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17

Mary correu para seu quarto após encontrar Dickon e ficou animada ao falar sobre ele com Martha. Martha menciona que o Sr. Craven deseja ver Mary, o que a deixa nervosa, pois ela acredita que ele não gosta dela. Quando Mary finalmente encontra o Sr. Craven, ela percebe que ele não é tão feio, mas sua expressão é preocupada e aborrecida.

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Mary correu para seu quarto após encontrar Dickon e ficou animada ao falar sobre ele com Martha. Martha menciona que o Sr. Craven deseja ver Mary, o que a deixa nervosa, pois ela acredita que ele não gosta dela. Quando Mary finalmente encontra o Sr. Craven, ela percebe que ele não é tão feio, mas sua expressão é preocupada e aborrecida.

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ary correu tão rápido que quase ficou sem fôlego ao chegar em seu quarto.

Seu cabelo estava grudado na testa e suas


bochechas estavam rosadas. A refeição a esperava na mesa e Martha estava perto dela. — Cê tá um pouco atrasada —
disse Martha. — Onde cê tava? — Estava com Dickon! — respondeu Mary. — Eu conheci Dickon! — Eu sabia que ele
viria — afirmou Martha exultante. — O que cê achou dele? — Eu achei… achei ele lindo! — confessou Mary com uma
voz determinada. Martha pareceu bastante surpresa, mas também satisfeita. — Bom — disse ela —, ele é o melhor
menino que existe, mas a gente nunca achou ele bonito. Aquele nariz é empinado demais. — Gosto dele empinado —
disse Mary. — E os olho dele são muito redondo — continuou Martha, um tanto duvidosa. — Mas a cor é bonita. — Eu
gosto deles redondos — insistiu Mary. — Eles são exatamente da cor do céu sobre a charneca. Martha sorriu de
satisfação. — A mãe diz que eles ficaram daquela cor porque ele olha muito pros pássaro e pras nuvem. Mas ele tem
uma boca grande, né? — Eu adoro sua boca grande — disse Mary, obstinada. — Eu queria ser como ele. Martha deu
uma risadinha deliciada. — Sua cara ia ficar esquisita e engraçada — brincou. — Mas eu sabia que ia ser assim quando
ocê o visse. O que cê achou das semente e das ferramenta de jardim? — Como você sabe que ele as trouxe? —
perguntou Mary. — Eita! Eu nunca pensei que ele num ia trazer. Ele certamente ia, se encontrasse em Yorkshire. Ele é
um menino de confiança. Mary temeu que ela começasse a fazer perguntas difíceis, mas não o fez. Martha estava muito
interessada nas sementes e ferramentas de jardinagem, e houve apenas um momento em que Mary ficou com medo.
Foi quando ela começou a perguntar onde as flores seriam plantadas. — Pra quem ocê pediu? — perguntou Martha. —
Ainda não pedi a ninguém — respondeu Mary, hesitante. — Bom, eu que num ia pedir pro jardineiro-chefe. Ele é muito
vaidoso, o sr. Roach. É sim. — Nunca o vi — disse Mary. — Só vi os ajudantes e Ben Weatherstaff. — Se eu fosse ocê,
perguntava pro Ben Weatherstaff — aconselhou Martha. — Ele não é tão ruim quanto parece, apesar de ser muito
ranzinza. O sr. Craven deixa ele fazer o que quiser porque ele tava aqui quando a sra. Craven era viva e fazia ela dar
risada. Ela gostava dele. Quem sabe ele encontra um canto pra ocê em algum lugar que não atrapalhe. — Se não
atrapalhar e ninguém quisesse o lugar, ninguém se importaria, não é? — disse Mary ansiosa. — Não vejo por quê —
respondeu Martha. — Cê não taria fazeno mal nenhum. Mary comeu o mais rápido que pôde e, quando se levantou da
mesa, ia correr para o quarto vestir o chapéu, mas Martha a impediu. — Tenho que te contar uma coisa — disse ela. —
Achei melhor deixar ocê almoçar primeiro. O sr. Craven voltou hoje cedo e acho que ele quer ver ocê. Mary ficou
bastante pálida. — Oh! Por quê? Por quê? Ele não queria me ver quando eu cheguei. Ouvi Pitcher dizer que não. — Bom
— explicou Martha —, a sra. Medlock disse que é por causa da mãe. Ela tava ino pra a vila de Thwaite e encontrou ele.
Ela nunca tinha falado com ele antes, mas a sra. Craven tinha ido no nosso chalé umas duas ou três vez. Ele tinha
esquecido, mas a mãe não, e ela se atreveu e falou com ele. Não sei o que ela disse sobre ocê, mas disse alguma coisa e
agora ele quer ver ocê antes de ir embora de novo, amanhã. — Oh! — exclamou Mary —, ele vai embora amanhã? Fico
muito feliz! — Vai ficar fora um bom tempo. Só vai voltar no outono ou no inverno. Vai viajar para uns lugar no
estrangeiro. Ele tá sempre fazeno isso. — Oh! Estou tão feliz! Tão feliz! — Mary sentiu-se aliviada. Se ele não voltasse
antes do inverno ou mesmo do outono, haveria tempo para ver o jardim secreto ganhar vida. Mesmo se então ele
descobrisse e o tirasse dela, pelo menos ela o teria por algum tempo. — Quando você acha que ele vai querer…? Não
terminou a frase, pois a porta se abriu e a sra. Medlock entrou. Ela estava com seu melhor vestido preto e boina, e sua
gola estava presa por um grande broche com a foto do rosto de um homem. Era uma fotografia colorida do sr. Medlock,
que morrera anos antes, e ela sempre o usava quando se arrumava. Parecia nervosa e animada. — Seu cabelo está
despenteado — disse a governanta rapidamente. — Vá escová-lo. Martha, ajude-a a colocar seu melhor vestido. O sr.
Craven me mandou levá-la ao seu escritório. Todo o rosa desapareceu das bochechas de Mary. Seu coração começou a
bater forte e ela se sentiu transformada em uma criança rígida, sem graça e silenciosa novamente. Nem mesmo
respondeu à sra. Medlock, apenas se virou e entrou em seu quarto, seguida por Martha. Não disse nada enquanto seu
vestido era trocado e seu cabelo penteado, e depois que estava bem arrumada, seguiu a sra. Medlock pelos corredores,
em silêncio. O que havia para se dizer? Ela era obrigada a ir ver o sr. Craven. Ele não gostava dela, e ela não gostava
dele. Ela sabia o que ele pensaria dela. Mary foi levada para uma parte da casa que ainda desconhecia. Por fim, a sra.
Medlock bateu em uma porta e, quando alguém disse “Entre”, entraram juntas na sala. Um homem estava sentado em
uma poltrona diante do fogo e a sra. Medlock falou com ele: — Esta é a srta. Mary, senhor. — Pode ir e deixá-la aqui.
Chamarei quando quiser que a leve embora — ordenou o sr. Craven. Quando ela saiu e fechou a porta, Mary só pôde
esperar. Era uma coisinha singela, torcendo suas mãos finas. Podia ver que o homem na cadeira não era tão corcunda,
mas tinha ombros altos e bastante tortos, e mechas brancas nos cabelos negros. Ele virou a cabeça sobre os ombros e
falou com ela. — Venha cá! Mary foi até ele. Ele não era feio. Seu rosto seria até bonito, não fosse a expressão sofrida.
Parecia que a visão dela o preocupava e o aborrecia, como se não soubesse o que fazer com ela. — Você está bem? —
ele perguntou.

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