AgInt no RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA Nº 47.
431 - GO (2015/0014371-1)
RELATÓRIO
MINISTRA ASSUSETE MAGALHÃES: Trata-se de Agravo interno, interposto
pelo ESTADO DE GOIÁS, em 26/05/2017, contra decisão de minha lavra, publicada em
08/05/2017, assim fundamentada:
"Trata-se de Recurso Ordinário em Mandado de Segurança, interposto
por KEILA CRISTINA ALVES REZENDE, com fundamento no art. 105, II,
b, da Constituição Federal, contra acórdão prolatado pelo Tribunal de
Justiça do Estado de Goiás, assim ementado:
'AGRAVO REGIMENTAL. EXTINÇÃO DA AÇÃO MANDAMENTAL
POR SUPERVENIENTE PERDA DO OBJETO. PORTARIA N.°
3703/2013 DO COMANDANTE-GERAL DA POLÍCIA MILITAR -
REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE DE LEI NOVA - INOCORRÊNCIA.
1 - Tendo a Portaria n° 3703/2013 sido revogada pelo Comandante
Geral da Polícia Militar do Estado de Goiás, resta prejudicada a
pretensão esposada no presente mandamus, consubstanciada no
recebimento de fichas funcionais pela autoridade coatora, para
análise e preenchimento da ficha de pontuação, sem a exigência do
intersticio mínimo de serviço para concorrer à promoção, ante a
perda de seu objeto, nos termos do artigo 195 do Regimento
Interno desta Corte, c/c artigo 6°, § 5°, da Lei n° 12.016/2009, c/c
artigo 267, VI, do CPC, carecendo, pois, a ação mandamental de
interesse de agir, em virtude da ausência de interesse processual
superveniente, devendo ser extinto o feito, sem resolução do
mérito.
2 - Não é o caso de retroatividade de lei, porquanto efetivado o
certame após a vigência do novo diploma legal.
3 - Não trazendo a recorrente nenhum elemento novo capaz de
sustentar a pleiteada reconsideração da decisão fustigada, deve
ser desprovido o agravo regimental.
Agravo Regimental conhecido e improvido' (fls. 176/177e)
No acórdão, objeto do Mandado de Segurança, o Tribunal de origem
denegou a segurança, firme no entendimento de que:
'Trata-se de mandado de segurança impetrado em face de ato tido
como ilegal e abusivo do Comandante Gera! da Polícia Militar do
Estado de Golas, consistente na recusa de recebimento da
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documentação funcional da impetrante, com a finalidade de se
analisar em processo de promoção de Praças da Polícia Militar, que
a está impedindo de compor o quadro de acesso ao cargo de 3°
Sargento.
(...)
Pois bem. Na verdade, o ato que obstou a autora de alçar patente
superior à sua (Cabo) é a Portaria n. 3703, eis que esta, editada
pelo impetrado, estabeleceu critérios contrários à lei de regência de
promoção de Praças. A publicação da Portaria n. 004410/14 é fruto
do resultado do processo seletivo de ascensão dos policiais, que
nada contrariou o suposto direito líquido e certo do suplicante.
Feitas tais premissas e analisando jurisprudencias dessa Corte de
Justiça, tendo em vista que esta subscritora emitiu parecer em situa
çäo idêntica (Ação 201394535694), constatou-se que o ato
impugnado foi revogado pela autoridade coatora, por meio da
edição da Portaria n. 4150 de 10 de dezembro de 2013, cujo teor é
o seguinte:
(...)
Nesse contexto, a par das jurisprudenciais que noticiam a
revogação do ato fustigado, a presente ação constitucional há de
ser julgada prejudicada, com a extinção do feito, por perda
superveniente de interesse processual.
Nesse sentido:
(...)
Nesta esteira de considerações, tendo a tutela jurisdicional
buscada pela impetrante desaparecido, o mandado de segurança
em tela perdeu seu objeto. Por tal motivo, passou a impetrante à
condição de carecedora do direito da ação, por,
supervenientemente, não subsistir a ela interesse processual de
agir.
(...)' (fls. 172/175e).
A parte recorrente, após a rejeição dos Declaratórios opostos, sustenta,
nas razões do presente recurso que:
'A questão posta e defendida é a inexistência de lei a estabelecer
os requisitos para a seleção interna no âmbito da PMGO para
promoção das Praças.
E assim, de acordo com as reiteradas decisões desse Egrégio
Tribunal de Justiça em consonância com a jurisprudência dos
Tribunais superiores,, tais requisitos não poderiam ser
estabelecidos por ato administrativo - como as portarias'.
V. Exa. ao analisar o' pedido de liminar resolve indeferi-lo.
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O processo seletivo interno 'atacado pela recorrente
prosseguiu atropelando diversos princípios constitucionais,
'em especial o princípio da legalidade apontado, já na
exordial, como sendo o ponto fundamental de análise do
presente mandamus.
,Através da Portaria n° 004410 de 05 de fevereiro de 2014
(Publicada no DOEPM N°25/2014, de 05/02/14) o Exmo. Sr.
Comandante Geral da Polícia Militar, coloca fim a o processo
seletivo com a divulgação da lista dos Policiais Militares promovidos
a contar de 25 de dezembro'de 2013.
(...)
A pretensão da recorrente quando levou a questão ao Poder
Judiciário não se funda tão somente no ato administrativo de
lavra do recorrido mas, sim, na. ausência de lei a estabelecer
requisitos necessários à que a praça da PMGO pudesse
concorrer à promoção referente a 25 de dezembro de 2013.
(...)
Como exaustivamente alegado e demonstrado pela recorrente, que
tenta ver seu direito reconhecido, a Lei n° 17.866 de 19 de
dezembro de 2012 revogou a Lei n° 16. 902/10.
As revogações afirmadas pela recorrente restam reconhecidas .io
documento trazido pelo Estado de Goiás. Também resta
reconhecido que o Comandante Geral, não poderia baixar Portaria
para estabelecer requisitos que deveriam constar em Lei.
A questão posta e levada a apreciação do Poder Judiciário não
surgiu agora com a promoção referente a 25 de dezembro de 2013.
(...)
É cediço que em nosso ordenamento jurídico como regra, o
Princípio da Irretroatividade das Leis, segundo o qual a lei é feita
para o futuro e o passado é inatingível, possuindo, pois, efeito ex
nunc.
Uma vez reputadas as situações jurídicas criadas pela Lei no
17.866/2012 até a data que vigeu, há que se evidenciar o direito
consumado e incorporado. A lei n° 18.287 de 30 de dezembro de
2013 não retroage para alcançar as situações consolidadas na
vigência do dispositivo revogado, pois a revogação gera apenas
efeitos ex nunc, nos termos do art. 6° da Lei de Introdução do
Código Civil e do art. 5°, XXXVI da Carta Magna.
Isso porque estamos falando de uma promoção referente a data de
25 de dezembro de 2013, que embora tenha atrasado a publicação
da portaria o ato retroagiu àquela, valendo, portanto, somente para
os policiais que até essa data preencheram os requisitos legais.
(...)
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No presente caso sobreleva destacar que a normativa aplicável ao
caso deve observar o princípio de direito intertemporal tempus regit
actum, segundo o qual aplica-se a lei vigente ao tempo do fato.
Ora o ato é referente a 25 de dezembro de 2013, portanto não
pode uma Lei de 30 de dezembro de 2013 disciplinar seu
procedimento.
(...)
Se mantida y acórdão que extingui o feito sem julgamento do
mérito, restará configurada a afronta aos princípios da legalidade,
da segurança jurídica, da irretroatividade da lei, instituídos,
respectivamente nos artigos 37 capuz', 5°, XXXVI e XXXV ambos da
Constituição Federal e art. 6° da Lei de introdução do Código Civil.
Ademais, a manutenção do v. acórdão deixando de analisar e
decidir matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário
consubstancia violação ao art. 5°, XXXV, LIV e LV, e art. 93, IX, da
Constituição Federal.
Isto posto, a recorrente requer que esta Egrégia Corte, ao julgar,
se pronuncie expressamente sobre a matéria, para o fim de
interposição dos recursos cabíveis,
(...)' (fls. 231/241e).
Contrarrazões a fls. 252/257e.
O Ministério Público Federal manifesta-se pelo provimento do recurso
(fls. 287/293e).
A irresignação merece parcial acolhida.
Na hipótese em exame, tenho que o Parquet Federal bem elucidou a
questão, conforme pode se depreender dos seguintes argumentos, os
quais adoto como razão de decidir:
'(...) o interesse processual da Recorrente permanece inalterado,
uma vez que a alegada violação a seu direito líquido e certo
continua a existir, tendo em vista que sua participação do
processo seletivo interno de promoção por merecimento de
praças da PM/GO foi vetada em razão do não preenchimento
de requisito temporal de interstício mínimo na graduação
anterior, exigido pela Portaria nº 3703/2013, a qual, afirma,
teria extrapolado os limites anteriormente previstos na da
Lei Estadual nº 17.866/2012, e que acabaram sendo
restabelecidos pela Portaria nº 4.150/2003.
Sobre a questão, deve-se ressaltar que a Autoridade coatora, ao
prestar suas informações às fls. 90/112, argumentou que a Lei
Estadual nº 17.866/2012 teria revogado equivocadamente a Lei
Estadual nº 15.704/2006, que até então continha os requisitos para
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a promoção do dia 25.12.2013, daí a razão de o Comando da
PM/GO ter editado a Portaria nº 3703/2013 para regulamentar o
processo de promoções, a qual, inclusive, gerou vários
questionamentos em sede judicial. In verbis:
'Ocorre, no entanto, que a edição do referido ato
administrativo gerou inúmeros questionamentos em sede
judicial, notadamente a ação popular de protocolo nº
201303411338 (doc.02), em que houve a determinação de
suspensão do procedimento, com base nos seguintes
fundamentos: '… sopesando os prejuízos que o patrimônio
público poderá vir a sofrer em caso de efetivação das
promoções sem requisito previsto na legislação pertinente e
aqueles advindos de uma possível e futura declaração de
nulidade da referenciada Portaria ao final do processo...'.
Assim, em sede dessa ação, o Poder Judiciário determinou
que fosse suspenso o procedimento de promoção baseado
naquela Portaria, haja vista que não haveria previsão legal
para sua criação, razão pela qual o Comando da Polícia
Militar, de acordo com o poder que lhe compete, resolveu ir
além do que determinava o provimento liminar e decidiu por
bem revogar a Portaria e o procedimento de promoção por
ele regulado, conforma Portaria nº 4150, de 10 de dezembro
de 2013, publicada no Diário Oficial Eletrônico nº 231/2013
(doc. 03).
Ora, após a revogação da Portaria nº 003703, ocorrida em 10 de
dezembro de 2013, foi aprovada e entrou em vigor a Lei Estadual
nº 18.287, de 30 de dezembro de 2013, que restabeleceu os
requisitos então revogados (dentre eles os interstícios e a
conclusão do estágio de adaptação) para a Promoção de Praças
da Polícia Militar do Estado de Goiás e, somente então, agora
amparado por lei, foi que o Comandante Geral da Polícia Militar do
Estado de Goias efetuou as promoções previstas para a
Corporação, como visto na Portaria nº 004410, de 05 de fevereiro
de 2014 (doc. 05).” (fls. 92) Pertinente registrar, portanto, que,
além de a Portaria nº 4.150/2003, que revogou a Portaria nº
3.703/2013, ter restabelecido os critérios combatidos na presente
impetração, a Lei nº 18.287, de 30.12.2013, uma das leis que
fundamentaram os critérios para a promoção dos praças da PM/GO
e que também é atacada pela ora Recorrente, é um ato editado
posteriormente a 25.12.2013, data estipulada para a pleiteada pro
moção.
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Além do mais, essa Colenda Corte tem o entendimento
pacificado no sentido de que, no caso de homologação do
concurso público, não há perda de objeto do mandado de
segurança impetrado com objetivo de discutir ilegalidade em
determinada fase do certame, como na presente hipótese.
(...)' (fls. 290/293e).
Com efeito, embora tenha sido revogada a Portaria acima citada, não há
que se falar em ausência de interesse processual. Isto porque, conforme
esclarecido, o direito de participar da seleção interna permanece
obstado, em razão do não preenchimento de requisito temporal exigido
primeiramente pela portaria, em suposta extrapolação dos limites
regulamentares previstos na Lei Estadual 17.866/13. E posteriormente
pela Lei 18,287/2013, que retroagiu para alcançar o concurso já aberto
quando de sua edição.
Além disso, é pacífico o entendimento segundo o qual, o encerramento
de qualquer concurso público não enseja a perda do interesse daqueles
que impetraram mandado de segurança antes do seu encerramento,
caso dos autos.
Em caso análogo ao dos autos, a Segunda Turma do STJ já se
pronunciou sobre a controvérsia, conforme se verifica dos seguintes
julgados:
'ADMINISTRATIVO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE
SEGURANÇA. POLÍCIA MILITAR. CONCURSO INTERNO.
PROMOÇÃO DE PRAÇA. PORTARIA 3.703/13/PMGO,
REVOGADA. PERDA SUPERVENIENTE DO OBJETO.
INEXISTÊNCIA.
1. Cuida-se, na origem, de Mandado de Segurança interposto
contra ato do Comandante-Geral da Polícia Militar do Estado
de Goiás, consistente na edição da Portaria 3.703/2013, que
determina o cumprimento de interstícios mínimos para
inscrição do servidor militar em processo seletivo para
promoção de praças previstas para 25 de dezembro de 2013.
2. O impetrante teve negada a sua participação no certame,
pois não teria tempo suficiente, nos termos definidos na
Portaria 3.703/2013 da Polícia Militar do Estado de Goiás. O
Tribunal de origem extinguiu o feito mandamental ante a
perda superveniente do objeto da impetração.
3. A revogação da Portaria 3.703/2013 não esvai a
controvérsia jurídica, já que cuida da inscrição do candidato
no processo seletivo, e não de sua efetiva promoção. O
direito líquido e certo não fica superado pela retirada do
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mundo jurídico da citada norma infralegal. Isso porque a Lei
18.287/2013, que revogou a Portaria, manteve a exigência de
interstício mínimo em graduação inferior, e foi aplicada ao
concurso em questão, embora sua edição seja posterior à
abertura do concurso.
4. Ademais, a jurisprudência do STJ, no tocante aos
concursos públicos, é no sentido de que a finalização do
certame não induz à perda do objeto. Afinal, se o combate se
dá contra potencial ilegalidade praticada, a mera revogação
do ato que a determinou não retira, necessariamente, do
mundo jurídico os seus efeitos.
5. Agravo Interno não provido' (STJ, AgInt no RMS 47.434/GO, Rel.
Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de
11/10/2016).
'ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. SERVIDOR PÚBLICO
ESTADUAL. MILITAR. PROMOÇÃO. REVOGAÇÃO DO ATO
COATOR. INEXISTÊNCIA DE PERDA DO OBJETO. DANO
JURÍDICO PRODUZIDO E FIRMADO. PRECEDENTES.
IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DO MÉRITO DA
CONTROVÉRSIA. INAPLICABILIDADE DO ART. 515, § 3º, DO
CPC. PRECEDENTE DO STF.
1. Recurso ordinário interposto contra o acórdão que
consignou ter havido perda do objeto da impetração em
razão da revogação da Portaria 3.703/2013 da Polícia Militar
do Estado de Goiás pela Portaria 4.150/2014; o tema de fundo
está relacionado com pretensão de promoção.
2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, no
tocante aos concursos públicos, se infere que a finalização
do certame não induz à perda do objeto; mesmo a revogação
do ato coator não retira, necessariamente, do mundo jurídico
os efeitos por ele criados e, assim, não obriga à perda do
objeto. Precedentes: AgRg no AgRg no RMS 18.444/SC, Rel.
Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe 3.2.2014;
AgRg no RMS 29.747/AC, Rel. Ministro Campos Marques
(Desembargador convocado do TJ/PR), Quinta Turma, DJe
26.8.2013; RMS 31.505/CE, Rel. Ministra Maria Thereza de
Assis Moura, Sexta Turma, DJe 27.8.2012; RMS 35.020/GO,
Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe
22.6.2012; e RMS 34.717/DF, Rel. Ministro Mauro Campbell
Marques, Segunda Turma, DJe 1º.12.2011.
3. As questões concernentes ao mérito do recurso não podem ser
apreciadas, uma vez que é vedada a supressão de instância, nos
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termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Inaplicável
o disposto no art. 515, § 3º, do Código de Processo Civil.
Precedente: RE 621.473/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, Primeira
Turma, julgado em 23.11.2010, publicado no DJe em 23.3.2011,
Ementário vol. 2.487-02, p. 255, LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, pp.
418-424.
4. Deve ser superada decretada perda de objeto e, por
conseguinte, devem retornar os autos para que a Corte de origem
aprecie o mérito da impetração.
Agravo regimental improvido' (STJ, AgRg no RMS 47.232/GO, Rel.
Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de
01/12/2015).
Ante o exposto, com fulcro no art. 557, § 1º-A, do CPC/73 - vigente à
época –, dou parcial provimento ao Recurso Ordinário, para que seja
superada a preliminar de perda de objeto, determinando a remessa dos
autos à Corte de origem para apreciação do mérito como entender de
direito" (fls. 295/301e).
Inconformada, sustenta a parte agravante que:
"11. O ato que obstou a impetrante de alçar patente superior é a Portaria
n°. 3703, que foi editada pelo impetrado com critérios contrários à lei de
regência de promoção de praças. A publicação da Portaria n.°
004410/14 (que dispôs sobre a referida promoção) é fruto do resultado
do processo seletivo de ascensão dos policiais, que em nada contrariou
o direito líquido e certo da autora.
12. Argumenta que a lei 18.287/2013 de 30/12/2013 não pode atingi-la
por ser posterior ao feito. Porém não merece guarida a pretensão, pois
uma vez invalidado o ato coator não mais subsiste a pretensa ilegalidade
ou abusividade a justificar o prosseguimento da ação mandamental, não
tendo o condão de aniquilar a assertiva a tese de inaceitável
retroatividade da lei nova, até porque realizado o certame em fevereiro
de 2014 e publicada a Lei estadual n.° 18.287 em 30 de dezembro de
2013.
13. Em outros termos, as promoções previstas para 25 de dezembro de
2013 foram adiadas e efetivamente realizadas após a vigência do novel
normativo e por ele disciplinadas, não se tratando, portanto, de ato
vinculado aos ditames do diploma legal anterior.
14. O ato impugnado (Portaria n°. 3703) foi revogado pela autoridade
coatora, por meio da edição da Portaria n°. 4150 de 10 de dezembro de
2013 e, por isso, a Corte Regional vem reiteradamente extinguindo as
ações mandamentais em que discutida a legalidade da Portaria n.°
Documento: 79481479 - RELATÓRIO E VOTO - Site certificado Página 8 de 15
3703/2013 da Polícia Militar do Estado de Goiás. Senão, veja-se
Ementa: AGRAVO REGIMENTAL. EXTINÇÃO DA AÇAO
MANDAMENTAL POR SUPERVENIENTE PERDA DO OBJETO.
PORTARIA N.° 3703/2013 DO COMANDANTE-GERAL DA POLICIA
MILITAR - REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE DE LEI NOVA -
INOCORRÊNCIA.
i - Revogado o ato coator, Portaria n.° 3703/2013, disciplinadora do
certame de promoções de praças da Polícia Militar do Estado de
Goiás que se realizaria em 25/12/2013, impõe-se a extinção da
ação mandamental em que questionada sua legalidade pela
superveniente perda de objeto, não sendo o caso de retroatividade
de lei, porquanto efetivado o certame após a vigência do novel
diploma legal, Lei estadual n.° 18.287 de 30 de dezembro de 2013.
2 - Regimental desprovido. (TJGO, Mandado de Segurança
437468- 53.2013.8.09.0000, [Link]. Beatriz Figueiredo Franco, 3
Câmara Cível, DJe 1531 de 29/04/2014). (Grifou-se)
Ementa: MANDADO DE SEGURANÇA. PROMOÇÃO DE PRAÇAS
DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE GOIÁS. EXIGÊNCIA DE
INTERSTICIO MÍNIMO PREVISTO NA PORTARIA N. 3703.
REVOGAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO. PERDA DO OBJETO.
EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO.
EXEGESE DO ARTIGO 195 DO REGIMENTO INTERNO DO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS. Constatada a
inutilidade do provimento pretendido no writ, ante a revogação da
portaria considerada ilegal pelo impetrante, impõe-se o
reconhecimento da perda do objeto da pretensão, por
prejudicialidade, situação que conduz à extinção do mandado de
segurança. MANDADO DE SEGURANÇA EXTINTO SEM
RESOLUÇAO DO MERITO. (TJGO, Mandado de Segurança
417533-27.20i3.8.09.0000, Rel. Des. Sandra Regina Teodoro Reis,
6 Câmara Cível, DJe 1528 de 24/04/2014).
15. Por todo exposto, não há que se falar em descompasso com o
entendimento do STJ, devendo a r. decisão ser reformada, tendo em
vista que a decisão do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás foi
acertada" (fls. 317/319e).
Impugnação da parte agravada, a fls. 324/335e, pelo improvimento do recurso.
É o relatório.
Documento: 79481479 - RELATÓRIO E VOTO - Site certificado Página 9 de 15
AgInt no RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA Nº 47.431 - GO (2015/0014371-1)
VOTO
MINISTRA ASSUSETE MAGALHÃES (Relatora): Sem razão a parte
recorrente.
Ao que se tem dos autos, trata-se de Mandado de Segurança, impetrado por
policial militar do Estado de Goiás, ao fundamento de que – como consta do relatório da
decisão monocrática, mantida pelo acórdão recorrido –, "diante da Portaria n° 003703,
expedida pela autoridade coatora, normatizando a seleção interna para promoção por
merecimento ou antiguidade na carreira de praças, a impetrante, que não possui interstIcio
constante no ato administrativo em apreço, não teve, até a presente data, sua ficha
enviada para o órgão competente para ser analisada, restando excluída do quadro de
acesso para concorrer à promoção referente a 25 de janeiro de 2013, embora a
pontuação constante em sua ficha funcional garanta sua promoção pelo critério de
merecimento, uma vez que o último convocado tem pontuação inferior" (fl. 149e).
O Tribunal de origem extinguiu o feito, por entender que, "tendo a Portaria n°
3703/2013 sido revogada pelo Comandante Geral da Polícia Militar do Estado de Goiás, resta
prejudicada a pretensão esposada no presente mandamus, consubstanciada no recebimento
de fichas funcionais pela autoridade coatora, para análise e preenchimento da ficha de
pontuação, sem a exigência do intersticio mínimo de serviço para concorrer à promoção, ante
a perda de seu objeto, nos termos do artigo 195 do Regimento Interno desta Corte, c/c artigo
6°, § 5°, da Lei n° 12.016/2009, c/c artigo 267, VI, do CPC, carecendo, pois, a ação
mandamental de interesse de agir, em virtude da ausência de interesse processual
superveniente, devendo ser extinto o feito, sem resolução do mérito" (fls. 176/177e).
Sem razão, contudo.
Com efeito, a matéria não é nova nesta Corte, restando firmada no sentido de
que "a revogação da Portaria 3.703/2013 não esvai a controvérsia jurídica, já que cuida
da inscrição do candidato no processo seletivo, e não de sua efetiva promoção. O
direito líquido e certo não fica superado pela retirada do mundo jurídico da citada
norma infralegal. Isso porque a Lei 18.287/2013, que revogou a Portaria, manteve a
exigência de interstício mínimo em graduação inferior, e foi aplicada ao concurso em
questão, embora sua edição seja posterior à abertura do concurso" (STJ, AgInt no
RMS 47.434/GO, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de
11/10/2016).
A propósito:
"ADMINISTRATIVO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE
SEGURANÇA. POLÍCIA MILITAR. CONCURSO INTERNO. PROMOÇÃO
DE PRAÇA. PORTARIA 3.703/13/PMGO, REVOGADA. PERDA
SUPERVENIENTE DO OBJETO.
Documento: 79481479 - RELATÓRIO E VOTO - Site certificado Página 10 de 15
INEXISTÊNCIA.
1. Cuida-se, na origem, de Mandado de Segurança interposto
contra ato do Comandante-Geral da Polícia Militar do Estado de
Goiás, consistente na edição da Portaria 3.703/2013, que
determina o cumprimento de interstícios mínimos para inscrição
do servidor militar em processo seletivo para promoção de
praças previstas para 25 de dezembro de 2013.
2. O impetrante teve negada a sua participação no certame, pois
não teria tempo suficiente, nos termos definidos na Portaria
3.703/2013 da Polícia Militar do Estado de Goiás. O Tribunal de
origem extinguiu o feito mandamental ante a perda superveniente
do objeto da impetração.
3. A revogação da Portaria 3.703/2013 não esvai a controvérsia
jurídica, já que cuida da inscrição do candidato no processo
seletivo, e não de sua efetiva promoção. O direito líquido e certo
não fica superado pela retirada do mundo jurídico da citada norma
infralegal. Isso porque a Lei 18.287/2013, que revogou a Portaria,
manteve a exigência de interstício mínimo em graduação inferior,
e foi aplicada ao concurso em questão, embora sua edição seja
posterior à abertura do concurso.
4. Ademais, a jurisprudência do STJ, no tocante aos concursos
públicos, é no sentido de que a finalização do certame não induz à
perda do objeto. Afinal, se o combate se dá contra potencial
ilegalidade praticada, a mera revogação do ato que a determinou
não retira, necessariamente, do mundo jurídico os seus efeitos.
5. Agravo Interno não provido" (STJ, AgInt no RMS 47.434/GO, Rel.
Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 11/10/2016).
"PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO
RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CÓDIGO DE
PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. ARGUMENTOS
INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA.
EVENTUAL ILEGALIDADE. HOMOLOGAÇÃO DO CERTAME. PERDA
DE OBJETO. INOCORRÊNCIA. RECURSO PROVIDO.
I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada
em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da
publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu,
aplica-se o Código de Processo Civil de 2015.
II - O acórdão recorrido está em confronto com a orientação desta
Corte, segundo a qual não se configura a perda de objeto do
mandado de segurança o fato do certame já ter sido homologado
pela autoridade competente, porquanto se o mandamus insurge
contra eventual ilegalidade praticado pelo ato coator sua
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revogação não retira do mundo jurídico os efeitos dele
decorrente.
III - O Agravante não apresenta, no agravo, argumentos suficientes para
desconstituir a decisão recorrida.
IV - Agravo Interno improvido" (STJ, AgInt no RMS 47.454/GO, Rel.
Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe de
23/06/2016).
"ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. SERVIDOR PÚBLICO
ESTADUAL. MILITAR. PROMOÇÃO. REVOGAÇÃO DO ATO COATOR.
INEXISTÊNCIA DE PERDA DO OBJETO. DANO JURÍDICO PRODUZIDO
E FIRMADO. PRECEDENTES. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DO
MÉRITO DA CONTROVÉRSIA. INAPLICABILIDADE DO ART. 515, § 3º,
DO CPC. PRECEDENTE DO STF.
1. Recurso ordinário interposto contra o acórdão que consignou
ter havido perda do objeto da impetração em razão da revogação
da Portaria 3.703/2013 da Polícia Militar do Estado de Goiás pela
Portaria 4.150/2014; o tema de fundo está relacionado com
pretensão de promoção.
2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, no tocante
aos concursos públicos, se infere que a finalização do certame
não induz à perda do objeto; mesmo a revogação do ato coator
não retira, necessariamente, do mundo jurídico os efeitos por ele
criados e, assim, não obriga à perda do objeto. Precedentes: AgRg
no AgRg no RMS 18.444/SC, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta
Turma, DJe 3.2.2014; AgRg no RMS 29.747/AC, Rel. Ministro Campos
Marques (Desembargador convocado do TJ/PR), Quinta Turma, DJe
26.8.2013; RMS 31.505/CE, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura,
Sexta Turma, DJe 27.8.2012; RMS 35.020/GO, Rel. Ministro Humberto
Martins, Segunda Turma, DJe 22.6.2012; e RMS 34.717/DF, Rel. Ministro
Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 1º.12.2011.
3. As questões concernentes ao mérito do recurso não podem ser
apreciadas, uma vez que é vedada a supressão de instância, nos termos
da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Inaplicável o disposto no
art. 515, § 3º, do Código de Processo Civil. Precedente: RE 621.473/DF,
Rel. Min. Marco Aurélio, Primeira Turma, julgado em 23.11.2010,
publicado no DJe em 23.3.2011, Ementário vol. 2.487-02, p. 255,
LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, pp. 418-424.
4. Deve ser superada decretada perda de objeto e, por conseguinte,
devem retornar os autos para que a Corte de origem aprecie o mérito da
impetração.
Agravo regimental improvido" (STJ, AgRg no RMS 47.232/GO, Rel.
Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 01/12/2015).
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"ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. SERVIDOR PÚBLICO
ESTADUAL. MILITAR. PROMOÇÃO. REVOGAÇÃO DO ATO COATOR.
INEXISTÊNCIA DE PERDA DO OBJETO. DANO JURÍDICO PRODUZIDO
E FIRMADO. PRECEDENTES. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DO
MÉRITO DA CONTROVÉRSIA. INAPLICABILIDADE DO ART. 515, § 3º,
DO CPC. PRECEDENTE DO STF. PARCIAL PROVIMENTO. RETORNO
À ORIGEM.
1. Cuida-se de recurso ordinário interposto contra acórdão no
qual foi reconhecida a perda de objeto em razão da revogação do
ato indicado como coator pela autoridade. No mérito, o recorrente
postula o direito de participar de processo seletivo para
promoção de praças e alegava que a restrição firmada na Portaria
n. 3.703/2013 seria ilegal.
2. O Tribunal de origem considerou ter havido perda do objeto,
uma vez que a autoridade editou Portaria posterior, após
finalizado o processo de inscrição, com o fito somente de revogar
a primeira.
3. O recorrente foi inscrito no certame por meio de liminar e, assim,
decretar a perda do objeto do recurso induziria sua exclusão do certame,
sem que sejam apreciados os argumentos sobre a aventada ilegalidade,
subtraindo a apreciação de mérito do Poder Judiciário.
A jurisprudência é pacífica no sentido de que o encerramento de
concursos públicos não induz à perda de objeto. Precedentes:
AgRg no AgRg no RMS 18.444/SC, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz,
Sexta Turma, DJe 3.2.2014; AgRg no RMS 29.747/AC, Rel. Ministro
Campos Marques (Desembargador convocado do TJ/PR), Quinta Turma,
DJe 26.8.2013; RMS 31.505/CE, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis
Moura, Sexta Turma, DJe 27.8.2012; RMS 35.020/GO, Rel. Ministro
Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 22.6.2012; e RMS 34.717/DF,
Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 1º.12.2011.
4. As questões concernentes ao mérito do recurso não podem ser
apreciadas, uma vez que é vedada a supressão de instância, nos termos
da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Inaplicável o disposto no
art. 515, § 3º, do Código de Processo Civil. Precedente: RE 621.473/DF,
Rel. Min. Marco Aurélio, Primeira Turma, julgado em 23.11.2010,
publicado no DJe em 23.3.2011, Ementário vol. 2.487-02, p. 255,
LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, pp. 418-424.
5. Deve ser superada a preliminar de perda do objeto e, por conseguinte,
devem retornar os autos para que a Corte de origem aprecie o mérito da
impetração.
Recurso ordinário parcialmente provido" (STJ, RMS 46.177/GO, Rel.
Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 17/11/2014).
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Como restou esclarecido na inicial do writ, o ato impugnado, que fere direito
líquido e certo da autora, e o "de impedir que a impetrante participe da seleção interna para a
promoção referente a 25 de dezembro de 2013 sob o argumento que não preenche requisito
temporal não previsto em Lei no sentido formal, mas tão somente em Portaria editada pelo
Exmo. Comandante Geral da PMGO" (fl. 9e).
Formulou a impetrante, na inicial, assim, os seguintes pedidos:
"LIMINARMENTE
A concessão de LIMINAR inaudita altera pars, para determinar a douta
autoridade impetrada que providencie:
a) a imediata remessa da ficha funcional (ficha individual de
alteração) da impetrante à Comissão de Promoção de Praças
(CPP) para análise e preenchimento da Ficha de Pontuação
visando a seleção interna para promoção pelo critério de
merecimento na carreira de praças da Polícia Militar do Estado de
Goiás;
b) a convocação da impetrante para submissão à Inspeção da
Junta Médica e ao Teste de Avaliação Física ( TAF );
c) a inclusão do nome da impetrante no quadro de acesso para
concorrer à promoção por merecimento na carreira de Praças
PMGO referente a 25 de dezembro de 2013.
(...)
NO MÉRITO
a) seja confirmada a liminar em todos os seus termos, para convalidar a
participação da impetrante no processo seletivo interno para a
promoção referente a 25 de dezembro de 2013 (a analise da ficha
funcional/preenchimento da Ficha de Pontuação e convocação para a
Inspeção da Junta Médica e Teste de Avaliação Física), e uma vez tendo
alcançando classificação dentro do número de vagas existentes na
graduação almejada seja promovido por merecimento a contar de 25 de
dezembro de 2013, obedecendo, rigorosamente, a ordem de
classificação, notificando-se imediatamente a autoridade impetrada para
o devido cumprimento" (fls. 17/18e).
Como esclarece a agravada "não há falar em perda superveniente do objeto do
presente mandamus, pois a anulação da Portaria nº 3703/13 por outra de nº 4150, de 10 de
dezembro de 2013, não alterou a situação concreta dos agravados, mormente porque o óbice
à inscrição no processo seletivo de promoção de praças da corporação do Estado de Goiás,
ocorrida em 25 de dezembro de 2013, ainda perdura, ensejando, de tal forma, apenas a
incidência da legislação vigente, qual seja, a Lei nº 17.866/12", que, vigendo à época da
inscrição ao certame, não exigia o interstício mínimo para a inclusão do militar no quadro de
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acesso, informando a inicial que "a impetrante, que não possui interstício constante no ato
administrativo em apreço, não teve, até a presente data, sua ficha enviada para o douto órgão
colegiado pela Base Administrativa, conforme prevê o cronograma lançado no art. 6° da
Portaria, sendo assim sua ficha não foi analisada restando a impetrante excluído do quadro
de acesso – divulgado em 03 de janeiro p.p (cf. doc. n° 06) – para concorrer à promoção
referente a 25 de dezembro de 2013, embora a pontuação constante em sua ficha individual
garanta sua promoção pelo critério de merecimento, uma vez que o último convocado tem
pontuação inferior" (fl. 4e).
Bem esclarece o assunto o parecer ministerial, exarado a fls 287/293e, com a
seguinte ementa:
"ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. Mandado de segurança.
Policial Militar. Promoção. Critérios. Lei nºs 15.704/2006, 17.866/2012 e
18.287/2013, do Estado de Goiás. Portarias nºs 3.703/2013 e
4.510/2013, da PM/GO. Writ julgado extinto por perda de objeto.
Incorreta aplicação do direito. Recurso Ordinário. Além de a Portaria nº
4.150/2003, que revogou a Portaria nº 3.703/2013, ter restabelecido os
critérios combatidos na presente impetração, a Lei nº 18.287, de
30.12.2013, uma das leis que fundamentaram os critérios para a
promoção dos praças da PM/GO e que também é atacada pela ora
Recorrente, é um ato editado posteriormente a 25.12.2013, data
estipulada para a pleiteada promoção. Além do mais, no caso de
homologação do concurso público, não há perda de objeto do mandado
de segurança impetrado com objetivo de discutir ilegalidade em
determinada fase do certame, como na presente hipótese. Precedente.
Recurso ordinário que deve ser provido para que os autos retornem à
Corte de origem a fim de que seja apreciado o mérito do mandado de
segurança" (fl. 287e).
Assim sendo, firme nos precedentes do STJ sobre a matéria, e inexistindo
novos fundamentos, capazes de modificar a decisão ora combatida, deve ela ser mantida,
em sua integralidade.
Ante o exposto, nego provimento ao Agravo interno.
É como voto.
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