0% acharam este documento útil (0 voto)
2 visualizações15 páginas

Document 2

O documento aborda simetrias e leis de conservação na mecânica clássica e quântica, discutindo a importância das constantes de movimento e os teoremas de Noether. Ele explora o formalismo Hamiltoniano e as representações de Schroedinger, Heisenberg e Dirac, além de teoremas de conservação relacionados a translações e rotações. O material é baseado em notas de aula do autor durante seu estágio de docência na UFG.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
2 visualizações15 páginas

Document 2

O documento aborda simetrias e leis de conservação na mecânica clássica e quântica, discutindo a importância das constantes de movimento e os teoremas de Noether. Ele explora o formalismo Hamiltoniano e as representações de Schroedinger, Heisenberg e Dirac, além de teoremas de conservação relacionados a translações e rotações. O material é baseado em notas de aula do autor durante seu estágio de docência na UFG.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Simetrias e Leis de Conservação

Rafael do Lago∗

Este material foi produzido a partir das minhas notas de aula durante meu estágio
de docência de doutorado na disciplina de Mecânica Quântica II da UFG, ao longo do
semestre 2026/1.

Sumário
1 Simetrias em Mecânica Clássica 1
1.1 Constantes de movimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1
1.1.1 Qual é a importância das constantes de movimento? . . . . . 3
1.2 Translações e Rotações Infinitesimais . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
1.2.1 Translação rígida . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.2.2 Rotação rígida . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.3 Teoremas de Conservação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
1.4 Teorema de Noether . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
1.4.1 Teorema de Noether Generalizado . . . . . . . . . . . . . . . 8

2 Pré-Quantização: o Formalismo Hamiltoniano 8


2.1 Transformações Canônicas e Funções Geradoras . . . . . . . . . . . . 9
2.2 Parêntesis de Poisson . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
2.2.1 Propriedades Algébricas dos Parêntesis de Poisson . . . . . . 11
2.3 Transformações canônicas infinitesimais . . . . . . . . . . . . . . . . 11
2.3.1 Constantes de Movimento e Teorema de Poisson . . . . . . . 12

3 Simetrias em Mecânica Quântica 12


3.1 Representações de Schroedinger, Heisenberg e Dirac . . . . . . . . . . 13
3.2 Teorema de Ehrenfest . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
3.2.1 Representação de Heisenberg . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
3.2.2 Representação de Schroedinger . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
3.2.3 Variações em Mecânica Quântica . . . . . . . . . . . . . . . . 14

1 Simetrias em Mecânica Clássica


1.1 Constantes de movimento
Constantes de movimento são grandezas físicas conservadas, ou seja, são quanti-
dades associadas a um sistema mecânico que não mudam de valor durante a evolução
dinâmica do sistema.
• São sinônimos: constante de movimento, integral primeira e integral.
∗ dolago@[Link]/[Link]@[Link]

1
→ Matematicamente, uma cte. de movimento de um sistema mecânico é uma função
f das coordenadas generalizadas e, eventualmente, do tempo. Essa função permanece
constante durante todo o movimento do sistema:
df
= 0, (1)
dt
ou
f (~q, ~q˙, t) = cte. (2)
→ Exemplo: considere um oscilador harmônico simples unidimensional, cuja La-
grangiana é
mẋ2 mω 2 2
L(x, ẋ) = − x , (3)
2 2
onde m e ω são a massa e a frequência de oscilação de uma partícula, respectivamente.
A equação de movimento do sistema é dada por
 
d ∂L ∂L
− = 0, (4)
dt ∂ ẋ ∂x

d
⇒ (mẋ) + mω 2 x = 0
dt

⇒ ẍ = −ω 2 x. (5)
Agora considere uma quantidade física f , associada ao oscilador, dada por
 ωx 
f (x, ẋ, t) = tan−1 − ωt. (6)

A função f é constante de movimento:
df ∂f dx ∂f dẋ ∂f
= + +
dt ∂x dt ∂ ẋ dt ∂t 
ωx
ω ẋ2
=  ωx 2 −  ωx 2 ẍ − ω
1+ 1+
ẋ ẋ
1 h ωx i
=  ωx 2 ω − 2 ẍ − ω

1+
ẋ 
ω  ωx 2 
=  ωx 2 1 + −ω

1+

= 0, (7)

onde usamos a Eq. (5) entre a terceira e a quarta linha. A equação (7) mostra que f é
uma constante de movimento.

2
1.1.1 Qual é a importância das constantes de movimento?
• Elas produzem equações diferenciais de primeira ordem que nos dão infor-
mações importantes a respeito da evolução temporal do sistema;
• Elas nos permitem extrair informações exatas para problemas em que a solução
das eqs. de movimento são é possível.

→ Def.: seja L(~q, ~q˙, t) a Lagrangiana de um sistema com N graus de liberdade. A


quantidade pk , definida por
∂L
pk ≡ ; 1 ≤ k ≤ N, (8)
∂ q̇k
é chamada de momento canonicamente conjugado à coordenada qk .

→ Exemplo: considere a Lagrangiana de uma partícula de massa m sujeita a um


potencial V no espaço tridimensional:
m 2
L= (ẋ + ẏ 2 + ż 2 ) − V (x, y, z), (9)
2
∂L ∂L ∂L
⇒ px = = mẋ ; py = = mẏ ; pz = = mż, (10)
∂ ẋ ∂ ẏ ∂ ż
⇒ p~ = m(ẋ, ẏ, ż) é o momento linear da partícula. (11)

CUIDADO: NEM SEMPRE ISSO É VERDADE!

Verifique que, na presença de um campo eletromagnético, a lagrangiana de


uma partícula de massa m carregada com carga %, dada por
m˙2 %
L= ~r − %φ(~r, t) + ~r˙ · A(~
~ r, t),
2 c
não tem momentos conjugados equivalentes às componentes do momento lin-
ear.

→ Def.: se a Lagrangiana de um sistema não contém uma dependência em qk


(mesmo que dependa de q̇k ), então qk é chamada de coordenada cíclica.

→ Consideremos uma Lagrangiana L(~q, ~q˙, t) com N graus de liberdade. Seja 1 ≤


k ≤ N . Vamos explorar o caso de um sistema que seja independente de qk . Assim, a
eq. de movimento do k–ésimo grau de liberdade fica
 
d ∂L ∂L dpk
− = −0
dt ∂ q̇k ∂qk dt
= 0, (12)

⇒ pk = cte. (13)
→ Exemplo: a lagrangiana de uma partícula de massa m sujeita a um potencial V
é, em coordenadas esféricas,
m 2 
L= ṙ + r2 θ̇2 + r2 ϕ̇2 sin2 θ − V (r). (14)
2

3
Vemos que a Lagrangiana da Eq. (15) é independente da coordenada ϕ. Conse-
quentemente, ϕ é cíclica e pϕ é constante de movimento.

∂L
pϕ = = mr2 ϕ̇ sin2 θ, (15)
∂ ϕ̇
que é a componente z do momento angular da partícula.

→ Def.: se qk é coordenada cíclica, a Lagrangiana é dita invariante sob o deslo-


camento de qk .
• Deslocamentos em coordenadas cíclicas de posição: translações.
• Deslocamentos em coordenadas cíclicas angulares: rotações.

→ Assim, se a componente px do momento conjugado é conservado, dizemos que é


consequência da invariância de L frente a translações ao longo da coordenada
x.
→ Analogamente, a dizemos que a conservação da componente `z = pϕ do momento
angular é consequência da invariância de L frente a rotações em torno do eixo z.

1.2 Translações e Rotações Infinitesimais


O movimento de um sistema físico é descrito pela Lagrangiana, que é parametrizada
em termos das coordenadas e velocidades generalizadas (~q, ~q˙). Tomemos ~q = (~r1 , ~r2 , . . . , ~rN )
e ~q˙ ≡ ~v = (~v1 , ~v2 , . . . , ~vN ), com ~rk e ~vk tridimensionais. Agora façamos a seguinte
translação infinitesimal nas posições e velocidades:
(
~rk 7→ ~rk 0 = ~rk + δ~rk
. (16)
~vk 7→ ~vk 0 = ~vk + δ~vk

Podemos escrever a variação da Lagrangiana como

δL = L(~r 0 , ~v 0 , t) − L(~r, ~v , t)
= L(~r + δ~r, ~v + δ~v , t) − L(~r, ~v , t). (17)

Por outro lado, podemos utilizar a regra da cadeia:


N     
X ∂L ∂L
δL = · δ~rk + · δ~vk , (18)
∂~rk ∂~vk
k=1

∂L ∂L ∂L ∂L ∂L ∂L ∂L ∂L
onde ≡ x̂ + ŷ + ẑ e ≡ x̂ + ŷ + ẑ
∂~rk ∂xk ∂yk ∂zk ∂~vk ∂vxk ∂vyk ∂vzk

4
1.2.1 Translação rígida
Uma translação rígida do sistema de partículas consiste num mesmo deslocamento n̂
de todas as partículas do sistema de tal modo que as posições relativas das partículas
permaneçam inalteradas, bem como suas velocidades. Nesse caso:

δ~ri = n̂ , δ~vi = 0 , (translações) (19)

Figura 1: translação rígida de um sistema de partículas.

1.2.2 Rotação rígida


Uma rotação rígida do sistema de partículas consiste numa rotação de todos os vetores
do sistema de um mesmo ângulo δϕ em torno de um eixo definido pelo vetor unitário
n̂. A Figura 2 ilustra a rotação rígida de uma partícula, e nos permite afirmar que δ~ri =
ri sin θδϕ, que tem a mesma relação funcional do módulo de um produto vetorial.
Assim definimos δ ϕ ~ ≡ n̂δϕ, que resulta para as posições e velocidades:

~ × ~vi , (rotações)
~ × ~ri , δ~vi = δ ϕ
δ~ri = δ ϕ (20)

Figura 2: rotação rígida de um sistema de partículas

onde δϕ é o parâmetro infinitesimal associado à rotação.

5
1.3 Teoremas de Conservação
→ Teorema 1: todo sistema mecânico descrito por uma Lagrangiana L = T − V ,
cujo potencial independe das velocidades, tem seu momento linear total conservado
se L é invariante por uma translação.
• Demonstração: pela Eq. (18), temos que:
N     
X ∂L ∂L
δL = · δ~rk + · δ~vk
∂~rk ∂~vk
k=1
= 0, (21)

pois δL é invariante. Assim, pelas equações (19), temos


N
X ∂L
0= · (n̂)
∂~ri
k=1
N
X ∂L
= n̂ ·
∂~ri
k=1
N
X dp~k
= n̂ ·
dt
k=1
"
N
#
d X
= n̂ · p~k . (22)
dt
k=1

Para  arbitrário, o único jeito da Eq. (22) ser verdade é se

n̂ · P~ = 0, (23)

onde P~ = k p~k é o momento linear total do sistema. Uma vez que a translação
P
ocorre em uma direção arbitrária, a equação (23) é verdade para n̂ = x̂, n̂ = ŷ
e n̂ = ẑ. Assim, Px , Py e Pz (as componentes x, y e z do momento linear do
sistema) são constantes e, consequentemente, P~ é constante de movimento.

UTILIZANDO O RACIOCÍNIO DO TEOREMA ANTERIOR, MOSTRE


QUE

Teorema: todo sistema mecânico descrito por uma Lagrangiana L = T − V ,


cujo potencial independe das velocidades, tem seu momento angular total
conservado se L é invariante por uma rotação.

6
MOSTRE A CONSERVAÇÃO DA ENERGIA

Teorema: se a Lagrangiana de um sistema não depende explicitamente do


tempo, a função energia h do sistema,
N
X ∂L
h= q̇k − L,
∂ q̇k
k=1

é uma constante de movimento, frequentemente chamada de integral de Ja-


cobi.

1.4 Teorema de Noether


Na dinâmica Lagrangiana a conexão geral entre propriedades de simetria (invariân-
cia) e leis de conservação é estabelecida por um importante teorema devido a Emmy
Noether (1918). Esse teorema contem como casos particulares rodos os resultados dis-
cutidos ao longo deste capítulo.
Sejam X e Ψi funções conhecidas de n + 1 variáveis reais e seja  um parâmetro
infinitesimal arbitrário. Considere a transformação infinitesimal

0
t 7→ t = t + X(q(t), t),

(24)
0

qi (t) 7→ qi (t) = qi (t) + Ψi (q(t), t).

Dizemos que a integral de ação permanece invariante sob esta transformação se


Z t02  0 0
 Z t2  
0 0 dq (t ) 0 dq(t)
∆S = L q (t ), ,t − L q(t), , t dt = 0. (25)
t01 dt0 t1 dt

→ Teorema de Noether. Dado um sistema mecânico com n graus de liberdade, se


a ação é invariante sob a transformação (24) então a quantidade
n
X ∂L
C= (q̇i X − Ψi ) − LX (26)
∂ q̇i
k=1

é constante de movimento, onde L(q, q̇, t) é a Lagrangiana do sistema.


UTILIZANDO O PRINCÍPIO DE HAMILTON, MOSTRE QUE

As equações de movimento derivadas das lagrangianas

dg(q(t), t)
L1 e L2 = L1 +
dt
são as mesmas. Aqui, g é uma função arbitrária das coordenadas e do tempo,
e as Lagrangianas são ditas equivalentes.

7
1.4.1 Teorema de Noether Generalizado
O teorema de Noether admite uma generalização importante que reflete a propriedade
das lagrangianas equivalentes. Suponha que a integral de ação seja quase-invariante
sob a transformação infinitesimal 25, isto é, imagine que exista uma função G(q, t) tal
que
Z t02  0 0
 Z t2    
0 0 dq (t ) 0 0 dq(t) d
∆S = L q (t ), , t dt − L q(t), , t +  G(q(t), t) dt
t01 dt0 t1 dt dt
= 0, (27)
então a quantidade conservada associada à simetria é
n
X ∂L
C= (q̇i X − Ψi ) − LX + G. (28)
∂ q̇i
k=1

As constantes de movimento (26) e (28) são chamadas de carga de Noether ou gerador


da simetria. As leis de conservação fundamentais são casos particulares do teorema
de Noether, o que revela sua generalidade.

2 Pré-Quantização: o Formalismo Hamiltoniano


A dinâmica de um sistema clássico pode também ser descrita pela Hamiltoniana, que
é a Transformação de Legendre da Lagrangiana:
n
X
H(q, p, t) = q̇k pk − L(q, q̇, t). (29)
k=1

A diferencial de H fica
n  
X ∂H ∂H ∂H
dH = dqk + dpk +
∂qk ∂pk ∂t
k=1
n
X ∂L
= [q̇k dpk − ṗk dqk ] − dt, (30)
∂t
k=1

donde tiramos, por comparação:



∂H

 q̇k = ,
∂pk



, k = 1, . . . , n, (31)
∂H


ṗk = − ,


∂qk
que são as equações de Hamilton. Como subproduto da comparação que fizemos,
também temos que
∂H ∂L
=− . (32)
∂t ∂t
O estado de um sistema clássico é representado, em determinado instante, por um
ponto (q, p) no espaço de fase. Se a energia cinética do sistema for puramente quadrática
nas velocidades e a energia potencial for independente das velocidades, então H =
T + V , a função energia do sistema.

8
2.1 Transformações Canônicas e Funções Geradoras
As equações de Lagrange são invariantes sob uma transformação geral de coorde-
nadas, ou seja, elas mantêm sua forma para qualquer que seja a escolha das coorde-
nadas (q,p). Dessa forma, consideremos a transformacão

qk 7→ Qk = Qi (q, p, t)

⇒ H(q, p, t) 7→ K(Q, P, t). (33)

pk 7→ Pk = Pk (q, p, t)

Nós estamos interessados nas transformações inversíveis que preservam a forma de


Hamilton:  ∂K
 Q̇k = ,
∂Pk



, k = 1, . . . , n. (34)
∂K


Ṗk = −

,
∂Pk
Os princípio variacionais para as coordenadas antigas (q, p) e novas (Q, P ) fica:
Z t2 "X n
#
δ pi q̇i − H(q, p, t) dt = 0, (35)
t1 k=1
e " #
Z t2 n
X
δ Pi Q̇i − K(Q, P, t) dt = 0. (36)
t1 k=1
Uma condição suficiente para a validade comum de (35) e (36) é que os respectivos
integrandos difiram pela derivada total, em relação ao tempo, de uma função Φ(q, p, t)
e, consequentemente,
n n
X X dΦ
pi q̇i − H = Pi Q̇i − K + , (37)
dt
k=1 k=1

ou, em forma diferencial:


n
X
(pi dqi − Pi dQi ) + (K − H)dt = dΦ, (38)
k=1

que são as equações que caracterizam as transformações canônicas.

→ Def.: A transformação inversível (33) é dita canônica se, e somente se, existem
funções K(Q, P, t) e Φ(q, p, t) tais que a equação (38) é satisfeita.

→ Def.: a função geradora F1 (q, Q, t) é definida por


F1 (q, Q, t) ≡ Φ(q, p(q, Q, t), t), (39)

∂F1

 pk =
∂qk



⇒ , (40)
∂F

1

 Pk = −


∂Qk

9
e também
∂F1
K(Q, P, t) = H(q, p, t) + . (41)
∂t
Agora, tomemos a seguinte diferencial:
X X X
d Pk Qk = Pk dQk + Qk dPk , (42)
k k k
!
X X X
⇒ − Pk dQk = −d Pk Qk + Qk dPk . (43)
k k k

Colocando a Eq. (43) em (38), ficamos com


X
dF2 = (pk dqk + Qk dPk ) + (K − H)dt, (44)
k

onde a função geradora F2 é definida por


X
F2 (q, P, t) ≡ Pk Qk (q, P, t) + Φ(q, p(q, P, t), t). (45)
k

VERIFIQUE QUE
 ∂F2
 pk =
∂qk



, (46)
Qk = ∂F2



∂Pk
∂F2
K(Q, P, t) = H(q, p, t) + . (47)
∂t

2.2 Parêntesis de Poisson


Seja A(q, p, t) uma variável dinâmica arbitrária, ou seja, uma função qualquer das
variáveis canônicas e do tempo. Então:
n  
dA X ∂A ∂H ∂A ∂H ∂A
= − + . (48)
dt ∂qk ∂pk ∂pk ∂qk ∂t
k=1

Definimos os parêntesis de Poisson entre A e B, relativos às variáveis canônicas


q e p, por
n  
X ∂A ∂B ∂A ∂B
{A, B}q,p ≡ − , (49)
∂qk ∂pk ∂pk ∂qk
k=1

de modo que
dA ∂A
= {A, H}q,p + . (50)
dt ∂t

10
VERIFIQUE QUE AS EQUAÇÕES DE HAMILTON PODEM SER ES-
CRITAS COMO

q̇k = {qk , H}q,p , ṗk = {pk , H}q,p . (51)

→ Teorema: a transformação (q, p) 7→ (Q, P ) é canônica se, e somente se

{Ql , Qm }q,p = {Pl , Pm }q,p = 0 ; {Ql , Pm }q,p = δlm . (52)

2.2.1 Propriedades Algébricas dos Parêntesis de Poisson


Os parêntesis de Poisson têm as seguintes propriedades algébricas:
(P1) Anti-simetria: {A, B} = −{B, A}, donde {A, A} = 0.

(P2) Linearidade: {A+αB, C} = {A, C}+α{B, C}, com α independente de (q, p).
(P3) {AB, C} = A{B, C} + {A, C}B; {A, BC} = {A, B}C + B{A, C}.
(P4) Identidade de Jacobi: {{A, B}, C} + {{B, C}, A} + {{C, A}, B} = 0.
Uma propriedade adicional que merece ser citada é a seguinte: seja λ um parâmetro
qualquer,    
∂ ∂A ∂B
{A, B} = , B + A, . (53)
∂λ ∂λ ∂λ

2.3 Transformações canônicas infinitesimais


Uma transformação canônica infinitesimal é da forma

Qk = qk + δqk ≡ qk + fk (q, p, t)

, (54)

Pk = pk + δpk ≡ pk + gk (q, p, t)

onde  é um parâmetro infinitesimal. Substituindo-se a transformação em (38) a t fixo


(dt = 0), ficamos com
X
[pk dqk − (pk + gk )(dqk + dfk )] = dΦ, (55)
k
X
⇒ [gk dqk + pk dfk ] = −dF, (56)
k

onde desprezamos os termos 2 e definimos F ≡ Φ/. Ao definirmos G ≡


P
k pk fk +
F , ficamos com
δqk = {qk , G}q,p ; δpk = {pk , G}q,p , (57)

e a função G(q, p, t) é chamada de função geradora da transformação canônica in-


finitesimal. De forma geral, uma variável dinâmica genérica u = u(q, p, t) tem sua
variação definida por
δu = {u, G}q,p . (58)

11
2.3.1 Constantes de Movimento e Teorema de Poisson
Tomemos agora u = H e suponha que G não dependa explicitamente do tempo. Neste
caso, a variação de H fica, de acordo com (58),
dG
δH = {H, G} = − , (59)
dt
onde combinamos as equações (58) e (53). Dessa forma, se H é invariante por uma
transformação canônica infinitesimal, então δH = 0 e, consequentemente,

dG
= 0, (60)
dt
ou seja, a função geradora da transformação é constante de movimento. Reciproca-
mente, cada constante de movimento gera uma transformação canônica infinitesimal
que deixa H invariante. Por exemplo, de H não depende de uma determinada variável
ql , então δH = 0 sob a transformação Qk = qk + δkl , cuja função geradora é G = pl .
Logo, pl é constante de movimento.
Uma propriedade importante das constantes de movimento está contida no seguinte
teorema:

→ Teorema de Poisson: os parêntesis de Poisson de duas constantes de movimento


é também uma constante de movimento,
∂F


{F, H} + =0

 ∂t
. (61)
∂G


{G, H} +

=0
∂t
Logo:

d{F, G} ∂{F, G}
= {{F, G}, H} +
dt  ∂t   
∂F ∂G
= {{F, G}, H} + , G + F,
∂t ∂t
= {{F, G}, H} + {{H, F }, G} + {{G, H}, G}
= 0, (62)

onde usamos a identidade de Jacobi (P4) da penúltima para a última linha, comple-
tando a demonstração do teorema.

3 Simetrias em Mecânica Quântica


Na seção anterior, os teoremas de conservação foram deduzidos considerando que as
variáveis dinâmicas carregam consigo uma evolução temporal. O procedimento de

12
quantização canônica consiste, na maioria dos casos de interesse, na substituição dos
parêntesis de Poisson pelos comutadores:


 A 7→ Â

B 7→ B̂ (63)
 1
{A, B} 7→ [Â, B̂]

i~

3.1 Representações de Schroedinger, Heisenberg e Dirac

Representação Estados Operadores Evolução


d |ψS i
Schroedinger Evoluem Fixos i~ = Ĥ |ψS i
dt
dÂH 1 ∂ ÂH
Heisenberg Fixos Evoluem = [ÂH , Ĥ] +
dt i~ ∂t
∂ |ψD i
Dirac/Interação Evoluem com o potencial V̂ Evoluem com Ĥ0 i~ = V̂D |ψD i
∂t

Nós migramos entre as três representações da seguinte forma:

ÂH (t) = e−itĤ/~ ÂS e−itĤ/~ ; |ψH i = eitĤ/~ |ψS (t)i , (64)

Ĥ = Ĥ0 + V̂ ⇒ ÂD (t) = eitĤ0 /~ ÂS e−itĤ0 /~ ; |ψD (t)i = eitĤ0 /~ |ψS (t)i (65)
Vamos agora aplicar o procedimento de quantização canônica à Eq. (50):

dA ∂A d 1 ∂ Â
= {A, H} + ⇒ = [Â, Ĥ] + , (66)
dt ∂t dt i~ ∂t

que é exatamente a evolução temporal do operador  na representação de Heisenberg.

3.2 Teorema de Ehrenfest


3.2.1 Representação de Heisenberg
Na representação de Heisenberg, os estados não dependem do tempo e, assim, pode-
mos sanduichar com hψH | |ψH i a Eq. (66) da seguinte forma:
* +
dhÂi 1 ∂ Â
= h[Â, Ĥ]i + . (67)
dt i~ ∂t

13
3.2.2 Representação de Schroedinger
Na representação de Schroedinger, temos:

dhÂi d
= hψ| Â |ψi
dt dt
d hψ| d d |ψi
= Â |ψi + hψ| |ψi + hψ| Â
dt dt
* + dt
1 ∂ Â 1
= − hψ| Ĥ Â |ψi + + hψ| ÂĤ |ψi
i~ ∂t i~
* +
1 D E ∂ Â
= [Â, Ĥ] + , (68)
i~ ∂t

onde usamos o fato de que as dependências temporais nos operadores da represen-


tação de Schroedinger são expliícitas, e assim escrevemos ddt = ∂∂t . Assim, chegamos
também ao Teorema de Ehrenfest:
* +
dhÂi 1 ∂ Â
= h[Â, Ĥ]i + . (69)
dt i~ ∂t

Caso a quantidade dinâmica de interesse não dependa explicitamente do tempo, o


teorema se reduz a
dhÂi 1 D E
= [Â, Ĥ] , (70)
dt i~
e, consequentemente, se houver conservação de Â, então:

[Â, Ĥ] = 0 . (71)

3.2.3 Variações em Mecânica Quântica


Façamos agora o procedimento de quantização canônica da equação 58:

δ û = [û, Ĝ], (72)
i~

onde Ĝ é o gerador da transformação. Tomemos agora o operador de estado puro do


sistema:
ρ̂ = |ψi hψ| , (73)
Definamos agora um operador M̂ de transformação infinitesimal que atua no estado
do sistema da seguinte forma:

M̂ † ρ̂M̂ ≡ ρ̂ + δ ρ̂

= ρ̂ + [ρ̂, Ĝ]. (74)
i~
Na física fundamental, boa parte das transformações de interesse são unitárias:

M̂ † M̂ = 1. (75)

14
Olhando a Eq. 74, podemos afirmar que M̂ = M̂ (). Expandindo em taylor em torno
de  = 0, temos
! !
dM̂ 2 d2 M̂
M̂ () = M̂ (0) +  + + ...
d d2
=0 =0
= 1 + K̂ + 0, (76)

onde usamos o fato que M̂ (0)ρ̂M̂ † (0) = ρ̂ ⇔ M̂ (0) = 1.


Substituindo a equação (76) em (75), ficamos com

1 = (1 + K̂)(1 + K̂ † )
= 1 + K̂ † + K̂ † + 0
 
=  K̂ + K̂ † + 1 ⇔ K̂ † = −K̂. (77)

Assim,
M̂ () = 1 + K̂


. (78)
M̂ () = 1 − K̂
 †

Logo:
ρ̂M̂ = ρ̂ + ρ̂K̂, ⇒ M̂ † ρ̂M̂ = (1 − K̂)(ρ̂ + ρ̂K̂), (79)

⇒ M̂ † ρ̂M̂ = ρ̂ + ρ̂K̂ − K̂ ρ̂


h i
= ρ̂ +  ρ̂, K̂
 h i
= ρ̂ + ρ̂, i~K̂ . (80)
i~
1
Comparando as equações (74) e (80), concluímos que K̂ = Ĝ e, consequentemente:
i~

i
M̂ () = 1 − Ĝ . (81)
~

O operador M̂ é chamado de operador de simetria.


Consideremos agora um sistema quântico cujo Hamiltoniano é invariante sob o
operador de simetria:

M̂ † Ĥ M̂ = Ĥ ⇒ δ Ĥ = 0 ⇒ [Ĥ, Ĝ] = 0 . (82)

15

Você também pode gostar