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Esquemas de Penal Ii: Ação/ Omissão

O documento aborda a responsabilidade penal de um agente pela prática de um crime, detalhando a análise de ação ou omissão, tipicidade, ilicitude, culpa e punibilidade. Ele explora conceitos como dever de garantir, autoria, dolo, erro, e causas de exclusão da ilicitude e da culpa. A conclusão determina se o agente será punido com base nas disposições do Código Penal.
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Esquemas de Penal Ii: Ação/ Omissão

O documento aborda a responsabilidade penal de um agente pela prática de um crime, detalhando a análise de ação ou omissão, tipicidade, ilicitude, culpa e punibilidade. Ele explora conceitos como dever de garantir, autoria, dolo, erro, e causas de exclusão da ilicitude e da culpa. A conclusão determina se o agente será punido com base nas disposições do Código Penal.
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ESQUEMAS DE PENAL II

Eventual responsabilidade de “A” pela prática do crime de “x”, simples/qualificado,


na forma consumada/tentada, nos termos do art.º xyz do CP

AÇÃO/ OMISSÃO
1.​ Afirmação da matriz alemã: crime é ação típica, ilícita, culposa e punível.
2.​ Formas de comissão: art.º 10.º/1 CP
3.​ Identificar o comportamento específico em causa
4.​ Afirmar teoria da criação do risco
a.​ Verificar se há criação ou aumento de um risco (ação) ou não diminuição de um risco (omissão)
5.​ Se ação, concluir se é jurídico-penalmente relevante (ação humana, exterior e dominável pela vontade)
6.​ Se omissão, distinguir entre pura e impura
a.​ Pura: não exige posição de garante, o tipo descreve o comportamento omissivo (v.g., arts. 200.º
e 284.º CP)
b.​ Impura: exige posição de garante, que justifica a equiparação da omissão à ação (art. 10.º/2 CP)
i.​ Exige também: ausência e capacidade de ação e nexo hipotético de causalidade
adequada

7.​ Identificar se existe dever de garante: art. 10.º/2 CP


a.​ Fundamento do dever de garante: assunção voluntária da expectativa de proteção de um bem
jurídico
b.​ Fontes do dever de garante:
i.​ Os deveres familiares de garante
ii.​ Os deveres contratuais, profissionais ou funcionais de garante
iii.​ Os deveres do proprietário ou detentor de coisa móvel ou imóvel
iv.​ A ingerência derivada de facto ilícito
v.​ (Não comunidade de perigo ou posição de monopólio)

TIPICIDADE (Análise positiva)

AGÊNCIA
1.​ Identificar se é um crime geral (“quem…”) ou específico (“o funcionário…”)
2.​ O direito penal apenas responsabiliza autores: art. 26.º CP
3.​ Definir o tipo de autoria (consoante as 4 proposições do art. 26.º CP):
a.​ Autor imediato (executa o facto por si mesmo)
b.​ Autor mediato (executa o facto por intermédio de outrem)
c.​ Coautor (toma parte direta na execução)
d.​ Instigador (dolosamente determina outrem à prática do facto)1
i.​ Teoria da acessoriedade limitada
1.​ Qualitativa→ o instigador apenas responde na medida daquilo que instigou
(ex. instigou ao crime x, e o autor cometeu y)
2.​ Quantitativa→ só se responsabiliza o instigador na medida em que haja início
da execução→ exigência de que o facto chegue a um determinado estado de
realização (não há cumplicidade se o ilícito-típico não existir)
4.​ Determinar se há cumplicidade, moral ou material: art. 27º CP

TIPICIDADE OBJETIVA
1.​ Identificar o tipo de conduta relevante:
a.​ Nos crimes de mera atividade: mera realização da ação descrita (v.g., art. 190.º/1 e 2 CP)
b.​ Nos crimes de resultado: evento espácio-temporalmente destacado e imputável (v.g., art. 131.º
CP)
c.​ Nos crimes de forma vinculada: realização de todas as ações descritas (v.g., arts. 190.º/3, 217.º e
163.º/2 CP)
d.​ Nos crimes de forma livre: qualquer ação adequada a produzir o resultado (v.g., art. 131.º CP)
2.​ Se for um crime de resultado, analisar imputação objetiva (ação → resultado)
3.​ Afirmar teoria da conexão do risco (rejeitar teorias condição sine qua non e causalidade adequada)
a.​ Verificar a prática de um risco proibido (v.g., agressão)
b.​ Verificar a materialização desse risco no resultado típico (v.g., lesão)
c.​ Verificar escopo da norma, se for norma de proteção (v.g., código da estrada)

TIPICIDADE SUBJETIVA
1.​ Exigência de dolo ou negligência: art.º 13.º CP

2.​ Determinar se há dolo: art. 14.º CP


a.​ Preencher elemento cognitivo (conhecimento dos elementos objetivos do tipo)
b.​ Preencher elemento volitivo (vontade de realizar os elementos objetivos do tipo)
c.​ Distinguir entre os diferentes tipos de dolo:
i.​ Dolo direto: art. 14.º/1 CP (desejo de realizar o facto típico)

1
Divergência doutrinária: discute-se se realmente é, para a regente não é uma forma de autoria, mas sim uma forma de
participação, assim como a cumplicidade, mas punível como autor
ii.​ Dolo necessário: art. 14.º/2 CP (conformação com consequência inevitável)
iii.​ Dolo eventual: art. 14.º/3 CP (conformação com consequência possível)
d.​ Verificar se há elementos subjetivos especiais (v.g., arts. 203.º ou 217.º CP)

3.​ Verificar se existe algum tipo de erro: art. 16.º CP


4.​ Erro sobre a identidade da pessoa/objeto
a.​ Objetos tipicamente iguais → responde pelo crime doloso consumado
b.​ Objetos tipicamente diferentes → responde por tentativa dolosa e crime negligente consumado
5.​ Erro na execução (aberratio ictus)
a.​ Responde sempre por tentativa no crime doloso projetado e crime negligente consumado
6.​ Erro sobre o processo causal
a.​ Crime de execução vinculada → erro exclui o dolo *
b.​ Crime de execução livre → erro não exclui o dolo, se o resultado for objetivamente imputável à
ação
7.​ Erro sobre a adequação
a.​ Agente acredita que a sua conduta não é adequada a produzir o resultado típico → exclui o
dolo
8.​ Desconhecimento da proibição legal
a.​ Conhecimento da proibição razoavelmente indispensável → exclui o dolo, art. 16.º/1, 2.ª parte
CP
b.​ Generalidade dos outros casos → desconhecimento irrelevante

9.​ Punibilidade da negligência, arts. 13.º e 16.º/3 CP


10.​ Determinar se há negligência, art. 15.º CP
a.​ Requisitos da negligência: !
b.​ Distinguir entre os diferentes tipos de negligência:
i.​ Consciente: art. 15.º/a CP
ii.​ Inconsciente: art. 15.º/b CP

11.​ Determinar se há tentativa: art. 22.º/1 CP


a.​ Analisar os elementos essenciais da tentativa:
i.​ Elemento objetivo → prática de atos de execução
ii.​ Elemento subjetivo → dolo
iii.​ Elemento normativo → punibilidade da tentativa: arts. 23.º/1 e 3, 24.º e 25.º CP

b.​ Atos preparatórios punidos só com previsão expressa: art. 21.º CP


c.​ Atos de execução são só os previstos na lei: art.º 22/2º CP
i.​ al. a) → qualquer ato típico, nos crimes de execução vinculada (v.g., art. 217.º CP)
ii.​ al. b) → qualquer ato idóneo a produzir o resultado, nos crimes de execução livre
iii.​ al. c) → certo ato que é realizado antes dos das outras alíneas. Exige-se:
1.​ Uma estreita conexão espácio-temporal com aqueles
2.​ Uma interferência direta na esfera de proteção da vítima
a.​ (FP: insegurança existencial do bem jurídico, já não tem barreiras de
proteção)

d.​ Desistência voluntária [???]


e.​ Execução livre/ vinculada [???]

ILICITUDE (Análise negativa)


1.​ Identificar efeito indiciário da tipicidade: art. 31.º/1 CP (ação típica tenderá a ser ilícita e culposa)
2.​ Identificar as causas legais de exclusão da ilicitude: arts. 31.º/2 e 16.º/2 CP
3.​ Verificar erro de conhecimento sobre a existência de situação de justificação: art. 16.º/2 CP
4.​ Verificar pressupostos da legítima defesa: art. 32.º CP
a.​ Agressão atual ou iminente (conduta humana dirigida contra bens jurídicos)
b.​ Agressão ilícita (não há legítima defesa contra legítima defesa)
c.​ Idoneidade e proporcionalidade dos meios usados (ou haverá excesso de legítima defesa, cf. art.
33.º/1 CP)
d.​ Requisitos:
i.​ Meio necessário
ii.​ Necessidade da defesa
2.​ Verificar pressupostos do estado de necessidade justificante: art. 34.º CP
a.​ Perigo atual (iminente, ou que ainda perdura)
b.​ Ação adequada (idónea e proporcional)
c.​ Outros requisitos:
i.​ al. a) → perigo não ser voluntariamente criado pelo agente
ii.​ al. b) → sensível superioridade do bem salvaguardado
iii.​ al. c) → razoabilidade de impor o sacrifício ao lesado
3.​ Verificar pressupostos do conflito de deveres: art. 36º/1, 1ª parte CP
a.​ Impossibilidade de cumprir todos os deveres jurídicos em questão
b.​ Cumprimento de dever jurídico de igual ou superior valor
c.​ Identificar critérios de hierarquização de valor:
i.​ Critério do valor dos bens jurídicos (v.g., pessoais v. patrimoniais)
ii.​ Critério da gravidade dos danos
iii.​ Critério do grau do perigo
iv.​ Critério da espécie do dever jurídico (v.g., garante v. auxílio)
4.​ Verificar os pressupostos do consentimento: art. 38º CP
a.​ Disponibilidade do bem jurídico (vida e integridade física essencial não, honra sim: TdC): art.
38.º/1 CP
b.​ Liberdade do consentimento (i.e., capacidade de compreensão da decisão): art. 38.º/3 CP
c.​ Forma de expressão do consentimento (liberdade de forma): art. 38.º/2 CP
d.​ Não se encontrar revogado: art. 38.º/2 CP
5.​ Verificar se existe consentimento presumido: art. 39.º CP
6.​ Abordar causas de exclusão da ilicitude supralegais: legítima defesa preventiva e direito de necessidade
defensivo *

CULPA (Análise negativa)


1.​ Identificar efeito indiciário da tipicidade: art. 31.º/1 CP (ação típica tenderá a ser ilícita e culposa)
2.​ Identificar as causas de exclusão da culpa:

3.​ Verificar inimputabilidade por idade ou anomalia psíquica: arts. 19.º e 20.º CP

4.​ Verificar erro ou desconhecimento não censuráveis sobre a ilicitude: art. 17.º/1 e 2 CP

5.​ Verificar excesso de legítima defesa por motivos asténicos: art. 33.º/2 CP
a.​ Identificar perturbação, medo ou susto não censuráveis

6.​ Verificar estado de necessidade desculpante: art. 35.º CP


a.​ Perigo atual e não removível de outro modo
b.​ Conduta adequada a afastar o perigo
c.​ Inexigibilidade de conduta diversa
d.​ Natureza do bem jurídico ameaçado (i.e., vida, integridade física, honra ou liberdade)
7.​ Verificar obediência indevida desculpante: arts. 36.º/2 e 37.º CP
8.​ Se crime negligente, verificar incapacidade pessoal de cumprir o dever objetivo de cuidado: art. 15.º CP
9.​ Se omissão pura, verificar inexigibilidade do comportamento devido: art. 200.º/3 CP

PUNIBILIDADE
1.​ Identificar que devemos confirmar que não existem causas de exclusão da punibilidade
2.​ Confirmar que não existem as seguintes:
a.​ Falta de verificação de condições objetivas de punibilidade (v.g., art. 151.º CP)
b.​ Causas pessoais de exclusão da pena (v.g., imunidade parlamentar)
c.​ Causas materiais de isenção da pena (v.g., arts. 24.º e 25.º CP)
d.​ Causas de extinção da responsabilidade criminal (v.g., arts. 188.º e 127.º/1 e 3 CP)
e.​ Falta de condições de procedibilidade (v.g., art. 115.º CP ou arts. 49.º e 50.º CPP)

CONCURSO
1.​ Se apenas uma conduta→ concurso aparente
2.​ Se mais→ concurso efetivo
a.​ 30º CP
b.​ 77º CP

CONCLUSÃO
“A” será/não será punido, como [Agência], pela comissão por ação/omissão do
crime de “X”, na forma consumada/tentada, a título doloso/negligente punível,
nos termos conjugados dos arts. xyz do CP.

Para Taipa de C., o conceito material de culpa será como culpa da personalidade (atitude ético-pessoal desvaliosa
ou censurável, relativamente às exigências ético-sociais de respeito pelos bens jurídico-penais)
1.​ Imputabilidade jurídico-penal
a.​ Perturbação grave da personalidade, que impossibilita o juiz de afirmar a culpabilidade do
agente na prática do tipo de ilícito
2.​ Erro sobre a ilicitude
a.​ O erro sobre os pressupostos de uma causa de justificação exclui o dolo (T. Carvalho, mas há
DD)
b.​ O erro sobre a ilicitude não exclui o dolo (ATdC, mas há DD)
3.​ Causas da desculpa

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