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1 Fase - 45° Exame Da OAB: Direito Penal

O documento aborda a aplicação da lei penal, focando em conflitos aparentes de normas, onde apenas uma norma se aplica ao fato. Destaca os princípios da especialidade, subsidiariedade e consunção, que determinam a prevalência de normas específicas sobre gerais, a absorção de infrações menos graves por mais graves, e a subsunção de atos delituosos a um único tipo penal, respectivamente. Exemplos práticos ilustram como esses princípios são aplicados no contexto do Direito Penal.

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O documento aborda a aplicação da lei penal, focando em conflitos aparentes de normas, onde apenas uma norma se aplica ao fato. Destaca os princípios da especialidade, subsidiariedade e consunção, que determinam a prevalência de normas específicas sobre gerais, a absorção de infrações menos graves por mais graves, e a subsunção de atos delituosos a um único tipo penal, respectivamente. Exemplos práticos ilustram como esses princípios são aplicados no contexto do Direito Penal.

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1ª Fase | 45° Exame da OAB

Direito Penal

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1ª Fase | 45° Exame da OAB
Direito Penal

1. Aplicação da Lei Penal

1.3. Conflito aparente de normas


Ocorre o conflito quando aparentemente duas ou mais normas podem ser aplicadas ao
mesmo fato. É aparente, porque apenas uma delas acaba sendo aplicada à hipótese.

1.3.1. Princípio da especialidade


A norma especial prevalece sobre a norma geral. A norma penal especial é aquela que
reúne todos os elementos típicos da lei geral, mas reveste-se de outros elementos que a tornam
especial, que a particularizam, chamados especializantes.
Ex.: tomemos como exemplo o caso de uma mãe matar, sob influência do estado puerpe-
ral, o próprio filho, logo após o parto. Nesse caso, o crime de infanticídio, previsto no artigo 123
do CP, por ser especial, prevalece sobre a norma geral do homicídio, previsto no artigo 121 do
CP, prevalecendo, no caso, a norma penal que define o crime de infanticídio, já que as elemen-
tares contidas nesse crime a tornam especial em relação à norma geral que define o homicídio.

1.3.2. Princípio da subsidiariedade


Ocorre quando a infração penal de maior gravidade absorve a menor de gravidade. Ou
seja, a infração menos grave somente incide se o fato não constituir crime mais grave.
A subsidiariedade pode ser expressa ou tácita:
a) A subsidiariedade expressa ou explícita ocorre quando o seu próprio texto, subordina
a sua aplicação à não aplicação de outra, de maior gravidade punitiva. Ex.: o crime de importu-
nação sexual, previsto no art. 215-A do CP, incluído pela Lei nº 13.718/2018, incidirá “se o ato
não constitui crime mais grave”, conforme expressamente prevê o referido dispositivo legal.
Logo, o delito de importunação sexual somente incidirá se a conduta do agente não caracterizar
crime mais grave, por exemplo, estupro (art. 213 do CP) ou estupro de vulnerável (art. 217-A do
CP).
b) A subsidiariedade tácita ou implícita ocorre quando a norma penal não ressalva, de
modo expresso, a sua incidência na hipótese de outra norma de maior gravidade punitiva não
ser aplicável ao caso concreto. Ex.: o crime de constrangimento ilegal (art. 146 do CP) é tacita-
mente subsidiário em relação ao crime de estupro (art. 213 do CP). Assim, se, no caso concreto,

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Direito Penal

o crime mais grave (art. 213 do CP) não restar caracterizado, ou seja, não ficar demonstrado que
o constrangimento não teve por finalidade violar a dignidade sexual da vítima, pode-se aventar
a incidência do crime de constrangimento ilegal (art. 146 do CP).

1.3.1. Princípio da consunção


O princípio da consunção é aplicado para dirimir conflito aparente de normas decorrente
de uma sequência de fatos delituosos, que, isoladamente, constituem crime, mas que, ao final,
devem ser subsumidos a um único tipo penal.
Tomemos como exemplo o agente que pretende desde o início produzir a morte da vítima.
Para tanto, utiliza-se de uma faca, golpeando a vítima em várias partes do corpo, vindo, ao final,
a aplicar o golpe fatal, causando-lhe a morte. Há um único elemento subjetivo, sendo a conduta
composta por vários atos praticados de forma progressiva até atingir o resultado mais grave.
Surge, assim, o conflito aparente de normas: o agente responderá pelos delitos de lesão corporal
(art. 129 do CP) e homicídio (art. 121 do CP) ou apenas pelo crime de homicídio? Nesse caso,
aplicando-se o princípio da consunção, o agente responderá apenas pelo crime de homicídio
(art. 121 do CP), pois as várias lesões corporais produzidas pelos golpes de faca constituíram
meio necessário para a execução do delito pretendido, sendo, por isso, absorvidas pelo crime
de homicídio.

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