Content
Content
“You never change things by fighting the existing reality. To change something, build a
new model that makes the existing model obsolete.”
R Buckminster Fuller
i
DEDICATÓRIA
ii
AGRADECIMENTOS
Estas linhas são dedicadas a todos os que, desde sempre e durante o processo da
elaboração do TIA, me apoiaram e me aconselharam para que surgisse um trabalho inovador,
resultando num tema válido e de qualidade. Agradeço assim,
Ao meu Orientador, Tenente-Coronel de Cavalaria Tiago Fazenda, por me ter
motivado e encorajado a seguir a linha de investigação, materializada pela escolha do tema.
Por se ter mostrado incansável e disponível, a qualquer hora, prescindindo do seu tempo
pessoal, para que deste trabalho resultasse uma investigação com uma abordagem “fora da
caixa”. Mostrou-se, constantemente, um “braço direito” e um impulsionador de visões
diferentes e originais. Os seus contributos foram reveladores e essenciais, vertidos na
qualidade do trabalho presente.
Ao meu Coorientador, Capitão de Cavalaria Nuno Silva, que me despertou,
assiduamente, para novas formas de encarar esta temática. O seu apoio foi crucial para o
constante desenvolvimento do trabalho. Presente em todas as etapas do processo e revelando
interesse pessoal no tema, todos os conselhos foram absorvidos e passados para o papel.
Apesar das suas obrigações profissionais o terem colocado numa posição difícil, a nível de
limitação de tempo, nunca descurou das suas funções de coorientador, mostrando-se
acessível a responder a qualquer dúvida exposta.
Aos entrevistados, nomeadamente o Tenente-General Marco Serronha, o Major-
General Carlos Branco, o Tenente-Coronel de Artilharia Simão Sousa, o Tenente-Coronel
de Engenharia Mário Martinho, o Tenente-Coronel de Infantaria Ricardo Silva, o Major de
Engenharia João Marques, o Major de Artilharia Almeida Carqueijo, o Capitão Ignácio
García-Gutiérrez, o Doutor Nuno Rogeiro, por me terem dedicado um pouco do seu tempo,
que sei ser escasso. Todos os contributos foram imprescindíveis e enriquecedores para levar
a investigação a “bom porto”. Sem os seus conhecimentos, o trabalho não teria atingido
patamares essenciais, nesta área.
Ao meu Mestre de equitação, Major de Cavalaria Tiago Pires, que tanto admiro e
respeito, por me ter ensinado o verdadeiro significado do conjunto cavaleiro-cavalo. Por
sempre ter acreditado em mim enquanto cavaleira, tendo colocado sempre as expectativas
altas para que o nível de sucesso alcançado, até então, fosse constantemente superado.
Ao Capitão de Cavalaria Daniel Valério, por ter dedicado grande parte do seu tempo
pessoal a transmitir os seus conhecimentos e experiência a todo o curso. Por sempre se ter
iii
mostrado disponível a tirar qualquer dúvida e por ter contribuído com todo o seu “saber”
militar, ao longo de todo este processo.
À Professora Doutora Ana Romão, por se ter mostrado disponível no esclarecimento
de dúvidas relativas à metodologia empregue.
Ao meu curso de Cavalaria, por me ter acompanhado durante todo o percurso. Desde
o ultrapassar de obstáculos e momentos menos fáceis aos momentos mais engraçados e
inesquecíveis.
De uma forma muito especial e com grande carinho, agradecer à minha família,
incluindo o tio Rui Neumann, ao meu namorado e aos meus amigos mais próximos, sem os
quais a minha vida não seria repleta de felicidade, aventuras e experiências. Fizeram e fazem
parte da minha evolução pessoal e profissional, tendo acompanhado a minha jornada do
início ao fim, ensinando-me a retirar os prazeres de uma “rosa com espinhos”.
iv
RESUMO
v
ABSTRACT
Keywords: Threat; Main Battle Tank; Future; Protection; Emerging and Disruptive
Technology.
vi
ÍNDICE GERAL
EPÍGRAFE ............................................................................................................................. i
DEDICATÓRIA .................................................................................................................... ii
RESUMO .............................................................................................................................. v
ABSTRACT ......................................................................................................................... vi
INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 1
vii
CAPÍTULO 3. DIMENSÕES TECNOLÓGICAS: ATUALIDADE E PROSPETIVA ..... 12
viii
APÊNDICES .................................................................................................................. LVIII
ix
ÍNDICE DE FIGURAS
ÍNDICE DE QUADROS
x
LISTA DE APÊNDICES
LISTA DE ANEXOS
xi
LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E ACRÓNIMOS
ACar – Anticarro
AED – Arma de Energia Dirigida
AM – Academia Militar
APA – American Psychological Association
ARV – Armed Robotic Vehicle
ASCALS – Adaptative Smart Camouflage for Land Systems
ASPIS – Advanced Shielding Platform Integrated System
ATGM – Anti-Tank Guided Missile
ATLAS – Advanced Targeting and Lethality Aided System
ATRIT – Automatic Threat Recognition, Identification and Targeting
CB – Campo de Batalha
CC – Carro de Combate
CEMGFA – Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas
CS – Compreensão Situacional
C-UAS - Counter Unmanned Aerial System
CUGS - Combat Unmanned Ground Systems
DAAe – Defesa Antiaérea
EDA – European Defence Agency
EME – Estado-Maior do Exército
EMGFA – Estado-Maior-General das Forças Armadas
EP – Exército Português
ERA – Explosive Reactive Armour
EUA – Estados Unidos da América
GE – Guerra Eletrónica
GPS – Global Positioning System
HEAT – High Explosive Anti-Tank
HESH – High Explosive Squash Head
HyMUP – Hybrid Manned-Unmanned Platooning
IA – Inteligência Artificial
IED – Improvised Explosive Devices
In – Inimigo
LARs – Lethal Autonomous Robots
xii
LM – Loitering Missile
MUSS - Multi-Functional Self-Protection System
NASAMS – National/Norwegian Advanced Surface to Air Missile System
NATO – North Atlantic Treaty Organization
NERA – Non-Energetic Reactive Armor
NLAW – Next generation Light-tank Weapon
OE – Objetivo Específico
OECD - Organization for Economic Cooperation and Development
OG – Objetivo Geral
OTAN – Organização do Tratado Atlântico Norte
PASEI – Protection Against Enemy Interference
PD – Pergunta Derivada
PDE – Publicação Doutrinária do Exército
PESCO – Permanent Structured Cooperation
PP – Pergunta de Partida
RCAAP – Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal
RPG - Rocket Propelled Grenade
SANT – Sistemas Aéreos Não Tripulados
SARP – Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas
SciELO – Scientific Electronic Library Online
SPA – Sistema de Proteção Ativa
SOFREP – Special Operations Forces Report
TB 2 UCAV – Turkish Bayraktar Unmanned Combat Aerial Vehicle
TED – Tecnologia Emergente e Disruptiva
TIA – Trabalho de Investigação Aplicada
TIGR – Transportable Interoperable Ground Robot
TO – Teatro de Operações
UAV – Unmanned Aerial Vehicles
UE – União Europeia
UGVs – Unmanned Ground Vehicles
VANT – Veículo Aéreo Não Tripulado
VANT-C – Veículo Aéreo Não Tripulado de Combate
VCR – Veículo de Combate Robótico
VTNT – Veículo Terrestre Não Tripulado
xiii
INTRODUÇÃO
1
OE 4: Caracterizar as implementações tecnológicas emergentes e disruptivas no
Carro de Combate para aprimoramento das suas capacidades.
De salientar a relevância deste TIA, no tempo presente, já que o conceito do CC se
apresenta como sendo intemporal; contudo é, de igual modo, objeto constante de estudo e
revisão. Torna-se medular explorar de que modo este meio de combate pode ser
modernizado para se adaptar à dimensão tecnológica. Seja para fazer face às novas
adversidades impostas pelo avanço das TED, através de medidas de mitigação; seja pela
implementação destas mesmas tecnologias no próprio CC, enquanto medidas de
aprimoramento das suas capacidades. O âmago desta investigação correlaciona-se com a
definição imposta pela European Defence Agency (EDA), que se alia à European Defence
Fund, explanando as TED como tecnologias, que podem implicar mudanças significativas
de paradigma no conceito e na condução de conflitos.
Esta investigação constitui um plus a grande parte dos trabalhos sobre este tema, que
carecem de propostas e sugestões específicas para aprimorar e potencializar o CC, no
panorama tecnológico. Revela-se inovador pelo facto de procurar propor possíveis soluções
para o enquadramento do CC no novo cenário, através de pesquisas, processamento e
interpretação de dados, provenientes da revisão de literatura e realização de entrevistas a
especialistas, entendidos na temática. Acresce ainda que, na medida em que estamos a
assistir, em direto, à evolução constante de ameaças tecnológicas, este trabalho de
investigação pode estabelecer uma base de partida para investigações vindouras.
O trabalho está estruturado em três partes fundamentais. Uma primeira parte referente
ao enquadramento histórico e evolutivo do CC e à doutrina aplicada a este meio de combate
até ao conflito Rússia-Ucrânia, bem como à explicação de conceitos e ilações relevantes no
decorrer do trabalho, ilustrando o “estado da arte”. A segunda parte espelha e caracteriza as
TED, que possuem um impacto no CC, manifestando numa nova dimensão altamente
tecnológica, com a qual o CC terá de se deparar. Tem como desígnio elucidar sobre o
panorama tecnológico que se tem instalado. A última parte está alicerçada nas medidas e
contramedidas que o CC poderá implementar para neutralização das ameaças e para
aprimoramento das suas capacidades. Assinala, ainda, projetos e eventuais upgrades para
colmatar determinadas carências no CC relativas ao espectro vanguardista. Com foco na
visão do conceito de armas combinadas e, analogamente, no binómio CC-Infantaria, surge a
nova ideia do binómio CC-Robot, tencionando-se, neste mesmo capítulo, perspetivar a
conceção do CC, tendo em vista este desafio.
2
CAPÍTULO 1. ENQUADRAMENTO CONCEPTUAL
1
Por Bewegungskrieg entende-se o princípio da ofensiva e guerra em movimento.
2
Por Schwerpunkt entende-se o ponto crítico.
3
Tradução livre de Citino (1999, p. 22).
3
camuflagem, redução da assinatura térmica e eletrónica no CC, pois “as táticas das forças
terrestres de dispersão e dissimulação devem ser revigoradas”4 (Shaikh & Rumbaugh, 2020).
O Azerbaijão obteve e divulgou, através dos Sistemas Aéreos Não Tripulados
(SANT), imagens e vídeos que ilustraram a localização de plataformas de defesa aérea, de
CC, de veículos de combate de infantaria, da artilharia e das tropas do exército arménio,
tornando-os alvos tangíveis de abater (Guimarães, 2022). “Em termos de capacidades,
parece claro que os sistemas operados remotamente oferecem a vantagem do poder aéreo,
sensores e armas guiadas com precisão”5 (Kofman, 2020), tornando-se crucial a defesa aérea
e a aquisição de sistemas de proteção contra drones. Contramedidas, que podem passar por
intercetores cinéticos, jammers eletrónicos e drones de contra-ataque (Shaikh & Rumbaugh,
2020).
4
Tradução livre de Shaikh & Rumbaugh (2020).
5
Tradução livre de Kofman (2020).
6
Tradução livre de Verma (2022).
4
que, apesar de se mostrar um alvo fácil para drones armados, é necessário entender-se que
muitos dos CC que sofreram danos e baixas foram aqueles que ainda não detinham sistemas
de proteção modernizados. A destruição de colunas de CC e veículos blindados russos
deveu-se, inicialmente, à infantaria ucraniana, equipada com mísseis anticarro (ACar),
sequenciada por ataques de drones armados e, ainda, sistemas de artilharia rebocada e
autopropulsionada (Rogeiro, 2022). Representando um escalar de consequências
avassaladoras, no que concerne a todo o espectro das novas ameaças emergentes, em especial
no CC, a Ucrânia e a Rússia estão a implementar o conceito de drones de reconhecimento e
ataque. “A invasão russa da Ucrânia é uma demonstração evidente de como as novas
tecnologias alteraram a guerra tradicional”7 (Tsereteli, 2022), integrando sistemas
considerados o futuro das guerras modernas. As novas tecnologias demonstradas neste
conflito, nomeadamente os Veículos Aéreos Não Tripulados (VANT)8, estão a transformar
a interação entre os humanos e as máquinas (Fontes & Kamminga, 2023). Os militares
ucranianos utilizam drones, com câmaras de alta resolução, para fins de informação,
vigilância, reconhecimento e ataque (Tsereteli, 2022). Estes meios aéreos têm-se mostrado
uma grande ameaça aos CC, fazendo com que ambos os países estejam a implementar uma
defesa antiaérea cada vez mais expressiva e com melhores sistemas antiaéreos.
7
Tradução livre de Tsereteli (2022).
8
VANT corresponde aos Unmanned Aerial Vehicles (UAV).
9
North Atlantic Treaty Organization, que corresponde à Organização do Tratado Atlântico Norte (OTAN).
10
Tradução livre de NATO Science & Technology Organization (2020, p. 6).
5
autores depreendem uma sensibilidade na abordagem a estas tecnologias emergentes por
apresentarem desafios evidentes quanto à sua acessibilidade na aplicação militar, podendo
escalar rapidamente o risco da sua utilização, inerente ao seu poder destrutivo. Todavia, é
essencial a criação de ferramentas mais ágeis e otimizadas para trabalharem em conjunto
com abordagens tradicionais (Marchant et al., 2013). A NATO apresenta o termo
“disruptivo” como as “tecnologias ou descobertas científicas que se esperam ter um efeito
importante, ou mesmo revolucionário, na defesa, segurança ou funções empresariais da
NATO no período de 2020 a 2040”; e “convergente” como “uma junção de tecnologias que
são combinadas de uma maneira nova para criar um efeito disruptivo”11 (NATO Science &
Technology Organization, 2020, p. 6).
Do prisma da EDA, linha de raciocínio pela qual o TIA se rege, esta encara as TED
como tecnologias que se espera causarem “mudanças significativas nas regras ou no modo
de conduzir conflitos dentro de uma ou mais gerações, revolucionando as futuras
capacidades, estratégias e operações militares” (European Defence Agency, n.d.). A
European Defence Fund especifica a “tecnologia disruptiva” como uma “tecnologia
aprimorada ou completamente nova que traz uma mudança radical, incluindo uma mudança
de paradigma no conceito e na condução de assuntos de Defesa, substituindo tecnologias de
defesa existentes ou tornando-as obsoletas” (Clapp, 2022). Entende-se uma tecnologia que
resulta numa mudança repentina que afeta tecnologias ou mercados já estabelecidos
(Committee on Forecasting Future Disruptive Technologies et al., 2010), podendo
influenciar, significativamente, o equilíbrio do poder global. Certas tecnologias são
conhecidas por terem transposto, inesperadamente, outras já estabelecidas no domínio
militar, assumindo um impacto duradouro em vários campos militares, desde a recolha de
informação até à sua contribuição em combate real. “A necessidade de inovação disruptiva
é mais sentida quando as soluções disponíveis são insuficientes, pois a liderança militar
espera o desenvolvimento de novas tecnologias para fornecer soluções inovadoras para
enfrentar ameaças emergentes” (Lele, 2019, p. 41).
Segundo a (Organization for Economic Cooperation and Development [OECD],
2023), os aliados transatlânticos procuram obter domínio tecnológico sobre outras potências,
investindo neste tipo de tecnologia em aplicações militares, por forma a garantir a sua
vantagem estratégica, tática e competitiva. As TED e as suas taxas de impacto
exponencialmente crescentes “nas capacidades militares futuras são provavelmente o terreno
11
Tradução livre de NATO Science & Technology Organization (2020, p. 6).
6
mais fértil para inovar” (NATO’s ACT, 2021), desafiando as condições para a sua
incorporação na componente da Defesa.
12
Tradução livre de Katoch (2022, p. 2).
7
CAPÍTULO 2. METODOLOGIA, MÉTODOS E TÉCNICAS
8
método de investigação qualitativa, com o intuito de adquirir “uma consciência absoluta e
ampla do fenómeno em estudo” (Fortin, 1999, p. 22), através da problemática geral, da
recolha dos dados em texto e da análise da realidade, do tratamento dos dados, e dos
resultados reflexivos obtidos em resposta ao problema. “Na medida, com efeito, em que os
métodos qualitativos procuram fornecer uma visão ‘por dentro’, é exigida aos investigadores
uma flexibilidade e um envolvimento que não se encontram noutro tipo de estudos”
(Moreira, 1994, p. 101). Demonstrou-se “a importância primordial da compreensão do
investigador e dos participantes no processo de investigação” (Freitas & Prodanov, 2013, p.
173), por forma a observar, analisar e percecionar a relação das dimensões tecnológicas com
impacto nos CC, os desafios em formato de linhas de orientação e, posteriormente, como o
CC poderá moldar o seu conceito físico e tecnológico, através de contramedidas a
implementar ou resultando numa possível perspetiva de transfiguração do CC para adversar
as TED.
Para a elaboração do TIA foi adotado o raciocínio indutivo, “que se baseia em
análises de dados e de resultados sobre um fenómeno particular com o intuito de alcançar a
generalização teórica” (Rosado, 2017, p. 118), começando “por uma observação para que,
no final de um processo, se possa elaborar uma teoria” (Freixo, 2012, p. 104). Assente no
empirismo ao “adotar a observação como procedimento indispensável para atingir o
conhecimento científico” (Gil, 2008, p. 11), são retiradas ilações do caso particular da guerra
Russo-Ucraniana sobre as TED com vista a obter o “estado da arte”, e, assim, adquirir um
ponto de vista mais genérico direcionado à conceção do CC, a fim de alcançar conclusões
mais profundas relativamente a contramedidas e mecanismos ofensivos e defensivos que
este meio de combate poderá integrar para melhor se posicionar face aos desafios e
oportunidades impostos pelas TED. Sendo esta investigação um estudo exploratório, de
flexibilidade interpretativa, não foram determinadas hipóteses. Neste âmbito, o trabalho em
questão tem como intenção contribuir para uma generalização da temática inovadora em
causa, permitindo gerar, posteriormente, hipóteses em trabalhos futuros.
A finalidade da investigação passou por identificar um dos problemas que tem sido
visível no CC, nomeadamente as vulnerabilidades das suas medidas de proteção. No
contexto do cenário de guerra moderna é imperioso debater como é que o CC pode ser
adaptado para fazer face aos obstáculos prescritos pela ascensão do mundo tecnológico. Este
trabalho tenta colmatar a falta de propostas e sugestões relativas a esta temática, recolhendo
informações pertinentes que possam mostrar métodos de garantir a futura sobrevivência do
CC no CB.
9
2.3. Estratégia de Investigação
No que concerne à estrutura e formatação, o TIA tem por base a Norma de Execução
Permanente 522/1.ª/AM, Normas para a Redação de Trabalhos de Investigação; e o estilo
científico, as Normas da American Psychological Association (APA), da sétima edição,
visando a devida elaboração de citações e referências bibliográficas.
Os dados primários, “pesquisados pelo investigador, com vista a satisfazer uma
necessidade de informação presente e específica” (Sarmento, 2008, p. 9), foram obtidos
através de entrevistas semiformais ou semiestruturadas a indivíduos com conhecimentos na
matéria. Os dados secundários, que “já existem e foram recolhidos, registados e analisados
por outras pessoas” (Sarmento, 2008, p. 9), surgiram da revisão de literatura. Desta forma,
no decurso do trabalho, recorreu-se a fontes bibliográficas primárias, “constituídas por textos
originais sem a interpretação de outros autores”, e secundárias, “constituídas por
interpretações de outros autores sobre as fontes primárias” (Rosado, 2017, p. 124).
A opção metodológica permitiu uma maior validação dos dados através do
enquadramento teórico e das entrevistas. Para tal, foi concebido o modelo de análise para
identificar as dimensões, as variáveis, sistematizar os conceitos, os indicadores e as técnicas
de recolha de dados.
10
2.5. Análise Documental
Optou-se pelas entrevistas semiestruturadas, uma vez que deram uma maior
flexibilidade ao entrevistado de responder às questões formuladas num guião, sem
necessidade de se orientar por uma ordem específica, podendo, ainda, acrescentar
informação adicional relativa ao tema (Sarmento, 2008). O entrevistador tem a
maleabilidade de fazer “certas perguntas principais mas é livre de alterar a sua sequência ou
introduzir novas questões em busca de mais informação. O entrevistador tem, assim,
possibilidade de adaptar este instrumento de pesquisa ao nível de compreensão e
receptibilidade do entrevistado” (Moreira, 1994, p. 133).
Garantindo a componente ética, foi elaborada e aplicada uma declaração de
consentimento informado, nomeadamente o Apêndice D, posteriormente, assinada pelo
entrevistador e pelo entrevistado, especificando as condições da participação e
salvaguardando os direitos do entrevistado. De acordo com as nove entrevistas realizadas,
optou-se, conforme disponibilidade e preferência, pelo formato escrito, via e-mail; pela
videoconferência, via Webex e Teams; e pela forma presencial. O guião, concretizado no
Apêndice E, anexado ao termo de consentimento, contemplou a formulação de perguntas
específicas e direcionadas à questão de investigação a ver respondida, e foi adaptado,
especificamente, a cada grupo de entrevistados para que se apurassem as suas perceções
quanto ao tema, havendo margem para informação adicional complementar, de elevada
importância.
Foi permitida a gravação das entrevistas, contribuindo para um acompanhamento da
qualidade das respostas mais factual, tendo sido o pedido de gravação de cada entrevista
11
explícito para “que a confidencialidade seja assegurada e que o entrevistado saiba que pode
desligar o gravador” (Moreira, 1994, pp. 142–143), a qualquer momento. A síntese de cada
entrevista está contemplada no Apêndice F.
13
Estado-Maior do Exército.
14
Estado-Maior-General das Forças Armadas.
15
Tradução livre de Soare (2021, p. 2).
12
Dispensar-se-á a abordagem à Tecnologia Hipersónica, por não possuir, por enquanto,
relevância para o CC, estando orientada, especificamente, para uma outra tipologia de alvos
estratégicos.
16
Aerorozvidka: equipa que promove a criação e implementação de capacidades militares robóticas e centradas
em rede para as forças de segurança e defesa da Ucrânia.
13
loitering munition, capaz de se despenhar e “sacrificar” contra o alvo (Hambling, 2022). O
designado drone “Kamikaze” ou drone de sacrifício é considerado um Veículo Aéreo Não
Tripulado (VANT), por se tratar de um explosivo teleguiado, de reduzido tamanho, que
explode quando se dá o impacto. Uma alusão pode ser feita ao drone “Kamikaze”
Switchblade, que descortinou como os drones podem atuar contra CC (Special Operations
Forces Report [SOFREP], 2022). Um drone de combate pode ser usado para operações de
informação, reconhecimento, aquisição de alvos e ataques de precisão, usando uma
variedade de munições como mísseis ou bombas/minas em pontos de fixação (Towaha,
2018). É conhecido, de igual forma, como um Veículo Aéreo Não Tripulado de Combate
(VANT-C) projetado, especificamente, para operações militares, fins ofensivos e
defensivos, particularmente, ataques aéreos, reconhecimento e vigilância. Tem-se assistido
a “enxames” de drones de combate, conseguindo atingir múltiplos alvos, espelhando um
vislumbre da complexidade do emprego futuro de plataformas não tripuladas em larga escala
(Katoch, 2021). No CB, deve-se considerar as consequências operacionais do “enxame”,
dado que um comandante pode flexibilizar um conjunto de drones, com base nos dados
retirados sobre ameaças prováveis, e acioná-lo para um ataque eletrónico ou um ataque
específico contra CC (Kallenborn, 2021).
14
demonstrará um sistema que permitirá às forças detetar, observar, entender e agir primeiro,
empenhando-se decisivamente, bem antes do CC. Ou seja, na posse do In permite que sejam
VTNT a estabelecer primeiro contacto com os CC de forças amigas, salvaguardando os CC
deles.
Estão a ser desenvolvidos dois possíveis oponentes ao CC. O VTNT russo, Uran-9,
de lagartas, com capacidade de transportar uma panóplia de sistemas de armas, para derrotar
os principais CC adversários e alvos blindados (Army Technology, 2016). Os seus sistemas
incluem meios para identificação de alvos, suportada por lasers óticos, visão térmica e
câmaras integradas com IA para distinção das unidades amigas do In. Num outro setor, o
Heidar-1, iraniano, projetado para ser eficaz contra o CC, estando incumbido de explodir a
parte inferior do mesmo (Andersson, 2022). Em desenvolvimento, encontra-se, igualmente,
o Marker, um VTNT robótico ACar, de origem russa, que dispõe de recursos de
reconhecimento baseados em IA (Army Technology, 2023a). O sistema inteligente de
reconhecimento está habilitado a comunicar com robots terrestres e programado para ser
equipado com meios anti-drone, através de interferência eletrónica e redes de captura (Bisht,
2023), e mísseis ACar (Marques, 2023), conseguindo destruir, possivelmente, CC como o
Abrams e o Leopard (Tucker, 2023). Por meio de pulsos eletrónicos e captura de network
features, este consegue identificar e alertar sobre intrusos, veículos motorizados e veículos
aéreos. Acrescenta-se que este sistema apresenta duas variantes, a versão de reconhecimento,
cujo sistema de controlo poderá permanecer inalterado perante ataques eletrónicos, e a
versão de combate, equipada com mísseis ACar e um sistema, que contém imagens de alvos,
auxiliando na determinação automática do equipamento das forças adversárias (Army
Technology, 2023b).
Os robots de grande escala, Robotic Armored Assault System e o Armed Robotic
Vehicle (ARV), estão em desenvolvimento pelo exército dos Estados Unidos da América
(EUA) e são capazes de disparar mísseis ACar Hellfire (Grabianowski, 2022). Estas
máquinas permitem aumentar a agilidade estratégica de um exército, contrariando as
limitações dos CC que levam mais tempo a manobrar e a reagir contra ameaças. O protótipo
do veículo de combate não tripulado incorpora avanços estratégicos significativos na elevada
mobilidade, eficiência e resiliência, necessárias para o sucesso da missão (Global Security,
n.d.).
Duas grandes empresas, Roboteam e Smartshooter, apresentam um VTNT de
tamanho médio altamente móvel, capaz de operar em qualquer terreno e clima, o
Transportable Interoperable Ground Robot (TIGR) (Roboteam, 2023). Este robot tático
15
terrestre com tecnologia SMASH17 garante precisão letal, defesa aérea contra drones, e a
“sobrevivência das forças táticas, fornecendo-lhes a capacidade de atingir alvos terrestres,
aéreos, em movimento ou estacionários, a uma distância segura” (Roboteam, 2023).
Grabianowski (2022) aponta para VTNT que conseguem ser tanto letais como
sobreviver mais facilmente ao cenário de guerra moderno. Ao possuírem uma assinatura
física menor, conseguem mitigar a deteção, reduzir o número de baixas humanas e mitigar
os custos da eventual destruição de um CC no CB. Os ARV, sendo parecidos com o CC,
conseguem estender a área de influência de uma unidade sem necessidade de empenhar CC
ou militares, assumindo posições mais perigosas e fornecendo apoio mútuo e proteção aos
veículos tripulados, que se empenhem numa situação de combate, através de fogo direto e
fogo de cobertura (Grabianowski, 2022). Têm o potencial de dar um salto revolucionário nas
capacidades militares, já que os seus esforços técnicos estão a ser direcionados para
implementação de tecnologias, como perceção e sensores, controlo inteligente de veículos,
comportamentos táticos em ambientes, caracterização e classificação de terrenos e fusão de
dados de múltiplos classificadores (National Academy of Sciences et al., 2002).
17
SMASH: Considerado um high-tech individual Fire Control System.
16
e concisa, fazendo com que este não se consiga defender contra múltiplos ataques, em
simultâneo (Strout, 2020).
Ao empregar IA, consegue-se, eficientemente, discorrer uma análise, fazer um
processamento do Big Data e determinar, através das várias configurações e componentes
do CC, do seu contexto e da sua assinatura térmica, se se trata efetivamente de um outro CC
e de que forma este poderá ser atingido, num curto espaço de tempo (C. Osborn, 2021).
O desenvolvimento da tecnologia alastra-se para o conceito de “robotização”,
refletindo o binómio máquina-humano, constituindo, simultaneamente, uma nova dimensão
na relação CC-Robot, que tem vindo a ter significativas implicações no mundo militar. A
Robótica substitui, parcialmente, o fator humano por máquinas controladas por computador.
Os robots adquirem extraordinárias competências por serem um sistema apto a combinar o
que há de mais avançado na eletrónica, na parte computacional, na vigilância e na tecnologia
do armamento, alterando a dinâmica da guerra. Estes começam a assumir um papel
fundamental quanto à sua autonomia e capacidade de decisão, capazes de exercer força letal,
atribuindo-se o nome de “lethal autonomous robots” (LARs) (Roff, 2014).
Para Marchant et al. (2011a) o robot será um desafio para o atual CC, por inúmeras
razões: pela sua capacidade de agir sem necessidade de se proteger em casos de reduzida
certeza de identificação do alvo e não tendo o sentimento de auto preservação, podendo ser
sacrificado, inevitavelmente, sem reservas por não se tratar de um ser humano. Não detém
emoções, revertendo-se num sistema imparcial e de análise crítica não suscetível a
julgamentos, frustrações, receios e outros sentimentos humanos que possam colocar em
causa o sucesso da missão. Em situações de stress, o robot não negligencia, nem distorce a
realidade das informações obtidas; consegue captar e adquirir mais informação e dados de
variadas fontes, numa janela de tempo menor que a componente humana, respondendo,
eficazmente, a tempo e com força letal o alvo. Ao trabalhar em conjunto com militares no
terreno torna-se num ativo com potencial de monitorizar de forma independente e objetiva
os comportamentos éticos no CB, relatando infrações observadas e, possivelmente, levar à
redução de infrações éticas humanas (Marchant et al., 2011b). A título de exemplo, os
Unmanned Ground Vehicles (UGV) ou VTNT, por outras palavras, apesar de ainda
necessitarem de um operador humano que navegue remotamente ou que autorize o ataque
específico (human on the loop), possibilitam o ataque a alvos terrestres. Salienta-se ainda
que, no futuro, a tendência seja para que esta tipologia de robotização assuma a autonomia
total (Kayser, 2021).
17
3.3. Espaço e Tecnologia Quântica
O Espaço sideral não tem influência no CC, contudo, analisando mais a fundo, é
percetível que envolva formas de guerra, que afetam o CC. Resulta na GE, que envolve o
uso de tecnologias eletrónicas para controlar o espectro eletromagnético, atacando as
capacidades eletrónicas do In, ao degradar ou danificar os circuitos dos dispositivos
eletrónicos, com o objetivo de obter vantagem militar sobre o adversário (Price, 2000). Uma
outra forma de guerra a enquadrar é a Guerra Cibernética. Operações cibernéticas
autónomas, uma vez ativadas, podem selecionar e deparar-se com alvos sem intervenção de
um operador humano. Nas suas diversas características encontram-se a recolha de
informação e análise da mesma, num curto espaço de tempo, a fim de dar a melhor resposta,
implicando, ainda, o reconhecimento, monitorização e seleção dos alvos sem intervenção
humana (Delerue, 2020, p. 158). Destaca-se a desvantagem de qualquer meio de combate
eletrónico para com os ciberataques. Em operações ofensivas, se o operador lançar um
sistema cyber, definindo o CC enquanto alvo a abater ou objetivo, o malware conseguiria de
forma autónoma determinar a maneira como alcançar e atingir o alvo, avançando para a fase
do reconhecimento, identificando quais redes e sistemas computacionais estão ligados ao
CC, de que maneira estes sistemas podem ser contornados ou penetrados e que
consequências podem surgir da sua interrupção e desconexão. Após esta recolha de dados,
o equipamento independente do seu operador decidiria quais os sistemas e redes
computacionais a afetar ou infetar, através da neutralização de sistemas óticos, eletrónicos e
ativos; disrupção; destruição ou jamming (Delerue, 2020).
Intrínseco a estas duas terminologias e de acordo com o Australian Army Research
Centre (2020), a Tecnologia Quântica terá inúmeras aplicações na Defesa. Na parte das
informações, vigilância e reconhecimento, ao implantar sensores quânticos em drones
terrestres e aéreos e veículos não tripulados para aumentar a CS através da deteção
eletromagnética e radar e do mapeamento geoespacial; na parte do comando e controlo, das
comunicações e do cyber, ao acelerar a simulação e otimização operacional e a tomada de
decisão; e no aprimoramento ou fornecimento de ferramentas de guerra cibernética.
Embora esteja, ainda, a ser desenvolvida, a arma de energia dirigida (AED) oferece
novas opções para a defesa e ataque em situações de combate. Utiliza energia concentrada
num feixe direcionado, como raios laser, micro-ondas ou partículas carregadas para
destruição de alvos. Com o tempo, a blindagem do CC pode não ser tão eficaz contra AED,
18
que poderão causar danos críticos, como derreter a blindagem devido a raios laser de alta
potência ou danificar os sistemas eletrónicos e a comunicação através de feixes de partículas
carregadas. Poderão ganhar a vantagem de serem mais precisas e atingirem um maior
alcance do que as armas convencionais, permitindo o ataque a CC a distâncias seguras,
mantendo o In em posições estratégicas (Obering, 2020).
Este capítulo abordou as dimensões tecnológicas que se estão a sentir, nos conflitos
de guerra moderna, que posicionam o CC no limiar entre a urgente resposta à obsolescência
e a evolução tecnológica. Assiste-se a uma forte presença aérea sobre meios de combate
terrestres, como a expansão de loitering munitions, que atacam os alvos terrestres nas suas
partes mais vulneráveis (top down attack), e os SANT, nomeadamente drones, amplamente
utilizados em operações militares em missões de reconhecimento, vigilância e ataques
direcionados. O desenvolvimento de VTNT, meios que, potencialmente, poderão vir a ser
mais versáteis, ágeis e flexíveis, possuem diversas funcionalidades, como reconhecimento e
aquisição de alvos. Prevê-se que, estes meios, nas “mãos” do adversário, exponham
vantagens estratégicas por conseguirem detetar, identificar e agir primeiro do que um CC.
Considerando a IA, o Big Data e a Robótica estamos perante áreas, que produzirão novas
19
capacidades militares, com um nível tecnológico superior, na esfera da coordenação eficaz
e eficiente das plataformas militares autónomas, da comunicação entre sistemas e da troca
de fluxos de dados a todos os níveis da cadeia de comando. Aceleram, assim, a CS,
contribuindo para a análise de Big Data na recolha, processamento, distribuição e ação sobre
dados operacionais, com pouca ou nenhuma margem de erro. Outros parâmetros a considerar
são o Espaço e a Tecnologia Quântica, que abarcam a GE e Guerra Cibernética, que têm
como objetivo interferir, desabilitar e/ou destruir os sistemas eletrónicos de meios de
combate, conduzindo-os a uma posição de fragilidade ou tornando-os inoperáveis. A AED
é uma nova forma de poder de fogo, através de feixes de energia concentrada. Já os Materiais
Avançados estão a revolucionar a blindagem e a proteção, permitindo propriedades
excecionais, como resistência, leveza e flexibilidade.
Estabelecidas as TED e extraído o seu impacto no CC, analisaremos, de seguida,
quais as contramedidas e implementações tecnológicas a incorporar no CC, para que
acompanhe o novo panorama tecnológico.
20
potentes para manter a sua performance e aceleração (Sarewitz et al., 2012). A energia e
propulsão aplicadas no CC têm um transfer para a mobilidade. A solução reside no meio-
termo, isto é, um motor híbrido. Uma das inovações mais impactantes passará pela
incorporação de um sistema de transmissão/propulsão híbrido ou elétrico apto para
racionalizar, significativamente, a eficiência do combustível e a capacidade de sobrevivência
do CC, pela redução exponencial da assinatura térmica e acústica (The National Interest,
2022). Possuidor deste tipo de motor híbrido é o protótipo AbramsX. Esta aplicação
conferirá ao CC uma maior aceleração, velocidade e resiliência, bem como permitirá a futura
integração de sistemas de comunicação e outras tecnologias pela grande quantidade elétrica,
adaptando-se, assim, ao novo panorama tecnológico. Os benefícios esperados incluem, de
igual modo, uma maior potência, opções de letalidade e alcance. O motor elétrico permitiria
que o CC operasse em low profile e silenciosamente em condições noturnas. Prevê-se que o
CC possa vir a incluir blindagem elétrica, bloqueadores de sinal e armas de energia
experimental através desta nova fonte de energia (Bonbrest, 2022). A EDA, o National
Interest e o The Washington Post constatam que poderá haver a possibilidade de um CC
possuir um motor totalmente elétrico, contudo o primeiro passo passará pela experimentação
de motores híbridos.
A adaptabilidade é um fator chave e desempenha um papel crucial no
desenvolvimento do CC moderno. Relaciona-se com a modularidade permitindo que o CC
seja capaz de se ajustar, rapidamente, a diferentes cenários e enfrentar uma variedade de
ameaças em constante evolução, pela possibilidade de trocar módulos, como o armamento,
sistemas de proteção e sensores. Eleva a flexibilidade e a versatilidade do CC em diferentes
tipos de terreno, eliminando a limitação das suas especificações de design e a sua
dependência relativamente a outros sistemas para o cumprimento de requisitos da missão
(Muspratt, 2019).
Supõe-se que o CC tenha, no futuro, de ser ágil para acompanhar viaturas táticas,
transpor pontes e estradas, anteriormente de acesso restrito a este meio de combate e fazer
face a ameaças não tripuladas, que exijam celeridade na manobra e mobilidade (K. Osborn,
2022).
Segundo Foss & Cazalet (2022), o armamento principal vai sofrer alterações, no que
concerne ao aumento do calibre da peça principal e ao municiamento automático. O
Enhanced MBT, da Krauss-Maffei Wegmann e da Nexter, detém o casco do Leopard 2
21
altamente modificado, equipado com uma nova torre, guarnecida por dois membros, com o
canhão de 120mm L/52 automaticamente municiado (Foss & Cazalet, 2022a).
Possivelmente, poderá ter em alternativa, como armamento principal, a peça de 140mm
ASCALON. Para além deste armamento, está equipado com o SPA Trophy, o detetor
acústico de disparos PILAR V, o sistema de alerta laser E-LAWS, e lançadores de granadas
GALIX, que podem ser carregados com granadas de fumo e diferentes tipos de munição.
Com o aumento do calibre da peça para 130mm, o Panther KF51 MBT, da Rheinmetall,
adquire superioridade perante o adversário. No caso de se justificar, pode, ainda, ser
equipado com Loitering Missile (LM) para atacar alvos para além da linha de visão. Integra
armamento contra VANT e alvos terrestres ligeiros. Possui um SPA que fornece proteção
contra mísseis e projéteis de energia cinética, bem como é possuidor de um sistema de
proteção de ataques superiores (Foss & Cazalet, 2022b).
18
High Explosive Anti-Tank.
19
Empresa grega, uma das poucas fornecedoras e produtoras líderes de Sistemas de Proteção.
22
leves, de alta tecnologia e elevada resistência. Defende uma blindagem holística, com várias
etapas de defesa, que proteja o CC de ataques sucessivos. Esta empresa tem trabalhado na
integração de uma blindagem eletrónica, nomeadamente o Advanced Shielding Platform
Integrated System (ASPIS), projetado para detetar, classificar e priorizar qualquer ameaça,
enfrentando-a desde a fase inicial do ataque, por meio de contramedidas. No caso de a
ameaça persistir, a primeira zona de defesa ativa suprime-a, automaticamente, com o sistema
de autoproteção. Integra um design de proteção contra minas e um escudo superior para
proteção contra fragmentos e estilhaços de munições de artilharia. A Rheinmetall e a EODH
concordam na necessidade de desenvolvimento de soluções passivas através das mais
recentes tecnologias compostas modulares para proteção contra ameaças balísticas, minas,
IED20, e para reduzir a assinatura do CC, através de tecnologias de mascaramento em todo
o espectro de sensores acústicos, óticos, infravermelhos e eletromagnéticos.
20
Improvised Explosive Devices.
21
High Explosive Squash Head.
23
4.3.3. Proteção Ativa
Torna-se necessária uma defesa aérea estratificada, capaz de fazer face a mísseis,
aeronaves e ameaças de baixa e alta velocidade em todo o espectro. “A lição retirada daqui
é que no futuro as guerras requerem um “sistema defensivo esférico”, uma bolha protetora
móvel”22 (Antal, 2021, p. 5). De acordo com o autor, no espaço de batalha multidomínio,
“para sobreviver, as plataformas principais devem ser capazes de interromper, desviar ou
confundir ataques de munições diretos e superiores através de sistemas acoplados ou
sistemas que as acompanhem”23.
O princípio do Sistema de Proteção Ativa (SPA), explanado no Anexo B, está
delineado para detetar alvos hostis com precedência, de modo a evitar que o CC seja atingido
primeiramente, e programado para os intercetar, iludir ou destruir. Na identificação de uma
munição que pretenda atacar o CC, o sistema rastreia-a, determina informações como a sua
direção e velocidade, descodificando os dados recolhidos e emite um sinal ao transmissor
para que as contramedidas venham a ser aplicadas. No caso de a ameaça se encontrar dentro
do raio de interceção e de ação do SPA, automaticamente, o centro de controlo calcula o
momento adequado em que a countermunition deva ser lançada, disparando-a,
posteriormente (Yang & Xu, 2021). A vantagem deste sistema passa por ampliar a proteção
de um CC, sem que o peso da sua blindagem aumente, excessivamente, impedindo-o de ser
móvel, ao integrar múltiplas tecnologias de proteção.
Observa-se o Multi-Functional Self-Protection System (MUSS), que fornece
proteção contra Anti-Tank Guided Missile (ATGMs) e ameaças laser. Providencia controlo
através de sensores de alerta, tal como ativação de contramedidas de interferência, a 360
graus, e contramedidas pirotécnicas. Está a ser desenvolvido o MUSS 2.0, que defende e
deteta ameaças emergentes e ameaças laser de última geração, com sensores aprimorados, e
com upgrades nas capacidades de processamento e software (Peruzzi, 2022). Exemplo é,
também, o SPA Trophy, de última geração, desenvolvido pela empresa israelense Rafael
Advanced Defense Systems, projetado para detetar e neutralizar todo o tipo de ameaças
ACar, através de quatro fases: deteção de ameaças, rastreamento de ameaças, ativação de
contramedidas e neutralização de ameaças (Leonardo DRS, n.d.). Apenas as ameaças que
representam perigo para a plataforma são neutralizadas, conservando, assim, munições e
minimizando o risco de danos colaterais.
22
Tradução livre de Antal (2021, p. 5).
23
Tradução livre de Antal (2021, p. 5).
24
Deve-se ter em conta, que a integração de um único SPA no CC não consegue fazer
face a todas as ameaças emergentes. Citando o Capitão Meyer (1998, p. 8), “a ameaça ACar
futura será, por definição, omnidirecional”24, devendo-se integrar no CC um conjunto de
sistemas de proteção ativa para constituir uma defesa mais eficaz em torno do CC. Combater
diferentes tipos de armas e diferentes formas de ataque, cumprindo com os requisitos de
manter a sua operacionalidade sob todas as condições meteorológicas (Breaking Defense
Staff, 2020). Coutteau, Long e Bentzel (2005, p. 35) reforçam a mesma ideia, mencionando
que a “iniciativa dos SPA dos futuros sistemas de combate explora tecnologias emergentes
e maturas, fornecendo soluções aos SPA para se adaptarem tanto aos atuais requisitos de
uma força operacional, como às necessidades de uma força”25.
Uma outra perspetiva de proteção ativa passa pela ideia de integrar no CC do futuro
armas laser, oferecendo um potencial destrutivo maior (Freedberg, 2021). O maior desafio
será o de conseguir detetar o raio laser, atempadamente, por forma a iniciar manobras
evasivas ou adotar contramedidas necessárias (Venugopal et al., 2011). Atualmente, já estão
a ser feitos protótipos de AED, com o potencial de destruir drones e outros alvos aéreos.
Contudo, existem desafios que terão de ser ultrapassados. Esta tipologia de armamento exige
uma grande quantidade de energia e baterias, que o CC ainda não tem capacidade para
incorporar, e o laser é facilmente afetado por condições atmosféricas, reduzindo a sua
eficácia em certas situações em combate ([Link], 2004).
4.4. Conectividade
24
Tradução livre de Meyer (1998, p. 8).
25
Tradução livre de (2005, p. 35).
25
360 graus, integrados numa variedade de ferramentas de software para deteção,
identificação, classificação e rastreamento de ameaças; e por sistemas, que fornecem
imagens e vídeos de alta definição, com capacidade térmica, diurna e noturna (Hawkes,
2022). Além do espectro visual, a CS pode ser aprimorada com sistemas de deteção de tiro
acústico, alertando a guarnição de fogo hostil.
Uma nova ferramenta, utlizada pelos EUA e pela NATO, no atual conflito entre a
Rússia e a Ucrânia, é o programa DELTA, que permite a integração total da rede do CB.
Significa, que analistas conseguem ter acesso a todo o CB e a intermináveis dados de
satélites, determinando as coordenadas exatas da localização de todas as unidades russas, os
seus movimentos, tal como potenciais direções que o adversário poderá prosseguir. Este
sistema digital pode ser distribuído, em tempo real, às forças amigas e aos vetores de
empenhamento, ou seja, sistemas de armas que estejam numa posição mais favorável para
lidar com a ameaça e abater o alvo. Implica que haja uma “transparência” no CB, facilitando
a deteção dos alvos a abater (The Thinker, 2023).
O M1A1 Abrams está a ser configurado com upgrades, que reforçam a CS da
guarnição, aumentando a capacidade de combate do CC e fornecendo aos militares um
gráfico eletrónico do CB com ícones para forças amigas e inimigas (Army Recognition,
2023). No Anexo A, observa-se o Advanced Targeting and Lethality Aided System
(ATLAS), um sistema emergente, que possui sensores avançados, machine learning e novos
ecrãs sensíveis ao toque, otimizando e automatizando o processo de aquisição de múltiplos
alvos e de disparo, permitindo às guarnições responderem às ameaças mais rapidamente
(Parken, 2023). Trata-se de um sistema de recolha de dados, que poderá ser acoplado a um
CC moderno, que contém um algoritmo que processa esses mesmos dados e um monitor
para que a guarnição possa controlar o CC (Strout, 2020). É considerado uma ameaça a um
CC oponente, tecnologicamente inferior, por ser célere, tanto na deteção, como na aquisição
de alvos, executando todos os passos necessários à execução do tiro, com exceção de
“disparar o gatilho” (Robitzski, 2019). Ao identificar uma ameaça a abater, este sistema, que
está diretamente ligado à torre do CC, a partir do momento em que um elemento da guarnição
toca no alvo visível no ecrã, este consegue girar a peça, fixar o alvo selecionado e
recomendar o tipo de munição apropriada e a quantidade de disparos necessária. O operador
ao optar, faz com que o ATLAS, numa questão de segundos, reajuste todas as configurações
para abater a ameaça. Neste cenário, o M1 Abrams tem sido alvo de testes, com a
incorporação do sistema ATLAS, que é um programa, essencialmente, direcionado para a
eliminação de processos manuais e aprimoramento de classificação de imagens (Trevithick
26
& Parken, 2023). Com o desenvolvimento da IA e da automatização, tornou-se possível a
redução da guarnição no CC do futuro (Mao et al., 2014). Os EUA utilizam o Improved
Performance Research Integration Tool para medir a carga de trabalho de uma guarnição.
Será necessária uma automatização substancial dos sistemas, incluindo a automatização da
aquisição de alvos, do rastreamento de alvos e julgamento atributivo da ameaça, da
calibração, da evitação de obstáculos, da atualização de dados e mapas, entre outros aspetos.
O novo projeto AbramsX incorpora a Next Generation Electronic Architecture, uma
arquitetura aberta modular integrada com IA para deteção e reconhecimento de objetos e
priorização automática de alvos, oferecendo uma imagem desobstruída do CB (Seck, 2022).
O Merkava 5 irá possuir, de igual modo, sensores mais avançados, tonando o CC
independente na captura de alvos e apoiando a guarnição a acionar contramedidas e/ou a
ativar sistemas de GE. Acresce, ainda, o novo capacete do comandante, que dispõe de um
visor de dados, no qual aparece informações básicas sobre o alvo e recomendações do
projétil a utilizar de acordo com o alvo, bem como sinais visuais de danos no CC (Nikolov,
2022). Morozov (n.d.) elucida sobre a importância de cada membro da guarnição possuir um
headset com realidade aumentada, por forma a estabelecer uma imagem a 360 graus, em
tempo real, fornecendo informação crucial do CB. Esta nova tecnologia permite uma
perceção sem precedentes em torno do CC, trazendo benefícios à guarnição, que não
necessita de ficar exposta para controlar o ambiente à sua volta e detetar ameaças (Mizokami,
2018). “O resultado é um excelente exemplo de como a IA e a humanidade podem trabalhar
em conjunto para melhorar processos, em vez de uma assumir o trabalho da outra”
(University of California Institute for Prediction Technology, 2023).
A GE representa uma ameaça significativa ao CC, uma vez que pode colocar em
causa sistemas de comunicação, proteção de dados, navegação e armamento, através de
ataques eletrónicos (Price, 2000). Se os sistemas forem comprometidos, o CC pode ficar
inoperável ou incapaz de realizar as suas funções adequadamente, uma vez que depende
destes meios. Além disso, pode ser usada, também, pelo In, para obtenção de informação de
extrema importância sobre o CC, tal como a sua localização, entre outros aspetos,
intercetando as comunicações entre este e outras unidades amigas ou meios.
A General Dynamics desenvolveu o Tactical Electronic Warfare System, um sistema
de suporte eletrónico tático terrestre, que pode ser integrado no CC, dedicado à deteção,
localização e identificação do In. Provê o comandante com capacidade de agir, reagir e
27
contra-atacar, de uma forma não letal ao negar, interferir, interromper e degradar a
capacidade adversária de comunicar, coordenar e sincronizar entre si (General Dynamics,
2020). O CC terá de implementar contramedidas eletrónicas para interromper e degradar a
eficácia das comunicações e navegação adversária, tal como prevenir ou reduzir a eficácia
de ataques eletromagnéticos, através da deceção (Haig, 2015).
A modificação do CB e o sucesso da missão dependerá das tecnologias de
informação, comunicação e da ligação em rede para manter o binómio humano-robot
conectado, por forma a não ser um alvo suscetível a ataques de hacking e de interferência
(Freedberg, 2021). Sobressai, neste âmbito, o Battlefield Manangement System, capacitando
o CC com um software, “que permite a partilha de informação em tempo real entre Unidades
destacadas em operações ou exercícios militares” e, assim, fornecer “a todos os elementos
envolvidos nas operações – uma panorâmica completa do que está a acontecer sem que estes
sejam sobrecarregados com informação desnecessária e permitindo assim um desempenho
eficiente” (Sequira, 2020, p. 52), tal como a posição geográfica no terreno. A ligação em
rede é um dos fatores que determina o percurso de uma ação a tomar no CB. Harrison (2021),
desvela que à medida que a ligação em rede e as comunicações se tornam mais rápidas,
vantajosas para os militares e atingem um maior alcance, acabam por ser um alvo atraente
para o adversário. A vantagem é atribuída a quem conseguir observar mais longe, com mais
clareza e agir mais rápido, negando às forças opositoras a capacidade de fazer o mesmo.
Exemplo disto é a rede de satélites Starlink, que destaca a importância da tecnologia na
guerra moderna e das comunicações, auxiliando as forças ucranianas na deteção de
equipamentos militares adversários, incluindo CC (Veritas, 2023a). O Starlink em conjunto
com os drones aumenta, de igual forma, a CS. A alta qualidade da captação de imagens
satélite apoia o planeamento das operações, dificulta a ocultação e dissimulação de forças,
material e equipamento inimigo, levando à destruição dos mesmos (Veritas, 2023b).
A eventual integração de sistemas baseados no espaço no CC será um passo vital para
as comunicações e para uma ampla gama de novas armas guiadas de precisão, que irão
revolucionar a condução da guerra (Pike, 2001a). Essas armas, que poderão ser
implementadas no CC, dependem de um “sistema de sistemas” integrado, que combina
informações, comunicações, navegação e outros sistemas militares espaciais” (Pike, 2001b,
p. 654). Para evitar o empastelamento ou o comprometer das comunicações, a EDA está a
desenvolver o Safe-communication extension para a NATO Generic Vehicle Architecture,
incrementando a proteção e comunicações seguras (EDA, 2022).
28
Apresenta-se, ainda, como potenciadora das capacidades do CC, a Tecnologia
Quântica. O Ministério da Defesa do Reino Unido tem feito experiências na integração de
computadores quânticos em CC, para determinar se este tipo de tecnologia emergente
melhora, significativamente, a comunicação no CB. Alguns peritos afirmam que esta irá
agilizar o processamento de informações e a tomada de decisão e reduzirá os riscos de
compartilha de dados através de criptografia (Saballa, 2022). Para além disso, o autor ilustra
que esta tecnologia permitirá uma segurança física das comunicações e que elementos de
manobra e munições inteligentes naveguem com precisão na ausência de GPS, assegurando
a aquisição de alvos. Poderá auxiliar, oferecendo poder de computação virtualmente
ilimitado e instantâneo, levando à distribuição de chaves criptografadas, criptoanálise e
decodificação para vigilância e deteção.
4.5. Autonomia
É revelado pela EDA, que na última década, sistemas não tripulados foram
características regulares no conflito. A implementação de Sistemas Autónomos letais na
defesa vão alterar a doutrina, as táticas e procedimentos militares no CB. No domínio
terrestre, elaborou-se um projeto designado Hybrid Manned-Unmanned Platooning
(HyMUP). Este visa comprovar a viabilidade de missões de combate coordenadas entre
sistemas não tripulados e veículos tripulados. A proteção dos Sistemas Autónomos contra
interferência inimiga e requisitos de segurança são abordados no projeto Protection Against
Enemy Interference (PASEI) (EDA, 2022). As guerras futuras serão travadas sem o
envolvimento humano, o que poderá implicar futuros CC autónomos (Scharre, 2018a).
Vertido, ainda, no foco da autonomia apresenta-se o veículo terrestre robótico baseado na
plataforma Wiesel. A Rússia pretende estender os limites nas características físicas dos
robots, sinalizando a sua intenção de utilizar IA avançada e revolucionária para impulsionar
a tomada de decisão e a identificação de alvos autónomas (Scharre, 2018b). O próximo passo
lógico será introduzir um CC não tripulado, mas controlado remotamente (Scharre, 2018c).
A Robótica não cria, apenas, novos modelos de viaturas ou máquinas que possam
fazer frente ao CC, mas envolve, também, a produção de equipamentos que possam ser
integrados num CC modernizando-o e dotando-o de uma vantagem competitiva superior a
qualquer outro, que não possua esse tipo de tecnologia ou aparelho.
29
Lye (2020) publica a opinião de Nick Reynolds, um investigador analista do Royal
United Services Institute Land Warfare, revelando que, por enquanto, os VTNT são sistemas
frágeis, suscetíveis de serem alvo de hacking ou o seu sinal poder ser interrompido. Apesar
dos esforços realizados para produzir esta tipologia de veículos, remotamente pilotados ou
autónomos, este especialista mantém-se cético quanto ao facto de o CC se tornar, num futuro
próximo, não tripulado. Explica que a versatilidade do CC moderno trespassa as
características de VTNT, uma vez que pode operar de forma independente, por um longo
período, e consegue com uma guarnição experiente alternar entre várias funções, desde o
reconhecimento ao ataque a uma posição fortemente defendida. O especialista remete para
uma probabilidade acrescida de se formar uma equipa entre o CC tripulado e sistemas não
tripulados, afastando a ideia destes sistemas substituírem o CC no CB, nos tempos vindouros
(Global Defence Technology, n.d.). O reformado Tenente-General Ben Hodges partilha, na
BBC News, um cenário futurista, não muito distante, no qual CC remotamente controlados
e drones de ataque agirão em conjunto com os CC tripulados, com o seu elevado poder de
fogo (Gardner, 2022).
A noção de uma complementaridade entre o CC e sistemas não tripulados poderá
passar pela integração de veículos de combate robóticos (VCR) a trabalhar em conjunto para
o mesmo objetivo, e não com a intenção de substituir o CC. A Breaking Defense (2020)
apresenta variantes de VCR, que com devidas adaptações poderão atingir um índice de
sobrevivência, em combate, igual ao de um CC. Exemplos são o VCR médio, parecido a um
CC, sendo portador de mísseis ACar, de uma blindagem leve com a opção de implementar
blindagem add-on; e o VCR pesado, com o propósito de ser um CC robótico, com poder de
fogo e uma taxa de sobrevivência idêntica ao M1 Abrams. Ao contrário do VCR médio, o
VCR pesado não vai operar à frente da força tripulada, mas ao lado dela. Destina-se a ser o
“braço direito” da força, manobrando em conjunto com o CC tripulado e deve, por isso,
suportar a mesma intensidade de ataques (Global Security, n.d.).
Numa outra perspetiva, os protótipos Panther KF51 e AbramsX estão projetados para
controlar VANT, como drones, e VTNT, facilitando o combate a estes mesmos
equipamentos adversários (Military Aerospace Electronics, 2021). A BAE Systems (2017)
concebe um futuro com o CC enquanto veículo autónomo, suportado por frotas de VTNT e
VANT, que além de compartilharem informação e terem como função o reconhecimento,
atuariam como um perímetro externo ao CC (Anexo C). Estes sistemas não tripulados
estariam incumbidos de enfrentar, numa primeira instância, ameaças e ataques com
contramedidas convencionais e balísticas, passando, numa segunda fase, para a utilização de
30
AED laser. O CC poderá ser conjugado com o VTNT médio, da Roboteam, que possui
tecnologia SMASH para assegurar capacidades de ataque preciso, bem como defesa anti-
drone (Roboteam, 2023). Os drones podem ser meios complementares ao CC, oferecendo
recursos úteis, como a capacidade de obter informações, em tempo real, a vigilância e o
reconhecimento sobre posições do In e terreno. Podem ser equipados com armas e
dispositivos de apoio, como sistemas de comunicação e jamming. A combinação dessas
capacidades melhora a eficácia e segurança dos CC em operações. O protótipo AbramsX,
no Anexo A, detém, na sua retaguarda, uma inovação referente a quatro lançadores de drones
“Kamikaze”, ou seja, munições Switchblade 300, controladas remotamente pela guarnição
(Seck, 2022). Este meio de combate poderá controlar outros VANT, bem como VTNT. Neste
cenário, encontra-se o projeto Counter Unmanned Aerial System (C-UAS) relacionado com
o desenvolvimento de um “sistema de sistemas” avançado e eficiente apto para contrariar a
ameaça imposta pelos VANT, que poderá ser implementado no CC (Permanent Structured
Cooperation [PESCO], 2022). Tal mostra, como é importante os CC serem dotados de
sistemas anti-drone, mas também possuírem drones, que trabalhem enquanto contramedidas,
seja para fazer aquisição de alvos e destruir equipamento adversário, seja para executar
tarefas de vigilância e reconhecimento.
4.6. Projetos
31
ACar, ampliando a proteção do CC nas suas partes mais vulneráveis, nomeadamente a parte
superior e inferior (The National Interest, 2022).
Segundo a Breaking Defense (2021), existe um potencial revolucionário para
desagregar a tradicional visão que se tem do CC do futuro. Este poderá sofrer grandes
alterações, optando-se por distribuir as suas funções em variadas plataformas. Em vez de
manter as suas características num único veículo, poderá acontecer os sensores de longo
alcance serem acoplados a um drone, os seus engodos num outro drone, a arma principal
num robot terrestre, e o operador humano colocado num veículo de comando blindado a uma
distância segura do CB. Tenciona-se moldar a perceção do CC ao combinar diferentes tipos
de forças, separando os sistemas de armas por diversas plataformas.
No entanto, uma outra perspetiva tem-se levantado para fazer face às ameaças
adversárias, abordando um sistema de armas combinadas, envolvendo três plataformas:
numa primeira instância, seriam lançados drones de ataque para derrubar as defesas aéreas
inimigas e postos de comando, seguindo-se os VTNT para confrontar diretamente os alvos
a abater, e, em último, os CC para destruir os alvos mais difíceis, que não tenham sido
eliminados, anteriormente. Desta forma, o CC manter-se-ia semelhante ao CC atual, com
upgrades para automatização de certas funções e menor dispêndio de energia humana.
No âmbito da Robótica, prevê-se que o número de plataformas não tripuladas
aumente no CB, nos próximos anos. Nesse sentido, a EDA está a elaborar o projeto Combat
Unmanned Ground Systems (CUGS) para identificar o nível adequado de autonomia para
sistemas de armas autónomos com o conceito de “man on the loop”. Este tem como objetivo
definir, desenhar e desenvolver um conjunto de módulos funcionais para garantir soluções
na área da navegação, das comunicações, do comando e controlo, da cooperação e segurança,
da inteligência e autonomia, associados à demonstração das habilidades de combate de
VTNT em cenários operacionais (EDA-B PRJ RT 1064, 2022).
Está a ser desenvolvido o projeto Automatic Threat Recognition, Identification And
Targeting (ATRIT), um sistema que poderá vir a ser integrado no CC, por forma a fornecer
a capacidade de adquirir, identificar e neutralizar alvos terrestres pelo menos três vezes mais
rápido em comparação com os processos manuais atuais. O objetivo do ATRIT passará por
proteger a força, contribuindo para uma melhor eficácia e eficiência, ao possuir sensores
com observação e compreensão a 360 graus, detetar alvos através da análise de vídeo-
imagem, e integrar sistemas de informação em tempo real (EDA-B PRJ RT 1064, 2022).
O programa Adaptative Smart Camouflage for Land Systems (ASCALS) é
interessante para o CC, na medida que se vão explorar técnicas de camuflagem adaptativas
32
e soluções para aprimorar a ocultação, dissimulação e deceção no CB. Tem como intuito
impedir que sistemas terrestres, como CC, sejam detetados, identificados ou que as suas
intenções sejam reveladas. As contramedidas incluem camuflagem passiva e ativa, Materiais
Avançados, métodos de deceção e tecnologias disruptivas (European Commission, 2022).
Embora não esteja, ainda, estritamente ligado ao CC, a General Dynamics uniu-se à
Epirus para adaptar AED como uma plataforma de defesa antiaérea de curto alcance26, capaz
de cobrir um amplo arco e neutralizar inúmeros drones, simultaneamente. Os testes
realizados têm-se mostrado assertivos na destruição de múltiplos drones e alvos individuais
(McFadden, 2022).
26
Short-Range Air-Defense (SHORAD).
33
aquisição de alvos. A introdução de VTNT ou drones, como meios complementares e
integrais ao CC, permite uma forma cooperativa de executar tarefas complexas, no
reconhecimento ou na destruição de ameaças. Estes Sistemas Autónomos poderão declarar-
se como primeiras abordagens a ameaças, salvaguardando, numa primeira instância, o CC.
34
evidenciar, nomeadamente no vetor aéreo, materializado por drones de reconhecimento e
ataque, loitering munitions, pelo desenvolvimento de armas ACar com capacidade top down
attack e mísseis de nova geração; e no vetor terrestre, no qual é revelado a importância das
comunicações e da rápida análise do fluxo de dados, tal como uma eventual mudança futura
dos sistemas não tripulados, isto é, remotamente pilotados para Sistemas Autónomos.
Intrinsecamente ligada à questão anterior, a Questão n.º 3 “De que maneira as TED
têm transformado as operações militares e qual o seu impacto no CC?” revela a importância
do CC acompanhar e se adaptar à evolução tecnológica para evitar a sua obsolescência. Dois
dos nove entrevistados remetem para as questões éticas e legais no emprego de força letal,
mencionando a imprescindibilidade de prudência na abordagem às TED. No caso do
desenvolvimento de Sistemas Autónomos, a decisão final deve depender sempre do fator
humano. O (E1) revela a complexidade do CB terrestre, por apresentar obstáculos às
comunicações e à mobilidade. Os restantes entrevistados partilham a relevância do
aprimoramento de sistemas passivos, como a blindagem e camuflagem; e de sistemas ativos
no CC, como os SPA. Tal deve-se a um cenário de ataques em profundidade definido por
sensores, que impedem a ocultação e surpresa; pelos alcances e pela precisão do armamento,
permitindo uma aquisição de alvos assertiva; e pela análise do fluxo de informação, em
tempo real, com implicações no comando e controlo. Em adição, o (E6) ilustra a crescente
dependência do CC da componente eletrónica, estando mais suscetível de ser alvo de GE e
Guerra Cibernética. De um modo geral, as TED têm forçado a implementação de defesas
ativas, passivas e a incorporação de meios de deteção e defesa contra a ameaça aérea e
terrestre, por forma a que o CC consiga “ver primeiro, detetar primeiro, empenhar-se e
disparar primeiro” (E7) contra a ameaça.
No que concerne a Questão n.º 4 “Após revisão de literatura e tendo por base as
áreas tecnológicas prioritárias da North Atlantic Treaty Organization (NATO) e as TED da
European Defence Agency (EDA), destaquei as seguintes TED e formas de Guerra:
Inteligência Artificial (IA); Big Data; Autonomia; Energia e Propulsão; Materiais
Avançados; Tecnologia Quântica; Tecnologia Hipersónica; Espaço; Robótica e Sistemas
Autónomos (Sistemas Aéreos Não Tripulados (SANT) - Drones (“enxame”); Veículos
Terrestres Não Tripulados (VTNT)); Armas de Energia Dirigida (AED); Guerra Eletrónica
(GE) e Guerra Cibernética. Quais considera mais críticas para o CC, exigindo urgente
resposta?” a maioria dos entrevistados consideraram a Robótica e os Sistemas Autónomos,
a GE e a Guerra Cibernética, os Materiais Avançados, a IA, o Big Data, o Espaço e a
Autonomia como as ameaças tecnológicas emergentes e disruptivas mais críticas para o CC.
35
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
IA BIG DATA ESPAÇO ROBÓTICA E GE E GUERRA
SISTEMAS CIBERNÉTICA
AUTÓNOMOS
O gráfico, da figura 1, revela que sete dos nove entrevistados vão ao encontro dos
autores Aziz (2017), Obering (2020) e Venugopal et al. (2011), colocando a GE e a Guerra
Cibernética, tal como a Robótica e os Sistemas Autónomos no plano mais crítico para o CC.
Salienta-se a ameaça proveniente dos SANT, que observam em profundidade o CB,
originando ataques específicos e precisos nos sítios mais vulneráveis no CC, designadamente
a sua parte superior, colocando-o numa posição de fragilidade. Exemplo são as loitering
munitions e drones armados, que “permitem uma aproximação furtiva ao CC e causar a sua
destruição” (E9) com uma elevada precisão. A GE e a Guerra Cibernética são formas de
guerra com “capacidade de deixar um CC fora de combate” (E3). À medida que o CC vai
ficando mais digital, maior será a ameaça eletrónica, sujeitando-o a ataques de jamming e
impulsos eletromagnéticos, que podem destruir e danificar os sistemas eletrónicos, bem
como afetar áreas, como o comando e controlo e a logística. Estas duas tecnologias poderão
contribuir para a disrupção dos sistemas de comunicação, quebrando a ligação em rede. Mais
de metade dos entrevistados associa a IA ao Big Data e consideram que ambos
desempenham uma responsabilidade, concernente às tecnologias de informação e
comunicação. Sente-se a necessidade de uma rápida análise do fluxo informativo que é
gerado pelo dinamismo do CB, para que o CC consiga responder atempadamente às ameaças
adversárias. Ademais fazem com que o CC se torne num alvo de fácil deteção e destruição.
A IA inserida em VTNT poderá ter efeitos devastadores no CC, na medida que seria mais
letal e afetaria o seu emprego. Porém, o CB terrestre é, ainda, demasiado complexo para a
36
integração de Sistemas Autónomos. Associado aos conceitos supramencionados, o Espaço
manifesta ter um impacto indireto no CC. Correspondendo ao ponto de vista de Veritas
(2023c), de acordo com 33% de entrevistados, a perceção situacional do CB e os sistemas
de vigilância, como satélites e sensores, são críticos, tornando mais difícil a ocultação e
dissimulação do CC. Este depara-se com um problema de identificabilidade, uma vez que as
suas assinaturas térmica, sonora e magnética o expõem. Por ser rapidamente detetável
através de sensores, que contribuem para uma observação eficaz do CB, será, de igual modo,
simples “receber, processar, interpretar e disseminar a informação obtida aos vetores de
empenhamento” (E7), reduzindo o ciclo de targeting e, assim, revelar que meio mais se
adequa para a neutralização do CC, numa determinada circunstância. Embora a Tecnologia
Quântica e as AED tenham surgido no decorrer das entrevistas, conclui-se que estão numa
fase embrionária, mas terão a sua influência nas plataformas terrestres e no CC, em
particular, num futuro distante. A Quântica poderá revolucionar a maneira de processamento
e proteção dos dados, através de criptografia. As AED poderão conseguir neutralizar
sistemas ativos e óticos do CC, afetar sensores e servirem de disruptores nas componentes
eletrónicas. Todos estão de acordo de que a Tecnologia Hipersónica não possui, nesta fase,
um papel relevante para o CC. É uma hipótese remota vir a ser integrada no CC ou ser
direcionada contra o CC. Trata-se de uma tecnologia com interesse para alvos
estrategicamente mais remuneradores, apesar do (E2) mencionar que o “melhor sistema para
perfurar a blindagem do CC seria um míssil hipersónico portátil”.
Através dos resultados obtidos da quarta questão, relativos ao grau crítico da tipologia
de ameaças tecnológicas que o CC poderá enfrentar, importa averiguar a Questão n.º 5
“Observando o paradigma atual do CC e tendo em conta desafios vindouros das TED, na
sua opinião, que contramedidas ofensivas/defensivas e sistemas ativos/passivos estão e/ou
deveriam ser implementados para potenciar a sobrevivência no CC?”, que resultou na figura
2.
37
100
90
80
70 IA
60 Big Data
50 Robótica e Sistemas Autónomos
40
AED
30
20 GE e Guerra Cibernética
10 Tecnologia Quântica
0
Materiais Avançados
SPA
Energia e Propulsão
Autonomia
38
beneficiará o CC, na medida em que contribuirá para a automatização de alguns
procedimentos e sistemas, nomeadamente sistemas de alimentação. Relativamente aos
Sistemas Autónomos, de uma forma geral, os entrevistados e os autores Kofman (2020) e
Shaikh & Rumbaugh (2020) defendem a exploração e introdução de sistemas anti-drone
eficazes, dado que o vetor aéreo mostra ser uma ameaça iminente e crítica para o CC. O (E2)
especifica uma solução para o combate anti-drone, a possibilidade de aplicação de um
canhão de 30mm, no topo do CC, com munições airburst, que poderá proteger o CC de
mísseis ACar e SANT. Por um outro lado, o (E3) constata uma metralhadora com radar, que
consiga destruir SANT. 22% dos entrevistados mencionaram as AED como uma provável
contramedida para o combate anti-drone. Encarando os drones de uma outra perspetiva, os
(E4) e (E6) visualizam um CC, que se poderá “fazer acompanhar de drones para o ajudar na
identificação de alvos” (E4) e aumentar a sua perceção situacional, como é o caso do
protótipo AbramsX (Seck, 2022). “Um meio de aquisição de objetivos que se encontre uns
metros acima da terra permite perceber, facilmente, onde se encontra o alvo e fazer uma
avaliação de damage assessment” (E4), obtendo uma visão alargada do ambiente. Dois dos
nove defendem que os VTNT podem ser interessantes para proteger o CC ao empregá-los
para serem criados acessos, a minas ACar, por exemplo, ou pelas várias assinaturas que se
geram, obrigando o In a duvidar do alvo, podendo confundir-se e neutralizar um outro alvo
que não o CC. Poderão ser um complemento ao CC, formando uma equipa mista entre
sistemas tripulados e não tripulados. Segundo o (E3), é de realçar os sistemas de GE como
medidas de autodefesa. Um jammer poderá confundir SANT, interferindo, assim, com a
tecnologia de informação e as comunicações do adversário, por meio de empastelamento.
De acordo com o (E5), “contramedidas eletrónicas para assegurar a integridade de
comunicações entre veículos, unidades e comandos, computação, análise de dados, seleção
e direção de tiro dos CC” são fulcrais. Vincula-se a Tecnologia Quântica, que tem potencial
para influenciar, indiretamente, a capacidade de encriptação e codificação de dados,
dificultando a penetração inimiga nas comunicações do CC. A maioria dos entrevistados,
bem como Mehara et al. (2021) e Sutar et al. (2016), concorda em que a sobrevivência do
CC irá passar pela aplicação dos Materiais Avançados, tanto na blindagem como na
camuflagem, melhorando, significativamente, a sua proteção e contribuindo para a redução
da sua assinatura térmica, radar e magnética. Segundo o (E1), os materiais adaptativos e
protetivos permitirão reduzir “as assinaturas visuais, magnéticas e térmicas” e “incrementar
a proteção contra penetrações balísticas e efeitos de detonações” (E1). Contudo, deve-se ter
em atenção o peso do CC. A sua estrutura física deverá ficar mais leve, por forma a conferir
39
mais mobilidade. A logística poderá beneficiar dos novos materiais, pois, eventualmente,
será “possível imprimir peças para o terminal logístico e de reabastecimento, o que facilitará
a logística do CC” (E3). À semelhança do que é retratado pelos autores Yang & Xu (2021)
e Coutteau et al. (2005), denota-se a importância dos SPA e dos sistemas passivos, como
redes de camuflagem para redução da assinatura térmica e radar. Alguns entrevistados
espelham a lacuna dos SPA atuais, expondo que, apesar de serem contramedidas
imprescindíveis, não protegem o CC, no seu todo, deixando a parte superior vulnerável. Para
tal, será imperativo o desenvolvimento de SPA, com a integração de IA, que formem uma
redoma a 360º, incluindo as partes superior e inferior do CC. Quatro entrevistados
consideram que a energia e propulsão poderão ser determinantes, permitindo o CC ser
energeticamente menos dependente e possuir sistemas próprios de alimentação eficiente. A
adaptação de um sistema híbrido num CC poderá ter vantagens ao torná-lo mais resiliente e
o tipo de energia pode aumentar a dificuldade de deteção. Um CC elétrico “poderá ser fator
de mitigação do risco de deteção térmica e sonora” (E7). Dois dos entrevistados propõem a
autonomia como uma tecnologia a ser inserida no CC como solução para proteger a
guarnição, através do controlo remoto do CC.
Conclui-se que, o grande desafio para o CC consistirá na maneira de como este irá
conseguir operar todos os equipamentos tecnológicos, identificar ameaças e alvos díspares,
tanto do vetor aéreo como terrestre, e ser eficiente e preciso no seu ciclo de targeting, a
curtas e longas distâncias. Será fundamental que o CC utilize as TED a seu favor.
Perspetivando o CC do futuro, apurou-se, através da elaboração da seguinte Questão
n.º 6 “Como perspetiva o CC no futuro? / Como perceciona o CC no futuro, perspetivando
se passará: A - pela já iniciada implementação de contramedidas no CC face às TED; B -
pela integração de meios complementares exteriores ao CC, como primeira abordagem à
ameaça; C - pela transfiguração do CC enquanto meio de combate não tripulado; D – por
qualquer outra hipótese (programas/projetos, as diversificadas considerações e reflexões
sobre o conceito do CC no futuro. As opiniões foram homogéneas, destacando-se, numa
primeira abordagem, a inevitável evolução tecnológica do CC como um reflexo do
dinamismo e desenvolvimento tecnológico, na componente militar e nos diversos domínios.
Embora não se preveja, a curto prazo, um CC não tripulado ou totalmente autónomo, pode
ser estudada e pensada a introdução de determinados níveis de autonomia no CC. O (E1), o
(E6) e o (E9) idealizam, no futuro, um CC não tripulado, que seja dependente da intervenção
humana para ações letais. A sua completa autonomia dependerá de questões legais, uma vez
que não consideram razoável um CC completamente autónomo, com as suas características
40
de poder de fogo, choque e manobra. Poderão ocorrer riscos e danos colaterais se a tomada
de decisão passar única e exclusivamente pela máquina. A esta mentalidade liga-se o (E3),
cuja opinião se reflete num CC, a médio e longo prazo, com um crescente nível de autonomia
e robotização. Concebe a ideia de um CC com semelhanças no peso e na dimensão, com
capacidades ofensivas e defensivas tecnologicamente avançadas, bem como com a
incorporação de Materiais Avançados e novas ligas mais eficientes. Numa fase avançada, o
(E4) e Scharre (2018) denotam como possível um CC totalmente autónomo. O (E2), no
entanto, apresenta uma outra opinião, fazendo uma analogia à 1GM. Demonstra que o CC
de 2050 não será, fisicamente, muito diferente do que se observa, atualmente. Pode sofrer
algumas alterações, no âmbito da blindagem, mas a sua fisionomia de “ferro” manter-se-á
parecida. Apesar do (E6) concordar com o conceito de man on the loop num CC não
tripulado, não descarta a ideia do CC do futuro continuar a ser tripulado e parecido ao
existente, não obstante este passar a ter um maior poder de fogo com AED, sistemas
avançados de SPA, proteção passiva aprimorada devido a novos materiais, uma melhor
capacidade de ligação em rede com outras plataformas, um outro tipo de energia de
locomoção e ser mais leve. Indo ao encontro de uma equipa mista entre sistemas tripulados
e sistemas não tripulados, o (E7) partilha da ideia do Tenente-General Ben Hodges e acredita
que o CC possa ser acompanhado por meios complementares, como drones, tendo como
função a observação e vigilância do CB e transmissão de informação, evitando a exposição
desnecessária do CC. Todavia, no entendimento do (E1) e do (E3), é retirada a noção de que,
por enquanto, não é exequível ter VTNT no CB terrestre ou fazer deles meios
complementares ao CC. Estes meios são demasiado complexos e o terreno não é standard,
o que dificultará o comando e controlo, em tempo real. O último entrevistado contempla que
a evolução do CC passará pelas opções A, B e C, respetivamente, expressas na questão.
Depreende-se, assim, que, para todos os entrevistados, o CC evoluirá tecnologicamente e
permanecerá um sistema de armas decisivo e valioso, em contexto de “guerra total”.
41
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
42
terrestre, os VTNT estão a ser desenvolvidos para a realização de uma ampla gama de
tarefas, podendo ser vocacionados para fins defensivos, ofensivos e de reconhecimento.
Estão a ser realizados esforços para a concretização de projetos de VTNT que se aproximem
ao CC atual, mas robotizado, conjugando num forte oponente a sistemas e meios de combate.
Os avanços na IA e na Robótica podem ter efeitos devastadores. Permitem o
desenvolvimento desta tipologia de robots, aperfeiçoando, através de sensores avançados e
algoritmos, a tomada de decisões rápidas e precisas em tempo real e a execução de missões
complexas, o que inerentemente dificulta a defesa e a proteção de outros sistemas de armas.
Observando o Espaço e a Tecnologia Quântica, que compreende a GE e a Guerra
Cibernética, estas apresentam alguma criticidade, na medida em que conseguem interferir
com as comunicações e proteção de dados. Facilmente, danificam ou degradam os sistemas
eletrónicos de qualquer sistema de armas, condicionando a sua capacidade de operar ou de
executar devidamente as suas tarefas e tornando-o suscetível a variados ataques. Em
referência às AED, estas podem possuir uma capacidade de penetração, capaz de deteriorar
os sistemas de defesa e levar a danos estruturais do CC.
No que respeita a PD n.º 2 “Qual o impacto das tecnologias emergentes e disruptivas
atualmente conhecidas no Carro de Combate?” aferiu-se que as TED influenciam os setores
da CS, comunicação e proteção do CC. As principais preocupações do CC passam por evitar
ser detetado, manter os seus sistemas em rede seguros e reforçar a sua capacidade ofensiva.
Em função destes argumentos, o CC terá de adotar medidas para ocultar-se e dissimular-se
no CB, cada vez mais transparente; salvaguardar as comunicações de ataques eletrónicos e
cibernéticos, evitando a interferência e penetração adversária; manter a sua operacionalidade
e proteção, mitigando e evitando os riscos provenientes dos SANT, como loitering munitions
e drones, e plataformas terrestres.
A PD n.º 3 “Que tipo de contramedidas e implementações tecnológicas devem ser
integradas no Carro de Combate para neutralização das ameaças emergentes e
disruptivas?” revela a necessidade do CC investir em sistemas anti-drone, no seu poder de
fogo e letalidade, através de AED, em contramedidas eletrónicas e cibernéticas, em sensores
avançados e IA. O uso de sistemas anti-drone é indispensável para contrariar a capacidade
dos SANT conseguirem identificar a localização exata de CC, danificando-os ou destruindo-
os. De maneira a fazer face aos drones e loitering munitons, o CC deverá, ainda, desenvolver
e aprimorar os SPA, já existentes, para proteger todos os ângulos, inclusive as suas partes
mais vulneráveis, como a parte superior. Será imprescindível incorporar contramedidas
eletrónicas para detetar possíveis infiltrações nos sistemas e interferir com as capacidades
43
eletrónicas do In, podendo provocar falhas na orientação de armamento e projéteis
adversários; e contramedidas cibernéticas, enquanto sistemas de deteção de intrusões e
criptografia de dados, para prevenir e responder a ataques cibernéticos. A inclusão de
sensores avançados e IA permitirá a deteção de alvos e reduzirá o tempo de resposta a
ameaças, decorrendo uma avaliação do risco e uma análise de ameaças, contribuindo,
paralelamente, para um aumento do grau de precisão e eficácia de contra-ataques.
No que tange a PD n.º 4 “Que tipo de implementações tecnológicas emergentes e
disruptivas devem ser integradas no Carro de Combate, que influenciem positivamente as
suas capacidades?” observam-se algumas TED, como implementações relevantes e
influentes no ciclo de sobrevivência do CC. Este, no futuro, deverá adotar sistemas híbridos,
por forma a melhorar a sua eficiência operacional e resistência, podendo ter benefícios na
redução da assinatura térmica, eletromagnética, radar e acústica. Mostra-se vital a proteção
do CC e da sua blindagem, através da utilização de Materiais Avançados adaptativos e
protetivos. Estes materiais poderão torná-lo mais leve, móvel, ágil, flexível e versátil, tanto
na execução das suas missões, como na rápida manobra para evitar ser atingido por qualquer
tipo de ameaça. A IA poderá ser empregue para melhorar o desempenho do CC em várias
áreas, nomeadamente análise, processamento e interpretação de grandes volumes de dados,
deteção automática de possíveis ameaças e identificação de alvos, otimização do uso de
recursos e automatização de sistemas, levando à redução de carga de trabalho da guarnição
e direcionando o foco para outros ângulos de importância idêntica. Concilia-se a
implementação de sensores avançados e a possibilidade de realidade aumentada, facilitando
a compartilha de informações, em tempo real, com outras plataformas e aumentando a
transparência do CB através da CS. Tal permitirá ao CC agir primeiro e estar sempre um
“passo à frente” das eventuais ameaças que possam surgir. Para o sucesso do CC, este terá
de garantir a segurança das suas redes de comunicação, não descurando a essência da
conectividade. A integração de sistemas de comunicação avançados é fundamental para
permitir a troca de informação crítica entre ativos operacionais, manter o comando e
controlo, melhorar a coordenação de operações conjuntas, estabelecer redes de comunicação
seguras e criptografadas, garantir a integridade e confidencialidade das informações
transmitidas entre o CC, outras unidades aliadas e plataformas, evitando intercetações ou
manipulações por parte do In. Uma outra proposta poderá ser a complementaridade entre o
CC e VTNT ou drones, que protejam afincadamente o CC, abordando as primeiras ameaças.
Desta forma, foi possível responder à PP “De que forma o Carro de Combate se pode
moldar face às tecnologias emergentes e disruptivas?”. Sobressaíram três possíveis
44
ramificações, pelas quais o CC poderá enveredar, tanto num futuro próximo como
longínquo. Num futuro próximo, o CC poderá manter o seu conceito atual, evoluindo
tecnologicamente, aprimorando os seus demais componentes e sistemas e aumentando a sua
eficácia e precisão no combate. Uma outra possível derivação poderá passar por um cenário
de armas combinadas, no qual o CC se faz acompanhar por outros robots, como VTNT e/ou
drones. O CC mantém-se como “peça” principal, no entanto, os Sistemas Autónomos e não
tripulados poderão servir para fins de reconhecimento, deteção e identificação de alvos,
possibilitando uma resposta mais rápida por parte do CC, ou como uma primeira abordagem
a ameaças, protegendo o CC. Num futuro longínquo, é plausível a elevada probabilidade do
CC sofrer uma “transfiguração”, ou seja, passar a ser um sistema de armas sem guarnição,
remotamente tripulado ou até mesmo completamente autónomo.
Esta investigação apresenta como contributos medidas e contramedidas relevantes a
implementar no âmbito das capacidades ofensivas e defensivas do CC perante o
desenvolvimento das TED. Extrai da Guerra Russo-Ucraniana a preponderância do CC, no
conflito convencional, e coopera para uma melhor compreensão das TED, cada vez mais
importantes em operações militares. Este trabalho mostra-se inovador, uma vez que aborda
o impacto das ameaças emergentes e disruptivas no CC e exibe como este se pode
modernizar e moldar em relação aos avanços tecnológicos. O estudo identificou áreas
tecnológicas, sistemas, equipamentos, upgrades, medidas e contramedidas, que o CC deve
integrar, desenvolver e aprimorar, de maneira a garantir a sua sobrevivência.
Reconhece-se como limitação do TIA o facto do tema escolhido apresentar novidade,
enquadrando-se numa análise preliminar e deliberadamente genérica. Trata-se de um
exercício especulativo, pois muitas das TED, sistemas e equipamentos mencionados ao
longo do trabalho, ainda não estão, efetivamente, integrados no CC e muitos dos projetos
implementados noutras plataformas e viaturas não são projetos práticos pensados para o CC.
Neste seguimento, recomenda-se a elaboração, no futuro, de trabalhos de caráter
semelhante, aplicados à exploração mais específica do impacto positivo e negativo e dos
efeitos de uma única TED ou forma de guerra no CC, observando, pormenorizadamente, a
maneira de “como a implementar”. Propõe-se, também, a análise do CC completamente
autónomo e a influência da guarnição neste meio de combate e, ainda, a contemplação da
alteração doutrinária, na esfera da tática e estratégia, atendendo o novo CB imposto pelas
TED.
45
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AJLAbs. (2023, January 25). Abrams and Leopard tanks: Why are they important to
Ukraine? ALJAZEERA. [Link]
leopard-tanks-why-are-they-important-in-ukraine
Alpaydin, E. (2020). Introduction to Machine Learning. The MIT Press.
Amiet, A., Edwards, D., Ibrahim, M., Mart, P., McAdam, G., St John, N., & Truong, V.
(2010). Exploitation of Smart Materials and Sensors as Disruptive Technologies.
Maritime Platforms Division.
Andersson, C. (2022). The Unmanned Ground Vehicles to be used in future military
operations.
Antal, J. (2021). The First War Won Primarily with Unmanned Systems Ten Lessons from
the Second Nagorno-Karabakh War.
Army Recognition. (2023). M1A1 SA Situational Awareness main battle tankArmy
Recognition. Army Recognition.
[Link]
k_uk/m1a1_sa_situational_awareness_main_battle_tank_technical_data_sheet_specifi
cations_pictures_video.html
Army Technology. (2016). Uran-9 Unmanned Ground Combat Vehicle. Army Technology.
[Link]
vehicle/
Army Technology. (2023). Marker Anti-Tank Robotic Unmanned Ground Vehicle, Russia.
Army Technology. [Link]
russia/
Australian Army Research Centre. (2020). Quantum Technology: The Defence Imperative.
Australian Army Research Centre. [Link]
power-forum/quantum-technology-defence-imperative
Aziz, S. (2017). Lethal Autonomous Weapons Systems (LAWS): Security, Moral and
Humanitarian Implications. CISS Insight Quarterly Journal.
BAE Systems. (2017, September 11). Unmanned tank of the future will be at centre of
autonomous combat fleet. BAE Systems.
[Link]
centre-of-autonomous-combat-fleet
46
Base Camp Conect. (2022). Real-Time Situational Awareness: The Key to Successful
Military Operations. Base Camp Conect. [Link]
time-situational-awareness/
Bisht, I. (2023). Russia Readying Tank-Killing Robots for Donbas, Claims Former Space
Chief. The Defense Post. [Link]
killing-robots/
Bonbrest, N. (2022). Army advancing first hybrid electric Bradley. U.S. Army.
[Link]
Breaking Defense Staff. (2020). How Active Protection Systems Knock Down Anti-Armor
Threats for Both Legacy and Future Combat Vehicles. Breaking Defense.
[Link]
anti-armor-threats-for-both-legacy-and-future-combat-vehicles/
Britzky, H. (2022, abril 18). No, tanks will not be obsolete in the wars of the future. Task
and Purpose. [Link]
Bruno, E., Moreira, F. R., Inês, D., & Ribeiro, M. (2022). A Instrumentalização das
Tecnologias Emergentes e Disruptivas na área da Defesa por parte de atores
internacionais: o caso da cooperação entre a NATO e a União. ISCTE.
Burgess, R. (2022). Berger: Ukraine War Demonstrates Vulnerability of Tanks to Missile-
Armed Infantry. Seapower. [Link]
demonstrates-vulnerability-of-tanks-to-missile-armed-infantry/
Charles Coutteau, C. G., John Long, L. E., & Thomas Bentzel, M. F. (2005). Active
Protection Systems (APS)-Future Force Capabilities to Meet Current Force Needs.
Citino, R. (1999). Path to Blitzkrieg: Doctrine & Training in the German Army, 1920-1939.
Lynne Rienner Publishers. [Link]
Clapp, S. (2022). Emerging disruptive technologies in defence.
[Link]
Committee on Forecasting Future Disruptive Technologies, National Research Council, &
Division on Engineering and Physical Sciences. (2010). Persistent Forecasting of
Disruptive Technologies - Report 2. The National Academies Press.
Correia, P. (2018). Manual de Geopolítica e Geoestratégia. Biblioteca Nacional de Portugal.
Cruz, F. (2011). Os Veículos Terrestres Não Tripulados nas unidades de reconhecimento
[Academia Militar]. [Link]
47
Danylov, O. (2022, abril 26). R18 octocopter from Aerorozvidka – Ukrainian drone
destroying the enemy. Mezha. [Link]
from-aerorozvidka-ukrainian-drone-destroying-the-enemy/
Deb, S. (2021). Explained: How Explosive Reactive Armour Works? DefenceXP.
[Link]
Delerue, F. (2020). Cyber Operations and International Law. Cambridge University Press.
[Link]
EDA. (2022). Autonomy in Defence: Systems, Weapons, Decision-Making. European
Defence Matters. [Link]
defence-systems-weapons-decision-making
EDA. (2022). Captech Ground Systems (Land). [Link]
activities/activities-search/captech-ground-systems
EDA-B PRJ RT 1064. (2022). Combat Unmanned Ground System – CUGS.
Eiriz, Q. (2022). O Conflito de Nagorno-Karabakh de 2020: Lições aprendidas para a
defesa antiaérea do século XX.
[Link]
EODH. (2020). ASPIS Modular. EODH. [Link]
solutions/[Link]
European Commission. (2022). Innovative technologies for adaptive camouflage.
European Defence Agency. (n.d.). Driven by Global Threats, Shaped by Civil High-Tech.
Acedido em 16 de março, 2023, from [Link]
story/driven-by-global-threats-shaped-by-civil-high-tech
Fan, R. (2017). Sistemas de Proteção Ativa (APS). Defesanet.
[Link]
Fonseca, M. (2014). O Conceito de Proteção da Força. Sistemas de Proteção para Carros
de Combate face às Atuais Ameaças. Academia Militar.
Fontes, R., & Kamminga, J. (2023, março 25). Ukraine A Living Lab for AI Warfare.
National Defense Magazine.
[Link]
[Link]
Fortin, M.-F. (1999). O Processo de investigação: Da concepção à realização. Lusociência.
Foss, C., & Cazalet, M. (2022). Future Main Battle Tanks. European Security and Defence.
[Link]
48
Freedberg, S. (2020). Meet The Army’s Future Family Of Robot Tanks: RCV. Breaking
Defense. [Link]
robot-tanks-rcv/
Freedberg, S. (2021). Future Tank: Beyond The M1 Abrams. Breaking Defense.
[Link]
Freitas, E., & Prodanov, C. (2013). Metodologia do trabalho científico: Métodos e Técnicas
da Pesquisa e do Trabalho Académico (2nd ed.). FEEVALE.
Freixo, M. (2012). Metodologia Científica Fundamentos, Métodos e Técnicas. Instituto
PIAGET.
Gadekar, A., Aher, J., Deshmukh, P., & Fulsundar, S. (2023). Rakshak: A Modular
Unmanned Ground Vehicle for Surveillance and Logistics Operations. Cognitive
Robotics. [Link]
Gardner, F. (2022). Ukraine war: Is the tank doomed? BBC News.
[Link]
General Dynamics. (2020, September 1). In The News: America’s Tank Division Modernizes
Electronic Warfare Capabilities. General Dynamics.
[Link]
modernize-electronic-warfare-systems-tews
Gil, A. (2008). Métodos e Técnicas de Pesquisa Social (6th ed.). Atlas.
Global Defence Technology. (n.d.). UGVS are coming, but can they replace tanks? Global
Defence Technology. Acedido em 29 de março, 2023, from
[Link]
ut_can_they_replace_tanks
Global Security. (n.d.). Armed Robotic Vehicle (ARV) UGV. Global Security. Acedido em
3 de abril, 2023, from [Link]
[Link]
Global Security. (n.d.). RCV-H Heavy. Global Security. Acedido em 24 de março, 2023,
from [Link]
Global Security. (2020). Slat Armor. Global Security.
[Link]
gmv. (2020). GMV participates in the European defense program for the development of an
unmanned ground vehicle. Gmv. [Link]
participates-european-defense-program-development-unmanned-ground-vehicle
49
Grabianowski, E. (2022). How Military Robots Work. Howstuffworks.
[Link]
Guimarães, T. (2022, August 3). Forças azeris atacam Nagorno-Karabakh e poem em xeque
negociações de paz com a Armênia. O Globo.
[Link]
[Link]
Haig, Z. (2015). Electronic Warfare in Cyberspace.
[Link]
Hambling, D. (2022, July 14). Ukraine’s Next-Gen Anti-Tank Drones Are Bigger, Tougher
And Much Smarter. Forbes.
[Link]
drones-are-bigger-tougher-and-much-smarter/?sh=29af6b073c4e
Harvard University. (2015). Unmanned Aircraft Systems / Drones. Risk Management &
Audit Services. [Link]
Hawkes, J. (2022). Primer: AFV Situational Awareness. The Institute of Tanknology.
[Link]
Hoehn, J. (2022). Role of EW in Military Operations. [Link]
House, J. (2001). Combined Arms Warfare in the Twentieth Century. University Press of
Kansas.
Hutchins, D. (2023). Robotics, Autonomous Systems, and the Future of the US Military.
Market Connections. [Link]
systems-and-the-future-of-the-us-military/
IBM. (n.d.). What is artificial intelligence (AI)? IBM. Acedido em 19 de maio, 2023, from
[Link]
IntroBooks Team. (2020). Artificial Intelligence in Military. IntroBooks.
Jensen, E., & Alcala, R. (2019). The Impact of Emerging Technologies on the Law of Armed
Conflict. Oxford University Press.
[Link]
Joint Air Power Competence Centre. (n.d.). Joint Air Power Competence Centre A
Comprehensive Approach to Countering Unmanned Aircraft Systems.
Joint Publication 3-13.1. (2012). Electronic Warfare.
Joint Robotics Program. (2004). Master Plan. In 2004.
Kallenborn, Z. (2021). Swarm Talk: Understanding Drone Typology. Modern War Institute.
[Link]
50
Katoch, G. (2021). The Looming Drone Threat. LandForces.
[Link]
Katoch, G. (2022). Modern Wars and the Curtain Call of the Main Battle Tank. Centre for
Land Warfare Studies. [Link]
curtain-call-of-the-main-battle-tank/
Kayser, D. (2021). Increasing autonomy in weapons systems - FINAL.
[Link]
%20systems%20-%[Link]
Kofman, M. (2020, December 21). A Look at the Military Lessons of the Nagorno-Karabakh
Conflict. The Moscow Times. [Link]
at-the-military-lessons-of-the-nagorno-karabakh-conflict-a72424
Koreen, N. (2009). Airburst Non-Lethal Munition Reaches Milestone B.
[Link]
reaches-milestone-b/
Lee, R. (2022). The Tank is not obsolete, and other observations about the future of combat.
War on the Rocks. [Link]
other-observations-about-the-future-of-combat/
Lele, A. (2019). Disruptive Technologies for the Militaries and Security (1st ed.). Springer
Singapore.
Lye, H. (2020). Will unmanned ground vehicles replace tanks? Army Technology.
[Link]
tanks/
Mao, M., Xie, F., Hu, J. jun, & Su, B. (2014). Analysis of workload of tank crew under the
conditions of informatization. Defence Technology, 10(1), 17–21.
[Link]
Marchant, G., Abbott, K., & Allenby, B. (2013). Innovative Governance Models for
Emerging Technologies. Edward Elgar Publishing Limited.
Marchant, G., Silberman, J., Allenby, B., Arkin, R., Barrett, E., Borenstein, J., Gaudet, L.,
Kittrie, O., Lin, P., O’Meara, R., & Lucas, G. (2011). International Governance of
Autonomous Military Robots. Columbia University Libraries.
Marques, J. (2023). Will Artificial Intelligence and “war robots” be part of the next stage in
the war in Ukraine? Euronews. [Link]
intelligence-and-war-robots-be-part-of-the-next-stage-in-the-war-in-ukrain
51
Maslen, S., Stauffer, H., Homaioounnejad, M., & Weizmann, N. (2018). Drones and Other
Unmanned Weapons Systems under International Law. Library of Congress
Cataloging.
Maxwell, P. (2020). Artificial Intelligence is the future of Warfare (Just not in the way you
think). Modern War Institute at West Point. [Link]
intelligence-future-warfare-just-not-way-think/
McFadden, C. (2022). How drones unsettle the domination of tanks on the battlefield Will
drones end the age of tanks? Interesting Engineering.
[Link]
Mehara, M., Goswami, C., Ranjan Kumar, S., Singh, G., & Kumar Wagdre, M. (2021).
Performance evaluation of advanced armor materials. Materials Today: Proceedings,
47, 6039–6042. [Link]
Meyer, T. (1998). Active Protective Systems: Impregnable Armor or Simply Enhanced
Survivability?
Military Aerospace Electronics. (2021). Battlefield experts considering M1 Abrams main
battle tank for command and control of unmanned vehicles. Military Aerospace
Electronics.
[Link]. (2004, abril 21). Army Focusing on “Easy” Laser Weapons.
[Link]
weapons
Mitzer, S., Janovsky, J., & Oliemans, J. (2022). Attack On Europe: Documenting Russian
Equipment Losses During The 2022 Russian Invasion Of Ukraine. Oryx.
[Link]
[Link]
Mizokami, K. (2018). The See-Through Tanks Are Coming. Popular Mechanics.
[Link]
coming/
Moreira, C. (1994). Planeamento e Estratégias da Investigação Social. Instituto Superior de
Ciências Sociais e Políticas.
Morozov, M. (n.d.). Augmented Reality in Military: AR Can Enhance Warfare and Training.
Jasoren. Acedido em 3 de maio, 2023, from [Link]
military/
52
Muspratt, A. (2019, January 25). Maintaining NATO overmatch: Modernising armoured
vehicles. Defence IQ. [Link]
armoured-vehicle-requirements
Muspratt, A. (2019, July 15). Why adaptability is key for armoured vehicle design. Defence
IQ. [Link]
adaptability
National Academy of Sciences, Institute of Medicine, & National Academy of Engineering.
(2002). Technology Development for Army Unmanned Ground Vehicles. The National
Academies Press. [Link]
NATO. (2021). Delivering NATO Air & Space Power at the Speed of Relevance.
NATO. (2022). Emerging and disruptive technologies.
[Link]
NATO Science & Technology Organization. (2020). Science & Technology Trends 2020-
2040. [Link]
ST_Tech_Trends_Report_2020-[Link]
NATO’s ACT. (2021). Emerging and Disruptive Technologies, Lessons Learned and
NATO’s Centres of Excellence – the Highlights of General Lanata’s Visit to Portugal.
[Link]
Nikolov, B. (2022). Merkava 5 is coming – hard-kill APS, helmets similar to F-35’s pilot.
Bulgarianmilitary. [Link]
hard-kill-aps-helmets-similar-to-f-35s-pilot/
Obering, H. (2020). Directed Energy Weapons Are Real . . . And Disruptive.
OECD. (2023). OECD Science, Technology and Innovation Outlook 2023 Enabling
Transitions in Times of Disruption: Enabling Transitions in Times of Disruption.
OECD Publishing.
O’Meara, R. (2014). Governing Military Technologies in the 21st Century: Ethics and
Operations. Palgrave Macmillan.
[Link]
Osborn, C. (2021). How Artificial Intelligence Is Changing Tank Warfare. The National
Interest. [Link]
tank-warfare-178386
Osborn, K. (2022). Army Maps Plans for Future Tanks, Heavy Armor & Robot Attacks The
new AbramsX was recently unveiled by General Dynamics Land Systems. Warrior
53
Maven Center for Military Modernization. [Link]
plans-for-future-tanks-heavy-armor-robot-attacks
Osborn, K. (2023). New AbramsX -- AI-Enabled, Fuel-Efficient, Unmanned Turret &
“Silent” Attack. Warrior Maven. [Link]
fuel-efficient-unmanned-turret-silent-attack
Parken, O. (2023). M1 Abrams Tank Tested With AI Targeting System. RealClear Defense.
Peruzzi, L. (2022). Active Protection Systems and Suite Controllers for Combat Vehicles.
European Security and Defence. [Link]
[Link]/2022/03/articles/exclusive/25287/active-protection-systems-and-suite-
controllers-for-combat-vehicles/
PESCO. (2022). Counter Unmanned Aerial System (C-UAS).
[Link]
Pike, J. (2001). The military uses of outer space. chrome-
extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/[Link]
s/11%20%282001%[Link]
Pitre, B. (2021, June 30). The Future Of Drones: Outer Space, Urban Landscapes And
Business Tasks. Forbes.
[Link]
outer-space-urban-landscapes-and-business-tasks/?sh=28bb47a3e5d5
Price, A. (2000). The History of US Electronic Warfare: Rolling thunder through allied
force, 1964 to 2000. Association of Old Crows.
Quivy, R., & Campenhoudt, L. (1988). Manual de Investigação em Ciências Sociais.
gradiva.
Robitzski, D. (2019). The Military Wants to Build Deadly AI-Controlled Tanks. Futurism.
[Link]
Roboteam. (2023, October 1). Armed Medium-Sized UGV. SAE International Mobility
Engineering.
[Link]
/application-briefs/46779
Rodrigues, J. (2023). “O melhor carro de combate do mundo”: o que ele vale mesmo contra
a Rússia. CNN Portugal. [Link]
combate-do-mundo-o-que-ele-vale-mesmo-contra-a-
russia/20230124/63ceda730cf2cf9224f5ae27
Roff, H. (2014). The Strategic Robot Problem: Lethal. Journal of Military Ethics.
54
Rogeiro, N. (2022, December 9). Guerra Fria: no sofá com Estaline.
[Link]
186d15f9
Rosado, P. (2017). Elementos Essenciais de Sociologia Geral. gradiva.
Saballa, J. (2022). UK Seeks to Install Quantum Computers in Battlefield Tanks. The
Defense Post. [Link]
tanks/
Sarewitz, D., Thernstrom, S., & Alic, J. (2012). Energy Innovation at the Department of
Defence Assessing the Opportunities.
Sarmento, M. (2008). Guia Prático sobre a Metodologia Científica para a Elaboração,
Escrita e Apresentação de Teses de Doutoramento, Dissertações de Mestrado e
Trabalhos de Investigação Aplicada. Universidade Lusíada Editora.
Sayler, K. M., & Feickert, A. (2022). Department of Defense Directed Energy Weapons:
Background and Issues for Congress.
Scharre, P. (2018). Army of None: Autonomous Weapons and the Future of War. W.W.
Norton.
Seck, H. (2022). AbramsX Tank launches Kamikaze Drones and goes Electric. Sandboxx.
[Link]
electric/
Sequira, V. (2020, abril 22). Sistema de Comando e Controlo BMS – Battlefield
Management System. Revista Atoleiros.
[Link]
de-Combate_fig2_341576980
Shaikh, S., & Rumbaugh, W. (2020). The Air and Missile War in Nagorno-Karabakh:
Lessons for the Future of Strike and Defense. CSIS. [Link]
and-missile-war-nagorno-karabakh-lessons-future-strike-and-defense
Shamsunahar, I. (2020). Could Tanks Become Obsolete Like the Battleship? The National
Interest. [Link]
battleship-167878
Shepherd, A. (2010). Electric Armour for Armoured Vehicles (ELAV)-Executive Summary.
Soare, S. (2021). Innovation as Adaption: NATO and Emerging Technologies. GMF.
[Link]
55
SOFREP. (2022). Watch the Switchblade Suicide Drone in action against a russian Tank. In
SOFREP. [Link]
action-against-a-russian-tank/
Strout, N. (2020). How the Army plans to revolutionize tanks with artificial intelligence.
C4ISRNet Logo. [Link]
army-plans-to-revolutionize-tanks-with-artificial-intelligence/
Suciu, P. (2022, maio 24). The Tank Has Proven Successful in the Past: Does it Have a
Future? Clearance Jobs. [Link]
proven-successful-in-the-past-does-it-have-a-future/
Sullivan, B. (2023). What is the Leopard 2 tank, and why does Ukraine want it? Npr.
[Link]
Sutar, V., Dharankar, C. S., & Raju, B. T. (2016). High Strength Steel for Automotive
Applications. International Research Journal of Engineering and Technology.
[Link]
The National Interest. (2022). Abrams X: The Army’s Newest Heavy Tank Is Unstoppable.
The National Interest. [Link]
army%E2%80%99s-newest-heavy-tank-unstoppable-205328
The Thinker. (2023). US/NATO ISR Addendum: Deep Dive Into The Delta Leaks.
Simplicius. [Link]
Think Defence. (2012). Vehicle Protection. Think Defence.
[Link]
Towaha, S. (2018). Building Smart Drones with ESP8266 and Arduino. Packt Publishing.
Trevithick, J., & Parken, O. (2023). M1 Abrams Tank Tested With Artificial Intelligence
Targeting System The Advanced Targeting and Lethality Aided System provides tank
operators with computer-generated target and fire options. The Warzone.
[Link]
intelligence-targeting-system
Tsereteli, A. (2022). Use of Technologies in the Russia-Ukraine War. Friedrich Naumann
Foundation. [Link]
ukraine-war
University of California Institute for Prediction Technology. (2023). When Tanks Get An
Upgrade: How The Military Is Using AI On The Battlefield.
[Link]
using-ai-on-the-battlefield/
56
Venugopal, S., Rajesh, K. K., & Ramanujachari, V. (2011). Hybrid rocket technology. In
Defence Science Journal (Vol. 61, Issue 3, pp. 193–200). Defense Scientific
Information and Documentation Centre. [Link]
Veritas, V. (2023). Space for Ukraine: Starlink and the People’s Satellite In Action.
Groundstation. [Link]
give-ukraine-an-advantage-and-what-they-see-in-inaccessible-places/
Verma, P. (2022, October 12). The next U.S. battle tank could use AI to identify targets. The
Washington Post. [Link]
[Link]
Yang, L., & Xu, J. (2021). Analysis on the development of active protection system for tanks
and armored vehicles. Journal of Physics: Conference Series, 1855(1).
[Link]
57
APÊNDICES
LVIII
LIX
APÊNDICE B – CORPO DE CONCEITOS
LX
a informações em tempo real, da comunicação com o sistema e da capacidade de assumir o controlo direto em certas
situações críticas.
Processo, que incorpora a automação e a utilização de robots para realização de tarefas de forma autónoma, sem a TechTarget
Robotização
necessidade de intervenção humana direta, melhorando a eficiência e produtividade nas operações.
Campo da ciência da computação, que se concentra no desenvolvimento de sistemas e programas de computador, (IBM, n.d.)
capazes de executar tarefas através da criação de algoritmos e modelos ao adquirir conhecimento, raciocinar, tomar
decisões, solucionar problemas e aprender com a experiência.
Subárea da IA, que se concentra no desenvolvimento de algoritmos e técnicas, que permitem aos sistemas (IBM, n.d.)
IA Machine
computacionais aprender e melhorar a partir dos dados. Os sistemas são capazes de aprender e fazer previsões ou
Learning
tomar decisões com base em padrões e informações contidas nos dados.
Conjunto de dados extremamente volumosos, complexos e variados, que excedem a capacidade de processamento (IBM, n.d.)
Big Data
dos sistemas tradicionais, levando a melhores decisões, à otimização de processos e identificação de padrões.
Armas, que utilizam energia eletromagnética concentrada, em vez de energia cinética, para "incapacitar, danificar, (Sayler & Feickert,
AED
desativar ou destruir equipamentos, instalações e/ou pessoal inimigo". 2022)
“Ação militar que envolve o uso de energia eletromagnética e energia direcionada para controlar o espectro Joint Publication 3-
GE
eletromagnético ou atacar o In”. 13.1(2012, p. viii)
Envolve o emprego da Internet e da tecnologia computacional, ocorrendo no espaço digital, no qual ataques e defesas (Delerue, 2020, p.
são realizados em sistemas de computadores, redes, infraestruturas de tecnologia da informação e comunicação 35 e 39)
Guerra Cibernética
(TIC) e outros dispositivos conectados. Utiliza técnicas e tecnologias cibernéticas para influenciar, interromper,
danificar ou destruir sistemas de informação e comunicação de um adversário.
Técnica utilizada para interferir, intencionalmente, com sistemas de comunicação, como redes sem fio, rádio, satélite (Hoehn, 2022)
Jamming
ou sistemas de transmissão, com o objetivo de prejudicar ou bloquear a receção e transmissão de sinais.
Tecnologia Quântica Utiliza as leis da mecânica quântica para resolver problemas muito complexos para os computadores clássicos. (IBM, n.d.)
Capacidade de interpretar de forma precisa o contexto operacional, extraindo informações relevantes do CB. Permite Definição própria
uma tomada de decisão informada, uma resposta adequada às circunstâncias e um apoio no comando e controlo,
CS identificando riscos e ameaças ao CC. Envolve a recolha, análise e interpretação de dados.
Sistemas em Sistemas de computação e comunicação que estão interligados e interconectados, permitindo a troca de informações Definição própria
rede entre equipamentos e viaturas. (Ex.: Programa DELTA)
Entende-se a restrição imposta à eficácia de um ataque ou o limitar das suas consequências. Associa-se o conceito (Fonseca, 2014)
de defesa indireta, que se traduz no aprimoramento da invulnerabilidade do CC, no que tange à ameaça, seja pela
Proteção Passiva
redução da silhueta do CC, pelo emprego de blindagens adicionais e sistemas, que impeçam a deteção deste meio de
combate.
Deteta a ameaça e forma um sistema de defesa de contra-ataque a médias e curtas distâncias, disparando uma medida (Yang & Xu, 2021)
cinética. Uma espécie de bolha é formada em torno do CC que consegue intercetar e destruir, através de tiro direto,
todas as ameaças, antes de as mesmas atingirem o meio de combate. Este sistema consiste em um ou mais sensores,
SPA
que detetam a ameaça, num dispositivo de computação e processamento de dados, que permite a identificação da
ameaça e inicia as devidas contramedidas, e num dispositivo de contramedida que pode destruir ou desativar a
ameaça.
Capacidade de um veículo responder a diferentes cenários de combate, conseguindo executar uma variedade de (Muspratt, 2019)
Adaptabilidade
missões, através da modulação das suas componentes e especificações de design.
LXI
APÊNDICE C – CLASSIFICAÇÃO DOS ENTREVISTADOS
27
DDNLA atualizada para Divisão de Inovação e Doutrina
LXII
APÊNDICE D – DECLARAÇÃO DE CONSENTIMENTO INFORMADO
O objetivo deste documento é especificar as condições da participação numa entrevista por escrito,
concedida à Aspirante Andrade, tendo em vista a elaboração da sua dissertação de mestrado, na Academia
Militar, intitulada “O paradigma do Carro de Combate no futuro: Desafios e Dimensões tecnológicas”. O
Trabalho de Investigação Aplicada (TIA) está integrado na área científica da Organização e Tática, centrado
na temática do Carro de Combate (CC) direcionado às tecnologias emergentes e disruptivas (TED), e bem
assim, na estrutura curricular dos cursos ministrados pela Academia Militar (AM), especificamente no curso
de Ciências Militares, na especialidade de Cavalaria. Como objetivo geral exploratório, o presente TIA
pretende prospetar os desafios e dimensões tecnológicas do CC, no futuro, assentes na atual evolução do CB e
nas ameaças emergentes e disruptivas; no desenvolvimento, tanto no armamento como no equipamento; e no
surgimento de contramedidas/mecanismos ofensivos e defensivos do CC em relação às TED.
A entrevista será em formato X, sendo composta por um guião com quatro/seis perguntas, que se
anexa.
A participação é voluntária e pode ser interrompida a qualquer momento.
O entrevistado autoriza o uso do seu nome e atual ocupação profissional, única e exclusivamente, no
âmbito académico a que este trabalho se destina.
Foi disponibilizada ao entrevistado toda a informação relativamente aos objetivos da pesquisa, ao
tratamento e utilização dos dados.
Li e compreendi os pontos e declarações do termo de consentimento, tendo recebido o mesmo assinado
pelo entrevistador.
Assinatura do Investigador Assinatura do Entrevistado
Nome:
Ocupação profissional:
Data:
1) Considera que o Carro de Combate continua a ser um ativo válido e preponderante no conflito
armado?
2) Como caracteriza o cenário atual relativo à evolução e evidência de ameaças tecnológicas emergentes
e disruptivas?
3) De que maneira as TED têm transformado as operações militares e qual o seu impacto no CC?
LXIII
4) Após revisão de literatura e tendo por base as áreas tecnológicas prioritárias da North Atlantic Treaty
Organization (NATO) e as TED da European Defence Agency (EDA), destaquei as seguintes TED:
5) Observando o paradigma atual do CC e tendo em conta desafios vindouros das TED, na sua opinião,
que contramedidas e sistemas ofensivos/defensivos estão e/ou deveriam ser implementados para
potenciar a sobrevivência no CC?
Ideias
Entrevistado Expressões Chave – Pergunta 1
destacadas
➢ “Se olharmos para a história, o CC sempre foi um ativo importante, O CC sempre foi
apesar das suas táticas de emprego terem vindo a ser alteradas ao longo um ativo válido e
do tempo. Na 1GM eram empregues para apoiar a progressão das tropas preponderante
de infantaria, rompendo os sistemas defensivos até então difíceis de nos conflitos
transpor a pé ou a cavalo face à cadência de tiro que advinha das armados
trincheiras. Na 2GM imprimiram um caráter dinâmico à guerra, terrestres.
Entrevistado permitindo conjugar poder de fogo, movimento, proteção e
comunicações. Nos conflitos mais recentes temos vindo a assistir ao seu
1
emprego em ambientes urbanos e em conjugação com outras tipologias
de forças.”
➢ “Se olharmos para o conflito na Ucrânia, apesar de toda a tecnologia
disponível, não considero que os avanços decisivos estejam a ser
conseguidos à custa das tecnologias emergentes e disruptivas. Não são
os robôs que estão a vencer a guerra. O CC continua a ser relevante. É
um meio eficaz e um elemento extremamente dissuasor.”
➢ “O CC apareceu para fazer face ao aumento da letalidade do CB e aos Ativo válido, por
Entrevistado problemas impostos pela artilharia. Esta plataforma blindada foi se mostrar um
desenvolvida para permitir a infantaria apeada percorrer escassos meio de combate
2
metros, protegida de fragmentos de aço, durante a guerra das trincheiras. que sobrevive a
Este problema ainda existe, aliás agravou-se. A curta faixa que a tropa vários cenários.
LXIV
apeada tinha de percorrer, aumentou de cerca de 1000 metros para 80
quilómetros.”
➢ “Estas guerras mostram a necessidade de mais viaturas blindadas, que
consigam sobreviver neste tipo de cenários.”
➢ “Obviamente, que o CC é válido, vai continuar a ser válido, e a sua
aplicação terá tendência a aumentar.”
➢ “Depende dos fatores de decisão. Por exemplo, se uma missão exigir O CC é um meio
CC, naturalmente é um ativo preponderante, válido e faz toda a diferença válido em
Entrevistado no CB. Mas em missões de risco reduzido, como por exemplo operações conflitos que
de apoio à paz, pode não se justificar o uso de CC.” exijam elevado
3
➢ “Não tenho dúvidas que o CC é um meio preponderante, que alia fatores poder de fogo e
importantes no combate, tem a capacidade de rapidamente se choque.
movimentar (taticamente) com um elevado poder de fogo e choque.”
➢ “Depende do ambiente operacional e do conflito armado. Seguramente, Ativo válido em
é um ativo válido, em variadas situações. Os russos, por exemplo, estão conflitos
Entrevistado a utilizar CC T-55 em posições defensivas como bases de fogos, o que armados e
4 não é característico do CC. O CC alia uma série de características, o ambientes
choque e o movimento. É o elemento cinético por excelência, que operacionais.
proporciona uma grande flexibilidade.”
➢ “Na dimensão da ameaça, a Rússia possuía um dos parques de CC – em Os CC mostram-
reserva, ativos ou operacionais – mais importantes, tinha provadamente se necessários e
doutrina e vontade de uso, colocou unidades nas fronteiras da Ucrânia preponderantes
até 24 de fevereiro de 2022, e podia aproveitar terreno favorável em no conflito entre
diversas frentes de combate. É preciso ter em conta a extensão de planura a Ucrânia e a
na Ucrânia, sobretudo no Sul, e a abundância de boas vias de Rússia, tanto na
Entrevistado comunicação terrestre, incluindo pontes capazes de suportar colunas de ofensiva como
5 veículos pesados.” na defesa.
➢ “A criação de um corpo de CC novos, misturando diversas gerações de
carros ocidentais ou modernizados no Ocidente (dos Leopard, Abrams e
Challenger aos PT-91 polacos e M55 eslovenos), faz-se também tendo
em vista a eventual contraofensiva ucraniana em diversos pontos da
linha da frente, e a criação de um embrião do que os ucranianos chamam
MBV, ou «forças blindadas futuras».”
➢ “Do meu ponto de vista, o CC continua a ser um elemento válido e Elemento válido
preponderante para as operações militares do futuro. Se olharmos para o e preponderante
que está a acontecer na Ucrânia e o que foi a grande discussão entre os pela sua
Entrevistado países europeus e os EUA sobre mandar CC para a Ucrânia, tornou-se capacidade
6 evidente que os CC são preponderantes e espera-se, nos próximos meses, ofensiva e
que haja uma contraofensiva ucraniana ao utilizar este tipo de meios. defensiva.
Continuam a ser importantes, até pela sua capacidade de manobra,
choque e movimento.”
➢ “Obviamente o CC, como qualquer sistema de armas, tem relevância. O Sistema de
Entrevistado peso dessa relevância terá a ver com a tipologia de operação, as variáveis armas relevante,
7 de missão, e a tarefa para o qual está destinado. Está vocacionado para no contexto de
operações ofensivas e defensivas, ou seja, guerra total.” guerra total.
➢ “Sim, está a ser demonstrado na Guerra da Ucrânia. Se os CC não Ativo essencial
Entrevistado conseguirem romper a frente, ninguém o fará. As principais missões do na penetração
8 CC continuam a ser quebrar a frente e destruir as formações blindadas das linhas
inimigas por meio de fogo e manobra.” inimigas.
➢ “A Guerra Russo-Ucraniana, no contexto de conflito convencional, veio O CC é um
Entrevistado mostrar a necessidade do conjunto de capacidades militares, elemento
nomeadamente o CC. O CC para operações ofensivas é um elemento fundamental em
9
fundamental. Dinâmicas que exijam ataques de grande escala, exigem as operações
capacidades de fogo, choque e movimento.” ofensivas.
Ideias
Entrevistado Expressões Chave – Pergunta 2
destacadas
➢ “As TED têm vindo a desenvolver-se por vários motivos. Destaco a sua Tanto a nível
relevância nos domínios político, económico e militar, dado que lhes internacional e
Entrevistado poderão proporcionar vantagens estratégicas significativas.” europeu (NATO
➢ “Mais do que um interesse no desenvolvimento destas tecnologias, e EDA), como a
1
trata-se de uma necessidade. É o caminho que temos de percorrer para nível nacional,
fugir à obsolescência. Temos de acompanhar a evolução das TED para existe a
nos conseguirmos adaptar oportunamente.” necessidade de
LXV
➢ “A Defesa dá importância à evolução e ao acompanhamento das TED. explorar as
A própria NATO considera estas tecnologias na sua estratégia, tal como TED. É exigida
Portugal. O Exército tem um conjunto de orientações e iniciativas para uma adaptação
alimentar o desenvolvimento das TED. Temos diretivas e estratégias que dos sistemas de
fomentam estas áreas, temos projetos de I&D a decorrer, e temos armas, a nível
estruturas dedicadas à observação e prospetiva tecnológica, das quais estratégico e
destaco o papel da Divisão de Inovação e Doutrina do Estado-Maior do tecnológico.
Exército.”
➢ “As ameaças tecnológicas estão a evoluir, mas o CC possui soluções Os VANT vão
tecnológicas. Este cenário vai acabar por encarecer os sistemas no CC, exigir
como os sistemas optoelectrónicos e radar.” contramedidas
Entrevistado ➢ “Observam-se os drones, mas estes têm dificuldades em detetar por parte do CC.
2 precisamente alvos terrestres.”
➢ “Com o surgimento das novas tecnologias, não é só a frente que é
atacada, mas toda a profundidade do CB está exposta a ataques. Já não
há segredos.”
➢ “Atualmente, há muitos sistemas capazes de destruir CC. O armamento Assistimos a
ACar, especialmente portátil, evoluiu ao ponto de conseguir fazer tiro uma evolução
fora de linha de vista. Mísseis ACar e Loitering Munitions permitem tecnológica
atacar o CC, onde este é mais frágil, a sua parte superior. As ameaças ao ofensiva
Entrevistado CC estão a evoluir muito rapidamente e torna-se mais difícil desenvolver demasiado
contramedidas.” rápida para a
3
➢ “Hoje em dia, tens um grande número de sensores, de variados tipos, conseguirmos
como radares ou satélites, que tornam quase impossível a dissimulação acompanhar
e ocultação no CB.” com
➢ “A evolução tecnológica está a ser demasiado rápida e a própria indústria contramedidas.
não está a conseguir acompanhar a evolução.”
➢ “Caracteriza-se pela presença de drones, orientados para fins de Assiste-se a uma
reconhecimento, vigilância e observação. Observamos os Lancet russos, constante
drones lançados sobre equipamento de artilharia e também sobre CC. evolução
Entrevistado Existem, ainda, drones armados. Não destroem o CC por completo, mas tecnológica,
4 inviabilizam a sua utilização.” especialmente
➢ “Verifica-se um aumento significativo da componente tecnológica e um caracterizada
desenvolvimento deste tipo de tecnologias, que são utilizadas de forma por SANT.
intensa.”
➢ “O desenvolvimento de armas ACar com capacidade para ataque Evolução de
descendente contra as torres («top down attack») dos veículos, como o armas ACar com
Entrevistado FGM-148, e a criação de novas munições «inteligentes» e armas guiadas capacidade top
5 para as peças principais dos CC.” down attack e
munições
inteligentes.
➢ “A velocidade do desenvolvimento tecnológico é muito elevada. A evolução
Estamos numa situação de dizer quando e como as vamos utilizar, por tecnológica está
serem realidades inevitáveis e transversais, no CB.” a ter avanços
➢ “Para os sistemas terrestres, a IA será crítica. Para já, a Robótica está cada vez mais
numa fase concentrada em sistemas não tripulados. O objetivo e a céleres.
Entrevistado perspetiva serão, no curto prazo, passar de sistemas não tripulados, para
6 semiautónomos e para Sistemas Autónomos.”
➢ “Estamos a trabalhar para, no futuro, termos um outro tipo de energia,
incluindo para o CC. Há pressão para a conversão dos motores de
combustão em elétricos ou híbridos.”
➢ “A nível dos efeitos, a utilização de energia dirigida, sistemas laser ou
de energia pulso eletromagnético, serão uma forte aposta.”
➢ “A evidência das novas tecnologias empregues podem fazer um Evidenciam-se
contraponto ao CC. Diria que a ameaça ao CC continua a ser mais ao ameaças não
menos a mesma, ou seja um vetor aéreo; um vetor terrestre equiparado, muito diferentes
Entrevistado como um outro CC; e sistemas portáteis ACar. Estamos a falar de às do passado.
sistemas de guiamento terminal, com um grande grau de precisão.” Mas
7
➢ “Observa-se um proliferar de um conjunto de sistemas ACar, que tecnologicament
alteram, taticamente, a forma de emprego.” e mais
➢ “O vetor aéreo pode ser um avião de ataque ao solo, uma granada de evoluídas.
artilharia, uma nova geração de armas ACar, ou loitering ammunition.”
Entrevistado ➢ “A tecnologia tem um papel preponderante. Equipamentos como UAV, VANT, mísseis
mísseis de última geração e elementos de guerra eletrónica para obtenção de última
8
e disseminação de inteligência fazem a diferença.” geração e GE
LXVI
têm um papel
preponderante.
➢ “Existe uma elevada dificuldade de defesa contra drones. Os sistemas Drones, armas
drone e anti-drone constroem um diálogo, que vai, de facto, modificar a ACar de última
perceção que temos sobre estes mecanismos. Verifica-se a utilização de geração e
Entrevistado novos sistemas de armas ACar de última geração, que conseguem fazer tecnologias que
ataques verticais para atingir a parte superior do CC, o que levou à afetam o
9
destruição de inúmeros CC russos. Observam-se tecnologias de diversos comando e
tipos que afetam o comando e controlo.” controlo, estão a
assinalar o novo
CB.
Ideias
Entrevistado Expressões Chave – Pergunta 3
destacadas
➢ “As TED exigem prudência para não entrar em conflitos morais, éticos Os Sistemas
e legais.” Autónomos
➢ “Se observarmos a Robótica e os Sistemas Autónomos, não é fácil devem ser
colocar um robô, completamente autónomo, com uma arma e explicar- desenvolvidos,
lhe ou pô-lo a decidir qual o humano a neutralizar e qual o emprego de mas a decisão
força adequado para o fazer. É difícil ao robô distinguir alvos humanos. final deve ser
No caso de sistemas letais tem de haver sempre o fator humano. sempre do
Entrevistado
Podemos dar autonomia às máquinas, mas sempre salvaguardando que humano. O CB
1 a decisão final é nossa. Se para um CC o terreno já apresenta vários terrestre revela-
obstáculos, imagina o que será para uma viatura autónoma a circular se mais
fora de estrada. Existe, ainda, o problema das comunicações. Em terra, complexo por
são muitos os fatores que dificultam a comunicação entre estes sistemas apresentar
e também com as estações que os controlam. Se tirarmos as obstáculos às
comunicações aos CC, eles ficam às cegas.” comunicações e à
➢ “O CC terá de acompanhar a evolução das TED para não se tornar mobilidade.
obsoleto.”
➢ “A visão de ataques em profundidade no CB aumenta a importância do Todas as
CC. Neste momento, já não se pode contar com viaturas não blindadas viaturas, no CB,
Entrevistado no terreno. As viaturas terão de ser todas blindadas, principalmente o terão de ser
2 CC, que terá de ter blindagem reforçada nos sítios mais vulneráveis.” blindadas e a
➢ “Estas tecnologias limitam o ataque frontal do CC e para combater blindagem do CC
UAV maiores será necessária a artilharia antiaérea. O CC não pode ir reforçada. É
sozinho para o CB.” essencial
➢ “Para defender um CC é necessário implementar sistemas de defesa As TED afetam
para que este sobreviva. Contudo, pode não ser economicamente viável todas as áreas das
ter um CC completamente protegido. Mundialmente, são poucos os CC operações
dotados de sistemas de proteção ativa totalmente integrados e militares.
completos.” Tornam o cenário
➢ “Estamos a assistir a uma evolução muito grande na letalidade relativa cada vez mais
Entrevistado ao CC. O rácio entre o ataque e a defesa, neste momento, ainda não está destrutivo para o
3 a favor do CC. Para além disso, os sistemas de proteção ativa ainda não CC. O CC terá de
defendem o CC de todas as ameaças.” ultrapassar dois
➢ “Há duas principais ameaças ao CC: os sensores, que fazem com que obstáculos:
nada passe despercebido no CB, muito menos algo de grande dimensão; sensores e
e o armamento, associado aos alcances e precisão (por exemplo nos armamento ACar
fogos indiretos). Atualmente, em conflitos de alta intensidade, é cada vez mais
impensável ter um Grupo de CC em zona de reunião, porque muito preciso e letal.
facilmente vai ser destruído.”
➢ “Prende-se, essencialmente, pelo targeting, vigilância, reconhecimento, Devido aos
aquisição de alvos e sincronização de sensores, desde satélites de alta e sistemas de
baixa orbita a aviões de reconhecimento e drones. Observa-se uma reconhecimento
amplitude de sensores e capacidades, que depois são fundidos, e vigilância,
permitindo uma grande granularidade informativa sobre outras como o programa
Entrevistado
unidades. Estas tecnologias vão para além dos sistemas de comando e Delta, deixa de
4 controlo e têm implicações na tática. Dizia-se que a surpresa era uma haver ocultação e
das grandes vantagens, atualmente a surpresa tonou-se trivial.” surpresa, no CB.
➢ “Observe o programa Delta. Imagine o que é um sistema que gere todo A deteção e
o CB, através de informação fornecida por satélites. A NATO consegue aquisição de
receber coordenadas exatas de unidades russas, dos seus movimentos, alvos estão a
de potenciais direções e distribuir mapas digitais, em tempo real, com tornar-se cada
LXVII
dados de coordenação de alvos, às unidades melhor posicionadas. Com vez mais rápidas
a internet sabe-se exatamente onde estão as unidades inimigas mais e precisas.
próximas, e as informações passam diretamente para as armas, há um
incremento da velocidade e da precisão.”
➢ “Não podemos ver a doutrina como um dogma, mas como um
orientador de raciocínio.”
➢ “O uso de «proteção ativa» nos CC, combinando sensores e alerta e Face às TED, o
aproximação e lançadores de contramedidas ou micro-interceptores.” CC tem
Entrevistado
➢ “Novas formas de «proteção passiva», com camuflagem dita desenvolvido a
5 «incremental» e mecânica (através de emissores/dissimuladores sua proteção
térmicos e deformadores estruturais) e novos sistemas de dissimulação ativa e passiva.
por projéteis (fumígenos e outros).”
➢ “A questão que se coloca para a Europa é a utilização de Sistemas As TED irão
Autónomos letais. Do ponto de vista ético e legal, é possível utilizar influenciar as
Sistemas Autónomos letais, se a parte final do engagement tiver o operações
controlo humano.” militares a nível
Entrevistado ➢ “No futuro, este tipo de tecnologia, irá ajudar os sistemas terrestres a ter ético e legal.
6 uma velocidade procedimental de informação e uma capacidade de
recolha de informação muito maior, com uma grande ligação em rede,
que permita acelerar o ritmo das operações.”
➢ “Destacaria que, atualmente, os sistemas terrestres são cada vez mais
dependentes da eletrónica. Estão, por isso, mais suscetíveis de serem
atacados por ciberataques.”
➢ “Entre plataformas pares, o desafio passa por ver qual o CC que O grande desafio
consegue ver primeiro, detetar primeiro, empenhar-se e disparar passa por
primeiro.” aumentar a
Entrevistado
➢ “Um grave problema é a capacidade das novas tecnologias destruírem proteção do CC,
7 o CC sem que este consiga observar o vetor que o atinge. Poderá haver através de
um campo de desenvolvimento na parte da camuflagem e ocultação blindagem e
(térmica, sonora, e magnética e na proteção contra este tipo de sistemas camuflagem.
(blindagens reativas).”
➢ “As TED têm forçado a implementação de defesas ativas, a Implementação
incorporação de meios de deteção e defesa contra UAV, e o aumento da de meios de
Entrevistado mobilidade das unidades ao longo da frente para reduzir a sua deteção e defesa
8 vulnerabilidade.” contra VANTs e
o aumento da
mobilidade.
Entrevistado ➢ “Os CC de última geração vão ter de possuir um grau de proteção As TED exigem
elevado. No futuro, o CC terá de solucionar desafios, tal como outros o aprimoramento
9
meios de combate.” da proteção.
Ideias
Entrevistado Expressões Chave – Pergunta 4
destacadas
LXVIII
➢ “Não há maneira de empregar AED num CC, porque este anda, CC terá de
constantemente, em ambientes desfavoráveis. Não são viáveis para empregar
proteger o CC, devido ao emprego de fumos no CB. O melhor sistema soluções para
para perfurar a blindagem do CC seria um míssil hipersónico portátil, proteger a sua
acima de mach 5. Se isso acontecer, teremos de repensar tudo o que já identificabilidade.
foi feito até aqui.”
➢ “O espaço é importante na perceção situacional do CB. Influência o
CC na medida em que vai ser mais difícil esconder-se.”
➢ “Um problema com o qual o CC se vai deparar é a identificabilidade.
É muito fácil ensinar um robô a perceber o que é um CC e identificá-
lo. A fonte de calor de um CC não engana.”
➢ “Todos os sistemas não tripulados são críticos para o CC, porque A Robótica, IA e
afetam o seu emprego e o próprio CC. Ainda não há confiança, nem os Sistemas
segurança para deixar uma máquina evoluir e decidir sozinha - Autónomos são
legalmente é desaconselhável.” críticos para o
➢ “A tecnologia hipersónica não tem, ainda, capacidade de ser integrada CC. Tecnologias
no CC nem é viável/rentável ser utilizada contra um CC.” e formas de
➢ “A GE tem capacidade de deixar um CC fora de combate. É crítica para guerra afetam o
qualquer sistema que utilize tecnologia. Um impulso eletromagnético CC, por este se
pode destruir e danificar os sistemas eletrónicos de um CC.” tornar num
Entrevistado ➢ “O CC, ainda, não se encontra num nível de autonomia, que permita à objetivo
3 guerra cibernética inutilizar plataformas. Podem ser criadas facilmente
dificuldades em sistemas de comando e controlo.” detetado e
➢ “Se nos focarmos nos satélites, estes afetam muito o CC. São sistemas neutralizado.
de vigilância, que facilmente detetam e identificam um CC. Temos
uma capacidade muito rápida de analisar o constante fluxo de
informação, que, inevitavelmente, faz com que todas as plataformas
sejam um alvo de fácil deteção e destruição.”
➢ “A energia e propulsão enquanto sistema de locomoção do CC é crítica,
na medida que as plataformas possuem muita tecnologia, e é necessária
a produção de sistemas de armazenamento e uma nova arquitetura de
energia.”
➢ “Drones equipados com armamento ACar têm sido uma grande ameaça As ameaças mais
ao CC.” críticas ao CC
➢ “A IA relacionada com Big Data tem um impacto no CC.” são: Robótica, IA,
Entrevistado ➢ “A Tecnologia Quântica está a ser introduzida nos radares, mas é, Big Data e GE.
4 ainda, rudimentar. Tal como a tecnologia hipersónica, ainda não são
relevantes para o CC.”
➢ “GE e Guerra cibernética podem e estão a afetar o CC. Quanto mais
digital é um determinado meio, mais sujeito está à GE. Temos de ter
cuidado contra-ataques de jamming.”
Entrevistado ➢ “As áreas designadas nas respostas anteriores, incluindo a fusão das Armas ACar e GE
5 lições e tecnologias aprendidas na guerra ACar.” são críticos para o
CC.
➢ “Os sistemas não tripulados colocam o CC numa posição de As ameaças mais
fragilidade, como se observa pelos ataques de drones.” críticas ao CC
➢ “As AED serão determinantes. Contra um CC podem infligir alguns são: Sistemas não
danos e afetar os seus sensores. A curto prazo, poderão ser utilizadas tripulados, como
Entrevistado como um disruptor nas componentes eletrónicas do CC.” drones, AED, GE
6 ➢ “A GE é relevante, porque os sistemas terrestres estarão cada vez mais e Guerra
ligados em rede. As comunicações entre plataformas vão ser cada vez Cibernética.
mais importantes. A Guerra cibernética, para além de poder causar
disrupção nos sistemas das comunicações, há a possibilidade do CC ser
capturado pelo In ou ficar inutilizável.”
➢ “Não vejo a tecnologia hipersónica direcionada ao CC, para já.”
➢ “Ter um grupo de sensores que permitam a observação do CB, de As ameaças mais
forma a receber, processar, interpretar e disseminar a informação críticas para o CC
obtida aos vetores de empenhamento, reduzirá o ciclo de targeting. O são: Vigilância do
CC poderá ficar mais vulnerável, por ser um alvo rapidamente CB, GE e Guerra
Entrevistado detetável. Facilmente, se poderá dizer que meio mais se adequa para Cibernética.
7 aquele alvo, naquela circunstância.”
➢ “A tecnologia hipersónica poderá afetar em muito o emprego de
contramedidas. O SPA não conseguirá fazer face a mísseis
hipersónicos.”
➢ “Cada vez mais as plataformas são sistemas de sistemas. O CC ficará
mais sujeito a ataques cibernéticos e de GE.”
LXIX
➢ “As TED mais críticas para o CC serão a IA e o Big Data, com a As mais críticas
determinação de bases de dados que permitam a disseminação mais são: IA, Big Data,
eficaz de informações sobre o inimigo. A Robótica e os Sistemas Robótica e
Entrevistado Autónomos, a GE e Guerra Cibernética são também importantes, Sistemas
8 possivelmente, resultando numa alta probabilidade de ocorrerem Autónomos, GE e
combates entre UAV-UAV, no ambiente aéreo, terrestre e naval, Guerra
evoluindo para um combate entre inteligências artificiais e saturado de Cibernética.
Guerra Eletrônica.”
➢ “A questão de ter ou não guarnição é um dos desafios que se vai colocar As mais críticas
à nova máquina.” são: Autonomia,
➢ “A Robótica e os Sistemas Autónomos vão afetar o CC. Os SANT, Robotização e
como drones armados, com capacidade de guiamento terminal, e os Sistemas
VTNT vão constituir um desafio à sobrevivência do CC em operações, Autónomos,
Entrevistado uma vez que estão equipados com novas tecnologias, que permitem AED, GE e
9 uma aproximação furtiva ao CC e causar a sua destruição.” Guerra
➢ “AED podem afetar os sistemas que apoiam a capacidade da máquina, Cibernética.
nomeadamente sistemas óticos e sistemas de monitorização, tornando
o CC inoperável.”
➢ “GE e Guerra Cibernética vão afetar o comando e controlo, podendo
inibir a utilização do CC.”
LXX
➢ “Medidas passivas, como redes de camuflagem, são de extrema
importância para reduzir a assinatura térmica e a assinatura radar do
CC. O emprego de potes de fumo também são importantes.”
➢ “A IA pode ser decisiva, no sentido de machine learning, ao detetar A proteção
alvos e tomar decisões, automaticamente, ou dirigir sensores para uma passará por uma
determinada zona. Aumenta a capacidade humana e do CC.” redoma a 360
➢ “Um CC pode vir a utilizar sistemas de GE para autodefesa. Para uma graus, pela
ameaça de um drone ou de uma loitering munition, um jammer pode integração de
confundir ou interferir com a ameaça. É essencial integrar sistemas de sistemas anti-
tecnologia de informação e comunicação no CC para facilmente drone, por
detetar meios adversários e analisar todo o CB.” sistemas dotados
➢ “A Tecnologia Quântica tem potencial para afetar, indiretamente, o de IA e
Entrevistado CC. A capacidade de codificação terá importância.” contramedidas
3 ➢ “Um dos problemas do CC é o combate aos drones. Terá de ser eletrónicas para
desenvolvido um sistema anti-drone eficaz, para ser integrado no CC. deteção rápida de
Existem sistemas de proteção ativa, mas não protegem a parte de cima ameaças e
do CC e estão projetados para uma determinada velocidade de um neutralização das
projétil. O CC terá de implementar uma “redoma”, um sistema que mesmas.
proteja o CC no seu todo.”
➢ “As comunicações são fundamentais. Em ambiente terrestre é difícil
manter comunicações fora da linha de vista. As comunicações laser
poderiam ser uma solução, mas obrigam a linha de vista, o que é
impossível.”
➢ “A parte da manufatura e dos novos materiais vai ser importante.”
➢ “Os CC podem-se fazer acompanhar de drones para os ajudar na Os Materiais
identificação de alvos. Um meio de aquisição de objetivos que se Avançados, a
encontre uns metros acima da terra permite perceber, facilmente, onde Robótica e a IA
se encontra o alvo e fazer uma avaliação de damage assessment.” terão um grande
➢ “A IA e Big Data contribuem para a sofisticação do CC. Iriam, impacto na
constantemente, melhorar os sistemas de informação do CC.” proteção,
➢ “A Robótica poderá ser relevante na automatização de certos sistemas automatização de
Entrevistado
dentro do CC e os novos materiais serão importantes na proteção.” sistemas internos e
4 ➢ “Seria interessante implementar o cano do T-90, que pode lançar tanto na análise de fluxo
munições a 4000m como mísseis.” de dados.
➢ “O grande desafio para o CC consistirá no modo como este vai
conseguir operar todos os meios tecnológicos e fazer targeting e
identificação de alvos de objetos tão díspares. O CC terá de arranjar
maneira de enfrentar ameaças terrestres, a curtas e longas distâncias,
tal como ameaças aéreas. O CC tem de usar as TED como
contramedidas.”
➢ “O reforço de sistemas automáticos de carregamento e disparo de Acrescenta-se a
peças, e novos módulos de contramedidas e contramedidas eletrónicas importância da
para assegurar a integridade de comunicações entre veículos, unidades integridade das
e comandos, computação, análise de dados, seleção e direção de tiro comunicações,
dos CC.” através de
➢ “A criação de células estruturais de proteção e sobrevivência de inibidores
Entrevistado tripulações e de armazenamento seguro de munições, e de torres sem eletrónicos, e dos
5 ocupantes e armas de fogo remoto.” novos materiais
➢ “Possivelmente, a adaptação de armas anti-drone e anti-helicóptero para aprimorar a
aos CC, através de mísseis ou foguetes de curto alcance, e inibidores blindagem do CC.
eletrónicos, e ainda o uso pelos CC de «munições planantes» (loitering Será vital adaptar
munitions), como se observa no protótipo AbramsX.” armas anti-drone e
➢ “Pode-se acrescentar o estudo sobre novos materiais de construção, anti-helicóptero
compósitos, sintéticos ou com incorporação de elementos como a nova ao CC.
geração de placas de urânio empobrecido.”
➢ “A IA como apoio aos SPA, para que possa ser mais completo, rápido A IA poderá
na resposta a ameaças, e consiga diferentes tipos de efeitos. Do ponto apoiar o CC no
de vista das comunicações e do targeting, é utilizada para aumentar a comando e
fusão da informação recolhida por múltiplos sistemas e sensores, tanto controlo, no
Entrevistado do CC como de outras plataformas. Vai permitir, que mesmo não targeting e na
6 vendo o alvo diretamente, se consiga perceber qual o alvo, se este está tomada de
em movimento e como posso ter acesso ao alvo para me empenhar.” decisão. VTNT e
➢ “Os VTNT podem ser um complemento ao CC, ou seja, uma equipa SANT poderão ser
mista entre sistemas tripulados e não tripulados.” meios
➢ “Munições airburst e AED poderão ser soluções para o combate anti- complementares
drone. A utilização de UAV poderão contribuir para o situational ao CC. Os
LXXI
awareness, para uma visão alargada do ambiente, e para ajudar na Materiais
transmissão de informação entre CC e outros tipos de equipamento e Avançados terão
plataformas. Os UAV poderão estar atribuídos ao CC para aumentar a um impacto na
sua perceção.” ocultação do CC.
➢ “Um sistema híbrido torna um CC mais resiliente, porque tens dois O CC terá de
tipos de energia que podes utilizar.” desenvolver
➢ “Os materiais inteligentes, aplicados no CC, vão melhorar a contramedidas
camuflagem, ocultando a sua forma e reduzindo a sua assinatura eletrónicas e
térmica. Poderemos vir a ter ligas mais resistentes e leves que proteção contra
consigam fornecer uma melhor proteção passiva.” ataques
➢ “Vai ser necessário termos mais do que um sensor para este tipo de superiores, contra
sistema. Um sensor que faça um varrimento geral para detetar uma drones, e Guerra
ameaça, e um outro sensor para seguir a ameaça.” Cibernética.
➢ “O CC terá de considerar uma proteção adequada contra a GE e a
Guerra Cibernética.”
➢ “Há margem para que, no futuro, o tipo de energia utilizada no CC O CC deverá
permita aumentar a dificuldade de deteção. Se tiveres um CC elétrico empregar novos
a assinatura será menor. Poderá ser fator de mitigação do risco de materiais para a
deteção térmica e sonora.” redução da
➢ “Os novos materiais vão reduzir a deteção e referenciação do CC, assinatura térmica,
como redução da assinatura térmica, magnética e radar. Existem magnética, radar e
Entrevistado
projetos que utilizam grafenos e nanopartículas.” sonora. Sistemas
7 ➢ “Tecnologia Quântica pode não ser usada diretamente, mas contribuirá para proteção
para a plataforma, na encriptação ou interpretação de dados.” eletrónica e
➢ “Não me parece descabido integrar AED no CC como sistemas anti- Tecnologia
drone.” Quântica.
➢ “Justifica-se um CC acarretar equipamentos de proteção eletrónica e
cibernética, que contribuam para o empastelamento e se segurança das
comunicações.”
➢ “Os sistemas de defesa ativa são uma solução intermediária até à Soluções podem
Entrevistado chegada dos meios UAV terrestres, que atingirão o patamar dos CC, passar pelos
dentro de uns anos. O Big Data também está a adquirir o seu espaço, sistemas de
8
aliado aos meios de deteção correspondentes, que formam um CB proteção ativa e
transparente.” pelo Big Data.
➢ “Blindagens com Materiais Avançados, que permitam reduzir o peso Integração de
do CC e uma melhor proteção.” Materiais
➢ “Terá de desenvolver capacidades e implementar contramedidas Avançados,
eletrónicas para destruir as suas principais ameaças à distância, implementação de
Entrevistado conseguindo fazer face a ameaças aéreas. São necessários sistemas contramedidas
9 anti-drone, através de meios cinéticos ou radiação para inibir a eletrónicas e
capacidade do drone.” sistemas anti-
➢ “A transição energética vai ter de ocorrer nalgum ponto do futuro. Nos drone e pela
próximos anos, o CC poderá vir a utilizar energias mais limpas, transição
podendo afetar positivamente a velocidade e a autonomia.” energética.
LXXII
reconhecimento para empregar sistemas não tripulados terrestres
especificamente concebidos para esse fim.”
➢ “Na minha opinião, se eu colocar um soldado da primeira GM ao lado O CC do futuro
de um Sherman ou de um Leopard 2, e depois colocar esse mesmo será cada vez mais
soldado ao lado de um CC de 2050, ele vai perceber que é um CC. blindado e não terá
Entrevistado Pode não ser exatamente a mesma coisa, mas vai sempre perceber uma guarnição
2 tratar-se de um CC, devido à sua fisionomia de ferro.” com menos de três
➢ “As VCI vão ser cada vez mais blindadas e aproximar-se da proteção homens. A sua
do CC, e não o contrário.” fisionomia não se
➢ “Não acredito que a guarnição do CC reduza para menos do que três irá alterar,
homens. Haverá sempre o comandante, o condutor e o apontador.” drasticamente.
➢ “Visualizo, a médio/longo prazo, o CC com algum nível (crescente) O CC será
de autonomia e robotização. O CC não vai variar daquilo que ele é, tecnologicamente
hoje, em termos de dimensão e peso. Os sistemas e o armamento vão mais avançado e
evoluir, garantidamente. Os novos materiais e a manufatura terão um autónomo, com
grande impacto. O CC terá uma estrutura de novas ligas, mais uma estrutura
eficientes.” física mais
Entrevistado ➢ “Atualmente, não é exequível ter Sistemas Autónomos não tripulados eficiente.
3 no CB terrestre. Seriam demasiados os obstáculos que originariam
perder o contacto com uma viatura que se desloca a 80 km por hora.
Ainda não há tecnologia para compensar isso. Não é um terreno
standard.”
➢ “Existem projetos na área da Robótica. O CEMTEX está a desenvolver
um projeto na robotização de M113. Existem outros para desenvolver
a capacidade de adaptar SANT no empenhamento de alvos, leia-se
loitering munitions.”
➢ “No limite, o desejável seria um CC autónomo. Não me choca, numa No futuro, poderá
Entrevistado
fase avançada, transformar CC em robôs. Já temos instrumentos não ser elaborado um
4 tripulados aéreos e navais.” CC robotizado e
autónomo.
➢ “No caso do CC do futuro ter tripulantes, vejo-o parecido com o A perspetiva passa
existente, com mais poder de fogo, com AED, com sistemas avançados por um CC
de SPA, mais leve e com proteção passiva aprimorada devido a novos completamente
materiais, com uma melhor capacidade de ligação em rede com outras autónomo.
plataformas, e com um outro tipo de energia de locomoção.”
➢ “Se for não tripulado, será evoluído em todas as suas limitações, com
Entrevistado
o conceito de man on the loop, o humano faz a supervisão e dá o ok
6 para disparar. Do ponto de vista estritamente tecnológico, vejo um
sistema completamente autónomo.”
➢ “A nível de projetos: Combat Unmanned Ground Systems (CUGS),
para transformar sistemas tripulados em não tripulados; C-UAS;
Adaptative Smart Camouflage for Land Systems (ASCALS); New
Active Protection System (NAPS); ATRIT, para segurança das
comunicações; HybriDT II; PASEI II.”
➢ “Acredito numa manned and unmanned teaming. O CC poderá ser Visualiza uma
acompanhado por meios complementares, como ter um drone equipa de CC
Entrevistado
acoplado à plataforma, que observe os alvos, sem necessidade de tripulados e não
7 expor o CC, e que depois transmita as informações recolhidas ao CC, tripulados, com
para que este se possa empenhar decisivamente contra o alvo.” meios
complementares.
Entrevistado ➢ “Sem dúvida, passará pelas opções A, B e C, por essa mesma ordem.” Opções A, B e C.
8
Entrevistado ➢ “O CC vai evoluir tecnologicamente, podendo vir a transformar-se O CC poderá vir a
numa plataforma tripulada remotamente. A sua blindagem será mais ser tripulado
9
leve, terá uma silhueta mais reduzida e será mais ágil.” remotamente.
LXXIII
ANEXOS
LXXIV
Figura 5 - AbramsX
LXXV
ANEXO B – FUNCIONAMENTO DO SISTEMA DE PROTEÇÃO ATIVA
LXXVI