SINASE
DEFINIÇÃO E OBJETIVOS
O Sinase é o conjunto de princípios, regras e critérios para execução das
medidas socioeducativas aplicadas a adolescentes que cometem ato infracional.
Objetivos das medidas socioeducativas:
o Responsabilização e reparação do ato.
o Desaprovação da conduta infracional, respeitando limites legais.
o Integração social e garantia de direitos.
PLANOS DE ATENDIMENTO
Devem ser decenais (10 anos) e incluir diagnóstico, diretrizes, metas e
financiamento.
Preveem ações articuladas em educação, saúde, assistência social, cultura,
trabalho e esporte.
União, Estados e Municípios devem elaborar seus planos em sintonia com o
Plano Nacional.
PROGRAMA DE ATENDIMENTO
É o conjunto de ações e atividades organizadas em uma unidade, com estrutura e
funcionamento próprios, que garantem as condições necessárias para que o
adolescente cumpra a medida socioeducativa. Em outras palavras: é o “projeto”
ou “serviço” que coloca em prática a medida socioeducativa.
Requisitos gerais: métodos pedagógicos, estrutura física e humana adequada,
regimento interno, política de formação de pessoal, acompanhamento pós-
medida.
Equipe técnica: interdisciplinar (saúde, educação, assistência social).
Meio aberto: direção seleciona orientadores e entidades para acompanhar
adolescentes.
Privação de liberdade: exige estrutura educacional adequada, regras
disciplinares, gestão de conflitos sem isolamento abusivo, dirigentes com
formação superior e experiência mínima de 2 anos.
o É vedada a aplicação de sanção disciplinar de isolamento a adolescente
interno, exceto seja essa imprescindível para garantia da segurança de
outros internos ou do próprio adolescente a quem seja imposta a sanção,
sendo necessária ainda comunicação ao defensor, ao Ministério Público e
à autoridade judiciária em até 24 (vinte e quatro) horas.
DA EXECUÇÃO DAS MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS
Art. 35. A execução das medidas socioeducativas reger-se-á pelos seguintes princípios:
I - legalidade, não podendo o adolescente receber tratamento mais gravoso do que o
conferido ao adulto;
II - excepcionalidade da intervenção judicial e da imposição de medidas, favorecendo-
se meios de autocomposição de conflitos;
III - prioridade a práticas ou medidas que sejam restaurativas e, sempre que possível,
atendam às necessidades das vítimas;
IV - proporcionalidade em relação à ofensa cometida;
V - brevidade da medida em resposta ao ato cometido, em especial o respeito ao que
dispõe o art. 122 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do
Adolescente) ;
VI - individualização, considerando-se a idade, capacidades e circunstâncias pessoais do
adolescente;
VII - mínima intervenção, restrita ao necessário para a realização dos objetivos da
medida;
VIII - não discriminação do adolescente, notadamente em razão de etnia, gênero,
nacionalidade, classe social, orientação religiosa, política ou sexual, ou associação ou
pertencimento a qualquer minoria ou status ; e
IX - fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários no processo socioeducativo.
📌Direitos Individuais dos Adolescentes em Medidas Socioeducativas
Acompanhamento: o adolescente tem direito de estar sempre acompanhado
pelos pais ou responsável e por um defensor durante todo o processo.
Prioridade pelo meio aberto: se não houver vaga em internação, deve ser
colocado em programa de meio aberto (como liberdade assistida), exceto quando
o ato foi cometido com violência ou grave ameaça.
Respeito à pessoa: deve ter sua personalidade, intimidade, pensamento e
religião respeitados, além de todos os direitos que não foram limitados pela
sentença.
Direito de pedir: pode fazer pedidos (por escrito ou verbalmente) a qualquer
autoridade, e deve receber resposta em até 15 dias.
Plano individual: tem direito de participar da elaboração e revisão do seu plano
individual de atendimento e receber informações sobre sua evolução.
Filhos pequenos: se tiver filhos de até 5 anos, deve ter garantido atendimento
em creche ou pré-escola.
📌 Garantias adicionais
As mesmas garantias processuais previstas no Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) valem também durante a execução da medida
socioeducativa.
A falta de programas adequados em meio aberto não pode ser usada como
justificativa para manter o adolescente internado.
📌 Saídas autorizadas (Art. 50)
A direção da unidade pode autorizar a saída monitorada do adolescente em casos
de:
o tratamento médico,
o doença grave,
o falecimento de familiares próximos (pais, filhos, irmãos, cônjuge ou
companheiro).
Essa saída deve ser comunicada imediatamente ao juiz responsável.
📌 Decisão judicial (Art. 51)
Qualquer decisão sobre a execução da medida socioeducativa só pode ser
tomada depois que o defensor e o Ministério Público se manifestarem.
O PLANO INDIVIDUAL DE ATENDIMENTO (PIA)
Art. 52. O cumprimento das medidas socioeducativas, em regime de prestação
de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade ou internação, dependerá
de Plano Individual de Atendimento (PIA), instrumento de previsão, registro e gestão
das atividades a serem desenvolvidas com o adolescente.
Parágrafo único. O PIA deverá contemplar a participação dos pais ou
responsáveis, os quais têm o dever de contribuir com o processo ressocializador do
adolescente, sendo esses passíveis de responsabilização administrativa, civil e criminal.
Art. 54. Constarão do plano individual, no mínimo:
I - os resultados da avaliação interdisciplinar;
II - os objetivos declarados pelo adolescente;
III - a previsão de suas atividades de integração social e/ou capacitação profissional;
IV - atividades de integração e apoio à família;
V - formas de participação da família para efetivo cumprimento do plano individual; e
VI - as medidas específicas de atenção à sua saúde.
Art. 55. Para o cumprimento das medidas de semiliberdade ou de internação, o
plano individual conterá, ainda:
I - a designação do programa de atendimento mais adequado para o cumprimento da
medida;
II - a definição das atividades internas e externas, individuais ou coletivas, das quais o
adolescente poderá participar; e
III - a fixação das metas para o alcance de desenvolvimento de atividades externas.
Parágrafo único. O PIA será elaborado no prazo de até 45 (quarenta e cinco) dias da
data do ingresso do adolescente no programa de atendimento.
Art. 56. Para o cumprimento das medidas de prestação de serviços à comunidade
e de liberdade assistida, o PIA será elaborado no prazo de até 15 (quinze) dias do
ingresso do adolescente no programa de atendimento.
Art. 57. Para a elaboração do PIA, a direção do respectivo programa de
atendimento, pessoalmente ou por meio de membro da equipe técnica, terá acesso:
aos autos do procedimento de apuração do ato infracional; e
aos autos dos procedimentos de apuração de outros atos infracionais atribuídos
ao mesmo adolescente.
📌 Saúde no Sistema Socioeducativo
Promoção da saúde: os planos de atendimento devem incluir ações que ajudem
os adolescentes a desenvolver autonomia, melhorar relações e fortalecer redes de
apoio com suas famílias.
Prevenção e tratamento: devem existir serviços para prevenir doenças,
proteger a saúde e oferecer recuperação quando necessário.
Saúde mental: atenção especial para problemas relacionados ao uso de álcool e
drogas e para adolescentes com deficiência.
Saúde sexual e reprodutiva: garantir orientação e prevenção de doenças
sexualmente transmissíveis.
Acesso ao SUS: adolescentes devem ter acesso a todos os níveis de atendimento
de saúde, seguindo as regras do SUS.
Capacitação: profissionais de saúde e das entidades precisam ser treinados para
lidar com as necessidades específicas dessa população.
Informações de saúde: os dados sobre a saúde dos adolescentes devem ser
incluídos nos sistemas de informação do SUS e do Sinase.
Unidades de internação: devem ser estruturadas conforme as normas do SUS e
do Sinase para atender às necessidades básicas de saúde.
📌 Orientações e Equipes de Saúde
Programas em meio aberto e semiliberdade: devem orientar os adolescentes
sobre como acessar os serviços do SUS.
Programas de privação de liberdade: precisam ter uma equipe mínima de
profissionais de saúde, conforme as normas do SUS.
📌 Direitos relacionados à maternidade
Se uma adolescente tiver um filho dentro da unidade, essa informação não
aparece no registro de nascimento da criança.
A adolescente tem direito de permanecer com o bebê durante o período de
amamentação.
📌 Atendimento a adolescentes com transtorno mental ou dependência de
álcool/drogas
Se o adolescente em medida socioeducativa apresentar sinais de transtorno
mental ou deficiência, ele deve ser avaliado por uma equipe técnica
multidisciplinar (com profissionais de diferentes áreas).
Essa avaliação deve seguir as normas do SUS e do SINASE.
O resultado da avaliação vai orientar o tratamento, que deve ser incluído no
Plano Individual de Atendimento (PIA) e pode envolver também ações
voltadas para a família.
As informações da avaliação são sigilosas.
Em casos especiais, o juiz pode suspender a medida socioeducativa para que
o adolescente seja incluído em um programa de saúde mental mais adequado.
Essa suspensão deve ser revista a cada 6 meses.
O tratamento deve respeitar a Lei nº 10.216/2001, que garante os direitos das
pessoas com transtornos mentais.
O juiz pode encaminhar o caso ao Ministério Público para avaliar se é
necessário pedir interdição (quando a pessoa não pode responder legalmente
por seus atos) ou outras medidas.
Internação – Direitos de Visita
Visitas regulares (Art. 67): O adolescente internado pode receber visitas de
cônjuge, companheiro, pais, responsáveis, parentes e amigos, mas em dias e
horários definidos pela direção da unidade.
Visita íntima (Art. 68): Se o adolescente for casado ou viver em união estável
comprovada, ele tem direito à visita íntima. 👉 O visitante precisa ser identificado
e registrado, recebendo um documento específico para essa visita.
Visita dos filhos (Art. 69): O adolescente internado tem direito de receber
visitas de seus filhos, sem limite de idade.
Art. 45. Se, no transcurso da execução, sobrevier sentença de aplicação de nova medida,
a autoridade judiciária procederá à unificação, ouvidos, previamente, o Ministério
Público e o defensor, no prazo de 3 (três) dias sucessivos, decidindo-se em igual prazo.
Art. 46. A medida socioeducativa será declarada extinta:
I - pela morte do adolescente;
II - pela realização de sua finalidade;
III - pela aplicação de pena privativa de liberdade, a ser cumprida em regime
fechado ou semiaberto, em execução provisória ou definitiva;
IV - pela condição de doença grave, que torne o adolescente incapaz de
submeter-se ao cumprimento da medida; e
V - nas demais hipóteses previstas em lei.
CEQ
O isolamento, para que esteja de acordo com o que prevê expressamente a Lei n°
12.594/2012 (Lei do Sinase), deve ser imprescindível para garantia da segurança de
outros internos ou do próprio adolescente e ter sido imposto como sanção disciplinar ao
próprio isolado.
Segundo prevê expressamente a Lei nº 12.594/2012 (Lei do Sinase), é objetivo
da medida socioeducativa a desaprovação da conduta infracional, efetivando as
disposições da sentença como parâmetro máximo de privação de liberdade ou restrição
de direitos.
A lei que institui o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE),
e regulamenta a execução das medidas socioeducativas destinadas a adolescente que
pratique ato infracional, prevê a realização da avaliação e do acompanhamento da
gestão do atendimento socioeducativo. Quanto à avaliação, é correto afirmar: Tem por
objetivo, sob o ponto de vista da gestão, avaliar a articulação interinstitucional e
intersetorial das políticas.
Quando não for encontrado o adolescente, a intimação da sentença que aplicar
medida de internação ou regime de semiliberdade será feita a seus pais ou responsável,
sem prejuízo do defensor.
Segundo disposição expressa da Lei no 12.594/2012 (Lei do SINASE) e/ou Lei
no 8.069/1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), deve ser fundamentada em
parecer técnico a decisão que substitui a medida socioeducativa mais branda por medida
mais gravosa.
Considerando a socioeducação, a supervisão de ensino é um
processo de acompanhamento contínuo e dinâmico das ações de ensino-aprendizagem
por meio de suporte técnico e ações planejadas, visando a efetivação do projeto
pedagógico, suas diretrizes, valores e visão.
Ao Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente
(Conanda) competem as funções normativa, deliberativa, de avaliação e de
fiscalização do Sinase