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Módulo 3 - Instrumentos

O documento explora a importância dos instrumentos musicais no Candomblé, destacando os atabaques, agogô, xequerê e berimbau, que são fundamentais para a conexão espiritual e cultural. Cada instrumento possui características únicas e desempenha papéis específicos nas cerimônias e celebrações afro-brasileiras. A música é apresentada como um veículo de resistência e preservação das tradições africanas no Brasil.

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Módulo 3 - Instrumentos

O documento explora a importância dos instrumentos musicais no Candomblé, destacando os atabaques, agogô, xequerê e berimbau, que são fundamentais para a conexão espiritual e cultural. Cada instrumento possui características únicas e desempenha papéis específicos nas cerimônias e celebrações afro-brasileiras. A música é apresentada como um veículo de resistência e preservação das tradições africanas no Brasil.

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Módulo 3

O grande saber
ancestral: O poder
de ensinar,
aprender e curar
Glossário:

- Os atabaques, sua história e seus três tipos (Rum, Rumpi e o Lê)

- Agogô

- Xequerê

- Berimbau

No Candomblé, os instrumentos musicais têm um papel essencial, pois são considerados sagrados e
fundamentais para criar a conexão entre o mundo material e o espiritual. Eles não são apenas
ferramentas musicais, mas veículos que transportam o axé, ou força vital, e facilitam a comunicação
com os orixás.

Os atabaques, sua história e seus três tipos (Rum, Rumpi e o Lê)


Os atabaques são instrumentos de percussão fundamentais na música afro-brasileira, especialmente
nas tradições do Candomblé e da Umbanda. Eles têm um papel central nas cerimônias religiosas,
sendo utilizados para acompanhar cantos, danças e rituais de invocação das divindades (orixás). A
origem dos atabaques remonta à África, onde instrumentos semelhantes eram utilizados nas práticas
culturais e religiosas. Com a diáspora africana, essas tradições foram trazidas para o Brasil, onde se
adaptaram às influências locais e se tornaram parte essencial da cultura brasileira.

Os três principais tipos de atabaques são:


1. Rum: É o atabaque mais profundo e grave, geralmente tocado por um músico experiente. Sua
sonoridade é robusta e vibrante, e ele desempenha um papel de base rítmica nas toadas. O
Rum é frequentemente associado a ritmos mais pesados e é responsável por estabelecer a
pulsação principal do toque.
2. Rumpi: Este atabaque tem um som intermediário, com uma afinação que se situa entre o
Rum e o Lê. Ele é usado para criar um diálogo entre os outros atabaques e é tocado por um
músico que precisa ter habilidade para equilibrar a sonoridade. O Rumpi ajuda a dar forma ao
ritmo e pode incluir variações melódicas que enriquecem a performance.
3. Lê: É o atabaque mais agudo e leve, utilizado para adicionar camadas rítmicas e percussivas à
música. O Lê é tocado por um músico que pode usar técnicas de dedo e palmas para produzir
diferentes timbres e dinâmicas. Sua sonoridade aguda complementa os outros dois atabaques,
criando um arranjo sonoro harmonioso e envolvente.

Cada tipo de atabaque possui características únicas que contribuem para a riqueza rítmica e musical
das cerimônias afro-brasileiras, refletindo a profunda conexão entre a música, a espiritualidade e a
cultura afro-brasileira.

Atabaque: Mãos ou Cipós?

O modo de tocar o atabaque varia conforme o orixá a ser invocado e a sonoridade desejada. Em
alguns ritmos, os atabaques são tocados diretamente com as mãos, produzindo uma sonoridade mais
encorpada e quente, adequada para orixás ligados à terra e ao fogo. Em outros, são utilizados cipós de
aroeira ou de goiabeira, que proporcionam um som mais agudo e cortante, ideal para invocar orixás
como Ogum e Oxóssi, que estão ligados à floresta, à caça e à guerra.

• Com as mãos: Os toques feitos com as mãos têm um tom mais grave e denso, perfeito para
orixás que possuem uma energia ligada à cura, à ancestralidade ou à serenidade, como
Obaluaiê e Oxalá. Esse som mais encorpado cria uma sensação de acolhimento e força
interna.
• Com cipós: Os toques realizados com cipós, por sua vez, resultam em uma sonoridade mais
aguda e forte, capaz de ecoar à distância. Esse tipo de toque é frequentemente utilizado para
orixás guerreiros, pois traz uma intensidade vibrante, evocando a força dos elementos naturais
e dos espíritos guardiões.

Agogô
O agogô é um instrumento de percussão tradicional muito utilizado na música afro-brasileira,
especialmente nas práticas do Candomblé e da Umbanda, além de estar presente em várias
manifestações culturais, como o samba e as bandas de congo. Originário da África, o agogô foi
introduzido no Brasil durante o período da escravidão e se adaptou às tradições musicais locais.

Características do Agogô

1. Estrutura: O agogô é composto por duas ou mais campanas de metal, que podem ter
tamanhos diferentes. As campanas são montadas sobre uma base de madeira ou metal, e cada
campana produz um som distinto, dependendo de seu tamanho e forma.
2. Sonoridade: O agogô tem um timbre agudo e ressonante, com um som claro e penetrante. Ele
é tocado com uma baqueta, que pode ser feita de madeira ou metal, permitindo ao músico
criar diferentes dinâmicas e ritmos.
3. Função Musical: O agogô é utilizado para marcar o tempo e o ritmo em várias formas
musicais. Em contextos de Candomblé, ele pode ser usado para acompanhar cantos e danças,
enquanto em outros gêneros, como o samba, ele adiciona camadas rítmicas que enriquecem a
performance.

Importância Cultural

O agogô é mais do que um simples instrumento musical; ele carrega um significado profundo nas
culturas afro-brasileiras. Ele simboliza a conexão entre as tradições africanas e a cultura brasileira,
representando a resistência e a preservação das raízes africanas na música e na espiritualidade. Além
disso, o agogô desempenha um papel importante nas celebrações e rituais, ajudando a criar uma
atmosfera de reverência e celebração.

Tipos de Agogô

Existem diferentes tipos de agogô, que variam em formato e número de campanas. O agogô de duas
campanas é o mais comum, mas também existem versões com mais campanas, que podem produzir
uma gama mais ampla de sons. A escolha do agogô pode depender do estilo musical e do contexto em
que será utilizado.

Em resumo, o agogô é um instrumento essencial na música afro-brasileira, contribuindo para a


riqueza rítmica e a expressividade das tradições culturais do Brasil.

Xequerê
O xequere (ou xequerê) é um instrumento de percussão de origem africana amplamente utilizado na
música afro-brasileira, especialmente em tradições como o Candomblé e a Umbanda, além de ser
comum em diversas manifestações culturais, como o samba e a música popular brasileira. O xequere é
conhecido por sua sonoridade rítmica e por adicionar texturas e dinâmicas aos conjuntos musicais.

Características do Xequere

1. Estrutura: O xequere é tradicionalmente feito de uma cabaça (fruto do gênero Lagenaria)


que é oca e possui uma abertura. Essa cabaça é geralmente coberta por uma rede ou cordas
que seguram pequenas pedras, grãos ou sementes, que ao serem agitadas dentro da cabaça
produzem um som característico. Em algumas versões, a cabaça pode ser substituída por
recipientes feitos de outros materiais, como plástico ou metal.
2. Sonoridade: O xequere produz um som crocante e rítmico que se destaca na música. O
músico agita o instrumento, permitindo que as sementes ou grãos dentro da cabaça se
movimentem e colidam, criando um efeito sonoro que pode ser suave ou intenso, dependendo
da intensidade e da técnica aplicada.
3. Função Musical: O xequere é utilizado para acompanhar ritmos e melodias, adicionando uma
camada de complexidade à música. Em cerimônias religiosas, seu som pode ser usado para
invocar os orixás e criar uma atmosfera sagrada. No samba e em outros gêneros populares, ele
contribui para o ritmo e a dança, tornando as performances mais vibrantes.

Importância Cultural

O xequere é um símbolo da herança africana no Brasil, representando a resistência e a preservação das


tradições culturais. Ele é um instrumento que promove a interação entre os músicos e os dançarinos,
ajudando a criar um ambiente de celebração e espiritualidade. Além disso, o xequere desempenha um
papel importante na educação musical, pois é um instrumento acessível que pode ser facilmente
aprendido e utilizado por pessoas de todas as idades.

Tipos de Xequere

Embora o xequere seja frequentemente associado a uma forma básica, existem variações em seu
design e no material utilizado. O formato e a técnica de execução podem variar conforme a região e o
estilo musical, mas o princípio de produzir som através da movimentação de grãos ou sementes
permanece constante.

Em resumo, o xequere é um instrumento essencial na música afro-brasileira, enriquecendo a


sonoridade e contribuindo para a expressividade das tradições culturais do Brasil.

Berimbau
O berimbau é um dos instrumentos mais emblemáticos da cultura afro-brasileira, especialmente
associado à capoeira, mas também presente em outras manifestações culturais como o samba de roda
e o candomblé.

Origem e História

O berimbau foi trazido para o Brasil por escravizados africanos, principalmente de grupos étnicos que
habitavam regiões como Angola e o Congo. Ao longo do tempo, ele se integrou às tradições culturais
brasileiras, evoluindo em seu formato e função. A prática da capoeira, que combina elementos de luta,
dança e música, popularizou o berimbau como o instrumento que marca o ritmo e a cadência do jogo.

Estrutura e Características

1. Construção: O berimbau é composto por uma vara de madeira (geralmente de cerca de 1,5 a
2 metros de comprimento) chamada "verga", que é curvada e tensionada por uma corda de
aço. Na extremidade da vara, há um cabaça (um fruto seco) que funciona como caixa de
ressonância, amplificando o som produzido. A corda é pressionada em diferentes pontos para
variar a tonalidade.
2. Som: O berimbau produz um som característico, com diferentes timbres que variam de
acordo com a técnica de execução. O toque é feito com uma baqueta (geralmente feita de
madeira) e um "caxixi", um pequeno chocalho que é agitado enquanto o berimbau é tocado. A
combinação do toque da baqueta, a ressonância da cabaça e a pressão da corda cria uma
sonoridade única e envolvente.
3. Modos de Execução: O berimbau pode ser tocado de várias maneiras, resultando em
diferentes tipos de sonoridade e ritmo. Os três principais toques são:
a. Toque de Angola: Um toque mais lento e grave, associado à capoeira de Angola, que
enfatiza a estratégia e a malícia.
b. Toque de São Bento Grande: Um toque mais rápido e alegre, geralmente utilizado
em jogos de capoeira mais dinâmicos e acrobáticos.
c. Toque de São Bento Pequeno: Uma variação mais rápida e leve que pode ser usada
para chamar a atenção ou sinalizar um momento específico no jogo.

Função Cultural

No contexto da capoeira, o berimbau não apenas marca o ritmo, mas também orienta a dinâmica do
jogo, indicando quando os jogadores devem atacar, defender ou dançar. Em celebrações como o
samba de roda, o berimbau traz um caráter festivo e enriquece a sonoridade do grupo. No candomblé,
sua presença pode ser associada à invocação de orixás, proporcionando uma conexão espiritual.

Importância Simbólica

O berimbau é mais do que um simples instrumento musical; ele é um símbolo de resistência e


identidade cultural. Representa a união das tradições africanas com as influências locais, refletindo a
diversidade cultural do Brasil. Através do berimbau, a ancestralidade é mantida viva e transmitida de
geração em geração.

Em resumo, o berimbau é um instrumento fundamental na música e na cultura afro-brasileira,


desempenhando um papel essencial nas práticas de capoeira, samba e candomblé, e representando a
rica herança cultural dos povos africanos no Brasil.

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