Content
Content
JULHO DE 2021
Eu, Sérgio Paulo de Paiva Lima, estudante nº 1101355, do Mestrado em Engenharia Civil do Instituto
Superior de Engenharia do Porto, declaro que não fiz plágio nem auto-plágio, pelo que o trabalho
intitulado “Reabilitação de Edifícios de Habitação – Análise do Desempenho Térmico” é original e da
minha autoria, não tendo sido usado previamente para qualquer outro fim. Mais declaro que todas as
fontes usadas estão citadas, no texto e na bibliografia final, segundo as regras de referenciação adotadas
na instituição.
Abstract ........................................................................................................................................................ ix
Agradecimentos ........................................................................................................................................... xi
Introdução ........................................................................................................................... 1
Anexo V – FOLHA SCE (OPTIMIZAÇÃO|EDIFÍCIOS COM NECESSIDADES QUASE NULAS DE ENERGIA) .... 127
v
Anexo VI – FICHAS TÉCNICAS / DECLARAÇÃO DE DESEMPENHO DOS PRODUTOS E EQUIPAMENTOS ... 130
vi
RESUMO
Nas últimas décadas, verifica-se uma preocupação cada vez mais exigente referente ao conforto das
habitações. O edificado português encontrava-se desajustado face ao aumento das necessidades
energéticas, que com o aumento do seu consumo, muitas das vezes de fontes de energia não renováveis,
e consequentemente atingido pela escalada da inflação é refletido a nível monetário. Assim, conceitos
como sustentabilidade, reutilização e fontes de energia renováveis vão ganhando muito mais relevância
para aplicabilidade na construção/reabilitação nos nossos edifícios.
A presente dissertação baseia-se na análise do desempenho térmico de soluções construtivas na
reabilitação de edifícios de habitação, respeitando todas as exigências da legislação em vigor, com o
intuito de otimizar o seu desempenho, minimizar os seus consumos ou produzir através de sistemas de
fontes de energia renováveis a energia suficiente para os seus consumos, pertencendo assim a edifícios
com necessidades quase nulas de energias, NZEB. Numa primeira fase vai ser apresentado o referido
conceito na reabilitação do edificado com particular relevância das soluções construtivas. À posteriori, é
apresentada a legislação a estudar e comparação desta com a anterior, expondo o conceito de eficiência
energética com uma abordagem aos edifícios com necessidades quase nulas de energia, conceito NZEB
no nosso País.
É demonstrado com incidência num caso real, a correta aplicação da metodologia de cálculo da referida
legislação, na totalidade de um edifício habitacional em reabilitação, podendo assim serem quantificadas
as necessidades energéticas para as estações de aquecimento, arrefecimento e a energia primária. Será
proposto soluções de melhoria face às soluções aplicadas em obra, com o respetivo apuramento de
diferencial de custos, de forma a poder ser atingido os valores mínimos necessários de energia primária,
refletindo um elevado desempenho térmico. Todos os cálculos, serão efetuados de forma manual com
recurso ao Excel, sendo efetuado por último, uma análise económica das soluções construtivas propostas.
O objetivo é de analisar as principais diferenças na aplicação a um caso de estudo das metodologias das
duas legislações relativas ao desempenho térmico de edifícios de habitação, em que se procura sempre
valorizar os benefícios de uma racional reabilitação térmica, onde é possível existir menores consumos
energéticos, uma baixa probabilidade de ocorrência de condensações, beneficiar de uma menor
dependência energética, obtendo assim uma melhoria substancial de qualidade de vida, com renovações
da qualidade de ar interior mais controladas e menor impacto ambiental e visual da habitação reabilitada.
O compromisso é a capacidade de formular projetos com todos estes tipos de tecnologia e metodologias
para uma construção/reabilitação com foco no conforto higrotérmico e encargos aferidos durante toda a
vida útil do edificado.
vii
viii
ABSTRACT
In the last decades, there has been an increased concern regarding housing comfort. Portuguese buildings
found themselves out of step with the increase in energy needs, which with the increase in their
consumption, often from non-renewable energy sources, and consequently affected by the escalation of
inflation, is reflected in monetary terms. Thus, concepts such as sustainability, reuse and renewable
energy sources are gaining much more relevance for applicability in the construction/rehabilitation of our
buildings.
This dissertation is based on the analysis of the thermal performance of constructive solutions in the
rehabilitation of residential buildings, respecting all the requirements of the current legislation, to
optimize their performance, minimize their consumption or produce energy from renewable sources,
enough for their consumption, thus belonging to buildings with almost zero energy needs, NZEB. In a first
phase, the referred concept will be presented in the rehabilitation of the characteristic building of the
Castelo de Paiva region, with an exposition of the constructive solutions. A posteriori, the legislation to be
studied and its comparison with the previous one is presented, exposing the concept of energy efficiency
with an approach to buildings with almost zero energy requirement, the NZEB concept in our country.
The correct application of the calculation methodology of the legislation is demonstrated, with an
incidence on a real case, in the entirety of a residential building undergoing rehabilitation, thus allowing
the quantification of the energy needs for heating, cooling stations and primary energy. Improvement
solutions will be proposed in relation to the solutions applied on site, with the respective calculation of
the cost differential, so that the minimum necessary values of primary energy can be reached, reflecting
high thermal performance. All calculations will be performed manually using Excel and the PTNZEB
calculation platform, and finally, a viable economic analysis of the proposed construction solutions.
The goal is to value the benefits of a rational thermal rehabilitation, where it is possible to have lower
energy consumption, a low probability of condensation, a benefit from less energy dependence, thus
obtaining a substantial improvement in quality of life, with quality renovations of more controlled indoor
air and less environmental and visual impact of the rehabilitated housing. My commitment is the ability
to formulate projects with all these types of technology and methodologies for a conscientious
construction/rehabilitation with a focus on human comfort and cost measured throughout the timespan
of the building.
ix
AGRADECIMENTOS
No final deste meu percurso académico, quero agradecer a todas as pessoas que diretamente ou
indiretamente, estiveram envolvidos com todo o seu apoio e motivação no decurso do mesmo, em
especial:
Ao Engenheiro Jaime Silva e à Engenheira Teresa Neto, pois aceitaram o desafio de serem os meus
orientador e coorientadora que com toda a ajuda, disponibilidade, colaboração e passagem de vasto
conhecimento na área, incentivaram-me na conclusão deste relatório.
À minha esposa, filhos e pais pela motivação, apoio, incentivo contínuo de estudo para que fosse possível
chegar a esta fase e a paciência na privação de tempo de lazer enquanto tinha que estudar, durante muitas
noites e os fins de semana.
Finalmente, um grande agradecimento a todos os professores que lecionam este mestrado pela partilha
de conhecimento e atenção a que se dispuseram durante esta terrível pandemia em todo tempo letivo.
xi
ÍNDICE DE TEXTO
2.1 Reabilitação.................................................................................................................................... 7
3.3.2 Envidraçados......................................................................................................................... 42
xiii
ÍNDICE DE TEXTO
xiv
ÍNDICE DE TEXTO
xv
ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 1.1 - Distribuição de consumo energético por sector, 2019 e 2020.(Observatório da energia -
DGEG) .................................................................................................................................................... 3
Figura 1.2 - Distribuição de consumo energético por sector, 2010 e 2021.(Observatório da energia -
DGEG) .................................................................................................................................................... 4
Figura 3.5 – Quadro de Umáx para elementos da envolvente (Portaria 297/2019, 9 de setembro) ........ 37
Figura 3.11 – Quadro de valores máximos admitidos para fator solar. ..................................................... 44
Figura 3.12 – Sombreamento por elementos verticais dos envidraçados ve002 e ve007 ........................ 46
Figura 4.2 – Quadro de Umáx para elementos da envolvente opaca (Portaria 138-I/2021, 1 de julho) ..... 65
xvii
ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 4.10 - Quadro de Uw,máx para elementos da envolvente envidraçada (Portaria 138-I/2021, 1 de
julho) ................................................................................................................................................... 70
Figura 4.11 – Gráfico comparativo do Umáx dos elementos da envolvente envidraçada ........................... 70
Figura 4.12 – Quadro de valores máximos admitidos para fator solar. ..................................................... 71
Figura 4.13 – Quadro comparativo da solução construída com a solução proposta ................................. 85
xviii
ÍNDICE DE TABELAS
Tabela 3.6 – Elementos EL1 e EL2 – Fator de redução de massa superficial ............................................. 51
Tabela 4.5 – Quadro comparativo de necessidades nas estações de aquecimento e arrefecimento ....... 84
xix
xx
GLOSSÁRIO
Água quente sanitária ou «AQS», a água potável aquecida em dispositivo próprio, com energia
convencional ou renovável, até uma temperatura superior a 45°C, destinada a banhos, limpezas, cozinha
ou fins análogos;
Área útil de pavimento, o somatório das áreas de pavimento, medidas em planta pelo perímetro
interior, de todos os espaços interiores úteis pertencentes ao edifício, com ocupação atual ou prevista
e com necessidades de energia atuais ou previstas associadas ao aquecimento ou arrefecimento
ambiente para conforto humano;
Coeficiente de transmissão térmica, a quantidade de calor por unidade de tempo que atravessa uma
superfície de área unitária desse elemento da envolvente por unidade de diferença de temperatura
entre os ambientes que o elemento separa;
Coeficiente de transmissão térmica médio dia noite de um vão envidraçado, a média dos coeficientes
de transmissão térmica de um vão envidraçado com a proteção aberta (posição típica durante o dia) e
fechada (posição típica durante a noite) e que se toma como valor de base para o cálculo das perdas
térmicas pelos vãos envidraçados de um edifício em que haja ocupação noturna importante,
designadamente em habitações, estabelecimentos hoteleiros e similares ou zonas de internamento em
hospitais;
Edifício, a construção coberta, com paredes e pavimentos, destinada à utilização humana e com vista a
propiciar condições de conforto térmico que, para efeitos do presente decreto-lei e sempre que
aplicável, abrange as frações autónomas e as frações suscetíveis de utilização independente;
Edifício adjacente, um edifício que confine com o edifício em estudo e não partilhe espaços comuns
com este, tais como zonas de circulação ou de garagem;
Edifício com necessidades quase nulas de energia, um edifício com um desempenho energético muito
elevado, determinado através da metodologia mencionada no artigo seguinte, e no qual as necessidades
de energia quase nulas ou muito pequenas são cobertas, em grande medida, por energia proveniente
de fontes renováveis preferencialmente locais ou com origem nas proximidades do edifício, quando
aquela não seja suficiente;
xxi
GLOSSÁRIO
Edifício de comércio e serviços, o edifício, ou parte, licenciado ou que seja previsto licenciar para
utilização em atividades de comércio, serviços ou similares;
Edifício de utilização mista, o edifício utilizado, em partes distintas, como edifício de habitação e edifício
de comércio e serviços;
Edifício em ruínas, o edifício existente cujo nível de degradação da sua envolvente prejudica a utilização
a que se destina, tal como comprovado por declaração da respetiva câmara municipal ou da Direção -
Geral do Tesouro e Finanças, no âmbito das respetivas atribuições, ou, no âmbito exclusivo da
certificação energética, por declaração provisória do SCE emitida pelo PQ nos termos da alínea c) do n.º
2 do artigo 20.º;
Edifício em tosco, o edifício sem revestimentos interiores nem sistemas técnicos instalados e de que se
desconheçam ainda os detalhes de uso efetivo;
Edifício novo, o edifício cujo primeiro processo de licenciamento ou autorização de edificação tenha
data de entrada do projeto de arquitetura junto das entidades competentes posterior à data de entrada
em vigor do presente decreto-lei ou, no caso de isenção de controlo prévio, cujo primeiro projeto de
arquitetura tenha data de elaboração posterior à data de entrada em vigor do presente decreto-lei;
Edifício renovado, o edifício existente que foi sujeito a obra de construção, reconstrução, alteração,
ampliação, instalação ou modificação de um ou mais componentes;
Edifício sujeito a intervenção, o edifício sujeito a obra de construção, reconstrução, alteração, instalação
ou modificação de um ou mais componentes com influência no seu desempenho energético, calculado
nos termos e parâmetros do presente diploma;
Energia primária, a energia proveniente de fontes renováveis ou não renováveis, não transformada ou
convertida;
Energias renováveis, a energia proveniente de fontes não fósseis renováveis, designadamente energia
eólica, solar (térmica e fotovoltaica) e geotérmica, das marés, das ondas e outras formas de energia
oceânica, hídrica, de biomassa, de gases dos aterros, de gases das instalações de tratamento de águas
residuais, e biogás;
Envolvente do edifício, o conjunto dos elementos de um edifício que separam o seu espaço interior útil,
dos espaços não úteis do exterior, do solo e de outros edifícios;
xxii
GLOSSÁRIO
Exposição solar adequada, a exposição à luz solar de edifício que disponha de cobertura em terraço ou
de cobertura inclinada com água, cuja normal esteja orientada numa gama de azimutes de 90° entre
sudeste e sudoeste, não sombreada por obstáculos significativos no período que se inicia diariamente
duas horas depois do nascer do Sol e termina duas horas antes do pôr do sol;
Espaço interior útil, o espaço com condições de referência, que, para efeito de cálculo das necessidades
energéticas, se pressupõe aquecido ou arrefecido de forma a manter uma temperatura interior de
referência de conforto térmico, incluindo os espaços que, não sendo usualmente climatizados, tais como
arrumos interiores, despensas, vestíbulos ou instalações sanitárias, devam ser considerados espaços
com condições de referência;
Espaço interior não útil, o espaço sem ocupação humana permanente atual ou prevista, e sem consumo
de energia atual ou previsto associado ao aquecimento ou arrefecimento ambiente para conforto
térmico, com exceção do espaço interior útil nos termos da alínea anterior;
Fator solar de um vão envidraçado, o valor da relação entre a energia solar transmitida para o interior
através do vão envidraçado e a radiação solar nele incidente;
Fração, a unidade mínima de um edifício, com saída própria para uma parte de uso comum ou para a
via pública, independentemente da constituição de propriedade horizontal;
Grande Edifício de Comércio e Serviços ou GES, o edifício de comércio e serviços cuja área útil de
pavimento, não considerando os espaços interiores não úteis, iguala ou ultrapassa 1000 m², ou 500 m²
no caso de conjuntos comerciais, hipermercados, supermercados e piscinas cobertas;
Grande renovação, a renovação em edifício em que se verifique que a estimativa do custo total da obra,
compreendendo a totalidade das frações renovadas, nos casos aplicáveis, relacionada com os
componentes, seja superior a 25 % do valor da totalidade do edifício, devendo ser considerado para o
efeito o valor médio de construção, por metro quadrado, para efeitos dos artigos 39.º e 62.º do Código
de Imposto Municipal sobre Imóveis;
Limiar de proteção, o valor de concentração de um poluente no ar interior que não pode ser
ultrapassado, fixado com a finalidade de evitar, prevenir ou reduzir os efeitos nocivos na saúde humana;
Pequeno Edifício de Comércio e Serviços ou PES, o edifício de comércio e serviços que não seja um GES;
Perito qualificado ou PQ, o técnico com título profissional para o exercício da atividade de certificação
energética, nos termos da Lei n.º 58/2013, de 20 de agosto, na sua redação atual;
Portal SCE, a zona de um ou mais sítios agregados na Internet disponibilizado(s) e gerido(s) pela ADENE
— Agência para a Energia (ADENE), contendo informação relativa ao SCE e ao registo e interação com
os seus utilizadores, incluindo, pelo menos, um acesso ao público em geral disponibilizando serviços de
pesquisa, designadamente de certificados energéticos e de técnicos do SCE, e um acesso reservado para
elaboração e registo de documentos por utilizadores credenciados do SCE;
Potência nominal, a potência térmica máxima que um equipamento pode fornecer para efeitos de
aquecimento ou arrefecimento do ambiente, em condições de ensaio normalizadas;
Potência nominal global, a potência correspondente ao somatório da potência nominal dos
equipamentos instalados no edifício;
xxiii
GLOSSÁRIO
Proprietário, o titular do direito de propriedade, abrangendo -se ainda neste conceito o titular de outro
direito de gozo sobre um edifício desde que este, no caso dos edifícios de comércio e serviços, detenha
o controlo dos sistemas de climatização, e respetivos consumos, e seja o credor contratual do
fornecimento de energia, salvo verificando-se nova venda, dação em cumprimento, locação ou
trespasse pelo titular do direito de propriedade;
Reabilitação, as intervenções que têm como objetivo a sua recuperação e beneficiação, tornando-o apto
para o uso pretendido e dotando-os de condições de segurança, funcionalidade e conforto respeitando
a sua arquitetura, tipologia e sistema construtivo;
Sistema de climatização, o conjunto de equipamentos coerentemente combinados com vista a
satisfazer objetivos da climatização, designadamente, ventilação, aquecimento, arrefecimento,
humidificação, desumidificação e filtragem do ar;
Sistema solar térmico, o sistema composto por um coletor capaz de captar a radiação solar e transferir
a energia a um fluido interligado a um sistema de acumulação, permitindo a elevação da temperatura
da água neste armazenada;
Sistema técnico, o equipamento técnico para a climatização de espaços, a ventilação, a água quente
sanitária, a instalação fixa de iluminação, a automatização e o controlo do edifício, a produção de energia
térmica ou elétrica no local e, quando aplicável, o seu armazenamento, as instalações de elevação, as
infraestruturas de carregamento de veículos elétricos, ou a combinação destes, incluindo os que utilizem
energia proveniente de fontes renováveis, de um edifício;
Ventilação mecânica, aquela que não seja ventilação natural;
Ventilação natural, a ventilação ao longo de trajetos de fugas e de aberturas no edifício, em
consequência das diferenças de pressão, sem auxílio de componentes motorizados de movimentação
do ar.
O glossário apresentado está de acordo com os Decretos-Lei 28/2016, de 23 de junho e Decreto-Lei 101-
D/2020.
xxiv
ABREVIATURAS
xxv
ABREVIATURAS
f Espaço não útil que tem todas as ligações entre elementos bem vedadas, sem aberturas de
ventilação permanentemente abertas, ou seja, trata-se de um espaço estanque;
F Espaço não útil permeável ao ar devido à presença de ligações e aberturas de ventilação
permanentemente abertas, ou seja, trata-se de um espaço ventilado;
F0 Fator de sombreamento por elementos horizontais sobrejacentes ao vão;
feh Fator de eficiência hídrica aplicável a chuveiros com certificação e rotulagem de eficiência
hídrica da responsabilidade de uma entidade independente reconhecida (feh=1);
Ff Fator de sombreamento por elementos verticais adjacentes ao vão;
Fg Fração envidraçada do vão envidraçado, obtida de acordo com a tabela 20 do despacho
15793-K/2013;
Fh Fator de sombreamento horizonte, representa a redução na radiação solar que incide no vão
envidraçado devido ao sombreamento de obstruções longínquas exteriores ao edifício ou de
edifícios vizinhos;
Fm,v Fração de tempo em que os dispositivos de proteção móvel se encontram totalmente
ativados;
Fpu Fatores de conversão para primária, de acordo com fonte de energia do sistema de
referência [kWhEP/kWh]
Fs,i Fator de Obstrução do vão envidraçado com orientação j na estação de aquecimento;
Fs,v Fator de obstrução;
Fw,i Fator de seletividade angular;
Fw,v Fator de correção da seletividade angular dos envidraçados;
GD Número de graus dias, na base dos 18 ᵒC. [ᵒC. Dia];
GEE Gases de efeito de estufa;
gi Fator solar de inverno;
Gsul Energia solar média mensal durante a estação, recebida numa superfície vertical orientada
a sul [KWh/(m².mês)];
gT Fator solar do vão envidraçado com todos os dispositivos de proteção ativados;
gT Fator solar global com todos os dispositivos de proteção solar ativados;
gTmax Fator solar máximo;
gtot Fator solar do vão envidraçado com os dispositivos de proteção solar totalmente ativos;
gtot,p Fator solar do vão envidraçado com os dispositivos de proteção solar permanentes
totalmente ativados;
xxvi
ABREVIATURAS
gtot,vc Fator solar do vão envidraçado com vidro corrente e um dispositivo de proteção solar
totalmente ativado;
gtot,vc,op Fator solar do vão envidraçado com um vidro corrente e com o primeiro dispositivo de
proteção solar opaco totalmente ativado;
gTp Fator solar apenas com os dispositivos de proteção solar permanentes;
gTvc Fator solar do vidro com proteção;
gꞱvi, Fator solar do vidro para uma incidência solar normal;
I1, I2 e I3 Zonas climática de inverno;
Ig Perímetro de ligação entre o caixilho e o vidro [m];
Ir Intensidade da radiação solar na estação de arrefecimento [𝑘𝑊ℎ/m²];
Isol Energia Solar acumulada durante a estação, recebida na horizontal (inclinação 0ᵒ) e em
superfícies verticais (Inclinação 90ᵒ) para os quatro pontos cardeais e os quatro colaterais
[KWh/m²];
It Inércia térmica;
M Duração da estação de Aquecimento [meses];
MAQS Consumo médio Diário de referência[𝑙];
Msi Massa superficial útil do elemento i, [kg/m²];
ɳ Rendimento [%];
nd Número anual de Dias de Consumo de AQS, (nd=365 dias);
Ni Necessidades nominais anuais de energia útil para aquecimento de referência
[kWh/(m².ano)];
Nic Necessidades nominais anuais de energia útil para aquecimento de cálculo [kWh/(m².ano)];
Nt Necessidades nominais anuais globais de energia primária de referência [kWhEP/(m².ano)];
Ntc Necessidades nominais anuais globais de energia primária de cálculo [kWhEP/(m².ano)];
NUTS Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos;
Nv Necessidades nominais anuais de energia útil para arrefecimento de referência
[kWh/(m².ano)];
Nvc Necessidades nominais anuais de energia útil para arrefecimento de cálculo [kWh/(m².ano)];
NZEB Nearly Zero Energy Buildings (edifícios com necessidades energéticas quase nulas);
P Perímetro exposto, caracterizado pelo desenvolvimento total da parede que separa o espaço
aquecido do exterior, de um espaço não aquecido ou de um edifício adjacente, ou do solo,
medido pelo interior, [m];
PE Primary Energy – Energia Primária;
PER Primary Energy Renewable – Energia Primária Renovável;
PHI Passivhaus Institut;
xxvii
ABREVIATURAS
xxviii
ABREVIATURAS
xxix
INTRODUÇÃO
O presente trabalho foi desenvolvido no âmbito da unidade curricular de Dissertação, Projecto e Estágio –
DIPRE, do 2.º Ano do Mestrado em engenharia Civil – Ramo de Construções do Instituto Superior de
Engenharia do Porto, tendo como tema “Reabilitação de Edifícios de Habitação – Análise do Desempenho
Térmico”.
O tema em questão é de elevada relevância na atividade no nosso quotidiano, pois com metodologias de
conceção simples, na fase de projeto, pode-se diminuir substancialmente um grande encargo durante toda
a vida de utilização do edificado – os custos associados aos gastos energéticos com a climatização e
preparação de águas quentes sanitárias. A atualização e desenvolvimento desta especificidade da
construção, merecedora de todo o nosso interesse, vai aumentando cada vez mais com as exigentes
alterações climáticas, as grandes oscilações de temperaturas, a exigência do conforto dos utilizadores, o
consecutivo aumento do custo de vida e respetiva inflação e sabendo-se que os edifícios são os principais
responsáveis pelo consumo energético, cerca de 40%, em toda a Europa. As duas estratégias de melhoria
da eficiência energética do edificado passam por melhorar o desempenho térmico da envolvente dos
próprios edifícios e instalar uma ou várias soluções de equipamentos com fontes energéticas renováveis.
A presente Dissertação tem como finalidade analisar o desempenho térmico de um edifício antigo de
habitação, sendo alvo de uma grande reabilitação, mas em que a entidade licenciadora não exigiu o projeto
de verificação do regulamento de desempenho térmico de edifícios de habitação – REH. A habitação foi
analisada de acordo com as soluções implementadas pelo dono de obra, foram apresentadas soluções de
melhoria a fim de verificar todas as exigências regulamentares previstas no REH e também as necessárias
para cumprir a legislação que entrou em vigor a 1 de julho deste ano, por forma a elevar o seu desempenho
térmico nas duas estações anuais extremas, Inverno – aquecimento e Verão – arrefecimento.
1
CAPÍTULO 1
1.2 OBJETIVOS
− Estudar a nova legislação de desempenho térmico e energético que no dia 1 de julho de 2021
entrou em vigor;
− Estudar, verificar e analisar melhorias nas soluções construtivas em conformidade dos requisitos
impostos pela legislação e interpretação dos resultados obtidos;
2
INTRODUÇÃO
Outrora, os habitantes das regiões rurais de Portugal dependiam da agricultura e pecuária, tinham uma
vida dura e passavam pouco tempo em casa, assim as habitações eram meros locais de pernoita, muitas
das vezes com condições precárias, eram executadas apenas para proteção das condições climáticas e não
tinham o devido conforto térmico. Ao longo dos anos, houve um enorme desenvolvimento científico,
político, cultural e social, propiciando uma alteração de estilo de vida como atividade profissional distinto
do antigamente, levando a um maior entendimento às questões do lazer e demais atividades sedentárias.
Os ocupantes do edificado permanecem mais tempo dentro das mesmas, o que desenvolveu a necessidade
de elevar as exigências para com as questões de conforto, fator que diretamente fez disparar um aumento
do consumo energético, no setor doméstico. Certamente estes tempos pandémicos propiciaram um
aumento destes valores de distribuição energética por sector em comparação com o mesmo período do
ano transato, assim pode-se verificar nas figuras 1.1 e 1.2. No entanto, é de bom termo um gasto económico
e racional de forma a podermos manter a nossa sustentabilidade e independência energética no nosso
quotidiano.
Figura 1.1 - Distribuição de consumo energético por sector, 2019 e 2020.(Observatório da energia - DGEG)
3
CAPÍTULO 1
Figura 1.2 - Distribuição de consumo energético por sector, 2010 e 2021.(Observatório da energia - DGEG)
Conforme verificado, a energia consumida teve variações anuais, fixando o sector da indústria que
consumiu 1239 Gwh, quase equiparado ao setor doméstico com um consumo de 1153 Gwh, o setor de
serviços com 988 Gwh, o setor de agricultura e pesca com 91 Gwh e o setor de transportes com um
consumo de 52 Gwh.
Desde o acordo de Paris, em 2015, que a União Europeia enfrenta o compromisso de um dos maiores
desafios de todos os tempos, no setor energético para com o edificado europeu, garantir uma redução
substancial de consumo de energia. Portugal, sendo um dos 27 Estados-membros, encontra-se empenhado
em cumprir esses mesmos objetivos, para isso acompanha as metas indicadas, segundo a Diretiva (EU)
2018/844:
• 2030 – Diminuição de emissão dos gases de efeito estufa em 40% relativamente a 1990.
• 2050 – Diminuição de emissão dos gases de efeito estufa em 95% relativamente a 1990.
Assim, de forma a ir ao encontro de objetivos traçados, surge uma nova metodologia para minimizar as
necessidades energéticas do edificado – NZEB (Nearly Zero Energy Buildings), edifícios com necessidades
energéticas quase nulas.
Os NZEB são edifícios melhorados em vários aspetos, com um alto nível de eficiência energética, sendo
reduzido o seu consumo de energia face a outros e com a aplicação de sistemas de produção de energia,
que vão compensar os gastos energéticos necessários, podendo verificar-se assim um balanço energético
anual de quase zero.
4
INTRODUÇÃO
O conforto térmico dos ocupantes, na reabilitação dos edifícios, é muita vezes negligenciado devido a vários
fatores condicionantes, que mais tarde, já em período de utilização, lamenta-se inúmeras vezes, não
cumprindo os objetivos da EU e a Legislação Portuguesa.
5
ESTADO DA ARTE
2.1 REABILITAÇÃO
A Reabilitação de edifícios traduz-se por conjunto de ações ou intervenções com o objetivo da sua
recuperação / beneficiação, possibilitando-o para o uso pretendido, promovendo-o de condições de
segurança, conforto e funcionalidade. Estas intervenções devem promover a eliminação de anomalias
estruturais e construtivas que se foram tornando mais evidentes ao longo dos tempos, ao mesmo tempo,
procurar obter uma envolvente com desempenho e funcionalidade de aptidão melhorada.
Nas últimas décadas, a reabilitação em Portugal tem aumentado bastante com uma forte participação
dos programas de incentivo financeiro promovido pela União Europeia, governo e municípios, que
empenhados na conservação e na reabilitação do edificado, evitam a desertificação e promovem a
repovoação de zonas que outrora encontravam-se degradados, abandonados e desprovidos de admiração
do relevo e beleza de algumas regiões do país, por parte dos seus moradores e turistas.
Muitas vezes, e devido ao elevado avanço de degradação do edificado, a reabilitação passa para uma
demolição e construção quase integral do espaço interior, pois todo o seu interior é destruído e apenas
se salvaguarda as paredes da envolvente exterior, daí que muita das vezes, um projeto de reabilitação ter
que obedecer às mesmas exigências de um projeto de um edifício novo.
• Diagnóstico – são ponderados estado de conservação, alteração e traçado a estratégia a dar resposta
ao projeto solicitado, com a seguinte metodologia:
− Report histórico, reunião de informações sobre data de construção, projeto inicial, alterações
posteriores, características técnicas e materiais usados;
7
CAPÍTULO 2
• Definição da estratégia – é definida pelo Dono de Obra a estratégia inicial a adotar, que terá que ser
validada ou alterada por cada um dos projetistas das diferentes especialidades que terão que estar
presentes no estudo e projeto do edifício;
• Projeto de execução – é elaborado por cada uma das especialidades e é constituído pela memória
descritiva e justificativa, caderno de encargos, respetivas medições, desenhos e pormenores do
edifício;
• Concurso – será necessário a obtenção de propostas para a realização da empreitada e a sua análise
e avaliação;
A nova legislação entrou em vigor no dia 01 de julho de 2021, com a aprovação da diretiva (UE) 2018/844
e parcialmente a diretiva (UE) 2019/944, em dezembro de 2020:
• Decreto - Lei nº 101-D/2020 (Estabelece os requisitos aplicáveis a edifícios para a melhoria do seu
desempenho energético e regula o Sistema de Certificação Energética de Edifícios, transpondo a
Diretiva (UE) 2018/844 e parcialmente a Diretiva (UE) 2019/944);
8
ESTADO DA ARTE
No entanto, no início deste trabalho, a atual legislação não era ainda conhecida pelo que se optou por
aplicar as duas metodologias: o DL 118/2013 e o DL 101-D/2020, procurando desta forma auxiliar a
interpretação dos novos documentos legislativos.
Em relação à legislação específica para a reabilitação de edifícios de habitação já tinham sido publicados
em 2019 alguns documentos legislativos específicos e o próprio DL 118/2013 já tinha sofrido diversas
alterações, nomeadamente:
• Portaria nº 297/2019 (Quarta alteração à Portaria n.º 349-B/2013, de 29 de novembro, que define
a metodologia de determinação da classe de desempenho energético para a tipologia de pré-
certificados e certificados do SCE, bem como os requisitos de comportamento técnico e de
eficiência dos sistemas técnicos dos edifícios novos e edifícios sujeitos a grande intervenção);
9
CAPÍTULO 2
Em relação às definições apresentadas no DL 118/2013, no art.º 2º, e no DL 101-D/2020, no art.º 3º, pode-
se referir os seguintes aspetos que se consideraram mais relevantes:
• No Decreto - Lei mais antigo, o conjunto das definições é bastante mais completo, e no novo
documento legislativo algumas das definições são apenas apresentadas no corpo do documento.
• A definição de “área útil de pavimento”, no DL 118/2013, depende de ser uma fração no âmbito do
REH ou do RECS. Na nova legislação a definição é única e considera a área de todos os espaços
interiores úteis pertencentes ao edifício, com ocupação atual ou prevista e com necessidades de
energia atuais ou previstas associadas ao aquecimento ou arrefecimento ambiente para conforto
humano. Nos dois artigos, as áreas são medidas pelo interior.
• A definição de “edifício”, no antigo DL é considerada de forma genérica e apenas destinado à
utilização humana. No novo DL, além da definição genérica é acrescentado a possibilidade de
propiciar condições de conforto térmico, abrangendo todas as frações autónomas e as de utilização
independente.
• A definição de “edifício novo”, em ambos DL, tem a mesma redação, no entanto na nova legislação,
salienta que no caso de isenção de controlo prévio, o primeiro projeto de arquitetura também tem
que ter data de elaboração posterior à data de entrada em vigor do referido DL.
• A definição de “edifício de comércio e serviços” considera como edifício ou parte devidamente
licenciado para utilização de atividades de comércio, serviços ou similares.
• A definição de “grande edifício de comércio e serviços”, em ambos decretos de lei, considera como
sendo um edifício de comércio e serviços com uma área útil de pavimento superior a 1000 m² ou de
500 m² para o caso de conjuntos comerciais. Assim, o “pequeno edifício de comércio e serviços”, em
ambos decretos de lei, é definido como um edifício de comércio e serviços com uma área útil de
pavimento inferior a 1000 m² ou de 500 m² para o caso de conjuntos comerciais.
• A definição de “edifício misto”, em ambos decretos de lei, como edifício utilizado em partes distintas
como de habitação e de comércio e serviços.
• A definição de “edifício em tosco”, em ambos decretos de lei, considera como um edifício inacabado,
sem revestimentos, sistemas técnicos e detalhes para o seu uso efetivo.
• A definição de “edifício em ruínas”, no DL 118/2013 aparece como edifício com avançado estado de
degradação que é prejudicado na sua utilização e como tal só pode ser comprovado por declaração
10
ESTADO DA ARTE
11
CAPÍTULO 2
No art.º 22º, todos os requisitos aplicáveis aos edifícios de habitação e respetivos sistemas técnicos são
definidos no REH, assim como os parâmetros e metodologias de caracterização do desempenho
energético, para condições nominais. Os objetivos destes requisitos são promover a melhoria do respetivo
comportamento térmico, a eficiência dos seus sistemas técnicos e a minimização do risco de ocorrência
de condensações superficiais nos elementos da envolvente.
No art.º 4º, temos referenciado que a avaliação do desempenho energético dos edifícios é baseada no
consumo de energia calculado para o consumo energético típico para o aquecimento e o arrefecimento,
a ventilação, a produção de água quente e a iluminação fixa, bem como outros sistemas técnicos dos
edifícios, nos casos aplicáveis, será expressa por um indicador numérico de utilização energia primária em
kWh/(m2 .ano) e que considera a energia proveniente de fonte renováveis fornecia ao edifício ou a gerada
e utilizada pelo mesmo. Note-se que passa a constar deste indicador o consumo de energia para a
iluminação.
No novo documento legislativo é referido que os objetivos destes requisitos estão relacionados com os
níveis de saúde, o conforto térmico dos ocupantes e a qualidade do ar interior.
A nova metodologia de cálculo será publicada no Manual SCE e encontra-se devidamente aprovada em
despacho do diretor-geral da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), e será utilizada também para
emissão de certificados energéticos, devendo ser revisto no intervalo máximo de dois anos, ou sempre
que alterações de natureza técnica ou regulamentar o justifique.
12
ESTADO DA ARTE
No art.º 31º, são verificados os procedimentos do controlo prévio nas operações urbanísticas de
edificação que devem incluir uma demonstração na verificação do cumprimento dos elementos
devidamente definidos. Assim como os requerimentos para emissão de licença de utilização devem incluir
os elementos definidos no art.º 9.º do RJUE e na devida portaria. A aplicabilidade das operações
urbanísticas de edificação promovidas pela Administração Pública ou por concessionárias de obras ou
serviços públicos, encontram-se isentas do controlo prévio.
No art.º 5º, são referidos os órgãos competentes no âmbito dos procedimentos de controlo prévio de
operações urbanísticas de edificação, nos termos do Regime Jurídico da Urbanização e da Edificação
(RJUE). As situações relativas a obras em edifícios sujeitos a renovação, isenta de controlo prévio, o
cumprimento dos requisitos aplicáveis deve ser assegurado pelo empreiteiro ou, na inexistência deste,
pelo técnico qualificado contratado pelo dono de obra. A aplicabilidade das operações urbanísticas de
edificação promovidas pela Administração Pública ou por concessionárias de obras ou serviços públicos,
encontram-se isentas do controlo prévio.
➢ Comparação dos requisitos dos edifícios novos, apresentados no DL 118/2013, no art.º 16º - 26º
e no DL 101-D/2020 estão no art.º 6º.
No art.º 16º, é verificado que o parque edificado deve progressivamente ser composto por edifícios com
necessidades quase nulas de energia, com um elevado desempenho energético, em que a satisfação das
necessidades de energia seja proveniente de fontes renováveis, a produzida no local ou nas proximidades.
Os edifícios novos licenciados após 31 de dezembro de 2020, sendo eles propriedade de uma entidade
pública e ocupados por uma entidade pública. Os edifícios com melhores comportamentos e necessidades
quase nulas de energia são dotados de uma componente de eficiência compatível com o limite mais
exigente dos níveis de viabilidade económica que venham a ser obtidos com a aplicação da metodologia
de custo ótimo, essa é diferenciada entre edifícios novos, edifícios existentes, com diferentes tipologias e
formas de captação local de energias renováveis que cubram grande parte do remanescente das
necessidades energéticas previstas, de acordo com os modelos do REH e do RECS.
- O nível das necessidades nominais anuais de energia útil para aquecimento (Nic) de um edifício de
habitação novo, calculado de acordo com o estabelecido pela DGEG, não pode exceder o valor máximo
de energia útil para aquecimento (Ni), determinado em portaria;
- O nível das necessidades nominais anuais de energia útil para arrefecimento (Nvc) de um edifício de
habitação novo, calculado de acordo com o estabelecido pela DGEG, este não pode exceder o valor
13
CAPÍTULO 2
máximo de energia útil para arrefecimento (Nv) definido em portaria do membro do Governo responsável
pela área da energia;
- Os requisitos anteriores devem ser satisfeitos sem serem ultrapassados os valores limite de qualidade
térmica da envolvente estabelecidos em portaria, relativamente ao valor máximo do coeficiente de
transmissão térmica superficial dos elementos na envolvente opaca, ao valor máximo do fator solar dos
vãos envidraçados horizontais e verticais. A taxa de renovação horária nominal de ar para as estações de
aquecimento e de arrefecimento de um edifício de habitação novo, é calculada de acordo com o
estabelecido pela DGEG e deve ser igual ou superior ao valor mínimo de renovações horárias a definir em
portaria. O recurso a sistemas passivos para melhorem o desempenho energético de um edifício é
promovido e o seu contributo deve ser considerado no cálculo das necessidades de energia, com base em
normas europeias ou regras definidas pela DGEG;
- O novo edificado habitacional com uma área útil inferior a 50 m² está dispensado da verificação dos
requisitos de comportamento térmico.
No art.º 6º, é referido que os edifícios novos devem contemplar necessidades quase nulas de energia,
atingido níveis elevados de desempenho energético e com bons níveis de rentabilidade, sendo esses
mesmos níveis revistos periodicamente em função dos resultados de análises de custo ótimo, com a
obrigatoriedade de realização com intervalos não superiores a cinco anos. Os requisitos são estabelecidos
onde é considerada a envolvente e sistemas técnicos que visam a promover o conforto ambiente, o
comportamento térmico, a relativa eficiência, durabilidade dos sistemas técnicos, a correta gestão da
energia e a utilização de fontes de energia renováveis.
a) Requisitos mínimos de desempenho energético relativos à envolvente dos edifícios, que visam, em
particular, minimizar a ocorrência de patologias e limitar as necessidades de energia com vista à obtenção
de condições interiores de conforto;
b) Requisitos relativos aos sistemas técnicos, variáveis em função de cada sistema técnico em concreto,
que incidem, designadamente, no seguinte:
i) Desempenho energético geral, que avalia ou afeta o desempenho de um sistema técnico, no seu todo;
ii) Dimensionamento adequado, com vista a garantir que os sistemas técnicos são adequados às
necessidades e características do edifício, bem como às condições de utilização esperadas;
14
ESTADO DA ARTE
iii) Instalação correta, que incide na forma de instalar os sistemas para que estes funcionem do modo para
que foram concebidos;
iv) Ajustamento adequado, que contempla as tarefas de teste e ajustamento aos sistemas técnicos, depois
de instalados, para que funcionem em conformidade com as especificações definidas;
v) Controlo adequado, a fim de garantir que as capacidades de controlo exigidas aos sistemas técnicos
estejam em conformidade com as especificações definidas.
O cumprimento destes requisitos deve ser assegurado pelos técnicos autores dos projetos, com as
qualificações estabelecidas na Lei n.º 31/2009, de 3 de julho, na sua redação atual, nos termos da Portaria
n.º 701 -H/2008, de 29 de julho, e da Portaria n.º 113/2015, de 22 de abril, e deverá estar patente nos
seguintes documentos:
Envolvente opaca e
Projeto de arquitetura
envolvente envidraçada
Sistemas de Automatização
Projeto de sistemas de gestão técnica centralizada
e Controlo do Edifício (SACE)
15
CAPÍTULO 2
Infraestruturas de
Projeto de instalações, equipamentos e sistemas elétricos ou do
carregamento de veículos
projeto de alimentação e distribuição de energia elétrica
elétricos
É de salientar que as diferentes exigências e verificações deverão estar contempladas nos diversos
projetos de especialidades não sendo necessário um documento síntese de verificação da legislação, tal
como existia até este momento com o projeto de verificação do REH ou do RECS. Estes últimos projetos
poderão ainda continuar a existir caso a entidade licenciadora os solicite, mas não serão mais necessários
para a certificação energética.
Note-se que neste artigo ainda é referido que o reconhecimento das qualificações dos técnicos para a
elaboração dos projetos previstos no número anterior é da competência das respetivas ordens
profissionais
a) Conforto térmico;
Os edifícios de habitação novos estão sujeitos ao cumprimento dos requisitos anteriores e ainda dos
requisitos aplicáveis aos seguintes componentes:
a) Envolvente opaca;
b) Envolvente envidraçada;
16
ESTADO DA ARTE
c) Sistemas de ventilação;
d) Sistemas de climatização;
g) Instalações de elevação;
Nos termos do Decreto - Lei nº 101-D/2021, encontra-se indicado que para um edifício sujeito a grande
renovação, para o conforto térmico, a razão entre o valor de Nic e o valor de Ni e a razão entre o valor de
Nvc e o valor de Nv e para o desempenho energético, não podem exceder o valor definido no despacho
6476-E/2021. Esses limites encontram-se nas tabelas seguintes:
Anterior a 1960 - -
Classe energética ≤C
17
CAPÍTULO 2
No art.º 7º do novo documento legislativo, verifica-se que os componentes renovados dos edifícios estão
sujeitos ao cumprimento dos mesmos requisitos indicados para os edifícios novos e que a avaliação dessa
exigência é efetuada pelos respetivos técnicos autores dos projetos.
Nas renovações não sujeitas a controlo prévio, o cumprimento dos requisitos aplicáveis deve ser
assegurado pelo empreiteiro ou, quando este não exista, pelo técnico qualificado contratado pelo dono
de obra, com base em documentação técnica que caracterize as soluções aplicadas.
No art.º 8º, indica-se que os edifícios de habitação objeto de grandes renovações encontram-se sujeitos
ao cumprimento de requisitos de conforto térmico e desempenho energético (indicadores do uso de
energia primária e de energia primária renovável; classificação como edifício de necessidades quase nulas
de energia; classes de desempenho energético).
vias de classificação, ou situados dentro de zonas de proteção, quando seja atestado pela entidade
licenciadora ou por outra entidade competente para o efeito que o cumprimento de requisitos
mínimos de desempenho energético é suscetível de alterar de forma inaceitável o seu caráter ou o seu
aspeto.
No art.º 9º, é referido que se encontram isentos do cumprimento dos requisitos de conforto térmico e
desempenho energético os seguintes edifícios ou frações:
• os edifícios habitacionais unifamiliares quando se constata como sendo edifícios autónomos com área
útil de pavimento igual ou inferior a 50 m²;
• as instalações industriais, pecuárias ou agrícolas não residenciais, oficinas;
• edifícios utilizados como locais de culto, igrejas, sinagogas, mesquitas, templos;
• edifícios exclusivamente destinados a estacionamentos sem climatização, armazéns onde a presença
permanente humana não ocorra por mais de duas horas por dia ou com uma ocupação humana
superior a 0,025 pessoas/m²;
• edifícios classificados ou em vias de classificação e as situações que configuram constrangimentos
técnicos, funcionais e económicos para o efeito, nos termos definidos na portaria prevista no n.º 12
do art.º 6.º. O técnico responsável e autor do projeto deve identificar e avaliar, de modo
fundamentado, os constrangimentos devendo tais fundamentos constar do certificado energético a
emitir por mesmo.
Em ambos decretos de lei, são referidas o mesmo tipo de edificações, mas na nova legislação, há uma
maior preocupação do conforto térmico pessoal onde é quantificado uma limitação presencial humana
tanto temporal como espacial.
No art.º 36º, verifica-se definido em portaria, o estabelecimento para as condições de bem-estar de saúde
dos ocupantes, os valores mínimos de caudal de ar novo por espaço, em função da ocupação, das
características do próprio edifício, dos seus sistemas de climatização e os limiares de proteção para as
concentrações de poluentes do ar interior.
19
CAPÍTULO 2
No art.º 16º, é referenciado que nos edifícios novos ou renovados, incluindo os seus sistemas técnicos,
são objeto de requisitos relativos à ventilação de espaços, com vista a assegurar uma correta e adequada
filtragem e renovação do ar.
Nesta nova legislação a qualidade do ar interior e a prevenção da doença do legionário voltam a ser alvo
de cumprimento de requisitos.
No art.º 3º, refere-se que são abrangidos pelo Sistema de Certificação Energética, os edifícios ou frações,
novos ou sujeitos a grande intervenção, nos termos do REH e RECS, que uma fração já edificada, não
esteja constituída como fração autónoma de acordo com um título constitutivo de propriedade
horizontal, só é abrangida pelo SCE a partir do momento em que seja dada em locação. Os edifícios ou
frações existentes de comércio e serviços, com área interior útil de pavimento igual ou superior a 1000
m², ou 500 m² no caso de centros comerciais, hipermercados, supermercados e piscinas cobertas, que
20
ESTADO DA ARTE
sejam propriedade de uma entidade pública e tenham área interior útil de pavimento ocupada por uma
entidade pública e frequentemente visitada pelo público superior a 500 m² ou, a partir de 1 de julho de
2015, superior a 250 m². Os edifícios ou frações existentes a partir do momento da sua venda, dação em
cumprimento ou locação posterior, salvo nos casos de venda ou dação em cumprimento a
comproprietário, a locatário, em processo executivo, a entidade expropriante ou para demolição total
confirmada pela entidade licenciadora competente, locação do lugar de residência habitual do senhorio
por prazo inferior a quatro meses, locação a quem seja já locatário da coisa locada.
No art.º 18º, indica-se que estão sujeitos ao cumprimento da obrigação de certificação energética, sem
prejuízo de eventual isenção de controlo prévio nos termos do RJUE, a construção de edifícios novos, as
grandes renovações de edifícios, os GES, para efeito da avaliação periódica, os edifícios detidos e
ocupados por uma entidade pública e frequentemente visitados pelo público que tenham uma área útil
de pavimento superior a 250 m², com vista a demonstrar, a todo o tempo, o desempenho energético do
edifício, os edifícios, no momento da respetiva venda, dação em cumprimento, locação ou trespasse,
desde que este abranja a transmissão do espaço físico onde o estabelecimento se encontre instalado, os
edifícios alvo de programas de financiamento para a melhoria do desempenho energético, sempre que a
certificação energética constitua requisito para o efeito, os edifícios elegíveis para efeitos de acesso a
benefícios fiscais, sempre que a certificação energética constitua requisito para o efeito.
Verificamos que apenas no novo artigo, é feito referência à limitação inferior de área dos edifícios, que a
partir do qual todos são obrigados, no anterior artigo, tínhamos referência a duas dimensões de área.
No art.º 6º, é indicado o dever de certificadas todas as frações e edifícios destinados a habitação
unifamiliar, as frações que se preveja virem a existir após constituição de propriedade horizontal,
designadamente nos edifícios recém-constituídos ou meramente projetados. Um edifício de comércio e
serviços que disponha de sistema de climatização centralizado para parte ou para a totalidade das suas
frações, encontra-se neste caso dispensadas de certificação as frações.
No art.º 19º, descreve-se que a atividade de certificação energética deve ser realizada tendo em conta a
constituição dos edifícios, a sua utilização e os sistemas técnicos. A certificação energética deve realizar -
se para a menor unidade passível de utilização independente, em propriedade total sem andares nem
divisões suscetíveis de utilização independente, deve ser emitido um certificado energético para a
totalidade do prédio, em propriedade total com andares ou divisões suscetíveis de utilização
independente, deve ser emitido um certificado energético por cada andar ou divisão suscetível de
21
CAPÍTULO 2
utilização independente, para prédios em propriedade horizontal, deve ser emitido um certificado
energético por cada fração autónoma, sem prejuízo do disposto anteriormente, estando em causa,
comprovadamente, a atribuição de benefícios fiscais ou o acesso a instrumentos de financiamento, pode
ser emitido um certificado energético para uma parte do prédio ou um único certificado energético para
a totalidade do prédio. Os certificados energéticos são emitidos em conformidade com a informação
constante da documentação legal relativa aos edifícios, de habitação, o certificado energético a emitir é
do tipo «habitação», de comércio e serviços, o certificado energético a emitir é do tipo «comércio e
serviços», de utilização mista, os certificados energéticos a emitir têm por base o tipo de utilização das
frações, devendo ser emitidos conforme previsto nas alíneas anteriores. No caso de edifícios de comércio
e serviços que disponham de sistemas de climatização centralizada, a certificação energética incide sobre
a totalidade das frações abrangidas por este sistema, devendo ser emitido um único certificado
energético.
A nova legislação, muito mais minuciosa que a anterior, realça a necessidade de ir ao pormenor
construtivo e respetivos sistemas de climatização, em todos os edifícios de frequência humana, onde
anteriormente, o requisito apenas se referia ao conceito físico do edificado.
No art.º 8º, verifica-se a obrigatoriedade da afixação em posição visível e de destaque do certificado SCE
válido, os edifícios de comércio e serviços ou frações, novos ou sujeitos a grande intervenção, nos termos
do REH e RECS, aquando da sua entrada em funcionamento, sempre que apresentem uma área interior
útil de pavimento superior a 500 m² ou, a partir de 1 de julho de 2015, superior a 250 m², os edifícios
referidos como centros comerciais, hipermercados, supermercados e piscinas cobertas abrangidos pelo
SC, os edifícios de comércio e serviços referidos no n.º 4 do art.º 3.º, sempre que apresentem uma área
interior útil de pavimento superior a 500 m², a partir de 1 de julho de 2015, superior a 250 m². O certificado
SCE é afixado na entrada do edifício ou da fração.
22
ESTADO DA ARTE
Será então disponibilizado um manual de normas gráficas, que não existia atualmente, e é indicada a
necessidade de afixar junto à entrada a 1ª página do certificado energético,
Na redação do art.º 23º indica-se que o prazo de validade dos certificados energéticos varia consoante o
tipo de certificado, o objeto da certificação energética e o estado do edifício:
23
CAPÍTULO 2
• os certificados energéticos podem ser objeto de atualização durante a sua vigência sem que haja lugar
ao alargamento do respetivo prazo de validade.
Conforme se pode verificar, em comparação direta ambos artigos são parecidos, mas com algumas
diferenças, tanto em prazos dos certificados com para as entidades certificadoras.
No art.º 13º, identificamos que são técnicos do SC, os PQ e os TIM com acesso e exercício da atividade
dos técnicos do SC, o seu registo junto da ADENE e o regime contraordenacional aplicável são regulados
pela Lei n.º 58/2013, de 20 de agosto. A competência do PQ é fazer a avaliação energética dos edifícios a
certificar no âmbito do SC, não comprometendo a qualidade do ar interior, identificar e avaliar, nos
edifícios objeto de certificação, as oportunidades e recomendações de melhoria de desempenho
energético, registando-as no pré-certificado ou certificado, na restante documentação complementar,
emitir os pré-certificados e certificados SC, colaborar nos processos de verificação de qualidade do SC,
verificar e submeter ao SCE o plano de racionalização energética. A competência do TIM é coordenar ou
executar as atividades de planeamento, verificação, gestão da utilização de energia, instalação,
manutenção relativo a edifícios e respetivos sistemas técnicos. As atividades dos técnicos do SCE são
regulamentadas por portaria do membro do Governo responsável pela área da energia.
No art.º 24º, verifica-se o acesso e exercício da atividade dos técnicos do SC, as suas competências e o
regime contraordenacional aplicável são regulados pela Lei n.º 58/2013, de 20 de agosto. As atividades
dos técnicos do SCE são regulamentadas por portaria do membro do Governo responsável pela área da
energia.
No art.º 19º, verifica-se que a ADENE atesta a qualidade e identifica as situações de desconformidade dos
processos de certificação efetuados pelo PQ, com base em critérios estabelecidos em portaria. As
atividades de verificação podem ser confiadas pela ADENE a quaisquer organismos, públicos ou privados
e não podem ser realizadas por quem seja titular do cargo de formador no âmbito dos cursos dirigidos
aos técnicos do SCE. As metodologias dos processos de verificação de qualidade são definidas em portaria.
Os resultados das verificações devem constar de relatório comunicado ao PQ e ser objeto de anotação no
registo individual do PQ, que integra os elementos constantes em portaria. O mesmo procedimento aos
TIM, com as necessárias adaptações.
24
ESTADO DA ARTE
No art.º 21º, verifica-se que compete à DGEG a instauração e instrução dos processos de contraordenação
previstos. Ao Diretor-Geral de Energia e Geologia compete a determinação e aplicação das coimas e das
sanções acessórias. Compete à Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento
do Território (IGAMAOT) a instauração e instrução dos processos de contraordenação. A aplicação das
coimas correspondentes às contraordenações previstas anteriormente é da competência do inspetor-
geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território. O produto das coimas a que
se referem as alíneas a), b) e c) do n.º 1 do artigo anterior é distribuído, 60 % para os cofres do Estado, 40
% para o Fundo de Eficiência Energética. O produto das coimas a que se refere a alínea d) do n.º 1 do
artigo anterior reverta, 60% para os cofres do Estado e 40% para a IGAMAOT.
No art.º 25º, refere que compete à DGEG a supervisão, fiscalização do funcionamento do SC e exercer as
demais competências conferidas pelo presente decreto - Lei.
No art.º 26º, verifica-se que a gestão do SCE constitui atribuição da ADENE, compete realizar os exames,
fazer o registo dos técnicos do SC, acompanhar a atividade, prestar apoio técnico e administrativo aos
técnicos do SC, gerir o registo central dos certificados energéticos no Portal SC, bem como toda a restante
documentação produzida no âmbito do SCE ou em cumprimento de outras obrigações, assegurar a
qualidade da informação produzida no âmbito do SC, bem como da informação submetida ou registada
no Portal SCE em cumprimento de outras obrigações, definir, atualizar o conteúdo, modo de apresentação
da informação, dos documentos submetidos ou registados no Portal SCE em cumprimento de obrigações,
sem prejuízo das competências cometidas a outras entidades, contribuir para a interpretação e aplicação
uniformes dos procedimentos no âmbito do SCE e outros previstos, zelar pela disponibilização aos
proprietários dos edifícios, por via digital, de todos os dados constantes do Portal SCE em relação aos seus
edifícios e sistemas técnicos, nomeadamente do respetivo certificado energético, promover o SCE e
incentivar a utilização dos seus dados, em conformidade com as disposições comunitárias e nacionais em
matéria de proteção de dados e de estatística, com vista à melhoria da eficiência energética dos edifícios,
dinamizar a criação, operacionalização e publicitação de sistemas de incentivo à eficiência energética nos
edifícios, em particular a promoção de melhores classes de desempenho energético nos edifícios novos e
a implementação das oportunidades de melhoria do desempenho identificadas nos certificados
energéticos para edifícios existentes, em articulação com o Fundo Ambiental.
No art.º 18º, o sistema de registo no SCE dos pré-certificados e dos certificados SCE é feito mediante o
pagamento de uma taxa à ADENE, podendo esta cobrar uma taxa pelo registo dos técnicos do SCE. Os
valores das taxas de registo referidas nos números anteriores são aprovados em portaria.
25
CAPÍTULO 2
No art.º 28º, o sistema de registo no Portal SCE de certificados energéticos por parte dos PQ é referente
ao pagamento de determinado valor, cujo decorrente produto é repartido, anualmente, da seguinte
forma, 87 % para a ADENE, 10 % para o Fundo Ambiental, 3 % para a DGEG.
No art.º 14º, verificamos as obrigações dos proprietários dos edifícios e sistemas técnicos abrangidos pelo
SC, sendo o de obter o pré-certificado e certificado do SC nos termos do RECS, a atempada renovação,
sem prejuízo da conversão do pré-certificado, no caso de GES, conforme o disposto no RECS, dispor de
TIM adequado para o tipo e características dos sistemas técnicos instalados, quando aplicável, assegurar
o cumprimento do plano de manutenção elaborado e entregue pelo TIM, submeter ao SC, por intermédio
de PQ, eventual PR e cumpri-lo, facultar ao PQ, por solicitação desta, a consulta dos elementos necessários
à certificação do edifício, nos casos previstos no n.º 1 do artigo 3.º, pedir a emissão, de pré-certificado,
no decurso do procedimento de controlo prévio da respetiva operação urbanística de certificado SC,
aquando do pedido de emissão de licença de utilização ou de procedimento administrativo equivalente,
nos casos previstos no n.º 4 do artigo 3.º, indicar a classificação energética do edifício constante do
respetivo pré-certificado ou certificado SCE em todos os anúncios publicados com vista à venda ou
locação, entregar cópia do pré-certificado ou certificado SCE ao comprador ou locatário no ato de
celebração de contrato-promessa de compra, venda ou locação, entregar o original no ato de celebração
da compra, venda, afixar o certificado em posição visível e em destaque.
No art.º 29º, verificamos as obrigações dos proprietários dos edifícios ou dos sistemas técnicos assegurar,
a obtenção dos pré-certificados e certificados energéticos, nas situações previstas no presente decreto-
lei. A contratação dos técnicos qualificados cuja atuação é prevista no presente decreto-lei, a entrega de
cópia do certificado energético ou a disponibilização por via digital, a informação relativa ao respetivo
conteúdo ao comprador, locatário ou adquirente previamente à celebração de contrato-promessa de
compra e venda, locação, dação em cumprimento e trespasse, secundada pela entrega da versão original,
previamente à celebração do contrato definitivo, a detenção e obtenção dos meios para o cumprimento
do plano de manutenção dos sistemas técnicos, a disponibilização dos dados, no Portal SC, relativos aos
consumos de energia, o cumprimento dos PDE, a instalação de SAC, a instalação de pontos de
carregamento de veículos elétricos, a realização das inspeções periódicas aos sistemas de climatização e
ventilação, o cumprimento dos requisitos da qualidade do ar interior, o cumprimento da obrigação de
solicitar a verificação da conformidade dos resultados da avaliação simplificada anual da qualidade do ar
interior, a disponibilização ao PQ dos elementos de informação necessários, a afixação do certificado
energético ou a indicação da classe energética. O proprietário assegura o cumprimento das condições
26
ESTADO DA ARTE
necessárias para a realização das diligências de verificação da conformidade dos resultados da avaliação
simplificada anual da qualidade do ar interior.
Relativamente a estes dois artigos, verifica-se que na nova legislação encontra-se muito mais vocacionado
para o consumo energético a todos os níveis no edificado, inclusive à instalação de pontos de
carregamento para veículos elétricos.
No art.º 17º, verifica-se que estão definidas e concretizadas por meios legislativos e administrativos as
medidas e incentivos adequados a facultar o financiamento e outros instrumentos que potenciem o
desempenho energético dos edifícios e a transição para edifícios com necessidades quase nulas de
energia. As medidas e incentivos referidos podem integrar os planos de ação em curso ou previstos, bem
como integrar outros instrumentos de política ou financeiros.
No art.º 34º, é referido é a competência dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças
e da energia podem estabelecer, por portaria, medidas e incentivos destinados a proporcionar o acesso a
mecanismos financeiros com vista a apoiar a renovação dos edifícios. As soluções de financiamento,
designadamente as de origem pública, devem fomentar o investimento privado e corrigir deficiências de
mercado. As medidas e os incentivos devem contribuir para a redução do risco percebido pelos
investidores nas operações de financiamento. São incentivadas as iniciativas que promovam soluções de
escala, nomeadamente os agrupamentos de projetos que permitam o acesso a investidores e a empresas.
As medidas e incentivos para referida renovação, especialmente as que incidam na melhoria do
desempenho energético dos edifícios ou dos seus componentes, dependem das poupanças de energia
planeadas ou obtidas, melhorias obtidas com a renovação, comparando os certificados energéticos
emitidos antes e depois da renovação ou desempenho energético das soluções construtivas ou
equipamentos utilizados na renovação. Nas situações em que os critérios referidos anteriormente forem
desadequados à finalidade das medidas e incentivos pode ser utilizado outro método pertinente,
transparente e proporcionado que evidencie a melhoria do desempenho energético. As medidas
financeiras destinadas à melhoria do desempenho energético dos edifícios ou dos seus componentes
devem assegurar que as intervenções com vista à renovação dos edifícios sejam executadas por técnicos
qualificados.
27
CAPÍTULO 2
No art.º 20º, verifica-se que constitui contraordenação punível com coima de 250 € a 3 740 € no caso de
pessoas singulares e de 2 500 € a 44 890 € no caso de pessoas coletivas. A negligência é punível, sendo os
limites mínimos e máximos das coimas reduzidos para metade.
No art.º 35º, verifica-se que constitui contraordenação punível com coima de € 250 a € 3740, no caso de
pessoas singulares, e de € 2500 a € 44 890, no caso de pessoas coletivas. A negligência é punível, sendo
os limites mínimos e máximos das coimas reduzidos para metade.
Os valores das coimas a aplicar são iguais nos dois modelos legislativos.
No art.º 51º, verifica-se a exceção dos processos de contraordenação, todos os pedidos, comunicações e
notificações entre os técnicos de SCE e as autoridades competentes são realizados no portal SC, integrado
no balcão único eletrónico dos serviços. Sempre que por motivos de indisponibilidade das plataformas
eletrónicas, não for possível o cumprimento do disposto, encontra-se viabilizado a utilização de qualquer
outro meio legalmente admissível.
No art.º 42º, verifica-se todos os pedidos, comunicações e notificações entre os técnicos do SC, outros
técnicos, proprietários e as entidades competentes são realizados no Portal SC, integrado no balcão único
eletrónico, com exceção dos processos de contraordenação. No âmbito dos procedimentos previstos no
número anterior, deve ser possível a utilização de mecanismos de autenticação segura e assinaturas
eletrónicas qualificadas, designadamente as constantes do Cartão de Cidadão e Chave Móvel Digital com
recurso ao Sistema de Certificação de Atributos Profissionais, bem como os meios de identificação
eletrónica emitidos noutros Estados-Membros reconhecidos para o efeito. Os proprietários encontram -
se dispensados da apresentação de documentos que já se encontrem na posse de serviços e entidades da
Administração Pública mediante o seu prévio consentimento para que a ADENE proceda à sua obtenção,
utilizando a Plataforma de Interoperabilidade da Administração Pública ou recorrendo ao mecanismo
previsto. A publicação, divulgação e disponibilização, para consulta ou outro fim, de informações,
documentos e outros conteúdos que, pela sua natureza e nos termos do presente decreto-lei, possam ou
devam ser disponibilizados ao público, sem prejuízo do uso simultâneo de outros meios, deve estar
disponível em formatos abertos que permitam a leitura por máquina, para o seu registo no Portal de
Dados Abertos da Administração Pública. Quando, por motivos de indisponibilidade do Portal SC, não for
possível o cumprimento do disposto, pode ser utilizado qualquer outro meio legalmente admissível. Face
ao exposto, em ambos DL, no balcão único, verifica-se que são excluídos todos os processos de
28
ESTADO DA ARTE
contraordenação, sendo reforçado na nova legislação uma maior utilização do portal eletrónico, com mais
segurança e intuitivo.
No art.º 43º, verifica-se que o presente diploma aplica-se às Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores,
sem prejuízo das competências cometidas aos respetivos órgãos de governo próprio e das adaptações
que lhe sejam introduzidas por diploma regional.
No art.º 53º, verifica-se que o presente decreto-lei aplica-se às Regiões Autónomas da Madeira e dos
Açores, sem prejuízo das competências cometidas aos respetivos órgãos de governo próprio e das
adaptações que lhe sejam introduzidas por diploma regional.
Em seguida ordena-se uma relação de artigos novos do DL 101-D/2020, que não existiam no DL 118/2013:
29
CAPÍTULO 2
30
ESTUDO DE CASO – ANÁLISE DO DESEMPENHO TÉRMICO DE UM EDIFÍCIO DE
HABITAÇÃO REABILITADO
O presente edifício em estudo, datado dos finais do sec. XIX, localiza-se em Fundões, no concelho de
Castelo de Paiva, no distrito de Aveiro. Pelo que foi possível apurar, nunca foi efetuado qualquer tipo de
intervenção no edifício, até esta altura.
31
Capítulo 3
Na tentativa de a intervenção tentar respeitar o mais possível as características deste edifício de caráter
rural, mantiveram-se as fachadas inteiramente em alvenaria de pedra granito e a cobertura de ripado em
madeira e telha rústica. Uma vez que não está previsto qualquer tipo de aumento para piso superior e a
supressão de muitas paredes interiores, as fundações do corpo principal serão utilizadas e apenas se
realizarão novas fundações no corpo onde será necessário a execução de paredes exteriores e pilares em
betão armado.
• O piso 0, encontra-se reservado para as zonas privadas, como quartos, casa de banho e escritório;
A comunicação entre pisos é feita com recurso a um lanço de escada de betão armado, no interior da
habitação.
O edifício encontra-se implantado a uma altitude de 260 m e a fachada principal é orientada a Norte (N).
32
ESTUDO DE CASO – LEGISLAÇÃO ANTERIOR
Para se aplicar o modelo de cálculo adotado na legislação nacional é necessário efetuar um conjunto de
medições de áreas e dimensões. Todas essas medições foram realizadas com auxílio das ferramentas do
Autocad e serão apresentas no Anexo I - Áreas e dimensões.
O edifício em estudo localiza-se em Fundões, no concelho de Castelo de Paiva, região norte do país, em
meio rural e a mais de 5 Km da zona costeira. A fachada principal encontra-se orientada a norte (N) e a
altitude do local é de 260 m.
No zonamento climático do país, baseando-nos na nomenclatura das unidades territoriais para fins
estatísticos (NUTS) de nível III, de acordo com a tabela 1 – NUTS III, do despacho 15793-F/2013, o edifício
situa-se na região do TÂMEGA.
As zonas climáticas de inverno são definidas a partir do número de graus dias tendo por base 18 °C, os
parâmetros climáticos são para a estação de aquecimento (inverno) e são calculados da seguinte forma:
Gsul –Energia solar média mensal durante a estação de aquecimento recebida na superfície vertical
orientada a sul [KWh/(m².mês)].
33
Capítulo 3
Para o cálculo dos parâmetros climáticos, o valor do parâmetro X é obtido a partir de um valor de
referência, Xref corrigido apenas com de uma correção linear de declive “a” multiplicado pela soma de Z
com um Zref , onde o Z é altitude efetiva e o Zref é altitude de referência.
o 𝑍𝑅𝐸𝐹 = 320 m;
Com os estes dados recorremos às expressões numéricas definidas para o cálculo dos parâmetros
climáticos do local:
a
M = Mref + 1000 (Z + Zref) (3.2)
0
M = 6,7 + 1000 (260 + 320) = 6,7 meses
a
GD = GDref + 1000 (Z + Zref) (3.3)
1600
GD = 1570 + (260 + 320) = 1474°[Link]
1000
Isol - Energia solar total acumulada durante a estação, recebida na horizontal (inclinação 0°) e em
superfícies verticais (inclinação 90°) para os quatro pontos cardeais e os quatro pontos colaterais
(KWh/m²).
34
ESTUDO DE CASO – LEGISLAÇÃO ANTERIOR
Assim obtemos:
a
𝜃𝑒𝑥𝑡,𝑣 = θext, v + 1000 (Z + Zref) (3.4)
0,003
𝜃𝑒𝑥𝑡,𝑣 = 21,4 + 1000 (260 + 320) = 21,58°C
A Intensidade de radiação solar ao longo dos 4 meses e para as diferentes orientações não necessita de
ser corrigida em função da altitude e apresenta os seguintes valores:
o nascente e a poente - Isol = 490 KWh/m²
o norte - Isol = 220 KWh/m²
o sul - Isol = 4250 KWh/m²
o cobertura - Isol = 785 KWh/m²
O presente edifício é constituído por uma única fração para habitação, para se avaliar o respetivo
comportamento térmico do edifício temos que analisar o edifício como um todo. A envolvente é
caraterizada por paredes de alvenaria de pedra na zona existente, mas na zona dos quartos, como a
parede existente ruiu, irá ser construída uma nova estrutura parte em betão armado e parte em alvenaria
de tijolo de leca (térmico). Analisando os espaços interiores previstos no projeto de arquitetura deste
edifício e de acordo com o despacho 15793/K, de 2013, a envolvente poderá ser:
• Envolvente exterior
• Envolvente interior:
35
Capítulo 3
Uma vez que no edifício em causa não existem espaços não úteis, apenas teremos envolvente exterior e
envolvente em contato com o solo.
a) Envolvente no piso 0
b) Envolvente no piso 1
36
ESTUDO DE CASO – LEGISLAÇÃO ANTERIOR
As soluções construtivas a implementar deverão obedecer aos requisitos definidos na legislação em vigor
à data do processo de licenciamento na respetiva Câmara Municipal.
Estas verificações devem ser aplicadas aos elementos da envolvente, à taxa de renovação de ar, à seleção
dos equipamentos de climatização e de preparação de águas quentes sanitárias, AQS, e à utilização de
equipamentos com fontes de energia renováveis. Neste subcapítulo serão apresentadas as verificações
relativas aos elementos construtivos da envolvente.
Os edifícios localizados na zona climática I2, as soluções construtivas adotadas para os elementos da
envolvente opaca em zona corrente e para os envidraçados deverão apresentar um coeficiente de
transmissão não superior aos valores apresentados na seguinte figura 3.5, quadro II:
Figura 3.5 – Quadro de Umáx para elementos da envolvente (Portaria 297/2019, 9 de setembro)
1
𝑈 = 𝑅𝑡 [W/(m². ᵒC)] (3.5)
1
𝑈= [W/(m². ᵒC)] (3.6)
𝑅𝑠𝑖+∑ 𝑗𝑅𝑗+𝑅𝑠𝑒
37
Capítulo 3
Onde:
𝑅𝑡 − Resistência térmica, [(m².ᵒC)/W]
𝑅𝑗 − Resistência térmica da camada j, [(m².ᵒC)/W]
𝑅𝑠𝑖 − Resistência térmica superficial interior, [(m².ᵒC)/W]
𝑅𝑠𝑒 − Resistência térmica superficial exterior, [(m².ᵒC)/W]
𝑒𝑗
𝑅𝑗 = [(m². ᵒC)/W] (3.7)
𝜆
Em que:
ej – Espessura da camada j, m
Upext:
0,35 0,03
𝑅𝑡 = 0,04 + + + 0,13 = 0,895 [(m². ᵒC)/W]
2,80 0,05
1
𝑈𝑝𝑒𝑥𝑡 = 0,895 = 1,12 [W/(m². ᵒC)] ≤ Umáx = 1,50 [W/(m². ᵒC)] → Verifica!
38
ESTUDO DE CASO – LEGISLAÇÃO ANTERIOR
Upext:
Upext:
0,10 0,015
𝑅𝑡 = 0,04 + + 0,99 + + 0,13 = 3,88 [(m². ᵒC)/W]
0,037 1,17
1
𝑈𝑝𝑒𝑥𝑡 = 3,88 = 0,26 [W/(m². ᵒC)] ≤ Umáx = 1,50 [W/(m². ᵒC)] → Verifica!
− Cobertura inclinada
Ucext:
40
ESTUDO DE CASO – LEGISLAÇÃO ANTERIOR
− Pavimento térreo
𝐴𝑝
𝐵′ = 0,5∗𝑃
[m] (3.8)
Em que:
P - Perímetro de exposição, caracteriza-se pelo desenvolvimento total da parede que separa o espaço
aquecido, do exterior, ou de um espaço não aquecido, ou de um edifício adjacente, ou do solo é medido
pelo interior, [m];
41
Capítulo 3
77,40
𝐵′ = = 2,79 [𝑚]
0,50 ∗ 55,34
A diferença entre cota do pavimento térreo em estuco e o pavimento exterior ou espaço não útil, sendo
neste caso considerado Z médio = 1,33 [m].
3.3.2 Envidraçados
Os envidraçados devem verificar dois tipos de requisitos mínimos. O relativo ao seu coeficiente de
transmissão térmica superficial, Uwdn, e outro relativo ao seu fator solar. A primeira verificação procura
evitar elevadas perdas de energia pelos envidraçados, na estação de aquecimento, e segunda verificação
pretende diminuir o sobreaquecimento devido aos ganhos solares pelos envidraçados, na estação de
arrefecimento.
42
ESTUDO DE CASO – LEGISLAÇÃO ANTERIOR
Uw = 1,33 [W/(m².ᵒC)]
1
𝑈𝑤𝑛 = 1 0,025 = 1,12 [(𝑚2 . ᵒC)/W] (3.10)
( )+( )
1,33 0,18
O valor do coeficiente de transmissão médio dia-noite, foi obtido considerando a média aritmética entre
o coeficiente de transmissão sem o dispositivo de oclusão ativo, situação que ocorrerá durante o dia, e o
coeficiente de transmissão com o dispositivo de oclusão ativo, situação que ocorrerá durante a noite.
(Uw + Uwn)
Uwdn = = 1,23 [W/(m². ᵒC)] (3.11)
2
43
Capítulo 3
De acordo com a portaria 297/2019, segundo a razão entre a área do envidraçado e a área do
compartimento, são tirados os respetivos fatores solares que multiplicados aos fatores de
sombreamentos verticais e horizontais, verifica-se o fator solar máximo, uma vez que no edifício
estudado, apenas existem elementos de sombreamento verticais.
Conforme se pode verificar no quadro anterior, os valores máximos admitidos para o cálculo do fator
solar, encontra-se diretamente relacionados entre a orientação, área do envidraçado e área do pavimento
do compartimento onde se encontra o referido vão envidraçado, assim:
0,15
𝑆𝑒 𝐴𝑒𝑛𝑣 > 15% ∗ 𝐴𝑝𝑎𝑣 → 𝑔𝑇 ∗ 𝐹0 ∗ 𝐹𝑓 ≤ 𝑔𝑇𝑚𝑎𝑥 ∗ 𝐴𝑒𝑛𝑣 (3.13)
𝐴𝑝𝑎𝑣
Onde,
44
ESTUDO DE CASO – LEGISLAÇÃO ANTERIOR
− fator solar do vidro com proteção, gTvc = 0,35, este valor carece de correção, uma vez que não
se trata de vidro corrente e da proteção se encontrar na parte interior, através desta equação:
𝑔Tvc ∗ 𝑔ꓕvi
𝑔𝑇𝑣𝑐 = (3.14)
0,75
0,35 ∗ 0,61
𝑔𝑇𝑣𝑐 = = 0,28
0,75
Na tabela 3.1, verifica-se a relação entre a área dos envidraçados e a área dos respetivos pavimentos:
Envidraçado Vão Orientação Aenv [m2] Apav [m2] Aenv/Apav [%] Obs.
Para os edifícios localizados na zona climática V2 e com inércia térmica fraca, o fator solar máximo é 0,10.
Ao analisar a planta deste edifício, verifica-se que apenas dois envidraçados apresentam sombreamento
devido a elementos verticais, com orientação a poente.
45
Capítulo 3
Figura 3.12 – Sombreamento por elementos verticais dos envidraçados ve002 e ve007
Ângulos
Envidraçad Orientaç Esquerd Direit Fs=F0*F
Ff=Ff1*Ff2 Fs ≤ 0,90
o (Vão) ão Esquerd Direit a Ff1 a Ff2 f
a β1 a β2
0,15
Aenv > 15% * Apav gT * F0 * Ff ≤ gTmax * 𝐴𝑒𝑛𝑣
⁄𝐴𝑝𝑎𝑣
0,15
0,28*0,88 = 0,25 ≤ 0,10 * 0,17 = 0,09 Não Verifica !
46
ESTUDO DE CASO – LEGISLAÇÃO ANTERIOR
Nestes vãos envidraçados, não verifica a exigência legislativa do fator solar, pois a comparar com o cálculo
dos referidos, temos o valor correspondente ao gTmax = 0,10, devido à classificação de inércia fraca do
edifício, no entanto optou-se por não alterar esta solução para permitir estudar o desempenho térmico e
energético da habitação com as soluções que efetivamente serão implementadas.
Conforme mencionado no ponto 6 do despacho 15793-K/2013, para a obtenção da inércia térmica deverá
determinar-se a massa superficial útil por metro quadrado da área de pavimento, It:
Σ𝑀𝑠𝑖 ∗ 𝑆𝑖 ∗ 𝑟
𝐼𝑡 = [𝑘𝑔/𝑚²] (3.15)
𝐴𝑝
onde:
No mesmo despacho, temos a indicação das classes de inércia térmica relativamente aos respetivos
valores admitidos, na tabela seguinte:
47
Capítulo 3
A massa superficial útil de cada elemento da construção, Msi, em kg/m², sendo função da sua constituição
e da localização no edifício, nomeadamente com o posicionamento do isolamento térmico e das devidas
características de soluções de revestimento superficial.
− EL1 – Elementos da envolvente exterior, em contato com outra fração, com ENU, ou edifícios
adjacentes;
Assim na determinação de Msi, teremos de ter em conta os seguintes aspetos definidos na legislação:
48
ESTUDO DE CASO – LEGISLAÇÃO ANTERIOR
onde:
onde:
mi* – em que, o valor do Msi é verificado e avaliado por cada elemento de cada lado do isolante térmico,
assim sendo, a massa do elemento, mi, é desde o isolante até à face em análise, o respetivo valor de mi
de cada elemento ≤ 150 kg/m².
49
Capítulo 3
50
ESTUDO DE CASO – LEGISLAÇÃO ANTERIOR
No cálculo da inércia térmica, o fator de redução de massa superficial, r, vai depender da resistência
térmica do revestimento superficial interior, incluindo a resistência térmica de uma possível caixa-de-ar
colocada. Os valores a considerar para este fator são apresentados nas duas próximas tabelas.
R [m².°C/W] r
> 0,30 0
< 0,14 1
Elementos EL3
R [m².°C/W]
51
Capítulo 3
Na eventualidade de um elemento EL3 ter isolamento térmico, nesse caso é necessário avaliar cada uma
das faces como independentes e no final recorrer a esta equação:
No edifício em estudo, realizamos todos os cálculos necessários para a quantificação da inércia térmica e
estão apresentados na tabela 3.8:
Msi Si Msi x Si x ri
Elemento da Construção ri
(kg/m²) (m²) (kg)
. Elementos EL1
Paredes da envolvente (antiga) 0,00 0,00 160,15 0,00
Paredes da envolvente (nova) 150,00 1,00 30,88 4632,00
Pilares (nova) 150,00 1,00 0,60 90,00
Cobertura inclinada 0,00 0,00 221,95 0,00
. Elementos EL2
Paredes enterradas 0,00 0,00 23,40 0,00
Pavimento térreos 0,00 0,00 136,50 0,00
. Elementos EL3
Pavimento interiores 300,00 0,50 27,78 4167,00
Paredes interiores de pedra 300,00 1,00 18,27 5481,48
Paredes interiores de betão 300,00 1,00 3,87 1161,60
Paredes interiores de alvenaria 150,00 1,00 44,40 6660,00
Total 22192,08
∕
Área útil de pavimento, Ap 154,64
=
Massa superficial útil por m² de Ap, It 143,50
52
ESTUDO DE CASO – LEGISLAÇÃO ANTERIOR
No cálculo para a determinação do valor do coeficiente de transmissão térmica linear (ѱ), [W/(m.°C)]
edifício em estudo, usou-se a tabela 7 do despacho 15793-K/2013.
Os valores dos coeficientes de transmissão térmica linear dependem do tipo de ligação a considerar e da
posição do isolante térmico na parede exterior. Os valores associados às pontes térmicas lineares das
paredes exteriores estão na seguinte tabela 3.9:
3.4.3 Ventilação
Conforme verificado, todos os compartimentos possuem vãos envidraçados, pelo que facilita bastante a
renovação de massa de ar dentro do edifício em estudo, durante a estação de arrefecimento.
Neste edifício não foram contempladas grelhas de admissão de ar nos compartimento principais, quartos
e sala, existindo apenas condutas de evacuação. As saídas de ar serão realizadas através de grelhas ligadas
a condutas de evacuação situadas em cada uma das instalações sanitárias. A extração de fumos e gases
da combustão do fogão e forno será feita pela grande saia de chaminé existente na cozinha, elemento
muito característico das construções antigas.
Em suma, o edifício em estudo apresenta uma ventilação natural, com uma taxa de renovação de ar, Rph,
de 0,39 h-1, esta taxa foi quantificada pela folha de cálculo desenvolvida pelo LNEC e será apresentada em
anexo. Note-se que o valor obtido não cumpre os requisitos mínimos definidos na legislação, mas optou-
se mais uma vez por quantificar o desempenho deste edifício com as soluções que serão na realidade
implementadas.
53
Capítulo 3
Onde:
Henu = 0 W/ᵒC;
Hadj = 0 W/ᵒC;
GD = 1474 ᵒ[Link].
54
ESTUDO DE CASO – LEGISLAÇÃO ANTERIOR
As perdas pela envolvente na estação de arrefecimento, conforme a Portaria 349-B/2013, são calculadas
com recurso da seguintes expressões numéricas:
Sendo:
Ɵv,ext = 21,4ᵒC;
Henu = 0 W/ᵒC;
As perdas pela ventilação, conforme o Despacho 15793-K/2013, são calculadas com recurso às seguintes
formulas:
o Na estação de aquecimento:
o Na estação de arrefecimento:
55
Capítulo 3
Sendo:
Pd – Pé direito – 3,14 m;
Conforme o despacho 15793-I/2013, recorremos à seguinte expressão numérica para o cálculo dos
ganhos solares no inverno:
Em que:
Qgsol,i – Ganhos solares brutos através dos vão envidraçados na estação de aquecimento, [kWh];
Xj – Fator de orientação para as diferentes exposições de acordo com a tabela 1 do presente despacho –
Norte – 0,27, Sul – 1,00, Poente – 0,56;
Fs,i – Fator de obstrução do vão envidraçado com orientação i, na estação de aquecimento, representa a
redução na radiação solar que incide no vão envidraçado, devido ao sombreamento permanente causado
por obstáculos;
Fh – Fator de sombreamento horizonte, representa a redução na radiação solar que incide no vão
envidraçado devido ao sombreamento de obstruções longínquas exteriores ao edifício ou de edifícios
vizinhos, neste caso foi considerado um ângulo de horizonte de 20ᵒ e o Fh de 0,76 (W), 0,81 (S) e 1,00 (N)
, por se tratar de um edifício isolado e fora de zona urbana;
As,i – Área efetiva coletora de radiação solar do vão envidraçado com orientação i, [m²];
56
ESTUDO DE CASO – LEGISLAÇÃO ANTERIOR
57
Capítulo 3
Sendo:
Qgsol,v – Ganhos solares brutos através dos vãos envidraçados na estação de arrefecimento, [kWh];
Isol – Energia solar incidente numa superfície durante a estação de arrefecimento, [kWh/m²];
As,v – Área efetiva coletora de radiação solar da superfície, para os envidraçados esta área é contabilizada
por As,v = Aw * Fg * gv (m2) e para os elementos da envolvente opaca exterior é contabilizada por
Fm,v – Fração de tempo em que os dispositivos de proteção móvel se encontram totalmente ativados;
As quantificações dos ganhos solares são obtidas de diferentes maneiras entre a envolvente opaca e os
envidraçados, apesar da envolvente opaca ser muito maior em termos de panos de parede em
comparação dos envidraçados, a transmissão dos ganhos fazem-se por transmissão do calor através dos
materiais constituintes na secção transversal da mesma. Nos envidraçados, a transmissão dos ganhos
solares, é feita de maneira muito mais direta, apesar da sua área ser mais pequena, pois a luz atravessa a
secção transversal dos mesmos, permitindo aquecer os espaços interiores de forma muito mais rápido.
58
ESTUDO DE CASO – LEGISLAÇÃO ANTERIOR
Os ganhos internos deverão ser contabilizados para as duas estações, considerando os ganhos internos
médios por m2, a duração de cada uma das estações e a área útil de pavimento:
o Na estação de aquecimento:
o Na estação de arrefecimento:
59
Capítulo 3
3.8 EQUIPAMENTOS
No edifício em estudo, foi previsto o mesmo equipamento de ar condicionado, tanto para a estação de
aquecimento como a estação de arrefecimento. Conforme portaria 349-B/2013 e despacho 15793-
D/2013, utiliza-se os seguintes valores facultados pelo fabricante para a determinação da energia
primária:
No edifício em estudo, a energia necessária para a água quente sanitária é calculada através da seguinte
expressão:
𝑀𝐴𝑄𝑆 ∗ 4187 ∗ Δ𝑇 ∗ 𝑛𝑑
𝑄𝑎 = [𝑘𝑊ℎ/𝑎𝑛𝑜] (3.29)
3600000
onde:
feh – Fator de eficiência hídrica aplicável a chuveiros com certificação e rotulagem de eficiência hídrica da
responsabilidade de uma entidade independente reconhecida (feh = 1,00):
60
ESTUDO DE CASO – LEGISLAÇÃO ANTERIOR
Nº ocup. convencionais x Consumo médio diário x acréscimo de temperatura x número de dias / 3 600
000 = nec. energia [kWh/ano] (3.30)
Neste edifício está previsto a instalação de um painel coletor solar térmico plano Baxi sol 259 de 2,50 m²
de área de exposição solar, com uma produção de 2123,20 W da Eren obtido através do software [Link]
e a listagem encontra-se no anexo IV, lembramos que este valor encontra-se muito próximo do valor
definido pela legislação (≥ 50% de necessidades energéticas) que para o caso é de 2228 W. Assim este
sistema coletor solar, vai auxiliar o sistema de aquecimento de AQS convencional e passará a minimizar o
consumo de energia não renovável do equipamento de aquecimento de água sanitária.
O edifício em estudo vai ter necessidades energéticas que deverão ser comparados com os valores obtidos
para o edifício de referência. Todos os cálculos de necessidades energéticas para aquecimento,
arrefecimento e energia primária serão apresentados nos anexos.
61
Capítulo 3
A presente reabilitação é considerada como uma grande reabilitação de um edifício anterior a 1960, pois
é uma construção original e é dos finais do século XIX. Na legislação em vigor, as razões entre valores de
calculo e os valores máximos devem estar compreendidas nos valores constantes na tabela 2.2 - Capítulo
2 (página 17).
Uma vez que o edifício em estudo é muito anterior a 1960, pelo que não se aplica qualquer limite aos dois
primeiros rácios. O rácio NTC / NT é de 0,75, pelo que é bastante inferior ao máximo regulamentar de 1,50,
o que segundo o despacho 15793-J/2013 é indicador que o edifício apresenta a classe B.
62
ESTUDO DE CASO – ANÁLISE DO DESEMPENHO TÉRMICO DE UM EDIFÍCIO DE
HABITAÇÃO REABILITADO DE ACORDO COM O DL 101-D/2020
Neste capítulo, uma vez que o edifício em estudo já foi totalmente descrito no capítulo anterior, vamos
focar nas exigências alteradas com a entrada em vigor da nova legislação a 1 de julho do corrente ano.
Na tentativa de a intervenção tentar respeitar o mais possível as características deste edifício de caráter
rural, mantiveram-se as fachadas inteiramente em alvenaria de pedra granito e a cobertura de ripado em
madeira e telha rústica. Uma vez que não está previsto qualquer tipo de aumento para piso superior e a
supressão de muitas paredes interiores, as fundações do corpo principal serão utilizadas e apenas se
realizarão novas fundações no corpo onde será necessário a execução de paredes exteriores e pilares em
betão armado.
Neste subcapítulo, uma vez que não houve alteração da Lei para o zonamento climático, vamos trabalhar
com os dados aferidos no capítulo anterior.
Na nova legislação, o parâmetro de redução de perdas passa a designar-se por bztu, mas a metodologia
de cálculo utilizada anteriormente para a determinação do coeficiente btr, mantem-se inalterada. Na
nova legislação também passam a estar definidas as cores que devem ser utilizadas na marcação das
envolventes. Note-se que permanecem todas iguais com exceção da envolvente em contacto com o solo
que passa a ter esta definição, deixará de estar incluída na envolvente sem requisitos e deverá ser
marcada com a cor ciano (0,255,255).
Uma vez que no edifício em causa não existem espaços não úteis, apenas teremos envolvente exterior e
envolvente em contato com o solo, pelo que apenas a cor desta última envolvente será alterada.
63
Capítulo 4
O presente edifício é constituído por uma única fração para habitação, para se avaliar o respetivo
comportamento térmico do edifício temos que analisar o edifício como um todo.
Analisando os espaços interiores previstos no projeto de arquitetura deste edifício e de acordo com o
despacho n.º 6476-H/2021, a envolvente poderá ser:
64
ESTUDO DE CASO – NOVA LEGISLAÇÃO
As soluções construtivas a implementar deverão obedecer aos requisitos definidos na legislação em vigor
à data do processo de licenciamento na respetiva Câmara Municipal.
Estas verificações devem ser aplicadas aos elementos da envolvente e à taxa de renovação de ar. Neste
subcapítulo serão apresentadas as verificações relativas aos elementos construtivos da envolvente.
Os edifícios localizados na zona climática I2, têm soluções construtivas adotadas para os elementos da
envolvente opaca em zona corrente não podem superar aos valores apresentados na seguinte figura 4.2,
Tabela 1:
Figura 4.2 – Quadro de Umáx para elementos da envolvente opaca (Portaria 138-I/2021, 1 de julho)
65
Capítulo 4
Seguidamente a figura 4.3, compara os fatores Umáx de elementos verticais e horizontais diretamente, a
Lei antiga com a nova:
66
ESTUDO DE CASO – NOVA LEGISLAÇÃO
Upext:
𝑈𝑝𝑒𝑥𝑡 = 1,12 [W/(m². ᵒC)] ≤ Umáx = 0,40 [W/(m². ᵒC)] → Não Verifica!
Uma vez que a solução não verifica, propomos uma alteração na tentativa de uniformalizar todo o aspeto
exterior da habitação com a colocação de um sistema ETICS com 10 cm na parte exterior das referidas
paredes em pedra:
1
𝑈𝑝𝑒𝑥𝑡 = 3.67
= 0,27 [W/(m². ᵒC)] ≤ Umáx = 0,40 [W/(m². ᵒC)] Verifica !
67
Capítulo 4
Upext:
1
𝑈𝑝𝑒𝑥𝑡 = = 0,33 [W/(m². ᵒC)] ≤ Umáx = 0,40 [W/(m². ᵒC)] → Verifica!
2,98
Upext:
1
𝑈𝑝𝑒𝑥𝑡 = 3,88 = 0,26 [W/(m². ᵒC)] ≤ Umáx = 0,40 [W/(m². ᵒC)] → Verifica!
− Cobertura inclinada
68
ESTUDO DE CASO – NOVA LEGISLAÇÃO
Ucext:
1
𝑈𝑐𝑒𝑥𝑡 = = 0,32 [W/(m². ᵒC)] ≤ Umáx = 0,35 [W/(m². ᵒC)] → Verifica!
3,10
− Pavimento térreo
4.3.2 Envidraçados
Os envidraçados continuam a dever verificar dois tipos de requisitos mínimos. O relativo ao seu
coeficiente de transmissão térmica superficial, Uwdn, e outro relativo ao seu fator solar. A primeira
verificação procura evitar elevadas perdas de energia pelos envidraçados, na estação de aquecimento, e
segunda verificação pretende diminuir o sobreaquecimento devido aos ganhos solares pelos
envidraçados, na estação de arrefecimento.
69
Capítulo 4
Figura 4.10 - Quadro de Uw,máx para elementos da envolvente envidraçada (Portaria 138-I/2021, 1 de
julho)
70
ESTUDO DE CASO – NOVA LEGISLAÇÃO
De acordo com a portaria 138-I/2021, segundo a razão entre a área do envidraçado e a área do
compartimento, são tirados os respetivos fatores solares que multiplicados aos fatores de
sombreamentos verticais e horizontais, verifica-se o fator solar máximo, no caso do edifício em estudo,
apenas existem elementos de sombreamento verticais.
Conforme se pode verificar na tabela anterior, os valores máximos admitidos para o fator solar, encontra-
se diretamente relacionados com a inércia e com a zona climática de verão onde se encontra o edifício.
Onde:
gtot – fator solar do vão envidraçado com os dispositivos de proteção totalmente ativados;
gTmax – fator solar máximo admissível dos vãos envidraçados com condições fronteira exterior ou interior
com ganhos solares;
0,15
𝑔𝑡𝑜𝑡 ∗ 𝐹0 ∗ 𝐹𝑓 ≤ 𝑔𝑡𝑜𝑡,𝑚𝑎𝑥 ∗ 𝑠𝑒𝑛𝑑𝑜 𝐴𝑒𝑛𝑣,𝑒𝑠𝑝𝑎ç𝑜 > 15% ∗ 𝐴𝑝𝑎𝑣 (4.13)
𝐴𝑒𝑛𝑣,𝑒𝑠𝑝𝑎ç𝑜
𝐴𝑝𝑎𝑣
71
Capítulo 4
Onde:
Aenv,espaço – Soma das áreas dos vãos envidraçados com condições fronteiras exterior ou interior com
ganhos solares que servem o espaço, com exceção dos vãos orientados no quadrante norte, inclusive
[m2];
Apav – Área útil de pavimento do espaço servido pelos vãos envidraçados [m2];
0,30
𝑔𝑡𝑜𝑡 ∗ 𝐹0 ∗ 𝐹𝑓 ≤ 𝑔𝑡𝑜𝑡,𝑚𝑎𝑥 ∗ 𝑠𝑒𝑛𝑑𝑜 𝐴𝑒𝑛𝑣,𝑓𝑎𝑐 > 30% ∗ 𝐴𝑓𝑎𝑐 (4.14)
𝐴𝑒𝑛𝑣,𝑓𝑎𝑐
𝐴𝑓𝑎𝑐
Onde,
Aenv,fac – Soma das áreas dos vãos envidraçados com condições fronteira exterior ou interior com ganhos
solares dos espaços interiores úteis por orientação, incluindo a horizontal [m2];
Afac – Soma das áreas da envolvente, vertical ou horizontal, com condições fronteira exterior ou interior
com ganhos solares dos espaços interiores úteis por orientação [m2];
− fator solar do vidro para incidência normal sem proteção, gtot,vci = 0,61;
𝑔𝑡𝑜𝑡,𝑣𝑐𝑖
𝑔𝑡𝑜𝑡 = 𝑔𝑡𝑜𝑡,𝑣𝑐,𝑜𝑝. ∗ (4.15)
0,75
0,61
𝑔𝑡𝑜𝑡 = 0,35 ∗ 0,75 = 0,28
Como se poderá constar no ponto seguinte, com a alteração proposta para a solução construtiva da
parede exterior, a inércia térmica deste edifício deixará de ser fraca e passará a ser média. Assim,
respetivamente o valor do fator 𝑔𝑡𝑜𝑡,𝑚𝑎𝑥 deixa de ser 0,10, passando a 0,56.
Tal como referido no ponto 3.3.2, os únicos envidraçados que necessitam de validar os seus requisitos na
estação de arrefecimento, são o do escritório (ve002) e o do WC (ve007).
72
ESTUDO DE CASO – NOVA LEGISLAÇÃO
0,15
𝐴𝑒𝑛𝑣,𝑒𝑠𝑝𝑎ç𝑜 > 15% 𝐴𝑝𝑎𝑣 𝑔𝑡𝑜𝑡 ∗ 𝐹0 ∗ 𝐹𝑓 ≤ 𝑔𝑡𝑜𝑡,𝑚𝑎𝑥 ∗
𝐴𝑒𝑛𝑣,𝑒𝑠𝑝𝑎ç𝑜
𝐴𝑝𝑎𝑣
0,15
• 0,28*0,88 = 0,25 ≤ 0,56 * 0,17 = 0,49 Verifica !
𝑔𝑡𝑜𝑡 ∗ 𝐹0 ∗ 𝐹𝑓 ≤ 𝑔𝑇𝑚á𝑥
Neste caso, não é necessário fazer nenhuma alteração nos envidraçados para conseguir cumprir as
exigências regulamentares.
A metodologia para quantificação da inércia térmica é exatamente a mesma. Neste caso, com a alteração
da solução construtiva da parede exterior, a inércia passa de fraca a média como se pode constatar na
seguinte tabela 4.1:
73
Capítulo 4
Msi Si Msi x Si x ri
Elemento da Construção ri
(kg/m²) (m²) (kg)
. Elementos El1
Paredes da envolvente (antiga) 150,00 1,00 160,15 24022,50
Paredes da envolvente (nova) 150,00 1,00 30,88 4632,00
Pilares (nova) 150,00 1,00 0,60 90,00
Cobertura inclinada 0,00 0,00 221,95 0,00
. Elementos El2
Paredes enterradas 0,00 0,00 23,40 0,00
Pavimento térreos 0,00 0,00 136,50 0,00
. Elementos El3
Pavimento interiores 300,00 0,50 27,78 4167,00
Paredes interiores de pedra 300,00 1,00 18,27 5481,48
Paredes interiores de betão 300,00 1,00 3,87 1161,60
Paredes interiores de alvenaria 150,00 1,00 44,40 6660,00
Total 46214,58
∕
Área útil de pavimento,
154,64
Ap
=
Massa superfícial útil por m² de Ap, It 298,84
Assim com a alteração da Inércia térmica, o 𝑔𝑇𝑚á𝑥 = 0,56 (tabela 2.2 - Capítulo 2).
No cálculo para a determinação do valor do coeficiente de transmissão térmica linear (ѱ), [W/(m.°C)]
edifício em estudo, usou-se a tabela 33 do despacho 6476-H/2012, que apresenta os mesmos valores dos
utilizados no anterior despacho.
É de salientar que apenas a parede exterior que teve necessidade de ser alterada, passando o isolamento
para o exterior, apresentará assim diferentes valores do seu coeficiente de transmissão linear.
Os valores dos coeficientes de transmissão térmica linear dependem do tipo de ligação a considerar e da
posição do isolante térmico na parede exterior, agora com esta nova situação. Os novos valores
associados às pontes térmicas lineares das paredes exteriores estão na seguinte tabela 4.2:
74
ESTUDO DE CASO – NOVA LEGISLAÇÃO
4.4.3 Ventilação
Como já referido a solução inicial para este edifício contempla vãos envidraçados em todos os
compartimentos, mas não existiam grelhas de admissão de ar nos compartimento principais, existindo
apenas condutas de evacuação em cada uma das instalações sanitárias.
A extração de fumos e gases da combustão do fogão e forno será feita pela grande saia de chaminé
existente na cozinha, elemento muito característico das construções antigas.
Assim, o edifício em estudo apresentava uma ventilação natural, com uma taxa de renovação de ar, Rph,
de 0,39 h-1e note-se que o valor obtido não cumpre os requisitos mínimos definidos na nova legislação
Rph = 0,50 h-1.
A proposta para passar a cumprir este novo valor da taxa de renovação de ar foi a necessidade de colocar
grelhas de ventilação natural nos quartos e na sala.
Este cálculo pode ser verificado no anexo III, na folha de calculo desenvolvida pelo LNEC, em que o novo
valor obtido reflete a utilização de grelhas de ventilação natural.
75
Capítulo 4
• Estação de aquecimento
• Estação de arrefecimento
𝑣 𝐿
𝑄𝑡𝑟,𝑣 = 𝐻𝑡𝑟,𝑣 ∗ (Ɵ𝑟𝑒𝑓,𝑣 − Ɵ𝑒𝑥𝑡,𝑣 ) ∗ 1000 [kWh/ano] (4.21)
Onde:
Qtr – Transferência de calor por transmissão através da envolvente do edifício na respetiva estação
[kWh/ano];
Htr – Coeficiente global de transferência de calor por Transmissão na respetiva estação [W/ᵒC];
• Estação de aquecimento
76
ESTUDO DE CASO – NOVA LEGISLAÇÃO
• Estação de arrefecimento
𝑣𝐿
𝑄𝑣𝑒,𝑣 = 𝐻𝑣𝑒,𝑣 ∗ (Ɵ𝑟𝑒𝑓,𝑣 − Ɵ𝑒𝑥𝑡,𝑣 ) ∗ 1000 [kWh/ano] (4.25)
Onde:
Hve – Coeficiente global de transferência de calor por ventilação na respetiva estação [W/ᵒC];
Conforme o despacho 6476-H/2021, recorremos à seguinte expressão numérica para o cálculo dos ganhos
de energia e ganhos internos na estação de aquecimento:
77
Capítulo 4
1−γi𝛼𝑖𝑡
Se γi ≠ 1 e γi > 0 ηi = (4.29)
1−γi𝛼𝑖𝑡 +1
𝛼𝑖𝑡
Se γi =1 ηi = 𝛼 (4.30)
𝑖𝑡 +1
1
Se γi < 0 ηi = γi (4.31)
O parâmetro αit, na estação de aquecimento, verifica-se por comparação direta recorrendo à seguinte
tabela:
αit
Inércia Térmica
[W/ᵒC]
Fraca 1,8
Média 2,6
Forte 4,2
𝑄𝑔,𝑖
γi = ⁄(𝑄 + 𝑄 ) (4.32)
𝑡𝑟,𝑖 𝑣𝑒,𝑖
1−0,261,8
ηi = 1−0,261,8+1 = 0,9329
78
ESTUDO DE CASO – NOVA LEGISLAÇÃO
Conforme o despacho 6476-H/2021, verifica-se os ganhos solares resultantes da radiação solar incidente
na envolvente opaca e envidraçada, na estação de arrefecimento, com recurso à seguinte expressão de
cálculo:
𝐿𝑣
𝑄𝑖𝑛𝑡,𝑣 = 𝑞𝑖𝑛𝑡 ∗ 𝐴𝑝 ∗ [𝑘𝑊ℎ/𝑎𝑛𝑜] (4.34)
1000
2928
𝑄𝑖𝑛𝑡,𝑣 = 4 ∗ 154,6 ∗ = 1810,68 𝑘𝑊ℎ/𝑎𝑛𝑜
1000
4.8 EQUIPAMENTOS
No edifício em estudo, foi previsto o mesmo equipamento de ar condicionado, tanto para a estação de
aquecimento como a estação de arrefecimento. Conforme o despacho 6476-H/2021 e a norma EN 1485,
utiliza-se os seguintes valores facultados pelo fabricante para a determinação da energia primária:
Eficiências sazonais:
• SCOP - 4,24
• SEER - 5.63
Eficiências nominais:
• COP – 4,00
• EER – 3,77
79
Capítulo 4
É de salientar que atualmente deixaram de existir requisitos mínimos para as eficiências dos
equipamentos de climatização.
Onde:
E – Eficiência nominal do sistema produtor ou, no caso de sistema do tipo bomba de calor e quando
disponível , eficiência sazonal (E = 0,90);
Feh – Fator de eficiência hídrica aplicável a chuveiros com certificação e rotulagem de eficiência hídrica da
responsabilidade de uma entidade independente reconhecida (feh = 1,00):
80
ESTUDO DE CASO – NOVA LEGISLAÇÃO
No edifício em estudo, encontra-se previsto a instalação de um painel coletor solar térmico plano Baxi sol
259 de 2,50 m² de área de exposição solar, com uma produção de 2123,20 W (Eren), para auxiliar no
aquecimento de AQS e assim minimizar o consumo de energia gasto pelo equipamento de aquecimento
de água.
𝐸𝑟𝑒𝑛,𝑝
∑𝑝
𝐴𝑝 ∗ 𝐹𝑝𝑢,𝑝
𝑅𝑒𝑛𝐻𝑎𝑏 = (4.38)
𝑓𝑎,𝑘 ∗ 𝑄𝑎
⁄𝐴
𝑝
∑𝑗 (∑𝑘 ) ∗ 𝐹𝑝𝑢,𝑗
𝜂𝑘
2123,20
∗ 2,5
154,60
𝑅𝑒𝑛𝐻𝑎𝑏 = = 0,43
4457,41
154,60
0,91 ∗ 2,5
Importa salientar que este indicador dá-nos uma real quantificação da energia produzida pelo sistema
implementado no edifício, neste caso, significa que a solução a implementar apenas vai produzir 43% de
energia renovável para consumo habitacional, a nova legislação impõe pelo menos 50%, pelo que se
optou pela colocação de um segundo painel.
4246,40
∗ 2,5
154,60
𝑅𝑒𝑛𝐻𝑎𝑏 = = 0,86
4457,41
154,60
0,91 ∗ 2,5
Verifica-se agora com dois painéis, a energia renovável produzida é agora de 86%, claramente superior a
50%.
Onde:
Eren,p – Energia produzida a partir de fontes de energia renovável p destinada a autoconsumo nos usos
regulares do edifício [kWh/ano];
81
Capítulo 4
Fa,k – Parcela das necessidades de energia útil para preparação de AQS suprimidas pelo sistema k para a
fonte de energia j ;
ηk – Eficiência do sistema k para a fonte de energia j, corresponde ao respetivo valor de EDEE, assumindo
o valor de 1, no caso dos sistemas de cogeração ou trigeração e de sistemas que recorram a fontes de
energia renovável, com exceção de sistemas de queima de biomassa sólida. Na ausência do isolamento
térmico na rede de distribuição de água quente para aquecimento ambiente ou para preparação de AQS
que assegure uma resistência térmica de, pelo menos, 0,25 (m2.ᵒC)/W, a eficiência dos respetivos sistemas
técnicos deve ser multiplicada por 0,9;
Fpu, j - Fator de conversão de energia final para a energia primária para a fonte de energia j, incluindo
renovável [kWhEP/kWh];
Fpu,p - Fator de conversão de energia final para energia primária para a fonte de energia renovável p
[kWhEP/kWh].
O edifício em estudo, com a aplicação da nova legislação, vai ter necessidades energéticas muito pouco
diferentes da análise com a legislação anterior. Todos os cálculos de necessidades energéticas para
aquecimento, arrefecimento e energia primária serão apresentados nos anexos.
A presente reabilitação é considerada como uma grande reabilitação de um edifício anterior a 1960, pois
é uma construção original e é dos finais do século XIX. Na legislação em vigor, as razões entre valores de
calculo e os valores máximos devem estar compreendidas nos valores constantes na tabela 2.2 - Capítulo
2 (página 17) .
82
ESTUDO DE CASO – NOVA LEGISLAÇÃO
Uma vez que o edifício em estudo é muito anterior a 1960, pelo que não se aplica qualquer limite aos dois
primeiros rácios. No caso do rácio RNT = 0,77 verificando-se a imposição legislativa de ≤ 1,50 , classificando
assim o edifício em estudo de classe B.
Nesse sentido houve a necessidade de melhoria da parede exterior em pedra de granito que com a
aplicação de uma sistema de ETICS, verificou-se uma melhoria substancial da inércia térmica da fração,
passando de fraca para média, e assim passou a verificar os parâmetros de Umáx da paredes exterior e o
fator solar de sombreamento nos envidraçados.
A ventilação do edifício, uma vez que não verificava na Legislação anterior, apenas as condutas de ar
previstas nas casas de banho e cozinha, tivemos que introduzir umas grelhas de ventilação nas caixilharias
dos envidraçados nos quartos e sala, para cumprir o valor da taxa de renovação de ar que passou a ser
de 0,50 h-1.
Na tentativa de otimização desta reabilitação, verifica-se que apenas se poderia mexer na espessura do
isolante das paredes de pedra e bloco térmico, ambas soluções com 6 cm de EPS e que respetivamente
teriam um Umáx de 0,39 e 0,35.
No desempenho térmico do edifício, verifica-se que com a alteração da legislação, houve um ligeiro
aumento no rácio Nic/Ni passando de 1,24 para 1,25 para a estação de aquecimento, no entanto nota-se
uma notável melhoria na estação de arrefecimento onde se verifica no rácio Nvc/NV passando de 0,56 para
0,49, após as alterações propostas devidamente implementadas.
83
Capítulo 4
Nic Ni Nvc Nv
Legislação Nic / Ni Nvc / Nv
[kWh/(m².ano)] [kWh/(m².ano)] [kWh/(m².ano)] [kWh/(m².ano)]
No Desempenho energético do edifício, verifica-se que que a energia produzida com base em fontes
renováveis mantém-se com uma produção anual de 2123,20 W, no entanto nota-se um ligeiro aumento
energético no rácio 0,75 para 0,77, após as alterações propostas devidamente implementadas.
Para fazer face a estas novas alterações de exigências na nova legislação, teremos de contar com um
sobrecusto face ao orçamento inicial.
84
ESTUDO DE CASO – NOVA LEGISLAÇÃO
Teremos um total:
Apurado o sobrecusto para verificar o edifício segundo a nova legislação, vemo-nos na necessidade de
comparação entre solução construída e solução proposta que podem ser verificadas na seguinte figura
4.13:
Segundo a presente análise, verifica-se que o edifício para cumprir a nova legislação, na estação de
inverno, vai necessitar de mais 2589,55 kWh/ano para garantir uma temperatura interior de 18 ºC, por
outro lado na estação de arrefecimento, vamos ter um ganho energético de 112,86 kWh/ano.
Referentemente às necessidades energéticas AQS, teve-se que aplicar um segundo painel solar para
aquecimento das águas quentes sanitárias (AQS) , pois a nova legislação impõe que todas as novas e/ou
reabilitações sejam munidas com pelo menos 50% de energia renovável, assim sendo, obtivemos um
diferencial de 2123,20 kWh/ano, que teremos de recorrer ao termoacumulador para equilibrar essa
energia.
Em termos energéticos, vamos ter um aumento de consumo de energia de 353,49 kWh/ano que
convertido em face monetária será de 53,41 € de gasto a mais por ano.
A somar a tudo isto, temos o investimento das alterações da envolvente e painel coletor solar num total
de 5.804,55€.
85
CONSIDERAÇÕES FINAIS
5.1 CONCLUSÕES
Na presente dissertação, houve o cuidado de preservar o mais original possível do imóvel, devido a tratar-
se de uma habitação centenária e de acordo com o proprietário. Neste contexto, estabeleceu-se algumas
conclusões que serão tipificadas nos seguintes pontos:
• A ventilação é fundamental para propiciar uma correta utilização do espaço com o devido
conforto, equilibrar a devida taxa de renovação de ar em ambas estações e minimizar a
ocorrência de condensações.
• É necessário consciencializar que na reabilitação todas as soluções têm que ser racionais
e otimizadas pelo que um investimento inicial, reporta uma redução substancial nos
gastos mensais energéticos.
A sustentabilidade na construção tem muita importância, pois acarreta responsabilidade que nos afeta a
todos, reduzir a produção de RCD, desperdício de materiais, combustível e energia.
86
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Presentemente encontramo-nos na intensão de cumprir com as metas assumidas para 2050 e reduzir
até 95% de emissão dos gases de efeito estufa.
Este desafio de grande ambição, leva a que a humanidade contrarie o que tem vindo a libertar até
então, mas como é característico face às evidencias, a Humanidade muda e vamos conseguir assegurar a
sustentabilidade do nosso planeta.
➢ Estará a reabilitação a ser devidamente encarada como uma forma de melhoria de desempenho
energético e consequentemente uma verdadeira diminuição dos consumos?
• Custo – benefício?
Com uma correta definição, passamos todos a ter responsabilidade técnica, económica e de
sustentabilidade na construção civil.
87
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
− Decreto-Lei n.º 101-D/2020. Diário da República, 1.ª série – N.º 237 – 07 de dezembro de 2020.
Pp 7-(21) a 7-(45);
− Decreto-Lei n.º 118/2013. Diário da República, 1.ª série – N.º 159 – 20 de agosto de 2013. Pp 4988
a 5005;
− Decreto-Lei n.º 64/2020. Diário da República, 1.ª série – N.º 177 – 10 de setembro de 2020. Pp 2
a 10;
− Decreto-Lei n.º 95/2019. Diário da República, 1.ª série – N.º 136 – 18 de julho de 2019. Pp 35 a
45;
− Despacho (extrato) n.º 15793-D/2013. Diário da República, 2.ª série – N.º 234 – 03 de dezembro
de 2013. Pp35088-(13);
− Despacho (extrato) 15793-I/2013. Diário da República, 2.ª série – N.º 234 – 03 de dezembro de
2013. Pp 35088-(41) a 35088-(54);
− Despacho (extrato) 15793-J/2013. Diário da República, 2.ª série – N.º 234 – 03 de dezembro de
2013. Pp 35088-(55) a 35088-(57);
− Despacho (extrato) 15793-K/2013. Diário da República, 2.ª série – N.º 234 – 03 de dezembro de
2013. Pp. 35088 – (58) a 35088-(87);
− Despacho n.º 6476-E/2021. Diário da República, 2.ª série (PARTE C) – N.º 126 – 01 de julho de
2021. Pp 330-(30) a 330-(32);
− Despacho n.º 6476-H/2021. Diário de República, 2.ª série (PARTE C) – N.º 126 – 01 de julho de
2021. Pp 330-(66) a 330-(316);
89
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
− Gomes, João Pedro Coelho. Dissertação mestrado: Análise das alterações ao DL 118/2013
ocorridas a 01/01/2016 – Benefício Energético, Instituto Superior de Engenharia do Porto, 2016;
− LNEC, Carlos A. Pina dos Santos (Investigador principal, LNEC); Luís Matias (Assistente de
investigação, LNEC). ITE 50 – Coeficientes de Transmissão Térmica de Elementos da Envolvente
dos Edifícios, Lisboa: LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil, 2006;
− Maia, Eliana Sofia da Costa. Dissertação mestrado: Análise do desempenho térmico de soluções
construtivas na reabilitação de edifícios de habitação, Instituto Superior de Engenharia do Porto,
2018;
− Manual técnico para a Avaliação do Desempenho Energético dos Edifícios (SCE) (ADENE) , Direção-
Geral de Energia e Geologia. Pp 1 a 262;
− Portaria n.º 138-I/2021. Diário da República, 1.ª série – N.º 126 – 01 de julho de 2021. Pp 128-(12)
a 128-(53);
− Portaria n.º 208/2020. Diário da República, 1.ª série – N.º 170 – 01 de setembro de 2020. Pp 3 a
10;
− Portaria n.º 297/2019. Diário da República, 1.ª série – N.º 172 – 09 de setembro de 2019. Pp 198
a 202;
− Portaria n.º 303/2019. Diário da República, 1.ª série – N.º 175 – 12 de setembro de 2019. Pp 135
a 136;
− Portaria n.º 319/2016. Diário da República, 1.ª série – N.º 239 – 15 de dezembro de 2016. Pp 4723
a 4725;
− Portaria n.º 349-A/2013. Diário da República, 1.ª série – N.º 232 – 29 de novembro de 2013. Pp
6624-(13) a 6624-(17);
− Portaria n.º 98/2019. Diário da República, 1.ª série – N.º 65 – 02 de abril de 2019. Pp 1816 a 1818;
90
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
91
92
ANEXO I – ÁREAS E DIMENÇÕES
Área
Compartimento
(m2)
Cozinha 17,0
wc 2,3
Sala 58,0
wc 6,3
Quarto 11,0
Escritório 6,0
wc 4,0
Quarto 16,0
Quarto 18,0
Escadas 3,8
Corredores 12,3
TOTAL 154,6
Área
Compartimentos
(m2)
Adega 72,0
Zona técnica 14,0
- Altura de pé direito
93
Pé direito = 3,14 m
- Envolvente interior
- Envolvente exterior
Área
Elementos orientação Compartimento Descrição
(m2)
N Cozinha 2,00*1,32+1,60*0,80 3,92
N Sala 2,00*4,00+2,00*1,06+1,12*1,06+2,00*1,00 13,31
N Quartos 1,91*1,11+1,10*4,56+1,10*1,16 8,41
N wc 1,10*0,60 0,66
S Cozinha 1,15*1,42 1,63
S wc 0,80*0,52 0,42
envidraçados
S Sala 0,80*0,52+1,10*0,60+0,20*0,54+1,00*0,80 1,98
S wc 0,40*1,20 0,48
W Cozinha 1,60*0,80 1,28
W Sala 2,00*3,00 6,00
W Quartos 1,20*0,85+1,10*1,61+1,10*1,28 4,20
TOTAL 42,29
N Quartos 3*0,20*0,20*2,50 0,30
pilares
S Quartos 3*0,20*0,20*2,50 0,30
L= 0,20 m
TOTAL 0,60
N Cozinha 5,85*1,66+3,39*2,28-(3,92) 13,52
parede exterior
N Sala 15,19*2,62-(13,31) 26,49
94
ANEXO I
95
ANEXO II – CARATERIZAÇÃO DAS SOLUÇÕES CONSTRUTIVAS
96
ANEXO II
97
ANEXO II
Caixilharia
Pavimento Térreo
98
ANEXO III – RENOVAÇÃO DE AR
99
ANEXO III
2. Permeabilidade ao ar da envolvente
Foi medido valor n50 Não
Valor n50 medido (h-1) 1
Para cada Vão (janela/porta) ou grupo de vãos: Janelas
Área dos vãos (m2) 42,29
Classe de permeabilidade ao ar caix (janelas/portas) 3
Permeabilidade ao ar das caixas de estore Não tem
4. Condutas de ventilação natural, condutas com exaustores/ventax que não obturam o escoamento de ar pela conduta
Condutas de ventilação natural sem obstruções significativas
(por exemplo,consideram-se obstruções significativas
exaustores com filtros que anulam escoamento de ar natural
para a conduta) Sim Não Não Não
Escoamento de ar Exaustão Exaustão Exaustão Exaustão
Perda de carga Média Baixa Média Média
Altura da conduta (m) 3 3 3 3
Cobertura Inclinada (>30º) Inclinada (>30º) Inclinada (>30º) Inclinada (>30º)
Número de condutas semelhantes 3 1 1 1
8. Resultados
8.1 - Balanço de Energia - Edifício ok
Rph,i (h-1) - Aquecimento 0,40 Situação de ventilação natural
bve,i (1-recuperação de calor) 100% Caudal de ventilação natural: Valor método prescritivo
Rph,v (h-1) - Arrefecimento 0,60
bve,v (1-recuperação de calor) 0%
Wvm (kWh) 0,0
100
ANEXO III
2. Permeabilidade ao ar da envolvente
Foi medido valor n50 Não
Valor n50 medido (h-1) 1
Para cada Vão (janela/porta) ou grupo de vãos: Janelas
Área dos vãos (m2) 42,29
Classe de permeabilidade ao ar caix (janelas/portas) 3
Permeabilidade ao ar das caixas de estore Não tem
4. Condutas de ventilação natural, condutas com exaustores/ventax que não obturam o escoamento de ar pela conduta
Condutas de ventilação natural sem obstruções significativas
(por exemplo,consideram-se obstruções significativas
exaustores com filtros que anulam escoamento de ar natural
para a conduta) Sim Não Não Não
Escoamento de ar Exaustão Exaustão Exaustão Exaustão
Perda de carga Média Baixa Média Média
Altura da conduta (m) 3 3 3 3
Cobertura Inclinada (>30º) Inclinada (>30º) Inclinada (>30º) Inclinada (>30º)
Número de condutas semelhantes 3 1 1 1
8. Resultados
8.1 - Balanço de Energia - Edifício ok
Rph,i (h-1) - Aquecimento 0,50 Situação de ventilação natural
bve,i (1-recuperação de calor) 100% Caudal de ventilação natural: Valor método prescritivo
Rph,v (h-1) - Arrefecimento 0,60
bve,v (1-recuperação de calor) 0%
Wvm (kWh) 0,0
101
ANEXO IV – FOLHAS DE CALCULO
102
ANEXO IV
DADOS CLIMÁTICOS
Zref: 320 m
Isol kWh/m2
N 220 NE 350 E 490 SE 490 S 425
103
ANEXO IV
Envidraçado - Uw
104
ANEXO IV
Área U U.A
Paredes Exteriores
(m2) (W/(m2.ºC)) (W/ºC)
Cozinha (N) 13,52 1,12 15,14
Sala (N) 26,49 1,12 29,67
Quarto (N) 35,77 1,12 40,06
Cozinha (W) 8,76 1,12 9,82
Sala (W) 11,30 1,12 12,66
Quartos (W) 19,41 0,33 6,41
Cozinha (S) 21,12 1,12 23,65
Wc + Sala (S) 36,23 1,12 40,58
Quartos (S) 11,46 0,33 3,78
Cozinha (E) 6,96 1,12 7,79
Pilares (N) 0,30 0,33 0,10
Pilares (S) 0,30 0,33 0,10
191,63 TOTAL 189,76
Área U U.A
Coberturas Exteriores
(m2) (W/(m2.ºC)) (W/ºC)
Cobertura total inclinada 221,95 0,32 71,02
221,95 TOTAL 71,02
Área U U.A
Vãos envidraçados exteriores
(m2) (W/(m2.ºC)) (W/ºC)
Cozinha (N) 3,92 1,23 4,82
Sala (N) 13,31 1,23 16,37
Quartos (N) 8,41 1,23 10,35
wc (N) 0,66 1,23 0,81
Cozinha (S) 1,63 1,23 2,01
wc (S) 0,42 1,23 0,51
Sala (S) 1,98 1,23 2,44
wc (S) 0,48 1,23 0,59
Cozinha (W) 1,28 1,23 1,57
Sala (W) 6,00 1,23 7,38
Quartos (W) 4,20 1,23 5,16
42,29 TOTAL 52,02
105
ANEXO IV
Inercia Térmica - It
Msi Si Msi x Si x ri
Elemento da Construção ri
(kg/m²) (m²) (kg)
. Elementos El1
Paredes da envolvente (antiga) 0,00 0,00 160,15 0,00
Paredes da envolvente (nova) 150,00 1,00 30,88 4632,00
Pilares (nova) 150,00 1,00 0,60 90,00
Cobertura inclinada 0,00 0,00 221,95 0,00
. Elementos El2
Paredes enterradas 0,00 0,00 23,40 0,00
Pavimento térreos 0,00 0,00 136,50 0,00
. Elementos El3
Pavimento interiores 300,00 0,50 27,78 4167,00
Paredes interiores de pedra 300,00 1,00 18,27 5481,48
Paredes interiores de betão 300,00 1,00 3,87 1161,60
Paredes interiores de alvenaria 150,00 1,00 44,40 6660,00
Total 22192,08
∕
Área útil de pavimento, Ap 154,64
=
Massa superfícial útil por m² de Ap, It 143,50
106
ANEXO IV
0 TOTAL 0,00
0 TOTAL 0,00
0 TOTAL 0,00
0 TOTAL 0,00
0 TOTAL 0,00
0 TOTAL 0,00
107
ANEXO IV
Volume 485,44
x
Taxa de Renovação Nominal 0,39 Ver folha do LNEC
x
Recuperador de calor? Sim - bve= 0 1,00 (1-bve)
x
0,34
Hve- Coeficiente de transferência de calor por ventilação =
da Fracção Autónoma TOTAL 64,37 (W/ºC)
108
ANEXO IV
Ganhos Solares:
Factor de Factor de Fracção Factor de Área
Designação do vão Tipo (S-simples Área A Factor Solar
Orientação orientação Obstrução Fs (-) Envidraçada Sel. Angular Efectiva
envidraçado ou D-duplo) (m²) do vidro g (-)
X (-) [Link] Fg (-) Fw (-) Ae (m²)
N ve001 D 2,12 0,27 0,35 1,00 0,70 0,90 0,13
W ve002 D 1,02 0,56 0,35 0,76 0,70 0,90 0,10
N ve003 D 0,66 0,27 0,35 1,00 0,70 0,90 0,04
N ve004 D 5,02 0,27 0,35 1,00 0,70 0,90 0,30
N ve005 D 1,28 0,27 0,35 1,00 0,70 0,90 0,08
W ve005 D 1,77 0,56 0,35 0,76 0,70 0,90 0,17
W ve006 D 1,41 0,56 0,35 0,76 0,70 0,90 0,13
S ve007 D 0,48 1,00 0,35 0,81 0,70 0,90 0,09
N ve102 D 2,64 0,27 0,35 1,00 0,70 0,90 0,16
N ve103 D 1,28 0,27 0,35 1,00 0,70 0,90 0,08
N ve104 D 8,00 0,27 0,35 1,00 0,70 0,90 0,48
N ve105 D 2,12 0,27 0,35 1,00 0,70 0,90 0,13
N ve106 D 1,19 0,27 0,35 1,00 0,70 0,90 0,07
N ve107 D 2,00 0,27 0,35 1,00 0,70 0,90 0,12
W ve107 D 6,00 0,56 0,35 0,76 0,70 0,90 0,56
S ve108 D 0,80 1,00 0,35 0,81 0,70 0,90 0,14
S ve109 D 0,11 1,00 0,35 0,81 0,70 0,90 0,02
S ve110 D 0,66 1,00 0,35 0,81 0,70 0,90 0,12
S ve111 D 0,42 1,00 0,35 0,81 0,70 0,90 0,07
S ve112 D 0,42 1,00 0,35 0,81 0,70 0,90 0,07
S ve113 D 1,63 1,00 0,35 0,81 0,70 0,90 0,29
W ve114 D 1,28 0,56 0,35 0,76 0,70 0,90 0,12
42,29
Área efectiva total equivalente na orientação Sul (m 2) 3,44
x
Radiação incidente num envidraçado a Sul (Gsul)
na zona I2 do Quadro III. 8 (Anexo III) - (kWh/m 2.mês) 135
x
Duração da estação de aquecimento - do Quadro III.1 (meses) 6,7
=
Gsol -Ganhos Solares Brutos (kWh/ano) 3114,51
Ganhos Internos
109
ANEXO IV
Uref A Uref.A
(W/m2.ºC) m2 (W/ºC)
Paredes exteriores 0,40 203,00 81,20
Coberturas exteriores 0,35 221,95 77,68
Pavimentos exteriores 0,00 0,00
Envidraçados exteriores Aenv > 0,2*Ap 2,40 30,92 74,21
42,2913 30,92 0,00 0,00
Yref B Yref.B
Pontes térmicas lineares (W/m.ºC) (m) (W/ºC)
Restantes 0,50 158,87 79,44
Parede exterior/parede exterior 0,40 51,99 20,80
Parede exterior/caixilharia 0,20 110,18 22,04
TOTAL 321,04 122,27
(Hexts + Hecs)ref- Coeficiente de transferência de calor para EXT e ECS
da Fracção Autónoma (W/ºC) TOTAL 435,36
0.34*V*Rp
Perdas por renovação de ar Rph,i Req. Rph,i ref V
h,iref
Hvent = 0,39 ≤0,6 0,60 485,44 64,37
110
ANEXO IV
Nic/Ni = 124,18%
111
ANEXO IV
112
ANEXO IV
Designação Parede - N Parede - N Pilares - N Parede - W Parede - W Parede - S Parede - S Pilares - S Parede - E Cobertura
Orientação N N N W W S S S E H
Área, A (m 2) 40,01 35,77 0,30 20,07 19,41 57,35 11,46 0,30 6,96 221,95
x x x x x x x x x x
U (W/m 2ºC) 1,12 0,33 0,33 1,12 0,33 1,12 0,33 0,33 1,12 0,35
x x x x x x x x x x
Coeficiente de absorção, α 0,4 0,4 0,4 0,4 0,4 0,4 0,4 0,4 0,4 0,4
x x x x x x x x x x
factor F - fachadas ou cob. Vent. 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
x x x x x x x x x x
Ir (kWh/m 2) 220 220 220 490 490 425 425 425 490 785
x x x x x x x x x x
Rse(m 2.ºC/W) 0,04 0,04 0,04 0,04 0,04 0,04 0,04 0,04 0,04 0,04
x x x x x x x x x x
Factor de sombreamento - opcional 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0
= = = = = = = = = =
G. Sol. Envolvente Opaca Ex. 157,73 41,55 0,35 176,22 50,22 436,80 25,73 0,67 61,08 975,69 950,35
113
ANEXO IV
Orientação N S W
Designação do envidraçado
Orientação
Área, A (m 2)
Fracção envidraçada, Fg
gv, int
gv ENU
Factor de obstrução, Fs
x x x
Int. de rad. solar na estação de arrefec.(kWh/m 2)
TOTAL
Ganhos Solares pelos Vãos Envidraçados Exteriores 0,00 0,00 0,00 0,00 (KWh)
114
ANEXO IV
Ganhos Internos
2,928
115
ANEXO IV
/
Δθ = (25-θext,v) = 3,42
Perdas Térmicas Totais 6894,20 (kWh)
Δθ > 1 ηref = 0.52+0.22*ln(Δq) = 0,791
=
0 < Δθ ≤ 1 ηref = 0,450
γ = Ganhos/Perdas γ= 0,635
Δθ ≤ 0 ηref = 0,300
Inércia do edifício Fraca
(In. Fraca=1,8; In. Média=2,6; In. Forte=4,2)
a= 1,8
1 1
- -
Factor de utilização dos ganhos, η 0,776 Factor de utilização dos ganhos, ηref 0,791
= =
0,224 0,209
x x
Ganhos Térmicos Totais 4379,65 (kWh) Ganhos Térmicos Totais de ref 8325,52 (kWh)
(qint x 2.928 + 0.43 x 0.2 x Isol,ref) x Ap
= =
Necessidades Brutas de Arrefecimento 981,39 (kWh/ano) Necessidades Brutas de Arrefecimento 1744,02 (kWh/ano)
/ /
= =
Necessidades Nominais de Arrefecimento - Nvc 6,35 (kWh/(m [Link])) Necessidades Nominais de Arref. Máximas - Nv 11,28 (kWh/(m [Link]))
Verifica O.K.
116
ANEXO IV
Nº de ocupantes 5
Equipamentos de Referência
Sistema para
Sistemas por defeito eletricidade 2,5 3,41
aquecimento
Sistema para
Sistemas por defeito Fonte de energia eletricidade FPU 2,5 η 3,01
arrefecimento
Ntc Nt
Nic= 112,87 Fpu= 2,5 4,00 Ni= 90,89 Fpu= 2,50 n= 3,41
0 η= 0,00
0 0,00
Nvc= 6,35 Fpu= 2,5 3,77 Nv= 11,28 Fpu= 2,50 n= 3,01
η=
0 0,00
52% Qa= 4457,41 Fpu= 2,5 0,91 Qa= 4457,41 Fpu= 2,50 n= 0,91
η=
0 0,00
Wvm= 0 Fpu= 2,5 1,00
η=
Se η > ηref δ= 0
48% Eren= 2123,20 Fpu= 1
Se η ≤ ηref δ= 1
0,78 ≤ 0,79 δ= 1
Classe Energética B
117
ANEXO IV
118
ANEXO IV
Inercia Térmica - It
Msi Si Msi x Si x ri
Elemento da Construção ri
(kg/m²) (m²) (kg)
. Elementos El1
Paredes da envolvente (antiga) 150,00 1,00 160,15 24022,50
Paredes da envolvente (nova) 150,00 1,00 30,88 4632,00
Pilares (nova) 150,00 1,00 0,60 90,00
Cobertura inclinada 0,00 0,00 221,95 0,00
. Elementos El2
Paredes enterradas 0,00 0,00 23,40 0,00
Pavimento térreos 0,00 0,00 136,50 0,00
. Elementos El3
Pavimento interiores 300,00 0,50 27,78 4167,00
Paredes interiores de pedra 300,00 1,00 18,27 5481,48
Paredes interiores de betão 300,00 1,00 3,87 1161,60
Paredes interiores de alvenaria 150,00 1,00 44,40 6660,00
Total 46214,58
∕
Área útil de pavimento, Ap 154,64
=
Massa superfícial útil por m² de Ap, It 298,84
119
ANEXO IV
120
ANEXO IV
Uref A Uref.A
(W/m2.ºC) m2 (W/ºC)
Paredes exteriores 0,40 203,00 81,20
Coberturas exteriores 0,35 221,95 77,68
Pavimentos exteriores 0,00 0,00
Envidraçados exteriores Aenv > 0,2*Ap 2,40 30,92 74,21
42,2913 30,92 0,00 0,00
Yref B Yref.B
Pontes térmicas lineares (W/m.ºC) (m) (W/ºC)
Restantes 0,50 248,85 124,43
Parede exterior/parede exterior 0,40 70,85 28,34
Parede exterior/caixilharia 0,20 110,18 22,04
TOTAL 429,88 174,80
(Hexts + Hecs)ref- Coeficiente de transferência de calor para EXT e ECS
da Fracção Autónoma (W/ºC) TOTAL 487,89
0.34*V*Rp
Perdas por renovação de ar Rph,i Req. Rph,i ref V
h,iref
Hvent = 0,50 ≤0,6 0,60 485,44 82,53
121
ANEXO IV
Volume 485,44
x
Taxa de Renovação Nominal 0,50 Ver folha do LNEC
x
Recuperador de calor? Sim - bve= 0 1,00 (1-bve)
x
0,34
Hve- Coeficiente de transferência de calor por ventilação =
da Fracção Autónoma TOTAL 82,53 (W/ºC)
122
ANEXO IV
Nic/Ni = 124,87%
123
ANEXO IV
124
ANEXO IV
/
Δθ = (25-θext,v) = 3,42
Perdas Térmicas Totais 7645,52 (kWh)
Δθ > 1 ηref = 0.52+0.22*ln(Δq) = 0,791
=
0 < Δθ ≤ 1 ηref = 0,450
γ = Ganhos/Perdas γ= 0,573
Δθ ≤ 0 ηref = 0,300
Inércia do edifício Fraca
(In. Fraca=1,8; In. Média=2,6; In. Forte=4,2)
a= 1,8
1 1
- -
Factor de utilização dos ganhos, η 0,802 Factor de utilização dos ganhos, ηref 0,791
= =
0,198 0,209
x x
Ganhos Térmicos Totais 4379,65 (kWh) Ganhos Térmicos Totais de ref 8325,52 (kWh)
(qint x 2.928 + 0.43 x 0.2 x Isol,ref) x Ap
= =
Necessidades Brutas de Arrefecimento 868,83 (kWh/ano) Necessidades Brutas de Arrefecimento 1744,02 (kWh/ano)
/ /
= =
Necessidades Nominais de Arrefecimento - Nvc 5,62 (kWh/(m [Link])) Necessidades Nominais de Arref. Máximas - Nv 11,28 (kWh/(m [Link]))
Verifica O.K.
125
ANEXO IV
Nº de ocupantes 5
Equipamentos de Referência
Sistema para
Sistemas por defeito eletricidade 2,5 3,41
aquecimento
Sistema para
Sistemas por defeito Fonte de energia eletricidade FPU 2,5 η 3,01
arrefecimento
Ntc Nt
Nic= 133,69 Fpu= 2,5 4,00 Ni= 107,06 Fpu= 2,50 n= 3,41
0 η= 0,00
0 0,00
Nvc= 5,62 Fpu= 2,5 3,77 Nv= 11,28 Fpu= 2,50 n= 3,01
η=
0 0,00
Qa= 4457,41 Fpu= 2,5 0,91 Qa= 4457,41 Fpu= 2,50 n= 0,91
η=
0 0,00
Wvm= 0 Fpu= 2,5 1,00
η=
Se η > ηref δ= 0
Eren= 2123,20 Fpu= 1
Se η ≤ ηref δ= 1
0,80 ≤ 0,79 δ= 1
Classe Energética B
126
ANEXO V – FOLHA SCE (OPTIMIZAÇÃO|EDIFÍCIOS COM
NECESSIDADES QUASE NULAS DE ENERGIA)
127
ANEXO V
128
ANEXO V
129
ANEXO VI – FICHAS TÉCNICAS / DECLARAÇÃO DE DESEMPENHO
DOS PRODUTOS E EQUIPAMENTOS
130
ANEXO VI
131
132
ANEXO VI
133
134
ANEXO VI
135
136
ANEXO VI
137
138
ANEXO VI
139
140
ANEXO VI
141
142
ANEXO VI
143
144
ANEXO VI
145
146
ANEXO VI
147
148
ANEXO VI
149
150
ANEXO VI
151
152
ANEXO VI
153
154
ANEXO VI
155
156
ANEXO VI
157
158
ANEXO VI
159
160
ANEXO VI
161
162
ANEXO VI
163