Psicopatologia I
Profª. Esp. Fernanda Camargo Silva.
▪ A memória é a capacidade de codificar,
armazenar e evocar as experiências,
impressões e fatos que ocorrem em nossas
vidas. Tudo o que uma pessoa aprende em
sua existência depende intimamente da
memória (Dalgalarrondo, 2019).
Necessita de vários fatores: nível de consciência e atenção, o
estado emocional e o interesse motivacional e, particularmente
importante, os contextos, como lugar, momento, com que pessoas,
em que tipo de atividade e em que fase da vida a codificação, o
armazenamento e a evocação das informações ocorrem.
Memória Memória
Memória Memória
genética e coletiva, social
psicológica imunológica
epigenética ou cultura
Conhecimentos
Codificar, Informações e práticas
Conteúdos de
conservar e registradas e sociais e
informações
evocar, a potencialmente culturais.
biológicas
qualquer recuperáveis Sem ela, os
adquiridos ao
momento, os pelo sistema grupos sociais
longo da
dados imune de um perdem sua
história.
aprendidos. ser vivo. identidade
básica.
▪ A memória não é um processo unitário;
▪ A memória não é um processo passivo,
processo ativo;
▪ A memória é frequentemente reeditada;
▪ Frequentemente não são “o filme
realista do que aconteceu”, mas
“reedições criativas” de vários
“diretores” que influem no conteúdo do
arquivo de memórias.
Codificação: Armazenamento: Evocação:
captar, adquirir e Reter as As informações
codificar informações de são recuperadas
informações. modo fidedigno. para distintos fins.
Memória sensorial e depósito sensorial:
▪ Até 1 segundo.
▪ Aqui, percepção, atenção e memória se sobrepõem. As memórias
sensoriais são ricas (muitos conteúdos), mas muitíssimo breves (os
conteúdos se apagam rapidamente).
▪ Estímulos visuais: memória icônica.
▪ Estímulos auditivos: memória ecoica.
▪ Depósito sensorial: 50 milissegundos, quando se deve “decidir”
(quase sempre sem consciência) se voltamos a atenção para certos
estímulos ou se estes serão rapidamente apagados.
Memória imediata ou de curtíssimo prazo:
▪ Poucos segundos até 1 a 3 minutos.
▪ Trata-se da capacidade de reter o material
(palavras, números, imagens, etc.) imediatamente
após ser percebido, como reter um número
telefônico para logo em seguida discar.
▪A memória imediata tem também capacidade
limitada e depende da concentração, da
fatigabilidade e de certo treino.
Memória recente ou de curto
prazo
▪ De poucos minutos até 3 a 6 horas.
▪ Refere-se à capacidade de reter a
informação por curto período.
▪ É um tipo de memória de capacidade
limitada.
Memória de longo prazo ou remota:
▪ Dias, meses até muitos anos;
▪É a função relacionada à transferência de
informações para depósitos de longo prazo, tendo
capacidade quase ilimitada. Ela também se relaciona
à evocação de informações e acontecimentos
ocorridos no passado, geralmente após muito tempo
do evento (pode durar por toda a vida)
▪ É um tipo de memória de capacidade bem mais
ampla em termos de itens a serem guardados.
▪ Possui uma estrutura organizacional.
▪ Informações são arquivadas e conservadas de
acordo com seu significado, em redes semânticas.
(CODIFICAÇÃO E
ARMAZENAMENTO)
▪ Nível de consciência e estado
geral do organismo: o indivíduo
deve estar desperto, não muito
cansado, calmo, em bom estado
geral, para que a memorização
ocorra da melhor maneira
possível.
(CODIFICAÇÃO E ARMAZENAMENTO)
▪ Atenção focal: diz respeito à capacidade
de manutenção de atenção concentrada
sobre o conteúdo novo a ser fixado.
▪ Informações novas entram na memória
de longo prazo principalmente quando
se presta bastante atenção durante o
aprendizado.
(CODIFICAÇÃO E ARMAZENAMENTO)
▪ Organização e distribuição temporal:
diz respeito a distribuir, no processo de
aprendizado de novas informações, as
tentativas de aprendizado ao longo de um
período de tempo mais longo e
cadenciado; é melhor praticar “pouco e
sempre” do que tentar memorizar e
aprender tudo apressadamente, em um
único dia (p. ex., no dia antes da prova).
(CODIFICAÇÃO E ARMAZENAMENTO)
▪ Interesse e colorido emocional:
relaciona-se às informações a
serem fixadas, assim como ao
empenho do indivíduo em
aprender (vontade e afetividade).
(CODIFICAÇÃO E
ARMAZENAMENTO)
▪ Conhecimento anterior: elementos
já conhecidos ajudam a adquirir
elementos novos, principalmente
quando se articulam os novos
conhecimentos a informações,
classificações e esquemas cognitivos
já bem assentados, formando uma
cadeia de elementos mnêmicos.).
(CODIFICAÇÃO E ARMAZENAMENTO)
▪ Capacidade de compreensão do
significado da informação: buscar
entender o significado da informação ou
conhecimento que se está tentando
aprender é de fundamental ajuda para a
memorização.
▪ Se a informação não tem um significado
particular (é algo aleatório), então é útil
atribuir-lhe um significado arbitrário.
(CODIFICAÇÃO
E
ARMAZENAMENTO)
▪ Estabelecimento de um
contexto rico e elaborado: o
contexto e as circunstâncias
associadas à informação que se
quer memorizar têm papel
central na eficácia da
memorização.
(CODIFICAÇÃO E ARMAZENAMENTO)
▪ Codificação da informação nova em mais de
uma via: para o armazenamento mais eficaz de
uma informação nova, quanto maior for o número
de canais sensoriais e dimensões cognitivas
distintas, mais eficaz será a fixação.
▪ Por exemplo, se a informação for uma palavra,
deve-se buscar associar uma imagem visual; se for
visual, deve-se buscar associar uma palavra. Com
isso, são criados mapas mentais, que colaboram
para o armazenamento eficaz.
Memória de Memória Memória Memória de
trabalho episódica semântica procedimentos
Explícita, de
Explícita, médio e longo Aprendizado, à
Memória
consciente, que prazos, conservação e à
automática, não
exige esforço. a relacionada a utilização do
consciente.
memória de eventos arquivo geral de
habilidades
trabalho é específicos da conceitos e
motoras e
plenamente experiência conhecimentos
perceptuais.
ativa. pessoal do do indivíduo.
indivíduo.
▪ Realiza operações mentais de modo constante;
▪ Representa um conjunto de habilidades que permite manter e manipular
informações novas (acessando-as em face às antigas).
▪ É vista como uma gerenciadora da memória.
▪ Seu papel não é tanto formar arquivos, mas, antes, o de analisar e
selecionar as informações que chegam constantemente e compará-las com
as existentes nas demais memórias, de curta e de longa duração.
▪ Corresponde a eventos específicos e concretos, comumente
autobiográficos, bem circunscritos em determinado momento e local.
▪ Refere-se, à recordação consciente de fatos reais.
▪ A perda da memória episódica, em geral, se evidencia para eventos
autobiográficos recentes, mas, com o evoluir da doença (p. ex., doença de
Alzheimer), pode incluir elementos mais antigos.
▪ Nesse sentido, a perda de memória episódica obedece à lei de Ribot
(perdem-se primeiro os elementos recentemente adquiridos e, depois, os
mais antigos).
▪ Frequentemente explícita (mas pode ser, eventualmente, implícita).
▪ A representação de longo prazo dos conhecimentos que temos sobre o
mundo, entre eles o significado das palavras, dos objetos e das ações.
▪ Registro e à retenção de conteúdos em função do significado que têm. Ela
é um componente da memória de longo prazo que inclui os
conhecimentos de objetos, fatos, operações matemáticas, assim como das
palavras e seu uso.
▪ A memória semântica é, compartilhada socialmente, reaprendida de
forma constante, não sendo temporalmente específica.
▪Lembrar como foi um almoço com os avós, lá
no sitio, há três semanas.
Quais os tipos de memórias envolvidos
nesse exemplo?
▪ É implícita e não declarativa, mas, durante a aquisição da habilidade, pode ser
explícita na fase de aprendizado.
▪ Suspeita-se da presença de alterações da memória de procedimentos quando o
indivíduo apresenta ou perda de habilidades motoras ou visuoespaciais
previamente aprendidas, ou grande dificuldade em aprender novas habilidades.
▪ As alterações quantitativas da
memória dizem respeito à
intensidade do funcionamento
mnêmico — ou seja, se há
redução ou aumento anormal da
capacidade de lembrar.
▪ Em alguns pacientes em mania ou hipomania, representações (elementos
mnêmicos) afluem rapidamente, uma tempestade de informações ou imagens,
ganhando em número, perdendo, porém, em clareza e precisão. A hipermnésia,
nesses casos, traduz mais a aceleração geral do ritmo psíquico que uma alteração
propriamente da memória (Nobre de Melo, 1979).
▪ hipermnésia para memória autobiográfica. Trata-se de um fenômeno raro, no qual
o indivíduo tem uma memória autobiográfica quase perfeita.
▪ A perda da memória, seja da capacidade de fixar, seja da
capacidade de manter e evocar antigos conteúdos
mnêmicos.
▪ Nas amnésias dissociativas, ou psicogênicas, há perda de elementos
mnêmicos seletivos, os quais podem ter valor psicológico específico
(simbólico, afetivo).
▪ O indivíduo esquece, por exemplo, uma fase ou um evento de sua
vida (que teve um significado especial para ele), mas consegue
lembrar de tudo que ocorreu “ao seu redor”. É quase sempre uma
amnésia retrógrada (ver adiante).
▪ A amnésia dissociativa pode surgir em sequência a um episódio de
trauma emocional e/ou relacionada a fuga dissociativa (quando o
indivíduo foge de sua casa, em estado dissociativo).
▪ Amnésias orgânicas, a perda de
memória é geralmente menos seletiva,
em relação ao conteúdo emocional e/ou
simbólico do material esquecido, do
que na amnésia psicogênica.
▪ Perde-se primeiramente a capacidade
de memorização de fatos e eventos
recentes, e, em estados avançados da
doença (geralmente demência), o
indivíduo passa gradualmente a perder
conteúdos mais antigos.
Amnésia anterógrada Amnésia retrógrada
▪ O indivíduo não consegue mais ▪ Verificável na amnésia
fixar elementos mnêmicos a partir dissociativa), o indivíduo perde a
do evento que lhe causou o dano memória para fatos ocorridos
cerebral. antes do início do transtorno (ou
trauma).
▪ Não lembra o que ocorreu nas
semanas (ou meses) seguintes a ▪ Sua ocorrência, sem amnésia
um trauma craniencefálico. anterógrada, é observada em
quadros dissociativos.
▪ Comuns em transtornos de base
orgânica.
•As alterações qualitativas da memória envolvem sobretudo a deformação do
processo de evocação de conteúdos mnêmicos previamente fixados. O
indivíduo apresenta lembrança deformada que não corresponde à
sensopercepção original.
•Alterações do conteúdo ou da forma como a memória é experimentada ou
evocada.
•A memória é modificada ou distorcida, sem que o paciente perceba.
•São diferentes das alterações quantitativas (aumento ou redução da
capacidade de lembrar).
▪ Há o acréscimo de elementos falsos a
elementos da memória de fatos que
realmente aconteceram.
▪ Por isso, a lembrança adquire caráter fictício.
Muitos pacientes informam sobre seu
passado indicando claramente deformações
marcantes de lembranças reais: “Tive 20
filhos com minha mulher” (teve, de fato, 4
filhos com ela, mas não 20).
▪ São criações imaginativas, dotadas de
sensorialidade, marcadamente com a
aparência de lembranças ou
reminiscências que não correspondem a
qualquer elemento mnêmico, a qualquer
lembrança verdadeira.
▪ Podem surgir de modo repentino, sem
corresponder a qualquer acontecimento.
Ocorrem principalmente na
esquizofrenia e em outras psicoses.
▪ Confabulações são produções de relatos, narrativas e ações que são
involuntariamente incongruentes com a história passada do
indivíduo, com sua situação presente e futura. As confabulações são
caracterizadas por três aspectos básicos:
•O paciente "preenche" lacunas da memória com
invenções involuntárias.
•Não há intenção de enganar.
•Comum em síndromes amnésticas (ex.: Síndrome de
Korsakoff).
•Exemplo: paciente inventa o que fez de manhã, sem
saber que esqueceu.
• Trata-se de um falseamento da memória, em que as lembranças aparecem como
fatos novos ao paciente, que não as reconhece como lembranças, vivendo as como
uma descoberta.
• Memória real que é evocada como se fosse uma criação original.
• Exemplo: alguém conta uma história como se fosse sua, mas a leu em outro lugar.
• Frequente em quadros obsessivos ou alterações cognitivas leves
• É uma alteração da memória em que o indivíduo revive uma lembrança
passada como se estivesse ocorrendo no presente, com perda da noção
temporal.
• O fenômeno denominado visão panorâmica da vida, associado às chamadas
experiências de quase-morte, é, de certa forma, um tipo de ecmnésia, que ocorre
geralmente associado à iminência da morte por acidente.
▪ Agnosia é a incapacidade de reconhecer objetos, sons ou estímulos sensoriais,
apesar de as funções sensoriais estarem preservadas e não haver
comprometimento significativo da atenção, linguagem ou memória.
▪ A prosopagnosia é um tipo de agnosia visual no qual o reconhecimento de
faces humanas está prejudicado ou abolido.
▪ Há quanto tempo está nesta enfermaria (ou neste serviço de saúde, consultório)?
Onde dormiu na última noite?
▪ Onde esteve ontem? E há uma semana?
▪ No mês passado?
▪ O que comeu ontem? E hoje?
▪ A que horas se levantou da cama?
▪ Trabalhou ou estudou ontem? E hoje?
▪ Há quanto tempo estamos conversando?
▪ Quem sou eu e qual é meu nome?