TRANSTORNOS
E A TCC
Prof.ª Me. Paula Santana Carvalho
Modelo
Cognitivo
Você sabe o que é?
Transtornos
Ansiosos
Conceitos e técnicas
No cérebro – SN Autônomo
Sistema Nervoso Simpático: prepara o corpo para ação,
liberando energia (adrenalina e noradrenalina) – lutar,
fugir ou congelar. Funciona como “tudo ou nada”, o
corpo todo reage.
Sistema Nervoso Parassimpático: restaura o
corpo ao estado normal, pois o corpo se cansa
de lutar, fugir ou congelar. Promove um
relaxamento.
SITUAÇÃO DE PERIGO REAL OU IMAGINÁRIO
SN SIMPÁTICO
ADRENALINA NORADRENALINA
CORPO PREPARADO PARA LUTAR,
FUGIR OU CONGELAR
ANSIEDADE, PÂNICO
CORPO “CANSA”
SN PARASSIMPÁTICO
ADRENALINA NORADRENALINA
RELAXAMENTO
DSM V-TR
• Mutismo Seletivo
• Transtorno de Pânico
• Agorofobia
• Fobias específicas
• Transtorno de Ansiedade Social (ou fobia social)
• Transtorno de Ansiedade Generalizada
• Transtorno de Ansiedade de Separação
Ataques de pânico
✓ Surtos abruptos de medo e/ou desconforto que atinge o auge em
minutos e são acompanhados por sintomas físicos e cognitivos.
✓ Estão em outras transtornos, para além dos ansiosos, por isso ele
também se torna um especificador.
✓ O paciente precisa satisfazer a exigência de 4 dos 13 sintomas.
✓ A pessoa é afetada entre os episódios: preocupação em ter novo
ataque, parar de realizar atividades cotidianas.
✓ Sintomas com duração mínima de um mês.
Estudo de caso
Maria Greco, uma mulher de 23 anos, foi encaminhada para avaliação
psiquiátrica por seu cardiologista. Nos dois meses anteriores, ela
esteve no pronto-socorro quatro vezes devido a queixas agudas de
palpitações, falta de ar, sudorese, tremores e medo de que estava
prestes a morrer. Cada um desses eventos teve início rápido. Os
sintomas chegaram ao ápice em minutos, deixando-a assustada,
exausta e totalmente convencida de que que havia recém tido um
infarto. As avaliações médicas realizadas logo após esses episódios
revelaram achados normais nos exames físicos, sinais vitais,
resultados laboratoriais, exames toxicológicos e eletrocardiogramas.
A paciente relatou um total de cinco ataques dessa natureza nos três
meses anteriores, sendo que o pânico ocorreu no trabalho, em casa,
enquanto estava dirigindo. Ela desenvolveu um medo persistente de ter
outros ataques, o que a levou a tirar vários dias de folga e a evitar
fazer exercícios, dirigir e beber café. Sua qualidade de sono decaiu,
assim como seu humor. Passou a evitar relacionamentos sociais. Não
aceitava a tranquilização oferecida por amigos e médicos, acreditando
que os exames médicos resultavam negativos porque eram executados
depois da resolução dos sintomas. Continuou a suspeitar que houvesse
algo errado com seu coração e que, sem um diagnóstico preciso,
morreria. Quando teve um ataque de pânico durante o sono, finalmente
concordou em consultar um psiquiatra.
Maria negou história de transtornos psiquiátricos anteriores, exceto
uma ocorrência de ansiedade durante a infância que havia sido
diagnosticado como “fobia de escola”. A mãe da paciente havia
cometido suicídio por meio de overdose quatro anos antes, no contexto
de transtorno depressivo maior (TDM) recorrente. Durante a avaliação
a paciente estava morando com o pai e dois irmãos mais novos. Ela
havia se formado no ensino médio, trabalhava como telefonista e não
estava namorando ninguém. Suas histórias familiar e social, fora do
ocorrido, não acrescentaram nada relevante. Durante o exame, a
aparência da paciente era a de uma jovem ansiosa, cooperativa e
coerente. Ela negou depressão, mas parecia receosa e estava
preocupada em ter uma doença cardíaca. Negou sintomas psicóticos,
confusão e qualquer tipo de pensamento suicida. Sua cognição estava
preservada, o insight era limitado e o julgamento era bom.
Caso de Maria
✓ Maria apresenta (e nomeia) os ataques de pânico.
✓ Apresenta 6 sintomas: palpitações, sudorese, tremores,
sufocamento, dor no peito e medo persistente de morrer.
✓ Preocupação constante em ter um ataque do coração, que a faz
evitar situações e atividades que possam desencadear outro ataque
(coração acelerado): café, atividades físicas...
✓ Histórico: ansiedade e fobia social na infância; mãe com TDM
recorrente; evento traumático da morte da mãe.
✓ Investigar os sintomas depressivos, sensibilidade à ansiedade e
afetividade negativa.
O que fazer?
✓ Lembre-se: ele é abrupto e inesperado, sem causa, “gatilho”,
específica.
✓ Investigue: doenças cardíacas, medicações, fitoterápicos,
substâncias psicoativas, abstinência.
✓
✓ Considere: luta, fuga e congelamento – não precisa envolver de
recursos mentais superiores.
Técnicas a serem utilizadas
✓ Psicoeducação
✓ Reestruturação cognitiva – questionamento de evidências dos
pensamentos para mudar a forma como o paciente se vê, vê o mundo
e o futuro.
✓ Técnicas de relaxamento e distração – treino!!!
• Relaxamento diafragmático
• Relaxamento muscular progressivo
• Respiração controlada (concha)
• Chama o Dr. (Distração e Respiração diafragmática)
✓ Terapia de exposição (habituação ao estresse – “curtir” os sintomas
e não acionar o “botão de liga”.
✓ Dessensibilização
Técnica elaborada por Bernard Rangé
O TAG
✓ Transtorno crônico
✓ Preocupações e ansiedade excessivas
✓ Sofrimento clinicamente significativo
✓ Maioria dos dias
✓ Diversas atividades
✓ 6 meses
✓ Associada a 3 ou mais dos sintomas:
✓ Inquietação, sensação de estar com os nervos à flor da pele,
fadiga, cansaço excessivo, dificuldade de concentração,
“brancos”, irritabilidade, tensão muscular, alterações no sono.
✓ Indivíduos com TAG possuem altas exigências em relação a si e ao
seu desempenho.
✓ Podem ser mais hiper vigilantes e desconfiados nos relacionamento
interpessoais.
✓ São intolerantes à situações ambíguas, pois a incerteza é quase
insuportável.
✓ Fatores principais de sua etiologia: genética, temperamento
vulnerável à ansiedade, ansiedade dos pais, apoio ambiental da
evitação, transmissão da ameaça e de informações de
enfrentamento, e eventos ambientais externos.
✓ É mais comum a distorção cognitiva da catastrofização, mas outras
também são evidentes, como a generalização e abstração seletiva.
✓ São mais rígidos cognitivamente a respeito do que são e de como
deve ser as coisas.
✓ Apresentam mais necessidade de controlar e convencer os outros.
✓ Preveem desfechos negativos aos eventos e isso resulta em
estratégias que se tornam extremamente disfuncionais e confirmam
sua preocupação.
GENÉTICA, NEUROBIOLOGIA, AMBIENTE
INDIVÍDUO VULNERÁVEL AO TAG
PENSAMENTOS INTRUSIVOS NORMAIS
(PREOCUPAÇÕES, DÚVIDAS, IDEIAS)
INTERPRETAÇÃO ERRADA, COMO SENDO
AMEAÇADOR E PERIGOSO
PREOCUPAÇÃO EXCESSIVA
EVITAÇÃO COMPORTAMENTAL E COGNITIVA
ADOECIMENTO (SINTOMAS FÍSICOS)
Ciclo da ansiedade
PENSAMENTO ANSIOSO
BUSCO SEGURANÇA E REDUÇÃO DA
ANGÚSTIA, ANSIEDADE, REAÇÕES
ANSIEDADE DE FORMAS
FISIOLÓGICAS
DISFUNCIONAIS
VALIDO APENAS O LADO
EVITO LIDAR COM A SITUAÇÃO
NEGATIVO/PERIGOSO DAS
(PROCRASTINAÇÃO)
SITUAÇÕES
ME SINTO INSEGURO PARA
RESOLVER O PROBLEMA
Ciclo da ansiedade
“EU NÃO VOU CONSEGUIR FAZER
O QUE ME PEDIRAM”
NÃO PERGUNTAR PARA NINGUÉM MEDO, ANSIEDADE, DOR NO
COMO FAZER ESTÔMAGO
SE EU NÃO FIZER ESSE TRABALHO A
PROCRASTINAÇÃO TEMPO, SEREI DEMITIDA
MAS EU NÃO SEI O QUE DEVE
SER FEITO, NÃO CONSIGO
PENSAR
CONSTRUÇÃO DAS CRENÇAS
SOU
VULNERÁVEL E
FRÁGIL
PRECISO ME
MANTER SEMPRE
NO CONTROLE
O MUNDO É
PERIGOSO
CONSTRUÇÃO DAS CRENÇAS
SOU
VULNERÁVEL E
FRÁGIL
PRECISO ME
MANTER SEMPRE
NO CONTROLE
SE EU NÃO TENHO O
CONTROLE, ENTÃO SOU
FRACO E VULNERÁVEL
QUANDO EU TENHO
TOTAL CONTROLE DA
SITUAÇÃO, ME SINTO
CAPAZ E FORTE PARA O MUNDO É
LIDAR COM ELA PERIGOSO
CONSTRUÇÃO DAS CRENÇAS
SOU
VULNERÁVEL E
FRÁGIL
PRECISO ME
MANTER SEMPRE
NO CONTROLE
SE EU NÃO TENHO O
CONTROLE, ENTÃO SOU
FRACO E VULNERÁVEL
QUANDO EU TENHO
TOTAL CONTROLE DA
SITUAÇÃO, ME SINTO
CAPAZ E FORTE PARA O MUNDO É
LIDAR COM ELA PERIGOSO
INTERVENÇÕES E TÉCNICAS
✓ Mudar o foco da preocupação e ansiedade excessivas
✓ Investigar questões interpessoais e afetivas
✓ Avaliação completa com a entrevista estruturada
✓ Medida de sintomas
✓ Medidas das variáveis (intolerância à incerteza, orientação para
problemas, preocupações)
✓ Medida de depressão
✓ Diferenciar de possíveis outros transtornos
✓ Analisar cuidadosamente o conteúdo das preocupações
✓ Psicoeducação
✓ Automonitoramento
✓ Fusão cognitiva: o mundo e o pensamento é mesma coisa –
desfazê-la
✓ Treino de resolução de problemas
• Identificar e especificar o problema real
• Gerar possíveis soluções
• Avaliar as consequências de cada solução
• Escolher e colocar em prática
• Avaliar os resultados
• Se necessário, modificar algo e colocar em prática novamente
✓ Manejo de tempo por cronogramas
✓ Treino de habilidades sociais
✓ Aprender a lidar com incertezas
✓ Registrar situações que considera que o futuro é incerto para
fazer um experimento. Começar por algo simples e realista,
porque quanto mais bem-sucedido for, maior será a motivação.
✓ Lembrar que enfrentar situações incertas ajudará a rever os
pensamentos catastróficos. Há diferença entre resultado
catastrófico, resultado ideal e resultado possível. Aqui está em
desenvolvimento a confiança, mesmo que ainda haja alguns
riscos.
✓ Questionar evidências
✓ Terapia de exposição à ansiedade – treino de manejo
✓ Lembrar que a ansiedade é normal e que a motivação só virá
depois que agir. Então, não esperar a motivação para tolerar a
incerteza. Encare que ela – administrar o tempo
✓ Prática de mindfulness e relaxamento
✓ Categorização da preocupação em real ou hipotética
✓ Identificação da distorção e reestruturação com pensamentos mais
realistas
✓ Desafiar o pensamento
• A preocupação vai me ajudar mesmo?
• Que conselho você daria a um amigo?
• Como eu poderia lidar com a preocupação se ela acontecesse?
• Quantas vezes eu me enganei no passado ao me preocupar?
• Com o que me preocupei no passado que hoje não me preocupo mais?
✓ Descatastrofização
• Fazer uma estimativa da probabilidade de ocorrer um fato catastrófico (0
a 100%)
• Avaliar as evidências a favor e contra
• Revisar a lista e voltar para a probabilidade
• Avaliar a percepção de controle sobre a ocorrência do evento
• Criar plano de ação para reduzir as chances da catástrofe ocorrer
• Criar um plano de estratégias para caso a catástrofe ocorrer
✓ Higiene do sono
• Dormir apenas o necessário para se sentir descansado (ciclo
circadiano).
• Criar uma rotina de acordar sempre no mesmo horário, independente se
for fim de semana ou não e de ter tido insônia do dia anterior.
• Se tem insônia de noite, recomenda-se evitar tirar qualquer forma de
cochilo durante o dia, pois prejudica o sono da noite.
• Fazer um lanche leve antes da hora de dormir costuma ajudar muitas
pessoas a dormirem.
• Preferencialmente, usar a cama apenas como lugar para dormir (evitar
trabalhar, assistir TV ou mexer no celular).
• Evitar ingerir qualquer tipo de estimulante depois das 18h, como café,
chimarrão, refrigerante e alguns chás.
• Diminuir as luzes da casa perto do horário de dormir.
• Certificar que o lugar de dormir não tem muitos barulhos
• Banhos quentes antes de dormir ajuda a relaxar.
• Evitar atividades estimulantes logo antes de dormir (ver filmes de ação,
mexer no celular ou no computador).
PORTANTO, É ESSENCIAL...
TERAPIA ALIMENTAÇÃO MEDICAMENTO
ADEQUADA
ATIVIDADE SONO
FÍSICA REGULADO
REFERÊNCIAS
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders
(DSM-5). 5. ed. Washington, DC: American Psychiatric Publishing, 2013.
BECK, J. S. Terapia cognitivo-comportamental: teoria e prática. 3. ed. Porto Alegre: Artmed,
2021.
CARVALHO, M.R.; MALAGRAS, L.E.V.; RANGÉ, B. Psicoeducação em Terapia Cognitivo-
Comportamental. Novo Hamburgo: Sinopsys, 2019.
ZAMBOM, L.F.; BORTOLON, C.; ANDRETTA, I. Modelo Cognitivo-Comportamental do Transtorno de
Ansiedade Generalizada in ANDRETTA, I.; OLIVEIRA, M. S. Manual prático de Terapia Cognitivo-
Comportamental. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2011.