou através do agente diplomático ou consular correspondente, as
medidas cautelares ou de urgência que tenham caráter territorial e cuja
finalidade seja assegurar o resultado de uma reclamação de alimentos
pendente ou por ser instaurada.
Isso se aplicará qualquer que seja a jurisdição internacionalmente
competente, desde que o bem ou a renda objeto da medida se encontrem
no território onde ela for promovida.
Artigo 16
O cumprimento de medidas cautelares não implicará o reconhecimento
da competência na esfera internacional do órgão jurisdicional requerente,
nem o compromisso de reconhecer a validez ou de proceder à execução
da sentença que for proferida.
Artigo 17
As decisões interlocutórias e as medidas cautelares proferidas com
relação a alimentos, inclusive as proferidas pêlos juizes que conheçam
dos processos de anulação, divórcio ou separação de corpos, ou outros de
natureza semelhante, serão executadas pela autoridade competente,
embora essas decisões ou medidas cautelares estejam sujeitas a recursos
de apelação no Estado onde foram proferidas.
Artigo 18
Os Estados poderão declarar, ao assinar ou ratificar esta Convenção, ou a
ela aderir, que será seu direito processual que regerá a competência dos
tribunais e o processo de reconhecimento da sentença estrangeira.
DISPOSIÇÕES GERAIS
Artigo 19
Na medida de suas possibilidades, os Estados Partes procurarão prestar
assistência alimentar provisória aos menores de outro Estado que se
encontrarem abandonados em seu território.
Artigo 20
Os Estados Partes comprometem-se a facilitar a transferência dos recursos
devidos pela aplicação desta Convenção.
Artigo 21
As disposições desta Convenção não poderão ser interpretadas de modo a
restringir os direitos que o credor de alimentos tiver de conformidade com
a lei do foro.
Artigo 22
Poderá recusar-se o cumprimento de sentenças estrangeiras ou a
aplicação do direito estrangeiro previstos nesta Convenção, quando o
Estado Parte do cumprimento ou da aplicação o considerar
manifestamente contrário aos princípios fundamentais de sua ordem
pública.

COOPERAÇÃO JURÍDICA INTERNACIONAL EM MATÉRIA PENAL

1. INTRODUÇÃO.
- É feita tanto pelo MP, juiz, defensor, quando atuam nos processos que
tem repercussão transnacional.
- Mutual legal Assistance Treaty (MLAT) = Acordos de Assistência Mútua,
Tratados de Auxílio Mútuo, Acordo de Assistência Recíproca. É a
denominação dos tratados de cooperação internacional, em especial, mas
não exclusivamente, aos de caráter bilateral.

O MLAT foi a forma encontrada para desburocratizar e tornar mais célere


e fácil a cooperação jurídica internacional, que antes era feita apenas por
meio de cartas rogatórias que, no entanto, são caras e demoradas.
instrumento de Auxílio Direto, permitindo que o pedido de auxílio seja
formulado diretamente pelo juiz de 1ª instância, sendo desnecessário o
juízo prévio de delibação do STJ. A tramitação desses pedidos é
coordenada pela Autoridade Central brasileira designada em cada tratado
firmado, conforme explica o Manual de Cooperação Jurídica Internacional
do Ministério da Justiça editado em 2012 ([Link]).

- Objetivos da cooperação jurídica internacional em matéria penal (atos


pré e processuais):
 obtenção de prova
a) Ex: realizar interrogatório, ou prova documental -,
 recuperação de ativos ilícitos,
a) Se consuma com a repatriação de valores que foram reciclados e
enviados para paraísos fiscais.
b) - Uma vez rastreada as quantias, os valores são bloqueados em
estado estrangeiro.
 Captura de foragidos: extradição, entrega de pessoas – modelo do
TPI ou os modelos dos tratados regionais.
- Compromissos da política criminal global:
 Compromisso de tipificar condutas graves transnacionais.
 Estados partes devem estabelecer ferramentas processuais que
permitam a colheita de prova. Ex: ação controlada, interceptação
telemática, colaboração premiada. Ver convenção de Mérida e de
palermo.
 Aproximação/harmonização dos espaços jurídicos domésticos com
organismos internacionais. Regras que permitam o diálogo jurídico
entre os países. Diálogo para que a prova seja produzida, os valores
recuperados e os foragidos capturados.
- Ideia fundamental é que não haja espaços de impunidade. Respeito aos
direitos de vítimas e potenciais vítimas, além do direito à reparação sem o
desrespeito dos direitos dos acusados.

2. Vias de Autorização no direito interno


- Terá como fundamento tratados internacionais. No âmbito interno,
existem diversas normas.
 art. 781, CPP: cartas e sentenças não serão homologadas se
violarem a reserva de ordem pública.
- Dupla tipicidade, dupla incriminação:
 O crime deve ser tipificado tanto no estado requerente, como no
estado requerido. Basta que haja uma identidade de sentido, não
precisa ser o mesmo “nomen iuris”.
 A lavagem de dinheiro: tanto o antecedente como o consequente
devem ser tipificados para que seja preenchido requisito da dupla
tipicidade.
 A dupla tipicidade não é uma regra prevista em todos os tratados.
 Tratados sobre medidas coercitivas exige-se dupla incriminação.
Tais como: medidas assecuratórias sobre bens e direitos, provas,
dispensam.

3. Medidas de cooperação.
3.1. Homologação de sentença estrangeira.
- Homologação de sentença estrangeira.
 Algumas situações não é necessária homologação, tais como o
reconhecimento da reincidência, maus antecedentes. Livramento
condicional.
 Convenção de Manágua/convenção interamericana sobre o
cumprimento de sentenças estrangeiras no exterior.
 Ver art. 9, CP.
a) Só cabe homologação para efeitos civil e medidas de segurança.
Tais como:
a.1) reparação do dano, desde que requerida pela parte
interessada.
a.2) medida de segurança: deve haver tratado ou promessa de
reciprocidade.
 Efeitos:
a) gera reincidência caso o agente cometa novo crime, no Brasil;
b) proíbe a suspensão condicional da pena ao agente que cometa
novo crime, no Brasil;
c) proíbe o livramento condicional ao agente que cometa novo
crime, no Brasil;
d) é válida no Brasil caso seja absolutória ou extintiva da
punibilidade.

 Apesar do disposto no Código penal, há Possibilidade de homologação de sentença


estrangeira para execução de pena proferida contra brasileiro nato, caso Robinho.
 A transferência da execução de pena não viola o núcleo do
direito fundamental contido no art. 5º, LI, da CF/88, pois
não há entrega de brasileiro nato condenado
criminalmente para cumprimento de pena em outro país.
 A Lei nº 13.445/2017 (Lei de Migração), em seu art. 100,
autoriza a transferência da execução da pena imposta no
exterior tanto a brasileiros, natos ou naturalizados, quanto
a estrangeiros que tiverem residência habitual ou vínculo
pessoal no Brasil. Logo o art. 100 da Lei de Migração é
uma mitigação do princípio da territorialidade das
penas previsto no art. 9º, CP.
 O disposto no art. 100 da Lei nº 13.445/2017 aplica-se aos
fatos anteriores a sua vigência por se tratar de norma de
cooperação internacional em matéria penal = processual
penal.
 O sistema de contenciosidade limitada adotado pelo Brasil
em matéria de homologação de sentença penal
estrangeira impede a rediscussão do mérito da ação penal
que resultou na condenação do cidadão brasileiro.
 Argumentos contra:
a) a lei afirma que a TEP só é admitida nos casos em que
existe a possiblidade de extradição. Por se tratar de
brasileiro nato, logo, não caberia homologação.
b) Problema desta corrente, não concebe a possibilidade
do indivíduo ser para cá extraditado, isto é, só
vislumbra a hipótese de extradição passiva.
 - Outras questões:
a) Se Robinho viajar para a Itália poderá ser preso e
obrigado a cumprir pena lá
b) Se Robinho viajar para outro país (sem ser a
Itália), poderá ser preso e extraditado para a
Itália
c) desde que cumpridos dois requisitos: a) a Justiça
Italiana inclua o nome de Robinho na difusão vermelha
(o que ocorreu); b) o país para onde Robinho for tenha
tratado de extradição com a Itália.
d) Não se reanalisa a condenação proferida no
exterior segundo as leis brasileiras. Nos tratados
internacionais celebrados entre o Brasil e a Itália, não
há norma que imponha o dever de o Poder Judiciário
italiano aplicar as normas procedimentais brasileiras em
processo que apura responsabilidade criminal de
brasileiro.
e) A homologação da transferência de execução da pena
ao efetivar a cooperação internacional, tem o condão
de, secundariamente, resguardar os direitos humanos
das vítimas.

- Pode ser requerida pelo PGR ou parte interessada.


- Competência: STJ, mas para execução: JF.
- formalidades:
 Competência do juiz que prolatou a decisão
 Autenticação por cônsul brasileiro.
 Tradução oficial
 Trânsito em julgado e obedecer às formalidades no local em que
prolatada.
 Conformidade com a ordem pública.

3.2. Cartas rogatórias,


- Cartas rogatórias. Ativas: art. 222-A, 368, 369 e 783.
 Citações, intimações, e comunicação de atos processuais.
- Pode ser:
 Ordinatórias: rogam-se atos de comunicação processual.
 Instrutórias: roga-se a produção de prova
 Executórias: rogam-se medidas restritivas de direito, tanto
cautelares como antecipatórias.
- Passivas: exequatur concedido pelo STJ, e tem como pressupostos:
 Conformidade com a ordem pública
 Autenticidade.
- Ativas:
 Deve demonstrar imprescindibilidade. Arcando a parte requerente
com os custos do envio.
- Se um determinado MP de país estrangeiro está dentro da estrutura do
poder judiciário, cabe a ele o envio da carta ao Brasil.

3.3. Transferências de pessoas.


- Possui razão humanitária
- Necessário tratado bi ou multilaterais.
- Transferência de pessoas Investigadas/processadas (processo em curso).
- Transferência de sujeitos processuais: Vítimas, peritos e testemunhas:
 Dizem respeito a interesse persecutórios do estado, não no
interesse da vítima em ser transferida no plano internacional.
 Se um determinado investigado estiver em outro território, para
participar de um processo aqui no Brasil, deve prestar depoimento
juramentado, desde que o faça voluntariamente e com salvo
conduto = compromisso de devolução para o território estrangeiro.
 Transferência é voluntária e período definido.
- Transferência de condenados (trânsito em julgado):
 Serve ao condenado, não ao interesse persecutório do Estado, diz
respeito ao indivíduo apenado. Cunho humanitário.
 Procedimento deve respeitar a CF e a convenção contra a tortura.
 Necessária homologação da sentença estrangeira. Esta
homologação não tem fundamento no art. 9º, que impõe
homologação apenas nos casos de:
a) Reparação de dano
b) Sujeição à medida de segurança.

3.4. Transferência de processos criminais:


- Processo tem curso no estrangeiro, e aquela conduta é punida em ambas
as jurisdições, e ofendeu os dois países. Processo pode ser transferido,
quando, por exemplo, a colheita de provas seja mais vantajosa lá.
- É permitida a transferência quando a legislação do Estado em que o
agente é acusado não admite extradição, por exemplo, ou há algum óbice
material a torna impossível.
- A transmissão inclui o desaforamento de processos e a transferência de
investigações.
- Hipóteses:
 Quando o estado vê negado pedido de extradição.
 Acusado responde pelo mesmo fato em dois ou mais Estados.
 Dois ou mais países possuem jurisidição concorrente para investigar
ou processar mesma pessoa. Conexão probatória internacional
 Quando as principais provas da autoria e materialidade se
encontram no estado requerido.

3.5. Comunicação espontânea: medidas comuns na cooperação


direta:
- Estado estrangeiro, em uma investigação própria, seleciona parte de
documento coletado em procedimento investigativo, envia para estado
estrangeiro.
- Este, por sua vez, inicia nova persecução penal.
- Espécie de noticia criminis internacional.
- Semelhante quando um juiz verifica a pratica de um ilícito e comunica ao
MP para que tome as providências necessárias.
- Pode haver comunicação de atos, busca probatórias – provas orais e
documentais.
- Confirmação da vigência e texto da interpretação do direito estrangeiro.
 Tem por objeto a investigação sobre a existência de determinada
norma, se está vigente, e qual a interpretação dada.
 Ex: Se pede ao estado de origem que demonstre a regra de
prescrição.

4. Vias de cooperação da CIJ penal. Regimes de cooperação.


4.1. Via diplomática.
- Via diplomática: quando não há tratados internacionais regulando a
cooperação em matéria penal.
 Quando o Estado de nacionalidade oferece proteção, ele endossa a
reclamação da vítima e toma como sua a queixa alegada. Será esse
endosso o instrumento que irá outorgar a chamada proteção
diplomática
- Via um tanto burocrática, há vários intermediários. Quando uma
autoridade da Bahia depende de uma prova que está no RN, autoridade
pode diretamente falar com outra: delegado – delegado.
- Diferentemente, na via diplomática, há intermediação da conversação.
Ex: para que uma citação seja cumprida, é necessário que um diplomata
intervenha por meio de órgão específico.

4.2. Autoridades centrais.


- Autoridades centrais: evolução da via diplomática.
- Estados passaram a partir dos anos 60 a criar órgãos especializados para
que a interação nos casos de persecução penal seja de forma direta, com
menor número de intermediários.

4.3. Legalização consular.


- Legalização consular: baseado na ideia das funções notariais dos
cônsules. Podem também chancelarem documentos.
- Se há, portanto, a necessidade de produção de uma prova, pode a parte
interessada, ao obter a prova, levá-la à autoridade consular brasileira
daquele país para que seja autenticada, assim, este documento poderá ser
utilizado no Brasil.
- Útil para produzir prova a partir de documentos produzidos no
estrangeiro.

4.4. Cooperação direta/auxílio direto.


- Mecanismos modernos em razão de peculiaridades regionais são
somadas às vias tradicionais, não são excludentes uma da outra.
- Cooperação diretadiálogo jurídico sem qualquer intermediário. Toda a
comunicação processual, toda troca probatória, troca de informações, seja
passiva ou ativa, é feita sem qualquer intermediação.
 surge em função das complexidades inerentes à cooperação
transfronteiriça, indo além desta.
 MPF pode dialogar com MP dos EUA. É como se um juiz do Brasil
expedisse uma carta precatória para um juiz da Argentina,
diretamente, sem intermediários.
 Quando não há necessidade de exequatur, temos o auxílio direto.
 Cooperação direta em sentido estrito # auxílio direto: esta é
intermediada pelas autoridades centrais. É um mecanismo mais
simplificado para o trânsito das rogatórias sem que dependam de
exequatur.
 A cooperação direta, na imensa maioria dos casos, não é possível,
porque depende de tratado internacional, e modificação da
legislação interna, além da identidade de interesses entre as partes
para que as medidas se efetivem.
 Não é fácil implementar, é mais comum em espaços altamente
cooperados como na União Europeia, pressupõe o reconhecimento
mútuo das decisões.

4.5. Cooperação transfronteiriça.


- Cooperação transfronteiriça: é uma cooperação direta apenas nas
fronteiras.
- Diálogo direto só se valida naquela região demarcada da fronteira onde
há grande interação.
 O dia-dia da fronteira remete a uma maior frequência de crimes.
 Para que exista uma cooperação transfronteiriça, é necessário
tratado. Caso contrário, será necessária cooperação por meio da
autoridade central ou da via diplomática.
- Cooperação via canais de transferência. Ex: interpol. Polícias de todo o
globo trocam informações de segurança pública.
- Redes de cooperação internacional.
 Conceito: são grupos que reúnem pontos de contato para viabilizar
a cooperação jurídica internacional. Geralmente são informais, não
têm base jurídica.
 iberRede
a) Civil e penal
b) 23 paises ibero-americanos
c) Integrada por pontos de contato e autoridades centrais
d) CARACTERÍSTICAS: INFORMALIDADE, COMPLEMENTARIEDADE,
HORIZONTALIDADE, FLEXIBILIDADE E CONFIANÇA MÚTUA.
 Rede judiciário da CPLP
 Rede hemisférica de intercâmbio de informações para auxílio de
informações para o auxílio jurídico mútuo em matéria penal e de
extradição.
 ex: hiberede – rede ibero-americana, Portugal, Espanha países de
américa latina, etc. servem para integrar as autoridades centrais e
os MP’s das regiões.

5. Órgãos da cooperação no Brasil.


- O mecanismo vigente mais importante no Brasil é o mecanismo da
autoridade central.
- DRCI: órgão administrativo vinculado ao Ministério da Justiça com função
cooperacional. Recebe e envia os pedidos dos países para extradição.
 Brasil possui tratado com Canadá e países de língua portuguesa
para recuperação de ativos.
 Competências:

I - articular, integrar e propor ações entre os órgãos dos Poderes


Executivo e Judiciário e o Ministério Público para o
enfrentamento da corrupção, da lavagem de dinheiro e do crime
organizado transnacional, inclusive no âmbito da Enccla;
II - coordenar a Rede Nacional de Laboratórios de Tecnologia
Contra Lavagem de Dinheiro - Rede-Lab;
III - estruturar, implementar e monitorar ações de governo, além
de promover a articulação dos órgãos dos Poderes
Executivo e Judiciário e do Ministério Público nas seguintes
áreas:
a) cooperação jurídica internacional em matéria civil e penal,
inclusive em assuntos de prestação internacional de
alimentos, subtração internacional de crianças, adoção
internacional, extradição, transferência de pessoas condenadas e
transferência da execução da pena; e
b) recuperação de ativos;
IV - exercer a função de autoridade central, por meio da
coordenação e da instrução de pedidos ativos e passivos de
cooperação jurídica internacional nas áreas a que se refere o
inciso III, por delegação do Ministro de Estado, exceto se houver
designação específica que disponha de maneira diversa;
V - exercer a função de autoridade central federal em matéria de
adoção internacional de crianças, nos termos do
disposto na Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990;
VI - negociar acordos de cooperação jurídica internacional nas
áreas a que se refere o inciso III e aqueles relacionados com as
demais matérias de sua competência, além de exercer as funções
de ponto de contato, enlace e similares nas redes de cooperação
internacional e de recuperação de ativos; e
VII - atuar nos procedimentos relacionados com a ação de
indisponibilidade de bens, de direitos ou de valores em
decorrência de resolução do Conselho de Segurança das Nações
Unidas, nos termos do disposto na Lei nº 13.170, de 16 de
outubro de 2015.

- PGR, através da secretaria de cooperação jurídica internacional cuja


atividade é regulada pela portaria 556/2014.
 Atua como autoridade central designada para intermediar
demandas relacionadas à cooperação jurídica internacional para a
prestação de alimentos no âmbito da Convenção de Nova Iorque
sobre Prestação de Alimentos no Estrangeiro
 e para auxílio mútuo em matéria penal nos termos da Convenção de
Auxílio Judiciário em Matéria Penal entre os Estados Membros da
Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e do Acordo de
Assistência Mútua em Matéria Penal celebrado entre Brasil e
Canadá.
- Independentemente de quem seja autoridade central, a execução
sempre será feita pelo MPF, PF ou pela autoridade central quando se trate
de uma simples informação.

6. Convenções sobre o tema.


6.1. Convenções processuais.
6.1.1. Convenção de Auxílio Judiciário em Matéria Penal entre os
Estados Membros da Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa – VER DECRETO 8.833.

Artigo 8
Intercâmbio espontâneo de informações
1. Dentro dos limites da sua legislação nacional, as autoridades
competentes dos Estados Contratantes podem proceder, sem
que lhes tenha sido solicitado, ao intercâmbio de informações
relativas a infrações penais, cujo tratamento ou sanção seja da
competência da autoridade que recebe as informações, no
momento em que estas são prestadas.
2. A autoridade que presta a informação pode, de acordo com a
sua legislação nacional, sujeitar a determinadas condições a
utilização dessas informações pela autoridade que as recebe.
3. A autoridade que recebe as informações fica obrigada a
observar essas condições.
6.2. Convenções temáticas
6.2.1. Convenção das nações unidas contra o tráfico ilícito de
entorpecentes e substancias psicotrópicas de 1988,
- ver artigos: 6º, 7º, 8º, 9º e 11º.
- Medidas de cooperação.
 Extradição
 Transferência de procedimentos.
 Entrega vigiada
 Assistência jurídica recíproca.
 Países devem manter canais de comunicação para facilitar o
intercâmbio de informações.
 Deverá haver cooperação na condução dos inquéritos, inclusive.
 Será possível a criação de equipes conjuntas, que atuarão de acordo
com a autorização das autoridades competentes da parte em cujo
território se realizará a operação.
 Países em Estado de trânsito e em desenvolvimento receberão
auxílio mediante programas de cooperação.

6.2.2. Convenção de palermo contra o crime organizado transnacional


- Medidas de cooperação jurisdicionais e administrativas.
 Confisco.
a) Requisitos:
a.1) descrição dos bens
a.2) cópia da decisão de confisco
a.3) exposição dos fatos.
b) Há prioridade na restituição de bens confiscados ao Estado
requerente com o fim de indenizar as vítimas.
c) É possível a celebração de acordos para destinar o valor dos bens
a organismos intergovernamentais de combate à criminalidade.
 Extradição: aplicável ainda que se trate de infração não prevista na
Convenção.
a) Na hipótese de inextratabilidade, aplica-se o princípio do aut
dedere, atu judicare, segundo o qual o Estado parte em cujo
território se encontre o autor, se não o extraditar, deve julga-lo.
Ex: Chico, brasileiro nato, praticou crime no estrangeiro, logo,
não pode ser extraditado. No entanto, nada impede que Chico
seja julgado aqui pelo fato.
b) Nesse sentido, a ausência de dupla tipicidade não exclui o
julgamento do nacional com fundamento no aut dedere, atu
judicare, pode o acusado incidir nas penas de outro delito.
c) Possível extradição para execução da pena.
d) É possível que um estado signatário da convenção não promova
extradição se a infração envolve também questões fiscais.
 Transferência de pessoas condenadas. Exige anuência do preso.
 Assistência judiciária recíproca: comunicação seja pedido ou juízo
de delibação.
a) efeitos: fornecer documentos, processos, localizar os produtos
do crime, bens, instrumentos ou outros elementos para fins
probatórios.
b) Não pode se valer das informações para utilizá-las em outro
processo sem o consentimento do estado que forneceu as
informações.
 Investigações conjuntas.
 Técnicas especiais de investigação: ação controlada e infiltração
policial.
 Transferências de processos criminais.
- Papel fundamental e primário do Estado na repressão das condutas, em
detrimento das organizações.
- Permite a responsabilidade penal da pessoa jurídica.
- Serão aplicadas quando as infrações forem de natureza transnacional e
envolverem grupo criminoso organizado.
- Procedimento será sigiloso.
- Estados Partes não poderão invocar o sigilo bancário para recusar a
cooperação.
- Estados podem invocar a ausência de dupla tipicidade para recusar
cooperação. No entanto, a concessão da medida de cooperação poderá se
dar de forma discricionária, de modo que nada impede que a medida seja
realizada.
- Autoridades poderão comunicar às autoridades de outro país, sem
pedido prévio, informações relativas a questões penais.
- Estados deverão tomar medidas preventivas.
- Cláusula de salvaguarda: as disposições do tratado não prejudicam as
normas de direitos humanos já aplicáveis à espécie, bem como os tratados
internacionais sobre o tema.

6.2.3. Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção


(UNCAC)/Convenção de Mérida de combate à Corrupção.
- Objetivo: combate à Corrupção
- Medidas para prevenir a Lavagem de Dinheiro e a corrupção pública e
privada seja entre agentes estatais e agentes econômicos.
- A prova dos fatos ocorridos no estrangeiro rege-se pela lei do país onde
ocorreram os fatos.
- Medidas de cooperação internacional de caráter jurisdicional e
administrativo.
 Ex: códigos de conduta (complience), dentre outros.
 As medidas de cunho administrativo impostas pela convenção não
necessitam de lei ordinária para sua implementação, já que o
próprio tratado possui status de legal.
- Traz mandados de criminalização em diversas áreas, desde a lavagem de
dinheiro, apropriação de verbas públicas dentre outros.
- Autoridade central: MJ por meio do DRCI.
- Medidas de cooperação:
 Extradição
 Traslado de pessoas condenadas para o cumprimento da pena.
 Assistência judicial recíproca.
a) IMPORTANTE! Os Estados Partes não invocarão o sigilo para
negar assistência judicial recíproca.
b) Informações podem ser prestadas INDEPENDEMENTE DE
REQUERIMENTO de um Estado a outro, se o Estado que envia
acredita que a informação é relevante para o êxito nas
investigações.
c) Se uma determinada informação for sigilosa, deve o Estado
preservá-la, salvo se a revelação da informação for fator
determinante da absolvição de determinado réu.
d) As disposições do tradado não excluem mecanismos bilaterais
entre estados anteriormente já previstos em tratados.
e) Poderá ser requerida assistência se, a despeito da ausência da
dupla incriminação, a medida cumpre às finalidades previstas na
Convenção de Mérida. Ademais, os Estados podem adotar
medidas internas que permitam a assistência sem que haja dupla
imputação.
 Recuperação de ativos. Incluída a restituição a seus legítimos
proprietários.
 Técnicas especiais de investigação:
a) entrega vigiada.
b) Vigilância eletrônica.
 Interceptação de bens e fundos.
- Caso o direito interno estipule autorização jurisdicional, o Estado
requerido (cooperação passiva), deve fazê-lo. Neste caso, ele atuará como
substituto processual, que no caso do Brasil, será o MPF ou AGU.
- Quando da prática de crimes contra a administração pública em que há
subtração do erário, nas hipóteses de confisco de bens, o produto será
restituído ao Estado Parte que requereu a medida de cooperação jurídica
internacional. Nas demais hipóteses: aos proprietários anteriores e às
vítimas.
- Os mandados de criminalização e medidas legislativas sancionatórias
sugeridas pressupõem o dolo do agente, não cabendo a punição pela
culpa.
- Sugere aos estados que estabeleçam prazo maior ou interrompa a
prescrição quando o presumido delinquente tiver se evadido da
administração da justiça;
- Possibilidade de mais de uma autoridade central.
- Não é necessário que os atos de corrupção causem dano/prejuízo
patrimonial ao Estado. Mas é preciso dolo.
- Aplicam-se a funcionários públicos nacionais e estrangeiros e organismos
internacionais.
- Estados promoverão medidas para facilitar que funcionários façam a
denúncia de corrupção.
- O Estado Parte deve adotar medidas para fomentar a participação de
pessoas e grupos que não pertencem ao setor público para a prevenção e
luta contra a corrupção. Será permitida a denúncia anônima nos casos de
corrupção.

OUTRAS CONVENÇÕES

As principais informações sobre a Convenção Interamericana Contra o


Terrorismo são:
1. Propósito
 Objetivo principal: Prevenir, punir e eliminar o terrorismo no
continente americano.
 Promover a cooperação internacional para combater o terrorismo,
alinhando esforços nacionais e regionais.
2. Fundamentos e Contexto
 Inspirada nos princípios da Carta da OEA e da Carta das Nações
Unidas.
 Reconhece que o terrorismo é uma ameaça global, especialmente
aos valores democráticos, à paz e à segurança internacional.
 Destaca o impacto econômico causado por atos terroristas e a
necessidade de esforços conjuntos para enfrentá-los.
3. Medidas Específicas
Legislação e Instrumentos Internacionais
 Os Estados devem implementar leis nacionais que criminalizem atos
de terrorismo e estejam alinhadas aos instrumentos internacionais
relacionados ao tema, como:
o Convenção de Montreal (1971) sobre segurança da aviação.
o Convenção Internacional para a Supressão do
Financiamento do Terrorismo (1999).
Controle de Financiamento do Terrorismo
 Estabelecimento de um sistema de controle financeiro, incluindo:
o Identificação de clientes bancários.
o Monitoramento de transações suspeitas.
o Controle de movimentações de dinheiro transfronteiriças.
Embargo e Confisco
 Autorização para identificar, congelar e confiscar bens ou fundos
associados a atividades terroristas.
Fronteiras e Documentos
 Aperfeiçoamento de controles fronteiriços e de emissão de
documentos de viagem, prevenindo falsificações.
Cooperação Judicial
 Facilitação da extradição e da assistência jurídica mútua, excluindo
o terrorismo da categoria de "delito político".
 Possibilidade de translado de pessoas sob custódia para
investigações ou julgamentos.
4. Princípios e Garantias
 Respeito aos Direitos Humanos: Todas as ações devem ser
compatíveis com as normas internacionais de direitos humanos.
 Não-discriminação: Nenhuma ação deve visar discriminação por
motivos de raça, religião, origem étnica ou opinião política.
 Exclusão do Asilo e Refúgio: Terroristas não podem se beneficiar de
asilo ou reconhecimento como refugiados.
5. Estrutura de Cooperação
 Organização dos Estados Americanos (OEA):
o Coordenação de esforços por meio do Comitê
Interamericano Contra o Terrorismo (CICTE).
o Promoção de programas de treinamento e assistência
técnica.
 Realização de consultas periódicas entre os Estados Partes para
compartilhar experiências e melhorar estratégias.
Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas contra o Crime
Organizado Transnacional relativo ao Combate ao Tráfico de Migrantes
por Via Terrestre, Marítima e Aérea são as seguintes:

1. Propósito
 Objetivo principal: Prevenir e combater o tráfico de migrantes,
promovendo a cooperação entre os Estados Parte, ao mesmo
tempo que protege os direitos humanos dos migrantes.
 Combater o tráfico sem criminalizar os próprios migrantes enquanto
sujeitos do crime.

2. Definições Chave
 Tráfico de Migrantes: Facilitação da entrada, permanência ou
trânsito ilegal de uma pessoa em um país do qual ela não é cidadã
ou residente, com fins lucrativos.
 Documentos falsos ou fraudulentos: Passaportes ou outros
documentos de identidade ou viagem que sejam falsificados,
alterados ou obtidos de maneira ilegal.

3. Obrigações dos Estados Parte


Medidas de Prevenção
 Criminalizar, em suas legislações nacionais:
o O tráfico de migrantes.
o A produção, posse ou uso de documentos de viagem falsos
ou fraudulentos.
o O auxílio à entrada, trânsito ou permanência ilegal de
migrantes.
Proteção e Assistência
 Garantir a proteção dos direitos dos migrantes, incluindo:
o A segurança pessoal e a proteção contra atos de violência ou
maus-tratos.
o Respeito aos direitos humanos durante procedimentos de
interceptação ou devolução.
Cooperação Internacional
 Estabelecer colaboração entre os Estados Parte para:
o Identificar e desmantelar redes de tráfico.
o Facilitar o retorno voluntário e seguro dos migrantes
traficados.
o Promover troca de informações sobre métodos e rotas
usados pelos traficantes.
o Transferência de Processos Penais: Caso uma investigação ou
processo esteja sendo conduzido em mais de um Estado
Parte, as partes podem transferir procedimentos criminais
para o Estado mais competente, a fim de evitar duplicidade.
o Investigações Conjuntas
o Proteção às Testemunha
o Repatriação de Vítimas
o Intercâmbio de Dados contra à falsificação de documentos.
o Cooperação Técnica e Capacitação: treinamento de
autoridades.

4. Controle de Fronteiras e Documentação


 Fortalecer os mecanismos de controle fronteiriço, prevenindo o uso
de rotas ilegais.
 Segurança documental:
o Adotar padrões para prevenir a falsificação, alteração ou uso
indevido de documentos de viagem.
o Identificar rapidamente documentos falsificados.

5. Marítimo e Outros Meios de Transporte


 Prevenção no transporte marítimo:
o Autorizar a inspeção de embarcações suspeitas de estarem
envolvidas no tráfico de migrantes.
o Colaborar na intercepção de embarcações que transportem
migrantes de forma irregular, respeitando o direito
internacional e os direitos das pessoas a bordo.

6. Princípios e Direitos Humanos


 Proteção aos migrantes:
o Ação contra o tráfico deve ser conduzida respeitando os
direitos humanos, sem discriminação de qualquer tipo.
 Não criminalização:
o O protocolo enfatiza que migrantes traficados não devem ser
criminalizados por sua entrada ou permanência irregular em
um país.

7. Vigência e Implementação
 O Protocolo entrou em vigor em 2004, após a ratificação pelo
número mínimo de Estados exigido.
 Faz parte dos instrumentos complementares à Convenção de
Palermo (2000) sobre o crime organizado transnacional.
8. Importância
 Representa um marco no enfrentamento global ao tráfico de
migrantes.
 Reflete o compromisso dos Estados em combater o crime
organizado transnacional, protegendo as vítimas e fortalecendo o
sistema de segurança internacional.

Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas contra o Crime


Organizado Transnacional Relativo à Prevenção, Repressão e Punição do
Tráfico de Pessoas, Especialmente Mulheres e Crianças (2000)
Propósito
 Complementar a Convenção das Nações Unidas contra o Crime
Organizado Transnacional, abordando especificamente a
prevenção, repressão e punição do tráfico de pessoas, com foco
particular na proteção de mulheres e crianças.
Definição de Tráfico de Pessoas
O Protocolo define tráfico de pessoas como:
 O recrutamento, transporte, transferência, alojamento ou
acolhimento de pessoas por meio de ameaça, uso de força ou
outras formas de coerção, engano, abuso de poder ou
vulnerabilidade, com o objetivo de exploração.
 Exploração inclui prostituição, trabalho forçado, escravidão,
servidão ou remoção de órgãos.
Objetivos Principais
1. Prevenção e combate ao tráfico de pessoas.
2. Proteção e assistência às vítimas, com respeito aos direitos
humanos.
3. Promoção da cooperação internacional para enfrentar o problema.
Medidas Determinadas
1. Criminalização:
o Os Estados devem adotar medidas legislativas para tipificar o
tráfico de pessoas como crime em suas jurisdições.
2. Proteção às Vítimas:
o Garantir assistência médica, psicológica e social às vítimas.
o Proporcionar proteção contra represálias ou intimidações.
o Prever, quando possível, residência temporária ou
permanente para as vítimas em situações de vulnerabilidade.
3. Prevenção:
o Campanhas de conscientização e programas de educação
para reduzir a vulnerabilidade das populações ao tráfico.
o Controle reforçado nas fronteiras para prevenir atividades de
tráfico.
4. Cooperação Internacional:
o Facilitar a troca de informações entre os Estados.
a)  Identificar rotas, métodos e meios utilizados por
redes de tráfico, incluindo transporte e documentos
falsificados.
b)  Identificar indivíduos ou grupos envolvidos em
atividades de tráfico.
c)  Melhorar a coordenação na investigação e combate
ao tráfico.
o Colaborar em investigações e processos judiciais relacionados
ao tráfico.
o Investigações Conjuntas (Artigo 11)
o 3. Cooperação no Controle de Fronteiras (Artigo 11)
o Assistência Judicial Mútua
o Repatriação de Vítimas (Artigo 8)
o Treinamento e Desenvolvimento de Capacidades (Artigo 10):
Promover programas de treinamento para autoridades,
o Cooperação em Organizações Internacionais e Regionais
Atenção Especial às Mulheres e Crianças
 Reconhece que mulheres e crianças são especialmente vulneráveis
e propõe medidas adicionais para sua proteção.
 Esforça-se para garantir que a exploração sexual e outras formas de
exploração baseadas no gênero sejam combatidas de maneira
eficaz.

O Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas contra o Crime


Organizado Transnacional sobre a Fabricação e o Tráfico Ilícito de Armas
de Fogo, suas Peças, Componentes e Munições, também conhecido como
Protocolo sobre Armas de Fogo, foi adotado em 2001. Ele tem como
principal objetivo combater o tráfico ilícito de armas de fogo, peças e
munições, reconhecendo o papel dessas armas em atividades criminosas,
incluindo terrorismo e crimes violentos.
Aqui estão as principais informações sobre o Protocolo:
Objetivos principais
1. Combate ao tráfico ilícito de armas de fogo: O Protocolo visa
reduzir a disponibilidade de armas de fogo ilícitas no mercado
global e prevenir seu uso em atividades criminosas.
2. Prevenção da fabricação ilícita: Estabelece regras para garantir que
a fabricação de armas de fogo seja realizada de maneira controlada,
impedindo a produção clandestina.
3. Promover a cooperação internacional: O Protocolo enfatiza a
necessidade de cooperação entre os países para combater o tráfico
ilícito e coordenar ações no controle das armas de fogo.
Principais disposições
1. Marcação de Armas:
o Estabelece que as armas de fogo, suas peças e componentes
devem ser marcadas de forma permanente no momento da
fabricação, importação ou transferência.
o As marcas devem incluir informações como o nome do
fabricante, número de série, país de fabricação e, quando
possível, o ano de fabricação.
2. Controle de Fabricação e Comércio:
o Exige que os Estados Parte adotem medidas para regular a
fabricação, importação, exportação e transferência de armas
de fogo, e garantir que isso seja feito legalmente.
o Determina a criação de registros nacionais para acompanhar
a movimentação de armas de fogo no país.
3. Prevenção do tráfico ilícito:
o O Protocolo exige que os Estados Parte adotem medidas para
prevenir o tráfico ilícito de armas, como controles mais
rigorosos nas fronteiras e a introdução de sistemas de
rastreamento.
4. Cooperação internacional:
o Estabelece que os Estados devem cooperar mutuamente na
prevenção e repressão do tráfico ilícito de armas de fogo,
incluindo a troca de informações, assistência legal e
aduaneira, e a colaboração em investigações e processos
judiciais.
5. Medidas de Criminalização:
o Os países devem garantir que atividades como a fabricação,
posse e tráfico ilícitos de armas de fogo, suas peças e
munições sejam tratadas como crimes, com penas adequadas
para os infratores.
Cooperação jurídica internacional
O Protocolo prevê um conjunto de medidas para promover a cooperação
entre os Estados Partes, incluindo:
 Assistência técnica e compartilhamento de informações
 Investigação conjunta
 Assistência jurídica mútua em investigações e processos
relacionados ao tráfico de armas de fogo.
 Extraditação de criminosos envolvidos no tráfico de armas, com a
possibilidade de aplicação de medidas especiais de cooperação,
como investigações conjuntas e o uso de informações
compartilhadas.
 Facilitação de Procedimentos de Confisco e Repatriação
 Medidas de Capacitação e Treinamento: programas conjuntos de
capacitação e treinamento para as autoridades locais e nacionais,
 Rastreabilidade das Armas
 Cooperação em Matéria de Registros: incentiva os países a
estabelecerem sistemas de registro de armas, suas peças e
munições, e a troca de informações sobre esses registros

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