0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações10 páginas

1.2. Políticas de Saúde E Acesso A Cuidados 1.2.1 Diretrizes E Humanização Na Assistência Pré-Natal No Sus

O documento aborda a importância da atenção pré-natal na saúde da gestante, destacando a necessidade de informações sobre as vias de parto e a humanização do atendimento no SUS. Também discute as desigualdades regionais no acesso ao pré-natal e suas consequências nos resultados de saúde perinatal, sugerindo a criação de um sistema de referência mais eficiente. A assistência contínua e qualificada é essencial para melhorar os desfechos maternos e neonatais.

Enviado por

coporob976
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações10 páginas

1.2. Políticas de Saúde E Acesso A Cuidados 1.2.1 Diretrizes E Humanização Na Assistência Pré-Natal No Sus

O documento aborda a importância da atenção pré-natal na saúde da gestante, destacando a necessidade de informações sobre as vias de parto e a humanização do atendimento no SUS. Também discute as desigualdades regionais no acesso ao pré-natal e suas consequências nos resultados de saúde perinatal, sugerindo a criação de um sistema de referência mais eficiente. A assistência contínua e qualificada é essencial para melhorar os desfechos maternos e neonatais.

Enviado por

coporob976
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Módulo 01 - Introdução à Atenção Pré-Natal na APS

Capítulo 01 - Gestação e parto: fase da vida reprodutiva - Aspectos culturais, sociais e psicológicos

De acordo com o MS, é fundamental que as informações pertinentes para


subsidiar a escolha da via de parto sejam fornecidas às gestantes desde o pré-natal,
utilizando dados atualizados e de alta qualidade. Essas informações devem destacar
a importância do parto normal e esclarecer as verdadeiras indicações para a
cesariana. Recomenda-se que sejam discutidos os riscos e benefícios de cada via de
parto, garantindo que a gestante participe ativamente nas decisões relacionadas ao
seu processo de parto (Brasil, 2016).
1.2. POLÍTICAS DE SAÚDE E ACESSO A CUIDADOS
1.2.1 DIRETRIZES E HUMANIZAÇÃO NA ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL NO SUS
O SUS estabelece que o pré-natal deve ser iniciado no primeiro trimestre da
gestação e que a gestante realize, no mínimo, sete consultas durante esse período.
Esse modelo de acompanhamento precoce e contínuo é essencial para uma
assistência eficaz, pois permite a realização de exames físicos e laboratoriais
importantes para a detecção de complicações como diabetes gestacional e
hipertensão. Esses exames, aliados a um calendário de consultas regulares,
fortalecem a estratégia de prevenção de riscos e garantem um monitoramento
adequado da saúde da mãe e do bebê ao longo da gravidez (Dias, 2014).
Além da parte técnica, o SUS valoriza a humanização do atendimento durante o
pré-natal, conforme as diretrizes do Programa de Humanização no Pré-Natal e
Nascimento. Esse programa enfatiza a criação de um ambiente acolhedor e seguro
para a gestante, com um atendimento respeitoso e centrado nas suas necessidades
físicas e emocionais. Um vínculo de confiança entre a gestante e a equipe de saúde é
considerado fundamental para a adesão ao pré-natal e para uma experiência
positiva ao longo da gestação, promovendo um cuidado mais completo e
humanizado (Dias, 2014).
1.2.2 DESIGUALDADES REGIONAIS E INTEGRAÇÃO DE CUIDADOS NO PRÉ-NATAL
As disparidades regionais no acesso ao pré-natal e os efeitos dessas desigualdades
nos resultados de saúde perinatal, como a prematuridade e o baixo peso ao nascer,
são temas centrais no estudo Nascer no Brasil. A pesquisa revela como a cobertura e
a qualidade do pré-natal variam significativamente entre as diferentes regiões do
país e aponta a importância de exames essenciais, como VDRL e HIV, para monitorar
a saúde da gestante e prevenir complicações. As consequências dessas disparidades
são evidentes nos desfechos de saúde, que podem ser profundamente impactados
pela falta de acesso a cuidados adequados, levando a índices alarmantes de
complicações maternas e neonatais (Leal et al., 2020).
Em regiões mais vulneráveis, a "peregrinação" das gestantes — um termo que
descreve o deslocamento de uma unidade de saúde para outra ao longo da gestação
e do parto — torna-se um desafio crítico. Essa dificuldade de acesso adequado aos
serviços de saúde é uma das razões pelas quais a vinculação da gestante a uma
unidade de referência para o parto é vista como fundamental. O estudo sugere que
a criação de um sistema de referência mais eficiente e a integração entre os
cuidados do pré-natal e do parto poderiam melhorar os desfechos maternos e
neonatais, reduzindo as desigualdades e garantindo uma assistência mais contínua e
qualificada (Leal et al., 2020).

31
Módulo 01 - Introdução à Atenção Pré-Natal na APS
Capítulo 01 - Gestação e parto: fase da vida reprodutiva - Aspectos culturais, sociais e psicológicos

REFERÊNCIAS

BRASIL. Portaria GM/MS nº 5.350, de 12 de setembro de 2024. Altera a Portaria de


Consolidação GM/MS nº 3, de 28 de setembro de 2017, para dispor sobre a Rede
Alyne. Diário Oficial da União, Brasília, 13 set. 2024. Disponível em:
[Link]
[Link]
Acesso em: 9 nov. 2024.

ALVES, F. L. C. et al. Grupo de gestantes de alto-risco como estratégia de educação


em saúde. Rev Gaúcha Enferm. 2019;40:e20180023. DOI: [Link]
org/10.1590/1983-1447.2019.20180023. Disponível em:
[Link] Acesso
<[Link]
em: 28 out. 2024.

ABREU SILVA, D; MACEDO, F; QUINTAL, D. Rastreio da infecção por Chlamydia


trachomatis: sim ou não? Ver Port Med Geral Fam, 2022. Disponível em:
<[Link]
[Link] Acesso em: 28 out. 2024.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações


Programáticas Estratégicas. Gestação de alto risco: manual técnico [Internet].
Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2022a. Disponível em:
<[Link]
[Link]
Acesso em: 28 out. 2024.

BRASIL. Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de


Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Protocolo
Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções
Sexualmente Transmissíveis – IST [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde,
Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Doenças de Condições Crônicas
e Infecções Sexualmente Transmissíveis. – Brasília: Ministério da Saúde, 2022b. 211
p. : il. Disponível em:
<[Link]
f> ISBN 978-65-5993-276-4. Acesso em: 28 out. 2024.

BIO, E. O corpo no trabalho de parto: o resgate do processo natural do nascimento.


1. ed. São Paulo - SP: Grupo Summus, 2021. Disponível em:
<[Link]
paginas/[Link]>
paginas/[Link]>. Acesso em: 28 out. 2024.

32
Módulo 01 - Introdução à Atenção Pré-Natal na APS
Capítulo 01 - Gestação e parto: fase da vida reprodutiva - Aspectos culturais, sociais e psicológicos

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos de Atenção Básica. Saúde das


Mulheres/Ministério da Saúde, Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa. Brasília,
Ministério da Saúde, 2016. Disponível em:
<[Link]
[Link]> Acesso em: 28 out. 2024.

BRASIL. Ministério da Saúde. Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert


Einstein. Saúde da mulher na gestação, parto e puerpério. São Paulo - SP. 2019.
Disponível em:
<[Link]
[Link]> Acesso em: 28 out. 2024.
[Link]>.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de


Atenção Básica. Atenção ao pré-natal de baixo risco [recurso eletrônico] – 1. ed. rev.
– Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2013. (Cadernos de Atenção Básica, n° 32)
Disponível em:
<[Link]
<[Link]
Acesso em: 28 out. 2024.

BRASIL. Ministério da Cidadania. Manual de Apoio - Visitas Domiciliares às Gestantes.


Brasília - DF, 2020. Disponível em:
<[Link]
social/Manual_Gestantes_Digital.pdf>
social/Manual_Gestantes_Digital.pdf>. Acesso em: 28 out. 2024.

BRASIL. Ministério da Saúde. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no


SUS (CONITEC). Diretrizes de Atenção à Gestante: a operação cesariana. Brasília:
Ministério da Saúde, 2016. SAÚDE. Ministério da Saúde. Comissão Nacional de
Incorporação de Tecnologia no SUS. Diretrizes de atenção à gestante: a operação
cesariana. Brasília - DF. 2016. Disponível em:
<[Link]
cesariana_final.pdf>
cesariana_final.pdf>. Acesso em: 28 out. 2024

33
Módulo 01 - Introdução à Atenção Pré-Natal na APS
Capítulo 01 - Gestação e parto: fase da vida reprodutiva - Aspectos culturais, sociais e psicológicos

CDC. Center for Desease Control and Prevention. Diretrizes para tratamento de
infecções sexualmente transmissíveis. 2021. Infecções por clamídia. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 28 out.
2024.

CENTERS FOR MEDICARE & MEDICAID SERVICES (CMS). ICD-10 clinical concepts for
obstetrics and gynecology. [S.l.]: CMS, 2011. Disponível em:
<[Link]
[Link]>. Acesso em: 02 dez. 2024.
[Link]>

COSTA, R. M. L.; SILVA, M. A. B. O. Desejo e regressão na gravidez: uma perspectiva


psicanalítica. Analytica, v. 9, n. 17, 2020. Disponível em:
<[Link]
51972020000200005&lng=pt&nrm=iso>
51972020000200005&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 28 out. 2024.

DIAS, Ricardo Aubin. A importância do pré-natal na atenção básica. 2014. 28 f. TCC


(Graduação) - Curso de Curso de Especialização em Atenção Básica, Universidade
Federal de Minas Gerais, Teófilo Otoni - Minas Gerais, 2014. Disponível em:
<[Link]
ten%C3%A7ao_basica.pdf>
ten%C3%A7ao_basica.pdf>. Acesso em: 28 out. 2024.

HILL, M. A. Embryology Embryonic Development, 2008. Disponível em:


<[Link]
ent>. Acesso em: 28 out. 2024.
ent>

HONOROIO, E. M. S. et al. Gestação: implicações na vida da gestante. Revisa, v. 11, n.


3, p. 356–369, 2022. Disponível em:
<[Link]
<[Link] Acesso em: 28 out. 2024.

FEBRASGO. Federação Brasileira de Associações Ginecologia e Obstetrícia.


Posicionamento FEBRASGO em relação à Lei 14.598, sobre inclusão de exames no
protocolo de assistência de rotina às gestantes brasileiras. 19 de junho de 2023.
Disponível em:
<[Link]
relacao-a-lei-14-598-sobre-inclusao-de-exames-no-protocolo-de-assistencia-de-
rotina-as-gestantes-brasileiras>
rotina-as-gestantes-brasileiras>. Acesso em: 28 out. 2024.

34
Módulo 01 - Introdução à Atenção Pré-Natal na APS
Capítulo 01 - Gestação e parto: fase da vida reprodutiva - Aspectos culturais, sociais e psicológicos

LEAL, M. C. et al. Assistência pré-natal na rede pública do Brasil. Rev Saude Publica.
2020;54:8. Disponível em:
<[Link]
<[Link]
Acesso em: 28 out. 2024.

MEDEIROS, F. F. et al. Expectativa e satisfação do acompanhamento pré-natal em


gestantes de alto risco. Revista Eletrônica Acervo Saúde. n. 40, p. 1-8, 21 fev. 2020.
Disponível em:
<[Link] Acesso
<[Link]
em: 28 out. 2024.

MATIAS, M. D. B. C. Gravidez: fase de transição. 2021. Disponível em:


<[Link]
<[Link] Acesso em: 28 out. 2024.

NAZARI, E. M.; MULLER, Y. M. R. Embriologia humana. Florianópolis. 2011. Disponível:


<[Link]
<[Link]
Acesso em: 28 out. 2024.

SILVA, G. F. P. et al. Risco de depressão e ansiedade em gestantes na atenção


primária. Revista Nursing, v. 23, n. 271, p. 4961-4970, 2020. DOI:
[Link] Disponível em:
<[Link]
2>
2>. Acesso em: 28 out. 2024.

35
Módulo 01 - Introdução à Atenção Pré-Natal na APS

CAPÍTULO 02

ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS DA GRAVIDEZ


A gestação é um período singular e transformador, caracterizado por adaptações
complexas no organismo que visam atender às demandas impostas pelo
desenvolvimento fetal. Essas mudanças não se limitam às transformações físicas,
mas incluem alterações metabólicas, hormonais e funcionais essenciais para manter
o equilíbrio necessário à saúde, tanto da pessoa que gesta quanto do feto em
formação.
Entender essas transformações vai além de reconhecer sintomas e adaptações
fisiológicas; trata-se de compreender como o corpo humano se reorganiza para
sustentar e nutrir a vida em desenvolvimento. Cada alteração desempenha um
papel crucial no bem-estar geral da pessoa gestante, contribuindo para a
preparação do organismo para o parto e o período pós-parto.
Neste capítulo, serão explorados os principais aspectos das mudanças que
ocorrem durante a gestação, oferecendo uma abordagem integrada e acessível. O
objetivo é destacar as particularidades desse processo, promovendo uma
compreensão aprofundada que valorize a singularidade da experiência gestacional e
contribua para ampliar o conhecimento sobre a complexidade desse período
transformador.

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM:
Descrever as alterações fisiológicas ocorridas durante a gestação;
Identificar os impactos das mudanças hormonais, cardiovasculares, respiratórias,
gastrointestinais, pele e anexos, urinária, mamárias e modificações locais no
organismo das pessoas gestantes;
Analisar os mecanismos adaptativos do corpo durante a gravidez para sustentar
o bem-estar das pessoas gestantes e do feto;
Avaliar a importância das alterações fisiológicas gestacionais no cuidado das
pessoas que gestam e do feto.

36
Módulo 01 - Introdução à Atenção Pré-Natal na APS
Capítulo 02 - Alterações fisiológicas da gravidez

ESTUDO DE CASO:

Clara, 35 anos, está no segundo trimestre de sua terceira gestação. Ela tem sentido
inchaço nas pernas e falta de ar, o que a preocupa. Na Unidade Básica de Saúde
(UBS), ela compartilha esses sintomas com a equipe de saúde.
Clara: “Esses sintomas são normais? Fico cansada tão rapidamente, mesmo
fazendo atividades simples.”
Enfermeiro: “Algumas alterações fisiológicas, como inchaço e cansaço, são comuns
durante a gravidez, especialmente com o avanço da gestação. Vamos monitorar para
garantir que tudo esteja dentro do esperado.”
Clara: “Tem algo que eu possa fazer para aliviar esses sintomas?”
Enfermeiro: “Certamente. Vamos trabalhar com exercícios leves, manter suas
pernas elevadas sempre que possível e ajustar sua dieta para reduzir o inchaço.”
A equipe também orienta Clara sobre sinais de alerta e como diferenciar os
sintomas normais das complicações, reforçando a importância do acompanhamento
regular.

Conclusão:
O caso de Clara exemplifica a necessidade de orientação clara sobre as alterações
fisiológicas da gravidez e de como gerenciá-las. Essa atenção contínua ajuda a
garantir uma gestação saudável e a prevenir complicações.

Perguntas Mobilizadoras:
1. Quais sintomas comuns podem ser considerados normais, e quais devem ser
observados com cautela durante a gestação?
2. Quais estratégias podem ser oferecidas para ajudar as gestantes a lidar com as
alterações fisiológicas?

A gravidez provoca transformações profundas no organismo da pessoa gestante,


com o objetivo de atender às demandas complexas das pessoas gestantes, do feto e
do parto. Essas mudanças iniciais são impulsionadas por hormônios do corpo lúteo
e da placenta, que são essenciais para a manutenção da gestação. À medida que a
gravidez avança, especialmente a partir do segundo trimestre, o crescimento do
útero se torna um fator crucial, influenciando diversas funções corporais. Essa
expansão não apenas acomoda o feto, mas também gera novas demandas sobre os
sistemas do corpo. Assim, o organismo se adapta para garantir um suprimento
adequado de oxigênio e nutrientes. Essas alterações são vitais para o sucesso da
gestação e a preparação para o parto. Compreender esses processos é essencial
para o cuidado adequado da pessoa gestante (Febrasgo, 2014).

37
Módulo 01 - Introdução à Atenção Pré-Natal na APS
Capítulo 02 - Alterações fisiológicas da gravidez

As principais alterações fisiológicas durante a gravidez ocorrem nos sistemas


cardiovascular, respiratório e gastrointestinal, além de impactarem o metabolismo e
a composição sanguínea. O aumento do volume sanguíneo e as adaptações na
frequência cardíaca são exemplos de como o sistema cardiovascular se modifica. O
sistema respiratório também se adapta para atender às maiores demandas de
oxigênio. Além disso, mudanças na digestão podem ocorrer, afetando o bem-estar
da pessoa que gesta. Compreender essas modificações é essencial para a equipe
multiprofissional que atua no cuidado durante a gravidez. Essa compreensão
garante uma abordagem integrada e eficaz, promovendo a saúde da pessoa que
gesta e do feto (Febrasgo, 2014).
2.1 ALTERAÇÕES HORMONAIS
O aumento dos hormônios como hCG, progesterona e estrogênio durante a
gravidez provocam significativas alterações no corpo e no humor da pessoa
gestante. No primeiro trimestre, a implantação e a placentação geram uma “ferida
aberta”, necessitando de uma forte resposta inflamatória (células T-helper 1 - TH1).
Durante essa fase inicial, a gestante pode sentir mal-estar devido à resposta
imunológica e ao ambiente hormonal, refletido pelos níveis elevados de hCG. Esses
hormônios também causam fadiga e alterações de humor, contribuindo para uma
experiência emocional complexa (Montenegro; Filho, 2014).
Na segunda fase da gravidez, ocorre um rápido crescimento e desenvolvimento,
em que a pessoa gestante, a placenta e o feto se tornam simbióticos. Nesse período,
os sintomas inflamatórios do primeiro trimestre, como náuseas e fadiga extrema,
tendem a cessar, caracterizando um estado anti-inflamatório (células T-helper 2 -
TH2). O aumento do estrogênio e a progesterona promovem essa transição,
impactando positivamente o bem-estar emocional da pessoa gestante.
Compreender essas fases hormonais e imunológicas é fundamental para o cuidado
integral durante a gestação (Montenegro; Filho, 2014).

Figura 1 - Alterações Hormonais na Gravidez

TH1 RESPOSTA TH1 RESPOSTA


INFLAMATÓRIA ANTI-INFLAMATÓRIA

Aumento de hCG, progesterona Estímulo ao bem-estar


e estrogênio; emocional;
Mal-estar e fadiga; Equilíbrio e simbiose entre
Náuseas e desconforto. pessoa gestante e feto;
Redução dos sintomas
inflamatórios.

Fonte: Adaptado por Gill Mor, 2006.

38
Módulo 01 - Introdução à Atenção Pré-Natal na APS
Capítulo 02 - Alterações fisiológicas da gravidez

2.2 ALTERAÇÕES CARDIOVASCULARES


As mudanças fisiológicas que ocorrem durante a gravidez têm um impacto
significativo na condição clínica da pessoa gestante, conforme ilustrado na Figura 2.
Mesmo em indivíduos saudáveis, a gestação pode provocar uma variedade de
sintomas e sinais cardiovasculares, incluindo alterações na pressão arterial,
aumento da frequência cardíaca e mudanças na dinâmica do fluxo sanguíneo. Essas
adaptações são essenciais para garantir que tanto a pessoa gestante quanto o feto
recebam o suporte necessário durante esse período crítico (Febrasgo, 2021).

Figura 2 - Alterações hemodinâmicas na gravidez e no puerpério

PRIMEIRO SEGUNDO TERCEIRO


PUERPÉRIO
TRIMESTRE TRIMESTRE TRIMESTRE

Volume
até 50%
plasmático

Frequência
«
cardíaca

Resistência
vascular «

Débito
cardíaco «

Fonte: Adaptado pelo Protocolo Febrasgo, 2021.

Além disso, as alterações fisiológicas da gravidez influenciam a avaliação


diagnóstica e a propedêutica subsidiária, conforme mostrado na Figura 3. É
fundamental que as abordagens clínicas sejam ajustadas para considerar esses
fatores, permitindo uma compreensão mais aprofundada do estado de saúde da
pessoa gestante e facilitando intervenções adequadas quando necessário. Dessa
forma, a monitorização cuidadosa durante a gravidez torna-se crucial para
identificar potenciais complicações e promover uma gestação saudável (Febrasgo,
2021).

39
Módulo 01 - Introdução à Atenção Pré-Natal na APS
Capítulo 02 - Alterações fisiológicas da gravidez

Figura 3 - Principais alterações clínicas do sistema cardiovascular observadas na


gravidez normal

ACHADOS
ECOCARDIOGRÁFICOS
Regurgitação mitral e/ou
tricúspide;
Discreto aumento do ventrículo
esquerdo;
Derrame pericárdico discreto.

ACHADOS SINAIS E
ELETROCARDIOGRÁFICOS SINTOMAS
Desvio do icto;
Taquicardia/arritmia sinusal; Pulsação jugular proeminente;
Extrassístoles; Desdobramento de bulhas;
Desvio do eixo; Sopro ejetivo suave;
Alterações da repolarização. Fadiga;
Falta de ar;
Tonturas.

Fonte: Adaptado pelo Protocolo Febrasgo, 2021.

A gestação promove mudanças significativas no sistema cardiovascular, com


destaque para o aumento do volume sanguíneo, da frequência cardíaca e do débito
cardíaco. Essas adaptações são fundamentais para sustentar o aumento das
demandas metabólicas e o crescimento do feto. No entanto, o incremento na carga
circulatória pode sobrecarregar o coração, levando à descompensação clínica,
especialmente nas pessoas gestantes com condições cardíacas preexistentes
(Febrasgo, 2021).
Além disso, a modificação na viscosidade sanguínea e a alteração na
hemodinâmica, somadas à resposta do sistema imunológico e hormonal, podem
aumentar a predisposição a complicações, como alterações na perfusão placentária
e restrição do crescimento fetal. O risco de insuficiência cardíaca tende a se acentuar
principalmente na segunda metade da gestação, durante o trabalho de parto e no
período pós-parto imediato, momentos em que as demandas cardiovasculares são
mais exigentes (Febrasgo, 2021).
2.3 ALTERAÇÕES RESPIRATÓRIAS
Pessoas com doenças pré-existentes podem exigir atenção especial durante a
gestação. Doenças crônicas, especialmente pulmonares, podem impactar a gravidez
desde a concepção e são comuns entre jovens que desejam engravidar (Haines;
Middleton, 2022).

40

Você também pode gostar