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19

Mary descobre um desenho de Dickon que simboliza seu segredo sobre o jardim. Em uma noite tempestuosa, ela ouve um choro e encontra Colin, o filho de seu tio, que está doente e isolado. A conversa entre eles revela segredos familiares e a tristeza que permeia a casa.

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19

Mary descobre um desenho de Dickon que simboliza seu segredo sobre o jardim. Em uma noite tempestuosa, ela ouve um choro e encontra Colin, o filho de seu tio, que está doente e isolado. A conversa entre eles revela segredos familiares e a tristeza que permeia a casa.

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que Martha enviara a ele.

Estava preso no arbusto em um espinho comprido e, em um lampejo, ela soube que Dickon o
havia deixado ali. Algumas letras de forma escritas grosseiramente criavam uma espécie de imagem. A princípio ela não
sabia o que significavam. Então percebeu que era o desenho de um pássaro em seu ninho. Embaixo estavam as letras de
forma que diziam: — Eu vou voltar. CAPÍTULO 13. “ME CHAMO COLIN” M ary levou o desenho para casa quando foi
jantar e o mostrou a Martha. — Eita! — exclamou Martha com muito orgulho. — Eu nunca imaginei que o nosso Dickon
era tão inteligente. Ele fez o desenho de um pisco no ninho, mais perfeito e duas vez mais natural. Então Mary
entendeu que o desenho de Dickon era uma mensagem. Dizia que ela poderia ter certeza de que ele manteria seu
segredo. Seu jardim era seu ninho e ela era o pisco. Ah, como ela gostava daquele garoto esquisito e simples! Esperava
que ele voltasse no dia seguinte e foi dormir ansiosa pela alvorada. Mas o clima de Yorkshire é imprevisível,
especialmente na primavera. Mary foi acordada no meio da noite com o som de fortes gotas contra a janela. Chovia
torrencialmente e o vento uivava nas calhas e chaminés da enorme e antiga casa. Mary sentou-se na cama e se sentiu
infeliz e com raiva. — Quem está me irritando agora é a chuva — disse. — Veio porque sabia que eu não a queria. Ela se
jogou de volta no travesseiro e enterrou o rosto. Não chorou, mas ficou deitada. Odiava o som da chuva forte, odiava o
vento e seu uivo. E não conseguia dormir novamente. O som triste a mantinha acordada, pois alimentava sua tristeza.
Se ela estivesse feliz, provavelmente teria adormecido novamente. Ele uivou muito, arremessando incontáveis e
grandes gotas de chuva contra o vidro. — Parece com uma pessoa vagando e chorando, perdida na charneca —
observou ela. Já estava acordada revirando-se na cama por cerca de uma hora, quando de repente algo a fez se sentar e
voltar a cabeça em direção à porta. Ela ouviu, atenta. — Agora não é o vento — sussurrou um tanto alto. — Isso não é o
vento. É diferente. É aquele choro que já ouvi antes. A porta de seu quarto estava entreaberta e o som vinha pelo
corredor: era um choro agitado, distante e fraco. Continuou ouvindo por alguns minutos e a cada minuto se tornava
mais e mais decidida. Mary sentia que precisava descobrir o que era. Aquilo parecia ainda mais estranho do que o
jardim secreto e a chave enterrada. Talvez o fato de ela estar com um humor péssimo tenha lhe dado coragem. Pôs o pé
para fora e saiu da cama. — Vou descobrir o que é — disse ela. — Todo mundo ainda está dormindo e eu não me
importo com a sra. Medlock… não me importo! Ela pegou a vela ao lado da cama e saiu do quarto em silêncio. O
corredor parecia muito longo e escuro, mas ela estava animada demais para notar. Pensou que se lembrava do caminho
que deveria tomar até o corredor curto com a porta coberta pela tapeçaria… aquela onde encontrou com a sra. Medlock
no dia em que se perdeu. O som havia vindo daquela passagem. Então ela continuou, com sua luz fraca, quase tateando,
seu coração batendo tão forte que achou que poderiam ouvi-lo. O choro distante e fraco continuava e a conduzia. Às
vezes, parava por um momento e então começava de novo. Seria este o corredor que deveria pegar? Parou e pensou.
Sim, era. Desça por esta passagem e depois vire à esquerda, depois suba dois lances largos e então para a direita
novamente. Sim, ali estava a porta com a tapeçaria. Ela empurrou o tecido com muito cuidado e ele se fechou atrás
dela. Mary parou no corredor e pôde ouvir o choro claramente, embora não fosse alto. Estava do outro lado da parede
à sua esquerda e alguns metros adiante havia uma porta. Ela podia ver uma luz na fresta da porta. Alguém chorava
naquele quarto, e era alguém bem jovem. Então foi até a porta e a abriu, e lá estava ela em pé dentro do cômodo! Era
um grande quarto com móveis antigos e refinados. O fogo queimava débil na lareira e um abajur brilhava ao lado de
uma cama de quatro colunas esculpidas, decoradas com brocado. Deitado na cama estava um menino que chorava
agitado. Mary teve dúvidas se aquele lugar era real ou se havia adormecido novamente e agora sonhava sem saber. O
menino tinha um rosto fino e delicado, da cor de marfim, e parecia ter olhos desproporcionalmente grandes. Seus
cabelos também caíam sobre a testa em mechas pesadas e faziam seu rosto magro parecer ainda menor. Ele parecia
doente, mas chorava mais como se estivesse cansado e zangado do que com dor. Mary se manteve perto da porta com
a vela na mão, com sua respiração suspensa. Então se esgueirou pelo quarto e, ao se aproximar, sua luz atraiu a atenção
do menino, que virou a cabeça sobre o travesseiro e a olhou fixamente. Seus olhos cinzentos e arregalados agora
pareciam ainda maiores. — Quem é você? — disse ele finalmente, em um sussurro meio assustado. — Você é um
fantasma? — Não, não sou — respondeu Mary, e seu próprio sussurro também soava um tanto assustado. — E você, é?
Ele a fitou longamente. Mary não pôde deixar de notar seus olhos estranhos. Eram cinza-ágata e pareciam grandes
demais para seu rosto, pois tinham longos cílios negros. — Não — ele respondeu depois de mais alguns momentos. —
Me chamo Colin. — Quem é Colin? — ela vacilou. — Eu sou Colin Craven. E quem é você? — Eu sou Mary Lennox. O sr.
Craven é meu tio. — Ele é meu pai — disse o menino. — Seu pai! — Mary engasgou. — Ninguém nunca me disse que ele
tinha um filho! Por que não? — Venha cá — pediu ele, ainda mantendo seus olhos estranhos fixos nela com uma
expressão ansiosa. Ela se aproximou da cama e ele estendeu a mão e a tocou. — Você é real, não é? — ele perguntou.
— Eu sempre tenho sonhos muito reais. Talvez você seja um deles. Mary havia vestido um manto de lã ao sair do quarto
e colocou uma das pontas entre os dedos dele. — Toque nisto e veja como é quente e espesso — disse ela. — Posso te
beliscar, se quiser, para provar que sou real. Por um minuto pensei que você também fosse um sonho. — De onde você
veio? — ele perguntou. — Do meu quarto. Eu não conseguia dormir com o vento soprando e ouvi alguém chorando.
Queria saber quem era. Por que você estava chorando? — Porque eu também não conseguia dormir e minha cabeça
doía. Diga-me seu nome de novo. — Mary Lennox. Ninguém nunca lhe contou que eu vim morar aqui? Ele ainda tocava
a dobra de lã, mas começava a acreditar cada vez mais na realidade. — Não — respondeu ele. — Eles não ousariam. —
Por quê? — perguntou Mary. — Porque eu teria medo de que você me visse. Não deixo as pessoas me verem e
conversarem comigo. — Por quê? — Mary perguntou novamente, sentindo-se mais perplexa a cada momento. —
Porque estou sempre assim, doente e preso nesta cama. Meu pai também não deixa ninguém falar comigo. Os criados
não podem falar de mim. Se eu sobreviver, talvez me torne um corcunda, mas eu não vou. Meu pai odeia pensar que
posso ser como ele. — Oh, que casa mais estranha! — espantou-se Mary. — Que casa esquisita! Tudo aqui é envolto em
segredos. Os quartos e os jardins estão trancados… e agora, você! Você foi trancado? — Não. Eu fico neste quarto
porque não quero ser tirado dele. Fico muito cansado. — Seu pai vem ver você? — Mary arriscou. — Às vezes.
Geralmente quando estou dormindo. Ele não gosta de me ver. — Por quê? — Mais uma vez, Mary não se conteve. Uma
espécie de sombra de ódio passou pelo rosto do menino. — Minha mãe morreu quando eu nasci e ele fica triste só de
olhar para mim. Ele acha que eu não sei, mas já ouvi gente falando. Ele quase me odeia. — Ele odeia o jardim porque ela
morreu — disse Mary meio que para si mesma. — Que jardim? — o menino perguntou.

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