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Feichismo

O capítulo aborda teorias sobre a origem da religião, destacando influências positivistas e darwinistas que classificam as religiões em estágios evolutivos. O feiticismo é definido como a adoração de objetos materiais com poder sobrenatural, presente em várias culturas, especialmente na África. A Igreja Católica condena a feitiçaria, enfatizando a importância da oração e da conscientização pastoral para lidar com esse fenômeno.

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Feichismo

O capítulo aborda teorias sobre a origem da religião, destacando influências positivistas e darwinistas que classificam as religiões em estágios evolutivos. O feiticismo é definido como a adoração de objetos materiais com poder sobrenatural, presente em várias culturas, especialmente na África. A Igreja Católica condena a feitiçaria, enfatizando a importância da oração e da conscientização pastoral para lidar com esse fenômeno.

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SEMINÁRIO FILOSÓFICO INTERDIOCESANO- MATOLA

CAPITULO IV: Teorias sobre religiões


Iniciamos hoje um novo capítulo que nos levará a entrarmos nas dinâmicas das RTA. Ao
longo do estudo da história das religiões no geral, percebemos que nos dois últimos séculos (XIX e
XX), houve estudiosos que elaboraram as principais teorias sobre a origem da religião. Estas
teorias, foram aplicadas em parte ao fenómeno religiosos em África-p.67. Duas mentalidades
influenciaram na elaboração destas teorias:
a) Mentalidade positivista: esta é o fruto do positivismo1. Positivismo é uma corrente
filosófica, que surgiu nos meados do séc. XIX e que influenciou bastante no
desenvolvimento das ciências antropológicas e das religiões.
Podemos resumir a mentalidade positivista em três (3) pontos:
- O único válido para compreender os factos é a ciência empírica do modelo universal da
inteligibilidade e de certeza, - O método empírico pode fazer-se extensivo a todo o campo da
investigação e a todas actividades humanas - A fé no progresso e na ciência, substitui a qualquer
outra fé.
b) Mentalidade Darwinista: partindo da evolução biológica de Charles Darwin (biólogo inglês-
1809-1882). Este defendia que as espécies evoluem ou transformam-se pela selecção natural
consequência da luta pela vida. Partindo deste pensamento darwiniano, os positivistas
consideravam que a religião tinha sofrido uma evolução das formas mais simples até as
restantes formas superiores de hoje. Assim, classificando os diferentes estágios atravessados
pelas religiões o cristianismo é colocado á cima de todas religiões.
Houve várias outras teorias que hoje estão superadas pelos avanços da ciência. Para nós,
ainda nos serve para compreender as dimensões religiosas no contexto africano, as fases das
religiões em África e o próprio etnocentrismo do mundo ocidental ainda presente.
Augusto Comte: segundo este positivista, as religiões tiveram os seguintes estágios: feiticismo,
politeísmo e por fim monoteísmo. John Lobbock: defende que a religião começou no ateísmo,
feiticismo, totemismo, politeísmo, idolatria e por fim no monoteísmo.
E. Tylor: a religião teve início no animismo, manismo, feiticismo, politeísmo e monoteísmo.
J. Franzer: magia e logo religião. R.R. Marrette: pré-animismo, animoteísmo (mana), magia e
religião. S. Freud: totemismo, animismo e magia. [Link]: Totemísmo, maná impessoal.

1
Sistema filosófico de Augusto Comte, um filosófico francês 1798-1857, segundo o qual, as questões metafísicas são
inacessíveis aos processos da inteligência. Para este, só é cognitivo o que a observação e a experiência podem
verificar. Percebemos que esta corrente tende a encarar a vida unicamente pelo seu lado prático e útil. Neste caso,
positivo é tudo o que não admite dúvida, que se funda em factores da vida real, certo, inquestionável. Ex: corpo de
uma pessoa sem cabeça…tu não podes questionar se a pessoa está morta ou não.
1
SEMINÁRIO FILOSÓFICO INTERDIOCESANO- MATOLA

É preciso recordar que nos meados do século XIX, tivemos a contraposição da ciência e
religião. Ora, Augusto Comte, formula a sua teoria segundo a qual, a humanidade havia passado por
3 estádios: Teológico: os homens explicavam tudo por meio da fé ou razões religiosas ou mágicas.
Estádio Filosófico: o homem abandona as razões religiosas e mágicas, passa a explicar
metafisicamente.
Estádio científico ou positivo: abandonando as explicações religiosas e metafísicas, dão explicações
a partir do conhecimento experimental. Com esta introdução, apresentamos o porquê temos de falar
da feiticeira na cadeira da religião africana. Queremos ver com visão crítica e analógica se há uma
conexão com a religiosidade. Agora deixo a palavra para o grupo.

FETICHISMO: palavra de origem latina “facticius” para significar “coisas feitas”. Assim,
podemos definir o feiticismo como adoração de objectos materiais, considerados como possuidores
de poder sobrenatural ou virtude mágica de forma supersticiosa. (Cfr Dicionário da Porto
Editora. ) Os objectos feitiços são tratados como se tivessem uma personalidade: fala-se-lhes, pede-
se-lhes, demonstra-se-lhes descontentamento ou alegria.

O feiticismo, está presente em todas as culturas embora com diversas intensidades, dependendo do
grau de cultura e libertação supersticiosa. Para o continente africano, salienta-se a África ocidental
(Guiné), Ásia (Ìndia), América do norte etc. É uma atitude mágico-religiosa especial derivada da
crença na força vital. Os seus praticantes, crêem que com este culto recebem uma força poderosa…
por isso, quem recebe um feitiço mostra uma coragem e confiança nos seus afazeres. Crê –se a si
mesmo de ser o dominador da energia essencial, ou fluido material de todas as coisas: manipula-a
com instrumentos e processos especiais para o que necessita seja para a força como também para
ciência (Enciclopédia Luso Brasileira de Cultura, pp 509-511).

Aprendizagem: antes de mais nada, temos de afirmar que a feitiçaria provém de uma vontade
interior de algo mágico (seja para o bem ou para o mal). Na bíblia podemos comparar com as
tentações de Jesus: se és filho de Deus transforma pedras em pão, faça espectáculo de saltar sem se
ferir ou então adora-me- Mt 4, 1-11. Reparem que segundo Mateus, isto acontece quando Jesus
sentiu fome. Ora, o desejo de algo há mais é motivada por uma razão.

Recolhendo relatos ocasionais, podemos encontrar 3 formas de aprendizagem da feitiçaria:


Aprendizagem directa: a feitiçaria pode ser aprendida com ou sem mestre por meio de exercícios
físicos e psíquicos devido uma certa situação. Neste caso, a pessoa de forma livre, opta por aprender
esta prática passando por vários exercícios e ritos difíceis.

Aprendizagem indirecta: aqui a pessoa na sua busca do bem aparente como sucesso, riqueza, amor,
etc. pode entrar na feitiçaria e dar se conta depois de estar envolvido e permanecer pela falta de
alternativa.

Atribuída: consiste em atribuir este poder mágico a alguém sem o seu consentimento. Isto acontece
sobretudo com as crianças que desde pequenas são levadas e treinadas nesta prática e algumas vezes
são usadas como “escudos humanos” (explicar na aula). Esta categoria faz sofrer a pessoa e são os
casos em que há renúncia. Dizem os idosos que a pessoa que renuncia, é aplicada uma droga que
extrairá o mal depois de uma cerimónia feita numa árvore que por sua vez secará ou encruzilhada
dos caminhos.
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SEMINÁRIO FILOSÓFICO INTERDIOCESANO- MATOLA

Congénita: algumas pessoas nascem com poderes extraordinários, que não podem ser descartados.
Tais poderes, alcançados nas pessoas maldosas, podem ser usados para o mal. Os seus poderes
devem ser usados com cautela para não trazerem efeitos terríveis. Temos de lembrar que o feiticeiro
goza de respeito no grupo, mas, é combatido pela religião e pela magia oficial. Assim sendo, o
feiticeiro é o manipulador de poderes para fins benéficos (magia branca) ou para fins maléficos
(magia negra).

Classificação dos feiticeiros: segundo a maneira de actuação, podemos dividir os feiticeiros em


dois grandes grupos:

Nocturnos: praticam as suas magias de forma secreta, transmite-se familiarmente (mãe para filha/o).
Este tipo é perigoso porque pode fazer o mal a qualquer pessoa na sociedade (usando a teoria de
“carne apanhada”- explicar este termo na sala).

Diurnos: estes feiticeiros, cometem os seus danos na própria família ou nas pessoas específicas
desde que tenham tido uma razão (ódio, inveja, competição…! Exemplificar na sala). Assim, esta
pode se estender aos colegas de trabalho, ciúmes…desde que haja energia negativa. Cfr. Carvalho
2009.

Animais: há sempre relatos informais de que na prática dos seus actos, os feiticeiros usam animais.
Ora, estes variam de local em local, contudo, há conexão com os que andam de noite: hienas,
corujas, morcegos, mochos etc.

Instrumentos usados na feitiçaria e suas funções:

Apito (insine): é o meio de comunicação entre estes. Por isso nas culturas bantos, não se assobia de
noite e nem se apita. Isto é tido como tabu, mas no fundo é esta razão. Pilador (eryawe): é este que
ajuda a pessoa a se transformar em feitiçaria antes de partir e depois de regressar. Assim, em muitas
culturas, não se salta o pilador, não deve sentar e nem mexer na casa do dono. Peneira (ethokwa): é
o meio de transporte- avião. Para a sua aceleração, usa-se a vassoura como mudanças de velocidade.
Pano de roupa (ekuwo): para localizar a pessoa distante. Em caso de necessidade, chama-lo de
forma mágica. Por isso, os jovens são ensinados a não deixarem panos de qualquer maneira. Água
com que se banha o morto (massi-a-tuhara): para adormecer as pessoas durante a acção “feitiçáica”.
Para além dos feiticeiros, também os ladrões usam a mesma. Martelo (enyutho): para espancar as
cabeças das vítimas. Panela de barro (mwapo-w’oloka): para cozinhar carne humana. Segundo as
pesquisas, por ano um feiticeiro, é obrigado a contribuir com uma vítima anualmente. Por isso, seria
impossível não matar se não ele será vítima.

Posição da Igreja: Partindo do Catecismo da Igreja em vigor, somos ensinados de que Deus pode
revelar o futuro ao seu povo, porém, a atitude do cristão, deve ser de confiança nEle e não recorrer
adivinhação e magia nº 2.115). Continua o catecismo dizendo que: a prática de magia ou de
feitiçaria…sobretudo quando é feita com a intenção de fazer mal ao outro é…mais condenável (nº
2.117). Em Angola por exemplo, uma nota pastoral sobre a feitiçaria, fala em “penas de interdição e
suspensão temporárias” aos praticantes. Este problema, existe em diferentes países africanos – mas
“ganhou proporções tão graves que perturba a vida dos cristãos, destrói os laços familiares e afecta
as relações entre as pessoas”. Vai ao ponto de “perturbar a ordem pública, devido à prática de
justiça privada”, diz a nota dos bispos angolanos.

O papa Bento XVI na visita ad limina dos bispos angolanos no Vaticano em 2009, afirmou:
“Aflitos com os problemas da vida, não hesitamos em recorrer a práticas que são incompatíveis com
os caminhos de Cristo. Os abomináveis efeitos são a marginalização e mesmo a morte de crianças e
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de idosos condenados pelas falsas percepções da feitiçaria”. Cfr. [Link] “igreja


católica angolana abre guerra á feitiçaria”, 28-11-2012.

Pastoralmente: este é um tema delicado e complexo por ser o tabu, isto é, não se fala; e no próprio
medo que domina o próprio agente pastoral (padres e irmãs). Como agentes pastorais, devemos
saber que o poder do feiticismo está na destruição psíquica (se for para o mal) ou na motivação
psíquica (se for para o bem). A primeira atitude deve ser de conscientizar o povo de Deus a
invencibilidade da oração. Colocar nas mentes do povo de Deus o poder da oração e a fragilidade
das coisas feitas. A segunda atitude devemos ter uma capacidade de escuta, apreciar as culturas…
sobretudo escutar as pessoas que se declaram arrependidas nesta prática, não para fazer homilias
moralistas, mas para fazermos um trabalho sério que poderá libertar-nos- “a verdade vos libertará”
Jo 8. A terceira atitude é identificar as camadas vitimizadas neste caso segundo as nossas aulas são
os idosos. Ora, fazer um plano pastoral includente: visitar os doentes sobretudo os idosos, abençoar
suas casas com os núcleos, organizar celebrações com idosos, abençoa-lo no meio de todos,
sublinhar o papel deles na transmissão da vida, fé, cultura, organizar semanas culturais onde os
idosos podem palestrar aos novos diversos temas da vida social e cultural, etc.

O cristão não deve ter ligações com instrumentos da feitiçaria: amuletos, banhos espirituais,
tatuagens/vacinas tradicionais…; pois, fazendo isto, tu tens um pacto com eles e estes virão
perseguindo os seus instrumentos.

Como africanos e agentes pastorais, temos de distinguir entre feiticeiro, adivinho, curandeiro ou
herbalista. Temos que entender contudo de que algumas vezes, estes papeis coincidem no mesmo
sujeito2.

a) O Feiticismo e a vida consagrada

Acabamos de ver o que é o feiticismos e cabemos agora reflectir a vida consagrada para vermos
como lidar com este fenómeno antropológico. O que é a vida consagrada? Partindo do
pensamento conciliar e pós-conciliar, a VC é sinónimo de Vocação, Seguimento à Cristo,
Conselhos Evangélicos, Comunhão etc. Para a nossa reflexão, podemos dizer que a VC trata-se da
maneira de viver das pessoas que se “doaram integralmente à Deus” (Cfr. AAVV; Dicionário de
Espiritualidade, Ed Paulinas; SP 1989, p.1168).

Neste caso, cada cristão no dia do seu Baptismo se consagrou à Deus, quando renunciou o demónio
e professou a fé em Deus todo poderoso criador do céu e da terra. Ora, para além desta consagração
baptismal, algumas pessoas, optam por livre vontade e conscientes em consagrarem-se de forma
diferente, numa acção litúrgica, com ritos próprios de iniciação, promessas, profissão (C, O e P),
hábito religioso, com a intervenção de autoridade eclesiástica hierarquizada. Estas pessoas segundo
Jesus, fazem-se eunucos pelo Reino (Mt 19, 12) e acabam sendo embaixadores de Deus por Cristo
2Cor 5,20. A pessoa que se consagra, depositou a sua confiança em Deus, por isso, confia nEle e
tudo relativiza. Uma vez que o povo simples recorre a esta prática na procura de curas, não há
motivos para a consagrada recorrer a feitiçaria, pois, temos hospitais á nossa disposição.

Como lidar com cerimónias familiares? Muito simples e com naturalidade. 1º quem deseja
consagrar, despeça-se da sua família e explique o estilo de vida que deseja tomar. A aceitação dela,
revela um desligamento nas práticas tradicionais. 2º quando há práticas tradicionais, pode-se

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Cfr. Enciclopédia Luso Brasileira de Cultura, pp 509-511.
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participar indirectamente, enviando a contribuição, mas sem estar fisicamente. 3º se for o primeiro/a
filho/a, renunciar esta posição na reunião familiar (explicar bem nas aulas). Por fim, lembrem-se
que tudo depende do modo como você se coloca perante estes factos e a tua união com Deus.

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