Ficha Catalográfica
Título O Segredo das Bolsas
Edição 1ª edição — 2026
Editora Editora CT4 — Salvador, Bahia
ISBN 978-65-99999-99-9 (provisório)
Classificação BISAC CRA000000 — Crafts & Hobbies / General
Idioma Português (Brasil)
Tipo de obra Individual · Veiculação: Livro Digital (PDF)
Palavras-chave crochê, bolsas, artesanato, receitas, decoração
Páginas 60 p. Inclui 7 receitas, glossário e referências
Catalogação na publicação: O Segredo das Bolsas. 1ª ed. Salvador: Editora CT4, 2026. 60 p. Inclui 7
receitas, glossário e referências.
1. Crochê. 2. Bolsas. 3. Artesanato. 4. Receitas.
Todos os direitos editoriais reservados à Editora CT4. Esta obra reúne conteúdo curatorial
original da Editora CT4 e adaptações de materiais de domínio público e distribuição gratuita,
com créditos preservados aos autores originais no capítulo de Referências.
Dedicatória
Para nossas avós, nossas mães, nossas mestras.
Vocês foram as primeiras a ensinar que do fio nasce a
peça — e que da peça nasce uma história.
Este livro é para vocês.
Como Usar Este Ebook
Antes de começar, leia com calma. O crochê não tem pressa, e este livro também não.
Leia o livro inteiro primeiro
1 Antes de pegar a agulha, leia tudo uma vez. Você vai entender melhor onde cada técnica
entra e quais receitas combinam com o seu nível.
Volte aos capítulos de pontos
2 Eles são consulta, não leitura única. Marque com fita adesiva colorida as páginas que você
mais usa.
Faça uma amostra antes de cada receita
3 Trabalhe um quadrado de 10 × 10 cm para testar a tensão do seu ponto com o fio e a
agulha indicados. As mãos precisam de repetição — crochê é memória muscular.
Errou? Não desfaça tudo
4 Em crochê é possível voltar pontos um a um, puxando o fio para trás. Faz parte do
aprendizado.
Anote o que aprende
5 Registre o que funcionou, qual fio rendeu mais, qual cor agradou. Suas anotações vão
valer ouro daqui a um ano.
Crochê não tem pressa. Errar e desfazer faz parte. Vá no seu ritmo.
Sumário Completo
Parte 1 — Fundamentos Parte 6 — Receitas (7 bolsas
completas)
Cap. 1 — Introdução: o crochê de bolsas no
Brasil Receita 1 — Bolsa na Tela MultiArte
Cap. 2 — Anatomia de uma bolsa de crochê Receita 2 — Bolsa Azul Kotini
Receita 3 — Bolsa Crochê Sisal
Parte 2 — Materiais e Ferramentas
Receita 4 — Bolsa Preta em ponto leques
Cap. 3 — Os fios para bolsas
Receita 5 — Bolsa Sacola Cappio
Cap. 4 — Agulhas e ferramentas
Receita 6 — Bolsa Tricô-Crochê com pontos
Cap. 5 — Acessórios estruturais bola
Cap. 6 — Calcular fio e planejar a peça Receita 7 — Sacola Mercado Bella Arte
Parte 3 — A linguagem do crochê Parte 7 — Estilo, cuidados e mercado
Cap. 7 — Como ler gráficos Cap. 16 — Estilo e variações
Cap. 8 — Abreviaturas e tradução de receitas Cap. 17 — Cuidados com as peças
Parte 4 — Pontos: do básico ao Cap. 18 — Como vender suas bolsas
avançado
Encerramento
Cap. 9 — Pontos básicos
Considerações finais
Cap. 10 — Pontos intermediários
Glossário
Cap. 11 — Pontos avançados
Referências e Créditos
Parte 5 — Estrutura e acabamento Agradecimentos
Cap. 12 — Forros
Cap. 13 — Alças
Cap. 14 — Fechos, botões e ímãs
Cap. 15 — Acabamento profissional
Capítulo 1 — Introdução: o crochê de
bolsas no Brasil
O crochê é uma das tradições mais antigas que chegaram até nós. Atravessou gerações, passou de
avós para mães, de mães para filhas — sempre carregando memória junto com os pontos.
Hoje, quando você termina uma bolsa de crochê e a coloca no ombro, está fazendo mais do que
carregar uma peça. Está continuando uma história que começou há séculos e que continua viva pelas
mãos de quem aprende. E a bolsa, no crochê brasileiro, tem um lugar especial. Diferente da toalha ou do
trilho — que ficam em casa, na intimidade da mesa —, a bolsa sai com você. Ela é vista, comentada,
perguntada. É a peça que abre conversa no elevador, na fila do banco, na varanda da amiga. Por isso ela
merece dedicação especial.
Este ebook é para você se:
Iniciante Em evolução
Quer aprender a fazer bolsas de crochê do Já sabe os pontos básicos e quer evoluir para
zero, sem experiência anterior. peças mais elaboradas e sofisticadas.
Empreendedora Aperfeiçoando
Pretende vender suas peças e profissionalizar Quer revisitar técnicas, conhecer novos
o trabalho artesanal. modelos e renovar o repertório criativo.
💡 Antes de começar a leitura, separe um caderno e um lápis para anotar o que aprender. Suas
observações vão se tornar referência permanente — mais útil que qualquer vídeo que você
assistir depois.
1.1 — Por que bolsas de crochê hoje
A bolsa de crochê passou por uma transformação silenciosa nos últimos anos. Saiu do nicho do
"artesanato regional" e entrou nas vitrines de moda autoral. Marcas brasileiras grandes lançam coleções
inteiras inspiradas no que sempre foi feito por artesãs em casa. Pessoas influentes pagam caro por
peças que custariam um décimo se feitas a mão.
O crochê de bolsa virou valor Existe espaço de mercado real
Não é mais um trabalho que precisa pedir Não precisa ser uma grife. Uma artesã com cinco
desculpas por ser feito a mão. Pelo contrário — é a dez modelos bem feitos, fotos cuidadosas e
o "feito a mão" que está sendo procurado. A Instagram bem cuidado consegue clientes
autenticidade e a exclusividade de cada peça são regulares. E mesmo que você nunca queira
o diferencial que o mercado de massa não vender — uma bolsa bem feita atravessa anos. É
consegue replicar. herança, é presente, é peça de afeto que dura.
💡 Se você está em dúvida se vende ou não, comece fazendo para você. A primeira pessoa a
usar suas bolsas precisa ser você mesma. As clientes vêm depois — geralmente vendo a peça
no seu ombro.
Capítulo 2 — Anatomia de uma Bolsa de
Crochê
Antes de aprender qualquer ponto, vale entender as partes que compõem uma bolsa. Esse vocabulário vai
aparecer em todas as receitas deste livro, e dominá-lo cedo te poupa de confusão lá na frente.
2.1 — As partes principais
Toda bolsa de crochê tem, no mínimo, quatro elementos:
Corpo Fundo
A estrutura visível da peça, formada pelas carreiras A base por onde a peça começa. Pode ser oval,
de crochê. É onde mora o ponto principal redondo, retangular ou retangular alongado,
escolhido. dependendo do formato desejado.
Alça(s) Boca
Pode ser de mão (curta), de ombro (média) ou A abertura por onde se acessa o interior. Pode ser
tiracolo (longa). Pode ser de crochê, tecido, couro totalmente aberta, fechada com botão, ímã, zíper
ou apoiada em argolas e telas prontas. ou cordão.
2.2 — Os elementos opcionais
Forro Tela de plástico
Tecido costurado por dentro. Dá firmeza, Estrutura rígida onde o crochê é trabalhado
esconde as costuras do crochê e cria bolsos por cima. Garante formato firme em bolsas
internos. quadradas.
Argolas e mosquetões Pingentes e enfeites
Peças metálicas que conectam alça ao corpo Flores de crochê, contas, borlas, franjas —
da bolsa com segurança e estilo. detalhes que personalizam e valorizam a peça.
💡 Quanto mais firmeza você quer na peça, mais elementos de apoio ela leva: forro de algodão,
entretela, tela plástica ou até base de couro sintético. Bolsas estruturadas vendem mais — mas
pedem mais trabalho.
Capítulo 3 — Os Fios para Bolsas
O fio é o segredo de qualquer peça de crochê. Antes de escolher o ponto, antes de pensar na cor, você
precisa entender com o que está trabalhando. Para bolsa, a escolha do fio é ainda mais decisiva do que
para outras peças. Uma bolsa precisa aguentar peso, resistir ao uso diário e manter o formato mesmo
cheia. Fio errado deforma a peça em uma semana.
3.1 — Os critérios que importam
Composição Espessura Metragem por grama
Algodão puro? Mistura Fio fino dá peça Quanto fio você ganha por
com poliéster? Fio delicada e demora novelo. Isso decide
sintético tipo poliamida? mais; fio grosso dá quantos novelos você vai
Cada tipo tem uso ideal peça volumosa e precisar comprar para
para diferentes estilos de rápida. Para bolsa, completar a peça.
bolsa. espessura média a
grossa costuma
funcionar melhor.
💡 Antes de comprar para uma peça grande, faça uma amostra de 10 × 10 cm com o fio e a
agulha que pretende usar. Pese a amostra. Multiplique pelo tamanho da peça e você terá uma
estimativa real de quanto fio vai precisar.
3.2 — Fios Mais Usados em Bolsas
Brasileiras
Existem dezenas de fios no mercado, mas alguns se firmaram como referência para bolsas. Esta é uma
seleção do que aparece com mais frequência nos ateliês brasileiros:
Tipo de Fio Espessura Para que serve Vantagem Desvantage
m
Algodão Fina a Bolsas delicadas, Muitas cores, Rende menos
tradicional (Cisne, média acabamento fino e fácil de por novelo
Anne, Camila, brilhante encontrar
Charme)
Algodão pesado Média a Bolsas estruturadas Ótima estrutura, Peça fica
(Kotini, Bella Arte, grossa de tamanho médio não deforma mais pesada
Sisal)
Fio de fita / fita de Variável Bolsas de verão, Rápido de Nem sempre
papel (Cappio, fita (achatado) sacolas, aspecto trabalhar, visual combina com
de seda) rústico e moderno contemporâneo pontos
delicados
Barbante Grossa Bolsas grandes, Barato, durável, Textura mais
(Barroco, ecobags, sacolas de encontra em áspera, peça
Maxcolor) feira qualquer pesa mais
armarinho
Fios mistos Média Bolsas versáteis, do Bom custo- Precisa testar
(Ateliê, Multiarte) casual ao mais benefício, fácil a tensão para
elaborado de trabalhar não enroscar
💡 Anote o lote do fio (vem no rótulo). Lotes diferentes da mesma cor podem ter pequenas
variações de tom. Se sua peça vai precisar de mais de um novelo, compre tudo junto e confira
se é o mesmo lote — vai evitar uma surpresa desagradável no meio do trabalho.