PENSAMENTO CRÍTICO DA
ARQUITETURA, URBANISMO E
PAISAGISMO
AULA 6
Prof.ª Wívian P. P. Diniz
1
CONVERSA INICIAL
O modo de vida urbano e as relações sociais que ele implica não são
inerentemente antagônicas à conservação dos valores culturais e
históricos, nem à proteção dos recursos naturais e do ambiente
construído, sempre que o planejamento e a gestão das áreas urbanas
e rurais sejam abordados de maneira integrada.
(Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – Pnuma, 1999)
Nesta etapa, vamos explorar a interação entre cultura, religião,
antropologia e práticas sociais na arquitetura e no urbanismo. Abordaremos
temas como participação cidadã, inclusão, diversidade cultural e
sustentabilidade no planejamento urbano por meio da análise de estudos de
caso e da compreensão da importância de uma abordagem antropológica e
cultural na concepção do espaço. Vamos refletir sobre a influência das crenças
e valores culturais na criação e uso dos espaços construídos, buscando
desenvolver projetos arquitetônicos e urbanos mais sensíveis e inclusivos.
CONTEXTUALIZANDO
Ao longo desta etapa, abordaremos temas relevantes para o processo de
formação de arquitetos e urbanistas, enfatizando a importância de se considerar
aspectos sociais, culturais e antropológicos no planejamento e concepção do
espaço urbano. Essa abordagem holística nos proporcionará uma compreensão
mais ampla e inclusiva das necessidades das diversas populações, de modo a
promover a criação de espaços que respeitem e valorizem as diferenças culturais
e religiosas. Ao integrar esses conhecimentos em nossa prática profissional, nos
tornaremos mais aptos a desenvolver projetos urbanos e arquitetônicos
inclusivos e culturalmente sensíveis, o que contribui para a construção de
cidades mais justas, democráticas e adaptáveis às demandas das comunidades
que nelas habitam.
TEMA 1 – RELAÇÃO ENTRE ESPAÇO, CULTURA E SOCIEDADE
A análise do espaço como produto social e cultural é fundamental para
compreender sua relação com a sociedade e cultura. A Antropologia desvenda
as múltiplas camadas de significado do espaço, com contribuições de autores
como Lefebvre, Segaud e Rose. Lefebvre, em A Produção do Espaço (2006),
destaca a influência mútua entre espaço e relações sociais. Segaud, em
2
Antropologia do Espaço (2016), examina a construção e apropriação do espaço
pelos indivíduos. Rose, em A Cidade em Harmonia (2019), discute a relação
entre ciência moderna, civilizações antigas e natureza humana na concepção de
projetos urbanos harmônicos e sustentáveis.
A análise de conceitos e teorias desenvolvidos por esses autores e outros
estudiosos do tema nos possibilitará uma abordagem crítica e inovadora,
fundamentada na interdisciplinaridade entre Antropologia, Arquitetura e
Urbanismo. Além disso, buscaremos incorporar contribuições de autores como
Michel de Certeau (1998), com A Invenção do Cotidiano, que aprofunda as
discussões sobre a relação entre espaço, cultura e sociedade, bem como os
processos de construção de identidade e poder no espaço urbano. Com base
nessa base teórica, pretendemos instigar a reflexão crítica sobre o tema e suas
implicações no planejamento e gestão do espaço construído.
1.1 Conceito de espaço na Antropologia
A Antropologia, ao buscar entender o ser humano e suas manifestações
culturais, oferece uma perspectiva enriquecedora do espaço, desafiando noções
simplistas. Autores como Lefebvre (2006) e Segaud (2016) desempenham um
papel fundamental na formulação de teorias que aprofundam a compreensão
das inter-relações entre espaço, cultura e sociedade. Lefebvre desenvolve a
ideia de espaço como produto social e propõe seu conceito tripartite 1, enquanto
Segaud enfatiza a relação entre espaço, cultura e sociedade considerando
particularidades culturais e dinâmicas sociais.
Vídeo
O QUE é Antropologia? – Antropológica. Leitura ObrigaHISTÓRIA, 21
mar. 2017. Disponível em: <[Link] Acesso em: 18 maio
2023.
1 O conceito tripartite de espaço de Henri Lefebvre busca compreender a complexidade do
espaço por meio de três dimensões interconectadas: o espaço percebido, que se refere à
realidade física e material ao nosso redor, como edifícios e paisagens; o espaço concebido, que
abrange a dimensão mental e abstrata do espaço, incluindo ideias, representações e
conhecimentos produzidos pelos seres humanos; e o espaço vivido, que corresponde à
dimensão emocional e subjetiva, relacionada às experiências individuais, memórias e afetos
associados a um lugar. Lefebvre argumenta que o espaço é um produto social, resultado das
interações e relações humanas, enfatizando a importância de analisar as múltiplas dimensões
do espaço para uma compreensão mais completa e contextualizada.
3
1.2 Espaço como produto social e cultural
O espaço como produto social e cultural enfatiza a relevância das
interações humanas e manifestações culturais na sua construção e
transformação. Essa perspectiva reconhece o espaço como dinâmico e mutável,
resultado de negociações entre indivíduos, grupos e instituições, bem como
ressalta a necessidade de considerar dimensões sociais e culturais na
concepção e gestão do ambiente construído.
Compreender a relação entre espaço e sociedade é crucial para apreciar
como o ambiente construído é moldado pelas necessidades e dinâmicas sociais,
afetando a formação de identidades coletivas e relações de poder. Autores como
Lefebvre (2006) exploram como o espaço é produto das relações sociais e como
ele influencia e molda essas relações, e Segaud (2016) examina como o espaço
é construído e apropriado pelos indivíduos, levando em consideração a
diversidade cultural e as dinâmicas sociais, fornecendo contribuições
significativas nesse sentido.
Além disso, perspectivas que abordam questões de gênero ressaltam as
diferentes vivências de homens e mulheres no espaço, destacando como o
ambiente construído é moldado e vivenciado de maneira diferente por diferentes
grupos.
1.3 Espaço e cultura: manifestações e apropriações
O espaço, produto das relações sociais e culturais, reflete identidades e
tradições, sendo influenciado por crenças, valores e práticas de uma sociedade.
Rapoport (1982) e Michel de Certeau (1998) exploram a comunicação simbólica
e a apropriação do espaço no ambiente construído, proporcionando uma
compreensão aprofundada da relação entre espaço e cultura e possibilitando
uma abordagem crítica e contextualizada de arquitetura e urbanismo.
O ambiente construído e a paisagem urbana são palcos para a expressão
e afirmação das identidades de diferentes grupos sociais e culturais. Doreen
Massey (1994) e David Harvey (2000) discutem a influência das relações de
poder e identidades coletivas na produção do espaço, destacando a importância
de um urbanismo inclusivo e democrático. Essas reflexões fornecem uma base
teórica para entender o papel do espaço na construção e afirmação das
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identidades coletivas e possibilitam uma análise crítica e contextualizada da vida
social e cultural das comunidades.
TEMA 2 – IDENTIDADE E LUGAR NA PRODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO
A identidade desempenha um papel crucial na compreensão do ambiente
construído, de modo a influenciar a relação dos indivíduos e grupos sociais com
o espaço e atribuir significados e vínculos emocionais aos lugares.
Analisaremos, neste tópico, elementos culturais e simbólicos presentes no
espaço urbano, bem como a construção de identidades coletivas e a presença
de cultura, símbolos e memória no ambiente urbano. Com base nas obras de
Edward Relph (2008), Yi-Fu Tuan (1977) e David Harvey (2000), buscaremos
compreender a relação entre identidade, lugar e espaço urbano, enfatizando a
necessidade de abordagens inclusivas e democráticas em arquitetura e
urbanismo.
2.1 Identidade e lugar: conceitos e relações
Identidade é um termo que engloba características, valores, tradições e
histórias que distinguem indivíduos e grupos sociais uns dos outros. O lugar, por
sua vez, é a manifestação concreta do espaço, carregado de significados e
experiências vividas que o tornam único e reconhecível. Assim, a relação entre
identidade e lugar é estabelecida na medida em que indivíduos e comunidades
se apropriam do espaço e o transformam em algo significativo, conectado às
suas vivências e histórias.
Os teóricos Edward Relph (2008) e Yi-Fu Tuan (1977) fornecem
contribuições fundamentais para a compreensão desses conceitos. Relph
argumenta que a identidade de um lugar é construída por meio da interação entre
aspectos físicos, sociais e culturais, dando origem a um senso de pertencimento
e conexão emocional. Em contrapartida, Tuan destaca que o lugar é um espaço
vivido e experimentado, no qual as pessoas criam significados e constroem suas
identidades. Portanto, analisar a interação entre identidade e lugar nos leva a
compreender a complexidade e a diversidade do espaço urbano, bem como a
forma como as pessoas se relacionam e se apropriam do ambiente construído.
5
Vídeos
RESUMO do Livro Yi-Fu Tuan – Espaço e lugar_A Perspectiva da
experiência. Núbia Marques, 19 ago. 2021. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 18 maio 2023.
EM TESE – A relação do ser humano com o lugar onde vive (16/10/13).
UFPR TV, 17 out. 2013. Disponível em: <[Link]
seWbDsoc>. Acesso em: 18 maio 2023.
2.2 Construção de identidades coletivas por meio do espaço
A identidade coletiva 2 se forma com base nas experiências
compartilhadas, nos valores culturais, nas tradições e nos símbolos que unem
um grupo social e diferenciam-no dos demais. O espaço, portanto, é um
elemento crucial nesse processo, já que é nele que as práticas sociais e culturais
se desenvolvem e se manifestam.
Nesse contexto, Doreen Massey (1994), em Space, Place, and Gender,
argumenta que os lugares são construídos por meio de interações sociais e
relações de poder, e que a identidade coletiva é forjada em meio a essas
dinâmicas. Da mesma forma, David Harvey (2000) destaca o papel do espaço
na construção de identidades e na luta por justiça social e reconhecimento
cultural. Essas abordagens nos possibilitam compreender que a construção das
identidades coletivas por meio do espaço é um processo contínuo e em
constante transformação, no qual os grupos sociais se apropriam e reinterpretam
o ambiente construído, criando novos significados e afirmações de
pertencimento. Assim, analisar como as identidades coletivas são construídas e
negociadas no espaço urbano nos leva a uma compreensão mais inclusiva e
democrática do ambiente construído e das relações sociais nele estabelecidas.
2 A identidade coletiva é um conceito que se refere ao conjunto de características, crenças,
valores e experiências compartilhadas por um grupo, comunidade ou sociedade, que contribuem
para a construção de um senso comum de pertencimento e diferenciação em relação a outros
grupos. Essa identidade é moldada e reforçada por meio de tradições, rituais, símbolos, histórias
e práticas sociais, e pode ser influenciada por fatores como etnia, religião, classe, gênero e
nacionalidade. A identidade coletiva é dinâmica e pode se transformar ao longo do tempo, em
resposta a mudanças culturais, desafios e interações com outros grupos, desempenhando um
papel fundamental na formação da solidariedade, cooperação e mobilização política dentro de
uma comunidade.
6
2.3 Cultura, símbolos e memória no espaço urbano
A cidade é um palco no qual a cultura se expressa por meio de diversas
manifestações artísticas, arquitetônicas e sociais. É no espaço urbano que a
memória coletiva é preservada e transmitida às futuras gerações, e os símbolos
culturais assumem um papel central na construção das identidades e na
promoção do sentido de pertencimento.
Yi-Fu Tuan (1977) ressalta a importância dos símbolos e da memória na
criação de lugares com significado, em que as pessoas podem se relacionar e
se identificar. Já Aldo Rossi (1995), em A Arquitetura da Cidade, defende que a
arquitetura e o espaço urbano são depositários de memórias coletivas 3 e devem
ser entendidos como um sistema de símbolos que expressa a cultura e a história
de uma comunidade. Essas perspectivas nos mostram que o espaço urbano é
um ambiente multifacetado, permeado por elementos culturais e simbólicos que
refletem as experiências, as tradições e as aspirações das pessoas que o
habitam.
Vídeo
ARQUICAST 040 – Livros clássicos: A Arquitetura da Cidade. ArquiCast,
1.º fev. 2021. Disponível em: <[Link] Acesso em: 18
maio 2023.
2.4 Espaços de resistência e manifestação cultural
Discutiremos a emergência dos espaços de resistência 4 e manifestação
cultural no contexto urbano. Esses espaços se caracterizam como locais em que
grupos e indivíduos se reúnem para expressar suas identidades culturais,
3 A memória coletiva é um fenômeno sociocultural que se refere à maneira como um grupo,
sociedade ou cultura compartilha e preserva lembranças, experiências e conhecimentos
passados. Essa memória é construída e transmitida por meio de tradições, rituais, símbolos,
histórias e instituições sociais, moldando a identidade coletiva e influenciando a percepção e
interpretação dos eventos históricos. A memória coletiva é dinâmica, podendo ser reinterpretada
e adaptada ao longo do tempo, à medida que as comunidades enfrentam novos desafios e
mudanças culturais.
4 Espaços de resistência são locais físicos ou simbólicos em que grupos e indivíduos se engajam
em ações e práticas contrárias às normas, poderes ou políticas dominantes, buscando afirmar
sua identidade, valores e direitos. Esses espaços podem se manifestar em diferentes escalas,
desde comunidades locais até contextos globais, e assumir diversas formas, como movimentos
sociais, expressões artísticas, ocupações e iniciativas comunitárias. Os espaços de resistência
desempenham um papel fundamental na promoção da justiça social, do empoderamento e da
transformação política e cultural, desafiando e contestando estruturas de poder estabelecidas e
hierarquias sociais.
7
promover a diversidade e reivindicar direitos e reconhecimento. Tais espaços
muitas vezes surgem como resposta a processos de exclusão, gentrificação ou
homogeneização cultural, funcionando como importantes instrumentos de
preservação e valorização das identidades e tradições locais.
David Harvey (2014), em Cidades rebeldes, aborda como a cidade é um
espaço de luta política e cultural, em que movimentos sociais e manifestações
artísticas desafiam as estruturas de poder e reivindicam o direito à cidade. Nesse
sentido, os espaços de resistência e manifestação cultural são cruciais para
promover a inclusão e a diversidade no ambiente urbano. Autores como Michel
de Certeau (1998) e Henri Lefebvre (2006) também enfatizam a importância das
práticas cotidianas e da apropriação do espaço urbano pelos indivíduos e grupos
como forma de resistência e expressão cultural. Analisar esses espaços e suas
dinâmicas é fundamental para entender as complexas relações entre identidade,
cultura e espaço urbano e, assim, desenvolver políticas públicas e projetos
urbanísticos mais sensíveis às demandas e necessidades das diversas
comunidades que compõem a cidade.
2.5 Importância do lugar na sustentabilidade cultural
A sustentabilidade cultural é um conceito que engloba a preservação de
tradições, valores, crenças e práticas culturais de um grupo ou comunidade ao
longo do tempo, levando em conta aspectos sociais, econômicos e ambientais.
Nesse sentido, o lugar desempenha um papel fundamental na sustentabilidade
cultural, pois é o espaço em que essas práticas culturais são vividas,
compartilhadas e transmitidas de geração em geração.
Doreen Massey (1994) argumenta que a construção do lugar é um
processo contínuo e dinâmico, moldado pelas interações e relações sociais e
culturais que ocorrem em um dado espaço. Assim, a sustentabilidade cultural
está intimamente ligada à capacidade de manter e fortalecer a relação entre as
pessoas e os lugares que habitam. David Harvey (2000) também aborda a
importância do lugar na formação da identidade e na construção da cultura,
ressaltando que a relação entre espaço e cultura é fundamental para a
sustentabilidade das comunidades locais.
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TEMA 3 – PARTICIPAÇÃO CIDADÃ NA CONCEPÇÃO E GESTÃO DOS
ESPAÇOS PÚBLICOS
A participação cidadã 5 é um elemento fundamental para garantir a
democracia e a inclusão social, o que possibilita que diferentes vozes e
interesses sejam considerados na tomada de decisões e na execução de
projetos que afetam o espaço urbano. Os espaços públicos são locais de
encontro, expressão e convívio, e sua qualidade e acessibilidade têm impacto
direto na vida cotidiana dos habitantes. Nesse contexto, autores como Jan Gehl
(2013) e Jane Jacobs (2011) têm defendido a importância da participação cidadã
no planejamento urbano e no desenho dos espaços públicos.
Neste tópico, discutiremos como o empoderamento das comunidades no
processo de construção do espaço pode contribuir para um ambiente urbano
mais justo, inclusivo e sustentável. Analisaremos exemplos de projetos
participativos e comunitários que ilustram a eficácia da participação cidadã na
concepção e gestão dos espaços públicos. Abordaremos também os métodos e
desafios do planejamento e gestão participativa, bem como os benefícios e
obstáculos inerentes à promoção da participação cidadã no espaço urbano.
Nesse sentido, a obra de Arnstein (2002), Uma escada da participação cidadã,
é uma referência importante para entender os diferentes níveis e formas de
participação cidadã na tomada de decisões e gestão dos espaços públicos.
3.1 Participação cidadã e democracia na construção do espaço público
A participação cidadã e a democracia estão intrinsecamente relacionadas
à construção do espaço público, promovendo inclusão, transparência e
responsabilidade. Autores como Habermas (2014) e Lefebvre (2006) destacam
a importância do diálogo aberto e inclusivo entre cidadãos e autoridades,
defendendo um processo participativo na construção do espaço público. O
5 A participação cidadã é um processo que envolve o engajamento ativo e a contribuição dos
cidadãos nas decisões políticas, sociais e culturais que afetam suas vidas, comunidades e
sociedade em geral. Essa participação pode ocorrer em diversos níveis, desde a tomada de
decisões no âmbito local até a formulação de políticas públicas em escala nacional ou
internacional, e por intermédio de diferentes mecanismos, como votação, consultas públicas,
assembleias populares, organizações da sociedade civil e mídias sociais. A participação cidadã
é fundamental para o fortalecimento da democracia, a promoção da justiça social e a efetividade
das políticas públicas, garantindo que as demandas, necessidades e perspectivas dos cidadãos
sejam levadas em consideração no processo decisório.
9
engajamento dos cidadãos vai além da consulta, incluindo a capacidade de
influenciar políticas urbanas significativamente. Segundo Carmona et al. (2010),
a participação efetiva requer compromisso contínuo e mecanismos que
oportunizem a colaboração entre diferentes atores, resultando em um ambiente
urbano mais inclusivo, equitativo e sustentável.
3.2 Empoderamento e apropriação comunitária do espaço
O empoderamento e a apropriação comunitária do espaço 6 estão
relacionados à capacidade das comunidades, especialmente as marginalizadas,
de influenciar a produção e transformação do espaço urbano. Isso ocorre quando
os cidadãos obtêm maior controle sobre recursos e processos decisórios que
afetam suas vidas e comunidades. A apropriação comunitária possibilita que
grupos locais moldem seu ambiente de acordo com suas necessidades e
aspirações, refletindo e valorizando suas identidades e culturas, conforme
destacado por Massey (1994).
Movimentos sociais urbanos exemplificam o empoderamento e a
apropriação comunitária do espaço, lutando pela democratização da cidade e
garantia de direitos como moradia, transporte e espaços públicos de qualidade.
Ao promover a participação ativa dos moradores no planejamento e gestão do
espaço urbano, esses movimentos favorecem o desenvolvimento de cidades
inclusivas e democráticas, com vistas a valorizar a diversidade cultural. Ações
como projetos comunitários de habitação, reivindicação de espaços públicos
abandonados e criação de hortas comunitárias demonstram como esses
processos contribuem para a construção de cidades mais justas e sustentáveis.
6 Empoderamento e apropriação comunitária do espaço referem-se ao processo pelo qual
indivíduos e comunidades adquirem maior controle, autonomia e participação ativa na tomada
de decisões, na gestão e no uso dos espaços físicos e simbólicos que afetam suas vidas e bem-
estar. Esse processo envolve o desenvolvimento de habilidades, conhecimentos e capacidades
necessárias para exercer influência e promover mudanças positivas em seus contextos
espaciais, sociais e culturais. O empoderamento e a apropriação comunitária do espaço
fortalecem a coesão e a resiliência dos grupos, ao mesmo tempo que promovem a equidade, a
justiça social e o desenvolvimento sustentável, de modo a possibilitar que as comunidades
transformem e moldem seus ambientes de acordo com suas necessidades, aspirações e
identidades coletivas.
10
Leitura complementar
Camilla Ghisleni. Ecofeminismo na arquitetura: empoderamento e
preocupação ambiental. ArchDaily Brasil, 24 abr. 2023. Disponível em:
<[Link]
amento-e-preocupacao-ambiental>. Acesso em: 18 maio 2023.
3.3 Planejamento e gestão participativa: métodos e desafios
O planejamento e a gestão participativa são fundamentais para atender
aos interesses e necessidades dos cidadãos no espaço urbano. Métodos como
audiências públicas, oficinas comunitárias, orçamento participativo e plataformas
digitais colaborativas proporcionam envolvimento direto na tomada de decisões
e formulação de políticas e projetos urbanos. Entretanto, desafios como
desigualdade de poder, representatividade e limitações burocráticas e de
recursos podem dificultar a eficácia das iniciativas participativas. Para superar
tais desafios, é crucial garantir inclusão, equidade e representatividade, além de
mecanismos eficientes para implementação e monitoramento das políticas e
projetos desenvolvidos por meio do processo participativo.
A participação cidadã no espaço urbano traz benefícios e enfrenta
desafios como inclusão de diferentes vozes e interesses, desigualdades
socioeconômicas e culturais, bem como falta de recursos para implementação
de projetos participativos. Porém, quando bem conduzidos, os processos de
participação promovem soluções mais adequadas e criativas, empoderamento
das comunidades, fortalecimento da capacidade de negociação e ação política,
e a construção de uma cidade mais democrática e inclusiva. A apropriação
comunitária do espaço público melhora a qualidade de vida, segurança e
identidade local, fomentando o sentido de pertencimento e sustentabilidade
cultural. Portanto, enfrentar os desafios e potencializar os benefícios da
participação cidadã no espaço urbano é essencial para promover cidades mais
justas e equitativas.
3.4 Exemplos de projetos participativos e comunitários
Existem diversos exemplos de projetos participativos e comunitários que
ilustram a importância da participação cidadã na concepção e gestão do espaço
público. Um exemplo notável é o projeto “Parque Minhocão”, na cidade de São
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Paulo, Brasil. O Minhocão, um elevado que corta o centro da cidade, foi
transformado temporariamente em um parque público aos fins de semana, com
o engajamento de organizações comunitárias e ativistas locais. A participação
popular foi fundamental para a criação de um espaço de lazer e convivência,
possibilitando a requalificação de uma área outrora degradada e promovendo a
qualidade de vida urbana.
Figura 1 – Vista aérea do viaduto Presidente João Goulart, também conhecido
como Minhocão, e bairro de Santa Cecília, localizado no centro da cidade de São
Paulo, Brasil
Crédito: Nelson Antoine/Adobe Stock.
Vídeo
ARQUITETURAS: Minhocão. Sesc TV, 1.º nov. 2015. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 18 maio 2023.
Saiba mais
SÃO PAULO. Gestão Urbana. PIU Minhocão. Disponível em: <https://
[Link]/piu-parque-minhocao/>. Acesso em: 18 maio
2023.
Outro exemplo é a iniciativa “Park(ing) Day”, que promove a
transformação temporária de vagas de estacionamento em miniparques e
espaços de convivência, mostrando o potencial de projetos de pequena escala
e a apropriação cidadã do espaço público.
12
Saiba mais
O Park(ing) day é um projeto global, público e participativo em que as
pessoas em todo o mundo reaproveitam temporariamente os espaços de
estacionamento nas calçadas e os convertem em parques públicos e espaços
sociais para defender ruas mais seguras, verdes e igualitárias para as pessoas.
Disponível em: <[Link] Acesso em: 18 maio 2023.
Vídeo
PARK(ING) day São Paulo. Urb-i, 18 set. 2016. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 18 maio 2023.
Esses projetos demonstram que, por meio de ações participativas e
comunitárias, é possível transformar o espaço urbano de maneira a atender às
necessidades e demandas dos cidadãos. No entanto, é fundamental que essas
iniciativas sejam articuladas com políticas públicas e planejamento urbano de
longo prazo, de modo a garantir a sustentabilidade e continuidade dessas
intervenções. Além disso, a participação efetiva e inclusiva de diferentes atores
sociais é crucial para assegurar que os projetos participativos e comunitários
sejam bem-sucedidos e reflitam as aspirações e desejos de toda a comunidade.
Dessa forma, a valorização da participação cidadã e do envolvimento
comunitário no planejamento e gestão do espaço urbano pode levar à criação de
cidades mais democráticas, inclusivas e sustentáveis.
TEMA 4 – COMPREENSÃO DA CULTURA E PRÁTICAS SOCIAIS NA
ARQUITETURA E URBANISMO
Considerar os aspectos culturais e sociais ao projetar e planejar espaços
urbanos e arquitetônicos é essencial, pois influenciam diretamente a qualidade
de vida e a sustentabilidade das comunidades. Seguindo a abordagem
antropológica e cultural defendida por Hall (2006), Augé (1994), Rapoport (1982)
e Sennett (1970), é possível garantir a inclusão e adequação das diferentes
populações no espaço construído. Essa abordagem enfatiza a importância de
considerar os aspectos culturais e sociais no planejamento e projeto de espaços
urbanos e arquitetônicos. Também busca compreender as complexas interações
entre as pessoas, seus sistemas de crenças, práticas culturais e o ambiente
construído, promovendo a inclusão e adequação das diferentes populações no
espaço.
13
Ao levar em conta fatores como identidade cultural, tradições, rituais e
padrões de comportamento, planejadores(as) e arquitetos(as) podem projetar
espaços que respondam às necessidades e aspirações das comunidades,
incentivando a diversidade e a equidade. Essa perspectiva holística contribui
para a qualidade de vida e a sustentabilidade das comunidades, garantindo que
o espaço construído reflita e respeite as características e valores culturais e
sociais dos grupos que o habitam.
Profissionais de arquitetura e urbanismo devem compreender e
considerar as práticas culturais e sociais das comunidades, levando a soluções
inovadoras e sustentáveis que promovam inclusão e diversidade no ambiente
construído (Tuan, 1977). Além disso, essa abordagem sensível ao contexto pode
contribuir para a criação de espaços públicos vibrantes, acolhedores e seguros,
nos quais as comunidades possam se conectar e interagir entre si (Gehl, 2013).
Vídeos
ARQUITETURA e comunidade | Jô Vasconcellos | TEDxPUCMinas. TEDx
Talks, 20 ago. 2019. Disponível em: <[Link] Acesso
em: 18 maio 2023.
ARQUITETURA hostil e cartografia afetiva | Jamile Borges |
TEDxRioVermelho. TEDx Talks, 3 fev. 2020. Disponível em: <[Link]
IUkWXwSFGDM>. Acesso em: 18 maio 2023.
4.1 Necessidade de uma abordagem antropológica e cultural na
concepção do espaço
A incorporação de uma abordagem antropológica e cultural na concepção
do espaço 7 é fundamental para compreender e respeitar as complexidades das
comunidades e dos indivíduos que habitam esses espaços. A arquitetura e o
urbanismo devem criar espaços que reflitam e respeitem a diversidade cultural
7 A abordagem antropológica e cultural na concepção do espaço refere-se ao estudo e à
compreensão dos espaços físicos e simbólicos em relação às práticas culturais, interações
sociais e sistemas de significado das comunidades e sociedades humanas. Essa abordagem
enfatiza a diversidade de formas como diferentes culturas percebem, interpretam, organizam e
utilizam o espaço, levando em consideração aspectos como história, tradições, crenças, valores
e relações de poder. Ao adotar essa perspectiva, é possível analisar e projetar espaços urbanos,
arquitetônicos e paisagísticos de maneira mais inclusiva, sustentável e culturalmente sensível,
reconhecendo e valorizando as múltiplas dimensões e significados do espaço no contexto das
experiências e identidades humanas.
14
e social das comunidades, promovendo a inclusão e a justiça espacial (Sennett,
1970).
Nesse sentido, devemos adotar uma postura de escuta ativa e empatia,
buscando compreender e incorporar as perspectivas das comunidades
envolvidas no projeto. Abordagens multidisciplinares e participativas são
essenciais para envolver as comunidades e os indivíduos diretamente afetados
pelo projeto e aprender com experiências anteriores e exemplos bem-sucedidos
de projetos inclusivos.
A diversidade cultural é um aspecto fundamental das cidades
contemporâneas, trazendo consigo uma riqueza de tradições, conhecimentos e
experiências que podem enriquecer o ambiente urbano (Sennett, 1970). No
entanto, essa diversidade também apresenta desafios significativos para o
planejamento urbano, uma vez que os(as) profissionais devem encontrar formas
de acomodar e valorizar as diferenças culturais, evitando a segregação e a
marginalização de comunidades específicas. Para enfrentar esses desafios, é
essencial promover o diálogo intercultural e a participação ativa das
comunidades na concepção e gestão dos espaços urbanos (Fainstein, 2013).
4.2 Projetos arquitetônicos e urbanos culturalmente sensíveis e inclusivos
Projetos arquitetônicos e urbanos culturalmente sensíveis e inclusivos são
aqueles que levam em consideração práticas, tradições e valores das diversas
comunidades presentes no espaço urbano. Esses projetos têm como objetivo
promover a convivência harmoniosa entre diferentes grupos culturais e sociais,
incentivando o diálogo intercultural e a troca de experiências. Nesse contexto, é
fundamental que os(as) arquitetos(as) e urbanistas adotem uma postura
reflexiva e crítica em relação às suas próprias práticas e concepções de espaço,
buscando sempre aprender com as comunidades e os contextos culturais nos
quais atuam.
Uma abordagem efetiva para desenvolver projetos culturalmente
sensíveis e inclusivos envolve trabalhar em colaboração com as comunidades
locais, a fim de compreender suas necessidades e aspirações (Manzo; Perkins,
2006). Isso pode incluir a realização de oficinas participativas, entrevistas e
observações etnográficas, entre outras estratégias de engajamento. Além disso,
é importante que os(as) arquitetos(as) e urbanistas estejam abertos a incorporar
elementos das culturas locais em seus projetos, como materiais, técnicas
15
construtivas e elementos simbólicos, contribuindo assim para a construção de
um ambiente urbano que reflita e valorize a diversidade cultural presente nas
cidades contemporâneas (Fainstein, 2013).
TEMA 5 – ESTUDOS DE CASO: DIFERENTES FORMAS DE HABITAÇÃO E
INFLUÊNCIA DA RELIGIÃO E CRENÇAS NA PRODUÇÃO DO ESPAÇO
Neste tópico, exploramos a relação entre antropologia, cultura e
arquitetura/urbanismo por meio de estudos de caso, enfocando diversas formas
de habitação e a influência da religião e crenças na produção do espaço. Essa
compreensão é crucial para perceber como tradições e culturas moldam o
ambiente construído em diferentes contextos e épocas. Abordaremos temas
como habitação, contexto cultural, condições ambientais e integração de
espaços sagrados e profanos no planejamento urbano. Ao adotar uma
abordagem interdisciplinar conectando antropologia, arquitetura e urbanismo,
vamos aprofundar nosso entendimento da complexidade do espaço construído
e suas dimensões culturais, sociais e ambientais.
5.1 Estudos de caso: antropologia, cultura e arquitetura/urbanismo
A seguir, abordamos estudos de caso que ilustram a interação entre
antropologia, cultura e arquitetura/urbanismo, evidenciando como a arquitetura
e o urbanismo podem ser entendidos como manifestações culturais que refletem
as práticas sociais e os valores de uma comunidade (Rapoport, 1982). Esses
estudos de caso podem abranger diferentes contextos e escalas, desde projetos
arquitetônicos de edifícios específicos até intervenções urbanas em bairros ou
cidades inteiras. Um exemplo emblemático é a análise do trabalho do arquiteto
Hassan Fathy, no Egito, que, ao empregar técnicas vernáculas e materiais locais,
conseguiu desenvolver projetos habitacionais de baixo custo, respeitando as
tradições culturais e o contexto ambiental da região.
16
Figura 2 – Aldeia de New Baris de Hassan Fathy
Crédito: Csobno/Shutterstock.
Outro exemplo interessante é a cidade de Curitiba, no Brasil, que se
tornou referência em planejamento urbano sustentável, em parte graças à
abordagem integrada de seu ex-prefeito e arquiteto, Jaime Lerner. A cidade
implementou soluções inovadoras de transporte público e gestão de resíduos,
bem como a criação de espaços públicos acessíveis e inclusivos, respeitando a
diversidade cultural e social de seus habitantes.
Vídeo
RODA Viva | Jaime Lerner | 2010. Roda Viva. 27 maio 2021. Disponível
em: <[Link] Acesso em: 18 maio 2023.
5.2 Diferentes formas de habitação: contexto cultural e adaptação ao
meio ambiente
Diversas culturas desenvolveram soluções habitacionais distintas,
baseadas em suas tradições, valores e necessidades. Essas formas de
habitação são fruto de um processo evolutivo que considera as condições
ambientais locais, como clima e recursos naturais, e a organização social,
política e econômica das comunidades. A arquitetura vernácula, por exemplo, é
caracterizada por soluções habitacionais desenvolvidas em resposta a desafios
17
ambientais e culturais específicos, como o uso de materiais e técnicas de
construção locais que se alinham às tradições e modos de vida das comunidades
(Rapoport, 1982). Entre os exemplos de diferentes formas de habitação,
podemos citar as casas de adobe no Novo México (EUA), que são construídas
com blocos de barro e palha, adaptadas às condições áridas e quentes da região
e às tradições culturais locais.
Figura 3 – O pueblo de Taos, no Novo México, apresenta estruturas de adobe
empilhadas umas sobre as outras
Crédito: Bill Florence/Shutterstock.
Outro exemplo é a habitação tradicional japonesa conhecida como Minka,
que incorpora elementos como o tatame e o engawa, o que proporciona espaços
multifuncionais e uma conexão com a natureza, e reflete os valores culturais
japoneses.
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Figura 4 – Habitação tradicional japonesa ou Minka: tatames no piso e engawa
circulando o pátio interno
Crédito: Mtaira/Adobe Stock.
5.3 Influência da religião e crenças na concepção do espaço construído
Abordaremos a influência da religião e das crenças na concepção do
espaço construído, destacando como esses elementos culturais moldam a
arquitetura e o urbanismo. A relação entre a religião e o espaço construído é
complexa e multifacetada, pois envolve aspectos simbólicos, funcionais e
organizacionais. Por exemplo, a distribuição e orientação dos edifícios religiosos,
como igrejas, mesquitas e templos, pode ser influenciada por crenças e práticas
religiosas, como a direção da oração ou a necessidade de espaços específicos
para rituais e cerimônias.
As crenças religiosas também podem influenciar a configuração do
espaço doméstico e público, como no caso das casas islâmicas tradicionais, que
são organizadas em torno de um pátio central e apresentam uma separação
rígida entre os espaços privados e públicos, o que reflete os princípios de
modéstia e privacidade do Islã.
Outro exemplo é a cidade de Teotihuacán, no México, onde a disposição
urbana e a arquitetura monumental refletem as crenças religiosas e
19
cosmológicas dos habitantes pré-hispânicos, com templos e pirâmides alinhados
aos pontos cardeais e a disposição das estruturas seguindo um plano reticular.
Portanto, compreender a influência da religião e das crenças na
concepção do espaço construído é crucial para respeitar e valorizar a
diversidade cultural e desenvolver abordagens sensíveis e inclusivas no
planejamento urbano e arquitetônico.
Vídeo
A Cidade asteca de Teotihuacán | Invenções Lendárias | History. History
Brasil, 13 fev. 2023. Disponível em: <[Link] Acesso
em: 18 maio 2023.
5.4 Espaços sagrados e profanos: uso e significado
O espaço sagrado é aquele que tem um significado simbólico e espiritual,
sendo dedicado a atividades religiosas e cerimoniais, enquanto o espaço profano
é destinado a atividades seculares e cotidianas. Essa distinção revela a maneira
como as sociedades humanas atribuem valor e significado ao espaço,
organizando-o de acordo com suas crenças e práticas culturais.
A relação entre espaços sagrados e profanos pode ser observada em
diversos contextos e culturas. Por exemplo, em cidades indianas tradicionais, os
templos geralmente ocupam uma posição central e são cercados por áreas
comerciais e residenciais, o que reflete a interação entre a vida espiritual e
cotidiana. Em contrapartida, na arquitetura cristã medieval, as igrejas e catedrais
não apenas serviam como locais de culto, mas também como centros de
atividade social e econômica, demonstrando a interpenetração dos domínios
sagrado e profano. Ao analisar o uso e o significado dos espaços sagrados e
profanos, é possível obter insights valiosos sobre a cultura e as práticas sociais
de uma comunidade, bem como informar abordagens mais sensíveis e
contextualizadas no planejamento e no projeto arquitetônico e urbanístico.
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Figura 5 – Vista aérea da Piazza Duomo, em Milão, Itália, em frente à catedral
gótica: a praça central tem diversas edificações no entorno, de modo que sejam
promovidas atividades cotidianas no entorno da catedral
Crédito: Ingusk/Adobe Stock.
TROCANDO IDEIAS
É fundamental refletirmos sobre a aplicação prática do conteúdo estudado
nesta etapa em nossa futura carreira na arquitetura e urbanismo. Ao desenvolver
projetos, é essencial considerar as particularidades culturais, sociais e
antropológicas das comunidades envolvidas, buscando entender suas
necessidades e respeitando suas tradições. Ao fazer isso, vamos contribuir para
a criação de espaços urbanos e arquitetônicos mais inclusivos e sustentáveis,
que promovam a convivência harmoniosa entre diferentes grupos e valorizem a
diversidade cultural. É importante nos lembrarmos de que o papel do(a)
arquiteto(a) e urbanista vai além da simples concepção estética dos espaços,
visto que isso envolve também a responsabilidade de promover o bem-estar
social e a qualidade de vida das pessoas que habitam esses espaços.
21
NA PRÁTICA
Atividade prática: Análise de espaços urbanos e arquitetônicos em sua
cidade ou região
Objetivo: Aplicar os conhecimentos adquiridos nesta etapa, observando e
analisando o ambiente urbano e arquitetônico de sua cidade ou região,
considerando aspectos culturais, sociais e antropológicos.
Instruções:
1. Escolha dois locais diferentes em sua cidade ou região para analisar.
Procure locais que representem diferentes contextos culturais, sociais ou
históricos (por exemplo, um bairro tradicional e um bairro moderno, ou
uma área residencial e uma área comercial). Caso você viva em uma
cidade pequena, considere ampliar sua análise para a região em que sua
cidade está inserida.
2. Visite os locais escolhidos e observe atentamente os elementos
arquitetônicos e urbanísticos, bem como as práticas sociais e culturais
que ocorrem nesses espaços. Tire fotos ou faça esboços para ilustrar
suas observações.
3. Para cada local, escreva uma breve descrição das características físicas
e culturais observadas, abordando questões como: formas de habitação,
uso do espaço público, presença de espaços sagrados ou profanos,
influência da religião e crenças na concepção do espaço, e a relação entre
cultura e sustentabilidade no planejamento urbano.
4. Faça uma análise comparativa entre os dois locais, destacando
semelhanças e diferenças em termos de arquitetura, urbanismo e práticas
culturais. Reflita sobre como os conhecimentos adquiridos nesta etapa
podem ser aplicados na compreensão e valorização da diversidade
presente em sua cidade ou região.
5. Compartilhe suas observações e análises com os colegas por meio do
fórum de discussão. Converse sobre as experiências e percepções de
cada um e busque identificar pontos em comum e contrastantes entre as
diferentes cidades e regiões representadas pelos estudantes.
Lembre-se de que a atividade prática visa ampliar a compreensão dos
conceitos abordados nesta etapa e desenvolver habilidades de análise e reflexão
crítica sobre o ambiente urbano e arquitetônico. Ao realizar a atividade, esteja
22
atento às diferentes dimensões culturais, sociais e antropológicas que
influenciam a produção do espaço e a vida das pessoas que o habitam.
FINALIZANDO
Ao finalizar esta etapa, é fundamental ressaltar a importância de
considerar os aspectos culturais, sociais e antropológicos no estudo e na prática
da arquitetura e urbanismo. Nesta etapa, abordamos temas essenciais como a
relação entre cultura e práticas sociais na arquitetura e urbanismo, a
necessidade de uma abordagem antropológica e cultural na concepção do
espaço, a inclusão e adequação das diferentes populações no espaço
construído, a diversidade cultural e os desafios no planejamento urbano, além
de projetos arquitetônicos e urbanos culturalmente sensíveis e inclusivos.
É importante que, como futuros(as) profissionais de arquitetura e
urbanismo, estejamos conscientes do papel crucial que desempenhamos na
criação e transformação de espaços que promovam a inclusão, respeitem as
diferenças culturais e valorizem o patrimônio histórico e social das comunidades.
Isso implica desenvolver habilidades para observar, analisar e compreender as
práticas e manifestações culturais em contextos urbanos e arquitetônicos, bem
como aplicar esse conhecimento em projetos que integrem sustentabilidade,
inovação e respeito à diversidade cultural.
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Brasileira para o Fortalecimento da Participação – Participe, Porto
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