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Bakemonogatari

No primeiro volume de Bakemonogatari, o protagonista Araragi encontra-se em um parque vazio no Dia das Mães, refletindo sobre sua vida e suas experiências. Ele se sente solitário e perdido, mas acaba encontrando sua colega Senjougahara, que recentemente superou um problema que a isolava. A interação entre eles revela suas inseguranças e a busca por conexão em meio a desafios pessoais.

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Bakemonogatari

No primeiro volume de Bakemonogatari, o protagonista Araragi encontra-se em um parque vazio no Dia das Mães, refletindo sobre sua vida e suas experiências. Ele se sente solitário e perdido, mas acaba encontrando sua colega Senjougahara, que recentemente superou um problema que a isolava. A interação entre eles revela suas inseguranças e a busca por conexão em meio a desafios pessoais.

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Bakemonogatari: Volume 1 – Caracol Mayoi 001

Aconteceu de eu conhecer a Hachikuji Mayoi no décimo quarto dia de


maio, e era num domingo. Em nível nacional, era Dia das Mães. Não
importa se você amou sua mãe, não importa se você estava em bons
ou más tempos com ela, contanto que você seja um cidadão japonês,
é lhe dado o direito de igualdade de desfrutar o Dia das Mães. Bem,
acho que o Dia das Mães teve a origem nos E.U.A. Isso provavelmente
deve fazer você se perguntar se o Natal, Dia das Bruxas, Dia dos
Namorados, etc... estavam nessa mesma linha também, mas de
qualquer maneira, catorze de maio era o dia em que se registrou os
maiores gastos de cravos dos 365 dias do ano, e também o dia em
que, ao mesmo tempo, todas as famílias usavam os “Cupons de
Massagem nos Ombros” e “Cupom de Ajudar nas Tarefas”. Espere, eu
não tinha certeza se esse costume ainda estava por ai, ou não, de
qualquer forma, quatorze de Maio, era apelidado de Dia das Mães
daquele ano.

E era nesse dia.

Naquele dia, às nove da manhã.

Eu estava sentando num banco de um parque desconhecido. Olhando


como um idiota para o céu estupidamente azul, sem nada para fazer,
em particular, sentado num banco em um parque desconhecido. Por
isso, nem me importo onde ficava esse lugar, e tudo o que eu sabia
que era apenas um parque.

Parque 浪白(Namishiro), escrito no portão.

Se me perguntasse se isso era pronunciado “Namishiro” ou


“Rouhaku”[1], ou algo completamente diferente, eu não saberia. A
origem do nome, de novo, obviamente, também não sei. Eu vim para
cá sem nenhum objetivo em mente. Apenas me movia aleatoriamente
onde bem queria, onde minhas pernas me levassem, de bicicleta, e
acabei nesse parque, e isso era tudo que tinha, certo?
Há uma diferença entre visitar e chegar a esse local.

Mas diferente de mim, provavelmente não há diferença alguma.

Minha bicicleta estava estacionada no estacionamento do parque,


perto do portão da frente.

No estacionamento, estava esquecida, exposta aos ventos e


molhadas pela chuva, você simplesmente não tinha certeza se eram
bicicletas ou pilhas de ferrugem, haviam duas coisas lá, e outras
coisas que não fosse minha bicicleta, estacionadas ali. Em casos
como esse, um homem iria perceber profundamente a vaidade de
andar de bicicleta em uma estrada de asfalto, mas, ei, isso era uma
vaidade que você pode perceber a qualquer momento, não apenas
em casos como esse.

O parque era bastante amplo.

No entanto, depois de dizer isso, o parque era muito simples e podre


para se ter brinquedos infantis, provavelmente, por isso me senti
dessa maneira. Era só um grande espaço em volta. Um balanço em
um canto e uma caixa de areia que parecia mais uma caixa de areia
para gatos e era tudo; sem gangorra, sem trepa- trepa, nem mesmo
um escorregador. Para mim, um colegial do terceiro ano, este lugar
poderia se tornar um local de nostalgia e inspiração, mas com
certeza, não tinha como evitar em sentir o contrário.

Mas, ô porque de estar tão vazio, provavelmente por causa de algum


tipo de razão. Talvez tenha sido que nesse lugar, os brinquedos foram
considerados potencialmente traumáticos para as crianças e para a
sua segurança foram removidos e foi isso então? Ainda assim, meus
pensamentos iniciais não mudaram, comecei a pensar, os balanços
são, definitivamente, os mais perigosos, mas de qualquer maneira,
esse tipo de coisa não estava relacionado comigo, para o milagre de
eu possuí um corpo normal, sem nenhuma deficiência, não é como se
eu nunca tivesse tido tal experiência.
Eu certamente era empurrado muito pela minha sorte quando era
criança.

Isso era o que eu pensava, como um sentimento diferente de


nostalgia.

Mas.

Eu, em quatorze de Maio, a partir de um mês e meio atrás, eu já tinha


perdido o corpo que você poderia chamar de normal – o sentimento
arraigado em meu coração ainda não conseguia pegar a realidade
disso. Sério, isso não era algo que fosse superado em poucos meses.
E provavelmente nunca conseguiria.

Mas, pensei.

Tendo essa escassez de brinquedos em consideração, o parque se


sentiu indevidamente solitário. Na verdade, não há uma única pessoa
aqui, além de mim. Hoje era para ser Domingo em todo o país. Claro
que o parque não tinha brinquedos, mas em um lugar amplo, as
crianças poderiam estar jogando beisebol com uma bola de borracha
com um bastão de plástico, era o que eu pensava. Ou as crianças do
primário dos dias de hoje não jogam beisebol ou o tão popular
futebol? Provavelmente, estão em casa jogando vídeo-game ou
ocupados em seus cursinhos, talvez? Ou talvez as crianças ficam em
casa com suas mães em prol do Dia das Mães, sendo boas crianças.

De qualquer maneira, esse parque no domingo parecia como se eu


estivesse sozinho, sozinho do resto do mundo – podem achar que eu
estou exagerando nesse ponto, porque parecia que eu era o dono do
lugar. Eu me senti como se estivesse livre para nunca mais voltar
para casa. Porque era apenas eu, apenas uma pessoa aqui... Hm,
Espere, na verdade, há alguém. Não apenas eu. Cortando em linha
reta do espaço aberto do meu banco, em um canto do parque, até um
outdoor de metal – com um mapa da área residencial – estava uma
estudante do primário, o examinando. Eu não poderia dizer como ela
era apenas a vendo de costas. A grande impressão que eu tive dela
foi a mochila que levava em suas costas. Por um segundo, senti como
se eu tivesse encontrado um amigo e minha mente se soltou
vagamente, mas, a estudante do primário, depois de passar algum
tempo olhando o mapa, parecia que ela tinha lembrado de algo, e
deixou o parque para trás. Então fique sozinho.

De novo não, eu pensei.

“...Onii-chan[2], você...” De repente, fui lembrado das palavras da


minha irmãzinha.

Essas palavras passaram em minha mente quando voltava de


bicicleta para casa.

“...Onii-chan, é por isso que você...”

Sim.

Oh, droga. Murmurar isso fez com que eu mudasse minha posição de
onde estava olhando para um ponto fixo no céu, da onde olhava um
ponto no chão com a cabeça entre a mãos.

Eu estava olhando para cima, calmamente e relaxado, e nesse


momento me sentia pequeno e me odiava por isso. Auto-ódio seria a
palavra certa – normalmente, eu não sou esse tipo de pessoa, não
sou o tipo de que a palavra “angústia” passasse pela sua mente, mas,
mesmo assim raramente, como no décimo quarto dia de Maio, sim,
nesses dias agitados, costumo sempre ficar nessa condição, por
algum motivo. Situações especiais, configurações únicas. Sou
realmente sensível a isso. Eu perco meu relaxamento. Eu ainda sinto
vontade de fugir.

De fato, os dias normais são os melhores.


Por favor, chegue o amanhã logo.

Assim, dessa rara condição, um episódio relacionado com um caracol


começará. Olhando para trás, o episódio inteiro talvez nem tivesse
começado.

A sentença Namishiro(浪白), tem uma pronuncia semelhante a


Rouhaku, que no caso o kanji de Haku(泊) é semelhante a Nami(波) e
Shiro(白)

Termo carinhoso usado pelo(a) irmão(a) mais novo(a) para chamar o


irmão mais velho. Muitos casos se usa em pessoas que não tem
relação com sangue para chamar de irmãozinho.

Bakemonogatari: Volume 1 – Caracol Mayoi 002

“Ora ora, olhem só! Eu pensei que alguém tinha deixado um cachorro
morto no banco da praça mas era apenas você, Araragi-kun.”

Senti como se eu tivesse acabado de ouvir uma saudação tão nova


que poderia ser o primeiro homem a ser tratado assim na história da
humanidade, levantei meus olhos do chão para descobrir que minha
colega de classe Senjougahara Hitagi estava lá.

Obviamente, como era domingo, ela não estava usando seu uniforme.
Acho que devia falar algo sobre ser chamado de cachorro morto, mas
quando a vi com roupas comuns, e além disso, deixando seu longo
cabelo preso como um rabo de cavalo; essa refrescante visão da
Senjougahara me fez engolir as palavras que já estavam em minha
língua.

Uau...
Definitivamente não muito exposta, seus seios estavam
estranhamente enfatizados na parte de cima—e sua saia num
tamanho bem diferente dos uniformes escolares convencionais. Você
nem poderia chamar aquilo de saia, e aquelas meias pretas eram
ainda mais cativantes que suas próprias pernas.

“O que foi agora? Só disse oi. Era brincadeira. Não faça essa cara
assustada, por favor. Seu senso de humor é praticamente nulo,
Araragi-kun?”

“Hã? Ah, bem...”

“Ou você, o ingênuo Araragi-kun ficou tão fascinado pelas minhas


encantadoras roupas informais a ponto de ter seu momento de
felicidade?”

“...”

Sua expressão era como depois de uma piada ruim, mas de qualquer
forma, o quão perto aquela suposição estava do que eu sentia, acabei
não conseguindo formular uma resposta.

“Falando nisso, a parte 蕩 de ‘fascinado’ é uma palavra ampla. Sabia?


Escreve-se ‘coroa de grama’ sobre ‘água quente’ (湯). Então dentro de
mim, com o brilho do sol (明), pela ‘coroa de grama’, o moe (萌) passa a
ter um nível superior, assumindo a futura geração com simbolismos
referentes à grama. Uma palavra sensível como essa cria
expectativas em mim. Então nós poderemos ter algo como
“fascinação por empregadas” ou “fascinação por orelhas de gato”.

“...Suas roupas passam uma impressão diferente das que costumo te


ver, então eu me surpreendi. É só isso.”

“Oh, pode até ser. Era porque eu estava vestindo minhas roupas de
adulta da última vez.”
“Sério? Hah.”

“Falando nisso, eu comprei este conjunto inteiro ontem, para celebrar


minha parcial recuperação.”

“Recuperação...”

Senjougahara Hitagi.

Uma garota da minha classe.

Até recentemente, ela esteve lidando com um certo problema. Esse


problema, até recentemente—e desde que ela entrou no ensino
médio.

Por mais de dois anos.

Incessantemente.

Por causa desse problema ela não podia fazer amigos, não podia
abraçar ninguém, sua vida escolar era tão torturante como uma vida
dentro de uma prisão; felizmente, o problema foi resolvido segunda-
feira passada. Eu tive uma parte nessa ajuda—eu e Senjougahara
estudamos juntos o primeiro, segundo, e este, o terceiro ano, no qual
realmente nos falamos. Você pode dizer que uma conexão foi criada
entre mim e ela, que parecia calma e inteligente, tão belamente
fraca, doente e frágil.

O problema foi resolvido.

Resolvido.
Dito isto, vendo pela perspectiva da Senjougahara, o problema não
era tão simples, é claro—é muito ruim para ela ter tido que faltar aula
até o sábado, que foi ontem. Aparentemente ela passou esse tempo
no hospital fazendo exames.

Então, ontem.

Ela estava livre disso tudo.

Aparentemente.

Depois de tudo.

Ou ao contrário, por fim.

Ou, de um outro jeito, finalmente.

“Bem, embora eu disse assim, a raiz do problema não é fixa,


portanto, para mim, é uma questão delicada se deixar isso pra lá e
ser feliz ou não.”

“A raiz do problema—hm.”

Sim, o problema dela não era do tipo que simplesmente se resolve.

Mas não há muitos fenômenos que possam ser chamados de


problema—porque tudo é passageiro, e a verdadeira face do que você
chama de “problema” é como você interpreta mais tarde.

O mesmo vale para o caso da Senjougahara.


O mesmo vale para o meu caso.

“Eu não ligo. Tudo bem se você só pensar nisso.”

“Hah. Bom, ok.”

Aquilo era verdade.

Verdade para ambos.

“Sim, com certeza. Isso também significa que estarei feliz enquanto
continuar pensando com clareza.”

“... A maneira como você disse isso implica que há alguém em algum
lugar que não é feliz, mesmo pensando claramente.”

“Araragi-kun é idiota.”

“Então você disse diretamente!”

Ignorando completamente o contexto, também.

Então você diz que sou idiota por que...

Faz quase uma semana, e mesmo assim ela não mudou nada.

“Mas estou feliz,” Senjougahara disse com um leve sorriso. “Estava


andando para me acostumar com essas roupas, mas antes de tudo
queria que você me visse usando-as.”
“...Hm?”

“Porque resolver meu problema me permitiu escolher roupas


livremente, veja. Agora posso usar qualquer coisa, o que quer que
elas sejam, sem nenhum limite.”

“Ah... acho que você pode sim.”

Não poder escolher suas roupas.

Esse era um dos problemas dela, então.

Na idade dela, o que uma garota mais quer é se sentir bonita.

“Então você queria me mostrar elas primeiro, bem, muito legal da sua
parte.”

“Eu não queria mostrá-las a você, Araragi-kun, queria que você as


visse. A nuance é completamente diferente.”

“Sério?...”

Porém, ela estava com as roupas mais intensas do que aquelas “mais
suave” na segunda-feira ... No entanto, as roupas que ela estava
usando agora, com ênfase superior no peito, foram completamente,
certamente, charmoso o suficiente para manter os meus olhos
firmemente pregados. Seu gosto era provavelmente a culpa deu me
sentir atraído como que por um ímã poderoso. Ela estava fazendo a si
mesma uma menina doente, mas, muito ao contrário a essas
palavras, eu não podia negar uma inclinação positiva nela. Desde que
ela havia prendido o cabelo em um rabo de cavalo, a linha superior do
corpo se tornou aparente. Especialmente em torno de seu peito – uh,
por que eu estou falando sobre seu peito o tempo todo ... Não é
mesmo que expôs ... ou melhor, considerando o meio de maio e ela
vestindo uma jaqueta de manga comprida e meias longas, bastante
subexposta, mas, bem, exótico. Ora, o que isso significa? Talvez o
caso de Senjougahara Hitagi que aconteceu na segunda-feira e o caso
dá representante de classe, Hanekawa Tsubasa que ocorreu durante a
Golden Week tenha ambos me dado poderes para se sentir mais
atraído por uma mulher vestida em vez de uma vestindo lingerie ou
nua...

E se for pensar com calma, eu olhando dessa forma para uma colega
de classe é uma grosseria, na minha opinião. Eu me senti como eu
estivesse envergonhando a mim mesmo.

“A propósito Araragi-kun. O que exatamente você está fazendo aqui?


Você criou um hábito de matar aulas, enquanto eu estava na minha
licença? E você não pode conversar com seus pais sobre isso, então
você finge que estar frequentando, e fica matando o seu tempo neste
parque ou algo assim ... Se for esse o caso, o que eu estava temendo
realmente aconteceu!”

“Parece que eu estou sendo rebaixado ...”

E hoje é domingo.

Também é o Dia das Mães.

Eu queria falar, mas desisti em seguida. Senjougahara vive com seu


pai por certas razões. Quanto à sua mãe, ela estava em uma situação
ruim. Provavelmente ela se sentiria mal se eu falasse algo a respeito,
mas ainda não é algo que eu deveria falar livremente, eu acho. As
palavras “Dia das Mães” deve ser um tabu para Senjougahara partir
de agora.

Eu não— Eu não quero ir mais fundo nesse assunto.


“Não exatamente. Estou apenas matando o tempo.”

“Um homem que consegue responder “Estou apenas matando o


tempo” quando perguntado o que ele está fazendo, não vale mais
que uns rumores. Embora, eu preferira que essa ideia não tivesse
nenhuma relação com o Araragi-kun”.

“... Eu estou passeando ao redor daqui.”

De bicicleta, eu adicionei. Senjougahara ouviu, assentiu com um


curioso “hmm”, e se virou para a entrada do parque. Exatamente
onde a minha bicicleta estava estacionada.

“Então, essa bicicleta é sua?”

“Hm? Sim.”

“Ela está tão enferrujada que você pensaria que foi revestida com
óxido de ferro, sua corrente está quebrada e em pedaços, é incrível
como esta bicicleta ainda pode se mover.”

“Não essa!”

Essa é a bicicleta abandonada.

“Fora as duas bicicletas desse jeito, tem a legal, certo? A vermelha!


Essa é a minha!”

“Hm... Ah. Aquela Mountain Bike[1].”

“Sim, isso.”
“MTB.”

“Heh. Sim.”

“MIB.”

“Não.”

“Hmm. Ah, é você, Araragi-kun! De qualquer forma, é estranho. O


formato dela é bem diferente do que a que você me levou, eu acho.”

“Aquela é para a escola. Como se eu fosse andar com uma bicicleta


de cestinha por lazer.”

“Típico. Porque você é um colegial...” Senjougahara acena com a


cabeça, cantarolando silenciosamente com um ar conhecedor.
“Colégio, mountain bikes.”

“Você está falando como se houvesse algo por trás...”

“Colégio, mountain bikes. Ginásio, canivetes. Fundamental, levantar


saias.”

“O que essa sequência maldosa quer dizer!?”

“Sem conjunções ou adjetivos, não dá pra saber se é maldosa ou não,


certo? Não choramingue conclusões sem base para uma garota,
Araragi-kun. Initimidação é uma forma de violência, sabia?”

E abuso verbal não?


Embora eu não vá dizer, porque não adiantaria...

“Certo, tente colocar conjunções e adjetivos.”

“Colegial tendo mountain bikes é mais improvável que canivete do


ginásio ou levantar de saias do fundamental.”

“Então você vai ficar saindo do assunto, não!?”

“Ah, Araragi-kun! Era pra você ter falado que “tendo” não é conjunção
nem adjetivo, e sim um verbo no gerúndio, certo?”

“Como alguém conseguiria saber, com o jeito que você falou!”

E essa é a número um da escola.

Ou na verdade só eu não sabendo...

Literatura não é minha colher de chá.

“Quer saber, desencane. Não é nem como se eu gostasse tanto de


mountain bike, e de qualquer forma já passou, então decidi que serei
mais paciente sobre seu abuso verbal. Ou não paciente, flexível. Mas
há 50,000 colegiais que andam de mountain bike ao redor do mundo,
não? Está disposta a se colocar contra todos eles?”

“A mountain bike é realmente ótima. Uma pedra preciosa para todo


colegial admirar.”

Senjougahara Hitagi em “Voltando aos Velhos Tempos”.


Incaracterísticamente sábia em auto-defesa.

“Como o tipo de grandiosidade mostrado não foi nada como Araragi-


kun, eu acabei dizendo algo em ad lib[2].”

“E deslocou a responsabilidade...”

“Minha nossa, você gosta de ser implicante, não? Se quer morrer


tanto assim, te darei metade disso a qualquer momento.”

“Eu alegarei tratamento cruel!”

“Araragi-kun, você vem sempre aqui?”

“Você é definitivamente rápida em voltar ao assunto. Certo, não, é a


primeira vez, eu acho. Eu estava só andando na minha bicicleta, e
tinha uma pracinha, então estava só descansando um pouco.”

Francamente falando, parecia ser muito mais longe – achei que


tivesse pedalado até Okinawa, mas o fato que eu consegui esbarrar
na Senjougahara tão despretenciosamente, obviamente significa que,
de bicicleta, eu não pude nem mesmo sair da cidade que vivo. Como
uma vaca de fazenda.

É.

Talvez eu deva tirar uma carteira de motorista.

Mas isso depois que me graduar.

“Mas e você? Você falou sobre se acostumar, bem, isso significa


caminhadas reabilitante?”
“Eu falei sobre me acostumar com minhas roupas. Você, por ser um
garoto, provavelmente não faz isso? Você ainda andaria um pouco pra
se acostumar com os sapatos, pelo menos. Bem, vamos chamar isso
de sair pra dar um volta, sim.”

“Heh.”

“Esse lugar costumava ser meu território há muito tempo atrás.”

“...”

O território dela...

“Ahh. Certo, você se mudou durante o segundo ano. Então, você


morava aqui antes?”

“Bem, morava.”

Então ela morava.

Aha — Isso significa que não é só um simples passeio, nem algo para
se acostumar com as roupas, mas na verdade, como seu problema foi
resolvido, ela estava se sentindo nostálgica, também. Então ela pode
ser humana, também.”

“Já faz um tempo, porém, e esse lugar-“

“O quê? Você ia dizer ‘não mudou nada’?”

“Não, o oposto. Está completamente diferente,” ela instantaneamente


respondeu.
Então seu passeio de alguma forma deve ter terminado.

“Não que eu realmente me torne sentimental com isso — ainda


assim, quando é sua antiga casa, e ela muda, você simplesmente
sente sua motivação diminuir sem motivo em particular.”

“Não pode mudar, não incomoda, certo?”

No entanto, estive crescendo no mesmo lugar todo tempo, então,


francamente, não pude realmente me por no lugar dela. E eu não
tenho o que eles chamam de “cidade natal” em algum lugar do
interior, também...

“Verdade. Você não pode mudar,” sem uma apropriada reprimenda, o


que não é de seu feitio, disse Senjougahara. É raro ela não revidar em
algo como uma opinião pessoal. Ou ela achava que falar sobre isso
comigo não resolveria nada.

“Diga, Araragi-kun. Já que chegamos aqui, se importaria de ir comigo


ali?”

“Como assim?”

“Eu quero falar com você.”

“...”

O jeito que ela falou foi realmente sincero.

Suas intenções, simples e claras.


Diretas, direto ao ponto.

“Claro. Eu ocupei uma banco de quatro pessoas sozinho, então estava


começando a me sentir culpado de alguma forma.”

“Oh, então farei isso.”

Isso disse Senjougahara enquanto se sentava ao meu lado.

Aproximadamente próximos o suficiente para nossos ombros se


encostarem.

“...”

Hm... Por quê iria ela, num banco para quatro, se sentar como se
fosse para dois...? Isso é bem íntimo, Senjougahara-san. Bem à beira
de, bem, dois corpos se tocando, ou nem tanto assim, mas qual
movimento natural seria o suficiente — esse equilíbrio excelente é,
nós sendo colegas de classe, ou até mesmo amigos, só um minúsculo
pouquinho ótimo, parecia. Ainda assim, se eu tentasse me distanciar
agora, poderia deixar a impressão de que estaria tentando evitar
Senjougahara. Se ela pensasse isso, mesmo que essa não fosse
minha intenção, só de pensar em qual castigo Senjougahara liberaria
em mim foi o suficiente para eu, pessoalmente, não mover um
músculo. Como resultado — eu congelei.

“É sobre os acontecimentos recentes.”

Em uma situação dessas, em posições de comunicação como essa.

Senjougahara disse em um tom raso.

“Achei que deveria uma vez mais dizer obrigada.”


“...Oh. Não é nada, sério, eu não ligo. Pensando no que aconteceu, eu
não servi pra nada ali.”

“Verdade. Você não serviu nem mesmo como lixo.”

“...”

Tecnicamente era a mesma coisa, mas a frase era mais cruel.

Na verdade, essa mulher é cruel.

“Então vá agradecer o Oshino. Acho que isso serve.”

“O Oshino-san é uma história difernte. Isso e também que o Oshino-


san pediu para que eu pagasse a ele pelo trabalho. 100.000 yen, não
foi?”

“Sim. Você vai fazer meio-turnos?”

“Eu ia. No entanto, minha personalidade não é boa para trabalhar,


então estou tomando medidas para contornar isso.”

“Estar ciente de si mesmo é melhor do que não estar.”

“Não é algo que eu possa simplesmente terminar rapidamente...”

“Então você esteve contornando isso.”

“Estava brincando contigo. Sou séria sobre dinheiro. Bem, isso faz o
Oshino-san se distanciar disso — aqui vai. Agora, eu quero que você,
Araragi-kun, de uma maneira diferente da do Oshino-san, aceite
minha gratidão.”

“Bem, você essencialmente já disse, então já é o suficiente para mim.


Porque se você continuar repetindo palavras, não importa o quão
sinceras, elas perdem significado.”

“Ah, mas desde o começo, não era verdadeiro.”

“Então não era!?”

“Brincadeira. Era verdadeiro sim.”

“Você está transbordando piadas, não?”

Eu estava transbordando frustração.

Ahem, Senjougahara limpou a garganta.

“Me desculpe. É só que, sempre que você me fala qualquer coisa, eu


não consigo não revidar, querer atravessá-la.”

“...”

Qual é o sentido de adicionar isso depois de um “Me desculpe”?...

Eu me senti como se ela tivesse dito, “Somos incompatíveis.”

“Tenho certeza que, bem, sabe? Você está propensa a atormentar


alguém por quem sente afeição. Deve ser esse tipo de reação mental
infantil.”
“Nah, está mais pra quando você atormenta alguém fraco, esse tipo
de reação mental adulta.”

Hã?

Senjougahara acabou de falar que sou alguém por quem ela sente
afeição?

Ah, não, é só uma figura de linguagem...

Achar que qualquer garota que sorri pra você gosta de você, como
um pré-adolescente faria, não é realmente sensato (sorrisos são
grátis), então voltei para o assunto.

“Bem, na verdade, não acho que ninguém fez algo por você para você
se sentir tão inadimplente, e, como diria o Oshino, ‘Você se salvou
sozinha’, então para mim, todos os ‘obrigada’s e ‘de nada’s não
precisam ser falados. Eles só complicam relações num prazo longo.”

“Relações...” Senjougahara repetiu absolutamente na mesma


entonação. “Eu — Araragi-kun. Isto significa que posso pensar em
você como uma pessoa próxima?”

“Hã? Claro.”

Nós somos como aquelas pessoas que enfrentaram seus problemas e


os revelaram uma para a outra. Este não é mais o estágio de
“conhecidos”, muito menos de “só colegas de classe”, eu acho.

“Ah... Sim, nós somos como aqueles que sabem um a fraqueza do


outro.”
“É?... Nossa relação tinha essa tensão?”

Isso tende a ficar gelado...

“Só pense não como fraquezas, e sim que nós só naturalmente nos
aproximamos... Esse seria o certo, não? Então farei o mesmo.”

“Mas Araragi-kun, você não parece ser do tipo que tem muitos
amigos.”

“Isso foi verdade até o ano passado. Tipos à parte, esse era meu
lema. Só que eu tive uma mudança de paradigma durante as férias
de verão... E você?”

“Para mim isso foi verdade até o domingo passado.”

Senjougahara diz.

“Se quer mais — até eu conhecer o Araragi-kun.”

“...”

O que há com ela?

Na verdade, o que há com essa situação...

É como se a Senjougahara estivesse prestes a se confessar pra mim...


Está muito difícil para respirar, um silêncio muito cheio de significado,
bem... Sinto como se não estivesse preparado para isto. Se soubesse
que as coisas ficariam assim, teria escolhido melhores roupas,
penteado meu cabelo...
Não, espere!

Agh, agora estou ridiculamente envergonhado de mim mesmo,


começando a seriamente pensar que se confessarão a mim! Outra
coisa que estive pensando sobre, por quê meus olhos repousaram nos
seios de Senjougahara? Sou tão previsível assim!? Era Araragi Koyomi
um homem tão superficial a ponto de fazer decisões sobre uma
garota baseado em seu exterior (seus seios)?...

“O que foi, Araragi-kun?”

“Ah, hm... Me desculpe.”

“Pelo quê?”

“Meus pensamentos me fizeram perceber que minha existência é um


pecado...”

“Entendo. Um bastardo pecaminoso, é você?”

“...”

Mais uma vez, significava a mesma coisa mas com um nuance cruel.

“Resumindo, Araragi-kun...” disse Senjougahara, “qualquer coisa que


você diga, acho que pagarei dívidas a você. Senão, sempre sentirei
algo como uma fraqueza com você. Se queremos melhorar nosso
relacionamento, temos que passar por isso e sermos amigos em
termos quites.”

“Amigos...”
Amigos.

Por quê...

Supostamente é uma ideia tocante, independentemente de como


você olhar, ainda assim, como tive expectativas em excesso, me sinto
pra baixo por dentro, como posso dizer — é como se algo estivesse
desapontado dentro de mim...

Não, não é isso...

Definitivamente não é o caso...

“O que foi agora, Araragi-kun? Estou pessoalmente certa de que disse


algo bem legal, ainda assim sua expressão é desanimada.”

“Não é, não é. Saber que você se sente dessa forma eu me senti


como dançando um cancan francês que estou desesperadamente
tentando suprimir, então pode parecer diametral.”

“Ah.”

Ela acenou concordando, aparentemente satisfeita.

“Certo. De qualquer forma — Araragi-kun. Há alguma coisa que você


queira que eu faça? Farei qualquer coisa que me disser.”

“Q-qualquer?”

“Qualquer.”
“Certo...”

Uma garota da minha idade acabou de falar que faria qualquer coisa
para mim.

Parecia como se eu estivesse chegando numa conquista inesperada.

...

Mas tenho absoluta certeza que ela sabe o que está dizendo.

“Falo sério, qualquer coisa. O que quer que você você deseje — eu
realizarei para você. Domínio do mundo, vida eterna, desejo de
derrotar os Saiyajins que logo virão à Terra, o que for.”

“Isto significa que você tem mais poder que o Shen Long!?”

“Certamente sim.”

Ela afirmou.

“Prefiro que não ache que em um momento tão terrível eu não só me


tornaria inútil, mas até mesmo ir para o lado inimigo... Bem, sim, eu
prefiro um desejo mais individual. Algo mais simples.”

“Típico...”

“Está você, naturalmente, confuso com minha oferta? Então, você


pode ir com o mais comum, também. Nesta situação, há alguns
desejos frequentemente usados. Como, ‘Eu desejo que você me dê
cem desejos’.”
“É? Isso funciona? Estaria tudo bem para você?”

Nesta situação, o desejo frequentemente usado padrão seria sobre


fazer algo impudente e bem de tabú, não?

E ela mesmo disse.

Aquilo é simplesmente pedir por isto.

“Me diga qualquer coisa. Gostaria que me fizesse fazer qualquer coisa
que eu possa fazer. Como ficar terminando frases com ‘-nyu’ por uma
semana, ou ir para a escola sem vestir calcinha por uma semana, ou
me alimentar através de tubos por uma semana, estou certa de que
tem suas preferências.”

“Nossa, qual é o nível de fetichismo maníaco que você acha que


tenho!? Eu perdôo fácilmente, mas isso é simplesmente muito rude!”

“Ah... não, me desculpe mesmo, mas não acho que conseguiria fazer
essas coisas por toda a minha vida...”

“É o contrário! Não é porque você subestimou meus desejos que eu


estou bravo!”

“Ah, sério.”

A face de Senjougahara era como a de um Buddha.

Ela me têm completamente em suas mãos...

“Na verdade, Senjougahara, você tem certeza que aceitaria desejos


idiotas como esses?...”
“Plena certeza.”

“...”

Essa é uma certeza que você se daria bem em não ter.

“Pelo lado do brainstorm[3], eu pessoalmente recomendaria me fazer


te acordar enquanto visto nada além de um avental todo dia. Sou boa
em acordar cedo, também, na verdade. Enquanto visto só um
avental, claro. Não é o espírito de um verdadeiro homem apreciar a
vista pelas costas?”

“Não gaste palavras dispendiosas como “o espírito de um verdadeiro


homem” desse jeito! O espírito de um homem é mais, mais legal que
isso! E, se isso for feito em ambiente familiar, arruinará essa família
numa máxima e instantânea velocidade!”

“Parece que você não acharia ruim, senão pela família. Bem, se
importaria de viver em minha casa por uma semana? Embora seja
efetivamente a mesma coisa, eu acho.”

“Ouça, Senjougahara.” Finalmente reuni coragem para pedir para ela


fazer algo. “Mesmo que esse tipo de negociação chegue em uma
conclusão, não acho que nossa amizade seria possível depois.”

“Ah. É verdade, agora que você mencionou. Sim, certo. Deixemos de


fora o conteúdo sexual.”

Ok, justo.

Espere, fazer ela falar “-nyu” era algo sexual para a Senjougahara?...
Ela definitivamente tem gostos especiais para seu estilo sem graça.
“Mas eu não achava que você teria desejos de cunho sexual, de
qualquer forma.”

“Oh, essa é uma séria confiança.”

“Porque você é virgem.”

“...”

Já tivemos essa discussão antes, não?

Ah sim, semana passada.

“Virgens são bons de se lidar porque não são muito gananciosos.”

“Ah... Senjougahara. Espere um instante. Você tem dito várias coisas


sobre minha virgindade, mas não é você inexperiente também? Do
jeito que você diz eu não estou, hm, impressionado...”

“Ah, por favor. Eu tenho experiência sim.”

“Ah, sério?”

“Uma pilha dela.”

Disse Senjougahara sem nem contrair a sombrancelha.

Ela... realmente gosta de revidar tudo o que eu falo,


independentemente de quê...
A frase “uma pilha dela” incluída.

“Quer saber... Não sei como dizer, mas e se, vamos supor por um
instante que você realmente tem, então que bem faria me dizer esse
fato?”

“...Hmm.”

Envermelhou.

Foi o que eu fiz, entretanto, não Senjougahara.

Já estou tão cheio dessa conversa.

“Ok... Aqui vai sua correção,” Senjougahara logo disse. “Eu não, tenho
experiência. Sou virgem.”

“...Sigh”

Uma confissão assim, ainda era uma baita confissão.

Por outro lado, ela me forçou a falar, também, então é justo.

“O que significa!” Senjougahara firmemente continua, apontando seu


dedo indicador para mim, falando em uma voz tão forte que quase
ecoa pelo parque. “Ninguém conversaria com uma aberração virgem
entediante como o Araragi-kun, fora uma virgem mentalmente
instável atrasada-para-se-casar como eu!”

“...!”
Ela... precisa me ofender ao ponto de estar disposta a se depreciar
junto...

De certa forma, tiro meu chapéu a ela; de certa forma, mostro minha
bandeira branca a ela.

Recapitulação de todos os frontes.

Bem, com o comportamento e altos valores da Senjougahara, os


acontecimentos da última semana devem tê-la deixado se sentindo
tão fortemente machucada que pode ter se tornado traumático;
portanto, nesse caso, é mais sábio não cavar muito fundo; por causa
dela, isso pode ter se tornado mais uma doença do que uma
personalidade.

“Mas nós fugimos do assunto,” disse Senjougahara a mim, de volta à


sua voz calma. “Sério, não há nada, Araragi-kun? Algo simples, como
te ajudar com algo.”

“Me ajudar — hmmm.”

“Me comunico muito mal, e não consigo colocar me palavras, mas


acredite, quero ser útil para você.”

Não, eu não acho que você fale mal.

Até acho que você fala demais — mas hey, Senjougahara Hitagi...

Você não — parece de todo ruim.

Esses desnecessários pedidos colocados de fora, bem.


Essa não é uma ocasião para perversamente e banalmente trazer
desejos obscenos.

“Ou tipo te dizer como para de ser um isolado.”

“Eu não estou me isolando. Em qual mundo isolados têm um diabo de


mountain bike?”

“Você não pode ter certeza que nenhum isolado tem ou não. Só
porque alguém é solitário, você não pode impor seus preconceitos
nele, Araragi-kun. Ele pode ter tirado as rodas e pedalar em casa.”

“Como em uma bicicleta ergométrica?”

Esse seria um isolado saudável.

Se ele existisse.

“Mas não consigo pensar em nada que tenho problemas.”

“Pode ser verdade. Seu cabelo não aparenta que você acabou de
acordar.”

“Quer dizer que a pior das minhas preocupações seria um friso no


meu cabelo?”

“Não analise ao extremo. Sua consciência culposa é


surpreendentemente forte... Araragi-kun, não há tanto assim nas
entrelinhas daquelas duas frases, sabe?”

“De qual outra forma eu poderia interpretar aquilo...”


Céus.

Ela é como uma rosa, onde todas as pétalas contem espinhos.

“Acho que eu também posso te ajudar com problemas como aquela


garota que é gentil com todo mundo menos contigo.”

“Que cruel!”

Enquanto eu não falar pra ela fazer algo, mesmo que contra minha
vontade, esse desenvolvimento de eventos ameaça durar toda
eternidade.

Sigh...

Estou cheio.

“Certo... Meu problema... Bem, não posso falar que isso é algo que
realmente me incomoda, saiba você.”

“Ah. Tem algo!”

“Todo mundo tem algo.”

“Estou ouvindo, o que é?”

“Você parece decidida.”

“É claro, d’oh! Estamos prestes a saber se posso retornar o favor a


você ou não. Ou é algo difícil de se falar?”
“Não, não é...”

“Então fale! Falar sobre te faz se sentir melhor — pelo menos é o que
dizem.”

...

Você a ex-“pessoa mais fechada” que já vi, dizendo isso, não apoia
em nada essa frase.

“Eu, hã... briguei com minha irmã.”

“...Não parece que eu possa ajudar.”

Aí está uma mulher que desiste rápido.

Eu só comecei, droga...

“Mas termine a história, só no caso de...”

“No caso!...”

“Então, termine a história primeiramente.”

“É quase a mesma coisa.”

“O negócio com ‘primeiramente’ é que qualquer coisa que você diga


primeira já é ‘primeiramente’.”
“......Ahh, ok, sim.”

Eu jurei nunca falar isto.

Mas, bem, não onde estamos chegando.

“Você sabe, hoje é Dia das Mães.”

“Hm? Ah, certamente é.” Senjougahara concordou de maneira casual.

Acho que estava me preocupando demais com ela.

O que significa que o resto é — meu problema.

“Então, com qual irmã você brigou? Eu lembro que você tem duas,
certo?”

“Então, com qual irmã você brigou? Eu lembro que você tem duas,
certo?”

“Sim, então você sabia? Foi mais com a mais velha — mas na
verdade, foi, tipo, com as duas. O que quer que seja, onde quer que
estejam, quando, por quê e como, elas fazem juntas, perfeitamente
sincronizadas.”

“Elas são as duas Irmãs do Fogo da Árvore Tsuga, afinal.”

“Você até sabe o apelido delas...”

De alguma forma eu não gosto disso.


Embora eu goste menos ainda de minhas irmãs tendo um apelido
popular.

“As duas são grudadas em minha mãe também — então ela as trata
como gatinhos, animaizinhos de estimação. Então —”

“... Isso já explica.”

Com não só a parte besta do filhos mais velho sendo supostamente


baboseira abusiva para Senjougahara, mas também um fato não-
hiperbólico não-qualquer coisa, eu não pude deixar de admitir.

Sem falar em ser fora-de-lugar.

Eu me sentia realmente desconfortável aqui.

“Então, você tem se aventurado até aqui. Heh. Ainda assim, não
entendo. Como isso se tornou em uma luta com suas irmãs?”

“No começo da manhã, estava me esgueirando pra sair, e quando fui


preparar a bicicleta, minha irmãs me pegaram. Discussão na certa.”

“Uma discussão?”

“Aparentemente ela queriam celebrar o Dias das Mães comigo, mas —


bem, olhe, não posso fazer nada, e daí?”

“Você não pode, hã. E daí, hm.”

Senjougahara repetiu de forma profunda.


Ou ela queria que eu pensasse de novo.

O quão banais eram meus problemas.

Dado a família pai-e-filha de Senjougahara — provavelmente esse era


o caso.

“Frequentemente acontece de uma colegial odiar seu pai — seria a


mesma coisa um garoto que não aguenta ficar com sua mãe?”

“Sigh... Não, não que eu não aguente ficar perto dela, nem que eu a
odeie, mas é meio, hã, esquisito, bem, elas são as mesmas, na
maioria das vezes—”

É isto que ser o irmão mais velho significa.

É por isso que toda vez as coisas terminam do jeito que terminam—

“...Mas hm, Senjougahara. Esse não é o problema. Brigas com irmãs,


Dia das Mães e etc não são problemas — não só hoje, acontece todo
feriado, de alguma forma. É só que...”

“Só que o quê?”

“Olha. Eu poderia falar várias coisas, como não poder celebrar um


único Dia das Mães, ou que eu fico incontrolavelmente bravo com
irmãs quatro anos mais novas que eu, todas essas coisas são, bem,
coisas que mostram o quão insignificante sou como humano, não
importa o quanto isso me tira do sério, não há o que fazer.”

“Hm — esse é um problema complexo,” diz Senjougahara. “Aonde


você vai, seus problemas vão junto. Algo como o problema do ovo e a
galinha.”
“O ovo veio antes, aliás.”

“Ah, sério?”

“Não é complexo, só está em uma escala pequena. Tipo, tenha dó, eu


sou um humano patético! Mas, ainda assim, quando eu penso que
terei que me desculpar com minhas irmãs mais novas, eu repentina e
realmente não me importo em ir para casa. É como se eu pudesse
viver nessa praça para sempre.”

“Então você realmente não liga em ir pra casa — hm.” Senjougahara


suspirou. “Lamentavelmente, fazer algo sobre sua insignificância
como humano é algo fora das minhas habilidades...”

“...”

Sim, ela falou o óbvio, mas sua ida direto ao ponto e sua voz de
desapontamento me fizeram me sentir ainda mais pra baixo. Bem,
não é tão profundo ao ponto de estar realmente pra baixo, mas a
porção quase inexistente de profundidade no que sentia já era ruim
por si só.

“Ou, ‘Eu sou tão entediante’. Se é pra me preocupar, queria me


preocupar com a paz mundial, ou com como deixar todo mundo feliz.
Mas aqui está, minha preocupação, minúscula assim. Isso — é o que
odeio.”

“Minúsucla—”

“Ou você poderia chamar de ‘pobre’. É como se, hm, pegar um


biscoito da sorte e tirar ‘pequena boa sorte’ toda vez, este tipo de
pobreza.”
“Você não deve negar seu próprio charme, Araragi-kun.”

“Meu o quê? Você quer dizer que meu charme é tirar ‘pequena boa
sorte’ toda vez?”

“Estou brincando. E sua pobreza não é como a de tirar ‘pequena boa


sorte’ toda vez.”

“Deixe-me adivinhar, você vai me falar que é como a de tirar ‘grande


má sorte’.”

“Ah, não. Isso seria algo horrível...mente excelente. A pobreza do


Araragi-kun é igual...” Senjougahara segurou uma pausa para
adicionar peso ao que ela iria dizer, e então continuou. “...Quando
você tira ‘grande sorte’, mas lê o pequeno texto e descobre que o
conteúdo não são tão da sorte assim. É mais assim mesmo.”

Eu mastiguei e ponderei a ideia minuciosamente.

“Pobre pra caramba!” Eu gritei.

Eu nem mesmo ouvi falar de alguém tão pobre... Ao que posso dizer,
ela construiu essa muito bem... Uma coisa atrás da outra — ou
melhor, um revidar após o outro, essa mulher está cada vez mais
sinistra.

“Mas tirando a parte da sua mãe, a briga com sua irmãs parece bem
pequena. Porém, Araragi-kun, você deveria amar e mimar suas
irmãzinhas.”

“É briga toda hora.”

Até entre aquelas — a de hoje poderia entrar.


Mas a de hoje não foi comum.

“Então, não importa como veja, elas são horrendas, perturbadoras


irmãzinhas?”

“Minhas irmãs não são perturbadoras!”

“Ou poderia ser o oposto do amor. Você, Araragi-kun, está


surpreendentemente a fim de suas irmãs, presumo eu.”

“Não. Amor pelas irmãzinhas é uma fantasia daqueles que não têm
uma. Isso é completamente impossível na vida real.”

“Ah! Você, que as tem, soa tão superior a aqueles que não tem. Uma
atitude que não me agrada, Araragi-kun.”

“...”

O que ela quer dizer?...

“Pessoas que falam coisas como, ‘Dinheiro não é um problema~’, ou,


‘Queria não ter uma namorada~’, ou, ‘Sua histórico acadêmico não
importa~’... essas pessoas arrogantes. Ugh.”

“Irmãs mais novas não se encaixam nessas coisas...”

“Hm. Você não sente nada além de amor de um irmão por elas. Você
não se apaixonaria por suas irmãzinhas.”

“Quem se apaixonaria?”
“Sim. Você parece do tipo sororato.”

Soro rato?

Não, não acho que seja isso.

“Estou falando do casamento sororato. O oposto do casamento


leviato, que diz, se sua mulher morrer, você tem que se casar com a
irmã dela.”

“... Uma erudita como sempre, você continua ganhando minha


admiração, exceto que por quê eu sou esse sororato ou o que for?”

“No seu caso, você fazer a filha de uma mulher que não é de seu
parentesco te chamar de ‘Oniichan’, e então se casar com ela... então
ela ficará te chamando de ‘Oniichan’ até mesmo depois do
casamento, o que é o real, verdadeiro significado—”

“Isso faz parecer que eu matei minha primeira esposa!”

A parte cômica do “homem hétero” não foi originalmente dada a


mim, mas a frase de Senjougahara me fez reagir antes que ela
pudesse terminar.

“Então, sororate Araragi-kun—”

“Por favor, eu imploro, me chame só de amante-de-irmãs!”

“Bem, você disse que não se apaixonaria por sua própria irmã.”

“Mas não me apaixonaria pela minha irmã-na-lei[4], também!”


“Então, você se apaixonaria por sua amante-na-lei[5].”

“Eu só disse... O quê? Que lei trata de amantes?”

O que foi isso?

Não, chamando um casal “-na-lei” faria, pensando bem, se encaixar,


já que “-na-lei” dá um sentido de dever, obrigação; mas do que são
chamados os amantes, então?... E nós saímos tanto do assunto...

“Você é minúsculo sem sombra de dúvida, ficando estupefato com


uma investida de nível iniciante.”

“O que você falou não é de nível iniciante.”

“Eu só estava te testando.”

“Me testando para quê... ou, quer dizer que você esteve brincando
esse tempo todo!?”

“Se eu estivesse séria, eu teria me transformado.”

“Transformado!? Caramba, eu quero ver isso!”

Não, nem mesmo eu tenho certeza se quero...

Senjougahara suspirou, parecendo pensativa.

“Você reage exageradamente demais, mas ainda é minúsuculo como


humano... E se isso tiver algo a ver com karma? Mas, por mais pobre
o humano que você seja, eu não lhe varrerei para longe. Estarei aqui
pela sua pobreza humana.”

“Esse foi outro termo esquisito.”

“Estarei aqui não importa o quê. Desde os picos do oeste até os


mares do leste, serei teu alivio no inferno se assim desejar.”

“...Certo, sabe, você soa até legal dizendo frases assim, só...”

“Então, tirando coisas como seu tamanho humano, tem algo te


atormentando?”

“...”

E se ela me odeia?

E se eu estiver sendo seriamente intimidado agora?

Queria que isto fosse só um complexo de perseguição...

“Ainda assim nada vem à mente...”

“Nada que quer e nada que você esteja tendo problemas — hmm...”

“Com quais insultos serei banhado desta vez?”

“Você é um cara grande, isso é ótimo.”

“Esse foi um elogio forçado, não.”


“Você é exorbitantemente granfe, Araragi-kun.”

“Sem elogios forç... Hã, como assim? Eggs or beat antler[6]?”

“É uma hipérbole para ‘grande’. Não sabia?”

“Não... E por quê você está trazendo palavras cultas assim só pra me
elogiar, o que você está tramando?”

E ela me disse que eu era um cara grande, de tanta coisa pra falar... E
acabamos de falar sobre como sou um pobre humano.

“Nada, eu só pensei que você poderia desejar por uma semana sem
insultos, então só pensei em praticar adiantadamente.”

“Eu não acho que conseguiria, de qualquer forma.”

Isso seria como te pedir para não respirar, para fazer seu coração
parar de bater.

E se supormos que ela parará com os insultos por uma semana, não
seria mais a Senjougahara que conheço, e não seria divertido pra
mim também — pera, por quê parece que estou me tornando incapaz
de me separar do veneno da Senjougahara agora?

Essa foi por pouco...

“Ok, ok... A propósito, é incrível como você ficou instantaneamente


sem ideias depois de excluir os desejos de cunho sexual.”
“Isso é verdade, exceto que eu não tinha ideias mesmo antes dessa
restrição.”

“Pois bem, Araragi-kun. Digamos que elas podem ser um pouquinho


sexuais. Pelo nome de Senjougahara Hitagi, eu aceitarei libertar tal
desejo.”

“...”

Deveria eu fazer alguma coisa?

Ahh, hiper auto-percepção a essa hora... Isso é agitante.

“Tem certeza que não tem nada? Como te ajudar a estudar.”

“Eu já desisti à essa hora. Enquanto eu me formar é o suficiente”

“Então, você quer se formar?”

“Estou certo que posso fazer isso normalmente!!”

“Então, você quer fazer isso normalmente?”

“Você só está perguntando.”

“Então, vejamos—”

Senjougahara faz uma pausa significante, e então escolhendo um


momento oportuno, diz:
“Você quer uma mulher?”

“...”

Isto é ainda—hiper auto-percepção?

Essa deve ter sido profunda.

“E se eu disser ‘sim’?.. O que aconteceria?”

“Você conseguiria uma namorada,” diz Senjougahara com sua cara de


blefe. “Só isso.”

“...”

É...

Embora, pensando de forma mais profunda, faz sentido.

Mas que raios de situação é essa? Independente do que eu escolha,


ou progrida, fazer uma pessoa realizar esse pedido por obrigação não
é certo. Não de foma ética ou moral, é que simplesmente não parece
certo.

Porém, amantes-na-lei é o que não somos, também.

De alguma forma eu senti que entendi o que o Oshino disse uma vez.

Salve a si mesmo...
Do ponto de vista de Oshino, o que eu fiz — tanto pela Senjougahara
como pela representante de classe, ou por aquela mulher das férias
de verão... aquela vampira — podia parecer bonito mas não era certo.

Pois o problema da Senjougahara foi resolvido por ninguém mais que


a Senjougahara, seu próprios sinceros sentimentos.

Nesse sentido — realmente não seria bonito.

Em quem quer que eu busque apoio.

“Não, nada assim, mesmo.”

“Hmm. Certo.”

Se teve um significado mais profundo ou não, e se teve, qual tipo de


significado foi, tudo se tornou obscuro — pois essas foram as palavras
da Senjougahara, se comportando como se nada tivesse acontecido.

“Certo, me compre um suco ou algo dessa vez. Então ficaremos


quites.”

“Oh. Altruísta, somos nós.”

Você é realmente um homem grande, Senjougahara adiciona de for


conclusiva.

Mostrando sua vontade de terminar o assunto ali.

Assim.
Virei minha cabeça pra frente. Senti que passei um bom tempo
olhando pro rosta da Senjougahara, então foi intencional. Ou talvez
eu estava desviando o olhar por desconforto, então olhei para frente
— onde.

Onde, uma garota estava.

Uma garota carregando uma grande mochila.

Bakemonogatari: Volume 1 – Caracol Mayoi 003

A menina parecia ter por volta dos nove ou dez anos de idade, parada
num canto do parque, ao lado do quadro de metal de avisos com um
mapa — encarando a área residencial das proximidades nele. Ela não
olhou pra mim dali, então não dava pra dizer como ela se parecia,
mas a grande mochila dela era bem impressionante — então pude me
lembrar. De fato, essa mesma garota esteve olhando para o desenho
da vizinhança mesmo antes de Senjougahara chegar aqui. Antes ela
tinha ido embora cedo — bem, parecia que ela tinha voltado
novamente. Aparentemente comparando o quadro com algo como
uma nota nas mãos dela.

Hmm.

Acho que ela está perdida. Tenho certeza de que a nota tem um mapa
desenhado à mão ou um endereço escrito nela. Olho para a mochila
dela.

Tem a assinatura de um nome costurada nela — “5-3, 八九寺真宵”,


denotado em traços grossos de um marcador. 真宵, “cedo”
“crepúsculo”... deve ler-se, “Mayoi” (soa como “hesitação”,
“perdido”).

Mas 八九寺... Como você lê um sobrenome desses? “Yakudera”... ou não?


Sou péssimo nessa língua.
Acho que vou perguntar a alguém fluente.

“Ei, Senjougahara. Olha, perto do quadro de avisos, tem uma


estudante da pré-escola, certo? Como você lê o nome assinado na
mochila dela?”

“O quê?” Senjougahara disse lentamente. “Não consigo ver isso.”

“Oh...”

Verdade.

Quase me esqueci.

Meu corpo não é mais normal — e ontem, no sábado, deixei a


Shinobu beber o meu sangue. Mesmo que não seja tão ruim quanto
costumava ser durante as férias de primavera, agora tenho
capacidades notavelmente altas. Minha visão não era uma exceção.
Se eu me esquecer do limite só um pouco — posso ver coisas a
distâncias impossíveis sem perceber. Isso por si só não é um
problema, mas ser capaz de ver o que ninguém mais consegue — não
parece particularmente certo.

Uma discordância com os arredores.

Apesar de que essa era uma preocupação da Senjougahara também.

“Er... bem, os kanjis são lidos como ‘8’, ‘9’ e ‘templo’...”

“...? Bem, isso seria Hachikuji.”


“Hachikuji?”

“Sim. Você não consegue ler kanjis compostos desse nível, Araragi-
kun? Estou surpresa de que tenha se formado do jardim de infância.”

“Você pode se formar disso vendado!”

“Você está se superfaturando demais, devo dizer.”

“Você encontra falhas numa refutação corretiva?!”

“Não me divirto com presunção.”

“Não me divirto com você...”

“Sinceramente, Araragi-kun, se você tivesse apenas um pouco de


interesse em livros clássicos ou de história, ou seja, se você fosse um
homem de curiosidade intelectual, teria sabido. No seu caso, acho
que é uma vergonha pra vida toda, não importando se você pergunta
a alguém ou não.”

“Claro, claro. Então eu não tenho educação.”

“Se você acha que estar ciente de si mesmo é uma coisa melhor do
que não estar, está cometendo um grande erro.”

“...”

Acho que fiz algo ruim para ela.


Porque ela supostamente estava falando sobre como queria me
retribuir, mas...

“Oh, você... Okay. De qualquer forma. Então se lê Hachikuji Mayoi...


Heh.”

Que nome estranho.

Bem, dito isso, pode ser mais normal que “Senjougahara Hitagi” ou
“Araragi Koyomi”. De todo jeito, é bem inapropriado sacanear o nome
das pessoas.

“Um...”. Dou uma olhada em Senjougahara.

Hm-m.

Não importa como se pense nisso, ela não é do tipo que se derrete
em frente de crianças... Posso imaginar uma bola vindo rolando, e ela
apenas a jogando de lado na direção oposta, no entanto. Ou chutando
uma criança que chora por ela ser barulhenta.

Por isso, é mais fácil apenas ir sozinho.

Ou se não fosse Senjougahara, mas sim outro alguém, seria melhor


para a cautela da criança se eu fosse junto com uma garota.

Oh, bem.

“Ei, poderia esperar aqui um pouco?”

“Claro, mas, Araragi-kun, o que você está fazendo?”


“Vou falar com a garota pré-escolar.”

“Não vá. Você ficaria apenas magoado.”

“...”

Sério, ela diz as piores coisas como se elas não fossem nada.

Não, vou dizer isso a ela mais tarde.

Agora, a criança.

Hachikuji Mayoi.

Saindo do banco, atravesso a área do parque — para onde o mapa


fica e onde a garota de mochila está num ritmo rápido. A garota está
tão desesperadamente ocupada verificando a nota em comparação
ao mapa que ela nem me percebe vindo por de trás dela.

Deixando um passo de distância entre nós, eu a chamo.

Tão amigável e animadamente quanto possível.

“Ei. E aí, você ficou perdida?”

A garota se virou.

Seu cabelo têm marias-chiquinhas e uma franja curta, deixando suas


sobrancelhas visíveis.
As características dela implicavam inteligência.

A garota — Hachikuji Mayoi me deu uma longa e exploradora olhada,


então abriu sua boca.

“Não fale comigo, por favor, eu te odeio.”

“...”

...

Volto para o banco, cambaleando feito um zumbi.

Senjougahara parece curiosa.

“Bem? O que aconteceu?”

“Isso magoou... Eu acabei magoado...”

Levei mais dano do que poderia imaginar.

Dez segundos antes de me recuperar.

“... Vou mais uma vez.”

“Mas pelo que, de onde vem isso?”

“É bem óbvio,” falei.


E, para a revanche.

Essa menina Hachikuji Mayoi estava olhando para o quadro de avisos


mais uma vez, parecia que nosso súbito encontro nunca tinha
acontecido.

Aparentemente o comparando com a nota dela. Tento olhar por sobre


o ombro dela — então não é um mapa, mas sim um endereço. Não
moro por aqui, então não posso reconhecê-lo, mas, bem, fica por
volta daqui.

“Ei, você.”

“...”

“Você está perdida, não está? Aonde você quer chegar?”

“...”

“Deixa eu ver essa nota sua por um momento.”

“...”

“...”

...

Cambaleei de volta para o banco feito um zumbi.

Senjougahara parece curiosa.


“Bem? O que aconteceu?”

“Ela me ignorou... uma menina pré-escolar simplesmente não ligou...”

Levei mais dano do que imaginava.

Dez segundos antes de ter me recuperado.

“Desta vez... vou conseguir.”

“Araragi-kun, não tenho nem mesmo certeza do que você quer fazer,
ou do que você está fazendo...”

“Deixa pra lá...” falei.

E, em mais uma revanche.

Essa menina Hachikuji está encarando o quadro de avisos.

O primeiro golpe decide a batalha, eh. Estapeei a parte de trás da


cabeça. Aparentemente, Hachikuji realmente não tinha visto isso
vindo, porque, como resultado, ela bateu sua testa com força total no
quadro de avisos.

“O, o que você está fazendo!!”

Você se virou para mim.

Obrigado.
“Qualquer um viraria quando se leva um golpe por detrás!”

“Uh... É, foi mal por isso.” Meus sentimentos tinham mudado por
conta dos choques repetidos. “Mas você sabe? No kanji de ‘vida’ (命), o
kanji de ‘golpe’(叩) faz parte.”

“Aonde você quer chegar?!”

“A vida brilha especialmente depois que você leva um golpe.”

“Eu me sinto muito brilhante!”

“É...”

Não pude deixar isso para lá.

Que pena.

“É só que você parecia estar com problemas, então pensei que


poderia ajudar.”

“Alguém que acerta o pescoço de uma garotinha do nada e então a


ajuda não existe neste mundo! Absolutamente não existe!”

Ela estava realmente cautelosa agora.

Não posso culpá-la, no entanto.

“Ugh, me desculpa. Estou me desculpando de verdade! Eh, sou


Araragi Koyomi.”
“Oh, Koyomi. Oh, que nome de garota.”

“...”

Que jeito de se ir.

Normalmente não me dizem isso num primeiro encontro.

“Você cheira a mulher!! Por favor, não chegue perto de mim!!”

“Não posso deixar isso passar vindo de uma mulher, mesmo que tão
pouco, me dizendo isso...”

Espera, espera.

Se acalme, se acalme.

A confiança vem primeiro — certo?

Tenho que amenizar o ar um pouco, ou então não vai ter conversa.

“Então, qual é o seu nome?”

“Eu sou Hachikuji Mayoi. Meu nome é Hachikuji Mayoi. É um nome


que a minha mãe e o meu pai me deram que é muito querido pra
mim.”

“Aha...”

Aparentemente, a leitura dele estava correta, mas...


“De todo jeito, não fale comigo! Eu te odeio!!”

“Por que isso?”

“Porque você me acertou por trás!”

“Você já tinha me dito que me odiava antes de ser acertada.”

“Nesse caso, é carma de uma vida passada!!”

“Essa é uma maneira nova de ser odiado.”

“Temos sido inimigos jurados em nossa pré-existência!! Eu era uma


princesa gloriosa, e você, um lorde do mal!!”

“Você está se deixando levar sozinha.”

Não siga estranhos.

Ignore estranhos que tentem falar com você.

Os tempos não são bonitos, e as crianças têm tais ensinamentos


perfurados em si até os ossos... Ou talvez signifique que minha
aparência simplesmente não é do tipo que uma criança gostaria.

De qualquer maneira, é deprimente quando uma criança te odeia.

“Vamos apenas nos acalmar. Não quero te machucar. Eu só vivo nesta


cidade, e sou amigável com qualquer um, seja homem ou besta,
como ninguém mais daqui, sabe?”
Okay, isso foi demais a se falar, mas para lidar com ela, esse deve ser
o nível certo de exagero. O melhor plano com crianças ou não é fazer
as pessoas acharem que você é fácil de se lidar. Se Hachkuji foi
convencida ou não, ela murmurou de uma maneira muito apropriada
a ela, então disse, “Tudo bem,” e adicionou, “não vou ser tão
desconfiada.”

“Isso ajuda.”

“Então, homem-ou-besta-san...”

“Homem-ou-besta-san?! Quem é esse?!”

Oh, uau...

A expressão por si só não era nada demais, mas ela meramente


deixou a primeira parte de fora, e eu me tornei alguma criatura meia-
boca desprezível... Claro, ela ouviu mal, mas e se for algo que as
pessoas ouvem mal um bocado? E eu estive usando isso, até mesmo
me chamando disso...

“Ele está gritando comigo!! Estou assustada!!”

“Olha, foi mal se gritei, mas é terrível chamar alguém de Homem-ou-


besta! Qualquer um gritaria!!”

“Sério?... Mas você se chamou disso primeiro. Não fiz nada além de
concordar por essa sinceridade.”

“O mundo não funciona como se qualquer coisa caminhasse assim


que for feita com sinceridade... E você ouviu mal.” Na verdade, essa
expressão faz perfeito sentido, é apenas quando as pessoas a
encurtam que ela começa a soar como um mutante... Mas, de toda
forma.

“Então estou dizendo que você não deve encurtar essa expressão, já
que você não a entende.”

“Certo. É mesmo? Entendo. Então deve ser que nem a palavra


‘loucura’... Então é que nem como, enquanto você aceita
personagens que ficam animados e gritam ‘Que loucura!’ numa voz
delirante, não consegue aceitar um personagem que seria introduzido
na narrativa como, ‘Ele era propenso a se deixar enlouquecer...’, não
é?”

“Não tenho certeza... Eu mesmo não consigo realmente aceitar um


personagem que ficaria animado e gritaria ‘Que loucura!’ numa voz
delirante...”

“Então como eu te chamo?”

“Como o normal, óbvio.”

“Muito bem. Araragi-san?”

“É, isso é normal, continue normal!”

“Eu te odeio, Araragi-san.”

“...”

O ar estava rígido.

“Você fede!! Por favor, não chegue perto de mim!!”


“Ficou pior do que eu cheirando a mulher?!”

“Um... Concordo, ‘feder’ pode ser uma descrição cruel. Vou me


corrigir.”

“É, se puder.”

“Você cheira a estranho!! Por favor, não chegue perto de mim!!”

“Você é incoerente, não somos estranhos oficialmente!”

“Tanto faz, eu não ligo!! Por favor, prontamente vá pra algum outro
lugar!!”

“Nah... Então, você está perdida?”

“Esta não é uma situação tão difícil pra mim!! Este problema é bem
familiar pra mim!! É uma coisa muito comum pra mim!! Porque sou
uma produtora de viagens!”

“Uma agente de viagens ou uma encrenqueira[1]?” Se isso fosse


verdade, significaria que ela não estava perdida, mas infelizmente.
“... Espera, sobre o que você está agindo tão obstinada?”

“Não estou!!”

“Posso dizer que sim.”

“Toma isso!”
Assim Hachikuji gritou enquanto colocava seu peso num chute alto
que me acertou. Não pensei que uma garota pré-escolar seria capaz
de chutar desse jeito, numa posição perfeita, pareceu que minha
espinha foi golpeada. Contudo, como ouvir e chorar, tem uma óbvia
diferença entre o cumprimento do corpo de uma pré-escolar e o do de
um colegial. Essa é uma diferença que você apenas não pode passar
por cima.

O chute alto de Hachikuji podia ter tido meu rosto como alvo, mas
apenas acertou, no máximo, minhas costelas. Certamente, um dano
será levado de qualquer modo se alguém aterrissa a ponta do sapato
dele nas suas costelas, mas isso não tem nenhuma qualidade
“insuportável”. Rapidamente, assim que a perna da Hachikuji me
acertou, peguei-a numa agarrada ao redor de seu calcanhar.

“Ah, naum!” grita Hachikuji, mas é tarde demais. ... Vou perguntar a
Senjougahara depois sobre o quão gramaticalmente correto o “naum”
estava. Eu decidi nunca deixar Hachikuji, que agora estava de pé num
só pé, ter alguma ideia antes que eu, assim como se puxa um
rabanete no campo, puxasse a outra perna dela pra cima. No judô, no
entanto, tem uma regra contra agarradas como essa, mas,
infelizmente, esta é uma luta de rua. Hachikuji foi transportada pelo
ar, e, ao mesmo tempo, eu vi o conteúdo de sua saia bem diante de
mim, num ângulo bem ousado também, mas eu, não sendo um
pedófilo, não fui distraído somente por isso. Puxei ela nas minhas
costas.

Mas nossa diferença foi jogada no outro lado, dessa vez. Hachikuji era
pequena, e, enquanto tudo que se leva para bater o tapete é uma
fração de segundo no ar, um cara como eu teria de ter essa pequena
distância também — apenas um pouco. Contudo, nesse curto tempo,
nessa curta distância, Hachikuji pôde mudar de pensamento e usou
uma mão livre para segurar meu cabelo. Eu estava, por um motivo,
deixando-o crescer, então — até mesmo os pequenos dedos de
Hachikuji podiam facilmente segurar a embreagem. Enquanto a dor
percorria a pele da minha cabeça, soltei o calcanhar de Hachikuji das
minhas mãos.
Mas Hachikuji não era tão ingênua a ponto de correr. Ainda em
minhas costas, não esperando por uma aterragem, ela se virou,
usando meus ombros como pivô, e conseguiu atacar minha cabeça.
Foi uma rejeição. Ela acertou. Contudo — superficialmente. Como os
pés dela não estavam estáveis, o poder de transmissão não foi
normal. Diferenças em idade, em experiência em lutas de rua se
tornaram claras. Não me apressei na finalização; eu me acalmei e
poderia acabar com a luta num único golpe agora. Se eu tivesse feito
isso, poderia ter sido minha cena de retaliação. Uma aliança ao meu
triunfo. Consegui pegar o braço dela com o qual ela tinha me
golpeado — parecia ser o esquerdo — espera, nós estávamos de
costas um ao outro, então deveria ser o direito dela, então eu peguei
o braço direito dela e, dessa estância, o movi para uma lançada de
ombro completamente nova!

Dessa vez — funcionou.

Hachikuji acertou o chão e estava sobre suas costas.

Tomei minha distância, contando com um rápido levanta—

Mas não pareceu que ela se levantaria.

Eu venci.

“Caramba, sua vaca estúpida — você realmente pensou que uma pré-
escolar poderia vencer de um colegial! Fuhahahahahhahah!”

Podia-se então testemunhar um garoto do colegial que lutou com


tudo contra uma menina pré-escolar, lançou-a sobre o ombro dele
com força total e realmente riu altivamente, vitorioso.

Isso é, eu mesmo.
Então Araragi Koyomi era alguém capaz de praticar bullying contra
uma garotinha e rir de alegria... Fiquei com nojo de mim mesmo.

“... Araragi-kun,” chamou uma voz fria como gelo.

Eu me virei para encarar Senjougahara.

Acho que ela não conseguiu aguentar ficar olhando e veio.

Com uma expressão de suspeita absoluta.

“Eu disse mesmo que o seguiria até o inferno, mas, vendo que
humano insignificante você foi, minha, eh, dor é absolutamente outra
coisa, então não me entenda mal sobre isso.”

“... Por favor, permita-me dar uma desculpa.”

“Claro.”

“...”

Eu não dei nenhuma.

Não tinham muitas para serem encontradas.

Então eu voltei ao início de novo.

“Bem, deixando o que está no passado pra depois, é sobre ela —“.
Apontei meu dedo para Hachikuji, que ainda estava lá, comendo
poeira. Quero dizer, ela caiu sobre as costas, então não era assim
exatamente, tem essa mochila que tinha a almofadado, então ela
deveria estar bem. “Ela deve ter se perdido. Acho que ela não esteve
junto de seus pais ou amigos também. Uh, eu estive aqui, neste
parque, desde manhã, então já faz um bom tempo, e ela esteve aqui
uma vez antes de você ter vindo, encarando o mesmo quadro de
avisos. Não pensei nada demais sobre ela antes então, mas um
bocado de tempo se passou e ela voltou, então ela deve estar
realmente perdida, certo? Não é engraçado se alguém está
esperando por ela por aí, então pensei em ajudá-la.”

“... Hmm.”

Senjougahara acenou, o que era alguma coisa, mas a expressão


duvidosa dela não mudou. Bem, eu podia ver que ela estava chocada
pela questão de como essa intenção tinha vido a chegar a golpes,
mas não posso realmente explicar isso. Posso dizer que eram duas
almas guerreiras gritando um ao outro.

“Oh.”

“Sim?” “Quero dizer, isso faz sentido... Eu compreendo a situação


agora.”

Eu me pergunto sobre essa parte.

Podia ser que ela tinha apenas fingido que tinha compreendido.

“Oh, sim. Senjougahara, você não mencionou que vivia por aqui?
Então você deve conhecer o lugar pelo endereço, certo?”

“Claro... Bem, tanto quanto qualquer um.”

Essa especificação não foi bem incorporada.


Imagino se talvez ela não estivesse me vendo como um abusador de
crianças. Esse supostamente seria um passo pior do que até mesmo
ser um pedófilo.

“Oi, Hachikuji. Eu sei que você está acordada, na verdade, e se


fingindo de morta ou algo assim. Mostre a essa moça aqui essa nota
sua.” Eu me ajoelho e espio o rosto de Hachikuji.

Os olhos dela estão brancos.

... Ela realmente está inconsciente...

Uma menina mostrando estar esbranquiçada, bem, isso é


perturbador...

“Algo de errado, Araragi-kun?...”

“Nada...”

Usando minhas costas para esconder a visão dos olhos de


Senjougahara, eu despreocupadamente estapeei as bochechas de
Hachikuji duas, três vezes. Não somando isso à violência,
naturalmente, mas para acordá-la.

Em pouco tempo, Hachikuji acorda.

“Ngh... Eu estava tendo um tipo de sonho.”

“Ow, sério? Que tipo de sonho?” Tento ser bem gentil. “Conte-me,
Hachikuji-chan. Que tipo de sonho era?”
“Um sonho sobre um estudante do ensino médio bárbaro me
abusando.”

“... Ah, esse não é um sonho que significa o contrário?”

“Oh. Foi esse tipo de sonho, não foi?”

Obviamente tinha sido real, bem antes de ela perder a consciência.

Senti um arrependimento desolador.

Peguei a nota de Hachikuji e logo a entreguei para Senjougahara —


exceto que Senjougahara não se moveu para pegá-la. Em vez disso,
ela me encarou, os olhos dela estavam mais frios do que o ponto de
congelamento da água.

“O quê? Pegue.”

“... Por algum motivo, eu não quero tocá-lo.”

Ugh.

O veneno dela, ao qual eu estava supostamente acostumado,


realmente estava no ponto...

“Mas você estará apenas pegando a nota.”

“Não quero nem mesmo tocar as coisas que você tocou.”

“...”
Ela me odeia...

Senjougahara me odeia da maneira mais comum agora...

Huhh... É estranho, eu me senti surpreendentemente bem


conversando com ela até apenas recentemente...

“Okay, entendi, então... Eu vou simplesmente lê-la alto, okay?


Umm...”

Eu li o endereço escrito na nota. Felizmente, não tinha nenhum


caractere ambíguo nela, então fui capaz de lê-la fluentemente.
Senjougahara me ouviu e disse,

“Hm. Eu sei onde fica isso.”

“Isso ajuda.”

“Vá além do lugar em que eu costumava viver e então um pouco mais


longe. Não estou certa sobre o lugar preciso, mas assim que
chegarmos lá, poderei sentir o lugar certo. Então, vamos?”

Não mais brevemente dito do que feito, Senjougahara se virou sobre


seus calcanhares e começou a caminhar em direção ao portão do
parque num ritmo largo. Achei que ela resmungaria mais sobre como
ela não queria guiar uma criança, mas ela, surpreendentemente,
apenas respeitou — não, em vez disso, como a Senjougahara não
tinha sequer se apresentado a Hachikuji, diabos, ela não tinha olhado
nos olhos de Hachikuji, então, de alguma maneira, Senjougahara
odiar crianças foi provavelmente uma boa predição da minha parte,
no entanto. Ou, como ela tinha me dito que queria fazer “uma coisa”
para mim, podia ser que ela atendeu meu pedido lá.

Ahh.
Se isso é verdade, parece ter sido um completo desperdício...

“Oh, bem... Vamos, Hachikuji.”

“Eh... Pra onde?”

Hachikuji parecia sinceramente confusa.

Ela não consegue adivinhar as coisas pela conversa das pessoas?

“Para o lugar marcado na sua nota, claro. Essa moça o conhece, então
ela vai te guiar. Que sorte a sua.”

“... Aff. Uma guia então...”

“Hmm? Você não estava, tipo, perdida?”

“Sim, estou,”. Hachikuji claramente admitiu. “Eu sou um caracol


perdido.”

“O quê? Caracol?”

“Não, eu —“. Ela balançou a cabeça. “Eu, não é nada.”

“... Okay. Uh, então, vamos apenas seguir essa moça! O nome dela é
Senjougahara, como em campo de batalha. O mau humor dela está
em par com o seu nome, mas você vai se acostumar, então o jeito
extremo dela se torna um hábito seu, e então, no fundo, ela é uma
pessoa boa e comparativamente franca. Um pouco franca demais,
até.”
“...”

“Oh, poxa. Vamos lá...”

Hachikuji não se mexeria dali, então eu firmemente segurei a mão


dela, e a puxando, ou melhor, a arrastando, persegui as costas de
Senjougahara. Hachikuji chiava, “Ah, auh, au, ouuou,” como uma foca
ou um leão marinho, mas, apesar dos vários momentos duros, ela
conseguiu me seguir sem cair.

Decidi que pegaria minha mountain bike depois.

Por agora, deixamos o parque 浪白 para trás.

Comigo ainda não estando nem um pouco mais sabido sobre como se
lê isso.

Bakemonogatari: Volume 1 – Caracol Mayoi 004

Acho que já é quase hora de falar sobre as férias de primavera.

Durante as férias de primavera, eu fui atacado por um vampiro.

Eu digo atacado, mas na verdade eu enfiei minha cabeça aonde ela


não devia. Na verdade, eu meio que literalmente coloquei minha
cabeça pra fora, revelando meu pescoço para aquelas presas afiadas.
A qualquer custo, nesta era onde a ciência é vista como toda
poderosa, e as pessoas acham que nenhuma escuridão pode não ser
iluminada por ela, eu, Araragi Koyomi, fui atacado por uma vampira
no subúrbio do interior do Japão.

Eu fui atacado por um lindo demônio.


A beleza dela era de gelar o sangue.

Meu sangue foi sugado do meu corpo, e eu me tornei um vampiro.

Parece uma piada, mas não foi nada engraçado.

Eu ganhei um corpo que queimaria no sol, detestava cruzes, era


vulnerável a alho, e derreteria em água benta. Em troca, ganhei
habilidades físicas tremendas. O que me aguardava depois disso era
uma realidade infernal. Eu fui salvo desse inferno por um homem de
meia idade que aconteceu de estar passando por ali, Oshino Meme.
Oshino Meme era um caso perdido de adulto que saía de viagem em
viagem sem uma residência permanente. Ele brilhantemente
expulsou os vampiros e lidou com todo o resto também.

Como resultado, voltei a ser humano.

Eu reganhei uma pequena fração das habilidades físicas (isto é, um


pouco da recuperação veloz intensificada e um metabolismo
intensificado) e uma vez me dava melhor com o sol, cruzes, alho e
água benta.

Sério, não foi muito.

Não foi nada que valesse a pena terminar com um “e eu vivi feliz pra
sempre”.

Isso já tinha sido resolvido, então não tinha muito do que se falar. O
único real problema prolongado era ter meu sangue sugado uma vez
por mês e receber visão super-humana e coisas assim depois.
Contudo, todos esses eram apenas meus próprios problemas pessoas,
e eu mal tinha gastado o resto da minha vida os enfrentando.
No meu caso, eu era sortudo.

Para mim, durou apenas pela duração das férias de primavera.

O inferno durou apenas quase duas semanas.

Era diferente para Senjougahara.

Para Senjougahara Hitagi, quando ela se encontrou com esse


caranguejo, ela teve de lidar com a inconveniência para com seu
corpo por mais de dois anos.

A maior parte de sua liberdade havia sido tirada por essa


inconveniência.

Eu tive de imaginar sobre como era viver nesse inferno por mais de
dois anos.

Tido isso, pode não ter sido tão surpreendente que ela
admiravelmente sentiu mais do que uma obrigação para comigo do
que era adequado para o pouco que eu tinha feito. A inconveniência
física era uma coisa, mas ter a inconveniência emocional removida
deve ter sido mais importante para ela do que qualquer coisa.

Emocional.

Mental.

Sim, esses tipos de problemas te deixam sem ninguém para discuti-


los e ninguém te entende. Pode ser que eles tenham te acorrentado
mais pesadamente e criado cunhas entre você e os outros muito mais
profundamente do que problemas físicos.
Por agora, posso ter me recuperado, mas eu continuei a temer a luz
solar da manhã vinda através da abertura entre as cortinas. Nesse
caso, ela pode ter efeitos prolongados similares.

Eu conhecia mais outra pessoa que tinha sido salva pelo Oshino como
Senjougahara e eu, a representante de classe Hanekawa Tsubasa.
Contudo, para ela, tinha sido ainda mais curto do que foi pra mim,
durando apenas alguns dias, e ela perdeu suas memórias daquele
tempo. De uma maneira, ela tinha sido a mais sortuda de todos nós.
Contudo, de quase toda maneira, Hanekawa nem tinha sido salva.

“Ficava por aqui.”

“Hah?”

“A casa na qual eu costumava morar ficava por aqui.”

“A casa...?”

Eu olhei na direção em que Senjougahara estava apontando, mas


tudo que vi foi...

“... Isso é uma rua.”

“De fato é.”

Era uma maravilhosa rua. Pela cor do asfalto, foi claramente


pavimentada recentemente. O que significava que...

“Então a terra foi desenvolvida?”

“Na verdade, é conhecido como rezoneamento.”


“Você soube?”

“Não.”

“Então você deveria parecer um pouco mais surpresa.”

“Eu não mostro minhas emoções no rosto.”

Bastante verdade, a expressão dela não tinha mudado nem um


pouco.

Contudo, a maneira como Senjougahara ficou de pé fitando o lugar


poderia ser interpretado como ela se sentindo desamparada por ter
perdido aquela destinação.

“Tudo realmente mudou completamente. É difícil acreditar que tudo


isso ocorreu em menos de um ano.”

“......”

“Que entediante.”

Após tudo isso, foi isso que ela disse.

E ela realmente parecia entediada.

Aquilo tinha sido um dos maiores motivos para que ela tenha decidido
chegar em suas novas roupas naquela área e agora ela tinha
terminado.
Ela se virou.

Ainda se escondendo atrás de minhas pernas, Hachikuji Mayoi espiou


Senjougahara. Em sua cautela, ela permaneceu calada. Apesar de ser
uma criança — ou talvez por ser uma criança — ela deve ter
instintivamente visto Senjougahara como uma ameaça maior do que
eu. Por um tempo, ela esteve evitando Senjougahara ao me usar
como barreira. Era óbvio que o humano vivente que eu era estava
sendo usado como barreira, e também era óbvio que ela estava
evitando Senjougahara, então eu me senti realmente esquisito como
o terceiro partido. Contudo, Senjougahara não demonstrou sinal de
que se engajaria com Hachikuji (quando ela dizia “por aqui” ou “nessa
rua”, era sempre apenas para mim), então elas estavam quites.

Ainda era difícil suportar isso sendo aquele pego entre as duas, no
entanto.

Estranhamente, pelo jeito que Senjougahara estava agindo, parecia


que ela diria “eu realmente não sei” em vez de “eu as odeio” ou “não
gosto delas” se eu tivesse a perguntando sobre como ela se sente
sobre crianças.

“A casa tinha sido vendida, então eu não esperava que ela estivesse
exatamente a mesma, mas eu certamente não esperava que ela
fosse uma rua agora. Isso me deixa um pouco melancólica.”

“É, acho que deixaria.”

Não tive escolha senão concordar.

Eu podia certamente imaginar como seria.

No caminho daqui desde o parque, as velhas ruas e as novas ruas


tinham todas sido misturadas juntas. E também, o mapa guia e o
mapa residencial na placa no parque tinham parecido completamente
diferentes da realidade. Era o suficiente para de alguma forma
desgastar minha motivação, e eu não tinha nenhum verdadeiro afeto
àquela área.

Não que tivesse algo a ser feito sobre isso.

A arquitetura da cidade mudaria assim como as pessoas mudariam.

Senjougahara soltou um longo suspiro e disse, “Isso foi inútil e gastou


um bocado de tempo. Vamos, Araragi-kun.”

“Hm? Você tá pronta pra ir?”

“Estou.”

“Oh, okay. Vamos, Hachikuji.”

Hachikuji acenou sem palavras.

Ela pode ter pensado que falar alguma coisa poderia revelar sua
localização para Senjougahara. Senjougahara começou a andar à
frente.

Hachikuji e eu seguimos.

“Que tal soltar minhas pernas, Hachikuji? É difícil andar assim.


Sinceramente, pare de se pendurar em mim como a Dakko-chan.
Você vai me fazer tropeçar.”

“......”
“Apenas diga alguma coisa de uma vez.”

À minha coerção, Hachikuji disse, “Araragi-san, eu não estou me


pendurando na sua perna gigante porque quero.”

Então eu forçadamente a empurrei de minha perna.

E enquanto fiz isso, um efeito sonoro legal de algo rasgando... não foi
feito, na verdade.

“Como ousa! Vou reclamar à PTA!”

“Hehh. A PTA, você diz?”

“A PTA é uma organização incrível! Um cidadão pequeno e sem


influência como você não teria chance! Eles podem acabar com você
só com um dedo!”

“Só um dedo, huh? Que assustador. De qualquer jeito, Hachikuji, você


sabe o que significa PTA?”

“Eh? Um...”

Como eu tinha suspeitado, ela não sabia, então ficou em silêncio de


novo.

Não que eu soubesse.

Pelo menos consegui evitar que isso se desenvolvesse em uma


discussão irritante.
“PTA significa Parent Teacher Association[1],” respondeu
Senjougahara de adiante de nós. “Também significa o termo médico
angioplastia transluminal percutânea, mas eu duvido que essa seja a
resposta que você queria, Araragi-kun, então Parent Teacher
Association deve ser a resposta correta.”

“Hehh. Eu tinha a vaga ideia de que era uma reunião de pais, mas
não sabia que incluía professores também. Você sabe mesmo das
coisas, Senjougahara.”

“Não, você meramente tem uma severa falta de conhecimento e é


incompetente, Araragi-kun.”

“Não vou reclamar sobre a parte de que me falta conhecimento


porque isso veio do que eu estava falando, mas incompetente foi
apenas desnecessário.”

“Foi? Então eu vou mudar para patético.”

Ela sequer se virou.

Ela deve estar realmente de mal humor.

Uma pessoa normal poderia estar se perguntando o que estava


diferente sobre isso em relação ao seu abuso usual, mas depois de
todo o abuso que ela tinha me colocado, eu podia instintivamente
dizer a diferença. Simplesmente não havia limite para suas palavras.
Se ela estivesse de bom humor, Senjougahara teria me mostrado
muito, muito mais abuso.

Hmm...

Eu me pergunto que problema é.


Foi ter descoberto que a casa dela é uma rua agora, ou sou eu?

Ambos pareciam prováveis.

Qualquer que fosse, mesmo que você ignorasse meu abuso infantil e
tudo mais, nossa conversa foi encurtada pelo problema da Hachikuji.
Mesmo que isso tivesse sido um fluxo natural de eventos, era natural
para Senjougahara não estar com paz em seu coração.

Nesse caso, tenho que levar essa Hachikuji Mayoi pra destinação dela
tão rápido quanto possível e então fazer Senjougahara voltar a ficar
de bom humor. Posso levá-la pra almoçar, e ir fazer compras com ela.
Se ainda tiver tempo após isso, podemos ir pra algum outro lugar nos
divertir. É, acho que isso funciona. Graças às minhas irmãs, não posso
simplesmente ir pra casa, então posso passar o dia atendendo a
Senjougahara. Com sorte, tenho um monte de dinheiro comigo,
então-... Espera, por que estou intencionado a fazer essas coisas pra
ela?!

Eu me surpreendi.

“A propósito, Hachikuji.”

“O que é, Araragi-san?”

“Sobre essa nota.”

Eu puxei a nota do meu bolso.

Eu ainda não tinha a retornado a Hachikuji.

“O que tem nesse endereço?”


E por que você está indo para lá, eu quis perguntar.

Como aquele que estava a guiando, eu queria saber. Especialmente já


que ela era uma garota do fundamental que estava por si só.

“Hah. Não vou contar. Vou fazer uso do meu direito de me manter
calada.”

“......”

Ela realmente era uma menininha impertinente.

Quem foi que disse que crianças eram puras e inocentes?

“Se você não me contar, não vou te levar pra lá.”

“Eu nunca te pedi isso. Eu posso ir sozinha.”

“Mas achei que você estivesse perdida?”

“O que tem isso?”

“Hachikuji, para referência futura, não tem nada de errado em


perguntar o caminho aos outros.”

“Talvez para gente como você, que não tem confidência. Você pode
contar com os outros o quanto quiser, mas eu não preciso fazer isso.
Para mim, esse tipo de coisa é mais difícil do que usar uma máquina
de vendas do cotidiano!”
“Hehh... Então a vendem a um preço definido?” foi minha resposta
estranha.

Bem, do ponto de vista da Hachikuji, eu provavelmente estava me


intrometendo. Quando eu estava no fundamental, eu acreditava que
podia fazer qualquer coisa sozinho. Acreditei que não precisava da
ajuda de ninguém pra qualquer coisa e que eu nunca precisaria de
alguém para me resgatar.

E ainda assim, é claro que não tinha como eu poder fazer realmente
tudo.

“Entendido, jovem senhorita. Por favor, você poderia me contar o que


tem nesse endereço?”

“Suas palavras não têm nenhuma sinceridade por trás delas.”

Ela era bem teimosa.

Ambas as minhas irmãs do fundamental certamente cairiam nisso,


mas Hachikuji tinha um rosto de aparência inteligente, então decidi
que ela não seria lidada tão facilmente como com alguma criança
burra.

Francamente, os problemas pelos quais eu passo.

“... Okay.”

Tive uma brilhante ideia.

Puxei minha carteira do meu bolso de trás.


Eu tinha um monte de dinheiro comigo.

“Jovem senhorita, gostaria de um dinheiro?”

“Yahoo! Vou te contar qualquer coisa!”

Que criança burra.

Digo, isso é realmente estúpido.

Tive a sensação de que em nenhuma vez nenhuma criança tinha sido


raptada usando desse método, mas Hachikuji parecia ter as
características de ser a primeira.

“Alguém chamado Tsunade-san mora lá.”

“Tsunade? Isso é um sobrenome?”

“É um excelente sobrenome!” gritou de volta Hachikuji, que pareceu


ter levado isso como uma ofensa.

Entendo que não seria legal ter o nome de um conhecido seu referido
dessa maneira, mas não seria nada para se ficar bravo sobre. Isso a
fez parecer emocionalmente instável.

“Hmm, então como você conhece essa pessoa?”

“Tsunade-san é uma parente minha.”

“Uma parente, hein?”


Concluí que ela devia estar usando aquele domingo para ir à casa de
um parente. Eu não sabia se ela tinha pais que a deixavam fazer
qualquer coisa ou se ela tinha escapado sozinha, mas parecia que a
aventura de fim de semana daquela garota do fundamental tinha
falhado.

“A Tsunade-san é uma prima com quem você se dá bem? Olhando


pela sua mochila, acho que você chegou a termos justos.
Sinceramente, você deveria ter feito isso durante a Golden Week, em
vez disso. Ou tem alguma razão para que isso tenha sido hoje?”

“Algo do tipo.”

“Você deveria ao menos passar o dia das mães com seus pais.”

Isso era algo que eu realmente não deveria estar dizendo.

—Onii-chan, é porque você é assim.

O que tem de errado em ser assim?

“Não quero ouvir isso de você, Araragi-san.”

“Do que você sabe?!”

“Posso só dizer.”

“......”

Parecia que ela não tinha nenhuma razão de verdade. Ela apenas
psicologicamente não gostava de me ter a lecionando.
Que cruel.

“E o que você estava fazendo, Araragi-san? Não acho que qualquer


pessoa decente ficaria terminantemente sentada num banco de um
parque num domingo de manhã.”

“Eu realmente não estava fazendo nada. Estava só-...”

Eu quase disse, “matando o tempo”, mas me parei no último


segundo.

Isso mesmo. Um cara que diz que está matando o tempo quando
perguntando sobre o que está fazendo é um inútil. Essa foi por pouco.

“Eu estava só passeando.”

“Oh, passeando? Que legal.”

Ela me elogiou.

Eu esperei por algumas palavras horríveis a se seguir em breve, mas


nenhuma veio.

Entendo. Então a Hachikuji é capaz de me elogiar...

“Foi só com a minha bicicleta, no entanto.”

“Entendo. Bem, uma bicicleta é o padrão para um passeio. É um


pouco decepcionante, no entanto. Você não tem licença, Araragi-
san?”
“Infelizmente, as regras da minha escola me proíbem de ter uma
licença. Mas uma bicicleta realmente é mais perigosa, então eu
preferiria um carro.”

“Entendo. Mas então seria um fouring, não?”

“......”

Uau, isso que é um erro engraçado. Ela acha que touring é falado
como “two”-ring[2]. Eu devo corrigi-la ou deixar isso pra lá? Não
tenho certeza de qual opção é a mais gentil.

A propósito, a Senjougahara não respondeu a isso enquanto


caminhava à frente.

Eu me perguntei se ela simplesmente era incapaz de ouvir uma


conversa de tão baixa inteligência.

Incidentalmente, isso foi quando eu vi o sorriso despreocupado de


Hachikuji Mayoi pela primeira vez. Foi bem charmoso e pareceu abrir
meu coração. A maneira típica de descrever esse tipo de sorriso era a
de dizer que era como uma flor do verão desabrochando, mas era
também o tipo de sorriso que a maioria das pessoas parava de fazer
depois de ficar muito mais velha que ela.

“Ufa. Oh, Deus.”

Essa foi por pouco. Se eu fosse um lolicon[3], teria me apaixonado por


ela ali mesmo. Estou realmente grato por não ser um lolicon.

“As ruas daqui são uma bagunça emaranhada. Que tipo de estrutura
é essa? Como você achou que podia navegar por tudo isso sozinha?”
“Esta não é minha primeira vez fazendo isso.”

“Oh, entendo. Mas então por que você está perdida?”

“... Porque faz um tempo,” disse Hachikuji, parecendo envergonhada.

É, o que você acha que pode fazer e o que você pode fazer são duas
coisas diferentes. O que você acha não é nada mais do que
pensamentos. Isso é verdade para estudantes do fundamental, do
médio e pessoas de todas as outras idades.

“A propósito, Arararagi-san.”

“Você adicionou um ‘ra’ extra!”

“Desculpa, mordi minha língua.”

“Não morda sua língua de maneira tão desagradável...”

“Não dá para evitar. Todo mundo fala coisas erradas às vezes. Ou


você fala tudo perfeitamente desde o momento em que nasceu,
Araragi-san?”

“Não posso dizer que sim, mas sei que não falo o nome das pessoas
errado.”

“Então diga Basu Gasu Bakuhatsu rápido três vezes.”[4]

“Isso não é o nome de alguém.”


“É sim. Conheço três pessoas chamadas assim, então deve ser um
nome bem comum.”

Ela estava cheia de confidência.

Eu estava chocado com o quão óbvias eram as mentiras de uma


criança.

“Basu gasu bakuhatsu, basu gasu bakuhatsu, basu gasu bakuhatsu.”

Eu acabei dizendo isso.

“Que animal devora sonhos?” perguntou Hachikuji assim que eu tinha


terminado.

Quando isso virou um quis de dez vezes?[5]

“... A anta?”[6]

“Não. Errado,” disse Hachikuji com uma expressão triunfante. “O


animal que devora sonhos é...” Ela colocou um sorriso destemido. “...
o homem.”

“Isso não é hora pra ser inteligente!”

Eu gritei mais alto do que queria porque eu subconscientemente


realmente achei que foi inteligente.

De qualquer forma, a área residencial estava muito quieta.


Enquanto caminhávamos juntos, não passamos por mais ninguém. A
área parecia ser uma daquelas em que as pessoas que tinham de
sair, saíam pela manhã, e aqueles que não tinham, ficavam em casa
o dia todo. Bem, a área em que eu vivia era bem assim. A principal
diferença era que as casas eram muito mais largas. Devia ser uma
área habitada pela maior parte por pessoas ricas. Eu me recordei que
o pai da Senjougahara era um figurão numa companhia de
investimento estrangeiro, então supus que aquele era o tipo de gente
que vivia ali.

Investimentos estrangeiros, hm?

Não era um termo que realmente parecia combinar com uma área do
interior do país.

“Ei, Araragi-kun,” disse Senjougahara, falando pela primeira vez em


algum tempo. “Pode me dizer o endereço de novo?”

“Hm? Claro. Estamos perto?”

“Talvez, pode ser...” ela disse vagamente.

Não entendendo o que ela queria dizer, li a nota mais uma vez.

Senjougahara acenou e disse, “Parece que o ultrapassamos.”

“Eh? Ultrapassamos?”

“Parece que sim,” disse ela calmamente. “Se você deseja me culpa,
faça como quiser.”

“Um, não vou te culpar por algo assim.”


Por que ela fica tão séria assim?

Ela era tão honrável que parecia mais que ela não sabia quando
desistir.

“Entendo.”

Com um rosto composto que não mostrava impaciência,


Senjougahara se virou para encarar o caminho do qual ela tinha
acabado de vir. Para evitá-la, Hachikuji fez o exato movimento oposto
para me manter no meio delas.

“Por que você tem tanto medo da Senjougahara? Ela não te fez nada.
Na verdade, por mais que seja difícil de dizer à primeira vista, é ela
quem está te guiando, não eu.”

Eu estava simplesmente a seguindo.

Eu realmente não estava em posição de dizer nada importante sobre


mim.

Mesmo que ela desgostasse da Senjougahara por conta de alguma


intuição de criança, ela estava indo longe demais. Nem mesmo a
Senjougahara era feita de aço. Mesmo ela poderia ser magoada se a
Hachikuji continuasse a evitá-la assim. E mesmo que eu deixasse de
lado minha preocupação com a Senjougahara, a atitude da Hachikuji
quanto a ela estava errada de um ponto de vista moral.

“Estou sem o que dizer em resposta a isso,” disse Hachikuji com


modéstia e desânimo surpreendentes.

Ela então abaixou sua voz para um sussurro e disse, “Mas você não
pode sentir, Araragi-san?”
“Sentir o quê?”

“A feroz animosidade emanando dela.”

“......”

Parecia ser algo mais do que intuição.

A pior parte é que eu não podia dizer que ela estava errada.

“Ela parece me odiar. Posso sentir ela fortemente me dizendo para


desaparecer porque estou no caminho.”

“Duvido que ela realmente esteja pensando isso, mas... Hmm.”

Aqui vai.

Eu estava com medo, mas decidi perguntar.

A resposta era óbvia para mim, mas ainda parecia que eu tinha de
perguntar.

“Ei, Senjougahara.”

“O quê?”

Como sempre, ela não se virou.

Podia ser eu em que ela estava pensando estar no caminho e queria


que desaparecesse.
Nós dois pensávamos um no outro como amigos, então era estranho
como nós simplesmente não conseguíamos nos dar bem.

“Você... odeia crianças?”

“Sim. Eu absolutamente as desprezo. Eu queria que cada uma delas


morresse.”

Ela não mostrou restrição.

Hachikuji soltou um pequeno choro aterrorizado e se encolheu atrás


de mim.

“Eu não tenho ideia de como abordá-las. Um tempo atrás — acho que
foi no fundamental — esbarrei em uma criança por volta dos sete
anos de idade enquanto fazia compras em uma loja de
departamentos.”

“Oh, você fez a criança chorar?”

“Não, não foi isso. Foi o que eu disse para a criança de sete anos de
idade. Eu disse, ‘Você está bem? Está machucado? Sinto muito
mesmo’.”

“......”

“Eu não tive ideia do que falar a uma criança, então perdi a calma.
Isso me levou a dar uma resposta tão horrível. Foi um choque tão
grande que, desde então, eu me esforço para desviar meu ódio para
essas coisas conhecidas como crianças, sendo elas humanas ou não.”

Era algo como um surto de raiva.


Eu entendi o raciocínio dela, mas não podia entender como ela se
sentia.

“A propósito, Araragi-kun.”

“O quê?”

“Parece que ultrapassamos de novo.”

“Hahh?”

Ultrapassamos o quê...? Oh, o endereço.

Eh...? Sério? Duas vezes?

Numa área não familiar, não era incomum o endereço não combinar
bem com a estrutura de verdade das coisas, mas essa era a área em
que Senjougahara tinha vivido até recentemente.

“Se você é capaz de me culpar por isso, então o faça o quanto


quiser.”

“Não vou te culpar por algo assim-... espera. Senjougahara, a sua fala
não mudou um pouco desde antes?”

“Oh, mudou? Não percebi.”

“O que está acontecendo? Ou, bem. Você mencionou rezoneamento


antes, não foi? Pensando nisso, se a sua casa agora é uma rua, não é
tão surpreendente que as coisas tenham mudado tanto do que você
se lembra.”
“Não, não é isso.” Senjougahara verificou a sua volta. “O número de
ruas aumentou, casas antigas desapareceram, e novas foram
construídas, mas nenhuma das antigas ruas sumiu completamente.
Eu não deveria estar me perdendo assim.”

“Hmm?”

Mas o fato era, na verdade, que ela estava ficando perdida. Era
possível que ela simplesmente não queria admitir seu próprio erro
descuidado. Ela podia ser bem obstinada à sua própria maneira.

“O quê?” perguntou Senjougahara. “Pela sua expressão, parece que


você tem algum tipo de reclamação. Araragi-kun, se você tem algo a
dizer, então seja homem e diga. Se quiser, vou ficar nua e me
prostrar diante de você aqui e agora.”

“Você está tentando fazer todo mundo pensar que sou o pior homem
do mundo?”

Como eu poderia deixá-la fazer isso numa área residencial como


aquela?

Além disso, esse não era o tipo de coisa que me interessava.

“Se isso mostrar ao mundo que Araragi Koyomi é o pior homem do


mundo, então prostração nua é um preço barato a ser pago.”

“O que é barato é o seu orgulho.”

Eu não podia descobrir se ela tinha orgulho demais ou de menos.

“Mas vou manter minhas meias.”


“Mesmo que você termine isso com uma piada tosca, eu não tenho
nenhum fetiche estranho assim.”

“Quando eu disse meias, quis dizer meias arrastão.”

“Indo mais longe em direção à loucura não vai ajudar.”

Na verdade, mesmo que meus gostos não jazem aí, eu não me


importaria em vê-la em meias arrastão. Ela nem precisa ficar nua,
dessa maneira. Hm, se ela estivesse vestindo meias arrastão assim...

“Eu posso dizer pelo seu rosto que você está tendo pensamentos
indecentes, Araragi-kun.”

“Claro que não. Uma pessoa que se empenha em manter os princípios


da pureza assim como eu pareceria ser dono de uma personalidade
tão vulgar? Estou realmente chocado que você pensaria isso,
Senjougahara.”

“Oh? Se tem qualquer base ou não, eu sempre tento dizer coisas


assim a você, Araragi-kun. O fato que dessa vez você simplesmente
negou isso sem qualquer tipo de resposta parece suspeito.”

“Uuh...”

“Bem, se prostração nua não é o suficiente pra você, suponho que


você deve estar intencionado a usar um marcador permanente para
escrever palavras lascivas em cada centímetro da minha carne.”

“Meus pensamentos não foram tão longe!”

“Então quão longe eles foram?”


“Mais importantemente, umm, Hachikuji.”

Eu forçadamente mudei de assunto.

Eu tinha aprendido a como fazer isso assistindo a Senjougahara.

“Sinto muito, mas parece que isso vai levar mais do que eu esperava.
Mas se você reconhece essa área...”

“Não reconheço.”

O tom da Hachikuji foi surpreendentemente calmo. Na verdade, era


um tom mecânico e sem emoção que era como se ela estivesse
recitando uma fórmula que ela memorizara.

“É provavelmente impossível.”

“Eh? Provavelmente?”

“Se provavelmente não é suficiente pra você, então é definitivamente


impossível.”

“......”

Não era que provavelmente não fosse suficiente para mim.

Nem que definitivamente fosse suficiente.

Mesmo assim, eu estava incapaz de dizer qualquer coisa.


Era esse tom de voz.

“Não importa quantas vezes eu tente, eu nunca vou chegar lá.”

Hachikuji...

“Eu nunca vou chegar lá.”

Hachikuji se repetiu.

“Eu nunca vou chegar à casa da minha mãe.”

Ela era como um disco arranhado.

Ela era como um disco intocado.

“Afinal, é isso o que acontece com o caracol perdido.”

Do inglês, “Associação de Pais e Mestres”.

“Touring” é uma palavra inglesa que significa algo como “passear”,


foi a que o Araragi usou para descrever o que estava fazendo. Mas a
Hachikuji confundiu sua pronúncia com “two-ring”, aludindo o “two”
(em inglês, “dois”) ao número de rodas de um veículo.

Lolicon é uma abreviatura de “lolita complex” (complexo de lolita em


inglês) e é usada no Japão para aludir a pessoas que se sentem
atraídas por garotas menores de idade.

Significa “Explosão do Ônibus de Gás”.

Um jogo japonês em que se pede a alguém para dizer uma palavra


repetidamente, então se faz uma pergunta simples a ela, cuja
resposta é similar à palavra repetida, causando confusão.
Se pronuncia “baku” em japonês, que alude à palavra “bakuhatsu”.

Bakemonogatari: Volume 1 – Caracol Mayoi 005

“A vaca perdida”, disse Oshino Meme num gemido baixo e irritado


que fez parecer como se ele tivesse sido forçadamente acordado no
meio de mil anos sendo pacificamente selado. Ele não tinha pressão
baixa, mas parecia que tinha dificuldade em acordar. A diferença de
sua sociabilidade normal era impressionante. “Isso seria a vaca
perdida.”

“Vaca? Não, não uma vaca. Ela disse caracol.”

“Se você escrever com o kanji, tem vaca nele. Oh, Araragi-kun, você
estava escrevendo caracol em katakana? Você deve ter um QI baixo.
Ela leva o kanji para espiral (渦) e muda o radical de água na esquerda
para o radical de inseto. Apenas adicione o kanji para vaca (牛) e no
final você vai ter caracol (蝸牛).”

“Espiral... para caracol, hm?”

“Por si só, é pronunciado ka ou ke, mas realmente não é usado muito


fora da palavra caracol. Um caracol tem mesmo uma espiral, afinal. É
também similar ao kanji para calamidade (禍)... e talvez isso seja um
pouco mais simbólico. Existem inúmeros monstros que levam as
pessoas à perdição, mas quando o assunto é obstruir o caminho de
alguém... bem, certamente você conhece o nurikabe, Araragi-kun. Se
é desse tipo e é um caracol, então deve ser a vaca perdida. Nesse
caso, o nome à essência dele, não à sua forma, então uma vaca e um
caracol são essencialmente os mesmos. Quanto à forma dele, a arte
dele com uma forma humana permanece. Araragi-kun, na maior parte
do tempo com monstros, a pessoa que veio com o nome e a pessoa
que veio com a arte são pessoas diferentes. Geralmente, o nome vem
primeiro. Eu digo o nome, mas realmente não é nada mais do que
uma ideia. Bem, é meio como nas ilustrações para uma light novel.
Antes que a forma visual de um personagem seja feita, existe a ideia
geral sobre um personagem. Geralmente é dito que o nome
representa o corpo, mas o corpo ao qual é referido aí não é o corpo
físico ou a aparência exterior. Refere-se à essência do que isso seja...
Awwn.”

Ele realmente soava cansado.

Contudo, isso eliminou um bocado da superficialidade da


personalidade dele, então o fez mais fácil de falar com. Falar com o
Oshino podia ser realmente cansativo.

O caracol.

Um pulmonata terrestre com uma casca em espiral de clado


Stylommatophora.

Lesmas eram muito mais comuns de se deparar com, mas esse era
um tipo que tinha retrocedido de ter uma casca.

Se você polvilhasse sal neles, eles derreteriam.

Depois de partirmos, Senjougahara Hitagi, Hachikuji Mayoi e eu


tentamos e continuamos por mais cinco vezes. Tentamos de tudo, de
atalhos que levaram diretamente a lá para desvios excessivamente
longos e que saíam do caminho, mas cada um deles acabou sendo
um esforço magnificamente desperdiçado. Nós sabíamos com certeza
que estávamos perto de nossa destinação, mas simplesmente éramos
incapazes de alcançá-la. No final, tentamos até mesmo ir de porta em
porta, parando em cada e toda casa, mas até mesmo isso foi
improdutivo.

Como um verdadeiro último recurso, Senjougahara usou alguma


função especial do celular dela (eu realmente não entendi) que era
um sistema de navegação que usava GPS ou algo assim.
Contudo, o celular dela perdeu sinal logo antes que ela pudesse
baixar os dados.

Foi nesse ponto que eu finalmente, relutantemente e tarde demais


verdadeiramente entendi o que estava havendo. Ela não tinha dito
nada, mas parecia que Senjougahara tinha pressentido isso muito
mais antes, e Hachikuji provavelmente entendeu a situação muito
mais profundamente do que nós dois.

Para mim, foi um demônio.

Para Hanekawa, foi um gato.

Para Senjougahara, foi um caranguejo.

E para Hachikuji, parecia ser um caracol.

Isso significava que eu não podia simplesmente desistir disso tudo. Se


fosse um caso normal de uma criança perdida que nós não fôssemos
capazes de resolver sozinhos, poderíamos termos a levado a um
posto policial das proximidades e nos sentirmos bem sobre como
fomos de ajuda. Contudo, aquele lado das coisas estava envolvido...

Senjougahara também era contrária à ideia de simplesmente


levarmos Hachikuji a um posto policial.

Senjougahara esteve imersa naquele lado das coisas por anos.

Se ela se sentia assim, não tinha erro.

Contudo, também significava que aquele era um problema que


Senjougahara e eu não podíamos lidar com sozinhos. Nenhum de nós
dois tínhamos poderes especiais a essa extensão ou qualquer coisa
assim. Tudo que nós fomos capazes de fazer foi saber que isso era um
problema daquele lado das coisas.

É dito que conhecimento é poder.

Contudo, meramente saber nos deixou absurdamente impotentes.

Foi uma solução rápida e suja e nós não particularmente gostávamos


de tomá-la, mas no fim de nossa discussão, decidimos consultar o
Oshino.

Oshino Meme.

Ele tinha me... não, nos salvado.

Contudo, ele era certamente o tipo de pessoa que você iria querer
evitar ficar por perto o tanto quanto possível se ele não tivesse te
salvado. Ele tinha mais de trinta anos de idade, ainda assim,
nenhuma residência permanece, e esteve dormindo num cursinho
velho e abandonado desde que veio a esta cidade há mais de um
mês. Isso por si só seria o suficiente para fazer alguém recuar.

—Por hora, tenho um interesse nesta cidade.

Foi isso que ele disse.

Assim, ele era um verdadeiro andarilho que podia facilmente


desaparecer a qualquer momento. Contudo, tínhamos o encontrado
na segunda passada por causa do problema da Senjougahara e na
terça para resolvermos as coisas depois. E também me encontrei com
o Oshino logo no dia anterior, então ele certamente ainda estava
naquela construção abandonada.
Isso deixou o problema de como contatá-lo.

Ele não tinha telefone.

Isso significava que a única opção era ir lá falar com ele diretamente.

Senjougahara tinha acabado de encontrar Oshino na semana anterior


e ela realmente mal o conhecia, então eu era o candidato natural
para ir, mas a própria Senjougahara se voluntariou.

“Você me emprestaria sua mountain bike?”

“Claro, mas você sabe aonde ir? Eu poderia desenhar um mapa, se


preferir.”

“Araragi-kun, você não vai me fazer ficar feliz se preocupando comigo


se presume que tenho uma memória tão pobre quanto a sua. Na
realidade, isso vai me chatear.”

“... Entendo.”

As palavras delas me chateavam.

Elas realmente me chateavam.

“Para ser honesta, eu quis andar nessa mountain bike desde que a vi
no estacionamento.”

“Então você estava sendo honesta quando disse que ela era a
melhor... Eu tinha presumido que era o contrário porque você não é a
pessoa mais honesta que existe.”
“E também” disse Senjougahara, sussurrando no meu ouvido. “Não
me deixe sozinho com essa criança.”

“......”

“Não saberia o que fazer.”

Bem, acho que isso não é muito surpreendente.

E aposto que a Hachikuji não gostaria muito disso também.

Entreguei a chave da mountain bike para Senjougahara.


Senjougahara tinha me dito anteriormente que ela não possuía uma
bicicleta, então conceder minha preciosa bicicleta a ela pode ter sido,
na verdade, um pouco perigoso, mas tive a sensação de que uma
bicicleta ficaria bem com ela.

Então acabei ficando esperando Senjougahara me contatar.

Eu tinha retornado ao banco do parque de pronúncia desconhecida.

Hachikuji Mayoi sentou-se ao meu lado.

Ela se sentou longe o suficiente para que outra pessoa pudesse se


sentar entre nós.

Ela podia correr a qualquer momento se quisesse.

Na verdade, a posição dela fazia parecer que ela estava prestes a


fazê-lo.
Eu tinha explicado a ela os problemas que Senjougahara e eu
tínhamos aguentado assim como as contínuas circunstâncias
relatadas a eles, mas pareceu que isso apenas a fez aumentar sua
guarda ainda mais. Eu tinha esperava baixar a guarda dela um pouco,
mas minha tentativa falha tinha apenas piorado as coisas. Eu não
tinha opção senão começar de volta da estaca zero.

Afinal, confiança era algo incrivelmente importante.

Sigh...

Acho que eu deveria tentar falar com ela.

Uma coisa que tinha me chamado a atenção antes.

“Acho que ouvi você mencionar a sua mãe antes. O que você quis
dizer com isso? Pensei que a Tsunade-san fosse uma parente sua?”

“......”

Nenhuma resposta.

Aparentemente, ela estava fazendo uso de seu direito de permanecer


calada mais uma vez.

Duvidei que o mesmo método funcionaria, e esse método tinha sido


apenas divertido porque foi uma piada. Se eu continuasse a usá-lo,
começaria a parecer — até mesmo para mim — que eu estava sério
quanto a ele.

E então...
“Hachikuji-chan, vou te comprar um sorvete, então poderia chegar
um pouco mais perto?”

“Claro que sim!”

Hachikuji imediatamente escorregou para mais perto de mim.

... Aparentemente, se eu cumpro ou não minhas promessas é algo


que não importa.

Na verdade, eu não tinha nem mesmo dado a ela um único yen,


então ela era alguém bem fácil de manipular.

“De qualquer forma, sobre o que eu tava dizendo antes...”

“O que era mesmo?”

“Sua mãe.”

“......”

E o direito de se manter calada voltou.

Eu continuei falando, de todo jeito.

“Você tava mentindo quando disse que era a casa de um parente?”

“... Isso não foi uma mentira,” disse Hachikuji num tom de voz
impertinente. “Minha mãe é um dos meus parentes.”
“Bem, acho que isso é verdade, mas...”

Isso não é apenas dividir as coisas?

E por que uma garota iria sair num domingo com uma mochila,
seguindo para a casa de sua mãe?

“E também,” disse Hachikuji no mesmo tom impertinente. “Mesmo


que eu tenha a chamado de minha mãe, infelizmente ela não é mais
minha mãe.”

“Oh...”

Divórcio.

Morando só com o pai.

Eu tinha ouvido uma história parecia bem recentemente.

Era a história da família de Senjougahara.

“Tsunade era meu sobrenome até meu terceiro ano. Quando fui
levada pelo meu pai, meu sobrenome mudou pra Hachikuji.”

“Hm? Espera um pouco.”

As coisas começaram a ficar um pouco complicadas, então tentei


organizar as informações na minha cabeça.

Hachikuji está no quinto ano, o sobrenome dela era Tsunade até o


terceiro ano (deve ser por isso que ela ficou com tanta raiva quando
falei sobre esse nome), e o sobrenome dela mudou pra Hachikuji
quando ela foi levada pelo pai dela... Oh, entendi. Quando os pais
dela se casaram, o pai deve ter pegado o sobrenome da mãe dela. O
nome de casado não tem que vir do cara. Então quando eles se
divorciaram e a mãe dela, Tsunade-san, deixou a casa e se mudou pra
cá... Na verdade, foi provavelmente pra casa dos pais dela.

E então a Hachikuji agendou neste domingo, no dia das mães, para


visitar sua mãe.

Aquele nome era o precioso nome que a mãe dela e o pai dela tinham
a dado.

“Ahh, e eu estava agindo todo superior te dizendo pra ficar em casa


com seus pais...”

Eu podia entender porque ela não queria ouvir isso de mim.

“Não, isso não é porque hoje é o dia das mães. Eu sempre quero ir
pra casa da minha mãe se tenho a chance.”

“... Entendo.”

“Mas nunca consigo chegar lá.”

“......”

Os pais dela se divorciaram e a mãe dela tinha saído de caso.

Ela não podia mais ver a mãe dela.

Ela queria ver a mãe dela.


E então Hachikuji tinha tentando visitar sua mãe.

Ela tinha colocado essa mochila nas costas e...

E tinha...

“Então você o encontrou.”

“Encontrou? Não sei o que você quer dizer.”

“Hmm.”

Não importa quantas vezes ela tivesse tentado visitar a mãe dela
depois disso, ela nunca tinha conseguido chegar a casa dela sequer
uma vez.

Simplesmente ouvir que ela tinha tentado inúmeras vezes e falhado


em todas pode tê-la feito soar estúpida, mas senti que era
maravilhoso como ela não tinha desistido mesmo depois disso tudo.

Contudo...

“......”

Não era realmente certo comparar, mas o problema dela parecia bem
mais seguro que os problemas que a Hanekawa, Senjougahara ou eu
tivemos de lidar. Ela não tinha nenhum problema físico ou mental. Em
vez disso, ela tinha apenas o problema do fenômeno de não ser capaz
de fazer algo que ela poderia ser capaz de fazer. O problema não era
algo de dentro dela.
O problema era externo.

A vida dela não estava em perigo.

Ela podia ver sua vida cotidiana sem nenhuma real dificuldade.

Mesmo que isso fosse verdade, eu decidi que — não importa o que —
não falaria sobre o problema dela como se eu soubesse do que estava
falando. Não importava o que tinha acontecido comigo durante as
férias de primavera, eu não tinha direito de dizer esse tipo de coisa
para Hachikuji.

E então eu tentei não dizer nada desnecessário.

“Você com certeza aguentou bastante,” foi tudo que eu disse.

Isso foi o que eu real e verdadeiramente pensei.

Na verdade, eu queria acariciar a cabeça dela.

E então eu tentei.

“Grr!”

Acabei tendo minha mão mordida.

“Oww! Por que diabos você fez isso, sua pirralha?!”

“Grrrrrr!”
“Ai! Ai ai ai!”

Isso não era uma piada, uma mordida de brincadeira para esconder o
embaraço dela. Ela realmente estava mordendo tão forte quanto
podia. Eu podia sentir os dentes de Hachikuji atravessando minha
pele e minha carne. Sem nem mesmo olhar, eu podia dizer que
sangue estava jorrando. Realmente não era nada para se brincar.

Por que ela tá fazendo isso?! Espera, não me diga que eu preenchi os
requerimentos para este evento sem nem mesmo perceber isso!

Isso significa que a batalha começou?!

Peguei minha outra mão e a fechei num punho apertado. Era como se
eu estivesse tentando esmagar o ar. E então dirigi esse punho para o
plexo solar de Hachikuji. O plexo solar era uma das áreas vitais do
corpo humano das quais nada se poderia fazer sobre. Enquanto os
dentes dela permaneceram profundamente cravados na minha mão
apesar do golpe, Hachikuji era algo a ser reconhecido, mas por um
instante, a força da mordida dela diminuiu. Usei essa abertura para
utilizar a força ridícula do meu braço. Hachikuji estava cavando na
minha carne, mas isso deixou o resto dela sem guarda. E felizmente,
Hachikuji estava se levantando um pouco do banco.

Peguei a mão com a qual eu tinha a socado, abri o punho dela e a


segurei para cima com ela. No processo, senti algo
surpreendentemente cheio para uma menina do quinto ano, mas eu
não era um lolicon, então isso teve um efeito mínimo em mim que
você poderia dizer que não foi nada. Usei esse momento para girar
ela completamente de cabeça para baixo. Como ela ainda estava
mordendo minha mão, a área ao redor do pescoço dela foi
completamente virada, mas isso não era problema. Contanto que ela
estivesse mordendo minha mão, qualquer ataque próximo da cabeça
dela tinha o perigo de voltar para mim para me morder... literalmente.
Por conta de tê-la virado, o corpo da Hachikuji foi exibido diante de
mim como uma pilha de telhas a serem quebradas com um golpe de
karate, e era esse o meu objetivo. Mais especificamente, meu alvo
era o plexo solar dela que eu já tinha socado uma vez.
“Khaahhh!”

Funcionou perfeitamente.

Os dentes de Hachikuji finalmente se soltaram de minha mão.

Ao mesmo tempo, ela tossiu algo parecido com suco gástrico.

E então ela perdeu a consciência.

“Heh... Na verdade, isso não foi engraçado.”

Balancei minha mão mordida para aliviá-la.

“Depois da primeira vez, esse tipo de vitória é tão vazio...”

Lá estava um garoto do colegial que tinha socado uma menina pré-


escolar duas vezes na parte mais central dos pontos vitais do corpo
humano, a nocauteando até deixá-la inconsciente, e que tinha
começado a se colocar ares de niilismo.

Como antes, esse garoto era eu.

.....

Golpear, agarrar e lançar era uma coisa, mas abertamente socar uma
garota estava fora de questão.
Araragi Koyomi tinha feito algo mais do que suficiente para ser
considerado o pior homem do mundo sem precisar nem mesmo de
Senjougahara para se prostrar nua diante dele.

“Ahh... Mas é porque ela me mordeu de repente.”

Olhei para o machucado da mordida.

Gehh... Uau, dá pra ver o osso... Não sabia que um humano podia
fazer tanto dano com uma mordida...

Contudo, mesmo que eu pudesse sentir a dor, um machucado


daquele nível curaria logo mesmo que eu apenas ficasse de pé ali.

Enquanto o machucado se fechava rápido o suficiente para se ver,


parecia-se com um vídeo sendo acelerado ou rebobinado. Isso me
lembrou do quanto eu era uma existência diferente do normal. Ser
lembrado disso me deixou num humor escuro e amargo.

Sinceramente, você é patético.

Você acha que é o pior homem do mundo? Não me faça rir.

Você realmente acha que ainda se qualifica como um humano?

“Que olhar assustador no seu rosto, Araragi-kun,” disse uma voz


súbita.

Por um momento, pensei que fosse Senjougahara, mas não poderia


ter sido. Senjougahara nunca falaria com uma voz tão animada.

De pé diante de mim estava a representante de classe.


Era Hanekawa Tsubasa.

Era domingo e, mesmo assim, ela estava vestindo o uniforme escolar.


Apesar de que eu imagino que isso fosse normal para ela. Uma
estudante excelente como ela gosta de estar vestida assim. Com o
mesmo estilo de cabelo e os óculos de sempre, a única diferença de
quando ela estava na escola era a sacola que ela estava segurando.

“H-Hanekawa.”

“Você parece surpreso em me ver. Bem, acho que isso é bom. Heh
heh heh.”

Hanekawa me mostrou um excelente sorriso.

Era um sorriso muito despreocupado.

Na verdade, era o mesmo que Hachikuji tinha feito antes...

“O que você está fazendo aqui?”

“U-um, o que você tá fazendo aqui?”

Eu era incapaz de esconder minha agitação.

Tive de me perguntar o quanto ela tinha visto.

Se essa massa de diligência, esse exemplo vivo de conduta


apropriada, esse pilar de inocência que era Hanekawa Tsubasa tivesse
me visto agindo violentamente para com uma menina pré-escolar,
isso seria muito, muito ruim, de uma maneira completamente
diferente de se Senjougahara tivesse visto.

Eu não queria ser expulso depois de conseguir fazer todo o caminho


até o terceiro ano.

“Por que você precisa me perguntar? Eu vivo por aqui. Se algum de


nós estar aqui é algo estranho, então é você, Araragi-kun. Você está
nesta área por alguma razão em particular?”

“Um...”

Oh, certo.

Senjougahara e Hanekawa foram para a mesma escola no


fundamental.

Já que tinha sido uma escola pública, elas deviam estar no mesmo
distrito escolar. Nesse caso, o território antigo de Senjougahara estar
dentre a área de atividade da Hanekawa não era surpreendente. Já
que elas foram para pré-escolas diferentes, elas não deviam viver na
exata mesma área, no entanto.

“Não, não realmente. Tô aqui só pra... sabe... matar tempo ou...”

Opa.

Acabei de dizer que estava matando tempo.

“Ah há. Entendo. Matando tempo. Que bacana. Não ter nada para
fazer é algo maravilhoso. É tão libertador, não é? Acho que eu estava
matando tempo também.”
“......”

Ela realmente era um ser diferente de Senjougahara em todo aspecto.

Elas eram ambas inteligentes, mas acho que essa é a diferença entre
a primeira classe e a primeira.

“Você sabe o quão difícil é para eu ficar em casa, certo, Araragi-kun?


Já que a biblioteca não fica aberta, domingos são os meus dias de
caminhada. Faz bem para minha saúde.”

“Eu diria que você tá se preocupando demais.”

Hanekawa Tsubasa.

A garota com asas de formato estranho[1].

Na escola, ela era uma massa de diligência, um exemplo vivo de


conduta apropriada, um pilar de inocência, a representante de classe
entre as representates de classe, e impecável, mas ela tinha alguma
discórdia em sua vida familiar.

Alguma discórdia e uma distorção.

Por conta disso, ela tinha sido possuída por um gato.

Ela tinha sido possuída através de uma pequena brecha em seu


coração.

Esse pode ter sido um bom exemplo do fato de que ninguém podia
ser verdadeiramente perfeito, mas quando esse problema tinha sido
resolvido e ela tinha sido liberta do gato, suas memórias tinham sido
perdidas. E então a discórdia e a distorção não tinham sido lidadas
com.

A discórdia e distorção permaneceram.

“A biblioteca não ser aberta nos domingos parece exibir o quão não
civilizada a área em que moramos é. Ah há. Eu realmente não gosto
disso nem um pouco.”

“Eu nem mesmo sei onde a biblioteca fica.”

“Ah, vamos. Não diga coisas assim. Faz parecer que você já desistiu.
Ainda há tempo até os exames de admissão, então você consegue.”

“Hanekawa, às vezes encorajamento sem base pode ser ainda mais


doloroso do que abuso direto.”

“Mas você consegue fazer matemática, certo, Araragi-kun? Se você


pode fazer matemática, não tem como você não fazer as outras
matérias.”

“Matemática é fácil porque você não tem que memorizar nada.”

“Você com certeza não é cooperativo. Bem, que seja. Vou apenas te
deixar com um ‘vamos lá’ por isso. A propósito, Araragi-kun, essa é a
sua irmãzinha?”

Hanekawa apontou para Hachikuji, que estava deitada no chão


próximo ao banco.

“Minhas irmãzinhas não são tão pequenas assim.”


“Oh.”

“Elas estão no fundamental.”

“Hmm.”

“Umm, ela tá perdida. O nome dela é Hachikuji Mayoi.”

“Mayoi?”

“É pronunciado com o primeiro kanji de verdade e o segundo kanji de


crepúsculo. E o sobrenome dela é...”

“Eu sei como isso deve ser pronunciado. Você geralmente ouve o
termo Hachikuji na área de Kansai. Esse é um nome que soa muito
histórico e pomposo. Pensando nisso, acho que o templo em
Shinonome Monogatari foi nomeado... não, espera. O kanji é
diferente.”

“... Você sabe de tudo, né?”

“Eu não sei de tudo. Só sei do que sei.”

“Oh, entendo...”

“Hachikuji Mayoi, hm? Esses dois nomes combinam bastante mesmo.


Oh? Acho que ela acordou.”

Olhei para Hachikuji e a vi piscando os olhos. Depois de hesitante


olhar ao redor como se estivesse checando seus arredores, Hachikuji
se sentou.
“Olá, Mayoi-chan. Eu sou amiga desse rapaz. Meu nome é Hanekawa
Tsubasa.”

O tom de voz dela veio direto de Taisou no Onii-san.

Ou no caso dela, acho que seria Taisou no Onee-chan.[2]

Hanekawa era provavelmente do tipo que não teria problemas em


falar com gatos ou cachorros de maneira infantil.

Em resposta, Hachikuji disse, “Por favor, não fale comigo. Eu te


odeio.”

Ela diz isso pra todo mundo?

“Oh? Eu fiz algo para fazer você me odiar? Você não deveria dizer isso
para as pessoas quando acaba de conhecê-las, Mayoi-chan. Uri uri.”

Contudo, Hanekawa não demonstrou sinais de ser afetada pelas


palavras de Hachikuji.

Ela também facilmente conseguiu fazer o que eu não tinha


conseguido: acariciar a cabeça de Hachikuji Mayoi.

“Hanekawa, você gosta de crianças?”

“Hm? Você não gosta?”

“Não, não sou eu que não gosto.”


“Hmm. Bem, sim, eu gosto de crianças. Quando penso como quando
eu costumava ser assim, me dá um sentimento caloroso por dentro.
Uri uri.”

Hanekawa continuou a acariciar a cabeça de Hachikuji.

Hachikuji tentou resistir.

Mas foi inútil.

“U-uuhhh...”

“Você é tão fofa, Mayoi-chan. Ahh! Eu apenas quero te comer. Suas


bochechas são tão fofinhas e suaves. Kyahh!! Oh, mas...”

O tom dela subitamente mudou.

Agora era o tom que ela ocasionalmente tornava para mim na escola.

“Você não deveria morder a mão das pessoas assim. Nesse caso, ele
ficou bem, mas uma pessoa normal ficaria seriamente machucada!
Meh!”

Ela a golpeou. Com seu punho. Como se não fosse nada.

“U-uuhh?”

A rápida transição de gentileza para ser golpeada deixou Hachikuji


tremendamente confusa e Hanekawa usou essa oportunidade para
forçadamente se virar para me olhar.
“Okay! Agora você pede desculpas.”

“M-me desculpa, Araragi-san.”

Ela se desculpou.

Aquela pirralha impertinente cujo somente o tom de voz era educado


se desculpou.

Foi um choque.

Espera, isso significa que Hanekawa esteve assistindo por um tempo


antes de se aproximar... Entendo. Pensando normalmente, quando
você é mordido a ponto de sua carne ser arrancada, a autodefesa é
justificada. E pensando nisso, foi ela que me atacou primeiro com a
luta de mais cedo também...

Enquanto Hanekawa não era tão flexível assim, ela ainda não era tão
agarrada às regras.

Ela era apenas justa.

Pela maneira que ela tinha lidado com isso, Hanekawa parecia
acostumada a lidar com crianças. Eu tinha bastante certeza de que
ela era filha única, então ela fez isso excelentemente, de fato.

Incidentalmente, eu já tinha percebido que Hanekawa me tratava


como uma criança na escola, mas não vamos pensar nisso demais.

“E Araragi-kun, o que você fez também foi errado!”

Ela usou o exato mesmo tom em mim.


Ela parecia intencionada a me forçar em pensar sobre como ela tinha
me tratado.

Contudo, ela realmente percebeu o que tinha feito e limpou sua


garganta antes de começar de novo.

“Bem, de todo jeito, isso foi errado.”

“Você quer dizer... socá-la?”

“Não, quero dizer que você precisa repreendê-la apropriadamente.”

“Oh...”

“Claro, você também não deveria ter a socado, mas se você vai bater
em uma criança — ou em qualquer um, nesse sentido — precisa dizer
a eles o que eles fizeram para merecer isso.”

“......”

“É isso que significa expor o que diz.”

“Sempre que converso com você, aprendo algo.”

Ela realmente tinha uma maneira de drenar o veneno para fora de


uma situação.

Ela provou que existem pessoas boas no mundo.

Somente isso me fazia sentir que eu tinha sido salvo.


“Então você disse que ela estava perdida? Aonde ela quer ir? Fica
perto? Se fica, você provavelmente pode mostrá-la o caminho.”

“Umm, Senjougahara foi pedir ajuda a alguém, então...”

Mesmo que ela tivesse uma conexão com esse lado das coisas,
Hanekawa não tinha memórias disso. Ela sabia, mas tinha esquecido.
Senti que seria melhor não mexer nessas memórias feito uma sarna.

Eu apreciava a oferta dela, mas...

“Parece que levou um bocado de tempo, mas ela deve estar voltando
logo.”

“Huh? Senjougahara-san? Araragi-kun, você estava com a


Senjougahara-san? Hmm? Senjougahara-san esteve ausente da
escola recentemente, mas... Hmm? Oh, pensando nisso, você estava
perguntando sobre ela um dia desses... Hmm?”

Ah.

Ela tá suspeitando de algo.

Os poderes de mal entendimento da Hanekawa estavam prestes a


explodir.

“Ahh! Entendo! Então é isso!”

“Não, tenho quase certeza de que você tá tendo a ideia errada...”


Eu sei que era errado para um idiota como eu negar uma resposta
dada por um gênio como ela, mas...

“Seus poderes de desilusão ultrapassam até mesmo os daquelas


garotas que gostam de yaoi.”

“Yaoi? O que é isso?”

Hanekawa inclinou sua cabeça para o lado em confusão.

A estudante genial não conhecia isso.

“É uma abreviação de ‘YAma nashi Ochi nashi Imi shinchou’[3].”

“Isso parece inventado. Tudo bem, eu vou pesquisar sobre isso


sozinha.”

“Você com certeza é diligente.”

......

E se isso levar Hanekawa a se desviar para o caminho errado?

Será culpa minha.

“Já que pareço estar interrompendo, estarei indo. Diga olá para a
Senjougahara-san por mim. Além disso, hoje é domingo então não
vou dizer muito, mas tenham certeza de se restringirem um pouco.
Além disso, temos um quis de história, então não se esqueça de
estudar. Além disso, as preparações maiores para o festival cultural
estão prestes a começar, então se esforce. Além disso...”
Após isso, Hanekawa adicionou mais nove “além disso”.

Ela pode ter sido a maior usuária de “além disso” após Natsume
Souseki[4].

“Oh, Hanekawa. Posso te perguntar uma coisa? Você conhece uma


Tsunade-san que mora por aqui, em algum lugar?”

“Uma Tsunade-san? Hmm... bem...”

Ela parecia estar buscando na memória dela. Esperei que isso


significasse que ela poderia saber, mas...

“Não, não conheço,” disse ela.

“Então há coisas que você não sabe.”

“Eu não disse a você? Só sei do que sei. Para toda coisa além disso,
não sou de nenhuma ajuda.”

“Entendo.”

Era verdade que ela não tinha sabido o que yaoi significava também.

Parecia que as coisas não seriam resolvidas tão facilmente.

“Sinto muito, fui incapaz de ir ao encontro de suas expectativas.”

“Não se preocupe com isso.”


“Então eu vou indo. Bye bye.”

E então Hanekawa Tsubasa deixou o parque.

Eu me pergunto se ela teria sabido como pronunciar o nome do


parque.

Talvez eu devesse ter feito disso a minha pergunta.

E então meu celular começou a tocar.

Um número de onze dígitos foi exibido na tela.

“......”

Domingo, 14 de Maio, 14:25:30.

Esse foi o instante em que eu obtive o número do celular de


Senjougahara.

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“Tsubasa” significa “asas” em japonês.

“Onii-chan” = “irmão mais velho”, “onee-chan” = “irmã mais velha”.

Significa “sem clímax, sem resolução, sem significado profundo”.

Um autor que escreveu um livro chamado “Sorekara”, que é a


palavra que a Hanekawa ficou repetindo.

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