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Gramática Português

O documento aborda a estrutura da oração, explicando os conceitos de sujeito e predicado, incluindo suas classificações. Também discute a transitividade verbal, pronomes adjetivos e substantivos, orações coordenadas, ambiguidade estrutural e a diferença entre complemento verbal e nominal. Além disso, oferece exemplos práticos e dicas para evitar erros comuns na análise sintática.

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O documento aborda a estrutura da oração, explicando os conceitos de sujeito e predicado, incluindo suas classificações. Também discute a transitividade verbal, pronomes adjetivos e substantivos, orações coordenadas, ambiguidade estrutural e a diferença entre complemento verbal e nominal. Além disso, oferece exemplos práticos e dicas para evitar erros comuns na análise sintática.

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Sujeito e predicado

Sujeito — termo da oração sobre o qual se declara algo. Pode ser:

Simples: um único núcleo. Ex.: A professora explicou. (núcleo = professora)

Composto: dois ou mais núcleos. Ex.: O João e a Maria chegaram.

Oculto / elíptico / elíptico: não aparece explícito, mas dá para inferir pelo verbo.
Ex.: Fui ao mercado. (sujeito: eu)

Indeterminado: quando a oração não indica quem pratica a ação. Pode ser:

verbo na 3ª pessoa do plural sem sujeito expresso: Disseram que vem chuva.

verbo na forma impessoal com-se (índice de indeterminação): Vive-se bem aqui.

Oração sem sujeito: contém verbo impessoal (fenômenos da natureza, haver no


sentido de existir, fazer com tempo decorrido). Ex.: Choveu ontem. / Há três livros
na mesa. / Faz duas horas.

Predicado — o que se declara sobre o sujeito. Tipos principais:

Predicado verbal: núcleo é um verbo (ação). Ex.: O menino correu. (núcleo:


correu)

Predicado nominal: núcleo é um nome (predicativo do sujeito) ligado por verbo


de ligação (ser, estar, permanecer...). Ex.: Ela é inteligente. (núcleo: inteligente)
Predicado verbo-nominal: tem um núcleo verbal (ação) e um predicativo (do
sujeito ou do objeto). Ex.: Encontraram-no cansado. (verbo: encontraram;
predicativo: cansado — do objeto)

Predicado verbo-adverbial (às vezes tratado como predicado verbal com adjunto
adverbial): verbo e circunstância adverbial. Ex.: Saíram cedo.

Dica: Identifique primeiro o sujeito; depois veja se o núcleo do predicado é verbo


(pred. verbal), nome ligado por verbo de ligação (pred. nominal) ou ambos (verbo +
predicativo = pred. verbo-nominal).

Transitividade verbal

A transitividade indica se o verbo exige ou não complementos (objetos) e quais


tipos.

1. Verbo Intransitivo (V. intransitivo) — não exige complemento. Ex.: Ele sorriu. /
Durmo.

2. Verbo Transitivo Direto (VTD) — exige objeto direto (sem preposição). Ex.: Li o
livro. (o livro = objeto direto)

3. Verbo Transitivo Indireto (VTI) — exige objeto indireto (com preposição). Ex.:
Gosto de música. (de música = objeto indireto)

4. Verbo Transitivo Direto e Indireto (VTDI) — exige objeto direto + objeto indireto.
Ex.: Ele deu um presente à amiga. (um presente = OD; à amiga = OI)

5. Verbo de Ligação (VL) — liga sujeito ao predicativo (não tem objeto). Exemplos
clássicos: ser, estar, ficar, parecer, tornar-se. Ex.: Ela está feliz. (feliz = predicativo
do sujeito)

6. Verbo Transitivo com Complemento Oblíquo — verbo que admite


complemento regido por preposição exigida pelo sentido (às vezes chamado
simplesmente de VTI). Ex.: Confio em você.

7. Verbo Transitivo Direto com preposição facultativa (VTD com preposição


opcional) — em alguns casos a preposição pode aparecer por ênfase (varia
conforme verbo/região), mas cuidado com regência.
Observação prática: sempre pergunte “o quê?” (OD) ou “a quem?/em quê?/com
quê?” (OI) para achar o complemento.

Pronomes adjetivos e pronomes substantivos

Pronomes adjetivos — acompanham e determinam um substantivo (funcionam


como adjuntos/adjetivos). Ex.: meu livro, esta casa, algum aluno. São pronomes
quando aparecem junto ao substantivo: possessivos (meu, teu), demonstrativos
(este, essa), indefinidos (algum, nenhum) — quando modificam um substantivo.

Pronomes substantivos — substituem o substantivo; atuam como núcleos do


sintagma nominal. Ex.: O meu é melhor. (o meu = pron. substantivo, substituindo
"meu livro"); Alguns chegaram cedo. (alguns = pron. subst.)

Exemplos lado a lado:

Meu carro → aqui meu é pronome adjetivo (modifica carro)

O meu é azul → aqui o meu é pronome substantivo (substitui “meu carro”)

Observação: muitos pronomes podem funcionar de ambas as formas


(possessivos, demonstrativos, indefinidos). A posição e a presença do substantivo
definem a função.

Orações coordenadas sindéticas

Orações coordenadas: são orações independentes sintaticamente, ligadas por


conjunções ou por vírgula. Sindéticas = ligadas por conjunção (há também
assindéticas = sem conjunção, apenas vírgula).

Tipos de coordenadas sindéticas e conjunções típicas:

Aditiva — ideia de adição. Conjunções: e, nem, mas também, como também.


Ex.: Estudei, e passei no teste.

Adversativa — oposição ou contraste. Conjunções: mas, porém, contudo,


todavia, no entanto.

Ex.: Queria sair, mas choveu.

Alternativa — opção/alternância. Conjunções: ou, ora...ora, quer...quer.

Ex.: Você estuda ou trabalha?

Conclusiva — conclusão. Conjunções: logo, portanto, por conseguinte, pois


(após o verbo).

Ex.: Estudou bastante; portanto, foi aprovado.

Explicativa — explicação/motivo. Conjunções: porque, que, pois (antes do verbo).

Ex.: Não saia, porque está chovendo.

Distributiva — alternância distribuída entre elementos. Conjunções: quer...quer,


ora...ora, seja...seja.

Ex.: Ora chora, ora ri.

Dica: Identifique a conjunção e relacione ao sentido (adição, contraste,


explicação etc.). Nem toda vírgula indica coordenação — veja se há sentido
independente nas orações.

Conjunções coordenativas (lista e usos)

Conjunções coordenativas são aquelas que ligam orações coordenadas (as


acima). As principais e exemplos:

Aditivas: e, nem, mas também, como também.


Adversativas: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto.

Alternativas: ou, ou...ou, ora...ora, quer...quer.

Conclusivas: logo, portanto, por conseguinte, assim.

Explicativas: porque, que, porquanto (mais formal), pois (quando vem antes do
verbo: pois não posso).

Cuidado com pois: antes do verbo = explicativa (Não vá, pois não é seguro);
depois do verbo = conclusiva (Estudei, pois fui aprovado) — a posição altera o
sentido.

Ambiguidade estrutural

Ambiguidade ocorre quando uma frase pode ser interpretada de duas ou mais
maneiras por causa da estrutura (e não por vocabulário). Exemplos clássicos:

Vi o homem com o telescópio.

Interpretação A: usei o telescópio para ver o homem.

Interpretação B: o homem que eu vi estava com um telescópio.

Ela disse ao filho que o visitaria amanhã.

Interpretação A: ela disse ao filho que ela visitaria o filho amanhã.


Interpretação B: ela disse ao filho que alguém visitaria o filho (ou que o filho
visitaria alguém) — depende de vírgulas e contexto.

Como resolver:

Reescrever a frase (clareza é melhor). Ex.: Usando o telescópio, vi o homem. ou


Vi o homem que tinha um telescópio.

Usar pontuação (vírgulas, travessões) ou inserir pronomes/clarificadores: Ela


disse, ao filho, que o visitaria amanhã. (a vírgula pode indicar pausa/ênfase, mas
cuidado: nem sempre resolve).

Contextualizar com mais informação.

Exercício mental: sempre pergunte “quem faz o quê?” e identifique a relação


entre adjuntos/adjetivos e o núcleo.

Complemento verbal x complemento nominal

Complemento verbal = complementos exigidos por verbos (objetos: direto,


indireto). Exemplos: Comprei um presente (OD). / Preciso de ajuda (OI).

Complemento nominal = complemento exigido por substantivos, adjetivos ou


advérbios — é regido por preposição. Não é objeto de verbo, mas complemento de
nome. Exemplos:

Substantivo: a confiança em Paulo (em Paulo = complemento nominal de


confiança)

Adjetivo: orgulhoso de sua filha (de sua filha = complemento nominal)


Advérbio também pode ter complemento nominal em estruturas (menos
comum).

Diferença prática:

Verbo: complemento pode ser sem preposição (OD) ou com preposição (OI),
dependendo do verbo.

Nome/adjetivo: complemento sempre com preposição exigida pelo sentido do


nome/adjetivo — isto é complemento nominal.

Exemplo comparativo:

Confio no João. → confio (verbo transitivo indireto) + complemento verbal: no João.

Minha confiança no João é grande. → no João é complemento nominal


(complementa o substantivo confiança).

Teste rápido: substitua o verbo por outro verbo que aceite OD — se o


complemento permanecer ligado ao nome e não funcionar como objeto do verbo,
provavelmente é complemento nominal. Outra pista: complemento nominal tem
sempre preposição exigida pelo nome/adjetivo.

Exemplos longos e análise combinada

Frase: Os professores consideram os alunos preparados para a prova.

Sujeito: Os professores (simples)


Predicado: consideram os alunos preparados para a prova (predicado verbal —
núcleo: consideram)

Transit.: considerar — VTDI (OD = os alunos; OI opcional dependendo do sentido)


→ aqui há objeto direto: os alunos

Preparados para a prova = predicativo do objeto (predicativo do OD) — portanto


predicado verbo-nominal com predicativo do objeto.

Complemento nominal? para a prova está ligado ao adjetivo/participio preparado;


é adjunto adverbial de finalidade se entender assim, ou complemento do adjetivo
preparados (pode ser complemento nominal do adjetivo, que é um caso especial).

Erros comuns e dicas para evitar

Confundir objeto indireto com complemento nominal — lembre-se: se o termo


complementa um substantivo/adjetivo, é complemento nominal; se complementa
o verbo, é complemento verbal (objeto).

Usar vírgula no lugar errado e criar ambiguidade. Leia a frase em voz alta: a pausa
natural ajuda a entender se a oração é coordenada/adição ou explicação.

Identificar sujeito oculto: acompanhe a desinência verbal (nº/pessoa) para achar


sujeito elíptico.

Cuidado com verbos de ligação: não têm objeto — o elemento que vem depois é
predicativo do sujeito, não objeto.

Exercícios (rápidos) — tente antes de ver o gabarito

Classifique o sujeito e o predicado: Choram lágrimas de alegria.


Identifique transitive/objetos: Entreguei o relatório ao chefe.

Diga se o pronome está atuando como adjetivo ou substantivo: O meu está na


bolsa. / Meu caderno ficou na mesa.

Classifique a coordenação e a conjunção: Queria ir, mas estava doente.

Explique a ambiguidade (se houver): Vi a moça com o binóculo.

Diferencie complemento verbal/nominal: Tenho medo de voar. / O medo de voar é


comum.

Gabarito

Choram lágrimas de alegria. — Sujeito indeterminado (ou sujeito inexistente?

Na verdade aqui choram lágrimas: sujeito simples = "lágrimas" pode ser analisado
como sujeito simples —

mas a construção mais natural: sujeito = lágrimas (simples); predicado = choram


de alegria — núcleo verbal = choram → predicado verbal). (Obs.: cuidado: verbo
concorda com "lágrimas".)

Entreguei o relatório ao chefe. — Verbo transitivo direto e indireto (VTDI): OD = o


relatório; OI = ao chefe.

O meu está na bolsa. → pronome substantivo (substitui algo: “o meu [celular]”);


Meu caderno... → pronome adjetivo (determina caderno).

Queria ir, mas estava doente. — Coordenação adversativa; conjunção mas.


Vi a moça com o binóculo. — Ambíguo: usei binóculo para ver a moça / a moça
tinha o binóculo. Resolver reescrevendo: Com meu binóculo, vi a moça. ou Vi a
moça que segurava um binóculo.

Tenho medo de voar. — medo (substantivo) + de voar = complemento nominal


(complementa o substantivo medo). O medo de voar é comum. — idem
(complemento nominal). Se fosse Temo voar, aí voar seria complemento verbal
(objeto direto do verbo temer — regência muda com verbo).

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