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Agrupamento de Escolas de Ponte de Sor: Como Identificar e Prevenir Os Abusos Sexuais Na Infância

O documento aborda a identificação e prevenção de abusos sexuais na infância, destacando a importância de reconhecer sinais e contextos de vitimação, tanto intrafamiliares quanto extrafamiliares. A autora, Tatiana Filipa Duarte Lopes, discute as características dos agressores, as etapas do processo de revelação e as consequências para as vítimas. O trabalho visa sensibilizar cuidadores e educadores para a proteção das crianças e a minimização das sequelas psicológicas e físicas.

Enviado por

Tatiana Lopes
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Agrupamento de Escolas de Ponte de Sor: Como Identificar e Prevenir Os Abusos Sexuais Na Infância

O documento aborda a identificação e prevenção de abusos sexuais na infância, destacando a importância de reconhecer sinais e contextos de vitimação, tanto intrafamiliares quanto extrafamiliares. A autora, Tatiana Filipa Duarte Lopes, discute as características dos agressores, as etapas do processo de revelação e as consequências para as vítimas. O trabalho visa sensibilizar cuidadores e educadores para a proteção das crianças e a minimização das sequelas psicológicas e físicas.

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Agrupamento de Escolas de Ponte de Sor

Curso Profissional Técnico/a de Ação Educativa

Prova de Aptidão Profissional

Como identificar e prevenir os abusos sexuais na infância

Aluna: Tatiana Filipa Duarte Lopes

Professora orientadora: Isabel Faria Gomes

Maio de 2022
Como identificar e prevenir os abusos sexuais na infância

Índice

Índice de ilustrações....................................................................................................................3
Introdução...................................................................................................................................4
Desenvolvimento.........................................................................................................................5
1. Fundamentação da escolha do projeto...............................................................................5
2. O que se pode definir por abusos sexuais?.........................................................................5
3. Contextos onde ocorrem os abusos....................................................................................5
3.1. Contexto intrafamiliar..................................................................................................6
3.2. Contexto extrafamiliar.................................................................................................7
4. Diferença entre pedofilia e violência sexual.......................................................................7
5. Caracterização da vítima e fatores de Risco associados.....................................................8
Descrição das atividades desenvolvidas.................................................................................8
Análise da viabilidade do projeto............................................................................................9
Conclusão...................................................................................................................................10
Webgrafia..................................................................................................................................11
Agradecimentos.........................................................................................................................12
Anexos.......................................................................................................................................13

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Como identificar e prevenir os abusos sexuais na infância

Índice de ilustrações

Figura 1- Teatro de Fantoches....................................................................................................18


Figura 2 - Teatro de Fantoches...................................................................................................19
Figura 3- Realização do Teatro...................................................................................................19
Figura 4- Conversa com as crianças............................................................................................19

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Como identificar e prevenir os abusos sexuais na infância

Introdução

Como Prova de Aptidão Profissional do Curso Profissional Técnico/a de Ação Educativa


optei por abordar o tema “Abusos sexuais na infância”, pesquisando e concluindo, nas
várias entidades e páginas Web, formas de identificar este ato, que por si é punível por
lei.

Tendo em conta a natureza deste projeto, tive o apoio da professora de Psicologia e


Desenvolvimento da Criança, e de alguns parceiros, tal como Gabinete de Apoio à
Vítima do Alto Alentejo Oeste

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Como identificar e prevenir os abusos sexuais na infância

Desenvolvimento

1. Fundamentação da escolha do projeto

A escolha do tema do meu projeto adveio da minha constatação de que existe uma
maior exposição pública desta prática e maior conhecimento de como ela afeta a
saúde mental e física das crianças.

O meu objetivo com este trabalho dar a perceber quais os sinais mais claros que as
crianças refletem na família/meio social quando passam por essa situação e, com isso,
esclarecer e clarificar os/as cuidadores/as para que possam identificar e atuar mais
precocemente, minimizando as sequelas psicológicas e físicas possíveis no futuro.

2. O que se pode definir por abusos sexuais?

A definição de abusos sexuais é, de uma forma geral, um ato de violência sexual em


que se desrespeita e se atua sem o consentimento da outra pessoa. Porém, os abusos
sexuais são muito mais que só o ato da violação em si, podem ser também:

 Coação sexual – Por meio de violência, ameaça ter colocado a pessoa numa
posição impossível de resistir ou deixando a pessoa inconsciente com o
objetivo de praticar o ato consigo ou fazer praticar com outra pessoa.
 Violação – Através de um ato de violência física ou psicológica, ameaça grave,
ou tornando se incapaz de resistir, a criança/jovem é forçada a praticar o coito
(anal, vaginal, oral) ou a sofrer a introdução de objetos nas partes do corpo
referidas anteriormente.
 Importunação Sexual – Acontecendo sempre que a pessoa assedia outra por
meio de propostas de teor sexual, ou praticando atos exibicionistas de natureza
sexual que deixam desta forma a criança/jovem constrangido e incomodada/o
 Abuso sexual de Menores dependentes- Abuso por parte de alguém com
alguma deficiência

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Como identificar e prevenir os abusos sexuais na infância

Os abusos sexuais nas crianças e jovens podem-se caraterizar por diversas formas:

 Toque indesejado nas partes genitais – O Agressor (que tanto podem ser
homens ou mulheres) toca nas partes genitais da criança/jovem mesmo ela
não querendo e o demonstrar.

 Ser penetrado/a por via oral, vaginal ou anal por pénis, por
outras partes do corpo (ex. º dedos) ou objetos, ou ser
obrigado/a a fazer isto com outra pessoa

 Ser forçado/a a tocar nos órgãos sexuais de outra pessoa;

 Ser obrigado/a a assistir ou a participar em filmes, fotografias


ou outros espetáculos de caráter pornográfico (Filmagens de
Vídeos ou Fotos)

 São atitudes que ficam marcadas para o resto da vida da criança, quando feitas
de forma indesejada.

Toda a análise presente neste trabalho foi feita englobando a idade da infância e a
adolescência, isto é, todas as crianças dos 0 aos 18 anos.

3. Contextos de Vitimação (tornar alguém ou algo vítima)


Geralmente, os contextos de vitimação dividem-se em dois grandes grupos:

 Contexto intrafamiliar
 Contexto extrafamiliar

3.1. Contexto intrafamiliar

Este contexto refere-se aos abusos praticados por pessoas das quais a vítima tem uma
ligação familiar, como por exemplo, progenitores, irmãos, avós, tios, primos, porém,
não requer que a vítima coabite com os mesmos. No entanto, o agressor normalmente
intercede na habitação da mesma.

Em vários estudos concluiu-se que, neste contexto, os abusos ocorrem com mais
frequência no sexo feminino e entre os 8 e 10 anos, sendo o agressor normalmente o
pai/padrasto. Contudo, pode iniciar-se mais cedo, numa idade em que a vítima não

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Como identificar e prevenir os abusos sexuais na infância

consegue perceber que está a ser alvo, passando por toques, demonstrações de afeto,
carícias.

O impacto do abuso é mais significativo no contexto intrafamiliar, uma vez que a


vítima conhece o agressor, e sendo uma pessoa conhecida, a vítima não oferece tanta
resistência como se fosse uma pessoa desconhecida. Naquele caso, o agressor acaba
por representar algum papel importante na sua vida, não sendo, dessa forma, uma
pessoa estranha.

Neste contexto os agravamentos são maiores, pois o comportamento abusivo


acontece num ambiente em que é suposto a vítima sentir-se segura e confortável,
logo, acaba por causar um grande impacto na forma como a estrutura afetiva da vítima
se irá desenvolver, sobretudo nas relações futuras que estabelecerá. Aliás, é
exatamente pela proximidade que a vítima sente do agressor que pode não conseguir
identificar o ato como um abuso, identificando-o apenas como um afeto. Com a
continuidade dos supostos atos de “carinho”, a mesma pode ir começando a despertar
alguns sentimentos de insegurança e rejeição. Após a demonstração desses
sentimentos, a maior parte dos agressores/as começa por culpar a vítima, fazendo-a
sentir-se culpada e com ideias que terá sido ela a seduzi-lo/a. Com esses sentimentos,
a vítima teme a família derivado à eventual revelação, e normalmente nunca acaba por
revelar o que se passa e em maior parte dos casos nunca se chega a descobrir.

A maior parte desta violência neste contexto está relacionada com uma perturbação
e/ou disfunção na família (também como agressões e abusos). Existem várias
atitudes/comportamentos que ambos podem manifestar.

As vítimas abusadas normalmente podem ter tipo de comportamentos:

 Culpa;
 Insegurança;
 Medo;
 Dificuldade de resistência aos abusos por parte do/a agressor/a.

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Como identificar e prevenir os abusos sexuais na infância

Relação entre violência doméstica e violência sexual intrafamiliar contra crianças e


jovens.

A Violência sexual no contexto intrafamiliar está muito relacionada com a disfunção


familiar, isto é, em grande parte das famílias onde se verificou violência sexual contra
crianças e jovens também se observou violência doméstica entre os adultos que faziam
parte do agregado familiar

Disfunção Familiar
Violência Doméstica

Violência Sexual contra crianças e


jovens

Característica da Família Incestuosa


Apesar de não ser sempre assim, maior parte das famílias incestuosas tem em comum as
seguintes características:

 Pouco afeto físico e emocional em relação à criança/jovem


 O Pai como Modelo Patriarcal
 Relacionamento conjugal difícil
 Padrões de Vinculação Insegura

Os Agressores apresentam as seguintes caraterísticas:

 Imaturidade Afetiva
 Ausência de culpa pelo ato
 Crença de direito de posse pela criança/jovem
 Ter sofrido também de violência sexual

Estratégias utilizadas pela pessoa agressora

Na maioria das situações, os comportamentos sexualmente violentos são


premeditados, e o/a agressor/a tem plena consciência dos seus atos. As estratégias

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Como identificar e prevenir os abusos sexuais na infância

utilizadas pelos/as agressores/as são variadas, e segundo Sgroi (1982, cit. in Silva,
1998) podem ser divididas em cinco fases: envolvimento, interação sexual, segredo,
revelação e repressão.

 Envolvimento- Na fase do envolvimento, os dois fatores principais são o acesso


e a oportunidade. Num primeiro contacto, este acesso à criança/jovem pode
ser acidental, mas posteriormente o/a agressor/a tende a criar oportunidades
para estar a sós com a mesma. O/a agressor/a pode tentar que a vítima
participe no abuso, o qual é apresentado como um jogo ou algo especial e
divertido. Desta forma, o/a agressor/a pretende transmitir à vítima que o
comportamento proposto é aceitável e normativo.

 Interação Sexual- A fase de interação sexual pode corresponder a atos


exibicionistas por parte do/a agressor/a, o qual poderá pedir à criança/jovem
para que faça o mesmo. Com o tempo, os comportamentos sexualmente
violentos tendem a progredir.

 Segredo- Segue-se a fase do segredo, com vista a manter a perpetuação do


abuso, evitando a sua revelação por parte da criança/ jovem. A manutenção do
segredo pela criança/jovem pode estar relacionada com vários fatores,
nomeadamente, devido a sentimentos de lealdade e proteção pelo/a
agressor/a, às recompensas que são dadas ou devido a sentimentos de medo e
receio, quando estão presentes ameaças ou violência física.

 Revelação - No que diz respeito à revelação do segredo, esta pode ocorrer de


forma acidental ou propositada, sendo que a última geralmente é feita pela
criança/jovem.

 Supressão- Por último, a fase de supressão ocorre quando existe uma tentativa
de suprimir as informações sobre o abuso ou a intervenção de terceiros. Esta
supressão pode estar relacionada com o medo por parte da vítima de sofrer
represálias, medo da exposição pública ou de não se conseguir provar o abuso.
3.2. Contexto extrafamiliar

O contexto extrafamiliar é a identificação dos abusos que não são perpetrados com
indivíduos da sua família, porém geralmente estas pessoas conhecem a criança,
podendo ser vizinhos, professores ou alguém que conheça a criança ou já tenha
interagido com ela.

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Como identificar e prevenir os abusos sexuais na infância

O abuso normalmente acontece na habitação da pessoa, na escola, no carro, ou no


caminho para casa.

Violência sexual online

A internet permite um conjunto variado de comportamentos no que se refere à


agressão sexual, que integram não só o consumo e partilha, mas também permite a
criação de redes de indivíduos para troca de experiências e interesses, e a utilização de
salas de chat legítimas ou grupos sociais (ex. º: Facebook, Instagram, Telegram) para
recrutar potenciais vítimas. Aproximadamente 3/4 dos homens e 1/2 das mulheres
visualizam de forma intencional pornografa através da internet. Para alguns indivíduos
a utilização da internet, de forma aditiva, ou com propósitos sexuais interfere com
aspetos chave da sua vida, como a carreira, o bem-estar psicológico e sexual e as
relações íntimas offline.

Os agressores sexuais online podem assim, utilizar a internet para facilmente aceder a
conteúdos de pornografa de crianças e adolescentes, transmitir e partilhar esses
conteúdos com outros indivíduos e produzir os próprios conteúdos. Esta partilha pode
ser feita com objetivos pessoais, como aumentar a sua coleção de pornografa infantil
ou satisfazer a sua própria libido, como pode ter objetivos comerciais e financeiros. A
internet permite ainda a utilização da pornografa de crianças e adolescentes, a par da
agressão sexual presencial no chamado processo de “grooming”, de modo a
dessensibilizar o menor e normalizar o comportamento sexual pretendido. O risco de
vitimização também aumenta com o contacto facilitado das crianças com o meio
informático, que ocorre cada vez mais cedo na infância (ex. º: cerca de 42% das
crianças de 9 aos 12 anos têm perfis em redes sociais, de forma pouco supervisionada,
relativamente ao conteúdo a que estas acedem ou com quem comunicam.

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Como identificar e prevenir os abusos sexuais na infância

4. Diferença entre pedofilia e Abusos sexuais


A pedofilia é considerada uma perturbação que consta na classificação de Doenças e
problemas relacionados à saúde (SID). Nesta doença, a pessoa apresenta um
comportamento com fantasias sexuais envolvendo crianças, porém o mesmo não tem
necessidade de incluir os abusos sexuais físicos. Segundo um psiquiatra francês, Patrice
Dunaigre, que é um especialista em pedófila, o desenvolvimento psicossexual não foi
saudável, pois relevam uma sexualidade muito pouco madura, logo tendo mais
tendência para as crianças, que são seres mais vulneráveis e frágeis, pode ser por
existência de parafilia no agressor, pode ser por situações de maior vulnerabilidade
familiar (e.g., desemprego, surgimento de doença na família, entre outros)

A parafilia causa mal-estar clinicamente significativo no agressor, apenas 5% dos


agressores sexuais sofrem de parafilia, o que significa que os restantes são agressores
que não padecem de perturbações de saúde mental.

Já nos abusos sexuais, o/a abusador/a comete uma violência física,


independentemente de qualquer transtorno de personalidade.

5. Caracterização da vítima e fatores de Risco associados

Não há propriamente um perfil de vítima de violência sexual, porém existe algumas


características em que conseguimos identificar que aquela criança/jovem poderá vir a
ser vítima.

Etapas do Processo de Revelação

O processo da revelação divide-se em 3 partes, sendo elas:

 A pré- revelação - Todo o processo de revelação não compreende apenas o


momento em que a criança ou jovem quebra o silêncio, contando à família ou
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Como identificar e prevenir os abusos sexuais na infância

alguém em quem confia a violência experienciada, mas também tudo o que lhe
antecede, incluindo as fantasias e expetativas quanto às consequências da
revelação, já que as vítimas assumem que vivenciaram uma experiência
abusiva.
 Revelação em si – Refere-se ao momento escolhido, do contexto e da pessoa
em que se irá fazer a revelação
 Consequências- E por fim temos as consequências, que advêm da revelação da
criança, face à exposição da situação perante as pessoas a quem escolheu.

Reações face à revelação

Após a revelação surgem diversas reações face a mesma, que podemos ver a seguir.

 Drama e Negação:

Após o conhecimento da situação pode seguir-se um momento dramático


tanto para a vítima, como para as pessoas a quem contou, este sentimento
pode estar interligado com o sentimento de culpa por não terem
conseguido protege a vítima, porém em alguns casos como a culpa é tão
grande acabam por recorrer à negação de forma a não querer suportar a
verdade.

 Desconforto e sentimento de insegurança:

Estes sentimentos podem acontecer quando o agressor é da família ou


frequenta várias vezes o mesmo local, desta forma a vítima sente-se
desconfortável e insegura.

 Constrangimento ao falar da situação:

É expectável que acontecimentos desta natureza, que atentam contra a


sexualidade de uma criança ou jovem, gerem desconforto e

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Como identificar e prevenir os abusos sexuais na infância

constrangimento quando têm de ser abordados. Contudo, tal


desconforto dependerá da idade da vítima, do pudor que esta possa ter
em falar sobre a sexualidade e da facilidade em expressar sentimentos e
emoções, por parte dos seus elementos de suporte.
Por vezes a vítima irá preferir evitar falar sobre o assunto criando uma
espécie de proibição, que dessa forma irá condiciona-la a uma prisão de
emoções

Fatores de risco Individuais:

1. Género
O Risco de abusos sexuais não se diferencia pelo género, porém estudos
recentes evidenciaram que no contexto extrafamiliar os rapazes estão mais
vulneráveis a abusos, enquanto no contexto intrafamiliar é mais comum nas
raparigas.

2. Idade
Todas as Crianças/Jovens poderão ser vítimas de abusos sexuais,
independentemente da sua idade, porém existe uma maior existência nas
crianças mais novas, pois, como ainda não tem a total consciência do que está a
acontecer, e não se conseguem defender tão bem, acaba por ser um alvo mais
fácil.

3. Consumo de Substâncias
O Consumo de substâncias é um fator de risco para os abusos sexuais, pois com
o efeito dessas mesmas substâncias as crianças/jovens acabam por ficar mais
vulneráveis, perdendo por vezes a capacidade de se defender, ou perdendo a
noção que estão numa situação de risco.

4. Carateristicas Emocionais
O Facto de a criança/jovem estar vulneravelmente emocional, faço com que a
mesma seja com uma maior facilidade mais seduzida e pela atenção do

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Como identificar e prevenir os abusos sexuais na infância

abusador, pois como está frágil todo o carinho ou atenção dada irá ser levada
como algo bom, tenho muito mais dificuldade em perceber a situação em que
se encontra. Podendo ainda, com este tipo de característica o ato poderá ser
cometido várias vezes, devido à carência emocional da criança/jovem, fazendo
assim a mesma manter em sigilo.

5. Falta de Informação
A Falta de informação relativamente aos abusos sexuais ainda é muito elevada,
e faz com que a criança/jovem que não esteja devidamente informada sobre os
perigos e sinais de alerta da violação, que quando estiver em situação de risco
seja mais difícil de o perceber.

6. Crianças com necessidades Especiais


As Crianças com necessidades especiais, sejam elas qual forem (défices
cognitivos, surdes, cegueira), constituem um maior risco para os abusos sexuais
, pois a mesma não tem capacidades suficientes para conseguir perceber o
perigo em que se encontram, e por vezes também não tem capacidades físicas
suficientes para se defender, sendo um alvo muito vulnerável para o abusador.

Fatores de proteção
Alguns estudos têm vindo a demonstrar que os efeitos dos abusos sexuais nas
crianças ou jovens vítimas terão um menor impacto nas suas vidas se aquelas
estiverem inseridas em famílias consideradas mais. Isto verifica-se através da
manifestação menos intensa de sintomatologia psicológica por parte da vítima
após o crime e por uma melhoria significativa a este nível quando é trabalhado
o funcionamento da sua rede de suporte primária, aumentando o seu nível de
funcionalidade.

 Fatores de proteção:

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Como identificar e prevenir os abusos sexuais na infância

 Padrões de comunicação clara e aberta- Quando a comunicação


é estimulada com clareza, de uma forma bidirecional, genuína,
transparente, verdadeira e espontânea, mas ponderada, os seus
membros sentem-se mais motivados a expressar as suas
emoções e sentimentos. Isto permite à vítima conversar sobre
aquilo que a faz sofrer quando se sentir preparada, sem que
esteja inibida de falar ou se sinta coagida a abordar algo que se
refere à sua intimidade.

 Rede familiar coesa, mais flexível- É importante que a família


que presta o cuidado e à criança ou jovem vítima de um crime
sexual detenha um nível substancial de conexão, colaboração e
solidariedade entre si, para que não se desintegre perante as
adversidades. Contudo, é igualmente importante que esta
conexão encontre um ponto de equilíbrio com alguma
flexibilidade que lhe permita adaptar-se à mudança, ajustando-
se com celeridade e consistência.

 Padrões de Vinculação segura – Estes padrões referem-se ao


reforço da autoestima das pessoas da família, a uma gestão das
emoções e conseguir encontrar estratégias para resolver os
problemas de uma forma mais simples e eficaz.

 Supervisão atenta, sem recurso a um controlo excessivo - Por


um lado, o facto da criança ou jovem ser adequadamente
supervisionado pelos adultos que por ela são responsáveis,
assegura, à partida, que percecionará maior segurança e que
terá menos probabilidade de poder vir a ser revitimizada. No
entanto, quando a ansiedade e medo por parte da sua rede de
suporte primária se traduz em padrões de controlo excessivo,
esta instabilidade emocional tenderá a refletir-se na vítima, o

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Como identificar e prevenir os abusos sexuais na infância

que poderá condicionar a sua reestruturação após o crime. Além


disso, a limitação exacerbada da liberdade que seria adequada
para a idade daquela criança ou jovem, especialmente quando é
fundamentada pela ocorrência do crime, poderá desencadear
nesta a sensação de poder estar a sofrer algum tipo de castigo
pelo crime que sofreu, traduzindo-se isto numa nova vitimação.

 Inexistência de comportamentos aditivos ou psicopatologia - A


presença de psicopatologia ou comportamentos aditivos na
família de origem de uma criança ou jovem, não só a poderá
predispor ao risco de vir a sofrer um crime sexual, como poderá
ditar um pior prognóstico na sua recuperação a nível psicológico
após a situação de vitimação.

Consequências da Vitimação na Vítima

Após o sucedido, acontecem muitas mudanças na criança/jovem, passando essas


mudanças por acabarem por ser negativas, em vários aspetos, como a níveis Físicos,
comportamentais, sociais e psicológicos.

A nível, comportamental e psicológico pode acontecer o seguinte:

 Baixa Autoestima
 Depressão
 Insegurança
 Perturbações de Pânico
 Comportamentos de evitamento de situações que relembrem o acontecimento
 Perturbações da fala
 Enurese noturna (Ex: urinar na cama)
 Perturbação de stress pós-traumático

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Como identificar e prevenir os abusos sexuais na infância

A nível Físico:

 Lesões inflamatórias anais e/ou genitais


 Gravidez ou complicações ginecológicas (para o sexo feminino)
 Interrupção da menstruação na adolescência
 Diagnostico de infeções sexualmente transmissíveis (Ex: candidíase, sífilis,
Herpes Genital, SIDA)
 Atraso no crescimento
 Perda de apetite
 Insónias
 Aumento/redução de peso
 Dificuldades em iniciar o sono

A nível social:

 Dificuldade no estabelecimento de relações afetivas


 Contacto menos frequente com família e amigos
 Procura indiscriminada de afeto e aprovação
 Inadequação na maturidade social e emocional
 Problemas de atenção e concentração
 Redução no rendimento escolar
 Padrão de desconfiança dos outros
 Dificuldade no estabelecimento de relações afetivas positivas, duradoras e
estáveis.

Intervenção em situações de VS contra crianças e jovens

Nestas situações existem muitas redes de apoio e de intervenção, uma delas que
quero destacar é a APAV, a mesma tem uma sub-rede especializada, a CARE, que
presta apoio a crianças e jovens vítimas de violência sexual, esta rede presta um apoio
gratuito e confidencial, que passa pelo apoio psicológico, jurídico, social, e emocional,
através deste apoio procura-se auxiliar a vítima a lidar com o impacto da vitimação na
sua vida.

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Como identificar e prevenir os abusos sexuais na infância

Além do Contacto direto, a Rede CARE tem também ações de sensibilização,


prevenção e formação junto de diferentes públicos-alvo (seja crianças, jovens,
encarregados de educação ou mesmo profissionais, com esta rede consegui realizar
também a minha parte prática participando na realização de uma ação de
sensibilização para crianças do pré-escolar.

Descrição das atividades desenvolvidas

No dia 4 de Abril de 2022, eu com o apoio da Psicóloga Rita Martinho , do Gabinete de


Apoio à Vitima do Alto Alentejo Oeste , decidimos realizar um teatro de Fantoches na
Escola Básica de Ponte de Sor, de forma a Sensibilizar as Crianças para a aproximação
de pessoas desconhecidas (tentando abordar o tema da prevenção dos abusos sexuais
de uma forma suave e interpretativa ) , com esta atividade tínhamos o objetivo de
conseguir dar a perceber as crianças a importância do distanciamento de pessoas que
não conhecem.

Figura 1- Teatro de Fantoches

Com esse objetivo realizamos um teatro de Fantoches, em que interpretamos uma


História em que Havia um Homem mais velho que aliciava uma menina em troco de
guloseimas e dinheiro para ir brincar para a casa dele, não o conhecendo, conseguindo
assim as crianças com este teatro percebendo a importância de não ir com estranhos,
e a forma com que os mesmos fazem para isso acontecer.

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Como identificar e prevenir os abusos sexuais na infância

Figura 3- Realização do Teatro


Figura 2 - Teatro de Fantoches

Após o teatro tivemos uma conversa aberta com as crianças, em que as mesmas diriam
o que faziam se fossem com elas, e foi neste momento que consegui perceber o quão
pouco este assunto é abordado e evidenciado, pois ainda que poucas, algumas
crianças disseram que iriam em troca de gomas, ou qualquer outro objeto que lhes
interesse, não percebendo a importância e gravidade da situação, contundo algumas
perceberam que nunca se deve ir com estranhos.

Figura 4- Conversa com as crianças

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Como identificar e prevenir os abusos sexuais na infância

Abordamos este tema desta forma, pois, o início da violência sexual, quase sempre
começa desta forma, a uma criança/jovem ser aliciada por quem não conhece não
percebendo os perigos, e desta forma o agressor conseguir o que quer, com esta
abordagem queremos evidenciar as crianças os perigos que tem os desconhecidos,
entanto que levem para o futuro esta informação, evitando assim possíveis Vítimas de
violência sexual.

Esta atividade para mim foi importantíssima, pois senti me útil a transmitir as crianças
a importância do tema, sabendo que algum dia irá ser útil para alguma delas, e
também concluindo que o tema deverá continuar a ser abordado.

Figura 5- Brincadeira com os fantoches com as crianças

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Como identificar e prevenir os abusos sexuais na infância

Conclusão

Após a realização deste projeto o mesmo se desenvolveu de uma forma bastante


satisfatória, consegui realizar o que me propus no início do projeto, tendo feito uma
pesquisa intensiva sobre o assunto, ficando a perceber coisas que não sabia que eram
tão importantes, e pondo em prática o mesmo, na minha parte prática com as
crianças, algo que fico bastante agradecida de ter realizado, conseguindo perceber a
inconsciência das crianças em relação a este tema. A realização deste trabalho foi uma
mais valia para mim, por conseguir ficar a perceber muito da temática, tal como ajudar
as pessoas nessa situação, seja como técnica ou mesmo na sociedade.

Bibliografia

AAVV (2017) Manual CARE. Apoio a crianças e jovens vítimas de violência Sexual,
Lisboa, APAV- Associação Portuguesa de Apoio a Vítima

Webgrafia

[Link] – consultado
em 18/10/2021

[Link] 03/11/2021

[Link] - 22/11/2021

[Link] - consultado em 17/01/2022

21
Como identificar e prevenir os abusos sexuais na infância

Agradecimentos

Todo este projeto não se realizaria sem o apoio de várias pessoas.

Em primeiro lugar tenho a agradecer a Professora Orientadora, Isabel Gomes, por toda
a orientação e apoio demonstrado.

Em segundo lugar quero agradecer também à Psicóloga e Gestora do Gabinete de


Apoio à Vítima do Alto Alentejo Oeste, Rita Martinho, por toda a orientação do projeto
e disponibilidade para ajuda no mesmo.

Em Terceiro lugar gostaria também de agradecer à Professora Marília Carrilho, por ter
mostrado sempre disponibilidade em ajudar e ter sempre ter estado presente na
realização do mesmo.

Em Quarto lugar quero agradecer à Professora Lígia Braz pela disponibilidade em


ajudar, principalmente na parte pratica, ajudando na realização da mesma.

Por último, mas não menos importante, quero Agradecer à Diretora de Turma, Elsa
Mendes, por me ter orientado com todas as informações do projeto.

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