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Relação Entre Agressividade Tributária e Habilidade Gerencial: o Papel Moderador Da Gestão de Riscos

Este estudo investiga como a gestão de riscos corporativos modera a relação entre habilidade gerencial e agressividade tributária, destacando que a gestão de riscos pode explicar resultados mistos encontrados em pesquisas anteriores. Os resultados indicam que a habilidade gerencial está positivamente associada à agressividade tributária, mas a gestão de riscos atenua essa relação, especialmente em práticas que geram diferenças permanentes. A pesquisa foi realizada com uma amostra de empresas brasileiras não financeiras entre 2016 e 2021, utilizando análise de regressão para mensurar as variáveis envolvidas.

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Relação Entre Agressividade Tributária e Habilidade Gerencial: o Papel Moderador Da Gestão de Riscos

Este estudo investiga como a gestão de riscos corporativos modera a relação entre habilidade gerencial e agressividade tributária, destacando que a gestão de riscos pode explicar resultados mistos encontrados em pesquisas anteriores. Os resultados indicam que a habilidade gerencial está positivamente associada à agressividade tributária, mas a gestão de riscos atenua essa relação, especialmente em práticas que geram diferenças permanentes. A pesquisa foi realizada com uma amostra de empresas brasileiras não financeiras entre 2016 e 2021, utilizando análise de regressão para mensurar as variáveis envolvidas.

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ISSN 1808-057X

DOI: 10.1590/[Link]

Artigo Original

Relação entre agressividade tributária e habilidade gerencial:


o papel moderador da gestão de riscos
Fabiano de Castro Liberato Costa¹
 [Link]
E-mail: fclcosta@[Link]

Márcia Zanievicz da Silva²


 [Link]
E-mail: mzsilva@[Link]

Micheli Aparecida Lunardi²


 [Link]
E-mail: malunardi@[Link]

¹
Universidade Regional de Blumenau, Centro de Ciências Sociais Aplicadas, Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis, Blumenau,
SC, Brasil
²
Universidade Regional de Blumenau, Centro de Ciências Sociais Aplicadas, Departamento de Ciências Contábeis, Blumenau, SC, Brasil

Recebido em 19/08/2024 – Desk aceite em 27/08/2024 – 3ª versão aprovada em 11/04/2025


Editor-Chefe: Andson Braga de Aguiar
Editor Associado: Cláudio de Araújo Wanderley

RESUMO
O objetivo deste estudo foi avaliar o papel moderador da gestão de riscos corporativos na relação entre habilidade gerencial
e agressividade tributária. Estudos anteriores se concentraram na dispersão no nível de agressividade tributária entre
as empresas por meio de características pessoais dos gestores, tais como a habilidade gerencial, com resultados mistos.
Este estudo questiona se a gestão de riscos corporativos pode explicar esses resultados mistos, influenciando a relação
entre a agressividade tributária e a habilidade gerencial, o que oferece um avanço no conhecimento dos determinantes da
agressividade tributária. O estudo evidencia a relevância do processo de gestão de riscos na delimitação da tolerância e do
apetite ao risco fiscal, favorecendo o aproveitamento de oportunidades de redução da despesa tributária com o consequente
aumento do desempenho organizacional. Ele demonstra que a interação entre a habilidade gerencial e a gestão de riscos
exerce, sobre práticas de agressividade tributária que geram diferenças permanentes, efeitos distintos dos que exerce sobre
práticas que geram diferenças temporárias, o que pode ser útil para gestores, auditores, investidores, reguladores e demais
interessados na agressividade tributária corporativa. Este estudo aplicou a técnica de análise de regressão estimada pelo
método dos Mínimos Quadrados Ordinários (MQO) sobre uma amostra de empresas brasileiras não financeiras listadas,
no período de 2016 a 2021. Mensurou-se a agressividade tributária pela Total Book-Tax Differences (BTD Total) e por suas
componentes, BTD Temporária e BTD Permanente. A habilidade gerencial foi mensurada conforme Demerjian et al. (2012),
e a gestão de riscos, conforme o Enterprise Risk Management Index (ERMI), de Gordon et al. (2009). Os resultados sugerem
que a gestão de riscos melhora a comunicação interna e externa e oferece aos gestores informações para tomar decisões
tributárias mais eficientes. Evidenciam também que, em empresas com melhores processos de gestão de riscos, os gerentes
com maior habilidade gerencial decidem engajar-se apenas em estratégias tributárias mais agressivas, as quais resultam em
diferenças permanentes.

Palavras-chave: agressividade tributária, habilidade gerencial, gestão de riscos.

Endereço para correspondência


Fabiano de Castro Liberato Costa
Universidade Regional de Blumenau, Centro de Ciências Sociais Aplicadas, Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis
Rua Antônio da Veiga, 140, sala D-202 – CEP: 89030-903
Itoupava Seca – Blumenau – SC – Brasil

Este é um texto bilíngue. Este artigo também foi traduzido para o idioma inglês e publicado sob o DOI 10.1590/[Link].
Trabalho apresentado no XXVI SemeAd, São Paulo, SP, Brasil, novembro de 2023.

Rev. Contab. Finanç. – USP, São Paulo, v. 36, n. 99, e2200, 2025
Relação entre agressividade tributária e habilidade gerencial: o papel moderador da gestão de riscos

Relationship between tax avoidance and managerial ability: the moderating role
of risk management
ABSTRACT
The aim of this study was to assess the moderating role of corporate risk management in the relationship between managerial
ability and tax avoidance. Previous studies have focused on the variation in the level of tax avoidance among companies through
personal characteristics of managers, such as managerial ability, with mixed results. This study questions whether corporate
risk management can explain these mixed results by influencing the relationship between tax avoidance and managerial ability,
which provides advancement in the understanding of the determinants of tax avoidance. The study highlights the relevance
of the risk management process in defining tolerance and appetite for tax risk, facilitating the capitalization on opportunities
to reduce tax expenses with the consequent increase in organizational performance. It shows that the interaction between
managerial ability and risk management has different effects on tax avoidance practices that generate permanent differences
compared to practices that generate temporary differences, which can be useful for managers, auditors, investors, regulators,
and other stakeholders interested in corporate tax avoidance. This study applied the regression analysis technique estimated by
the Ordinary Least Squares (OLS) method on a sample of non-financial Brazilian listed companies for the period from 2016 to
2021. Tax avoidance was measured by the Total Book-Tax Differences (Total BTD) and its components, Temporary BTD and
Permanent BTD. Managerial ability was measured according to Demerjian et al. (2012), and risk management, according to
the Enterprise Risk Management Index (ERMI), proposed by Gordon et al. (2009). The results suggest that risk management
improves internal and external communication and provides managers with information to make more efficient tax decisions.
They also highlight that, in companies with better risk management processes, managers with higher managerial ability choose
to engage only in more aggressive tax strategies, which result in permanent differences.

Keywords: tax avoidance, managerial ability, risk management.

1. INTRODUÇÃO

O volume expressivo de impostos exigido pelo Estado, probabilidade de serem entendidas como ilegais pelas
nas três esferas de governo, gera incentivos para que as autoridades tributárias (evasão fiscal), em outro.
empresas adotem estratégias com o objetivo de reduzir Martinez (2017) reconhece que os termos “evasão
sua despesa tributária. Isso porque os impostos diminuem fiscal” e “planejamento tributário” são amplamente
os fluxos de caixa disponíveis para investimentos e para utilizados, porém, muitas vezes, de forma indefinida.
o pagamento de dividendos, o que torna a redução da No entanto, embora o autor claramente posicione o
despesa tributária algo desejado pelos shareholders (Chen planejamento tributário no campo da legalidade, no
et al., 2010). caso concreto, o limiar entre o legal e o ilegal sempre
Hanlon e Heitzman (2010) utilizam o termo tax dependerá da interpretação da legislação tributária e
avoidance, traduzido como “agressividade tributária” dos atos praticados pela empresa. Tendo em vista a
na literatura nacional, para se referir às atividades e dificuldade de distinguir empiricamente entre elisão
estratégias empresariais que buscam a redução dos e evasão fiscais (Wang et al., 2020), este estudo adota
impostos corporativos. Essas atividades de redução da a concepção ampla de Hanlon e Heitzman (2010), e
despesa tributária estão sujeitas a diferentes graus de considera como agressividade tributária o resultado de
incerteza, devido, principalmente, às dificuldades de quaisquer atividades que reduzam a despesa tributária
interpretação das normas fiscais. corporativa, não importando o ponto do continuum em
As atividades relacionadas à redução de tributos que recaia sua posição fiscal.
podem ser posicionadas em um continuum que vai da Estudos anteriores trataram da influência das
legalidade à ilegalidade, entre as quais há uma ampla zona características pessoais dos gestores e dos mecanismos
cinzenta caracterizada pela gradação da incerteza e do de governança corporativa sobre a agressividade tributária
risco associados à posição tributária da firma (Lietz, 2013). (Wang et al., 2020; Wahab et al., 2017; Amri et al., 2023).
O conceito de Hanlon e Heitzman (2010), amplamente Este estudo se distingue dos demais por abordar uma
adotado na literatura, considera todo esse espectro, característica pessoal específica, a habilidade gerencial,
abrangendo, portanto, desde atividades claramente legais e um mecanismo de governança específico, a gestão de
(elisão fiscal), em um extremo, até aquelas com alta riscos corporativos.

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Fabiano de Castro Liberato Costa, Márcia Zanievicz da Silva & Micheli Aparecida Lunardi

A habilidade gerencial é uma característica pessoal a empresa está sujeita de forma holística, o ERM centra
dos gestores que pode aumentar o nível de agressividade atenção nas inter-relações entre os riscos operacionais,
tributária, uma vez que gestores com maior habilidade financeiros, regulatórios e fiscais (Eastman et al., 2024).
podem transformar com maior eficiência os recursos da O ERM considera não apenas os riscos, mas também
empresa em resultados, por meio da redução da despesa as oportunidades. Segundo o Comitê de Organizações
tributária (Koester et al., 2017). Entretanto, Francis et al. Patrocinadoras da Comissão Treadway (COSO, 2004,
(2022) apresentaram resultados divergentes, sugerindo que 2017), o risco está associado à probabilidade de que
a habilidade gerencial diminui a agressividade tributária. um evento ocorra e afete negativamente a realização
Esses autores atribuíram seus resultados à maior aversão dos objetivos, enquanto a oportunidade está associada
aos custos reputacionais da agressividade tributária por à probabilidade de que um evento ocorra e influencie
parte de gestores mais habilidosos. favoravelmente a realização dos objetivos.
A habilidade gerencial afeta o desempenho econômico No que se refere à agressividade tributária, as decisões
da empresa e as decisões relativas às estimativas e empresariais geram riscos associados à possibilidade de
divulgações contábeis (Demerjian et al., 2012, 2013; Huang detecção e penalização pela autoridade tributária, com
et al., 2017; Lunardi et al., 2022; Moura et al., 2019). Gerentes reflexos negativos para a reputação da firma e dos gestores.
com maior habilidade possuem melhor entendimento Ao mesmo tempo, geram oportunidades associadas à
do ambiente operacional da firma, gerenciam melhor o economia tributária e, consequentemente, ao aumento
negócio e aproveitam as oportunidades de investimento, do desempenho econômico e do valor da firma.
com vistas a maximizar o valor da empresa (Demerjian O ERM pode auxiliar na tomada de decisão, oferecendo
et al., 2012; Lunardi et al., 2022). Estudos tendem a procedimentos e técnicas capazes de identificar e avaliar os
relacionar o estilo e a habilidade gerenciais com uma riscos e as oportunidades, associados a cada planejamento
maior compreensão das questões financeiras e contábeis, tributário apresentado aos gestores. A avaliação de riscos
a partir da qual os gestores podem adotar estratégias que e oportunidades estabelece o nível ótimo de agressividade
impactam o nível da despesa tributária (Dyreng et al., tributária, específico para cada empresa (Kovermann
2010; Francis et al., 2022; Koester et al., 2017). & Velte, 2019). Adicionalmente, gestores com maior
Este estudo contribui para a compreensão do fenômeno habilidade gerencial podem tirar melhor proveito das
ao propor que a gestão de riscos corporativos modera informações geradas pela gestão de riscos.
a relação entre a habilidade gerencial e a agressividade Diante desse contexto, espera-se que o processo de
tributária. Espera-se que os resultados contribuam gestão de riscos seja capaz de influenciar a relação entre a
para explicar as divergências apresentadas em estudos habilidade gerencial e o nível de agressividade tributária,
anteriores. Ao condicionar a adoção de estratégias o que conduz à seguinte questão de pesquisa: qual o efeito
tributárias mais agressivas ao limite de risco aceitável moderador da gestão de riscos corporativos na relação
pelos acionistas (Beasley et al., 2021), a gestão de riscos entre a habilidade gerencial e a agressividade tributária?
pode afetar a agressividade tributária, em especial por Assim, o objetivo do estudo foi avaliar esse efeito.
meio de sua interação com a habilidade gerencial. A pesquisa foi operacionalizada com o uso da técnica
A adoção de planejamentos tributários é especialmente de regressão linear múltipla, com os coeficientes estimados
controversa no Brasil, onde só são eventualmente pelo Método dos Mínimos Quadrados Ordinários (MQO).
reconhecidos como válidos, após anos de discussões em Para mensurar a agressividade tributária, utilizaram-se
tribunais administrativos e/ou no Poder Judiciário, tendo três métricas, já consolidadas na literatura, derivadas
em vista as dificuldades de interpretação da legislação e dos da proxy Book-Tax Differences (BTD): BTD Total, BTD
fatos tributários (Martinez, 2017). Diante das incertezas Temporária, e BTD Permanente (Hanlon & Heitzman,
associadas às decisões tributárias, os gestores podem ser 2010; Dunbar et al., 2010; Fonseca & Costa, 2017). A
impelidos a tomar decisões diferentes das que tomariam mensuração da habilidade gerencial foi realizada com
em outro cenário. base no score proposto por Demerjian et al. (2012), e a
Em um contexto de elevada incerteza, o processo gestão de riscos foi calculada segundo o Enterprise Risk
de gestão de riscos empresariais, ou Enterprise Risk Management Index (ERMI), proposto por Gordon et al.
Management (ERM), adquire relevância, na medida em (2009).
que permite à empresa identificar e mensurar, de maneira Os resultados sugerem que a habilidade gerencial é
integrada, uma extensa gama de riscos (Gordon et al., positivamente associada à agressividade tributária, e que a
2009; Hoyt & Liebenberg, 2011; Naseem et al., 2020), gestão de riscos atenua essa relação, no entanto, somente
inclusive os riscos fiscais. Ao tratar os riscos aos quais para a BTD Total e a BTD Temporária. Observou-se que

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Relação entre agressividade tributária e habilidade gerencial: o papel moderador da gestão de riscos

gestores com maior habilidade gerencial, e que dispõem de Ao explicitar a influência da gestão de riscos
melhores processos de gestão de riscos, quando avaliam a corporativos na capacidade que os gestores habilidosos
relação entre risco e benefício das estratégias tributárias, têm em agir sobre as estratégias tributárias, o estudo
são mais propensos a manter apenas aquelas que resultam apresenta uma relevante contribuição prática. Nesse
em diferenças permanentes entre a base contábil e a base sentido, gestores, auditores, investidores, reguladores
fiscal, em detrimento daquelas que geram diferenças e demais interessados podem centrar sua atenção nos
temporárias. mecanismos de governança corporativa, com intuito de
O estudo contribui para a literatura ao evidenciar o identificar aqueles que tendem a apresentar menor ou
papel da interação entre a habilidade gerencial e a gestão maior influência no nível de agressividade tributária.
de riscos como determinante do nível de agressividade Apresenta, igualmente, evidências de que a gestão de
tributária. Adicionalmente, contribui ao demonstrar que riscos corporativos tem o potencial de conduzir os gestores
tal interação exerce efeitos distintos sobre práticas que a seguirem as estratégias tributárias estabelecidas pela
geram diferenças permanentes comparativamente àquelas governança corporativa e alinhadas com o apetite ao risco
que geram diferenças temporárias. preferido pelo Conselho de Administração, em detrimento
dos interesses individuais dos gestores habilidosos.

2. ANTECEDENTES E HIPÓTESES DE PESQUISA

2.1 Agressividade Tributária Wilson (2018) propuseram um framework no qual o nível


de agressividade tributária decorre da comparação entre os
A agressividade tributária consiste no comportamento benefícios e os custos a ela associados. Como essa decisão,
de evitar ou reduzir a despesa tributária corporativa, e em regra, é tomada pelos gestores (Dyreng et al., 2010;
abrange diversas práticas que visam a essa redução. O Kovermann & Velte, 2019), a literatura tem se ocupado
conceito envolve desde práticas mais conservadoras, nas em analisar a influência de seus traços pessoais sobre a
quais a organização legítima dos negócios da empresa reduz agressividade tributária, a exemplo da experiência militar,
a incidência tributária, até condutas mais agressivas, que narcisismo, orientação política e habilidade gerencial,
podem ser consideradas ilegais e resultar em penalidades entre outros (Wilde & Wilson, 2018).
(Martinez, 2017; Wang et al., 2020), formando o que Estratégias tributárias agressivas podem resultar, no
se denomina de continuum da agressividade tributária longo prazo, em custos não-tributários indesejados, tais
(Hanlon & Heitzman, 2010; Lietz, 2013). Entre esses como a saída de caixa para pagar eventuais autuações,
dois extremos, há uma ampla área cinzenta, na qual o elevados custos reputacionais e maior custo de capital
risco associado à posição tributária da firma aumenta (Wilde & Wilson, 2018; Beasley et al., 2021). Os gestores
na medida em que essa posição se aproxima do extremo comparam os potenciais benefícios de diminuir sua carga
mais agressivo. fiscal com os custos associados a esse comportamento,
O conceito de planejamento tributário, por sua vez, para então escolher um nível ótimo de agressividade
envolve apenas estratégias tributárias consideradas legais, tributária, compatível com o apetite e a tolerância ao risco
sendo um subconjunto da agressividade tributária (Lietz, dos acionistas (Kovermann & Velte, 2019).
2013; Blouin, 2014). As estratégias de planejamento Nesse sentido, Cook et al. (2017) demonstraram que
tributário mais próximas do extremo agressivo do os investidores aumentam o custo de capital quando as
continuum são classificadas como planejamentos empresas apresentam valores extremos de agressividade
tributários abusivos e, frequentemente, são baseadas em tributária, sejam eles muito altos ou muito baixos. Isso
argumentos jurídicos frágeis (Martinez, 2017; Lisowsky reforça o entendimento de que, apesar dos fortes incentivos
et al., 2013). Em regra, o reconhecimento da legalidade para a redução de tributos, existe um nível ótimo de
de um planejamento tributário abusivo é incerto, o que agressividade tributária determinado, entre outros fatores,
aumenta o risco fiscal das empresas (Martinez, 2017). por custos tributários e não-tributários inerentes às
A literatura tem analisado a agressividade tributária estratégias adotadas (Dyreng et al., 2010; Kovermann &
a partir da perspectiva da agência, na qual os gestores Velte, 2019; Wilde & Wilson, 2018).
avessos ao risco devem definir um nível de agressividade Além das características pessoais dos gestores, a
tributária que atenda aos interesses dos acionistas neutros literatura tem analisado diversos fatores organizacionais
em relação ao risco (Kovermann & Velte, 2019; Wang et como determinantes da agressividade tributária, tais como
al., 2020; Wilde & Wilson, 2018). Especificamente, Wilde e a estratégia empresarial (Higgins et al., 2015), a estrutura de

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Fabiano de Castro Liberato Costa, Márcia Zanievicz da Silva & Micheli Aparecida Lunardi

propriedade (empresas familiares e não familiares) (Chen (Castro, 2010; Fonseca & Costa, 2017; Martinez, 2017).
et al., 2010), a compensação de executivos (Armstrong Neste estudo, as diferenças permanentes foram capturadas
et al., 2012; Desai & Dharmapala, 2006), as dificuldades pela Permanent Book-Tax Differences (PBTD).
financeiras (Edwards et al., 2013), e os mecanismos de
controle interno (Richardson et al., 2013), entre eles 2.2 Habilidade Gerencial
a gestão de riscos (Masri et al., 2019; Eastman et al.,
2024). Mais recentemente, a literatura tem associado Estudos têm evidenciado que o gestor é quem
a agressividade tributária à responsabilidade social define o nível de agressividade tributária corporativa
corporativa (Kovermann & Velte, 2021), à transformação (Desai & Dharmapala, 2006; Dyreng et al., 2010; Li et
digital (Zhou et al., 2022), ao desenvolvimento financeiro al., 2016; Francis et al., 2022). Ao tomar decisões com
(Allam et al., 2024) e ao risco fiscal (Drake et al., 2019; implicações tributárias, o gestor está sujeito a uma série de
Brühne & Schanz, 2022; Saragih & Ali, 2023a). contingências, dentre as quais estão aquelas relacionadas
Em relação ao risco fiscal, Martinez (2017) às características da própria firma, tais como tamanho e
argumenta que se trata de um constructo positivamente estrutura de capital, entre outros.
correlacionado com a agressividade tributária. Como Como os fatores organizacionais não explicam
diferentes estratégias acarretam diferentes níveis de risco completamente a dispersão existente entre os níveis de
fiscal, este estudo abordou, de forma separada, estratégias agressividade tributária, uma explicação adicional pode
que geram diferenças temporárias entre o lucro contábil e ser encontrada nas características pessoais dos gestores
o tributável, de um lado, e estratégias que geram diferenças (Dyreng et al., 2010). Gestores com maior habilidade
permanentes, de outro. gerencial produzem relatórios contábeis de melhor
Em regra, as diferenças temporárias acarretam apenas qualidade, apresentam maior persistência de lucros e
postergação do pagamento do Imposto de Renda (IR) e accruals, e menores erros nas estimativas de perdas por
da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), devedores duvidosos (Demerjian et al., 2013), aumentam a
visto que a redução da incidência tributária no presente é informatividade dos lucros (Baik et al., 2020) e apresentam
conseguida às custas de seu aumento em períodos futuros. maior conservadorismo contábil (Haider et al., 2021).
As situações que podem gerar diferenças temporárias Koester et al. (2017) constataram uma relação
decorrem de estimativas que alteram o lucro contábil e positiva entre a habilidade gerencial e a agressividade
que, em geral, não modificam o lucro tributável no mesmo tributária. Com base na proxy de habilidade gerencial
período, a exemplo de taxas de depreciação diferentes das desenvolvida por Demerjian et al. (2012), Koester et al.
admitidas para fins fiscais, perdas estimadas em créditos (2017) demonstraram que a Cash ETR (Cash Effective
de liquidação duvidosa, ajustes por impairment, entre Tax Rate) é reduzida em 3,15% quando se comparam o
outros. Neste estudo, as diferenças temporárias foram quartil inferior com o superior da habilidade gerencial.
capturadas pela Temporary Book-Tax Differences (TBDT). A redução da alíquota efetiva é indicativa de maior
Por outro lado, as diferenças permanentes decorrem de agressividade tributária.
situações que alteram o lucro contábil sem alterar o lucro Koester et al. (2017) sustentam que a relação positiva
tributável, ou que alteram o lucro tributável sem alterar entre habilidade gerencial e agressividade tributária pode
o lucro contábil. Em ambos os casos, não há previsão de ser explicada por três fatores principais. Em primeiro
reversão em períodos subsequentes. Como exemplos do lugar, os gestores com maior habilidade possuem maior
primeiro tipo de situação, pode-se citar a indedutibilidade entendimento do negócio e do ambiente operacional
de multas por infrações não tributárias e as despesas da empresa, o que os capacita a identificar as melhores
com royalties acima do limite permitido pela legislação oportunidades de planejamento tributário.
tributária, entre outros. Como exemplos do segundo tipo Em segundo lugar, os gestores com maior habilidade
de situação, tem-se a amortização fiscal do ágio (goodwill), são eficientes na redução de custos e enfatizam a redução
as exclusões a título de subvenções para investimentos, os de despesas que não prejudicam as operações da empresa,
ajustes a título de preços de transferência, a distribuição de a exemplo da despesa tributária. Em contraste, a redução
juros sobre o capital próprio e a tributação dos resultados do custo de matérias-primas, por exemplo, pode estar
de controladas no exterior, entre outros. associada à redução da qualidade desses insumos e,
Em geral, as práticas que formam esse segundo tipo consequentemente, do produto final. Em terceiro lugar,
de diferenças permanentes são consideradas como gestores com maior habilidade percebem a importância
planejamentos tributários que apresentam grande de redirecionar recursos da economia de impostos para
incerteza e risco, estando mais próximas do extremo investimentos com potencial de gerar retornos positivos
mais agressivo do continuum da agressividade tributária para a empresa.

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Relação entre agressividade tributária e habilidade gerencial: o papel moderador da gestão de riscos

Por outro lado, Francis et al. (2022) documentaram Coerente com o objetivo de avaliar a influência da
uma relação negativa entre a habilidade gerencial e a habilidade gerencial sobre a agressividade tributária de
agressividade tributária. Ao comentarem o resultado maneira ampla, e não sobre o extremo mais agressivo do
divergente do estudo de Koester et al. (2017), Francis et continuum, nos alinhamos aos estudos de Koester et al.
al. (2022) ressaltam que o estudo anterior utilizou uma (2017) e Saragih e Ali (2023b), e estabelecemos a seguinte
medida que captura a tax avoidance em geral, enquanto hipótese de pesquisa:
o seu estudo utilizou medidas mais específicas de tax
H1: A habilidade gerencial está positivamente relacionada com a
aggressiveness ou planejamento fiscal abusivo (Martinez,
agressividade tributária.
2017).
Em regra, as estratégias classificadas como abusivas 2.3 Gestão de Riscos Corporativos
visam à redução de tributos mediante operações
que possuem frágil sustentação legal e que, por isso, A elevada incerteza relacionada ao planejamento
apresentam maior risco de serem questionadas pela tributário levanta questionamentos sobre a importância
autoridade tributária (Lisowsky et al., 2013). Nesse sentido, do processo de gestão de riscos como determinante do
o fenômeno estudado por Francis et al. (2022) se afasta nível de agressividade tributária. O processo de gestão
da definição mais ampla de Hanlon e Heitzman (2010), de riscos ajuda a alta administração a definir o nível de
sendo restrito a comportamentos de maior risco fiscal, incerteza que ela está preparada para enfrentar enquanto
mais próximos da evasão do que da elisão fiscal. busca aumentar o valor da firma (Beasley et al., 2021). O
O estudo de Francis et al. (2022) destaca que gestores ERM alinha o apetite ao risco à estratégia desenvolvendo
com maior habilidade são mais reconhecidos no mercado mecanismos para administrar eficientemente os riscos
de trabalho e têm mais a perder se sua reputação for (COSO, 2004).
abalada caso atividades corporativas ilegais venham a Nessa linha, estima-se que o processo de gestão de
público. Além disso, os autores ressaltam que, tendo em riscos colabore para a redução da despesa tributária da
vista os relevantes custos diretos e indiretos associados ao empresa, uma vez que essa redução é, em regra, algo
planejamento tributário, gestores com maior habilidade buscado pelos acionistas e, por isso, compõe a estratégia
são capazes de gerar receitas e criar valor para os acionistas (Wang et al., 2020). Especificamente, é esperado que
por meio de outros investimentos, nos quais o aspecto o processo de gestão de riscos induza ao aumento do
tributário não é determinante do retorno associado a eles. nível de agressividade tributária, devido à melhoria dos
Por essa razão, Francis et al. (2022) sugerem que os sistemas de comunicação interna e externa da firma
gestores com maior habilidade gerencial, embora não (Eastman et al., 2024). A comunicação interna, que é
percam as oportunidades de se engajar em atividades um dos componentes da gestão de riscos (COSO, 2004),
que resultem em menor carga tributária, caso essas aumenta a comunicação entre os diversos departamentos
oportunidades estejam associadas a um baixo risco, da empresa, possibilitando que o setor fiscal obtenha
preferem evitar atividades e estratégias de redução de todas as informações e recursos necessários para avaliar
tributos mais arriscadas. A dificuldade reside, geralmente, os cenários e tomar as decisões tributárias mais eficientes.
na correta identificação e avaliação do risco fiscal associado A comunicação externa, que é um dos objetivos
ao planejamento. da gestão de riscos (COSO, 2004), implica maior
Estudos posteriores que analisaram a relação confiabilidade dos relatórios financeiros, o que favorece
entre habilidade gerencial e agressividade tributária a agressividade tributária. A maior confiabilidade dos
continuaram a apresentar resultados mistos. Com base em relatórios financeiros compensa a redução na transparência
uma amostra de empresas listadas na Bolsa da Indonésia, causada por planejamentos tributários mais agressivos
Saragih e Ali (2023b) concluíram que empresas com (Eastman et al., 2024), o que diminui os custos associados
gestores mais habilidosos possuem menor risco fiscal a posições tributárias mais agressivas.
e maior agressividade tributária no longo prazo, o que A redução da transparência foi verificada em
é coerente com os resultados de Koester et al. (2017). empresas que se engajam em operações de reorganização
Por outro lado, os resultados de Eigenstuhler et al. societária, nas quais, geralmente, a redução de tributos
(2023) sugerem que a habilidade gerencial influencia é um componente relevante. Tais empresas tendem a
positivamente a conformidade contábil-fiscal, o que fornecer poucas informações a respeito da reorganização
significa que influencia negativamente a agressividade nas demonstrações financeiras (Nakayama & Salotti,
tributária, o que está alinhado com os resultados de 2014; Fogaça et al., 2020), o que prejudica a avaliação
Francis et al. (2022). dos investidores, com impacto negativo no valor da

6 Rev. Contab. Finanç. – USP, São Paulo, v. 36, n. 99, e2200, 2025
Fabiano de Castro Liberato Costa, Márcia Zanievicz da Silva & Micheli Aparecida Lunardi

firma. Essa situação pode influenciar o gestor a decidir pode ser um instrumento para limitar a agressividade
por não realizar a reorganização ou realizá-la com o tributária.
reconhecimento de uma economia tributária menor. Um Espera-se que as decisões tributárias de gestores mais
eficiente processo de gestão de riscos pode capacitar o habilidosos sejam influenciadas pelo processo de gestão
gestor a realizar a transação sem prejudicar o disclosure de riscos, na medida em que a gestão de riscos é capaz de
fornecer ao gestor informações relevantes para a tomada
(Eastman et al., 2024), incentivando-o a realizá-la com
de decisão tributária. A complexidade das estratégias
a maior economia tributária possível.
tributárias mais agressivas requer um processo eficiente
Entretanto, tal entendimento ainda não está de gestão de riscos. Gestores que apresentam maior
consolidado na literatura. Masri et al. (2019) analisaram habilidade para transformar os recursos corporativos em
o efeito moderador da gestão de riscos fiscais na relação resultados podem tomar decisões tributárias ineficientes,
entre a prática de planejamentos tributários internacionais se não dispuserem de informações confiáveis acerca dos
e a agressividade tributária em empresas da Indonésia e da riscos e as oportunidades associadas ao planejamento
Malásia. Os resultados, divergentes dos de Eastman et al. tributário. Diante desse contexto, estabelece-se a seguinte
(2024), sugerem que a gestão de riscos fiscais enfraquece hipótese de pesquisa:
a relação positiva entre as práticas internacionais e a H2: A gestão de riscos corporativos intensifica a relação positiva
agressividade tributária, indicando que a gestão de riscos entre habilidade gerencial e agressividade tributária.

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

3.1 População e Amostra 3.2 Constructos

A população do estudo foi composta por empresas A fim de atender ao objetivo da pesquisa, foram
brasileiras não financeiras listadas na Brasil, Bolsa e Balcão operacionalizados os constructos constantes na Tabela 1,
(B3). Empresas financeiras não foram consideradas devido os quais são abordados com maior detalhamento a seguir.
às suas peculiaridades contábeis e tributárias do setor Para a mensuração da agressividade tributária, foram
(Eigenstuhler et al., 2023). A amostra não balanceada, utilizadas três variações da BTD, a qual consiste na
formada a partir da coleta na base de dados Refinitiv Eikon® diferença entre o lucro contábil e o lucro tributável,
e nos Formulários de Referência disponíveis no website estimado a partir da despesa tributária corrente e da
da B3, consistiu das empresas que apresentaram todas alíquota nominal conjugada do IR e da CSLL. Considera-se
as informações necessárias para o cálculo das variáveis, que a agressividade tributária é tanto maior quanto maior
relativamente ao período de 2016 a 2021, perfazendo 247 for a diferença entre o lucro contábil e o lucro tributável.
empresas e 1.261 observações. Foram utilizadas a BTD Total e suas componentes: BTD
O início do período de análise em 2016 se justifica pelo Temporária (TBTD) e BTD Permanente (PBTD). Por
fim do Regime Tributário de Transição (RTT) a partir de despesa tributária, entende-se a despesa com imposto de
2015, conforme determinado pela Lei nº 12.973/2014. O renda e contribuição social sobre o lucro líquido.
RTT estabelecia que a apuração dos tributos federais, entre As diferenças que refletem situações em que o
eles os tributos sobre a renda, fosse realizada com base nos momento do reconhecimento da receita e/ou da despesa
critérios contábeis vigentes anteriormente à convergência é diferente entre a norma contábil e a fiscal geram as
aos padrões internacionais de contabilidade. Como os BTDs Temporárias. Para essas, espera-se que, em algum
modelos utilizam dados do ano anterior, foi necessário período futuro, a diferença seja desfeita. Por outro lado,
excluir também o ano de 2015. O término do período as BTDs Permanentes decorrem de receitas e/ou despesas
de análise em 2021 se justifica pela indisponibilidade de que comporão, ou não, a base de cálculo do IR e da CSLL
dados posteriores na data da coleta. de forma definitiva, não havendo diferenças a serem

Rev. Contab. Finanç. – USP, São Paulo, v. 36, n. 99, e2200, 2025 7
Relação entre agressividade tributária e habilidade gerencial: o papel moderador da gestão de riscos

Tabela 1
Constructos
Variável Definição Autores

Variáveis dependentes
𝐼𝐼𝐼𝐼 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐
𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿
𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿�� � 𝐼𝐼𝐼𝐼 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐�� ��
�� � 𝐼𝐼𝐼𝐼 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐
34%
34% �� Dunbar et al. (2010);
Total book-tax 𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿 �� �
BTD
differences 𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴 𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡 34%
𝑓𝑓𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖
𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴 𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡 𝑓𝑓𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖�� ��
Hanlon e Heitzman (2010);
𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴 𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡 𝑓𝑓𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖�� Fonseca e Costa (2017)
𝐼𝐼𝐼𝐼 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐��
𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿�� � 𝐼𝐼𝐼𝐼 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐��
𝐼𝐼𝐼𝐼 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐
𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐼𝐼𝐼𝐼
�� � 34%
𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑 �� Dunbar et al. (2010);
Temporary book-tax 𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐼𝐼𝐼𝐼
�� � 𝐼𝐼𝐼𝐼 34%
𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑 ��
𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐
��
TBTD 𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴
𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿 𝐼𝐼𝐼𝐼 𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡 34%
𝑓𝑓𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖
𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑
34% �� �� �� Hanlon e Heitzman (2010);
differences �� �𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡
𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴 34%34% 𝑓𝑓𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖 ��
𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴
𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴 𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡
34%
𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡 𝑓𝑓𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖
𝑓𝑓𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖 �� Fonseca e Costa (2017)
𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴
𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴 𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡
𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡 𝑓𝑓𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖
𝑓𝑓𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖
��
��
𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴 𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡 𝑓𝑓𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖����
𝐼𝐼𝐼𝐼 𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑
��𝐷𝐷 � ���𝐷𝐷
���𝐷𝐷 �� Dunbar et al. (2010);
Permanent book-tax 𝐼𝐼𝐼𝐼 𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑
��𝐷𝐷 � ��
PBTD
differences 𝐼𝐼𝐼𝐼 𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑
��𝐷𝐷34% 34%
� ���𝐷𝐷 �� Hanlon e Heitzman (2010);
𝐼𝐼𝐼𝐼 𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑𝑑
𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴 34% 𝑓𝑓𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖
𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡 �� �� Fonseca e Costa (2017)
𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴 𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡
34% 𝑓𝑓𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖��
𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴 𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡
Variáveis independentes 𝑓𝑓𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖 ��
1, 𝑠𝑠𝑠𝑠
1, 𝑠𝑠𝑠𝑠 𝑎𝑎
𝑎𝑎 𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜çã𝑜𝑜
𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜çã𝑜𝑜
𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴 𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒á𝑓𝑓𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖
𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡
𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒á 𝑛𝑛𝑛𝑛 ú𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙
𝑛𝑛𝑛𝑛 ú𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙 𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞
𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞
��𝐷𝐷 � ���𝐷𝐷 ��
Demerjian (2012, 2013);
��1,𝑑𝑑𝑑𝑑
𝑠𝑠𝑠𝑠 𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,
𝑑𝑑𝑑𝑑 𝑎𝑎 𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜çã𝑜𝑜
��𝐷𝐷 � 𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒á
𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐
𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,Conforme
𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐
��𝐷𝐷 �
���𝐷𝐷 𝑛𝑛𝑛𝑛 ú𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝐸𝐸𝐸𝐸.
𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐
𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐
���𝐷𝐷
𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞
�3�
𝐸𝐸𝐸𝐸. �3�
HG Habilidade Gerencial Equações (1) e (2) Koester et al. (2017);
� 0,𝑑𝑑𝑑𝑑 𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸, 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 𝐸𝐸𝐸𝐸. �3�
0, 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐
𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐á𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟
��𝐷𝐷 � ���𝐷𝐷
𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐á𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟 Lunardi et al. (2022)
0, 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐á𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟
1, 𝑠𝑠𝑠𝑠 𝑎𝑎 𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜çã𝑜𝑜 𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒á 𝑛𝑛𝑛𝑛 ú𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙 𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞
Maiores Enterprise 1, 𝑠𝑠𝑠𝑠 𝑎𝑎 𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜çã𝑜𝑜 𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒á 𝑛𝑛𝑛𝑛 ú𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙 𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞 Gordon et al. (2009);
�1,𝑑𝑑𝑑𝑑
𝑠𝑠𝑠𝑠 𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,
𝑎𝑎 𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜çã𝑜𝑜
ln�
ln� 𝐿𝐿𝑐𝑐𝐴𝐴𝐴𝐴𝑐𝑐𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒á
𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐
𝐿𝐿𝑐𝑐𝐴𝐴𝐴𝐴𝑐𝑐 𝑛𝑛𝑛𝑛��ú𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙
𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡 ��
𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐
𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡 𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞
𝐸𝐸𝐸𝐸. �3�
�3�
M_ERMI Risk Management �1,𝑑𝑑𝑑𝑑
𝑠𝑠𝑠𝑠 𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,
𝑎𝑎 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐
𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜𝑜çã𝑜𝑜
ln� 𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒á
𝐿𝐿𝑐𝑐𝐴𝐴𝐴𝐴𝑐𝑐 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐
𝑛𝑛𝑛𝑛
𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡
��ú𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙
� 𝐸𝐸𝐸𝐸.
𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞
�3� Naseem et al. (2019);
� 0,𝑑𝑑𝑑𝑑 𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸, 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐
𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐á𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐
�� 𝐸𝐸𝐸𝐸.
Index 0, 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐
� 0,𝑑𝑑𝑑𝑑 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐á𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟
𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸, 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 𝐸𝐸𝐸𝐸. �3� Jacomossi et al. (2019)
𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐á𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟
0, 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐á𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟
𝐷𝐷í𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣
𝐷𝐷í𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣 𝑑𝑑𝑑𝑑
𝑑𝑑𝑑𝑑 𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙
Variáveis 𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙 𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝
𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝
de𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡
controle ��
ln� 𝐿𝐿𝑐𝑐𝐴𝐴𝐴𝐴𝑐𝑐
𝐷𝐷í𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣 𝑑𝑑𝑑𝑑 𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙 �� �
𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝
��
ln� 𝐿𝐿𝑐𝑐𝐴𝐴𝐴𝐴𝑐𝑐
𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴 𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡
𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡 �� � ��
𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴
ln� 𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡
𝐿𝐿𝑐𝑐𝐴𝐴𝐴𝐴𝑐𝑐 𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡
�,���
�,��� �� � Chen et al. (2010);
TAM Tamanho 𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴
ln� 𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡
𝐿𝐿𝑐𝑐𝐴𝐴𝐴𝐴𝑐𝑐 𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡
�,��� �� � Armstrong et al. (2012)
𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝐷𝐷í𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣
𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅 𝑙𝑙í𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑑𝑑𝑑𝑑
𝐷𝐷í𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣
𝑙𝑙í𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞 𝑑𝑑𝑑𝑑
�� �

𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙
𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙
𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝
𝐿𝐿𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝐴𝐴𝑐𝑐𝑡𝑡
𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝
𝐿𝐿𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝐴𝐴𝑐𝑐𝑡𝑡 𝑙𝑙í𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞
��
𝑙𝑙í𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞
�� �,���
𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝐷𝐷í𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣 𝑑𝑑𝑑𝑑
�� 𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙 𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝 �,���
𝑙𝑙í𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞 �� �
𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴
𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅 𝐿𝐿𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝐴𝐴𝑐𝑐𝑡𝑡 𝑙𝑙í𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞
𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡
𝑙𝑙í𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞 �� �,���
LEV Alavancagem 𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴
𝐷𝐷í𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣 𝑑𝑑𝑑𝑑
𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅 𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡�,���
𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙
𝑙𝑙í𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝
�,���
�,��� Armstrong et al. (2012)
𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴 𝑙𝑙í𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞
𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅 𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡�,���
�,��� ��
�,���
𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴𝐴 𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡�,���
𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅 𝑙𝑙í𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞�� � 𝐿𝐿𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝐴𝐴𝑐𝑐𝑡𝑡 𝑙𝑙í𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞�,���
Crescimento da 𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅 𝑙𝑙í𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞�� � 𝐿𝐿𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝐴𝐴𝑐𝑐𝑡𝑡 𝑙𝑙í𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞�,���
ΔREC
receita líquida 𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅 𝑙𝑙í𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞 �� �
𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅 𝐿𝐿𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝐴𝐴𝑐𝑐𝑡𝑡 𝑙𝑙í𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞�,���
𝑙𝑙í𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞
Fonseca e Costa (2017)
𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅 𝑙𝑙í𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞 �,���
𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅 𝑙𝑙í𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞
𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅 � 𝐿𝐿𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝐴𝐴𝑐𝑐𝑡𝑡
�� 𝑙𝑙í𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞 �,��� 𝑙𝑙í𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞 �,���
�,���
𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅 𝑙𝑙í𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞�,���
Notas: LAIR = lucro antes do imposto de renda (IR) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL); IR corrente e diferido
= despesa com IR e CSLL, corrente e diferida, conforme o caso.
Fonte: Elaborada pelos autores.

controladas para tributação ou dedução em períodos proxy da habilidade gerencial, definida como o resíduo da
futuros. regressão da eficiência institucional contra direcionadores
Segundo Hanlon e Heitzman (2010), não existe uma da eficiência atribuíveis às características da firma. Parte-se
métrica de agressividade tributária apropriada para do pressuposto de que a eficiência institucional decorre
todos os contextos de pesquisa. Neste estudo, o uso tanto de fatores ligados à corporação quanto à habilidade
das BTDs se justifica pela possibilidade de utilizar suas do gestor. Desse modo, a parcela da eficiência que não
componentes permanentes e temporárias, o que permitiu pode ser explicada pelas características da firma, tais como
a análise comparativa dos efeitos de estratégias fiscais tamanho, idade, participação de mercado, entre outros,
com diferentes graus de risco, uma vez que diferenças deve ser decorrente da habilidade gerencial.
permanentes (temporárias) estão mais (menos) associadas Seguindo Demerjian (2012), calculou-se a proxy para
ao extremo mais agressivo do continuum da agressividade habilidade gerencial (HG) em dois passos. O primeiro
tributária (Castro, 2010; Fonseca & Costa, 2017; Martinez, passo consistiu em estimar a eficiência da empresa por
2017). meio da técnica de análise envoltória de dados, ou data
Para mensurar a habilidade gerencial, foi utilizada a envelopment analysis (DEA), que compara os insumos
métrica desenvolvida por Demerjian et al. (2012, 2013). utilizados pela gestão com as receitas auferidas (REC) em
Diante da percepção de que gestores com maior habilidade determinado período. Como insumos, são considerados:
são capazes de fazer com que a empresa transforme o custo dos produtos vendidos (CPV), as despesas
seus recursos em resultados de maneira mais eficiente, administrativas e de vendas (DVA), o ativo imobilizado
Demerjian et al. (2012) desenvolveram e validaram uma (IMOB), o leasing operacional (LEA), as despesas com

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Fabiano de Castro Liberato Costa, Márcia Zanievicz da Silva & Micheli Aparecida Lunardi

pesquisa e desenvolvimento (P&D), o ágio adquirido solução do problema de otimização representado pela
(AGI) e outros ativos intangíveis (INT). A eficiência da Equação (1), utilizando o método denominado constant
empresa (EE) assume valores entre 0 e 1 e indica o grau returns to scale (CRS) (Charnes et al., 1978).
em que a empresa é eficiente. O cálculo consistiu na

𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅
𝑚𝑚𝑚𝑚𝑚𝑚� 𝜃𝜃 =
𝜐𝜐� 𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶 + 𝜐𝜐� 𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷 + 𝜐𝜐� 𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼 + 𝜐𝜐� 𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿 + 𝜐𝜐� 𝑃𝑃&𝐷𝐷 + 𝜐𝜐� 𝐴𝐴𝐺𝐺𝐺𝐺 + 𝜐𝜐� 𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼
1
A otimização encontra o vetor de coeficientes υn que superior às obtidas por um gerente com menor habilidade.
determina a eficiência da empresa (EE), que é atribuível Assim, o segundo passo para o cálculo da HG consistiu
às características intrínsecas da empresa e ao gerente. em identificar a parcela da eficiência não explicada pelas
Dados os mesmos recursos institucionais, um gestor com características da empresa, consistente no resíduo da
maior habilidade conseguirá obter receitas em montante regressão Tobit representada pela Equação (2).

𝐸𝐸𝐸𝐸�� = 𝛼𝛼 + 𝛽𝛽� 𝐴𝐴𝑇𝑇𝑇𝑇�� + 𝛽𝛽� 𝑃𝑃𝑃𝑃�� + 𝛽𝛽� 𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼�� + 𝛽𝛽� 𝐼𝐼𝐼𝐼�� + 𝛽𝛽� 𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶�� + 𝛽𝛽� 𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼��
2
+ � 𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒𝑒 𝑓𝑓𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖 𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠� + 𝜀𝜀��

em que: EE = eficiência da empresa, calculada conforme riscos, utilizou-se uma variável dicotômica baseada no
Equação (1); ATI = logaritmo natural do ativo total no final Enterprise Risk Management Index (ERMI) desenvolvido
do exercício; PM = participação no mercado, que equivale por Gordon et al. (2009). O ERMI é baseado na percepção
à proporção das receitas da empresa em relação à receita de que o gerenciamento de riscos corporativos consiste
total de seu setor econômico; IFCL = indicador de fluxo em um processo que identifica potenciais eventos
de caixa livre, variável dummy que equivale a 1 se o fluxo capazes de afetar o atingimento de quatro categorias de
de caixa livre da empresa é positivo, ou a 0 caso contrário; objetivos organizacionais: estratégicos, operacionais, de
ID = logaritmo natural da idade da empresa; CSN = comunicação e de conformidade (COSO, 2004).
indicador de concentração no segmento de negócios, que Embora o ERMI de Gordon et al. (2009) utilize dois
equivale à proporção da receita do principal segmento indicadores para cada objetivo, admite-se o cálculo da
de negócios da empresa, em relação à sua receita total; variável com apenas um indicador para cada objetivo
IVC = indicador de ajuste de variação cambial, variável (Jacomossi et al., 2019; Naseem et al., 2020). Devido à
dummy que equivale a 1 se a empresa possui receitas ou dificuldade de obtenção dos dados necessários para o
despesas de variação cambial, ou a 0 caso contrário; ε = cálculo de todos os indicadores, optou-se pelo cálculo
resíduo da regressão (HG). com apenas um indicador por objetivo. Desta forma, o
Para mensurar a eficácia do processo de gestão de ERMI foi apurado conforme a Equação (3).

� � � �

𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸�� = � 𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸é𝑔𝑔𝑔𝑔𝑔𝑔�� + � 𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂çã𝑜𝑜�� + � 𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅ó𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟�� + � 𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶��


��� ��� ��� ���
3

A estratégia se refere à maneira como a empresa se da estratégia empresarial, o que aponta para a qualidade
posiciona no mercado perante a concorrência, em busca da gestão de riscos. O indicador de estratégia é calculado
de vantagem competitiva. Quanto maior a vantagem conforme a Equação (4).
competitiva alcançada, menor o risco de falha na execução

𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅�� − 𝜇𝜇���� 4
𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸é𝑔𝑔𝑔𝑔𝑔𝑔�� =
𝜎𝜎����

Rev. Contab. Finanç. – USP, São Paulo, v. 36, n. 99, e2200, 2025 9
Relação entre agressividade tributária e habilidade gerencial: o papel moderador da gestão de riscos

em que: REC = receita líquida de vendas; μREC = receita empresa e pode ser mensurado pela relação entrada-saída
líquida de vendas média do setor econômico no período; nos processos operacionais. Uma maior produtividade
σREC = desvio-padrão da receita líquida de vendas no pode reduzir o risco de falha operacional, sendo um bom
mesmo setor e período. indicador da eficácia da gestão de riscos. O indicador de
O indicador de operação se relaciona à produtividade da operação é mensurado conforme a Equação (5).

𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅 𝑙𝑙í𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞𝑞 𝑑𝑑𝑑𝑑 𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣𝑣�� 5


𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂𝑂çã𝑜𝑜�� =
𝐴𝐴𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡 𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡��

O indicador de relatório busca mensurar a qualidade accruals discricionários (anormais) e os accruals normais,
dos relatórios financeiros emitidos pela empresa. Em geral, uma vez que, em regra, quanto maiores os accruals
acredita-se que uma maior confiabilidade dos relatórios discricionários, pior é a qualidade da informação contábil.
financeiros reduz o risco geral de falhas. Uma medida de O indicador da qualidade dos relatórios utiliza os valores
qualidade do reporte contábil deriva da relação entre os absolutos dos accruals, conforme a Equação (6).

|𝐴𝐴𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛�� |
𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅ó𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟�� = 6
|𝐴𝐴𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛�� | + |𝐴𝐴𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎�� |

Seguindo Gordon et al. (2009), os accruals anormais regressão dos accruals totais contra a variação de vendas
foram calculados segundo o modelo de Jones (1991). e o ativo imobilizado, conforme a regressão representada
Assim, os accruals anormais consistem no resíduo da pela Equação (7).

1 ∆𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅�� 𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼��
𝑇𝑇𝑇𝑇�� = 𝛼𝛼� + 𝛼𝛼� � � + 𝛼𝛼� � � + 𝛼𝛼� � � + 𝜀𝜀�� 7
𝐴𝐴𝑇𝑇�,��� 𝐴𝐴𝑇𝑇�,��� 𝐴𝐴𝑇𝑇�,���

em que: TA = accruals totais apurados conforme Equação podem ser calculados tanto pelo método do Balanço
(5); AT = ativo total; ΔREC = variação da receita líquida quanto pelo método da Demonstração do Fluxo de Caixa
de vendas entre o período t-1 e o período t; IMOB = (DFC). No presente estudo, optou-se por calcular os
ativo imobilizado. accruals totais pelo método da DFC, conforme Equação
Conforme Boina e Macedo (2018), os accruals totais (8).
utilizados como variável dependente na Equação (4)

𝑇𝑇𝑇𝑇�� = 𝐿𝐿𝐿𝐿�� − 𝐹𝐹𝐹𝐹𝐹𝐹�� 8

em que: LL = lucro líquido do exercício; FCO = fluxo de Por fim, os coeficientes obtidos na regressão da
caixa operacional do período. Equação (7) foram utilizados para estimar os accruals
normais e os anormais, conforme Equações (9) e (10).

1 ∆𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅�� 𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼��
𝐴𝐴𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛�� = 𝛼𝛼� � � + 𝛼𝛼� � � + 𝛼𝛼� � � 9
𝐴𝐴𝑇𝑇�,��� 𝐴𝐴𝑇𝑇�,��� 𝐴𝐴𝑇𝑇�,���

𝐴𝐴𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎�� = 𝑇𝑇𝑇𝑇�� − 𝐴𝐴𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛𝑛�� 10

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O último indicador utilizado para o cálculo do ERMI entre os honorários de auditoria e o ativo total, conforme
se refere à conformidade com as leis e os regulamentos. a Equação (11). A variável dicotômica M_ERMI (Maiores
Uma maior conformidade diminui o risco geral de ERMI) foi construída para indicar as observações em que
falha. Conforme Gordon et al. (2009), espera-se que o ERMI está situado no último quintil da distribuição,
os honorários de auditoria estejam positivamente dentro de cada ano, sinalizando assim as empresas que
relacionados à conformidade corporativa, de modo que apresentaram processos de gestão de riscos mais eficazes.
o indicador de conformidade foi calculado pela razão

𝐻𝐻𝐻𝐻𝐻𝐻𝐻𝐻𝐻𝐻á𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟 𝑑𝑑𝑑𝑑 𝐴𝐴𝑢𝑢𝑢𝑢𝑢𝑢𝑢𝑢𝑢𝑢𝑢𝑢𝑢𝑢𝑢𝑢�� 11


𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶�� =
𝐴𝐴𝑇𝑇��

Por fim, foram operacionalizadas variáveis de 3.3 Modelo Empírico


controle relacionadas ao tamanho da empresa (TAM), à
alavancagem (LEV) e ao crescimento da receita líquida O modelo empírico utilizado para testar as duas
(ΔREC), em linha com estudos anteriores (Koester et al., hipóteses de pesquisa é o da regressão representada pela
2017; Saragih & Ali, 2023b). Empresas maiores possuem Equação (12), que foi adaptado do modelo utilizado por
maiores incentivos e maior capacidade de influenciar Koester et al. (2017). A adaptação consistiu na inclusão da
o processo político, por isso, se espera que apresentem M_ERMI e sua interação com a habilidade gerencial. Os
maior agressividade tributária (Chen et al., 2010; Wang coeficientes foram estimados mediante o método MQO,
et al., 2020). Empresas mais alavancadas e com maior com erro-padrão robusto clusterizado por empresa, devido
crescimento das vendas tendem a gerenciar seu resultado à heterocedasticidade dos resíduos, e efeitos fixos de ano
tributável com maior intensidade (Fonseca & Costa, 2017). e setor. Todas as variáveis contínuas foram winsorizadas
À exceção de TAM, que consiste no logaritmo natural do a 1%. Para o teste de endogenia, foi realizada a regressão
ativo total, todas as variáveis de controle foram escaladas 2SLS, utilizando a média da habilidade gerencial do setor
pelo ativo total. como instrumento.

𝐴𝐴𝐺𝐺𝐺𝐺�� = 𝛽𝛽� + 𝛽𝛽� 𝐻𝐻𝐻𝐻�� + 𝛽𝛽� 𝑀𝑀_𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸�� + 𝛽𝛽� 𝐻𝐻𝐻𝐻�� ∗ 𝑀𝑀_𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸�� + 𝛽𝛽� 𝑇𝑇𝑇𝑇𝑇𝑇�� + 𝛽𝛽� 𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿𝐿��
+ 𝛽𝛽� Δ𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅𝑅�� + � 𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸 𝑓𝑓𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖 𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎 + � 𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸 𝑓𝑓𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖 𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠
+ 𝜀𝜀��
12

em que: AGR = agressividade tributária, mensurada pela BTD, TBTD ou PBTD, conforme o caso.

4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS

Inicialmente, são apresentadas as estatísticas às diferenças permanentes, indicando que os gestores


descritivas da amostra (Tabela 2, Painéis A e B), seguidas têm menos oportunidades ou interesse em manipular a
pela matriz de correlação de Pearson (Tabela 3). Na despesa tributária diferida, em comparação com a despesa
sequência, apresentam-se os resultados das regressões tributária corrente.
operacionalizadas (Tabela 4). A Tabela 3 indica correlações positivas e significativas
Os resultados da Tabela 2 indicam que a TBTD entre a BTD Total e suas componentes Temporária (0,20)
apresenta desvio-padrão de 0,0576, que é menor do que e Permanente (0,87). Por outro lado, indica correlação
o das outras duas variações da BTD (0,1304 e 0,1355). significativa e negativa entre a BTD Temporária e a BTD
A menor variabilidade da TBTD sugere que as práticas Permanente (-0,27), o que sugere que, ao tomarem decisões
tributárias centradas na postergação (diferimento) dos sobre o nível de agressividade tributária corporativa, os
tributos são mais limitadas do que aquelas relacionadas gestores podem considerar as diferenças permanentes

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Relação entre agressividade tributária e habilidade gerencial: o papel moderador da gestão de riscos

Tabela 2
Estatísticas descritivas
Painel A. Variáveis contínuas (N = 1.261)
Variável Média DP P25 Mediana P75
BTD -0,0169 0,1304 -0,0392 0,0075 0,0494
TBTD -0,0042 0,0576 -0,0160 0,0000 0,0091
PBTD -0,0122 0,1355 -0,0180 0,0134 0,0407
HG -0,0031 0,1128 -0,0756 -0,0216 0,0555
ERMI 1,0158 1,0803 0,3206 0,8341 1,3870
TAM 21,8237 1,9484 20,5635 21,9253 23,1624
LEV 0,2451 0,3184 0,0567 0,1936 0,3189
ΔREC 0,1715 0,5769 -0,0299 0,0863 0,2412
Painel B. Variável dicotômica
Variável 0 1 Total
M_ERMI 1.010 (80,1%) 251 (19,9%) 1.261 (100%)

Nota: As variáveis estão descritas na Tabela 1.


Fonte: Elaborada pelos autores.
Tabela 3
Matriz de correlações de Pearson
Variáveis BTD TBTD PBTD HG ERMI TAM LEV ΔREC
BTD 1
TBTD 0,20*** 1
PBTD 0,87*** -0,27*** 1
HG 0,11*** 0,07** 0,09*** 1
ERMI 0,18*** 0,02 0,17*** 0,05* 1
TAM 0,24*** 0,03 0,21*** 0,02 0,49*** 1
LEV -0,18*** 0,00 -0,18*** 0,06** 0,02 0,06** 1
ΔREC 0,15*** 0,06** 0,13*** 0,12*** -0,01 -0,05* 0,00 1

Nota: As variáveis estão descritas na Tabela 1.


*, ** e *** indicam significância estatística ao nível de 10%, 5% e 1%, respectivamente.
Fonte: Elaborada pelos autores.

e diferenças temporárias como práticas substitutas de do VIF estão dentro dos padrões esperados. No entanto,
gerenciamento tributário. observa-se que o modelo com a TBDT apresenta baixo
Em relação à Tabela 3, destacam-se ainda as correlações poder explicativo, uma vez que apresentou R2 baixo e R2
positivas e significativas entre a habilidade gerencial, a Ajustado negativo. O R2 Ajustado é calculado a partir do
gestão de riscos e as três variações da BTD, com exceção R2, que sofre uma penalização devido à quantidade de
da correlação entre a TBTD e a gestão de riscos, que variáveis independentes do modelo, o que pode resultar
não apresentou significância. Esses resultados oferecem em um valor negativo, como no presente caso.
evidências preliminares que sustentam a H1, que prevê Os resultados da Tabela 4 demonstram que a habilidade
uma relação positiva entre a habilidade gerencial e a gerencial está positivamente relacionada à agressividade
agressividade tributária. tributária considerando as três variações da BTD testadas,
A Tabela 4 apresenta as relações testadas no estudo. o que implica a não rejeição da hipótese H1. Esse achado
Os modelos apresentam adequada significância global, alinha-se aos resultados de Koester et al. (2017), sugerindo
tendo em vista o p-valor associado à estatística F. Não há que os gestores com maior habilidade conseguem
problemas de multicolinearidade, uma vez que os valores identificar as melhores oportunidades de planejamento

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Tabela 4
Relação entre habilidade gerencial e agressividade tributária, com moderação da gestão de riscos
BTD TBTD PBTD
Variável dependente:
Coeficiente Est. t Coeficiente Est. t Coeficiente Est. t
Constante -0,3181*** -3,45 0,0128 0,41 -0,3025*** -3,10
HG 0,1731*** 3,40 0,0499*** 3,07 0,1383*** 2,72
M_ERMI 0,0058 0,67 0,0040 0,76 0,0057 0,54
HG*M_ERMI -0,1322** -2,37 -0,0598** -2,24 -0,0921 -1,62
TAM 0,0135*** 3,66 -0,0009 -0,67 0,0128*** 3,23
LEV -0,0806*** -4,08 -0,0026 -0,53 -0,0785*** -3,23
ΔREC 0,0286** 2,41 0,0044 1,24 0,0259** 2,21
Erros-padrão robustos Sim Sim Sim
Efeitos fixos de setor Sim Sim Sim
Efeitos fixos de ano Sim Sim Sim
Estatística F (p-valor) 5,41 (0,0000) 2,32 (0,0015) 4,25 (0,0000)
R 2
16,87% 3,61% 13,64%
R ajustado
2
10,11% -4,23% 6,62%
VIF máximo 1,51 1,51 1,51
DW 1,32 1,83 1,38
N 1.261 1.261 1.261

Notas: As variáveis estão descritas na Tabela 1. R2 representa o coeficiente de determinação; VIF representa Variance Inflation
Factor; DW representa Durbin-Watson e N representa o número de observações empresa-ano. Para minimizar a influência
de outliers, todas as variáveis contínuas foram winsorizadas a 1%. Estimou-se o modelo 2SLS para endogenia, e os resultados
mostraram que a variável instrumental média da HG por setor e ano apresentou sinal positivo e significativo ao nível de 1%.
**, *** denotam significância estatística ao nível de 5% e 1%, respectivamente. Erros-padrão foram clusterizados por empresa.
Fonte: Elaborada pelos autores.

tributário, reduzindo tanto a despesa tributária corrente entre práticas que geram diferenças permanentes ou
quanto a diferida. Os resultados demonstram que os práticas que geram diferenças temporárias.
gestores com maior habilidade conseguem lidar melhor Entretanto, a situação se altera quando se passa a
com as incertezas inerentes ao sistema tributário brasileiro considerar a gestão de riscos. Isso porque a Tabela 4
(Martinez, 2017), de modo que as características pessoais demonstra que a gestão de riscos exerce efeito moderador
dos gestores, e não apenas as características da firma, na relação entre a habilidade gerencial e o nível de
são relevantes para a determinação do nível da despesa agressividade tributária. Diferentemente do previsto, esse
tributária corporativa (Desai & Darmaphala, 2006; Dyreng efeito é negativo, visto que as regressões com a BTD e a
et al., 2010). TBTD apresentam coeficientes negativos e significativos
No que se refere à análise econômica, um aumento para a interação entre HG e M_EMRI. O coeficiente da
de um desvio padrão de HG (0,11) está relacionado a interação não foi significativo na regressão com a BTD
um aumento de 187% (0,11*0,17/0,01) na BTD Total, Permanente.
em comparação com a média. Da mesma forma, um Na regressão com a BTD Total, considerando que
aumento de um desvio padrão da HG (0,11) impacta no a soma dos coeficientes de HG e de HG*M_ERMI não
aumento de 110% (0,11*0,049/0,004) na TBTD. Além é estatisticamente diferente de zero (0,1731 - 0,1322 =
disso, um aumento de um desvio padrão de HG (0,11) 0,0409; F-test: 1,47; p < 0,2267), verifica-se que o efeito
está relacionado a um aumento de 143% (0,11*0,13/0,01) moderador é bastante relevante, pois anula o efeito da
na PBTD. Destaca-se um efeito mais significativo, do habilidade gerencial sobre a agressividade tributária.
ponto de vista econômico, da HG sobre a BTD Total, o Na regressão com a TBTD, a soma dos coeficientes de
que permite inferir que, desconsiderando a influência do HG e HG*M_ERMI também não é estatisticamente
ERM, os gestores mais habilidosos não têm preferência diferente de zero (0,0499 - 0,0598 = -0,0101; F-test: 0,21;

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Relação entre agressividade tributária e habilidade gerencial: o papel moderador da gestão de riscos

p < 0,6461), sendo possível afirmar que, nas empresas associadas ao fato de que as práticas que geram diferenças
com melhor gestão de riscos, a habilidade gerencial temporárias apresentam benefícios limitados em relação
não está associada a maior agressividade tributária aos riscos a elas associados. Dado o mesmo nível de risco,
que gera diferenças temporárias. Tais resultados são os benefícios associados às diferenças permanentes são
confirmados pela regressão 2SLS (não tabulada), visto maiores do que os benefícios decorrentes das diferenças
que os instrumentos se demonstraram suficientemente temporárias.
exógenos e apropriados para o teste realizado. O processo de gestão de riscos melhora a comunicação
Em conjunto, os resultados determinam a rejeição interna (Eastman et al., 2024), oferecendo aos gerentes as
da hipótese H2, que previa que a gestão de riscos informações necessárias para o correto alinhamento do
intensificaria a relação positiva entre a habilidade gerencial apetite ao risco à estratégia (COSO, 2004). Os resultados
e a agressividade tributária. Os coeficientes negativos da Tabela 4 sugerem que a gestão de riscos comunica
e significativos da interação entre HG e M_ERMI nas aos gestores habilidosos que as práticas de postergação
regressões com a BTD (-0,1322) e com a TBTD (-0,0598) de impostos não favorecem a estratégia corporativa, na
podem ser explicados pelo papel da gestão de riscos na medida em que o risco assumido é considerado maior que
organização da comunicação interna (Eastman et al., o benefício associado à mera postergação do pagamento
2024). Os resultados, alinhados aos de Masri et al. (2019), do imposto.
sugerem que, em empresas com maior ERMI, os gestores O mesmo não acontece em relação às estratégias que
mais habilidosos possuem mais informações acerca das reduzem a despesa tributária de forma permanente, que
oportunidades e os riscos associados à agressividade geram benefícios que consistem na efetiva redução da
tributária. carga tributária da organização. Nesse caso, a moderação
Assim, no caso das estratégias que geram diferenças da gestão de riscos não foi significativa, o que sugere que
temporárias, o processo de gestão de riscos influencia a os gestores habilidosos já possuem informações suficientes
avaliação dos gestores mais habilidosos, que entendem que para concluir que os benefícios superam os custos das
os riscos dessas estratégias superam seus benefícios, de estratégias tributárias que geram diferenças permanentes,
modo que há uma anulação do efeito positivo da habilidade independentemente do processo de gestão de riscos.
gerencial sobre o nível de agressividade tributária. Os resultados da Tabela 4 sugerem que, em empresas
Entretanto, no caso das estratégias que geram diferenças com melhores processos de gestão de riscos (M_ERMI = 1),
permanentes, o efeito não é significativo. Isso sugere que os a habilidade gerencial está positivamente associada apenas
gestores habilidosos já possuem clareza suficiente de que à agressividade tributária que gera diferenças permanentes,
os benefícios superam os riscos associados a estratégias sendo que não há relação da habilidade gerencial com
que geram diferenças permanentes, independentemente estratégias que geram diferenças temporárias. Estudos
do processo de gestão de riscos. Ao evidenciar não apenas anteriores demonstraram que os gestores preferem as
os riscos, mas também as oportunidades de aumento dos estratégias permanentes, visto que essas estratégias
resultados corporativos por meio da redução da despesa efetivamente reduzem a despesa tributária, aumentando
tributária, os processos de gestão de riscos cumprem, de o lucro reportado, ao passo que as estratégias temporárias
forma mais abrangente, sua finalidade, conforme exposto não propiciam tal redução, uma vez que diminuem a
no COSO (2004). despesa corrente e aumentam a despesa diferida no
Os resultados da Tabela 4 sugerem que, em empresas mesmo montante (Dunbar et al., 2010).
com piores processos de gestão de riscos (baixa ERMI), a Por outro lado, em empresas que apresentam baixo
presença de gerentes com maior habilidade está associada ERMI, os gestores com maior habilidade mantêm práticas
a maiores diferenças temporárias e permanentes, haja vista que geram tanto diferenças permanentes quanto diferenças
que, quando a dummy M_ERMI assume o valor zero, o temporárias, dispensando esforço e assumindo riscos em
efeito de HG sobre a TBDT é positivo e significativo, e que, atividades com menor benefício potencial.
para a PBTD, esse efeito é sempre positivo e significativo, Testes de médias (não tabulados) corroboram
independentemente da M_ERMI. tal conclusão, pois indicam que a média da PBTD é
Por outro lado, em empresas com melhores processos significativamente maior para as empresas com maiores
de gestão de riscos, a presença de gestores com maior índices de gestão de riscos (M_ERMI = 1) do que para as
habilidade está associada apenas à maior PBTD, haja demais, e que a média da TBTD não é diferente entre os
vista que a M_ERMI anula o efeito de HG sobre a TBTD dois grupos. Isso demonstra que empresas com melhores
e sobre a BTD Total (pois a soma dos coeficientes de processos de gestão de riscos se engajam mais intensamente
HG*M_ERMI e HG não é estatisticamente diferente em estratégias que geram diferenças permanentes do que
de zero). As razões para essa diferença podem estar as demais empresas.

14 Rev. Contab. Finanç. – USP, São Paulo, v. 36, n. 99, e2200, 2025
Fabiano de Castro Liberato Costa, Márcia Zanievicz da Silva & Micheli Aparecida Lunardi

Diante disso, observa-se que, embora a hipótese H2 que atraem maior risco fiscal (Castro, 2010; Fonseca &
tenha sido rejeitada, a comparação entre o comportamento Costa, 2017; Martinez, 2017). Assim, presume-se que, na
da BTD Temporária e o da BTD Permanente alinha-se ao avaliação dos gestores mais habilidosos, o risco de ter tais
conceito de que o gerenciamento de riscos corporativos práticas questionadas pelas autoridades fiscais é baixo,
favorece o atingimento dos objetivos organizacionais pelo menos em comparação aos potenciais benefícios.
(Eastman et al., 2024), na medida em que direciona os Diante disso, pergunta-se: quais seriam as possíveis razões
esforços do planejamento tributário para a redução mais para essa avaliação?
consistente (visto que definitiva) da carga tributária A literatura apresenta algumas sugestões, em geral,
corporativa. Considerando a correlação negativa entre
associadas à limitação das consequências legais decorrentes
a BTD Temporária e a BTD Permanente, conforme
da detecção de ilícitos tributários no contexto brasileiro,
evidenciado na Tabela 3, pode-se afirmar que, em
tais como as sucessivas concessões de parcelamentos
empresas com melhores processos de gerenciamento de
riscos, os gestores com maior habilidade adotam práticas especiais com descontos substanciais de multas e juros
permanentes em substituição às temporárias. (Paes, 2014) e a demora na solução de litígios tributários,
Os resultados deste estudo indicam que, ao utilizarem as o que faz com que as empresas utilizem o inadimplemento
informações dos processos de gestão de riscos para avaliar tributário como forma de financiamento (Plutarco, 2012).
os riscos e os benefícios associados às práticas tributárias, O conhecimento no campo seria beneficiado por novas
os gerentes com maior habilidade decidem se engajar pesquisas que investigassem com maior profundidade
apenas em estratégias tributárias mais arriscadas, pois a relação dessas práticas com a percepção de risco por
as diferenças permanentes são consideradas estratégias parte dos gestores.

5. CONCLUSÃO

Este estudo teve o objetivo de avaliar o efeito tributária, com o consequente aumento do resultado
moderador da gestão de riscos corporativos na relação organizacional.
entre a habilidade gerencial e a agressividade tributária, Em relação à habilidade gerencial, este estudo avança
utilizando uma amostra de 1.261 observações, formada em relação aos resultados de Koester et al. (2017), Francis
por empresas brasileiras não financeiras listadas em bolsa et al. (2022), Saragih e Ali (2023b) e Eigenstuhler et al.
de valores. A agressividade tributária foi mensurada pela (2023), ao demonstrar que o processo de gestão de riscos
BTD Total e suas componentes, BTD Temporária e BTD corporativos modera sua relação com a agressividade
Permanente, o que permitiu examinar as diferenças entre tributária. Em linhas gerais, os achados deste estudo
as estratégias que visam a mera postergação do pagamento alinham-se aos de Koester et al. (2017) e Saragih e Ali
de impostos e aquelas que visam a redução definitiva da (2023b), pois indicam que a habilidade gerencial está
carga tributária corporativa. positivamente relacionada à agressividade tributária.
A divergência com os resultados de Francis et al.
Em geral, os resultados indicam que, em empresas
(2022), que encontraram uma relação negativa entre a
com melhores processos de gestão de riscos, os gerentes
habilidade gerencial e a agressividade tributária situada
com maior habilidade decidem engajar-se apenas em
no extremo mais agressivo do contínuo de Lietz (2013),
planejamentos tributários mais agressivos, que geram
presumivelmente associada aos custos reputacionais
diferenças permanentes. Nessas empresas, a habilidade dos gestores, pode ser explicada pela especificidade do
gerencial não está associada a planejamentos tributários contexto brasileiro, onde as consequências legais da
que geram apenas o diferimento dos tributos. Em empresas detecção de ilícitos tributários pelas autoridades fiscais
que apresentam piores processos de gestão de riscos, são mitigadas, por exemplo, por sucessivas concessões de
os gerentes com maior habilidade gerencial decidem parcelamentos especiais e pela morosidade na solução de
engajar-se em planejamentos tributários que geram tanto litígios tributários (Paes, 2014; Plutarco, 2012). Espera-se
diferenças temporárias quanto permanentes. que novos estudos possam esclarecer a relação entre esses
Esses achados são consistentes com o papel esperado fatores específicos da realidade institucional brasileira e
dos processos de gestão de riscos corporativos (Eastman a percepção do risco corporativo.
et al., 2024; COSO, 2004), pois evidenciam sua relevância O estudo contribui para a literatura sobre agressividade
na delimitação do apetite ao risco e favorecem o tributária ao demonstrar que existem diferenças
aproveitamento de oportunidades de redução da despesa significativas entre estratégias temporárias e permanentes.

Rev. Contab. Finanç. – USP, São Paulo, v. 36, n. 99, e2200, 2025 15
Relação entre agressividade tributária e habilidade gerencial: o papel moderador da gestão de riscos

Os resultados demonstram que, no contexto em que (2023b), utilizaram dados de até 2009, 2019 e 2018,
gestores mais habilidosos são beneficiados por melhores respectivamente.
processos de gestão de riscos, há maior clareza na avaliação Outra limitação refere-se à adequação das métricas
das oportunidades e dos riscos associados à agressividade utilizadas. Em relação à BTD, já está estabelecido na
tributária, o que leva as empresas a privilegiarem a adoção literatura que ela pode capturar tanto a agressividade
de estratégias permanentes. tributária, quanto o gerenciamento de resultados (Fonseca
Apesar dos esforços empreendidos para atribuir à & Costa, 2017). Martinez (2017) sugere que essa limitação
pesquisa confiabilidade e validade, ela não está isenta seja minimizada por meio da inclusão de controles para o
gerenciamento de resultados nas regressões que utilizam
de limitações. Uma delas é a defasagem de dados, visto
a BTD.
que o último ano analisado foi 2021, que era o último
Neste estudo, essa recomendação foi atendida pela
ano disponível na data da coleta. No entanto, não se presença do ERMI no modelo utilizado, uma vez que
vislumbra a ocorrência de qualquer evento posterior que esse construto contém uma componente que captura os
possa ter alterado as relações estudadas, o que mitiga accruals discricionários. Em relação à habilidade gerencial,
essa limitação. De qualquer forma, a pesquisa analisou foi utilizado o score de habilidade gerencial apresentado
dados mais atualizados do que os de estudos anteriores por Demerjian et al. (2012), já validado e utilizado em
sobre habilidade gerencial e agressividade tributária. estudos posteriores. Entretanto, outras métricas podem
Os estudos mais recentes, quais sejam, de Francis et ser utilizadas, o que se espera que seja feito em pesquisas
al. (2022), Eigenstuhler et al. (2023) e Saragih e Ali futuras.

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DECLARAÇÃO DE DISPONIBILIDADE DE DADOS


Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo pode ser disponibilizado a partir de solicitação aos autores.

FINANCIAMENTO
Os autores agradecem à Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), Edital 19/2024, pelo apoio financeiro
na realização desta pesquisa.

18 Rev. Contab. Finanç. – USP, São Paulo, v. 36, n. 99, e2200, 2025

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