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In Icial

Dinajá Santos de Melo propõe uma ação declaratória de inexistência de negócio jurídico contra o Banco Bradesco, alegando cobranças indevidas em sua conta corrente referentes a consórcios não autorizados. A autora solicita a justiça gratuita devido à sua hipossuficiência econômica e busca indenização por danos morais e repetição de indébito. O banco se opõe à audiência de conciliação e alega não ter responsabilidade sobre os débitos contestados.

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Dinajá Santos de Melo propõe uma ação declaratória de inexistência de negócio jurídico contra o Banco Bradesco, alegando cobranças indevidas em sua conta corrente referentes a consórcios não autorizados. A autora solicita a justiça gratuita devido à sua hipossuficiência econômica e busca indenização por danos morais e repetição de indébito. O banco se opõe à audiência de conciliação e alega não ter responsabilidade sobre os débitos contestados.

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Laércio Pinto Moreira Correia

OAB: 404794 / SP

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA __


VARA CÍVEL DO FORO CENTRAL DA COMARCA DE SÃO
PAULO-SP.

Dinajá Santos de Melo, Brasileira, portadora do CPF 014178074-66 e do R.G


62323678-3 residente e domiciliada a Rua Cayowaa 86, cep 05018-000 São Paulo S.P,
vem à presença de Vossa Excelência, por seu procurador, com escritório na Rua José de
Souza Ferreira no 61, CEP: 05108-160 São Paulo S.P onde receberá intimação, vem,
respeitosamente, propor :
AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE NEGÓCIO JURÍDICO
CUMULADA COM INDENIZATÓRIA E PEDIDO DE REPETIÇÃO DE
INDÉBITO.
em face de Banco BRADESCO S.A., pessoa jurídica com inscrição no CNPJ nº CNPJ:
60.746.948.0001-12, Avenida Antartica, 608 Bairro: Agua Branca Cidade: São Paulo –
SP CEP: 05003-020 Telefone: (11) 3003-7555 E-mail: [Link]@[Link],
com fundamento no Código de Defesa do Consumidor, pelos motivos de fato e de direito
a seguir aduzidos.

Da Justiça Gratuita.

O Requerente não possui no momento condições para arcar com o pagamento das
custas e despesas processuais sem prejuízo do próprio sustento e do sustento de sua
família.
Pelo exposto, junta declaração de hipossuficiência econômica (Documento 2) para
fins judiciais e pleiteiam o deferimento dos benefícios da justiça gratuita assegurados pelo
Art. 5º, LXXIV, CRFB/88, e pelo Art. 98 e ss., do CPC, uma vez que, se indeferido o
pedido, restará prejudicado o acesso ao Poder Judiciário, ferindo as disposições contidas
na alínea a, do inciso XXXIV, do Art. 5º, da Constituição da República Federativa do
Brasil.

Audiência de Conciliação.
Laércio Pinto Moreira Correia
OAB: 404794 / SP

O Requerido manifesta não ser favorável à audiência de conciliação, o que faz


com fulcro nos artigo 319, VII do Código de Processo Civil, requerendo desde já pela não
designação de data para o ato conciliatório.

Dos Fatos.

A Autora é correntista da empresa ora Ré, acontece que no dia 22/02/2024 a


Autora desta Ação recebeu um depósito de R$ 39.000,00 (Trinta e nove mil Reais).
No mesmo dia em que foi realizado o depósito foram realizadas 19 cobranças em
sua conta corrente totalizando R$ 11.207,48 (Onze mil duzentos e sete Reais e quarenta
e oito centavos), após o ocorrido ao entrar em contato com a instituição apenas foi
informada que tais cobranças são referentes a cota de consórcios adquiridos pela titular
da conta, tais cotas nunca foram adquiridas ou autorizada o seu débito automático.
No dia 26/02/2024 após não obter sucesso na restituição do valor descontado
irregularmente e a fim de cessar tais descontos a correntista retirou o restante do valor de
sua conta corrente.
Contudo, apesar de inúmeras tentativas de resolver o problema junto a atendente
da empresa ré, esta permaneceu inerte.

Do Direito:

A – DA RELAÇÃO DE CONSUMO

Deve-se observar que a relação jurídica estabelecida entre as partes é de natureza


tipicamente de consumo, uma vez que Autor e Réu enquadram-se, respectivamente, nas
definições de consumidor e fornecedor, conceituadas nos artigos 2ª e 3ª do Código de
Defesa do Consumidor e conforme Súmula 297 do STJ.
Pelo exposto, conclui-se pela relação de consumo entre as partes, mesmo que de
forma involuntária.

B – DOS DANOS MORAIS


Laércio Pinto Moreira Correia
OAB: 404794 / SP

A empresa Ré agiu com culpa na modalidade negligência e imprudência ao firmar


contrato sem a anuência do autor e debitar valores sem sua autorização.
Aliás, a relação contratual entre as partes é INEXISTENTE.
Trata-se de uma afronta a Sumula 479 do STJ, vejamos:
INDENIZAÇÃO. RESITTUIÇÃO DE
VALORES. DESCONTO INDEVIDO EM
CONTA CORRENTE. DANO MORAL.
EXISTÊNCIA. SÚMULA 479, DO E. STJ. A
retirada ou o desconto indevido de valores de
conta corrente gera danos morais, pois quebra a
relação de confiança entre o cliente e a
instituição financeira. Recurso provido.
(TJSP; Apelação Cível 1004377-
11.2016.8.26.0010; Relator (a): Roberto Mac
Cracken; Órgão Julgador: 22ª Câmara de
Direito Privado; Foro Regional X - Ipiranga - 2ª
Vara Cível; Data do Julgamento: 14/09/2017;
Data de Registro: 21/09/2017)

Convém ressaltar a vasta Jurisprudência sobre o tema vejamos:

DIREITO PROCESSUAL
CIVIL. DIREITO CIVIL. APELAÇÃO
CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE
INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C
INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS.
CONTRATO DE CONSÓRCIO
INEXISTENTE. FALHA NA PRESTAÇÃO
DE SERVIÇO DA INSTITUIÇÃO
FINANCEIRA. DECONTO DAS PARCELAS
NA CONTA CORRENTE. REPETIÇÃO DO
INDÉBITO NA FORMA DOBRADA. DANO
MORALCARACTERIZADO. SENTENÇA
REFORMADA. 1. O prestador de serviço
bancário assume o risco da atividade econômica
que exerce, e responde objetivamente pelos
danos oriundos do desconto em conta corrente
de prestações relativas a contrato de consórcio
não firmado pelo correntista. 2. Diante da
falha na prestação de serviço e da ausência de
engano justificável, o valor erroneamente
Laércio Pinto Moreira Correia
OAB: 404794 / SP

descontado da conta corrente deve ser restituído


na forma dobrada, conforme o art. 42, parágrafo
único, do Código de Defesa do
Consumidor. 3. O engano do banco em
descontar prestações referentes a contrato de
consórcio inexistente é injustificável, motivo
pelo qual deve responder pelos danos morais
causado ao correntista. 4. O arbitramento do
valor indenizatório deve obediência aos
princípios da razoabilidade e
proporcionalidade, de forma que a soma não
seja tão grande que provoque o enriquecimento
da vítima, nem tão pequena que se torne
inexpressiva. 5. Apelação conhecida e
[Link]ânime.

(Acórdão 1314258, 07181779820208070001,


Relator: FÁTIMA RAFAEL, 3ª Turma Cível,
data de julgamento: 3/2/2021, publicado no
PJe: 9/2/2021. Pág.: Sem Página Cadastrada.)

Ação declaratória de inexistência de débito c.c.


indenizatória. Descontos realizados na conta
corrente em virtude de débito automático.
Legitimidade passiva do banco. Não
demonstração, pelo banco, de que o correntista
autorizou o débito automático. Falha na
prestação de serviços. Determinação de
devolução em dobro. Art. 252, do Regimento
Interno. Dano moral configurado. Sentença
mantida, exceto com relação ao valor da
indenização por dano moral, e o termo inicial
dos juros moratórios. Majoração da
indenização. Termo inicial dos juros moratórios
com a citação válida, em relação aos valores a
serem devolvidos, bem como da indenização
por dano moral. Recursos parcialmente
providos.

(TJSP; Apelação Cível 1001400-


62.2022.8.26.0066; Relator (a): Luis Carlos de
Laércio Pinto Moreira Correia
OAB: 404794 / SP

Barros; Órgão Julgador: 20ª Câmara de Direito


Privado; Foro de Barretos - 3ª Vara Cível; Data
do Julgamento: 24/10/2022; Data de Registro:
24/10/2022)

REPETIÇÃO DE INDÉBITO C.C. DANOS


MORAIS. DESCONTO NÃO AUTORIZADO
EM CONTA CORRENTE. Autor que pretende
a restituição em dobro de valores descontados
pela instituição financeira em favor da
seguradora ré, bem como indenização por
danos morais. Sentença de parcial procedência.
Apelo do autor. Danos morais. Ocorrência.
Requerente com idade já avançada e que foi
vítima de descontos abusivos em sua conta
corrente, com autorização indevida da
instituição financeira. Seguradora que figura
como ré em diversos processos fundados na
mesma cobrança indevida. Conduta ilegal e
reiterada de violação aos direitos dos
aposentados que deve ser coibida. Danos
morais que devem ser fixados em quantum
adequado ao caráter punitivo e compensatório
da medida. Sentença parcialmente reformada.
Recurso parcialmente provido.

(TJSP; Apelação Cível 1004603-


78.2019.8.26.0020; Relator (a): Mary Grün;
Órgão Julgador: 32ª Câmara de Direito Privado;
Foro Regional XII - Nossa Senhora do Ó - 6ª
Vara Cível; Data do Julgamento: 25/03/2022;
Data de Registro: 25/03/2022)

Assim como o artigo 39, III, Código de Defesa do Consumidor;


“Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras
práticas abusivas:
III - enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação prévia,
qualquer produto, ou fornecer qualquer serviço”;
Laércio Pinto Moreira Correia
OAB: 404794 / SP

e os artigos 186 e 187 do Código Civil:


“Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência
ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral,
comete ato ilícito. “
“Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao
exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social,
pela boa-fé ou pelos bons costumes.”
Uma vez infringido os princípios ora analisados, cabe uma sanção a empresa e
um ressarcimento pelo dano causado ao consumidor. O dano moral, por sua vez, atinge
ambos objetivos.
Como expressado anteriormente, é nítido o dano moral que o autor sofreu.
Cabe salientar a lição do Professor Desembargador SÉRGIO CAVALIERI
FILHO, em sua obra “Programa de responsabilidade Civil”, Ed. Malheiros, 1998, o qual
ensina que:
“…deve ser reputado como dano moral,
a dor, o vexame, sofrimento ou humilhação que,
fugindo a normalidade, interfira intensamente
no comportamento psicológico do indivíduo,
causando-lhe aflições, angústia e desequilíbrio
em seu bem-estar… Se assim não se entender,
acabaremos por banalizar o dano moral,
ensejando ações judiciais em busca de
indenizações pelos mais triviais
aborrecimentos”.

Como ensina o eminente e saudoso civilista CAIO MÁRIO DA SILVA


PEREIRA, quando se cuida de dano moral, o fulcro do conceito ressarcitório acha-se
deslocado para a convergência de duas forças:
”'caráter punitivo', para que o causador do dano, pelo fato da condenação, se veja
castigado pela ofensa que praticou; e o 'caráter compensatório' para a vítima, que receberá
uma soma que lhe proporcione prazeres como contrapartida do mal sofrido"
(Responsabilidade civil, Rio de Janeiro, Forense, 1.990, p. 62).
A jurisprudência moderna aponta a aplicabilidade do dano moral, quando da falha
da prestação de serviços que ocasiona dano ao consumidor.
Desse modo, evidencia-se a responsabilidade da empresa Ré e o dano sofrido pelo
autor. Já que aquela cometeu um ilícito previsto no Código de Defesa do Consumidor ao
surpreender o Autor e este, por sua vez, teve um dano em sua moral.
O STJ, nessa linha de entendimento já reconheceu o direito do consumidor à
indenização pelo desvio produtivo diante do desperdício do tempo do consumidor para
Laércio Pinto Moreira Correia
OAB: 404794 / SP

solucionar um problema gerado pelo fornecedor, afastando a idéia do mero


aborrecimento, in verbis:

"Adoção, no caso, da teoria do Desvio


Produtivo do Consumidor, tendo em vista que a
autora foi privada de tempo relevante para
dedicar-se ao exercício de atividades que
melhor lhe aprouvesse, submetendo-se, em
função do episódio em cotejo, a intermináveis
percalços para a solução de problemas oriundos
de má prestação do serviço bancário. Danos
morais indenizáveis configurados. (...) Com
efeito, tem-se como absolutamente
injustificável a conduta da instituição financeira
em insistir na cobrança de encargos
fundamentadamente impugnados pela
consumidora, notório, portanto, o dano moral
por ela suportado, cuja demonstração
evidencia-se pelo fato de ter sido submetida,
por longo período por mais de três anos, desde
o início da cobrança e até a prolação da
sentença], a verdadeiro calvário para obter o
estorno alvitrado, cumprindo prestigiar no caso
a teoria do Desvio Produtivo do Consumidor,
por meio da qual sustenta Marcos Dessaune que
todo tempo desperdiçado pelo consumidor para
a solução de problemas gerados por maus
fornecedores constitui dano indenizável, ao
perfilhar o entendimento de que a "missão
subjacente dos fornecedores é - ou deveria ser -
dar ao consumidor, por intermédio de produtos
e serviços de qualidade, condições para que ele
possa empregar seu tempo e suas competências
nas atividades de sua preferência.
Especialmente no Brasil é notório que
incontáveis profissionais, empresas e o próprio
Estado, em vez de atender ao cidadão
consumidor em observância à sua missão,
acabam fornecendo-lhe cotidianamente
produtos e serviços defeituosos, ou exercendo
práticas abusivas no mercado, contrariando a
lei. Para evitar maiores prejuízos, o consumidor
se vê então compelido a desperdiçar o seu
Laércio Pinto Moreira Correia
OAB: 404794 / SP

valioso tempo e a desviar as suas custos a s


competências - de atividades como o trabalho,
o estudo, o descanso, o lazer - para tentar
resolver esses problemas de consumo, que o
fornecedor tem o dever de não causar. Tais
situações corriqueiras, curiosamente, ainda não
haviam merecido a devida atenção Direito
brasileiro. Trata-se de fatos nocivos que não se
enquadram nos conceitos tradicionais de 'dano
material', de 'perda de uma chance' e de 'dano
moral' indenizáveis. Tampouco podem eles (os
fatos nocivos) ser juridicamente banalizados
como 'meros dissabor e sEu percalços' na vida
do consumidor, como vêm entendendo muitos
juristas e tribunais." [2[Link]
[Link]/advogados-leis-
jurisprudencia/71/desvio-produto-
doconsumidor-tese-do-advogado-marcos -
ddessaune-255346-1. asp] .(...).(AREsp
1.260.458/SP - Ministro Marco Aurélio
Bellizze)

A jurisprudência, aqui representada pelos arestos abaixo, assim se posiciona:

APELAÇÕES CÍVEIS. DIREITO DO


CONSUMIDOR. AÇÃO INDENIZATÓRIA.
AQUISIÇÃO DE PRODUTO
[Link]ÊNCIA DE TROCA
DO PRODUTO OU RESTIUIÇÃO
DOVALOR PAGO PELA CONSUMIDORA.
SENTENÇA DEPROCEDÊNCIA. VÍCIO DO
PRODUTO. ARTIGO 18, DO CÓDIGODE
DEFESA DO CONSUMIDOR. DANO
MORAL [Link] DA
APELANTE EM TER CUMPRIDO COM UM
DEVERTÃO BANAL IMPOSTO PELA LEI.
RESPONSABILIZAÇÃO CIVILPELA
PERDA INJUSTA E INTOLERÁVEL DO
TEMPO ÚTIL, APLICANDO-SE A TEORIA
DO DESVIO
Laércio Pinto Moreira Correia
OAB: 404794 / SP

[Link] QUE
PERMANECEU QUATRO MESES SEM
AUTILIZAÇÃO DO BEM ESSENCIAL.
DANO MORALRAZOAVELMENTE
ARBITRADO EM R$3.000,00 (TRÊS
MILREAIS). DESPROVIMENTO DOS
RECURSOS. Conclusões:
PORUNANIMIDADE, NEGOU-SE
PROVIMENTO AO RECURSO,
NOSTERMOS DO VOTO DO DES.
RELATOR. (TJ-RJ, APELAÇÃO0010547-
68.2019.8.19.0054, Relator(a): DES.
BENEDICTO ABICAIR, Publicado em:
18/02/2020).

A perda de tempo de vida útil do consumidor, em razão da falha da prestação do


serviço não constitui mero aborrecimento do cotidiano, mas verdadeiro impacto negativo
em sua vida, devendo ser indenizado.
Portanto, cabível a indenização por danos morais, e nesse sentido, a indenização
deve representar para a vítima uma satisfação capaz de amenizar de alguma forma o abalo
sofrido e de infligir ao causador sanção e alerta para que não volte a repetir o ato, uma
vez que fica evidenciado completo descaso aos transtornos causa dos.
De certo, o valor da reparação pleiteada não pode servir de enriquecimento sem
causa em razão de valores astronômicos, mas, igualmente, não pode servir de mais
humilhação diante da sua inexpressividade.

C) DA REPETIÇÃO DO INDÉBITO

Portanto, relação jurídica existente deve ser entendida como de consumo, prevista
na Lei nº 8.078/90, envolvendo de um lado, o adquirente requerente e de aplique-se ao
postulante todos os preceitos declarados no Diploma Consumerista.
Entende a jurisprudência majoritária que o consumidor lesado não é obrigado a
esgotar as vias administrativas para poder ingressar com ação judicial, mas sim, pode
fazê-lo imediatamente após deflagrado o dano.
Mesmo assim o autor, fez jus a uma conduta parcimônia e amigável com a
requerida e procurou resolver administrativamente seu direito. Más passado todo esse
tempo, a falta de eficiência para resolução do conflito somada a sensação de ter sido
violada financeiramente só gerou mais perturbação e desgaste emocional.
Laércio Pinto Moreira Correia
OAB: 404794 / SP

Diante da tal situação o autor não encontrou outra forma a não ser ajuizar presente
ação para ter seus direitos como consumidor e cidadã garantidos.
Confere a Lei 8.078/90, diante do acontecido narrado acima, que o autor possui
direito de receber não só a quantia paga, mas o dobro de seu valor, conforme artigo 42,
parágrafo único, no qual diz, in verbis:
“O consumidor cobrado em
quantia indevida tem direito à repetição do
indébito, por valor igual ao dobro do que pagou
em excesso, acrescido de correção monetária e
juros legais, salvo hipótese de engano
justificável.”
Nesse entendimento decorre o valor de R$ 22.414,96 (Vinte e dois mil,
quatrocentos e quatorze reais e noventa e seis centavos) corrigidos e com juros, a ser
reconhecido e pago ao autor.
A jurisprudência pátria caminha para validar essa mesma tese, de acordo com a
ementa descrita:
APELAÇÃO. AÇÃO
DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE
RELAÇÃO JURÍDICA CUMULADA COM
PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
INEXISTÊNCIA DE PROVA DA
CONTRATAÇÃO. RESTITUIÇÃO EM
DOBRO. MÁ-FÉ. IRRELEVÂNCIA.
CABIMENTO. ENTENDIMENTO
SUFRAGADO PELA CORTE ESPECIAL DO
COLENDO SUPERIOR TRIBUNAL DE
JUSTIÇA (STJ). RECURSO DA PARTE RÉ
IMPROVIDO E PROVIDO O APELO DA
PARTE AUTORA. A responsabilidade da
parte ré é objetiva por desconto indevido na
conta-corrente da parte autora, sem prova da
contratação, sendo inegável o dever de
restituição dos valores. Conforme
entendimento sufragrado pelo C. STJ, é
irrelevante a existência de má-fé no caso de
repetição de indébito para autorizar a devolução
em dobro, nos termos do art. 42 do Código de
Defesa do Consumidor (CDC). Daí por que, no
caso, necessária a condenação a restituir em
dobro a quantia ilicitamente cobrada.

(TJSP;
Apelação Cível 1006171-
82.2020.8.26.0477; Relator (a): Adilson de
Laércio Pinto Moreira Correia
OAB: 404794 / SP

Araujo; Órgão Julgador: 31ª Câmara de Direito


Privado; Foro de Praia Grande - 2ª Vara Cível;
Data do Julgamento: 21/09/2021; Data de
Registro: 21/09/2021)

A empresa Ré deve responder pela lisura em suas cobranças, tomando para tanto,
todas as medidas cabíveis para evitar prejuízos ao consumidor. É notória a falha de
procedimento da empresa ao cobrar por contrato inexistente, devendo, portanto, assumir
pelos danos decorridos e, ainda, ser a rigor penalizada a fim de não reincidir sobre os
mesmos erros com outros clientes.

Do Pedido:

Diante do exposto requer:

a) A citação da ré, no endereço já declinado no preâmbulo desta peça, por meio de seus
representantes legais, para que apresente contestação, sob pena de revelia;

b) Seja declarada a inversão do ônus da prova conforme o Art. 6, VIII do Código de defesa
do consumidor, vez em que a parte autora não tem condições de por si só produzir as
provas necessárias para a elucidação dos fatos narrados na inicial;

c) A devolução do valor em dobro cobrado indevidamente conforme preceitua o Art. 42


no seu Parágrafo Único do Código de defesa do Consumidor;

d) Seja, finalmente, declarado a INEXISTÊNCIA de qualquer negócio jurídico pendente


entre o Autor e a empresa Ré, condenando a empresa Ré a repetição de indébito em dobro,
ou seja, no valor de R$ 22.414,96 (Vinte e dois mil, quatrocentos e quatorze reais e
noventa e seis centavos) nos termos do artigo 42, parágrafo único do CDC, e danos morais
no valor de R$ 10.000,00 (dez mil Reais).

e) A total procedência dos pedidos aduzidos, bem como condenação da empresa Ré ao


pagamento de danos morais, no valor de R$ 10.000,00 (Dez mil Reais);

f) Provar o alegado por todos os meios de provas admitidos, inclusive com a juntada da
documentação em anexo, bem como, requer, ainda, autorização para posterior juntada
de novos documentos;

g) A condenação do Requerido no pagamento das custas e despesas processuais, além dos


honorários advocatícios em 20% nos termos do artigo 85 do Código de Processo Civil;
Laércio Pinto Moreira Correia
OAB: 404794 / SP

h) Por fim, requer que todas as intimações e/ou notificações sejam feitas em nome do
advogado Laercio Pinto Moreira Correia OAB 404794, sob pena de nulidade dos atos
processuais.

Dá-se à causa o Valor de R$ 32.414,96 (Trinta e dois mil quatrocentos e quatorze


Reais e noventa e seis centavos).

Termos em que,

Pede deferimento.

São Paulo, 09 de Março de 2024.

Advogado: Laércio Pinto Moreira Correia.

OAB Número: 404794-SP

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