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827-Texto Do Artigo-1942-2055-10-20160512

O documento discute a importância da Terapia Ocupacional na integração sensorial no tratamento de crianças com paralisia cerebral, destacando como essa abordagem pode melhorar suas habilidades funcionais através de estímulos sensoriais. A pesquisa foi realizada em uma instituição específica e envolveu atividades adaptadas às necessidades individuais das crianças, visando o desenvolvimento global e a qualidade de vida dos pacientes. O estudo enfatiza a necessidade de considerar os aspectos sensoriais no tratamento, utilizando recursos variados da terapia de Integração Sensorial.

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827-Texto Do Artigo-1942-2055-10-20160512

O documento discute a importância da Terapia Ocupacional na integração sensorial no tratamento de crianças com paralisia cerebral, destacando como essa abordagem pode melhorar suas habilidades funcionais através de estímulos sensoriais. A pesquisa foi realizada em uma instituição específica e envolveu atividades adaptadas às necessidades individuais das crianças, visando o desenvolvimento global e a qualidade de vida dos pacientes. O estudo enfatiza a necessidade de considerar os aspectos sensoriais no tratamento, utilizando recursos variados da terapia de Integração Sensorial.

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A INTEGRAÇÃO SENSORIAL NO TRATAMENTO


DO PARALISADO CEREBRAL SOB A VISÃO DA
TERAPIA OCUPACIONAL

Fernanda Katayama Negrisolli *


Sabrina Queiróz Barros *
Luciana Barbosa Rocha **

Resumo
O paralisado cerebral é considerado portador de uma
desordem sensório-motora, ocasionada por uma lesão cerebral não
progressiva que ocorre no período pré, peri ou pós-natal, podendo
apresentar défi cits de visão, audição, do equilíbrio, da sensibilidade
da pele (térmica, tátil, dolorosa e estereognosia), e/ou sensibilidade
muscular e óssea (cinético-postural, pressão), os quais interferem
em sua interação com o meio ambiente, difi cultando a execução de
atividades funcionais. Tendo em vista que a realização do ato motor
está vinculada às informações sensoriais que o indivíduo recebe do
ambiente e a maneira como se processa no organismo, a Terapia
Ocupacional fazendo uso dos recursos disponíveis na terapia de
Integração Sensorial (balanço sensorial, piscina de bolas, cunha,
materiais com texturas diferentes, etc.) é fundamental no tratamento
da criança portadora de paralisia cerebral, pois por meio do contato
com estes recursos, ela experimenta diferentes estímulos, em
especial, tátil, vestibular e proprioceptivo, sendo capaz de perceber,
identifi car e esquematizar de maneira mais adequada suas
atividades motoras, o que consequentemente favorece suas
habilidades funcionais. As atividades são aplicadas utilizando
posturas adequadas e controladas, levando em consideração as
necessidades individuais de cada criança e o grau de limitação
motora, visual, perceptiva e cognitiva, sendo necessário ressaltar
que durante a realização das atividades, pode-se utilizar em conjunto
outros métodos, como por exemplo, o Bobath. No entanto, com este
trabalho chama-se
74

* Acadêmicas de Terapia Ocupacional


**Terapeuta Ocupacional, especialista e professora da UCDB
a atenção dos profi ssionais da saúde, em especial, os terapeutas
ocupacionais, para que considerem os aspectos sensoriais no
tratamento do paralisado cerebral, visando o desenvolvimento
global da criança bem como melhora na qualidade de vida destes
pacientes. O trabalho foi desenvolvido na Instituição Orionópolis
Sul-Mato-Grossense.
Palavras-chave: 1. terapia ocupacional, 2. integração sensorial, 3.
paralisado cerebral

Abstract
A person with cerebral palsy is considered to have a
sensorialmotor disorder, caused by a non-progressive brain lesion
that occurs in the period before, during or after birth, that could
cause damage to vision, hearing, balance, skin sensitivity, muscular
sensitivity and bone (posture, pressure) which interferes in their
interaction with the environment, making it diffi cult to execute
functional activities. Taking into consideration that the carrying out
of motor activities is related to sensorial information that the
individual receives from the environment and the manner in which
it is processed in the organism. Occupational Therapy, using the
resources available in the therapy of Sensorial Integration (sensorial
balance, ball pool, materials with different textures, etc.) is essential
in the treatment of children with cerebral palsy. The contact with
these resources affords different stimuli, specially tactile, making it
possible to perceive, identify and programme more adequately their
motor activities, which consequently favor their functional abilities.
The activities are applied using adequately controlled postures,
considering the individual necessities of each child and the degree
of motor, visual, perceptive and cognitive limitations, being
necessary to highlight that during the activities, other methods can
be used, the Bobath for example. In this way, this work method
attracts the attention of health profi ssionals, specially occupational
75

therapists, as a way of considering the sensorial aspects of the


treatment of those with cerebral palsy, attempting global
development of the child as well as the improvement of the quality
of life of these patients. The study was carried out in the “
Orionópolis Institute of Mato Grosso do Sul.
Key words: 1. occupational therapy, 2. sensorial integration, 3.
cerebral palsy patients
Introdução
Esse artigo tem por objetivo descrever e analisar como a
Terapia Ocupacional pode contribuir no tratamento do paralisado
cerebral, viabilizando sua funcionalidade por meio do contato com
diferentes estímulos sensoriais proporcionados pelos recursos
disponíveis na terapia de Integração Sensorial, podendo estar
associada a outros métodos para benefi ciar a clientela em questão.
Para tanto o artigo estrutura-se em tópicos que descrevem o
conceito de paralisia cerebral, sua incidência, etiologia, classifi
cação, bem como o histórico, a defi nição de Integração Sensorial e
a atuação desse método no tratamento do paralisado cerebral.
Aborda ainda a Terapia Ocupacional e sua correlação com a
Integração Sensorial, descrevendo os estudos de caso realizados
durante a pesquisa.

Materiais e métodos
A partir de experiências vivenciadas em aulas práticas na
Instituição Orionópolis Sul-Mato-Grossense e com base em alguns
estudos já relacionados a este assunto, surgiu a idéia de pesquisar a
importância da terapia de Integração Sensorial no tratamento do
paralisado cerebral. Para tanto adotou-se como problema o seguinte:
Qual a contribuição da terapia de Integração Sensorial no
tratamento motor e sensorial do paralisado cerebral?
Com a realização do trabalho adotou-se como hipótese a idéia
de que por meio da utilização dos recursos disponíveis na terapia de
Integra ção Sensorial e pelo fato de todo ato motor estar vinculado
às experiências sensoriais, o terapeuta ocupacional é capaz de
76

oferecer ao paralisado cerebral, um ambiente rico em estímulos,


principalmente tátil, vestibular e proprioceptivo, para que o mesmo
produza respostas adaptativas às demandas do meio ambiente,
esquematizando de maneira mais adequada suas atividades motoras
e favorecendo sua funcionalidade.
A pesquisa se caracterizou como sendo um estudo de caso,
realizado ao campo, de natureza qualitativa. Desenvolveu-se, como
já indicado, na Instituição Orionópolis Sul-Mato-Grossense,
localizada na rua Jasmil Basmage, nº 996, bairro Mata do Jacinto em
Campo Grande – Estado de Mato Grosso do Sul, tendo como
clientela alvo três crianças portadoras de paralisia cerebral grave
com idade de sete a doze anos, as quais foram atendidas durante três
meses, na própria instituição, duas vezes por semana, com duração
de quarenta e cinco minutos.
Os dados foram coletados mediante registro sistemático dos
atendimentos realizados, utilizando-se como instrumentos o
questionário para os pais, que foi realizado durante a visita
domiciliar marcada para este fi m, pelo qual obtiveram informações
relevantes sobre a história de cada paciente e sua rotina diária; a
avaliação que permitiu a elaboração do plano de tratamento, além
das análises de atividades e fi cha de conduta e evolução. Por meio
de experiências vivenciadas durante os estudos de casos e
correlacionando-as com as bibliografi as especializadas, os dados
coletados foram analisados e interpretados.
Durante os atendimentos foram aplicadas diferentes atividades
utilizando os recursos disponíveis na terapia de Integração
Sensorial, tais como: balanço sensorial, espuma de barbear, grãos,
bolas sensoriais com texturas variadas, escova cirúrgica, farinha de
trigo, fi ta K7, bancos, mesa regulável, cunha, rampa, piscina de
bolas, etc., sendo as mesmas elaboradas de acordo com as
necessidades específi cas de cada paciente.
Em se tratando da relevância acadêmica, a pesquisa além de
contribuir no aprendizado das pesquisadoras buscou chamar a
atenção dos demais profi ssionais da área da saúde para que incluam
a terapia de Integração Sensorial no tratamento do paralisado
77

cerebral, visando melhora em sua qualidade de vida e benefícios a


seus familiares.

Paralisia cerebral Conceito


A paralisia cerebral é um grupo não progressivo, mas
freqüentemente mutável, de distúrbio motor (tônus e postura),
secundário à lesão do cérebro em desenvolvimento, no qual a lesão
pode ocorrer no período pré, peri ou pós-natal. É também conhecida
como encefalopatia crônica não progress iva, pois o termo paralisia
cerebral é considerado inadequado por alguns autores, por signifi car
ausência total de atividade física e mental (NELSON et al., 1994,
KUBAN e LEVITON, 1994 apud FERRARETO e SOUZA, 1998).
O paralisado cerebral é considerado portador de uma
desordem sensório-motora que tem efeito em sua interação com o
meio ambiente, incluindo a exploração e função. Esta defi ciência
motora central está freqüentemente associada a problemas de visão,
audição e fala, com vários tipos de distúrbios da percepção, retardo
mental e/ou epilepsia, o que leva a conseqüências específi cas em
termos de diagnóstico, avaliação e tratamento.
Portanto, a paralisia cerebral é uma desordem do movimento
e da postura devido a um defeito ou lesão do cérebro imaturo,
ocasionando debilitação variável na coordenação da ação muscular
com resultante incapacidade da criança em manter posturas e
realizar movimentos normais (BOBATH, 1989).

Incidência
A partir de 1945, deu-se maior atenção à incidência da
paralisia cerebral o que muito infl uenciou para divulgação dos
levantamentos estatísticos. Há relatos de incidência geral que
consideram todos os níveis de comprometimento de até 7:1000
nascidos (KUBAN e LEVITON, 1994). Segundo Diament
(1996:783), no Brasil, a estimativa provável de paralisia cerebral é
mais elevada em vista das condições de assistência pré e peri natais
serem satisfatórias apenas para uma pequena parcela da população,
a maioria mal assistida.
78

De acordo com os dados encontrados no X Congresso


Brasileiro de Paralisia Cerebral, realizado em São Paulo, a cada mil
crianças que nascem no Brasil, seis são portadoras de paralisia
cerebral (ARAÚJO e BRUM, 1999).

Etiologia
Os fatores etiológicos ligados ao desenvolvimento da paralisia
cerebral podem ser pré, peri ou pós-natais.
Os fatores pré-natais (compreendem todos os incidentes e
acidentes patológicos da gravidez) podem ser genéticos e/ou
hereditários; e maternos (fenômenos hipóxico-isquêmicos,
hipotensão, eclampsia, desprendimento da placenta, rubéola, sífi lis,
toxoplasmose, uso de medicamentos e drogas, dentre outros). No
caso dos fatores peri-natais, esses correspondem às formas de
sofrimento do feto no momento do parto, podendo acontecer por asfi
xia (hipóxia ou anóxia); hemorragia intracraniana; prematuridade e
baixo peso; infecção pelo canal do parto e por esse ser distócico. Já
os fatores pós-natais, esses podem ocorrer até os três anos de vida,
devido a diversos fatores como: meningencefalites bacterianas e
virais, traumatismo crânio-encefálico, encefalopatias
desmielinizantes (pós-infecciosas ou pós-vacinas), processos
vasculares, desnutrição e por síndromes epiléticas (West e Lennox
Gastaut).
Além desses fatores, é necessário dar importância à doença
crônica materna (distúrbios endocrinologicos, hipertensão arterial);
idade materna, gestação gemelar e condições socioeconômicas
precárias.
Tipos clínicos de paralisia cerebral
O diagnóstico clínico de paralisia cerebral baseia-se na história
e na avaliação física e neurológica, ou seja, nas manifestações
motoras que constituem sua principal característica clínica. Quanto
às classifi cações que defi nem os tipos de paralisia cerebral pode-se
considerar o tipo de envolvimento neuro-muscular, os membros
79

atingidos por este comprometimento e o grau de comprometimento


motor.
A paralisia cerebral classifi ca-se quanto ao tônus e topografi
a, de acordo com a área do cérebro afetada.
Quanto ao tônus
Entende-se por tônus muscular o grau de tensão em um grupo
muscular que pode ser sentido na palpação e ao manusear o paciente.
As alterações do tônus determinam-se por observação das posturas
corporais e dos movimentos.
a) Espasticidade - é resultado de uma lesão no primeiro
neurônio motor (córtex), caracterizando-se pelo aumento e paralisia
da tonicidade dos músculos, bem como a hipertonia, hiperrefl exia,
fraqueza muscular, padrões motores anormais e diminuição da
destreza. Seu grau varia de acordo com o estado geral da criança, ou
seja, sua excitabilidade e a força do estímulo ao qual é submetida
constantemente. Os movimentos são restringidos em amplitude e
exigem esforços excessivos, sendo comum o aparecimento de
deformidades articulares.
b) Hipotonia - a hipotonia caracteriza-se por afetar
regiões não defi nidas do sistema nervoso central relacionadas ao
controle do tônus muscular (córtex, tálamo, gânglios da base e
cerebelo). Normalmente o paralisado cerebral hipotônico apresenta
grave depressão da função motora e fraqueza muscular, afetando o
movimento devido a pouca resistência ao estiramento passivo dos
músculos e amplitude de movimento aumentada.
c) Ataxia - a ataxia é resultado de uma lesão cerebelar,
sendo caracterizada por incoordenação estática ou cinética dos
movimentos (tremores), diminuição da tonicidade muscular e
ausência de co-contração.
d) Extrapiramidal - neste tipo de paralisia cerebral a
lesão situa-se nos gânglios da base, área cerebral responsável pelo
controle dos movimentos indesejáveis, o que leva ao aparecimento
de movimentos involuntários, classifi cados como:
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1 - Atetóide - os pacientes atetóides possuem o equilíbrio, a


reação de proteção e endireitamento prejudicados pelos movimentos
involuntários, ou seja, pelo tônus muscular instável e fl utuante. Os
movimentos tornam-se exacerbados e repetitivos quando se tenta
controlá-los voluntariamente.
2 - Coréico - caracteriza-se por movimentos involuntários
rápidos presentes nas raízes dos membros, impossibilitando que os
movimentos voluntários aconteçam.
3 - Distônico - apresentam movimentos atetóides mantidos,
com posturas fi xas, que podem se modifi car após algum tempo. No
paralisado cerebral distônico, geralmente as deformidades não
ocorrem ou são muito raras podendo ser reversíveis.
e) Formas mistas - a paralisia cerebral do tipo mista é uma
combinação das formas espásticas, atetóides e atáxicas.
Quanto à topografi a
Esta classifi cação refere-se à área do corpo comprometida.
a) Quadriplegia - na quadriplegia há o
comprometimento de todo o corpo, sendo os membros superiores
mais comprometidos. Existência de assimetria corporal, difi culdade
na fala, controle de cabeça defi citário bem como a coordenação dos
olhos.
b) Diplegia - o comprometimento do paciente diplégico
é maior
nos membros inferiores, sendo pouco acometidos os membros
superiores. A deambulação é precária, podendo apresentar
estrabismo e a fala não afetada.
c) Hemiplegia - a hemiplegia caracteriza-se pelo
comprometi-
mento de um hemicorpo, apresenta hipertonia em fl exão no membro
superior e em extensão no membro inferior. As maiorias dos
hemiplégicos são espásticos.
81

d) Monoplegia - a monoplegia caracteriza-se por afetar


apenas um membro do corpo, sendo um braço ou uma perna. São
quadros raros na paralisia cerebral. Segundo Ferrareto (1998:34):
A classifi cação por severidade do comprometimento motor,
isto é, leve, moderado e grave, é geralmente usado em
combinação com a classifi cação anatômica e a clínica. Esta
classifi cação tem um signifi cado específi co; são palavras
subjetivas com signifi cado variado, dependendo do profi
ssional que as usa.

Diagnóstico
O diagnóstico da paralisia cerebral é primordialmente clínico
baseado na história e na avaliação física e neurológica, sendo
necessário relevar todas as alterações ocorridas no decorrer de sua
vida. É necessária a realização de exames complementares, tais
como: eletroencefalograma, sorologia, angiografi a cerebral, ultra-
sonografi a, tomografi a craniana computadorizada e ressonância
nuclear magnética, para confi rmação do exame clínico afastando
assim, outras hipóteses diagnósticas (DIAMENT, 1996).

Integração sensorial Histórico


A teoria de Integração Sensorial foi um trabalho desenvolvido
pela Dr.ª Jean Ayres Terapeuta Ocupacional norte-americana, o qual
vem sendo modifi cado e complementado por clínicos de todo o
mundo. Jean Ayres acreditava que era preciso conhecer melhor a
capacidade do cérebro de processar as informações recebidas,
sendo que suas investigações iniciais foram destinadas às crianças
com distúrbio de aprendizagem e posteriormente, em conjunto com
outros terapeutas ocupacionais, ampliou a utilização de sua teoria a
outras populações de pacientes, como por exemplo, os paralisados
cerebrais (SPACKMAN, 1998).

Defi nição
A Integração Sensorial defi ni-se como a forma em que os
seres humanos desenvolvem a capacidade de organizar sensações
82

para executar atividades auto-dirigidas e signifi cativas, ou seja, é o


processamento das informações recebidas.
A abordagem desta teoria visa à quantidade e à qualidade de
estímulos proporcionados ao sujeito, para que busque um equilíbrio
modulado, produzindo respostas que estejam de acordo com suas
capacidades e com o meio, melhorando o desempenho no processo
de aprendizagem (BARTALLOTI, 1999).

Disfunção de integração sensorial


Primeiramente serão descritos alguns conceitos básicos para
melhor compreensão desta disfunção.
Sistema vestibular - é o sistema que forma a relação básica
da pessoa com a gravidade e o mundo físico. As sensações
vestibulares são processadas quase que totalmente nos núcleos e
cerebelo, para então serem mandadas para medula e tronco cerebral
onde desempenham um importante papel de integração (MICHEL,
1998).
As principais funções do sistema vestibular são: adequação do
corpo à mudança de posição e movimentos; equilíbrio; tônus
muscular; função óculo-motora; esquema corporal; infl uência na
organização viso-espacial e emocional além de infl uenciar no
processo auditivo e de linguagem. Por meio da estimulação
vestibular, melhora-se a integração dos refl exos posturais, a
regulação do tônus, a seleção e coordenação de movimentos e a
atenção visual (BABEY, 1998).
Propriocepção - propriocepção é a informação que vem do
corpo, a qual proporciona habilidade para verifi car a orientação
espacial do corpo ou de alguma de suas partes no espaço, a sincronia
de movimentos, velocidade e a força exercida pelos músculos.
Segundo Magalhães (1999:29):
Propriocepção é uma função das terminações aferentes dos
músculos e tendões que sentem com quanta força os
músculos estão tracionando e a rapidez com que o músculo
está sendo estirado; responde mais à movimentação ativa.
83

Essa informação é utilizada para regular a atividade motora


em andamento e guiar a execução de outras tarefas motoras
no futuro.
A maioria das percepções proprioceptivas não chega a
alcançar o consciente, ou só o alcançam quando se concentra a
atenção sobre elas.
Sistema tátil - o sistema tátil provê informações importantes
sobre o ambiente durante toda a vida. A pele tem diversas formas de
receptores localizados no corpo todo para receber as sensações do
tato, pressão, textura, dor e movimento dos pelos. Os impulsos táteis
são os primeiros a se desenvolverem no feto e vão para todas as
partes do cérebro.
As modalidades tátil, vestibular e proprioceptiva estão muito
próximas e, no aspecto fi logenético, foram as três que primeiro se
desenvolveram (MICHEL, 1998).
A Integração Sensorial inicia-se no útero e continua a
desenvolver-se pela infância, estabelecendo a maioria das funções
até a adolescência. No caso da disfunção de Integração Sensorial o
fl uxo de entrada de estímulo sensorial e saída de resposta motora
está rompido, pois os neurônios sensoriais não enviam mensagens
efi cientes para o Sistema Nervoso Central e/ou os neurônios
motores não enviam mensagens do corpo de forma a permitir
respostas comportamentais adequadas. De modo geral, esta
disfunção caracteriza-se como irregularidade ou desordem na
função cerebral que difi culta a integração do input sensorial
(MAGALHÃES, 1999). A disfunção pode acarretar:
a) Defensividade tátil - segundo Jean Ayres (1989), a
defensi-
vidade tátil refere-se a uma não usual sensibilidade ao toque, sendo
esta falta de defesa no tato uma desordem sensorial integrada que
afeta o comportamento geral das crianças. As sensações táteis
causam reações emocionais excessivas, desconforto e desejo de
fugir de situações nas quais são experimentados certos tipos de
estímulos táteis (MICHEL, 1998).
84

Os principais sintomas são: hiperatividade ou dispersão;


quando a criança está sendo vestida, não gosta que a manuseie; evita
toques em geral; não suporta fi car com as mãos sujas, etc.
b) Dispraxia - a dispraxia é uma difi culdade em que a
criança
não direciona os movimentos de seu corpo. O problema não se
encontra tanto ao nível do input sensorial ou do output motor, mas,
sobretudo ao nível do processo de integração, que ocorre entre os
dois elementos quando há programação do movimento. Os sintomas
são: precisão motora insufi ciente; má coordenação bilateral; má
percepção tátil; reação de equilíbrio ruim; difi culdades para manter
uma postura, etc.
c) Alteração na duração e regularidade do
nistagmo pós--rotatório - o nistagmo é uma série de movimentos
automáticos dos olhos para os lados. Diferentes condições
produzem esse refl exo e uma maneira simples de produzi-lo é pela
aplicação de uma parada brusca, após várias rotações do corpo. Se
a criança apresenta ausência, pouca duração do nistagmo pós
rotatório, ou mesmo longa duração são sinais de uma má
integração sensorial (AYRES, 1989).
Quando o cérebro recebe impulsos vestibulares e estes não são
modulados de forma adequada, a criança pode apresentar reações
exageradas, as quais são apresentadas nas seguintes formas:
d) Hipersensibilidade a movimentos - a
hipersensibilidade a
movimentos caracteriza-se pela sensação de desconforto na criança
sempre que experimenta movimentos rápidos ou giratórios, sendo
comum a presença de nistagmo pós rotatório de longa duração
(MICHEL, 1998).
e) Insegurança gravitacional - a insegurança
gravitacional é um medo irracional de cair ou de assumir uma
posição à qual a criança não esteja acostumada, ou ainda uma
ansiedade anormal e angústia que aparecem quando os receptores
da gravidade do sistema vestibular são estimulados pelo
85

movimento ou posição da cabeça (CANÍGLIA, 1993). Os


principais sintomas são: criança ansiosa quando retira o pé do
chão; medo de altura e de cair; não gosta de playground; assusta-se
com curvas no carro; etc.
Terapia de integração sensorial
A terapia de Integração Sensorial trata-se de um modelo de
tratamento que envolve estimulação sensorial e respostas
adaptativas, de acordo com as necessidades neurológicas da criança.
A proposta é oferecer estímulos sensoriais de forma que a criança
integre as sensações recebidas, melhorando a capacidade do cérebro
de processar e organizar tais sensações, executando suas funções
adequadamente (MICHEL,1998).
Esse tratamento só faz sentido quando os sinais de disfunção
têm impacto no desempenho funcional da criança, ou seja, quando a
criança não demonstra ter habilidade para desempenhar as tarefas e
atividades que ela deseja ou necessita fazer em sua rotina diária. É
importante ressaltar que a terapia de Integração sensorial depende
da interação entre a maturidade do sistema nervoso e as experiências
vividas no meio ambiente.
Sessão
A sessão da terapia de Integração Sensorial deve ser elaborada
baseando-se na pesquisa, avaliação e observação, considerando o
desempenho funcional de cada criança. Deve acontecer de maneira
espontânea, ou seja, quando a criança deseja o estímulo e quando se
trabalha mais de uma modalidade (KRADOLFER apud MICHEL,
1998).
É importante que durante a sessão o terapeuta ocupacional
selecione as áreas que necessitam ser trabalhadas para que elabore
atividades que promovam respostas adaptativas mais complexas.
Os principais recursos terapêuticos utilizados em uma sessão
de Integração Sensorial são: rede, equipamentos suspensos em
ganchos giratórios (balanço sensorial ou vestibulador), plataforma
móvel, rampa, escadas, bolas de diversos tamanhos e texturas, skate
adaptado, cunha, calça da vovó, rolos, piscina de bolas, minhocão,
86

além da escova cirúrgica, brinquedos sonoros e coloridos, texturas


diversas (gelatina, grãos, areia, espuma de barbear, farinha de trigo,
etc.) e música.
Cabe ressaltar que os recursos citados devem estar
absolutamente seguros quanto à colocação no teto, argolas ou
cordas; a sala deve ser sufi cientemente grande para que a criança
não defronte com obstáculos e o chão deve estar sempre forrado com
colchonetes principalmente quando se utilizar o vestibulador. Em
relação à aplicação das atividades, estas devem ser graduadas de
acordo com as habilidades da criança.

Terapia de integração sensorial no tratamento do paralisado


cerebral
Como já descrito anteriormente, o paralisado cerebral é
privado de inúmeras experiências sensório-motoras que podem
limitar os movimentos voluntários, interferindo em sua interação
com o meio ambiente, difi cultando a exploração, função e
conseqüentemente não permitindo o alcance de seu
desenvolvimento de maneira plena e integral.
Tendo em vista que todos os movimentos são realizados em
resposta a estímulos sensoriais e que o portador de paralisia cerebral
apresenta problemas para receber e processar estes estímulos, o que
difi culta a produção de respostas motoras normais, a terapia de
Integração Sensorial é necessária em seu tratamento, pois a mesma
é capaz de oferecer um ambiente favorável para que essa criança
(por meio do contato direto com estímulos táteis, vestibulares e
proprioceptivos) favoreça o processamento das informações,
perceba, e esquematize suas atividades motoras, além de
desenvolver de maneira mais adequada suas habilidades funcionais.
No tratamento do paralisado cerebral essa terapia pode
associar-se a outros métodos, tais como: Rood, Kabat, recursos
musicais e principalmente o Bobath, o qual preconiza a inibição de
refl exos primitivos e dos padrões patológicos de movimentos, tendo
como princípio básico a facilitação do desenvolvimento motor
87

normal, utilizando as grandes articulações como elemento de


excitação- inibição.
A terapia oferece atividades que utilizam posturas adequadas
e controladas, as quais são ajustadas às necessidades individuais,
levando em consideração o grau de limitação motora, visual,
perceptiva e cognitiva, com objetivo de possibilitar o recebimento
de informações sensório-motoras adequadas a cada nova
exploração, além de aumentar o nível de funcionalidade, alerta,
interesse e participação (FERRARETO, 1998).
Terapia ocupacional Conceito
A Terapia Ocupacional (T.O) tem como especialidade a função
ocupacional, a qual historicamente remonta às civilizações clássicas.
Sendo assim, apresentar uma conceituação signifi ca também
apresentar, uma determinada visão de saúde, de homem e de
sociedade.
Segundo Hagedorn (1999:15):
O terapeuta ocupacional avalia as funções físicas,
psicológicas e sociais do indivíduo, identifi ca as áreas de
disfunção e o envolve em um programa de atividades
estruturado de forma a superar sua incapacidade. As
atividades escolhidas serão correlacionadas às necessidades
pessoais, sociais, culturais e econômicas do cliente, refl
etindo os fatores ambientais que infl uenciam sua vida.
Contudo, a Terapia Ocupacional é a utilização de atividades
propositais ou de intervenções que promovam saúde e desenvolvam
resultados funcionais, sendo considerada como tratamento que
potencialmente, pode ser um processo transformador de uma
situação e das pessoas nele envolvidas (AMERICAN
OCCUPATIONAL THERAPY ASSOCIATION, 1994).

Atuação da terapia ocupacional na paralisia cerebral


Os objetivos da Terapia Ocupacional no tratamento do
paralisado cerebral são estabelecidos com base nos dados da
88

anamnese e da avaliação global e detalhada da criança nas diferentes


áreas: motora, sensorial, perceptiva, cognitiva, visual e social.
Na avaliação inicial deve-se obter o máximo de informações
por meio de observações de situações induzidas e de pouco
manuseio. Deve-se ainda observar as áreas comprometidas, as
incapacidades funcionais e suas conseqüências no desenvolvimento
global para então elaborar o plano de tratamento baseado nas
necessidades especiais de cada paciente, buscando metas realísticas
e compatíveis com suas incapacidades sensório-motoras,
intelectuais, emocionais, sociais e econômicas (FERRARETO,
1998).
A abordagem para cada paciente é individual, mas alguns
objetivos de tratamento, segundo Ferrareto (1998), são freqüentes
para o paralisado cerebral, tais como:
1. Planejar atividades para favorecer o desenvolvimento
neuropsicomotor;
2. Normalização de tônus e facilitação do desenvolvimento motor
normal;
3. Proporcionar posturas adequadas para realização de atividades,
favorecendo padrões normais de movimento;
4. Promover estimulação vestibular, tátil, visual, auditiva e
proprioceptiva;
5. Confeccionar órtese e/ou adaptações para auxiliar no desempenho
funcional bem como prevenir deformidades;
6. Visita domiciliar e orientação à família quanto ao posicionamento
e manuseio na realização das Atividades da Vida Diária, além da
importância de estimular a criança no ambiente familiar e
7. Visita e orientação escolar.
Entretanto, por meio de atividades específi cas que promovam
alinhamento global e um padrão postural adequado, o terapeuta
ocupacional busca desenvolver as capacidades funcionais da criança
com paralisia cerebral, não concentrando seu trabalho somente nas
funções dos membros superiores, mas sim priorizando o tratamento
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da criança dentro de um contexto global, levando em consideração


o aspecto motor, sensorial e suas características emocionais.

A relação entre terapia ocupacional, atividades e terapia de


integração sensorial
Tendo em vista que o recurso terapêutico da profi ssão é
atividade, o terapeuta ocupacional no tratamento do paralisado
cerebral, é capaz, por meio da utilização dos recursos disponíveis na
terapia de Integração Sensorial, de elaborar e aplicar atividades que
irão favorecer a organização das experiências sensoriais, fazendo
com que a criança adquira conhecimento mais adequado de si
própria e do meio em que vive, aumentando o repertório de suas
ações.
Especifi camente, nas atividades de estimulação tátil são
utilizados diferentes texturas (grãos, areia, espuma de barbear,
água, farinha de trigo, gel, massa de modelar, etc.) que além da
dissensibilidade corporal, possibilitam diversifi cação de objetivos
como o trabalho de coordenação manual, força muscular e
preensão. Associa-se a este trabalho a técnica de escovação,
indicada, em especial, para pacientes com hipersensibilidade tátil
e/ou baixa propriocepção.
Em relação às atividades de estimulação vestibular, estas
podem ser realizadas no balanço sensorial, bola, rede ou em um
lençol, os quais, se necessário, devem ser adaptados, para favorecer
o posicionamento adequado do paciente. Faz-se necessário a
utilização das técnicas de regulação de tônus e a adequação de
posturas e movimentos para inibição de refl exos. A velocidade, a
intensidade e as direções dos movimentos (balanceio) devem ser
modifi cadas gradativamente, devendo o terapeuta estar sempre
atento as reações da criança durante a estimulação.
Nas atividades de estimulação visual e auditiva pode-se
utilizar, por exemplo, brinquedos sonoros, coloridos com contrate e
brilho, lanterna e papel celofane, indicados principalmente para o
trabalho de motilidade visual ou fi xação, que além de auxiliarem no
controle postural, contribuem para melhor desenvolvimento da
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criança. Os estímulos proprioceptivos podem ser proporcionados


por meio da sensação dos diferentes posicionamentos durante as
atividades de estimulação tátil, vestibular e visual, ou ainda fazendo
uso da piscina de bolas.
O trabalho de estimulação sensório-motora é importante para
desenvolver as áreas receptivas do sistema nevoso central e para a
estruturação do esquema corporal, indispensável para execução das
praxias mais complexas.
Estudo de caso
Durante a realização da pesquisa foram realizados três estudos
de caso, os quais serão descritos a seguir.
Caso A
O paciente L.A.A.S., doze anos, nasceu após dez meses
de gestação, de parto normal, sofrendo lesão neurológica, o que
levou ao diagnóstico clínico de Paralisia Cerebral - quadriplegia
espástica. Há dois anos vem recebendo tratamento fi sioterápico,
fonoaudiológico e terapêutico ocupacional na Instituição
Orionópolis SulMato-Grossense. O diretor desta instituição
autorizou a utilização das informações para a pesquisa, podendo as
mesmas serem fotografadas e/ou registradas em vídeo, desde que
fossem respeitados os princípios éticos com relação ao sigilo dos
dados de identifi cação da criança envolvida. A família também foi
esclarecida que o desenvolvimento da pesquisa não era apenas de
interesse profi ssional, mas sim com o intuito de complementar o
tratamento recebido na instituição, possibilitando melhora na
qualidade de vida da criança.
Durante os atendimentos, primeiramente foi aplicado um
questionário com os pais e por meio deste foram obtidas
informações sobre a história do paciente e sua rotina diária. Em
seguida, realizou-se a avaliação para posteriormente elaborar o
plano de tratamento. No decorrer da avaliação foi possível constatar
que o paciente apresenta padrão postural clássico do tipo espástico,
não apresenta deformidades, é dependente em relação às atividades
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de vida diária, sua comunicação é não verbal e em relação aos


aspectos sensoriais apresenta défi cits signifi cativos de
sensibilidade tátil e do sistema vestibular, os quais foram priorizados
durante os atendimentos.
P artindo disso elaborou-se o plano de tratamento com os se-
guintes objetivos:
• proporcionar normalização de tônus;
• favorecer fl exão de quadril e abdução de membros inferiores;
• trabalhar dissociação de cintura escapular e pélvica;
• proporcionar força muscular e função manual dos membros supe-
riores;
• estimular preensão palmar;
• favorecer posicionamento adequado, inibindo padrões anormais
de postura e movimentos; e
• proporcionar estimulação tátil, vestibular e proprioceptiva.
Os atendimentos foram realizados duas vezes na semana,
durante os meses de junho, agosto, setembro e outubro de 2001,
sendo registradas diariamente as condutas e evoluções. Neste
período foram aplicadas atividades que utilizaram os recursos na
terapia de Integração Sensorial, as quais foram desenvolvidas por
uma das pesquisadoras sendo que a outra fi cou responsável pelo
registro dos atendimentos. Cabe ressaltar que durante a realização
destas atividades fez-se necessário a utilização de outros métodos,
no caso, o Bobath.
No início dos atendimentos observou-se que o paciente
apresentava resistência ao contato com certas texturas e quando
posicionado no balanço sensorial reagia a estimulação alterando seu
tônus, e com a terapia de Integração Sensorial foi possível observar
melhora considerável em relação a tais aspectos.
Caso B
A paciente F.N, sete anos, nasceu com oito meses e uma
semana de gestação, de parto cesariano, após ameaça de aborto,
tendo como diagnóstico clínico Paralisia Cerebral –Extrapiramidal
Distônica. Segundo informações colhidas da mãe, a gravidez não foi
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planejada nem desejada, e a mesma não teve acompanhamento pré-


natal.
Assim como no caso A, a realização deste estudo de caso, foi
autorizado pelo diretor da Instituição, o qual permitiu o registro de
todas as informações. A família também foi esclarecida quanto ao
intuito da pesquisa.
Durante os atendimentos não foi possível realizar o
questionário com os pais devido a incompatibilidade de horários
entre as pesquisadoras e os pais da paciente, porém as informações
sobre a história da paciente e sua rotina diária foram colhidas da
anamnese realizada com a mãe na própria instituição.
Após a coleta dos dados, foi realizada a avaliação na qual
constatou-se que a paciente apresenta padrão postural típico do tipo
distônico, precário controle cervical e de tronco, é dependente na
realização da atividades de vida diária e comunica-se de forma não
verbal.
Quanto aos aspectos sensoriais, apresenta défi cits do sistema
vestibular, proprioceptivo e sensibilidade tátil.
Partindo disso, elaborou-se o plano de tratamento com os
objetivos de: proporcionar normalização de tônus; favorecer o
controle cervical; fortalecer musculatura abdominal para melhor
controle de tronco; propiciar posicionamento adequado e
proporcionar estimulação tátil, vestibular e proprioceptiva.
Os atendimentos foram realizados da mesma forma e período
que o caso A, sendo estabelecido bom vínculo entre a paciente e
pesquisadoras. Neste período aplicaram-se atividades que utilizaram
os recursos disponíveis na terapia de Integração Sensorial, associada
ao método Bobath.
Dentre os estudos de caso realizados, este foi o que teve menor
evolução, devido principalmente à difi culdade de controle postural,
que infl uenciou na recepção dos estímulos sensoriais, embora a
paciente tenha demonstrado esforço e interesse para realizar as
atividades propostas.
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Caso C
A paciente T.S.S., sete anos, nasceu aos nove meses de
gestação, de parto normal. Segundo informações colhidas da mãe,
permaneceu em trabalho de parto por aproximadamente trinca e
quatro horas, e durante o parto ocorreram algumas complicações
(hemorragia), o que provavelmente tenha ocasionado a lesão
cerebral, levando ao diagnóstico clínico de Paralisia Cerebral –
quadriplegia espástica.
Durante os atendimentos, primeiramente foi aplicado um
questionário com os pais e por meio deste foram obtidas
informações sobre a história do paciente e sua rotina diária. Em
seguida, realizou-se a avaliação para posteriormente elaborar-se o
plano de tratamento com os seguintes objetivos: proporcionar
normalização de tônus; fortalecer musculatura de tronco e pescoço
para melhor controle cervical e de tronco; favorecer posicionamento
adequado; estimular função manual de membros superiores;
proporcionar estimulação tátil, vestibular e proprioceptiva por meio
da sensação dos diferentes posicionamentos. Fez-se necessário, para
melhor alcance dos objetivos propostos associar-se a terapia de
Integração Sensorial com o método Bobath.
Assim como nos outros casos, os atendimentos foram
realizados duas vezes por semana, durante quatro meses e neste
período foram aplicadas atividades que priorizaram os défi cits
sensoriais apresentados pela paciente em questão, sendo possível
observar melhora considerável em relação ao contato com as
diferentes texturas oferecidas, o que antes era experimentado com
resistência, bem como foi possível perceber a evolução do controle
cervical e de tronco, o que comprovou a importância de se incluir a
terapia de Integração Sensorial no tratamento do paralisado cerebral,
visto que este normalmente apresenta problemas para receber e
processar os estímulos sensoriais, o que consequentemente difi culta
a produção de respostas motoras normais, infl uenciando a
realização de suas habilidades funcionais.
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Conclusão
Levando em consideração que todo ato motor realiza-se em
resposta a estímulos sensoriais, verifi cou-se com a realização deste
trabalho a importância de se incluir a terapia de Integração Sensorial
no tratamento do paralisado cerebral, pois a mesma oferece e
controla estes estímulos para que a criança desenvolva respostas
adaptativas às demandas do meio ambiente.
Cabe ressaltar que os casos estudados tiveram pouca evolução
devido ao grave quadro clínico dos pacientes. Mesmo alcançando
pouca evolução foi possível comprovar a efi cácia da intervenção
terapêutica ocupacional associada à Integração Sensorial, o que
deixa claro a necessidade de dar continuidade ao tratamento
proposto.

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