4.
Psicoterapia – através dela, auxiliar seus pacientes adoecidos à encontrarem em seus
materiais inconscientes, pessoal e coletivo, um elo de constância entre o
inconsciente e conscientes. Bem como, estimular as pessoas saudáveis em busca de
autorrealização de forma autônoma. Tal trabalho dentro do consultório baseia-se na
relação entre analista e paciente, se desenvolvendo através do diálogo, onde o
profissional guia seu cliente para uma jornada de autoconhecimento, em que o
mesmo poderá reconhecer suas emoções, ou seja, ter uma relação mais profunda e
consciente consigo mesmo, podendo assim administrá-las da melhor forma possível,
provocando consequências no seu comportamento.
Na Psicoterapia, Jung apontou quatro abordagens básicas para a terapia,
simbolizando quatro estágios do desenvolvimento na história da psicoterapia:
Confissão (Catarse/Joseph Breuer);
Interpretação/explicação/elucidação (Compreensão das causas/Freud);
Educação dos pacientes enquanto sujeitos sociáveis (Adaptação/Adler);
Transformação (Terapeuta transformado/ Jung).
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3 – MELANIE KLEIN
Klein, em 1909, foi apresentada ao universo da psicanálise através de Sandor Ferenczi, um
integrante do convívio de Freud, e, com quem Klein fez análise em 1914, após uma experiência
pessoal que a abalou emocionalmente. Por esta data leu o livro Sobre os sonhos, de Freud
(1901/1953), a partir de então, utilizou em seus próprios filhos as premissas freudianas. Porém,
Freud em seu trabalho com crianças, não teve muito contato, limitando unicamente ao caso do
pequeno Hans. Diferente de Freud, klein, passou a trabalhar diretamente com crianças muito
pequenas, percebendo que estas desenvolviam um superego bem antes do que Freud apontava,
percebeu também, que as crianças internalizavam sentimentos em relação à mãe. Ao que
chamou de teoria das relações objetais.
Com a teoria das relações objetais, Klein divergia na psicanálise de Freud, em três aspectos:
1 – Menos destaque nos impulsos biológicos e mais enfoque nos moldes estáveis das
relações interpessoais;
2 – Diferente de Freud, que realça o poder e controle do pai, para Klein a teoria da objeção
se dá relacionada diretamente com a mãe, focando na criação e estabelecimento da intimidade
desde o ventre.
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3 - Na teoria das relações objetais, a origem do comportamento humano advinha do contato
e relações sociais, diferente de Freud, que colocava o prazer sexual como fator de determinados
comportamentos do indivíduo.
Porém, embora divergissem em alguns pontos, tanto Freud quanto Klein, concordavam que
o objeto do impulso era uma pessoa, uma transferência de afeto dirigido a algo ou alguém
especifico.
Klein também chamou à atenção para os bebês, de acordo com ela, os bebês, nos 4 a 6 meses
de início de vida, já nascem com uma predisposição para reduzir a ansiedade, desejos inatos, e
que tem fantasias que atendam seus desejos internos, e externalizam tais fantasias transferindo
para a mãe como a “responsável” por satisfazer essas fantasias. Seria em torno de 3 a 4 meses
de idade que os bebês se encontrariam na posição que Klein designou como posição
esquizoparanóide, em tal posição o bebê teria contato com o quê Klein chamou de seio bom e
seio mal, sendo o seio bom tudo que representa o que lhe causa satisfação e o seio ruim, tudo
que lhe causa frustração. E, por volta de 5 a 6 meses se encontram na posição que Klein
designou como posição depressiva, nessa posição, o bebê, na busca de lidar com o conflito de
medo em perder à mãe e por outro lado de que deve protegê-la, pois nessa posição ele reconhece
que a mãe é uma pessoa livre que pode tanto ser boa quanto má, nesse ponto o ego do bebê está
começando a se equilibrar, conseguindo estabilizar suas frustações em relação à mãe, que
entende que pode perder para sempre.
A primeira experiência de Klein com a análise para crianças, foi com seus próprios filhos,
ela não os expunha diretamente, mas, discutia os avanços, na psicanalise infantil. Foi Klein
quem introduziu o uso de brinquedos, a ludoterapia, para, de forma lúdica, fazer com que as
crianças externalizassem as emoções, situações que não sabiam lidar.
Klein acreditava que as crianças desde a tenra infância, para controlar a ansiedade, usavam
de mecanismos de defesas psíquicos.
Klein, na prática clínica, explorava esses mecanismos de defesa com intuito de entender as
demandas que afetavam o comportamento das crianças.
Introjeção – Para Klein seria uma forma do bebê trazer para dentro de si coisas boas,
nisso vê o seio bom como canal, com o intuito de proteção contra a ansiedade que lhe
tormenta. Porém, Klein acreditava que o bebê também pode introjetar o seio mau,
como forma de controle sobre os pais.
Projeção – Ao contrário da introjeção, os bebês utilizam da projeção para se afastar de
objetos, quer seja bom ou mau. Essa projeção nos objetos externos, pode resultar em
imagens boas ou más;
Dissociação – A criança através do ego, busca separar de si mesmo tanto objetos
maus, quanto bons, impulsos que não condizem com sua realidade ou desejo.
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Identificação projetiva – Um ciclo em que a criança se dissocia da parte de si que não
toleram, projetando esta parte em outro objeto, e, introjetam em si novamente, porém
essa parte volta de forma modificada, deturpada.
4 – Jaques Lacan
O grande mentor da Escola Francesa de Psicanálise, fez das obras de Freud, uma análise
mais abrangente, uma nova visão de toda a teoria advinda de Freud, nessa análise, pode estudar
mais profundamente os casos clínicos de Freud
Para a clínica, trouxe grandes contribuições, como alterações em alguns termos e
significados dantes abordados e praticados por Freud e Klein, dentre outros.
Suas pesquisas sobre os estágios do espelho, algo que inovou o entendimento acerca da
prematura formação dos mecanismos psicóticos; A mania do bebê pelo corpo de sua mãe, O
conceito do “corpo espedaçado” – a construção do eu, da imagem como o bebê se vê; Como
se apresenta o corpo no ego do bebê. Essas ideias, influenciaram um melhor entendimento,
e por conseguinte a condução de técnicas que auxiliaram nos transtornos psicossomáticos.
Conferiu extrema importância à forma como os pais e educadores podem interferir de
forma geral na elaboração da psique da criança.
Concebeu a máxima que o discurso do outro é de extrema importância pois, reflete o
inconsciente deste: “O inconsciente é o discurso do outro”. Uma relevância ao contexto
histórico gerado pela linguagem expressa pelo indivíduo;
Uma vez que, dar a devida importância ao discurso é imprescindível, deste discurso
resultam os SIGNIFICANTES, daí, Lacan entendia que era de suma importância que o
psicanalista conseguisse fazer a identificação destes significantes, uma técnica que, em
sua concepção, seria uma das bases da técnica da psicanálise, o terapeuta tem que
conseguir fazer essa identificação destes significantes.
Trouxe de volta o discurso do pai como objeto de transferência, em oposição à ideia de
Klein, pois, em sua concepção, o pai, por ser dominante, impõe limites e causa
frustrações. Ao que ele chamou “Lei do pai”;
Ainda sobre a transferência, na verdade, Lacan se opõe ao uso extremo desta técnica,
pois, entende como um risco de reforço negativo que possa interferir como idealização
e dependência do paciente, o que seria exatamente contrária a prática psicanalítica.
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