Construção de autoria na produção
acadêmica: o ensaio
A concepção de escrita estabelece a união de saberes, experiências e práticas que
habilitam para o desenvolvimento de um texto, seja para descrever, narrar ou
dissertar, sobre determinado assunto, conteúdo ou acontecimento. O texto nasce das
demandas do dia a dia, descrevendo as vivências oriundas das relações sociais, o que
constitui a principal função da produção acadêmica: a construção do conhecimento.
Nesta unidade, vamos verificar os elementos que caracterizam a escrita do gênero
textual acadêmico ensaio — estruturas, normas e construção da argumentação —,
que estabelecem diálogos e laços com os leitores intra e extramuros da academia, a
partir da abordagem de temas que fazem parte da ordem do dia e compõem as
dinâmicas sociais do cotidiano.
Objetivo
Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de:
• Empregar as etapas de produção textual (planejamento, escrita,
autoavaliação crítica e reescrita) na construção de produções
escritas.
Conteúdo Programático
Esta unidade está organizada de acordo com os seguintes temas:
• Tema 1 - O texto científico e o gênero acadêmico ensaio
• Tema 2 - Construção da argumentação no texto
• Tema 3 - Estrutura do texto científico: elementos e normas
A produção acadêmica estabelece um grande desafio quando exige a aplicação das
habilidades de correlacionar as questões cotidianas com as normas científicas. Isso
possibilita discussão e diálogo sobre os mais variados aspectos, trazendo, ao centro
do debate, temas de interesse a um determinado público, constituindo um grande
leque de informações.
Tema 1
O texto científico e o gênero acadêmico ensaio
Quais as principais características do gênero
acadêmico ensaio?
O texto acadêmico possui particularidades que dialogam de forma direta com a
produção e a difusão do conhecimento, trazendo, ao centro de discussão, a própria
manifestação da ciência. Ou seja, tem o objetivo de levar à compreensão de
acontecimentos sociais, naturais e físicos a partir de técnicas, métodos,
procedimentos, de modo a conduzir a humanidade ao seu próprio desenvolvimento.
Por sua natureza investigativa, possibilita que fatos, acontecimentos e resultados (da
pesquisa) sejam amplamente discutidos pela comunidade cientifica e pela sociedade
em geral, com linguagem acessível, o que se coaduna com a democratização da
informação.
Cabe dizer que a ideia defendida na academia não se estabelece como verdade
absoluta e/ou irrefutável, pois, a todo o momento, está sendo verificada, analisada e
ampliada, seja intramuros da academia ou por outras instituições públicas ou privadas,
mas convergindo para um só objetivo: o crescimento qualitativo e quantitativo das
práticas e respostas às demandas e desafios do cotidiano.
Neste momento, será abordado o texto acadêmico como materialização e/ou aplicação
da contextualização e problematização de um assunto, com coesão e coerência. Os
elementos, por exemplo, presentes no gênero ensaio, a serem aqui abordados, são
necessários para a construção de argumentos, com objetividade, concisão, por meio
de uma escrita de qualidade.
Afinal, o que é um ensaio? Seria um treino? Seria a encenação de um ato, uma
peça, uma prática?
Bem, a resposta pode ser sim e não. O gênero ensaio segue a linha de um fragmento
de pensamento livre, sobre um tema que não tem necessidade/obrigatoriedade de
nascer do resultado de uma pesquisa aprofundada.
Para ver o exemplo de um ensaio acadêmico, leia o ensaio: OLIVEIRA, Jayr
Figueiredo. Um ensaio reflexivo das novas tecnologias na educação do
ensino superior. Revista Acadêmica, São Paulo, n. 3, p. 71-81, ago. 2012.
Por outro lado, o ensaio exige o desenvolvimento de uma discussão coerente. Deve
levar o leitor a compreender o aspecto argumentativo, problematizador e crítico,
pautado na interpretação do autor sobre o fato, respaldado em outros autores/obras
relevantes na área e/ou no tema escolhido.
Ou seja, o ensaio possui maior abertura para diálogo, mas exige o rigor acadêmico, a
disposição dos acontecimentos em uma narrativa que permita inferências,
questionamentos, aproximações, concordâncias, afastamentos, discordâncias, com
"[...] exposição metodológica dos assuntos realizados e [...] conclusões originais [...]
problematizador, antidogmático e nele deve se sobressair o espírito crítico do autor e a
originalidade" (MEDEIROS, 2019, p. 112).
MEDEIROS, J. B. Redação Científica – Guia prático para trabalhos
científicos. 13. ed. São Paulo: Atlas, 2019.
Para apresentar uma discussão fluida, ampla e aprofundada, são necessários a leitura
e o contato com referências de outros autores, sem perder de vista o olhar criterioso.
Também é preciso manter o estilo, a forma e a assinatura, elementos esses que irão
conferir originalidade ao texto, com disposição das “[...] ideias e pontos de vista sobre
determinado tema, de forma original, com argumentos e evidências sólidos —
elementos fundamentais para a prática científica” (CARMO, 2021, p. 39).
CARMO, C. N. Leitura e produção de textos acadêmicos. Rio de Janeiro:
UVA, 2021.
Desse modo, a liberdade do pensamento do ensaio e sua objetividade intelectual vão
levar à ampliação ou até mesmo aos passos iniciais para uma abordagem crítica de
uma dada realidade, trazendo, como principais atributos, a interpretação e a
possibilidade de que os leitores reflitam sobre a questão problematizada no texto.
Assim, as principais características do gênero acadêmico ensaio, conforme Carmo
(2021), são:
Hibridização
Corresponde ao estado híbrido, versa entre a fluidez de
aglutinamento/agrupamento/conversão entre as áreas do conhecimento
(humanas, exatas, naturais, saúde, entre outras), sem bordas/limites para
a criatividade e/ou argumentação e com o caráter rigoroso da percepção
e interpretações das obras analisadas para elaboração de uma crítica
ao objeto de estudo.
Temporalidade
A questão da temporalidade está no próprio caráter provisório, transitório,
ou seja, poderá ser o primeiro momento de uma pesquisa, pois o ensaio situa
o tema, a percepção pessoal do autor sobre questões que nortearão uma
resposta complexa, dentro de uma investigação científica que por vezes não
se esgota apenas no gênero acadêmico e que acompanhará toda a carreira
do pesquisador/profissional.
Independência
Está pautada na construção livre, sem necessidade de rigor científico na
validação e análise de todas as variáveis (sociais, econômicas, políticas e
culturais) como meta final, resultado ou conclusão.
CARMO, C. N. Leitura e produção de textos acadêmicos. Rio de Janeiro:
UVA, 2021.
Tema 2
Construção da argumentação no texto
Como se constitui a construção da argumentação no
ensaio?
O texto possui uma função sociointeracional que consiste na missão de informar,
expor ideias, narrar, orientar a partir da descrição, dissertação e argumentação. A
argumentação nasce na posição ou disposição de ideias que levem à compreensão
dos temas discutidos, que resultem na construção de “[...] um ponto de vista racional,
uma explicação, recorrendo a experiências individuais e sociais em um quadro
espacial e temporal de uma situação com finalidade persuasiva” (KOCH, 2016, p. 24).
KOCH, I. G. V.; ELIAS, V. M. Escrever e argumentar. São Paulo: Contexto,
2016.
O desenvolvimento da argumentação no texto acadêmico ou no gênero textual ensaio
está pautado na sistematização de saberes. Ele parte da cultura acadêmica, sendo
referenciado em leituras, palestras, congressos, aulas etc.
O ensaio pode ainda estar presente na própria experiência vivenciada no dia a dia, no
exercício profissional, possibilitando questionamentos a partir de um ponto de vista
que comporta observar o tema/objeto/acontecimento por outra perspectiva.
Para conhecer um exemplo: gênero acadêmico ensaio
Para conhecer a estrutura de um ensaio acadêmico, que tem uma liberdade
maior do que paper e artigo científico do ponto de vista de sua estrutura,
consulte o texto: MARTINS, Carla Macedo; SOUTTO MAYOR, Ana Lucia de
Almeida . “Bacurau”: No futuro, só resistência? Novos estudos CEBRAP,
v.41, n.3, set.-dez.2022.
No ato argumentativo, a crítica sobre a realidade/assunto vai nortear a busca por um
conjunto de elementos que auxiliem a minimizar dúvidas e a defender o raciocínio
elaborado por meio de fontes fidedignas (estudos e teorias de autoria de outros
pesquisadores, preferencialmente).
Isso garante a validade do pensamento em um determinado
grupo/comunidade/instituição a partir da identificação desses sujeitos com a proposta
argumentativa apresentada sobre o fato.
Assim, a construção da argumentação no ensaio se constitui de acordo com
a sua intencionalidade informativa, conceitual/teórica, analítica e avaliativa,
pois estes irão definir a linguagem e a estrutura utilizada, indicando a
escolha/seleção optada pelo autor.
O questionamento é o primeiro passo, pois, problematizando um determinado tema, se
trazem ao centro da discussão o direcionamento da argumentação e a originalidade da
escolha do autor, realizando progressão, coesão e coerência na articulação das ideias,
sem se perder o objetivo (o porquê escrever o texto).
A exposição dos temas deve ser clara e lúcida, deixando explícita para o leitor qual é
a linha de pensamento a ser seguida, com linguagem acessível, sem apresentar
parágrafos longos, enfadonhos, sem objetividade etc. Deve-se dialogar com a
problematização levantada na contextualização/apresentação da intenção de
escrever.
A utilização de exemplos e citações de outros autores/obras ajuda a validar e a
garantir um embasamento consistente do ponto de vista/argumento sobre o tema,
possibilitando a apresentação da interpretação do autor e a demonstração crítica e
reflexiva sobre o questionado, estabelecendo um diálogo.
Desse modo, ancorar conceitos, conteúdos e argumentação sobre situações
vivenciadas no cotidiano auxilia o entendimento e a legitimidade da argumentação,
mas isso deve ser precedido de posicionamentos críticos em uma estrutura básica
dissertativa: introdução, contextualização, desenvolvimento e conclusão sobre o tema
levantado, com argumentos e disposição de conceitos, referências e considerações.
A construção da argumentação nos textos científicos do gênero acadêmico ensaio é
um eterno entrelaçamento de teoria, conceitos, conteúdos que estão presentes no dia
a dia e não se esgota, sendo sempre revisitado por outros pesquisadores e
profissionais, sujeitos que buscam contribuir para o desenvolvimento da sociedade.
Há outros gêneros que são relativamente parecidos com o ensaio, como o artigo
científico e o paper. Do ponto de vista metodológico, os gêneros ensaio, artigo
científico e paper pressupõem rigor com a pesquisa e a citação de trabalhos que
subsidiam a elaboração das ideias do texto. Mas as diferenças relativas à composição
de cada um são evidentes.
Vimos até o momento que o ensaio apresenta uma relativa liberdade composicional,
sem sair dos limites do texto acadêmico bem organizado, com boa seleção de fonte
recentes e cuidadosa argumentação. Por sua vez, paper e artigo científico seguem
divisões pré-estabelecidas, mais previsíveis. Vejamos:
O gênero acadêmico paper é um documento que divulga pesquisas acadêmicas,
explicitando a metodologia, os resultados e a análise dos dados do trabalho
desenvolvido. Normalmente o gênero é demandando para a circulação de pesquisas
acadêmicas em anais de eventos científicos. Sua estrutura apresenta, sem
ambiguidades, os seguintes tópicos: tema, assunto, objetivos da pesquisa, justificativa
da pesquisa, metodologia aplicada (precisa ser atual e validada pela comunidade
acadêmica), apresentação e análise dos resultados da pesquisa, que antecedem as
conclusões do estudo, e referências.
Para observar-se estrutura de um paper, gênero comum em diversas áreas,
especialmente no contexto de divulgação de pesquisas em eventos
científicos, consulte a seguinte publicação: ZAMITH, Fernando; FONSECA,
A. A.; BARBOSA, S. O.; FILHO, W. et al. O clickbait no ciberjornalismo
português e brasileiro: o caso português. In: ATAS DO VI CONGRESSO
INTERNACIONAL DE CIBERJORNALISMO. Porto: Universidade do Porto -
Faculdade de Letras, 2018. p. 7-29.
Por sua vez, o gênero artigo científico encontra seu espaço de divulgação em
periódicos ou revistas científicas. Há diversos tipos de artigo (como os artigos de
revisão bibliográfica, estudo de caso, pesquisa-ação, dentre outros). Entretanto, em
geral, apresentam os resultados de uma pesquisa acadêmica seguindo esse formato:
resumo/abstract, palavras-chave/Keywords, introdução, referencial teórico,
metodologia, apresentação e análise de dados, conclusões e referências. Dialoga,
com cuidado, rigor, objetividade e ponderação, com fontes recentes sobre o tema da
pesquisa.
Para observar-se estrutura de um artigo científico, gênero comum quando se
busca publicar em revistas com corpo editorial formado e de extremo rigor ao
selecionar textos para compor determinado número da publicação, consulte
o texto: PEREIRA, Mauricio Gomes. Estrutura do artigo científico. Epidemiol.
Serv. Saúde, Brasília, v. 21, n. 2, p. 351-352, jun. 2012.
Para que a comunidade científica perceba as diferenças entre os diferentes gêneros
acadêmicos (como resumo, resenha, fichamento, ensaio, paper, artigos científicos,
projeto de pesquisa, monografia de Trabalho de Conclusão de Curso, dissertação de
mestrado e tese de doutorado, dentre outros), é necessário conhecer as normas e a
estrutura dos distintos gêneros textuais, o que buscamos apresentar ao nosso
graduando no decorrer da disciplina. A estrutura de projetos de pesquisa e
monografias serão oportunamente apresentados e exigidos a depender da matriz do
curso de graduação, nos anos finais do curso.
O estilo de todos esses gêneros textuais acima mencionados, de qualquer modo,
preza pela objetividade, pela clareza e pelo rigor das fontes, mas as especificidades e
diferenças de cada um são claras. Dominar a organização de cada um é crucial para o
sucesso da divulgação de pesquisas desenvolvidas em universidades e instituições
que prezam pelo tratamento científico das fontes.
No próximo tema, dedicaremos espaço para apresentar, de forma resumida, aspectos
do trabalho monográfico (por exemplo, Trabalho de Conclusão de Curso, dissertações
e teses), além de discorrer brevemente sobre as normas da ABNT – Associação
Brasileira de Normas Técnicas úteis para estudantes universitários e pesquisadores no
que se refere, em especial, à elaboração de citações e referências.
Para saber mais sobre a estrutura do artigo científico, acesse a minha
biblioteca e leia a seguinte obra de referência: MEDEIROS, João Bosco;
TOMASI, Carolina Tomasi. Redação de Artigos Científicos. Métodos de
Realização, Seleção de Periódicos, Publicação. [Link]. Rio de Janeiro: Grupo
GEN, 2021.
Tema 3
Estrutura do texto científico: elementos e normas
Qual a Importância dos elementos e normas no texto
científico?
O texto científico possibilita dar vida à criatividade do autor, conduzindo à reflexão
sobre temas de relevância social caros à academia, em diálogo com o público-
alvo/leitor a partir de uma estrutura argumentativa que conecta ideias, língua e
linguagem, com coesão e coerência.
Pensar a estrutura do texto científico é adentrar a discussão sobre a importância dos
elementos e normas no texto, pautada na própria funcionalidade de auxiliar o autor a
apresentar, de forma detalhada, suas ideias, argumentos e propriedades sobre o tema
desenvolvido no trabalho acadêmico, dividido em partes internas (compõe o núcleo do
texto) e partes externas (antes e após o texto).
Segundo Carmo (2021), a estrutura do texto científico está dividida em três elementos.
Esses elementos são claramente observados na composição de monografias,
dissertações e teses. Observem-se a seguir os elementos pré-textuais, os elementos
textuais e os elementos pós-textuais:
Elementos pré-textuais
Antecedem o texto com informações importantes para a identificação
da instituição, título do trabalho, local, ano nome do autor, entre outros.
Exemplos: Capa, Folha de rosto, Resumo, Sumário (Elementos opcionais),
Dedicatória, Agradecimentos, Epígrafe, Lista (ilustrações, tabelas etc.).
Elementos textuais
Consistem no coração do texto, na disposição das contextualizações, conteúdos,
argumentações que compõem o trabalho científico em três partes
fundamentais: introdução, desenvolvimento, citações e conclusão.
Elementos pós-textuais
Informações adicionais como referência das obras consultadas, tabelas,
quadros. Exemplos: Referências (dos textos utilizados ao longo do trabalho),
Anexos (documentos utilizados, criados por terceiros)
e Apêndices (elementos construídos pelo autor para o trabalho).
CARMO, C. N. Leitura e produção de textos acadêmicos. Rio de Janeiro:
UVA, 2021.
Estrutura geral da composição de monografias, dissertações e teses em
conformidade com a ABNT: elementos pré-textuais, elementos textuais e
elementos pós-textuais.
Na garantia do entendimento do texto a partir de uma padronização, a Associação
Brasileira de Normas Técnicas – ABNT apresenta formas de padronizar trabalhos
acadêmicos nas diversas áreas do conhecimento. De modo genérico, a ABNT norteia
como o texto deve ser apresentado, mas não estabelece um formato absoluto para a
escrita do gênero. As regras de normatização em conformidade com a ABNT
garantem que os trabalhos científicos divulgados no Brasil sigam as mesmas diretrizes
do ponto de vista técnico, os mesmos parâmetros. A seguir , há um gráfico que ilustra
as partes de um trabalho monográfico.
Estrutura da monografia acadêmica em conformidade com a ABNT.
Portanto, esquematicamente, os elementos de monografia acadêmica foram divididos
em: (1) elementos pré-textuais, (2) texto e (3) elementos pós-textuais. Vejamos a
seguir:
Quadro: Estrutura da monografia acadêmica em conformidade com a ABNT:
elementos pré-textuais.
Elementos pré-textuais
Capa obrigatório
Folha de rosto obrigatório
Dedicatória opcional
Agradecimento opcional
Epígrafe opcional
Resumo obrigatório
Abstract opcional
Lista: ilustrações, tabelas, abreviaturas,
opcional
siglas
Sumário obrigatório
Fonte: Silvana Moreli Vicente Dias.
Quadro: Estrutura da monografia acadêmica em conformidade com a ABNT:
elementos textuais.
Elementos textuais
Introdução
Desenvolvimento
Conclusão
Fonte: Silvana Moreli Vicente Dias.
Quadro: Estrutura da monografia acadêmica em conformidade com a ABNT:
elementos pós-textuais.
Elementos Pós-textuais
Referências obrigatório
Anexo opcional
Fonte: Silvana Moreli Vicente Dias.
Mais ainda, é importante saber como elaborar citações diretas e indiretas. As citações
ocorrem quando o autor precisa citar textos elaborados por outros, o que faz parte de
qualquer trabalho acadêmico de relevância. O tamanho da citação indica como se
deve proceder, grosso modo, em dois casos.
Para saber como elaborar citações em seu trabalho científico, detalhadamente, e itens
como notas de rodapé e formalização das referências bibliográficas, verifique os
subcapítulos 3.4 “Citações: um recurso de diálogo como os teóricos”, 3.5 “Notas de
rodapé” e 3.6 “A formalização das referências bibliográficas”, da obra: BRASILEIRO,
Ada Magaly Matias. Como Produzir Textos Acadêmicos e Científicos. São Paulo:
Contexto, 2021. (Disponível em Biblioteca Virtual Pearson 3.0).
Os exemplos a seguir (resumidos) já estarão formatados como se pede nas
monografias, com texto principal com espaço entrelinhas de 1,5, fonte Times New
Roman ou Arial 12. Já para o texto citado, há diferenças. Veja:
(1) Citações diretas curtas, de menos de três linhas, são incorporadas ao texto da
monografia ou do trabalho acadêmico, sendo delimitadas por aspas duplas. É
necessário colocar a referência, no geral, simplificada, como se segue no Quadro:
Exemplo de citação direta, curta, com referência simplificada.
Quadro: Exemplo de citação direta, curta, com referência simplificada (no meio do
texto, após a citação direta) e referência completa (ao fim do trabalho monográfico, na
seção REFERÊNCIAS).
Fonte: excerto retirado do artigo científico: JANKS, Hilary. A importância do letramento crítico. Letras
& Letras, Uberlândia, v.34, n.1, p.15-27, jan./jun. 2018.
(2) Já as citações longas, de mais de três linhas, são separadas do corpo do texto. O
autor deverá colocar o texto citado em espaço entrelinhas menor (no geral, simples),
diminuir o tamanho da fonte (no geral, 11) e colocar um recuo de 4cm da margem
esquerda, como se segue no Quadro : Exemplo de citação direta, longa, com
referência simplificada.
Quadro: Exemplo de citação direta, longa, com referência simplificada (no meio do
texto, após a citação direta) e referência completa (ao fim do trabalho monográfico, na
seção REFERÊNCIAS).
Fonte: excerto retirado da tese de doutorado: DIAS, Silvana Moreli Vicente Dias. Cartas provincianas:
correspondência entre Gilberto Freyre e Manuel Bandeira. São Paulo: FFLCH-USP, 2008.
(3)Por sua vez, as citações indiretas são incorporadas ao texto principal, sem aspas. O
autor deverá colocar o texto citado com formatação semelhante ao seu texto principal,
mas não deverá haver ambiguidade sobre quem é autor das ideias ali arroladas ou
indiretamente citadas. Veja a seguir:
Quadro: Exemplo de citação indireta, com referência simplificada (no meio do texto,
após a citação indireta) e referência completa (ao fim do trabalho monográfico, na
seção REFERÊNCIAS).
REFERÊNCIA COMPLETA [que fica no fim do artigo científico]:
KRESS, G. Multimodality . London: Routledge, 2010.
Fonte: excerto retirado do artigo científico: JANKS, Hilary. A importância do letramento crítico. Letras
& Letras, Uberlândia, v.34, n.1, p.15-27, jan./jun. 2018.
Anteriormente, colocamos alguns exemplos de como elaborar citações. É importante
destacar que, mesmo na hipótese de não haver a citação direta (com aspas) de
excertos de outro texto, é crucial deixar evidente que se trata de uma citação indireta.
O autor indiretamente citado precisa estar explícito, como no Quadro: Exemplo de
citação indireta, com referência simplificada. Se não o fizer, o autor do texto principal
estará plagiando o texto alheio, o que gerará consequências acadêmicas, éticas e
jurídicas ao plagiador. Portanto, o plágio nunca é tolerado no âmbito das práticas
acadêmicas e em textos científicos.
O conteúdo relativo à estrutura do trabalho monográfico, às regras de
citações e de elaboração de referências vão voltar em inúmeras ocasiões ao
longo da formação de nossos graduandos. Esteja sempre atento! Ao
escrever seu texto, revise-o com cuidado. Se houver dúvidas sobre qualquer
assunto relativo à adequação às normas da ABNT para trabalho científico,
busque essa resposta em boas e recentes obras de divulgação das normas
da ABNT vigentes.
Para ter acesso a outro compilado das regras da ABNT e da estrutura das
monografias acadêmicas (Trabalhos de Conclusão de Curso, dissertações e
teses), das regras de elaboração de citações e de referências, consulte a
seguinte publicação: LUBISCO, Nídia Maria Lienert; VIEIRA, Sônia
Chagas. Manual de estilo acadêmico: trabalhos de conclusão de curso,
dissertações e teses. [Link]. rev. ampl. Salvador: EDUFBA, 2019.
A aplicação das normas da ABNT possibilita a acessibilidade do público ao texto,
viabilizando a circulação da informação e o aprofundamento das características
científicas expostas na composição de textos autorais, o que é extremamente
relevante para a consolidação do conhecimento.
Para saber mais sobre a elaboração de trabalhos acadêmicos, assista ao
vídeo Normalização de trabalhos acadêmicos de acordo com as normas
da ABNT – Vilma Machado, produzido pelo SiBi UFPR.
Ao longo da graduação, você, estudante, também terá a oportunidade de aprender
outros aspectos relativos à normalização de seus trabalhos acadêmicos, como
margens, capas, gráficos, sumários etc. Estude com afinco as normas. Cuide sempre
da apresentação de seus trabalhos acadêmicos.
Para ter acesso a um compilado das regras da ABNT, em especial, a Norma
14724 (elaboração de conclusão de curso), a Norma 6023 (elaboração de
referências) e Norma 10520 (elaboração de citações de documentos),
conferir a página Normas [Link].
Adicionalmente, a seguinte obra de referência sempre poderá ser consultada
para saber como aplicar as normas da ABNT: MEDEIROS, João
Bosco. Redação Científica – Guia prático para trabalhos científicos. [Link].
São Paulo: Atlas, 2019. (Disponível em Minha Biblioteca).
Por fim, o seu cuidado nesse processo de normatização conferirá maior credibilidade
acadêmica ao seu texto e ao seu trabalho. Você estará cada vez apto a circular na
academia e em instituições pautadas pelo rigor da pesquisa científica. Portanto, esse é
um saber de extrema relevância durante e após a graduação. Dedique-se e logo
poderá colher o resultado bem-sucedido de seu empenho, seriedade e
profissionalismo, com ética e compromisso social.
Uma ótima jornada em sua graduação e no decorrer de sua vida profissional!
Vídeo
Para saber mais, assista ao vídeo publicado na unidade da disciplina no
Ambiente Virtual de Aprendizagem.
Encerramento
Quais as principais características do gênero
acadêmico ensaio?
É o gênero acadêmico que permite o desenvolvimento de uma discussão coerente,
que leve ao leitor a compreender os aspectos argumentativo, problematizador e crítico,
pautados na interpretação do autor sobre o fato, respaldado em outros autores/obras
relevantes para a área e/ou para o tema escolhido. As principais características do
gênero acadêmico ensaio são: hibridização, temporal, independência.
Como se constitui a construção da argumentação no
ensaio?
A argumentação é um ato intencional do autor, que busca a defesa de uma ideia
pautado em conceitos que permitem uma análise, uma escolha que possibilita ao autor
expandir o saber a partir de estrutura científica.
Qual a importância dos elementos e normas no texto
científico?
A estrutura do texto científico apresenta a importância dos elementos (pré-textuais,
textuais e pós-textuais) e as normas como um padrão que permite a leitura e
apresenta a funcionalidade do ensaio, detalhando as ideias, validando as
argumentações, dividido em partes externas (compõem o núcleo do texto) e partes
internas (antes e após).
Resumo da Unidade
Nesta unidade verificamos que as principais características do gênero acadêmico
ensaio estão envoltas em hibridização, temporal e independência, presentes na
elaboração do argumento, conotando a intencionalidade quando apresenta a ideia
própria da linguagem e estrutura a partir da opção do autor. Este, por sua vez,
deve respeitar as normas padrão de escrita do texto acadêmico no detalhamento e
na descrição do tema, respondendo às questões levantadas, propriedades essas
que formam o trabalho acadêmico.
Referências da Unidade
• MEDEIROS, João Bosco. Redação Científica – Guia prático para
trabalhos científicos. [Link]. São Paulo: Atlas, 2019. (Disponível em Minha
Biblioteca).
• CARMO, C. N. Leitura e produção de textos acadêmicos. Rio de
Janeiro: UVA, 2021.
• KOCH, I. G. V.; ELIAS, V. M. Escrever e argumentar. São Paulo:
Contexto, 2016. (Disponível na Biblioteca Virtual Pearson 3.0).
Para aprofundar e aprimorar os seus conhecimentos sobre os assuntos
abordados nessa unidade, não deixe de consultar as referências
bibliográficas básicas e complementares disponíveis no plano de
ensino publicado na página inicial da disciplina.