Flavia Vivi Francisco
Rede de Comunicação Industrial
(Licenciatura em Engenharia Electrónica)
Universidade Rovuma
Nampula
2026
Flavia Vivi Francisco
Rede de Comunicação Industrial
(Licenciatura em Engenharia Electrónica)
Trabalho de pesquisa da cadeira de
Instrumentação Electrónica e Medidas, a ser
apresentado ao Departamento de Engenharias e
Ciências Tecnológicas, curso de Engenharia
Electrónica para fins avaliativos, sob orientação
do Docente: Msc. Eng. Decio Caldino Mario C.
Malema.
Universidade Rovuma
Nampula
2026
Índice
Introdução .................................................................................................................................. 3
2. Objetivos ................................................................................................................................ 3
2.1. Objetivo Geral ................................................................................................................. 3
2.2. Objetivos Específicos...................................................................................................... 3
3. Metodologia ........................................................................................................................... 3
4. Rede de Comunicação Industrial ........................................................................................... 4
4.1. Definição ......................................................................................................................... 4
4.2. Evolução Histórica .......................................................................................................... 4
4.3. Vantagens do uso de redes industriais ............................................................................. 5
4.4. Componentes e Infraestrutura ......................................................................................... 5
4.5. A Pirâmide da Automação (Norma ISA 95) .................................................................... 5
4.6. Principais Protocolos e Tecnologias ............................................................................... 6
4.7. Tendências e Indústria 4.0 ............................................................................................... 6
4.8. Importância na indústria 4.0 e IIoT................................................................................. 6
Conclusão................................................................................................................................... 8
Bibliografia ................................................................................................................................ 9
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Introdução
As redes de comunicação industrial constituem a infraestrutura tecnológica vital para a
automação moderna, atuando como o sistema nervoso que interconecta sensores, atuadores,
controladores e sistemas de gestão. Diferente das redes de TI convencionais, estas redes são
projetadas para operar em ambientes hostis, garantindo o determinismo e a confiabilidade na
troca de dados em tempo real. Com a ascensão da Indústria 4.0, a evolução dos antigos sistemas
de fiação direta para protocolos avançados de Ethernet Industrial permitiu uma integração sem
precedentes entre o chão de fábrica e o nível corporativo, tornando a conectividade o pilar
central da produtividade e da competitividade global.
2. Objetivos
2.1. Objetivo Geral
− Analisar o papel e a importância das redes de comunicação industrial no contexto da
automação, compreendendo sua evolução histórica, suas principais tecnologias e como
elas viabilizam a integração de dados em diferentes níveis hierárquicos de uma planta
produtiva.
2.2. Objetivos Específicos
− Definir os conceitos fundamentais de redes industriais, destacando as diferenças entre
redes de automação e redes comerciais.
− Descrever a evolução histórica, desde o cabeamento ponto a ponto e sistemas Fieldbus
até a predominância da Ethernet Industrial e tendências da Indústria 4.0.
− Identificar os principais protocolos utilizados no mercado (como PROFIBUS,
PROFINET, Modbus e EtherNet/IP) e suas aplicações específicas.
3. Metodologia
A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo de natureza teórica e qualitativa, adotando
o método de revisão bibliográfica. O procedimento metodológico seguiu as seguintes etapas:
Coleta de Dados e Fontes, Critérios de Seleção, Procedimento de Análise e Sistematização.
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4. Rede de Comunicação Industrial
4.1. Definição
As redes de comunicação industrial são infraestruturas de comunicação automatizada
projetadas para interconectar dispositivos (sensores, atuadores, controladores) e sistemas de
gestão em ambientes de manufatura. Diferente das redes comerciais, elas exigem
determinismo, robustez contra interferências eletromagnéticas e operação em tempo real.
Uma rede industrial é o "sistema nervoso" de uma planta produtiva, permitindo que uma
unidade de controle central gerencie múltiplos I/Os (entradas e saídas) de forma distribuída.
Elas garantem que a troca de dados entre máquinas e computadores ocorra de maneira precisa,
sustentando a produtividade e reduzindo paradas não planejadas.
Elas transmitem e compartilham dados entre si, garantindo um funcionamento eficiente dos
processos produtivos. Cada empresa e fábrica terá sua configuração de rede industrial de
acordo com suas necessidades.
4.2. Evolução Histórica
A trajetória das redes industriais é marcada pela transição de sistemas isolados e cabeamento
massivo para protocolos padronizados e integrados à internet. (Automation, 2024)
• Décadas de 60 e 70 - Fiação Direta e Primeiros CLPs: Inicialmente, a comunicação era
feita por fiação paralela ponto a ponto, o que gerava altos custos de manutenção e
complexidade física. O surgimento dos primeiros Controladores Lógicos Programáveis
(CLPs) nos anos 70 permitiu a substituição de painéis de relés, mas a comunicação
entre máquinas ainda era limitada.
• Década de 80 - Era Fieldbus (Barramentos de Campo): Surgiram os primeiros
protocolos padronizados como PROFIBUS e Fieldbus. Esses sistemas permitiram a
conexão de múltiplos dispositivos em um único cabo (barramento), reduzindo
drasticamente a quantidade de fios e facilitando a instrumentação distribuída.
• Década de 90 e 2000 - Ethernet Industrial: A necessidade de maior velocidade e
integração com sistemas de escritório (TI) levou à adaptação do padrão Ethernet para a
indústria. Surgiram protocolos como PROFINET, EtherNet/IP e EtherCAT, que
oferecem largura de banda muito superior aos fieldbuses seriais.
• Atualmente - Indústria 4.0 e IIoT: A fase atual foca na Internet das Coisas Industrial
(IIoT) e na convergência total entre Tecnologia da Operação (TO) e Tecnologia da
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Informação (TI). Redes modernas utilizam TSN (Time-Sensitive Networking) e
conectividade sem fio (5G) para permitir análise de dados em tempo real e maior
flexibilidade geográfica.
4.3. Vantagens do uso de redes industriais
A comunicação em rede facilita a transmissão de informações sem erros, reduz custos e
aumenta a confiabilidade em todas as etapas do processo produtivo. Além disso, elas também
oferecem:
• Diagnóstico de problemas em tempo real;
• Redução de tempos ociosos e de parada;
• Diminuição de gastos com energia e instalações elétricas;
• Gerenciamento remoto;
• Aumento de produtividade e de qualidade na fabricação.
Outro ganho extremamente valioso para as indústrias é o aumento da segurança, já que as
atividades complexas passam a ser realizadas por máquinas e equipamentos automatizados,
liberando trabalhadores para tarefas mais ergonômicas, seguras e valiosas para a linha.
4.4. Componentes e Infraestrutura
Para funcionar, essas redes dependem de hardware e meios físicos robustos:
• Meios de Transmissão: Par trançado (cobre), fibra óptica para longas distâncias ou
wireless industrial para áreas de difícil acesso.
• Equipamentos de Rede: Uso de switches industriais, roteadores, módulos de I/O e
gateways para converter sinais entre diferentes protocolos.
• Arquitetura: Frequentemente baseada no modelo mestre-escravo, onde um
controlador central (mestre) gerencia os dados recebidos dos dispositivos (escravos).
(Automação, n.d.)
4.5. A Pirâmide da Automação (Norma ISA 95)
A organização das redes segue uma hierarquia de cinco níveis que garante o fluxo de dados do
chão de fábrica até a administração: (Fraga, 2025)
• Nível 1 (Campo): Dispositivos de E/S, sensores e atuadores. Protocolos comuns: AS-i,
PROFIBUS DP.
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• Nível 2 (Controle): CLPs e IHMs. Uso predominante de PROFINET e EtherNet/IP.
• Nível 3 (Supervisão): Sistemas SCADA para monitoramento de processos.
• Nível 4 e 5 (Gerencial/ERP): Planejamento logístico e administração corporativa via
redes Ethernet padrão. (Nunes, 2023)
4.6. Principais Protocolos e Tecnologias
As redes industriais utilizam protocolos específicos para diferentes níveis de automação:
Protocolo Tipo Características Principais
PROFIBUS Fieldbus Protocolo aberto, líder mundial em
automação fabril e de processo.
PROFINET Ethernet Baseado no padrão IEEE 802.3, compatível
com TCP/IP e tempo real.
Modbus Serial/TCP Simplicidade e baixo custo; amplamente
utilizado para integração básica.
EtherNet/IP Ethernet Especialização do protocolo CIP sobre
infraestrutura Ethernet padrão.
EtherCAT Ethernet Focado em altíssima velocidade para
controle de movimento (motion control).
4.7. Tendências e Indústria 4.0
O futuro das redes industriais aponta para o TSN (Time-Sensitive Networking), que permite a
coexistência de tráfego crítico e não crítico na mesma rede, e a integração com 5G e IIoT para
maior flexibilidade geográfica. (Kada, Alzubairi, & Tameem, 2019)
4.8. Importância na indústria 4.0 e IIoT
A Indústria 4.0 trata da quarta revolução industrial - um aglomerado de práticas produtivas
orientadas e conectadas ao ambiente digital em que as informações são compartilhadas entre
usuários e máquinas.
Esses dados correm toda a organização de maneira horizontal e vertical, com interoperabilidade
dos processos realizados.
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Para que tal coisa ocorra, é necessária uma infraestrutura de comunicação que abarque todas
as máquinas, computadores, robôs e equipamentos dentro das fábricas. Isso só é possível com
a Internet Industrial das Coisas (IIoT) unida ao Big Data.
Esses conceitos, já relativamente bem difundidos entre os profissionais, tratam de práticas de
conexão de todas as ferramentas de produção aos sistemas de comunicação usados, em especial
a Ethernet e a internet.
Com a Indústria 4.0, o trabalho remoto se torna mais viável.
Um exemplo disso são os cobots, robôs colaborativos usados em indústrias ao redor do mundo
para automação de diversas tarefas, em especial as pouco ergonômicas, monótonas e repetitivas
realizadas por força de trabalho humana.
Os cobots assumem essas operações e liberam trabalhadores para tarefas de maior valor
agregado na linha, tudo isso graças aos seus benefícios diretos como flexibilidade, fácil
implementação, pouco espaço no chão de fábrica e facilidade de programação.
Os sistemas nativos de um robô colaborativo, como os da Universal Robots, ainda podem ser
ampliados e otimizados com outros softwares e hardwares de nosso ecossistema, o UR+. Nele,
é possível encontrar soluções que aumentam a conectividade do cobot às redes industriais
disponíveis, o que garante uma melhor troca de informações de rendimento, potenciais desafios
produtivos e até mesmo oferece um diagnóstico de manutenção preditiva. (Robots, 2022)
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Conclusão
As redes de comunicação industrial deixaram de ser apenas um meio de conectar máquinas
para se tornarem a espinha dorsal da Indústria 4.0. A evolução tecnológica — partindo da fiação
manual rígida, passando pelos robustos barramentos de campo (Fieldbus) e chegando à alta
velocidade da Ethernet Industrial — permitiu que as fábricas operassem com níveis sem
precedentes de precisão e integração. Hoje, o foco não é apenas a troca de sinais entre sensores
e controladores, mas a convergência total entre o chão de fábrica (TO) e a gestão corporativa
(TI).O sucesso de um projeto de pesquisa ou implementação nessa área reside na escolha do
protocolo adequado (como Profinet, EtherNet/IP ou Modbus) e no entendimento da hierarquia
da Pirâmide da Automação, garantindo que os dados fluam com segurança, determinismo e
confiabilidade. O futuro aponta para redes ainda mais flexíveis, impulsionadas pelo 5G e pelo
TSN, consolidando a digitalização completa dos processos produtivos.
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Bibliografia
Automação, C. (s.d.). Redes de Comunicação Industrial. Obtido de chayaautomacao:
[Link]
Fraga, F. (2025). Descubra a Pirâmide da Automação Industrial que Vai Impulsionar Sua
Carreira. Obtido de Youtube: [Link]
I&t=47s
Kada, B., Alzubairi, A., & Tameem, A. (2019).
Industrial_Communication_Networks_and_the_Future_of_Industrial_Automation.
Obtido de [Link]:
[Link]
works_and_the_Future_of_Industrial_Automation
Nunes, N. F. (2023). Redes e protocolos de comunicação na automação industrial. Obtido de
Youtube: [Link]
Robots, U. (2022). Redes industriais: o que são, principais tipos e para que servem. Obtido
de universal-robots: [Link]
que-sao-principais-tipos-e-para-que-servem/
Tee, K. S., Haron, Z. A., & Hashim, H. (2007).
Industrial_Communication_Networking_An_Ethernet_Based_Implementation. Obtido
de [Link]:
[Link]
working_An_Ethernet_Based_Implementation