0% acharam este documento útil (0 voto)
6 visualizações2 páginas

3

Mary Lennox, uma criança acostumada a ser servida, começa a aprender a se vestir sozinha e a cuidar de si, sob a orientação de Martha, sua nova criada. A conversa entre elas revela a vida simples e difícil de Martha e sua família, contrastando com a indiferença de Mary em relação à comida e à vida ao ar livre. A menção a Dickon, o irmão de Martha, desperta em Mary um novo interesse por animais e a ideia de explorar o misterioso jardim trancado da mansão.

Enviado por

rosadeandrade86
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
6 visualizações2 páginas

3

Mary Lennox, uma criança acostumada a ser servida, começa a aprender a se vestir sozinha e a cuidar de si, sob a orientação de Martha, sua nova criada. A conversa entre elas revela a vida simples e difícil de Martha e sua família, contrastando com a indiferença de Mary em relação à comida e à vida ao ar livre. A menção a Dickon, o irmão de Martha, desperta em Mary um novo interesse por animais e a ideia de explorar o misterioso jardim trancado da mansão.

Enviado por

rosadeandrade86
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

— São essas que ocê vai vestir — respondeu Martha. — O sr. Craven mandou a sra. Medlock comprar em Londres.

Ele
disse: “Eu num quero uma criança vestida de preto vagando por aqui como uma alma perdida”, disse, sim. “Não quero
este lugar mais triste do que já é. Ela vai usar roupas colorida!”. Minha mãe disse que entendeu o que ele quis dizer. A
mãe sempre sabe das coisa. Ela mesma não gosta muito de preto, sabe? — Eu odeio coisas pretas — disse Mary. O
processo de se vestir ensinou algo a ambas. Martha já havia “abotoado” suas irmãs e irmãos menores, mas nunca vira
uma criança que ficasse parada e esperasse que outra pessoa fizesse coisas por ela como se não tivesse mãos ou pés. —
Por que ocê não calça os próprio sapato? — ela disse quando Mary silenciosamente estendeu o pé. — Minha aia fazia
isso — respondeu Mary com o olhar fixo. — Era o costume. Ela dizia isso com frequência: “Era o costume”. Os servos
nativos sempre diziam isso. Se alguém lhes dissesse para fazer algo que seus ancestrais não faziam há mil anos, então
eles olhavam com brandura e diziam: “Não é o costume” e sabia-se que era o fim do assunto. Não era o costume dona
Mary fazer outra coisa além de ficar em pé e se permitir ser vestida como uma boneca. Porém, antes de estar pronta
para o café da manhã, já suspeitava que sua vida na Mansão Misselthwaite a ensinaria uma série de novidades — coisas
como colocar seus próprios sapatos e meias e pegar objetos que deixasse cair. Se Martha fosse uma jovem criada bem
treinada, teria sido mais subserviente e respeitosa e saberia que era sua função escovar seu cabelo e calçar suas botas,
recolher as coisas e guardá-las. No entanto, ela não passava de uma serviçal rústica e inexperiente de Yorkshire, criada
em um casebre na charneca com um enxame de irmãos e irmãs que nunca sonharam em fazer nada além cuidar uns dos
outros, alguns deles bebês que mal sabiam andar. Se Mary Lennox fosse uma criança mais familiarizada com
brincadeiras, talvez se divertisse com a loquacidade de Martha, mas apenas a ouviu com frieza e se admirou com sua
falta de preocupação com a etiqueta. A princípio, ela não pareceu nem um pouco interessada, mas aos poucos, à
medida em que a garota tagarelava com seu jeito bem-humorado e amigável, Mary começou a entender melhor o que
dizia. — Eita! Cê devia conhecer todos ele — disse ela. — Somos em doze e meu pai ganha só dezesseis xelim7 por
semana. Minha mãe consegue fazer o mingau render para todo mundo. Eles brinca na charneca o dia todo, e a mãe diz
que o ar da charneca engorda. A mãe fala que acha que eles come grama igual aos pônei selvagem. Nosso Dickon tem
doze ano e tem um potro de pônei só dele. — Onde ele conseguiu um? — perguntou Mary. — Encontrou na charneca,
junto da mãe dele, ainda pequeno e começou a fazer amizade com ele e a dar uns pedaço de pão e cortar capim para
ele. E ele começou a gostar do Dickon, então anda sempre junto e até deixa ele montar. Dickon é um rapaz gentil e os
bicho gosta dele. Mary nunca possuíra um animal de estimação e sempre achou que gostaria de ter um. Então começou
a sentir um leve interesse por Dickon, e como nunca havia se interessado por ninguém além de si mesma, aquele foi o
nascimento de um sentimento saudável. Quando ela entrou no quarto que havia sido transformado para ela, viu que
era bastante parecido com o outro em que dormira. Não era um quarto de criança, mas de adulto, com sombrios
retratos antigos nas paredes e pesadas cadeiras de carvalho. Uma mesa no centro estava posta com um café da manhã
reforçado. Mas como nunca teve muito apetite, olhou com pouco mais que indiferença para o primeiro prato que
Martha colocou diante dela. — Não quero comer — afirmou. — Cê não quer o mingau? — Martha exclamou incrédula.
— Não. — Cê não sabe o que é bom. Coloca um pouco de melado ou um pouco de açúcar. — Eu não quero — repetiu
Mary. — Eita! — disse Martha. — Não tolero desperdício de comida da boa. Se as nossa criança estivesse nesta mesa,
limpariam tudo em cinco minuto. — Por quê? — perguntou Mary friamente. — Por quê? — repetiu Martha. — Porque a
barriga deles quase nunca fica cheia. Eles vive faminto igual os falcão e as raposa. — Não sei o que é ter fome —
observou Mary, com a indiferença da ignorância. Martha ficou indignada. — Bom, faria bem pra ocê experimentar. Te
juro — disse sem rodeios. — Num tenho paciência com gente que fica sentada olhando prum naco de pão com carne.
Verdade! Queria que o Dickon, o Phil, a Jane e o resto deles pudesse comer o que tá aqui debaixo desses pano. — E por
que você não dá para eles? — sugeriu Mary. — Não é meu — respondeu Martha com firmeza. — E hoje não é minha
folga. Eu tiro folga uma vez por mês, igual todo mundo. Então eu vou e limpo a casa para mãe ter o dia de folga dela.
Mary bebeu um gole de chá e comeu um pouco da torrada com geleia. — Agora que terminou, corre lá fora brincar —
disse Martha. — Vai ser bom pra abrir o seu apetite. Mary foi até a janela. Havia jardins, calçadas e árvores grandes,
mas tudo parecia sombrio e invernal. — Lá fora? Por que eu sairia de casa em um dia como este? — Bom, se ocê não vai
sair, então vai ficar em casa. É isso o que cê quer fazer? Mary olhou ao seu redor. Não havia nada para fazer. Quando a
sra. Medlock preparou seu quarto, a diversão da menina não estava em sua mente. Talvez fosse mesmo melhor ir
conhecer os jardins. — Quem irá comigo? — ela perguntou. Martha ficou olhando. — Cê vai sozinha — respondeu. —
Cê tem que aprender brincar como as outra criança faz quando não têm irmão nem irmã. O Dickon vai pra charneca
sozinho e brinca lá por horas. Foi assim que ele fez amizade com o pônei. Tem as ovelha da charneca que conhece ele, e
os pássaro vêm comer na mão dele. Por menos que a gente tenha de comida, ele sempre guarda um pouco do pão pra
atrair seus bichinho. Na verdade, foi a menção a Dickon que fez Mary decidir sair, embora ela não tenha percebido.
Haveria pássaros lá fora, embora não houvesse pôneis ou ovelhas. Eles seriam diferentes dos pássaros da Índia e ela
poderia se divertir olhando para eles. Martha pegou um chapéu e um par de botinas reforçadas e desceu as escadas
com a menina. — Por ali é o caminho pros jardim — disse, apontando para um portão em uma mureta de arbustos. —
Tem muita flor no verão, mas agora num tem nada desabrochano. — Pareceu hesitar um segundo antes de acrescentar:
— Um dos jardim tá trancado. Ninguém entra nele faz dez ano. — Por quê? — perguntou Mary, instintivamente. Era
mais uma porta trancada adicionada às outras cem daquela casa estranha. — O sr. Craven mandou fechar quando sua
esposa morreu tão de repente. Ele não deixa ninguém entrar. Era o jardim dela. Ele trancou a porta e enterrou a chave
num buraco. Olha o sino da sra. Medlock tocando. Tenho que correr. Depois que a criada se foi, Mary desceu a calçada
que levava ao portão entre os arbustos. Não conseguia deixar de pensar no jardim que ninguém visitava há dez anos,
como ele seria e se ainda haveria flores nele. Depois de passar pelo portão dos arbustos, ela se viu em grandes jardins
com gramados largos e calçadas sinuosas de bordas recortadas. Havia árvores e canteiros de flores e sempre-vivas
podadas em formas estranhas, e uma grande fonte com um velho chafariz em seu centro. Mas os canteiros de flores
estavam vazios e ressecados e a fonte não estava ligada. Aquele não era o jardim que estava fechado. Como um jardim
poderia ser fechado? As pessoas sempre deveriam poder entrar em um jardim. Ela pensava nisso quando viu, ao final do
caminho por onde ia, um longo muro escondido sob um manto de hera que crescera descontroladamente. Mary não era

Você também pode gostar