O modelo rodoviário predominante no transporte de cargas no Brasil impõe
impactos profundos em esferas econômicas, sociais e ambientais.
Economicamente, responde por 65-75% do escoamento, mas rodovias
precárias elevam custos com combustível em até 91%, manutenção e
acidentes, totalizando bilhões anuais em prejuízos, superando investimentos
públicos. Socialmente, acidentes diários causam milhares de mortes, como
32 mil em 2022, com fadiga de motoristas e veículos ruins sobrecarregando
famílias e o SUS. Ambientalmente, emite 240 milhões de toneladas de CO2
ao ano, 93% das emissões de transportes, agravadas por consumo extra de
diesel em vias ruins. Manter essa dependência perpetua ineficiências,
inflação nos fretes e danos irreversíveis, demandando diversificação modal
urgente.
A integração entre ferrovias, hidrovias e rodovias revoluciona a logística do
agronegócio brasileiro, especialmente em regiões como Mato Grosso e
Centro-Oeste, onde o escoamento de soja e milho enfrenta gargalos
rodoviários. Ferrovias, como as da Rumo, transportam grandes volumes a
custos 30-40% menores por tonelada, complementadas por hidrovias como
Tietê-Paraná para longas distâncias eficientes. Rodovias atuam em trechos
iniciais de coleta, reduzindo sobrecarga e acidentes. Essa multimodalidade
corta o "Custo Brasil", amplia exportações pelo Arco Norte em mais de 50% e
eleva competitividade global. Operacionalmente, corredores integrados
garantem previsibilidade, com transbordos fluidos e entrega de fertilizantes.
Ambientalmente, diminui emissões de CO2 ao priorizar modais sustentáveis
sobre diesel rodoviário. Socialmente, gera empregos e desenvolvimento
regional. Projetos como MRS Hidrovias exemplificam investimentos privados.
Assim, a integração otimiza fluxos, sustentabilidade e economia no agro.
Urge políticas para acelerar essa transição.