Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
1. Papel no Sistema Financeiro Nacional
A CVM atua como entidade supervisora dentro do Sistema Financeiro Nacional.
É responsável pelo mercado de capitais (mercado de valores mobiliários).
Divide a função de fiscalização com o Banco Central do Brasil, ambos sob o guarda-chuva do
Conselho Monetário Nacional (CMN).
Sua principal atribuição é voltada exclusivamente ao mercado de capitais.
2. Natureza Jurídica e Vínculo
É uma autarquia federal em regime especial.
o Esse regime especial confere à CVM poderes específicos.
Está vinculada ao Ministério da Fazenda, mas sem subordinação direta.
Possui: A CVM é uma entidade autárquica em
regime especial vinculada ao Ministério da
o Personalidade jurídica e patrimônio próprios;
Fazenda e que é responsável pela
o Autoridade administrativa; regulação e fiscalização do mercado de
capitais no Brasil (mercado de valores
o Autonomia financeira e orçamentária. imobiliários).
Sede: Rio de Janeiro.
3. Composição e Estrutura
Composta por uma diretoria colegiada com 5 membros:
o Presidente + 4 diretores.
o Possuem estabilidade e mandato fixo de 5 anos, vedada a recondução.
o Todos nomeados pelo Presidente da República após aprovação do Senado Federal
(sabatina).
Requisitos:
o Reputação ilibada;
o Notória especialização em assuntos econômicos e financeiros. (Senado verifica se é vdd)
Perda de cargo:
o Por renúncia;
o Por condenação judicial com trânsito em julgado (decisão definitiva);
o Por Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
4. O que é o Mercado de Capitais? (Valores Mobiliários)
Local onde se negocia valores mobiliários. (Formas de investimentos coletivos e tem como
característica de serem ofertados publicamente).
A lei define o que são valores mobiliários:
o Ações, debêntures, bônus de subscrição; (títulos emitidos pelas empresas)
o Cupons, direitos, recibos de subscrição;
o Certificados de desdobramento/de depósito;
o Cédulas de debêntures, cotas de fundos/clube de investimento;
o Notas comerciais, contratos futuros, opções e derivativos (com ativos subjacentes
mobiliários ou não);
o Títulos ou contratos de investimento coletivo ofertados publicamente, que garantam:
Direito de participação, parceria ou remuneração;
Cujo rendimento derive do esforço do empreendedor ou de terceiros.
Exclusões – O que não é valor mobiliário:
Títulos da dívida pública (federal, estadual, municipal);
Títulos cambiais de responsabilidade de instituições financeiras (ex: CDB – título de
responsabilidade de I.F – não é valor mobiliário), exceto debêntures.
5. Atribuições da CVM (atua justamente nesses mercados)
A. Promoção do mercado
Estimular a formação de poupança e seu investimento em valores mobiliários.
Promover a expansão e o funcionamento eficiente e regular do mercado de ações.
Estimular aplicações permanentes em ações de companhias abertas, sob controle de capitais
privados nacionais.
B. Regulação dos ambientes de negociação Os mercados onde
são negociados os
valores mobiliários
Assegurar o funcionamento eficiente dos mercados de bolsa e balcão: são em bolsa e balcão
o Bolsa: público, exige maior porte das empresas. (Maior negociação)
o Balcão: menos rígido, admite empresas menores
C. Proteção ao investidor
Proteger os titulares de valores mobiliários (investidores) contra:
o Emissões irregulares de valores;
o Atos ilegais de administradores ou acionistas controladores;
o Uso indevido de informações relevantes ainda não divulgadas (informação privilegiada);
o Evitar ou coibir modalidades de fraudes ou manipulação de mercado destinadas a criar
condições artificiais de demanda, oferta ou preço dos valores mobiliários negociados no
mercado. (ex: criação artificial de demanda/oferta para influenciar preços).
Ex: pessoa que comprou uma ação no ambiente de bolsa de uma empresa. A empresa emitiu uma
ação e a pessoa/investidor comprou essa ação, tornando-se sócia dessa empresa. Aí a pessoa que
comprou a ação é a titular desse valor mobiliário. Ela que está investindo dinheiro, enquanto a
empresa é a emissora. Então a CVM vai proteger o titular, que é o investidor. Ela também protege
os investidores do mercado (se ainda não são titulares) contra emissões irregulares de V.M., quando
a empresa faz uma emissão irregular
D. Transparência e práticas justas
Assegurar o acesso público a informações sobre valores mobiliários e empresas emissoras;
Assegurar a observância de práticas comerciais equitativas no mercado;
Assegurar a observância no mercado, das condições de utilização de crédito fixadas pelo
Conselho Monetário Nacional.
📌 Atribuições da CVM por Objetivo:
✅ 1. Desenvolvimento do Mercado
Estimular a formação de poupança.
Promover a expansão e funcionamento do mercado de ações.
Estimular aplicações permanentes em ações de capital social.
⚙️ 2. Eficiência e Funcionamento do Mercado
Assegurar funcionamento eficiente.
Assegurar práticas equitativas.
Assegurar condições de crédito fixadas pelo CMN.
🛡️ 3. Proteção dos Investidores
Evitar/coibir fraudes fraudes ou manipulação com o objetivo de criar condições artificiais de
demanda, oferta ou preço dos valores mobiliários.
Proteger os investidores e titulares de valores mobiliários.
Acesso à informação adequada
- Assegurar o acesso ao público a informações sobre os valores mobiliários negociados e as companhias que
os tenham emitido.
🔍 4. Fiscalização e Punição
Fiscalizar permanente de atividades e serviços do mercado de valores mobiliários.
Verificação das informações divulgadas por participantes e ativos do mercado.
Aplicação de penalidades conforme a lei (poder punitivo).
⚖️ Poderes da CVM (entidade autárquica – tem poderes)
Poder Normativo: regula a atuação dos agentes do mercado.
Poder Punitivo: pode aplicar penalidades administrativas garantindo ampla defesa.
Poder de Fiscalização:
o Examinar livros e registros de pessoas físicas e jurídicas do mercado.
o Intimar pessoas para esclarecimentos e aplicar multas em caso de descumprimento.
o Apurar atos e práticas não equitativos e abrir inquérito administrativo.
o Requisitar informações a outros órgãos do poder público.
o Aplicar penalidades
🧾 Penalidades Administrativas Aplicáveis pela CVM
Advertência.
Multa.
Inabilitação temporária (até 20 anos) para cargos de administração e conselhos fiscais de companhia
aberta; o exercício das demais atividades.
Suspensão de autorização ou registro para exercer atividades no mercado sujeitas à fiscalização pela
CVM.
Proibição temporária até 20 anos para praticar determinadas atividades ou operações, para os
integrantes do sistema de distribuição ou de outras entidades que dependem de autorização ou
registro na CVM.
Proibição temporária (até 10 anos) de atuar diretamente ou indiretamente, em uma ou mais
modalidades de operação no mercado de V.M.
As pessoas têm direito de ampla
defesa, de se defender.
Apenas penalidades administrativas,
nada relacionado com prisão, por
exemplo.
📝 Importante:
A CVM não atua na esfera penal, civil ou fiscal. Ela apenas aplica penalidades administrativas. Se
houver indícios de crime, ela encaminha ao Ministério Público ou à Receita Federal, conforme o
caso.
📢 Atenuação das Penalidades; legislação prevê a possibilidade:
Arrependimento eficaz ou posterior.
Confissão espontânea do agente. Esses fatores podem reduzir a severidade das penalidades aplicadas
pela CVM.
A cvm tem a responsabilidade de denunciar ao ministério público a ocorrência de
indícios penal nos processos em que apura as irregularidades no mercado, bem
como a secretaria da receita federal quando da ocorrência de indícios de ilícito
fiscal = atribuições apenas nas esferas administrativas. Se for crime, comunica a
outros meios.
📚 Regulação no Mercado de Valores Mobiliários
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) atua juntamente com o Banco Central na fiscalização dos
operadores do Sistema Financeiro Nacional. No entanto, a CVM é responsável especificamente pelo
mercado de capitais.
Um ponto importante é que a atuação da CVM no mercado de capitais é mais ampla do que a do Banco
Central nos mercados de moeda, crédito e câmbio. Isso acontece porque o Banco Central, em sua maior
parte, exerce funções executivas. Já a CVM tem funções normativas, disciplinares e também punitivas.
Ou seja, a CVM disciplina, regulamenta e normatiza o mercado de valores mobiliários. É como se o
Conselho Monetário Nacional (CMN) delegasse essas funções à CVM.
A CVM, portanto, tem poder normativo (criação de regras), poder fiscalizatório (fiscalização das
atividades) e poder punitivo (aplicação de sanções em caso de irregularidades).
É importante destacar que a CVM não foi criada ao mesmo tempo que o Conselho Monetário Nacional e
o Banco Central. Inicialmente, as funções normativas do mercado de valores mobiliários eram de
responsabilidade do próprio CMN. Somente anos depois é que a CVM foi criada, assumindo essas
competências normativas e também a fiscalização do mercado.
Apesar disso, ainda há atribuições do CMN relacionadas ao mercado de valores mobiliários, como
disciplinar as bolsas de valores. Contudo, quem atua diretamente na regulamentação e fiscalização
prática do mercado é a CVM. Por isso, dizemos que ela exerce a função de regulação no mercado de
valores mobiliários.
Explicação em tópicos simples:
CVM e Banco Central dividem a fiscalização do sistema financeiro.
CVM cuida do mercado de capitais (ações, debêntures, fundos de investimento etc.).
A CVM tem mais funções que o Banco Central nesse contexto, pois não atua só executando: ela
cria regras, fiscaliza e pune.
A criação da CVM veio depois do Banco Central e do CMN.
Antes da CVM existir, era o CMN quem normatizava o mercado de capitais.
Com a criação da CVM, essas responsabilidades passaram para ela.
O CMN ainda tem algumas atribuições formais, mas a CVM que atua na prática.
Por isso, dizemos que a CVM é o órgão regulador do mercado de valores mobiliários.
Heterorregulação (pela CVM)
Fundamentada em princípios como:
o Interesse público
o Confiabilidade
o Eficiência
o Competitividade
o Mercado livre
Autorregulação
Feita por entidades do próprio mercado.
A CVM permite isso para:
o Reduzir custos.
o Aumentar eficiência e aceitação das regras.
o Permitir que quem está no dia a dia do mercado regule com maior conhecimento.
Para aumentar a eficiência da atividade regulatória, a CVM adota o sistema de autorregulação em
determinadas atividades do mercado de valores mobiliários. Isso evita a centralização excessiva de poder
na CVM, tanto na criação de normas quanto na fiscalização de seu cumprimento.
Ou seja, além da regulação tradicional feita pela CVM, ela permite que entidades do próprio mercado se
autorregulem, dentro de certos limites e com supervisão da própria CVM.
Pressupostos da autorregulação no mercado de valores mobiliários:
1. Redução de custos do regulador:
Quando a própria indústria cria regras e fiscaliza seu cumprimento, isso reduz o custo para a CVM,
que não precisa controlar todos os detalhes sozinha. Membros criam suas próprias regras para que
elas mesmas sigam, isso traz diminuição de custos.
2. Proximidade e conhecimento da entidade autorreguladora do mercado. (ela não precisa estar por
dentro de todos detalhes, pois aumentaria os custos).
3. Maior eficiência no mercado:
Como as entidades autorreguladoras estão presentes no dia a dia do mercado, elas conhecem
melhor as operações e conseguem criar normas mais específicas e eficazes.
4. Maior aceitação das regras:
Como as regras vêm da própria indústria, há mais comprometimento e adesão por parte das
instituições envolvidas. É diferente de receber uma norma “de cima”, da CVM apenas.
Como funciona isso na prática?
A autorregulação acontece, por exemplo, em bolsas de valores ou associações do mercado, que
definem regras que seus membros devem seguir.
A CVM continua supervisionando tudo, mas permite que essas entidades tenham mais autonomia
na criação e fiscalização de normas internas.
Isso torna a regulação mais flexível, prática e econômica.
A CVM regula e fiscaliza o mercado de capitais, mas permite que entidades do próprio mercado
participem dessa regulação (autorregulação), com o objetivo de:
Tornar o sistema mais eficiente;
Reduzir custos;
Melhorar a aceitação das regras;
E manter a supervisão sob sua responsabilidade.
RESUMO:
A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) atua exclusivamente no mercado de capitais, ou seja, no
segmento que envolve ações, debêntures, fundos de investimento, bolsas de valores, entre outros
instrumentos financeiros.
Nível da CVM:
Ela é uma entidade supervisora, ou seja, não executa políticas públicas diretamente, mas fiscaliza,
regula, disciplina e normatiza o mercado de capitais.
Composição da Diretoria:
A CVM possui uma Diretoria Colegiada, composta por:
o 5 membros no total:
1 presidente
4 diretores
Essa estrutura colegiada garante decisões mais equilibradas e técnicas.
Vinculação Administrativa:
A CVM é vinculada ao Ministério da Fazenda, ou seja, faz parte da estrutura administrativa do
Poder Executivo, mas atua com autonomia técnica.
Já o Banco Central do Brasil não possui essa vinculação direta, sendo uma autarquia
independente (desde a lei da autonomia do BC em 2021).
Formas de Atos Normativos da CVM:
Quando a CVM toma decisões, essas decisões são formalizadas por meio de instrumentos normativos,
como:
Portarias
Resoluções CVM
Instruções Normativas CVM
Resoluções conjuntas
Instruções normativas conjuntas
📌 As resoluções e instruções conjuntas normalmente são usadas quando a CVM atua em conjunto com
outras instituições, como o Banco Central.
CVM é órgão supervisor com poder normativo no mercado de capitais.