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ProcessoCivileAdministrativo GuiaDeEstudo

O documento aborda o juízo de admissibilidade e mérito dos recursos cíveis no Brasil, destacando a distinção entre a análise preliminar da admissibilidade e a análise do mérito do recurso. Ele detalha os pressupostos de admissibilidade, tanto intrínsecos quanto extrínsecos, e discute os procedimentos para recursos específicos, como agravo interno e embargos de declaração. Além disso, menciona a Lei Geral de Licitações e Contratos Administrativos, estabelecendo normas para a realização de licitações e contratos pela Administração Pública.

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O documento aborda o juízo de admissibilidade e mérito dos recursos cíveis no Brasil, destacando a distinção entre a análise preliminar da admissibilidade e a análise do mérito do recurso. Ele detalha os pressupostos de admissibilidade, tanto intrínsecos quanto extrínsecos, e discute os procedimentos para recursos específicos, como agravo interno e embargos de declaração. Além disso, menciona a Lei Geral de Licitações e Contratos Administrativos, estabelecendo normas para a realização de licitações e contratos pela Administração Pública.

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Juízo de Admissibilidade e Mérito dos

Recursos Cíveis
Distinção Fundamental: Admissibilidade vs. Mérito
O sistema recursal brasileiro opera em duas fases distintas e sequenciais:

Juízo de Admissibilidade:
Esta é a análise preliminar realizada pelo tribunal para verificar se o recurso foi interposto
dentro das regras legais. O objetivo é determinar se o direito de recorrer foi exercido de
forma válida.
Resultado: O recurso pode ser conhecido (admissível) ou não conhecido (inadmissível).

Juízo de Mérito:
Esta análise ocorre
apenas se o recurso for conhecido
. Consiste em examinar a procedência das razões apresentadas pelo recorrente e decidir se a
decisão judicial atacada deve ser reformada ou mantida.
Resultado: O recurso pode ser provido (acolhido, com reforma da decisão) ou desprovido
(rejeitado, mantendo-se a decisão).

Pressupostos de Admissibilidade Recursal


Os pressupostos de admissibilidade dividem-se em intrínsecos (relacionados à existência do
direito de recorrer) e extrínsecos (relacionados ao exercício regular desse direito).

Pressupostos Intrínsecos
Cabimento:
O recurso deve ser expressamente previsto em lei para a decisão judicial que se pretende
impugnar.
Exemplos: Apelação contra sentença (Art. 1.009, CPC); Agravo de Instrumento contra
decisão interlocutória (Art. 1.015, CPC).
Embargos de Declaração: Cabem contra qualquer decisão judicial, mas sua finalidade é
restrita a vícios específicos (Art. 1.022, CPC).

Interesse Recursal:
O recorrente deve demonstrar a utilidade e a necessidade do recurso. Ou seja, a
possibilidade de que a decisão recursal lhe traga algum benefício ou evite um prejuízo.
Utilidade: Decorre de um prejuízo jurídico sofrido pela parte ou da não satisfação plena de
sua pretensão.
Necessidade: Surge quando a questão só pode ser resolvida pela via recursal.

Legitimidade Recursal:
Quem tem o direito de interpor o recurso.
Partes: A parte vencida na decisão.
Terceiro Prejudicado: Pessoa que não é parte no processo, mas cuja relação jurídica pode
ser afetada pela decisão judicial (Art. 996, parágrafo único, CPC). Deve demonstrar o
prejuízo.
Ministério Público: Pode recorrer tanto quando atua como parte quanto quando atua
como fiscal da ordem jurídica (Art. 996, caput, CPC).

Inexistência de Fato Extintivo do Direito de Recorrer:


Circunstâncias que impedem o exercício do direito de recorrer.
Renúncia ao Direito de Recorrer: Ato unilateral da parte que manifesta expressamente o
desinteresse em recorrer (Art. 999, CPC).
Aceitação da Decisão: Aceitação expressa ou tácita da parte, que manifesta
concordância com o conteúdo da decisão, tornando-a irrecorrível (Art. 1.000, CPC).

Pressupostos Extrínsecos
Regularidade Formal: Observância dos requisitos formais estabelecidos em lei para a
interposição e tramitação do recurso (ex: interposição por escrito, fundamentação específica,
juntada de documentos obrigatórios).
Tempestividade:
Interposição do recurso dentro do prazo legal estabelecido.
Prazos Comuns: 15 dias para a maioria dos recursos (Apelação, Agravo de Instrumento,
Recurso Especial, Recurso Extraordinário - Art. 1.003, § 5º, CPC).
Embargos de Declaração: 5 dias (Art. 1.024, CPC).
Contagem: Os prazos processuais são contados em dias úteis (Art. 219, CPC).

Preparo:
Pagamento das custas judiciais relativas ao recurso.
Obrigatoriedade: Comprovação no ato de interposição, sob pena de deserção (Art. 1.007,
caput, CPC).
Dever de Prevenção: O tribunal deve intimar o recorrente para recolher o preparo em
dobro ou complementar o valor, antes de declarar a deserção (Art. 1.007, §§ 2º e 4º,
CPC).
Exceções: Ministério Público, Fazenda Pública e embargos de declaração são isentos de
preparo (Art. 1.007, § 1º, e Art. 1.023, CPC).

Inexistência de Fato Impeditivo do Direito de Recorrer:


Desistência do Recurso: Ato unilateral da parte após a interposição do recurso, que
impede sua análise (Art. 998, CPC).
Não Pagamento de Multas: O não pagamento de multas processuais (ex: por interposição
de embargos protelatórios) pode impedir a interposição de outros recursos (Art. 1.026, §
3º, CPC).

Procedimento e Dever de Colaboração


Regra Geral: Se os pressupostos de admissibilidade não forem atendidos, o tribunal não
conhecerá do recurso.
Dever de Colaboração e Prevenção: O CPC/2015 reforça o dever de cooperação entre os
sujeitos do processo (Art. 6º, CPC). Eventuais vícios formais sanáveis devem ser
previamente apontados ao recorrente para correção, antes da decretação de
inadmissibilidade (Art. 932, parágrafo único, CPC; Art. 1.007, §§ 2º e 4º, CPC).
Juízo de Admissibilidade Concentrado: Em regra, a análise da admissibilidade é feita pelo
órgão julgador do mérito do recurso (ex: Tribunal). Exceções existem para Recurso Especial e
Extraordinário (juízo bipartido no tribunal de origem).

Licitações e Contratos Administrativos


Lei Geral de Licitações e Contratos Administrativos
(Lei nº 14.133/2021)
Objeto: Estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos no Brasil.
Abrangência: Aplica-se à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios.
Entidades Abrangidas (Art. 1º, Parágrafo Único): Inclui a Administração Direta e Indireta,
fundos especiais, autarquias, fundações públicas, empresas públicas, sociedades de
economia mista e outras entidades controladas direta ou indiretamente pelos entes
federativos.
Obrigatoriedade da Licitação (Art. 2º): A regra geral é que obras, serviços, compras,
alienações, concessões, permissões e locações realizadas pela Administração Pública,
quando contratadas com terceiros, devem ser precedidas de licitação. Existem exceções
previstas na própria lei.
Finalidade da Licitação (Art. 3º):
Assegurar a observância do princípio constitucional da isonomia (igualdade entre os
licitantes).
Selecionar a proposta mais vantajosa para a Administração Pública.
Promover o desenvolvimento nacional sustentável (implícito na seleção da proposta mais
vantajosa e nos objetivos da lei).

Conceito de Contrato Administrativo (Art. 2º, Parágrafo Único): Qualquer ajuste entre
órgãos/entidades da Administração Pública e particulares que envolva acordo de vontades,
criando vínculo e estipulando obrigações recíprocas. A denominação dada ao ajuste não
altera sua natureza.

Recursos Cíveis Específicos


Agravo Interno (Art. 1.021, CPC)
Cabimento: Contra decisões monocráticas proferidas pelo Relator em tribunal.
Onde Protocolar: No próprio tribunal, dirigido ao Relator, para que ele leve o recurso a
julgamento pelo órgão colegiado.
Procedimento:
1. O Relator intima o agravado para apresentar manifestação no prazo de 15 dias.
2. Após o prazo, se o Relator não se retratar da decisão monocrática, o recurso é levado a
julgamento pelo órgão colegiado (turma, câmara, etc.).

Juízo de Retratação: O Relator tem a faculdade de se retratar da decisão monocrática,


reconsiderando-a.
Vedação: O Relator não pode simplesmente reproduzir os fundamentos da decisão agravada
em sua decisão monocrática; deve haver uma fundamentação própria.
Multa: Se o agravo for considerado manifestamente inadmissível ou improcedente por
votação unânime, o recorrente pode ser condenado a pagar multa de 1% a 5% do valor da
causa (Art. 1.021, § 4º, CPC).
Efeito Suspensivo: Não há efeito suspensivo automático (ex lege).

Embargos de Declaração (Art. 1.022, CPC)


Cabimento:
Contra qualquer decisão judicial (sentença, decisão interlocutória ou acórdão) que apresente:
Obscuridade: Falta de clareza na redação ou fundamentação.
Contradição: Incoerência interna entre os fundamentos da decisão ou entre estes e o
dispositivo.
Omissão: Falta de pronunciamento sobre ponto ou questão relevante que deveria ter sido
analisado.
Erro Material: Lapso evidente e de fácil constatação (ex: erro de digitação, cálculo
incorreto).

Onde Protocolar: Perante o próprio órgão que proferiu a decisão (juiz de primeiro grau ou
tribunal).
Prazo: 5 dias (Art. 1.024, CPC).
Procedimento:
1. Petição escrita dirigida ao juiz ou relator, indicando o vício.
2. Não se sujeitam a preparo.
3. O embargado é intimado para manifestar-se em 5 dias, caso o acolhimento dos embargos
possa modificar a decisão.
4. O juiz ou órgão julgador proferirá decisão em até 5 dias.

Efeito Suspensivo: Não possuem efeito suspensivo automático (ex lege). No entanto, o juiz
ou relator pode conceder o efeito suspensivo se houver probabilidade de provimento do
recurso ou risco de dano grave ou de difícil reparação.
Interrupção de Prazo: A interposição dos embargos de declaração interrompe o prazo para a
interposição de outros recursos (Art. 1.026, caput, CPC).
Multa Protelatória: Se os embargos forem manifestamente protelatórios, o embargante será
multado em até 2% do valor da causa (Art. 1.026, § 2º, CPC). Em caso de reiteração, a multa
pode ser elevada para até 10%, e a interposição de outros recursos fica condicionada ao
depósito prévio da multa (Art. 1.026, § 3º, CPC).
Prequestionamento: Elementos suscitados pelo embargante para fins de prequestionamento
(necessário para a admissão de recursos excepcionais) são considerados incluídos no
acórdão, mesmo que os embargos sejam inadmitidos ou rejeitados, se o tribunal superior
constatar o vício (Art. 1.025, CPC).

Recurso de Apelação (Art. 1.009 e seguintes,


CPC)
Cabimento (Art. 1.009): Contra a sentença.
Questões Resolvidas na Fase de Conhecimento (Art. 1.009, § 1º e § 3º): Questões resolvidas
na fase de conhecimento que não comportarem agravo de instrumento não precluem.
Devem ser suscitadas em preliminar de apelação ou nas contrarrazões. Se suscitadas em
contrarrazões, o apelante será intimado para se manifestar em 15 dias.
Procedimento e Protocolo (Art. 1.010):
Interposta por petição dirigida ao juízo de primeiro grau.
O apelado é intimado para apresentar contrarrazões em 15 dias.
Se houver apelação adesiva, o apelante principal é intimado para contrarrazões.
Após as formalidades, os autos são remetidos ao tribunal independentemente de juízo de
admissibilidade pelo juiz de primeiro grau.

Julgamento no Tribunal (Art. 1.011): O Relator pode decidir monocraticamente em casos


específicos (Art. 932, III a V, CPC). Caso contrário, o recurso é levado a julgamento pelo órgão
colegiado.
Efeito Suspensivo (Art. 1.012):
Regra: A apelação tem efeito suspensivo.
Exceções (Art. 1.012, § 1º):
A sentença começa a produzir efeitos imediatamente após a publicação nas seguintes
hipóteses:
Homologa divisão ou demarcação de terras.
Condena a pagar alimentos.
Extingue o processo sem resolução do mérito ou julga improcedentes embargos do
executado.
Julga procedente pedido de instituição de arbitragem.
Confirma, concede ou revoga tutela provisória.
Decreta a interdição.

Efeito Suspensivo Ope Judicis: É possível requerer ao tribunal ou ao relator a concessão


de efeito suspensivo nas hipóteses não previstas nas exceções, demonstrando
probabilidade de provimento do recurso ou risco de dano grave/difícil reparação (Art.
1.012, § 3º).

Devolutividade (Art. 1.013):


Ampla: Devolve ao tribunal o conhecimento de toda a matéria impugnada. Serão
apreciadas todas as questões suscitadas e discutidas no processo, relativas ao capítulo
impugnado.
Questões Não Solucionadas: Se houver mais de um fundamento para o pedido/defesa e o
juiz acolher apenas um, a apelação devolve os demais.
Julgamento Imediato pelo Tribunal (Art. 1.013, § 3º):
O tribunal pode decidir o mérito desde logo se:
Reformar sentença fundada no art. 485 (extinção sem resolução do mérito).
Decretar nulidade da sentença por vício de congruência.
Constatar omissão em um dos pedidos.
Decretar nulidade de sentença por falta de fundamentação.

Prescrição/Decadência (§ 4º): Se reformar sentença que reconheceu prescrição/


decadência, o tribunal julgará o mérito, se possível.

Questões de Fato (Art. 1.014): Podem ser suscitadas na apelação se a parte provar que
deixou de fazê-lo por motivo de força maior.

Licitações e Contratos Administrativos


Lei nº 14.133/2021 (Lei de Licitações e Contratos
Administrativos)
Âmbito de Aplicação (Art. 1º): Estabelece normas gerais para licitações e contratos
administrativos. Abrange obras, serviços (incluindo publicidade), compras, alienações e
locações. Aplica-se aos Poderes da União, Estados, Distrito Federal e Municípios.
Entidades Abrangidas (Art. 1º, Parágrafo Único): Administração Direta, Fundos Especiais,
Autarquias, Fundações Públicas, Empresas Públicas, Sociedades de Economia Mista e
demais entidades controladas direta ou indiretamente pelos entes federativos.
Obrigatoriedade da Licitação (Art. 2º): Contratações pela Administração Pública (obras,
serviços, compras, etc.), quando realizadas com terceiros, devem ser precedidas de licitação,
ressalvadas as hipóteses legais.
Conceito de Contrato Administrativo (Art. 2º, Parágrafo Único): Qualquer ajuste entre
órgãos/entidades da Administração Pública e particulares que envolva acordo de vontades,
criando vínculo e estipulando obrigações recíprocas.
Finalidade da Licitação (Art. 3º): Garantir a observância do princípio constitucional da
isonomia e selecionar a proposta mais vantajosa para a Administração.

Agravo de Instrumento (Art. 1.015, CPC)


Cabimento: Contra decisões interlocutórias (decisões que não põem fim ao processo).
Rol do Art. 1.015 do CPC:
O agravo de instrumento é cabível contra decisões interlocutórias que versem sobre:
Tutelas provisórias.
Mérito do processo.
Rejeição de alegação de convenção de arbitragem.
Incidente de desconsideração da personalidade jurídica.
Rejeição de gratuidade de justiça ou revogação.
Exibição ou posse de documento ou coisa.
Exclusão de litisconsorte.
Rejeição de limitação de litisconsórcio.
Admissão ou inadmissão de intervenção de terceiros.
Concessão, modificação ou revogação de efeito suspensivo a embargos à execução.
Redistribuição do ônus da prova.
Outros casos expressamente previstos em lei.

Parágrafo Único do Art. 1.015: Cabível também em decisões interlocutórias proferidas na


fase de liquidação de sentença, cumprimento de sentença, processo de execução e
inventário.
Protocolo e Requisitos (Art. 1.017):
Petição dirigida ao tribunal.
Cópia da petição inicial, contestação, petição que gerou a decisão agravada, decisão
agravada, certidão de intimação (ou prova de tempestividade), procurações.
Declaração de inexistência de outros documentos úteis (pelo advogado).
Comprovação do pagamento das custas e porte de retorno.
Em processos eletrônicos, as cópias obrigatórias são dispensadas.

Procedimento Após Protocolo (Art. 1.019):


O Relator pode, em 5 dias, atribuir efeito suspensivo ao recurso ou deferir tutela
antecipada recursal.
Ordenará a intimação do agravado para responder em 15 dias.
Poderá determinar a intimação do Ministério Público, se for o caso.

Princípios Recursais
69.1. Duplo Grau de Jurisdição
Conceito: A possibilidade de reexame de uma decisão judicial por um órgão de instância
superior. Não é um direito fundamental absoluto, mas uma garantia importante do sistema.
Vantagens: Correção de erros, maior segurança jurídica, controle de arbitrariedades.
Desvantagens: Pode gerar lentidão processual e custos adicionais.
Previsão Legal e Constitucional: Embora não expressamente previsto na Constituição como
um princípio absoluto, decorre da própria organização judiciária e da previsão de recursos
como a apelação. O CPC/2015 busca otimizar o sistema, limitando o reexame em alguns
casos.

69.2. Taxatividade (Legalidade)


Conceito: Somente os recursos expressamente previstos em lei federal podem ser
interpostos. A criação de novos recursos é matéria exclusiva da União.
Exemplos: O rol de recursos previsto no Art. 994 do CPC é taxativo. A lei federal define quais
decisões são passíveis de cada tipo de recurso.

69.3. Singularidade (Unirrecorribilidade ou


Unicidade)
Conceito: Para cada tipo de decisão judicial, em regra, cabe apenas uma modalidade de
recurso.
Exceções: Admite-se a interposição conjunta de Recurso Especial e Extraordinário contra o
mesmo acórdão, ou a interposição de embargos de declaração antes de outro recurso.

69.4. Voluntariedade
Conceito: O exercício do direito de recorrer é uma faculdade da parte, dependendo de sua
manifestação de vontade. Não cabe recurso de ofício pelo juiz.
69.5. Dialeticidade
Conceito: O recorrente deve apresentar as razões de fato e de direito que fundamentam seu
inconformismo, impugnando especificamente os fundamentos da decisão recorrida. Isso
garante o direito de defesa do recorrido e delimita a atuação do tribunal.

69.6. Fungibilidade
Conceito: Permite que um recurso interposto de forma equivocada seja conhecido como o
recurso adequado, desde que não haja erro grosseiro e que exista dúvida razoável sobre qual
recurso seria o correto. O CPC/2015 busca facilitar a aplicação da fungibilidade para priorizar
o julgamento de mérito.

69.7. Proibição da *Reformatio in Pejus***


Conceito: Impede que a situação do recorrente seja agravada pelo julgamento de seu próprio
recurso.
Exceções: O tribunal pode conhecer de matérias de ordem pública (que não precluem) ou
alterar a decisão em benefício de outras partes ou em decorrência de outros recursos.

69.8. Primazia do Julgamento do Mérito Recursal


Conceito: O sistema recursal busca resolver o mérito das causas. Assim, vícios formais
sanáveis devem ser corrigidos antes da decretação de inadmissibilidade do recurso, em
observância aos princípios da colaboração e da economia processual (Art. 932, parágrafo
único, CPC).

O Processo nos Tribunais


Protocolo, Registro e Distribuição (Art. 929, CPC)
Protocolo: Ato de apresentação dos autos ou petições no tribunal, que fixa a data de entrada.
Registro: Anotação administrativa da entrada dos autos.
Distribuição: Ato imediato e obrigatório que vincula o processo a um Relator e a um órgão
julgador (turma, câmara, etc.). Garante o juiz natural.

Conexão e Prevenção (Art. 930, parágrafo único,


CPC)
Prevenção: O Relator que primeiro receber um recurso em um processo ou em processo
conexo torna-se prevento para julgar outros recursos posteriores no mesmo processo ou em
processos conexos.

Voto, Julgamento, Acórdão e Ementa


Voto: Manifestação individual do julgador sobre a matéria levada a julgamento.
Julgamento: Ato pelo qual o órgão colegiado (turma, câmara) decide o recurso, formado pela
maioria dos votos.
Acórdão: Documento escrito que materializa a decisão colegiada, contendo relatório,
fundamentação e dispositivo.
Ementa: Resumo conciso do acórdão, com os principais pontos decididos.

Voto Vencido e Decisões Plurais


Voto Vencido: Manifestação de discordância de um ou mais julgadores em relação ao
resultado ou fundamentação da maioria.
Decisão Plural: Ocorre quando a maioria de votos não coincide nos fundamentos, mas
apenas no resultado final. Isso impede a formação de um precedente vinculante.

Poderes do Relator (Art. 932 e 139, CPC)


O Relator é o juiz responsável por conduzir o julgamento do recurso. Possui amplos poderes
para:
Determinar a prática de atos processuais (intimações, diligências).
Apreciar tutelas provisórias recursais.
Realizar o juízo de admissibilidade do recurso.
Julgar monocraticamente o recurso em casos específicos previstos em lei (ex: recurso
manifestamente inadmissível, contrário a súmula/jurisprudência dominante).
Levar o recurso a julgamento pelo órgão colegiado.

Dever Geral de Correção de Defeitos Processuais


(Art. 938, CPC)
O tribunal deve zelar pela regularidade do processo e, antes de declarar a inadmissibilidade
de um recurso por vício sanável, deve intimar a parte para corrigi-lo, em observância aos
princípios da colaboração e da primazia do julgamento de mérito.

Proibição de Decisão-Surpresa (Art. 10 e 933, CPC)


O juiz ou tribunal não pode decidir com base em fundamento a respeito do qual as partes
não tiveram oportunidade de se manifestar, mesmo que se trate de matéria de ordem
pública. As partes devem ser previamente intimadas para se manifestar sobre tais
fundamentos.

O Julgamento Colegiado
Regra: A maioria das decisões em sede recursal é proferida por órgãos colegiados (turmas,
câmaras).
Sustentação Oral (Art. 937, CPC): As partes podem sustentar oralmente suas razões perante
o órgão julgador, em prazo determinado.
Pedido de Vista (Art. 940, CPC): Um julgador pode pedir vista dos autos para melhor análise,
com prazo definido para devolução.
Ampliação do Colegiado (Art. 942, CPC): Em caso de resultado não unânime em apelação ou
em outros recursos previstos em lei, o julgamento pode prosseguir com a convocação de
mais julgadores para formar maioria no resultado final.

Pronunciamentos Judiciais
203. §1º - Sentença
Conceito: Pronunciamento judicial que encerra a fase de conhecimento do processo (com ou
sem resolução do mérito) ou extingue a execução.
Com Resolução do Mérito (Art. 487): Julga o pedido principal (procedente ou improcedente),
reconhece prescrição/decadência, homologa acordo, transação, renúncia ou reconhece a
ocorrência de perempção. Gera coisa julgada material.
Sem Resolução do Mérito (Art. 485): Indeferimento da petição inicial, ausência de
pressupostos processuais, ilegitimidade das partes, abandono da causa, existência de
convenção de arbitragem. Não impede a repropositura da ação.

203. §2º - Decisão Interlocutória


Conceito: Pronunciamento judicial que resolve questão incidental e não põe fim à fase de
conhecimento ou à execução.
Exemplos: Decisões sobre tutela provisória, saneamento do processo, ônus da prova,
competência, intervenção de terceiros.
Impugnação: Geralmente por Agravo de Instrumento (Art. 1.015) ou, em alguns casos, em
preliminar de apelação (Art. 1.009, §1º).

203. §3º - Despacho


Conceito: Pronunciamento judicial que não tem conteúdo decisório, servindo apenas para
impulsionar o andamento do processo.
Exemplos: Determinação de juntada de documentos, intimação das partes, expedição de
ofícios.
Irrecorribilidade: Em regra, despachos não são passíveis de recurso.

203. §4º - Atos Ordinatórios


Conceito: Atos praticados por servidores do judiciário, sem conteúdo decisório, para dar
andamento ao processo.
Exemplos: Juntada de petições, publicações no Diário da Justiça.

Importância do Conteúdo sobre o Rótulo


A classificação de um pronunciamento judicial deve considerar seu conteúdo e seus efeitos,
e não apenas o nome que lhe foi dado. Um ato intitulado "despacho" que, na prática, decide
uma questão incidental, deve ser tratado como decisão interlocutória.

Decisões Parciais
Julgamento Parcial do Mérito (Art. 356): O juiz pode decidir parte do mérito quando um ou
mais pedidos estiverem aptos para julgamento imediato. Essa parte decidida pode ser objeto
de Agravo de Instrumento e pode ser executada provisoriamente.
Extinção Parcial do Processo (Art. 354 e 355): O juiz pode extinguir parte do processo sem
resolução do mérito.

Licitações e Contratos Administrativos


Lei nº 14.133/2021
Âmbito: Norma geral para licitações e contratos administrativos em todos os entes
federativos (União, Estados, DF, Municípios).
Entidades Abrangidas: Administração Direta e Indireta (autarquias, fundações, empresas
públicas, sociedades de economia mista, etc.).
Obrigatoriedade da Licitação (Art. 2º): Regra geral para obras, serviços, compras, alienações,
locações, etc., quando contratadas com terceiros. Existem exceções legais.
Contrato Administrativo (Art. 2º, Parágrafo Único): Qualquer ajuste entre a Administração e
particulares, com acordo de vontades, que cria vínculo e obrigações recíprocas.
Finalidade da Licitação (Art. 3º): Garantir isonomia e selecionar a proposta mais vantajosa.

Agravo de Instrumento (Art. 1.015, CPC)


Cabimento: Contra decisões interlocutórias (que não extinguem o processo). O rol do Art.
1.015 é, em princípio, taxativo, mas há discussões sobre sua mitigação.
Hipóteses Principais: Tutelas provisórias, mérito do processo, gratuidade da justiça
(indeferimento/revogação), exclusão de litisconsorte, intervenção de terceiros, redistribuição
do ônus da prova.
Fases do Processo: Também cabe contra decisões interlocutórias em liquidação de
sentença, cumprimento de sentença, execução e inventário (Parágrafo Único).
Requisitos de Admissibilidade (Art. 1.017): Petição, nomes das partes, razões, pedido, nome
dos advogados, cópias obrigatórias (inicial, contestação, decisão agravada, etc.),
comprovação de tempestividade e preparo (custas).
Procedimento (Art. 1.019): O Relator pode conceder efeito suspensivo ou tutela antecipada
recursal, e intima o agravado para responder.

Embargos de Declaração (Art. 1.022, CPC)


Cabimento: Para sanar obscuridade, contradição, omissão ou erro material em qualquer
decisão judicial.
Prazo: 5 dias.
Efeitos: Interrompe o prazo para outros recursos. Não tem efeito suspensivo automático,
mas pode ser concedido.
Embargos Protelatórios: Multa de até 2% (ou 10% em caso de reiteração), podendo
condicionar a interposição de novos recursos ao depósito da multa.
Prequestionamento (Art. 1.025): Elementos suscitados para prequestionamento são
considerados incluídos no acórdão, mesmo que os embargos sejam rejeitados, se o tribunal
superior constatar vício.

Apelação (Art. 1.009, CPC)


Cabimento: Contra sentenças.
Devolutividade (Art. 1.013): Ampla, devolve ao tribunal o conhecimento de toda a matéria
impugnada. O tribunal pode julgar o mérito desde logo em certas hipóteses (causa madura).
Efeitos (Art. 1.012): Regra geral de efeito suspensivo. Existem exceções legais onde a
sentença produz efeitos imediatamente. Possibilidade de pedido de concessão de efeito
suspensivo (ope judicis).

Princípios Recursais
Duplo Grau de Jurisdição
Possibilidade de reexame da decisão por órgão superior. Não é direito fundamental absoluto,
mas uma garantia importante do sistema.

Taxatividade
Somente os recursos previstos em lei federal podem ser interpostos. O rol do Art. 994 do
CPC é taxativo.

Singularidade (Unirrecorribilidade)
Em regra, para cada decisão cabe apenas um recurso.

Voluntariedade
O exercício do direito de recorrer é uma faculdade da parte, não podendo o juiz recorrer de
ofício.

Dialeticidade
O recorrente deve apresentar os fundamentos de fato e de direito de seu inconformismo,
impugnando especificamente a decisão recorrida.

Fungibilidade
Permite o conhecimento de um recurso interposto erroneamente como o recurso cabível,
desde que não haja erro grosseiro e dúvida razoável. O CPC/2015 prioriza a fungibilidade
para o julgamento de mérito.

Proibição da Reformatio in Pejus


O recurso não pode resultar em piora da situação do recorrente. Existem exceções, como o
conhecimento de matérias de ordem pública pelo tribunal.

Primazia do Julgamento do Mérito Recursal


O sistema busca resolver o mérito. Vícios formais sanáveis devem ser corrigidos antes da
inadmissibilidade do recurso, em aplicação dos princípios da colaboração e economia
processual.

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