PCR
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Lara Cristina Dias Simões (autora)
' 10.37885/250619516
Suporte básico de vida
O Suporte Básico de Vida é um protocolo essencial para um desfecho positivo na vida de um
paciente vítima de uma parada cardiorrespiratória. Essa regulamentação tem o intuito de manter
o indivíduo vivo até o surgimento de uma unidade de transporte especializada.
O protocolo de Suporte Básico de Vida (SBV) é composto por procedimentos responsáveis pela
identificação da parada cardiorrespiratória e de manobras de ressuscitação cardiopulmonar.
Esse protocolo segue a sequência do CAB ou CABD, um mnemônico que descreve os passos
simplificados para o atendimento de emergência ¹.
Em primeiro lugar, deve-se realizar a checagem de segurança do ambiente a fim de assegurar que
tanto o socorrista quanto a vítima estejam fora de perigo. Se necessário, o local deve ser tornado
seguro ou a vítima movida para um ambiente protegido. Após a garantia da segurança, inicia-se a
avaliação da responsividade da vítima, com estímulos verbais e táteis. Se a vítima não responder,
é vital pedir ajuda imediata, priorizando o contato com os serviços de emergência locais, como
o SAMU 192, e a disponibilidade de um Desfibrilador Externo Automático (DEA), se possível ².
Em seguida, a respiração da vítima e o pulso são observados por, aproximadamente, 5 a 10
segundos. Se impossível a identificação do pulso do paciente, compressões torácicas devem
ser realizadas. As mãos precisam ser posicionadas no centro do tórax da vítima, entre os
mamilos. Em seguida, comprime-se o tórax em uma profundidade de pelo menos 5 centímetros
para adultos (aproximadamente 1/3 da profundidade do tórax) e cerca de 4 centímetros para
crianças ³. Essas compressões devem ser realizadas a uma taxa de 100 a 120 compressões por
minuto. É essencial permitir a reexpansão completa do tórax entre cada compressão.
Caso for identificado o pulso da vítima, deve ser realizada a avaliação das vias áreas. Para isso,
posiciona-se o indivíduo deitado de costas em uma superfície plana e firme. Logo depois, pode
ser realizada a elevação do queixo (manobra de Chin-Lift) ou a anteriorização da mandíbula
(manobra de Jaw-Thrust). É preciso certificar-se de que não haja obstruções, como alimentos
ou objetos, impedindo a passagem de ar
A ventilação, quando necessária, pode ser administrada utilizando um dispositivo de bolsa-vál-
vula-máscara (ambu) ou uma máscara de bolso (pocket-mask), realizando-se duas ventilações
a cada 30 compressões. Durante a ventilação, é crucial observar sinais de permeabilidade das
vias aéreas, como expansão do tórax ou do abdômen. Se o socorrista não se sentir confiante para
realizar a ventilação, a prioridade é manter as compressões em alta qualidade.
Em último lugar, o SBV evidencia a Desfibrilação. A utilização de um Desfibrilador Externo Auto-
mático (DEA) auxilia o socorrista na identificação da parada cardiorrespiratória (PCR), determina
se o ritmo é passível de choque e, quando apropriado, aplica o choque para tentar reverter a
PCR. Quando o Desfibrilador Externo Automático (DEA) chega, deve ser posicionado no tórax
conforme as instruções fornecidas no próprio dispositivo 5. As placas do DEA não devem ser
posicionadas em cima de pelagem, roupa ou superfície molhada. Enxugar a vítima e realizar a
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tricotomia garantem a funcionalidade do desfibrilador e aumentam, assim, a chance de reversão
da parada cardiorespiratória.
Figura 1 – Suporte básico de vida. Adaptado de American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary
Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care (2020).
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reanimação cardiopulmonar (RCP), tanto fora quanto dentro do ambiente hospitalar.1 O Suporte
Avançado de Vida em Cardiologia (ACLS) abrange todos os aspectos do Suporte Básico de Vida
(BLS) e inclui procedimentos mais avançados, como estabelecimento de via aérea avançada,
administração de medicamentos, terapia elétrica guiada e tratamento específico conforme a
causa subjacente.3
Os principais aspectos do Suporte Avançado de Vida (SAV) em cardiologia para adultos incluem
a ênfase na realização de manobras de RCP de alta qualidade. A administração precoce de
adrenalina durante ritmos não chocáveis está associada a maiores taxas de sobrevida hospitalar.
Quando uma via aérea avançada é estabelecida, as compressões torácicas devem ser aplicadas
de forma contínua, com uma frequência de 100 a 120 compressões por minuto. As ventilações
devem ser realizadas a uma frequência de 10 por minuto, ou seja, uma ventilação a cada 6
segundos. A monitorização fisiológica é empregada para otimizar a qualidade do SAV e serve
como um indicador de retorno da circulação espontânea.2
* É preciso ter em mente que a prioridade no suporte avançado continua sendo realizar compres-
sões torácicas de qualidade associada à desfibrilação precoce (quando indicada).1
Assim que o suporte avançado de vida estiver disponível, dá-se início ao ABCD secundário,
listada na tabela abaixo:
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Figura 2 – ABCD secundário no suporte avançado. Adaptado de American Heart Association Guidelines for
Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care (2020).
RITMOS CHOCÁVEIS
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Taquicardia Ventricular
A taquicardia ventricular (TV) é caracterizada pela ocorrência de três ou mais complexos ventri-
culares em sucessão imediata, com uma frequência superior a 100 batimentos por minuto. Pode
ocorrer com ou sem pulso, e o paciente pode estar estável ou instável com esse ritmo.
Quando os complexos QRS da TV têm a mesma forma e amplitude, o ritmo é chamado de taqui-
cardia ventricular monomórfica. Já quando os complexos QRS variam em forma e amplitude de
batimento a batimento, o ritmo é chamado de taquicardia ventricular polimórfica (TVPM). Na TVPM,
os complexos QRS parecem estar girando de uma posição vertical para negativa ou de negativa
para vertical, e de volta.
ECG NA TV MONOMÓRFICA
ECG NA TV POLIMÓRFICA
Fibrilação Ventricular
A fibrilação ventricular (FV) é um ritmo cardíaco caótico que se inicia nos ventrículos. Nesse
ritmo, não há uma despolarização organizada dos ventrículos. O músculo ventricular apenas
trêmulo, o que resulta em contração miocárdica ineficaz e ausência de pulso. O ritmo resultante
parece caótico, com deflexões que variam em forma e amplitude, sem apresentar ondas com
aparência normal.
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ECG NA FIBRILAÇÃO VENTRICULAR
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CONDUTA NO PACIENTE COM RITMO CHOCÁVEL
Figura 3 – Conduta nos ritmos chocáveis. Adaptado de American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary
Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care (2020).
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Figura 4 – Doses dos fármacos na PCR. Adaptado de American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary
Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care (2020).
AESP
É um ritmo cardíaco que apresenta morfologia de uma atividade elétrica normal, sem caracte-
rísticas de TV, FV, ou Assistolia e sem pulso central palpável (demais arritmias cardíacas sem
pulso, também podem ser considerados AESP).
ECG NO AESP
Exemplo de AESP - Ritmo cardíaco com atividade elétrica, porém paciente não apresenta pulso.
ASSISTOLIA
É uma linha reta no traçado de ECG. A partir da visualização, deve realizar o mnemônico
CAGAD. Se após verificação de cabos, ganho e derivação for verificado que realmente se trata
de uma linha reta, é confirmado a ASSITOLIA.
ECG NA ASSISTOLIA
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Linha reta. Realizar protocolo CAGAD para identificar Assistolia
Figura 5 – Protocolo CAGAD. Adaptado de American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation
and Emergency Cardiovascular Care (2020).
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1. Identificação de causas reversíveis de parada cardíaca: O POCUS permite a detecção
rápida de condições potencialmente tratáveis, como tamponamento cardíaco, pneumotórax
hipertensivo, tromboembolismo pulmonar maciço e hipovolemia grave. A identificação des-
sas causas pode direcionar intervenções específicas e potencialmente reverter a parada.
2. Avaliação da atividade cardíaca: O POCUS pode diferenciar entre atividade elétrica sem
pulso verdadeira (ausência de movimento cardíaco) e pseudo-atividade elétrica sem pulso
(atividade elétrica com movimento cardíaco, mas sem pulso palpável) como citado ante-
riormente. A presença de atividade cardíaca no POCUS está associada a maior chance
de retorno da circulação espontânea RCE e sobrevida, enquanto a ausência de atividade
sugere prognóstico muito reservado, especialmente em contextos de parada traumática.
3. Auxílio na decisão de continuidade ou interrupção da ressuscitação: A ausência de
atividade cardíaca no POCUS durante a parada, especialmente após ciclos adequados
de RCP, está fortemente associada à futilidade da ressuscitação, embora a decisão de
interromper esforços não deva ser baseada exclusivamente nesse achado.
4. Monitoramento da qualidade das compressões torácicas: O POCUS pode ser utiliza-
do para otimizar o local e a eficácia das compressões, além de identificar compressões
inadequadas ou deslocadas, especialmente em cenários pediátricos.
5. Detecção de pulso carotídeo e avaliação hemodinâmica: O POCUS pode ser mais
sensível do que o exame clínico para detecção de pulso carotídeo durante as pausas
para checagem de pulso, além de permitir avaliação rápida do status de volume e função
ventricular.
6. Segurança e integração ao protocolo de RCP: Quando realizado por operadores expe-
rientes, o POCUS pode ser integrado às pausas de 10 segundos para checagem de pulso,
sem prolongar significativamente as interrupções das compressões, desde que haja trei-
namento e protocolo bem estabelecido.
7. Aplicação em pediatria: Em crianças, o POCUS auxilia na identificação de causas rever-
síveis, avaliação da função cardíaca e otimização das manobras de ressuscitação, sendo
recomendado por sociedades especializadas como ferramenta complementar ao suporte
avançado de vida.
Apesar desses benefícios, o uso do POCUS deve ser criterioso, pois pode aumentar o tempo de
interrupção das compressões se não houver treinamento adequado, e não há evidência robusta
de impacto direto em desfechos clínicos como sobrevida hospitalar em adultos. Portanto, deve
ser considerado um adjunto diagnóstico e prognóstico, e não um substituto das intervenções
padrão durante a parada cardíaca.
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CONDUTA NO PACIENTE COM RITMO NÃO CHOCÁVEL
Figura 6 – Conduta nos ritmos não chocáveis. Adaptado de American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary
Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care (2020).
Quando está em frente à um ritmo de parada não chocável, na grande parte das vezes, um fator
desencadeante leva à PCR! Com isso, deve-se sempre buscar as causas reversíveis da parada,
que são os 6H’S (englobando hipoglicemia como causa precipitante da PCR) e 5T’S:
A partir disso, deve-se realizar o tratamento da causa reversível durante a parada!
Segue abaixo um quadro contendo as causas, principais etiologias e o tratamento:
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Figura 7 – Os 6h’s da PCR. Adaptado de American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation
and Emergency Cardiovascular Care (2020).
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Figura 8 – Os 5t’s da PCR. Adaptado de American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation
and Emergency Cardiovascular Care (2020).
EXTRA
– No novo consenso da AHA em 2023, recomenda-se realizar cateterismo pós PCR de ur-
gência somente se for detectado a presença de supra de ST no eletrocardiograma, sinais
de instabilidade elétrica, choque ou alterações de isquemia.
– Fibrinólise: Caso seja realizado fibrinólise na parada por suspeita de TEP: o regime de
fibrinólise mais utilizado é o de Alteplase. Embora as diretrizes tradicionais recomendem
100 mg de alteplase em infusão intravenosa ao longo de 2 horas para TEP maciça, esse
esquema não é ideal durante a parada, pois a ressuscitação prolongada está associada
a piores desfechos neurológicos e a farmacocinética do rtPA é alterada pelo baixo fluxo
durante a RCP. Por isso, recomenda-se um regime acelerado: alteplase 50 mg em bolus
intravenoso, podendo ser repetido uma vez após 15 minutos se não houver resposta, ou 0,6
mg/kg (máximo 50 mg) em infusão rápida de 15 minutos. Tenecteplase também pode ser
utilizado, em dose única em bolus, com doses variando de 30 a 50 mg conforme o peso,
embora a experiência seja menor e os dados de segurança e eficácia sejam limitados.
Durante a RCP, a administração do fibrinolítico deve ser feita por via intravenosa periférica,
sem necessidade de acesso central. O manejo deve ser multidisciplinar, envolvendo equipe de
570
emergência, cardiologia e, se disponível, equipe de resposta rápida para TEP. Em centros com
recursos, pode-se considerar trombólise dirigida por cateter ou trombectomia mecânica, especial-
mente em casos refratários ou com contraindicação à fibrinólise sistêmica, mas essas abordagens
são menos viáveis durante a parada e requerem disponibilidade imediata de equipe e equipamentos.
É fundamental monitorar sinais de ROSC e interromper a RCP se não houver resposta após
60 minutos, considerando o prognóstico neurológico. O risco de sangramento maior, incluindo
hemorragia intracraniana, é elevado, mas, diante do prognóstico extremamente reservado da
TEP maciça com parada, a fibrinólise é justificada.
Além disso, há também uma nova classificação proposta para se pensar durante a PCR: Os 5
C’s que engloba diversas causas de morte súbita, assunto que vem sendo muito discutido
nos dias atuais:
571
A importância da capnografia durante a PCR (se possível)
O capnógrafo é uma ferramenta fundamental durante a parada cardíaca, pois permite o moni-
toramento contínuo do dióxido de carbono exalado (EtCO₂), fornecendo informações em tempo
real sobre a perfusão pulmonar, a eficácia das compressões torácicas, a ventilação e o retorno
da circulação espontânea. Sua importância se destaca nos seguintes aspectos:
572
ꞏ Padrão de fechamento de vias aéreas: O capnograma pode mostrar ausência ou redução
abrupta da onda, indicando fechamento intratorácico das vias aéreas, o que compromete
a ventilação e a perfusão.
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CUIDADOS PÓS-PARADA
Após manejo da parada cardiorrespiratória, assim que o paciente retorna à circulação espon-
tânea, é necessário que se inicie de imediato, uma sequência de ações voltadas à manutenção
da vida e controle de situações que propiciem uma nova parada cardiorrespiratória (PCR), além
de garantir boa qualidade neurológica após o retorno à circulação espontânea (RCE).
Os primeiros minutos de RCE são de alto risco para nova parada, sendo primordial a estabilização
do paciente, mesmo antes de seu transporte para o âmbito de terapia intensiva. Por isso, deve-se
priorizar a estabilização dos sinais vitais, nível de consciência e capacidade de proteção de vias
aéreas, além da oxigenação e aferição da pressão arterial.
Inicialmente deve-se priorizar a estabilização dos sinais vitais do paciente, avaliando o nível de
consciência e capacidade de proteção de vias aéreas, além da oxigenação e aferição da pressão
arterial. A maioria dos pacientes que evoluem para RCE, apresentam considerável rebaixamento
do nível, o que faz necessário, caso ainda não realizada, a definição de via aérea do paciente e
monitorização por meio de capnógrafo. A radiografia de tórax deve ser obtida o mais brevemente
possível para que seja confirmada a posição do tubo e realizado o acompanhamento da evolução
pulmonar e diagnóstico precoce de sinais de infecção ou desconforto respiratório.
Parâmetros ventilatórios devem ser mantidos para uma boa resposta do paciente após o
RCE. A hiperventilação deve ser evitada a fim de controlar riscos de aumento de pressão intra
torácica e diminuição do débito cardíaco. Assim, a frequência respiratória deve ser mantida entre
10 a 12 IRPM e a saturação deve permanecer entre 94 a 98%. A seguir, a ausculta pulmonar deve
ser realizada para o diagnóstico precoce de possíveis acometimentos pulmonares que podem
ter ocorrido anteriormente ou até mesmo após intervenções necessárias (ex: um pneumotórax
instaurado após a intubação do paciente) e para tomada de decisões sobre os próximos passos
durante os cuidados pós PCR como o controle pressórico.
2) Manejo hemodinâmico
Os dados vitais do paciente devem ser colhidos e a avaliação do estado circulatório deve ser
realizada. A partir disso, caso o paciente apresente-se hipotenso, a estabilização pressórica deve
ser realizada a partir de expansão volêmica (1 a 2 litros de cristalóide isotônico) ou pelo uso de
substâncias vasopressoras (adrenalina em infusão contínua, noradrenalina ou dopamina), dando
preferência ao uso de vasopressores a depender da presença de congestão pulmonar. O objetivo é
manter valores pressóricos com parâmetros de PA média superior a 65 mmHg ou PA sistólica
acima de 90 mmHg.
574
3) Monitorização contínua
As evidências mais recentes, incluindo o TTM2 trial e as atualizações das diretrizes da American
Heart Association (AHA) de 2023 e 2024, indicam que não há benefício em manter hipotermia
terapêutica (32–34°C) em relação à normotermia rigorosa. O foco atual é a prevenção ativa da
febre, com a recomendação de manter a temperatura ≤37,5°C em pacientes comatosos após
retorno da circulação espontânea (RCE). O intervalo de temperatura alvo aceito permanece entre
32°C e 36°C, mas, na prática, a prioridade é evitar febre (>37,7–37,8°C), pois a hipertermia está
associada a piores desfechos neurológicos. O controle da temperatura deve ser mantido por pelo
menos 24 horas, podendo se estender conforme o quadro clínico.
5) Controle glicêmico
O controle glicêmico também pode ser realizado em pós PCR, sendo indicado um controle moderado
da glicemia, mantendo entre 140 a 180 mg/dl, uma vez que quando feito de forma rigorosa pode
trazer maiores riscos de hipoglicemia. Além disso, deve-se realizar a avaliação de órgãos que
são frequentemente afetados após o RCE, como pulmões, sistema cardiovascular e neurológico.
6) Prognóstico
O prognóstico neurológico do paciente vítima de PCR geralmente não é passível de ser estabelecido
durante os três primeiros dias de pós RCE, sendo melhor avaliados após esse período. Os critérios
utilizados devem ser associados para melhor embasamento de resultados. O exame físico neuro-
lógico deve ser realizado na busca de sinais sugestivos de perda neurológica como ausência de
reflexo pupilar ou corneano, reflexo vestíbulo-ocular e escala de coma de Glasgow 3 ou 4 com
tempo hábil de 24 a 72 horas de RCE.
575
Após uma parada cardíaca, a avaliação diagnóstica deve ser abrangente e guiada tanto pela
busca de causas reversíveis quanto pelo manejo das complicações pós-ressuscitação.
Devem ser solicitados alguns exames, como:
3. Radiografia de tórax: Útil para avaliar complicações pulmonares (edema agudo, aspiração,
pneumotórax), posicionamento de dispositivos e sinais indiretos de insuficiência cardíaca.
4. Ecocardiograma transtorácico: Essencial para avaliação da função ventricular, presença
de disfunção miocárdica pós-parada (“myocardial stunning”), tamponamento cardíaco, dis-
secção aórtica, tromboembolismo pulmonar e outras causas estruturais. O ecocardiograma
pode guiar o manejo hemodinâmico e a necessidade de suporte circulatório avançado.
5. Monitorização hemodinâmica: Inclui pressão arterial invasiva, pressão venosa central,
saturação venosa central de oxigênio (ScvO2), débito urinário e temperatura corporal.
Esses parâmetros são fundamentais para o manejo do choque pós-parada e para guiar
intervenções terapêuticas.
6. Monitorização neurológica:
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ꞏ Eletroencefalograma (EEG): Indicado em pacientes comatosos para detecção precoce de
crises epilépticas subclínicas ou status epilepticus, que são comuns após parada cardíaca
e impactam prognóstico.
ꞏ Tomografia computadorizada ou ressonância magnética de crânio: Indicada na suspeita
de etiologia neurológica (hemorragia subaracnoide, AVC) ou para avaliação prognóstica
em pacientes comatosos.
Figura 11 – Resumindo os cuidados pós-parada. Adaptado de American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary
Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care (2020).
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