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Avaliação Da Qualidade Sanitária Da Água Na Bacia Hidrográfica Do Rio Almada - Ba

O estudo avaliou a qualidade sanitária da água na bacia hidrográfica do rio Almada, identificando deficiências no saneamento e impactos da ocupação do solo. Foram coletadas amostras de água em doze pontos, revelando que muitos resultados estavam acima dos padrões da Resolução CONAMA 357/05, especialmente em áreas urbanas. Os achados destacam a necessidade de melhorias na infraestrutura de saneamento e planejamento agroambiental na região.

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Giulia Ramos
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Avaliação Da Qualidade Sanitária Da Água Na Bacia Hidrográfica Do Rio Almada - Ba

O estudo avaliou a qualidade sanitária da água na bacia hidrográfica do rio Almada, identificando deficiências no saneamento e impactos da ocupação do solo. Foram coletadas amostras de água em doze pontos, revelando que muitos resultados estavam acima dos padrões da Resolução CONAMA 357/05, especialmente em áreas urbanas. Os achados destacam a necessidade de melhorias na infraestrutura de saneamento e planejamento agroambiental na região.

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CAMINHOS DE GEOGRAFIA - revista online

[Link] Instituto de Geografia UFU


ISSN 1678-6343 Programa de Pós-graduação em Geografia

AVALIAÇÃO DA QUALIDADE SANITÁRIA DA ÁGUA NA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO


1
ALMADA – BA

Gustavo Barreto Franco


Prof. Adjunto da Universidade do Estado da Bahia
gustavopraia@[Link]

Luiza da Silva Betim


Mestra em Geotecnia Ambiental pela Universidade Federal de Viçosa
luizabetim@[Link]

Eduardo Antonio Gomes Marques


Professor Associado III do departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Viçosa
emarques@[Link]

Cesar da Silva Chagas


Doutor em Agronomia – UFV
Pesquisador Embrapa/Solos
chagas-rj@[Link]

Ronaldo Lima Gomes


Prof. Titular da Universidade Estadual de Santa Cruz
rlgomes@[Link]

RESUMO

A qualidade das águas superficiais pode refletir deficiências no saneamento básico


de sua bacia de drenagem, bem como impactos resultantes da dinâmica de
ocupação do solo e das atividades econômicas ali desenvolvidas. O objetivo desse
trabalho foi avaliar a qualidade sanitária da água superficial na bacia hidrográfica do
rio Almada, relacionando os resultados ao uso e ocupação do solo. Para tal, foram
quantificados os parâmetros coliformes totais e Escherichia coli em amostras de
água coletadas em doze pontos de amostragem da bacia, durante cinco campanhas
realizadas em 2009 e 2010. Grande parte dos pontos apresentou resultados fora dos
padrões estabelecidos pela Resolução CONAMA 357/05, referente a classe 2 para
água doce, destacando-se os resultados obtidos nos trechos à jusante de centros
urbanos. Os resultados demonstram a necessidade da melhoria da infraestrutura de
saneamento e de um planejamento agroambiental nos municípios da bacia.

Palavras-chave: Coliformes; Recursos Hídricos; Uso e Ocupação do Solo;


Saneamento.

EVALUATION OF SANITARY WATER QUALITY IN THE ALMADA RIVER WATERSHED

ABSTRACT

The surface water quality may reflect deficiencies in the watershed sanitation as well
as impacts of the dynamics of land occupation and economic activities developed in
the area. The objective of this paper was to evaluate the sanitary water quality at
Almada river watershed, relating the results to land use and occupation. Thereunto,
the parameters total coliforms and Escherichia coli were determined in water
samples collected in twelve sampling locations of the watershed, during five
campaigns in 2009 and 2010. Most points presented results out of the standards
established by the Resolution CONAMA 357/05. It can be outlined the results
observed downstream of urban centers. The results make evident the need for
improvement of sanitation infrastructure and agro-environmental planning in the cities
of the watershed.

Keywords: Coliforms; Water Resources; Land Use and Occupation; Sanitation.

1
Recebido em 29/04/2015
Aprovado para publicação em 19/05/2015

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Avaliação da qualidade sanitária da água na bacia
Eduardo Antonio Gomes Marques, Cesar da
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Silva Chagas, Ronaldo Lima Gomes

INTRODUÇÃO
A intensificação do processo de urbanização e o desenvolvimento de atividades econômicas de
maneira não sustentável são determinantes na degradação ambiental, especialmente na perda
de qualidade dos recursos hídricos, que pode se refletir na saúde da população. De acordo
com a FUNASA (2000), estima-se que, no Brasil, 60% a 70% das internações hospitalares
estejam vinculadas à contaminação do ar, do solo e, principalmente, da água, por doenças
infecciosas de transmissão hídricas como diarréia, cólera e hepatite A, dentre outras. Assim, a
avaliação da qualidade microbiológica da água pode constituir ferramenta importante no
diagnóstico ambiental, refletindo aspectos sociais, econômicos e sanitários de uma região.
A falta de saneamento básico é um fator diretamente relacionado à perda de qualidade da
água de uma bacia hidrográfica e à veiculação de doenças através desse recurso. De acordo
com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (IBGE, 2008), no estado da Bahia, apenas
76,9% dos domicílios são atendidos por redes de abastecimento de água potável e 52,1%
deles estão ligados à rede coletora de esgotos ou possuem fossa séptica.
A bacia hidrográfica do rio Almada (BHRA), objeto deste estudo, localiza-se no sul do estado
da Bahia e juntamente com as bacias do rio Cachoeira e do rio Una forma a bacia hidrográfica
do Leste. Abrange uma área de 1.575 Km², destacando-se pela presença de Mata Atlântica,
um dos biomas com maior biodiversidade no planeta. A economia dos municípios da BHRA é
baseada na lavoura do cacau, em sua maioria plantada no sistema “cabruca”, o qual gera
empregos e preserva os recursos naturais da região. Entretanto, há quase duas décadas,
iniciou-se uma profunda crise no cultivo do cacau, tendo como causa a baixa dos preços no
mercado internacional, a instabilidade climática e o ataque de uma praga conhecida como
“vassoura de bruxa”, causada por Moniliophthora perniciosa que, devastou grande parte da
lavoura cacaueira. De acordo com Faria Filho e Araújo (2004), em decorrência dessa crise,
áreas de plantação de cacau vêm sendo substituídas por pastagens, inclusive em áreas não
adequadas. Além do cultivo de cacau e da pecuária, outras atividades que podem ser
destacadas nesta bacia são os cultivos de subsistência e o plantio de seringueiras.
A BHRA engloba áreas dos municípios de Almadina, Coaraci, Ibicaraí, Lomanto Júnior,
Itajuípe, Uruçuca, Ilhéus e Itabuna, sendo os dois últimos os 6° e 7° municípios mais populosos
da Bahia. Grande parte desses municípios é abastecida pela água desta bacia, inclusive os
210 mil habitantes do município de Itabuna, devido à degradação do rio Cachoeira, que corta
essa cidade. O atendimento feito pelas autarquias e prefeituras, entretanto, é ainda precário.
Segundo SESAB (2003), na 6ª DIRES (Diretoria Regional de Saúde) da Bahia, onde, dentre
outros, estão localizados os municípios de Ilhéus e Uruçuca, em 2000 apenas 47,25% dos
domicílios eram ligados à rede geral de abastecimento de água e 32,77% eram ligados à rede
geral de esgotamento sanitário; no mesmo ano, na 7ª DIRES, onde estão localizados os
municípios de Almadina, Coaraci, Ibicaraí, Itabuna e Itajuípe, somente 61,65 % dos domicílios
eram ligados à rede geral de abastecimento de água enquanto 59,63 % eram ligados à rede
geral de esgotamento sanitário. Assim, parte significativa da população dessa bacia utiliza
água do rio Almada, sem tratamento, para as atividades domésticas. Além disso, o tratamento
de esgotos sanitários é inexistente.
Dessa forma, a bacia do rio Almada possui papel estratégico no que se refere ao
abastecimento humano, urbano e rural, além de possuir elevada importância ambiental e
econômica. Além do abastecimento público, a água da bacia se destina à agroindústria, ao
abastecimento de distritos industriais, à diluição dos efluentes domésticos e industriais e à
dessedentação animal (COSTA, 2002), além de recreação, lazer e turismo. De acordo com
ANA (2001), os principais impactos sobre os recursos hídricos nessa bacia são resultantes do
lançamento de efluentes orgânicos nos cursos d’água e das atividades agropecuárias e
agroindustriais. Assim, o aporte de efluentes provenientes dessas atividades pode significar
contaminação por organismos patogênicos de origem humana ou animal. A avaliação da
qualidade microbiológica da água é, portanto, uma ferramenta essencial na detecção de risco à
saúde humana. Como indicadores de contaminação biológica da água, são utilizadas bactérias
do grupo coliforme.
Os coliformes totais pertencem à família enterobacteriaceae, a qual pertencem os gêneros
Escherichia, Salmonella, Shigella, Citrobacter, Klebsiella e Enterobacter, Proteus, Serratia,

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dentre outros. Entretanto, nem todas as bactérias desse grupo são de origem intestinal. As
espécies clássicas do grupo coliforme são Escherichia coli e Enterobacter aerogenes.
Enquanto a E. coli é um habitante normal do trato intestinal do homem e outros animais, o
Enterobacter aerogenes ocorre com mais freqüência em grãos e vegetais, podendo ocorrer
também em fezes animais (EATON et al., 2005). Os gêneros Citrobacter, Enterobacter e
Klebsiella, além de serem encontrados nas fezes, também estão presentes em outros
ambientes como no solo e nos vegetais, onde persistem por tempo superior ao de bactérias
patogênicas de origem intestinal como Salmonella e Shigella (FRANCO, 2003). Por esse
motivo, a Resolução CONAMA 357/2005 recomenda o uso da bactéria Escherichia coli como
indicadora de contaminação fecal, uma vez que esta é a única espécie do grupo dos coliformes
termotolerantes cujo habitat exclusivo é o intestino humano e de animais homeotérmicos, onde
ocorre em elevadas densidades.
O objetivo deste trabalho é avaliar a qualidade microbiológica da água em doze pontos da
Bacia Hidrográfica do Rio Almada, através da interpretação dos resultados dos parâmetros E.
coli e coliformes totais e de sua relação com característica de uso e ocupação do solo.

METODOLOGIA
Inicialmente, foram escolhidos doze pontos de amostragem ao longo do rio Almada (Figura 1),
procurando-se, quando possível, a seleção de locais de fácil acessibilidade à montante e à
jusante dos principais centros urbanos. A Tabela 1 mostra a descrição e a localização dos
pontos. Em seguida, foram realizadas cinco campanhas em campo para coleta das amostras
de água, no período de julho de 2009 a julho de 2010, nas diferentes estações.
Figura 1. Localização da área de estudo e dos pontos de amostragem de água na BHRA.

As amostras coletadas em cada ponto foram armazenadas em frascos de polietileno


previamente lavados com ácido clorídrico e água destilada e esterilizados através de radiação
UV. As amostras foram levadas aos laboratórios da Universidade Estadual de Santa Cruz -
UESC para conservação e execução de análises microbiológicas.
A determinação de coliformes totais e E. coli foi feita através da técnica da membrana filtrante,
com utilização do meio de cultura ágar Chromocult (ChromoCult® Coliform Agar).

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ChromoCult® Coliform Agar é aprovado pela EPA (Environmental Protection Agency) para
detecção simultânea de coliformes e Escherichia coli (2009), em uma mesma placa de Petri,
através da coloração.

Tabela 1. Descrição e localização dos pontos de amostragem.


Coordenadas
Ponto Local Geográficas (UTM)
E N
P1 Município de Almadina, sob uma ponte à montante da área
427656 8375855
urbana, próximo à nascente do Rio Almada
P2 Povoado de São Roque, localizado à jusante de Almadina e à
438866 8373097
montante de Coaraci, sob uma ponte
P3 Sob uma ponte localizada no início do trecho urbano do
440300 8381668
município de Coaraci
P4 Jusante da área urbana de Coaraci 441879 8381101
P5 Sob uma ponte localizada no Povoado de União Queimadas,
pertencente ao município de Itajuípe, à montante da área 448897 8377025
urbana
P6 Jusante da área urbana do município de Itajuípe 460077 8378551
P7 Sob a Ponte da BR 101, entre os municípios de Itajuípe e
462812 8380417
Itabuna
P8 Em um afluente do rio Almada, em um povoado à jusante de
471154 8379895
Uruçuca (Banca do Pedro)
P9 Sob uma ponte na Rodovia Ilhéus-Uruçuca 475959 8379356
P10 Lagoa Encantada, em uma pequena ponte localizada próxima
484761 8383735
ao povoado de Areias
P11 Povoado de Sambaituba, em Ilhéus 489071 8379834
P12 Iguape, próximo à foz do rio Almada, em Ilhéus 492948 8371348

As análises microbiológicas foram feitas no mesmo dia da coleta, utilizando a técnica da


membrana filtrante. O meio de cultura foi preparado seguindo as indicações dos fabricantes e
vertido nas placas de Petri estéreis. Foram feitas 3 diluições de cada amostra em tubos de
-1 -2 -3
ensaio utilizando-se água destilada como liquido de diluição: 10 L, 10 L e 10 L de amostra
por L de solução. Volumes conhecidos de cada uma das soluções foram filtrados utilizando
membranas Schleicher & Schuell tipo ME 25/21 0,45 µm Ø47 mm, as quais foram colocadas
após a filtração sobre o meio de cultura solidificado. As placas foram incubadas a 37ºC durante
24 horas, observando-se após esse período, a presença de colônias salmon/vermelhas
(coliformes totais) e de colônias azuis (E. coli), as quais foram quantificadas.
Foram priorizados para a determinação da concentração os resultados da diluição que
possibilitou a formação de 25 a 300 unidades formadoras de colônia por placa (APHA, 2005). A
-1
concentração das bactérias indicadores foi expressa em UFC.100 mL de amostra. Os
resultados de E. coli foram comparados ao padrão estabelecido para coliformes
termotolerantes pela Resolução CONAMA 357/05, para cursos d’água de água doce de Classe
-1
2, igual a 1000 UFC.100 mL . Os corpos d’água da bacia foram considerados de Classe 2,
uma vez que de acordo com os relatórios do Programa Monitora (INGÁ, 2008, 2009), realizado
pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA) do Estado da Bahia, os corpos
d’água do Rio Almada não haviam sido enquadrados de acordo com os critérios da Resolução
CONAMA 357/05 situação na qual o corpo hídrico é considerado como de Classe 2.
Os valores obtidos das análises de água foram relacionados ao mapa de uso de solo
desenvolvido nesta pesquisa (Figura 2), bem como em observações feitas em campo e dados
de outras pesquisas desenvolvidas na área de estudo.
Foi considerada ainda na análise dos dados a influência da sazonalidade na variação da
qualidade sanitária da água a partir dos dados de precipitação mensal da cidade de Ilhéus
durante o período de estudo são ilustrados na Figura 3.

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Figura 2. Mapa de uso e ocupação do solo da BHRA e localização dos pontos de amostragem.

Figura 3. Totais pluviométricos mensais acumulados no período de monitoramento no posto pluviométrico


em Ilhéus.

Totais pluviométricos acumulados no período de estudo


Total mensal acumulado (mm)

250

200

150

100

50

Total mensal acumulado (mm)

Fonte: INGÁ, 2010.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os coliformes totais (Figura 4), variaram consideravelmente, tanto espacial quanto
temporalmente. Uma análise apenas das médias (Tabela 3) não permite interpretação clara
dos dados, visto que em vários pontos, um único resultado muito elevado teve grande
influência sobre esse parâmetro estatístico, não refletindo o comportamento dos outros valores
nesse ponto. Uma análise mais minuciosa revela que os pontos P4 e P6 assim como P2, P8 e
P9 apresentaram, de modo geral, valores mais elevados que os demais. Os valores das
medianas foram de fato maiores nos pontos P4, P6 e P8.
Com relação a E. coli (Figura 5), os resultados também variaram bastante tanto espacial
quanto temporalmente, como evidencia a Figura 6), em que pode-se observar em alguns
pontos grande variação nos valores dos primeiro e terceiro quartis em relação à mediana, ou
seja, ocorre maior dispersão dos valores, com destaque para o ponto P4, além dos pontos P2,
P6 e P8. Em todos os pontos, exceto no ponto P10, foram observados resultados acima do
limite em pelo menos uma das campanhas, sendo que nos pontos P2, P4 e P6 os resultados
excederam o limite em 100% das amostras e no ponto P8 os resultados excederam o limite em
80% das amostras.

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Figura 4. Distribuição de coliformes totais nos pontos de amostragem, expressos em unidades log da
-1
concentração em UFC.100 mL .

Coliformes totais
8,00
Colif ormes totais (log[UFC.100 mL-1])

7,00
6,00 Primeira campanha

5,00 Segunda campanha

4,00 Terceira campanha

3,00 Quarta campanha

2,00 Quinta campanha

1,00
0,00
P1

P2

P3

P4

P5

P6

P7

P8

P9

P10

P11

P12
Pontos de amostragem

Tabela 3. Valores mínimo e máximo, mediana, média e desvio padrão dos resultados de coliformes totais
nas cinco campanhas de amostragem.
-1
Coliformes totais (UFC. 100mL )
Ponto Mínimo Máximo Mediana Média Desvio padrão
P1 10.000 2.920.000 16000 599100 1297456
P2 23800 265000 34000 111160 113567
P3 4400 1480000 21000 433680 646749
P4 80000 14200000 600000 3644800 6020226
P5 10600 14000000 28000 2816920 6251537
P6 26000 1960000 300000 539000 803360
P7 10000 800000 46000 188600 342701
P8 10500 2400000 204000 602100 1016583
P9 7000 230000 152000 139400 85681
P10 0 1500000 22000 348120 649754
P11 2000 2870000 47000 614000 1262325
P12 3000 22200000 16400 4450680 9922175

Figura 5. Distribuição de coliformes totais nos pontos de amostragem, expressos em unidades log da
-1
concentração (em UFC.100 mL ).
Escherichia coli
5,50
5,00
4,50
E. coli (log [UFC.100mL-1])

Primeira campanha
4,00
Segunda campanha
3,50
3,00 Terceira campanha

2,50 Quarta campanha


2,00 Quinta campanha
1,50
Limite Classe 2
1,00
0,50
0,00
P1

P2

P3

P4

P5

P6

P7

P8

P9

P10

P11

P12

Pontos de amostragem

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Figura 6. Concentrações de E. coli nos pontos de amostragem.

As médias e medianas (Tabela 4) para esse parâmetro foram maiores nos pontos P2, P4 e P6,
com destaque também para o P8. Tais resultados evidenciam o impacto do lançamento de
esgotos sem tratamento à montante desses pontos. No ponto P1, apesar deste localizar-se à
montante dos centros urbanos da bacia, foram observados valores acima do Valor Médio
Permitido (VMP) para a classe 2 segundo resolução CONAMA 357/2005 para águas lóticas
nas duas primeiras campanhas e na quinta (60% das amostras) e igual ao VMP na terceira
campanha, demonstrando a influência da presença de fezes animais nas proximidades do
ponto de coleta, devido ao desenvolvimento da pecuária na região. A pecuária desenvolvida
também na região do povoado de São Roque deve ter influência sobre os resultados
observados no ponto P2.

Tabela 4. Valores mínimo e máximo, mediana, média e desvio padrão dos resultados de E. coli
nas cinco campanhas de amostragem.
-1
Escherichia coli (UFC. 100mL )
Ponto Mínimo Máximo Mediana Média Desvio padrão
P1 0 20000 2600 5320 8295
P2 10000 50000 13800 22360 16886
P3 0 10000 400 4080 5407
P4 20000 300000 104000 134800 114957
P5 0 5000 1000 2200 2588
P6 5000 50000 34000 29800 17612
P7 0 5000 0 1400 2191
P8 0 40000 4000 14200 17268
P9 0 10000 0 2600 4336
P10 0 0 0 0 0
P11 0 50000 1000 10800 21948
P12 0 2000 0 480 867

As concentrações de E. coli ao longo do rio mostra que ocorre autodepuração nos trechos
entre ou à jusante de centros urbanos ou aglomerados. Nos pontos P3, P5 e P7 os valores são
inferiores aos dos pontos P2, P4 e P6, localizados, nos trechos à montante, em que ocorre
contribuição de esgotos (e em P2, atividade pecuária). A comparação das médias e medianas,

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tanto para E. coli quanto para coliformes totais, nos pontos P2, P4 e P6 com os pontos à
jusante (P3, P5 e P7, respectivamente) mostra esse decréscimo. Da mesma forma, no P9, que
recebe influência do afluente que passa pelo município de Uruçuca, as concentrações de E.
coli são menores (inclusive nulos em 60% das amostras) que nos pontos P7 e P8; no ponto
P12, já no trecho final do rio Almada, as concentrações de E. coli foram de modo geral baixas,
apresentando não-conformidade apenas em uma das campanhas, além de média e mediana
inferiores às do ponto P11; a influência da maré neste ponto, bem próximo à foz, pode ser um
aspecto que influencia as concentrações de E. coli, visto que a salinidade, exerce efeito
deletereo sobre os microorganismos estudados.
Segundo Pinheiro Jr. et al. (2002), a maior circulação de águas pela ação de correntes e marés
favorece a dispersão de microorganismos; entretanto, de acordo com Pereira (1999), que
estudou o coeficiente de correlação e de regressão entre as variáveis físico-químicas e de
colimetria na água do mar, apenas uma pequena porcentagem da variação observada nos
índices colimétricos está associada à variação das características físico-químicas. Os
resultados demonstram assim, que apesar da perda de qualidade microbiológica da água ser
evidente nos trechos urbanos, o rio Almada ainda demonstra boa capacidade de
autodepuração.
O ponto P10 é uma excepção localizado na Lagoa Encantada, próximo ao povoado de Areias,
foram observadas baixas concentrações de coliformes totais em relação à maioria dos outros
pontos e ausência de E. coli em todas as campanhas. Esses resultados estão relacionados aos
usos do solo no entorno da lagoa e à localização do ponto de amostragem.
No que se refere à sazonalidade, as concentrações obtidas para coliformes totais foram
maiores na segunda campanha em relação às demais em sete dos doze pontos monitorados.
Nos pontos P10 e P12 as concentrações de coliformes totais foram maiores nas segunda e
terceira campanhas em relação às outras campanhas. Para o parâmetro E. coli, foram
observadas nos pontos P2, P4 e P11 maiores valores nas segunda e terceira campanhas em
relação às demais, sendo que em vários pontos a maior concentração detectada nas cinco
campanhas ocorreu em uma dessas campanhas, do período mais seco. Tais fatos sugerem
influência da sazonalidade sobre os valores de coliformes totais e E. coli; entretanto, alguns
valores contradizem essa tendência, visto que também destacam-se alguns valores na primeira
campanha e principalmente na quinta campanha, em que as vazões e assim, o efeito de
diluição, foram maiores.
Cabe salientar que o aumento dos índices pluviométricos implica em maior escoamento
superficial, que podem ser responsáveis pelo aporte de fezes animais ao curso d’água
dependendo dos usos e ocupação do solo, como no caso da pecuária (FRANCO et al., 2012).
Os resultados dos parâmetros microbiológicos indicam que o principal fator responsável pela
deterioração da qualidade microbiológica no rio Almada é o lançamento de esgotos domésticos e
outros efluentes. Pode-se afirmar ainda que não é indicada a utilização da água, em alguns dos
pontos (P2, P4 e P6) analisados, para banho, lavagem ou recreação de contato direto, diante das
concentrações elevadas de E. coli detectadas, fato observado com freqüência na bacia,
demonstrando a falta de conscientização da população acerca das questões de saúde pública.

CONCLUSÕES
Pode-se afirmar que ocorre a perda de qualidade sanitária da água do rio Almada, em alguns
trechos da bacia, com destaque para os pontos P2, P4 e P6 que se localizam à jusante de
áreas urbanas, devido principalmente ao lançamento de esgotos domésticos. Sugere-se a
necessidade de melhoria da infraestrutura de saneamento básico nos municípios pertencentes
à bacia. Além disso, o desenvolvimento da pecuária mostra-se como uma atividade econômica
determinante na qualidade da água, especialmente na porção oeste da bacia.

REFERÊNCIAS
ANA - Agência Nacional de Águas. Sinopse de Informações da Bahia do Sistema Nacional
de Recursos Hídricos. Bahia. 2001. 72 p. Disponível em:
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